Ivanise Gomes de Souza Bittencourt

Título da dissertação: O PROCESSO DE HABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL DE PESSOAS EM SOFRIMENTO PSÍQUICO NA INTERFACE COM PRODUÇÃO EM BLOG

Arquivo
Ivanise Gomes de Souza Bittencourt.pdf
Documento PDF (1.0MB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
MESTRADO EM EDUCAÇÃO BRASILEIRA

IVANISE GOMES DE SOUZA BITTENCOURT

O PROCESSO DE HABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL DE PESSOAS EM
SOFRIMENTO PSÍQUICO NA INTERFACE COM PRODUÇÃO EM BLOG

Maceió – AL
2012
1

IVANISE GOMES DE SOUZA BITTENCOURT

O PROCESSO DE HABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL DE PESSOAS EM
SOFRIMENTO PSÍQUICO NA INTERFACE COM PRODUÇÃO EM BLOG

Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa
de
Pós-Graduação
em
Educação Brasileira do Centro de
Educação da Universidade Federal de
Alagoas como requisito para a obtenção
do título de mestre em Educação
Brasileira.
Orientação: Profa Dra. Deise Juliana
Francisco

Maceió – AL
2012
2

Dedico esse trabalho a todas as pessoas
que vivenciam ou vivenciaram o
sofrimento psíquico.

3

AGRADECIMENTOS

A Deus que sempre proporcionou a realização dos meus mais lindos sonhos;
À minha amada filha Isadora Gomes Bittencourt, minha princesinha e razão maior
de todos os meus esforços. O seu sorriso maravilhoso e intenso, carinhos, beijos e
abraços diários amenizaram o meu cansaço durante essa caminhada. Amo você
demais!
Aos meus pais Irineu Gomes de Souza e Maria Madalena de Souza por tudo o
que já fizeram por mim e pelos valores da conduta humana que me ensinaram e que
sempre procurei seguir. Amo muito vocês e continuarei a retribuir toda dedicação e
amor;
Ao meu amado e maravilhoso esposo Ibsen Mateus Bittencourt, por ter me
incentivado a fazer especificamente esse mestrado que muito contribuiu para o meu
crescimento profissional e por todo o apoio durante a trajetória de aulas e atividades;
À minha irmã Ivanise Cristina de Souza (in memoriam) que é o meu anjinho da
guarda e que sempre está ao meu lado me protegendo e orientando os meus
caminhos;
À minha irmã Cristiane, meu cunhado Márcio e sobrinhos Lucas e Lavínia, minha
linda família que amo;
Ao meu bebê (in memoriam) que foi concebido durante esse mestrado e teve a sua
vida intra-uterina interrompida por razões naturais, mas que me fez imensamente
feliz durante 12 semanas. Os batimentos do seu coraçãozinho estão em mim
eternizados;
Aos meus sogros Péricles e Ula por toda colaboração diante da minha correria e
elogios que me fortaleceram;
À minha querida e amada orientadora Deise Juliana Francisco, pela oportunidade
e confiança em ser sua orientanda, por todos os conhecimentos que me foram
transmitidos, pela amizade e pelos momentos de alegria que compartilhamos.
Sempre lhe guardarei no meu coração!
À equipe do Centro de Atenção Psicossocial Dr. Rostan Silvestre, por nos abrir
as portas nos acolhendo de forma muito especial e por todas as contribuições na
realização desse estudo, em especial às profissionais Roseana Medeiros, Michelli
Nunes e Alba Marinho que se envolveram diretamente;
Aos participantes dessa pesquisa, pelos laços que foram criados, pela riqueza das
experiências compartilhadas, pelos efeitos gerados com a criação do blog e por tudo
o que significaram para mim. Meus eternos agradecimentos!
Ao meu querido colega de mestrado Rafael Barros, pelas ansiedades
compartilhadas e esforços para o sucesso das nossas pesquisas e aos bolsistas
4

Valeska Luz, Marcos Silva, Emerson Barros, Jéssica Carneiro e Aline Paz por
todas as contribuições nos resultados desse estudo;
Aos professores desse programa de mestrado, Dra. Deise Juliana Francisco,
Dr. Luís Paulo Mercado, Dra. Anamelea Pinto, Dr. Walter Matias e Dra. Inalda
Santos, por tudo o que me ensinaram;
Aos professores que muito admiro: Dra. Mércia Zeviani Brêda (minha professora na
graduação) e Dr. Luís Paulo Leopoldo Mercado (meu professor no mestrado) pela
participação enquanto examinadores desse estudo e por todas as sugestões para o
seu enriquecimento;
Às secretárias do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira (PPGE)
do Centro de Educação da UFAL, Isabella e Rosemeire que sempre estiveram
disponíveis para as minhas solicitações;
Aos meus colegas de mestrado por todo o aprendizado, fruto das ricas discussões
nas disciplinas;
Aos meus colegas Docentes do Curso de Enfermagem da Universidade Federal
de Alagoas - Campus Arapiraca por toda torcida e apoio;
À maravilhosa equipe do CAPS Gemina de Gusmão Monteiro de Porto Calvo-AL,
em especial Fernanda, Pollyanna, Solange, Myrthes, Alanna, Fabiana, Carlos e a
todos os usuários, que carinhosamente me acolheram como enfermeira e que me
oportunizaram conhecer as mais lindas lições de vida. E a minha amiga Luciana
Leão que me direcionou para esse CAPS me proporcionando viver uma das
melhores experiências profissionais da minha vida;
À Maria Genelva Almeida Costa pelas capacitações realizadas no CAPS Gemina
de Gusmão Monteiro, as quais me enriqueceram enquanto profissional no campo da
saúde mental;
À Berto Gonçalo, Gerente de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde, por
valorizar essa pesquisa, pelos encaminhamentos que serão realizados para
enriquecermos cada vez mais a Saúde Mental no Estado de Alagoas e por todo o
carinho e atenção;
Às amigas que reclamaram a minha ausência durante o confinamento desse
mestrado, mas que acabaram compreendendo pela importância que isso tinha para
mim;
A cidade de Traipú-AL por tudo o que me proporcionou viver durante a infância. Foi
onde tudo começou... a primeira escola, os primeiros e inesquecíveis professores,
as primeiras e eternas amizades. Foram 10 anos vividos intensamente com muitas
alegrias e invenções, as quais recordarei para sempre.
A todos que contribuíram direta ou indiretamente para a realização dessa pesquisa.

5

A habilitação se constrói no aprender a
esperar, no aprender a ter medo, no
alimentar-se de sentimentos criativos, em
assumir a responsabilidade dos nossos
atos e das nossas idéias, constrói-se no
agir, no participar ativamente de um
grande projeto de transformação
(VENTURINI et al, 2003, p. 62).

6

RESUMO

Este estudo analisou o processo de habilitação psicossocial de pessoas em
sofrimento psíquico na interface com produção em blog. Ainda verificou as formas
de apropriação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) por pessoas
em sofrimento psíquico quanto aos dispositivos digitais e analisou as produções no
blog quanto ao seu potencial de habilitação psicossocial. As oficinas de blog foram
desenvolvidas com quatro usuários em acompanhamento no Centro de Atenção
Psicossocial (CAPS) Dr. Rostan Silvestre, no município de Maceió-AL, no período de
agosto a dezembro de 2011, totalizando 12 encontros. Este estudo é de caráter
qualitativo e envolveu uma pesquisa-intervenção, na perspectiva de construção de
novos modos de fazer em saúde mental e uso das TIC. Para a coleta de dados
foram utilizados os prontuários dos usuários, observação participante e criação de
diário de campo; entrevistas semi-estruturadas com usuários e equipe do CAPS,
com temas versando sobre a avaliação da atividade, os efeitos da participação nas
oficinas, nos grupos e na produção de materiais, além das produções no blog. A
análise dos dados foi realizada a partir do conteúdo das entrevistas, observações e
produções, a partir das proposições teóricas e tendo como foco os objetivos da
pesquisa. Os resultados para os sujeitos participantes incluíram o conhecimento
sobre a ferramenta blog e suas formas de manuseio, além da aprendizagem dos
recursos informatizados. O exercício de produção em blog proporcionou o
reconhecimento das suas potencialidades, por eles mesmos, por seus familiares e
pelos profissionais da equipe do CAPS. O blog se constituiu em um espaço de
expressão na perspectiva dos participantes, sobre o que era significativo para eles e
de apropriação das tecnologias. As atividades proporcionaram uma aprendizagem
compartilhada, troca de experiências, socialização, interação, melhorias no
raciocínio e comunicação, resgate da auto-estima e sentimento de utilidade,
satisfação e o fortalecimento dos laços entre todos os participantes. A ferramenta
blog contribui para a reconstrução da própria vida daqueles que enfrentam todas as
barreiras do sofrimento psíquico. Contribui para a promoção da saúde mental e se
constitui em um importante recurso de atenção ao sofrimento psíquico, no qual o
sujeito pode desenvolver, divulgar e compartilhar suas potencialidades, com
consequente valorização desses sujeitos para o resgate da sua cidadania e
habilitação psicossocial.
Palavras-chave: blog; habilitação psicossocial; sofrimento psíquico.

7

RESUMEN

El estudio examinó el proceso de calificación psicosocial de personas en sufrimiento
psíquico en la interfaz con producción en el blog. Incluso registramos las formas de
apropiación de las Tecnologías de la Información y Comunicación (TIC) por
personas con sufrimiento psíquico como los dispositivos digitales y examinó las
producciones en el blog sobre el potencial de calificación psicosocial. Los talleres del
blog se ha desarrollado con cuatro usuarios monitoreados por el Centro de Atención
Psicosocial (CAPS) Dr. Rostan Silvestre, la ciudad de Maceió-AL, en el período de
agosto a diciembre de 2011, un total de 12 reuniones. El estudio es de naturaleza
cualitativa y consistió en una intervención a la investigación, en la perspectiva de
construir nuevas formas de hacer en la salud mental y uso de las TIC. Para la
recolección de datos se utilizó las historias clínicas de los usuarios, la observación
participante y la creación de un diario de campo, entrevistas semi-estructuradas con
los usuarios y el equipo del CAPS, cuestiones sobre la evolución de la actividad, los
efectos de la participación en talleres, en los grupos y en la producción de
materiales, además de las producciones en el blog. Para el análisis se utilizó el
contenido de entrevistas, observaciones y producciones, de las proposiciones
teóricas, centrándose en los objetivos de la investigación. Los resultados a los
participantes son el conocimiento de la herramienta blog, cómo manejarlo y la
aprendizaje de recursos informáticos. El ejercicio de producción en el blog les dio el
reconocimiento de sus potencialidades, por sí mismos, por sus familias y por los
profesionales del CAPS. El blog fue un espacio de expresión en la perspectiva de los
participantes, de lo que era significativo para ellos y la apropiación de las
tecnologías. Las actividades han promovido una aprendizaje compartido, el
intercambio de experiencias, la socialización, la interacción, las mejoras en el
razonamiento y la comunicación, la recuperación de la autoestima y los sentimientos
de utilidad, la satisfacción y el fortalecer los lazos entre todos los participantes. La
herramienta del blog contribuye a la reconstrucción de sus vidas a todos aquellos
que enfrentan las barreras del sufrimiento mental. Contribuye a la promoción de la
salud mental y es un importante recurso de atención a lo sufrimiento psíquico, que el
sujeto
puede
desarrollar,
difundir
y
compartir
su
potencial,
con la consiguiente apreciación de estos para el rescate de su ciudadanía y
calificación psicosocial.
Palabras-clave: blog; calificación psicosocial; sufrimiento psíquico.

8

LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Título do blog...............................................................................................63
Figura 2. Layout do blog.............................................................................................63
Figura 3. Produções da página inicial do blog............................................................64
Figura 4. Páginas dos usuários..................................................................................64
Figura 5. Página do Hades.........................................................................................71
Figura 6. Página da Maria..........................................................................................76
Figura 7. Página do Liga dos Campeões...................................................................81
Figura 8. Página do Adele..........................................................................................84

9

LISTA DE QUADROS

Quadro 1. Cebola Radical..........................................................................................71
Quadro 2. Crepúsculo................................................................................................71
Quadro 3. Representação do computador segundo Hades.......................................72
Quadro 4. CDZ...........................................................................................................72
Quadro 5. Significado do pôr-do-sol...........................................................................76
Quadro 6. Música Restauração..................................................................................76
Quadro 7. Representação do computador segundo Maria........................................77
Quadro 8. Interpretação de poema............................................................................77
Quadro 9. Times de futebol........................................................................................81
Quadro 10. Modalidades do Panamericano...............................................................82
Quadro 11 Representação do computador segundo Adele.......................................85
Quadro 12. Música sertaneja.....................................................................................85
Quadro 13. Música chocolate.....................................................................................85

10

LISTA DE SIGLAS

CAPS- Centro de Atenção Psicossocial
CDI- Comitê para Democratização da Informática
CEDU- Centro de Educação
CNSM- Conferência Nacional de Saúde Mental
INFOCAPS- Informática no CAPS
MTSM- Movimento dos Trabalhadores de Saúde Mental
MSN- Messenger
NAPS- Núcleo de Atenção Psicossocial
NASF- Núcleo de Apoio à Saúde da Família
OMS- Organização Mundial de Saúde
OPAS- Organização Pan-Americana da Saúde
PIBIP-AÇÃO- Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Pesquisa-Ação
PSID- Programa Serpro de Inclusão Digital
PTS- Plano Terapêutico Singular
SERPRO- Serviço Federal de Processamento de dados
SESAU- Secretaria de Estado da Saúde
SUS- Sistema Único de Saúde
TCLE- Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
TIC- Tecnologias da Informação e Comunicação
TO- Terapia Ocupacional
UFAL- Universidade Federal de Alagoas
URI- Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões

11

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................13
2. SAÚDE MENTAL E HABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL..........................................18
2.1 A

pessoa

em

sofrimento

psíquico

e

aspectos

do

seu

processo

histórico.................................................................................................................18
2.2 Desinstitucionalização e CAPS.............................................................................28
2.3 Habilitação psicossocial e as possibilidades de novos modos de vida................35
3. OFICINAS TERAPÊUTICAS INFORMATIZADAS E O USO DO BLOG NA
SAÚDE MENTAL.......................................................................................................42
3.1 As oficinas terapêuticas na saúde mental e o uso das TIC.................................42
3.2 O blog e suas contribuições para a saúde mental...............................................50
4. DESDOBRAMENTOS METODOLÓGICOS..........................................................56
4.1 Características do estudo e abordagem...............................................................56
4.2 Questões éticas....................................................................................................57
4.3 Descrição do local de realização..........................................................................57
4.4 Os sujeitos da pesquisa.......................................................................................58
4.5 As oficinas informatizadas do estudo...................................................................59
4.6 Coleta e Análise dos dados..................................................................................59
5. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.....................................61
5.1 As experiências de uma equipe de produção em blog........................................61
5.2 Características dos participantes e os seus processos na construção do blog...68
5.2.1 Hades..........................................................................................................68
5.2.2 Maria............................................................................................................74
5.2.3 Liga dos Campeões.....................................................................................79
5.2.4 Adele...........................................................................................................83
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................89
REFERÊNCIAS..........................................................................................................93
APÊNDICES.............................................................................................................105
ANEXOS..................................................................................................................113

12

1. INTRODUÇÃO

O sofrimento psíquico é inerente à existência humana, mas é pouco
compreendido. O preconceito e a discriminação acabam levando à exclusão social
dos sujeitos que o vivenciam. Porém, há profissionais, familiares e pessoas em
sofrimento psíquico que têm procurado mudar tais concepções, possibilitando
constituir um novo olhar sobre o sofrimento e um novo local social para essas
pessoas, através da criação de dispositivos substitutivos ao manicômio, instituições
de atenção à saúde mental.
Nesta direção, a atual Política Nacional de Saúde Mental baseada nos ideais
de uma sociedade equânime e humana, busca a reinserção social dos excluídos, na
luta por uma sociedade livre da opressão, preconceito e discriminação. Uma das
formas de intervenção inclui oficinas terapêuticas desenvolvidas nos serviços de
saúde mental. Estas têm sido recriadas incorporando a utilização e apropriação das
Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) em suas atividades, tanto como
um meio de inclusão na chamada “era digital” quanto como possibilitadoras da
habilitação psicossocial1. Algumas dessas importantes iniciativas (ARZA, 2011;
SANTOS e MELO, 2010; CAPELLA et al, 2008; FRANCISCO, 2007) têm
demonstrado resultados promissores e contribuições significativas na atenção, no
tratamento e na promoção da qualidade de vida dos sujeitos que enfrentam o
sofrimento psíquico.
Este trabalho, especificamente, surge das minhas experiências e inquietudes
enquanto enfermeira de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), no qual pude
1

Capacidade do sujeito de estabelecer trocas sociais e afetivas na rede social, no trabalho e em
casa, possibilitando-o resgatar sua autonomia (OLIVEIRA; FORTUNATO, 2007).

13

testemunhar preconceitos, discriminações e outras formas de exclusão por parte da
sociedade com relação aos sujeitos em sofrimento psíquico. Estes eram vistos como
incapazes e desprovidos de potencialidades, o que interferia significativamente nos
tratamentos e nas possibilidades de recuperação.
O Mestrado em Educação Brasileira me impulsionou a desenvolver atividades
de pesquisa nesse campo, de forma a poder contribuir para mudanças nas
concepções e no trato da pessoa em sofrimento psíquico. Enquanto integrante da
linha de TIC e de um projeto de extensão da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL), o qual implantou oficinas informatizadas em um CAPS do município de
Maceió-AL, decidi analisar o processo de habilitação psicossocial de pessoas em
sofrimento psíquico na interface com produção em blog.
A partir do projeto de extensão “Criando laços via recursos informatizados”,
integrante do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Pesquisa-Ação (PIBIPAÇÃO) da UFAL sob a coordenação da Profa. Dra. Deise Juliana Francisco do
Centro de Educação (CEDU), sugerimos a implantação de oficinas terapêuticas
informatizadas para os usuários do CAPS Dr. Rostan Silvestre localizado no
município de Maceió-AL, pois nesse serviço não havia a realização desse tipo de
atividade. A equipe desse serviço aprovou a execução do referido projeto e
disponibilizou apoio e uma sala para a realização dessas oficinas.
O referido projeto está em execução desde agosto de 2010 realizando
oficinas semanais com duração de duas horas, com o objetivo de incluir digital e
socialmente sujeitos em sofrimento psíquico em acompanhamento nesse serviço,
analisando a viabilidade da utilização das TIC nas oficinas terapêuticas como forma
de intervenção em saúde mental. Envolve a participação de professores, alunos do
mestrado em Educação Brasileira da linha de TIC, com formação em enfermagem e
administração, alunos de graduação em Psicologia e Pedagogia, equipe do serviço e
usuários. Os participantes foram indicados pela equipe do CAPS, tendo em vista o
Projeto Terapêutico Singular2 (PTS) de cada usuário. A quantidade de usuários
participantes foi definida de acordo com a disponibilidade dos equipamentos

2

Conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas para um sujeito. Resultado da
discussão coletiva de uma equipe interdisciplinar, valorizando outros aspectos além do diagnóstico
psiquiátrico e da medicação no tratamento dos usuários. Para ajudar a entender o sujeito com alguma
demanda de cuidado em saúde (BRASIL, 2009).

14

fornecidos pela equipe do projeto de extensão, em virtude de um melhor
aproveitamento dos mesmos.
Iniciamos as atividades através de um processo de familiarização com os
usuários, por meio de rodas de conversa nas quais todos os integrantes foram
conhecendo a história de cada um, interesses e aptidões. Alguns usuários não
tinham contato com o computador no seu dia-a-dia, por não possuírem em casa,
pela inexistência de locais que ofereciam esse serviço nas proximidades da
residência, como também pela negação do acesso pelos próprios familiares quando
da existência no domicílio. E os usuários que já tinham acesso apresentaram o
interesse no aperfeiçoamento dos recursos. A partir dessas oficinas, houve um
incremento nessa relação com as tecnologias.
Os trabalhos iniciaram-se com a apropriação tecnológica de alguns artefatos
tais como: máquina fotográfica, filmadora, netbook, datashow, microfones e caixas
de som. Para tanto, foram realizadas oficinas de gravação e edição de vídeo, rádio
novela, fotografia, desenhos no PowerPoint, digitação e músicas através de recurso
de karaokê. A interação com os artefatos se deu de forma gradativa, tranqüila, com
muita curiosidade, de maneira coletiva e dialogada, possibilitando espaços de voz e
de decisão em grupo. Nestas, os usuários participantes produziram diversos
materiais em interação com a equipe extensionista utilizando as TIC. Sugerimos,
então, a criação e estruturação de um blog, como um espaço para que essas
produções pudessem ficar registradas e serem compartilhadas e divulgadas como
um meio de expressão das suas potencialidades. A partir dessa sugestão, tivemos a
curiosidade e iniciativa de analisar esse processo de produção em blog por parte
dos usuários, as experiências compartilhadas e os efeitos quanto à habilitação
psicossocial, desdobrando-se nessa dissertação de mestrado. A pergunta da
pesquisa foi assim construída: Quais os efeitos da produção em blog para pessoas
em sofrimento psíquico? O objetivo geral foi analisar o processo de habilitação
psicossocial de pessoas em sofrimento psíquico na interface com produção em blog
e os objetivos específicos englobaram: verificar as formas de apropriação das TIC
por pessoas em sofrimento psíquico e analisar as produções no blog quanto ao seu
potencial de habilitação psicossocial.
Este estudo é de caráter qualitativo e envolveu uma pesquisa-intervenção, na
perspectiva de construção de novos modos de fazer em saúde mental e uso das
15

TIC. As estratégias de investigação envolveram o conhecimento das características
de cada usuário participante e o seu processo na construção do blog. Foi aprovado
pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFAL e foram respeitados os procedimentos
éticos, estabelecidos na Resolução 196/96.
A pesquisa foi realizada mediante o contato direto com 4 usuários, sendo 1 do
sexo feminino e 3 do sexo masculino, com idades entre 21 e 34 anos, indicados pela
equipe do CAPS. Contou com a participação de 1 membro da equipe do CAPS,
graduandos em psicologia e pedagogia e da pesquisadora proponente dessa
pesquisa. Os encontros aconteceram no referido CAPS, de agosto a dezembro de
2011, com frequência semanal e duração de duas horas, totalizando 12 oficinas, a
fim de coletar informações quanto aos objetivos da pesquisa.
Para a coleta dos dados foram utilizados os prontuários dos usuários, a
observação participante, a criação de diário de campo e aplicação de entrevistas
semi-estruturadas. A análise dos dados foi realizada a partir da análise de conteúdo
dos diários de campo, entrevistas, observações e produções postadas no blog a
partir das proposições teóricas e tendo como foco os objetivos da pesquisa.
A pesquisa está estruturada em quatro capítulos. O primeiro trata de aspectos
do processo histórico das concepções e formas de tratamento à pessoa em
sofrimento psíquico, as políticas de saúde mental instituídas, características e
objetivos do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil, as Conferências Nacionais
de Saúde Mental (CNSM) que foram realizadas e o contexto da saúde mental em
Alagoas, território do nosso estudo. Aborda também o processo para a
desinstitucionalização, características dos CAPS e as estratégias para novos modos
de vida que promovam a habilitação psicossocial.
O segundo capítulo descreve o trabalho das oficinas terapêuticas na saúde
mental,

suas

definições,

características,

tipos

de

atividades

que

são

desempenhadas, possibilidades no enfrentamento do sofrimento psíquico e
experiências de utilização das tecnologias nessas oficinas, assim como as
contribuições do exercício de produção em blog para o campo da saúde mental.
O terceiro capítulo ocupa-se dos desdobramentos metodológicos da
pesquisa. Detalha as características desse estudo, a perspectiva ética, a construção
do espaço da pesquisa, os sujeitos envolvidos, as oficinas terapêuticas e a
ferramenta blog, além dos procedimentos de coleta e análise dos dados.
16

O quarto capítulo descreve como foi organizada a equipe produtora do blog, o
que foi discutido sobre essa ferramenta enquanto conhecimentos básicos, os
significados quanto ao nome escolhido para o blog e o seu layout, o conteúdo
presente na página inicial, as aprendizagens coletivas e os seus efeitos, além da fala
de uma profissional do serviço. Apresenta as características dos participantes e os
seus processos individuais na construção do blog, ou seja, como cada um se
apropriou das tecnologias, o que produziu e postou no blog, depoimentos e os
efeitos disso para habilitação psicossocial.
A finalidade desse estudo foi apresentar as potencialidades das TIC para o
campo da saúde mental e poder contribuir com reflexões que possam fazer
compreender como uma das suas ferramentas, o blog, pode ser um instrumento
relevante de intervenção, aprendizagem e habilitação psicossocial para pessoas em
sofrimento psíquico.
Os resultados deste estudo mostram como o blog representa uma forma
diferente de aprender através do compartilhamento de saberes, proporcionando a
valorização dos sujeitos, crescimento individual e coletivo e como meio de inserção
social e cidadania.

17

2. SAÚDE MENTAL E HABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL

Esse capítulo expõe aspectos do processo histórico da pessoa em sofrimento
psíquico, transformações conceituais e interpretações que foram sendo modificadas,
as quais influenciaram as formas de tratamento em alguns momentos históricos.
Destaca a fundação da primeira instituição psiquiátrica brasileira, algumas Políticas
de Saúde Mental instituídas através das suas leis e portarias, características e
objetivos do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil, as CNSM que foram
realizadas e o contexto da saúde mental em Alagoas, território do nosso estudo.
Apresenta os sentidos e discute processos de trabalho construídos na perspectiva
da desinstitucionalização, os CAPS e as possibilidades de novos modos de vida
através da promoção da habilitação psicossocial.

2.1 A pessoa em sofrimento psíquico e aspectos do seu processo histórico

No decorrer da história, transformações conceituais quanto à pessoa em
sofrimento psíquico foram sendo criadas. Vários termos foram utilizados tais como
“louco”, “doente mental”, “portador de transtornos mentais”, até ao termo utilizado
nos dias atuais “pessoa em sofrimento psíquico”, através da concepção da
existência de sofrimento. Para Amarante (2008, p. 69), a ideia de sofrimento remete
a pensar em um sujeito que sofre, em uma experiência “[...] com suas vicissitudes,
seus problemas concretos do cotidiano, seu trabalho, sua família, seus parentes e
vizinhos, seus projetos e anseios [...]”. Segundo Ribeiro (2012, p. 128), o início do
sofrimento psíquico é marcado pela “vivência de ser diferente, de sentir ou perceber
o mundo de forma diferenciada e manifestar-se contrariamente ao que a maioria
18

espera [...]”. Essa autora descreve que a experiência do sofrimento é também a
experiência do silenciamento dos sujeitos e sua exclusão social: “apesar das portas
do manicômio terem sido abertas, as portas da sociedade e de sua cultura de
exclusão do diferente ainda não foram” (p.128). E é neste sentido que utilizaremos a
referência aos participantes da pesquisa ora apresentada, na perspectiva não de
negar o sofrimento ou de diminuir seu significado na vida das pessoas, mas sim de
qualificá-lo de outra forma.
Ao longo dos séculos, foram diversas as interpretações que influenciaram as
formas de tratamentos produzidas em cada momento histórico. Nos primórdios da
civilização, as pessoas consideradas “anormais”, ou seja, que apresentavam
comportamentos diferentes do habitual eram tratadas a chicote e morriam por falta
de cuidados (SPADINI; SOUZA, 2006). Por um determinado período, na Grécia
Antiga, esses comportamentos já foram considerados um privilégio. Interpretados
como uma manifestação dos deuses e com poderes diversos, eram reconhecidos e
valorizados socialmente. Segundo Alves et al (2009, p. 86), “o que dizia era ouvido
como um saber importante e necessário, capaz de interferir no destino dos homens”.
De acordo com Silveira e Braga (2005), filósofos como Sócrates e Platão
ressaltaram a existência de uma forma de loucura tida como divina. Era através do
delírio que alguns privilegiados podiam ter acesso a verdades divinas. Diante disso,
Stockinger (2007) afirma que consideravam essas pessoas, dotadas de determinada
sabedoria profética e transformadora e não havia necessidade de segregação das
mesmas, ou seja, controle ou exclusão. Porém, em pouco tempo, durante a Idade
Média, estas passaram a ocupar o lugar de representante simbólico do mal, sendo
vistas como algo diabólico, não humano. Havia a intervenção da Igreja para o
salvamento de tais almas através do aquietamento das perturbações, “[...] tratavamse o doente com métodos mágicos - religiosos, eram exorcizados e queimados [...]”,
conforme Spadini e Souza (2006, p. 124).
O filósofo Michael Foucault em seu livro “História da Loucura: na idade
clássica” descreve que, no continente Europeu, com o intuito de evitar que essas
pessoas ficassem vagando pelas cidades, os navios eram utilizados como um meio
para separá-las da sociedade. Confiavam aos marinheiros a função de transportálas para territórios distantes, sendo esta a certeza de que iriam para longe, tornando-

19

se prisioneiras da sua própria partida, a terra à qual desembarcavam era
desconhecida restando-lhes a incerteza da sorte (FOUCAULT, 2009).
O internamento, a partir da metade do século XVII, foi um dispositivo de
exclusão sendo utilizadas para tanto prisões e, após, hospitais. O hospital era mais
um lugar para o asilamento dessas pessoas em sofrimento psíquico porque a
sociedade os percebia como seres perigosos, inconvenientes e que não conseguiam
conviver de acordo com as normas sociais. Isso refletia na própria localização e
ambiente de tais estabelecimentos. De acordo com Melo (2001, p. 97), eram
construídos afastados da cidade, “[...] com cercas por todos os lados, muros e
grades separando os locais de circulação dos funcionários e o depósito dos loucos
[...]”, homens e mulheres separados, pessoas nuas ou uniformizadas, corpos
estendidos no chão, pessoas com impregnação medicamentosa, onde a frieza era a
sua principal característica. Essencialmente, a criação do hospital psiquiátrico
institucionalizava necessidades da sociedade objetivando a supressão do que era
estranho no sujeito, como afirma Acioly (2009). Para Amarante (2008), essa ideia de
periculosidade à sociedade era devido à concepção da perda do juízo ou da
capacidade de discernimento entre o erro e a realidade. O isolamento desses
sujeitos era uma atitude social de medo e discriminação.
Segundo Spadini e Souza (2006), Philippe Pinel (médico francês, considerado
por muitos o pai da psiquiatria) no século XIX, trouxe um novo entendimento sobre o
adoecimento mental, o qual passou a ser considerado como um distúrbio do sistema
nervoso que precisava ser estudado e tratado por meio medicamentoso. As pessoas
em sofrimento psíquico passaram a ser internadas em espaços especialmente
concebidos e aí, tendo sua vida toda organizada. Conforme Amarante (2008), eram
observadas e classificadas, para que seus desvios fossem corrigidos na apropriação
da experiência pelo saber médico. Dentro dessa nova concepção, a diferença foi
introduzida na igualdade da loucura onde esses sujeitos não eram mais diferentes
em relação aos outros, eram diferentes de um para outro (VIEIRA, 2007). Entretanto,
as estratégias de exclusão e isolamento foram mantidas porque acreditavam que
esse era um tratamento necessário a fim de estudá-los e buscar a sua cura. O
paradigma da exclusão social e da loucura fez com que esses sujeitos perdessem a
sua identidade, sofressem preconceitos e fossem segregados da sociedade. Nesse
contexto, Alves et al (2009), discutem que foi concedido às pessoas o direito de
20

assistência médica e cuidados terapêuticos, mas foram excluídos definitivamente do
espaço social.

Sendo assim, esta ideia de isolamento foi cristalizada nos

manicômios, instituições que atualmente vêm sendo desconstruídas na perspectiva
de construção de uma sociedade mais equânime e que aceita as diferenças.
No tocante à realidade brasileira, em 1841, o imperador D. Pedro II assinou o
decreto de fundação da primeira instituição psiquiátrica brasileira e da América
Latina, o Hospício Pedro II, na cidade do Rio de Janeiro, inaugurado em 1852
(NOGUEIRA; COSTA, 2007). Mas as críticas ao modelo hospitalar já se anunciaram,
tanto que o escritor Machado de Assis foi um dos pioneiros na crítica às instituições
psiquiátricas no Brasil através da sua obra “O Alienista”, publicada em 1882.
Nesta, destaca os pontos mais frágeis do processo de constituição da
psiquiatria e seus dispositivos de poder, através da criação do hospício Casa Verde
pelo personagem e protagonista Simão Bacamarte (psiquiatra). Esse personagem
conduziu o internamento de todos que eram considerados loucos em um único
espaço para realização de pesquisas e identificação de todos os tipos de loucura, os
seus diversos graus, a causa do fenômeno e o remédio universal. Dessa forma,
denunciou a função da psiquiatria na construção do ideal de normalidade e de
sociedade, bem como a relação entre psiquiatria e ordem pública.
Conforme Amarante (2006) a referida obra se aproxima da história real de
Philippe Pinel e de seu trabalho na construção do alienismo, como também,
suspeita-se que Machado de Assis tenha acompanhado de perto a trajetória de João
Carlos Teixeira Brandão, fundador da psiquiatria brasileira e que fez severas críticas
ao primeiro hospício do país, do qual foi diretor médico. Segundo Nogueira e Costa
(2007), em 1890 foi criada a Assistência Médica Legal a Alienados que organizou a
assistência psiquiátrica no país e possibilitou a difusão do modelo hospitalocêntrico.
A primeira lei de reorganização da assistência a alienados foi instituída em
1903 pelo Decreto nº 1.132, de 22 de Dezembro (BRASIL, 1903). A segunda lei
federal de assistência aos doentes mentais, o Decreto nº 24.559, de 3 de Julho de
1934, foi promulgada no governo de Getúlio Vargas e dispunha sobre a profilaxia
mental, a assistência e proteção à pessoa, aos bens dos psicopatas e fiscalização
dos serviços psiquiátricos (BRASIL, 1934).
Posteriormente, o asilamento tornou-se mais frequente e, de acordo com
Angelini (2007), construíram-se métodos que propunham a cura das ditas doenças
21

mentais: choques cardiazólico e insulínico, eletroconvulsoterapia, lobotomia, além
das camisas-de-força que eram utilizadas como um meio para controlar os
indivíduos mais agressivos. Isso fortaleceu ainda mais o processo de hospitalização
e as construções de hospitais psiquiátricos foram expandidas no Brasil, autorizadas
pelo Decreto 8.550/1946 (BRASIL, 1946). Com isso, ficou conhecida a “Indústria da
Loucura” na qual os hospitais psiquiátricos se utilizavam de internações longas, com
consequências para a cronicidade dos pacientes e insucesso terapêutico.
Questionamentos surgiram quanto ao direito à cidadania dos sujeitos em
sofrimento psíquico, dando início, de acordo com Stockinger (2007), às
transformações na assistência, através da humanização do ambiente, do abandono
progressivo

das

medidas

restritivas

e

eliminação

dos

tratamentos

eletroconvulsionantes. Nise da Silveira, renomada psiquiatra brasileira e alagoana,
foi radicalmente contrária às formas agressivas de tratamento de sua época. Assim,
conforme Stockinger (2007), em 1948 criou o setor de Terapia Ocupacional (TO) no
antigo Centro Psiquiátrico Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro. A TO
tinha como objetivo entrar em contato com o mundo das pessoas que se
encontravam internadas.
Ainda sobre o trabalho da psiquiatra, este foi um método “não agressivo” que
criava oportunidades para que as imagens do inconsciente encontrassem formas de
expressão, permitindo que os internos falassem através das cores e formas,
segundo relato de Melo (2001). Esse autor informa que as atividades eram divididas
em quatro grupos:
[...] que envolvem esforço característico do trabalho (marcenaria, sapataria,
encadernação, cestaria, costura, jardinagem etc), expressivas (pintura,
modelagem, gravura, música, dança, mímica, teatro etc), recreativas (jogos,
festas, cinema, rádio, televisão, esportes, passeios etc) e culturais (escola,
biblioteca) (p. 71).

O autor citado destaca que “sua intenção era que a TO fosse respeitada como
método terapêutico e não como um meio de distração” (op. cit., p. 71). Para
Stockinger (2007), Nise da Silveira privilegiou a expressão criativa e livre por parte
dos

sujeitos,

procurando

dar

espaço

para

que

estes

se

organizassem

simbolicamente através de suas habilidades singulares, modos de expressão e
ritmos próprios, propondo uma alternativa humana às terapias tradicionais e
invasivas. Neste trabalho, comunga-se da perspectiva da autora ao propormos
22

estratégias para entrar em contato com as pessoas em sofrimento psíquico, criando
alternativas de expressão genuínas das mesmas, fora do espaço manicomial e em
contato com as tecnologias contemporâneas.
As formas de tratamento ao sofrimento psíquico foram as mais diversas ao
longo da história da humanidade, as quais culminaram na luta por transformações
na assistência e nas políticas públicas. A década de 70 foi marcada por movimentos
populares, os quais exigiam mudanças no panorama econômico, político e cultural
do país, sendo considerado um processo de luta pela redemocratização
(FERREIRA, 2006). Em meio às inúmeras manifestações, havia um segmento que
discutia sobre a política de saúde, com críticas à ineficiência da assistência pública
em saúde e ao caráter privatista estabelecido pelo governo central, de acordo com
Tenório (2002).
A assistência médica ficava restrita aos empregados que contribuiam para a
previdência social, os demais eram atendidos apenas em serviços filantrópicos. Isso
fez culminar o Movimento Popular de Saúde, uma luta pelo estabelecimento de uma
política pública de saúde a todos os brasileiros, através da implantação de um
sistema único de saúde (NOGUEIRA; COSTA, 2007). O Movimento da Reforma
Psiquiátrica no Brasil iniciou-se também na década de 70, com denúncias de maus
tratos, abandono e violências aos doentes, falta de recursos e más condições de
trabalho e das instituições asilares (TENÓRIO, 2002). Foi o Movimento dos
Trabalhadores de Saúde Mental (MTSM) sob influência, segundo Vidal, Bandeira e
Gontijo (2008), dos movimentos de reforma na assistência psiquiátrica na Europa e
nos Estados Unidos. De acordo com Kyrillos Neto (2003), em 1978 alcançou grande
repercussão e fez avançar a luta em seu caráter antimanicomial. Teve caráter
autenticamente democrático e social, porque buscou os direitos da pessoa enquanto
ser humano, defendendo sua cidadania e novas formas de tratamento. A perspectiva
antimanicomial ancora a perspectiva desta pesquisa, quando se pensa na pessoa e
nos processos de cidadania e de expressão da singularidade.
Conforme Antunes e Queiroz (2007), a assistência psiquiátrica no Brasil
passou por significativas mudanças, determinando o surgimento de um novo
paradigma científico e novas práticas de assistência em saúde mental. Segundo
Devera e Costa-Rosa (2007, p. 63):

23

Instalou-se um processo histórico de formulação crítica e prática com o
objetivo de questionar e elaborar propostas de transformação do modelo
asilar, julgando inadmissíveis a exclusão, a cronificação e a violência do
modelo hospitalocêntrico.

Através da participação de um grupo de populares na VIII Conferência
Nacional de Saúde realizada em 1986, o Movimento Popular de Saúde ficou
nacionalmente conhecido. De acordo com Nogueira e Costa (2007), deu origem ao
Movimento pela Reforma Sanitária, ou seja, movimento pela reformulação do
sistema nacional de saúde, contendo em suas discussões a assistência psiquiátrica.
Destacou a saúde como um direito, determinando a ampliação do acesso da
população à assistência em saúde e as formas de financiamento do setor. A
intenção era promover a saúde tomando por base a melhoria da qualidade de vida
através de vários fatores como educação, moradia e alimentação. A Reforma
Sanitária ficou marcada pelo seu caráter democrático, pela nova visão do papel do
Estado como responsável pelas políticas de bem-estar social e uma visão de saúde
ampliada, entendida como um bem determinado socialmente.
Realizou-se então, no ano de 1987, a I Conferência Nacional de Saúde
Mental, um evento de fundamental importância que propôs uma revisão do modelo
manicomial rumo aos serviços extra-hospitalares, a qual foi considerada Movimento
Nacional de Luta Antimanicomial sob o lema: “Por uma sociedade sem manicômios”.
Teve como objetivo a implantação de serviços substitutivos às instituições asilares e
segregadoras (BRASIL, 1988a), em que os sujeitos ficavam internados por longos
períodos e afastados do convívio familiar e com tratamento, para Grunpeter, Costa e
Mustafá (2007), caracterizado pela violência institucionalizada dos manicômios.
Esse Movimento congregou esforços na luta por mudanças no plano legislativo do
nosso país e buscou assegurar a atenção ao sujeito em sofrimento psíquico,
conforme Nogueira e Costa (2007), em seu meio cultural e social para a construção
da sua cidadania, a qual se conquista no cotidiano das relações pessoais e poder de
trocas sociais. Tais trocas devem ser vitalizadas e devem ser criados espaços para
que as mesmas se potencializem. Inclusive, esta é uma das questões presentes nos
serviços de atenção à saúde mental que se alicerçam no modelo antimanicomial, na
busca de opções inventivas e baseadas no cotidiano de cada serviço, levando-se
em consideração a cultura local, a equipe, os usuários e familiares e as relações

24

com

outras

instituições

(universidade,

organizações

não

governamentais,

comunidade local, e outros).
Nesta perspectiva, a reforma psiquiátrica redefiniu práticas terapêuticas e
administrativas no trato com pessoas que sofriam mentalmente e buscou um novo
lugar social para o sofrimento mental e sua relação com a cidadania. Além disso,
chamou a sociedade para discutir e reconstruir suas relações com esses sujeitos,
através da participação dos mesmos e de seus familiares, nos encontros e
conferências, passando, esta, a ser uma característica marcante do processo.
Segundo Alverga e Dimenstein (2006), a reforma deve buscar a emancipação
pessoal, social e cultural que permita o não-enclausuramento de tantas formas de
existência, banidas do convívio social e possibilitar um olhar mais complexo do que
o generalizante olhar do igualitarismo, permitindo a convivência tolerante com a
diferença. A reforma, para Hirdes (2009b), possibilita novas abordagens, novos
princípios, valores e olhares às pessoas em situação de sofrimento psíquico,
impulsionando formas mais adequadas de cuidado no seu âmbito familiar, social e
cultural. Nesse sentido, a reinserção social passou a ser o seu principal objetivo,
criando, de acordo com Alves et al (2009, p. 93) “um ambiente favorável para que
aquele que sofre psiquicamente possa ter o suporte necessário para reinscrever-se
no mundo como ator social”. Esta reinscrição não está prescrita, faz-se
constantemente nos serviços na criação de oficinas, de intervenções ainda não
cristalizadas. Sendo que uma das marcas do processo de reforma é, também, a
invenção e o contato com elementos não restritos ao campo da saúde. Vide, por
exemplo, a intervenção com arte de Nise da Silveira.
O processo da reforma psiquiátrica também se caracterizou, segundo Spadini
e Souza (2006, p. 124), na “luta por mudanças de hábitos, por mudanças culturais,
por tecnologias e por uma nova ética na assistência [...]”. Com essa concepção,
houve a criação de outros modelos de atendimento de caráter extra-hospitalar. De
acordo com Stockinger (2007), tendo como marcos iniciais e inovadores os trabalhos
no CAPS Professor Luiz da Rocha Cerqueira inaugurado em 1987, na cidade de
São Paulo e o Núcleo de Atenção Psicossocial (NAPS) em 1989, na cidade de
Santos. Este como um dispositivo de atendimento integral às demandas de
sofrimento psíquico tendo como eixo a desconstrução do hospital, a articulação com
a cultura, com a comunicação social. Ambos serviram de referência para vários
25

outros projetos em todo o país. As portarias 189/91 e 224/92 do Ministério da Saúde
instituíram e regulamentaram a estrutura desses novos serviços em saúde mental
(TENÓRIO, 2002).
A Constituição Federal em 1988, resultado de muita luta e mobilização social,
em seu artigo 196 estabeleceu a saúde como um direito de todos e dever do Estado
(BRASIL, 1988b). A partir daí consolidou-se o Sistema Único de Saúde (SUS) e
foram estabelecidas condições institucionais para a implantação de novas políticas
de saúde, entre as quais as de saúde mental.
Em 1989 foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente
da República, o Projeto de Lei nº 3.657 do Deputado Federal Paulo Delgado (PTMG) que viria a ser conhecido como a Lei da Reforma Psiquiátrica. Esse Projeto de
Lei dispunha sobre a extinção progressiva dos manicômios e sua substituição por
outros recursos assistenciais e regulamentação da internação

psiquiátrica

compulsória (BRASIL, 1989). Porém a sua aprovação, enquanto lei, somente
aconteceu após 12 anos, devido aos embates e interesses diversos na
institucionalização da loucura, demonstrando que a atenção à saúde mental envolve
práticas, saberes e interesses já arraigados, sendo necessária uma desconstrução
dos modos de pensar saúde e doença e relações humanas e sociais para sua
mudança.
Em termos de documentos internacionais, a Declaração de Caracas (1990) foi
um marco significativo. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a
Organização Mundial de Saúde (OMS) convocaram e realizaram uma Conferência
Regional em Caracas na Venezuela, para a reestruturação da atenção psiquiátrica
na América notando que:
A atenção psiquiátrica convencional não permite alcançar os objetivos
compatíveis com uma atenção comunitária, integral, descentralizada,
contínua, participativa e preventiva; O hospital psiquiátrico como uma única
modalidade assistencial dificulta a consecução dos objetivos (OPAS/OMS,
1990, p.1).

Essa Conferência mostrou a necessidade de mudança das práticas que eram
adotadas e preconizou a permanência da pessoa em sofrimento psíquico em seu
meio comunitário. Para isso, determinou o ajustamento das legislações dos países
participantes.
26

Somando-se a isso, no Brasil, as quatro CNSM que foram realizadas em
1987, 1992, 2001 e 2010, possibilitaram a delimitação dos objetivos da reforma
psiquiátrica brasileira atual e a proposição de serviços substitutivos ao modelo
hospitalar. A I CNSM representou um marco histórico, pois refletiu a aspiração de
toda a comunidade que entendeu que a política nacional de saúde mental
necessitava estar integrada à política nacional de desenvolvimento social do
Governo Federal de acordo com os seguintes três temas de discussão: 1 –
Economia, Sociedade e Estado: impactos sobre saúde e doença mental; 2 –
Reforma sanitária e reorganização da assistência à saúde mental; 3 – Cidadania e
doença mental: direitos, deveres e Iegislação do doente mental (BRASIL, 1988a). A
II CNSM teve como tema “Reestruturação da atenção em saúde mental no Brasil:
modelo assistencial, direito a cidadania” (BRASIL, 1992) e a III CNSM “Cuidar sim,
excluir não – Efetivando a Reforma Psiquiátrica com Acesso, Qualidade,
Humanização e Controle Social” (BRASIL, 2001a). Essa reafirmou os princípios da
Reforma Psiquiátrica Brasileira, comemorou a promulgação da Lei de Saúde Mental
nº 10.216/2001 a qual dispôs sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras
de transtornos mentais e redirecionou o modelo assistencial em saúde mental
(BRASIL, 2001b). Essa lei, depois de um ciclo histórico na saúde pública do Brasil,
favoreceu a reestruturação da assistência em saúde mental no país. Apontou a
necessidade de aprofundamento da reorientação do modelo assistencial em saúde
mental, com a reestruturação da atenção psiquiátrica hospitalar, além da expansão
da rede de atenção comunitária, com a participação efetiva de usuários e familiares
e mediante a criação de alternativas à atenção à saúde mental. De acordo com a
referida lei, em seu Art. 2º parágrafo único, são direitos das, ali denominadas,
pessoas portadoras de transtorno mental:
I- Ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às
suas necessidades; II- Ser tratada com humanidade e respeito e no
interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua
recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade; III- Ser
protegida contra qualquer forma de abuso e exploração; IV- Ter garantia de
sigilo nas informações prestadas; V- Ter direito à presença médica, em
qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua
hospitalização involuntária; VI- Ter livre acesso aos meios de
comunicação disponíveis; VII- Receber o maior número de informações a
respeito de sua doença e de seu tratamento; VIII- Ser tratada em ambiente
terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis; XIX- Ser tratada,
preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental (BRASIL,
2001b, p. 1, grifo nosso).

27

Aqui já se aponta a atenção integral, sendo o sujeito visto como cidadão e
tendo acesso a informações, meios de comunicação, tratamento. Os meios de
comunicação são tidos como veículos de informação que podem ser tidos tanto na
perspectiva de recepção por parte das pessoas em sofrimento psíquico, quanto de
produção de conteúdos. Inclusive, algumas experiências como a Rádio Tamtam de
Santos-SP, Rádio Lokomotiva de Natal-RN e a TV Pinel do Rio de Janeiro-RJ se
utilizaram de rádio e televisão para busca de construção de cidadania por parte de
pessoas em sofrimento psíquico.
Em 2010, foi realizada a IV CNSM com o tema “Saúde Mental direito e
compromisso de todos: consolidar avanços e enfrentar desafios” (BRASIL, 2010a).
O seu Relatório reafirma os princípios mais gerais da reforma psiquiátrica em curso
no país, como a superação do modelo asilar, com construção de uma rede
substitutiva diversificada, e garantia dos direitos de cidadania das pessoas em
sofrimento psíquico e seus familiares. Isso aponta para a necessidade de
transformação nas formas de assistência aos sujeitos em sofrimento psíquico, que
possam despertar para a defesa da desinstitucionalização, onde as práticas sejam
desenvolvidas com esse objetivo nos serviços de atenção a saúde mental, dentre os
quais, nos CAPS. Os CAPS, neste momento histórico, já tiveram avaliação e
construção de alternativas e práticas cotidianas antimanicomiais.

2.2 Desinstitucionalização e CAPS

A desinstitucionalização foi um movimento italiano, de acordo com Nogueira e
Costa (2007), internacionalmente reconhecido que passou a orientar o processo de
organização dos novos serviços de saúde mental no Brasil. Conforme Acioly (2009),
desinstitucionalização não significa simplesmente desospitalização, ou seja, não se
restringe apenas à substituição do hospital por outra unidade de assistência e/ou
atenção. Deve envolver, segundo o conceito defendido pela reforma e apontado por
Gonçalves e Sena (2001), um deslocamento das práticas de cuidado para serem
realizadas na comunidade. Para Acioly (2009, p. 4) propõe-se “[...] novas
sociabilidades que possibilitem a interlocução entre as singularidades”. Esse autor
defende a desinstitucionalização “[...] como construção de outro lugar social para a
loucura” (op. cit., p. 2).
28

A desinstitucionalização é um trabalho prático de transformação que
pretende desmontar a lógica manicomial para remontar o problema. Propõe
transformar o modo como as pessoas são tratadas para transformar seu
sofrimento. Dessa forma, o primeiro passo da desinstitucionalização
consiste no fato de que não se pretende enfrentar a etiologia da doença
mas, ao contrário, busca-se uma reproposição da solução que reorienta, de
maneira global, complexa e concreta, a ação terapêutica como ação de
transformação institucional (KYRILLOS NETO, 2003, p. 75).

Dessa forma, de acordo com Rotelli, Leonardis e Mauri (2001, p. 30), “a
ênfase não é mais colocada no processo de “cura” mas no projeto de “invenção de
saúde” e de “reprodução social do paciente”. Os mesmos autores afirmam que é
possível reproduzir-se em mil modos, mas que estes devem ser praticáveis.
Tratando-se de utilizar a riqueza infinita dos papéis sociais possíveis, promovendo
ativamente estas possibilidades, de produção de vida, de sentido e de sociabilidade.
Nesse propósito, na compreensão da vivência do sofrer psíquico com novas
perspectivas, com novos desejos conforme Ribeiro (2012).
Esse processo, para Nogueira e Costa (2007, p. 6) fundamenta-se na ideia de
desconstrução e invenção, “[...] criar possibilidades de trocas subjetivas entre seres
humanos que devem ser vistos e aceitos como iguais em suas diferenças.” Segundo
Cedraz e Dimenstein (2005, p. 306), “a desinstitucionalização requer uma
desconstrução cotidiana de ideologias e práticas cristalizadas, defendendo uma
mudança para além dos muros dos serviços de saúde mental”.

Essa mudança,

segundo Ribeiro (2012, p. 40) “[...] requer atores comprometidos com uma nova
forma de lidar com o conhecimento, capazes de articular conhecimentos
profissionais específicos com o de toda a rede de saberes envolvidos no sistema de
cuidado”. Oliveira e Fortunato (2007, p. 158) defendem a utilização de “[...]
instrumentos de produção de vida, de solidariedade e trocas sociais”.
A desinstitucionalização é sobretudo um trabalho terapêutico, voltado para a
reconstituição das pessoas, enquanto pessoas que sofrem, como sujeitos.
Talvez não se “resolva” por hora, não se “cure” agora, mas no entanto
seguramente “se cuida”. Depois de ter descartado “a solução-cura” se
descobriu que cuidar significa ocupar-se, aqui e agora, de fazer com que se
transformem os modos de viver e sentir o sofrimento do “paciente” e que, ao
mesmo tempo, se transforme sua vida concreta e cotidiana, que alimenta
este sofrimento (ROTELLI; LEONARDIS; MAURI, 2001, p. 33).

Alverga e Dimenstein (2006) destacam que são muitos os desafios nessa
produção e invenção da desinstitucionalização, defendendo-a como uma potência
criadora de espaços de liberdade. Assim, Rotelli, Leonardis e Mauri (2001, p. 33),
29

enfatizam que “[...] o sofrimento psíquico talvez não se anule, mas se começa a
remover-lhe os motivos, mudam as formas e o peso com que este sofrimento entra
no jogo da vida de uma pessoa”. Trata-se de promover a emancipação e a
reprodução social das pessoas, inventando outros modos, criando oportunidades e
probabilidades (ROTELLI, 2001). A desinstitucionalização, como destaca Brêda
(2006, p. 47):
abre campo para a produção de novos sentidos na relação do ser humano
com a loucura. Sentidos comprometidos com a inclusão e que, se abrem ao
acolhimento, ao vínculo, à responsabilização, à tolerância, à diferença, à
solidariedade e, principalmente, à luta pelo pleno exercício da cidadania.

Nesse sentido, Belini e Hirdes (2006, p. 565) enfatizam a importância de
valorização desses sujeitos “para que possam ser compreendidos como pessoas,
com direitos a tomar decisões, com oportunidades de fazerem-se cidadãos e de
terem a sua vontade e fala validadas”.
É esse sujeito que a desinstitucionalização luta para libertar. Sujeito de
direito, sujeito de desejos, sujeito de história, de relações, de trocas, de
produções, sujeito de vida. Se, durante anos, a ciência, investida pelo
mandato que a sociedade lhe atribuiu, afastou este sujeito do convívio
social, por não conseguir compreender as suas diferenças, é esta ciência
também que deve ter o compromisso de resgatá-lo (RIBEIRO, 2012, p. 50).

Neste sentido, os serviços devem constituir práticas não asilares e voltadas
para uma gestão em que usuário e familiares participem, em oficinas diversas
voltadas para os campos do trabalho, educação, moradia, cultura. Assim, abrem-se
as portas dos serviços para a comunidade e para a vida, diferentemente das práticas
manicomiais.
Assim, a reforma psiquiátrica tem constituído um novo cenário para a saúde
mental. Conforme o Ministério da Saúde é uma ampla mudança do atendimento
público em Saúde Mental, procurando garantir o acesso da população aos serviços
e o respeito a seus direitos e liberdade (BRASIL, 2011). Significa a mudança do
modelo de tratamento, no lugar do isolamento, o convívio com a família e a
comunidade, onde o atendimento é feito em CAPS, Residências Terapêuticas,
Ambulatórios, Hospitais Gerais e Centros de Convivência. As internações, quando
necessárias, são feitas em hospitais gerais ou nos CAPS/24 horas, além do
Programa De Volta para Casa que oferece bolsas de auxílio-reabilitação
30

psicossocial para egressos de longas internações em hospitais psiquiátricos e outras
políticas (BRASIL, 2011). Essas estratégias trouxeram outra resposta social aos
problemas mentais, as quais possibilitam, segundo Tenório (2002), evitar a
internação como destino e reduzi-la a um recurso eventualmente necessário.
Os hospitais psiquiátricos de grande porte vão sendo progressivamente
substituídos, com o intuito de eliminar a prática da internação como forma de
exclusão social. Para isso, de acordo com Pinheiro (2009), foi estabelecida a
substituição do modelo manicomial pela criação de uma rede de serviços territoriais
de atenção e de base comunitária. Para Angelini (2007), essas experiências
favoreceram mudanças no âmbito das relações sociais, porque possibilitaram
aproximação entre a comunidade e os sujeitos em sofrimento psíquico, o foco do
cuidado deixou de ser o(s) sintoma(s) ou a doença mental e passou a ser o sujeito
que adoece; conforme Brêda e Augusto (2001, p. 479): “no nível individual, o
cuidado deve se revelar no autoconhecimento e no conhecimento do outro,
conhecer limites e possibilidades e aprender a respeitá-lo em si mesmo e no outro”.
O cuidado não se restringe à aplicação de terapias, mas busca possibilidades de
vida com qualidade e direitos, introduzindo práticas, segundo Ribeiro (2012, p. 41),
“[...] com o intuito de liberar as capacidades criativas dos sujeitos”. A mesma autora
defende que é necessário o estabelecimento de novos espaços para o exercício
desse cuidado: “espaços onde trocas reais sejam incitadas e potencializadas, que
possam reconhecer as necessidades e diferenças de cada sujeito, que estendam as
suas ações à comunidade, ao território e à cidade nos seus mais diversos setores”
(op. cit., p. 123). Como também afirma que as propostas de cuidado devem
considerar o usuário, sua família, a comunidade no entorno, os trabalhadores e
cuidadores, as instituições que fazem parte da rede de cuidado e da rede de vida da
comunidade, a Universidade que forma profissionais para o exercício do cuidado, os
gestores que criam processos políticos, organizacionais e de trabalho, além de
outros personagens que possam comprometidos com este cuidado e potencializar
as produções de subjetividades.
Sendo assim, o século XXI, conforme Nogueira e Costa (2007), tem o desafio
de avançar na implementação das propostas de desinstitucionalização, reduzindo os
internamentos em hospitais psiquiátricos, na medida em que as ações preventivas
forem adquirindo maior competência e efetividade, utilizando terapias para a
31

construção conjunta de atividades. Por meio dessa proposta, faz-se necessário
atender o sujeito em sofrimento psíquico no seu município de origem, dando suporte
também para a sua família para que ocorra, conforme Tonini, Schneider e Kantorski
(2003), a estabilização do seu quadro clínico, possibilitando a sua reintegração na
comunidade. Espera-se que os serviços de atenção à saúde mental gerem
possibilidades de trocas humanas e desenvolvimento de habilidades, como
enfatizam Brêda et al (2005).
A rede SUS conta com diversos dispositivos para a assistência ao sofrimento
psíquico na medida em que, além dos CAPS, a Atenção Básica, com apoio dos
Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), também oferece atenção às pessoas
em sofrimento psíquico. Nominados de substitutivos esses serviços propõem,
conforme Azevedo e Miranda (2011), ações e atividades na perspectiva e dimensão
comunitárias, passam a enfocar não mais o atendimento individual do sujeito em
sofrimento psíquico, destacando o seu problema como ponto central, mas a
coletividade de seus relacionamentos afetivos, sociais, familiares e comunitários. As
demais formas de atenção à saúde não serão aqui tematizadas, pois nosso foco de
análise da pesquisa se deu em um CAPS.
Estão distribuídos em todos os estados brasileiros inúmeros CAPS, que são
dispositivos de cuidado intensivo, comunitário, personalizado e promotor de vida
(BRASIL, 2004a). “As pessoas atendidas nos CAPS são aquelas que apresentam
intenso sofrimento psíquico, que lhes impossibilita de viver e realizar seus projetos
de vida” (op. cit., p. 15).
O objetivo dos CAPS é oferecer atendimento à população de sua área de
abrangência, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social
dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e
fortalecimento dos laços familiares e comunitários. É um serviço de
atendimento de saúde mental criado para ser substitutivo às internações em
hospitais psiquiátricos (BRASIL, 2004a, p.13).

Os CAPS I são serviços para cidades de pequeno porte, que devem dar
cobertura para toda clientela com transtornos mentais severos durante o dia:
adultos, crianças e adolescentes e pessoas com problemas devido ao uso de álcool
e outras drogas; CAPS II são serviços para cidades de médio porte e atendem
durante o dia a clientela adulta; CAPS III são serviços 24h, geralmente disponíveis
em grandes cidades, que atendem a clientela adulta; CAPS ad são serviços para
pessoas com problemas pelo uso de álcool ou outras drogas, geralmente
32

disponíveis em cidades de médio porte, funcionando durante o dia e CAPS i são
serviços para crianças e adolescentes, em cidades de médio porte, que funcionam
durante o dia (BRASIL, 2011).
Todos os tipos de CAPS são compostos por equipes multiprofissionais, com
diferentes técnicos de nível superior e médio. Os profissionais de nível superior
podem ser enfermeiros, médicos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas
ocupacionais, pedagogos, professores de educação física ou outros necessários
para as atividades oferecidas. Os profissionais de nível médio podem ser: técnicos
de enfermagem, técnicos administrativos, educadores e artesãos. Contam ainda
com equipes de limpeza e de cozinha (BRASIL, 2004a).
A estrutura física dos CAPS deve ser compatível com o acolhimento,
desenvolvimento de atividades coletivas e individuais, realização de oficinas de
habilitação psicossocial na busca da autonomia e cidadania e outras atividades
necessárias a cada caso em particular, objetivando a reinserção social do usuário.
As práticas realizadas nos CAPS se caracterizam por ocorrerem em
ambiente aberto, acolhedor e inserido na cidade, no bairro. Os projetos
desses serviços, muitas vezes, ultrapassam a própria estrutura física, em
busca da rede de suporte social, potencializadora de suas ações,
preocupando-se com o sujeito e sua singularidade, sua história, sua cultura
e sua vida quotidiana (BRASIL, 2004a, p.14).

Os CAPS devem garantir a construção de um lugar social aos seus usuários e
estimular seu protagonismo frente à vida (RIBEIRO, 2012) e, de acordo com Brêda
(2006, p. 53), devem se fixar em um modelo dinâmico, propulsores de
transformações concretas, construindo “[...] uma nova forma de conceber, lidar e se
relacionar com a existência enquanto sofrimento”.
Essas formas de assistência têm encontrado adesão social, estando em pleno
processo de expansão em Alagoas, território do nosso estudo.
O processo de Reforma Psiquiátrica em Alagoas aconteceu graças à
atuação de alguns profissionais que discordavam do poder hegemônico do
tratamento hospitalar e, direta ou indiretamente, contribuíram para a
modificação e criação de instituições que pudessem dar uma forma
alternativa de tratamento (RIBEIRO, 2012, p. 65).

O aumento numérico dos CAPS em Alagoas é bastante significativo, porém
somado ao incremento quantitativo, a mesma autora defende que é preciso investir
33

na qualificação dos serviços existentes, para que passem a representar o modelo de
tratamento a ser seguido, pois o número de internações nos hospitais psiquiátricos
não diminuiu, ao contrário, aumentou, inclusive em alguns municípios que possuem
CAPS.
O estudo “A saúde mental em Alagoas: trajetória da construção de um novo
cuidado” de Ribeiro (2012) descreve as características da passagem do velho
cuidado (hospitais psiquiátricos) para o novo cuidado (CAPS) reveladas através das
perspectivas dos seus principais atores: usuários, familiares, profissionais e
gestores. Os primeiros passos de mudança no cenário da assistência em Alagoas
foram dados como resultado da influência de eventos e lutas que começaram a
eclodir em todo o território nacional.
A autora apresenta os pontos fortes e frágeis desse novo cuidado: entre os
pontos fortes está o fato de ele estar dirigido para uma política e prática de inclusão,
estabelecimento de novas relações, construção de relações afetivas, vínculos,
diálogos, liberdade, necessários ao resgate da cidadania e sociabilidade. Os CAPS
são reconhecidos como espaços para além do tratamento, espaços para o tocar, o
sentir, o ouvir, o escutar, os quais possibilitam o desenvolver de potencialidades, o
despertar de novos desejos e a inserção em novos contextos. Porém, a autora
destaca que o crescimento desses serviços com estas características é muito
recente e, portanto, os “[...] seus profissionais ainda estão tentando descobrir
caminhos de intervenção” (op. cit., p. 152). Dessa forma, os pontos frágeis estão
relacionados às deficiências nas intervenções. Os espaços são pouco ocupados, as
práticas grupais são compreendidas como ocupação, distração ou entretenimento e
há poucos profissionais envolvidos nessas atividades.
Ribeiro (2012) enfatiza que há necessidade de reformulação através da oferta
de espaços terapêuticos e de reabilitação que respondam às necessidades e
desejos reais e não como preenchimento de um tempo ocioso, mas que atendam às
necessidades singulares de seus participantes. Como reflexo disso, a autora
ressalta a pouca experiência dos profissionais relacionada à própria formação: “[...] a
Universidade pode ter um papel significativo no fortalecimento desses espaços, se
incluir em seus programas pedagógicos o aprendizado e a assistência dentro dessas
novas perspectivas de cuidado [...]” (op. cit., p. 175). Aponta a necessidade de

34

qualificação contínua nos serviços a qual pode ser constituída através do
envolvimento e parceria das Universidades:
As atividades de ensino desenvolvidas dentro dos serviços colaboram, tanto
na atualização dos profissionais da instituição, quanto na formação dos
novos profissionais que logo entrarão no campo de trabalho. Essas
parcerias têm importante papel no processo de reformulação constante da
assistência em saúde mental, pois garantem o questionamento contínuo
das práticas, a aproximação do campo teórico, a não cristalização de
posturas e, por meio desse contato, propiciam o aparecimento de ideias
inovadoras que podem resultar em experiências que agregam o campo
teórico ao prático (RIBEIRO, 2012, p. 194).

A necessidade do desenvolvimento de pesquisas na área de saúde mental
também foi proposta no referido estudo e atenção à subjetividade daqueles que
tratam: como foram inseridos no serviço, como se sentem ao trabalhar com o
sofrimento psíquico, disponibilidade para trabalhar de forma interdisciplinar com
ações no território na perspectiva da habilitação psicossocial. “[...] mesmo com toda
a complexidade, contradições e entraves na transformação do cuidado em saúde
mental em Alagoas, o trato com as pessoas que convivem com o sofrimento
psíquico caminhou, e caminhou para uma direção muito melhor” (RIBEIRO, 2012, p.
140).
Para tanto, os CAPS favorecem a possibilidade de construção de um outro
modo de lidar com o sofrimento psíquico e de estratégias para novos modos de vida
que promovam a sua habilitação psicossocial.

2.3 Habilitação psicossocial e as possibilidades de novos modos de vida

A habilitação psicossocial ou reabilitação psicossocial do sujeito em
sofrimento psíquico é um conceito que tem como referência propostas da Psiquiatria
Democrática Italiana pelo aprofundamento da crítica aos asilos (JORGE et al, 2006).
O termo foi tomado de empréstimo da medicina geral, entendendo-se como o uso de
métodos e técnicas direcionadas à recuperação de uma função ou de um órgão
(VENTURINI et al, 2003). Dessa forma, Francisco (2007, p. 78) explica que “[...]
reabilita-se um músculo, um braço, uma perna para funções/ações que
anteriormente ao dano eram executadas. Isso no sentido de voltar ao tempo em que
a saúde era mantida, anteriormente ao aparecimento da doença”, para tanto, é um
retrocesso ao momento saudável, como entende a autora.
35

Tradicionalmente, conforme Valladares et al (2003, p. 4), “[...] a reabilitação
era compreendida como a restituição a um estado anterior ou à normalidade do
convívio social ou de atividades profissionais”. Segundo Venturini et al (2003), para a
psiquiatria o reabilitar significa corrigir, denota a re-normalização do paciente e
pretende o re-torno à condição inicial de saúde. Mas esses autores defendem que
nada é mais equivocado do que esta abordagem, seja do ponto de vista conceitual,
ou científico. Atualmente, há o reconhecimento de que:
É ilusório olhar o passado para restituir a "normalidade", como se fosse
possível voltar atrás e agir sobre a dimensão temporal. É ilusório referir-se
ao passado ou ao futuro: existe apenas o presente. Torna-se difícil imaginar
identidades imóveis no tempo, que possam ser agitadas novamente,
através da re-abilitação (VENTURINI et al, 2003, p. 59).

Venturini et al (2003) propõem no lugar do termo reabilitação, a ideia de
habilitação, onde o passado não deve constituir estigma, onde a experiência da
doença não seja rejeitada e que seja sustentado o começo de um novo processo. “É
necessário, portanto, libertar-se da idéia da "re-abilitação" e falar, simplesmente, de
"habilitação" (VENTURINI et al, 2003, p. 59). Esses autores destacam que essa redefinição comporta poder olhar para um presente que contém as feridas e os
condicionamentos do passado, mas se abre a perspectivas melhores do que
aquelas que se referem somente às doenças e aos seus determinantes.
O pensamento de habilitar, referido atualmente, compreende: a idéia de um
passado que não pesa de modo negativo sobre o presente; a idéia de uma
tensão confiante em relação ao futuro; a idéia que a própria experiência da
doença não seja rejeitada e que tenha um valor intrínseco; o começo de um
novo processo, que observa também outros sujeitos e em relação aos quais
ninguém se encontra em condições de clara desvantagem (VENTURINI et
al, 2003 p. 59).

Segundo Francisco (2007, p. 79), “habilitar refere-se a constituir espaçostempo em que a pessoa possa constituir modalidades de vida, modos de
subjetivação para além do retorno do que fora “antes da doença”. Como também, de
acordo com Venturini et al (2003, p. 62) “habilitar-se quer dizer tornar-se capaz de
ser cidadão, reconhecer-se como parte de um processo social, poder desempenhar
um papel de protagonista”.
Para Saraceno (1999), é importante conceder crédito às pessoas para que
autonomia e capacidade possam encontrar uma ocasião de expressão e
36

crescimento, que consigam se tornar empreendedoras com respeito a si mesmas.
Isso, de acordo com Hirdes (2009a), deverá se constituir, por excelência, num
compromisso primordial assumido pelos que partilham destes pressupostos:
A habilitação se constrói no aprender a esperar, no aprender a ter medo, no
alimentar-se de sentimentos criativos, em assumir a responsabilidade dos
nossos atos e das nossas idéias, constrói-se no agir, no participar
ativamente de um grande projeto de transformação (VENTURINI et al, 2003,
p. 62).

Por outro lado, alguns autores utilizam-se do mesmo termo (reabilitação),
alterando sua significação tradicional e partilhando dos pressupostos acima ditos
como habilitação. Nesta perspectiva, de acordo com Oliveira e Fortunato (2007, p.
159), “reabilitar implica trabalhar com o “olhar” voltado para o sujeito, e não para a
doença; trabalhar com o sofrimento, a fragilidade, e não com a incapacidade; e
buscar a produção de novas subjetividades, e não a “cura”. Da mesma forma,
Ribeiro (2012, p. 20) defende a necessidade “[...] de aprofundamento na construção
de novas práticas e teorias que ajudem os profissionais de saúde mental no novo
paradigma do cuidado, em que pese o sujeito e, não mais a doença”.
Torna-se necessário não perder de vista que a reabilitação psicossocial se
fundamenta na ideia de que o indivíduo em sofrimento psíquico “[...] sofreu inúmeras
perdas em decorrência do seu adoecimento” (CEDRAZ; DIMENSTEIN, 2005, p.
307). Com o passar do tempo esse sujeito acaba introjetando o sentimento de
inutilidade que a sociedade lhe confere, com graves reflexos sobre sua auto-estima
(JORGE et al, 2006).
O retraimento da vida social é destacado por Fontes (2010), provavelmente
como uma das sequelas mais significativas dos que enfrentam o sofrimento
psíquico, há perda dos laços de sociabilidade provocando estigma e exclusão social:
“desse modo, a reabilitação parte do registro da falta e segue em direção ao desejo
de assegurar a equidade entre iguais e diferentes”, como destacam Cedraz e
Dimenstein (2005, p. 307).
A reabilitação atravessa, segundo Oliveira e Fortunato (2007, p. 159), todos
os momentos do percurso terapêutico do sujeito desde “[...] psicoterapias
individuais/grupais, medicação, aprendizagens de novas formas de convivência, até
o (re)aprender a “cuidar de si”. Sobre esse aspecto, o manual de Clínica Ampliada e
Compartilhada do Ministério da Saúde destaca que o PTS “[...] pode ser feito para
37

grupos ou famílias e não só para indivíduos, além de frisar que o projeto busca a
singularidade (a diferença) como elemento central de articulação [...]” (BRASIL,
2009, p. 40) pois os diagnósticos tendem a igualar os sujeitos e minimizar as
diferenças. Enfatiza que para realizar uma clínica adequada “[...] é preciso saber,
além do que o sujeito apresenta de “igual”, o que ele apresenta de “diferente”, de
singular” (BRASIL, 2009, p. 33). “Outro aspecto fundamental da clínica ampliada é a
capacidade de equilibrar o combate à doença com a PRODUÇÃO DE VIDA”
(BRASIL, 2004b). O profissional de saúde deve desenvolver “[...] a capacidade de
ajudar as pessoas, não só a combater as doenças, mas a transformar-se, de forma
que a doença, mesmo sendo um limite, não a impeça de viver outras coisas na sua
vida” (BRASIL, 2004b, p. 11), inventando saídas.

Dentre as práticas, deve-se

realizar a escuta do sujeito para ajudá-lo a reconstruir os motivos que ocasionaram o
seu adoecimento e as correlações que ele estabelece entre o que sente e a vida; e
proporcionar vínculo e afetos, os quais favorecem mais autonomia para o sujeito e
para que este possa lidar melhor com o seu sofrimento (BRASIL, 2004b).
A noção básica do processo de reabilitação psicossocial remete a um
problema ético e de cidadania (JORGE et al, 2006). Os mesmos autores explicam
que a ética surge como princípio norteador das ações de combate à exclusão, à
violência e ao estigma do sujeito em sofrimento psíquico, enquanto que a cidadania,
compreende o processo que envolve a luta pelos direitos civis, políticos e sociais. A
cidadania “[...] é expressa como igualdade de oportunidades, em situações básicas
de desigualdade, Jorge et al (2006, p. 735). Para Oliveira e Fortunato (2007, p. 158),
refletir sobre a concepção de reabilitação psicossocial, é:
[...] pensar sobre a desconstrução de práticas silenciadoras e a
(re)construção de práticas voltadas para as reais necessidades de pessoas
com problemas severos e persistentes de saúde mental. Implica, pois,
pensar uma multiplicidade possível que transcende o paradigma psiquiátrico
tradicional, cujo princípio fundamental é a idéia de que o “louco” deve ser
isolado da sociedade.

Para reabilitar, os autores citados defendem que é necessário oferecer
diariamente um tratamento de qualidade, através da criação de um espaço de
sentido, de vínculos afetivos, acolhimento para a família e para as pessoas em
sofrimento psíquico, “[...] que alimente o desejo de todos de buscarem menos
sofrimento para si e para o outro, impedindo-os de separar espaços de cidadania na
38

vida cotidiana” (op. cit., p. 159). Portanto, precisa contemplar a casa, o trabalho e o
lazer, na perspectiva de resgatar a singularidade e o respeito à pessoa em
sofrimento psíquico, proporcionando-lhe melhor qualidade de vida (JORGE et al,
2006). Esses autores dizem que ajudar a pessoa em sofrimento psíquico a resgatar
o elo perdido com a vida, significa uma demonstração de valorização do ser humano
e respeito a sua história de vida.
Nesta perspectiva, a reabilitação psicossocial se apresenta como “um
conjunto de atividades capazes de oferecer condições amplas de recuperação dos
indivíduos através da utilização de recursos individuais, familiares e comunitários
[...]”, como explicam Jorge et al (2006, p. 736), no intuito de neutralizar os efeitos
iatrogênicos e cronificadores da doença e do internamento. Essas atividades ou
estratégias devem ser orientadas, como afirma Saraceno (1999) a aumentar as
oportunidades de trocas de recursos e de afetos para que seja realmente criado um
efeito “habilitador”. Venturini et al (2003) valorizam práticas que afirmam as
potencialidades dos sujeitos e ampliam as possibilidades de sua identidade positiva,
enfatizando o exercício dos direitos, ao desenvolvimento de trocas e à cooperação.
Esta perspectiva é partilhada na presente pesquisa quando se advoga a cidadania e
o aumento de trocas entre usuários, equipe, comunidade, família através de oficinas.
Para o aumento da capacidade contratual desses indivíduos, ou seja, produzir
valor social ampliando as relações sociais e possibilidades, Saraceno (1999) define
os eixos sobre os quais devem se configurar essa construção: morar; trocar as
identidades; e produzir e trocar mercadorias e valores.
O eixo “morar” é explicado pela associação de casa e de morar, de estar e de
habitar, ou seja, um dos elementos fundamentais para a qualidade de vida de um
indivíduo e de sua capacidade contratual é representado pela condição de estar ou
habitar em um espaço no qual possa exercer o poder decisional:
O habitar, a noção de lar, remetem a estabelecer laços, criar espaços de
circulação, estabelecer contratos materiais e afetivos, estimular a autonomia
possível, respeitar as pessoas na sua individualidade e singularidade,
estimular a reintegração com a comunidade e criar oportunidades para
estes sujeitos nos diversos contextos do cotidiano, promovendo produção
de vida além dos muros reais ou simbólicos, permitindo a reconstrução
pessoal, social e principalmente a conquista da cidadania. (BELINI;
HIRDES, 2006, p. 568).

39

Em casa, uma boa oportunidade para exercitar o poder do habitar, pode-se
experimentar uma perda do poder contratual, experimentando-se um aprisionamento
no habitar ou mesmo uma expulsão do habitar. No serviço de atenção, os aspectos
da vida cotidiana como dormir, comer, amar, caminhar, falar, trabalhar entre outros,
não tem legitimidade. Tudo passa a ser regulado, proibido e controlado, para cada
atividade existe um lugar e um tempo, segundo um ritmo pré-estabelecido onde
todos são obrigados a fazer as mesmas coisas.
O eixo “trocar as identidades” refere-se à invenção de lugares para o
relacionamento entre as pessoas possibilitando uma rede social ampliada, para além
da família. É evidente que esta também necessita de intervenções, pois os próprios
familiares, no decorrer do tempo, acabam experimentando danos psicológicos e na
organização da vida em conseqüência do enfrentamento do sofrimento psíquico do
seu parente. Porém intervenções que melhorem o âmbito familiar geram também
expansões da rede social. O empobrecimento da rede social em suas perdas
quantitativas e qualitativas configura a desabilitação.
O eixo “produzir e trocar mercadorias e valores” faz referência ao sentido do
trabalho enquanto interesse, necessidade, desejo e auto-realização. É necessário
promovê-lo considerando o valor que a sociedade lhe atribui. Assim, possibilita o
resgate da individuação na sociedade, uma vez que suas capacidades de adaptação
ao mercado de trabalho foram promovidas ou reforçadas pela intervenção
habilitadora.
Dessa forma, esses eixos são componentes do projeto de vida do indivíduo e
necessários para a recuperação da contratualidade, para a cidadania e para que a
habilitação se desenvolva. Como evidencia Guerra (2004), esta é uma estratégia
que implica uma política geral de serviços em Saúde Mental. É um processo
contínuo que, segundo Jorge et al (2006), requer tempo para que a sociedade
assimile esses conceitos e reflita sua mudança na prática, para então, se propor
aceitar esses sujeitos no meio social. Mais do que aceitar, trata-se de refletir e ter
inflexão sobre os modos de viver contemporâneos.
Para Hirdes (2009a, p. 170), deve-se estabelecer “[...] práticas dinâmicas num
constante

processo

de

reconstrução/superação,

no

qual

são

produzidas

possibilidades sempre novas e plurais”. Ribeiro (2012) defende que essas práticas
devem sempre levar em conta a potência de vida existente nos sujeitos, a potência
40

de trilhar novos caminhos, alcançar novos objetivos, criar novos desejos e realizar
os seus sonhos. A mesma autora (op. cit., p. 131) afirma que “resgatar este sujeito
da vivência exclusiva da doença e dos encargos que esta traz é trazê-lo a uma nova
constituição de vida [...]”. Como também evidencia que:
[...] é preciso criar dispositivos, oportunidades e situações que auxiliem a
descoberta de valores e potências silenciadas pela opressão da diferença.
Esta constatação nos faz refletir sobre a necessidade de trazer para essa
trama, novos fios, que componham desenhos criativos traçados em tantas
mãos quanto forem possíveis se fazerem presentes (RIBEIRO, 2012, p.
131).

A promoção da habilitação psicossocial pode ser constituída nos espaços das
oficinas terapêuticas desenvolvidas nos serviços de atenção a saúde mental e os
CAPS em Alagoas, conforme Brêda et al (2011) representam a principal referência
da mesma forma que defendem que é necessário inovar o cuidado. E como
proposta de atividades para essa promoção, as possibilidades e contribuições do
uso das TIC.

41

3. OFICINAS TERAPÊUTICAS INFORMATIZADAS E O USO DO BLOG NA
SAÚDE MENTAL

Esse capítulo apresenta definições e características das oficinas terapêuticas
realizadas nos serviços de atenção à saúde mental, os tipos de atividades que são
desempenhadas, seus intuitos e possibilidades no enfrentamento do sofrimento
psíquico. Expõe algumas iniciativas do uso das tecnologias nesse campo e efeitos
alcançados. Mostra também como o blog, foco desse estudo, pode contribuir
enquanto estratégia de intervenção através das suas potencialidades.
3.1 As oficinas terapêuticas na saúde mental e o uso das TIC
As oficinas terapêuticas são uma das principais formas de atenção oferecidas
nos CAPS e possuem diversos tipos. Assumem um papel de fundamental
importância dentre os tratamentos que buscam ser mais eficazes e humanos, como
afirmam Cedraz e Dimenstein (2005) e são entendidas como “atividades realizadas
em grupo com a presença e orientação de um ou mais profissionais, monitores e/ou
estagiários” (BRASIL, 2004a, p. 20). São vários os tipos de atividades, definidas
através do interesse dos usuários, das possibilidades dos técnicos do serviço e das
necessidades, tendo em vista uma maior integração social e familiar, a manifestação
de sentimentos e problemas, o desenvolvimento de habilidades corporais, a
realização de atividades produtivas e o exercício coletivo da cidadania (BRASIL,
2004a, p.20). De um modo geral, as oficinas terapêuticas podem ser:
Oficinas expressivas: espaços de expressão plástica (pintura, argila,
desenho etc.), expressão corporal (dança, ginástica e técnicas teatrais),
expressão verbal (poesia, contos, leitura e redação de textos, de peças
teatrais e de letras de música), expressão musical (atividades musicais),

42

fotografia, teatro. Oficinas geradoras de renda: servem como instrumento de
geração de renda através do aprendizado de uma atividade específica, que
pode ser igual ou diferente da profissão do usuário. As oficinas geradoras
de renda podem ser de: culinária, marcenaria, costura, fotocópias, venda de
livros, fabricação de velas, artesanato em geral, cerâmica, bijuterias,
brechó, etc. Oficinas de alfabetização: esse tipo de oficina contribui para
que os usuários que não tiveram acesso ou que não puderam permanecer
na escola possam exercitar a escrita e a leitura, como um recurso
importante na (re)construção da cidadania. (BRASIL, 2004a, p. 20-21).

Conforme Cedraz e Dimenstein (2005, p. 307) “[...] os estatutos que
regulamentam as oficinas terapêuticas mostram que elas são a estratégia por meio
da qual a reabilitação psicossocial deve se realizar”. As oficinas constituem-se em
espaços de convivência e reinvenção do cotidiano, no qual o sujeito necessita
reconstituir o seu direito de opinar, escolher, criar e relacionar-se, além da produção
de experiências, acontecimentos e ações (MENDONÇA, 2005). Segundo Azevedo e
Miranda (2011), as oficinas podem ser consideradas terapêuticas quando
possibilitam um lugar de acolhimento, fala e expressão dos usuários dos serviços.
Para Mendonça (2005, p. 628) “as oficinas procuram caminhar no sentido de permitir
ao sujeito estabelecer laços de cuidado consigo mesmo, de trabalho e de afetividade
com os outros, determinando a finalidade político-social associada à clínica”. Essa
autora expõe que as atividades das oficinas proporcionam o enriquecimento dos
sujeitos, descobertas, ampliação das possibilidades individuais e o acesso aos bens
culturais. De acordo com Valladares et al (2003, p. 6),

“[...] são atividades de

encontro de vidas entre pessoas em sofrimento psíquico, promovendo o exercício da
cidadania a expressão de liberdade e convivência dos diferentes através
preferencialmente da inclusão [...]”.
Essas práticas diversas, de acordo com Jucá, Lima e Nunes (2008), devem
convergir no sentido de fortalecer os sujeitos em sofrimento psíquico para que eles
encontrem novas possibilidades de existir, através da construção de laços sociais
que os permitam transitar no espaço social. Ainda segundo Jucá, Lima e Nunes
(2008, p. 127) “[...],

os objetivos definidos em dispositivos substitutivos buscam

considerar uma dimensão clínica (de resgate do sujeito) e uma dimensão política (de
conquista da cidadania), que se encontram intimamente associadas”. Assim, a
dimensão clínico e política são vistas como indissociáveis na intervenção em saúde
mental, o que rompe com a perspectiva de que pode-se trabalhar apenas em uma
dimensão ou mesmo que, quando se trata de legislação não se trata de clínica.
43

Neste trabalho se propõe que a intervenção é clínico e política ao mesmo tempo,
pois se intervem na proposta de construção de modos outros de vida. Assim,
trabalhar nas oficinas pode habilitar, construir modos de morar, de partilhar, de viver
diferenciados e cidadãos (SARACENO, 1999).
Dessa forma, as oficinas terapêuticas podem ser organizadas inserindo o uso
das TIC em suas atividades, como afirmam Capella et al (2008, p. 79) “[...] há
necessidade de maiores investimentos e estudos para subsidiar políticas públicas de
saúde que possam utilizar como ferramentas de intervenção e de capacitação às
tecnologias digitais”. Assim, possibilitam-se a criação de novos dispositivos
habilitadores em consonância com os objetivos da reforma psiquiátrica.
No Brasil, vivenciamos construções de práticas, com vistas à promoção da
cidadania e bem-estar social aos que padecem de sofrimento psíquico. Antigas
práticas,

como

as

oficinas

terapêuticas,

ganharam

novos

significados.

Pesquisadores (SANTOS e MELO, 2010; FRANCISCO e RENZ, 2010; FRANCISCO
e MARASCHIN, 2009; MAURENTE e MARASCHIN, 2008; CAPELLA et al, 2008
FRANCISCO 2007) têm desenvolvido a implantação das tecnologias digitais nas
oficinas terapêuticas dos serviços assistenciais em saúde mental, apresentando os
benefícios dessa prática para o próprio sujeito em sofrimento psíquico, seus
familiares, profissionais do serviço e para a sociedade em geral. Como vimos, a
própria Lei de Saúde Mental nº 10.216/2001 em seu artigo 2º destaca como um dos
direitos desses sujeitos “ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis”.
Observa-se um crescimento no número de profissionais preocupados em
oferecer meios de inclusão aos sujeitos em sofrimento psíquico, os quais já foram ou
sentiram-se excluídos da sociedade. Francisco (2009a) destaca que essa exclusão é
marcada pelas dificuldades de acesso aos bens sociais e pelos percursos bastante
limitados: casa-igreja-serviço de atenção à saúde mental.

Para Bavaresco e

Francisco (2006, p. 2), “na sociedade do conhecimento, uma das formas de
exclusão é constituída pelo acesso e trabalho (ou não) com as tecnologias da
comunicação e da informação”. Essas autoras destacam a necessidade de trabalhos
que produzam a subjetividade através do uso das tecnologias, as quais podem
auxiliar na reinserção social e no processo de construção da cidadania. Para
Francisco e Renz (2010, p. 2) “inserir as pessoas em sofrimento psíquico no meio
informatizado, na cultura e na sociedade, quebrando fronteiras e barreiras com os
44

preconceitos, possibilita que essas pessoas se sintam incluídas no mundo
contemporâneo”.
Criado em 1995, o Comitê para Democratização da Informática (CDI), cujo
site é o www.cdi.org.br, tornou-se pioneiro no movimento de inclusão digital na
América Latina e um dos principais empreendimentos sociais no mundo. Uma
organização não-governamental que utiliza a tecnologia como uma ferramenta para
combater a pobreza e a desigualdade, estimular o empreendedorismo e criar
agentes de transformação.
Possui uma rede com 821 espaços de atuação, chamados CDI Comunidade,
espalhados por todo o Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México,
Peru, Uruguai, Venezuela e Espanha, além dos escritórios de representação nos
Estados Unidos, na Inglaterra e na Jordânia. Presentes em comunidades de baixa
renda, penitenciárias, instituições psiquiátricas e de atendimento a portadores de
deficiência, aldeias indígenas e ribeirinhas, centros de ressocialização de jovens
privados de liberdade, hospitais e empresas, entre outros locais, seja na cidade ou
em zonas rurais.
A Rede CDI estende-se aos lugares mais remotos da América Latina e do
Brasil, como a Amazônia, beneficiando pessoas de diferentes faixas etárias,
culturas, raças e etnias, além dos demais estados do Pará, Pernambuco, Sergipe,
Paraíba, Bahia, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais,
Goiás, Distrito Federal, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O CDI vem capacitando
indivíduos de diversas idades, pertencentes a grupos desfavorecidos, a extrair o
melhor das TIC. Eles se apropriam da ferramenta tecnológica para exercer
plenamente suas capacidades, criar novas oportunidades e enfrentar os desafios
que afetam seu dia-a-dia e suas comunidades, para uma maior cidadania e
qualidade de vida.
Quanto às atividades desenvolvidas nas instituições psiquiátricas, o CDI
proporciona aos sujeitos em sofrimento psíquico a motivação da produção individual,
estabelecendo parcerias úteis para reinserção na sociedade. Com o firme propósito
de inserir estas pessoas no mercado de trabalho,

as aulas de informática e

cidadania buscam potencializar e valorizar o que cada indivíduo tem de melhor. “Sob
a supervisão dos terapeutas ocupacionais, os pacientes usam este espaço para
construir novas relações consigo e com o meio em que vivem, garantindo além do
45

aprendizado, uma visível melhora da auto-estima” (CDI, 2011, p. 1). Dessa forma,
afirma-se a necessidade de construir uma nova ética da assistência para esses
sujeitos em sofrimento psíquico, abrindo-se espaço para a consciência e permitindo
que estes se relacionem com o mundo de forma mais digna, na qual todos têm livre
acesso para debater diversos assuntos e utilizar as ferramentas computacionais.
O governo federal brasileiro vem desenvolvendo projetos de inclusão digital
com o objetivo de promover o acesso de comunidades carentes à internet e às
demais ferramentas da Informática. O Serviço Federal de Processamento de Dados
(SERPRO), considerado a maior empresa de TIC da América Latina, tem o
compromisso social de uso intensivo da tecnologia da informação, para ampliar a
cidadania e combater a pobreza, visando garantir a inserção do indivíduo na
sociedade da informação e o fortalecimento do desenvolvimento local, cujo site é o
www.serpro.gov.br.
O Programa SERPRO de Inclusão Digital (PSID) busca promover a inclusão
digital e social das comunidades excluídas do universo das TIC. Foi implantado em
2003 e é uma das ações amparadas pela política de Responsabilidade Social e
Cidadania da Empresa, em sintonia com o Programa Brasileiro de Inclusão Digital
do Governo Federal. Os Telecentros Comunitários, através do PSID, são uma
dessas iniciativas e vêm vivenciando uma de suas mais interessantes experiências
na cidade do Rio de Janeiro, através da sua implantação no Instituto Municipal de
Assistência à Saúde Juliano Moreira em 2005 (BRASIL, 2010b). Esse instituto
assiste pessoas em sofrimento psíquico e recebeu uma unidade do projeto com
computadores e conexão à internet. Inicialmente, a ideia era a de utilizar a
informática como terapia ocupacional, utilizando as ferramentas para aumentar a
auto-estima dos sujeitos do instituto e ajudá-los a integrar-se à sociedade. Como
resultados, destacam-se a interação dos sujeitos com a informática proporcionando
o aprendizado da leitura e da escrita, a melhora da auto-estima e mudanças
significativas na vida de todos.
Um projeto de extensão da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai
e das Missões (URI) de Santo Ângelo, Rio Grande do Sul, intitulado “Criando laços
via recursos informatizados” foi desenvolvido no laboratório de informática dessa
universidade com usuários de um CAPS local, no período de 2004 a 2008. Utilizouse das TIC na busca, segundo Bavaresco e Francisco (2006, p. 3) “[...] de soluções
46

criativas para problemas criados pela institucionalização que muitos usuários do
CAPS sofreram em sua vida pregressa, bem como no trabalho com capacidades e
habilidades que os usuários possuem”.
A problemática da exclusão social de pessoas em sofrimento psíquico e o
estigma de serem incapazes de se relacionar com um computador impulsionaram o
investimento no projeto referido, o qual, para Francisco e Maraschin (2009, p. 1523)
“[...] pretendeu trazer em seu desenrolar a perspectiva da cidadania, da ética e da
construção colaborativa [...]”.
Os resultados incluíram a inclusão digital (aproximação e conhecimento da
informática pelos participantes), a criação de materiais (ampliando o espaço para o
desenvolvimento e contato dos sujeitos com a tecnologia, compondo complexos de
subjetivação) e a interação dos mesmos com outros participantes da oficina e com
familiares, os quais contribuíram para a quebra de preconceitos, aprendizagem e
convívio no grupo.
Para Francisco (2009a), o fato da atividade ter estado vinculada à
universidade, também produziu uma inserção ao meio acadêmico, o que, de outra
forma, seria muito improvável. Verificou-se que a cultura digital aos poucos foi se
conectando com a vida cotidiana dos participantes, na medida em que conheceram
pessoas e trocaram informações, representando uma forma de inclusão social
através da informática. Conforme Francisco, Axt e Maraschin (2007, p. 9):
A oficina demonstrou a viabilidade da construção e implantação de
trabalhos de habilitação psicossocial utilizando-se de recursos da
informática para criação de novas formas de vida para pessoas em
sofrimento psíquico. Isso deve-se ao potencial das tecnologias, a sua
capacidade de convergência de mídias e de possibilitadoras de atividades
em conjunto.

Nesse espaço de vivência individual e social, construiu-se uma relação com a
máquina e a partir dela, segundo Francisco e Renz (2010), uma outra constituição
do sujeito (de pertença ao mundo, de produtor de autoria, de construtor da sua
história). “[...] um ser como qualquer outro, um ser vivo e potente, que procura a
produção como um meio para a sua comunicação, (FRANCISCO; RENZ, 2010, p.
9), além das possibilidades de divulgação das informações que ele ache pertinentes.
Através dessa prática de inclusão digital, com o acompanhamento dos efeitos na
subjetividade e nas relações familiares, demonstrou a viabilidade dos recursos
47

informatizados na habilitação psicossocial como afirmam Francisco et al (2007).
Essa mesma perspectiva é descrita por Francisco (2007) em seu estudo utilizando
recursos informatizados na saúde mental, no qual os usuários se sentiram mais
presentes no mundo porque podiam e sabiam utilizar as ferramentas se inserindo e
se incluindo na sociedade. Para Francisco (2007, p. 159), a intervenção apontou
para a “[...] necessidade de intervenção em saúde mental em nosso país e de
construção de novos dispositivos para subjetivação, articulados com as políticas
públicas e com articulações com tecnologias [...]” (FRANCISCO, 2007, p. 163).
Desde o ano de 2005 é desenvolvido o projeto “Oficinando em Rede” pela
Universidade Federal do Rio Grande do Sul em um hospital psiquiátrico na cidade
de Porto Alegre. Um laboratório de informática foi instalado nesse hospital onde
oficinas tecnológicas são realizadas, com o objetivo de estudar como as tecnologias
podem favorecer a constituição de redes de convivência e as possibilidades de
exercício da autoria. Os resultados reforçam a relevância de constituir outros modos
de intervenção em saúde mental conforme afirmam Capella et al (2008).
Outra experiência de inserção digital na saúde mental está sendo
desenvolvida desde o ano de 2009 em um ambulatório público na cidade de
Manaus, possibilitando, de acordo com Santos e Melo (2010), um espaço políticosocial na construção de ações de socialização e resgate da cidadania. Entre os
resultados, destacam-se o interesse dos participantes para o aprendizado da
informática e a busca por novos conhecimentos.
Em Alagoas está sendo desenvolvido, desde abril de 2011, pela Secretaria de
Estado da Saúde (SESAU) o Projeto denominado INFOCAPS - Informática no
CAPS, com o objetivo de promover a inclusão digital dos sujeitos em sofrimento
psíquico em atendimento nos CAPS do Estado. O projeto visa romper preconceitos
e fortalecer a cidadania dos usuários através da promoção da geração de emprego e
renda. Para o gerente de Saúde Mental da SESAU, Berto Gonçalo, as TIC podem
ser utilizadas “como instrumentos de construção e exercício da cidadania, através da
democratização do acesso e com ajuda da tecnologia disponível buscam-se
integração entre educação, saúde e a tecnologia, visando à transformação social”
(ALAGOAS, 2011, p. 1). A SESAU firmou parceria com o Ministério da Saúde (MS)
e com as Secretarias de Saúde Municipais, as quais disponibilizam telecentros e
lanhouses. Para iniciar o projeto foram escolhidos os CAPS localizados na 3ª Região
48

de Saúde, onde estão situados os municípios do Sertão de Alagoas, mas se
estenderá às cinco regiões de saúde, com o intuito de ser implantado nos 47 CAPS
existentes em Alagoas. Os cursos têm carga horária de 80 horas, com aulas
semanais e são coordenados pelos técnicos da Gerência de Saúde Mental do
Estado. Segundo o conteúdo programático, são ministradas aulas de domínio do
teclado e mouse, sistema operacional e internet; editor de texto básico, intermediário
e avançado; digitação; planilha eletrônica básica e avançada, manutenção e
configuração de microcomputador e Power point (ALAGOAS, 2011). Berto Gonçalo
evidencia que “a reabilitação psicossocial representa um processo que visa gerar
oportunidade às pessoas com sofrimento psíquico para alcançar uma melhor
qualidade de vida na comunidade” (ALAGOAS, 2011, p. 1), a qual representa uma
das possibilidades do referido projeto.
As formas de inclusão digital aos sujeitos em sofrimento psíquico podem ser
modalidades alternativas de expressões e de acordo com Francisco (2007)
constituem um recurso a mais para a intervenção em saúde mental, com
perspectivas de mudanças na organização subjetiva e social dos sujeitos. Propiciar
outras formas de vivência, tanto na sociedade quanto na internet é uma forma de
produzir saúde mental para pessoas em sofrimento psíquico tão excluídas da vida
social, afirma Francisco (2009b).
A utilização desses dispositivos tecnológicos ainda é um desafio nos tempos
atuais e as experiências, conforme sugerem Maurente e Maraschin (2008, p. 46),
“[...] fomentam micropolíticas que podem indicar caminhos para outros trabalhos que
potencializem os próprios técnicos a criar diferentes modalidades de expressão”. As
ações mencionadas evidenciam a importância da utilização das TIC nas oficinas
terapêuticas, representando outros modos de intervenção em saúde mental, outras
formas de acolhimento, aprendizagem e de produção da subjetividade. Torna-se
necessária a continuidade no desenvolvimento dessas iniciativas, através das
possibilidades de utilização das diversas ferramentas digitais que ainda podem ser
exploradas quanto aos seus benefícios e contribuições, entre as quais, a ferramenta
blog.

49

3.2 O blog e suas contribuições para a saúde mental
Blog é um abreviação da palavra weblog referindo (web) como a parte da
internet que permite a navegação através do uso de interfaces e (log) para realizar
registros como um diário de bordo (NEVES; BOEIRA, 2010). E de acordo com
Pereira e Freitas (2009, p. 5) “[...] foi criado por Jorn Barger, editor do site Robot
Wisdom, no ano de 1997”.
As vantagens do blog são descritas por Oliveira (2006) quanto a uma
interface de fácil manuseio, que estimula a criatividade através da escrita livre
promovendo a autoria e a co-autoria, possibilita a escrita colaborativa partilhando
informações de interesse comum, desenvolve a expressão e opinião pessoais, o
pensamento crítico e a capacidade argumentativa, desenvolve habilidades e
potencializa possibilidades do ensino-aprendizagem. Os blogs, para Pereira e
Freitas (2009, p. 4), com um estilo basicamente informal e subjetivo, “representam
atualmente um dos sistemas mais populares de publicação na internet”.
O surgimento dos blogs coincide, de acordo com Oliveira (2006, p. 337), com
o momento em que as TIC passam “a exigir transformações no modo de fazer e agir
das instituições sociais”. Isso reafirma a necessidade de composição de outros
modos de fazer em saúde mental, utilizando-se da chamada “era digital”.
Em seu processo evolutivo, os blogs têm sido usados como um poderoso
instrumento de expressão pessoal e de escrita colaborativa, seja a partir de
sites individuais, o que é mais comum na web, seja de forma coletiva, em
blogs escritos por vários autores ao mesmo tempo. Todos desfrutam da
possibilidade de, através de recursos de links e comentários, participar de
comunidades de interesse na web, dando vitalidade a essa mais recente,
veloz e transformadora interface social (OLIVEIRA, 2006, p. 336).

Pimentel (2009, p. 1) apresenta o blog como “recurso de leitura, escrita e
cognição, sendo um espaço democrático de livre expressão [...]”, além disso
expressa-o como um espaço para o ensino-aprendizagem, exercício da cidadania e
como uma poderosa interface comunicacional de múltiplas possibilidades. Para
Veen e Vrakking (2009), é possível escrever sobre qualquer coisa, experiências,
histórias, convicções, o que desejar compartilhar como o mundo. Sendo um espaço
para expressão pessoal, os sujeitos podem utilizá-lo para escrever sobre o seu diaa-dia, fazer desabafos e confissões. Com isso, pode representar uma importante
ferramenta aos profissionais de saúde mental, pois, através da análise desses
50

registros, é possível conhecer ainda sobre os sujeitos e estabelecer as intervenções
mais indicadas. Segundo Mercado (2010, p. 132), “os blogs vêm se transformando
em importantes repositórios de informações, em filtros de avaliação, interpretação e
indexação dessas informações, em ambientes da construção cooperativa do
conhecimento”. Conforme Nascimento, Silva e Mercado (2008) os blogs são um
espaço de afirmação de identidade própria e também de liberdade de expressão.
Possibilitam, “[...] registrar no mundo virtual as diversas maneiras de ver o mundo
real” (NASCIMENTO; SILVA; MERCADO, 2008, p. 359).
Utilizando o blog, os sujeitos “expressam seus sonhos e ideais, do que
gostam de ler, de filmes, religião, da escola, relacionamentos amorosos, em sua
maioria,

revelando

e

ocultando

suas

escolhas,

gestos

e

sensibilidade”

(NASCIMENTO; SILVA; MERCADO, 2008, p. 359). Para Halmann e Bonilla (2009, p.
3), “quanto mais possibilidades proporcionam, mais os sujeitos constituem
experiências diversas e ricas de elementos para análise”. Através do blog, esses
sujeitos encontram um espaço para subjetivação, revelado através das suas
escritas.
São

infinitas

as

possibilidades

dessa

ferramenta:

escrita,

crítica,

compartilhamento de informações, aprendizagem, criação e criatividade, descritas
por Palfrey e Gasser (2011). Estimula a comunicação, a democratização de ideias,
informações

e

conhecimentos,

construindo-se,

a

aprendizagem

de

forma

colaborativa (TRINDADE; BECKER, 2011).
Conforme Neves e Boiera (2010), o blog permite desenvolver habilidades e
competências de argumentação e interação,

destacando-se ainda, a ajuda na

construção de redes sociais e de saber como afirmam Nascimento, Silva e Mercado
(2008). As referidas redes podem ser formadas através da interação entre os
participantes do blog, facilitando o processo de construção do conhecimento
coletivo, como também destacam Pocho et al (2010).
O blog apresenta, de acordo com Mercado et al (2011), a possibilidade de
alteração do seu próprio ambiente, abrindo espaço para a autoria que se manifesta
na transformação do seu aspecto estético e estrutural como também na produção de
textos próprios. Para Silva (2010, p. 7), “os blogs caracterizam-se por uma interface
digital de fácil criação e fácil edição. Dispensa a necessidade de saber programar,
ou quaisquer saberes técnicos”. Ainda segundo Silva (2010, p. 7), “pode alterar o
51

layout, as cores, o formato das letras e inserir ou retirar figuras, ou vídeos, ou
arquivos de áudio, sem qualquer dificuldade”. Fonseca (2008, p.7) aborda que “[...] o
blog tem se constituído um excelente recurso para discutir e produzir textos,
narrativas, analisar obras literárias, produzir vídeos, formar redes sociais, produzir
trabalhos colaborativos [...]” e que o seu uso circula entre vários profissionais e
instituições.
Se aposta que o blog pode contribuir para a promoção da saúde mental e
constituir-se em um importante recurso de atenção ao sofrimento psíquico, onde o
sujeito pode desenvolver, divulgar e compartilhar todas as suas potencialidades ao
utilizar os recursos disponibilizados e discutidos acima sobre blog.
Uma experiência utilizando as TIC para pessoas em sofrimento psíquico foi
realizada em 2007 em um serviço de saúde mental no município de Porto Alegre,
tendo como foco a análise da construção compartilhada de um blog e as
possibilidades de exercício de uma autoria. Nesse estudo, a ferramenta blog foi
oferecida enquanto um espaço de encontros múltiplos e compartilhamento das
produções dos sujeitos,

os quais tinham a liberdade para se expressarem

individualmente, em dupla, trios ou através de confecções grupais.
O trabalho das oficinas tecnológicas oportuniza um rico campo de análise
das possibilidades de constituição de um espaço de exercício de autoria, a
partir da criação de um convite à inserção em um ambiente tecnológico que
permite o compartilhamento de escritas, tão distintas daquelas que
comumente se oferecem nesses serviços (CAPELLA et al, 2008, p.82).

Os resultados apontaram principalmente para uma posição de autoria e trocas
de produções reforçando a relevância de explorar modalidades terapêuticas não
tradicionais no enfrentamento dos problemas mentais. As oficinas tecnológicas
possibilitaram a criação de novas redes de convivência e comunicação para os
sujeitos em sofrimento psíquico que acabam se afastando das suas redes sociais e
afetivas, onde a troca de experiências pode ser fundamental para a sua habilitação
psicossocial.
Outro experimento, realizado também no Rio Grande do Sul, Vianna (2008)
utilizou o espaço das oficinas tecnológicas em centro de atenção psicossocial para
investigar como acontecia o encontro dos usuários com as TIC, suas formas de
interação e compartilhamento. Os sujeitos produziram experiências relativas a
pesquisas na internet, construção de histórias individuais e coletivas, chats de
52

conversação e construção de um blog. Essa autora escreveu que se oportunizou a
inclusão digital decorrente da apropriação do uso das TIC e conquistas afetivas,
sociais e cognitivas e afirmou que as TIC, entre os diferentes suportes de atenção,
podem possibilitar aos sujeitos uma outra forma de situarem-se no mundo.
O blog permite momentos de interação, estreitamento de laços e a
convivência com as diferenças. Pode representar uma forma diferente de aprender
através do compartilhamento de saberes, proporcionando a valorização dos sujeitos,
sua auto-estima, crescimento individual e coletivo, e como um meio de inserção
social, cidadania e desenvolvimento da autonomia.
As diversas possibilidades de uso da ferramenta blog no campo da saúde
mental, conforme mencionado, apontam para a necessidade de exploração das suas
contribuições para pessoas em sofrimento psíquico. Para Santarosa, Conforto e
Basso (2010) a aproximação com as TIC é sempre muito produtiva, pois possibilita
superações na possibilidade de transformação. Conforme Foresti e Teixeira, 2006,
p. 2):
Atualmente, a sociedade tem vivenciado uma nova perspectiva intimamente
ligada à tecnologia, onde o ciberespaço, formando as redes técnica e social,
institui inúmeras formas de sociabilidade on-line pelas quais as pessoas
podem, entre outras coisas, se comunicar.

Na sociedade contemporânea, Teixeira (2010, p. 41) ressalta como urgentes
a (re)significação e uma inclusão digital “[...] que tenha como base e finalidade a
construção e a vivência de uma cultura de rede como elemento fundamental para o
exercício da cidadania [...] diante de uma sociedade globalizada e conectada”. A
inclusão digital deve ter como objetivo, segundo Foresti e Teixeira (2006, p. 6), a
formação de cidadãos responsáveis “que reconheçam suas potencialidades e
responsabilidades, se apropriando de forma criativa e diferenciada das tecnologias
de rede, libertando o ser humano de uma posição passiva”. Conforme Moro, Teixeira
e Martins (2009) a inclusão digital efetiva possibilita uma melhoria na qualidade de
vida e no exercício da cidadania. Sales (2010) destaca que as TIC possibilitam a
solidificação de uma rede social de construção do conhecimento e instrumentalizam
os sujeitos no desenvolvimento da autonomia, autoria e aprendizagem significativa.
Diante disso, Nogueira (2010, p. 6) afirma que “as possibilidades oferecidas pelas
tecnologias de informação e comunicação vão produzir sentidos se os sujeitos
53

envolvidos forem “se constituindo em relação aos outros”. Para Marcon, Teixeira e
Trentin (2009, p. 114) “a internet potencializa redes sociais, contribuindo para o
estreitamento e fortalecimento das próprias relações sociais”, dessa forma,
representa uma das possibilidades para a concretização da habilitação psicossocial.
Por meio do blog essa socialização e interação são possíveis. Considerados o
maior fenômeno dos últimos anos, segundo Souza e Correa (2008), os blogs se
multiplicam a cada dia disseminando-se entre todas as categorias de internautas e
são os que também mais inovam entre os produtos comunicacionais, na questão da
mediação.
O blog, conforme Capella et al (2008), é um espaço de escritas e imagens
que possibilita uma ampliação das modalidades de comunicação e registro. Pode
ser escrito, de acordo com Orihuela (2007), pelo prazer de compartilhar informações
ou como veículo de expressão. Ainda segundo esse autor, algumas razões que
levam as pessoas a escrever blogs são a necessidade de expressão, o desejo de
compartilhar saberes, o desejo de se integrar em uma comunidade, a busca de
reconhecimento, a exploração criativa e como terapia.
Segundo Souza, Silva e Araújo (2011) o blog é uma das ferramentas mais
populares e contribui para o desenvolvimento de habilidades de autoria, favorecendo
a crítica, autocrítica e participação. É possível também desencadear novos
processos de desenvolvimento sociocognitivo para a diversidade humana como
afirmam Santarosa, Conforto e Basso (2010). Ainda segundo esses autores, o blog é
um espaço para autoria individual e coletiva e socialização da construção individual
e coletiva pode ser ampliada, no qual a própria inserção de comentários permite
instituir uma prática de comunicação social. Orihuela (2007, p. 7) destaca que “[...] a
grande maioria dos blogueiros é composta por pessoas que escrevem sobre o que
sabem, o que gostam, o que lêem [...]” e essa linguagem funciona tanto como
terapia quanto como identidade para a formação de vínculos sociais, conforme o
autor. E essa construção é considerada um processo lento “que exige esforço de
negociação, pesquisa de dados, leituras complementares e argumentação coerente,
com acompanhamento constante das intervenções dos outros colegas [...]”, destaca
Rosado (2008, p. 15). Essa obra é um reflexo do tempo do autor e deve ser
decifrado de acordo com sua época e do grupo social do qual faz parte (RICARDO;

54

VILARINHO, 2006). E o reconhecimento, segundo Teixeira (2010), ocorre
gradualmente por meio das experiências desse processo de escrita.
Para as pessoas em sofrimento psíquico, essa ferramenta pode possibilitar a
ampliação dos espaços para a autonomia, aprendizagens significativas e exercício
da cidadania.
Oportunizar a produção em blog no campo da saúde mental, através da
implantação de oficinas tecnológicas nos serviços de atenção ao sofrimento
psíquico, possibilita aos sujeitos um importante espaço de expressão, comunicação
e construção do conhecimento. Permite produções significativas para a sua vida,
reflexões, escrever em nome próprio e falar do seu percurso. As construções podem
ser amplamente divulgadas e compartilhadas, proporcionando o reconhecimento e
valorização desses sujeitos tão incompreendidos, excluídos e discriminados pela
sociedade. E por isso, se constituir em um importante dispositivo de habilitação e
reinserção social.
Baseado nas questões mencionadas quanto às possibilidades da ferramenta
blog para o campo da saúde mental, a seguir, apresentaremos os desdobramentos
metodológicos que estruturaram a organização dessa pesquisa.

55

4. DESDOBRAMENTOS METODOLÓGICOS

Nos capítulos anteriores resgatamos o que nos embasa teoricamente para o
desenvolvimento dessa pesquisa. Nesse capítulo detalharemos as características
desse estudo, sua questão ética, como foi construído o espaço da pesquisa, os
sujeitos envolvidos, as oficinas terapêuticas e a ferramenta blog, além dos
procedimentos de coleta e análise dos dados.

4.1 Características do estudo e abordagem

Este estudo é de caráter qualitativo e envolveu uma pesquisa-intervenção, na
perspectiva de construção de novos modos de fazer em saúde mental e uso das
TIC. As estratégias de investigação envolveram o conhecimento das características
de cada usuário participante e o seu processo na construção do blog.
Dentro da pesquisa qualitativa, Gray (2012, p.135) afirma que “[...] o papel do
pesquisador é obter um panorama profundo, intenso e “holístico” do contexto em
estudo, muitas vezes envolvendo a interação dentro das vidas cotidianas de
pessoas, grupos, comunidades e organizações”.
A pesquisa-intervenção traz como proposta, de acordo com Rocha (2006),
criar dispositivos de análise da vida dos grupos na sua diversidade produzindo a
realidade na qual cada um de nós e os diferentes grupos são um modo de
expressão. Para Paulon (2005, p. 21) é voltada para a produção de acontecimentos
e deve “[...] guardar sempre a possibilidade do ineditismo da experiência humana, e
o pesquisador a disposição para acompanhá-la e surpreender-se com ela”. Vem se
constituindo em um dispositivo de transformação social viabilizando a construção de
56

espaços de problematização coletiva e potencializando a produção de um novo
pensar (ROCHA, 2003). Essa autora afirma que a pesquisa-intervenção amplia as
condições de um trabalho compartilhado onde o pesquisador e o pesquisado fazem
parte do mesmo processo. Conforme Aguiar e Rocha (2007, p. 657), é uma
investigação participativa “[...] colocando em análise os efeitos das práticas no
cotidiano institucional, desconstruindo territórios e facultando a criação de outros
modos de existência”.

4.2 Questões éticas

Essa pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFAL sob
Protocolo no 010339-2011-26 (Anexo A). Foram respeitados os procedimentos
éticos, estabelecidos na Resolução 196/96, tendo sido apresentado o Termo de
Ciência e Autorização da Instituição para os representantes legais do CAPS
(Apêndice A) e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para os
participantes (Apêndice B).
Os indivíduos elegíveis para pesquisa foram convidados a participar da
pesquisa pela pesquisadora. Neste momento, foram apresentadas informações
sobre a pesquisa (objetivos, riscos, benefícios, e procedimentos aos quais seriam
submetidos). Confirmado o desejo de participar voluntariamente da pesquisa, foi
entregue uma cópia do termo de consentimento livre e esclarecido para que lessem
seu conteúdo e quando não possível foi lido para os mesmos, para que
entendessem e pudessem ser esclarecidas as dúvidas. Só então, com a assinatura
do termo é que se formalizou a participação do indivíduo na pesquisa. O familiar
responsável pelo participante também foi convidado a assinar o TCLE (Apêndice C).
Além do TCLE, os sujeitos assinaram o Termo de Cessão de Direitos de Uso e
Divulgação referente à autorização da publicação das produções no blog.

4.3 Descrição do local de realização

O estudo foi desenvolvido no CAPS Dr. Rostan Silvestre, localizado no
município de Maceió-AL. Inaugurado em setembro de 2006, teve as suas atividades
iniciadas no dia 04 de outubro desse mesmo ano. Está classificado como CAPS II,
57

funcionando de segunda a sexta-feira no horário de 08:00h às 17:00h e assiste
usuários a partir de 18 anos, tendo 977 cadastrados de acordo com informações
coletadas em 12 janeiro de 2012. Faz parte do 1º Distrito, mas atende também o 2º
Distrito porque esse não tem CAPS. Bairros atendidos: 1º Distrito (Cruz das Almas,
Garça Torta, Guaxuma, Ipioca, Jacarecica, Jatiúca, Pajuçara, Pescaria, Poço, Santo
Eduardo, Ponta da Terra, Ponta Verde, Reginaldo, Riacho Doce, Saúde); 2º Distrito
(Centro, Jaraguá, Ponta Grossa, Pontal da Barra, Prado, Trapiche, Vergel, Virgem
dos Pobres, Joaquim Leão, Vila Brejal entre outros).
Possui 41 funcionários com as seguintes funções e quantidades: Psiquiatras
(3), Psicólogos (5), Enfermeiros (2), Técnicos de Enfermagem (3), Assistentes
Sociais (3), Pedagogo (1), Terapeutas Ocupacionais (2), Farmacêutico (1),
Fonoaudiólogo (1), Educadores Físicos (2), Fisioterapeuta (1), Cuidador (1),
Assistentes Administrativos (7), Vigilantes (4), Motorista (1), Cozinheira (1),
Auxiliares de Serviços Gerais (2), Coordenador Administrativo (1) e Diretor Médico
(1) o qual é também uns dos psiquiatras.
São várias as atividades realizadas diariamente para os usuários, entre as
quais, as oficinas terapêuticas de acordo com os objetivos de cada profissional com
relação ao PTS dos usuários cadastrados.

4.4 Os sujeitos da pesquisa

A constituição dos grupos foi livre, sendo os participantes indicados pela
equipe do CAPS, tendo em vista o PTS de cada usuário.
A pesquisa foi realizada mediante o contato direto com 4 usuários, sendo 1 do
sexo feminino e 3 do sexo masculino, com idades entre 21 e 34 anos. Buscando
uma interlocução da universidade com o estabelecimento de saúde, contamos com
a participação de 1 membro da equipe do CAPS representado por uma das
assistentes sociais do referido serviço, no intuito de acompanhar o desenvolvimento
dos usuários e de identificação das possibilidades e contribuições de oficinas
terapêuticas informatizadas, além de graduandos em Psicologia e Pedagogia e da
pesquisadora proponente dessa pesquisa. Essa composição relaciona-se ao que
Ribeiro (2012) enfatizou considerar ao cuidado: os usuários, os trabalhadores

58

(identificar caminhos de intervenção através das TIC) e a universidade que forma
profissionais para o exercício do cuidado no campo da saúde mental.

4.5 As oficinas informatizadas do estudo

Os encontros aconteceram no referido CAPS, de agosto a dezembro de 2011.
Com frequência semanal, às quintas-feiras, das 14:00h às 16:00h, a fim de coletar
informações quanto aos objetivos da pesquisa. Os grupos foram coordenados pela
pesquisadora desse estudo, permitindo que os usuários e equipe interagissem entre
si, utilizando-se das TIC e potencialidades.
As oficinas de produção em blog foram organizadas e desenvolvidas
contemplando três etapas na seguinte ordem: (1) planejamento das atividades, (2)
produção de materiais e (3) reflexão, através da participação de todos os sujeitos
envolvidos nas oficinas referidas. A etapa de planejamento das atividades constituiuse nas propostas dos usuários quanto ao que desejavam realizar, através de rodas
de conversa; a etapa de produção desenvolveu-se através da interação com o
computador e realização de atividades e a etapa de reflexão acontecia para que os
usuários pudessem relatar o que produziram, os recursos que foram utilizados, que
aprenderam, os sentimentos quanto as produções e participação no grupo, além da
avaliação das oficinas.
As oficinas terapêuticas informatizadas se constituíram em momentos de
interação com o computador e de criação de atividades para o blog. Os recursos
computacionais foram utilizados e procurados na medida em que iam sendo
solicitados pelas atividades construídas com os usuários no grupo, realizando-se um
total de 12 oficinas entre a criação e estruturação do blog.

4.6 Coleta e Análise dos dados

Para a coleta dos dados foram utilizados os prontuários dos usuários, a
observação participante, a criação de diário de campo e aplicação de entrevistas
semi-estruturadas (Apêndice D). Os prontuários dos usuários participantes foram
analisados no intuito de coletar informações quanto as suas características e
comportamentos anteriores ao acompanhamento no CAPS.

A observação
59

participante constituiu-se do olhar da pesquisadora proponente dessa pesquisa
durante todo o processo e das instruções quanto ao manuseio dos recursos
informatizados para o alcance do que fora planejado e idealizado pelos
participantes. O diário de campo era realizado pela pesquisadora logo após o
término das oficinas através do registro e descrição de todos os acontecimentos da
oficina. As entrevistas semi-estruturadas foram realizadas, com os usuários e
assistente social do serviço durante a etapa de reflexão através do levantamento
das informações necessárias para o alcance dos objetivos da pesquisa.
A análise dos dados foi realizada a partir da análise de conteúdo dos diários
de campo, entrevistas, observações e produções postadas no blog a partir das
proposições teóricas mencionadas e tendo como foco os objetivos da pesquisa.
A análise de conteúdo é, segundo Bardin (2011, p. 44), “um conjunto de
técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e
objetivos de descrição do conteúdo das mensagens”. A autora ainda afirma que é
uma busca de outras realidades através das mensagens, pois procura conhecer
aquilo que está por trás das palavras sobre as quais se debruça, podendo ser uma
análise dos “significados”.
Para tanto, organizamos as seguintes categorias de análise: formas de
apropriação das TIC; produções no blog e o potencial de habilitação psicossocial.
Realizamos uma análise dos significados quanto às formas de apropriação das TIC,
o que foi produzido e postado no blog e dos depoimentos relatados por cada usuário
participante. A seguir, apresentamos as experiências de uma equipe de produção
em blog e as características dos participantes e os seus processos nessa
construção quanto aos efeitos para a habilitação psicossocial.

60

5. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Nesse capítulo descrevemos como organizamos a equipe produtora do blog,
o que foi discutido sobre essa ferramenta enquanto conhecimentos básicos, os
significados quanto ao nome escolhido para o blog e o seu layout, o conteúdo
presente na página inicial, as aprendizagens coletivas e os seus efeitos, além de
depoimentos de profissionais do serviço. Também apresentamos as características
dos participantes e os seus processos na construção do blog, como cada um se
apropriou das TIC, o que produziu e postou no blog, depoimentos e os efeitos disso
para a sua habilitação psicossocial.

5.1 As experiências de uma equipe de produção em blog

A equipe de produção em blog foi formada, inicialmente, por 5 usuários,
sendo 1 do sexo feminino e 4 do sexo masculino, com idades entre 21 e 34 anos, 2
graduandos da UFAL (Psicologia e Pedagogia) e 1 membro da equipe do serviço
(assistente social). Trabalhamos com a mesma equipe participante do projeto
“Criando laços via recursos informatizados”, com mudança apenas do membro da
equipe do serviço e de um dos graduandos. Um dos usuários, do sexo masculino,
participou apenas das primeiras três oficinas porque se ausentou do serviço por
compromissos pessoais. Portanto, a análise desse estudo foi realizada com os
outros 4 usuários. Também destacamos que tivemos a participação breve de um
outro usuário nas oficinas de construção do blog, porém este precisou fazer parte de
um outro grupo do CAPS e não foi nosso sujeito de análise. Os usuários do estudo
possuem o tempo de atenção em CAPS entre 3 a 5 anos.
61

As oficinas de produção em blog iniciaram no dia 18 de agosto de 2011,
contemplando um total de 12 oficinas até o dia 15 de dezembro de 2011.
As atividades envolveram conhecimentos sobre blog (o que é, para que serve,
qual o objetivo, entre outros), escolha de um nome para o blog a ser produzido,
definição do layout, criação de um avatar3 representando os usuários, produção das
páginas individuais e materiais para postagem, além dos depoimentos quanto às
experiências vivenciadas durante esse processo.
Quando propusemos a criação de um blog de autoria dos próprios usuários,
todos eles manifestaram muito interesse. Mas, ao mesmo tempo, se questionaram
se isso seria realmente possível. O reconhecimento dessa possibilidade se
desenvolveu no decorrer das oficinas, causando cada vez mais entusiasmo e
participação com produção de conteúdos. Percebemos que essa forma de inclusão
digital, assim como destacaram Foresti e Teixeira (2006) proporcionou o
reconhecimento das suas potencialidades e responsabilidades, onde se apropriaram
das tecnologias de forma criativa e diferenciada, libertando-os de uma posição
passiva. Concluímos, de acordo com Venturini et al (2003), que esses sujeitos se
reconheceram

como

parte

de

um

processo,

desempenhando

papéis

de

protagonistas.
Para a estruturação do blog, vivenciamos o que apontou Oliveira (2006) como
vantagens do blog: escrita colaborativa partilhando informações de interesse
comum, criatividade através da escrita livre promovendo autoria e co-autoria,
desenvolvimento de expressão e opinião pessoais, pensamento crítico e capacidade
argumentativa, desenvolvimento de habilidades e aprendizagem. Isso favoreceu a
autonomia na criação.
Nesta perspectiva, destacamos que o nome escolhido para o blog foi “Criando
Laços”, sugerido pelos usuários participantes, em virtude do título do projeto de
extensão e por considerarem que este representaria os laços de amizade que
passaram a existir entre todos.

Dessa forma, as oficinas permitiram o

estabelecimento de laços e de afetividade entre os integrantes como escreveu
Mendonça (2005). Sugeriu-se também que esse nome ficasse em formato de corda,
de forma a fortalecer ainda mais esses laços, conforme a figura 1:
3

Termo virtual do usuário, uma personagem controlada por ele na tela do computador. Geralmente
são identificados por características físicas específicas (gênero, raça etc) (AU, 2008).

62

Figura 1. Título do blog
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Possibilitou-se aos usuários a alteração do ambiente do blog, com
transformações do seu aspecto estético, estrutural e produção de textos próprios,
como discutiram Mercado et al (2011). O layout foi sugerido em formato de “quebracabeça”, no qual as peças representavam cada um dos participantes, sendo
necessária a ligação entre elas para a sua composição, por isso não podiam se
separar. Isso reflete os sentidos que foram produzidos nessa relação, os quais se
abriram ao vínculo, acolhimento e inclusão como destacaram Brêda (2006) e
Oliveira e Fortunato (2007). Apresentação do layout na figura 2:

Figura 2. Layout do blog
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

63

A página inicial foi composta de produções apresentando o blog e o seu
objetivo. Essa obra, de acordo com o que afirmaram Ricardo e Vilarinho (2006), é
um reflexo dos seus autores e do grupo do qual fazem parte, traduzindo a
apropriação de sua vida no CAPS, como consta na figura 3:

Figura 3. Produções da página inicial do blog
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Cada usuário pôde criar a sua própria página de acordo com as suas
representações e interesses, as produções resultavam do que julgava ser
significativo para cada um deles. Esse blog se constituiu em um espaço de
afirmação de identidade própria e de liberdade de expressão como escreveram
Nascimento, Silva e Mercado (2008). Houve a decisão por nomes fictícios para
essas páginas tais como: Maria, Hades, Adele e Liga dos Campeões, figura 4:

Figura 4. Páginas dos usuários
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

A escolha desses nomes será detalhada quando falarmos das características
de cada participante nesse processo.
Apresentando as produções da página inicial do blog:

64

Sou um espaço feito pensando em você, no seu entretenimento, nos seus
momentos de diversão, na sua curiosidade e até no seu aprendizado.
Somos um grupo de usuários em acompanhamento no CAPS (Centro de
atenção psicossocial) Dr. Rostan Silvestre, localizado no município de
Maceió-AL, profissionais deste serviço de atenção (pedagoga e assistente
social), estudantes universitários e pesquisadores que buscam uma espécie
de igualdade no trato, no reconhecimento, no convívio com as pessoas
(MARIA).

O que é dito por Maria, fundamenta-se nas possibilidades de trocas entre os
seres humanos, os quais devem ser vistos e aceitos como iguais em suas diferenças
como enfatizaram Nogueira e Costa (2007). Maria reafirma seus anseios, conforme
descreveu Amarante (2008), quanto à igualdade no trato, reconhecimento e convívio
social. Através do texto seguinte, Maria expõe as intenções do blog:
O blog, CRIANDO LAÇOS, foi feito pensando no entrosamento entre seus
membros, na inclusão que este proporciona e na GLOBALIZAÇÃO que é o
que nos motiva a seguir unidos cada vez mais. Pensando também que este
blog seria um cantinho para mostrarmos nossas criações e produções para
podermos conhecer as pessoas mais profundamente (MARIA).

Dessa forma, Maria declara que esse blog tem o intuito do entrosamento
entre seus membros, ou seja, de contribuir para o estreitamento e fortalecimento
dessas relações segundo escreveram Marcon, Teixeira e Trentin (2009). Maria
também afirma a inclusão e motivação que essa ferramenta proporciona, portanto a
inserção no meio informatizado possibilita a esses sujeitos sentir-se incluídos no
mundo contemporâneo e que utilizam a produção como um meio para sua
comunicação, conforme destacaram Francisco e Renz (2010).
Maria descreve alguns aspectos da vida cotidiana e necessários na vida de
um indivíduo: filho, medo, sonhos, esperança, laços de família, amizade e de amor.
E afirma que as pessoas precisam uma das outras:
A gente cria filhos, cria medo, cria sonhos, esperança, até animal, também
cria laços, laços de família, de amizade, de coleguismo, de amor e de
sangue. Pois é, a gente vai CRIANDO LAÇOS e vai transformando a vida
da gente num laço fraterno onde um precisa do outro para continuar se
eternizando. Então, viva a vida, viva o amor e viva os laços fraternos que
unem a todos nós. Seu OBJETIVO: Sociabilizar educando, pois educação
salva, liberta. Buscar mais interação e entrosamento para fazer parte da
GLOBALIZAÇÃO, que une, viabiliza, agiliza e torna fácil tudo o mais
(MARIA).

65

Deste modo, Maria descreve como o processo de interação e formação de
laços entre o grupo pode conduzir para transformações em suas próprias vidas. As
oportunidades de trocas de afetos possibilita a criação de um efeito “habilitador”
segundo afirmou Saraceno (1999).
O significado da escolha do layout é referido da seguinte forma: “Esse
quebra-cabeça representa laços de amizade e de afeto nas nossas vidas, pois não
podemos nos separar” (HADES). Esse usuário demonstra os laços que foram
criados e a importância do projeto para o grupo.
A produção desse blog envolveu a aprendizagem no uso de recursos como:
Word, PowerPoint, internet. Os usuários desenvolveram habilidades, conforme
escreveram Neves e Boeira (2010), para digitação, manuseio da ferramenta Google
para pesquisa em sites diversos e para postagem do conteúdo no blog. A produção
também oportunizou o acesso e uso dos computadores, nos quais alguns usuários
relataram que era o único momento em que tinham essa oportunidade,
possibilitando a inclusão digital enquanto direito e o exercício cidadania, segundo
enfatizaram Moro, Teixeira e Martins (2009).
O exercício de produção em blog se constituiu em um espaço para expressão
e comunicação no qual os participantes não estavam acostumados a utilizar,
promovendo novos modos de vida. Através do blog, os participantes construíram
outras relações com eles mesmos, pensaram sobre questões do seu dia-a-dia
gerando reflexão quanto ao que queriam dizer, como iriam dizer, o que utilizar,
oportunizando um processo de transformação pessoal e de reabilitação como
propõe Saraceno (1999) quando fala da identidade.
Durante as oficinas, os usuários compartilharam desabafos sobre situações
das suas vidas, seus problemas do cotidiano e tristezas, os quais poderão ser
verificados no relato sobre os dos participantes. Isso favoreceu o interesse da ajuda
mútua, contribuindo ainda mais para o fortalecimento dos laços do grupo.
Os usuários referiram que se sentiram mais capazes para realizar atividades
complexas, ou seja, atividades que segundo eles, não acreditavam serem possíveis.
Dessa forma o estudo contribuiu, conforme escreveu Saraceno (1999), para o
aumento das possibilidades. Também falaram e demonstraram satisfação com cada
produção que foi postada no blog, suas próprias e as dos colegas. Mencionaram
também que as oficinas lhes proporcionaram momentos de lazer e distração e que
66

foram prazerosas e divertidas. Constatamos conforme enfatizaram Jorge et al
(2006), que as atividades ajudaram os sujeitos a dominar as suas limitações e
incapacidades, elevando a auto-estima do grupo e possibilitando a efetivação de
uma das formas para a habilitação psicossocial. Partilhamos das mesmas
experiências do CDI (2011), onde os usuários utilizaram o espaço das oficinas e do
blog para construir novas relações com eles mesmos e com o meio em que vivem,
compartilhando os mesmos resultados de Francisco (2007).
A assistente social da equipe que acompanhou as atividades relatou, durante
a participação nos grupos de reflexão com registro no diário de campo da
pesquisadora, sobre a importância dessas oficinas: “Participar desse grupo
realmente está sendo muito importante, estou gostando muito. É muito bom poder
acompanhar o desenvolvimento intelectual e a evolução de cada usuário”.
As oficinas de produção do blog proporcionaram a união do grupo, troca de
experiências,

aprendizagem

compartilhada

e

muito

companheirismo.

Cada

participante, com a sua própria história de vida, foi fundamental nesse processo de
construção. Trabalhamos com o olhar voltado para o sujeito e suas fragilidades e
não para a sua doença ou a sua cura, conforme sugeriram Ribeiro (2012) e Oliveira
e Fortunato (2007) como um meio para habilitar. Adotamos o que recomendaram
Rotelli, Leonardis e Mauri (2001), a ênfase no projeto de invenção de saúde,
praticando e promovendo novas possibilidades de produção de vida, de sentido e de
sociabilidade. Possibilitamos seus direitos de tomarem decisões, de se fazerem
cidadãos e de terem a sua vontade e fala validadas como enfatizaram Belini e
Hirdes (2006). Estabelecemos práticas dinâmicas onde os sujeitos liberaram suas
capacidades criativas de acordo com Ribeiro (2012) e num constante processo de
reconstrução e superação como orientou Hirdes (2009a). O sofrimento psíquico não
se anulou, mas foi possível remover alguns motivos e mudar as formas e o peso
desse sofrimento na vida dos sujeitos participantes de acordo com o que explicaram
Rotelli, Leonardis e Mauri (2001). Para o entendimento dessas questões,
apresentaremos os efeitos individuais dessa experiência.

67

5.2 Características dos participantes e os seus processos na construção do blog

Nesse item apresentaremos as características de cada participante, suas
formas de apropriação das TIC e produções no blog com contribuições para a
habilitação psicossocial, referentes aos objetivos específicos desse estudo. Esses
dados foram extraídos dos prontuários dos usuários, diários de campo, blog,
entrevistas e observação participante.

5.2.1 Hades

É um jovem de 21 anos, do sexo masculino, reside com a mãe e com um
casal de idosos. Sua mãe é empregada doméstica do referido casal há muitos anos,
engravidou e o pai do Hades não assumiu a paternidade. Diante da situação esse
casal resolveu assumir os dois, mãe e filho, considerando-os como membros da
família.
Na escola, Hades apresentava regular compreensão, dificuldades de
raciocínio e momentos de agressividade. Possui ensino médio incompleto. Foi
internado uma vez em um hospital psiquiátrico, principalmente por apresentar
agressividade em casa, chegando ao CAPS no ano de 2009. No início deste estudo,
apresentava as seguintes características: facilidade de interação com os colegas e
bom relacionamento, independência para as atividades diárias, comunicativo,
participativo nas atividades, dificuldade de raciocínio e gostando muito do CAPS.
Quanto a esse serviço fez o seguinte depoimento:
O CAPS é um centro de atendimento que atende pessoas especiais. Antes,
os pacientes ficavam internados em clínicas psiquiatras, como era o meu
caso. Já fiquei internado em um hospital psiquiátrico, fiquei um mês,
recomendaram para eu ir para o CAPS, eu pensei que era um saco, só que
foi totalmente diferente, fiz amigos. Se não existisse o CAPS Rostan
Silvestre eu estaria em uma clínica psiquiátrica.

Através desse depoimento, Hades referencia o hospital psiquiátrico como o
local onde as pessoas em sofrimento psíquico ficavam internadas, como foi o seu
próprio caso. O CAPS, segundo registros de Brasil (2004a) anteriormente
mencionados, foi criado para ser substitutivo às internações em hospitais
psiquiátricos. Esse serviço foi um outro dispositivo para a sua assistência, foi
68

diferente do que imaginava e possibilitou uma nova forma de se relacionar fazendo
amizades. Os CAPS, de acordo com o que declarou Brêda (2006) devem
propulsionar transformações, novas formas de lidar e de se relacionar com a
existência enquanto sofrimento. Nesse sentido, as amizades permitem essas novas
formas do sujeito lidar com o seu sofrimento, sob a própria declaração de Hades
quando revela que se não existisse o CAPS, estaria em uma clínica psiquiátrica.
Hades participou de todas as 12 oficinas informatizadas referentes ao blog,
não obtendo nenhuma ausência, demonstrando constantemente o seu interesse
nesse aprendizado. Para o blog “Criando Laços”, escolheu o nome fictício “Hades”
que é um dos personagens do desenho animado Cavaleiros do Zodíaco, o qual
gosta muito.

Formas de apropriação das TIC por Hades

As oficinas informatizadas eram o seu único meio de acesso ao computador,
pois não havia em seu domicílio. Houve um tempo em que ia para uma “lanhouse”,
que ficava próxima da sua casa, para jogar, ouvir músicas, ler notícias, entre outras
atividades, mas a mesma foi fechada resultando na sua impossibilidade de acesso.
No decorrer das oficinas, o entusiasmo demonstrado em casa, sensibilizou um dos
membros da família que o presenteou com um netbook e um modem. Hades chegou
em uma das oficinas com muita felicidade e mostrando o seu computador para
todos, a partir disso passou a utilizá-lo em todas as oficinas.
Hades sempre chegava muito animado e entusiasmado para as oficinas,
gostava de participar de todas as atividades sugeridas e também contribuía no
planejamento das atividades seguintes, desenvolvendo cada vez mais, interesse. Foi
adquirindo habilidades nos recursos que mais tinha curiosidade, tais como: Word,
PowerPoint, internet e email. Utilizou o Word para digitar as suas produções e a
partir das oficinas, criou uma conta de email, passando a utilizá-la com frequencia,
inclusive para anexar e encaminhar as suas produções para a postagem no blog.
Aprendeu como criar uma pasta para salvar as suas produções no seu próprio
computador. Como também realizou pesquisas na internet relacionadas aos seus
assuntos favoritos. Quanto ao que aprendeu através das oficinas informatizadas e
do blog respondeu na entrevista:
69

Aprendi a digitar mais rápido, desenhar no computador e trabalhar em
equipe. Aprendi a mexer melhor no computador, coisa que eu não sabia
muito. Isso ajudou a melhorar o meu raciocínio, a lógica, conviver melhor
com as pessoas, assim, fiz amizade. Aprendi a baixar vídeos e músicas e
criar propaganda sobre drogas para os adolescentes. Está sendo boa a
experiência do blog, me sinto bem, estou acompanhando o blog em casa
também. Está ótimo! (Hades).

Através dessa declaração, Hades relata sobre tudo o que aprendeu no
processo de interação com o computador e com o grupo. Que essa experiência lhe
fez bem e que podia acompanhar o blog em sua casa, consequencia do netbook e
do modem que ganhou da família. Nesse espaço de vivência construiu-se uma
relação com a máquina e uma outra constituição de si, de pertença ao mundo e de
construtor da sua história, efeitos também constatados no estudo de Francisco e
Renz (2010).

Produções no blog e o potencial de habilitação psicossocial para Hades

Hades tem aptidão para expressões artísticas, conforme pudemos observar.
Gosta muito de criar desenhos, de ler histórias em quadrinhos (super heróis e
mangás), de músicas (rock, sertanejo, pop, MPB), gosta de fazer imitações e efeitos
sonoros com a boca e com instrumentos que tiver ao alcance. Sempre muito
tranquilo e ao mesmo tempo eufórico e questionador quando ao que lhe estava
sendo solicitado. O universo digital lhe despertava curiosidade e através disso
passou a interagir de forma bastante positiva com os demais participantes do grupo,
chegando a ensinar os colegas como executar as atividades, ou seja, o manuseio
dos recursos.
Em sua página, visualizamos inicialmente o seu avatar e uma imagem dos
Cavaleiros do Zodíaco, um dos seus desenhos preferidos, figura 5:

70

Figura 5. Página do Hades
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Sua página foi composta de história de sua autoria no intuito de combate as
drogas para os adolescentes, conforme o quadro 1:

CEBOLA RADICAL
Franjinha: Olá cebola! Tudo bem? Sou o franjinha, tudo bem? Tenho uma parada
para lhe oferecer, vamos fumar um crack? Vai ser uma parada radical cebola, você
topa?
Cebola: Franjinha, eu não uso nenhum tipo de drogas, minha droga preferida é a
prática de esportes radicais, como: andar de skate.
Cebola diz para Mônica: Mônica, o franjinha está me oferecendo drogas, não aceitei
essa parada eu disse que minha droga preferida é a prática de esportes.
Autoria: Hades
Quadro 1. Cebola Radical
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Por gostar muito de um livro sobre vampiros, interessou-se em digitar um
trecho e postá-lo no blog, conforme o quadro 2:
CREPÚSCULO
Não consigo parar de pensar em você
Meu sangue ferve por você
Minha querida e doce Bela
Quando vejo o amanhecer
Quero ficar mais perto de você
Não vá embora.
Digitado por: Hades
Quadro 2. Crepúsculo
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

71

Utilizou o PowerPoint para desenhar expressando a representação do
computador para ele, conforme o quadro 3:

REPRESENTAÇÃO DO QUE É O COMPUTADOR PARA MIM:

"Um novo olhar para o mundo"
Autoria: Hades
Quadro 3. Representação do computador segundo Hades
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Digitou trechos de uma música que gosta muito, como também compôs a
música demonstrada no quadro 4:

CDZ
(Música: Cavaleiros do Zodíaco)
Não sei mais o que fazer nessa terrível guerra santa, tudo mudou
Meu mundo
O desabou Sagrada armadura vencerá todas as batalhas
Vou vestir a minha
E vou derrotar todos os inimigos
Com meus amigos vou até você
Em todas as galáxias
Saruê
Autoria: Hades
Quadro 4. CDZ
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Também postou em sua página um texto sobre uma pesquisa realizada na
internet sobre desenhos de “mangá”, uma figura como exemplo desses desenhos e
descreveu: “O mangá é lido de forma oriental, diferente dos quadrinhos. Um dos
mangás que eu adoro ler é o naruto cavaleiros do zodíacos de lost canvas”
(HADES).
Hades preparou a sua página expressando materiais que faziam parte do seu
cotidiano, das suas leituras e músicas, como uma forma de mostrar os seus gostos.
72

Pode expressar o que gostava de ler, revelando as suas escolhas de acordo com o
que escreveram Nascimento, Silva e Mercado (2008). Conforme Veen e Vrakking
(2009), foi possível escrever o que desejava compartilhar com o mundo. Hades
escreveu pelo prazer de compartilhar informações, da forma que Orihuela (2007)
enfatizou. O exercício de produção em blog estimulou o pensamento para criar, para
decidir sobre o que seria postado, desenvolvendo ações para executar as atividades
necessárias para o alcance dos seus objetivos e desejos. Além de estimular, ainda
mais, suas competências de argumentação, conforme afirmaram Neves e Boeira
(2010). As etapas desencadearam sua autonomia, autoria e aprendizagem
significativa, de acordo com o que propôs Sales (2010).
A participação nesse grupo foi importante para a sua socialização e formação
de outras redes de convivência, além de contribuições para a sua forma de
comunicação, de acordo com Veen e Vrakking (2009). Isso pode ser verificado no
relato de Hades:
Antes eu ficava em casa, não tinha nada para fazer. Com esse projeto aqui,
eu venho para conversar com vocês, né? Paro para conversar, antes eu não
tinha como ficar fazendo isso. Eu comecei a me expressar melhor, porque é
bom se expressar melhor, né? A falar melhor, assim, eu achei interessante.

Quando viu o blog estruturado, Hades relatou “Fiquei muito feliz”. Para ele, o
blog “Representa união. É como o nome do blog diz, criando laços” (HADES).
Enquanto produtor desse blog, Hades revelou como se sentia: “Feliz por um sonho
realizado e adorei a criação de cada página dos meus amigos”. E quando
interrogado quanto às contribuições do blog na sua vida, declarou de forma
emocionada: “Melhorei o meu raciocínio, o blog representa tudo”.
Para Hades, o blog se constituiu em um recurso de escrita e cognição, como
dito por Pimentel (2009), no qual o mesmo relatava constantemente a melhoria do
seu raciocínio. Esse processo possibilitou o seu desenvolvimento sociocognitivo de
acordo com o que era possível desencadear afirmado por Santarosa, Conforto e
Basso (2010). Um sujeito que ao que parece teve dificuldade na escola, através das
atividades desse projeto, teve uma nova chance de educação. Ocasião de
crescimento e de relacionamento enfatizados por Saraceno (1999), ampliando a
rede social com a universidade (FRANCISCO, 2009).

73

5.2.2 Maria

É uma jovem de 34 anos, do sexo feminino, reside com a mãe, irmão e irmã.
Possui ensino superior incompleto, pois passou a apresentar dupla personalidade,
agressividade, mudança de comportamento e de humor e dificuldade de interação.
Necessitou de acompanhamento e não mais conseguiu retornar para concluir o
curso. Quanto a isso desabafou: “Fiz até o segundo ano, quarto período. Minha
média era sempre 7, 8, 9 e 10, minhas notas eram todas boas, aí aconteceu tudo!”.
Sua trajetória é marcada por cerca de 10 internações em hospitais
psiquiátricos diversos do município de Maceió-AL. Sua última internação aconteceu
durante as atividades do projeto de extensão “Criando laços via recursos
informatizados” em 2011. Chegou ao CAPS no ano de 2009. No início do nosso
estudo apresentava as seguintes características: mudança de comportamento e de
humor, dificuldade de interação, sentimento de inutilidade e baixa auto-estima.
Participou de 11 oficinas de blog, de um total de 12. Ausentou-se uma vez por
questões pessoais. Para o blog “Criando Laços” escolheu o nome fictício “Maria”,
por ser bastante religiosa e muito ligada à igreja.

Formas de apropriação das TIC por Maria

Maria não tinha acesso ao computador em casa. Seus irmãos possuem
computadores, mas não a deixavam utilizar por medo que ela o danificasse.
Teve muito interesse em fazer parte das oficinas informatizadas desde o
início. Era sempre muito pontual, cuidadosa e curiosa. Revelou que já havia feito um
curso de informática há alguns anos, mas perdeu sua habilidade: “Faz muito tempo,
nem tinha mouse na época. Nunca mais manuseei nada no computador, fiquei
enferrujada demais, aí eu digo que nunca fiz informática”. Declarou que aprenderia
novamente, aos poucos, a partir das orientações e apoio do grupo. Quanto às
expectativas, relatou: “Espero me sentir mais a vontade na frente do computador e
aprender as funções”. No decorrer das oficinas, Maria foi adquirindo habilidades nos
recursos que mais tinha interesse, tais como: Word e internet. Utilizou o Word para
digitar as suas produções e internet para pesquisas. Referente à aprendizagem dos
recursos, respondeu: “Hoje eu olho a minha irmã no computador dela, olho o meu
74

irmão no computador dele e já não me sinto tão inferior, já me sinto no mesmo
patamar, quase igual, não me sinto tão cega como antes”. Quanto ao que realizou,
declarou: “Redigi, pesquisei, naveguei”.
As declarações de Maria revelam os significados desse projeto na sua vida.
Houve sua aproximação e conhecimento da informática o que a fez sentir-se mais
presente no mundo porque podia e sabia utilizar as ferramentas se inserindo e se
sentindo incluída na sociedade e próxima das habilidades da família, efeitos também
dos estudos de Francisco (2007) e de Francisco e Maraschin (2009).

Produções no blog e o potencial de habilitação psicossocial para Maria

Maria tem aptidões para atividades que estimulam à escrita. Aprecia músicas
do estilo gospel, reflexo da sua religiosidade. No seu cotidiano, gosta muito de ir à
missa com a mãe, a qual considera sua única companhia, pois não tem muitas
amizades. Quanto a sua devoção relatou: “Eu sou muito ligada à religião, porque é o
que me alimenta, o que me fortifica. Meu combustível é Maria e Jesus, se não fosse
a igreja católica eu não estaria em pé. É muito forte na minha vida, me influencia
bastante”. Não participa de atividades externas programadas pelo CAPS porque não
gosta de ser identificada como usuária, nem mesmo as atividades internas que
reúnem usuários e familiares. Quanto a isso declarou: “Não é que eu não goste do
CAPS, eu adoro o CAPS! Mas não quero que saibam que sou do CAPS”. Maria
sempre demonstrava muita satisfação em participar das oficinas, as quais lhe
proporcionavam oportunidades de acordo com o que destacou Rotelli (2001), isso
podemos verificar no seguinte relato:
Eu fico muito feliz com essa oficina porque nesse dia eu não tinha nada,
nenhuma atividade e você (referindo-se à pesquisadora) está me dando
essa oportunidade de estar aqui ouvindo coisas salutares. E se eu perdesse
ia ficar triste, eu não ia ficar bem. A minha família também ia ficar triste
porque sabe que é muito importante para mim (MARIA).

Também afirmou que se sentia bem com a presença de uma profissional da
equipe do CAPS, julgando isso muito importante. Maria contribuía bastante no
planejamento das atividades juntamente com os demais participantes.
Em sua página, podemos visualizar inicialmente uma imagem do pôr-do-sol,
pesquisada e escolhida por ela como forma para sua representação, figura 6:
75

Figura 6. Página da Maria
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Quanto ao significado dessa imagem descreveu, conforme podemos verificar
no quadro 5:

O por do sol, é a expressão do que é a força e o poder Divino.
Autoria: Maria
Quadro 5. Significado do pôr-do-sol
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Interessou-se em digitar a música “Restauração”, de categoria gospel,
revelando que esta marcou a sua vida e que sempre a ajudava para se fortalecer
quando passava por algum problema, quadro 6:

MÚSICA: Restauração ( Canção Nova )
Cantor: Dunga
Deus vê o coração, sonda com a compaixão e sabe o tamanho da sua dor, Ele não
pode pôr limites no seu Amor, pois sabe até onde vai todo pecador.
Lágrimas são suor, de almas que lutam só. Só Deus pode entender o que te causa
dor, pensa no seu Senhor, recorra ao seu Amor e creia Ele é fiel, justo é o seu Amor.
Pare de se maltratar, não queira aos outros culpar, diga por hoje não, por hoje eu não
vou mais pecar, estenda a sua mão e abra seu coração, volta pro seu Senhor e se
abra à RESTAURAÇÃO.
Com Cristo você vai superar, todas as barreiras passar, todo pecado vencer um novo
homem vai nascer.
Digitado por: Maria - 22.09.2011
Quadro 6. Música Restauração
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

76

Quanto ao que o computador representava para ela, descreveu o que
podemos constatar no quadro 7:

O QUE É O COMPUTADOR PARA MIM:
É a expressão mais autêntica e genuína do que é a lógica, a precisão e a praticidade.
Autoria: Maria
Quadro 7. Representação do computador segundo Maria
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Em sua página, Maria também postou uma música do estilo forró, a qual
gosta muito e receitas da culinária. Por gostar de poemas, digitou um que aprecia e
realizou a sua interpretação para este, como podemos verificar no quadro 8:

Há corpos de agora, com almas de outrora.
Corpo é vestido.
Alma é pessoa.
(Eça de Queiroz)
Digitado por Maria
INTERPRETAÇÃO
Este poema fala claramente da reencarnação.
Enquanto CORPO, este pede, reclama: água, agasalho ou mesmo alimentos.
Enquanto ALMA, esta sente: dor, angústia, satisfação, tristeza, alegria, etc.
Autoria: Maria
Quadro 8. Interpretação de poema
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Maria preparou a sua página com assuntos do seu interesse, sobre o que
gostava de ler e sobre a sua religiosidade, revelando sua sensibilidade, conforme
dito por Nascimento, Silva e Mercado (2008) e expressando seus sonhos, na página
inicial coletiva, quanto a uma igualdade no trato, no reconhecimento e no convívio
com as pessoas em sofrimento psíquico. Nas oficinas sempre falava da sua
inquietação quanto às formas de discriminação e preconceitos da sociedade: “Não
dá para fingir que o preconceito não existe. Todo mundo tem limitações, tem os ditos
normais e os mais limitados que os normais, acho que é assim que é dividido. É o
caso de respeitar as limitações de cada um (MARIA)”. Essa fala relaciona-se ao que
afirma Ribeiro (2012) de que há dor e sofrimento não apenas na manifestação
sintomatológica do problema mental, mas na relação do sujeito com os outros.
Maria aproveitou o espaço das oficinas, um dos seus poucos locais de
relacionamento, para desabafar sobre sua trajetória de vida e de preconceitos
77

sofridos. Revelava que se sentia aliviada ao saber que várias pessoas ilustres e bem
sucedidas, também já sofreram de problemas mentais e que são exemplos de
superação, declarando de forma emocionada: “Isso me conforta”. Relatou que
através das oficinas aprendeu: “A trabalhar em equipe e ser mais educada com as
pessoas”, pois todos a tratavam bem. Disse que sempre foi muito mal educada com
as pessoas no CAPS e na rua, pois era esse tratamento que recebia dos irmãos em
casa, justificando: “Somos reflexo do meio hostil em que vivemos”. Referia como
“tudo ótimo” o que realizamos nas oficinas.
Conforme escrito por Cedraz e Dimenstein (2005), o indivíduo em sofrimento
psíquico sofreu inúmeras perdas em decorrência do seu adoecimento. Com o passar
do tempo, Maria acabou introjetando o sentimento de inutilidade, conferido pela
sociedade, com graves reflexos sobre sua auto-estima, de acordo com o que foi
analisado por Jorge et al (2006). Retraiu-se da vida social, perdeu laços de
sociabilidade como afirmou Fontes (2010), uma sequela significativa. Esses
aspectos podem ser verificados na seguinte declarações de Maria: “O que vocês
estão fazendo é... deixa eu lembrar a palavra... ressocialização, reinserção social.
Me sinto um bicho na minha casa e aqui vocês me valorizam. Olhe, pela primeira
vez eu estou me abrindo, nunca falei isso para ninguém”. Como também no que
desabafou:
“As pessoas me perguntam como é que eu tenho tanta força, sozinha contra todo
mundo” (MARIA). Uma das perspectivas das atividades do projeto, conforme dito
como essencial por Jorge et al (2006), era resgatar a singularidade e o respeito à
Maria para que pudesse lhe proporcionar melhor qualidade de vida em seu ambiente
familiar, o qual baseado em sua declaração parecia hostil.
A participação no grupo favoreceu o resgate da sua auto-estima e
ressocialização. Pois sempre que lhe era perguntado o que sentia participando das
oficinas, Maria respondia: “Útil”. Possibilitou formar uma nova rede de convivência e
interação (POCHO et al, 2010) e habilidades com o uso dos recursos (OLIVEIRA,
2006). Manteve mais estabilizado o seu comportamento e humor e passou a utilizar
os computadores dos irmãos, através do reconhecimento da família (ORIHUELA,
2007), das suas capacidades.
Nas primeiras oficinas, ao realizar as suas produções, sempre solicitava aos
participantes que conferissem e revisassem seus textos e por mais que recebesse
78

elogios do grupo quanto ao que escrevia e criava, considerava que não estava bom.
Havia sempre uma auto-cobrança em fazer sempre o melhor. Aos poucos, com o
exercício da produção, foi adquirindo mais confiança em si mesma. Isso favoreceu o
desenvolvimento da crítica e autocrítica, como propuseram Souza, Silva e Araújo
(2011), além da produção de textos próprios (MERCADO et al, 2011). No decorrer
das oficinas revelava: “Estou gostando muito de fazer o blog e estou pedindo ajuda a
vocês para ter cada vez mais criatividade, para criar coisas para colocar no blog”.
Quanto ao sentimento de ter visto o blog estruturado, disse: “Para mim, é a
sensação do dever cumprido, uma conquista. O blog ficou lindo, muito bom, se a
gente tivesse combinado, não teria dado tão certo”. Essa conquista referida por
Maria demonstra que essa prática possibilitou-a realizar um sonho, de acordo com o
que referiu Ribeiro (2012). Enquanto produtora do blog sentiu-se útil. O blog,
enquanto conquista e resgate do sentimento de utilidade, proporcionou uma
transformação da sua baixa auto-estima relacionada principalmente ao sofrimento
pela experiência do projeto do seu curso superior interrompido como relatou
Amarante (2008). Desse modo, o projeto partiu da falta (CEDRAZ; DIMENSTEIN,
2005) para a possibilidade de constituição de outros modos na vida da Maria.

5.2.3 Liga dos Campeões

É um jovem de 24 anos, do sexo masculino, reside com a mãe e com um
irmão. A partir de um ano de idade começou a regredir no seu desenvolvimento.
Possui ensino fundamental incompleto. Nunca foi internado em um hospital
psiquiátrico e chegou ao CAPS no ano de 2007, no qual permanece em
acompanhamento.

No

início do

nosso estudo,

apresentava

as seguintes

características: tranquilo, receptivo, motivado para as atividades, com entendimento
das regras, concentração bastante preservada e problemas no discurso. Entende-se
melhor o que quer dizer através da forma escrita, porque verbalmente repete as
próprias perguntas que lhe são feitas, não dando a resposta na maioria das vezes.
Quando fala, gesticula com a mão como se estivesse escrevendo.
Participou de 10 oficinas de blog de um total de 12, ausentando-se devido
problemas no transporte, pois dependia do carro do serviço para chegar ao CAPS.
Para o blog “Criando Laços”, por sugestão dos demais participantes, concordou
79

como nome fictício “Liga dos Campeões” devido ao seu assunto preferido no
momento, permanecendo no decorrer de todas as oficinas.

Formas de apropriação das TIC por Liga dos Campeões

Liga dos Campeões possui computador em casa e faz uso. Tem
conhecimento de assuntos do cotidiano, do Brasil e do mundo porque gosta muito
de assistir televisão (telejornais, programas de humor, campeonatos de futebol,
entre outros). Costuma assistir também programas educativos, porque gosta muito
de informação.
Nas primeiras oficinas sempre falava com entusiasmo sobre as partes que
compõe o computador como forma de demonstrar o conhecimento que tinha. Foi
adquirindo habilidades (NEVES; BOEIRA, 2010) nos recursos que mais tinha
interesse, tais como: Word e internet. Utilizou o Word para digitar as suas produções
e realizou pesquisas na internet relacionadas ao futebol, o seu assunto favorito.
Destaca-se o seu conhecimento da língua portuguesa, pois digitava sem cometer
equívocos na ortografia.
Sempre quando lhe era perguntado sobre o que havia achado das oficinas,
Liga dos Campeões respondia: “Eu adorei!”. Quanto ao que havia aprendido
utilizando o computador e a internet referiu: “Liga dos Campeões”. Esse usuário
permanecia fixado ao computador do início ao fim das oficinas, demonstrando o seu
entusiasmo.

Produções no blog e o potencial de habilitação psicossocial para Liga dos
Campeões

Liga dos Campeões é grande conhecedor do mundo futebolístico. Costuma
ficar relatando o nome de todos os times nacionais e internacionais existentes e
seus respectivos jogadores. No início dos trabalhos das oficinas informatizadas,
ainda referentes ao projeto de extensão “Criando laços via recursos informatizados”,
apresentava muitas dificuldades de interação com o grupo e com as atividades
propostas, desenvolvendo apenas o que lhe interessava. Por muitas vezes ficava
inquieto, não gostando de conviver com as regras estabelecidas. No decorrer dos
80

encontros passou a interagir com o que lhe era proposto e com os demais
integrantes. Esteve atento quanto ao que estava sendo produzido pelos colegas e
contribuiu para as decisões coletivas. Desenvolveu a participação e o interesse em
aprender cada vez mais com o que o grupo tinha a lhe oferecer.
Em sua página, visualiza-se inicialmente o seu avatar e uma imagem do
CSKA, um dos seus times preferidos, figura 7:

Figura 7. Página do Liga dos Campeões
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Digitou jogos entre diversos times, verificados no quadro 9:
MAGAZINE LIGA DOS CAMPEÕES
BARCELONA X MANCHESTER UNITED
REAL MADRID X SHALKE04
INTER DE MILÃO X CHELSEA
ARSENAL X MILAN
ADOREI
Autoria: Liga dos Campeões
Manchesterunited x Barcelona
L iga dos campeões benfica x twente udinese x arsenal
copenhague x Milan chelsea x inter de milao
shaktardonetsky x interdemilao
Autoria: Liga dos Campeões
Quadro 9. Times de futebol
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

81

Relacionou modalidades dos jogos Panamericanos, como constata-se no
quadro 10:

Jogos do pan
Natação
Saltos ornamentais medalhas de prata de bronze de ouro
Judô
Tênis
Atletismo
Patinação
Ciclismo
vôlei
Vôlei de praia
Tênis de mesa
Jogo feminino e masculino
Ginástica artística
basquete
velejamento
Arremesso e atletismo
Ciclismo
Quadro 10. Modalidades do Panamericano
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Liga dos Campeões organizou a sua página relacionada ao futebol e
modalidades do Panamericano. O esporte foi o seu maior interesse em todas as
oficinas. Digitou as escalações dos times de futebol e placares dos jogos. Para ele,
foi um meio de divulgação de informações que achava pertinentes, possibilidades
das TIC referidas por Francisco e Renz (2010). O blog se constituiu em um espaço
para sua escrita e cognição, conforme apresentou Pimentel (2009) e como um meio
para a sua comunicação, democratização de idéias e informações de acordo com
Trindade e Becker (2011). Produziu sua página pelo prazer de compartilhar as
informações, como disse Orihuela (2007), do mundo futebolístico.
A participação no grupo favoreceu o seu desenvolvimento cognitivo, pois
passou a compreender melhor as atividades e a se expressar nos grupos de
reflexões se colocando quanto ao que achava do processo, desenvolvendo a sua
capacidade argumentativa de acordo com Oliveira (2006). Quanto ao que sentia com
a sua página no blog, respondeu: “Adorei ver a Liga dos Campeões”.
A sua prática para a produção possibilitou sua autonomia e o exercício do
pensamento e da memória, mostrando-se como um ser vivo potente, de acordo com
Francisco e Renz (2010), apesar das suas limitações. Estimulou a sua criatividade e
desenvolveu aprendizagem, como afirmou Oliveira (2006). Estruturando o blog, pôde
82

revelar as suas escolhas, conforme Nascimento, Silva e Mercado (2008)
enfatizaram. Quanto ao que sentiu enquanto um dos produtores do blog, respondeu:
“Gosto porque digitei”. Quanto ao que o blog representava para ele declarou: “Eu me
sinto alegre”. As atividades do projeto e do grupo causaram efeito no seu problema
com o discurso, houve um significativo progresso na sua forma de comunicação.
Trabalhamos com o olhar voltado para essa sua fragilidade segundo escreveram
Oliveira e Fortunato (2007), de forma a assegurar a equidade entre os participantes
do grupo (CEDRAZ; DIMENSTEIN, 2005).

5.2.4 Adele

É um jovem de 26 anos, sexo masculino, reside com a mãe a qual é
divorciada do seu pai. Tem uma irmã, mas esta reside em outro Estado devido
compromissos profissionais. Na escola tinha uma postura muito parada, cabisbaixo
e rara interação. Em casa apresentou momentos de agressividade. Possui ensino
médio completo. Já foi internado em hospital psiquiátrico e chegou ao CAPS no ano
de 2009. No início deste estudo, apresentava as seguintes características: pouca
interação, introspectivo, muito parado, cabisbaixo, sem olhar nos olhos das pessoas
e só respondia perguntas quando perguntado duas ou três vezes e de forma bem
curta, com uma única palavra.
Participou de 10, das 12 oficinas de blog. Ausências justificadas por
impossibilidades da mãe, que o leva sempre ao CAPS. Para o blog “Criando Laços”,
escolheu como nome fictício “Adele” que é o nome de uma cantora internacional que
gosta muito.

Formas de apropriação das TIC por Adele

Adele tem computador em casa e utiliza para baixar músicas e conversar com
amigos pelo Messenger (MSN).
Sempre entrava na sala das oficinas ouvindo suas músicas favoritas através
do seu aparelho de mp3 e com um sorriso bem discreto como forma de cumprimento
a todos do grupo. Sempre quieto, silencioso, introspectivo, cabeça baixa e pouca
interação e comunicação verbal. Preferia digitar as suas concepções ao invés de
83

falar. Em casa também pouco falava com sua mãe. Nas oficinas, através do uso do
computador, demonstrava diversas habilidades devido ao uso em casa. Para
estruturar a sua página no blog, utilizou os recursos: Word para digitação dos textos,
PowerPoint para desenhar, internet para pesquisas e capturação de imagens, entre
outros. Quando perguntado sobre o que havia achado das oficinas, Adele respondia:
“Foi bom para se distrair”.

Produções no blog e o potencial de habilitação psicossocial para Adele

Adele possui preferência por músicas, de vários estilos. Tem conhecimento
da língua inglesa, exercitando muitas traduções. Em seu cotidiano fica sempre em
companhia da mãe, mas fala pouco com a mesma. Através das oficinas passou a
disponibilizar o ensino do que sabia quanto aos recursos para os colegas e
constantemente levava o seu pendrive com músicas e vídeos para socializar entre o
grupo. Aos poucos foi demonstrando alegria e satisfação em participar das
atividades e por estar em contato com o grupo, basicamente o seu único momento
para interação com outras pessoas além dos pais. Passou a se comunicar mais
através da convivência no grupo.
Em sua página, podemos visualizar inicialmente o seu Avatar e uma imagem
do cantor Renato Russo, um dos seus músicos preferidos, a qual pesquisou na
internet, conforme a figura 8:

Figura 8. Página do Adele
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

84

Publicou uma representação do que era o computador para ele, quadro 11:

O QUE É O COMPUTADOR PARA MIM:
O computador serve para muitas coisas, para trabalho, para se distrair ouvindo e
baixando músicas, para ver filmes, para ver e-mails, para fazer trabalhos de
engenharia
com
o
Autocad,
serve
para
muitas
coisas,
[...]

Autoria: Adele
Quadro 11. Representação do computador segundo Adele
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Digitou música sertaneja, como se verifica no quadro 12:
Zezé di Camargo & Luciano
Foi a primeira vez, a mais forte talvez,
Que alguém fez meu coração bater descompassado assim,
Foi a primeira vez, quem sabe nunca mais,
Pois ninguém soube arrancar de mim a falta que você me faz,
Fiquei tão preso nesse amor, que não consigo me soltar,
Quem vai secar meus olhos que estão cansados de chorar um mar.
Amor assim é tão ruim, só vem pra machucar,
É uma paixão que o coração não quer deixar voar,
Eu preciso de alguém que não fuja do meu coração.
Digitado por Adele
Quadro 12. Música sertaneja
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Publicou uma música da qual gosta muito e uma imagem do cantor
interpretando-a, quadro 13:

Chocolate
Alô Doçura isso é mais que uma Serenata de Amor
Com vc tenho a Sensação que o nosso Lancy é pra vida inteira
Seu olhar é o meu Sonho de Valsa é o doce que eu sempre quis
Vc é mais preciosa e bem mais brilhante que um Diamante Negro
Meu Prestígio é estar com vc e pedir sempre Bis
85

De chocolate nosso amor é feito então não tem jeito gruda em mim
Isso não é só Confeti me abraça me enlouquece meu vício sem fim

Fonte:http://www.google.com.br/search?q=luan+santana+chocolate+menina&hl=pt-BR&client=firefoxa&hs=u5&rls=org.mozilla:ptBR:official&prmd=imvnso&source=lnms&tbm=isch&ei=i6OpTpPIO8zwggeU_vi_Dg&sa=X&oi=mode_link&ct=mode&cd=2&ved=
0CA4Q_AUoAQ

Digitado por Adele
Quadro 13. Música chocolate
Fonte: www.criandolacosufal.blogspot.com

Também publicou uma música em inglês com tradução para o português,
através de pesquisa na internet.
Devido grande interesse pela música, sua postura era de um gestor musical.
Sua página foi produzida com músicas de sua preferência, opinando melhor nesse
aspecto. Sua participação no grupo lhe proporcionou uma interação satisfatória com
as atividades e com os outros participantes, de acordo com Pocho et al (2010).
Desenvolveu a comunicação, conforme Trindade e Becker (2011), a qual se
encontrava prejudicada permitindo-se uma postura menos introvertida.
Quando perguntado como se sentia participando das oficinas informatizadas,
escreveu: “Bem. I Feel Cool :)”. Sobre o que sentia com o blog, revelou: “Feliz que o
blog se iniciou”. Quanto as suas produções escreveu: “É legal pôr as coisas que
você gosta no blog :)”.
Enquanto um dos produtores do blog desenvolveu a sua autonomia
(OLIVEIRA; FORTUNATO, 2007) inutilizada pelo poder de decisão sempre da sua
mãe e uma nova rede de convivência, muitas vezes prejudicada pela constante
companhia da mesma. O que podemos identificar em sua fala quanto as
contribuições desse blog na sua vida: “É legal construir laços com outras pessoas,
estudantes da UFAL”. Como também declarou o que o blog representava para ele:
“Representa laços de amizade com os estudantes da UFAL”. Igualmente ao estudo
de Francisco (2009) o fato do projeto estar vinculado a universidade, produziu uma
86

inserção ao meio acadêmico. Possibilitou-se o aumento da sua capacidade de
estabelecer trocas sociais e afetivas, através de um espaço de sentido e de vínculos
para a sua habilitação psicossocial (OLIVEIRA; FORTUNATO, 2007).
Nesse capítulo tivemos como objetivo descrever as experiências coletivas e
individuais de pessoas em sofrimento psíquico enquanto produtoras de um blog
afirmando as suas potencialidades e demonstram como a ferramenta blog pode ser
um meio propulsor para a habilitação psicossocial.
Hades se apropriou das TIC com muito entusiasmo principalmente porque
não tinha possibilidade de acesso em seu cotidiano, por não existir computador em
sua casa e por não haver estabelecimentos que possibilitassem esse acesso
próximo ao domicílio. O entusiasmo com as oficinas informatizadas foi percebido por
seus familiares, presenteando-o com um computador e acesso a internet. Adquiriu
habilidades nos recursos que mais tinha interesse de aprendizado e por ter relação
de uso para as produções a serem postadas no blog. Desenvolveu a criação de
textos próprios, agilidade na digitação e aprendeu a manusear recursos para
desenhar. Dessa forma, declarou que o exercício da produção em blog contribuiu
para a melhoria do seu raciocínio e lógica. Como também que as atividades
colaboraram para a formação de uma outra rede de relação, uma melhor
convivência com as pessoas, trabalhar em equipe e para fazer amizades. Para
Hades o blog representou tudo em sua vida e o fez feliz por ter considerado um
sonho realizado. Em virtude dos efeitos das oficinas informatizadas, afirmado pela
equipe do CAPS, Hades recebeu alta desse serviço no final de 2011.
Maria se apropriou das TIC, inicialmente, com um pouco de receio porque o
acesso lhe era negado em casa pela família. Em virtude disso e do seu curso
superior interrompido introjetou um sentimento de inutilidade e baixa-auto-estima.
Aos poucos, no decorrer das oficinas, foi adquirindo mais confiança em si para
utilizar os recursos. Interessou-se em aprender o que mais tinha interesse e que
necessitaria para as suas produções. Adquiriu habilidade para redigir, navegar na
internet e pesquisar. Passou a utilizar os computadores dos irmãos, acesso
anteriormente negado. Produzir para o blog a fez sentir-se feliz, mais confiante de si
e valorizada. Dessa forma, regatou a sua auto-estima e seu sentimento de utilidade.
Para Maria o blog representou uma conquista em sua vida.

87

Liga dos Campeões se apropriou das TIC nas oficinas com muita animação e
vivia, no momento, uma fixação por assuntos do mundo futebolístico revelada por
suas produções no blog. Interessou-se para habilidades nos recursos do seu
interesse e para pesquisas relacionadas ao futebol. As atividades contribuíram para
uma melhor interação com o grupo e demais usuários do CAPS. Favoreceram o seu
desenvolvimento cognitivo de forma a compreender melhor as atividades e a se
expressar nos grupos de reflexão, com significativo progresso na sua comunicação.
Sempre relatava que adorava participar das oficinas e ver as suas produções no
blog, contudo, sentia-se sempre alegre.
Adele se apropriou das TIC de forma bem tranquila e segura devido acesso
em seu cotidiano em casa. Utilizou-se dos recursos que necessitava para realizar as
suas produções para o blog. As oficinas contribuíram para a sua interação e
comunicação, as quais se encontravam prejudicadas. Sentia-se bem em participar
dos grupos e feliz com o blog e por postar as coisas que gostava. Para Adele o blog
representou laços de amizade com os estudantes da UFAL, ou seja, com outras
pessoas além das que convivia.

88

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Elaborar as considerações finais dessa pesquisa, remete-nos ao que
impulsionou a sua realização: sugerir meios que contribuam na constituição de um
outro olhar ao sofrimento psíquico, utilizando novos dispositivos de atenção e
viabilizando os propósitos da reforma psiquiátrica.
As TIC tornaram-se elementos essenciais e que devem ser incorporados no
nosso cotidiano. As suas inúmeras possibilidades de contribuição para a sociedade
e a importância da inclusão digital de todos os cidadãos têm demonstrado também a
necessidade de sua utilização pelas pessoas em sofrimento psíquico. Por isso,
torna-se importante a implantação das TIC nas oficinas terapêuticas dos serviços
assistenciais em saúde mental. A inserção digital de pessoas em sofrimento
psíquico constitui-se em uma importante alternativa para a habilitação psicossocial e
reinserção social.
A sua aplicação e incorporação possui relevância política (essas propostas
têm consonância com os ideais da reforma psiquiátrica), social (promove o resgate
da cidadania, habilitação psicossocial e reinserção social), tecnológica (a inclusão
digital possibilita inserir a diferença no campo social e formar novas redes de
convivência) e terapêutica (por constituir alternativas de intervenção em saúde
mental permitindo atividades expressivas, autonomia, melhoria da auto-estima e
resgate das potencialidades do sujeito).
Ao longo da existência das oficinas informatizadas no CAPS Dr. Rostan
Silvestre, têm sido constituída e compartilhada uma riqueza de experiências através
do uso das TIC. Diante disso nos questionamos sobre quais seriam os efeitos da
produção em blog para pessoas em sofrimento psíquico. Assim, verificamos as
formas de apropriação das TIC por pessoas em sofrimento psíquico quanto aos

89

dispositivos digitais e analisamos as produções no blog quanto ao seu potencial de
habilitação psicossocial.
Os participantes e os seus processos evolutivos na construção do blog
evidenciam os seus importantes efeitos. Demonstram a transformação na vida
desses sujeitos e as possibilidades para outros que possam ser inseridos nesse tipo
de atividade. Conforme escrito anteriormente, Venturini et al (2003) valorizam
práticas que afirmam as potencialidades dos sujeitos e que ampliam as suas
possibilidades. Saraceno (1999) já escrevia que o exercício do poder decisional, a
constituição de uma rede social e a auto-realização são componentes do projeto de
vida do indivíduo e necessários para desenvolver a habilitação psicossocial. O
mesmo autor também defendia a importância de conceder crédito às pessoas, para
sua autonomia, expressão e crescimento de forma a se tornarem empreendedoras
com respeito a si mesmas. Desta forma, o nosso estudo e atividades valorizaram
essas práticas constituindo no nosso compromisso primordial.
Através das oficinas propostas, os usuários obtiveram conhecimento sobre a
ferramenta blog e suas formas de manuseio, além da aprendizagem dos recursos
informatizados. O exercício da produção proporcionou o reconhecimento das suas
potencialidades, por eles mesmos, por seus familiares e pelos profissionais da
equipe do CAPS. O blog se constituiu em um espaço de expressão sobre o que era
significativo para eles, como também para demonstrarem os seus sentimentos
quanto ao desejo de mudança no comportamento e atitudes da sociedade, que os
vêem com medo, preconceito e discriminação. As atividades proporcionaram uma
aprendizagem compartilhada, troca de experiências, socialização, interação,
companheirismo, satisfação e o fortalecimento dos laços entre todos os
participantes. Promoveram novos modos de vida, novas relações com eles mesmos,
com os demais integrantes e uma nova maneira de se relacionar com a sua própria
família.
As atividades contemplaram a casa e a família dos sujeitos, resgatando a
singularidade e o respeito à pessoa em sofrimento psíquico, proporcionando-lhe
melhor qualidade de vida, conforme dito como necessário por Jorge et al (2006).
Esses autores disseram que ajudar a pessoa em sofrimento psíquico a resgatar o
elo perdido com a vida, significa uma demonstração de valorização do ser humano e
respeito a sua história de vida, uma das principais contribuições dessa experiência.
90

Os efeitos da atividade extensionista dessa pesquisa propiciaram a formação
e o fortalecimento de redes entre a universidade e instituições de atenção à saúde
do município (através da participação no CAPS e realização de reuniões com a
instituição), favorecendo o ensino, pesquisa, extensão (com produção científica
divulgada)

e

o

atendimento

a

pessoa

com

sofrimento

psíquico

(com

experimentações de diversas formas de intervenções, além das tradicionais no
campo). Contribuiu como um espaço de experiências de aprendizagem para os
profissionais em formação, os alunos e bolsistas. Os quais tiveram a oportunidade
de acompanhar a trajetória de cada usuário e possibilidades de rever o PTS.
Atuar no campo da saúde mental exige o desafio de avançar na invenção de
novas estratégias de intervenção, para a recuperação do uso da atividade como um
valioso recurso na habilitação psicossocial. De acordo com o que fora mencionado,
Arza (2011) afirma a necessidade da utilização das TIC nas atividades diárias em
saúde mental. A ferramenta blog se insere em uma dessas estratégias como um
instrumento efetivo para expressões e construções, um elemento para a
reconstrução da própria vida daqueles que enfrentam todos os obstáculos do
sofrimento psíquico. O blog contribui para a promoção da saúde mental e se
constitui em um importante recurso de atenção ao sofrimento psíquico, no qual o
sujeito pode desenvolver, divulgar e compartilhar as suas potencialidades.
Os entraves ainda são muitos quanto a efetivação desse tipo de atividade nos
serviços pela dependência e dificuldade de aquisição dos recursos informatizados,
mas se esse desejo estiver incorporado em cada profissional, as possibilidades se
abrem e tornam-se possíveis.
Este estudo poderá contribuir para reflexões quanto à importância da
utilização de dispositivos tecnológicos nas oficinas terapêuticas dos serviços de
atenção à saúde mental. E abre novas perguntas de pesquisa sobre a relação entre
tecnologia e saúde mental e sobre as possibilidades da relação universidade e
CAPS.
Da mesma forma, abre campo para pesquisas futuras na área e no cenário
pesquisado. Como a análise dos processos institucionais que ocorrem com a
implantação de oficinas informatizadas em CAPS; a perspectiva da equipe sobre
habilitação psicossocial e uso de recursos da informática; a perspectiva dos

91

familiares perante os usuários enquanto participantes de oficinas informatizadas;
análise linguística das produções dos usuários, entre outras.

92

REFERÊNCIAS

ACIOLY, Yanne. Reforma psiquiátrica: construção de outro lugar social para a
loucura? Anais do I Seminário Nacional Sociologia e Política UFPR, 2009.
Disponível em: http://www.humanas.ufpr.br/evento/SociologiaPolitica/GTsONLINE/GT4/EixoIII/reforma-psiquiatrica-YanneAcioly.pdf. Acesso em: 31 jan. 2011.
AGUIAR, Kátia F.; ROCHA, Marisa L. Micropolítica e o
exercício da pesquisa intervenção: referenciais e dispositivos em análise.
Psicologia, Ciência e Profissão, 2007, p. 648-663. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/pcp/v27n4/v27n4a07.pdf. Acesso em: 13 jan. 2012.
ALAGOAS, Secretaria de Estado da Saúde. Estado promoverá inclusão digital
para usuários dos Cap’s. 2011. Disponível em:
http://www.saude.al.gov.br/atencaoasaude/noticias/estadopromoverainclusaodigi.
Acesso em: 05 ago. 2011.
ALVERGA, Alex R.; DIMENSTEIN, Magda. A reforma psiquiátrica e os desafios na
desinstitucionalização da loucura. Interface - Comunicação, Saúde, Educação,
v.10, n.20, p.299-316, jul/dez, 2006. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/icse/v10n20/03.pdf. Acesso em: 31 jan. 2011.
ALVES, Carlos F. et al. Uma breve história da reforma psiquiátrica. Neurobiologia,
jan./mar., 2009. Disponível em:
http://www.neurobiologia.org/ex_2009/Microsoft%20Word%20%2011_Ribas_Fred_et_al_Rev_OK_.pdf. Acesso em: 31 jan. 2011.
AMARANTE, Paulo. Saúde mental e atenção psicossocial. 2.ed. Rio de Janeiro:
Fiocruz, 2008.
__________. Rumo ao fim dos manicômios. 2006. Disponível
http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/542889. Acesso: 12 fev. 2011.

em:

ANGELINI, Carina F. Os sentidos construídos acerca do cuidado ao portador de
transtorno mental grave por uma equipe de saúde da família na cidade de
Araraquara-SP. Dissertação de Mestrado da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto/USP, 2007.
ANTUNES, Sônia M.; QUEIROZ, Marcos S. A configuração da reforma psiquiátrica
em contexto local no Brasil: uma análise qualitativa. Caderno de Saúde Pública,
Rio de Janeiro, 23(1): 207-215, jan, 2007. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/csp/v23n1/21.pdf. Acesso em: 31 jan. 2011.
ARZA, Enrique G. La implantación de las tecnologías de la información
en el ámbito de la salud mental de Bizkaia. Norte de Salud Mental, vol. IX, n. 39, p.
71-76, 2011. Disponível em: http://www.ome-aen.org/NORTE/39/71-76.pdf. Acesso
em: 02 jul. 2011.
ASSIS, Machado de. O alienista. São Paulo: FTD, 1994.
93

AU, Wagner J. Os bastidores do second life: notícias de um novo mundo. São
Paulo: Ideia & Ação, 2008.
AZEVEDO, Dulcian M.; MIRANDA, Francisco A. Oficinas terapêuticas como
instrumento de reabilitação psicossocial: percepção de familiares. Escola Anna
Nery (impr.), 2011. Disponível em:
http://www.pgenf.ufrn.br/arquivos/artigos/v15n2a17oficinas_terapeuticas_como_instr
umento_de_reabilitacao.pdf. Acesso em: 07 jan. 2012.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.
BAVARESCO, Bárbara. FRANCISCO, Deise J. Criando laços via recursos
informatizados. Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI, v.1, ano 1, n. 2,
p. 135-142, maio, 2006. Disponível em:
http://www.reitoria.uri.br/~vivencias/Numero_003/artigos/vencedores/area_direitoshu
manos_01/area_direitoshumanos_01.htm. Acesso em: 25 ago. 2010.
BELINI, Marya G.; HIRDES, Alice. Projeto morada São Pedro: da institucionalização
à desinstitucionalização em saúde mental. Texto Contexto Enfermagem, v. 15, n.4,
p. 562-569, Florianópolis, out-dez, 2006. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/tce/v15n4/v15n4a03.pdf. Acesso em: 24 mar. 2012.
BRASIL. Portal do Ministério da Saúde. Saúde mental. 2011. Disponível em:
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/area.cfm?id_area=925. Acesso em: 16 jan.
2011.
______. IV Conferência Nacional de Saúde Mental: relatório final. Brasília:
Conselho Nacional de Saúde/Ministério da Saúde, 2010a. Disponível em:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/2011_2_1relatorio_IV.pdf. Acesso em:
31 jan. 2011.
______. Portal do Ministério da Fazenda. SERPRO- Serviço Federal de
Processamento de Dados. Inclusão digital favorece a cultura e a arte. 2010b.
Disponível em: http://www.serpro.gov.br/imprensa/publicacoes/tema1/antigas%20temas/tema_185/materias/um-telecentro-diferente. Acesso em: 18 set.
2010.
______.Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de
Humanização da Atenção e Gestão do SUS. Clínica ampliada e compartilhada.
Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/clinica_ampliada_compartilhada.pdf.
Acesso em: 20 mar. 2012.
______. Saúde mental no SUS: os centros de atenção psicossocial. Brasília: Centro
de Documentação do Ministério da Saúde, 2004a. Disponível em:
http://www.ccs.saude.gov.br/saude_mental/pdf/SM_Sus.pdf. Acesso em: 11 fev.
2011.

94

______. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Núcleo Técnico da Política
Nacional de Humanização. HumanizaSUS: a clínica ampliada. Brasília: Ministério da
Saúde, 2004b. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/clinica_ampliada.pdf. Acesso em: 20 mar.
2012.
______. III Conferência Nacional de Saúde Mental: relatório final. Brasília:
Conselho Nacional de Saúde/Ministério da Saúde, 2001a. Disponível em:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/relatorio_da_3_conferencia_de_saude_
mental.pdf. Acesso em: 31 jan. 2011.
______. Lei nº 10.216 de 06 de Abril de 2001. 2001b. Disponível em:
http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/atuacao-e-conteudos-deapoio/legislacao/saude/leis/lei_10216_01. Acesso em: 01 fev. 2011.
______. II Conferência Nacional de Saúde Mental: relatório final. Brasília: Centro
de Documentação do Ministério da Saúde, 1992. Disponível em:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/relatorio_da_2_conferencia_de_saude_
mental.pdf. Acesso em: 31 jan. 2011.
______. Projeto de Lei nº 3.657 de 12 de Setembro de 1989. Disponível em:
http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=20004. Acesso em: 18 jan.
2011.
______. I Conferência Nacional de Saúde Mental: relatório final. Brasília: Centro
de Documentação do Ministério da Saúde, 1988a. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0206cnsm_relat_final.pdf. Acesso em: 31
jan.2011.
______. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 1988b.
Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm. Acesso:
25 nov. 2010.
______. Decreto-Lei nº 8.550, de 3 de Janeiro de 1946. Disponível em:
http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id=77232. Acesso
em: 11 fev. 2011.
______. Decreto nº 24.559, de 3 de Julho de 1934. Disponível em:
http://www2.camara.gov.br/legin/fed/decret/1930-1939/decreto-24559-3-julho1934515889-publicacao-1-pe.html. Acesso em: 18 jan. 2011.
______. Decreto nº 1.132, de 22 de Dezembro de 1903. Disponível em:
http://www2.camara.gov.br/legin/fed/decret/1900-1909/decreto-1132-22 dezembro1903-585004-publicacao-107902-pl.html. Acesso em: 18 jan. 2011.
BRÊDA, Mércia Z et al. A avaliação dos Centros de Atenção Psicossocial do estado
de Alagoas: a opinião dos usuários. Revista Rene, v. 12, n. 4, p. 818-824, out./dez,
2011. Disponível em: http://www.revistarene.ufc.br/vol12n4_pdf/a20v12n4.pdf.
Acesso em: 11 abr. 2012.
95

______. A assistência em saúde mental: os sentidos de uma prática em
construção. 2006. Tese de Doutorado do Programa de Pós-graduação de
enfermagem psiquiátrica da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da
universidade de São Paulo.
Disponível em: www.teses.usp.br. Acesso em: 10 jan. 2012.
______, et al. Duas estratégias e desafios comuns: a reabilitação psicossocial e a
saúde da família. Revista Latino-Americana de Enfermagem, maio-junho, 2005.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v13n3/v13n3a21.pdf. Acesso em: 10
jan. 2012.
______, Mércia Z.; AUGUSTO, Lia G. O cuidado ao portador de transtorno psíquico
na atenção básica de saúde. Ciência & Saúde Coletiva, p. 471-480, 2001.
Disponível em: http://www.scielosp.org/pdf/csc/v6n2/7017.pdf. Acesso em: 10 jan.
2012.
CAPELLA, Nithiane et al. Tecnologias digitais e jovens usuários de serviço de saúde
mental. Informática na Educação: teoria & prática. Porto Alegre, v.11, n.1, jan./jun,
2008. Disponível em:
http://seer.ufrgs.br/InfEducTeoriaPratica/article/view/6052/4886. Acesso em: 20 abr.
2011.
CEDRAZ, Ariadne; DIMENSTEIN, Magda. Oficinas terapêuticas no cenário da
Reforma Psiquiátrica: modalidades desinstitucionalizantes ou não? Revista MalEstar e Subjetividade, Fortaleza, v.5, n.2, 2005. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/malestar/v5n2/06.pdf. Acesso em: 07 jan. 2012.
CDI-Comitê para Democratização da Informática. Transformando vidas através da
tecnologia. 2011. Disponível em: http://www.cdi.org.br. Acesso em: 02 jul. 2011.
DEVERA, Disete; COSTA-ROSA, Abílio. Marcos históricos da reforma psiquiátrica
brasileira: transformações na legislação, na ideologia e na práxis. Revista de
Psicologia da UNESP, 2007. Disponível em:
http://www.assis.unesp.br/revpsico/index.php/revista/article/viewFile/46/88. Acesso
em: 31 jan. 2011.
FERREIRA, Gina. A reforma psiquiátrica no Brasil: uma análise sócio política.
Psicanálise & Barroco: Revista de Psicanálise. v.4, n.1, p. 77-85, jun, 2006.
Disponível em:
http://www.psicanaliseebarroco.pro.br/revista/revistas/07/REFORMA.pdf. Acesso em:
31 jan. 2011.
FONSECA, Abigail S. O ensino de língua portuguesa e suas metodologias: o uso do
blog em sala de aula. Anais do III Seminário de Língua Portuguesa e ensino, I
Colóquio de Linguística, Discurso e Identidade. Ilheús, 2008. Disponível em:
http://www.uesc.br/eventos/selipeanais/anais/abigailfonseca.pdf. Acesso em: 15 nov.
2011.

96

FONTES, Breno A. Redes sociais e enfrentamento do sofrimento psíquico: sobre
como as pessoas reconstroem suas vidas. In: FONTES, Brena A.; FONTE, Eliane M.
(Orgs.). Desinstitucionalização, redes sociais e saúde mental: análise de
experiências da reforma psiquiátrica em Angola, Brasil e Portugal. Recife: Editora
Universitária da UFPE, 2010, p. 355-388.
FORESTI, Andressa; TEIXEIRA, Adriano. As potencialidades de processos de
autoria colaborativa na formação escolar dos indivíduos: aprofundando uma faceta
do conceito de inclusão digital. Novas Tecnologias CINTED-UFRGS na Educação,
v. 4, n. 2, dezembro, 2006. Disponível em:
http://www.fluxos.com/aulas/TEXTOSIMGS/COMUNICACAO/Teixeira_AUTORIA_
COLAB_INCLUSAO.pdf. Acesso em: 15. nov 2011.
FOUCAULT, Michel. História da loucura: na idade clássica. 8.ed. São Paulo:
Perspectiva, 2009.
FRANCISCO, Deise J.; RENZ, Juliana P. Relação homem-máquina: pessoas em
sofrimento psíquico e recursos digitais. Scientia Plena, v. 6, n. 11, 2010. Disponível
em: http://www.scientiaplena.org.br/ojs/index.php/sp/article/viewFile/179/69. Acesso
em: 20 abr. 2011.
___________. Inclusão digital: reflexões em saúde mental. Revista Edapeci:
educação a distância e práticas educativas comunicacionais e interculturais. N.1,
2009a. Disponível em: http://www.edapeci-ufs.net/revista/ojs2.2.3/index.php/edapeci. Acesso em: 25 ago. 2010.
___________. Inclusão digital como ferramenta para promoção de saúde mental. X
Encuentro Internacional Virtual Educa, 2009b. Disponível em:
http://www.virtualeduca.info/ponencias2009/618/VirtualEducaInclusaoDigital.doc.
Acesso em: 30 jun. 2011.
___________.; MARASCHIN, Cleci. Derivados do computador: reflexões sobre uma
experiência envolvendo inclusão digital e pessoas em sofrimento psíquico. Anais do
XXIX Congresso da Sociedade Brasileira de Computação, 2009. Disponível em:
www.sbc.org.br/bibliotecadigital/download.php?paper=1252. Acesso em: 30 ago.
2010.
___________; AXT, Margarete; MARASCHIN, Cleci. Informática e saúde mental:
caminhos de uma oficina. Revista Renote: novas tecnologias na educação. v.5, n.1,
2007. Disponível em: http://seer.ufrgs.br/renote/article/view/14303/8219. Acesso em:
30 jun. 2011.
___________ et al. Infoinclusão de portadores de sofrimento psíquico. Anais do
XXVII Congresso da Sociedade Brasileira de Computação, 2007. Disponível em:
http://ceie-sbc.tempsite.ws/pub/index.php/wie/article/view/943/929. Acesso em: 20
abr. 2011.
___________. Criando laços via recursos informatizados: intervenção em saúde
mental. 2007. Tese de Doutorado do Programa de Pós-graduação em Informática na
97

Educação da UFRGS. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/13256.
Acesso em: 5 ago. 2010.
GONÇALVES, Alda M.; SENA, Roseni R. A reforma psiquiátrica no Brasil:
contextualização e reflexos sobre o cuidado com o doente mental na família.
Revista Latino-Americana de Enfermagem, p. 48-55, Ribeirão Preto, março, 2001.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v9n2/11514.pdf. Acesso em: 05 fev.
2011.
GRAY, David E. Pesquisa no mundo real. 2. Ed. Porto Alegre: Penso, 2012.
GRUNPETER, Paula V.; COSTA, Tereza C.; MUSTAFÁ, Maria A. O movimento da
luta antimanicomial no Brasil e os direitos humanos dos portadores de transtornos
mentais. Anais do II Seminário Nacional Movimentos Sociais, Participação e
Democracia. UFSC, Florianópolis, Brasil, 2007. Disponível em:
http://www.sociologia.ufsc.br/npms/paula_v_grunpeter.pdf. Acesso em: 02 fev.
2011.
GUERRA, Andréa M. Reabilitação psicossocial no campo da reforma psiquiátrica:
uma reflexão sobre o controverso conceito e seus possíveis paradigmas. Revista
Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, ano VII, n. 2, p. 83-96, jun,
2004. Disponível em: http://www.fundamentalpsychopathology.org/art/jun4/4.pdf.
Acesso em: 10 jan. 2012.
HALMANN, Adriane L.; BONILLA, Maria H. Diários da prática docente em blogs:
aspectos da reflexão entre professores. Associação Nacional de Pós-Graduação e
Pesquisa em Educação- Anped, 2009. Disponível em:
http://www.anped.org.br/reunioes/32ra/arquivos/trabalhos/GT16-5866--Int.pdf.
Acesso em: 03 ago. 2011.
HIRDES, Alice. Autonomia e cidadania na reabilitação psicossocial: uma reflexão.
Ciência & Saúde Coletiva, v.14, n. 1, p. 165-171, 2009a. Disponível em:
http://www.scielosp.org/pdf/csc/v14n1/a22v14n1.pdf. Acesso em: 24 mar. 2012.
_______, Alice. A reforma psiquiátrica no Brasil: uma (re) visão. Ciência & Saúde
Coletiva, v. 14, n.1, p. 297-305, 2009b. Disponível em:
http://www.scielosp.org/pdf/csc/v14n1/a36v14n1.pdf. Acesso em: 24 mar. 2012.
JORGE, Maria S. et al. Reabilitação Psicossocial: visão da equipe de Saúde Mental.
Revista Brasileira de Enfermagem, 2006 nov-dez; p. 734-739. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/reben/v59n6/a03.pdf. Acesso em: 10 jan. 2012.
JUCÁ, Vládia J.; LIMA, Mônica; NUNES, Mônica O. A (re) invenção de tecnologias
no contexto dos centros de atenção psicossocial: recepção e atividades grupais.
Mental, ano VI, n. 11, Barbacena , jul-dez, 2008. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/mental/v6n11/v6n11a08.pdf. Acesso em: 29 jun. 2011.

98

KYRILLOS NETO, Fuad. Reforma psiquiátrica e conceito de esclarecimentos:
reflexões críticas. Mental, ano I, n. 1, Barbacena, dez, 2003, p. 71-82. Disponível
em: http://redalyc.uaemex.mx/pdf/420/42010106.pdf. Acesso em: 31 jan. 2011.
MARCON, Karina; TEIXEIRA, Adriano C.; TRENTIN, Marco A. Informática educativa
como espaço de inclusão digital: relatos da experiência da rede municipal de ensino
de Passo Fundo. In: TEIXEIRA, Adriano C; MARCON, Karina (Org.). Inclusão
digital: experiências, desafios e perspectivas. Passo Fundo: Editora da
Universidade de Passo Fundo, 2009, p.111-130.
MAURENTE, Vanessa; MARASCHIN, Cleci. Experiência de si e autoria: articulações
teóricas a partir de oficinas de fotografia. Informática na Educação: teoria &
prática, Porto Alegre, v. 11, n. 2, p. 39-46, jul./dez, 2008.
Disponível em: http://seer.ufrgs.br/InfEducTeoriaPratica/article/view/8158/6813
Acesso em: 30 jun. 2011.
MELO, Walter. Nise da Silveira. Rio de Janeiro: Imago, 2001.
MENDONÇA, Teresa C. As oficinas na saúde mental: relato de uma experiência na
internação. Psicologia, Ciência e Profissão, 2005. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/pcp/v25n4/v25n4a11.pdf. Acesso em: 07 jan. 2012.
MERCADO, Luís P. Tic em blog na formação docente superior: narrativa de um
formador. Revista Edapeci: educação a distância e práticas educativas
comunicacionais e interculturais, Aracajú, set, 2010. Disponível em:
http://www.edapeci-ufs.net/revista/ojs-2.2.3/index.php/edapeci/article/view/57.
Acesso em: 24 jun. 2011.
_________ et al. Interfaces da internet na formação docente. Virtual Educa, 2011.
Disponível em: http://www.virtualeduca.info/fveduca/pt/tematica/42-la-universidaden-la-sociedad-del-conocimiento-/147-interfaces-da-internet-na-formacao-docente.
Acesso em: 24 de jun. 2011.
MORO, Débora M.; TEIXEIRA, Adriano C.; MARTINS, Amilton. Acessibilidade no
Kelix: possibilitando a inclusão digital de pessoas com déficit de visão. In: TEIXEIRA,
Adriano C.; MARCON, Karina (Org.). Inclusão digital: experiências, desafios e
perspectivas. Passo Fundo: Editora da Universidade de Passo Fundo, 2009, p. 224245.
NASCIMENTO, Eroneide F.; SILVA, Luciária R.; MERCADO, Luís P. Uso do blog na
prática pedagógica. In. MERCADO, Luís P. (Org.). Práticas de formação de
professores na educação à distância. Maceió: Edufal, 2008, p. 357-369.
NEVES, Gabriele V.; BOEIRA, Adriana F. Blogs como estratégia pedagógica na
aprendizagem de estudantes surdos: possibilidades e desafios. Anais do XV
ENDIPE – Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino: convergências e
tensões no campo da formação e do trabalho docente: políticas e práticas
educacionais, Belo Horizonte, 2010.

99

NOGUEIRA, Vanessa S. A linguagem escrita na educação a distância:
possibilidades de comunicação e constituição do sujeito/aluno. Anais do XV
Encontro Nacional de Didática e Prática de ensino – ENDIPE. Convergências e
tensões no campo da formação e do trabalho docente: políticas e práticas
educacionais, Belo Horizonte, 2010
NOGUEIRA, Maria S.; COSTA, Liduina F. Políticas públicas de saúde mental:
discutindo o paradigma da desinstitucionalização. III Jornada Internacional de
Políticas Públicas, São Luís – MA, 2007. Disponível em:
www.joinpp.ufma.br/.../d7d2c633a8b08b4a7236MariaSonia_liduina.pdf. Acesso em:
16 jan. 2011.
OLIVEIRA, Francisca B.; FORTUNATO, Maria L. Reabilitação psicossocial na
perspectiva da reforma psiquiátrica. Vivência, n. 32, 2007. Disponível em:
http://www.cchla.ufrn.br/vivencia/sumarios/32/PDF%20para%20INTERNET_32/CAP
%2010_FRANCISCA%20BEZERRA_E_MARIA%20LUCINETE.pdf. Acesso em: 07
jan. 2012.
OLIVEIRA, Rosa M. Aprendizagem mediada e avaliada por computador: a inserção
dos blogs como interface na educação. In: SILVA, Marco e SANTOS, Edméa (Org.).
Avaliação da aprendizagem em educação online: fundamentos, interfaces e
dispositivos, relatos de experiências. São Paulo: Loyola, 2006, p. 333-346.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE- OPAS/ORGANIZAÇÃO MUNDIAL
DE SAÚDE- OMS. Declaração de Caracas. Venezuela, 1990. Disponível em:
http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/atuacao-e-conteudos-de-apoio/legislacao/saudemental/declaracao_caracas. Acesso em: 16 jan. 2011.
ORIHUELA, José L. Blos e blogosfera: o meio e a comunidade. In: ORDUÑA et al
(Orgs.). Blogs: revolucionando os meios de comunicação. São Paulo: Thomson
Learning, 2007, p.1.
PALFREY, John; GASSER, Urs. Nascidos na era digital: entendendo a primeira
geração de nativos digitais. Porto Alegre: Artmed, 2011.
PAULON, Simone. M. A Análise de Implicação como Ferramenta na Pesquisaintervenção. Psicologia & Sociedade, p. 18-25, set-dez, 2005. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/%0D/psoc/v17n3/a03v17n3.pdf. Acesso em: 13 jan. 2012.
PEREIRA, Maria L.; FREITAS, Maria T. Práticas de escrita e autoria: a utilização dos
blogs literários nas aulas de língua portuguesa. Anais do III Encontro Nacional
sobre Hipertexto, Belo Horizonte, outubro, 2009. Disponível em:
http://www.ufpe.br/nehte/hipertexto2009/anais/p-w/praticas-de-escrita111.pdf.
Acesso em: 15 nov. 2011.
PIMENTEL, Fernando S. Da pessoalidade para a formação cidadã de alunos: a
experiência de um blog como espaço democrático. Debates em Educação. v 01. n.
2, Jul./Dez, 2009. Disponível em:
http://www.seer.ufal.br/index.php/debateseducacao/article/view/37/46 Acesso em: 10
de mai. 2011.
100

PINHEIRO, Josane A. Trilhando os novos caminhos da doença mental com
prevenção e superação. III Congresso Internacional do Conhecimento Científico,
Rio de Janeiro, 2009. Disponível em:
http://www.perspectivasonline.com.br/iiiCICC.php. Acesso em: 31 jan. 2011.
POCHO et al. Tecnologia educacional: descubra suas possibilidades na sala de
aula. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 2010.
RIBEIRO, Mara C. A saúde mental em Alagoas: trajetória da construção de um
novo cuidado. Tese de Doutorado do Programa de Pós-graduação da Escola de
Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. 2012.
RICARDO, Eleonora J.; VILARINHO, Lúcia R. A construção da autoria na
aprendizagem online: um desafio da pós-graduação. RBPG, v. 3, n. 5, p. 59-78, jun.
2006. Disponível em:
http://www2.capes.gov.br/rbpg/images/stories/downloads/RBPG/Vol.3_5_jun2006_/E
studos_Artigo1_n5.pdf. Acesso em: 15 nov. 2011.
ROCHA, Marisa L. Psicologia e as práticas institucionais:
a pesquisa-intervenção em movimento. Psico, Porto Alegre, PUCRS, v. 37, n. 2, p.
169-174, maio/ago, 2006. Disponível em:
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistapsico/article/view/1431/1124.
Acesso em: 13 jan. 2012.
______. Pesquisa-intervenção e a produção de novas análises. Psicologia, Ciência
e Profissão, 2003, p. 64-73. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/pcp/v23n4/v23n4a10.pdf. Acesso em: 13 jan. 2012.
ROSADO, Luiz A. Escrevendo juntos no ciberespaço: autoria textual coletiva em
ambientes virtuais de aprendizagem. Anais do 6º Encontro de Educação e
Tecnologias da Informação e Comunicação. VI E-TIC, novembro, 2008.
Disponível em:
http://alexandrerosado.net78.net/attachments/014_UNESAAlexandreRosado.pdf.
Acesso em: 15 nov. 2011.
ROTELLI, Franco. A instituição inventada. In: ROTELLI, Franco; LEONARDIS, Ota;
MAURI, Diana (Org.). Desistitucionalização. São Paulo: Hucitec, 2001, p. 89-99.
________; LEONARDIS, Ota; MAURI, Diana. Desinstitucionalização, uma outra via:
a reforma psiquiátrica Italiana no contexto da Europa Ocidental e dos “Países
Avançados”. In: ROTELLI, Franco; LEONARDIS, Ota; MAURI, Diana (Org.).
Desistitucionalização. São Paulo: Hucitec, 2001.
SALES, Mary V. Educação a distância e a construção do conhecimento mediada
pelas tecnologias: autoria nos processos formativos. Anais do XV Encontro
Nacional de Didática e Prática de ensino – ENDIPE. Convergências e tensões no
campo da formação e do trabalho docente: políticas e práticas educacionais, Belo
Horizonte, 2010.

101

SANTAROSA, Lucila M.; CONFORTO, Costi; BASSO, Lourenço O. AVA e
ferramentas acessíveis: espaços e autoria coletiva e síncrona para a diversidade
humana. Anais do Congreso Iberoamericano de Informática Educativa Jaime
Sánchez, Editor Santiago, Chile, 2010. Disponível em:
http://www.ie2010.cl/posters/IE2010-156.pdf. Acesso em: 15 de Nov. 2011.
SANTOS, John E.; MELO, Absalão G. Inserção digital: uma experiência em
ambulatório público de saúde mental. Revista Tempus Actas Saúde Coletiva
2010. Disponível em: http://tempus.unb.br/index.php/tempus/article/viewFile/951/896.
Acesso em: 20 abr. 2011.
SARACENO, Benedetto. Libertando identidades: da reabilitação psicossocial à
cidadania possível. Rio de Janeiro: Te Corá, 1999.
SILVA, Ivanderson P. Possibilidades do uso da mídia internet a partir da interface
blog para o mapeamento das interações online. Revista Edapeci: educação a
distância e práticas educativas comunicacionais e interculturais. Ano II, n. 5, agosto,
2010. Disponível em: http://www.edapeci-ufs.net/revista/ojs2.2.3/index.php/edapeci/article/viewArticle/52. Acesso em: 03 ago. 2011.
SILVEIRA, Lia C.; BRAGA, Violante A. Acerca do conceito de loucura e seus
reflexos na assistência de saúde mental. Revista Latino-Americana de
Enfermagem, vol.13, no.4, Ribeirão Preto, Jul-Ago, 2005. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692005000400019.
Acesso: 01 fev. 2011.
SOUZA, Ligia M.; CORRÊA, Elizabeth N. A autoria do público na mídia digital. Anais
do II encontro Da União Latina de Economia Política da Informação, da
Comunicação e da Cultura-ULEPICC, Bauru, 2008. Disponível em:
http://www2.faac.unesp.br/pesquisa/lecotec/eventos/ulepicc2008/anais/2008_Ulepicc
_1244-1266.pdf. Acesso em: 15 nov. 2011.
SOUZA, Márcia I.; SILVA, Luciana O.; ARAÚJO, Izabel C. Autoria na Web 2.0 no
contexto da educação e a ética dos hackers. ETD: Educação Temática. Digital.
Campinas, v.12, n.esp., p.154-173, mar, 2011. Disponível em:
http://www.ssoar.info/ssoar/files/2011/596/09-marcia%20e%20outros_ok.pdf. Acesso
em: 15 nov. 2011.
SPADINI, Luciene S.; SOUZA, Maria C. A doença mental sob o olhar de pacientes e
familiares. Revista da Escola de Enfermagem da USP, p. 123-127, 2006.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v40n1/a17v40n1.pdf. Acesso em: 31
jan. 2011.
STOCKINGER, Rui C. Reforma psiquiátrica brasileira: perspectivas humanistas e
existenciais. Petrópolis: Vozes, 2007.
TEIXEIRA, Adriano C. Inclusão digital: novas perspectivas para a informática
educativa. Ijuí : Ed. Unijuí, 2010.

102

TENÓRIO, Fernando. A reforma psiquiátrica brasileira, da década de 1980 aos dias
atuais: história e conceitos. História, Ciências, Saúde - Manguinhos, vol. p. 25-59,
Rio de Janeiro, jan-abr, 2002. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v9n1/a03v9n1.pdf. Acesso em: 16 jan. 2011.
TONINI, Nelsi S.; SCHNEIDER, Jacó F.; KANTORSKI, Luciane P. Políticas de saúde
mental e a reforma psiquiátrica. Seminário Nacional-Estado e Políticas Sociais no
Brasil, Cascavel-PR, 2003. Disponível em: http://cacphp.unioeste.br/projetos/gpps/midia/seminario1/trabalhos/Saude/eixo1/110jacoenelsi
.pdf. Acesso em: 16 jan. 2011.
TRINDADE, Charlene O.; BECKER, Andriza M. Aprendizagem colaborativa mediada
pelo blog do moodle. Anais do VIII Encontro Virtual de Documentação em
Software Livre e Congresso Internacional de Linguagem e Tecnologia online EVIDOSOL/V CILTEC-online. V. 1, n. 1, junho, 2011.Disponível em:
http://www.textolivre.org/viiievidosol/forum/90.pdf. Acesso em: 15 nov. 2011.
VALLADARES, Ana. C. et al. Reabilitação psicossocial através das oficinas
terapêuticas e/ou cooperativas sociais. Revista Eletrônica de
Enfermagem, v. 5, n. 1, p. 04 – 09, 2003. Disponível em:
http://www.revistas.ufg.br/index.php/fen/article/view/768/85. Acesso em: 07 jan.
2012.
VEEN, Win; VRAKKING, Bem. Homo zappiens: educando na era digital. Porto
Alegre: Artmed, 2009.
VENTURA, Magda M. O Estudo de Caso como Modalidade de Pesquisa. Revista
SOCERJ. 2007, p. 383-386, setembro/outubro. Disponível em:
http://sociedades.cardiol.br/socerj/revista/2007_05/a2007_v20_n05_art10.pdf.
Acesso em: 13 jan. 2012.
VENTURINI, Ernesto et al. Habilitar-se em saúde mental: observações críticas ao
conceito de reabilitação. Arquivos Brasileiros de Psicologia, v. 55, n. 1, p. 56-63,
2003. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/arbp/v55n1/v55n1a07.pdf. Acesso
em: 10 jan. 2012.
VIANNA, Tatiane R. Oficinando enredos de passagem: o encontro do adolescer
em sofrimento com a tecnologia. 2008. Dissertação de Mestrado do Programa de
Pós-graduação em psicologia social e institucional da UFRGS. Disponível em:
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/14778/000665177.pdf?sequence=1
Acesso em: 15 jan. 2012.
VIDAL, Carlos E.; BANDEIRA, Marina; GONTIJO, Eliane D. Reforma psiquiátrica e
serviços residenciais terapêuticos. Jornada Brasileira de Psiquiatria. 2008.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jbpsiq/v57n1/v57n1a13.pdf. Acesso em: 07
jan. 2012.

103

VIEIRA, Priscila Piazentini. Reflexões sobre a história da loucura de Michel Foucault.
Revista Aulas, n. 3, março 2007. Disponível em:
http://www.unicamp.br/~aulas/pdf3/24.pdf. Acesso em: 31 jan. 2011.

104

APÊNDICES

105

Apêndice A. Modelo do Termo de Ciência e Autorização da Instituição

TERMO DE CIÊNCIA E AUTORIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO

Eu, _________________________________, diretora do CAPS Dr. Rostan
Silvestre, situado a Rua José Maia Gomes, s/n- Jatiúca, CEP 57036-240, no
município de Maceió-AL, declaro estar ciente da realização da pesquisa de
mestrado intitulada “O processo de habilitação psicossocial de pessoas em
sofrimento psíquico na interface com produção em blog”, desenvolvida pela
mestranda Ivanise Gomes de Souza Bittencourt (PPGE/CEDU/UFAL)
orientada pela Profa. Dra. Deise Juliana Francisco (CEDU/UFAL), e autorizo o
desenvolvimento das atividades e coleta de dados nesta instituição para fins
de pesquisa científica em consonância com a Resolução n o 196/96 do
Conselho Nacional de Saúde que regulamenta as diretrizes e normas de
pesquisa envolvendo seres humanos.

Maceió, 12 de abril de 2011

______________________________________
Diretora do CAPS Dr. Rostan Silvestre

106

Apêndice B. Modelo do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(participante)

Termo de consentimento livre e esclarecido
“O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa se processe após
consentimento livre e esclarecido dos sujeitos, indivíduos ou grupos que por si e/ou
por seus representantes legais manifestem a sua anuência à participação na
pesquisa.”(Resolução nº 196/96 – IV, do Conselho Nacional de Saúde).”
Eu, _________________________________________________ tendo sido
convidado(a) a participar como voluntário(a) do estudo “O processo de habilitação
psicossocial de pessoas em sofrimento psíquico na interface com produção em
blog”; recebi da mestranda em Educação Brasileira – UFAL - Campus Maceió,
IVANISE GOMES DE SOUZA BITTENCOURT, responsável por sua execução, as
seguintes informações que me fizeram entender sem dificuldades e sem dúvidas os
seguintes aspectos:
1. O estudo se destina analisar o processo de habilitação psicossocial de pessoas
em sofrimento psíquico na interface com produção em blog;
2. A importância deste estudo está no fato de contribuir com oficinas desenvolvidas
no CAPS Dr. Rostan Silvestre;
3. O resultado que pretendemos alcançar é verificar que os computadores podem
ser úteis no trabalho de habilitação em saúde mental.
4. Esse estudo começará em Agosto de 2011 e terminará em Dezembro de 2011;
5. O estudo será feito mediante participação nas oficinas e em entrevista semiestruturada, realizada no CAPS;
6. Eu participarei das oficinas e da entrevista;
7. Que os outros meios conhecidos para se obter os mesmos resultados são
realizações de questionários;
8. Os incômodos que poderei sentir durante a minha participação são os de relatar
experiências agradáveis ou não, relativas à minha vida pessoal;
9. Os riscos à minha saúde física e mental são mínimos;
10. Eu terei como benefício ser informado(a) do resultado da minha contribuição e da
pesquisa em geral;
11. Que a minha participação será acompanhada através da observação da equipe
da pesquisa e do CAPS;
12. Que, sempre que desejar, serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das
etapas do estudo;
13. Que eu poderei, a qualquer momento, recusar a continuar participando do estudo
e também a que eu poderei retirar este meu consentimento, sem que isso me
traga nenhuma penalidade ou prejuízo;
14. Que as informações conseguidas através da minha participação no estudo não
permitirão a identificação da minha pessoa, exceto pelos responsáveis, e que a
divulgação das mencionadas informações só será feita entre os profissionais
estudiosos do assunto;
107

15. Que eu não serei indenizado por qualquer despesa que venha a ter com a minha
participação nesse estudo.
Finalmente, tendo eu compreendido perfeitamente tudo o que me foi
informado sobre a minha participação no mencionado estudo estando consciente
dos meus direitos, das minhas responsabilidades, dos riscos e dos benefícios
que a minha participação implicam, concordo em dele participar e para isso eu
DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA SIDO
FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço do(a) participante-voluntário(a):
Domicílio:
(rua,
praça,
conjunto)
____________________________________________________________Bloco
__________
nº__________
Complemento:
___________________________Bairro: ___________________________
CEP/cidade:___________________________Telefone:________________
Ponto de Referência: _______________________________________________

ATENÇÃO: Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua
participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas:
Prédio da Reitoria, sala do C.O.C. , Campus A. C. Simões, Cidade Universitária.
Maceió-AL.
Telefone: 82 3214-1041
Maceió, _______ de Março de 2011.

_______________________________________________
Assinatura do(a) voluntário(a)

_______________________________________________
Assinatura da Mestranda- Ivanise Gomes de Souza Bittencourt

_______________________________________________
Assinatura da Orientadora- Deise Juliana Francisco

108

Apêndice C. Modelo do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (familiar)

Termo de consentimento livre e esclarecido
“O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa se processe após
consentimento livre e esclarecido dos sujeitos, indivíduos ou grupos que por si e/ou
por seus representantes legais manifestem a sua anuência à participação na
pesquisa.”(Resolução nº 196/96 – IV, do Conselho Nacional de Saúde).”
Eu, _________________________________________________ responsável
por _____________________________________________que foi convidado(a) a
participar como voluntário(a) do estudo “O processo de habilitação psicossocial de
pessoas em sofrimento psíquico na interface com produção em blog”; recebi da
mestranda em Educação Brasileira – UFAL - Campus Maceió, IVANISE GOMES DE
SOUZA BITTENCOURT, responsável por sua execução, as seguintes informações
que me fizeram entender sem dificuldades e sem dúvidas os seguintes aspectos:
1. O estudo se destina analisar o processo de habilitação psicossocial de pessoas
em sofrimento psíquico na interface com produção em blog;
2. A importância deste estudo está no fato de contribuir com oficinas desenvolvidas
no CAPS Dr. Rostan Silvestre;
3. O resultado que pretendemos alcançar é verificar que os computadores podem
ser úteis no trabalho de habilitação em saúde mental.
4. Esse estudo começará em Agosto de 2011 e terminará em Dezembro de 2011;
5. O estudo será feito mediante participação nas oficinas e em entrevista semiestruturada, realizada no CAPS;
6. Eu poderei participar das oficinas e da entrevista;
7. Que os outros meios conhecidos para se obter os mesmos resultados são
realizações de questionários;
8. Os incômodos que o meu familiar poderá sentir durante a participação são os de
relatar experiências agradáveis ou não, relativas à sua vida pessoal;
9. Os riscos à saúde física e mental do meu familiar são mínimos;
10. Eu terei como benefício ser informado(a) do resultado da contribuição e da
pesquisa em geral;
11. Que a participação do meu familiar será acompanhada através da observação da
equipe da pesquisa e do CAPS;
12. Que, sempre que desejar, serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das
etapas do estudo;
13. Que eu poderei, a qualquer momento, recusar a continuidade da participação do
meu familiar no estudo e também que eu poderei retirar este meu consentimento,
sem que isso me traga nenhuma penalidade ou prejuízo;
14. Que as informações conseguidas através da participação do meu familiar no
estudo não permitirão a identificação do mesmo, exceto pelos responsáveis, e
que a divulgação das mencionadas informações só será feita entre os
profissionais estudiosos do assunto;
15. Que o meu familiar não será indenizado por qualquer despesa que venha a ter
com a sua participação nesse estudo.
109

Finalmente, tendo eu compreendido perfeitamente tudo o que me foi
informado sobre a participação do meu familiar no mencionado estudo estando
consciente dos seus direitos, das suas responsabilidades, dos riscos e dos
benefícios que a sua participação implicam, concordo em dele colaborar e para
isso eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA
SIDO FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço do(a) responsável pelo voluntário(a):
Domicílio:
(rua,
praça,
conjunto)
____________________________________________________________Bloco
nº__________
Complemento:
___________________________Bairro:
___________________________
CEP/cidade:___________________________Telefone:________________
Ponto de Referência: _______________________________________________
ATENÇÃO: Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua
participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas:
Prédio da Reitoria, sala do C.O.C. , Campus A. C. Simões, Cidade Universitária.
Maceió-AL.
Telefone: 82 3214-1041
Maceió, _______ de Abril de 2011.

_______________________________________________
Assinatura do(a) responsável pelo voluntário(a)

_______________________________________________
Assinatura da Mestranda- Ivanise Gomes de Souza Bittencourt

_______________________________________________
Assinatura da Orientadora- Deise Juliana Francisco
110

Apêndice D. Modelo do Formulário de Coleta de Dados e Entrevista

Formulário de Coleta de Dados e Entrevista
 Título da Pesquisa: O processo de habilitação psicossocial de pessoas
em sofrimento psíquico na interface com produção em blog.
 Pesquisadora: Ivanise Gomes de Souza Bittencourt
 Participante: ___________________
 Data e hora de preenchimento: __/___/___ às ____h, ___min.

Formas de apropriação das TIC:

Relato do processo de produção no blog:

Características das produções individuais:

O que aprendeu:

Avaliação da oficina:

111

Sentimentos quanto a participação nas oficinas informatizadas:

Sentimentos quanto ao blog:

O que o blog representa:

Sentimentos enquanto autor do blog:

Contribuições do projeto e do blog:

112

ANEXOS

113

114

115