EDUCACIAS – Ensino de Ciências em foco
Produto educacional fruto da dissertação intitulada “Ensino de Ciências nos anos finais do Ensino fundamental, alfabetização científica e práticas educativas". Autor: Letícia de Oliveira Santos. Orientador: Kléber Cavalcanti Serra.
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Apêndice 6 - Produto Educacional
110
LETICIA DE OLIVEIRA SANTOS
EDUCACIAS BLOG: ENSINO DE CIÊNCIAS EM FOCO
Produto Educacional apresentado ao curso
de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e
Matemática, da Universidade Federal de
Alagoas (PPGECIM/UFAL) como parte das
exigências para a obtenção do título de
Mestre.
– Área de Concentração “Pedagogia”.
Orientador: Prof. Dr. Kleber Cavalcanti
Serra.
Maceió-AL
2019
111
112
113
SUMÁRIO
A PROPOSTA ..................................................................................................... 114
1 ENSINO DE CIÊNCIAS EM FOCO .................................................................... 115
1.1 Construtivismo e sociointeracionismo .............................................................. 117
2 PRODUTO EDUCACIONAL ............................................................................... 119
3 OBJETIVOS ...................................................................................................... 120
3.1 Geral ................................................................................................................ 120
3.2 Específicos ....................................................................................................... 120
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................................................ 121
5 ROTEIROS EXPERIMENTAIS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL .................. 125
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 135
114
A PROPOSTA
Esta proposta de Produto Educacional foi desenvolvida para atender às
exigências do Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática
(PPGECIM), da Universidade Federal de Alagoas, como requisito parcial para a
aquisição do título de mestre.
Neste trabalho é apresentado um produto educacional que foi a criação de um
Blogger, intitulado: EDUCACIAS – Ensino de Ciências em foco, dialogando sobre
práticas educativas bem como compreensão e meios para a incorporação da
Alfabetização Científica no Ensino de Ciências. Incluímos ainda neste produto
sugestões didáticas de roteiros experimentais para serem desenvolvidos nos Anos
finais do Ensino Fundamental.
115
1 ENSINO DE CIÊNCIAS EM FOCO
O Ensino de Ciências Naturais no Ensino Fundamental compreende áreas
distintas, com formação inicial e continuada também distintas, a saber: Biologia,
Química, Física, e a própria licenciatura em Ciências da Natureza.
Pozo e Crespo (2009, p. 247) afirmam que o Ensino de Ciências se torna
mais efetivo se necessariamente:
[...] todos estejamos no mesmo currículo, que adotemos todos o mesmo
enfoque, ou se isso não for possível, porque aqui também é preciso
considerar a diversidade de pontos de vista que pelo menos saibamos qual
é o enfoque que cada um de nós tem e como podemos torná-los
compatíveis. Para isso precisamos conhecer quais são os principais
enfoques a partir dos quais foi abordado o ensino de ciências.
Figura 01 – Símbolos das ciências naturais
Fonte: Google Imagens
116
A importância do Ensino de Ciências não apenas se caracteriza por ser uma
disciplina integrante do currículo escolar, mas como base primordial para formação
de cidadãos críticos, reflexivos e ativos na sociedade.
O Ensino de Ciências passou por uma evolução significativa, mas trilhou
desafios e necessidades específicas, alicerçado na superação de um ensino
fragmentado, incidindo diretamente nos campos do conhecimento educacional,
tecnológico e ambiental.
Delizoicov, Angioti e Pernambuco (2002, p. 12) afirmam que:
[...] o desafio é educar as crianças e os jovens, propiciando-lhes um
desenvolvimento humano, cultural, científico e tecnológico, de modo que
adquiram condições para enfrentar as exigências do mundo
contemporâneo.
Este desenvolvimento apresentado pelos autores representa a formação
integral como fator de atuação direta da escola, considerando as especificidades de
cada área com direcionamento aos saberes multi e interdisciplinares.
O ensino de ciências traz muitas especificidades, e, provavelmente, a mais
desafiadora é o percurso que as áreas percorrem juntas para garantir aos alunos
formas de aprendizagens que possam ser vivenciadas e continuadas ao longo da
vida através de metodologias mais atuais.
Essas metodologias foram historicamente construídas, pedagogicamente
ressignificadas e reorganizadas para que a escola busque ofertar um ensino
incorporado ao construtivismo e ao sociointeracionismo, pressupostos delimitados
por Piaget e Vygotsky, respectivamente.
Portanto, se queremos ensinar Ciências, se queremos que nossos alunos
aprendam Ciências, construindo eles próprios os conceitos que queremos
ensinar, então é preciso que em cada aula, em cada atividade, os
incentivemos a compreender o que já sabem fazer. Carvalho et al. (2009, p.
24)
A construção dos conceitos e compreensão do que os alunos já
sabem, apresentados por Carvalho et al. (2009), corresponde à perspectiva
construtivista piagetiana de ensino-aprendizagem.
117
1.1 Construtivismo e sociointeracionismo
Piaget evidenciou em seus estudos a ideia de que o conhecimento não é algo
dado, mas construído pelo sujeito a partir das interações feitas em todas as esferas
vivenciadas. “Piaget acreditava que o desenvolvimento infantil progride ao longo de
uma série de estágios...” Lefrançois (2008, p. 245).
Os estágios de desenvolvimento cognitivo das crianças tão bem estudados e
especificados por Piaget são os seguintes: Sensório-motor (do nascimento aos 2
anos), Pré-operacional (dos 2 aos 7 anos), Preconceitual (dos 2 aos 4 anos),
Intuitivo (dos 4 aos 7 anos), Operações concretas (dos 7 aos 11 ou 12 anos),
Operações formais (dos 11 aos 12 anos ou dos 14 aos 15 anos).
Cada estágio possui suas características e representações cognitivas, deste
modo, para Piaget, cada estágio é um momento de descoberta pela criança e de
constante transformação e evolução do conhecimento.
A associação do Ensino de Ciências com a perspectiva sociointeracionista de
Vygotsky é igualmente importante para a educação, pois, alia-se aos processos
comunicativos, interativos e troca de conhecimentos que são fundamentais para
todos nós.
Esta associação pode ser compreendida pela seguinte reflexão de Carvalho
et al. (2009, p. 31)
Na escola, na sala de aula, deve haver tempo para comunicação, reflexão e
argumentação entre os alunos, fatores importantes para o desenvolvimento
da racionalidade e dos conteúdos metodológicos e atitudinais, pois a
interação do aluno com seus iguais é imprescindível na construção,
eminentemente social, de um novo conhecimento. É também na discussão
com seus pares que surgem o desenvolvimento lógico e a necessidade de
se expressar coerentemente.
Vygotsky faz a relação entre as aproximações do que as crianças já sabem
com o que ainda vão aprender sob direcionamento de um adulto, para ele isto é
considerada a Zona de Desenvolvimento Proximal. Lefrançois (2008, p. 273) explica
que:
A zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky é o potencial da criança
para o desenvolvimento, definido por aquilo que a criança não consegue
inicialmente realizar sozinha, mas que, com a ajuda de outras pessoas
competentes, é capaz de realizar, depois, por si mesma.
118
A Zona de Desenvolvimento Proximal é
muito importante para
a
aprendizagem escolar, neste caso, o professor deverá atentar-se aos interesses e
necessidades dos estudantes, para que assim, as atividades sejam compreendidas
e tornem-se prazerosas. E é assim que as crianças aprendem: na interação com
outras pessoas, com outras crianças, com o adulto, com objetos, enfim, com o
mundo.
Deste modo, Piaget e Vygotsky sugerem que o ensino seja contextualizado e
adequado ao aluno na escola, levando em consideração suas experiências,
perspectivas de vida e perfil sociocultural, valorizando e respeitando as etapas do
desenvolvimento cognitivo e social de cada um.
Piaget e Vygotsky com seus estudos trouxeram grandes contribuições para
área de educação, mostraram assim, um novo modelo de ensino-aprendizagem,
com objetivos e resultados evidentemente concretos, e, consequentemente,
redirecionaram as ações da escola. Ambos consideram os sujeitos como seres
curiosos e ativos, capazes de construir hipóteses sobre o objeto que será estudado,
fazendo relação direta com o próprio meio.
A perspectiva construtivista e sociointeracionista muito se adequa ao Ensino
de Ciências e demais áreas pela associação direta à vida, fazendo com que cada
um
se
perceba
cotidianamente,
como
agente
principalmente
responsável
pelo
uso
por
racional
transformações
de
recursos
ocorridas
naturais
e
tecnológicos.
Deste modo, Lorenzetti (2000, p. 25) esclarece que:
A prática pedagógica deverá oportunizar aos educandos para além do
exercício da verbalização de ideias, discutir as causas dos fenômenos,
estabelecendo relações causais, entendendo os mecanismos dos
processos que estão estudando e analisando, onde e como aquele
conhecimento apresentado em sala de aula está presente em sua vida e,
sempre que possível, relacioná-lo com as implicações deste conhecimento
com a sociedade como um todo.
As ações apresentadas por Lorenzetti (2000) evidenciam um Ensino de
Ciências contextualizado, considerando os estudantes como agentes ativos da
aprendizagem. É essencial ao trabalho docente a singularidade e a abertura de
espaços educativos capazes de agregar valores do cotidiano dos sujeitos com os
conteúdos comuns e necessários ao seu desenvolvimento cognitivo.
119
2 PRODUTO EDUCACIONAL
Esta proposta de Produto Educacional foi desenvolvida para atender às
exigências do Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática
(PPGECIM), da Universidade Federal de Alagoas, como requisito parcial para a
aquisição do título de mestre.
Neste trabalho é apresentado um produto educacional que foi a criação de um
Blogger, intitulado: EDUCACIAS – Ensino de Ciências em foco, dialogando sobre
práticas educativas bem como compreensão e meios para a incorporação da
Alfabetização Científica no Ensino de Ciências. Incluímos ainda neste produto
sugestões didáticas de roteiros experimentais para ser desenvolvidos nos Anos
finais do Ensino Fundamental.
O link para acessar o blog Educacias – Ensino de Ciências em foco segue
abaixo, com objetivo de trazer discussões relevantes que visam melhorias no
processo ensino-aprendizagem de Ciências no Ensino Fundamental:
Educacias - https://educacias.blogspot.com/
120
3 OBJETIVOS
3.1 Objetivo geral:
Criar um blog para dialogar com professores e pesquisadores sobre o Ensino
de Ciências Naturais, bem como a sua importância para a vida cotidiana.
3.2 Objetivos Específicos:
Criar um blog;
Entrevistar professores e pesquisadores da área de Ciências Naturais por
meio de um dispositivo que armazene áudios e vídeos (celular ou câmera
digital);
Inserir as entrevistas no blog.
Formular enquetes para discutir o Ensino de Ciências e Alfabetização
Científica;
Compartilhar experimentos e práticas educativas exitosas;
Compartilhar artigos da área de ciências da natureza para fundamentar
nossas práticas educativas;
Divulgar eventos ligados à área em discussão;
Sequenciar roteiros experimentais para serem desenvolvidos nos Anos Finais
do Ensino Fundamental.
121
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
De início será criado o blog. Em seguida, segundo o roteiro que será aqui
descriminado, faremos entrevistas com os professores e pesquisadores da área de
Ciências da Natureza. No site do Blogger rádio também haverá sugestões de
roteiros experimentais para os Anos Finais do Ensino Fundamental como proposta
para
aulas
práticas
de
Ciências
numa
perspectiva
construtivista
e
sociointeracionista.
As entrevistas com os professores da Educação Básica serão gravadas por
meio de um dispositivo que armazene as informações concedidas pelos
participantes, os arquivos deverão estar em formato MP3 e depois inseridos no blog.
As entrevistas com os pesquisadores da área de Ciências Naturais serão
igualmente e gravadas por meio de um dispositivo que armazene as informações e
da mesma forma inseridas no blog.
Entrevista 1
Serão selecionado professores da Educação Básica em exercício profissional no
Ensino Fundamental com formação em Biologia, Química, Física, Pedagogia e
Matemática. Os professores selecionados serão convidados a responder o seguinte
questionamento:
I- Dentro da sua área de formação, qual a importância do Ensino de Ciências
no Ensino Fundamental numa perspectiva construtivista, e a sua relação direta
com os assuntos do cotidiano?
(Esta pergunta poderá ser reformulada a depender da formação do colaborador)
Entrevista 2
Serão selecionados pesquisadores da área de Ciências, da Universidade Federal de
Alagoas, e convidados a responderem o seguinte questionamento:
122
II- Diante de tantas especificidades da formação de professores, bem como as
dificuldades vivenciadas na Educação Básica brasileira, como é possível
articular o Ensino de Ciências com a Alfabetização Científica?
(Esta pergunta poderá ser reformulada a depender da formação do colaborador)
A entrevista seguirá o seguinte roteiro:
A. Apresentação do blog Educacias – Ensino de Ciências em foco;
B. Apresentação do professor/pesquisador participante:
Nome.
Formação Acadêmica.
Atuação.
C. Questionário.
As respostas deverão ter entre 4 a 5 minutos.
Após esta etapa, os áudios em formato mp3 serão inseridos no blog
Educacias14 - Ensino de Ciências em foco, ficando disponível na internet para
pesquisas na área.
14
Link para acesso ao blog: https://educacias.blogspot.com/
123
Figura 02 – Design do blog/parte 01
Fonte: https://educacias.blogspot.com/
Figura 03 – Design do blog/parte 02
Fonte: https://educacias.blogspot.com/
124
Figura 04 – Design do blog/parte 03
Fonte: https://educacias.blogspot.com/
Figura 05 – Design do blog/parte 04
Fonte: https://educacias.blogspot.com/
125
5 ROTEIROS EXPERIMENTAIS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL
Ao considerar o ensino de Ciências como ferramenta essencial para a
compreensão das mais diversas situações do cotidiano, e numa perspectiva
construtivista e sociointeracionista já mencionadas no início deste trabalho,
organizamos alguns roteiros experimentais e de baixo custo para serem explorados
nos Anos Finais do Ensino fundamental.
Estes roteiros experimentais foram selecionados por Ana Claudia da Silva
Ponce, Bióloga e professora de Ciências dos Anos Finais do Ensino Fundamental
em um município do Estado de Mato Grosso. São experimentos de baixo custo que
podem ser realizados na sala de aula, ou no laboratório da escola, em momentos
destinados às aulas práticas.
Vale salientar que aulas práticas devem ter o planejamento e os objetivos
bem definidos para que momentos experimentais possam ser explorados para
aprendizagem dos estudantes, com abertura de espaço para oralidade, observação,
reflexão-ação, trabalhos em grupo e, principalmente sistematização escrita das
etapas e resultados.
Desta forma, aulas práticas proporcionam infinidades de situações favoráveis,
com a formação de grupos de trabalho e o aperfeiçoamento da escrita da linguagem
formal.
Ao final do experimento, o professor poderá solicitar que os estudantes
descrevam oralmente e por escrito os resultados.
A importância da descrição oral é a oportunidade de estabelecer interações
entre os participantes, organizando momentos para ouvir, falar, complementar
narrativas, além da observação e cooperativismo.
Na escrita, temos o aperfeiçoamento da linguagem formal, além da sequencia
lógica do experimento e materiais utilizados. Este procedimento é de suma
importância para haver interdisciplinaridade no ensino de Ciências e de Língua
portuguesa. “É importante para o ensino de Ciências que os alunos consigam se
expressar não só verbalmente, mas também por meio da escrita, esse é o objetivo
de toda a escola fundamental.” Carvalho et al. (2009, p. 24).
126
6.1 Roteiros experimentais para o 6° ano
O AR OCUPA LUGAR NO ESPAÇO?
Material
Procedimento
Algodão;
Encha a vasilha com água. Coloque o algodão
Vasilha;
no fundo do copo. Com o copo com a boca para
Água;
baixo e reto mergulhe dentro da vasilha, aguarde
Copo.
alguns minutos, retire o copo.
Espera-se que o algodão não molhe, porque o ar ocupa lugar no espaço,
impedindo que a água vá até o fundo do copo.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 15.
O EFEITO ESTUFA DIANTE DOS SEUS OLHOS
Material
Procedimento
Dois copos com água;
Forre o interior da caixa com o papel-alumínio,
Uma caixa de sapatos;
coloque um dos copos com água dentro dela e
Filme plástico;
tampe-a com o filme plástico. Depois, coloque a
Papel alumínio;
caixa e o segundo copo com água na direção de
Tesoura;
uma luz forte. Um dia ensolarado é perfeito para
Termômetro.
realizar essa experiência.
Depois de uns 15 minutos, abra a caixa e veja
qual copo d’água está mais quente. Se você tiver
um termômetro pode conferir com ele, mas é
possível sentir com o dedo mesmo.
Espera-se que a água do copo que está dentro da caixa esteja mais aquecida
do que a água do copo que está fora.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 16.
15
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=Qtq5y9FiBkQ
16
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=ZXRp_YzvbH0
127
OVO NA GARRAFA
Material
Procedimento
Ovo;
Cozinhe bem o ovo por 15 minutos.
Garrafa de vidro de boca
Descasque o ovo. Acenda o algodão e
larga;
com o palito coloque-o dentro da garrafa,
Algodão;
rapidamente coloque o ovo na boca da
Palito;
garrafa.
Fósforo ou acendedor.
Espera-se que o ovo seja empurrado inteiro para dentro da garrafa.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 17.
FAZENDO A ÁGUA SUBIR
Material
Procedimento
Vela;
Fixe a vela no prato. Misture a água com o
Isqueiro;
corante, despeje esta mistura no prato.
Prato;
Cubra a vela com o copo de vidro.
Água;
Copo de vidro;
Corante.
Espera-se que a água suba dentro da garrafa, aos poucos a vela se apaga.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 18.
17
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=v0TCHKHcB8k
18
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=c9utVkLBN9w
128
6.2 Roteiros experimentais para o 7° ano
CONSTATANDO A PRESENÇA DE MICRO-ORGANISMOS
Material
Procedimento
Material (para o meio de cultura)
Dissolver a gelatina incolor na água,
1 pacote de gelatina incolor; conforme instruções do pacote. Misturar
1 xícara de caldo de carne;
ao caldo de carne.
1 copo de água.
Material (para a experiência)
Passar o cotonete no chão ou entre os
dentes, ou ainda entre os dedos dos pés
Duas placas de petri (ou
(de preferência depois de eles ficarem
duas tampas de margarina
por um bom tempo fechados). Há ainda
ou dois potinhos rasos);
outras opções como usar um dedo sujo
Cotonetes;
ou uma nota de 1 real. O cotonete é
Filme plástico;
esfregado levemente sobre o meio de
Etiquetas adesivas;
cultura para contaminá-lo. Tampe as
Caneta.
placas de petri ou envolva as tampas de
margarina com filme plástico. Marque nas
etiquetas adesivas que tipo de
contaminação foi feita. Depois de três
dias, observe as alterações.
Espera-se que os meios de cultura apresentem colônias de fungos e
bactérias, isto é perceptível porque os meios de cultura terão pontos característicos
de micro-organismos.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 19.
19
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=FY1-7eIijaY
129
ESTRAGANDO O MINGAU
Material
5 copinhos de café;
numerados;
1 saco plástico ou filme
plástico;
2 colheres de amido de
milho;
Procedimento
Prepare o mingau com o amido de milho e
um copo de água. Misture bem e leve ao
fogo até engrossar. Coloque o mingau ainda
quente até a metade dos copinhos.
Deixe o copo 1 aberto em cima da
pia do laboratório.
1 colher de óleo;
Cubra o 2 com o filme plástico, vede-
1 colher de sopa;
o, e deixe também sobre a pia.
1 panela pequena;
O 3 é completado com óleo e, o 4,
1 copo de vidro;
1 colher de vinagre;
Água.
com vinagre.
O 5 é colocado na geladeira, sem
cobertura.
Espera-se que o mingau que ficou exposto em temperatura ambiente esteja
estragado e com colônia de fungos e bactérias, os demais permaneçam inalterados.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 20.
FEIJÃO NO ALGODÃO
Material
Procedimento
1 copos transparente;
Coloque algodão no fundo do copo, em
Algodão;
seguida algumas sementes de feijão (três ou
Sementes de feijão.
4). Regue-as diariamente e acompanhe as
mudanças. No 3° dia já é possível ver o
crescimento dos feijões.
Espera-se que as sementes de feijão comecem a germinar. A água umedece
o algodão e permite que a semente que já tem nutrientes cresça.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 21.
20
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=F7_dlaBDQAI
21
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=v3pgQUmNvZ4
130
POR ONDE A ÁGUA SOBE?
Material
Procedimento
Copo com água;
Este experimento dará certo para qualquer
Anilina de cor forte;
tipo de flor ou, até mesmo, folhas, mas nem
Flor de cor clara.
sempre será tão fácil de perceber o
resultado. Para que o resultado seja bem
visualizado, é necessário escolher flores
brancas ou claras para montar o experimento
como margaridas, rosas, crisântemos.
Se sua flor não for totalmente branca, pelo
menos utilize uma anilina de uma cor bem
diferente.
Corte a extremidade do caule diagonalmente
e logo coloque dentro da água com anilina.
Adicione as flores brancas de forma que a
extremidade do caule fique dentro da água.
Espera-se que a água colorida pela anilina seja transportada pelo caule da
planta até atingir as flores. Isso será perceptível quando as flores estiverem com
partes coloridas da mesma cor da anilina utilizada.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube22.
22
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=ZPr8rEsd6KM
131
6.3 Roteiros experimentais para o 8° ano
IDENTIFICANDO A VITAMINA C
Material
Procedimento
Solução de iodo;
Numere e discrimine os copos.
Suco de limão puro;
No copo 1 prepare uma solução com água e
Suco de laranja puro;
farinha de trigo ou amido. Em seguida
Suco de laranja ou limão
distribua esta solução nos outros copos.
artificial;
No copo 2 acrescente um pouco de suco de
4 copos transparentes;
limão puro. No copo 3 acrescente um pouco
Farinha de trigo ou amido
de suco de laranja puro. No copo 4
de milho.
acrescente um pouco de suco artificial.
Conta-gotas
Em seguida pingue uma gota de iodo no
copo 1.
Faça o mesmo nos outros copos, porém
onde há suco natural será necessário pelo
menos 10 gotas de iodo para atingir a cor do
copo 1. No copo com suco artificial pingue
duas gotas de iodo.
Espera-se que o iodo reaja imediatamente com a farinha ou o amido deixando
a solução com uma cor azul arroxeada. Nos copos que contem suco natural, será
necessário colocar mais gotas de iodo, porque a presença da vitamina C está mais
concentrada. No copo que contem suco artificial, o iodo também reagirá mais rápido.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 23.
OSSO E O CÁLCIO
Material
Procedimento
Pote de vidro com tampa;
Coloque o osso no pote com vinagre. Deixe
Vinagre (ácido acético);
por 3 semanas. Observe o que aconteceu.
Osso de galinha.
23
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=64vP7ZWv1RM
132
Espera-se que osso da galinha após três semanas apresente um aspecto
flexível, pois o vinagre corrói o carbonato de cálcio, componente responsável pela
dureza do osso.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 24.
ENGANANDO O PALADAR
Material
Procedimento
Maça;
Um dos colegas deve segurar a cebola perto
Vendas para os olhos;
do nariz do colega vendado e depois dar a
Cebola.
ele um pedaço de maçã para comer. Em
seguida pergunta-se a esse aluno vendado o
que foi que ele comeu.
Espera-se que a pessoa, ao sentir o cheiro da cebola e comer a maçã ao
mesmo tempo, não consiga diferenciar o sabor daquilo que está comendo.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 25.
6.4 Roteiros experimentais para o 9° ano
O OVO AFUNDA OU BOIA?
Material
Procedimento
2 copos.
Coloque no copo 1 apenas água.
sal de cozinha.
No copo 2 coloque a mesma quantidade de
Água.
água e uma colher cheia de sal. A seguir,
2 ovos
coloque um ovo em cada copo.
Espera-se que o ovo colocado apenas na água afunde porque tem densidade
maior do que a água. Quando o ovo é colocado em água com sal, a densidade da
água aumenta e ovo flutua.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 26.
24
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=kAkYUD-sAYk
25
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=8I8XGy5v4QU
26
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=RwENv63MlEU
133
O TATO PODE ENGANAR
Material
Procedimento
3 recipientes;
Coloque os recipientes um do lado do outro.
Água gelada;
No primeiro coloque água gelada, no outro
Água em temperatura ambiente;
coloque água em temperatura ambiente e no
Água morna.
outro coloque água morna. Coloque uma
mão na água fria e a outra na água morna.
Fique assim por cerca de um minuto, depois
coloque as duas mãos na água fresca.
Espera-se que ao colocar as mãos no recipiente de água em temperatura
ambiente, a mão que estava na água quente sinta frio e a mão que estava na água
fria tenha uma sensação de temperatura agradável.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 27.
TINTA INVISÍVEL
Material
Procedimento
Copo;
Criando a tinta: misture quantidades iguais
Bicarbonato de sódio;
de água e bicarbonato de sódio, pronto.
Água;
Agora escreva algo ou desenhe no papel.
Cotonetes;
Depois de pronto deixe secar.
Pincel;
Pincele com extrato de repolho sobre a
Folha de papel;
escrita ou desenho para fazer a revelação.
Extrato de repolho.
Espera-se que quando pincelar o estrato de repolho na escrita ou desenho
aconteça a revelação.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 28.
27
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=pkc4XbG8A0Y
28
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=WMrGbWXRJ_Q
134
DENSIDADES DE LÍQUIDOS DIFERENTES
Material
Procedimento
2 copos;
Nos dois copos coloque, separadamente,
Água;
volumes iguais de água e álcool. A seguir,
Álcool comum;
em cada copo, coloque um cubo de gelo.
2 cubos de gelo.
Espera-se que o gelo flutue na água porque tem densidade menor, enquanto
que, no álcool, o gelo afunda por apresentar densidade maior.
A experiência pode ser observada a partir do site YouTube 29.
29
Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=QPOtZburrYo
135
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CARVALHO, Anna Maria Pessoa de et al. Ciências no ensino fundamental: O
conhecimento físico. São Paulo: Editora Scipione, 2009.
DELIZOICOV, Demétrio; ANGOTTI, José André; PERNAMBUCO, Marta Maria.
Ensino de ciências: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002.
LEFRANÇOIS, G. R. Teorias da aprendizagem. São Paulo: Cenage Learning,
2008.
LORENZETTI, L. Alfabetização Científica nas séries iniciais. Dissertação de
Mestrado. Centro de Ciências da UFSC, Florianópolis-SC, 2000.
POZO, J. I.; CRESPO, M. A. G. A aprendizagem e o ensino de ciências: do
conhecimento cotidiano ao conhecimento científico. 5. ed. Porto Alegre: Artmed,
2009.
136
ANEXOS
137
Anexo 01- Texto Ruth Rocha
Quando a escola é de vidro, Ruth Rocha
Naquele tempo eu até que achava natural que as coisas fossem daquele jeito.
Eu nem desconfiava que existissem lugares muito diferentes... Eu ia pra escola
todos os dias de manhã e quando chagava, logo, logo, eu tinha que me meter no
vidro. É, no vidro!
Cada menino ou menina tinha um vidro e o vidro não dependia do tamanho
de cada um, não! O vidro dependia da classe em que a gente estudava. Se você
estava no primeiro ano ganhava um vidro de um tamanho. Se você fosse do
segundo ano seu vidro era um pouquinho maior.
E assim, os vidros iam crescendo à medida em que você ia passando de ano.
Se não passasse de ano era um horror. Você tinha que usar o mesmo vidro do ano
passado. Coubesse ou não coubesse. Aliás nunca ninguém se preocupou em saber
se a gente cabia nos vidros. E pra falar a verdade, ninguém cabia direito. Uns eram
muito gordos, outros eram muito grandes, uns eram pequenos e ficavam afundados
no vidro, nem assim era confortável. Os muitos altos de repente se esticavam e as
tampas dos vidros saltavam longe, ás vezes até batiam no professor.
Ele ficava louco da vida e atarrachava a tampa com força, que era pra não
sair mais. A gente não escutava direito o que os professores diziam, os professores
não entendiam o que a gente falava...
As meninas ganhavam uns vidros menores que os meninos. Ninguém queria
saber se elas estavam crescendo depressa, se não cabia nos vidros, se respiravam
direito... A gente só podia respirar direito na hora do recreio ou na aula de educação
física. Mas aí a gente já estava desesperado, de tanto ficar preso e começava a
correr, a gritar, a bater uns nos outros.
As meninas, coitadas, nem tiravam os vidros no recreio. e na aula de
educação física elas ficavam atrapalhadas, não estavam acostumadas a ficarem
livres, não tinha jeito nenhum para Educação Física. Dizem, nem sei se é verdade,
que muitas meninas usavam vidros até em casa. E alguns meninos também. Estes
eram os mais tristes de todos. Nunca sabiam inventar brincadeiras, não davam
risada á toa, uma tristeza! Se agente reclamava? Alguns reclamavam. E então os
grandes diziam que sempre tinha sido assim; ia ser assim o resto da vida.
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Uma professora, que eu tinha, dizia que ela sempre tinha usado vidro, até pra
dormir, por isso que ela tinha boa postura. Uma vez um colega meu disse pra
professora que existem lugares onde as escolas não usam vidro nenhum, e as
crianças podem crescer a vontade. Então a professora respondeu que era mentira,
que isso era conversa de comunistas. Ou até coisa pior...
Tinha menino que tinha até de sair da escola porque não havia jeito de se
acomodar nos vidros. E tinha uns que mesmo quando saíam dos vidros ficavam do
mesmo jeitinho, meio encolhidos, como se estivessem tão acostumados que até
estranhavam sair dos vidros. Mas uma vez, veio para minha escola um menino, que
parece que era favelado, carente, essas coisas que as pessoas dizem pra não dizer
que é pobre. Aí não tinha vidro pra botar esse menino.
Então os professores acharam que não fazia mal não, já que ele não pagava
a escola mesmo... Então o Firuli, ele se chamava Firuli, começou a assistir as aulas
sem estar dentro do vidro. O engraçado é que o Firuli desenhava melhor que
qualquer um, o Firuli respondia perguntas mais depressa que os outros, o Firuli era
muito mais engraçado... E os professores não gostavam nada disso... Afinal, o Firuli
podia ser um mal exemplo pra nós...
E nós morríamos de inveja dele, que ficava no bem-bom, de perna esticada,
quando queria ele espreguiçava, e até mesmo que gozava a cara da gente que vivia
preso. Então um dia um menino da minha classe falou que também não ia entrar no
vidro. Dona Demência ficou furiosa, deu um coque nele e ele acabou tendo que se
meter no vidro, como qualquer um. Mas no dia seguinte duas meninas resolveram
que não iam entrar no vidro também: - Se o Firuli pode por que é que nós não
podemos?
Mas, Dona Demência não era sopa. Deu um coque em cada uma, e lá se
foram elas, cada uma pro seu vidro... Já no outro dia a coisa tinha engrossado. Já
tinha oito meninos que não queriam saber de entrar nos vidros. Dona Demência
perdeu a paciência e mandou chamar seu Hermenegildo que era o diretor lá da
escola. Seu Hermenegildo chegou muito desconfiado: - Aposto que essa rebelião foi
fomentada pelo Firuli. É um perigo esse tipo de gente aqui na escola. Um perigo! A
gente não sabia o que é que queria dizer fomentada, mas entendeu muito bem que
ele estava falando mal do Firuli. E seu Hermenegildo não conversou mais. Começou
a pegar os meninos um por um e enfiar á força dentro dos vidros. Mas nós
estávamos loucos para sair também, e pra cada um que ele conseguia enfiar dentro
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do vidro - já tinha dois fora. E todo mundo começou a correr do seu Hermenegildo,
que era pra ele não pegar a gente, e na correria começamos a derrubar os vidros. E
quebramos um vidro, depois quebramos outro e outro mais dona Demência já
estava na janela gritando:
- SOCORRO! VÂNDALOS! BÁRBAROS! (pra ela bárbaro era xingação).
Chamem o Bombeiro, o exército da Salvação, a Polícia Feminina...
Os professores das outras classes mandaram cada um, um aluno para ver o
que estava acontecendo. E quando os alunos voltaram e contaram a farra que
estava na 6° série todo mundo ficou assanhado e começou a sair dos vidros. Na
pressa de sair começaram a esbarrar uns nos outros e os vidros começaram a cair e
a quebrar. Foi um custo botar ordem na escola e o diretor achou melhor mandar
todo mundo pra casa, que era pra pensar num castigo bem grande, pro dia seguinte.
Então eles descobriram que a maior parte dos vidros estava quebrada e que ia ficar
muito caro comprar aquela vidraria tudo de novo.
Então, diante disso seu Hermenegildo pensou um bocadinho, e começou a
contar pra todo mundo que em outros lugares tinha umas escolas que não usavam
vidro nem nada, e que dava bem certo, as crianças gostavam muito mais. E que de
agora em diante ia ser assim: nada de vidro, cada um podia se esticar um
bocadinho, não precisava ficar duro nem nada, e que a escola agora ia se chamar
Escola Experimental. Dona Demência, que apesar do nome não era louca nem
nada, ainda disse timidamente:
- Mas seu Hermenegildo, Escola Experimental não é bem isso...
Seu Hermenegildo não se perturbou:
- Não tem importância. Agente começa experimentando isso. Depois a gente
experimenta outras coisas... E foi assim que na minha terra começaram a aparecer
as Escolas Experimentais. Depois aconteceram muitas coisas, que um dia eu ainda
vou contar...
