Fernanda Goulart Ritti Dias

Título da dissertação: Processamento estratégico e compreensão de leitura em inglês entre mestrandos da área de saúde

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

FERNANDA GOULART RITTI DIAS

Processamento estratégico e compreensão de leitura em inglês entre mestrandos da
área de saúde

Maceió
2013

FERNANDA GOULART RITTI DIAS

Processamento estratégico e compreensão de leitura em inglês entre
mestrandos da área de saúde

Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa
de
Pós-Graduação
em
Educação da Universidade Federal de
Alagoas, como requisito para a obtenção
do grau de Mestre em Educação.
Orientadora: Profa.
Matoso Silveira

Maceió
2013

Dra.

Maria

Inez

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Fabiana Camargo dos Santos
D541p

Dias, Fernanda Goulart Ritti.
Processamento estratégico e compreensão de leitura em inglês entre
mestrandos da área de saúde / Fernanda Goulart Ritti Dias. – 2013.
157 f.
Orientadora: Maria Inez Matoso Silveira.
Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Alagoas.
Centro de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação. Maceió, 2013.
Bibliografia: f. 103-109.
Apêndices: f. 110-153.
Anexos: f. 154-157.
1. Compreensão de leitura. 2. Língua inglesa – Leitura. 3. Estratégias de
leitura. 4. Educação superior. 5. Leitura e cognição. I. Título.

CDU: 378:802.0-085

Dedico esta dissertação a duas pessoas
que fazem a minha vida ter sentido: meu
esposo Raphael e minha amada filha,
Luiza.

AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradeço a Deuspor me abençoar nessa caminhada, por ter me
dado a sabedoria necessária para enfrentar mais um grande desafio;

Àminha orientadora, Professora Dra. Maria Inez Matoso Silveira, por ter acreditado
no meu trabalho, pelo apoio imenso e pelas horas de orientação;

Aos meus pais e ao meu irmão, por sempre estarem ao meu lado em todos os
momentos da minha vida;

Aos amigos Wagner e Mara, pela imensaajuda no primeiro passo dessa jornada;

À Edna Prado, por ter me incentivado e me apresentado a UFAL, pela acolhida
carinhosa durante essa jornada e, principalmente, por ter se tornado uma grande
amiga;

Aos queridos amigos Teresa e Waldemar, que me acolheram com muito afeto e
dedicação;

À Ana Amália, pelas idas e vindas na UFAL e pela sincera amizade que
construímos;

Aos diretores, coordenadores e professores da Universidade de Pernambuco que
me permitiram realizar a pesquisa;

Aos informantes participantes da pesquisa, mestrandos da Universidade de
Pernambuco, pela grande colaboração com a pesquisa;

À CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), pela
concessão da bolsa durante todo o período de realização deste mestrado.

“Anyone who stops learning is old, whether
at twenty or eighty”.
(Henry Ford)

RESUMO

Esta dissertação tem como tema central a compreensão de textos escritos em língua
inglesa entre mestrandos da área da saúde. Sabe-se que grande parte das publicações
da área de saúde está disponível em inglês em periódicos internacionais; assim sendo,
nos cursos de pós-graduação stricto sensu desta área, os alunos têm grande
necessidade da habilidade da leitura em língua inglesa. Além de dominar os aspectos
linguísticos, esses alunos precisam saber fazer uso de estratégias de leitura adequadas
ao se depararem com dificuldades no texto, em especial, no artigo científico. Nessa
perspectiva, o presente estudo teve como objetivo verificar a compreensão de leitura e
os processamentos estratégicos de compreensão de textos em inglês entre mestrandos
da área de saúde de uma universidade pública estadual de Pernambuco (UPE-Recife).
A pesquisa configura-se como qualitativa e interpretativa e foi realizada no segundo
semestre de 2011, e utilizou como instrumentos para coleta de dados um questionário
de sondagem, um teste cloze de múltipla escolha e protocolos verbais de leitura. A
pesquisa foi dividida em duas fases. A primeira fase verificou a compreensão de leitura
de 69 informantes num texto escrito lacunado (teste cloze), e a segunda fase analisou,
por meio de protocolos verbais, o processamento estratégico de 13 informantes. O
suporte teórico da pesquisa se baseou nos pressupostos cognitivos e metacognitivos do
processamento da compreensão de leitura a partir de vários autores, dentre eles citamse, Goodman (1967), Kato (1983, 1984, 2007), Kleiman (1983, 1989, 2002, 2004), Leffa
(1996), Nuttal (1982) e Silveira (2005), entre outros. Os resultados da pesquisa
confirmaram que a língua inglesa tem papel importante nos cursos de pós-graduação
pesquisados. No entanto, as baixas pontuações obtidas pelos informantes no teste cloze
indicaram que a compreensão de leitura em inglês entre esses alunos ainda está abaixo
do desejável. Os dados provenientes dos protocolos verbais indicaram que as maiores
dificuldades dos informantes que apresentaram baixa compreensão textual estão
relacionadas aos aspectos léxico-sintáticos do texto, aliada ao uso insuficiente e
improdutivo de estratégias cognitivas e metacognitivas de leitura. Por outro lado, os
alunos que obtiveram maiores pontuações mostraram utilizar variados tipos de
estratégias para compreender o texto e preencher as lacunas. Concluímos que não só a
ativação do conhecimento prévio sobre o assunto, o conhecimento da organização
textual e o uso eficaz de estratégias metacognitivas de leitura são relevantes para ajudar
na compreensão de textos em inglês, mas também o conhecimento de vocabulário e o
conhecimento sistêmico da língua são componentes importantes para uma leitura
eficiente e significativa na língua inglesa.
Palavras-chave: Compreensão de leitura. Leitura na língua inglesa.Estratégias
cognitivas e metacognitivas de leitura.Mestrandos da área de saúde.

ABSTRACT

The present study has as central subject reading comprehension in English among
graduate students in the field of health. It is known that most publications in this field
are available in English in international journals; therefore, these students need good
English readingskills. Besides mastering the linguistic aspects, they also have to
make use of proper reading strategies when facing difficulties in reading, mainly
research papers. Thus, the objective of the present study was to verify reading
comprehension in English and strategic processing among graduate students in the
field of health from a state university of Pernambuco (UPE-Recife, Brazil). This
qualitative and interpretative research was carried out in the second semester of
2011 and used as data collection the following instruments: a questionnaire, a
multiple-choice cloze test, and reading protocols. The research was divided into two
phases. The first phase assessed reading comprehension of 69 students by means
of a cloze test, and the second phase analyzedreading strategic processing of 13
students by means of reading protocols. The theoretical support was based on the
cognitive and metacognitive assumptions of reading comprehension processing from
several authors, such as Goodman (1967), Kato (1983, 1984, 2007), Kleiman (1983,
1989, 2002, 2004), Leffa (1996), Nuttal (1982), Silveira (2005), among others. The
results confirmed that English really plays an important role in the graduate courses
analyzed. However, the low scores obtained in the cloze test indicate that reading
comprehension among these students is still low. The protocols showed that most of
the difficulties of low level students are related to lexical-syntactic aspects of the text,
together with insufficient and unproductive uses of cognitive and metacognitive
reading strategies. We concluded that not only the previous knowledge on the
subject, the textual knowledge and the efficient use of metacognitive reading
strategies are relevant for reading texts in English, but also vocabulary and systemic
knowledge are important for an efficient and significative reading in English.
Keywords: Reading comprehension. Reading in English. Cognitive
metacognitive reading strategies.Graduate students in the field of health.

and

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Principais gêneros textuais utilizados como fonte de pesquisa dos
mestrandos da área da saúde ................................................................................... 58
Figura 2 - Idiomas utilizados nas pesquisas acadêmicas pelos mestrandos da área
da saúde.................................................................................................................... 59
Figura 3 - Dificuldades dos mestrandos durante a leitura de um artigo científico em
língua inglesa. ........................................................................................................... 60
Figura 4. Teste cloze de múltipla escolha aplicado ................................................... 69
Figura 6 - Protocolo verbal ........................................................................................ 78

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Modelo CARS, “Create a Research Space” ............................................ 35
Quadro 2 - Comparação entre o modelo de análise de necessidades da situaçãoalvo e da situação de aprendizagem ......................................................................... 38
Quadro 3 - Etapas da pesquisa desenvolvida ........................................................... 63
Quadro 4 - Informações gerais sobre os testes aplicados na pesquisa. ................... 68
Quadro 5 - Conhecimentos/habilidades exigidas para o preenchimento de cada
lacuna do protocolo verbal e a porcentagem de acertos de cada uma. .................... 79

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Estudo e convivência com a língua inglesa .............................................. 57
Tabela 1 - Estudo e convivência com a língua inglesa .............................................. 58
Tabela 2 -Desempenho dos 69 informantesno teste clozeaplicado .......................... 70
Tabela 3 - Informações sobre o número de acertos obtidos por meio dos dois
instrumentos, o teste cloze e o protocolo verbal dos 13 informantes. ....................... 71
Tabela 4 - Estratégias utilizadas durante a leitura de um texto em língua inglesa .... 75

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 13
1 O PROCESSAMENTO DA COMPREENSÃO DE TEXTOS ESCRITOS............... 17
1.1

O processo de compreensão de textos escritos: foco na coesão e

coerência.................................................................................................................. 17
1.2

Os modelos de leitura .................................................................................. 19

1.3

Estratégias de leitura.................................................................................... 22

1.4

O conhecimento prévio na leitura ............................................................... 26

1.5

A consciência metalinguística na compreensão em leitura ..................... 28

2 A LEITURA INSTRUMENTAL EM LÍNGUA INGLESA E O ESP (ENGLISH FOR
SPECIFIC PURPOSES) ............................................................................................ 32
2.1

A leitura para estudo: foco no artigo científico ......................................... 32

2.2

A abordagem instrumental e o ESP ............................................................ 36

3 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE LEITURA ................................................ 42
3.1

Avaliação da compreensão da leitura de textos escritos ......................... 42

3.2

O teste cloze .................................................................................................. 44

3.3

O protocolo verbal ........................................................................................ 49

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS............................................................... 52
4.1

Natureza da pesquisa ................................................................................... 52

4.2

O contexto da pesquisa ............................................................................... 53

4.3

Os participantes da pesquisa ...................................................................... 54

4.3.1 Perfil geral dos informantes da pesquisa ........................................................ 55
4.3.2 Estudo e convivência com a língua inglesa .................................................... 56
4.3.3 Práticas e habilidades de leitura ..................................................................... 58
4.4

Procedimentos e instrumentos para coleta de dados ............................... 62

4.4.1 Teste piloto ..................................................................................................... 63
4.4.2 Questionário de sondagem ............................................................................. 64

4.4.3 Teste cloze de múltipla escolha em língua portuguesa .................................. 65
4.4.4 Teste cloze de múltipla escolha em língua inglesa ......................................... 65
4.4.5 Protocolo verbal .............................................................................................. 66
5 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.................... 69
5.1

Análise do teste cloze de múltipla escolha em língua inglesa ................. 69

5.2

Análise dos protocolos verbais ................................................................... 71

5.2.1 Análise das entrevistas pré-protocolo ............................................................. 72
5.2.2 Análise dos protocolos verbais de leitura........................................................ 77
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 100
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 103
APÊNDICE A - Fase piloto: Questionário de sondagem e testes cloze ............ 110
APÊNDICE B - Questionário de sondagem aplicado na pesquisa .................... 115
APÊNDICE C - Teste cloze de múltipla escolha em língua portuguesa............ 119
APÊNDICE D - Teste cloze de múltipla escolha em língua inglesa ................... 121
APÊNDICE E - Protocolo verbal aplicado............................................................ 122
APÊNDICE F - Transcrições das entrevistas pré-protocolo. ............................. 123
APÊNDICE G - Transcrições dos protocolos verbais de leitura. ...................... 132
ANEXO A - Aprovação do comitê de ética .......................................................... 154
ANEXO B - Termo de consentimento livre e esclarecido .................................. 155
ANEXO C - Convenções utilizadas nas transcrições dos protocolos .............. 157

13

INTRODUÇÃO

É de conhecimento público a grande importância que o inglês tem na vida
acadêmica e profissional das pessoas. O fato é que, no mundo globalizado de hoje,
precisamos de uma língua multinacional para o intercâmbio científico e cultural, bem
como para fazer negócios com pessoas e instituições do mundo todo, e essa língua
é o inglês.
No Brasil, é possível observar que ainda existe uma enorme barreira para se
aprender a língua inglesa e, apesar de a leitura ser, geralmente, a única habilidade
ensinada e exigida por estudantes de inglês como segunda língua na escola e na
maioria dos ambientes acadêmicos e profissionais, estudantes concluintes do ensino
médio parecem ainda apresentar sérias deficiências de leitura nessa língua. Assim,
a dificuldade com a leitura em inglês pode ser tornar uma barreira quando esses
alunos ingressam universidade, onde a necessidade do contato com a leitura em
inglês tende a se intensificar.
A importância do inglês para a formação acadêmica é ainda mais evidente
quando se analisam os cursos de mestrado e doutorado, em especial os da área da
saúde, uma vez que a ampliação do corpo de conhecimento sobre determinada
temática é feito mediante a leitura de estudos realizados por pesquisadores de
diversos países, que geralmente são publicados em língua inglesa. A grande maioria
dos cursos de pós-graduação dessa área exige um certificado de proficiência em
língua inglesa como pré-requisito para a inscrição no programa. Nos casos em que o
certificado não é exigido a priori, a avaliação da proficiência é, muitas vezes, a
primeira etapa do processo seletivo, sendo, quase sempre, eliminatória. Essa
exigência é facilmente explicada pelo grande número de publicações científicas
veiculadas em língua inglesa.
De fato, Iglesias e Batista (2004), apresentam, eu seu artigo, alguns
estudosindicandoque a língua inglesa está mais do que presente na área da saúde.
Um deles apontou que a base de dados Medline, em 2005, apresentou 84%das
publicações indexadas em inglês. Outro sugeriu que até 2014, todos os artigos
indexados nessa base de dados devem estar escritos em língua inglesa. O banco de
dados PubMed, divulgou, entre os anos de 1956 e 2006, 4.999.025 artigos

14

científicos, sendo que em 81%deles a língua inglesa foi o idioma utilizado. No Brasil,
a necessidade de reconhecimento do trabalho de pesquisa por parte significativa da
comunidade acadêmica internacional está aumentando a busca por publicações de
pesquisa em inglês, língua considerada por alguns como a língua franca da ciência
(HYLAND, 2006; FORATTINI, 1997).
Diante desse quadro, ao longo dos últimos anos, tem havido um aumento na
procura por cursos com enfoque na leitura de áreas específicas. Esses cursos,
conhecidos como inglês instrumental1, parecem ser a forma mais rápida e eficaz
para que os alunos adquiram a capacidade de leitura em língua inglesa, uma vez
que o curso é diretamente voltado para sua área de atuação e para as necessidades
dos aprendizes. A partir dessa crescente necessidade pela leitura em língua inglesa
na pós-graduação da área da saúdenos surgiu idéia de pesquisar o processamento
estratégico e a compreensão de leitura entre mestrandos dessa área. Outros fatores
contribuíram para a elaboração desse trabalho, como a escassez de fundamentação
teórica para auxiliar o profissional que trabalha com a leitura instrumental na área da
saúde, bem como a falta de estudos sobre o processamento estratégico de
leiturados alunos envolvidos nessa área específica.
Apesar das inúmeras pesquisas envolvendo a compreensãode leitura em
língua inglesa no mundo, não encontramos estudos no Brasil que foquem o
processamento de compreensão de leitura por mestrandos da área da saúde.
Através de uma busca em bases de dados nacionais, encontramos apenas estudos
envolvendo alunos de ensino fundamental e médio (CAMILO, 2006; NUNES, 2009),
institutos de idiomas (PACHECO, 2007; PROCAILO, 2007) e universitários
(BENCKE, 2008; COSTA, 2007).
Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo verificar a compreensão
de leitura e os processamentos estratégicos de compreensão de textos em inglês de
mestrandos da área de saúde de uma universidade pública estadual de Pernambuco
(UPE-Recife), tentando responder à seguinte pergunta de pesquisa:
Como se dá o processamento da compreensão de leitura de texto científico
em língua inglesa entre mestrandos da área da saúde?

1

Importante enfatizar que o inglês instrumental pode englobar as quatro habilidades linguísticas, ou
seja, a fala, a escrita, a compreensão auditiva e a oralidade. No capítulo 2, discutiremos alguns
aspectos relevantes sobre o inglês instrumental, seu surgimento no Brasil e as nomenclaturas
utilizadas.

15

A pesquisa, que ocorreu no segundo semestre de 2011, foi dividida em 2
fases. A primeira fase teve como objetivo verificar o nível de compreensão de leitura
em inglês de 69 informantes por meio de um texto escrito lacunado (teste Cloze de
múltipla escolha). A segunda fase teve como objetivo verificar o processamento
estratégico de 13 informantes utilizando protocolos verbais de leitura, em que o
informante verbalizou o que pensava enquanto tentava compreender o texto. Além
desses dois instrumentos, utilizamos, inicialmente, um questionário de sondagem
para obtermos informações pessoais, acadêmicas e de práticas de leitura dos
alunos. Todos os informantes que aceitaram participar da pesquisa assinaram o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), aprovado pelo Comitê de Ética
da Universidade de Pernambuco (ANEXO A).
O conhecimento do nível de compreensão de leitura, bem como a verificação
do processamento de leitura dos estudantes da área da saúde, poderão contribuir
com as pesquisas sobre leitura e fornecer indicativos importantes para os
profissionais que atuam na área de leitura instrumental em línguas estrangeiras.
Além disso, esse conhecimento também poderá auxiliar na elaboração de materiais
didáticos voltados para esses alunos, o que é de extrema relevância prática.
O presente trabalho está organizado em cinco capítulos. Os três primeiros
capítulos trazem os pressupostos teóricos que fundamentam a pesquisa e estão
divididos da seguinte forma:
No capítulo 1, tratamos dos aspectos que envolvem o processamento da
compreensão de leitura, a saber: as estratégias de abordagem textuais com foco na
coesão e coerência; os modelos de leitura de base psicolinguística; as estratégias
de leitura; o conhecimento prévio na leitura, e, por fim, as chamadas consciências
metalinguísticas. No capítulo 2, falamos sobre a importância da leitura para estudo
com foco no artigo científico e, por último, trazemos informações sobre o conceito,
desenvolvimento e princípios do ESP (English for Specific Purposes), que no Brasil
ficou conhecido como inglês instrumental. No Capítulo 3 mostramos os instrumentos
mais utilizados para a avaliação de leitura, em especial os que foram utilizados na
nossa pesquisa: o teste cloze e o protocolo verbal de leitura.
O capítulo 4 refere-se à metodologia da pesquisa desenvolvida, trazendo
informações sobre sua natureza, o contexto, os participantes e os procedimentos e
instrumentos que foram utilizados para a coleta dos dados. No capítulo 5 faremos a

16

apresentação, análise e discussão dos resultados obtidos na pesquisa. Por fim, a
última parte é destinada às considerações finais do trabalho, apontando para
possíveis aplicações do presente estudo, bem como sugestões para futuras
pesquisas.

17

1 O PROCESSAMENTO DA COMPREENSÃO DE TEXTOS ESCRITOS

Com esse capítulo, pretendemos mostrar que são vários os aspectos que
envolvem o processamento da leitura. Apresentamos, primeiramente, como se dá o
processamento da compreensão de textos escritos na visão da psicolinguística, que
incorpora subsídios de estudos sobre o processamento cognitivo da leitura. Em
seguida, abordamos alguns modelos teóricos com foco nos processamentos
ascendentes e descendentes de leitura. Depois, discorremos sobre as estratégias de
leitura e o papel que elas desempenham para a compreensão leitora. A seguir,
tratamos sobre o conhecimento prévio e o conjunto de seus componentes
necessários à leitura significativa, quais sejam: o conhecimento linguístico, o textual
e o conhecimento de mundo. Por fim, apresentamos o as chamadas consciências
metalinguísticas, que incluem as consciências fonológica, morfológica, sintática,
pragmática e metatextual.

1.1
O processo de compreensão de textos escritos: foco na coesão e
coerência

O processamento da compreensão de textos escritos está intrinsecamente
ligado a duas propriedades do texto: a coesão e a coerência. A coesão, manifestada
no nível microtextual, é um instrumento importante na construção de significado do
texto, podendo ser determinada por vários elementos formais, como a repetição de
palavras, o uso do artigo definido e o uso de pronomes, dentre outros elementos.
Essas marcas formais do texto são interpretadas pelo leitor num processo
inconsciente, automático (FÁVERO, 2009). A função da coesão é a de promover a
continuidade do texto, uma continuidade de sentido, ou seja, uma continuidade
semântica (ANTUNES, 2005).
Segundo Fávero (2009, p. 9), a coesão é um conceito “semântico referente às
relações de sentido que se estabelecem entre os enunciados que compõem o texto”,
sendo obtida parcialmente pela gramática e parcialmente pelo léxico. Se o leitor não

18

conseguir perceber as ligações de textualidade, ou seja, a coesão de um texto, não
será capaz de lê-lo satisfatoriamente (SCOTT, 1983).
Já

acoerência,

manifestada

micro

e

macrotextualmente,

“supõe

determinações linguísticas; mas as ultrapassa” (ANTUNES, 2005, p. 176). A
coerência busca um efeito comunicativo, sendo, além de linguística, contextual,
extralinguística e pragmática, dependendo, assim, de outros fatores que não apenas
aqueles puramente internos à língua. Assim sendo, enquanto os elementos de
coesão são responsáveis pela estruturação da sequência superficial do enunciado,
os elementos de coerência dão conta do processamento cognitivo e semântico do
texto (FÁVERO, 2009).
Para Koch (2008), a coerência se constrói na interrelação autor-texto-leitor a
partir de um conjunto de fatores linguísticos, cognitivos, pragmáticos, culturais e
intereacionais. Assim, ela não está contida apenas no texto nem se encontra
somente sob a responsabilidade do produtor do texto. A autora ressalta que a
coesão não é condição necessária nem suficiente para a coerência, já que a
primeira se refere ao universo interno do texto, enquanto a segunda se constrói a
partir do texto, numa dada situação comunicativa, com base em fatores de ordem
semântica, cognitiva, pragmática e interacional. A coerência é, portanto, um princípio
de interpretabilidade do discurso que se constrói em conexãocom fatores de ordem
cognitiva, como a ativação do conhecimento prévio, o conhecimento compartilhado e
a realização de inferências.
Para isso, é ressaltado o papel do leitor enquanto construtor do sentido do
texto, que, no processo de leitura, lança mão de estratégias como seleção,
antecipação, inferência e verificação, além de ativar seu conhecimento de mundo,
na construção de uma das leituras possíveis, já que um mesmo texto pode admitir
uma pluralidade de leituras e sentidos. A leitura, portanto, além do conhecimento
linguístico compartilhado pelos interlocutores, exige que o leitor, no ato da leitura,
mobilize estratégias de ordem linguística e de ordem cognitivo-discursivas.

19

1.2

Os modelos de leitura

Partindo do pressuposto que a leitura ocupa papel de destaque na educação
formal, torna-se fundamental conhecermos os modelos que tratam desse complexo
processo. Os modelos de leitura visam explicar os processos mentais que um
indivíduo utiliza durante o ato de ler, sejam eles cognitivos ou linguísticos.
A pesquisa em leitura existe há pouco mais de um século, porém, as
tentativas de elaborar modelos de leitura iniciaram-se na metade do século passado.
Até os anos 60, devido à concepção behaviorista em Psicologia, a leitura era
descrita “em termos de estímulos (as palavras impressas) e respostas (o
reconhecimento das palavras)” (SILVEIRA, 2005, p. 24). Como o foco principal era o
texto, considerado uma verdade encerrada, o leitor tinha apenas participação
passiva no processo, que era muitas vezes mediado pela compreensão oral.
Na década de 70, por influência da Psicologia Cognitiva, surgem os modelos
psicolinguísticos, que passaram a dar mais atenção ao que supostamente acontecia
na mente do leitor e procuravam descrever o processo de leitura. A leitura, então,
passou a ser considerada como uma conduta inteligente e o cérebro como centro da
atividade humana e do processamento da informação. O leitor, por sua vez, passou
a ter mais importância no processo de leitura.
Na perspectiva do processamento da informação, os modelos de leitura
pressupõem uma orientação ascendente e/ou descendente. O processamento
ascendente (bottom-up) defendido por Gough (1972, apud SILVEIRA, 2005),
privilegia as palavras e expressões do texto e é baseado numa concepção
estruturalista da linguagem. Já o modelo descendente (top-down), defendido por
Goodman

(1967),

processa

a

leitura

por

hipotetização,

considerando

o

conhecimento prévio do leitor, centrado nos aportes teóricos da Psicolinguística.
Quando

os

dois

subprocessos

bottom-up

e

top-down

ocorrem

simultaneamente ou alternadamente, se dá o processamento interativo, defendido
por Rumelhart (1977, apud SILVEIRA, 2005). Os processamentos centrados no texto
(ascendentes) e os centrados no leitor (descendentes) devem interagir toda vez que
lemos: ora um predomina, ora o outro, mas ambos são necessários. Isso porque a
leitura é um processo de interação entre o leitor e o textoe a complexidade desse

20

processo “não permite que se fixe em apenas um dos seus pólos, com exclusão do
outro” (LEFFA, 1996, p. 17).
O processamento ascendente, ou bottom-up, (também conhecidos como
“text-based” ou “data-driven processing”) tem como foco o texto e a prioridade no
processamento gráfico, “reconhecendo letras e palavras, trabalhando na estrutura
das frases” (NUTTAL, 1996, p. 17). É por esse motivo que o leitor quando utiliza
esse processamento é vagaroso e sua participação é limitada, pois tende a construir
significados apenas a partir de dados presentes no texto. Consequentemente, a
leitura não é fluente, pois, nesse processo ascendente, o leitor faz pouco ou nenhum
uso do contexto e de seu conhecimento de mundo e tem dificuldade de sintetizar as
idéias principais (KATO, 2007).
Como exemplo de modelo ascendente, Silveira (2005, p. 34) lembra o modelo
de processamento serial de Gough (1972)2, que gerou muita polêmica e se
caracteriza por “sustentar que todas as letras são levadas em conta individualmente
pelo leitor até ele identificar a palavra e daí chegar ao significado”. Ainda, para o
mesmo autor, o leitor não passa de um decodificador, que, com o movimento do
olho, fixa a imagem visual e identifica as letras, palavras e sentenças, isso tudo da
direita para a esquerda. Para o autor, o leitor proficiente faz isso tão rapidamente
que dá a impressão de que ele não processa linearmente a informação. Este
modelo, que já foi muito criticado e associado aos modelos behavioristas, tem sido,
hoje em dia, reconsiderado positivamente por alguns pesquisadores como um dos
passos para a aquisição da leitura.
Para Gibson (1988, apud CAMILO, 2006), que também defende esse modelo,
a leitura envolve a decodificação de palavras impressas em unidades sonoras,
sendo que o leitor não contribui para a construção do sentido visto que a leitura,
enquanto decodificação, é entendida como uma habilidade passiva e receptiva.
Ao contrário do modelo anterior, no processamento descendente, ou topdown, (também conhecido como “knowledge based”, “conceptually driven”, ou
“information processing”), o texto deixa de ser o foco e as informações não-visuais
tornam-se prioridade. O leitor não se prende a todas as informações contidas no
texto e, dessa forma, “lança mão de sua inteligência e experiência” (NUTTAL, 1996,

2

GOUGH, P. B. One second of reading. In: Kavanagh, J. F; Mattingly, I. G. (Eds.). Language by ear
and by eye. Cambridge, MA: MIT Press, 1982.

21

p. 16), fazendo uso de inferências. Ele é fluente, veloz, faz uso de adivinhações, e
apreende facilmente as idéias gerais e principais do texto (KATO, 2007).
Goodman (1967) e Smith (1989) são teóricos que defendem o modelo
descendente de leitura. Para Goodman (1967), a leitura é vista como um jogo
psicolinguístico de adivinhação, que, num processo seletivo, envolve uso parcial de
pistas mínimas de linguagem disponíveis. Na medida em que essa informação
parcial é processada, decisões provisórias são feitas para serem confirmadas,
rejeitadas ou refinadas no processo de leitura. A leitura envolve a interação entre o
pensamento e a linguagem. Para esse autor, a leitura eficiente não é resultado de
percepções precisas e identificação de todos os elementos textuais, mas sim da
seleção das menores e mais produtivas pistas.
Assim como Goodman, Smith (1989) enfatiza o papel do leitor, e afirma que o
importante é aliar a informação visual ao conhecimento não-visual, ou seja, o
conhecimento prévio que o leitor traz para o momento da leitura. Para ele, o leitor
que é fluente já possui a informação ortográfica assentada e tende a pular sobre
palavras desconhecidas, diminuindo, assim, o esforço para a leitura de informação
visual. Por outro lado, quando o leitor concentra-se muito nos detalhes visuais ou em
situações de ansiedade e nervosismo, o processamento cognitivo da informação
pode ser prejudicado, o que o autor chama de visão de túnel (SILVEIRA, 2005).
Apesar

de

o

processamento

descendente

receber

maior

destaque,

isoladamente ele parece não ser satisfatório para explicar o fenômeno da leitura. O
modelo interativo de Rumelhart (1977, apud SILVEIRA, 2005) passa, então, a
resolver as lacunas existentes nos dois processos anteriores: por um lado o
conhecimento linguístico e, por outro, o conhecimento prévio, que atuam
concomitantemente. Como o próprio nome indica, esse modelo realiza a integração
entre os dois modelos, o ascendente e o descendente, ou seja, o leitor deve analisar
tanto os aspectos microestruturais como macroestruturais do texto. Como afirma
Kleiman (2004, p. 31), a interação dos modelos
não é aquela que se dá entre o leitor, determinado pelo seu contexto,
e o autor, através do texto. Essa interação se refere especificamente
ao interrelacionamento, não hierarquizado, de diversos níveis de
conhecimento do sujeito (desde o conhecimento gráfico até o
conhecimento do mundo) utilizadospelo leitor na leitura.

22

A partir do reconhecimento da importância da interação desses modelos, o
foco, que era na microunidade do texto, passa a ser dado à compreensão de textos,
e, dessa forma, procuram-se subsídios nas teorias funcionais, na pragmática, nas
gramáticas de texto (KLEIMAN, 2004).
Nuttal (1996) afirma que desenvolver no aluno a consciência dos
processamentos ascendentes e descendentes é importante, e isso pode ser feito
através do ensino de técnicas de leitura, que podem ser aplicadas por meio da
leitura de diversos gêneros e tipos textuais. Para a autora, essa consciência ajudará
os estudantes a abordarem melhor um texto e tornar a sua leitura mais efetiva.
Conhecer os modelos de leitura é, segundo Silveira (2005), um dos primeiros
passos para compreender o que supostamente se passa na mente (processos
cognitivos e linguísticos) do sujeito leitor quando ele está lendo um texto escrito.
Isso, sem dúvida, enfatiza a autora, pode auxiliar os educadores a entender e
enfrentar esse processo complexo no dia-a-dia da escola.
A importância dos modelos psicolinguísticos de leitura para este trabalho está
na forte influência que tiveram no ensino instrumental de línguas estrangeiras epor
se voltarem ao ensino de técnicas e experiências que podem promover o
desenvolvimento de estratégias de leitura necessárias à compreensão textual.

1.3

Estratégias de leitura

Introduzido de maneira efetiva na área da leitura, principalmente entre os
psicolinguistas como Goodman (1967) e Smith (1989), o termo estratégia “vem
sendo empregado para caracterizar os diversos comportamentos hipotetizados no
leitor durante o processo de ler” (KATO, 2007, p. 64). O termo estratégia é também
utilizado por alguns teóricos da Linguística e da Psicolinguística e está relacionado à
necessidade de se enfrentar e resolver problemas de processamento de sentenças
(SILVEIRA, 2005).
Para Silveira (1999), a noção de estratégias de leitura fundamentou-se
originalmente em modelos psicolinguísticos de leitura, em que se considera a leitura

23

como um processo ativo, ou melhor, interativo, cuja compreensão se dá através da
ativação de esquemas mentais e das habilidades pragmático-discursivas do leitor.
Kleiman (2002, p. 49) define estratégias de leitura como “operações regulares
para abordar o texto”. Para ela, o ensino de leitura deve aliar tanto o ensino de
estratégias de leitura quanto o ensino de habilidades linguísticas. De fato, se o aluno
que é capaz de decodificar o texto escrito e utilizar a informação sintática do texto na
leitura, ainda apresentar dificuldades na compreensão do texto escrito, isso significa
de ele está fazendo uso inadequado de estratégias de leitura.
As estratégias de leitura têm sido classificadas em estratégias cognitivas ou
estratégias metacognitivas (KATO, 2007; KLEIMAN, 2002). As estratégias
reconhecidas como inconscientes, automáticas, eficazes e econômicas, que
utilizamos na leitura fluente são as estratégias cognitivas. Essas estratégias
envolvem “os conhecimentos relativos aos componentes sintáticos, lexicais e
semânticos que interagem com a informação visual” (SILVEIRA, 2005, p. 76).
Para Kleiman (1989, p. 50), as estratégias cognitivas servem “essencialmente
para construir a coerência local do texto, isto é, aquelas relações coesivas que se
estabelecem entre elementos sucessivos, sequenciais do texto”, como as estratégias
de segmentação sintática, e de recuperação anafórica. Esses recursos são
chamados pela autora de processo inferencial automático.
Além das estratégias cognitivas, existem também as chamadas estratégias
metacognitivas de leitura, que são operações realizadas conscientemente quando o
leitor tem algum objetivo em mente para determinada leitura ou quando alguma
incerteza, equivoco ou uma falha é detectada, obrigando-o a desautomatizar o
processo. Dessa forma, o leitor passa a ter um controle consciente e ativo do seu
processamento de leitura de forma a resolver o seu problema de compreensão.
Kato (2007) postula que as estratégias metacognitivas funcionam como
mecanismos detectores de falhas e que são resultados de um esforço maior de
nossa capacidade de processamento. Assim, o leitor passa a ter controle e
intencionalidade do propósito de leitura, e, dessa forma, emprega procedimentos
conscientes. Uma palavra desconhecida, a desatenção na leitura, um tema
desconhecido, podem ser superado pelo controle, avaliação e monitoração da leitura
(KLEIMAN, 1989).

24

Silveira (2005) ressalta que o processamento da leitura é um comportamento
que se desenvolve com a prática da leitura significativa. Entretanto, caso o texto
apresente alguma dificuldade, o leitor é forçado a interromper a sua leitura e sua
compreensão fica comprometida, implicando na necessidade de controle e
monitoramento da compreensão através das estratégias metacognitivas.
É possível, pois, afirmar que as estratégias cognitivas são eficazes, porém
não funcionam efetivamente quando há alguma falha na compreensão. Assim,
Kleiman (2002) acredita que cabe ao leitor controlar seu processo de compreensão,
voltar para trás, ou reler o texto, caso não o compreenda.
Tem sido postulado que leitores mais proficientes caracterizam-se pela sua
flexibilidade

na

leitura

(KLEIMAN,

2002),

apresentando

maior

consciência

metacognitiva do uso de suas próprias estratégias. Além disso, bons leitores
parecem monitorar melhor a compreensão do que leitores fracos e são mais
conscientes das características do texto e das estratégias que usam durante a leitura
(NUTTAL, 1996).
Citando Brown, Kato (2007, p. 108), apresenta uma série de estratégias
metacognitivas que podem ser utilizadas pelo leitor, dentre elas: esclarecer os
propósitos da leitura, identificar os aspectos da mensagem que são importantes no
texto, distribuir a atenção em áreas que são relevantes, monitorar as atividades em
processo para verificar se a compreensão está ocorrendo, engajar-se em revisão e
auto-indagação para ver se o objetivo está sendo atingido, adotar ações corretivas
quando se percebe falha na compreensão, redobrar a atenção diante as distrações e
digressões.
Goodman (1983, p. 16), defensor do modelo descendente de leitura, define
estratégia como “um amplo esquema para obter, avaliar e utilizar informação” e
afirma que, para construir significado ou compreender um texto, os leitores
desenvolvem as seguintes estratégias, mesmo que inconscientemente: a predição, a
seleção, a inferência, a confirmaçãoe a correção.
A predição pode ser caracterizada como a “capacidade de o leitor anteciparse ao texto à medida que vai processando a sua compreensão” (SILVEIRA, 2005, p.
30). De acordo com Nuttal (1996), certos gêneros textuais (por exemplo, conto de
fadas, receitas, artigos científicos) possuem estruturas previsíveis com as quais
leitores experientes se tornam familiares, possibilitando mais predição do que outros.

25

Dessa forma, se o leitor sabe como esses gêneros são organizados, ele certamente
será capaz de predizer o padrão de novos exemplares desse gênero com que ele
pode se deparar, e isso, obviamente, o ajudará a compreender melhor o texto. O uso
da predição obviamente envolve riscos e nem sempre é bem sucedida, mas isso não
significa que o leitor seja um leitor fraco. O importante é reconhecer quando elas não
foram confirmadas, rejeitando-as, corrigindo-as e modificando-as na medida em que
continua a leitura (NUTTAL,1996).
A seleção é a capacidade que o leitor tem de selecionar apenas os itens
importantes para o propósito da leitura. Nuttal (1996) afirma que essa estratégia é
uma das características que diferencia um leitor habilidoso de um não habilidoso.
Para a autora, o leitor habilidoso sabe decidir e selecionar o que pode ou não pode
ser enfatizado ou ignorado durante a leitura de um texto.
A inferência ocorre quando compreendemos passagens do texto mesmo
quando a informação não está explícita. Essa estratégia torna-se possível pelas
pistas que o texto nos oferece e só fazem sentido quando ativamos nosso
conhecimento prévio, ou seja, os conhecimentos linguístico, de mundo e textual.
A confirmação é a estratégia que o leitor utiliza para verificar se suas
predições e inferências estavam corretas ou precisam ser reformuladas. Caso a
predição não se confirme, o leitor retrocede no texto buscando outras pistas e
levantando outras hipóteses para a compreensão, utilizando, por fim, a correção.
O

uso

dessas

estratégias

de

leitura

demonstra

preocupação

pela

compreensão por parte do leitor, que, através desse processo de autocontrole,
certifica-se de que o que está lendo tem sentido ou não, confirmando ou rejeitando
suas predições (GOODMAN, 1983, p. 17).
É preciso enfatizar que a escolha da melhor estratégia para cada situação
está sujeita a vários fatores, dentre eles a maturidade do leitor, à natureza do texto,
ao lugar onde o leitor se encontra na frase ou no texto, e ao propósito da leitura
(KATO, 1983). É, todavia, importante ressaltar que o uso de estratégias pode
contribuir para uma compreensão bem sucedida como também mal-sucedida, e isso
pode depender do leitor, do texto, do conteúdo e da interação entre todos esses
elementos (COHEN, 1986).
O leitor deve, assim, ser visto como construtor da informação lida e precisa
saber selecionar o que for relevante e rejeitar o que não for necessário no momento

26

da leitura, ações que dependem, principalmente, do seu propósito ao ler um
determinado texto (SILVEIRA, 2005). O fato é que um mesmo leitor pode utilizar
diversas estratégias ao enfrentar um mesmo texto, alternando também os
processamentos bottom-up (informação nova, difícil ou imprevisível) e top-down
(informação previsível), ambos já discutidos anteriormente.

1.4

O conhecimento prévio na leitura

Os fatores envolvidos no processo de leitura não diferem daqueles que
influenciam nossa compreensão do mundo em geral. Um desses fatores é o
conhecimento prévio, geralmente definido como um conjunto de saberes que a
pessoa traz como contribuição à sua própria leitura. Assim, ela consegue interagir
com o texto de modo a integrar a informação construída pelo escritor com a
informação que ele próprio traz. Fávero (2009) relata que o conhecimento prévio é
responsável pela coerência que o leitor atribui ao texto, sendo considerado um
elemento-base, subjacente a todos os outros.
Muitos autores, dentre eles Kleiman (1989) e Leffa (1996), discutem o papel
do conhecimento prévio no processamento da leitura. Para Leffa (1996), a leitura
implica uma correspondência entre o conhecimento prévio do leitor e os dados
fornecidos pelo texto. Nessa acepção, “leitor e texto são como duas engrenagens
correndo uma dentro da outra; onde faltar encaixe nas engrenagens, leitor e texto se
separam e ficam rodando soltos” (LEFFA, 1996, p. 22).
O conhecimento prévio é descrito por Kleiman (1989) como o conhecimento
adquirido pelo leitor ao longo de sua vida, dentre eles o linguístico, o textual e o
conhecimento de mundo. Para a autora, é a partir da interação desses níveis de
conhecimentos que o sentido do texto é construído pelo leitor.
O conhecimento linguístico, que desempenha papel central no processamento
do texto, e que sem ele a compreensão não é possível, “abrange desde o
conhecimento sobre como pronunciar uma língua, passando pelo conhecimento de
vocabulário e regras da língua, chegando até o conhecimento sobre o uso da língua”
(KLEIMAN, 1989, p. 13).

27

O conhecimento textual inclui todo o conjunto de noções e conceitos sobre o
texto e que são fundamentais à compreensão textual. “Quanto mais conhecimento
textual o leitor tiver, quanto maior a sua exposição a todo tipo de texto, mais fácil
será sua compreensão, pois, o conhecimento de estruturas textuais e de tipos de
discurso determinará as expectativas do leitor em relação ao texto” (KLEIMAN, 1989,
p. 20). O conhecimento que o leitor possui sobre a estrutura do gênero textual e o
tipo do texto também é fator necessário para a depreensão do tema (KLEIMAN,
2005).
O conhecimento de mundo, que engloba o conhecimento enciclopédico,
abrange o conhecimento adquirido tanto formalmente quanto informalmente, através
de experiências e convívio numa sociedade. Esse conhecimento pode envolver as
experiências, crenças e valores da sociedade (KLEIMAN, 1989). É uma espécie de
conhecimento cultural arquivado e organizado na memória de longo prazo em
blocos, chamados também de modelos cognitivos globais.
Para Kleiman (1989), ainda existe um conhecimento parcial, estruturado, esse
conhecimento que temos na memória sobre assuntos, situações, eventos de nossa
cultura, adquiridos de maneira informal, chamado de esquema. É o esquema que
permite grande economia na comunicação, pois não há necessidade de explicitar o
que é típico em diversas situações, como ir ao médico ou a um restaurante, por
exemplo, sendo considerado um conhecimento partilhado.
A noção de esquemas, também conhecida como schemata, foi proposto por
Rumelhart

(1990,

apud

SILVEIRA,

2005)

e

serviu

como

base

para

o

desenvolvimento do modelo interativo de leitura, já discutido anteriormente. Essa
teoria postula que todo conhecimento é armazenado na mente das pessoas, mais
especificamente na memória de longo prazo. Os esquemas podem ser ativados de
duas formas: através do processamento descendente (top-down), quando é feita
uma adivinhação ou predição, ou através do processamento ascendente (bottomup), no momento da confirmação dessa predição.
As pesquisas em leitura nos últimos 30 anos têm sugerido que o leitor que
desenvolve as habilidades de ativar os esquemas consegue associar as habilidades
de linguagem (conhecimento de vocabulário, de estruturas, de discurso) com as
estratégias de leitura (predição, seleção, inferência, confirmação e correção), como
forma de orientá-lo a construir significados no texto.

28

Leffa (1996, p. 25), afirma que “o conceito básico da teoria de esquemas é de
que para compreender o mundo, o indivíduo precisa ter dentro de si uma
representação do mundo”. Segundo ele, todo texto pressupõe uma representação
do mundo na qual são deixadas lacunas a serem preenchidas pelo leitor, sem as
quais” a compreensão não é possível” (LEFFA, 1996, p. 25). Dessa forma, quando o
leitor não consegue acionar esquemas, a compreensão torna-se uma tarefa árdua,
pois o leitor não sabe atribuir sentido às palavras que encontra e não consegue ser
seletivo com as informações do texto.
A partir desses pressupostos, o professor de leitura, tanto de língua materna
como de língua estrangeira, pode proporcionar aos estudantesa prática do uso de
estratégias que contemplam ativar o conhecimento já consolidado na memória do
aluno-leitor, visto que é na memória em que se armazena todo o conhecimento
adquirido durante a vida escolar. Assim, relacionando o conhecimento já presente na
memória, ou seja, o conhecimento prévio, aliado às pistas linguísticas do texto, o
sentido do texto pode ser construído de forma mais satisfatória.

1.5

A consciência metalinguistica na compreensão em leitura

Apesar de nas últimas três décadas o papel das habilidades metalinguísticas
ter recebido maior atenção dos pesquisadores interessados na alfabetização
(CORREA, 2004), o estudo dessas habilidades também tem papel importante na
aquisição da leitura e da escrita, em língua materna e em língua estrangeira.
As habilidades metalinguísticas referem-se à reflexão consciente sobre os
diferentes níveis do sistema linguístico (URQUIJO, 2010). Essas habilidades podem
ser caracterizadas como um monitoramento intencional, exigindo do indivíduo um
controle da compreensão do texto por meio de estratégias que envolvem o
conhecimento sistêmico da língua e o ativamento do conhecimento prévio que
promovam inferências e outras estratégias que auxiliem na compreensão de
determinado(s) trecho(s) do texto.
A consciência metalinguística é um termo genérico que envolve diferentes
tipos de habilidades, tais como: segmentar e manipular a fala em suas diversas

29

unidades (palavras, sílabas, fonemas); separar as palavras de seus referentes (ou
seja,

estabelecer

diferenças

entre

significados

e

significantes);

perceber

semelhanças sonoras entre palavras; julgar a coerência semântica e sintática de
enunciados (BARRERA; MALUFF, 2003), assim, compreende diferentes instâncias
da língua, a saber: o fonema, a palavra, a sintaxe, o texto e o contexto no qual a
linguagem se insere.
A consciência fonológica, geralmente associada ao princípio alfabético e à
decodificação de palavras, é supostamente mais utilizada por indivíduos nas fases
iniciais da aprendizagem da lectoescritura (alfabetização) e refere-se à habilidade
em analisar “as palavras da linguagem oral de acordo com as diferentes unidades
sonoras que as compõem” (BARRERA; MALUFF, 2003, p. 491). Visto que nas
línguas alfabéticas as letras (grafemas) correspondem aos sons (fonemas) da fala, a
consciência fonológica auxilia o processo de decodificação de palavras realizado no
ato de ler, o que, por sua vez, contribui para a compreensão de leitura (SPINILLO et.
al. 2010). Na aprendizagem da língua estrangeira, essa consciência também ocorre,
e mesmo na leitura, as pessoas costumam subvocalizar as palavras não familiares
que encontram ao longo do texto.
No entanto, as habilidades de consciência fonológica podem variar em função
da natureza da ortografia aprendida, por exemplo, a rima e aliteração são
habilidades mais características do desenvolvimento da habilidade da leitura em
língua inglesa, enquanto que a consciência silábica está mais associada ao
aprendizado do português brasileiro (SPINILLO et. al., 2010). O papel da
consciência fonológica sobre a aprendizagem da leitura e escrita é amplamente
referenciado na literatura, assim como a importância no emprego de atividades de
consciência fonológica de forma preventiva ou reabilitadora (NUNES et. al. 2009).
A consciência morfológica é a habilidade de refletir sobre os morfemas, ou
seja, as menores unidades linguísticas que tem significado próprio, “em outras
palavras, é a habilidade de fazer uso explícito dos processos de formação, flexão e
classificação de palavras em uma língua” (GUIMARÃES; PAULA, 2010, p. 97). Os
significados de algumas palavras podem ser inferidos na leitura, se o leitor souber o
significado da palavra que as originou. No caso particular da leitura contextual, podese ressaltar que tanto os aspectos ligados à decodificação como também aspectos
sintáticos e semânticos, afetam a compreensão do texto. Os dados parecem

30

corroborar a ideia de que a decodificação interage com informações sintáticosemânticas oferecidas pelo conhecimento da morfologia da língua (SPINILLO, et. al.,
2011).
A consciência sintática, que se refere ao controle intencional e emprego
consciente da sintaxe da língua, também pode contribuir para a compreensão do
texto escrito. Nessa habilidade, o leitor faz uso explícito dos processos formais
relativos à organização das palavras para produção e compreensão de frases
(GUIMARÃES; PAULA, 2010). Dado que o sistema ortográfico representa
simultaneamente os níveis fonológicos e morfossintáticos, os autores sugerem que a
aprendizagem da leitura e da escrita seja influenciada tanto pela consciência
fonológica quanto pela consciência morfossintática.
A consciência pragmática volta-se para a relação entre o sistema linguístico e
o contexto no qual a linguagem se insere, ou seja, para a situação de uso da língua,
observando-se as relações entre enunciador e receptor, o propósito comunicativo do
texto-gênero, o suporte de texto, as intenções subjacentes passíveis de serem
detectadas no texto.
Por fim, a consciência metatextual, que é relacionada à capacidade do
indivíduo dereconhecer e refletir sobre a estrutura e a organização de gêneros
textuais diversos para ajudar na compreensão da leitura.
Parece ser evidente, do ponto de vista educacional, a importância de se
desenvolver uma consciência metalinguística entre os estudantes que iniciam a
aprendizagem da leitura, tanto na língua materna quanto na língua estrangeira.
Como já foi dito anteriormente, essa consciência pode incluir a capacidade de o
leitor refletir sobre os fonemas no reconhecimento de palavras e atribuir-lhes
significado, como também sobre os morfemas (geralmente os afixos), que levam o
leitor a identificar o radical da palavra, e, a partir daí, fazer generalizações que
permitam o leitor ler mais palavras do que aquelas com as quais já tem familiaridade.
Essas aquisições são relevantes e, sem dúvida, precisam ser valorizadas e
exploradas pela escola a partir de situações em que o aluno seja solicitado a tomar
os fonemas e os morfemas como objeto de reflexão e análise.
Essas

habilidades

metalinguísticas

ocorrem

na

mente

durante

o

processamento da compreensão na leitura e, obviamente, são difíceis de serem
evidenciadas, mas podem ser verbalizadas em situações previamente preparadas,

31

usando-se instrumento para esse fim. Trata-se dos chamados protocolos de leitura,
em que o leitor comunica verbalmente ao pesquisador os procedimentos que
realizou durante o esforço de compreensão de um determinado texto. No terceiro
capítulo, os protocolos de leitura serão abordados de forma mais detalhada.
Vimos, nesse capítulo, que são vários os fatores que contibuem para
acompreensão de leitura. A coesão e coerência são importantes para que o leitor
perceba as ligações de textualidade e sentido de um texto; os modelos ascendentes
e descendentes de leitura, que, quando utilizados conjuntamente, tornam a leitura
mais fluente e significativa; as estratégias de leitura, como a predição, a seleção, a
inferência, a confirmação e a correção, bem como as estratégias metacognitivas,
que são características mais evidentes nos leitores mais proficientes; os
conhecimentos prévios trazidos pelo leitor, em que se destaca o conhecimento
linguístico e, por fim as consciências metalinguísticas, que incluem as consciências
fonológica, morfológica, sintática e prágmática.

32

2 A LEITURA INSTRUMENTAL EM LÍNGUA INGLESA E O ESP (ENGLISH FOR
SPECIFIC PURPOSES)

Neste capítulo, mostramos, dentre os vários tipos de leitura existentes, a
relevância da leitura para estudo. Neste trabalho, focamos na leitura do artigo
científico por ser o gênero textual mais presente nos cursos de mestrado das áreas
da saúde. Em seguida, falamos sobre a abordagem instrumental no ensino da leitura
e o inglês para fins específicos, ou ESP (English for Specific Purposes), já que a
busca por cursos de inglês instrumental vem crescendo entre os alunos que
precisam dessa língua para necessidades específicas dentro da academia,
principalmente para a leitura de artigos científicos.

2.1

A leitura para estudo: foco no artigo científico

A leitura é uma atividade complexa e seu domínio se desenvolve com a
prática. Essa complexidade pode ser explicada pelo fato de haver vários
componentes internos e externos envolvidos no ato de ler. Além do aspecto afetivo,
devemos

considerar

os

componentes

internos

e

externos

envolvidos

no

processamento cognitivo da leitura. Como componentes internos ou mentais, Silveira
(2008) cita o papel da visão, as ações e conexões do cérebro e o uso das memórias
(memória de curto e de longo prazo). Os componentes externos ou contextuais, ou
seja, os que estão no entorno do ato de ler, fora do indivíduo leitor, envolvemos
aspectos políticos, econômicos, sociais e estéticos, dentre outros.
A leitura se consolida no ato da compreensão, a qual exige do leitor, além de
estratégias cognitivas e metacognitivas de leitura, já mencionadas no primeiro
capítulo, determinadas técnicas de leitura. Com base em Silveira (2005, 20093), as
técnicas de leitura são as seguintes:

3

Silveira, M.I.M. Estratégias, técnicas e tipos de leitura. Maceió, UFAL, Programa de Pós-Graduação
em Educação. (mimeo. Material de circulação restrita). 2009.

33

a)

Skimming

-

leitura

superficial,

ou

seja,

leitura

de

varredura,

de

reconhecimento. Este tipo de leitura se faz, por exemplo, na busca de livros
na biblioteca ou quando se examina um material antes de lê-lo efetivamente.
b)

Scanning - leitura para busca de informações específicas ou até uma leitura
detalhada. É também conhecida como leitura das entrelinhas, podendo ou
nãoenvolver inferências.

c)

Main points - leitura para busca de idéias centrais. Com esta técnica,
identificam-se as macroestruturas do texto, ou seja, as idéias centrais.

d)

Leitura crítica - leitura para identificação das subjacências das idéias, as
intenções do autor, as condições de produção e de recepção do texto.

Assim como existem estratégias e técnicas de leitura, também existem os
tipos de leitura, que estão relacionados às necessidades e às funções sociais da
leitura. Os tipos de leitura estão relacionados aos chamados gêneros textuais, uma
vez que os gêneros textuais realizam propósitos comunicativos que são
confrontados com os objetivos de leitura do leitor. Evidentemente, na prática social
da leitura, não se leem histórias em quadrinhos com o mesmo objetivo com que se
leem artigos científicos.
Com base em Silveira (2006) dentre os vários tipos de leitura existentes,
podemos citar a leitura para deleite, a leitura para reflexão, a leitura para auto-ajuda,
a leitura para fins espirituais, para fins acadêmicos e para fins profissionais. Como já
dito, o tipo de leitura que merece maior destaque no nosso trabalho é a leitura para
estudo, que na escola é realizada por meio de livros didáticos e na universidade,
através de livros técnicos ou científicos.
Dentre os tipos de leitura citados, a leitura para estudo é a que está mais
presente no contexto educacional, em especial o universitário. A leitura para estudo,
diferentemente da leitura para deleite, por exemplo, é uma leitura trabalhosa, que
exige disciplina, postura crítica e muita prática (DIAS; SILVEIRA, 2011a). Nesse tipo
de leitura, o leitor deve perceber como o texto se organiza, o que discute e como
discute.
Ademais, a leitura para estudo requer que o leitor assuma papel de sujeito,
tenha uma atitude de indagação frente ao mundo, leia outras leituras afins, dialogue
com o autor do texto e, caso não tenha condições de entender o conteúdo do texto,

34

deve reconhecer a necessidade de suprir suas carências e voltar ao texto em
condições de entendê-lo melhor (CASTELO-PEREIRA, 2003).
De fato, os textos acadêmico-científicos, com os quais graduandos e pósgraduandos se deparam diariamente, não são de leitura fácil e, muitas vezes, a sua
estrutura e os conteúdos neles presentes não são familiares para muitos estudantes.
Assim,
a leitura do texto científico requer o domínio de habilidades
específicas, dentre elas, a capacidade de identificar a organização
textual, ou seja, a estrutura ou organização retórica do texto, os
conceitos básicos do tema/área de conhecimento tratado no texto e
uma familiarização mínima da linguagem instrumental (DIAS;
SILVEIRA, 2011a, p. 5).

São vários os gêneros acadêmicos ou científicos que circulam na academia,
cada um possuindo uma função específica, mas segundo Swales (1990), o principal
gênero acadêmico é o artigo científico. Isso, porque, segundo o autor, o artigo
científico é reconhecido e bastante difundido no meio acadêmico, além de possuir
uma relação dinâmica com vários outros gêneros científicos, como resumos,
dissertações, teses, apresentações orais e livros.
O autor também trata das unidades retóricas básicas de um artigo científico,
que, segundo ele são: Introdução, Métodos, Resultados, Discussão e Conclusão.
Obviamente, essas unidades dependem da área de estudo, sendo mais presentes
nos artigos científicos das conhecidas hard sciences4.
Em artigos científicos, tem sido reconhecido que a introdução é responsável
por envolver e convencer a comunidade científica da importância e relevância do
tema escolhido. Nessa seção, o autor traz o problema de pesquisa e faz referências
à literatura já estabelecida e fundamentada (DIAS; SILVEIRA, 2011b).
Swales (1990), preocupado em oferecer um modelo retórico para que seus
estudantes de inglês para fins específicos pudessem redigir melhor os seus
trabalhos, apresentou o modelo CARS - Create a Research Space (Criar um Espaço
de Pesquisa), resultante da análise de 48 introduções de artigos de pesquisa
provenientes de três áreas científicas diferentes. Esse modelo foi composto por três
44

É importante ressaltar que diferentes comunidades disciplinares expressam suas idéias de formas
diferentes e possuem formas diferentes de persuadir os seus leitores (HYLAND, 2008). As
convenções das ciências duras ou hard sciences, como as ciências da saúde, não devem ser
generalizadas para as soft sciences, como as ciências humanas, por exemplo.

35

partes argumentativas denominadas “movimentos” (moves), a saber: Movimento 1 –
estabelecendo o território da pesquisa; Movimento 2 – estabelecendo o nicho da
pesquisa e o Movimento 3 – ocupando o nicho.
O Movimento 1 é utilizado pelo autor do texto para apresentar o território
onde a pesquisa está inserida, território esse geralmente bastante extenso. A seguir,
no Movimento 2, o esforço retórico tende a diminuir, e o nicho a ser pesquisado é
delimitado dentro de seu território previamente definido. Por fim, através do
Movimento 3, o espaço é ocupado. Cada movimento é composto por passos (steps),
unidades menores responsáveis pela construção da informação apresentada no
texto (QUADRO 1).
Quadro 1 - Modelo CARS, “Create a Research Space”
Movimentos

Movimento 1Estabelecendo um território

Movimento 2Estabelecendo um nicho

Movimento 3Ocupando o nicho

Passos
Passo 1- alegando centralidade
e/ou
Passo 2- fazendo generalizações sobre o
tópico
e/ou
Passo 3- revisando itens de pesquisas
anteriores
Passo 1a- contra-argumentando
ou
Passo 1b- indicando uma lacuna
ou
Passo 1c- provocando questionamento
ou
Passo 1d- continuando uma tradição
Passo 1a- delineando os objetivos
ou
Passo 1b- anunciando pesquisa
Passo 2- anunciando achados principais
Passo 3- indicando a estrutura do artigo

Fonte: Swales, 1990, p.141

Os movimentos retóricos refletem o propósito ou propósitos comunicativos
que os membros de uma comunidade pretendem compartilhar, propósitos esses que
constituem o fundamento do gênero e são reconhecidos pelos membros
especializados da comunidade discursiva. Esse fundamento é responsável por
modelar a estrutura esquemática do discurso, influenciando e limitando a escolha de
conteúdo e estilo (SWALES, 2004).
Assim, além do conteúdo específico da área de estudo, é preciso que o leitor
tenha conhecimento da organização retórica do texto. Segundo Figueiredo (1985),

36

se o leitor sabe, com antecedência, a estrutura do texto que está lendo, a sua
maneira de ler será positivamente influenciada e isso, consequentemente, o ajudará
a compreender melhor o conteúdo presente nele. A regularidade organizacional do
artigo científico pode ajudar o aluno familiarizado com esta estrutura na
compreensão do texto, seja na língua materna ou em uma língua estrangeira.
Na universidade, em especial em cursos de pós-graduação stricto sensu,
além da necessidade da realização da leitura para estudo na língua materna, os
alunos também se deparam com inúmeros textos em língua inglesa, principalmente
os artigos científicos. Esses estudantes, que muitas vezes se sentem despreparados
para ler em inglês, estão procurando cada vez mais cursos de inglês instrumental
(ou inglês para fins acadêmicos) com a finalidade de aprender o idioma voltado
especificamente para seus propósitos acadêmicos.

2.2

A abordagem instrumental e o ESP

Em muitos cursos de graduação e pós-graduação, a língua inglesa está cada
vez mais presente. Isso se deve ao grande número de publicações veiculadas nesta
língua e à necessidade que os pesquisadores e alunos têm de obterem informações
científicas com rapidez, encontrando os textos na língua original em que são
produzidas.
Não apenas no mundo acadêmico, mas também no mundo dos negócios, a
língua inglesa é a principal língua para aqueles que buscam acesso à sociedade da
informação. No entanto, levando em consideração a realidade do nosso país,
sobretudo nas nossas escolas públicas, que não oferecem as condições básicas
para a viabilização de um ensino significativo e de qualidade, não é fácil proceder ao
ensino-aprendizagem de línguas, em especial a língua inglesa. É senso comum que
são inúmeras as dificuldades para favorecer o desenvolvimento global das
habilidades comunicativas de modo efetivo na escola básica.
Diante desse quadro, aqueles que necessitam de uma língua estrangeira
passaram a buscar cursos que atendam às suas necessidades específicas no
campo acadêmico e profissional. Esses cursos, que trazem a idéia de ensino
específico de línguas, em especial a língua inglesa, são conhecidos como Inglês

37

Instrumental ou ESP (English for Specific Purposes), cuja meta principal consiste em
atender às necessidades imediatas do informante de inglês e propõe-se a oferecer
ao aluno os instrumentos necessários ao desenvolvimento da aprendizagem.
Em primeira instância, a Abordagem Instrumental priorizava o ensino da
habilidade de leitura, através do desenvolvimento de estratégias. De fato, o conceito
de estratégias de leitura foi trazido por essa abordagem, que se diferenciada leitura
no ensino tradicional de línguas estrangeiras, que é calcado em heranças
behavioristas e estruturalistas. Assim, na abordagem Instrumental, a leitura é
considerada como um processo ativo, cuja compreensão se dá através da ativação
de esquemas mentais e das habilidades pragmático-discursivas do leitor (SILVEIRA,
1999). Além das contribuições da Psicolinguística, tal abordagem apóia-se em
pressupostos da Psicologia Cognitiva (teoria dos esquemas de Rumelhart, 1981), da
Linguística Textual e dos modelos cognitivos de processamento estratégico do
discurso, e das várias correntes da Análise do Discurso.
No Brasil, a abordagem de ensino da leitura instrumental começou a tomar
forma no início da década de 80 devido à crescente necessidade das universidades
brasileiras de promover programas que atendessem à demanda dos universitários
por cursos de Inglês e Francês Instrumental (SILVEIRA, 1999), que desejavam ter
acesso a informações científicas e tecnológicas por meio da leitura.
Assim, a professora Maria Antonieta Celani e vários colaboradores, brasileiros
e estrangeiros, trabalharam na implantação do Brazilian National ESP Project ou
Projeto Brasileiro de Inglês Instrumental no Programa de Estudos de Pós-Graduação
em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL) da PUC-SP, entre 1980 e
1985. Esse projeto contribuiu de forma significativa para reflexões acerca do ensino
e aprendizagem de leitura em língua estrangeira. Segundo Celani et. al (2005), um
dos primeiros fundamentos do Projeto no Brasil centrou-se no foco da aprendizagem
em torno das estratégias de leitura e o papel da gramática mínima.
O Conselho Britânico financiou a vinda de especialistas para o Brasil para
trabalharem no projeto, que atendeu a várias universidades estaduais e federais do
país e se expandiu para as escolas técnicas (CELANI et. al., 1988) e teve como
objetivo identificar interesses e necessidades das universidades envolvidas,
preparando, assim, materiais didáticos e desenvolvendo pesquisa e cursos para

38

formação de professores a partir da perspectiva do ESP. Suas ações perduram até
os dias atuais, com o ensino de inglês, português, espanhol, francês e alemão.
O inglês para fins específicos, ou ESP (English for Specific Purposes) é
frequentemente dividido em EAP (English for Academic Purposes - Inglês para Fins
Acadêmicos) e EOP (English for Occupational Purposes - Inglês para Fins
Ocupacionais). Embora seja um ramo da ELT (English Language Teaching – Ensino
de Língua Inglesa), o ESP desenvolveu seus próprios materiais e metodologias de
ensino (DUDLEY-EVANS, 2000).
O ESP tem como objetivo principal priorizar “o quê” as pessoas aprendem ao
invés de “como” elas aprendem. (HUTCHINSON; WATERS, 1987), ou seja, a
necessidade dos aprendizes (WATERS, 1987), fator que o distingue do ensino de
línguas para fins gerais. Isso não significa, contudo, que os estudantes de cursos de
línguas para fins gerais não possuam necessidades (VIAN JR., 2008). A diferença
entre ambos é que os alunos que buscam curso instrumental de línguas são
geralmente conscientes das suas necessidades (HUTCHINSON; WATERS, 1987).
Essas necessidades apresentam três subdivisões: necessidades, desejos e lacunas
(needs, wants e lacks, respectivamente).
Conhecer o objetivo do aluno ao aprender a língua, saber como, onde,
quando e em que situação a língua será utilizada devem ser consideradas pelos
professores. A análise dessas necessidades deve, no entanto, ser vista como um
processo contínuo e não estanque (VIAN JR., 2008). A partir dessas considerações,
Vian JR. (2008, p. 145) elaborou um quadro (QUADRO 2) resumido da proposta de
Hutchinson e Waters (1987) com a intenção de ilustrar a variedade de fatores com
os quais o profissional atuando no contexto de ensino instrumental deve se
preocupar. O quadro engloba diversas questões que podem ser respondidas para
que se realize a análise das necessidades dos aprendizes.
Quadro 2 - Comparação entre o modelo de análise de necessidades da situação-alvo e
da situação de aprendizagem
Modelo para análise da situação alvo
POR
Por que a língua é necessária?
QUE
COMO
Como a língua será usada?
QUAL
Quais serão as áreas de conteúdo?
QUEM
Com quem o aprendiz vai usar a língua?
ONDE
Onde a língua será usada?
QUANDO Quando a língua será usada?
Fonte: VIAN Jr, 2008

Modelo para análise das
necessidades de aprendizagem
Por que os aprendizes fazem o curso?
Como os aprendizes aprendem?
Quais as fontes disponíveis?
Quem são os aprendizes?
Onde o curso será ministrado?
Quando o curso acontecerá?

39

Hutchinson e Waters (1987) destacam três possíveis razões para a
emergência do ESP: as demandas de um Bravo Novo Mundo, a revolução em
linguística e o foco no aprendiz. Segundos os autores, dois períodos históricos
chave deram vida ao ESP. Primeiro foi a Segunda Guerra Mundial, em 1945, que
tornou a língua inglesa a língua internacional da tecnologia e do comércio e passou
a ser usada para fins específicos, ou seja, para a leitura de manuais, venda de
produtos e buscas científicas. Em segundo lugar, a crise do petróleo no início da
década de 70, que fez com que o dinheiro e o conhecimento ocidental (que tinha
como difusor a língua inglesa) fluíssem nos países ricos em petróleo. Assim, a língua
inglesa foi se tornando objeto de desejo, necessidade e demanda das pessoas, e
não apenas de professores de línguas.
A revolução linguística teve impacto no crescimento de ESP. Enquanto a
linguística

tradicional

descrevia

as

características

da

língua,

pioneiros

revolucionários em linguística começaram a focar como a língua era usada em
comunicação real. Uma descoberta bastante significativa foi a de que existiam
variações da fala e da escrita, que podiam sofrer mudanças de acordo com os
contextos e situações nas quais eram empregadas. Dessa forma, considerando-se
que a língua varia em diferentes situações, seria possível atender às necessidades
dos aprendizes em contextos específicos, o que trouxe para o ensino instrumental
de línguas uma significativa contribuição e permitia diferenciá-lo do ensino geral de
línguas.
Por último, os autores apontam a influência da psicologia que o ESP sofreu e
que o ajudou a emergir. Ao invés de focar no método, mais atenção foi dada às
formas pelas quais os aprendizes adquirem a língua e as diferenças nas formas que
a língua é adquirida. Isso porque cada aprendiz tende a usar estratégias diferentes
de aprendizado, usar habilidades diferentes e serem motivados por diferentes
necessidades e interesses. A partir daí, visto que diferentes públicos apresentavam
diferentes necessidades e interesses, cursos específicos para melhor atender a
essas diferenças passaram a ser necessários.
Em sua fase inicial, o ESP focava na linguagem em nível de sentença. Mais
tarde, passou a dar mais atenção ao discurso e análise retórica, baseando-se no
sucesso do aprendiz em termos de resultados de aprendizagens, bem como na
qualidade dos materiais de ensino (DUDLEY-EVANS, 2000).

40

Quanto às características dos cursos de ESP, Vian JR. (1999), citando
Strevens (1988), aponta características absolutas e variáveis. Quanto às
características absolutas, o ensino de língua inglesa no ESP: 1) é planejado para
atender às necessidades específicas do aprendiz, 2) está relacionado em conteúdo
(temas e tópicos, por exemplo) para disciplinas particulares, ocupações e atividades,
3) é centrado na linguagem apropriada para essas atividades em sintaxe, léxico,
discurso, semântica e a análise do discurso e 4) contrasta com o Inglês Geral
(General English). Quanto às características variáveis, o ESP pode ser, mas não é
necessariamente 1) restrito às habilidades linguísticas a serem aprendidas (apenas
leitura, por exemplo) e 2) ensinado de acordo com nenhuma metodologia
preordenada .
Ainda no mesmo trabalho, o autor contrasta essas características com
aquelas apresentadas por Dudley-Evans e St John (1998), que sugerem uma
definição de inglês instrumental que reflita o fato de que a metodologia instrumental
difere da metodologia utilizada no ensino de inglês para fins gerais, já que na
primeira o professor deve ser apenas um consultor, pois o aluno mantém seu status
de especialista em sua área de atuação.
Dudley-Evans e St John (1998) incluem, por fim, entre as características
variáveis, que o ESP pode ser planejado para o ensino superior ou uma situação de
trabalho específica, o que não exclui a possibilidade de ser ensinado no nível
secundário. Também destacam que a maioria dos cursos de ESP assume que o
aluno já possua conhecimento básico do sistema linguístico, mas pode também ser
trabalhado com iniciantes.
Os cursos de ESP, segundo Carver (1983) devem apresentar três
características: material autêntico, orientação relacionada ao propósito eautodireção. Os materiais devem ser autênticos, pois os estudantes que necessitam de
um curso de inglês instrumental possuem propósitos mais relacionados ao mundo
real. Os alunos devem ser expostos a esses materiais de forma intensa para que o
aprendizado seja mais rápido, e isso pode ocorrer por meio de atividades como
análise da língua, compreensão e interpretação, práticas de substituição e
reprodução.
Quanto à orientação relacionada ao propósito, devem ser efetuadas
simulações de atividades reais que os estudantes necessitam em seu contexto de

41

trabalho, como por exemplo: simular conferências, tomar notas, resumir, etc., ou
levando os participantes à leitura, utilizando as técnicas de skimming e scanning.
O estudo de inglês instrumental demanda, também, certo grau de
autodireção, dando autonomia aos estudantes de decidir quando, onde, o que e
como irão estudar. Em segundo lugar, professores devem ensiná-los a aprender,
principalmente através do uso de estratégias de leitura, torná-los conscientes dos
recursos de aprendizagem e ajudá-los a planejar melhor os seus estudos.
No capítulo 2, trouxemos a importância da leitura para estudo com foco no
artigo científico; além disso, demos informações sobre o conceito, desenvolvimento
e princípios do ESP (English for Specific Purposes), que no Brasil ficou conhecido
como inglês instrumental.

42

3 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE LEITURA

Neste capítulo, apresentamos os instrumentos comumente utilizados nos
estudos empíricos sobre leitura, focalizando, mais especificamente, os instrumentos
empregados na presente pesquisa, que são o teste cloze e o protocolo verbal de
leitura.

3.1

Avaliação da compreensão da leitura de textos escritos

Avaliar a compreensão de leitura implica discriminar entre aqueles que têm a
habilidade e aqueles que não têm. Assim, qualquer teste termina sendo difícil para
alguns e fácil para outros. Testar não é apenas confirmar o que achamos que os
alunos sabem, mas também revelar coisas sobre eles que não suspeitávamos. Outro
aspecto a ser considerado é que todo instrumento de testagem de leitura tem pontos
falhos; por isso, nenhum teste consegue discriminar de forma muito precisa os
comportamentos do leitor. Diante disso, fica claro que não existe um melhor método
para avaliar a leitura, como reconhece Alderson (1996). Tudo depende dos objetivos
do avaliador, que deverá ter em mente apenas alguns aspectos a serem observados
no leitor.
A compreensão em leitura pode ser avaliada de várias maneiras. No entanto,
são poucos os instrumentos que conseguem identificar o tipo de dificuldade que o
leitor fraco ou inexperiente encontra na leitura de um texto. Isso porque é difícil
acessar, de forma empírica, o processamento mental-cognitivo envolvido no ato de
ler, tornando complexa a avaliação da capacidade de leitura, já que os resultados
dessa avaliação nem sempre podem ser observados de forma direta e objetiva
(KLEIMAN, 1983). De fato, criar um instrumento confiável para mensurar a
inteligibilidade ou a compreensão em leitura é algo muito complexo, pois ele deve
fornecer dados relacionados não somente à capacidade de compreensão, como
também da capacidade de monitorar essa compreensão.

43

Um dos aspectos envolvidos na avaliação da compreensão em leitura é a
classificação relacionada a bons ou maus leitores5, o que pode gerar um resultado
não confiável, visto que o critério adotado é muitas vezes subjetivo. De um modo
geral, os testes que visam avaliar essa habilidade não abrangem os diversos
aspectos nela envolvidos, pois enfocam apenas uma pequena amostra do
comportamento relacionado à leitura e sua compreensão (OLIVEIRA et.al., 2009).
Uma das formas mais tradicionais de avaliar a leitura é através de testes de
compreensão de textos que se utilizam de perguntas e respostas escritas. Outra
forma também bastante utilizada em livros didáticos entre as décadas de 60 e 80
foram os testes de múltipla escolha. Atualmente esse tipo de teste é utilizado em
avaliações de grande escala, fundamentados na Teoria de Resposta ao Item (TRI)6.
Outras duas formas que têm se mostrado eficazes na avaliação da compreensão de
leitura são o teste lacunado, mais conhecido tecnicamente como teste cloze, e os
protocolos verbais de leitura.
MacLean (1984), em um estudo de caso, concluiu que o teste cloze7 e o
protocolo verbal, quando utilizados juntamente, são métodos úteis para ajudar a
entender como um leitor compreende textos em língua materna e língua estrangeira.
Além de serem ferramentas potenciais de diagnóstico de leitura, parecem encorajar
o leitor a se tornar mais ativo e flexível a partir do momento que ele constrói
significados durante a leitura de textos de vários níveis. Assim, combinar as duas
técnicasparece ser uma forma interessante para avaliar não apenas como o leitor
compreende o texto lido, mas também quais estratégias ele utiliza para fazer isso.
A seguir, abordaremos alguns aspectos relevantes dos dois instrumentos
(teste cloze e protocolo verbal), já que ambos foram utilizados na nossa pesquisa.

5

A questão da classificação de bons e maus leitores remete à questão da proficiência. De fato, esse
conceito é muito complexo e controverso, pois não se pode atribuir um valor absoluto ao conceito de
proficiência, pois ele é sempre relativo. Além disso, há de se considerarem os graus de proficiência.
6
Teoria de Resposta ao Item (TRI) é uma modelagem estatística utilizada em medidas psicométricas,
principalmente na área de avaliação de habilidades e conhecimentos. Como esse tipo de teste não foi
utilizado na pesquisa, não nos aprofundaremos na apresentação e explicação de seus princípios.
7
A autora utilizou o teste cloze racional, ou seja, as palavras apagadas foram escolhidas pela própria
pesquisadora.

44

3.2

O teste cloze

O cloze é um teste utilizado para avaliar a compreensão de leitura nos
diversos níveis de escolaridade e sua aceitação por pesquisadores tem sido
demonstrada por muitas publicações nacionais (CASTRO, 2008; KLEIMAN, 1983;
SANTOS et. al. 2002; SANTOS, 2004; SANTOS, 2005, SANTOS et. al., 2009; SILVA
e WITTER, 2008) e internacionais (ANGLAT, 2008; BRIÈRE, et. al., 1978; BROWN,
1980; 2002; MACLEAN, 1984; MCKAMEY, 2006), e pode ser utilizado tanto para a
avaliação de leitura em língua materna quanto em língua estrangeira (MACLEAN,
1984; OLLER, 1972; CARREL e CARSON, 1993).
No campo educativo, o cloze foi introduzido por Taylor em 1953, que o
nomeou partindo do princípio de fechamento “closure” da psicologia de Gestalt
(CUNHA, 2009). O teste consiste na organização de um texto, de mais ou menos
250 palavras, do qual se suprimem alguns vocábulos e se pede ao leitor que
preencha os espaços com as palavras que melhor completarem o sentido do texto.
Como proposto na sua forma original, pode ser feito um lacunamento rígido (razão
fixa), no qual se apagam rigorosamente cada quinta, sétima, ou décima palavra do
texto ou lacunamento racional, ou seja, o avaliador decide quais e quantas palavras
serão omitidas. Apesar do primeiro tipo de teste ser ainda muito utilizado, alguns
pesquisadores indicam o uso do lacunamento racional (MACLEAN, 1984; BROWN,
2002; BORMUTH, 1967), pois as palavras são escolhidas de acordo com os
objetivos específicos do avaliador.
A compreensão de leitura requerida pelo teste cloze envolve, entre outras
variáveis, a habilidade do leitor em estabelecer relações entre os elementos do texto
e a sua capacidade de desenvolver associações apropriadas entre o conhecimento
prévio e a informação impressa (compreensão inferencial e lexical).
Segundo Carrel e Carson (1993) o teste cloze força o leitor a usar o contexto
para prever o significado e, dessa forma parece espelhar e medir a compreensão em
leitura. Leffa (1996, p. 70) afirma que, “como instrumento de ensino de leitura, o
teste cloze é capaz de desenvolver no leitor a percepção de aspectos importantes
do texto”. Anderson (1980, apud BACHMAN, 1982) usando o procedimento racional,

45

concluiu que o teste cloze é capaz de medir a sensibilidade de relações coesivas
entre as sentenças, bem como estruturas gramaticais em nível de sentença.
Na medida em que os estudos sobre essa forma de avaliar a compreensão de
leitura foram avançando, consolidaram-se variações do teste, que são utilizadas
dependendo do objetivo pretendido, seja para diagnóstico ou remedição da
compreensão em leitura (SILVA; SANTOS, 2004). “Se o pesquisador está, por
exemplo, interessado em detectar determinadas estratégias usadas pelo leitor, ele
poderá tentar adaptar o cloze de modo a refletir o uso ou não dessas estratégias”,
assim, o pesquisador pode obter resultados mais satisfatórios se controlar o
lacunamento e escolher quais palavras apagar (LEFFA, 1996, p. 71). Como afirma
Bormuth (1967), as palavras excluídas no teste cloze devem visar a um objetivo
específico, do contrário, ele se transforma num teste de completar comum.
Nesse sentido, Oliveira et.al. (2009), baseadas em Condemarín e Milicic
(1988) apresentam 10 tipos diferentes do teste, que, segundo as autoras, pode ser
organizado dependendo do objetivo de leitura e do grau de dificuldade que se
pretende atingir:
1) Cloze lexical: são omitidos do texto apenas os itens lexicais, como
substantivos, adjetivos, advérbios, entre outros.
2)Cloze gramatical: são omitidos os itens relacionais, como verbos,
conjunções, artigos, entre outros.
3)Cloze de múltipla escolha: oferece ao leitor alternativas para o
preenchimento da lacuna, dentre as quais deve-se escolher apenas uma.
4) Cloze cumulativo: omite-se sistematicamente apenas uma única palavra, a
qual o leitor terá que identificar.
5) Cloze labirinto: o leitor deve eleger as palavras que completam a oração a
partir de três opções previamente selecionadas que compõem o labirinto verbal.
6) Cloze pareado: nesse tipo de teste são omitidas cinco palavras por oração,
as quais são dispostas em um quadro ao lado da oração a qual pertencem. O leitor
deverá eleger a palavra correta que foi omitida e completar, sendo que todas as
palavras dispostas no quadro completam de forma correta alguma sentença. O
tamanho do espaço é uma pista.
7) Cloze restringido: todas as palavras omitidas são dispostas ao lado ou
abaixo do texto. O leitor deverá escolher a palavra correta para cada espaço, sendo

46

que uma palavra, uma vez utilizada, não poderá ser usada novamente, a menos que
o quadro seja composto de duas ou mais palavras iguais.
8) Cloze com chaves de apoio: em vez de um risco continuo do tamanho da
palavra omitida, faz-se pequenos riscos que representam cada letra omitida.
9) Cloze pós-leitura oral: a organização desse tipo de teste é igual a do cloze
tradicional, a única diferença é que, antes de iniciar o preenchimento das lacunas, o
leitor deve fazer uma leitura oral de todo o texto para então começar. O aluno,
individualmente, é orientado a realizar a leitura, e, em seguida, deverá preencher as
lacunas.
10) Cloze interativo: para cada omissão, os alunos devem eleger uma palavra
adequada ao contexto e justificar sua escolha. Nesse modelo de aplicação, sugerese que o avaliador anote as justificativas do aluno.
Dentre os tipos de teste citados acima, o teste cloze de múltipla escolha é um
dos que tem sido mais utilizado pelas provas de proficiência em língua estrangeira,
principalmente a língua inglesa, como os testes de renome Michigan e Toefl, por
exemplo. Esse teste surge então para facilitar a correção e pode, dessa forma, ser
aplicado a um número maior de sujeitos. Testes cloze de múltipla escolha consistem
em lacunar o texto e apresentar algumas sugestões ao leitor, conhecidos como
distratores. O leitor deve escolher a palavra que mais se enquadra no sentido do
texto. Podem ser omitidas palavras lexicais ou gramaticais, dependendo do que se
pretende avaliar.
Diferentes tipos de teste cloze mensuram diferentes habilidades, ou pelo
menos, fornecem resultados diferentes uns dos outros. Contudo, é possível obter
diagnósticos bastante úteis através das respostas dos alunos nesses testes
(ALDERSON, 1996).
Independente do tipo do teste, as vantagens incluem o seu fácil preparo e
aplicação, além de seus resultados possuírem alta correlação com os resultados de
testes convencionais de leitura (i.e. responder perguntas sobre o texto) (KLEIMAN,
1983). Além disso, como o teste é o próprio texto, não apresenta o viés dos
questionários, nos quais é sempre possível criar itens difíceis sobre passagens
fáceis e vice-versa, ou ainda criar questões não dependentes da passagem
(CAPARROTI, 2005).

47

Quanto à pontuação dos testes cloze de razão fixa, os escores podem ser
obtidos somando-se os números de lacunas preenchidas corretamente, ou pode ser
baseado na correção na qual se aceita como correta uma palavra sinônima ou outra
palavra adequada ao contexto da palavra eliminada. Para ambos os casos, palavras
literais ou sinônimas, não se tem observados diferenças estatisticamente
significantes entre os dois tipos de correção em estudos brasileiros recentes
(CAPARROTI, 2005). Porém, segundo Oller (1972), o critério de pontuação de
palavras exatas pode tornar-se muito difícil para falantes não nativos, mesmo que
para nativos não seja. Também, ele acredita que seria exigir muito que um não
nativo recebesse crédito se acertasse apenas a palavra exata.
A possibilidade de utilizar o teste cloze para medir a proficiência de inglês
como segunda língua (ESL) é antiga e tem sido considerada por muitos
pesquisadores um meio efetivo de avaliar proficiência em segunda língua. Lange e
Clausins (1981, p. 255) afirmam que vários estudos encontraram correlações
significantes entre os escores obtidos no teste cloze e outras medidas de avaliação
de proficiência em língua estrangeira. Esses escores correlacionaram bem com uma
variedade de medidas, entre elas fatores cognitivos tais como argumentação,
habilidade verbal, escrita, e medidas de fluência expressiva.
Carrel e Carson (1993) afirmam que devido à capacidade do teste medir a
compreensão além do contexto imediato do item omitido, ele tem se tornado uma
ferramenta importante para os pesquisadores em segunda língua para investigar as
semelhanças e diferenças entre o desempenho de leitura em L1 e L2 (melhorar a
redação).
Alguns autores já se preocuparam em verificar se o teste cloze era capaz de
nivelar estudantes de línguas estrangeiras de diferentes níveis. Brière et. al. (1978)
avaliaram falantes nativos de inglês cursando três semestres distintos em quatro
línguas: Alemão, Japonês, Russo e Espanhol, por meio de um teste cloze de
aproximadamente 500 palavras para cada língua, no qual toda sétima palavra foi
omitida. A partir dos resultados obtidos, puderam concluir que o teste cloze
conseguiu discriminar aprendizes de línguas estrangeiras por níveis instrucionais.
Heilenman (1983), também preocupada com a falta de um recurso que
conseguisse nivelar estudantes com diferentes níveis que ingressam em cursos de
línguas, realizou dois experimentos. No primeiro experimento, avaliou 16 estudantes

48

falantes nativos de inglês que eram estudantes de francês utilizando uma passagem
de 255 palavras, da qual cada sétima palavra foi omitida. Os alunos realizaram, para
fins de comparação, dois testes de nivelamento oferecidos regularmente na
universidade, um de leitura e outro de escrita. Os resultados apontaram que os
testes regulares, bem como o teste cloze, avaliaram praticamente a mesma coisa, e
que o teste cloze poderia ser usado para ranquear esses estudantes de forma tão
precisa quanto os outros tipos de testes, que são, na maioria das vezes, mais longos
e mais difíceis de avaliar. O segundo experimento foi realizado com 388 alunos
matriculados no primeiro, segundo e terceiro ano de Francês. Os 11 professores de
Francês (dentre eles 6 nativos e 5 não nativos, porémproficientes) também foram
convidados para realizar o teste. O mesmo teste cloze do experimento um foi
aplicado. Os resultados mostraram que o teste cloze foi capaz de discriminar os
grupos, principalmente os de mais alto nível. No entanto, autora alerta que deve-se
ter cuidado ao nivelar estudantes de níveis muito próximos.
Bensoussan e Ramraz (1984) pretenderam oferecer evidências estatísticas
para a eficácia do teste cloze de múltipla escolha, bem como compará-lo com testes
convencionais de múltipla escolha. Para tanto, realizaram quatro experimentos em
estudantes não falantes de língua inglesa. Os resultados indicaram que, em termos
de dificuldade, os testes cloze estão a par com os testes convencionais e que a
escolha do texto pode ser mais relevante do que o formato do teste em si. Os
resultados apontaram que o teste cloze de múltipla escolha também é capaz de
avaliar a compreensão de leitura em nível macro, ou seja, a habilidade de seguir
uma sequência de pensamento lógico. Segundo as autoras, o teste cloze de múltipla
escolha é uma ótima alternativa para o nivelamento de estudantes em cursos de
línguas, pois, além de ser capaz de avaliar uma variedade de itens em um tempo
menor, também é mais fácil de ser elaborado do que os testes convencionais de
múltipla escolha.
Ao procurar avaliar a compreensão em leitura utilizando o teste cloze há que
se analisarem bem os objetivos de cada pesquisador e, dependendo do caso, é
interessante que se aplique mais de um tipo de teste, como, por exemplo, os
protocolos verbais, que serão discutidos a seguir.

49

3.3

O protocolo verbal

Os meios tradicionais que avaliam o que o leitor está compreendendo
apresentam algumas limitações, pois para responder corretamente à maioria dos
testes de leitura, os leitores desenvolvem inúmeras técnicas que não podem ser
observadas e nem medidas pelos resultados desses instrumentos, a não ser as
habilidades básicas de recodificação (símbolo para o som) e decodificação (som
para o significado) (COHEN, 1986).
As estratégias que são usadas pelos leitores durante a realização de um teste
podem, nesse sentido, ser apenas adivinhadas pelos professores ou pesquisadores,
pois o leitor está, a todo o momento, pulando palavras e frases, ou fazendo
regressões. Fazer a leitura oral também parece não resolver o problema, pois, dessa
forma, o leitor tende a ler palavra por palavra, focando mais na pronúncia correta e
pontuação do que no entendimento do texto, podendo dar, além disso, uma
impressão falsa sobre as habilidades de leitura dos estudantes (COHEN, 1986).
Outra forma de avaliar a leitura que parece não ser eficiente é a observação
de aulas. Esse tipo de método, que pode avaliar os movimentos físicos dos alunos –
sorrisos, movimentos dos olhos e cabeça, e o que dizem, não captam o que eles
indivíduos estão pensando, como estão pensando ou como eles se sentem
(COHEN, 1987, p. 31). Além disso, os estudantes que não se expressam
verbalmente nessas atividades não podem ser avaliados.
Assim, na tentativa de se entender como essas estratégias são realizadas,
pesquisadores passaram a utilizar o protocolo verbal. Nesse tipo de abordagem, a
leitura em voz alta não se resume à recitação, e sim à externalização de um
processo, visto que os leitores relatam sobre o processo de leitura do texto e
também sobre questões que podem acompanhá-los. Eles também descrevem como
chegaram a tais respostas.
Cohen e Hosenfeld (1981) sugerem que procedimentos mentais são
especialmente apropriados para examinar as estratégias que o leitor usa para obter
o significado de um texto e para obter informação sobre as perspectivas do leitor
relacionadas às dificuldades encontradas na leitura. Para fins de diagnóstico, essas

50

informações parecem ser as mais úteis para entender como um leitor atribui sentido
ao texto.
Segundo Leffa (1996, p. 81) “a análise de protocolos, aplicada à leitura,
consiste essencialmente numa entrevista feita com o leitor, gravação das respostas
dadas e análise detalhada dessas respostas”. O objetivo principal da análise de
protocolos, segundo o autor, é fazer o leitor "pensar em voz alta" sobre suas próprias
estratégias de leitura.
Várias áreas do conhecimento têm utilizado esse procedimento como
ferramenta de pesquisa e/ou ensino, a saber: a psicologia, a física, a educação, a
literatura, e a linguística aplicada, com foco especial nas áreas de tradução e leitura
(TOMICH, 2007).
Cohen (1986, 1987) categoriza os protocolos verbais usados para descobrir
as estratégias de leitura em três tipos: auto-relatório, auto-observação; autorevelação. No auto-relatório e na auto-observação, os dados são obtidos ‘após a
leitura’ e, na auto-revelação, os dados são obtidos ‘durante a leitura’.
O auto-relatório refere-se à descrição generalizada que o leitor faz durante a
leitura, possivelmente colocando como ele acredita que age durante uma situação
qualquer de leitura. Esse instrumento pode ser usado para avaliar os hábitos de
leitura e/ou a percepção subjetiva do leitor sobre a sua leitura, por exemplo.
Na

auto-observação

(chamada

de

‘retrospecção’

ou

‘verbalização

retrospectiva) (TOMITCH, 2007), o leitor faz uma descrição de uma situação
específica de leitura que acabou de realizar. Esta pode ser introspectiva, ou seja,
que ainda está na memória de curto prazo, ou retrospectiva, que pode ser imediata
(por exemplo, dentro de alguns minutos ou uma hora após o evento) ou tardia (após
horas, dias ou semanas).
Segundo Cohen (1986), dados provenientes da retrospecção imediata
parecem ser mais completos do que dados de retrospecção tardia, visto que a
segunda pode levar o leitor a um possível esquecimento, pelo menos parcial, ao
tentar reproduzir o que pensou ou fez durante a leitura. Dessa forma, o pesquisador
pode elaborar diversas perguntas ao leitor, a fim de saber como ele chegou a
determinada palavra, se ele releu alguma passagem do texto, se ele entendeu os
significados de certas expressões, etc. (TOMITCH, 2007).

51

Por fim, a auto-revelação (chamada de verbalização co-ocorrente ou
concorrente refere-se à descrição em voz-alta (think aloud) que leitor faz do seu
processo de leitura no momento em que está lendo. Essa última modalidade parece
ser a que permite uma maior probabilidade de acesso ao que possivelmente ocorre
na mente do leitor durante a leitura, isto é, ao processo de leitura.
Outro aspecto relevante refere-se às instruções dadas aos participantes, que
devem ser “detalhadas, claras, objetivas e sucintas”, de preferência apresentadas de
maneira escrita e repassadas em voz alta (TOMITCH, 2007, p. 49). É importante
também pensar de que forma os protocolos serão conduzidos. Segundo Leffa (1996,
p. 82), pode-se fazer uso de “(a) pausas na leitura, (b) emprego de palavras sem
sentido no texto, e (c) da aplicação do cloze”.
É importante, no entanto, saber como utilizar esses protocolos para que os
resultados da pesquisa sejam os mais reais e confiáveis possível. Cohen (1987)
afirma que, além da necessidade de um possível treinamento com os indivíduos
antes de iniciar a coleta de dados, vários outros fatores podem alterar o processo,
como por exemplo, o local, o número de participantes, a recência do evento, as
formas de perguntas e respostas, a formalidade das perguntas, e o grau de
intervenção do pesquisador. Apesar de ser considerado um processo natural, a
“alguns participantes são mais predispostos a verbalizar e o fazem com mais
naturalidade do que outros” (TOMICH, 2007, p. 50).
No capítulo 3, mostramos os instrumentos mais utilizados para a avaliação de
leitura, em especial os que foram utilizados na nossa pesquisa: o teste cloze e o
protocolo verbal de leitura. Trouxemos autores que confirmaram a relevância desses
dois instrumentos, bem como a importância de serem utilizados conjuntamente para
que a avaliação de leitura seja mais completa e efetiva.

52

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Neste capítulo, estão descritos os aspectos metodológicos utilizados para a
realização da nossa pesquisa, que incluem as informações sobre a natureza e o
contexto da pesquisa, sobre os participantes, além dos procedimentos e
instrumentos para a coleta e análise dos dados.

4.1

Natureza da pesquisa

Esta pesquisa volta-se ao processamento cognitivo da compreensão na
leitura em inglês entre estudantes mestrandos da área da saúde. Para isso,
utilizamos a pesquisa do tipo estudo de caso, com abordagem mista, ou seja,
quantitativa (teste cloze) e qualitativa (protocolos verbais de leitura).
Para Coutinho e Chaves (2002, p. 223), “quase tudo pode ser um caso: um
indivíduo, um personagem, um pequeno grupo, uma organização, uma comunidade
ou mesmo uma nação!” No estudo de caso, o investigador recorre a fontes múltiplas
de dados e a métodos de recolha diversificados como “realizar entrevistas, aplicar
questionários ou administrar testes” (GÜNTHER, 2006, p. 205). A utilização destes
diferentes instrumentos constitui uma forma de obtenção de diferentes tipos de
dados, os quais proporcionam a possibilidade de cruzamento de informação.
Em um estudo de caso é possível utilizar tanto procedimentos qualitativos
quanto quantitativos (GÜNTHER, 2006, p. 205). Ademais, abordagens qualitativas
associadas a estudos de caso dependem de estudos quantitativos. Para Minayo e
Sanches (1993), um estudo quantitativo pode gerar questões para serem
aprofundadas qualitativamente, e vice-versa, e afirmam que nem a abordagem
qualitativa nem a quantitativa é mais ou menos científica do que aoutra. Para os
autores, faz-se, então, necessário, “utilizar todo o arsenal de métodos e técnicas que
ambas as abordagens desenvolveram para que fossem consideradas científicas e
não podem ser pensadas como contraditórias” (SANCHES, 1993, p. 247).

53

4.2

O contexto da pesquisa

A presente investigação teve como cenário a Universidade de Pernambuco
(UPE), no campus da Região Metropolitana de Recife, no segundo semestre de
2011.
A UPE teve sua origem na Fundação de Ensino Superior de Pernambuco –
FESP, mantenedora, desde 1965, de um grupo de Unidades de Ensino Superior préexistentes no Estado. Extinta a FESP, em 1990, foi criada em seu lugar, pela Lei
Estadual nº 10.518, de 29 de novembro de 1990, a Fundação Universidade de
Pernambuco, instituição de direito público que viria a ser mantenedora da nova UPE,
reconhecida pela Portaria Ministerial nº 964, de 12 de junho de 1991.
A UPE é uma instituição pública de ensino superior presente em todas as
regiões do Estado. Seu complexo multicampi é formado por 13 unidades de ensino e
três grandes hospitais, distribuídos no Recife e Região Metropolitana, em Nazaré da
Mata, Caruaru, Garanhuns, Arcoverde, Salgueiro e Petrolina. Em breve, a UPE
chegará em Serra Talhada e Palmares.
A instituição oferece, atualmente, 27 cursos de graduação presenciais e
quatro cursos de graduação à distância, bem como 13 cursos de pós-graduação
stricto-sensu (12 de mestrado e 1 de doutorado) e 111 cursos de pós-graduação
lato-sensu.
Os cursos de pós-graduação stricto-sensu se concentram no campus da
Região Metropolitana de Recife, onde nossa pesquisa foi realizada. Dentre esses
cursos, oito são voltados para a área da saúde (Biologia Celular e Molecular
Aplicada, Ciências da Saúde, Educação Física, Enfermagem, Hebiatria e
Odontologia (mestrado e doutorado) e Perícias Forences, três pertencem às áreas
das Engenharias e um à área de Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável8.

8

Essas informações foram retiradas do site da Universidade de Pernambuco (www.upe.br), acesso
em maio de 2012.

54

4.3

Os participantes da pesquisa

A pesquisa abrangeu estudantes de cinco cursos de Mestrado das áreas da
saúde da Universidade de Pernambuco, a saber: Ciências da Saúde, Biologia
Molecular e Celular, Enfermagem, Educação Física e Hebiatria. Todos os sujeitos
haviam ingressado na seleção de 2011.1 e estavam cursando as disciplinas do
segundo semestre do curso.
A pesquisa foi realizada em duas etapas, que serão descritas com mais
detalhes na seção 5.4 deste capítulo (Procedimentos e instrumentos para coleta de
dados). Da primeira etapa da pesquisa participaram 69 mestrandos, sendo 19 das
Ciências da Saúde, 7 de Biologia Molecular e Celular, 8 de Enfermagem, 20 de
Educação Física e 15 de Hebiatria. A segunda etapa da pesquisa foi composta por
13 informantes, escolhidos dentre os 69, convidados via telefone e e-mail.
A opção por ter mestrandos como informantes desta pesquisa se deu pela
grande relevância que a língua inglesa tem nesse nível acadêmico institucional
(IGLESIAS; BATISTA, 2010). Está mais do que evidente que, para cursar uma pósgraduação stricto sensu, os estudantes necessitam de, pelo menos, boas
habilidades de leitura em língua inglesa. Já a opção pela área da saúde se explica
pelo fato de grande parte do referencial teórico atual e de prestígio dessa área
encontrar-se na língua inglesa (IGLESIAS; BATISTA, 2010). Além disso, até o
presente momento, não encontramos estudos que verificam o processamento de
compreensão de leitura em língua inglesa de mestrandos da área da saúde,
identificando as dificuldades que esses alunos ainda enfrentam durante a leitura de
um texto científico, bem como as estratégias de leitura utilizadas para uma boa
compreensão de um texto em língua inglesa.
A motivação para a escolha desses cursos específicos se deu devido à
grande procura por parte de seus estudantes para aulas particulares de inglês para
fins acadêmicos. Essa procura inclui estudantes regulares desses programas
mestrado, que necessitam da língua para leitura de artigos científicos para subsidiar
seus conhecimentos nesses cursos, como também de estudantes que precisam se
preparar para o processo seletivo de mestrado da área da saúde, que ocorre na
instituição uma vez por ano. Nesse processo, exige-se que o aluno responda

55

algumas questões dissertativas sobre um texto científico, que geralmente trata-se de
um trecho retirado de um artigo científico. A média da pontuação exigida varia de
programa para programa, que vai de 5,0 a 7,0 pontos. Alguns programas, como o de
Educação Física e Enfermagem, aceitam provas de proficiência como Michigan e
TOEFL. Outros programas também aceitam certificados de provas de instituições
Federais.

4.3.1 Perfil geral dos informantes da pesquisa

Dos 69 informantes que participaram da pesquisa, 62,3% eram do sexo
feminino, 65,2% tinham até 30 anos de idade, 71,0% eram casados, e a grande
maioria (84%) residiam nas capitais (Recife, João Pessoa e Maceió). Um pouco mais
da metade dos informantes afirmaram não trabalhar (52,2%) durante o mestrado.
A maioria dos alunos frequentou o Ensino Fundamental e Médio em escola
particular (75,4%). Já no ensino superior (graduação), 82,6% deles optaram por uma
instituição pública, o que pode ter contribuído para que mais da metade desses
informantes (62,3%) tenha participado como aluno de iniciação científica durante
seus cursos de graduação.
Quanto à linha de pesquisa em que se inserem esses informantes no
mestrado, a maioria deles (73.9%) desenvolve seus trabalhos voltados para as áreas
biológicas, enquanto que 26.1% desenvolvem seus trabalhos áreas sociais e
educacionais. Esse dado é significante, uma vez que as diferentes áreas de
especialidade apresentam tópicos distintos, metodologias e formas de ver o mundo
que as caracterizam, assim, a língua inglesa pode representar papel diferente nas
duas áreas do saber.

56

4.3.2

Estudo e convivência com a língua inglesa

Verificar a familiaridade desses informantes com a língua inglesa é relevante,
visto que hoje ela representa papel crucial para aqueles inseridos na comunidade
acadêmica e é considerada por alguns como a língua franca da ciência (HYLAND,
2006). Aqueles que desejam ter seus trabalhos de pesquisa reconhecidos por parte
significativa da comunidade acadêmica internacional estão buscando, cada vez
mais, publicar suas pesquisas em inglês. Dessa forma, a aquisição de boas
habilidades dessa língua, principalmente da leitura e da escrita, é indispensável para
esses indivíduos.
Como é possível observar na tabela 1, a grande maioria dos informantes
(91,3%) confirma que a língua inglesa é muito importante no mestrado. Apenas um
aluno a apontou como sendo pouco importante.
A maioria dos alunos estudou a língua inglesa no Ensino Fundamental
(78.3%) e Médio (88.4%). Quando questionados sobre realização de cursos de
inglês fora do âmbito escolar, 68,1% responderam que sim. No entanto, 69% dos
alunos entrevistados não cursaram mais do que quatro semestres.
Outra forte tendência, principalmente para aqueles que necessitam da língua
inglesa para situações específicas (de negócios ou acadêmicas) é a procura por
cursos de inglês instrumental, ou, como é o caso de nossos informantes de
pesquisa, Inglês para Fins Acadêmicos (EAP9), como forma de suprir a falta do
conhecimento da língua e não perder tempo com habilidades e vocabulário que não
são essenciais para a sua necessidade imediata de estudo.
Porém, quando perguntados sobre realização de cursos de inglês
instrumental, apenas 36,2% do total responderam afirmativamente, sendo que
desses, apenas 20% cursaram por mais de um semestre. Isso pode ser
consequência de um número insuficiente de escolas que ofereçam esses tipos de
curso, e que disponham de materiais didáticos específicos para as diversas áreas
existentes. Além disso, os professores, muitas vezes, não estão preparados para
atender à diversidade das áreas procuradas.

9

Na íntegra, EAP significa, em inglês, English for Academic Purposes.

57

A vivência no exterior também pode indicar que o aluno teve um contato mais
intenso com a língua inglesa. Na nossa amostra, apenas 4,3% viveram no exterior
(Estados Unidos) para fins de estudo, e por um período inferior a seis meses, em
cursos de intercâmbio cultural e científico.
Gostar da língua inglesa é também fator importante para que o aprendizado
possa ser efetivo e motivador. Os dados apontaram que 66.7% dos informantes
disseram gostar de inglês, 27,5% disseram gostar mais ou menos, e apenas 5.8%
disseram não gostar de inglês.
Importante citar que 73.9% dos informantes afirmaram ser incentivados por
seus professores e pesquisadores quanto ao estudo da língua inglesa. O incentivo
ao estudo da língua inglesa é necessário e mostra a consciência dos professores de
tentarem ajudar esses estudantes10. E não somente isso, ao dominar a língua
inglesa, os pós-graduandos têm maior possibilidade de fazer “curso sanduíche” no
exterior, ir para congressos internacionais noutros países e publicar seus trabalhos
em inglês, obtendo maior visibilidade. Portanto, a importância da língua inglesa para
os mestrandos não se restringe à lectoescritura, mas também à série de atividades
significativas no meio acadêmico.

Tabela 1 - Estudo e convivência com a língua inglesa
Perguntas do Questionário
Importância do inglês no mestrado
Pouco importante /Importante
Muito importante
Inglês no ensino fundamental
Sim
Não
Inglês no ensino médio
Sim
Não
Curso de inglês
Sim
Não
Tempo de inglês
Até 4 semestres
Mais de 4 semestres
10

Qtd

%

6
63

8,6
91,3

54
15

78,3
21,7

61
8

88,4
11,6

47
22

68,1
31,9

48
21

69,6
30,4

Apesar de consensual a contribuição que o conhecimento da língua inglesa traz para a melhoria do
desempenho acadêmico, houve um informante que se disse desestimulado por conta da não
exigência dos professores. Coincidentemente, na nossa pesquisa, os alunos do referido curso
apresentaram baixo nível de domínio da compreensão de leitura em inglês.

58

Tabela 2 - Estudo e convivência com a língua inglesa
Perguntas do Questionário
Inglês Instrumental
Sim
Não
Viveu no exterior
Sim
Não
Fonte: Autora, 2013

4.3.3

Qtd

%

25
44

36,2
63,8

3
66

4,3
95,7

Práticas e habilidades de leitura

Em relação aos principais gêneros textuais utilizados como fonte de pesquisa
pelos informantes, 89.9% relataram utilizar o artigo científico; 5,8% utilizam
dissertações e teses e apenas 4.3% recorrem a livros. Isso demonstra claramente o
grande contato que eles têm com o artigo científico e a importância que esse gênero
representa nesses cursos de pós-graduação, como se vê na Figura1.
Figura 1 - Principais gêneros textuais utilizados como fonte de pesquisa dos
mestrandos da área da saúde

Frequência (%)

60
89,9

50
40
30
20
10

4,3

5,8

Livros

Dissertações e
Teses

0

Fonte: Autora, 2013

Artigos
científicos

59

Esses dados confirmam com os dizeres que Swales (1990), segundo a qual o
artigo científico é o gênero dominante na pesquisa acadêmica, pois nesse contexto o
conhecimento deve ser divulgado de forma rápida, objetiva e acessível. No entanto,
outras fontes como livros também são excelentes ferramentas de estudo.
Neste estudo, a proporção de informantes que utiliza artigo científico como
fonte de pesquisa foi maior para os estudantes das áreas biológicas (94%), em
comparação com os das áreas educacionais e sociais (77%). Esses dados têm forte
relação com a proporção dos sujeitos que utilizam o idioma inglês para suas
pesquisas, que foi significantemente maior para os informantes das áreas biológicas
(70%) quando comparados aos das áreas educacionais e sociais (16%).
Ao serem questionados sobre a principal fonte de pesquisa científica, 52%
dos informantes relataram utilizar a base de dados Pubmed, uma base de dados
internacional da área da saúde, que traz artigos de pesquisadores do mundo todo,
sendo que a língua inglesa é a língua de divulgação desses trabalhos. A Bireme,
base de dados nacional da área da saúde, que inclui também artigos publicados em
língua portuguesa, foi a segunda fonte de pesquisas mais citada (20,3%).
A língua inglesa foi apontada como o principal idioma para leitura por 56,5%
dos mestrandos, enquanto que 43,5% afirmaram utilizar mais a língua portuguesa
(Figura 2). Nenhum outro idioma foi citado pelos informantes como utilizado para
pesquisas científicas, nem mesmo a língua espanhola. Isso demonstra, mais uma
vez, que a língua inglesa, pelo menos no que diz respeito à leitura, é o idioma que
parece predominar nesses cursos da área da saúde.
Figura 2 - Idiomas utilizados nas pesquisas acadêmicas pelos mestrandos da área da
saúde.

Inglês

44%
56%

Fonte: Autora, 2013

Português

60

Quanto à habilidade de leitura de artigo científico em português, 94,2%
disseram ter habilidade entre boa e excelente, enquanto que apenas 5,8%
consideraram-se leitores regulares. Ao serem questionados quantos artigos
científicos em português haviam lido na última semana, 25% dos informantes
disseram não ter lido nenhum; 19,1% leram apenas um; 26,5% leram entre dois a
quatro; 29,4% leram mais de quatro artigos científicos.
Quanto à habilidade de leitura em artigo científico em inglês, 30,4% relataram
ter habilidade entre boa e excelente. Já 69,5% relataram ter habilidade entre regular
e ruim. Ao serem perguntados quantos artigos científicosem inglês haviam lido na
última semana; 27,5% dos pós-graduandos disseram não ter lido nenhum, 17,4%
leram apenas um; 36,2% leram entre 2 a 4, e 18,9% leram mais de quatro artigos
científicos. Ou seja, tanto em português e inglês, mais da metade dos informantes
(55,9% e 51,1%, respectivamente) leu mais de dois artigos científicosna semana que
antecedeu a pesquisa, indicando um contato razoável com o gênero em questão.
Como a leitura em língua inglesa é o foco principal da nossa pesquisa,
perguntamos quais os problemas enfrentados pelos alunos durante a leitura de um
artigo científico nessa língua (Figura 3). O vocabulário técnico foi a dificuldade mais
apontada (50,8%); seguido da gramática do inglês (43,5%); depois alegaram ser o
assunto tratado nos textos (8,7%) e, por fim, a linguagem científica (23,2%). Apenas
1,4% dos informantesrelataram não apresentar dificuldades.

Principais dificuldades

Figura 3 - Dificuldades dos mestrandos durante a leitura de um artigo científico em
língua inglesa.

Vocabulário Técnico

50,8

Gramática

43,5

Linguagem Científica

23,3

Assunto

8,7

Não tenho dificuldades

1,4
0

10

20

30

40

Frequência (%)
Fonte: Autora, 2013

50

60

61

Questões relacionadas a problemas de vocabulário na leitura em inglês foram
discutidas em um estudo realizado por Scaramucci (1995), que apontou que tanto
leitores iniciantes quanto avançados apresentam muitas dificuldades lexicais no
momento da leitura em inglês. Sabe-se que a competência lexical insuficiente pode
ser o fator determinante para dificultar a compreensão do texto. Segundo a citada
autora, embora o vocabulário seja uma das principais dificuldades da grande maioria
dos estudantes, são poucos os estudos na literatura especializada que abordam a
extensão dessas dificuldades.
A dificuldade com a gramática relatada em nosso estudo é outro fator de
destaque, ainda quando se leva em consideração a estrutura mais recorrente
utilizada em artigos científicos, como é o caso da voz passiva. A formalidade da
linguagem cientifica, o uso da impessoalidade e o assunto tratado no texto dizem
respeito ao conhecimento prévio necessário para textos na área científica.
O assunto específico abordado nos textos, que não parece ser uma
dificuldade para nossos informantes, já foi tratado por Souza (1994). Ao observar,
em textos técnicos, o papel do conhecimento sobre assuntos específicos e as pistas
contextuais oferecidas pelo auto, concluiu que o conhecimento prévio do assunto
auxilia a inferência lexical de palavras-chave. Segundo a autora, os sujeitos que não
conheciam o conteúdo abordado ficaram em um nível mais baixo de compreensão e
utilizaram estratégias de inferência com menos frequência.
Quando questionados a respeito do que fazem diante de uma dificuldade de
compreensão durante a leitura em língua inglesa, a ferramenta online Google
tradutor foi citada por 56.5 % dos informantes, seguido do dicionário (44.9%). Isso é
preocupante, uma vez que o uso do Google tradutor nem sempre traz aquilo que se
espera de uma tradução; ou seja, partes do texto podem ser distorcidas, o
significado das palavras pode ser alterado, principalmente os termos técnicos e
específicos de cada área.
Quanto ao uso do dicionário, Nuttal (1996) ressalta que pode ser uma
ferramenta útil para a busca de vocabulário, porém deve ser utilizado com cautela, e
não toda vez que o aluno leitor encontra uma palavra desconhecida. O uso
demasiado do dicionário pode ser perigoso, pois aqueles que ficam procurando
muitas palavras tendem a ler com muito menos eficiência. Ademais, leitores que

62

buscam muitas palavras no dicionário podem demonstrar dificuldade de utilizar a
inferência lexical.

4.4

Procedimentos e instrumentos para coleta de dados

A etapa inicial do estudo consistiu no contato com os coordenadores e/ou
diretores dos cinco programas (Ciências da Saúde, Biologia Molecular e Celular,
Enfermagem, Educação Física e Hebiatria) entre abril e maio de 2011, em que foram
fornecidas explicações sobre a pesquisa e solicitado o consentimento para sua
realização através de uma carta de apresentação do projeto. Com o consentimento
de todos em mãos, enviamos o projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade de Pernambuco.
Após o parecer favorável do Comitê de Ética (Registro CEP/UPE 112/11 –
Registro CAAE: 0092.0.097.000-11, aprovado no dia 07 de junho de 2011 (ANEXO
1), enviamos o projeto de pesquisa, juntamente com a aprovação do Comitê, aos
cinco coordenadores, que, por sua vez, nos forneceram o contato dos docentes que
estavam oferecendo disciplinas de mestrado naquele semestre. Para que
conseguíssemos abranger o maior número de informantes, optamos pelos
professores que estivessem ministrando disciplinas obrigatórias.
Assim sendo, após contato com cada professor, estabelecemos um dia e
horário para agendamento do questionário de sondagem e dos testes cloze em
português e inglês, que ocorreram durante a aula, entre os meses de agosto e
outubro de 2011. Como para essa etapa nos foi cedida apenas uma aula por cada
docente de cada curso, somente os estudantes que estavam presentes puderam
participar do estudo. Assim sendo, nossa amostra foi composta por um total de 69
informantes dos cinco programas.
No primeiro contato com os pós-graduandos, os objetivos da pesquisa foram
descritos, e aqueles que aceitaram participar voluntariamente da pesquisa
assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ANEXO B). Neste
mesmo dia, os 69 informantes preencheram um Questionário de Sondagem
(APÊNDICE B), realizaram um teste cloze em língua portuguesa (APÊNDICE C) e,

63

por fim, ealizaram o Teste cloze de múltipla escolha em língua inglesa (APÊNDICE
D).
Após análise dos resultados do teste cloze, foi realizada a segunda etapa da
pesquisa, que ocorreu entre os meses de outubro, novembro e dezembro de 2011 e
envolveu 13 informantes que foram escolhidos dentre os 69 da primeira etapa, os
quais foram convidados por telefone e/ou e-mail.
O quadro abaixo demonstra resumidamente as etapas da pesquisa
desenvolvida.
Quadro 3 - Etapas da pesquisa desenvolvida
Data
Abril e maio de 2011
Junho de 2011
Junho de 2011
Agosto de 2011
Agosto a outubro de 2011
Setembro a outubro de 2011
Outubro a dezembro de
2011
Janeiro a julho de 2012
Janeiro de 2012 a Julho de
2013
Fonte: Autora, 2013

Atividade
Contato com diretores/coordenadores dos cinco programas
Projeto aprovado pelo comitê de ética
Contato com os docentes responsáveis pelas disciplinas
obrigatórias
Teste piloto
Etapa 1- aplicação do questionário de sondagem e testes cloze
(português e inglês)
Análise dos dados do teste cloze
Etapa 2- Aplicação do protocolo verbal de leitura
Transcrição e análise dos dados do protocolo verbal
Escrita da dissertação

A seguir, cada etapa da pesquisa será explicada detalhadamente.

4.4.1

Teste piloto

O teste piloto (APÊNDICE A) foi realizado em agosto de 2011 para verificar a
viabilidade dos instrumentos questionário de sondagem e testecloze. Dez
informantes de iniciação científica do curso de Educação Física da Universidade de
Pernambuco participaram como voluntários na coleta de dados.

64

O testecloze11, inicialmente proposto no projeto inicial, constava de um teste
cloze restringido, ou seja, todas as palavras omitidas foram dispostas acima do
texto. O leitor deveria escolher a palavra correta para cada espaço, sendo que uma
palavra, uma vez utilizada, não poderia ser usada novamente.
Após analisarmos os resultados, verificamos que esse teste não seria viável,
uma vez que caso o informante errasse uma lacuna, ele obrigatoriamente erraria
outra, já que o número de palavras seria exatamente o número de lacunas. Diante
disso, optamos por modificar o tipo de teste, e construímos um teste de cloze de
múltipla escolha. Para testar a viabilidade do teste, aplicamos, desta vez, em dois
professores doutores em Educação Física que disseram ter habilidades boas de
leitura em língua inglesa. A pontuação dos dois informantes variou entre 85% a 90%,
sendo assim, optamos por utilizar o teste.

4.4.2

Questionário de sondagem

Na pesquisa definitiva, o primeiro instrumento aplicado foi o questionário de
sondagem (APÊNDICE B), que foi aplicado entre os meses de agosto e outubro de
2011. O questionário foi composto por 32 questões objetivas para verificar a
familiaridade dos informantes com a língua inglesa bem como suas práticas e
habilidades de leitura. Para tanto, o informante deveria assinalar a melhor alternativa
para cada questão e caso desejasse fornecer comentários adicionais, alguns
espaços em branco foram deixados em algumas respostas.
Antes do início do preenchimento e realização dos testes, foram dadas
asorientações e recomendações necessárias. Pedimos, gentilmente, para que os
informantesnos fornecessem alguns dados adicionais, como nome, e-mail e número

11

Nossa opção por utilizar o teste cloze na avaliação da competência leitora se deu pelo fato de essa
técnica ser considerada uma atividade de comprovada eficácia para o diagnóstico de compreensão
de textos escritos, embora também seja utilizada para o desenvolvimento e a remediação da
compreensão leitora, por possibilitar a análise e a reflexão do que se poderia ser esperado para cada
lacuna.

65

de telefone para possível convite para a segunda etapa da pesquisa12, ou seja, dos
protocolos verbais.

4.4.3

Teste cloze de múltipla escolha em língua portuguesa

Para familiarização dos sujeitos com o teste cloze, aplicamos um teste
semelhante em língua portuguesa (APÊNDICE C) após o preenchimento do
questionário de sondagem. O texto, uma introdução de um artigo científico retirado
da revista Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, apresentou 246
palavras e 28 lacunas em branco.
A aplicação do teste envolveu uma instrução inicial indicando que o
informante deveria primeiramente ler o texto todo, e, depois, voltar ao início para
preencher cada lacuna com a palavra que julgasse mais adequada ao contexto.
Para tanto, ele deveria escolher dentre as três opções (distratores) dispostas abaixo
de cada lacuna. Como sugere a metodologia do teste, a primeira e a última frase do
texto não fizeram parte do processo de lacunamento.

4.4.4

Teste cloze de múltipla escolha em língua inglesa

Para avaliação da compreensão de leitura em língua inglesa dos sujeitos da
pesquisa, foi utilizado um teste cloze de múltipla escolha (APÊNDICE D). A
aplicação do teste ocorreu após a aplicação do teste cloze em língua portuguesa e
os sujeitos tiveram que seguir as mesmas orientações do primeiro.
O texto em inglês, uma introdução de um artigo científico retirado da revista
especializada da área Medicine & Science in Sports & Exercise, apresentou 304

12

Infelizmente, nem todos os alunos nos forneceram esses dados.

66

palavras e 26 lacunas. Optamos pelo teste cloze racional13 pois estávamos
interessadas em retirar apenas palavras que julgássemos essenciais para o nosso
propósito. O título foi retirado do texto e colocado abaixo, juntamente com a fonte.
O critério para a escolha dos espaços em branco foram os recomendados por
Bensoussan e Ramraz (1984), segundo os quais o avaliador deve escolher itens
relacionados a palavras-chave em um argumento lógico para que seja possível
verificar se o leitor consegue seguir a sequência do pensamento.
Visto que o nosso objetivo era testar uma variedade de palavras, removemos
do texto palavras pertencentes a classes gramáticas diversas: substantivos,
adjetivos, verbos, conjunções e preposições. Como distratores, incluímos, em sua
maioria, opostos como forma de avaliar o entendimento do texto de forma geral.
Ainda, seguindo recomendação de Bensoussan e Ramraz (1984), optamos por não
fazer uso de sinônimos dentre os distratores, visto que os mesmos tornam as
questões ambíguas, mesmo para falantes nativos. Comentaremos com mais detalhe
na próxima seção.
O teste cloze foi tabulado tomando como certas a palavras que se
encontravam no texto original. O escore final correspondeu à soma das lacunas
preenchidas corretamente, ou seja, a pontuação variou de 0 a 26.

4.4.5

Protocolo verbal

O instrumento protocolo verbal foi utilizado como suporte qualitativo, para que
pudéssemos aprofundar a análise dos dados obtidos por meio do teste cloze, já que
este, por si só, não nos permite avaliar questões relacionadas às estratégias de
leitura utilizadas durante a leitura do texto. Assim, o protocolo foi elaborado
utilizando o mesmo texto utilizado no teste cloze (APÊNDICE E). No entanto, apenas
13 lacunas foram utilizadas para essa fase.
Dada a complexidade de aplicação e posterior análise de dados do
instrumento protocolo verbal, não poderíamos incluir todos os 69 sujeitos para
13

No teste cloze racional, o pesquisador decide quais palavras farão parte do processo de
lacunamento.

67

participar dessa etapa da pesquisa. No entanto, optamos por incluir o maior número
de sujeitos que apresentaram diferentes pontuações no teste cloze para que
pudéssemos comparar as diferenças no processamento da leitura e no uso de
estratégias.
Para o convite e agendamento prévio, entramos em contato via telefone e/ou
e-mail e explicamos o objetivo e como seria realizada essa fase. Não encontramos
nenhuma dificuldade em conseguir agendar horário com os leitores que obtiveram
maiores pontuações, que nos pareceram bem dispostos e motivados a participar.
Porém, infelizmente, foi muito difícil entrar em contato com os informantes que
obtiveram pontuações mais baixas, primeiramente porque alguns não deixaram
telefone ou e-mail para contato no questionário sondagem; segundo porque, ao
conseguirmos contato, alguns alegaram não ter tempo disponível, enquanto que
outros agendaram, mas acabaram desmarcando várias vezes ou até mesmo não
compareceram nos dias agendados.
Assim, conseguimos realizar esta etapa com 15 estudantes. Os dois primeiros
protocolos realizados nos serviram como piloto. Dessa forma, incluímos em nossa
pesquisa 13 estudantes.
Todas as gravações foram realizadas individualmente, em local fechado e
silencioso (biblioteca, sala de aula ou sala de estudos), para que o informante
pudesse se concentrar o máximo possível. A duração média de cada protocolo
variou entre 25 a 35 minutos por sessão.
Primeiramente, uma entrevista semi-estruturada que incluiu quatro perguntas
foi realizada: 1) Você precisa da língua inglesa no mestrado?; 2) Qual a importância
da língua inglesa no mestrado para você?; 3) Durante a leitura de um artigo científico
em língua inglesa o que você faz? Utiliza alguma estratégia? 4) Qual é a sua maior
dificuldade durante a leitura de um artigo científico em língua inglesa?.
Em seguida, o informante foi instruído a ler o texto todo e, ao voltar para
completar as lacunas, deveria explicar o porquê da escolha de cada palavra,
incluindo qualquer pista, trecho, palavra, tudo o que o fazia chegar à resposta que
estava escolhendo no momento da leitura. Para isso, deixamos o informante livre
para fazer a leitura do texto silenciosamente ou em voz alta, de forma que ele se
sentisse bem à vontade.

68

As transcrições dos protocolos seguiram o modelo proposto por Marcuschi
(2003). Os sinais utilizados para a transcrição dos protocolos verbais na nossa
pesquisa estão apresentados no ANEXO C.
Abaixo, seguem informações sobre os tipos de teste aplicados na presente
pesquisa, incluindo a data em que foram realizados, os cursos, o número de
informantes participantes, o local de aplicação e o propósito de cada teste.
Quadro 4 - Informações gerais sobre os testes aplicados na pesquisa.
Tipo de
teste

Data

Curso(s)

Teste
cloze
piloto
(língua
inglesa)

Agosto de
2011

Ed. Física
(informantes de
iniciação
científica)
Professores

Teste
cloze de
múltipla
escolha
(língua
portuguesa)

Agosto,
Setembro e
Outubro de
2011

Mestrandos em:
Ed. Física
C. da Saúde
Hebiatria
Enfermagem
Biologia

Total: 69
Ed. Física (20)
C. da Saúde
(19)
Hebiatria (15)
Enfermagem
(8)
Biologia (7)

Sala de aula
em horário
cedido por um
professor de
cada curso.

Teste
cloze de
múltipla
escolha
(língua
inglesa)

Agosto,
Setembro e
Outubro de
2011

Mestrandos em:
Ed. Física
C. da Saúde
Hebiatria
Enfermagem
Biologia

Sala de aula
em horário
cedido por um
professor de
cada curso.

Verificar a
compreensão
de texto
científico em
língua inglesa

Protocol
o verbal
piloto

Outubro de
2011

Mestrandos em:
Ed. Física
Biologia

Total: 69
Ed. Física (20)
C. da Saúde
(19)
Hebiatria (15)
Enfermagem
(8)
Biologia (7)
Total: 2
Ed. Física (1)
Biologia (1)

Laboratório de
estudos

Protocol
o Verbal

Outubro,
Novembro
e
Dezembro
de 2011

Mestrandos em:
Ed. Física
C. da Saúde
Hebiatria
Enfermagem
Biologia

Verificar a
operacionalidade do
instrumento
Verificar o
processamento
estratégico de
leitura em
língua inglesa

Fonte: Autora, 2013

N.
deinformante
s
10

Local de
aplicação

Propósito

Laboratório de
estudos

Verificar a
viabilidade e a
operacionalidade deste
instrumento
para a
pesquisa
proposta no
projeto.
Familiarizar os
informantes
com o teste
cloze de
múltipla
escolha

2

Total: 13
Ed. Física (5)
C. da Saúde
(2)
Hebiatria (4)
Enfermagem
(1)
Biologia (1)

Laboratório de
estudos e
biblioteca
(local fechado
e silencioso)

69

5 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Neste capítulo, apresentamos e discutimos os resultados obtidos pelo teste
cloze e protocolo verbal de leitura. Relatamos brevemente sobre o desempenho dos
69 informantesno teste cloze. Em seguida, apresentamos os dados obtidos pelo
instrumento protocolo verbal, realizado com 13 informantes.

5.1

Análise do teste cloze de múltipla escolha em língua inglesa

Apresentamos (Figura 4) o teste cloze aplicado. Para fins de análise, os números
das 26 lacunas foram inseridos e a resposta correta foi grifada.
Figura 4. Teste cloze de múltipla escolha aplicado
More than 11 million Americans are living with a history of cancer. Importantly, emerging research
has shown that increased weight (e.g., being overweight or obese) has a negative consequence on disease
recurrence, survival, other chronic disease development, and health-related quality of life, particularly in
breast cancer survivors.
1_ , research has shown that physical
_2 __ has the opposite effect on the
(In addition – On the other hand – Hence)

aforementioned

(outcomes – diseases – individuals)

5

(failure – being – activity)

3 __ __ . Taken together,

4 ___

findings delineate the importance of examining

(this – these – that)

and physical activity in cancer survivors.

(fitness – survival – obesity)

6 _ studies, however, have _ 7

(Few – Much – Future)

between body mass index

8

the association

(exame – examining – examined)

physical activity in cancer survivors.

( for – and – to)

The limited research research that

_ 9

_ available has shown that active cancer survivors are

(is - are - be)

_10 _

likely likely to be obese or,

(less – more – so)

Moreover,

_ 11

_ , obese cancer survivors are less likely to be active.

(conversely –thus –then)

12

_ studies have independently examined the associations

(some – although – besides)

13

body mass index,

(from – together – between)

physical activity, and health-related quality of life in

14 ____

survivors, few have examined the potential

(cancer – obese – breast)

interaction effects. Studies in this area have been

15

_ by small

16

samples of select cancer

(completed – important – limited) (unrepresentative–representative –large)

survivor groups.
The

17

of the present study was to

(result – purpose – conclusion)

18

the independent and interactive associations

(take – conclude – determine)

among body mass index, physical activity and health-related quality of life in

19

, prostate, colorectal,

(breast - physical - obesity)

bladder, uterine, and

20 __

melanoma cancer survivors. We

(bladder – skin – ankle )

survivors

22___

be less likely to be

(would – was – must)

21

__ (purpose 1) that obese cancer

(analyzed – measured – hypothesized)

__ 23

compared with their counterparts. We

(dependent – active – identified)

24_____

(did not – never – also)

hypothesized (purpose 2) that obese cancer survivors would have significantly

___ 25

____

(any – lower – larger)

health- related quality of life compared with nonobese survivors.

__

26 ___

, the potential interaction

(Finally – First – Therefore)

between body mass index and physical activity on health-related quality of life (purpose 3) was explored.
Incidentally, we previously reported the associations between various health behaviors, including physical activity
and health-related quality of life from this data set. Consequently, the physical activity-health-related quality of life
relationship is not presented in the current article.

Fonte: Blanchard et. al. 2011

70

Para

uma

melhor

ilustração

do

desempenho

desses

informantes,

apresentaremos, na Tabela 2, as pontuações de acertos obtidas no teste cloze.
Considerando-se as 26 lacunas presentes no teste, o aluno que pontuou mais fez 25
acertos, enquanto o que obteve menor número de acertos, pontuou 5.
Tabela 3 -Desempenho dos 69 informantes no teste cloze aplicado
Pontuação (%) no teste cloze
80 a 100% (21 a 26 pontos)
60 a 79% (16 a 20 pontos)
40 a 59% (11 a 15 pontos)
20 a 39% (6 a 10 pontos)
0 a 19% (0 a 5 pontos)

Número de informantes
20
15
23
10
1
TOTAL: 69

% informantes
29%
22%
33,5%
14,5%
1%
TOTAL: 100%

Fonte: Autora, 2013

É possível notar, a partir da tabela acima, que quase a metade dos
informantes (34 estudantes) obteve pontuações abaixo de 60%. Dos 69 informantes,
apenas 20 obtiveram pontuações acima de 80% no teste. Esses dados revelaram
que a compreensão de leitura do texto científico em língua inglesa foi baixo no teste
aplicado, visto que se trata de pós-graduandos em nível de mestrado da área da
saúde.
O número de informantes, ou seja, 35 alunos, com as maiores pontuações
(acima de 60% de acertos) está coerente com o número de informantes que
afirmaram utilizar a língua inglesa como principal idioma para suas pesquisas
acadêmicas (cerca de 39 alunos)14. Também, interessante notar que esses dados
estão em conformidade com o número de informantes (cerca de 36) que relataram
utilizar a base de dados Pubmed, que dispõe artigos científicos em língua inglesa.
Podemos inferir, a partir desses dados, que o teste cloze conseguiu avaliar de forma
satisfatória esses informantes.
As lacunas que apresentaram maiores índices de erros foram as lacunas 12
(87%, 60 alunos), 3 (76,8%, 53 alunos), 1 (65,2%, 45 alunos), 10 (60,9%, 42 alunos)
e 11 (52,2%, 36 alunos). Sendo três dessas lacunas relacionadas aos marcadores
discursivos (although, on the other hand e conversely), podemos inferir que nossos
informantes enfrentam dificuldade com os conectores, responsáveis pela coesão
textual.
14

O dado sobre o principal idioma utilizado pelos informantes foi apresentado no tópico 4.3.3 Práticas e habilidades de leitura, no capítulo 4.

71

Embora os dados provenientes do teste close tenhamnos fornecido uma
noção do desempenho desses informantes, somente por meio do protocolo verbal
seria possível identificar com maior propriedade o porquêdas escolhas e os reais
motivos que levaram os informantes a optarem por uma ou outra palavra. Essa
análise será feita no próximo tópico.

5.2

Análise dos protocolos verbais

Neste tópico, apresentamos e discutimos os resultados obtidos por meio das
análises das transcrições dos protocolos verbais de 13 informantes. Primeiramente
mostraremos as análises das entrevistas pré-protocolo e, em seguida, as análises
dos protocolos verbais. É importante relembrar que os informantes foram escolhidos
para esta fase da pesquisa a partir das pontuações no teste cloze. Para efeito de
análise, selecionamos informantes com pontuações diversas para que pudéssemos
comparar e verificar diferenças no processamento de leitura. A Tabela 3 traz
informações das pontuações desses informantes nos dois instrumentos.
Tabela 4 - Informações sobre o número de acertos obtidos por meio dos dois
instrumentos, o teste cloze e o protocolo verbal dos 13 informantes.
Número do aluno

Número de acertos no teste
cloze

Número de acertos no
protocolo verbal

1

25 (96%)

10 (77%)

2

25 (96%)

9 (70%)

3

24 (92%)

9 (70%)

4

24 (88%)

10 (77%)

5

23 (88%)

9 (70%)

6

15 (57%)

3 (23%)

7

13 (50%)

6 (46%)

8

13 (50%)

8 (61%)

9

12 (46%)

6 (46%)

10

12 (46%)

6 (46%)

11

11 (42%)

6 (46%)

12

10 (39%)

5 (38%)

13

6 (23%)

5 (38%)

Fonte: Autora, 2013

72

Notamos que houve certa relação entre os resultados do teste cloze e os
resultados do protocolo verbal, ou seja, no geral, os informantes que alcançaram
boas pontuações no teste cloze também obtiveram boas pontuações no protocolo
verbal.

5.2.1

Análise das entrevistas pré-protocolo

Com o objetivo de “quebrar o gelo” e, principalmente, conhecer melhor a
relação que esses informantestêm com a língua inglesa e como eles analisam suas
dificuldades durante a leitura de um artigo científico em inglês, optamos por fazer
uma pequena entrevista informal antes do início do protocolo verbal (APÊNDICE F),
que incluiu quatro perguntas: 1) Você precisa da língua inglesa no mestrado? 2)
Qual a importância da língua inglesa no mestrado para você? 3) Durante a leitura de
um artigo científico em língua inglesa o que você faz? Usa alguma estratégia? 4)
Qual é a sua maior dificuldade durante a leitura de um artigo científico em língua
inglesa?

Pergunta 1- Você precisa da língua inglesa no mestrado?

Dos 13 informantes entrevistados, apenas um (Informante 11) disse que não
precisa da língua inglesa no mestrado e explica:
(1) “não... como minha área é educacional os artigos são todos em
português... eu acho um ou outro em espanhol no máximo...em
inglês o que eu acho já sai do foco da minha
pesquisa...”(Informante 11)

Os 12 estudantes restantes afirmaram que precisam muito da língua inglesa,
principalmente para a leitura de artigos científicos, como se vê nas falas abaixo.
(2) “principalmente na minha área de pesquisacomo eu sou da
área da saúde então a fonte que a gente mais usa é artigos
internacionais...” (Informante 4)

73

(3) “preciso... precisamos bastante porque normalmente a gente
utiliza muito texto em inglês na verdade a grande maioria dos
textos que a gente utiliza é em inglês então a gente precisa ta
sempre exercendo a leitura e além disso normalmente a gente
é exigido pra escrita também ...então a gente tem que tá
buscando traduzir e tal e escrevendo em inglês então é bom
...é bom ter essa vivência”(Informante5)
(4) “...muito...muito...boa parte das minhas referencias são em
inglês”(Informante 9)
(5) “...preciso pras buscas de pesquisa”(Informante 13)

Esses achados são bastante relevantes, uma vez que enfatizam e confirmam
que a língua inglesa é necessária para a maioria dos estudantes que ingressam no
mestrado nas áreas da saúde. Dessa forma, essa consciência da necessidade do
inglês na pós-graduação na área de saúde pode incentivar os estudantes a buscar
um aprimoramento da língua, principalmente da leitura, de forma que eles possam
ampliar suas fontes de pesquisa e conquistar mais espaço na academia.
Pergunta 2- Qual a importância da língua inglesa no mestrado para você?

Para alguns estudantes, a língua inglesa é importante para o acesso a
pesquisas internacionais. Pudemos notarque ler em inglês é considerado um
diferencial para eles a partir das expressões “abrir portas”, “chegar a lugares que a
gente não conseguiria” e “ultrapassar fronteiras”. Apresentaremos uma fala como
ilustração.
(1) “assim...é...pra:: o curso da gente aqui ela é muito importante
porque é o único jeito que você tem de abri::/ultrapassar
fronteiras né...então a maior parte da pesquisa em ciências
biológicas na área da saúde vem dos países que utilizam a
língua inglesa como...como:: é língua oficial né da escrita...”
(Informante 8)

Outros relataram que a importância da língua inglesa reside no fato de que as
pesquisas internacionais, principalmente as publicadas em língua inglesa, possuem
maior destaque e estão entre as mais relevantes para a comunidade científica:
(2) “Eh... todo conteúdo ele é disponibilizado principalmente na
língua inglesa... todo conteúdo de maior importância... vamo
botar assim... e de menor importância na língua portuguesa
...ou espanhol ...língua inglesa é o principal ...é o principal
idioma na transmissão de conhecimento” (Informante 2)

74

(4)

“...são as fontes assim que dá mais qualidade ao trabalho”
(Informante 4)

(5) “é essencial né porque pelo menos na minha área as principais
pesquisas são em inglês né...as pesquisas mais famosas...a
maioria é escrito em língua inglesa...” (Informante 9)

Alguns informantes alegaram que a importância da língua inglesa no
mestrado se dá pela quantidade de informações novas, que são publicadas
primeiramente nessa língua e, assim, podendo permitir que aos estudantes obter
informações de primeira mão.
(6)

“...e pra ter acesso a essa informação...daqui que eu for
esperar que ela seja traduzida ou publicada em algum livro
alguma coisa em português eu vou perder a novidade né...”
(Informante 1)

(7)

“...porque se você não tiver uma boa vivencia no inglês assim
você não consegue pegar os textos que normalmente são
publicados em revistas indexadas eh:: no PUBMED por
exemplo que é eh:: uma forma de consulta que a gente tem e
que só utiliza textos em inglês então você vai ficar:: é como se
você ficasse obsoleto né...pra trás...eh:: sempre tem a
necessidade de que você esteja lendo eh lendo algumas
revistas em inglês porque senão você não vai conseguir
acompanhar o que é que ta sendo passado na sua área
mesmo”(Informante 5)

(8)

“Total importância ((risos)) porque eh: você sem conhecer a
língua inglesa fica muito difícil de você ter contato com
pesquisas recentes” (Informante10)

Publicar em revistas internacionais, uma exigência que tem sido percebida
cada vez mais entre os pesquisadores brasileiros, também foi relatado como
importante pelos nossos informantes. Vasconcelos (2007) aponta que, embora se
espere que pesquisadores dominem as quatro habilidades (leitura, escrita,
compreensão oral e fala), a escrita tem alcançado espaço cada vez maior na vida
acadêmica. Assim, com a necessidade dessa habilidade em uma segunda língua, no
caso a língua inglesa, é necessário que esses sujeitos desenvolvam certas
habilidades para conseguirem conquistar seu espaço na comunidade científica. De
fato, a importância de publicar em inglês já foi apontada por Petroianu (2010), ao
ressaltar que a pontuação para publicações nessa língua é maior do que aqueles
publicados na língua materna.

75

É importante mencionar que algumas revistas nacionais da área da saúde já
estão exigindo que os autores enviem trabalhos completos nas duas línguas
(português e inglês) para maior acesso da comunidade científica internacional. A
partir das falas abaixo, percebemos que, além da leitura, a exigência da habilidade
da escrita também está presente nesses cursos.
(9)

“...até porque também a gente tá numa etapa daqui do grupo
de tentar publicações em inglês também” (Informante3)

(10)

“além disso a exigência de publicação pra a gente é
grande...tem que tá publicando tal...eh:: a gente pontua mais
com revistas internacionais que normalmente são indexadas
em periódicos mais fortes B1 A2 A1 ai com isso a gente tem
essa exigência porque a gente tem que pontuar né” (Informante
5)

Pergunta 3- Durante a leitura de um artigo científico em língua inglesa o que
você faz? Usa alguma estratégia?

A partir da Tabela 4, é possível observar que o uso do dicionário apareceu
como o recurso mais utilizado por esses estudantes durante a leitura de um artigo
científico em língua inglesa. Em seguida, aparece a tentativa de “entender pelo
contexto” e o uso do tradutor online.
Tabela 5 - Estratégias utilizadas durante a leitura de um texto em língua inglesa
Estratégias utilizadas
Usa o dicionário
Tenta entender pelo contexto
Usa o tradutor online
Lê o resumo
Grifa o que não entendeu
Anota as palavras desconhecidas
Pula palavras que não são essenciais
Fragmenta as palavras
Anota as palavras que se repetem mais
Pede ajuda para algum conhecido
Procura palavras-chave
Analisa a estrutura da frase

Recorrências (n)
8
7
6
2
2
2
2
1
1
1
1
1

Fonte: Autora, 2013

Como já foi discutido, o dicionário é uma ferramenta muito útil, porém,
conforme Nuttal (1996) não deve ser utilizado toda vez que o informante leitor
encontra uma palavra desconhecida. O uso demasiado do dicionário pode ser

76

perigoso, pois aqueles que ficam procurando muitas palavras tendem a ler com
muito menos eficiência e demonstram que não sabem distinguir as palavras que
realmente são relevantes para a compreensão do tópico. Noutras palavras, esses
leitores que buscam muitas palavras no dicionário podem demonstrar que não têm
habilidade de inferência lexical.
Ademais, como notado na fala do informante abaixo, o dicionário,
principalmente para a leitura de textos de áreas específicas, pode não ser suficiente
para que se chegue a uma compreensão global do texto:
(1)

“...já tem palavras que eu tô acostumada...mas tem artigos que
é até fácil de ler mas tens uns que é bEm complicado aí eu
tenho que tá com um dicionário e as vezes o dicionário também
não ajuda muito porque tem frases tem parágrafos que pra mim
fica complicado só com dicionário”(Informante4)

O entendimento pelo contexto, quando enfrentam alguma dificuldade, foi a
segunda estratégia mais citada. Outros procedimentos como grifar, ler o resumo,
procurar palavras-chave, entre outros, foram pouco mencionados.

Pergunta 4- Qual é a sua maior dificuldade durante a leitura de um artigo
científico em língua inglesa?

Dentre as maiores dificuldades relatadas pelos informantes, o vocabulário,
tanto o técnico da área específica quanto o geral, foi citado por 6 informantes:

(1) “a maior dificuldade... realmente é ...ter um conhecimento
prévio...entendeu? e aí aqueles nomezinho que normalmente
sempre aparece que não tem no artigo...não...no
dicionário...que normalmente eles dizem que são palavras
técnicas...” (Informante 8)
(2) “embora eu já tenha feito curso já desisti eu tinha fiz uns 2
anos no Yázigi...e (desde) eu voltei agora é porque a maioria
...eu/ por conta de prática mesmo eu acabo esquecendo da
palavra...é mais vocabulário” (Informante 13)

Quatro informantes relataram ser o conhecimento sistêmico, ou seja, o
conhecimento gramatical da língua a principal dificuldade, em especial, o
entendimento e a tradução dos grupos nominais:

77

(3) “..talvez assim a coisa que a gente mais tenha dificuldade por
ser da língua portuguesa é que a gente a questão do adjetivo
vir antes aí as vezes tem vários adjetivos se referindo a
alguma coisa e você só vai saber ao que ele ta se referindo no
final da frase ...mas...já tô acostumado...”(Informante1)

Um estudante relatou ter mais dificuldade com a compreensão da ideia
central do texto (interpretação):
(4) “é justamente entender o sentido...eh:: do parágrafo...as vezes
fica tão ...assim...tem algumas palavras que eu já sei mas que
em um determinado parágrafo não consigo entender o
objetivo entendeu sentido...o sentido central...”(Informante 4)

Conforme observamos na fala acima, a dificuldade com a compreensão das
ideias do texto em inglês pode surgir não só da falta de conhecimento sistêmico da
língua estrangeira, do vocabulário geral e específico, como também das inabilidades
que o aluno tem de leitura da sua própria língua materna. Esse problema parece ser
muito frequente e já foi apontado por Alderson (1984).

5.2.2 Análise dos protocolos verbais de leitura

Para a análise dos protocolos verbais (APÊNDICE G), apresentamos, na
Figura 6, o texto utilizado para a aplicação desse instrumento. Trata-se do mesmo
texto utilizado para o teste cloze, aplicado na primeira fase da pesquisa. Por se tratar
de uma entrevista oral e individual, o protocolo apresentou apenas metade das
lacunas do primeiro teste. Importante ressaltar que, diferentemente do modo como
foi aplicado o protocolo, adicionamos aqui os números de cada lacuna e a resposta
correta grifada para facilitar a visualização e a discussão dos resultados obtidos
neste tópico.

78

Figura 5 - Protocolo verbal
More than 11 million Americans are living with a history of cancer. Importantly, emerging research
has shown that increased weight (e.g., being overweight or obese) has a negative consequence on disease
recurrence, survival, other chronic disease development, and health-related quality of life, particularly in breast
cancer survivors. ____ 1 ____ , research has shown physical activity has the opposite that effect on the
(In addition – On the other hand – Hence)

aforementioned________2_________. Taken together, these findings delineate the importance of examining
(outcomes – diseases – individuals)

____3_____ and physical activity in cancer survivors. _______4________studies, however, have examined
(fitness – survival – obesity)

(Few – Much – Future)

the association between body mass indexand physical activity in cancer survivors.
The limited research research that is available has shown that active cancer survivors are ___5_____
(less – more – so)

likely likely to be obese or, ___6__, obese cancer survivors are less likely to be active. Moreover, _7___studies
(conversely –thus –then)

(some – although – besides)

have independently examined the association between body mass index, physical activity, and health-related
quality of life in cancer survivors, few have examined the potential interaction effects. Studies in this area have
been ___ 8 ________- by small, unrepresentative samples of select cancer survivor groups.
(completed – important – limited)

The ______9 _______of the present study was to determine independent and interactive associations
(result – purpose – conclusion)

among body mass index, physical activity and health-related quality of life in___10____, prostate, colorectal,
(breast - physical - obesity)

bladder, uterine, and skin melanoma cancer survivors. We ____11_

(purpose 1) that obese cancer survivors

(analyzed – measured – hypothesized)

would be less likely to be activecompared with their counterparts. We also hypothesized (purpose 2) that obese
cancer survivors would have significantly ____12
health- related quality of life compared with nonobese
(any – lower – larger)

survivors._________13________, the potential interaction between body mass index and physical activity on
(Finally – First – Therefore)

health-related quality of life (purpose 3) was explored. Incidentally, we previously reported the associations
between various health behaviors, including physical activity and health-related quality of life from this data set.
Consequently, the physical activity-health-related quality of life relationship is not presented in the current article.

Fonte: Blanchard et. al., 2010

Também, para melhor compreensão das habilidades exigidas para o
preenchimento das lacunas do protocolo verbal, apresentamos, no Quadro 5, o
número das lacunas, a resposta correta, o conhecimento/habilidade exigida e a
porcentagem de acertos de cada lacuna.

79

Quadro 5 - Conhecimentos/habilidades exigidas para o preenchimento de cada lacuna
do protocolo verbal e a porcentagem de acertos de cada uma.
Lacuna

Resposta
correta

1

on the other
hand

2

outcomes

3

obesity

4

few

5

less

6

conversely

7

although

8

limited

9

purpose

10

breast

11

hypothesized

12

lower

13

finally

Conhecimento/habilidade requerida
Conhecimento do uso semântico do conectivo on the other hand
(ideia de oposição ou adversidade).
Identificação do vocábulo opposite para confirmar a ideia de
oposição.
Identificação e reconhecimento da função do vocábulo
aforementionede reconhecimento da retomada dos termos
apresentados na sentença anterior (mecanismo anafórico).
Compreensão da macroestrutura textuale reconhecimento de
mecanismo anafórico, que retoma o termo increased weight
Identificação da lacuna do conhecimento, geralmente
apresentadas por meio das palavras few e however)
Identificação e reconhecimento da função do conectivo however
Estratégia global macroestrutural- retomada do tema
Ativação de conhecimento específico da área (sobreviventes de
câncer ativos são menos prováveis de serem obesos), além do
conhecimento sistêmico, relativo ao vocábulo less.
Conhecimento do uso semântico do conectivo conversely (ideia
de oposição), ou a confrontação de ideias semanticamente
predominantes no texto.
Reconhecimento do uso semântico do conectivo although (como
idéia de adversidade ou oposição)
Reconhecimento do vocábulo few (indicando a elipse do
vocábulo antecedente studies)
Identificação da intenção do autor em mostrar uma lacuna de
conhecimento (competência pragmática).
Identificação dos vocábulos small e unrepresentative, como
reforçadores da idéia de “limitado”.
Identificação da intenção do autor em mostrar uma lacuna de
conhecimento (competência pragmática)
Utilização de pistas lexicais como cognatos.
Identificação de repetição do vocábulo purpose na frase
seguinte, como indicador dos propósitos do texto.
Conhecimento do gênero, sua estrutura e sua função social.
Retomada do termo breast (início do texto).
Conhecimento específico da área (mama pode estar relacionada
a um tipo de câncer), que é reforçada pelos outros tipos de
câncer que aparecem na sequência.
Utilização de pistas lexicais como cognatos
Conhecimento do gênero textual (hipóteses do estudo são
trazidas após objetivo)
Identificaçãode “also hypothesized” na frase seguinte
Reconhecer a retomada do tema central do texto (obesidade vs.
sobreviventes de câncer).
Conhecimento do assunto específico (sobreviventes de câncer
obesos têm menor qualidade de vida que os não obesos).
Conhecimento sistêmico da língua (comparativos).
Utilização de pistas lexicais como cognatos.
Reconhecimento do uso semântico do conectivo finally, reforçada
pelo fato de se tratar do último parágrafo do texto.

%acertos
(número de
acertos)
30,7 (3)

7,7 (1)
61,5 (8)

61,5 (8)

76,9 (10)

46,1 (6)

30,7 (4)

53,8 (7)

46,1 (9)

53,8 (7)

76,9 (10)

46,1 (6)

76,9 (10)

Fonte: Autora, 2013

Apresentamos, em seguida, as análises e discussão de cada uma das 13
lacunas. Fornecemos o número de acertos, erros, como também exemplos das falas
de algunsinformantes para ilustrar as análises.

80

Lacuna 1

Essa primeira lacuna, que exigia conhecimento do uso semântico do
conectivo on the other hand (idéia de oposição), bem como Identificação do
vocábulo opposite (idéia de oposição), foi respondida corretamente por apenas 3
informantes. Os 7 informantes que não assinalaram a resposta correta (on the other
hand), responderam in addition (além disso).
A fala do informante 2 mostra que, apesar de ter identificado o vocábulo
opposite (oposto) e ter optado pela palavra correta, pareceu não ter conhecimento
do efeito de oposição que o conectivo on the other hand indicou no texto:
(1)

“... aqui eu tô botando essa aqui ((referindo-se a on the other
hand)) porque dá idéia de continuidade... certo? essa primeira
lacuna... nesse sentido pesquisas têm mostrado que a
atividade física tem sido: tem o efeito oposto na enfermidade
()”(Informante 2).

O informante 8 também reconhece o que o autor está indicando uma
oposição de ideias, porém, devido ao não conhecimento do uso dos conectivos,
acaba optando por in addition:
(2) “Bem... aqui eu colocaria eh: ...in in addition ((lacuna
1))...ok?...porque aqui ele dá uma ênfase geral sobre a::
incidência do câncer aí depois ele começa com a pesquisa...
né?... e ele apresenta um um efeito de oposição ...e aí essas
dados aqui pra complementar ele utiliza outros dados daí então
eu colocaria in addition...tá bom?”(Informante 8)

Oinformante 1, que acertou a resposta, conhece o uso adequado do
conectivo e também percebe que o vocábulo opposite está dando uma idéia de
contradição:
(3) “...aí ele dá essa informação ...aí aí as opções que ele dá aqui
pra introduzir essa outra frase... que pesquisas mostram que a
atividade física tem o efeito oposto nos... já mencionados...
indivíduos ((lacuna 2))...então na primeira ...é...aqui eu vou
usar on the other hand ((lacuna 1)) porque ele fala por outro
lado ele fala do efeito negativo do peso do do sobrepeso mas
mostra que a atividade física tem o efeito oposto... no caso a
atividade física pode ser benéfica... então eu vou usar on the
other hand que seria por outro lado...” (Informante 1)

81

Dentre outras respostas, podemos notar, aqui, a dificuldade dos informantes
com o uso dos conectivos. Esses resultados merecem destaque visto que os
conectivos fazem-se muito presentes nos textos científicos e a capacidade de
especificar as relações do texto fornecidas por esses marcadores é crucial à
capacidade textual.
A questão dos conectivos já foi discutida por alguns autores (ANTUNES,
2005) e (KLEIMAN, 1983). Antunes (2005) afirma que o trabalho com esses
marcadores devem ser feitos de forma mais significativa na escola, pois, segundo
ela, de nada adianta decorar nomenclaturas se o informante não consegue aplicar o
seu uso no contexto. Kleiman (1983, p. 47), ao aplicar o teste cloze em crianças,
verificou que “os conectivos são de difícil acesso mesmo quando o contexto fornece
as pistas necessárias para determinar seu valor”.
Diante disso, torna-se importante, num trabalho com compreensão de textos
em língua estrangeira, que o informante reconheça, além do significado dos
marcadores textuais, a relaçãoque eles desempenham no texto.
Lacuna 2

Apenas um informante completou corretamente a lacuna 2. Seis informantes
responderam diseases (doenças) e 6 responderam individuals (indivíduos).
Acreditamos que a dificuldade apresentada por essa questão estava relacionada,
principalmente, ao não reconhecimento dos vocábulos outcomes (resultados) e
aforementioned (supracitado). Essa última fazia uma referência aos resultados
citados pelo autor na frase anterior.
O informante 7 foi o único a responder corretamente a lacuna, apesar de não
ter reconhecido o significado do adjetivo aforementioned, nem conseguido lembrar a
tradução do vocábulo outcomes (resultados). No entanto, ele parece ter optado pela
resposta correta (outcomes) por ser um termo já familiar nos artigos que costuma ler:
(1) “...aí...efeito on the...não sei o que significa isso ((referindo-se a
aforementioned))... se eu não me engano outcomes é::: eu já vi
essa palavra tanto e toda vez eu esqueço...mas eu acredito
que a resposta aqui seja outcomes ((lacuna 2))...((risos))
porque eu acredito assim que ele tá querendo mostrar uma
relação da atividade física eh...relacionado ao efeito dês/ no
desenvolvimento na evolução desse problema...não sei...”
(Informante 7)

82

O informante 4 tentou driblar o não reconhecimento do termo aforementioned,
utilizando o contexto aliado ao seu conhecimento do assunto. Porém, não conseguiu
chegar à resposta correta, optando por diseases:
(2) “eh: pesquisas também vêm mostrar eu acho que essa palavra
vem dizer isso... vem enfatizar vem explicar que também as
pesquisas elas tem mostrado que você manter um estilo de
vida ativo ...tem um efeito ...essa palavra eu não conheço
((referindo-se a aforementioned)) pesquisas tem mostrado que
tem um efeito positivo na:: doenças... acredito que aqui seja
doenças((lacuna 2)) ...porque...eh:: ele tá mostrando esse
...esse essa frase aqui ta mostrando que pesquisas mostram
que você ter um estilo de vida ativo vai trazer tais efeitos
...acredito que seja essa palavra aqui diante do contexto eu
não tenho certeza mas a partir do contexto que eu acho que
você manter estilo de vida vai amenizar eh:: o desenvolvimento
dessas doenças por isso que eu circulei essa palavra aqui...”
(Informante 4)

O informante 2 não identificou o significado de aforementioned e, portanto,
não fez uma leitura global, optando pela palavra individuals (indivíduos).
(3) “Os estudos têm demonstrado que a atividade física tem o
efeito oposto no... nessa palavra ((referindo-se à
aforementioned))... de indivíduos acometidos... acredito... que
seja dessa forma”(Informante 2)

Convém salientar, a partir dos resultados da lacuna 2, que existe falta de
conhecimento prévio da língua e uma suposta falta da consciência metalinguística
relativa aos aspectos morfológicos da língua inglesa. A consciência morfológica, a
habilidade de refletir sobre os morfemas, menores unidades linguísticas que tem
significado próprio, já mencionada no tópico 1.5 do primeiro capítulo, poderia ter sido
utilizada para ajudar no preenchimento desta lacuna. O significado de aforementined
poderia ser inferido se os informantes tivessem considerado o componente –
mentioned, e o prefixo afore.
Diante desse quadro, podemos destacar a importância do conhecimento
prévio da língua, ou seja, do conhecimento relacionado aos tópicos gramaticais
relativos à formação de palavras para uma compreensão textual mais efetiva.

83

Lacuna 3

A lacuna 3 foi preenchida corretamente por 8 informantes. Três responderam
fitness (aptidão), 1 survivals (sobreviventes) e 1 deixou a lacuna em branco.
Ambos os informantes 3 e 4 fizeram uso de seu conhecimento sobre o
assunto para responder a essa questão, porém, a utilização desse conhecimento
apenas não foi suficiente.
(1) “...eu vou colocar esse fitness((lacuna 3)) porque:: em
momento nenhum ele falou agora sobre assim...não tem falado
agora sobre obesidade e aí é uma coisa que a gente usa muito
de fazer éh:: fitness com atividade física...” (Informante 3)
(2) “...esses achados deliniam a importância de examinar...acredito
que aptidão((lacuna 3))...peraí... a importância de examinar a
aptidão...porque aptidão acreditodeve ser pelo fatos deles
terem usado a atividade e por conta da atividade física ela
melhorar a aptidão...e aí acho que deve ser essa
palavra...fitness. ((lacuna 3))”(Informante 4)

Para acertar essa lacuna, era necessárioreconhecer o mecanismo anafórico,
que retomava o termo increased weight (peso elevado), termo esse sinômino de
obesidade. Os informantes 2 e 5 mostraram, dessa forma, essa capacidade de
compreensão da macroestrutura textual ao estabelecer relação não somente no
micronível textual.
(3) “e ai ele mostra a importância de avaliar a aptidão e a atividade
física em sobreviventes... examinar a OBESIDADE ((lacuna 3))
e a atividade física em sobreviventes de câncer... porque ele
faz um link no primeiro parágrafo sobre justamente o excesso
de peso e depois sobre a atividade física em relação aos
sobreviventes do::dos indivíduos sobreviventes ou acometidos
por essa doença ...”(Informante 2)
(4) “Aí nesse caso aqui ele ele fala que os achados eh:: mostram a
importância de examinar... aí nesse caso eu acho que é
obesidade ((lacuna 3)) porque ele falou em cima que a
obesidade traz consequências negativas né pra esses pra
esses pra esses indivíduos e logo depois ele diz que a
atividade física tem o efeito oposto... aí nesse caso aqui eu vou
colocar a obesidade”(Informante 5)

A partir desses exemplos, fica claro que o reconhecimento dos mecanismos
anafóricos e a identificação e retomada de uma unidade temática durante a leitura é
evidência de que o leitor está atendo a relações em unidades maiores que a frase. A

84

utilização de apenas um conhecimento, como o conhecimento do assunto, mostrouse insuficiente para chegar à resposta correta.
Lacuna 4

Oito informantes responderam corretamente esta lacuna. Três responderam
much (muito) e um respondeu future (futuros). Para preencher corretamente esta
lacuna, o informante poderia aliar o conhecimento do marcador discursivo
adversativo however (contudo), ao conhecimento textual do gênero artigo científico,
no caso aqui a introdução, identificando que seria nesse momento que o autor traria
a lacuna de conhecimento que seu trabalho pretendia preencher.
De fato, o informante 2, que mostrou a utilização desses dois conhecimentos,
optou pela lacuna correta.
(1) “...então porque essa conjunção aqui ((however)) ele fala de
que é importante ...por exemplo ele vai mostrando a
importância desses fatores e ele ta apresentando justamente
uma lacuna de conhecimento...que apesar disso poucos são os
estudos...poucos estudos contudo tem examinado essa
associação...ele mostra a importância da obesidade...mostra a
importância da atividade física nesses indivíduos que
sobrevivem do câncer ...no entanto são poucos os estudos
...ele não ia botar no entanto são muitos estudos ...então foi por
causa dessa conjunção aqui ((referindo-se à however))”
(Informante 2).

O informante 7, que optou pela resposta incorreta (much), pareceu não
identificar o marcador however, tampouco a intenção do autor de apresentar a
lacuna de conhecimento.
(2) “...eh...mais estudos né...porque aqui no artigo ele traz...vem
trazendo...relata um pouco de estudos além do dele...pelo que
eu entendendo aqui mais est/...é...outros estudos ou mais
estudos...however...have
examined
the
association
between...tem associado a relação entre massa corporal e
atividade física ...aqui seria acho que much ((lacuna
4))...”(Informante 7)

O informante 8, que também não fez uso desses conhecimentos, se apegou
apenas às pistas gramaticais eoptou pela resposta incorreta much:

85

(3) “E aí... eu não conheço few… eu não me lembro na verdade...
e aqui estudos está em plural... however...tá...muitos estudos
much ((lacuna 4)) ...”(Informante 8).

O conhecimento textual merece destaque nessa lacuna. O informante que
reconheceu, na introdução do artigo, a lacuna de conhecimento presente nesse
gênero textual, conseguiu identificar os marcadores textuais que se fazem muito
presentes neste gênero textual: few e however. Experiências repetidas com uma
palavra tendem a levar ao desenvolvimento do processo de reconhecimento visual
específico daquela palavra. Assim, ao se deparar com ela, o processamento e o
reconhecimento junto com a ativação das informações armazenadas sobre o
significado da palavra é realizado.
Esses exemplos deixam claro que ambos os processamentos descentendes,
ou seja, identificação da intenção do autor, como ascendentes, ou seja, a nível
microestrutural e sintático através da identificação e conhecimento do uso do
conectivo however, se fazia necessário para o preenchimento da lacuna.
Lacuna 5

A lacuna 5 foi a que obteve mais acertos entre os informantes (10). Os outros
3 informantes responderam more (mais). Para preencher essa lacuna, o informante,
além de retomar o tópico, poderia fazer uso de seu conhecimento sobre o assunto,
que foi observado nas falas dosinformantes 4 e 5:
(1) “...pesquisas limitadas que é disponíveis tem mostrado e que
estão disponíveis né tem mostrado que:: ...indivíduos né com
câncer que são ativos têm menos menos ((lacuna 5))
probabilidade de ser obeso menos porque é justamente que ele
ta vendo esse efeito... e aí acredito que quem é ...quem tem
esse tipo de doença ou e que tem um estilo de vida tem menos
probabilidade de ser obeso e quem tem um estilo de vida ativo
tem menos probabilidade também de ter o câncer...”
(Informante 4)
(2) “...menos ((lacuna 5))porque:: quem faz né atividade física...
estudos tem provado que quem faz atividade física tem uma
menor probabilidade de ser obeso...por isso que botei o
menos...((risos))”(Informante 5)

86

Os informantes 10 e 11 mostraram grande dificuldade com o vocabulário, o
que os impossibilitou de fazerem qualquer referência ao contexto ou ao
conhecimento prévio sobre o assunto:
(3) “Eu acredito que vai ser more ((lacuna 5)) pelo próprio contexto
eh:: que pesquisas de câncer eh relacionado a câncer eh likely
né tô be então acho que vai ser mais tô be obese eh são
...cadê likely...eh:: como é? justamente eu acho que em relação
a esse contexto né são então eu acredito que eu acho que aqui
vai ser mais ((risos))”(Informante 10)
(4) “Vou colocar esta palavra ((referindo-se a palavra more)) acho
que também pelo contexto... falando alguma coisa sobre o
câncer... eu só não estou entendendo esta palavra daqui
((referindo-se à likely))... mas aí eu vou chutar o more ((lacuna
5 ))...”(Informante6).

O que se pode concluir a partir da análise dessa lacuna é que, mesmo se o
leitor possuir o esquema relativo ao tópico que lê, ou seja, o conhecimento prévio
sobre o assunto, mas encontra obstáculo no vocabulário, sua leitura pode ser
prejudicada.
O impacto do desconhecimento de vocabulário nos processamentos de leitura
já foi explicado por Scaramucci (1995, p.258), que enfatiza que:
Como o número de palavras desconhecidas é muito grande, essa
decodificação mobiliza todos os recursos dos leitores, causando uma
sobrecarga em sua capacidade de processamento, o que os impede
de usar os recursos para construção de um sentido para o texto ou
para processamentos de nível mais alto.

Ou seja, a atenção do leitor se volta para as palavras desconhecidas e acaba
havendo uma canalização de esforços, comprometendo a leitura fluente e não o
possibilitando de ativar outras estratégias de leitura, como no caso desta lacuna em
específico, conhecimento sobre o assunto.
Lacuna 6

Nove informantes acertaram a lacuna 6. Os restantes responderam then
(então) (4) e thus (desse modo) (3). Aqui, os leitores deveriam reconhecer a função
doconectivo conversely, ao notarem que o autor apresentava duas idéias opostas. O

87

informante 4 conseguiu reconhecer essa função, além de ativar o seu conhecimento
prévio sobre o assunto:
(1) “...ou inversamente ((lacuna 6))...obesos com câncer tem
menos prováveis de ser ativos...ou seja..uma coisa eu usei
essa palavra aqui o que me fez levar é que:: como ele vem
mostrando que...a pessoa ativa que tem câncer tem menos
probabilidade de ser obeso então ele vem dizer que o contrário
pode ser verdadeiro...que quem câncer que é obeso tem
menos probabilidade de ser ativo ...porque a questão do estado
nutricional é um fator importante para definir o estilo de vida
ativo da pessoa”(Informante 4)

O informante 5, embora tenha reconhecido que o autor estava mostrando
ideias opostas, utilizou o conectivo “then”, que indica conseqüência:
(2) “eh tem menor probabilidade de ser obesos ou... eh... então
((lacuna 6)) né ele mostra que os sobreviventes de câncer que
são obesos são menos provavelmente são menos prováveis
de ser ativos”(Informante 5)

O informante 8, embora tenha trazido seu conhecimento prévio do assunto,
pareceu não identificar a idéia global do parágrafo e, aliado ao desconhecimento do
conectivo conversely, optou pela resposta incorreta “then”.
(3) “é atividade física e câncer acho que tem mais a ver com
obesidade... não sei o que é conversely...não sei...vou usar o
then((lacuna 6)) ((risos)) que é o que eu sei..”.(Informante 3)

Diante dessas análises, mais uma vez fica clara a importância de se trabalhar
a função dos conectivos dentro do texto nas aulas de leitura instrumental.
Lacuna 7

Apenas 4 informantes responderam a lacuna 7 corretamente. Oito
informantes responderam “some” e 1 “besides”. Para preencher corretamente esta
lacuna, os informantes teriam que identificar o vocabulário few, que indicava, mais
uma vez, a lacuna de conhecimento que o trabalho pretendia preencher. O
informante 1, que a princípio havia optado por some, conseguiu reconhecer o
vocábulo few e corrigiu a sua opção. O informante 5 também conseguiu identificar o
vocábulo:

88

(1) “...não...peraí...tem uma palavra aqui...esse few aqui ...então
aqui vou mudar a opção... diria aqui além disso, apesar
de((lacuna 7)) alguns estudos...ele ele faz essa consideração
aqui...apesar de alguns estudos ...although((lacuna 7))...alguns
estudos terem examinado de forma independente... a
associação entre o índice de massa corpórea a atividade física
eh:: poucos examinaram o potencial ahn:: dos efeitos dessas
interações...os
potenciais
efeitos
dessas
interações”
(Informante 1)
(2)

“Aqui eu acho que é embora ((lacuna 7)) porque ele fala além
disso eh embora estudos têm examinado independentemente
associação entre índice de massa corporal atividade física e
qualidade de vida auto-relatada em sobreviventes de câncer
...poucos estudos tem examinado a interação desses efeitos né
...como se ele tivesse fazendo uma de que embora tenham
estudos que viram esse efeito aqui poucos examinaram essa
interação” (Informante 5)

A maioria dos informantes pareceu optar pela resposta some por não ter
conseguido identificar a lacuna do conhecimento apresentada pelo autor, ou seja,
demonstrou não ter ativado a consciência pragmática necessária para perceber as
intenções do autor. Assim, apegaram-se apenas ao contexto imediato. Como
exemplo disso, apresentamos as falas dos informantes 9 e 11 abaixo.
(3) “Alguns estudos (...) pelo contexto... (...) alguns estudos tem
examinado... acho que tá mais adequado... associação entre
índice de massa corpórea atividade física ( )”(Informante 9)
(4) “Pelo contexto acho que são alguns estudos tem examinado
essa associação entre massa corporal atividade física e
doenças...”(Informante 11)

As análises dos informantes 9 e 11, que obtiveram menos acertos no teste,
indicam que a exploração do contexto, embora seja uma estratégia útil nas fases
iniciais do desenvolvimento da leitura, na verdade, é apenas um estágio e não deve
ser o único apoio para compensar a dificuldade vocabular.
Lacuna 8

Sete informantes acertaram a lacuna 8. Cinco responderam important e
umcompleted. Para completar corretamente esta lacuna, os informantes deveriam,
principalmente, utilizar a estratégia microtextual de identificação dos vocábulos small

89

e unrepresentative. Os informantes 4 e 9 conseguiram preencher corretamente a
lacuna:
(1) “...estudos nestas áreas têm sido...têm sido limitado ((lacuna
8)) por conta né por uma pequena e não representativa
amostra de indivíduo com com ou de grupos de indivíduos com
câncer então eu usei essa palavra que ele tá também dizendo
que é limitado eh por conta disso...os estudos não estão
acontecendo justamente por conta da questão da amostra da
desse grupo que não consegue ser representativa pra ser
estudada ...então ele diz que é limitada ... é uma limitação por
conta disso acontecer”(Informante 4)
(2) “...limitados ((lacuna 8)) por causa desse small”(Informante 9)

O informante 11 optou pela resposta incorreta important, e isso se deu devido
ao desconhecimento sistêmico da língua, em especial os grupos nominais. Também,
não pareceu ter consciência morfossintática, pois ignorou o prefixo de negação “un”,
que formava a palavra unrepresentative (não representativo). A falta dessa
consciência alterou completamente o sentido da frase, como pode ser notado na fala
abaixo:
(3) “...estudos ...da área tem... a importância bem pequena na
representatividade do câncer dos grupos...acho que eles são
estudos importantes((lacuna 8)) ...”(Informante 11)

A partir da análise da lacuna 8, destacamos a importância da consciência
sintática da língua. O trabalho com os processos formais relativos à organização das
palavras é de extrema relevância para a compreensão de frase e deve ter papel de
destaque em cursos de leitura instrumental.
Lacuna 9

Nove informantes completaram esta lacuna corretamente. Os 4 informantes
restantes responderam results. Essa lacuna exigia, principalmente, conhecimento da
estrutura organizacional da introdução do artigo científico. Ao se tratar de uma
introdução de um artigo, os informantes poderiam predizer que ali seriam
apresentados os objetivos do trabalho. Poderiam também identificar o verbo
determine, como também identificar a repetição do vocábulo purpose mais adiante
no parágrafo, o que confirmaria a opção do informante. Essas estratégias foram
verificadas nas falas dos informantes 2, 4 e 5.

90

(1) “...talvez por experiência de artigo científico que ele ia mostrar
pelo verbo aqui tô determine que quer dizer que ele vai
determinar alguma coisa ...aqui são verbos de tão sempre
relacionados ao objetivo”(Informante 2)
(2) “...porque... eu entendo que isso aqui seria a introdução do
artigo ...como ele mesmo fala que é um artigo ENTÃO como se
trata de:: da introdução do artigo geralmente eles usam mais
essa palavra assim pra dizer qual é o objetivo central do
artigo...por isso eu acho que não seria conclusão ...porque ele
não tá concluindo ainda ele ta mostrando qual é o o que é que
ele pretende fazer com esse estudo...entendeu?... então acho
que não caberia entrar conclusão nem resultado...ele quer
dizer ainda o que é a proposta do estudo e aí ele vai ao longo
depois do texto dizer...por isso que eu usei”(Informante 4)
(3) “Porque ele ta falando o que vai dizer aqui... ele não chegou
ele não chegou... e também ele não apresentou nenhum
resultado aqui ...e também não concluiu nada ...ele diz o que
vai fazer relacionado a esses sobreviventes de câncer que
depois ele cita cada cada situação”(Informante 5)

Ambos os informantes 6 e 10 não reconheceram que se tratava da introdução
de um artigo científico, mostrando possuir pouca familiaridade com esse gênero
textual, além de não utilizarem as estratégias microtextuais, como observar a
repetição da palavra objetivo mais adiante.
(4) “...eu fiquei na dúvida se era resultado ou conclusão...mas
como ele não havia concluído o texto”(Informante 6)
(5) “Eu acredito que aqui vai ser resultado ((lacuna 9)) pela própria
organização do texto porque:: o texto o artigo científico vai ser
organizado com introdução né depois vai ter o desenvolvimento
com resultados e no final vai ser conclusão ...então aqui ta
falando e assim pelo texto que ele falou que o presente estudo
tem determinado a independência a associação interativa
sobre índice de massa corpórea atividade física né ...então
pelo contexto geral eu acredito que cabe a palavra resultado e
pela localização”(Informante 10 )

O trabalho com a organização retórica dos gêneros textuais em aulas de
leitura instrumental de línguas deve ser enfatizado, haja vista a relevância da
consciência pragmática a compreensão textual.
Lacuna 10

Sete alunos responderam corretamente a lacuna 10. Os outros 6 informantes
responderam obesity. Aqui, o leitor poderia identificar o termo breast já mencionado

91

no início do texto, como também trazer o seu conhecimento específico do assunto,
sabendo que mama se trata de uma parte do corpo que pode ser acometida pelo
câncer. O informante 4 mostrou claramente o uso dessas estratégias:
(1) “Eu vou usar essa palavra aqui ((lacuna 10)) ((referindo-se a
mama)) porque ela apareceu aqui no começo... é o único
motivo pelo qual eu vou escolher... já que eu acho que physical
e obesity não entra aqui porque a em seguida dessa palavra
vem eh sendo colocado acho que os tipos de câncer no meu
ver né...próstata que pra mim tá bem claro... esse daqui não tá
pra mim ((referindo-se a bladder)) ...acre/ acredito não sei mas
que se seja câncer do colo...não sei...esse também aqui eu
não eu conheço essa palavra aqui do útero e aqui de pele
...então como essa palavra veio aqui acompanhando câncer e
aqui tem mostrando os tipos câncer eu vou usar ela que eu
acho não cabe as outras então”(Informante 4)

O informante 12 chegou à resposta correta por associar que breast era uma
parte do corpo, associando às outras partes do corpo também mencionadas no
texto.
(2) “é porque ele tava falando de várias partes do corpo
...assim...então é parte do corpo mesmo”(Informante 12)

Os informantes 8 e 10, que optaram por obesity, utilizaram apenas o seu
conhecimento prévio do assunto, ao alegarem que obesidade estava relacionada
com “coisas ruins” e com as doenças citadas.
(3) “Na obesidade... aqui eu não sei o que é breast... physical não
é... pode ser obesidade e só tem coisa ruim depois...”
(Informante 8)
(4) “Porque quando eu olhei eu não tinha visto o resto da frase
quando eu li o resto da frase eu tô vendo que ele ta falando de
doenças né de pro/ né assim próstata colo/ colorectal eh::
uterine então assim...melanoma can/ então assim me dá idéia
que são doenças então assim physical não tem muita
coerência acredito que é obesidade ((lacuna 10)) que também
vai tá falando sobre... relacionando com doenças”(Informante
10)

Pudemos perceber, pela análise dos protocolos dos informantes 8 e 10, que
apenas o conhecimento prévio específico da área, ou seja, a associação da
obesidade com algo negativo ou doenças, não foi suficiente para que eles
chegassem à resposta correta. Era necessário, nesta lacuna, associar os

92

processamentos ascendentes e descendentes, ou seja, a repetição do vocábulo
breast com o conhecimento prévio sobre o assunto.
Lacuna 11

Dez informantes acertaram a lacuna 11. Os 3 restantes responderam
analyzed. Para chegar á resposta correta (hypothesized), os informantes poderiam
identificar a repetição do vocábulo na frase seguinte, na qual o autor traz a segunda
hipótese do estudo, como também ao reconhecer que, na introdução do artigo
científico, a hipótese é geralmente trazida após a apresentação dos objetivos. O
informante 1 parece ter utilizado essas estratégias:
(1) “Nós...então...nós hipotetizamos ((lacuna 11)) ...peraí... é...nos
hipotetizamos que sobrevientes de câncer obesos seriam
menos ativos comparados com os nã/ a outra parte não
obesa... ((pausa)) e ai eu confirmo que ele ta falando de
hipótese porque na outra frase ele diz que TAMBÉM
hipotetizou ai dá um outro objetivo ...então ta confirmado essa
opção..”(Informante 1)

O informante 6, que optou por analyzed, além da dificuldade de compreensão,
não parece ter trazido seu conhecimento da organização retórica do texto, tampouco
procurou fazer a leitura das frases seguintes para confirmar a sua hipótese.
(2) “Eu acho que é nós analisamos, né...? é assim??((risos))
acredito que seja isso...é o que eu tô conseguindo ler
entendeu? ...então nós eu acredito que seja nós
analisamos...”(Informante 6)

O informante 12, que também optou por analyzed, parece não ter
compreendido o sentido global do texto. Também não trouxe seu conhecimento
textual para a leitura.
(3) “...porque assim...como ele tava falando que teve algumas
hipóteses né...e aí eu acho que ele analisou essas hipóteses
para que ele pudesse concluir alguma coisa”(Informante 12)

Mais uma vez a análise dessa lacuna nos relevou a importância da
organização textual aliado à leitura flexível, ou seja, ir e voltar ao texto. Ambos os

93

processamentos descententes e ascendentes se faziam necessários para chegar à
resposta correta.
Lacuna 12

Seis

informantes

completaram

corretamente

esta

lacuna.

Quatro

responderam larger, 2 responderam any e 1 deixou em branco. O conhecimento do
assunto específico, o conhecimento sistêmico da língua (uso dos comparativos),
bem como a retomada do tema central do texto poderiam ter sido utilizados para o
preenchimento dessa lacuna. Isso foi notado na fala do informante 4.
(1) “tá... éh::.essa de b/ outra....em cima ele fala que ta
hipotetizando que... as pessoas que que têm câncer
sobrevivem ao câncer são provavelmente menos ativas
comparadas com os normo...os as..as pessoas com peso
normal e por isso teriam um::/uma menor ((lacuna
12))qualidade de vida comparado aos que estão lá
...”(Informante 3)
(2) “...nos também hipotetizamos que no caso seria a proposta
dois que indivíduo com câncer obesos e com câncer teriam
significativamente menor ((lacuna 12)) qualidade de vida
relacionada com a saúde comparado com indivíduos não
obesos ...usei essa palavra porque foi o que já vem comentado
durante o texto então acho que seria mais compatível”
(Informante 4)

O informante 7 fez uso de seu conhecimento do assunto, porém não fez
nenhuma conexão com o que o autor vinha afirmando, que era a questão da
obesidade relacionada ao câncer.
(3) “We also também... tem outra hipótese neh::..de que... isso é
outra hipótese ...que a obesidade would have significantly ...
uma larga ((lacuna 12)) significância...que isso é significante
para
a
qualidade
de
vida
relacionado
a
saúde...né...”(Informante 7)

Podemos comentar, a partir da fala do informante 7 acima, que, apesar de
não ter apresentado bom resultado no teste e não ter assinalado a alternativa
correta, esse aluno parece ter feito uso dos cognatos para tentar entender o texto,
dentre eles hypothesis, obesity, significantly e large (embora esse último seja um
falso cognato). Assim, no trabalho da leitura com os alunos da área da saúde, é

94

importante mostrar que o texto científico dessa área apresenta um número
considerável de cognatos, e que isso pode ajudá-lo a compreender melhor o texto.
Lacuna 13

Dez informantes conseguiram responder corretamente esta lacuna. Os 3
restantes responderam therefore. Essa lacuna exigia que o informante reconhecesse
o uso semântico do conectivo finally, reforçada pelo fato de se tratar do último
parágrafo do texto.
De acordo com a fala do informante 1 abaixo, notamos que, embora seja um
leitor com certo domínio da língua inglesa, não reconhece o uso do conectivo
therefore, tratando-o como um indicador de adição.
(1) “No caso aqui depois dessa frase eu vou usar therefore((13))
eh:: que ele dá uma aqui idéia de adicionar que ele ainda fala
aqui de mais um objetivo...então seria adicionando...além
disso...o potencial de interação tal de qualidade de vida
também foi explorado...eh:: incidentalmente ( ) associações
entre comportamento de saúde incluindo atividade física e
qualidade de vida...consequentemente...acabou né...não tem
mais”(Informante 1)

Os informantes 2 e 9 conseguiram visualizar que como se tratava do último
objetivo trazido pelo autor, a resposta correta seria o conectivo finally.
(2) “...porque eh::ele conclui o primeiro objetivo e o segundo
objetivo e o terceiro objetivo ( ) finalmente ...o único objetivo
específico dele vai ser esse”(Informante 2)
(3) “Acho que finalmente ((lacuna 13)) porque ta concluindo o
texto né...o potencial da interação ()... acho que é
isso...”(Informante 9)

Nas análises acima, fizemos apenas considerações a respeito das
habilidades e conhecimentos que cada lacuna exigia para que o informante
conseguisse chegar à resposta correta. O uso dos processamentos estratégicos
ascendentes e descendentes bem como das estratégias metacognitivas utilizadas
pelos informantes da pesquisa será, agora, tratado com mais detalhe.
Os estudantes que alcançaram maiores pontuações, ou seja, os estudantes 1,
2, 3, 4 e 5, (conforme Tabela 3) mostraram-se, de fato, leitores mais maduros e
fizeram uma leitura mais rápida e flexível do texto. Foi possível perceber que esses

95

informantes fizeram grande uso de processamentos descendentes de leitura, ou
seja, do conhecimento prévio, que envolveu o conhecimento de mundo,
conhecimento sobre o assunto, conhecimento textual econhecimento linguístico.
O conhecimento linguístico foi, na nossa pesquisa, fator crucial para o
desempenho

desses

informantes

e

consequente

ativação

dos

outros

conhecimentos. Embora tenhamos notado que nem sempre esses processamentos
descendentes tenham sido sempre eficazes, percebemos que, quando outros tipos
de estratégias foram utilizadas conjuntamente, a compreensão do texto foi realizada
e os informantes conseguiram preencher corretamente a lacuna.
A exemplo disso, conseguimos identificar a ativação do processamento
ascendente quando o primeiro, descendente, não dava conta do processo. Como é
possível notar nas falas abaixo, as estratégias descendentes, dentre elas a
confirmação e correção das hipóteses iniciais, foram bastante observadas pelos
leitores mais maduros, sendo bem menos notada entre os informantes menos
proficientes.
(1) “...não...peraí...tem uma palavra aqui...esse few aqui ...então
aqui vou mudar a opção...” (Informante 1)
(2) “e ai eu confirmo que ele ta falando de hipótese porque na
outra frase ele diz que TAMBÉM hipotetizou ai dá um outro
objetivo ...então ta confirmado essa opção... ” (Informante 1)
(3) “e além disso depois ele na outra parte no outro texto ele fala
nós também hipotetizamos que o sobrevivente de câncer
obeso ... ”(Informante 5)

Por apresentarem maior consciência sobre a sua leitura, outra estratégia que
foi aliada aos processamentos ascendentes e descentes utilizadaspelos informantes
mais proficientes foram as estratégias metacognitivas. Esses informantes mostraram
maior monitoramento de sua leitura do que os informantes aqui considerados menos
proficientes (informantes 6, 7, 8, 9, 10, 11 e12, conforme a Tabela 3). Os informantes
mais proficientes voltaramao trecho anterior quando necessário, pularam palavras
desconhecidas, fizeram a leitura em língua inglesa dos trechos que lhes pareciam
confusos e deixaram para depois quando encontravam alguma dificuldade para
completar as lacunas. Dificilmente desistiram da leitura e nenhum deles deixou
lacunas em branco ou relataram ter “chutado” a opção.

96

Resultados semelhantes foram apontados por Martins (2004), que, ao
verificar o processo de leitura de oito estudantes da língua francesa (de níveis
iniciais e avançados) de um texto de ficção em francês através de protocolos
verbais, também concluiu que os informantes avançados utilizam mais estratégias
metacognitivas que os iniciantes.
Seguem abaixo exemplos de estratégias metacognitivas utilizadas pelos
informantesaqui considerados mais proficientes:
(4) “eh: tem um efeito ahn: na:...peraí... no prognóstico no caso
aqui... tá... então deixa eu botar aqui deixa eu ir preenchendo
aí depois eu dou uma ...dou uma lida..” (Informante 1).
(5) “peraí... aqui tá confuso... deixa eu ler mais pra frente...”
(informante 1).
(6) “eh:...deixa eu ver se eu entendi direitinho...” (Informante 3)
(7) “deixa eu ler de novo ... eu não consegui identificar agora
então... deixa eu ler depois... ”(Informante 3)
(8) “e eutô com dúvida nessa lacuna... vou deixar para responder
ela depois tá...” (Informante 3)
(9) “calma... eu posso ler tudo né?” (Informante 4)
(10) “Eu tô entre essas essas três próximas lacunas ((referindo-se
às lacunas 4, 5 e 6)) aqui porque eu tô lendo todos pra ver se
eu consigo compreender melhor ...porque aqui eu tô
entre...nessa primeira ((lacuna 4)) eu tô entre poucos ou muitos
estudos... né eh:: aí eu tô tentando identificar melhor lendo as
outras ...”(Informante 5)

Os informantes que obtiveram menores pontuações, ou seja, os estudantes,
6, 7, 8, 9, 10, 11 e12, (conforme a Tabela 3) tiveram maior dificuldade de verbalizar
sua leitura, que foi feita de forma mais vagarosa e, consequentemente, menos
fluente. Como foi possível notar através das falas, esses informantes desistiam com
mais facilidade da leitura, deixando mais lacunas em branco ou simplesmente
“chutaram” as respostas, muitas vezes sem mostrar nenhum esforço para tentar
entender o sentido do texto.
(11)“...não eu acre/ porque assim any eu sei mais ou menos o que
é ...lower eu não me lembro ...não me lembro realmente e larger
((12)) assim eu tenho uma idéia mais ou menos do que a
palavra pode significar então eu acho que talvez caiba... é um
chute direcionado” (Informante 10)

97

(12) “...atividade física isso não foi is not ...ai eu fiquei confusa agora
porque teoricamente eu já fiz minha avaliação acho que tá
associado agora confundiu foi tudo mas essas são as
hipóteses acho que vou botar alguns ((referindo-se a any))
((12)) tô chutando na verdade” (Informante 12)
(13) “É... eu até tô entendendo assim... mais ou menoso que é que
ele ta querendo dizer... é importante, mas assim eu não sei o
que é survival... não sei... fitness e obesidade eu sei mas eu
acho que num num não estaria aqui...ele já fala de a atividade
física aqui...o exame pra obesidade...é... essa parte aqui tá
confusa...eu vou deixar essa parte em branco”(Informante 13)

A principal dificuldade desses informantes parece ter sido a falta de
conhecimento prévio da língua inglesa, como é possível notar nos exemplos acima.
Apresentaram vocabulário bastante limitado, bem como pouco conhecimento
sintático da língua. Fator esse que pode ter prejudicado o uso das outras
estratégias. Assim como afirma Procailo (2007), a dificuldade com o léxico pode ser
visto como um elemento detonador da dificuldade em se acionar esquemas, pois
demanda muito dos recursos do sistema da memória.
Conseguimos perceber, pelas falas abaixo, que os leitores menos proficientes
primeiro travam uma luta inicial com os elementos mais baixos na hierarquia, que
são o conhecimento das regras ortográficas da língua e o conhecimento lexical.
Como isso ocorreu, na maioria das vezes, de forma insuficiente, não conseguiram
passar para os elementos mais altos, que são o conhecimento sintático e o
semântico:
Exemplos
(14) “besides... eu esqueci... é uma das... eh: besides...tá eu
esqueci... o vocabulário muito ruim... muito fraco mas enfim”
(Informante 8).
(15) “é... o que me dificulta é o vocabulário... é horrível” (Informante
13).
(16) “eu não sei se teria adicionando... em adição... eu acho que
assim... temos nas mãos... pode ser... não ei... poderia ser
esse também... a prática de atividade física em oposição aos
efeitos... aí já vem o vocabulário de novo que eu não sei...
((risos))”(Informante 13).

Esses dados corroboram com a pesquisa realizada por Procailo (2007), que,
através de protocolos verbais, avaliou a compreensão de leitura em língua inglesa
de dois textos de divulgação científica em língua estrangeira, por dez leitores

98

universitários,

graduandos

e

pós-graduandos.

A

autora

concluiu

que

o

desconhecimento do léxico foi um dos principais causadores de dificuldade de
processamento da informação, além da não familiaridade com o assunto e a
organização textual.
Notamos que, aliado à dificuldade do vocabulário, muitos dos nossos
informantes fizeram pouco uso de conhecimentos prévios, especialmente de os
conhecimentos da sua área e, também, do conhecimento textual para que essa
deficiência pudesse ser, talvez, minimizada. Isso é chamado por Smith apud Silveira,
(2005), de visão de túnel, que se dá quando não relacionamos a informação visual,
disponível no texto, com a não-visual (conhecimentos prévios), podendo ocorrer
quando: 1) o leitor lê algo que não lhe faz sentido; 2) há falta de conhecimento
relevante para determinada leitura; e 3) há relutância em usar informação não-visual.
Esta atitude também pode ocorrer quando o leitor encontra-se nervoso, ansioso e
não consegue extrair o sentido do que lê.
Percebemos que, curiosamente, quando houve apenas a ativação do
conhecimento prévio por parte desses informantes, na maioria das vezes, as lacunas
não foram preenchidas corretamente. Isso ocorreu por conta da falta da utilização de
outras estratégias, como, por exemplo, a verificação. Estratégias conscientes, ou
metacognitivas, como retomar o que foi lido ou ler para frente, também não foram
utilizadas.
Exemplos
(17) “...a importância do exame individual... bom como aqui falou de
doença ela precisa ser avaliada de forma individual...”(
Informante 12).

No exemplo acima, percebemos que o informante, ao preencher a lacuna 2,
ativou o seu conhecimento prévio sobre o assunto, porém, esse conhecimento
sozinho não foi suficiente para que ele chegasse à resposta correta pois a
informante inferiu de maneira apressada, além de tomar um substantivo (individuals),
como adjetivo.
A microestrutura textual, como as pistas gramaticais e as palavras muito
próximas às lacunas, pareceu ser bastante utilizada por esses alunos menos
proficientes, porém, raramente foram aliadas a outros tipos de estratégias, o que, na

99

maioria das vezes, não contribuiu para que o informante chegasse à resposta
correta.
(18) “Eu acredito que seja important ((lacuna 8))...pelo verbo been
né e pelo contexto ...fiquei em dúvida entre limited também mas
acredito que é important”(Informante 10)
(19) “...não sei porque...não assim porque eu me lembro que no
final da frase tem tem tem os pronomes que você coloca né
então assim pelo que eu me lembro vagamente eu acredito que
ele seria melhor o local dele melhor empregado seria ele ...
entendeu?” (Informante 10)

Já no exemplo abaixo, percebemos que o informante consegue unir pistas
gramaticais ao uso da confirmação da sua hipótese inicial, ao se deparar novamente
com o vocábuloless. Assim, ele conseguiu chegar à resposta correta (less):
(20) “((risos)) sim... porque assim... o more e o so né... algumas da
da pouca noção do inglês que eu tive eu nunca vi ele ele
aplicado diretamente ao verbo certo...o are...e aí eh::.. como
tem aquele negocinho né de ta no plural acrescenta S ou ES
não sei o que less né... e aí depois eu que você viu que eu ia
lendo depois alguns e algum eu tentava incidir alguma resposta
sobre os outros então depois eu encontrei um aqui less aí eu
confirmei essa daqui”(Informante 8).

A partir disso, podemos afirmar que os informantes mais proficientes aqui
analisados conseguiram obter melhores resultados, pois, além do conhecimento
prévio da língua inglesa, pareceram apresentar maior conhecimento da organização
textual da introdução do artigo científico, como também utilizaram com mais
frequência seu conhecimento sobre o assunto. Além disso, conseguiram fazer uso
de diferentes estratégias conjuntamente, o que lhes garantiu mais acertos no teste.
Também foram mais capazes de monitorar a sua leitura, utilizando estratégias
conscientes.

100

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante dos resultados obtidos e analisados, foi possível comprovar o papel de
destaque que a língua inglesa representa nos cursos de pós-graduaçãoda área da
saúde pesquisados. Primeiramente, isso se deve ao fato de o grande número de
alunos (91,3%, ou seja, 63 informantes) considerarem essa língua muito importante
para o mestrado. Além disso, mais da metade dos informantes (56%) relataram
utilizar a língua inglesa como principal fonte de pesquisa, sendo a base de dados
Pubmed, que traz pesquisas da área da saúde do mundo todo publicadas em inglês,
utilizada por 52% dos informantes como principal fonte de busca de artigos.
No entanto, apesar da reconhecida importância da língua inglesa pelos
informantes da nossa pesquisa, poucos relataram procurar cursos de idiomas ou
curso de inglês instrumental, o que parece refletir no baixo conhecimento que esses
alunos possuem desse idioma. De fato, a partir dos resultados do teste cloze
aplicado, verificamos que apenas 20 dos 69 informantes conseguiram acertar mais
que 80% do teste. Pontuações entre 60 a 79% foram alcançadas por apenas 15
alunos. Uma grande parte dos alunos (34 alunos) não alcançou pontuações maiores
que 60% no teste. Apesar de termos aplicado somente um teste, esses números
podem indicar que os cursos analisados ainda possuem um número significativo de
leitores cuja proficiência de leitura em língua inglesa parece estar baixa.
Os resultados obtidos pela entrevista pré-protocolo indicaram que, dos 13
alunos entrevistados, apenas um declarou não utilizar a língua inglesa nas suas
pesquisas. A entrevista também nos revelou que a língua inglesa não é necessária
somente para a leitura, mas a escrita em inglês também já aparece como exigência
para alguns alunos desses cursos pesquisados. A maior dificuldade durante a leitura
de textos em inglês relatada pelos informantes foi o vocabulário, tanto o técnico da
área específica quanto o geral.
Os dados provenientes do protocolo verbal tiveram grande relevância e
confirmaram os resultados do teste cloze. Foi possível verificar que, de um modo
geral, os informantes que pontuaram mais no teste cloze também se saíram melhor
no protocolo verbal. E isso pôde observado pelo uso variado de estratégias de
leitura que os leitores mais maduros empregaram durante a leitura do texto.

101

Pudemos verificar, por meio dos protocolos, que os leitores que pontuaram
maisno teste conseguiram utilizar, ao mesmo tempo, ambos os processamentos
ascendentes (bottom-up), ou seja, pistas lexicais e gramaticais, e descendentes (topdowm), como, por exemplo, os conhecimentos prévios da língua, do assunto e da
estrutura textual do gênero em questão. Isso reforça a importância da consciência
metalingüística (aspectos morfossintáticos e semântico-discursivos da língua) no
esforço da compreensão textual.
O uso de estratégias metacognitivas, que auxiliam nas dificuldades
apresentadas no decorrer da compreensão da leitura, também foi verificada com
maior frequência nas falas dos alunos mais proficientes. Esses leitores também
foram capazes de resolver problemas de compreensão mediante o abandono da
hipótese inicial e a construção de uma segunda hipótese, estratégias essas que
contribuíram para uma melhor compreensão do texto.
Por outro lado, os informantes que em nossa pesquisa não conseguiram
atingir pontuações altas, além de terem demonstrado baixo conhecimento lexical e
sintático da língua, raramente utilizaram os dois processamentos de leitura
(ascendentes e descendentes) ao mesmo tempo. Foi possível observar que esses
leitores apelaram mais para o processamento ascendente, ou bottom-up, dedicandose muito aos componentes isolados da microestrutura textual e prestando mais
atenção aos índices próximos as lacunas, ou seja, não foram flexíveis. O uso de
estratégias metacognitivas também não foi muito observado nesses informantes, o
que também pode ter contribuído para os baixos índices de acerto no teste e,
consequentemente, para a dificuldade de compreender globalmente o texto.
Interessante relatar que, tanto os leitores que pontuaram mais, como os que
pontuaram menos, mostraram certa dificuldade para compreender algumas funções
semântico-discursivas dos conectivos interfrasais. Esses marcadores discursivos
pareceram não ser familiares para a maioria dos informantes, embora sejam
bastante frequentes na prosa expositivo-argumentativa presente nos gêneros de
divulgação científica, no caso, o artigo científico.
De um modo geral, nossos resultados mostraram que a competência
linguística e, mais especificamente a lexical, constituiu a maior dificuldade na
compreensão de leitura em língua inglesa dos informantes pesquisados. Esses
resultados indicam que essa dificuldade pode ter contribuído para o não uso ou a

102

não-consciência dos processamentos estratégicos da leitura. Ficou evidente, assim,
que o conhecimento prévio da língua inglesa pode ser, em muitos casos, fator
determinante, mas a compreensão só se torna efetiva se o informante aliar esse
conhecimento linguístico a outros conhecimentos, como o conhecimento prévio
sobre o assunto do texto e da organização textual.
É importante enfatizar que, para que o indivíduo desenvolva seu
conhecimento do vocabulário e obtenha o conhecimento prévio adequado, a prática
da leitura, bem como o conhecimento do gênero textual são necessários. Assim,
profissionais que trabalham com a leitura, em especial com a abordagem
instrumental de línguas, tanto em língua materna quanto na língua estrangeira,
devem ressaltar a existência e importância das estratégias de leitura aliada ao
conhecimento sistêmico da língua. Para o trabalho com alunos da área da saúde
especificamente, ficou clara a necessidade de se apresentar aos alunos a
organização retórica do gênero textual artigo científico.
Gostaríamos de concluir destacando a relevância da realização dos testes
cloze e do protocolo verbal aplicados em conjunto para avaliação da compreensão
de leitura em língua inglesa. Esses testes mostraram-se capazes de possibilitar um
diagnóstico desejável para nossos objetivos de pesquisa. Diante disso, mais estudos
envolvendo esses instrumentos em diferentes níveis de escolaridade deveriam ser
realizados para avaliar a compreensão de textos de língua inglesa e também em
língua materna.

103

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Porto Alegre, 2009. 184p. Tese (Doutorado em Letras). Programa de pós-graduação
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110

APÊNDICE A - Fase piloto: Questionário de sondagem e testes cloze
Caro (a) aluno (a) mestrando (a),
Estamos interessadas em propor condições para avaliar e entender o processo de
leitura em língua inglesa entre mestrandos da área da saúde. Suas respostas serão
mantidas em sigilo e não serão usadas para fins de avaliação, apenas para fins de
pesquisa, que poderão subsidiar ações futuras. Solicitamos que respondam às questões
com empenho e sinceridade, para que os dados da pesquisa sejam os mais reais possíveis.
Obrigada por sua valiosa colaboração.

Pesquisadoras:Fernanda Goulart Ritti Dias e Maria Inez Matoso Silveira
ORIENTAÇÕES:





1

Por favor, leia com atenção todas as questões!
NÃO DEIXE QUESTÕES EM BRANCO (SEM RESPOSTA).
Assinale apenas uma alternativa, a não ser que esteja indicado na questão a
possibilidade de assinalar mais de uma.
Quando optar por “Outro”, por favor, responda no espaço em branco.

INFORMAÇÕES PESSOAIS
Nome: ______________________________________________________________
Telefone: _____________________________________e-mail___________________

1.

Qual o seu sexo?
Masculino
Feminino

4. Você trabalha? (não inclui atividades
acadêmicas)
Não
Sim, até 20 horas semanais

2.

Qual a sua idade, em anos?

Sim, mais de 20 horas semanais

Menos de 22
Entre 23 e 30
Entre 31 e 40
Mais de 40
3. Qual o seu estado civil?
Solteiro(a)
Casado(a)/vivendo com parceiro(a)

5. Qual o nome da Cidade onde você mora:
___________________________________
6. Você já morou em algum país cuja língua
oficial seja a língua inglesa?
Sim
Não
Em caso afirmativo:

Outro________________________
Por quanto tempo?_______________________

111
7. Marque a alternativa que melhor indica o nível
de estudo da sua mãe.
Minha mãe NUNCA estudou

Minha mãe concluiu o 2º. grau
Minha mãe NÃO concluiu a faculdade

Minha mãe NÃO concluiu o 1º. grau
Minha mãe concluiu o 1º. grau

2

Minha mãe NÃO concluiu o 2º. grau

Minha mãe concluiu a faculdade
Não sei

INFORMAÇÕES ACADÊMICAS

8. Eu fiz o Ensino Fundamental (ou a maior
parte dele) em:
Escola pública

14. Você teve língua inglesa no Ensino Médio?
Sim
Não

Escola particular
15. Vocêfoi aluno de iniciação científica?
9. Eu fiz o Ensino Médio (ou a maior parte dele)
em:
Escola pública
Escola particular
10. Eu fiz a Graduação em:
Faculdade pública
Faculdade particular

Sim
Não
16. Você faz (ou já fez) curso de inglês em
instituto de idiomas?
Sim
Não
Em caso afirmativo:
Qual o nome da (s) escola (s)?

11. Qual curso de graduação você fez?
_______________________________________
12. Qual curso de mestrado você faz?

_______________________________________
Quantos semestres você cursou até hoje?
_______________________________________

_______________________________________
13. Você teve língua inglesa no Ensino
Fundamental?
Sim
Não

17. Você faz (ou já fez) curso de inglês para fins
acadêmicos (inglês instrumental)?
Sim
Não
Em caso afirmativo:
Quantos semestres você cursou até hoje?
_______________________________________

112

3

QUESTIONÁRIO SOBRE HÁBITOS E HABILIDADES DE LEITURA

18. Você gosta de ler?
Sim
Não
Mais ou menos
19. Qual é a sua principal fonte de pesquisa
acadêmica?
Livros

24. Como você avalia sua habilidade de leitura em
artigo científico em inglês?
Excelente
Boa
Regular
Ruim
Péssima

Periódicos/ revistas especializadas
Dissertações/ Teses
Outra____________________________
20. No caso de periódicos/revistas
especializadas, qual é a base de dados que
você mais usa?
____________________________________

25. Qual é a sua maior dificuldade durante
a leitura de um artigo científico em
inglês ? (Assinale uma ou mais
alternativas)
O vocabulário técnico
A gramática da língua inglesa
O assunto tratado nos texto
A linguagem científica

21. Na última semana, quantos artigos científicos
em português você leu?
Nenhum

Não tenho dificuldades
Outra ____________________________

1
Entre 2 e 4
Mais de 4
22. Como você avalia a sua habilidade de leitura
de artigo científico em português?
Excelente

26. Na última semana, quantos artigos científicos
em inglês você leu?
Nenhum
1
Entre 2 e 4
Mais de 4

Boa
Regular

27. Na sua opinião, saber ler em inglês no
mestrado é:

Ruim
Péssima

Muito importante
Importante

23. Qual é o idioma que mais utiliza para as suas
pesquisas?
Português
Inglês
Espanhol
Outro________________________

Pouco importante
Nada importante

113
ATIVIDADE 1

4

O trecho abaixo, retirado do artigo “Elevated Blood Pressure in Relation to Overweight and Obesity
Among Children in a Rural Canadian Community”, apresenta 40 lacunas que deverão ser preenchidas com as
palavras presentes no quadro. Escolha, dentre as 40 palavras, aquela que julgar mais apropriada para dar
sentido e continuidade ao texto.
Por favor, siga os passos abaixo para o seu melhor desempenho no teste.
1) Primeiro, leia o texto todo.
2) Depois, volte ao início do texto e preencha cada lacuna com apenas uma das palavras
dispostas no quadro. (Dica: risque ou circule as palavras que já utilizou para facilitar sua
visualização
published / rural / and
/ increasing
/
underdiagnosed /
doubled /
varies
/
girls epidemic
/ height
/
poorer /
shorter
/
recreational
/ predicted
/
analysis /
premature / risk
/
interpretation /
some
/
greater /
strategies /
be /
children
/
weight /
among /
suggest /
parents /
more
/
access
/
significant
/
its
/ of / adult /
a /
to /
dietary /
urban / include / dyslipidemia / activity
The prevalence of childhood obesity is increasing at an alarming rate in developed countries.
Between the years 1981 _____________________ 1996, the prevalence of obesity _____________________
Canadian children aged 7 _____________________ 13 years has more than _____________________, from 5% to
14% among boys and to 11% among _____________________. Increasing evidence suggests that this
_____________________ of childhood obesity is causing _____________________ onset of hypertension, insulin
resistance, and _____________________, resulting in increased risk for _____________________ coronary heart
disease. _____________________ have _____________________ that the current generation of
_____________________ may be the first to have _____________________ health outcomes and a
_____________________ life span than their _____________________. This has become a
_____________________ public health concern, and in October 2005, the Ontario Medical Association
_____________________ a position statement calling for evidence-based _____________________ of the scope of
the obesity problem and _____________________ risk factors, prevention _____________________, and changes
required at the level _____________________ public policy.
_____________________ populations may _____________________ at increased risk for
overweight as _____________________ result of a clustering of _____________________ factors that occur
_____________________ frequently in rural than _____________________ populations. These
_____________________ lower socioeconomic status, poor _____________________ habits, and limited
_____________________ facilities and opportunity for physical _____________________. Whereas studies
_____________________ that blood pressure in North American youth is _____________________ in parallel
with _____________________, hypertension may be _____________________ given that blood pressure
_____________________ with age, gender, and _____________________. Accurate diagnosis requires the use and
_____________________ of standardized growth charts. Underdiagnosis may be of _____________________
concern in rural communities, where _____________________ to physician care is limited. In this study of
children who lived in the rural community of Walkerton, Ontario, we evaluated whether prehypertension and
hypertension were associated with overweight and obesity while controlling for other factors.
Fonte : Salvadori et. Al. Elevated Blood Pressure in Relation to Overweight and Obesity Among Children in a
Rural Canadian Community. Pedriatrics. January 27, 2009
Número de acertos (

) Porcentagem (

) Nível de leitura (

)

114

5

ATIVIDADE 2

Você vai realizar agora um teste que avalia sua compreensão de leitura em Português.
O trecho abaixo, retirado do artigo “Efeitos dos programas de exercícios aeróbio e resistido na redução da gordura abdominal de
mulheres obesas”, apresenta 34 lacunas que deverão ser preenchidas com as palavras presentes no quadro. Escolha, dentre as 34
palavras, aquela que julgar mais apropriada para dar sentido e continuidade ao texto.
Por favor, siga os passos abaixo para o seu melhor desempenho no teste.
3) Primeiro, leia o texto todo.
4) Depois, volte ao início do texto e preencha cada lacuna com apenas uma das palavras dispostas no quadro. (Dica:
risque ou circule as palavras que já utilizou para facilitar sua visualização)

efeitos / seu / entretanto / atualmente / duração / geralmente / precisam / corpo / relação /
gordura / sobre / respostas / também / entre / para / parece / promove / limitado / não /
tronco / considerada / metabólicas / em / variados / as / são / conclusivas / tratamento /
alguns / ideal / aumenta / e / é / de /

A obesidade pode estar associada a diversas complicações metabólicas como dislipidemia,
diabetes tipo 2, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. _____________________, o risco do
desenvolvimento de doenças associadas _____________________ com o grau da obesidade.
_____________________, não somente a quantidade de _____________________ total em excesso deve
ser _____________________, a distribuição da gordura corporal é _____________________ um
importante fator de risco _____________________ doenças crônicas _____________________
transmissíveis. A gordura situada no _____________________ e abdômen, principalmente intraabdominal
(visceral),
_____________________
maior
risco
para
as
complicações
_____________________ que o excesso de gordura _____________________ outras regiões do
_____________________.
_____________________ contribuições do exercício físico no _____________________
da
obesidade
geral
e
_____________________
impacto
na
composição
corporal
_____________________ bastante estudados, e _____________________ já existem respostas
_____________________. O mesmo ainda não pode ser dito em relação aos _____________________ do
exercício físico especificamente _____________________ a obesidade central. _____________________
estudos demonstram associações _____________________ a redução da gordura abdominal
_____________________ a atividade física. Porém, ainda não _____________________ possível
estabelecer uma prescrição _____________________, pois existe um número _____________________
de estudos e os resultados das pesquisas são _____________________, não permitindo estabelecer uma
_____________________ dose-resposta
O exercício físico _____________________ reduzir a gordura abdominal, entretanto,
associações entre intensidade, volume, _____________________, freqüência semanal e tipo
_____________________ treinamento e as _____________________ na diminuição da obesidade central
_____________________ ser investigadas. Sendo assim, este estudo teve como objetivo avaliar e
comparar os efeitos dos programas de exercícios aeróbio e resistido sobre a gordura abdominal de
mulheres com sobrepeso e obesidade central.
Fonte: MACEDO D, SILVA MS. Efeitos dos programas de exercícios aeróbio e resistido na redução da gordura abdominal de mulheres
obesas.R. bras. Ci. e Mov 2009;17(4):47-54.

Número de acertos (

) Porcentagem (

) Nível de leitura (

)

115
APÊNDICE B - Questionário de sondagem aplicado na pesquisa
Título da pesquisa: Avaliação dos níveis de leitura em inglês entre mestrando da área da saúde:
fundamentos para o inglês instrumental

Caro (a) aluno (a) mestrando (a),
Estamos interessadas em propor condições para avaliar e entender o processo de leitura
em língua inglesa entre mestrandos da área da saúde. Suas respostas serão mantidas em sigilo e
não serão usadas para fins de avaliação, apenas para fins de pesquisa. Solicitamos que
respondam às questões com empenho e sinceridade, para que os dados da pesquisa sejam os
mais reais possíveis.
Caso seja possível, pedimos gentilmente que nos forneça seu nome, e-mail e telefone para
que possamos lhe dar um feedback sobre o seu desempenho, como também para possivelmente
convidá-lo para a segunda parte da pesquisa.
Obrigada por sua valiosa colaboração!
Pesquisadoras:Fernanda Goulart Ritti Dias e Maria Inez Matoso Silveira (UFAL)

ORIENTAÇÕES:
A PRESENTE PESQUISA É COMPOSTA DE 2 ETAPAS:
NA PRIMEIRA ETAPA, VOCÊ:
1) RESPONDERÁ UM QUESTIONÁRIO SOBRE INFORMAÇÕES PESSOAIS, PRÁTICAS DE LEITURA E
2)
3)
4)

FAMILIARIDADE COM A LÍNGUA INGLESA
FARÁ UM TESTE DE COMPREENSÃO EM LÍNGUA INGLESA
FARÁ UM TESTE DE COMPREENSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA
AVALIARÁ O NÍVEL DE DIFICULDADE DOS TESTES

NA SEGUNDA ETAPA, CASO VOCÊ SEJA CONVIDADO, VOCÊ:
1) PARTICIPARÁ DE UMA ENTREVISTA SOBRE AS ESTRATÉGIAS QUE UTILIZA DURANTE A LEITURA DE
TEXTOS EM PORTUGUÊS E INGLÊS

RECOMENDAÇÕES





Por favor, leia com atenção todas as questões!
NÃO DEIXE QUESTÕES EM BRANCO (SEM RESPOSTA).
Assinale apenas uma alternativa, a não ser que esteja indicada na questão a possibilidade de
assinalar mais de uma alternativa.
Quando optar por “Outro”, por favor, responda no espaço em branco.

116

QUESTINÁRIO SOBRE INFORMAÇÕES PESSOAIS, PRÁTICAS DE LEITURA E
FAMILIARIDADE COM A LÍNGUA INGLESA

1

Nome: ____________________________________________________________________________
Telefone: (

)__________________________________e-mail______________________________

1. Qual o seu sexo?
Masculino
Feminino
2. Qual a sua idade, em anos?
Até 22
Entre 23 e 30
Entre 31 e 40
Mais de 40
3. Qual o seu estado civil?
Solteiro(a)
Casado(a)/vivendo com parceiro(a)

9. Você teve língua inglesa no Ensino Fundamental?
Sim
Não
10. Você teve língua inglesa no Ensino Médio?
Sim
Não
11. Você faz (ou já fez) curso de inglês em instituto de
idiomas?
Sim
Não
Em caso afirmativo, quantos semestres você
cursou até hoje?___________________________

Outro________________________________
4. Em que cidade você reside?

5. Você já morou em algum país cuja língua oficial seja a
língua inglesa?
Sim
Não
Em caso afirmativo, por quanto tempo?
________________________________________
6. Marque a alternativa que melhor indica o nível de
estudo da sua mãe.
Minha mãe NUNCA estudou
Minha mãe NÃO concluiu o 1º. grau

Qual o nome da(s) escola(s)___________________
__________________________________________
12. Você faz (ou já fez) curso de inglês para fins
acadêmicos (inglês instrumental)?
Sim
Não
Em caso afirmativo, quantos semestres você cursou
até hoje?___________________________
13. Eu fiz a Graduação em:
Instituição pública
Instituição particular
14. Qual curso de graduação você fez?

Minha mãe concluiu o 1º. grau
Minha mãe NÃO concluiu o 2º. grau
Minha mãe concluiu o 2º. grau
Minha mãe NÃO concluiu a faculdade
Minha mãe concluiu a faculdade
Não sei
7. Eu fiz o Ensino Fundamental (ou a maior parte dele)
em:
Escola pública
Escola particular
8. Eu fiz o Ensino Médio (ou a maior parte dele) em:
Escola pública
Escola particular

15. Você foi aluno de iniciação científica?
Sim
Não
16. Por que você está fazendo mestrado? (Assinale uma
ou mais alternativas)
Para lecionar no ensino superior
Para me tornar um pesquisador
Para aumentar meu salário atual
Para aprofundar meus conhecimentos
Para obter status
Ainda não sei
Outro____________________________

117
17. Você está trabalhando durante o mestrado? (não inclui
atividades acadêmicas)
Não

25. Na última semana, quantos artigos científicos em
inglês você leu?
Nenhum

Sim, até 20 horas semanais

1

Sim, mais de 20 horas semanais

Entre 2 e 4

18. Sua linha de pesquisa é:
Mais voltada para a área biológicas
Mais voltada para questões sociais/educacionais
Outro__________________________________

Mais de 4
26. Como você avalia a sua habilidade de leitura de artigo
científico em português?
Excelente
Boa

19. Você realizou a prova de proficiência de inglêsdo seu
programa para ingressar no mestrado?
Sim
Não

Regular
Ruim
Péssima

Em caso negativo, por favor, cite onde realizou:

20. Qual é a sua principal fonte de pesquisa acadêmica?
Livros

27. Como você avalia sua habilidade de leitura em artigo
científico em inglês?
Excelente
Boa

Periódicos/ revistas especializadas

Regular

Dissertações/ Teses

Ruim

Outra__________________________________

Péssima

21. No caso de periódicos/revistas especializadas, qual é a
base de dados que você mais usa?

28. Você gosta de inglês?
Sim
Não

22. Durante a graduação, com que freqüência você lia
artigos científicos?
Sempre
Quase sempre
Às vezes

Mais ou menos
29. Qual é a sua maior dificuldade durante a leitura de um
artigo científico em inglês ? (Assinale uma ou mais
alternativas)
O vocabulário técnico

Raramente

A gramática da língua inglesa

Nunca

O assunto tratado nos texto

23. Qual é o idioma que mais utiliza para as suas
pesquisas?
Português

A linguagem científica
Não tenho dificuldades
Outra ____________________________

Inglês
Espanhol
Outro________________________
24. Na última semana, quantos artigos científicos em
português você leu?
Nenhum

30. Diante da necessidade de ler um texto que só esteja
disponível em língua inglesa, o que você faz? (Assinale
uma ou mais alternativas):
Não leio o texto
Leio tranquilamente o texto
Traduzo com ajuda do dicionário

1

Traduzo com ajuda do Google

Entre 2 e 4

Procuro um tradutor da área

Mais de 4

Peço ajuda de um amigo
Outro____________________________

118
31. Na sua opinião, saber ler em inglês no mestrado é:
Muito importante
Importante
Pouco importante
Nada importante
32. Você foi/é incentivado a estudar inglês (pelo orientador ou
professores do mestrado)?
Sim
Não

119
APÊNDICE C - Teste cloze de múltipla escolha em língua portuguesa.

2

Teste cloze de múltipla escolha em língua portuguesa

INSTRUÇÕES
INSTRUÇÕES PARA O TESTE DE COMPREENSÃO DE LEITURA EM PORTUGUÊS

O trecho, retirado do artigo “Prevalência de obesidade em escolares de Salvador, Bahia”, apresenta
28 lacunas.
Escolha, dentre as 3 palavras dispostas abaixo de cada lacuna, aquela que julgar mais apropriada
para dar sentido e continuidade ao texto.
Por favor, siga os passos abaixo para o seu melhor desempenho no teste.
5) Primeiro, leia o texto todo.
6) Depois, volte ao início do texto e, com atenção, circule a palavra que considerar correta dentro
do contexto.
Exemplo:
Hoje o dia está ___________. Não agüento mais essa chuva.
(ensolarado / lindo / chuvoso )
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

120
TESTE DE COMPREENSÃO DE LEITURA EM PORTUGUÊS

A obesidade, definida segundo a Organização Mundial de Saúde em 1998 como "Doença na
qual o excesso de gordura corporal se acumulou a tal ponto que a saúde pode ser afetada", demonstra a
preocupação desta entidade com as possíveis conseqüências do acúmulo de tecido adiposo no organismo.
______________epidemiológicos revelam que a ______________, além de ser conceituada
(Conceitos – Estudos – Planos)

(hipertensão – diabetes – obesidade)

______________doença, é fator de risco ______________para diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial,
(a – como – tal)

(menor – importante – baixo)

dislipidemia, infarto domiocárdio ______________acidente vascular cerebral.
(além – e – quanto )

O ______________pela prevenção da obesidade ______________se justifica pelo aumento de
(desinteresse – interesse – benefício)

(infantil – adulta – mórbida)

______________ prevalência na vida adulta, pela potencialidade ______________ fator de risco para as
(maior – uma – sua)

(enquanto – resultando – decorrente)

______________crônico- degenerativas ______________pelo aparecimento de doenças como diabetes
(intervenções – doenças – situações)

(não – e – mesmo)

mellitus tipo 2 em adolescentes obesos, ______________ predominante em adultos. ______________,
(agora – futuramente – antes)

(Além disso – Contudo – Embora)

freqüentes intervenções em______________, principalmente antes dos 10 anos de idade, ______________
(adultos – crianças – pós-púberes)

(agravam – reduzem – afetam)

mais a severidade da doença ______________as mesmas intervenções na idade adulta, ______________que
(do que – relativo – embora )

(contanto – sabendo – visto)

mudanças na dieta e na atividade física______________ser influenciadaspelos pais e poucas ____________
(podem – pode – puderam)

(elevações – modificações – atividades)

no balanço calórico______________necessárias para causar alterações_____________no grau de
obesidade.
(são – é – torna-se)

(irrelevantes – relevantes – imperceptíveis)

A ______________da obesidade infanto-juvenil ______________de estudos transversais em
(cura –identificação-intervenção)

(através –retirada – analisada)

escolares tem se ______________uma prática comum, ______________em nível internacional quanto
(familiarizado – tornado – resultado)

(tanto – exceto – voltada)

______________. A grande variação nos ______________encontrados pode ser atribuída aos diferentes
(estrangeiro – central – nacional)

(adolescentes – resultados – obesos )

______________ utilizados para o diagnóstico da obesidade infanto-juvenil. O presente estudo tem o
(sujeitos – estudos – critérios)

propósito de descrever a prevalência de obesidade em alunos de escolas públicas e particulares, comparando
a influência das variáveis sexo, idade, nível sócio-econômico, atividade física e consumo de alimentos na
frequência de obesidade obtida nas duas redes escolares.
Fonte: LEAO, Leila S.C. de Souza et al . Prevalência de obesidade em escolares de Salvador, Bahia. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo,
v. 47, n. 2, Apr. 2003

Número de acertos (

) Porcentagem (

) Nível de leitura __________________

121
APÊNDICE D - Teste cloze de múltipla escolha em língua inglesa

3

Teste cloze de múltipla escolha em língua inglesa

INSTRUÇÕES
INSTRUÇÕES PARA O TESTE DE COMPREENSÃO DE LEITURA EM INGLÊS

O trecho, retirado do artigo ““Body Mass Index, Physical Activity, and Health-Related Quality of
Life in Cancer Survivors”, apresenta 26 lacunas.
Escolha, dentre as 3 palavras dispostas abaixo de cada lacuna, aquela que julgar mais apropriada
para dar sentido e continuidade ao texto.
Por favor, siga os passos abaixo para o seu melhor desempenho no teste.
7) Primeiro, leia o texto todo.
8) Depois, volte ao início do texto e, com atenção, circule a palavra que considerar correta dentro
do contexto.
Exemplo:
I have a good ___________. It’s a Ferrari.
(dog / car / tree)
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

122
More than 11 million Americans are living with a history of cancer. Importantly, emerging
research has shown that increased weight (e.g., being overweight or obese) has a negative consequence on
disease recurrence, survival, other chronic disease development, and health-related quality of life, particularly
in breast cancer survivors. _____________, research has shown that physical _____________has the opposite
(In addition – On the other hand – Hence)

(failure – being – activity)

effect on the aforementioned_____________. Taken together, _____________ findings delineate the
(outcomes – diseases – individuals)

(this – these – that)

importance of examining _____________ and physical activity in cancer survivors.
(fitness – survival – obesity)

____________studies, however, have_____________the association between body mass
(Few – Much – Future)

(exame – examining – examined)

index_____________ physical activity in cancer survivors. The limited research that _____________ available
( for – and – to)

(is - are - be)

has shown that active cancer survivors are _____________ likely to be obese or, _____________, obese
(less – more – so)

(conversely –thus –then)

cancer survivors are less likely to be active. Moreover, _____________ studies have independently examined
(some – although – besides)

the associations _____________body mass index, physical activity, and health-related quality of life in
(from – together – between)

_____________survivors, few have examined the potential interaction effects. Studies in this area have been
(cancer – obese – breast)

_____________ by small, _____________ samples of select cancer survivor groups.
(completed – important – limited)

(unrepresentative – representative – large)

The _____________ of the present study was to _____________ the independent and interactive
(result – purpose – conclusion)

(take – conclude – determine)

associations among body mass index, physical activity and health-related quality of life in _____________,
(breast - physical - obesity)

prostate, colorectal, bladder, uterine, and _____________ melanoma cancer survivors. We _____________
(bladder – skin – ankle )

(analyzed – measured – hypothesized)

(purpose 1) that obese cancer survivors ____________be less likely to be _____________ compared with their
(would – was – must)

(dependent – active – identified)

nonobese counterparts. We _____________ hypothesized (purpose 2) that obese cancer survivors would have
(did not – never – also)

significantly_____________ health-related quality of life compared with nonobese survivors. _____________,
(any – lower – larger)

(Finally – First – Therefore)

the potential interaction between body mass index and physical activity on health-related quality of life (purpose 3) was
explored. Incidentally, we previously reported the associations between various health behaviors, including physical
activity and health-related quality of life, from this data set. Consequently, the physical activity-health-related quality of
life relationship is not presented in the current article.
Fonte: BLANCHARD, C. M. et al. Body Mass Index, Physical Activity, and Health-Related Quality of Life in Cancer Survivors. Medicine &
Science in Sports & Exercise. 42(4):665-671, April 2010

Número de acertos (

) Porcentagem (

) Nível de leitura __________________

122

APÊNDICE E - Protocolo verbal aplicado
Título da pesquisa: Avaliação dos níveis de leitura em inglês entre mestrando da
área da saúde: fundamentos para o inglês instrumental

PROTOCOLO VERBAL
O OBJETIVO DESTA ETAPA DA PESQUISA É VERIFICAR AS ESTRATÉGIAS DE
LEITURA UTILIZADAS POR ALUNOS DE MESTRADO DURANTE A LEITURA DE UM
TEXTO CIENTÍFICO EM LÍNGUA INGLESA.
A SESSÃO SERÁ GRAVADA PARA QUE OS DADOS SEJAM TRANSCRITOS E
ANALISADOS. OS DADOS SERÃO MANTIDOS EM SIGILO.

NOME DO
PARTICIPANTE:__________________________________________________________________
DATA:______________________LOCAL:______________________________________________
__________
TEMPO :____________________________ PONTUAÇÃO TESTE DE
LEITURA:______________________

INSTRUÇÕES:
1. VOCÊ ESTÁ RECEBENDO A MESMA PROVA DE LEITURA QUE REALIZOU HÁ ALGUNS DIAS.
2. PRIMEIRO, LEIA O TEXTO TODO COM ATENÇÃO.
3. DEPOIS, COMPLETE AS LACUNAS ORAMENTE, EXPLICANDO O PORQUÊ DA SELEÇÃO DAS
PALAVRAS. (INDIQUE QUAIS FORAM AS PISTAS, DICAS, PALAVRAS, FRASES, ETC, QUE TE
AJUDARAM A CHEGAR A TAL RESPOSTA).
PERGUNTAS:
PRÉ-LEITURA:
1. VOCÊ PRECISA DA LÍNGUA INGLESA NO MESTRADO? QUAL A IMPORTÂNCIA DA LÍNGUA
INGLESA NO MESTRADO SUA OPINIAO?
2. DURANTE A LEITURA DE UM ARTIGO CIENTÍFICO EM LÍNGUA INGLESA, O QUE VOCÊ FAZ
(USA ALGUMA ESTRATÉGIA)?
3. QUAL A SUA MAIOR DIFICULDADE DURANTE A LEITURA DE UM ARTIGO CIENTÍFICO EM
INGLÊS?

123

APÊNDICE F - Transcrições das entrevistas pré-protocolo.
Informante 1
PE: Você precisa da língua inglesa no mestrado?
IN: sim, com certeza...
PE: qual a importância da língua inglesa no mestrado para você?
IN: porque a maioria dos trabalhos científicos...dos artigos...de tudo que a gente trabalha tá em
inglês e pra ter acesso a essa informação ...daqui que eu for esperar que ela seja traduzida ou
publicada em algum livro alguma coisa em português eu vou perder a novidade né...então eu
preciso saber inglês porque o banco de dados a maioria tá em inglês...
PE: Durante a leitura de um artigo científico em língua inglesa o que você faz? Você usa alguma
estratégia?
IN: Não eu especificamente não...eu tenho um dicionário no computador de inglês... algumas
palavras realmente que são chave pra entendimento que eu não conheço eu olho...se eu não
conhecer mas conseguir entender o contexto eu sigo pra não ficar parando tanto a leitura pra não
quebrar a leitura ...eu só realmente só paro pra olhar no dicionário a palavra quando eu considero
que ela seja chave pro entendimento raramente assim eu olho...de um trabalho assim eu acho que
sei lá quatro ou cinco eu consulto o resto eu já...a linguagem é bem repetitiva ...a linguagem
técnica eu já conheço a maioria dos termos dessa minha linha então não tenho muita surpresa não
PE:qual é a sua maior dificuldade durante a leitura de um artigo científico em língua inglesa?
IN: uma dificuldade específica não sei dizer não...sente uma dificuldade por ser outro idioma claro
né mas nada assim específico não...talvez assim a coisa que a gente mais tenha dificuldade por
ser da língua portuguesa é que a gente a questão do adjetivo vir antes ...aí as vezes tem vários
adjetivos se referindo a alguma coisa e você só vai saber ao que ele tá se referindo no final da
frase ...mas...já tô acostumado...porque às vezes ele dá dois os três adjetivos a uma coisa e você
fica meio curioso de saber do que ele tá falando e só vai ver no final ...a dificuldade é por ser um
idioma diferente...raramente eu vejo algum vocabulário porque já faz tempo que tô na mesma linha
e fico lendo já tô calejado das palavras que aparecem...

Informante 2
PE: Você precisa da língua inglesa no mestrado?
IN: sim
PE: qual a importância da língua inglesa no mestrado para você?
IN: Eh.. todo conteúdo ele é disponibilizado principalmente na língua inglesa...todo conteúdo de
maior importância...vamo botar assim...e de menor importância na língua portuguesa ...ou
espanhol ...língua inglesa é o principal ...é o principal idioma na transmissão de conhecimento
PE: durante a leitura de um artigo científico em inglês o que você faz? Você usa alguma
estratégia?
IN: eu vou lendo...as palavras que eu não entendo se eu não consigo eu perco o contexto da frase
eu traduzo no tradutor online ...basicamente é isso...vou lendo...quando eu não consigo ler boto a
palavra quando perde/ quando eu não consigo entender o contexto
PE: e qual a sua maior dificuldade durante a leitura de um artigo científico em língua inglesa?

124

IN: quando as palavras não são conhecidas por exemplo um tema novo ...como eu leio mais da
área...mais artigos da minha área fica mais fácil a leitura...quando eu pego de outra área eu tenho
mais dificuldade justamente no vocabulário

Informante 3
PE: Você precisa da língua inglesa no mestrado?
IN: sim...a maioria dos estudos que a gente vê agora são em inglês até porque também a gente tá
numa etapa daqui do grupo de tentar publicações em inglês também ...então a gente ter que ter
uma leitura...né...boa do do inglês pra ver os termos que usam...como é que tá sendo essa
publicação lá fora pra tá ( ) isso também...fora que assim os bons estudos estão em inglês ...então
a gente tem que ler sempre ((risos))
PE: Durante a leitura de um artigo científico em LI o que você faz? Você usa alguma estratégia
para ler?
IN: óh... quando eu pego um artigo eu vejo assim... eu dou uma leitura básica nele rápida...né vejo
assim se ele vai me interessar ou não sem para muito pra ver os detalhes né...aí quando eu
seleciono ...bom vai me interessar né ai uma leitura mais aprofundada nele eu vou tentando ler
normal quando acontece de ter algum termo que eu ainda não conheço aí eu vou buscar uma
ferramenta que é ou o dicionário que tem no meu computador ou o Google que é o mais rápido já
que normalmente eu tô sempre online né...então assim é dessa forma
PE:Qual é a sua maior dificuldade durante a leitura de um artigo científico em língua inglesa?
IN: é porque... quando a gente estuda inglês assim em escola de idiomas a gente não estuda os
termos técnicos né então quando a gente vem pra um artigo... eh:: na verdade você tem que
decorar esses termos porque não tem uma tradução assim fácil ...onde você pode ah vou no
dicionário e tem lá os termos de saúde... os termos assim... então você vai decorando aquilo ali
então a maior dificuldade são esses termos pra mim né ...esses termos técnicos

Informante 4
PE: Você precisa da língua inglesa no mestrado?
IN: com certeza
PE: qual a importância do inglês no mestrado?
IN: a importância disso para o mestrado principalmente na minha área de pesquisa como eu sou
da área da saúde então a fonte que a gente mais usa é artigos internacionais...são as fontes assim
que dá mais qualidade ao trabalho por esse fato é que eu preciso que eu acho importante que...eu
preciso desse conhecimento porque vai me auxiliar...não só da linha de pesquisa..é também uma
exigência que o mestrado não só sendo da linha de saúde mas tem gente que é da área de
educação e que também necessita disso e que também pra posteriormente encarar no doutorado
então isso é a chave entendeu a porta principal eu...é mais ou menos isso assim..diariamente é
que eu tô fazendo porque até a questão de protocolo de metodologia eu vou buscar nas fontes
internacionais... por exemplo eu vou usar uma bateria de aptidão física pra crianças...eu vou usar
uma bateria americana...que é o fitness gram...até pra entender como é que eu vou utilizar...como
é o protocolo eu preciso ir no manual que é em inglês entendeu...tudo isso...até o próprio site que
tem o manual que é do instituto Cooper também é todo em inglês e aih:: fora os artigos que eu
preciso...eu só uso digamos assim dois ou três artigos nacionais porque o resto tudo é
internacional...especificamente do inglês

125

PE: ok...e durante a leitura de um artigo científico em inglês o que você faz? Você usa alguma
estratégia?
IN: a uso várias..assim...já tem palavras que eu tô acostumada...mas tem artigos que é até fácil de
ler mas tens uns que é bEm complicado aí eu tenho que tá com um dicionário e as vezes o
dicionário também não ajuda muito porque tem frases tem parágrafos que pra mim fica complicado
só com dicionário e aí eu fico eu tenho que tá com a internet do lado que aí eu vou acesso o
Google tradutor alguns parágrafos que realmente não dá pra entender...mesmo que eu conheça
algumas palavras que na estrutura não dá pra entender aí eu recorro a esse tipo de
ferramenta...que é o Google tradutor...ai eu pego lá a parte que eu não entendi e transfiro pra lá e
vejo aí quando eu vejo mais ou menos como é o sentido da frase eu transcrevo isso pra o próprio
artigo tanto é que meus artigos é tudo eh riscado porque aí pra eu entender melhor... ou então as
vezes quando não é um parágrafo é apenas uma palavra que eu não entendo aí eu grifo e ali eu
vou procurar saber que palavra é aquela e pra mim já é uma que já fica mais no meu vocabulário
digamos assim ...mas é essa a estratégia...normalmente eu faço de tudo pra não tentar usar mas
num...num dá pra ler tudo e as vezes não recorrer a isso
PE: e qual a sua maior dificuldade durante a leitura de um artigo científico em língua inglesa?
IN: é justamente entender o sentido...eh:: do parágrafo...as vezes fica tão ...assim...tem algumas
palavras que eu já sei mas que em um determinado parágrafo não consigo entender o objetivo
entendeu sentido...o sentido central...ejustamente entender acho que a questão da gramática...as
vezes entender né o que o conectivo ...porque as vezes uma palavra tem várias...dependendo da
situação ela muda né...e as vezes é isso...também que me faz ter essa dificuldade digamos acho
que deve ser a questão da gramática mesmo ...entender...uma série de coisas

Informante 5
PE: Você precisa da língua inglesa no mestrado?
IN: preciso...precisamos bastante porque normalmente a gente utiliza muito texto em inglês na
verdade a grande maioria dos textos que a gente utiliza é em inglês então a gente precisa tá
sempre exercendo a leitura e além disso normalmente a gente é exigido pra escrita também
...então a gente tem que tá buscando traduzir e tal e escrevendo em inglês então é bom ...é bom
ter essa vivência
PE: e qual a importância do inglês no mestrado?
IN: porque se você não tiver uma boa vivencia no inglês assim você não consegue pegar os textos
que normalmente são publicados em revistas indexadas eh:: no pubmed por exemplo que é eh::
uma forma de consulta que a gente tem e que só utiliza textos em inglês então você vai ficar:: é
como se você ficasse obsoleto né...pra trás...eh:: sempre tem a necessidade de que você esteja
lendo eh lendo algumas revistas em inglês porque senão você não vai conseguir acompanhar o
que é que tá sendo passado na sua área mesmo...além disso a exigência de publicação pra gente
é grande...tem que tá publicando tal...eh:: a gente pontua mais com revistas internacionais que
normalmente são indexadas em periódicos mais fortes B1 A2 A1 ai com isso a gente tem essa
exigência porque a gente tem que pontuar né
PE: e durante a leitura de um artigo científico em inglês o que você faz? Você usa alguma
estratégia?
IN: normalmente quando eu vou fazendo a leitura né do artigo e quando tem uma palavra que eu
não consigo identificar colocar no contexto ai normalmente eu traduzo utilizando o dicionário
online...o Google ((risos)) mesmo...mas normalmente eu vou lendo quando eu tenho alguma
dificuldade eu vou faço a tradução e normalmente é assim ...primeiro eu tento vê pelo contexto...se
eu consigo fazer...consigo entender ela através do que eu tô lendo antes mas se mesmo assim eu
não entender a palavra se eu não conseguir aí eu vou e utilizo ou o dicionário ou o Google
...porque se por exemplo eu não conseguir entender aquele contexto com aquela palavra eu vou

126

ter que utilizar senão o meu entendimento do texto vai ficar prejudicado
PE: e qual a sua maior dificuldade durante a leitura de um artigo científico em língua inglesa?
IN: é um texto que quando eu pego que não é da minha área...com o que eu não tô acostumado a
ler aí eu sinto muita dificuldade porque a prática que eu tenho é normalmente um texto que é mais
por exemplo da área da educação física né que tenha seja mais voltado pra doença
cardiovascular...é por exemplo quando eu pego um texto mais da área epidemiológica não mas da
área qualitativa vamos dizer ou ...sei lá alguma outra área assim obesidade aí eu sinto um pouco
mais dificuldade porque são tem algumas palavras que não é do meu habitual de tá lendo
né...acho que esse conhecimento prévio dificulta muito porque como eu não tive a leitura antes
acho aí eu empaco assim nas palavras que são da própria nos termos mais específicos porque eu
não tive esse conhecimento prévio...com as leituras da minha área é diferente porque eu já venho
lendo há algum tempo ...aí os termos específicos eu já conheço melhor tal...aí fica mais tranqüilo
de fazer a leitura

Informante 6
PE: qual a importância da língua inglesa pra você no mestrado?
IN: eh...pra ler artigos né...científicos eh::: e também pro dia a dia NE que a gente precisa do
inglês...tanto:: pra ler os artigos científicos como pra:: comunicar assim com as pessoas que vem
de fora né...não só para o mestrado mas pra vida da gente é essencial ter o inglês...principalmente
agora que estou no mestrado e pretendo entrar no doutorado...então (risos) apesar de eu não
estar dominando tanto a língua mas eu sei que isso é essencial
PE: certo...bom você falou da importância...mas você precisa da língua inglesa no mestrado?
IN: preciso...apesar que os artigos científicos que a gente pesquisa a maioria é na língua nacional
mas eu sei que precisa por conta do meu projeto de pesquisa tem muitos artigos internacionais...a
minha língua de pesquisa são a maioria nacionais, mas por conta da minha temática eu preciso de
artigos internacionais...
PE: ah sim...então tá...então durante a leitura desses textos em língua inglesa o que você
faz...você usa alguma estratégia?
IN: Eu vou na interent (risos) eu vou na internet no Google acadêmico...o:: no Google tradutor e
tem também outro programa no meu computador que me ajuda a traduzir ...a primeira coisa que
eu faço é ir na internet ...eu vou direto pro programa...copio e colo...não sai perfeito mas dá pra
entender...quando eu não consigo entender eu procuro usar o dicionário pra me ajudar
PE: hum...e qual a sua maior dificuldade quando você lê um artigo científico em inglês?
IN: os termos científicos né...tem uns termos que a gente não consegue a tradução correta daí eu
fico meio perdida...

Informante 7
PE: Você precisa da língua inglesa no mestrado?
IN: Sim...preciso...
PE: é::...assim...
IN: então geralmente ah:: os artigos que a gente pesquisa na/ nas bases de dados eh PUBMED
SCIELO LILACS...eh:: a maioria dos artigos...acho que:: somente do que eu busco 100% é

127

raramente eu encontro algum um artigo na língua ...em português né...a maioria é em líng/ língua
inglesa...então por isso a necessidade realmente da língua inglesa para você fazer o mestrado ou
doutorado
PE: certo...e durante a leitura de um texto...de um artigo científico em língua inglesa o que você
faz?
IN: então...geralmente eu utilizo muito a ferramenta do Google... tradutor né:: então toda vez que
eu vou fazer pesquisa de artigo científico eu abro a pagina da PUBMED ou da SCIELO onde eu for
pesquisar e abro concomitantemente a pagina do:: do Google tradutor...aí eu começo a ler e::
algumas coisas eu consigo ler sem precisar do Google mas as vezes tem alguma palavra que eu
não sei aí eu boto só a palavra só pra eu saber o significado da palavra ou então eu copio logo o
parágrafo todo e ele me dá uma idéia do que ali tá escrito...eu sei que a tradução não sai perfeita
não sai realmente como as vezes muitas vezes como o artigo quer dizer mas eu tento associar o
que eu li antes porque primeiro eu leio o parágrafo pra tirar o meu entendimento... ai após eu ter
lido sem a necessidade do tradutor eu vou lá copio e colo no tradutor pra ver o que é que sai...se
sai parecido se aquilo que eu achei que era né? Aí eu vou assim...eu vou trabalhando dessa forma

PE: certo...e qual a sua maior dificuldade quando você lê um artigo científico em inglês?
IN: a minha maior dificuldade é porque eu tenho o inglês básico...básico de colégio...então o que
eu sei de inglês hoje é porque ou foi escutando música de cantores que eu gosto... as vezes eu até
pegava as musicas em inglês e tentava traduzir:::uma forma de tentar estudar inglês é essa
forma...é:::mas a minha maior dificuldade é em relação é:::a falar inglês...no caso é o seguinte...eu
sou ruim de inglês...eu não sou bom de inglês né...eu leio melhor do que falo...assim o falar é o
pior...mas eu leio...falar e escrever é o pior...ler é o mais fácil pra mim e entender o que as pessoas
falam também é mais fácil... eu entendo muito mais a pessoa falando e entendo mais lendo do que
escrevendo ou falando...o vocabulário técnico até ajuda por que as vezes você va/ eu vou ler
artigo cientifico...se eu for ler algo da minha área é muito mais fácil do que eu ler algo que não é da
minha área, não é?

Informante 8
IN: você precisa da língua inglesa no mestrado?
PE: ahn ahn muito...inclusive eu senti muita dificuldade na primeira disciplina...que era biologia
molecular...a gente tinha ela todos os dias pares segunda quarta e sexta...e aí esses entre esses
dias sempre o professor convidado pra dar a disciplina ele deixava ...ele deixava alguns:: artigos e
aí a gente tinha que ler pra próxima aula e aí a gente sempre debatia...então cada um utilizava
uma metodologia diferente...um dos professores que a gente teve aqui ele simplesmente abria
uma roda e discutia né... o assunto...já outros não apresentavam antes de discutir o artigo dava
uma aula básica ali e já ajudava a compreensão que eu não tinha tido no texto...aí eu sempre
ficava um pouquinho atrás porque ...enquanto o pessoal já tava no no segundo artigo eu ainda
estava traduzindo o primeiro...então foi daí que eu fui buscar o curso de inglês
P : Qual a importância da língua inglesa no mestrado para você?
IN: rapaz...assim...é...pra:: o curso da gente assim ela é muito importante porque é o único jeito
que você tem de abri::/ultrapassar fronteiras né...então a maior parte da pesquisa em ciências
biológicas na área da saúde vem dos países que utilizam a língua inglesa como...como:: é língua
oficial né da escrita ...então acho que:: é essencial ((risos))...hoje a gente não consegue ate
mesmo a gente que vai submeter a uma revista brasileira que na área em genética...ela exige que
seja escrita em inglês...éh recentemente eu fui pra um congresso que também o resumo tinha que
ser em inglês....meu trabalho agora é inédito né...é pioneiro e aí eu tive a sugestão de que o
trabalho fosse apresentado na forma oral e eu desisti do do convite não aceitei o convite porque eu
não tinha ((risos)) a parte da língua inglesa ((risos)) pode levar tradutor simultâneo? Ai ele
não...não pode

128

PE: entendi...e durante a leitura de artigo científico em LI o que vc faz?
IN: eh::...porque é assim...o recurso que eu utilizo pra buscar é normalmente é assim esses banco
de dados e aí éh::a primeira coisa que eu faço é ler o resumo pra ver se me interessa ou não ...e aí
depois que me interessa ...quando eu tô entrando em alguma área que não é somente básica da
minha e puxa de outras áreas que foi um caderno que foi recomendação de um professor...que aí
toda vez que aparece uma palavra nova eu anoto diretamente nesse caderno sem precisar
procurar no dicionário...eu anoto lá... e aí como são palavras esporádicas que aparecem de vez
em quando no texto aí eu já não tenho que sempre que recorrer...acaba mentalizando aquele
caderninho que a gente tem lá
PE: qual a sua maior dificuldade durante a leitura de um artigo científico em LI?
IN: a maior dificuldade...realmente é ...ter um conhecimento prévio...entendeu? e aí aqueles
nomezinho que normalmente sempre aparece que não tem no artigo não no dicionário que
normalmente eles dizem que são palavras técnicas... e na verdade quando eu encontro essas
palavras a minha tentativa que eu faço é sempre separar ela...((risos))...normalmente eles juntam a
palavra que não tem essa palavra mas aí a gente fragmentando ela a gente encontra duas três
palavras ...que aí quando a gente ordena ela a gente o sentido que ele quis dizer lá...e eles
chamam isso de palavra técnica

Informante 9

PE: qual a importância do inglês no mestrado?
IN: é essencial né porque pelo menos na minha área as principais pesquisas são em inglês né...as
pesquisas mais faMOsas...a maioria é escrito em língua inglesa...se você não tem nenhum
conhecimento nem de Google tradutor não tem como pesquisar...na minha área é inglês ...é
essencial
PE: Você precisa da língua inglesa no mestrado?
IN: muito...muito...boa parte das minhas referencias são em inglês
PE: durante a leitura de um artigo científico em inglês o que você faz? Você usa alguma
estratégia?
IN: Google tradutor ...(risos) ...assim boa parte das palavras eu vou entendendo...os conectivos e
tudo mais...mas boa parte eu vou pro Google tradutor...(risos) todo texto...porque nem todas as
palavras eu consigo compreender...bastante palavras...vai diminuindo com o tempo conforme você
lê o tema porque as palavras vão repetindo...
PE: e qual a sua maior dificuldade durante a leitura de um artigo científico em língua inglesa?
IN: acho que os termos utilizados...os termos mais específicos assim......
PE: Seriam os termos mais técnicos da área...e vocabulário geral
IN: sim...algumas coisas...algumas coisas...um texto simples dá pra entender...

Informante 10
PE: Você precisa da língua inglesa no mestrado?
IN: eu necessito

129

PE: qual a importância do inglês no mestrado?
IN: Total importância ((risos)) porque eh:: você sem conhecer a língua inglesa fica muito difícil de
você ter contato com pesquisas recentes né porque pesquisas feitas no mundo inteiro sempre vai
tá na língua inglesa então não tem como você fazer mestrado sem noção da língua inglesa...com o
Google acadêmico do lado ((risos))
PE: durante a leitura de um artigo científico em inglês o que você faz? Você usa alguma
estratégia?
IN: usei... ((risos))a estratégia que eu usei foi justamente verificar né que era os bloquinhos ...que
eu aprendi ((risos))...então verificar as palavras principais ...tentar dar um contexto novo e entender
que contexto ela tava falando porque a partir do momento em que eu visse o contexto que aquele
artigo tava falando então o que eu não soubesse eu meio que ia tendo noção né...pelo geral
...porque até no Google acadêmico nem sempre ele traduz correto e tem hora que dá uma
confusão você começa a ler e de repente umas frases sem pé e sem cabeça então realmente você
tem que ir com o pouquinho que você sabe pra tentar dar um sentido
PE: e qual a sua maior dificuldade durante a leitura de um artigo científico em língua inglesa?
IN: bom...deixa eu pensar viu são tantas ((risos))mas assim a minha maior dificuldade as vezes é
com vocabulário né...mas assim ...é mais nos primeiros porque no que você vai lendo sobre o
mesmo assunto acaba se repetindo o vocabulário e muitas vezes realmente é a forma como eles
escrevem...porque:: eu não sei se é porque eu sei pouco a língua inglesa ou realmente a forma
deles escreverem pra mim não é muito lógica porque geralmente a gente contextualiza tipo eu vou
falar de transtornos alimentares então no artigo eu primeiro vou falar...definir transtorno
alimentares é isso isso e isso...então eu tenho maior dificuldade nisso...e assim pelo que eu vejo
não tem muito isso...não é uma coisa tão clara...então:: eu tenho maior dificuldade nisso porque
eles já vão com metodologia e botam muita metodologia se fundamenta muito e assim... em uma
outra língua é muito difícil pra mim

Informante 11
PE: Você precisa da língua inglesa no mestrado?
IN: Não...como minha área é educacional os artigos são todos em português...eu acho um ou outro
em espanhol no máximo...em inglês o que eu acho já sai do foco da minha pesquisa...
PE: bom...então.. qual seria a importância ...se você acha de existe ...da LI no mestrado?
IN: existe porque assim a gente em oportunidades de ir pra eventos fora que trazem pessoas as
vezes de outra língua pra contribuir numa mesa...mas o peso das minhas publicações são em
português então o inglês ou uma outra língua é sempre mais rico pra formação como um todo
mas...mas não pra dar conta do meu estudo do mestrado
PE: durante a leitura de um artigo científico em língua inglesa ...caso você leia...você usa alguma
estratégia?
IN: veja... os artigos que eu li em língua inglesa foi mais pra prova realmente...e ai o recurso que
eu usava era recorrer ao dicionário ...li vários textos e ficava recorrendo ao dicionário anotando as
palavras que se repetiam mais pra ir me dando... um:: uma maior clareza quando eu fosse usar
aqueles termos que estavam se repetindo pra que eu me acostumasse com aqueles termos e no
final do período eu procurei uma professora de inglês pra me ajudar na correção do que eu já tinha
feito...mas foi a estratégia que eu fiz...recorrer ao velho e bom dicionário
PE: e qual a sua maior dificuldade durante a leitura de um artigo científico em língua inglesa

130

IN: justamente ah::os termos que são próprios daquela área...como os textos que tem língua
inglesa não são da minha área...são mais da área de saúde e de performance que não é a minha
linha de pesquisa então a minha grande dificuldade foi identificar primeiramente os termos que
eram utilizados só naquela linha pra depois contextualizar ele na leitura do artigo como um todo

Informante 12
PE: você precisa de inglês no mestrado?
IN: sim preciso
PE: e durante a leitura de um texto...de um artigo em língua inglesa o que você faz...você usa
alguma estratégia quando você tá lendo?
IN: rapaz quando eu não consigo entender assim o contextozinho eu vou:: tento aquela
traduçaozinha a nível do computador mesmo do Google pra ver aquela palavra mais ou menos o
que tá querendo dizer:: ai eu tento tento ler se seu entende::: eu vejo se::...se eu entendi...se
realmente foi aquilo que o texto tava querendo dizer eu tento ver ...se eu não conseguir entender
de jeito nenhum aí eu coloco na ferramenta... a nível de internet mesmo
...vou fazendo anotação do lado
PE: qual a sua maior dificuldade então durante texto em inglês?
IN: rapaz assim normalmente é:: assim a questão dos verbos até que que vai direitinho mas
algumas expressões é que acho que mais específicas que eu acho também é uma questão de
dedicação realmente mesmo pra lendo quando você mais lê mais teoricamente mais vai tá
relemBRANdo né o que é acho que a dificuldade é alguns termos realmente mais
assim...específicos... eu acabo sempre me esquecendo...poxa o que é que quer dizer isso
daqui...maioria...é::...se teve relação...correlação...alguns termos mais específicozinhos...que é
uma questão também de dedicação..é só parar:: que aí o negócio engrena...como diz a história

Informante 13
PE: Você precisa da língua inglesa no mestrado?
IN: preciso pras buscas de pesquisa
PE: qual a importância do inglês no mestrado?
IN: eh:: eu acho importante pra você entender alguns...alguns termos e assim a maioria dos
artigos né pra fazer as buscas mesmo de pesquisa ...- - eu acho assim que hoje é importante pra
tudo né porque hoje a gente tá tem alguma palavra em inglês tem algum termo principalmente na
área da saúde que o povo usa muito termo em inglês...
PE: durante a leitura de um artigo científico em inglês o que você faz? Você usa alguma
estratégia?
IN: dicionário mesmo quando eu não entendo eu vou vendo se eu consigo entender e quando eu
não entendo eu peço ajuda do meu esposo... (( risos)).que as vezes ele me ajuda e pego o
dicionário...além de usar os recursos da internet né...o Google tradutor...
PE: e o dicionário você acha que te ajuda?
IN: as vezes sim as vezes não ((risos)) -- ...porque é muito na integra né e as vezes não tá no
sentido do texto...ai por isso que ...como meu esposo já lê pra ele é mais fácil..as vezes eu

131

pedindo ajuda a ele fica mais...
PE: e qual a sua maior dificuldade durante a leitura de um artigo científico em língua inglesa?
IN: Fernanda a minha maior dificuldade é porque as vezes tem uns termos que eu não
conheço....embora eu já tenha feito curso já desisti eu tinha fiz uns 2 anos no Yázigi...e (desde) eu
voltei agora é porque a maioria ...eu/ por conta de prática mesmo eu acabo esquecendo da
palavra...é mais vocabulário

132

APÊNDICE G - Transcrições dos protocolos verbais de leitura.
Informante 1
IN: pronto nessa primeira lacuna a opção que eu escolho é:: é in addition ((1)) porque... ele dá
uma uma idéia de adicionar mais uma mais uma informação ao que ele já vinha falando da
obesidade...então ele fala da obesidade ele linka com as pesquisas que mostram que a
atividade física eh:: tem um efeito ahn:: na::...peraí...no prognóstico no caso aqui...tá...então
deixa eu botar aqui deixa eu ir preenchendo aí depois eu dou uma ...dou uma lida...
IN: ...então ele cita e aí ele reforça com in addition que as pesquisas que a atividade física tem
um efeito...tem o efeito oposto ...tem o efeito oposto no:: nas doenças mencionadas...
pronto...isso aqui nos indivíduos ((2)) né?
IN: Tá...ai esses achados eh:: delineiam a importância de examinar a no caso fitness((3)) a
forma física ... e:: e atividade física em:: sobreviventes de câncer...meio travado aqui...mas
aqui ele precisa ...precisa ser estudada a sobrevida((3)) e a atividade física em pacientes de
câncer
IN: No caso estudos futuros ((4))...no entanto examinaram associação entre massa corpórea
índice de massa corpórea e atividade física em sobreviventes de câncer então...
PE: Por que? Vamos dar uma retomada aqui para eu não interferir mais pra frente...eh:: eu não
entendi porque que você escolheu nem indivíduos nem sobreviventes
IN: tá vamos lá então voltar aqui...eh:: mais de um milhão de americanos estão vivendo com
um histórico de câncer eh importantemente pesquisas recentes mostraram um aumento da
massa de ...sobrepeso ou obesidade...mostraram que sobrepeso ou obesidade tem um efeito
negativo na recorrência da doença...tanto na sobrevida e no desenvolvimento de outras
doenças crônicas relacionadas à qualidade de vida ...particularmente em sobreviventes de
câncer de mama...aí ele dá essa informação ...aí aí as opções que ele dá aqui pra introduzir
essa outra frase... que pesquisas mostram que a atividade física tem o efeito oposto nos... já
mencionados... indivíduos ((2))...então na primeira ...é...aqui eu vou usar on the other hand
((1)) porque ele fala por outro lado ele fala do efeito negativo do peso do do sobrepeso mas
mostra que a atividade física tem o efeito oposto... no caso a atividade física pode ser
benéfica... então eu vou usar on the other hand que seria por outro lado...
IN: Aí na próxima frase no caso como ele fala dos já mencionados aqui eu entendi que seria
dos sobreviventes do câncer de mama...então seriam individuals ((2))... ta?
PE: isso...pode continuar desse jeito...por favor ((risos))
IN: tá...então vamos lá
IN: Então...é juntando tudo esses achados é demonstram a importância de exam/ da de
examinar do exame no caso eh:: ...eh no caso aqui de examinar o fitness((3)) no caso o o
aspecto físico e a e a presença de atividade física nos sobreviventes de câncer...então
IN: então aí ele dá uma idéia de uma contradição aqui no caso aí ele fala...studies however
...estudos no entanto...eh:: examinaram...peraí ...aqui ta confuso...deixa eu ler mais pra
frente...eh::o índice de massa corpórea e atividade física em pacientes de câncer... aí ele fala
que a limitação da pesquisa disponível mostrou que:: sobreviventes ativos sobreviventes de
câncer com atividade são menos((5)) é menos frequentemente obesos ou aí esse conversely
aqui eu não sei ...mas aí a gente pode tentar entender pelo contexto..então são... ah tá então
ele faz o paralelo ele diz que mesmo com ele número limitado de pesquisas...é:: elas mostram
que eh sobrevivente de câncer com atividade física são menos((5)) frequentemente...têm
menos((5)) chance de ser obeso ou que eh:: que os que os sobreviventes obesos têm menos
eh:: são menos ativos no caso nesses dois pontos ele reforça que a atividade física tem efeito
benéfico...então... como ele diz aqui que os dados limitados..eu vou dizer aqui few((4)... few
studies have examined the association ...então poucos estudos

133

IN: e aih a limitação da pesquisa são menos prováveis de serem obesos ou ... só cabe aqui o
conversely((6)) mesmo eu não conhecendo o significado dele eu usaria ele porque os outros
dois não se aplicam...então seria de forma ...de forma contrária ou alguma coisa assim
IN: Então...além disso...alguns estudos((7)) têm examinado independentemente a associação
entre o índice de massa corpórea a atividade física e qualidade de vida eh:: em pacien/ em
sobreviventes de câncer..então ...então...aqui é some((7))...moreover...eh...além disso..alguns
estudos tem feito essas ...o associações o estudo dessas associações de forma
independente...((pausa))..não...peraí...tem uma palavra aqui...esse few aqui ...então aqui vou
mudar a opção... diria aqui além disso, apesar de((7)) alguns estudos...ele ele faz essa
consideração aqui...apesar de alguns estudos ...although((7))...alguns estudos terem
examinado de forma independente... a associação entre o índice de massa corpórea a
atividade física eh:: poucos examinaram o potencial ahn:: dos efeitos dessas interações...os
potenciais efeitos dessas interações
IN: Estudos na área tem sido limitados((8))...no caso aqui ele ta explicando porque que essas
associações não tem sido estudadas então...eh:: pequenas e pouco representativas grupos de
amostras com sobreviventes ...então... certo então...o o
IN: o objetivo((9)) do presente estudo no caso o propósito...era determinar...as associações
independentes e as interações entre índice de massa corpórea atividade física e qualidade de
vida em sobreviventes de câncer de próstata coloretal bexiga útero melanoma de pele...então
vamos lá purpose in...
IN: ...qualidade de vida... no caso aqui mama((10)) porque ele já tinha mencionado mama
antes ...e ela ta citando uma série de tumores então eu vou usar ...
IN: nós ...então...nós hipotetizamos ((11)) ...peraí... é...nos hipotetizamos que sobrevientes de
câncer obesos seriam menos ativos comparados com os nã/ a outra parte não obesa... e ai eu
confirmo que ele ta falando de hipótese porque na outra frase ele diz que TAMBÉM hipotetizou
ai dá um outro objetivo ...então ta confirmado essa opção...
IN: que sobreviventes de câncer obesos teriam significante...bom no caso como ele ta falando
do obeso e da qualidade de vida eu sei que o obeso...a qualidade de vida do obeso é pior
então eu uso lower((12))...comparado com aqueles sobreviventes não obesos...então ...
IN: ...no caso aqui depois dessa frase eu vou usar therefore((13)) eh:: que ele dá uma aqui
idéia de adicionar que ele ainda fala aqui de mais um objetivo...então seria adicionando...além
disso...o potencial de interação tal de qualidade de vida também foi explorado...eh::
incidentalmente ( ) associações entre comportamento de saúde incluindo atividade física e
qualidade de vida...conseqüentemente...acabou né...não tem mais
PE: só me explica uma coisa...por que que é purpose? esse eu não entendi porque você
colocou o objetivo do estudo...o que que está te indicando ou você já sabia porque
IN: tá esse purpose ele ta falando aqui...
PE: o que que te levou a ...
IN: porque ele ta aqui justamente ele ta explicando o objetivo do trabalho...que era determinar
as intera/ associações entre índice de massa corpórea atividade física e qualidade de
vida...então pra mim encaixaria purpose...porque ele ta explicando aqui qual era objetivo do
trabalho...ele não ta falando do resultado e nem podia tirar uma conclusão ainda porque ele
tava explicando o que ele tava fazendo
PE: muito bem ...obrigada

134

Informante 2
IN: Aqui eu tô botando essa aqui ((referindo-se a on the other hand)) porque dá idéia de
continuidade...certo? essa primeira lacuna...nesse sentido pesquisas têm mostrado que a
atividade física tem sido:: tem o efeito oposto na enfermidade ( )
IN: hum...esse aqui eu não sei a palavra correta ...marca assim mesmo?.... os resultados((2))
porque eu não sei se essa palavra aqui é isso...os resultados disso... ((tivemos que parar neste
momento pois a biblioteca onde estava sendo realizado o teste estava como muito barulho,
apesar de o aluno dizer que não estava o atrapalhando resolvi esperar até que o barulho
diminuísse para continuarmos))
((quando retomamos, o aluno modificou a lacuna anteriormente escolhida, então pedi para que
ele me explicasse o porquê da alteração))
IN: Vou escolher essa conjunção aqui ((1)) ((referindo-se à in addition)) que dá ideia de
adição...que é o além disso...ele vem falando do tema especifico sobre a questão de
sobrevivência de câncer ...que o sobrepeso ta associado ...e ele ta mostrando que além desses
fatores ... os estudos têm demonstrado que a atividade física tem o efeito oposto no...nessa
palavra ((referindo-se à aforementioned))...de indivíduos((2)) acometidos ...acredito ...que seja
dessa forma
IN: e ai ele mostra a importância de avaliar a aptidão e a atividade física em sobreviventes
...examinar a OBESIDADE((3)) e a atividade física em sobreviventes de câncer... porque ele
faz um link no primeiro parágrafo sobre justamente o excesso de peso e depois sobre a
atividade física em relação aos sobreviventes do::dos indivíduos sobreviventes ou acometidos
por essa doença ...
IN: Aqui poucos((4)) estudos... no entanto tem examinado a associação entre índice de massa
corporal e atividade física em sobreviventes de câncer ah:: pesquisa limitada que é avaliar os
sobreviventes de câncer... as pesquisas que limitam ( )
IN: aqui ele ta dizendo que são mais((5)) prováveis de ser obeso ou ...essa parte aqui eu
não...vou botar... ou então ((6)) os sobreviventes de câncer são menos prováveis de serem
ativos ... ...contudo alguns((7)) estudos tem examinado independentemente a associação entre
índice de massa corporal atividade física e qualidade de vida voltada pra saúde em
sobreviventes de câncer...poucos tem examinado a interaçã/ o efeito de interação potencial...
IN: ...estudos nessa área tem sido limitados((8)) pelo pequeno e inexpressivo...e
pouco...amostra pouco representativa... de grupos de sobreviventes de câncer selecionados ...
IN: O objetivo((9)) desse estudo foi ...aqui ele tá descrevendo qual o objetivo do estudo ...foi
determinar a associação independente entre índice de massa corporal atividade física e
qualidade de vida em ...sobreviventes de câncer ...tais tais tais tais ...e isso aqui é um tipo de
câncer ((10) ((referindo-se à breast))
IN: Nos analisamos...nós hipotetizamos((11)) que o sobrevivente de câncer deveriam ser ... e
nossa segunda hipótese é que os obesos...sobreviventes de câncer obesos deveriam ter
...uma menor((12)) qualidade de vida comparado com os sobreviventes não/
IN: Finalmente((13))... ( ) acho que seria isso
PE: certo mas assim eu quero que você me explique melhor...você já chegou few studies
...agora volta um pouquinho e tenta agora me explicar...
IN: então porque essa conjunção aqui ((however)) ele fala de que é importante ...por exemplo
ele vai mostrando a importância desses fatores e ele ta apresentando justamente uma lacuna
de conhecimento...que apesar disso poucos são os estudos...poucos estudos contudo tem
examinado essa associação...ele mostra a importância da obesidade...mostra a importância da
atividade física nesses indivíduos que sobrevivem do câncer ...no entanto são poucos os

135

estudos ...ele não ia botar no entanto são muitos estudos ...então foi por causa dessa
conjunção aqui ((referindo-se à however))
PE: e aqui more
IN: eh:: os obesos são mais prováveis ((pausa)) de sobrevi/ ..perai...os sobreviventes ativos
são MENOS((5)) prováveis...na verdade de serem obesos...
PE: Por que?
IN: porque a atividade física... é indenpe/ eh:: indiretamente relacionada com o excesso de
peso ...no caso aqui seria less(5))
PE: então você mudaria essa?
IN: eu mudaria talvez esse aqui ...
IN: esse aqui ((lacuna 6)) eu não sei o motivo específico que eu botei ele mas pela leitura
PE: como é que você ta lendo?
IN: Então ((referindo-se à palavra thus da lacuna 6)) ...os sobreviventes de câncer obesos são
menos prováveis de serem ativos
PE: você saberia esse ((conversely)) ou esse ((then)) a tradução?
IN: Não
PE: e aqui...eu não entendi porque você usou o some ((lacuna 7)).
IN: alguns estudos...no entanto alg/ poucos estudos ...uma relação de poucos?... além do
mais...é então eu botaria...Moreover...moreover é uma conjunção de negação então poucos
estudos tem são tem na verdade são poucos os estudos que tem avaliado esses fatores de
forma independentes
PE: limited?
IN: que a limitação dos estudos é devido a alguns pontos como a amostra pequena e não
representativa desses grupos selecionados...tem sido limitado ...é simplesmente ( )eu achei
que os estudos nessa área tem sido completados não seria bacana e nem os estudos seriam
importantes pela pequena amostra e sim vão ser limitados por essa pequena amostra
PE: e aqui você chegou e já falou the purpose ((lacuna 9))...por que?
IN: exato ...talvez por experiência de artigo científico que ele ia mostrar pelo verbo aqui tô
determine que quer dizer que ele vai determinar alguma coisa ...aqui são verbos de tão sempre
relacionados ao objetivo
PE: certo...e breast?
IN: por ser mais um tipo de câncer
PE: você sabe o que significa breast”
IN: eh câncer de mama
PE: aqui também a mesma coisa você chegou e já hipótese
IN: então eu botei porque ele não sabe qual é a resposta então a hipótese dele é que a há uma
uma pobre:: ...como é que chama... nossa hipótese é que os sobreviventes de câncer obesos

136

deveriam ser menos ativos comparados com os não obesos...os seus pares não obesos...ele ta
justamente testando isso
PE: hum tem alguma coisa que te fala que é hipótese no texto ou você chegou por por
IN: por experiência...e aqui depois ele dá essa dica também nossa hipótese também...que
também foi nossa hipótese
PE: e finalmente você nem leu o resto...já foi falou finalmente...por que?
IN: isso...porque eh::ele conclui o primeiro objetivo e o segundo objetivo e o terceiro objetivo ( )
finalmente ...o único objetivo específico dele vai ser esse
Informante 3
IN: eh:: nessa primeira lacuna eh:: eu vou colocar como ...esse primeiro in addition((1)) eh::
porque eu tô achando que ele ta dando uma informação adicional...eh::...deixa eu ver se eu
entendi direitinho...((lendo))...tá então posso mudar né?((risos))...eh::a segunda opção((1))
((referindo-se a on the other hand) eu não conheço essa terceira...éh...eu esqueci na
verdade...eu já procurei saber hence mas eu nã/ não lembro agora...acho que quando eu fiz o
teste pela primeira vez eu procurei e não lembro...eu sou muito ruim assim pra lembrar eu
tenho que ficar lendo bastante...escrevendo...porque...pronto se você me dissesse hoje...hoje a
tarde eu já não lembraria o que é eu tenho que ficar lendo sempre...tá...éh::...eu mudei porque
eu lendo de novo acho que ...é melhor... em vez de outra:: éh...uma informação adicional ele ta
dando assim ele tá dando uma nova informação mas de uma outra forma então vou botar ( )
porque na primeira ele ta falando só do câncer né e a segunda ele ta dizendo por outro lado os
estudos tem mostrado que a atividade física tem o efeito oposto né?...então
IN:...nos...éh...e aqui eu tô em duvida porque éh...acho que deixei se é dos resultados ou se é
só das...das doenças...deixa eu ler de novo ... eu não consegui identificar agora então... deixa
eu ler depois que...que eu tô nervosa aqui ((risos))
PE: não fica não...
IN: ...eu vou colocar esse fitness((3)) porque:: em momento nenhum ele falou agora sobre
assim...não tem falado agora sobre obesidade e aí é uma coisa que a gente usa muito de fazer
éh:: fitness com atividade física...
IN:... few((4))... porque:: eu tô entendendo que tem poucos estudos que falam sobre a relação
entre ...a massa corporal...né...o índice da massa corporal com atividade física em pessoas
com câncer
IN:...menos ((5))porque:: quem faz né atividade física... estudos tem provado que quem faz
atividade física tem uma menor probabiblidade de ser obeso...por isso que botei o
menos...((risos))
IN...e eu tô com duvida nessa lacuna ((referindo-se à lacuna 6)) ...vou deixar para responder
ela depois ta ...nessa outra lacuna eu vou usar o some((7))...éh:: de que alguns estudos tem
examinado
IN: eh:: eu vou usar o:: essa terceira ((8)) ((referindo-se à palavra limited da lacuna 8 )) porque
ele ta falando de uma amostra:: sem representação na seleção dos grupos e tal... e é como um
fator de limitação
IN: e aqui é a proposta ((9)) do estudo...desse texto...por isso que estou usando purpose...
PE: O que que te indicou que é proposta?
IN: porque:: é:: poderia ser uma dessas outras porque tanto isso poderia ser o resultado de um
estudo ...tipo a conclusão do presente estudo mas daí depois ele fala de como é que ele vai

137

analisar aqui em baixo então não é uma coisa no...no passado ainda é uma coisa que ele ta se
propondo a fazer
IN: e aqui ele ta falando dos tipos de câncer...então por isso estou usando o breast((10))
IN: e aí de novo como ele ta falando de uma coisa que ele vai fazer...aí ele ta falando das
hipóteses((11)) ...assim da proposição um o que que ele ta hipotetizando fazer...eu vou usar
esse aqui ...
IN: tá... éh::..essa de b/ outra....em cima ele fala que ta hipotetizando que... as pessoas que
que têm câncer sobrevivem ao câncer são provavelmente menos ativas comparadas com os
normo...os as..as pessoas com peso normal e por isso teriam um::/uma menor ((12))qualidade
de vida comparado aos que estão lá ...
IN: e como ele tá terminando o texto tô colocando finally ((13)) que onde vai colocar a terceira
proposta do estudo...
IN: vou voltar aqui pro...((referindo-se à lacuna 6))
IN: eu vou usar o then ((6)) mas te confesso que tô insegura com relação a isso...
PE: deixa eu te interromper um pouco...você sabe o que significam essas três?
IN: éh:: eu tenho uma idéia da segunda mas eu não tenho certeza de nenhuma das duas...por
isso que eu tô em duvida e assim tá meio com sentido e meio sem sentido pra mim então eu
tô::: (espera um pouquinho)...tá eu tô em duvida porque eu não conheço essa:: esse termo aqui
((referindo-se à aforementioned)) então é por isso que eu tô em dúvida...em que usar...ah...eu
entendi todo o outro o resto só que por causa dessa eu tê em duvida do qual usar tipo que é o
principal ((risos))...eu vou usar o diseases((2))...mas é porque eu acho assim que ele ta falando
de algumas doenças e aí então tanto podia ser resultados né como podia ser da própria
doença então eu coloquei disease
PE: ok...e qual está sendo sua dificuldade nesta parte aqui ((referindo-se à lacuna 6))?
IN: deixa eu ver...éh:: eu lendo de novo eu não sei eu tô achando que é tipo... ele ta falando
éh:: dos dois extremos né assim de quando você faz atividade física você assim você é menos
ativo e ...os os sobreviventes de câncer... seriam menos ativos e por isso ter sem menos ativos
e ai me parece já assim que é uma idéia assim de que essa contraposição e aí eu coloria isso
porque eu...na minha memória muito distante tem eu acho que tem uma idéia disso...mas aí
...porque aí pode ser mais porque eu não sei te dizer exatamente qual o significado da palavra
((referindo-se à conversely da lacuna 6)) eu tenho uma idéia e:: o nervosismo por que eu tô
aqui ((risos)) e aí eu lendo de novo assim ( ) .
IN: ok...muito obrigada
Informante 4
IN: mais do que 11 milhões de americanos estão vivendo com uma história de câncer eh::acho
que importantemente pesquisas emergentes têm mostrado que o aumento de peso por
exemplo ser sobrepeso estar com sobrepeso ou obeso tem uma negativa conseqüência na
doença...isso aqui eu não sei...((referindo-se a recurrence)) eu vou grifar ne ...essa aqui eu não
conheço...essa aqui eu já vi muito mas também não tô lembrada ((referindo-se a survival)) eh::
tem uma conseqüência negativa nas doenças... ou no desenvolvimento de outras doenças
crônicas... e:: na qualidade de vida relacionada a saúde...particularmente em ...também não sei
que palavra é essa ((referindo-se a breast)) em de câncer...aqui também eu não ... é...aqui eu
acredito que seja essa palavra...in addition((1))... eu coloco aqui né?...pesquisas têm mostrado
que a atividade tem efeito positivo...eh:: eu acho que seja essa palavra porque acho que vai
explicar ...é:: deixa eu pensar viu...posso pensar né...é pra enfatizar que além de:: além de...
realmente ter o:: digamos a questão tô peso tem trazido conseqüências na saúde e também
para o desenvolvimento do câncer eh:: pesquisas também vem mostrar eu acho que essa
palavra vem dizer isso...vem enfatizar vem explicar que também as pesquisas elas tem

138

mostrado que você manter um estilo de vida ativo ...tem um efeito ...essa palavra eu não
conheço ((referindo-se a aforementioned)) pesquisas tem mostrado que tem um efeito positivo
na:: doenças... acredito que aqui seja doenças((2)) ...porque...eh:: ele tá mostrando esse
...esse essa frase aqui ta mostrando que pesquisas mostram que você ter um estilo de vida
ativo vai trazer tais efeitos ...acredito que seja essa palavra aqui diante do contexto eu não
tenho certeza mas a partir do contexto que eu acho que você manter estilo de vida vai
amenizar eh:: o desenvolvimento dessas doenças por isso que eu circulei essa palavra aqui...
IN: eh:: essa pal/ essa junção aqui também me complica...taken together acredito ...então vou
partir ...esses achados deliniam a importância de examinar...acredito que aptidão((3))...peraí...
a importância de examinar a aptidão...porque aptidão acredito deve ser pelo fatos deles terem
usado a atividade e por conta da atividade física ela melhorar a aptidão...e aí acho que deve
ser essa palavra...fitness ((3))
IN: eh:: aqui vou circular few ((4)) poucos estudos porém tem examinado a associação entre
índice de massa corpórea e atividade física em ...como eu digo eu não tô lembrada dessa
palavra ...acredito em pessoas com câncer eh:: pouco porque ele tá enfatizando né que existe
essa associação entre a questão do in/ da da do estado do peso com esse tipo de doença
porém poucos estudos tem visto essa associação tem se:: eh disponibilizado a estudar
isso...as/ as/ e também o que me leva a usar essa palavra é porque ela vem vem na outra frase
a questão da outra palavra aqui limited né dizendo realmente que tá limitado a questão das
pesquisas sobre esse tema né ...pesquisas limitadas que é disponíveis tem mostrado e que
estão disponíveis né tem mostrado que:: ...indivíduos né com câncer que são ativos têm menos
menos ((5))probabilidade de ser obeso menos porque é justamente que ele ta vendo esse
efeito... e aí acredito que quem é ...quem tem esse tipo de doença ou e que tem um estilo de
vida tem menos probabilidade de ser obeso e quem tem um estilo de vida ativo tem menos
probabilidade também de ter o câncer...né ai vou voltando...provavelmente de ser obeso ...ou
inversamente ((6))...obesos com câncer tem menos prováveis de ser ativos...ou seja..uma
coisa eu usei essa palavra aqui o que me fez levar é que:: como ele vem mostrando que...a
pessoa ativa que tem câncer tem menos probabilidade de ser obeso então ele vem dizer que o
contrário pode ser verdadeiro...que quem câncer que é obeso tem menos probabilidade de ser
ativo ...porque a questão do estado nutricional é um fator importante para definir o estilo de
vida ativo da pessoa
IN: entretanto..eh:: os estudos tem ( ) embora acredito que seja essa palavra pra dizer que
embora ((7)) estudos têm examinado independentemente as associações entre índice de
massa corporal atividade física e saúde relatada para qualidade de vida em indivíduos
...acredito que seja isso com câncer ...poucos tem examinado as potenciais os... ef/ os ...as
potenciais interações dos efeitos ...poucos têm examinados os efeitos potenciais dessas
interações...então ach/ embora é pra justamente justificar isso...que existe embora tenham
alguns estudos que estejam fazendo:: uma análise sobre essa associações mas pouco ainda
estão examinando esses efeitos né os potenciais interações dos efeitos...
IN: estudos nestas áreas tem sido...tem sido limitado ((8)) por conta né por uma pequena e não
representativa amostra de indivíduo com com ou de grupos de indivíduos com câncer então eu
usei essa palavra que ele tá também dizendo que é limitado eh por conta disso...os estudos
não estão acontecendo justamente por conta da questão da amostra da desse grupo que não
consegue ser representativa pra ser estudada ...então ele diz que é limitada ... é uma limitação
por conta disso acontecer
IN: então a proposta ((9)) aqui eu vou usar essa palavra porque ele ta falando o objetivo ...eh::
central desse estudo a proposta que ele ta querendo fazer com esse estudo então eu usei essa
palavra purpose ((9))...a proposta do estudo foi determinar as associações independentes e
interativas entre índice de massa corporal atividade física e saúde relatada com a qualidade de
vida em ...eu vou usar essa palavra aqui ((10)) ((referindo-se a mama)) porque ela apareceu
aqui no começo ...é o único motivo pelo qual eu vou escolher...já que eu acho que physical e
obesity não entra aqui porque a em seguida dessa palavra vem eh sendo colocado acho que
os tipos de câncer no meu ver né...próstata que pra mim tá bem claro... esse daqui não tá pra
mim ((referindo-se a bladder)) ...acre/ acredito não sei mas que se seja câncer do colo...não
sei...esse também aqui eu não eu conheço essa palavra aqui do útero e aqui de pele ...então

139

como essa palavra veio aqui acompanhando câncer e aqui tem mostrando os tipos câncer eu
vou usar ela que eu acho não cabe as outras então
IN: nós eh::...aqui ele vem mostrar a hipótese ((11)) do...do:: estudo por isso que vou usar essa
palavra aqui...nós hipotetizamos que indivíduos obesos com câncer seriam menos provável ser
ativo comparado com seus pares não obesos ...então é a proposta do estudo então por isso
que usei essa palavra ...nos também hipotetizamos que no caso seria a proposta dois que
indivíduo com câncer obesos e com câncer teriam significativamente menor ((12)) qualidade de
vida relacionada com a saúde comparado com indivíduos não obesos ...usei essa palavra
porque foi o que já vem comentado durante o texto então acho que seria mais compatível
IN: eh:: e finalmente ((13)) porque aí eu acredito que ele ta querendo já concluir... a potencial
interação entre o índice de massa corporal e atividade física na qualidade de vida relacionada a
saúde...que também foi explorada...ele quer ver justamente isso...essa palavra aqui eu não
conheço (( referindo-se a incidentally))...nós previamente relatamos associações entre vários
comportamentos da saúde incluindo atividade física e saúde e qualidade de vida relacionada a
saúde a partir dos deste desta série de dados...consequentemente a atividade física
relacionada a qualidade de vida está relacionada ..não ...consequentemente a atividade física
relacionada a qualidade de vida não é apresentada no corren/ no presente artigo...deixa eu
entender melhor...a atividade física...pronto acho que é basicamente isso
PE: tá certo...eu só queria saber assim...você veio pro propósito ((9)) ...mas você não explicou
porque que usou propósito? Você só falou “porque aqui ele vai dar o propósito do estudo” mas
o que é que te levou a chegar aí
IN: porque... eu entendo que isso aqui seria a introdução do artigo ...como ele mesmo fala que
é um artigo ENTÃO como se trata de:: da introdução do artigo geralmente eles usam mais essa
palavra assim pra dizer qual é o objetivo central do artigo...por isso eu acho que não seria
conclusão ...porque ele não tá concluindo ainda ele ta mostrando qual é o o que é que ele
pretende fazer com esse estudo...entendeu?... então acho que não caberia entrar conclusão
nem resultado...ele quer dizer ainda o que é a proposta do estudo e aí ele vai ao longo depois
do texto dizer...por isso que eu usei
PE: e por quê hipótese((11))?
IN: por que hipótese? porque é algo ainda que ele vai comprovar...é o que eles...que a partir do
que eles verificaram através da literatura...apesar de ter poucos estudos ... mas a hipótese dele
através disso porque hipótese porque eles eh:: mostraram uma proposta certo...o objetivo da
gente é esse...então nós hipotetizamos que isso isso isso pode acontecer nós esperamos que
isso aconteça né...eh:: tá meio embananado de explicar né
PE: está ok...
Informante 5
IN: Nesse caso aqui eu vou utilizar on the other hand ((1)) porque dá uma idéia de oposição ao
que ele tem falado antes...ele vem falando da eh:: da consequência negativa do sobrepeso na
na nos que tem câncer né sobreviventes de câncer de pulmão aí ele fala por outro lado as
pesquisas tem mostrado que a atividade física tem efeito oposto aos resultados ((2))acima
citados ((pausa longa))
IN: Eu tô em dúvida agora porque ele fala aqui doença ou resultado né aí ele cita aqui
algumas...ele cita aqui o desenvolvimento de doenças crônicas particularmente os
sobreviventes de câncer de pulmão né...só que aí eu não sei se eu incluo eu coloco aqui as
doenças ou resultados que ele fala que a atividade física...pesquisas tem mostrado que a
atividade física tem se oposto ao efeito do não sei se é doença acima mencionada ou
resultado...tô pensando...
PE: externaliza o seu pensamento...qual é a sua dúvida aí...

140

IN: mas é essa dúvida que eu tinha falado antes...
PE: então...você está lendo até onde? Eu preciso saber...
IN: Eu tô lendo até essa segunda lacuna pra entender o contexto
PE: então agora o resto vai externalizando bem o que você está pensando...
IN:...eu vou colocar disease ((2))... porque ele cita ...ele fala das doenças aqui em
cima...principalmente os sobreviventes do câncer aí eu acho que ele ta falando em
consideração a que o exercício físico tem o efeito oposto ao que essa doença causa ...
IN: Aí nesse caso aqui ele ele fala que os achados eh:: mostram a importância de examinar...
aí nesse caso eu acho que é obesidade ((3)) porque ele falou em cima que a obesidade traz
conseqüências negativas né pra esses pra esses pra esses indivíduos e logo depois ele diz
que a atividade física tem o efeito oposto... aí nesse caso aqui eu vou colocar a obesidade
IN: Eu tô entre essas essas três próximas lacunas ((referindo-se às lacunas 4, 5 e 6)) aqui
porque eu tô lendo todos pra ver se eu consigo compreender melhor ...porque aqui eu tô
entre...nessa primeira ((4)) eu tô entre poucos ou muitos estudos... né eh:: aí eu tô tentando
identificar melhor lendo as outras ... acho que aqui no caso são poucos ((4)) estudos ... e ela
mostra que:: elas mostram que esses estudos mostram que os sobreviventes ativos que tem
câncer são menos ((5)) eh tem menor probabilidade de ser obesos ou ...eh...então ((6)) né ele
mostra que os sobreviventes de câncer que são obesos são menos provavelmente são menos
prováveis de ser ativos
IN: Nesse daqui eu não lembro o que é besides ((referindo-se à lacuna 7))...daí eu tô:: já exclui
porque eu não lembro o que é...tô entre essas outras duas aqui ((pausa longa))...aqui eu acho
que é embora ((7)) porque ele fala além disso eh embora estudos tem examinado
independentemente associação entre índice de massa corporal atividade física e qualidade de
vida auto-relatada em sobreviventes de câncer poucos estudos tem examinado a interação
desses efeitos né ...como se ele tivesse fazendo uma de que embora tenham estudos que
viram esse efeito aqui poucos examinaram essa interação
IN: Ai depois esse aqui eu vou colocar que é limitado ((8))porque ...ele diz que os estudos são
pequenos e tem amostras que não são representativas de grupos de sobreviventes de câncer
selecionados
IN: Ai aqui eu vou colocar o objetivo ((9)) do presente estudo que vai ele ele ta dizendo o que
vai fazer o objetivo do presente estudo foi determinar a associação independente e interativa
entre o índice de massa corporal a atividade física qualidade de vida auto-relatada...
IN: em aí nesse caso aqui como ele está se referindo aos sobreviventes de câncer ...ai ele cita
de pele ...de próstata... ai eu creio que esse aqui seja que ele relaciona ao pulmão((10)) né
IN: aí depois ele ele fala da hipótese ((11)) do estudo... ele hipotetiza que os sobreviventes de
câncer obeso provavelmente deveria ser menos ativo comparado ao ao não obeso né como se
fosse o não obeso controle ...
IN: aí depois ele hipotetiza que o sobrevivente de câncer obeso deveria ter deverá ter eh::
menor ((12)) qualidade de vida auto-relatada comparado com os sobreviventes que não são
obesos
IN: Nessa última aqui ele tem a palavra first mas ela eu vou eliminar logo porque...ele tá
falando aqui primeiro potencial de interação não cabe aqui porque ele já falou dois objetivos
antes e ta indo no terceiro agora ...ai eu tô entre finalmente e além do mais ...além disso... acho
que eu vou colocar aqui therefore ((13))...que eu acho que ele ta:: ...cita os dois objetivos e fala
além disso foi foi o potencial a interação eh:: o potencial interação entre o índice de massa
corporal e atividade física na qualidade de vida relacionada a saúde foi explorada...acho que é
isso

141

PE: tá mas assim...tem algumas que você não me explicou...por exemplo...few ((4))...por que
few studies?
IN: nessa daqui na verdade ((risos)) eu ainda eu ainda tô em dúvida porque ele fala eu acho
que é como se fosse afunilando aqui nesse caso acho que aqui não é nem few acho que é
much((4)) mesmo...porque ele fala muitos estudos tem examinado a associação entre índice
de massa corporal e atividade física em sobreviventes de câncer aí ... só que ele aí ele diz o
que é que esses estudos tem achado né e:: depois disso além disso embora estudos tenham
examinado independentemente a associação entre índice de massa corporal e atividade física
qualidade de vida relacionada a saúde em sobreviventes de câncer...poucos estudos tem
examinado essa esse efeito...essa interação entre eles... aí eu acho que nesse caso aqui é
muitos((4)) porque ele vai falando ele mostra muitos estudos falaram disso aqui... associação
entre interação índice de massa corporal e atividade física só que poucos examinaram o efeito
dessa da interação entre interação índice de massa corporal e atividade física qualidade de
vida relacionada a saúde essa aqui eu vou mudar ((risos))
PE: vai mudar?
IN: vou
PE: só perguntei porque você não me explicou...não estou falando que esteja errado...tá...outra
coisa...por que que você colocou essa ((referindo-se à breast - lacuna 10))? Você já explicou
porque é devido aos tipos de câncer...mas o que que significa breast mesmo?
IN: que eu lembre seja pulmão
PE: e porque você escolheu hipotetizamos((lacuna 11))? Você não me explicou
IN: porque ele vai falar dos objetivos dele aqui e vai falar o que ele acha que vai ...que vai
achar no estudo dele que ele fala aqui ó ... nós seria hipotetizamos no objetivo um que o
sobrevivente de câncer obeso deveria provavelmente deveria ser menos ativo comparado ao
não obeso e além disso depois ele na outra parte no outro texto ele fala nós também
hipotetizamos que o sobrevivente de câncer obeso ...
PE: e por que objetivo?
IN: porque ele ta falando o que vai dizer aqui... ele não chegou ele não chegou...e também ele
não apresentou nenhum resultado aqui ...e também não concluiu nada ...ele diz o que vai fazer
relacionado a esses sobreviventes de câncer que depois ele cita cada cada situação
IN: Ok...
Informante 6
IN: eu acredito que seja essa primeira aqui ((referindo-se à in addition)) ((1))... porque vai falar
de um...peraí deixa eu ver ((risos))...eu não sei porque eu acho que é essa primeira...tô
chutando...
PE: pode ir falando sozinha... porque ...o que que te levou a chegar ...ou só porque você
conhecia essa...entendeu? ...qual é a pista...eu quero entender o que você ta entendendo do
texto...vai ...
IN: porque aqui é como se fosse eh:: adicionando uma outra informação ...sobre o que eu
acredito que seja essa primeira ...porque ta adicionando outra informação em relação à história
do câncer...pode marcar?
PE: pode
IN: esse aqui eu não sei realmente ((referindo-se à lacuna 2))...o próximo eu não sei...pode

142

chutar?
PE: mas me explica que é por causa disso disso disso...
IN: Eu vou chutar porque eu não sei realmente eu acredito que seja essa resposta aqui
((2))((referindo-se à lacuna palavra individuals))...
PE: o que você não ta sabendo...o que ta difícil...?
IN: entender algumas palavrinhas aqui...no início...é a frase...
IN: pelo contexto eu acho que é esse aqui ((3)) ((referindo-se à palavra obesity))...eu tô indo
pelo contexto ta?...
.
PE: que contexto...? ...o que é que está te indicando que é aí
IN: tem alguma palavra que ta falando de peso...
PE: exatamente isso que eu quero saber...agora daqui pra frente eu não vou mais
interromper...então é isso mesmo...pelo contexto...então me explique o por que...ah...aqui ta
falando de peso...tá falando de sobrepeso...sei lá...eu quero que você me dê as pistas...
IN: pronto tá certo...vou colocar essa eu acho que a tradução é alguns ((referindo-se a few)) ((
4 )) estudos...eu não sei se é alguns estudos...eu tô chutando pela tradução eu não sei se a
tradução dessa palavra aqui é alguns estudos...((lendo - pausa longa)) tá difícil pra mim
((risos))
IN: vou colocar esta palavra ((referindo-se a palavra more)) acho que também pelo
contexto...falando alguma coisa sobre o câncer...eu só não estou entendendo esta palavra
daqui ((referindo-se à likely))...mas aí eu vou chutar o more (( 5 ))...
IN: a próxima eu também não sei ((referindo-se à lacuna 6))...eu vou chutar esta aqui
((referindo-se à palavra then)) ...tá?
IN: acredito que seja some some some ((7)) né? Porque::...por conta da palavra...aqueles
estudos eu acho que que o some é que alguns estudos eu não...eu sei que você não pode me
ajudar ((risos)) eu tô chutando também pelo contexto...tá?
IN: acredito que seja esse aqui também pelo contexto...estudos nessa área são importantes ((
8 ))...
IN: acho que é o resultado ((9 )) do presente estudo...em em obesos...
IN:eu acho que é nós analisamos ((11)), né...? é assim??((risos)) acredito que seja isso...é o
que eu tô conseguindo ler entendeu? ...então nós eu acredito que seja nós analisamos...
IN: pelo contexto também eu acredito que seja esse aqui ((referindo-se à palavra larger)) por
conta:: deixa eu ver...nós acreditamos...acho que é isso...acreditamos...obesidade tem grande
((12)) significado...alguma coisa desse tipo...não sei...aí eu acredito que essa ultima seja essa
primeira aqui que é como se fosse concluindo o texto ((referindo-se à finally)) ((13)).
PE: certo agora eu só vou pedir umas coisinhas...por que resultado?
IN: eu fiquei na dúvida se era resultado ou conclusão...mas como ele não havia concluído o
texto
PE: por que obesity
IN: é obesidade....é obesidade né...então eu acredito que entre essas três seria obesidade

143

PE: e porque analisamos?
IN: foi chute mesmo...foi chute...eu acreditava que esse terceiro não seria...até porque aqui ele
vai falar novamente essa palavra...eu achei que ele não iria trabalhar com ela aqui...então entre
essa e essa eu achei que era a primeira...
PE: e finalmente porque?
IN: ta finalizando...como se fosse concluindo...até porque first não seria...esse aqui eu não sei
a tradução...
PE: do therefore?
IN: é...
Informante 7
IN: Inicialmente pra preencher essa primeira lacuna eu já encontro dificuldade no termo
hence...que eu não sei o que é que significa...tá?...ai dentro do contexto eu entendo que ...ele
vem eh::querendo incluir...ou falar...em adição...eu posso botar por outro lado né...ou em
adição...no caso ele fala aqui...deixa eu ver ...bem...o que eu tô entendendo aqui é que ele
quer fazer um termo de adição..que outras pesquisas tem mostrado ...eh:: a relação da
atividade física como oponente no efeito da obesidade...ou algo parecido...aí eu botaria em
adição...não como efeito contrário
IN:...aí...efeito on the...não sei o que significa isso ((referindo-se a aforementioned))... se eu
não me engano outcomes é::: eu já vi essa palavra tanto e toda vez eu esqueço...mas eu
acredito que a resposta aqui seja outcomes ((2))...((risos)) porque eu acredito assim que ele tá
querendo mostrar uma relação da atividade física eh...relacionado ao efeito dês/ no
desenvolvimento na evolução desse problema...não sei...
IN:...taken together ...bem pelo que eu tô entendendo aqui ele ta querendo relacionar a
importância de se examinar eh:: a presença da obesidade e a realização da atividades físicas
na sobrevivência de pacientes com câncer...ai aqui eu selecionaria o obesity ((3))
IN:...eh...mais estudos né...porque aqui no artigo ele traz...vem trazendo...relata um pouco de
estudos além do dele...pelo que eu entendendo aqui mais est/...é...outros estudos ou mais
estudos...however...have examined the association between...tem associado a relação entre
massa corporal e atividade física ...aqui seria acho que much ((4))...
IN:as pesquisas estão limitadas (...) as pesquisas que estão disponíveis estão limitadas... tem
mostrado que sobreviventes de câncer ... ele ta querendo trazer uma relação entre a atividade
do câncer e a obesidade e a obesidade entra como algo negativo...ai::...eu acredito que seja o
less ((5)) no sentido de negação entre ...ou ( ) ...eu não sei o que significa thus ... ( )
PE: o que que está te pegando nessa frase...você acha?
IN: talvez a tradução desse termo aqui ((referindo-se a likely))...
PE: mas você está entendendo o que ele está falando?
IN: que as pesquisas estão limitadas em avaliar essa questão de ...as pesquisas disponíveis as
pesquisas disponíveis tem uma limitação pra mostrar essa relação entre a atividade do câncer
a sobrevivência do câncer ativo assim com assim como com a obesidade ou algo parecido bem
eu marcaria conversely ((6))...
PE: porque?
IN: porque foi mais um chute

144

IN: moreover ...eh...some studies have ... bem aqui ele vem trazendo outros estudos que TEM
examinado ...independentemente a associação entre o índice de massa corporal e a atividade
física e a qualidade de vida... ness/ nesses sobreviventes do câncer ...acho... que aqui entraria
some ((7))
IN: bem ele fala aqui esses estudos dentro dessa área vem se tornando importantes ((8))
porém pequenos ...porem...é como se ele quisesse dizer que são importantes mas ainda em
pouca quantidade ...não sei....( )
PE: então aí você escolheu importante porque?
IN: pelo contexto ...pelo que eu entendi...não por aquelas técnicas de inglês instrumental ...eu
sei que tem algumas técnicas de inglês instrumental que eu até vi algumas mas eu não lembro
mas a minha seleção de palavras vai muito mais pelo entendimento
IN:...é...o resultado do presente estudo ...determine the independente...o resultado ou a
conclusão?...resultado do presente estudo... ou the purpose... aqui bem/ a conclusão acho que
não é porque não tá na conclusão ainda do texto...mas poderia ser resultado do presente
estudo ou purpose é jornal ou artigo::... ficaria em dúvida nessa palavra...
PE: aí que pista você teria para saber se é resultado ou conclusão?
IN: a pista seria tentar entender o que o que ele tá querendo falar dentro do parágrafo né... até
o próximo ponto ou vírgula ...mas óh...o resultado do presente estudo ( ) was to determine the
independent and interative associations ...estou em dúvida se é purpose ou ...mas eu acho que
( ) é o purpose ((9))porque esse purpose...esse artigo ele está estudando a associação com a
obesidade ((10))
IN:...aí::...nos analisamos ...ou mensuramos ...( ) aqui é como se ele trouxe/ tivesse trazendo a
hipótese ((11)) do:: desse primeiro artigo...mas acho que não
PE: o que é que te levou a saber que é hipótese?
IN:... porque tem a pista do contexto que assim...pelo que tô entendendo ele ta querendo
afirmar alguma coisa tipo nós... o pessoa/ os autores tão querendo associar:: a obesidade
eh...obese cancer survivor would be less likely tô be active... é como se o problema da
obesidade do câncer diminuísse assim com a atividade comparado com ...não tenho a mínima
idéia ((referindo-se a nonobese conterparts))...we also também... tem outra hipótese neh::..de
que... isso é outra hipótese ...que a obesidade would have significantly ... uma larga ((12))
significância...que isso é significante para a qualidade de vida relacionado a saúde...né...
IN: finalmente o potencial ( ) therefore ((13))...entretanto? ...entretanto? ( ) between ( ) ta
sendo explorado né? ...(...) therefore...finalmente não
PE: por que não finalmente?
IN: porque ele não ta concluindo nada...ele ta dando só mais uma suposição da potencial
relação entre essas variáveis...pronto acabou...finalmente
Informante 8
IN: bem... aqui eu colocaria eh:: ...in in addition ((1))...ok?...porque aqui ele dá uma ênfase
geral sobre a:: incidência do câncer aí depois ele começa com a pesquisa... né?... e ele
apresenta um um efeito de oposição ...e aí essas dados aqui pra complementar ele utiliza
outros dados daí então eu colocaria in addition...tá bom?
PE: é isso mesmo...eu quero que você vá fazendo assim...explicando
IN: essa palavra aqui eu não conheço...aforementioned...né? então como aqui ele tá falando de
atividade físicas...né? ...de efeito ...então acho que isso se trata da doença...das doenças...ou

145

dos indivíduos?...não...dos indivíduos ((2))...atividade física dos indivíduos ...porque aqui ele tá
relacionando com a rotina né...com a rotina...que ele tá falando alguns sinais que podem ser
dado alguns ...algumas adversidades ou então a atividade aqui ...a atividade física...e essa
palavra aqui que eu não conheço ((referindo-se a outcomes))...então acho que é indivíduos
((2))
IN: E aqui... como ele ta falando do delineamento da importância do exame eh:: e ai depois ele
fala da atividade com o câncer... com o desenvolvimento do câncer então eu utilizaria a
obesidade((3)) que é um do do ... uma das palavras que o texto cita...enfim
IN: E aí... eu não conheço few…eu não me lembro na verdade ...e aqui estudos está em plural
...however...tá...muitos estudos much ((4)) ...
IN: E aqui... nessa parte onde ele vai examinar a associação da:: da massa com e atividade
física com o desenvolvimento do câncer né? ...então aqui ele vai falar das palavras aqui da
aplicação delas vão ser pouco mas e é less((5)) ...é um chute ((risos))... thus eu não
conheço...then eu acho que não é aplicável então ...conversely ((6))...although ((7))... também
chutei ta e aí:: completed ((8))
IN: Então aqui na estrutura de um artigo científico... como o presente estudo...( ) calma... eu
posso ler tudo né?...e aí... aqui ele tá falando da visão do trabalho da perspectiva...então
objetivo((9)) ... qualidade de vida ... como ele ta falando de vários tipos de câncer e aí ele já
disse aqui que ele ia fazer só restou breast ((10))
IN: Ai como ele ta falando aqui dos objetivos ele ta dando uma introdução ao trabalho...ele está
hipotetizando ((11))
IN: Nonobese ...
IN: ...e aqui um chute como está no último parágrafo ((risos))...finalizando ((13)) ...ok
PE: bom...assim...como você chutou alguns...esse por exemplo você não explicou ((referindose à lacuna 12))...vamos voltar aos que você não explicou...much ((4)) você falou que são
muitos estudos...e aí...você chegou nesse less aqui como? Primeiro...você sabe o que significa
less...more??
IN: não...
PE: alguma estratégia você usou...
IN: ((risos)) sim...porque assim...o more e o so né...algumas da da pouca noção do inglês que
eu tive eu nunca vi ele ele aplicado diretamente ao verbo certo...o are...e aí eh::.. como tem
aquele negocinho né de ta no plural acrescenta S ou ES não sei o que less né... e aí depois eu
que você viu que eu ia lendo depois alguns e algum eu tentava incidir alguma resposta sobre
os outros então depois eu encontrei um aqui less aí eu confirmei essa daqui
PE: ah...entao você confirmou porque tinha igual...
IN: isso...e conversely?
IN: conversely...esse termo aqui thus eu não conheço né... o o then eh::: também nunca vi
uma aplicação dele isolada... então conversely....
PE: ta... mas você entendeu o que ta falando na frase?
IN: aqui?
PE: é...nessa frase the limited research...o que que ele ta falando aqui nessa frase? você ta
entendendo ou não tá difíci?

146

IN: essa aqui tá difícil mas enfim...é:: a limitação da pesquisa né éh foi a avaliação da::
atividade do ( ) da atividade do câncer em relação a obesidade... né e aih...o desenvolvimento
de câncer na obesidade ...é como se ele ele ta fazendo uma relação e depois ele apresenta o
quadro inverso... por exemplo ...se eu tenho tal doença porque ...e associo ela a uma atividade
que eu faço né como é que eu vou fazer a aquela associação de quem não faz aquela mesma
atividade e apresenta aquela a doença
PE: hum...então notou alguma coisa inversa
IN: isso
PE: e não sabe o que significa conversely?
IN: não
PE: e although... você falou chutei
IN: ((risos))
PE: ta você sabe o que as 3 significam?
IN: besides ...eu esqueci ...é uma das...eh:: besides...tá eu esqueci...o vocabulário muito
ruim...muito fraco mas enfim
PE: e although((7))
IN: esse aqui? ((risos)) eu chutei
PE: chutou... não teve nenhuma estratégia igual você usou aqui?
IN: isso esse aqui é que é uma palavra que dentro dos artigos que aplicado aqui é uma das
que mais aparecia
PE: ah porque aparecia muito..então você usou alguma estratégia ...é porque aparecia muito
então você colocou...
IN: isso...
PE: Eh Talvez tenha sido uma das coisas que aconteceu lá na federal né...eu joguei o que tava
na cabeça mas não é...não é o sentido realmente do que o artigo tá querendo dizer...ai nessa
hora é quando eu ia recorrer ao Google mas ((risos)) ...mas assim eh::algumas dessas
palavras aqui como os estudos... eh independência...a comparação independente né com a
associação dos tipos de doenças das características que ele também faz aqui...isso dá pra
entender tranquilamente entendeu?...mas aí é assim o inicio aqui mesmo não...então ...isso
aqui seria uma análise independente né eh com a associação das características que ele já
tinha citado...e aí eh:: ele já tava dando alguns sintomas ...algumas características né alguns
sinais né e aí ele associa junto com o câncer
PE: e porque completed ((8))?
IN: porque eh:: como ele ta dando aqui né tá fazendo como se ele fosse vendendo o peixe
dele eu não me lembro muito o que significa small tá e aí dentro de uma pesquisa né eu eu
acho que a única limitação que ele teria é os pacientes ...e aí como aqui ele tá dizendo que tem
uma amostra que não é representativa ...para os grupos de desenvolvimento do câncer ...
talvez fosse limi// um limite que ele teria no estudo dele ...isso porque essa parte aqui studies in
these area have been não tá muito claro né e aí eu sei que aqui ele tá dizendo que a amostra
normalmente é o que é que mais tem em pesquisa clinica é que as vezes a quantidade de
amostragem não é suficiente pra extrapolar prum grupo ...mas aí
PE: o purpose você falou que é o objetivo do estudo...onde tá indicando que é o objetivo?

147

IN: assim ...dependendo do que fosse do que for esse esse texto aqui né na estrutura dele se
for a parte de resumo a gente já teria já no finalzinho ou os resultados ou os objetivos e aqui
como ele está falando que eh:: ele quer fazer as associações né? com aquelas características
que ele tinha citado antes aí eu tenho como como se fosse resumo...o objetivo né e aí o
objetivo que ele diz como se ele tivesse completando que para isso eles tem que
hipotetizar...eh: seriam tais hipóteses e aí que ele vai dar continuidade ao estudo...em cima
dessas hipóteses que ele vai trabalhar..então inicialmente isso aqui seria os os o objetivo já
que ele não tem resultado ele tem hipóteses
PE: ta...aqui você falou que era outros tipos de câncer você sabe o que é breast? como é que
você chegou a isso?
IN: eu me lembro dessa palavra aqui em outros lugares... mas enfim ...eh assim ele ta falando
isso aqui ele ta fazendo já as associações então aqui ele fala em relação à qualidade de vida...
então como aqui ele já está relacionando a tipos de câncer né próstata colorretal enfim...então
physical ele já tinha citado aqui em relação a obesidade ele também já está fazendo
associação em relação a massa corporal...então só me sobrava essa palavra que eu não sei o
que signfica então ((risos))
PE: ok...muito bem...muito obrigada
Informante 9
IN: Acho que é esse aqui ((1)) ((referindo-se a on the other hand))... porque ta tá explicando
que a obesidade pode causar câncer e tudo mais e por outro lado eh::...algumas pesquisas
mostram que a atividade física em oposição...daí vou escolher esse...esse termo eu não
entendo ((referindo-se a aforementioned))...vou botar individual ((2))...
PE: por que?
IN: ((risos)) porque eu acho que é o que mais se adéqua não sei ... atividade física ((pausa
longa))...survival ((3)) sobrevivente...porque acho que tem mais a ver com atividade física...
IN: futuros estudos...((pausa longa)) futuro não... é much ((4))...
PE: por quê?
IN: na no contexto acho que tá mais adequado usar o much((4)) ...tem mais a ver o...quanto
menos ((5)) atividade física mais obesidade ...
PE: quanto...?
IN: é atividade física e câncer acho que tem mais a ver com obesidade ...não sei o que é
conversely...não sei...vou usar o then((6)) ((risos)) que é o que eu sei...
PE: você ta entendendo o que ta querendo dizer na frase?
IN: não...esse conversely eu não sei não...
PE: mas o contexto geral?
IN: aqui o contexto geral dá pra entender...falando de obesidade indício de câncer e atividade
física (com proteção)...alguns ((7)) estudos...
PE: por que alguns estudos?
IN: pelo contexto ((risos))
PE: tá...mas o que que ta te dizendo isso?

148

IN: alguns estudos têm examinado...acho que tá mais adequado...associação entre índice de
massa corpórea atividade física ( ) ((pausa longa))
IN: limitados ((8)) por causa desse small
IN: o resultado do presente estudo...eu acho...( ) ((pausa longa)) ou é conclusão? ((risos))
...acho que é resultado ((9))...o resultado do presente estudo...
PE: o que que te levou a decidir resultado e não conclusão?
IN: que pode tan/ eh:: ( ) se bem que tem determine...( que o termo ) determinar pode ser
que... conclusão...porque aqui determinou né...
PE: não sei...tô perguntando...aqui eu não sei nada...
IN:: muita pressão
PE: eu só tô...é pressão?... tá então depois você resolve escolher
IN: na obesidade ((10))... aqui eu não sei o que é breast...physical não é ...pode ser obesidade
e só tem coisa ruim depois...
IN: Nos hipotetizamos ((11))... porque tem proposto depois...
IN: tem muita ((12)) significância né pra saúde... qualidade de vida... ((a aluna disse muita e
circulou a alternativa lower))
PE: o que que tem muita significância?
S: a atividade física
P: ah tá..só pra eu entender ((risos))
IN: acho que finalmente ((13)) porque ta concluindo o texto né...o potencial da interação ( )...
acho que é isso...
IN: deixa eu ver esse aqui ((volta pra resultado)) Acho que é resultado
Informante 10
IN: eu acho que é essa daqui hence ((1)) porque ta dando continuidade meio que ta explicando
então eh ta falando que pesquisas eh:: outras pesquisas estão mostrando né que a atividade
física então eu acho que é essa aqui pelo contexto geral...
IN: Eu acredito que é doenças ((2)) nesse aqui porque ta falando justamente sobre atividade
física que a atividade física eh::pessoas que desenvolvem atividade física ta mostrando efeito
contrário né então eu que o que vai pegar aqui vai ser a melhor palavra vai ser doença ...que
se praticar a atividade física né a idéia é que não vai adoecer ((risos)) foi o que eu entendi
IN: Nesse eu acredito que é eu fiquei em duvida na realidade entre fitness e obesisty mas eu
acredito que é obesidade ((3)) eh porque tá falando no contexto geral aqui sobre o câncer e e::
atividade física e obesidade vem falando anteriormente...
IN: Eu acho que é few ((4)) porque tá no passado né? então não vai ser futuros estudos têm
examinado... ((risos)) então acredito que seja até pelo contexto do verbo eu nem li direito o
resto mas acho que é few
IN: Eu acredito que vai ser more ((5)) pelo próprio contexto eh:: que pesquisas de câncer eh
relacionado a câncer eh likely né tô be então acho que vai ser mais tô be obese eh são ...cadê

149

likely...eh:: como é? justamente eu acho que em relação a esse contexto né são então eu
acredito que eu acho que aqui vai ser mais ((risos))
IN: Aqui eu não sei bem porque mas assim eu lendo eu acredito que deve ser esse aqui thus
((6))...não sei porque...não assim porque eu me lembro que no final da frase tem tem tem os
pronomes que você coloca né então assim pelo que eu me lembro vagamente eu acredito que
ele seria melhor o local dele melhor empregado seria ele ... entendeu?
IN: Esse aqui eu não me lembro por que ...mas assim pelo próprio contexto da frase eu
acredito que seja besides ((7)) né que tem falando eh sobre que tipo outros estudos têm
relacionado a associação né da independência entre a massa corpórea atividade física e a
qualidade relativa de vida com as pesquisas de câncer
IN: Eu acredito que seja important ((8))...pelo verbo been né e pelo contexto ...fiquei em dúvida
entre limited também mas acredito que é important
IN: Eita esqueci...((risos)) eu acredito que aqui vai ser resultado ((9)) pela própria organização
do texto porque:: o texto o artigo científico vai ser organizado com introdução né depois vai ter
o desenvolvimento com resultados e no final vai ser conclusão ...então aqui ta falando e assim
pelo texto que ele falou que o presente estudo tem determinado a independência a associação
interativa sobre índice de massa corpórea atividade física né ...então pelo contexto geral eu
acredito que cabe a palavra resultado e pela localização
IN:: ...não é essa palavra aqui ((referindo-se à physical))
PE: pode trocar...aí você fala porque você tinha escolhido essa e agora você ta trocando por
essa...só para eu me contextualizar...porque você escolheu physical antes de colocar o
resultado...e aí...agora você lendo mais pra frente você ta resolvendo por obesity
IN:...porque quando eu olhei eu não tinha visto o resto da frase quando eu li o resto da frase eu
tô vendo que ele ta falando de doenças né de pro/ ne assim próstata colo/ colorectal eh::
uterine então assim...melanoma can/ então assim me dá idéia que são doenças então assim
physical não tem muita coerência acredito que é obesidade ((10)) que também vai ta falando
sobre... relacionando com doenças
IN: Eu acredito que aqui vai ser hipótese ((11)) porque em seguida tá falando sobre uma
proposta né propusando...como é que é o nome...proposição é isso? Proposição um né então
assim quando eu vejo proposição 1 independente de eu ler o resto eu já entendo que isso é
uma hipótese ...acertei ((risos))
IN: Assim aqui eu não me lembro bem o que significa essas palavras ((da lacuna 12))...certo?
ai assim eu vou meio que no chute eu acredito pelo contexto assim geral né... que pesquisas
sobre obesidade e câncer no mundo tem significativa... eu acho que é larger ...
PE: mas você não sabe porque está colocando?
IN: não eu acre/ porque assim any eu sei mais ou menos o que é ...lower eu não me lembro
...não me lembro realmente e larger ((12)) assim eu tenho uma idéia mais ou menos do que a
palavra pode significar então eu acho que talvez caiba... é um chute direcionado
P: vc tá entendendo o que ta falando a frase?
IN: deixa eu ler o resto ((risos))... qualidade relativa de saúde e:: vida comparado com
nonobese...isso aqui eu não sei o que é... pesquisas...algumas coisa sobre pesquisas...
IN: E aqui eu acredito que é finally ((13)) porque assim...primeiro pela própria ordem né como
se se escreve um texto então acredito que é finally né e pela própria resposta né finalmente o
potencial de interação entre índice de massa corpórea atividade física e qualidade relativa de
saúde né que tem a proposição três eh:: está foi explorada...então assim... primeiro pelo
próprio local acho que caberia e segundo pelo que ele ta falando pelo contexto da frase

150

Informante 11
IN: Mais de 11 mil americanos têm história têm vivem...não lembro desse verbo...tem história
de câncer....pesquisas emergentes se mostram aumentando...no aumento do peso...
exemplo...muito peso e obesidade tem sido...conseqüência negativa pra as doenças
crônicas...outras doenças crônicas têm sido desenvolvido...( ) o desenvolvimento do
câncer...pesquisas têm mostrado que a atividade física se mostra oposto a isso...bem...a
primeira estrofe mostra o aparecimento e aumento das doenças ... entre elas o câncer e outros
fatores que se associam a ele ...mas esse segundo período é como se ele viesse...é como se
ele viesse não... na verdade ele vem mostrando que a atividade física pode DIMINUIR essas
doenças...então... ele vai usar algum advérbio... na minha lógica ele vai usar algum advérbio
aqui...o primeiro aqui é adicionando ((1))...eu entendo como adicionando...ele não tá
adicionando...um ou outro ...um ou outra pesquisa mostra ....pelo que eu conheço não é uma
ou outra pesquisa...esse ( ) da atividade física são varias ...então eu vou marcar o
terceiro((1))...((referindo-se a hence)) eu acho que isso aqui é uma preposição...não lembro
mais não...não faço IDÉIA do que significa essa palavra
IN: Mas... de efeitos... eu sei que aqui são resultados doenças e individuais ... então ... eu vou
botar que são as doenças((2)) porque ele ta se referindo a doença antes mas aqui é um
chutômetro fortíssimo porque eu não faço idéia do que seja essa palavra...((referindo-se a
aforementioned))
IN:...( ) a importância de examinar... eu vou botar a obesidade ((3)) porque eu entendi que
ele...os estudos precisam delimitar...examinar a influencia da atividade física e de um outro
elemento nos estudos de câncer então o outro elemento ao meu ver seria a obesidade
IN: However...já vi essa palavra... eu vou botar...eu acho que few ((4))são muitos se eu não me
engano few são muitos... e aqui ele fala que os estudos estão examinando a associação entre
a massa corporal a atividade física e o câncer então são muitos estudos que fazem isso ...por
isso eu botei few porque acho que few são muitos se não me engano
IN: ( ) são ( ) eu botei more ((5)) porque ele ta falando do risco de morte por câncer em obesos
ou nunca ouvi essa palavra aqui ((referindo-se a thus)) não faço a mínima idéia do que é...não
acho que é eles ((referindo-se a then)) então vou por eliminação...vou botar esse primeiro ((6))
aqui que também não sei o que é ((referindo-se a converselly)) ( ) ... pelo contexto acho que
são alguns((7)) estudos tem examinado essa associação entre massa corporal atividade física
e doenças...
IN: estudos ...da área tem... a importância bem pequena na representatividade do câncer dos
grupos acho que eles são estudos importantes((8)) ...
IN: Eu acharia que esses três seriam sinônimos ((referindo-se a lacuna 9)) ...poderiam ser
sinônimos...como ele (não faz em pesquisa) ...eu vou botar aqui os estudos tem
proposto((9))...que ele não mostrou os dados antes por isso que tô botando proposto
IN: ( ) como aqui ele ta falando em um monte de doença ...essa daqui deve ser doença
também...obesos((10))...ó...não sei se tem associação..tem proposta aqui e tem proposta
embaixo...não tinha nem visto
IN: Bem se ele propõe eu vou dizer que é uma hipótese((11))...uhumm! ((aluna exclamou pois
achou outra hipótese abaixo))...esse...( )
IN: Ele tá propondo que ...o câncer...a hipótese dele é que o câncer tem uma significativa
importância pras doenças ((circulou a opção larger na lacuna 12)) quando comparados
com...não lembro o que esse nome aqui ((referindo-se a nonobeses))...eu já vi esse termo há
muito tempo não lembro mais não
IN: Finalmente((13)) a potencial interação entre ( ) ...finalmente ...aqui ele dá uma idéia de
conclusão do texto

151

Informante 12
IN: Qualidade de vida...bom eu não sei o que é hence...creio que essa aqui seja adicionado a
isso e aqui de uma forma ou outra...então acho que o texto ta dizendo assim que ah:: é
importante a questão da qualidade de vida eh:: principalmente nas pessoas que desenvolvem
câncer...eu colocaria..somado a isso...eh::...seria a questão da atividade física né...eu colocaria
adicionado ((1))...colocaria esse...((referindo-se a in addition))
IN: Hum...não sei o que é afore/ isso aqui...ahn:::... e o que que eu vejo aqui nessa frase é que
ele fala eh:: ...que a gente vai ter uma importância do exame atividade física e o
desenvolvimento a doença de câncer né ...mostra a importância...deixa eu ver...volto de novo
pro texto...está dizendo que é importante...de emergência...ai eu vejo que aqui tem o/ a
questão da obesidade...eh::...que pode ser uma conseqüência negativa pra essa
doença...desenvolvimento de doenças crônicas né...ela tá associada com a qualidade de
vida...particularmente ... mostra atividade física...vem mostrando...bom não sei realmente o que
é isso aqui...((referindo-se a outcomes)) eu colocaria individual ((2)) ...a importância do exame
individual... bom como aqui falou de obesidade e a doença ela precisa ser avaliada de forma
individual... colocaria e colocaria a questão aqui da obesidade ((3))... atividade física e
desenvolvimento do câncer.
IN: Bom aqui much estudo será futuros estudos eh:: irão examinar a associação do da massa
corporal e atividade física eu colocaria futuros ((4)) estudos eh:...
IN: a limitação seria avaliar a atividade...se elas são mais ou menos...se eles gostariam ou
...como é menina?...os estudos com limitação seria...atividade do câncer e obesidade são ...
deixa eu ver...associar da atividade física no desenvolvimento do câncer a limitação seria
mostrar ... ou não sei o que é thus obesidade ...peraí.. aqui ta dizendo que...obesos se eles não
gosta de atividade física a limitação do estudo seria mostrar se a atividade ...eu botaria menos
((5)) nos obesos ou ... ou ...( ) ou...
IN: estudos são pequenos ...estudos nesta área eles são importantes ((8)) ...mas eles são
poucos aqui conversely then ... seria avaliar a atividade do câncer se elas são ...aqui eu botaria
some ((7)) estudos a limitação seria avaliar o câncer desenvolver nos obesos ... ou...sei lá eu
chutaria then ((6))...não saberia responder aí ficaria...
IN: bom...o resultado conclusão do estudo seria determinar a independente da atividade física
e qualidade de vida em obesos....então seria assim acho que eu botaria os resultados do
estudo ... as interações atividade física qualidade de vida em ... a proposta((9)) desse estudo
seria determinar a independência e...próstata...((circulou breast)) ((10))
IN: e nós analisamos ((11)) comparado com ...nossa hipótese é eu obeso câncer tinha tinha é
significativamente any lower larger ...tô tô lendo o fim do texto pra ver ...atividade física isso
não foi is not ...ai eu fiquei confusa agora porque teoricamente eu já fiz minha avaliação acho
que tá associado agora confundiu foi tudo mas essas são as hipóteses acho que vou botar
alguns ((referindo-se a any)) ((12)) tô chutando na verdade e aqui vou colocar que finalizou
((13)) eu faria assim
PE: bom...por que você colocou menos ((referindo-se à lacuna 5))?
IN: porque eu pensei...será que os obesos gostam menos de atividade física...assim alguns
obesos que realizaram o estudo não gostavam muito de atividade física
PE: e por que você colocou breast ((10))?
IN: é porque ele tava falando de várias partes do corpo ...assim...então é parte do corpo
mesmo
PE: e aqui você já pos nós analisamos ((11))

152

IN: porque assim...como ele tava falando que teve algumas hipóteses né...e aí eu acho que ele
analisou essas hipóteses para que ele pudesse concluir alguma coisa
PE: e como você chegou nesse any ((12))? Aqui você voltou até o fim pra voltar né?
IN: confesso que eu não sei se...eh:...por que assim...esse is not eu acho que ele não
conseguiu nesse estudo mostrar se tinha essa relação aí eu coloquei aqui como se ele tivesse
finalizando ...finalmente a terceira hipótese ele explorou e aqui eu coloquei como se fosse
...ahn::: em alguns estudos ((traduziu any como alguns)).
Informante 13
IN: eu não sei... eu acho que ele fala que:: ele fala do câncer associado a obesidade ...aí será
se a adição de ((1)) atividade física?
PE: vai falando o que você acha
IN: ai eu acho que é isso ...mas eu não sei...in addition...on the other hand.. eu não sei pode
ser com a adição ((1)) do exercício físico ou então nós temos nas mãos...hand...temos nas
mãos... a prática da atividade física em oposição aos efeitos...
IN: aqui eu não sei qual dos termos seria...em oposição aos efeitos...outcomes poderia
ser…importante pra o exame entre a atividade física atividades...não sei...eu tenho que circular
né...acho que é esse...((referindo-se a diseases – lacuna 2))
PE: você vai me explicando...você acha que é em adição mas porque? Porque está
adicionando...como você falou...
IN: eu não sei se teria adicionando...em adição...eu acho que assim...temos nas mãos...pode
ser...não ei...poderia ser esse também...a prática de atividade física em oposição aos
efeitos...aí já vem o vocabulário de novo que eu não sei...((risos))
IN: Taking together ... ((pausa longa))
PE: você pode ir me explicando onde está com mais dificuldade...ou o que você entendeu...
IN: é eu até tô entendendo assim...mais ou menos o que é que ele ta querendo dizer... é
importante mas assim eu não sei o que é survival...não sei...fitness e obesidade eu sei mas eu
acho que num num não estaria aqui...ele já fala de a atividade física aqui...o exame pra
obesidade...é... essa parte aqui tá confusa...eu vou deixar essa parte em branco ((lacuna 3))
IN: muitos estudos ((circulando few- lacuna 4))... será? em associação...esse vocabulário me
mata ((risos))
PE: qual por exemplo?
IN: nessa parte...o limite... é a avaliação não sei...são muitos (lacuna 5) ((referindo se a more))
...a palavra que vem depois por exemplo eu não sei likely
PE: isso... vai falando o que é dificulta
IN: é...o que me dificulta é o vocabulário é horrível
PE: e será que esse vocabulário ta te impedindo de compreender ...como é que é
IN: é eu tô tendo uma idéia geral do que quer dizer mas impede de compreender assim na
integra ...conversely… although
PE: Por que você escolheu some?

153

IN: alguns ((7)) estudos? tem identificado...não sei...se seria identificado mas ele coloca que é
a associação entre exame ...exercício...saúde... qualidade e saúde ...esse survivals é que eu
não sei o que é...
IN:...estudo nessa área...estudos nessa área ((risos)) são importantes?...ma/ ele bota by small
não sei se são pequenos...estudos... não sei se estudos nessa área complementaria o
pequeno ...((risos)) sei lá o pequeno grupo de estudos nessa área que selecionou o
câncer...não sei ((circulou limited -lacuna 8))
IN: Os resultados ((9)) do presente estudo determinam a independência... a associação ...de
atividade física e qualidade de vida em obesos ((10)) ?
IN:...nos analisamos ((11)) sei lá...acho que ele ta falando do estudo dele...a obesidade o
câncer os...esqueci o que é...ele colocou uma proposta e a outra só que eu não tô entendendo
nenhuma o que é... ó eu sei que ele ta dizendo que a obesidade e o câncer significam alguma
coisa que eu não sei qual é nenhuma dessas palavras pra saúde e qualidade de vida ((deixa
em branco a lacuna 12)) comparado a alguma coisa que eu também não sei...e potencial
interação com a atividade física e saúde e qualidade de vida...
IN: acho que aqui são as conclusões dele né? ...saúde qualidade de vida ...mas ele viu que:: a
saúde e a atividade física ...não sei que a que a prática de atividade física e a saúde não estão
relacionadas? ...parece que o artigo dele não mostrou relação entre...que ele coloca not...não...
não alguma coisa nesse artigo...no presente artigo...
PE: ta agora assim eu quero saber o porquê você escolheu... e aqui você não vai escolher
nenhuma? ((referindo-se a última lacuna))
IN: não...também não tô conseguindo não... eu conheço essa daqui first não seria depois? mas
eu risquei sem querer ((risos)) seria depois finalmente ((13)) a potencial interação por fim...não
sei talvez seja essa...((referindo-se a finalmente))
PE: porque finalmente?
IN: porque ele ta dizendo que existe uma interação entre atividade física...saúde e qualidade
de vida mas é isso que eu não entendi porque com cer/pelo que ele colocou no final do
presente artigo ele não mostrou essa interação ...ele não mostrou não sei...
PE: e aqui qual você escolheu mesmo? ((referindo-se à lacuna 9))
IN: porque ele co/ pelas palavras que vem depois...
PE: por exemplo?
IN: ...do presente estudo
PE: e porque você colocou obesidade?
IN: porque ele já ta falando do que é né que é das ...como se fosse do do que ele realmente tá
avaliando da atividade física saúde e qualidade de vida em obesos...das pessoas obesas né
poderia ser assim ... aí eu coloquei esse que nos analisamos eu acho três propostas que ele
vai colocar aqui as três propostas por isso que eu acho que é esse
PE: certo... e aí o que te deu a dica mesmo que é obesos?
IN: por conta do:: que ta variando aqui no estudo dele do que ele tá procurando

154

ANEXO A - Aprovação do comitê de ética

155

ANEXO B– Termo de consentimento livre e esclarecido
“O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa se processe após consentimento livre e
esclarecido dos sujeitos, indivíduos ou grupos que por si e/ou por seus representantes legais manifestem a
sua anuência à participação na pesquisa.” (Resolução. nº 196/96-IV, do Conselho Nacional de Saúde)

Eu, ......................................................................................................................................., tendo sido
convidad(o,a) a participar como voluntári(o,a) do estudo “Avaliação dos níveis de compreensão de
leitura em inglês entre mestrandos da área da saúde: fundamentos para o inglês instrumental”, recebi
d(o,a) Sr(a). Profa. Dra. Maria Inez Matoso Silveira d(o,a) Universidade Federal de Alagoas,
responsável por sua execução, as seguintes informações que me fizeram entender sem dificuldades e
sem dúvidas os seguintes aspectos:
O estudo se destina a verificar o nível de compreensão de leitura de texto científico em língua
inglesa entre mestrandos da área da saúde.
A importância deste estudo é contribuir com os profissionais envolvidos no ensino de inglês
instrumental da área da saúde de forma que materiais de leitura mais eficientes e voltados para as reais
necessidades dos alunos sejam elaborados.
Os resultados que se desejam alcançar são os seguintes: 1) Traçar o nível de compreensão de
leitura de texto científico em inglês entre mestrandos da área da saúde, 2) Verificar as principais
dificuldades e as estratégias utilizadas durante a leitura de texto científico em língua inglesa.
O estudo começará no início do primeiro semestre de 2012
O estudo será realizado em apenas dois encontros, em local e horário previamente estabelecidos.
No primeiro encontro o pesquisador apresentará a proposta da pesquisa. Os interessados em participar
preencherão dois questionários e realizarão um teste (teste cloze) de leitura em língua inglesa. No
segundo encontro, os alunos participarão de uma entrevista individual, na qual serão convidados a
falar sobre os procedimentos que realizaram durante o teste de leitura.
Os outros meios conhecidos para se obter os mesmos resultados são as seguintes: Realização de
outros tipos de teste de leitura, ex: teste de múltipla escola, teste de compreensão de texto.
O incômodo que poderei sentir com a minha participação é apenas o tempo que deverei despender
para o preenchimento dos questionários e realização do teste.
 De um modo geral, a participação no estudo não trará nenhum risco à minha saúde física ou
mental.
Deverei contar com a assistência dos pesquisadores responsáveis pela pesquisa: Fernanda Goulart
Ritti Dias. Av. Santos Dumont, 444. Apto 601. 52050-050 . Aflitos. Recife, PE. Telefone: (81) 30316878; e, Maria Inez Matoso Silveira. Rua Missionário John Mein, 45. Pinheiro. Maceió, Al. 57055790. Telefone; (82)3338-1889.
Os benefícios que deverei esperar com a minha participação, mesmo que não diretamente são: uma
maior conscientização da importância da leitura em língua inglesa para a formação acadêmica dos
alunos da área da saúde. Além disso, materiais de leitura mais eficazes poderão ser elaborados para
esses alunos.
A minha participação será acompanhada pela pesquisadora em todas as etapas da pesquisa.
Sempre que desejar, serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas do estudo.
A qualquer momento, eu poderei recusar a continuar participando do estudo e, também, que eu
poderei retirar este meu consentimento, sem que isso me traga qualquer penalidade ou prejuízo.
As informações conseguidas através da minha participação não permitirão a identificação da minha
pessoa, exceto aos responsáveis pelo estudo, e que a divulgação das mencionadas informações só será
feita entre os profissionais estudiosos do assunto.

156

Eu não deverei ser indenizado por qualquer despesa que venha a ter com a minha participação
nesse estudo e, também, por todos os danos que venha a sofrer pela mesma razão, sendo que, para
essas despesas, foi-me garantida a existência de recursos.
Finalmente, tendo eu compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha
participação no mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das minhas
responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação implicam, concordo em dele
participar e para isso eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA
SIDO FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço d(o,a) participante-voluntári(o,a)
Domicílio: (rua, praça, conjunto):
Bloco: /Nº: /Complemento:
Bairro: /CEP/Cidade: /Telefone:
Ponto de referência:
Contato de urgência: Sr(a).
Domicílio: (rua, praça, conjunto:
Bloco: /Nº: /Complemento:
Bairro: /CEP/Cidade: /Telefone:
Ponto de referência:
Endereço d(os,as) responsáve(l,is) pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Fernanda Goulart Ritti Dias
Instituição: Universidade Federal de Alagoas
Endereço: Av. Santos Dumont, 444
Bloco: /Nº: /Complemento: Apto 601
Bairro: /CEP/Cidade: Aflitos/ 52050-050 / Recife, PE.
Telefones p/contato: (81) 3031-6878
Maria Inez matoso Silveira
Instituição: Universidade Federal de Alagoas
Endereço: Rua Missionário John Mein
Bloco: /Nº: /Complemento: 45
Bairro: /CEP/Cidade: Pinheiro/ 57055-790/ Maceió, Al.
Telefones p/contato: (82) 3338-1889
ATENÇÃO: Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua participação no
estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas:
Prédio da Reitoria, sala do C.O.C. , Campus A. C. Simões, Cidade Universitária
Telefone: 3214-1041

(Assinatura ou impressão datiloscópica
d(o,a) voluntári(o,a) ou resposável legal
- Rubricar as demais folhas)

Nome e Assinatura do(s) responsável(eis) pelo
estudo (Rubricar as demais páginas)

157

ANEXO C– Convenções utilizadas nas transcrições dos protocolos

Baseado em MARCUSCHI (2003)

Sinais
...
( )
(hipótese)
maiúscula
::
?
((minúscula))

Ocorrências
quaisquer pausas, excitações
Incompreensão de palavras ou segmentos
Hipótese do que se ouviu
Entonação enfática
Prolongamento de vogal e consoante (como s,r)
Interrogação
Comentários descritivos do transcritor