Alexandre Nogueira dos Santos
Título da dissertação: A FORMAÇÃO MÉDICA ONLINE POR MEIO DO ARQUIVAMENTO E COMUNICAÇÃO DE IMAGENS RADIOLÓGICAS
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Alexandre Nogueira dos Santos
A FORMAÇÃO MÉDICA ONLINE POR MEIO DO
ARQUIVAMENTO E COMUNICAÇÃO DE IMAGENS
RADIOLÓGICAS
Maceió – AL
2009
1
Alexandre Nogueira dos Santos
A FORMAÇÃO MÉDICA ONLINE POR MEIO DO
ARQUIVAMENTO E COMUNICAÇÃO DE IMAGENS
RADIOLÓGICAS
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de
Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de
Alagoas como requisito parcial para conclusão do
Mestrado em Educação, orientado pelo Prof. Dr. Luis
Paulo Leopoldo Mercado.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
MESTRADO EM EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Maceió – AL
2009
2
BANCA EXAMINADORA
Prof. Dr. Luis Paulo Leopoldo Mercado
Universidade Federal de Alagoas
Orientador
Profª Dra.Laís Zau Serpa de Araújo
Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
Examinadora
Prof. Dr. Túlio César Soares dos Santos André
Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
Examinador
3
DEDICATÓRIA
À memória de meus avós, Jonathas e Guilhermina, com quem sempre compartilhei minhas
alegrias e que hoje me iluminam onde quer que estejam.
À minha avó Creusa por toda a dedicação, apoio e orações.
À minha mãe Graça por todo o amor que sempre me dedicou, por ter sido sempre o meu
exemplo de como vencer as dificuldades com amor, união e honestidade.
Ao meu pai João Paulo por toda a atenção, amor, carinho, dedicação e ensinamentos,
inclusive me apoiando na realização deste trabalho.
À minha esposa Lidiane por todo o amor, companheirismo e apoio incondicional em todos os
momentos.
À minha irmã Adriana por sempre estar tão próxima mesmo morando tão longe.
Ao meu primo Jorge Luiz por ter sido o primeiro incentivador nesta etapa que acabo de
vencer.
A todos os familiares e amigos que sempre me apoiaram ao longo dessa trajetória.
4
AGRADECIMENTOS
A Deus por sempre ter guiado meus caminhos e me dado sempre oportunidades de seguir em
frente.
Ao meu orientador Prof. Luis Paulo pela forma competente com que me auxiliou na condução
deste estudo.
Ao coordenador da Rede Universitária de Telemedicina Dr. Luiz Ary Messina e ao
coordenador no núcleo do Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes Dr. João Batista pelas
oportunidades.
Ao núcleo de Medicina Fetal do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas de Porto Alegre,
seu coordenador Dr. André Cunha e ao Sr. Gonorvan Zaltron pelo apoio de sempre.
À Sra. Clarice Porciúncula por ter me aberto as portas da Telemedicina de Porto Alegre
através da PROCEMPA.
5
RESUMO
Este estudo investiga como a implementação dos meios de Arquivamento e Comunicação de
Imagens – Picture Archiving And Communication System (PACS) poderiam ser utilizados
como tecnologia de informação e comunicação (TIC) na formação médica online. Avaliando
as tendências e as potencialidades deste novo campo de estudo, percebe-se que as suas
aplicações e vantagens podem não se restringir apenas ao ambiente médico e hospitalar, mas
também a ambientes de ensino utilizando imagens radiológicas. O atendimento médico à
distância por meio da Telemedicina favorece a consulta de uma segunda opinião quando a
distância é um fator crítico, bem como permite que muitos atendimentos aconteçam de forma
online, como, por exemplo, na realização e exames de diagnóstico por imagem. Por esta
razão, uma das áreas da Telemedicina que mais se beneficiaram desta modalidade foi a
Radiologia. Muitas vezes a realização de exames à distância fica sob a responsabilidade de
um residente orientado de forma online por um especialista, como acontece no projeto
POA_S@UDE do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas em Porto Alegre, no
atendimento pacientes gestantes do Bairro Restinga que realizam exames de ultrassom. Esta
experiência foi avaliada a partir de uma perspectiva de EAD, considerando que os residentes
envolvidos no projeto são médicos em fase de formação que atuam em uma modalidade
online, através de questionários aplicados com especialistas e residentes que atuam ou já
atuaram no projeto. Os aspectos de formação docente dos médicos, especialmente para atuar
em ambientes online, definição de metodologias de avaliação, interação entre os sujeitos
envolvidos, foram avaliados para considerar a possibilidade de que a experiência fosse
utilizada em cursos de Medicina como um meio de EAD utilizando PACS.
Palavras- chave: Educação Online – Telemedicina – Telerradiologia – PACS
6
ABSTRACT
This study investigates how the implementation of the means of communication and
Archiving Images - Picture Archiving And Communication System (PACS) could be used as
information technology and communication (ITC) in medical education online. Assessing
trends and potential of this new field of study, one realizes that its applications and benefits
may not be restricted to medical and hospital environment, but also the learning environments
using radiological images. Medical care at a distance through telemedicine consultation favors
a second opinion when the distance is a critical factor, and allows many calls from happening
online, for example, implementation and testing of diagnostic imaging. For this reason, one of
the areas of telemedicine that have benefited most from this modality was radiology. Often
the exams at a distance is the responsibility of a resident oriented so online by a specialist, as
the project POA_S@UDE Hospital Materno Infantil Presidente Vargas in Porto Alegre, in the
care of pregnant patients Neighborhood Restinga taking the examinations ultrasound. This
experiment was assessed from a perspective of distance education, whereas residents involved
in the project are doctors in training who work in a mode online, through questionnaires to
specialists and residents who work or have been engaged in the project. The formation aspects
of medical teaching, especially to work in online environments, development of assessment
methodologies, interaction between the individuals involved, were evaluated to consider the
experience to be used in medical courses as a means of distance education using PACS.
Keywords: Online Education – Telemedicine – Teleradiology – PACS
7
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Característica do projeto POA_S@UDE........................................78
8
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Rede Universitária de Telemedicina ...............................................39
Figura 2 – UNIFESP Virtual ............................................................................45
Figura 3 – Projeto Cyclops ...............................................................................47
Figura 4 – Vídeo institucional ..........................................................................48
Figura 5 – Sessão colaborativa projeto Cyclops – sala de laudo virtual ..........48
Figura 6 – Projeto T@lemed ............................................................................49
Figura 7 – Projeto de Exames à distância do Hospital Materno Infantil
Presidente Vargas .............................................................................................51
Figura 8 – Gestante em atendimento em posto de saúde..................................52
Figuras 9 e 10 – Estação de laudo virtual - Cyclops Medical Station .............55
Figura 11 – Especialista acompanhando realização de exame de ultrassom
à distância .........................................................................................................61
9
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Sites de Educação Médica .............................................................27
10
LISTA DE SIGLAS
AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem
CBR – Colégio Brasileiro de Radiologia
CESAS – centro de Educação em Saúde Abram Szajman
EAD – Educação a Distância
EMaD – Educação Médica a Distância
EMC – Educação Médica Continuada
ENSP – Escola Nacional de Saúde Púbica Sérgio Arouca
FIOCRUZ – Fundação Oswaldo Cruz
IIEPAE – Instituto Israelita de Pesquisa Albert Einstein
HIS – Hospital Information Systems
HMIPV – Hospital Materno Infantil Presidente Vargas
MEC – Ministério da Educação e Cultura
OMS – Organização Mundial de Saúde
PACS – Pcture Archiving and Communication Systems
PROCEMPA – Companhia de Processamento de Dados do Município de Porto Alegre
PSF – Programa Saúde da Família
RIS – Radiology Information Systems
RUTE – Rede Universitária de Telemedicina
SIG – Special Interest Group
SUS – Sistema Único de Saúde
TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação
UAB – Universidade Aberta do Brasil
UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro
UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina
Unifesp – Universidade Federal de São Paulo
VIASK – Virtual Institute of Advanced Studies Knowdledge
11
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO...................................................................................................................13
CAPÍTULO 1 - A FORMAÇÃO MÉDICA ONLINE....................................................17
1.1 Educação médica continuada............................................................................. 18
1.2 O médico professor em ambientes online.......................................................... 22
1.3 O papel da educação online no cenário da formação médica atual ................... 24
1.3.1 Instituto Edumed ................................................................................ 27
1.3.2 Hospital Sírio Libanês ........................................................................ 28
1.3.3 Instituto Israelita de Pesquisa Albert Einstein.................................... 29
1.3.4 EAD na Fundação Oswaldo Cruz....................................................... 29
1.4 A formação médica online e a interdisciplinaridade ........................................ 30
CAPÍTULO 2 - TELEMEDICINA: AS CONTRIBUIÇÕES DAS TIC NA FORMAÇÃO
ONLINE ............................................................................................................................. 33
2.1 Conceito de telemedicina.................................................................................. 35
2.2 Telemedicina e a teleducação médica interativa .............................................. 36
2.3 Rede Universitária de Telemedicina................................................................. 38
2.3.1 SIG de Radiologia e diagnóstico por imagem ...................................... 41
2.4 Forum RUTE 2009 e perspectivas da rede....................................................... 42
2.4.1 Projetos RUTE para o desenvolvimento da educação médica online .. 43
2.4.2 Universidade Aberta do Brasil e RUTE ............................................... 44
2.5 Telerradiologia e telediagnóstico por imagem ................................................. 45
2.5.1 Projeto Cyclops ................................................................................... 46
2.5.2 Projeto T@lemed................................................................................. 49
2.5.3 Projeto POA_S@UDE ........................................................................ 50
CAPÍTULO 3 - ARQUIVAMENTO E COMUNICAÇÃO DE IMAGENS: UMA
METODOLOGIA INOVADORA USANDO TIC NA FORMAÇÃO MÉDICA
ONLINE ............................................................................................................................. 53
3.1 Telerradiologia.................................................................................................. 53
12
3.2 Laudos virtuais ................................................................................................. 54
3.3 Arquivamento e comunicação de imagens ....................................................... 55
3.4 Arquivamento e comunicação de imagens na educação médica...................... 57
3.5 Sistema Teleconsult.......................................................................................... 59
CAPÍTULO 4 - A UTILIZAÇÃO DO PACS NA FORMAÇÃO MÉDICA A
DISTÂNCIA....................................................................................................................... 62
4.1 Metodologia...................................................................................................... 64
4.2 O cenário .......................................................................................................... 64
4.3 Os sujeitos ........................................................................................................ 65
4.4 Coleta de dados................................................................................................. 66
4.5 Análise dos dados ............................................................................................. 67
CAPÍTULO 5 - DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .................................................... 68
5.1 A prática médica como instrumento de formação ............................................ 68
5.2 Arquivamento e comunicação de imagens como ferramenta de EAD............. 71
5.3 O projeto POA_S@UDE em uma perspectiva de formação médica online .... 76
CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................ 80
REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 83
ANEXOS..............................................................................................................................87
Anexo 1 – Questionário dos especialistas do projeto POA_S@UDE.....................88
Anexo 2 – Questionário dos residentes do projeto POA_S@UDE.........................92
13
INTRODUÇÃO
O estudo investiga como a implementação dos meios de Arquivamento e
Comunicação de Imagem – Picture Archiving and Communication System (PACS) pode ser
utilizada como tecnologia de informação e comunicação (TIC) na formação médica online.
Avaliando as tendências e as potencialidades deste novo campo de estudo, percebe-se
que as suas aplicações e vantagens podem não se restringir apenas ao ambiente médico e
hospitalar, mas também a ambientes de ensino utilizando imagens radiológicas.
A Radiologia encontra-se em uma realidade digital. A tendência é que os filmes
radiográficos sejam substituídos por dados digitais, o que representa não só um gasto
considerável para um serviço de radiodiagnóstico, como também torna mais lento o processo
de acesso aos exames de pacientes. A Radiologia estando na era da Telemedicina, vem
trabalhando por meio dos Sistemas de Informação em Radiologia (RIS – Radiology
Informations System), como também PACS.
Os sistemas de informação para gerenciamento de imagens e informações clínicas
surgiram no final da década de 80 tendo apenas como referência equipamentos conectados as
suas estações de trabalho, impressoras, ou outros monitores ao seu redor. Hoje existe a
interligação entre serviços diferentes, como também a outros setores da medicina, o que levou
ao surgimento de um protocolo próprio para que essas diferentes estações pudessem se
comunicar.
Exames são realizados e enviados pela Internet a um centro cirúrgico, consultório
médico, ou a serviços de Radioterapia, nos quais a partir de programas específicos é realizado
um planejamento do tratamento de pacientes. As imagens podem ser arquivadas em um
prontuário eletrônico ou em vários tipos de meios magnéticos como cd ou discos ópticos, de
forma que possam ser acessadas e utilizadas para fins didáticos. Na maioria das vezes a
transferência de imagens ocorre pela Intranet, ou Internet e o acesso é feito segundo dos dados
do paciente.
Com isso, podemos pensar na possibilidade de utilizar estes meios para levar imagens
para a sala de aula ou de utilizá-las como ferramentas de educação online, com programas que
criam um ambiente segundo o qual os alunos possam se sentir diante de um equipamento de
ecografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
Desta maneira, a radiologia digital pode contribuir no processo de educação na saúde
e com o desenvolvimento de outros recursos voltados a essa área. É possível que os alunos de
14
cursos de Medicina passem a não depender de uma visita ou de um estágio para que
mantenham contato com os meios de diagnóstico e suas imagens, principalmente em
universidades que disponham de um complexo hospitalar integrado, como é o caso dos
hospitais universitários.
Com a utilização destes recursos, é possível criar um banco de dados contendo
imagens armazenadas de acordo com cada tipo de diagnóstico, com dados referentes aos
protocolos de realização de exames, isso incluindo mais de um método de diagnóstico por
imagem, como a tomografia computadorizada, ressonância magnética, medicina nuclear e
radiografias digitais. Desta forma, o acesso a casos incluídos neste banco de dados, poderia
ser utilizado como ferramenta para laudos à distância e discussão, se tratando de um elemento
primordial na formação de médicos.
O uso do arquivamento e comunicação de imagens se mostra como uma importante
ferramenta de ensino, que propicia discussões aprofundadas sobre o diagnóstico de várias
patologias, tudo isso dentro de um ambiente dinâmico, nos quais não existe a necessidade do
professor utilizar como material uma série de filmes radiográficos.
A partir do momento em que os PACS são implantados como ferramentas didáticas,
incluindo o acesso de imagens através da Internet, nos colocamos diante de uma das
aplicações da Telemedicina, a educação online.
Além das questões que norteiam a implantação dos sistemas PACS, em relação à sua
estrutura, programas e requisitos computacionais, é preciso levar em consideração o
comportamento dos indivíduos envolvidos nesta nova proposta de ensino-aprendizagem.
Professores e alunos deverão superar o tradicionalismo das aulas presenciais, nas quais
um professor traz à sala de aula imagens radiológicas em filmes para a discussão, muitas
vezes casos de pacientes atendidos por ele enquanto médico radiologista. A educação online
oferece novos desafios, o papel do professor muda, agora ele deve ser um questionador, deve
estimular seu aluno a ser mais independente, a construir seu próprio conhecimento, a se
interessar por casos que eles podem buscar e analisar pela Internet. Uma vez inseridos nesta
nova realidade, esses personagens devem ser mais criativos, flexíveis e investigadores.
Este estudo trata do uso dessas tecnologias como ferramentas que promovem a
formação médica e analisa o comportamento de professores e alunos em um novo modelo de
Educação a Distância (EAD), acessando e discutindo exames por redes como a Internet e não
apenas utilizando estes recursos nas rotinas hospitalares.
15
O desenvolvimento da radiologia digital acontece de maneira muito rápida. Imagens
de exames radiológicos são acessados por meio de redes em centros médicos com o objetivo
de dinamizar o atendimento de pacientes nas mais diversas especialidades. Na maioria dos
casos, estas ferramentas são utilizadas apenas para atividades nas rotinas hospitalares, mas
esta pesquisa procura responder, através de algumas hipóteses, e seguinte questão: como o
PACS pode ser utilizado em atividades de formação médica e não apenas em rotinas
hospitalares?
Analisando sob esta perspectiva, surgirão as seguintes hipóteses dentro das diversas
áreas em que estes recursos poderiam ser aplicados tais como:
- ensino e discussão dos recursos de cada meio de diagnóstico, quando utilizados programas
que não só exibem as imagens, como também oferecem a possibilidade de reproduzir em um
computador pessoal todas as tarefas executadas durante um exame;
- possibilidade de laudos de exames à distância, atividade esta utilizada na formação de
médicos radiologistas;
- permitir que de uma maneira dinâmica, estudantes discutam os mais diversos casos clínicos,
acessando-os por um banco de dados presente no hospital, com a utilização de programas
específicos, que reproduzem os recursos de imagem de um equipamento radiológico;
Este estudo teve por objetivo investigar as possibilidades de utilização dos recursos
de arquivamento e comunicação de imagens nas salas de aula e à distância no processo de
formação médica através da Telemedicina. Para entender este objetivo será necessário:
analisar a educação online na formação médica;
discutir as possibilidades de utilização de programas de informática que
reproduzem os recursos de diferentes meios de diagnóstico por imagem como
ferramenta didática nas aulas de Telemedicina;
avaliar o acesso de imagens radiológicas através de sistemas, para fins de emissão
de laudos à distância na formação médica.
Desta forma, investigamos como a apresentação de imagens digitais nas salas de
aula dos cursos de saúde, tanto através de arquivamento em meio magnético como acessadas à
distância, podem dinamizar o processo de formação online de futuros profissionais na área
médica. Abordaremos no primeiro capítulo a formação médica online no contexto da
educação médica como promotora da interdisciplinaridade. No segundo capítulo
16
apresentaremos as contribuições da telemedicina na formação médica. Respectivamente, no
terceiro e quarto capítulos, faremos uma discussão específica sobre a telerradiologia e suas
ferramentas como metodologia de educação, utilizando imagens de radiodiagnóstico online.
Por fim, serão analisados os dados de uma pesquisa de campo em um curso de formação
médica online, no qual estas ferramentas sejam utilizadas.
17
CAPÍTULO 1 - A FORMAÇÃO MÉDICA ONLINE
A formação médica possui muitos desafios, principalmente para os professores que
na sua maioria são médicos que fazem da docência uma atividade paralela ao atendimento de
seus pacientes, tornando mais difícil acompanhar as novas informações que surgem a cada
momento nas suas áreas de atuação. Muitas vezes, esses novos conhecimentos precisam ser
adquiridos em especialidades diferentes, pois cada vez mais um médico depende de outras
áreas para tomar decisões na sua especialidade.
A dinâmica na troca de conhecimentos e opiniões é fundamental em momentos em
que é preciso tomar decisões rápidas, fazendo com que a busca pela capacitação profissional
torne-se algo cada vez mais necessário. Contudo, este aperfeiçoamento se dá pelo processo de
formação continuado, não só pela troca de conhecimentos, mas em cursos nos quais médicos
assumem também função de professores.
A formação médica muitas vezes gera algumas dúvidas em relação ao tipo de
educação, ou seja, a preocupação com educação deve levar em conta apenas o aluno em curso
de graduação ou aqueles profissionais já formados, que buscam aperfeiçoamentos por meio de
educação continuada? A realidade da atuação profissional na área da saúde envolve cada vez
mais, a necessidade de um trabalho conjunto, pois cada vez mais diversas áreas do saber estão
se interligando e produzindo conhecimentos.
Na maioria das situações o médico em formação direciona suas ações para o estudo
das doenças e poucas vezes os cursos propiciam atividades que envolvam o contato com os
pacientes, primando por um crescimento profissional a partir das relações que este aluno
passa a estabelecer com quem está atendendo, e com seu ambiente de trabalho. “Um médico
cresce ao longo do desenvolvimento do seu trabalho” (BLANK, 2006, p.30).
Este contato do aluno com a prática médica, assim como é o caso da maioria das
profissões, ocorre no final da graduação, no período de estágio ou em visitas que ocorrem em
algumas disciplinas o que acaba gerando algumas dificuldades tanto para estes alunos como
para os próprios locais escolhidos para a realização destas atividades práticas. É muito difícil
obter um índice de aprendizagem satisfatório em um ambiente voltado para o atendimento,
com a participação de um grupo grande de alunos.
18
Hoje, trata-se de um fato questionável em algumas situações, já que a realidade
tecnológica de algumas especialidades médicas, permite que este contato ocorra através do
uso das TIC em suas práticas e um exemplo é a formação de médicos na área de Radiologia.
Tanto no que se refere à graduação, como também à residência médica, a presença de vários
alunos dentro de um setor que muitas vezes dispõe de um único equipamento de
radiodiagnóstico não permite que os resultados alcançados sejam satisfatórios, uma vez que as
atenções se dividem entre o atendimento dos pacientes e a exposição de conhecimentos por
parte dos professores e dos profissionais envolvidos.
Ao mesmo tempo, já existem situações, nas quais médicos residentes em
radiodiagnóstico por imagem, realizam procedimentos online e em tempo real imagens são
transmitidas de um pequeno para um grande centro de saúde, onde um especialista realiza a
avaliação do procedimento, podendo, inclusive, receber um grupo de novos alunos ou
residentes para uma discussão de caso. Outras vezes, essas mesmas discussões são
promovidas em salas de laudos virtuais.
O que deve ser levado em consideração é que a implantação destes sistemas muitas
vezes não envolve apenas a necessidade de recursos financeiros, mas passa também pela
resistência dos próprios profissionais em utilizá-los, como também pela falta de formação
específica, tanto para a docência, presencial e online, como para a utilização das TIC.
1.1 Educação médica continuada
O acesso à informação pelas TIC vem promovendo não só uma facilidade cada vez
maior de acesso a conhecimentos por parte dos médicos, como também por parte de seus
pacientes. A Internet configura-se em um vasto campo de pesquisa, com sites especializados
nas mais variadas especialidades médicas.
A busca por novos conhecimentos e a necessidade de atualização profissional por
parte dos médicos são facilitados pela utilização destes recursos, mas não se trata de uma
busca exclusiva destes profissionais. O desenvolvimento do trabalho médico, em algumas
situações, pode inclusive ser avaliado pelos seus próprios pacientes, pois é comum que com o
acesso à Internet, as pessoas tenham informações sobre doenças e percebam se aquele
profissional responsável pelo seu tratamento, em alguma situação, pode não estar atualizado.
Isto acaba se refletindo no momento em que o médico em atendimento, dialoga com seu
19
paciente, pois a idéia de estar conversando com uma pessoa leiga, pode não corresponder a
realidade.
A habilidade em se comunicar também deve ser desenvolvida entre médicos,
principalmente no momento em que estão diante de uma pessoa que se utilizou da Internet
para buscar informações sobre sua doença ou de algum familiar. É importante que os
profissionais da área de saúde obtenham uma visão mais atualizada da relação médicopaciente, bem como da relação médico-médico, rompendo o isolamento e avaliando de uma
forma mais aprofundada suas próprias necessidades de atualização de conhecimentos.
Esta interação entre médicos, pacientes, bem como entre diferentes disciplinas,
aumenta a colaboração na solução de problemas da realidade, como também comprova que o
avanço da ciência não ocorre em virtude apenas do grande crescimento de especializações,
mas sim quando a formação faz com que as pessoas se dediquem ao conhecimento de áreas
paralelas. De acordo com Arcoverde (2007, p.191), “o debate atual sobre os saberes
necessários para a educação do futuro aponta para uma formação que valorize o conhecimento
geral, o pensamento complexo e a educação para o pensamento crítico e reflexivo”.
Atualmente, na área médica, o desenvolvimento da Telemedicina promove através
de suas interfaces que profissionais de diversas especialidades e muitas vezes em regiões
distantes interajam e participem de cursos de capacitação. O desempenho de sistemas de
saúde depende diretamente da capacitação dos profissionais e as dificuldades encontradas
neste processo, podem ser contornadas pela utilização de um meio que promova uma maior
flexibilidade, principalmente de tempo e espaço, mas as atividades de educação continuada
requerem tanto por parte do aluno, como por parte do professor, disponibilidade para vencer a
resistência de construir seus conhecimentos dentro de um ambiente online. No caso deste
estudo, analisaremos as interações online entre residentes e seus preceptores e não entre
alunos de graduação e seus professores.
A Telemedicina tem como um de seus objetivos a EAD, assim, em ambientes online
como a Internet, a tele e a videoconferência, os médicos podem atuar construindo
conhecimento não só pelas interações entre diferentes especialidades, mas também pelo
contato com grandes centros de pesquisa dentro de um cenário globalizado. Desta forma,
propiciando flexibilidade de tempo, atingindo várias regiões, reduzindo custos e aumentando
a troca de informações entre diferentes profissionais, a medicina pode alcançar o grande
objetivo de proporcionar um atendimento mais humanizado, segundo o qual os pacientes
sejam o centro de todas as ações e possam, assim como os profissionais, ter acesso a
20
diagnósticos e tratamentos, informações sobre seus casos e tenham a colaboração de
especialistas em diversas áreas, que atuam em centros avançados de medicina.
O ensino médico, muitas vezes, não retrata a realidade profissional e as disciplinas
acabam concentradas apenas nos objetivos de suas temáticas, faltando uma interligação com
as demais áreas. Aulas de neurologia, por exemplo, não abordam temas relacionados a outras
especialidades que poderiam estar ligados a casos e tratamentos neurológicos. É importante
que o residente desenvolva essa relação entre as diversas especialidades médicas, pois isso
refletirá nas suas ações como profissional.
No trabalho na área da saúde, pode-se perceber que as próprias rotinas de trabalho
são provas deste entralaçamento entre diversas áreas. Muitas vezes para que um profissional
tome uma determinada decisão na sua especialidade, é necessário que aguarde pelo parecer de
outra. Torna-se fácil compreender isso, se tomarmos como exemplo um neurocirurgião
dependendo de um resultado de um exame radiológico para estabelecer uma conduta sobre o
tratamento de um paciente.
A prática profissional e a busca pelo conhecimento interdisciplinar acabam por tornar
um profissional de uma especialidade, um profundo conhecedor de outra área, ou seja, se este
neurocirurgião tiver a oportunidade de estar diante desta imagem radiológica, mesmo que esta
esteja sem o laudo do radiologista, ele é capaz de determinar qual será o próximo passo a ser
tomado.
Com a disseminação de novos meios de diagnóstico, é difícil imaginar que um
médico não tenha o domínio de exames realizados dentro da sua especialidade, isto é, um
neurologista deve saber avaliar uma tomografia computadorizada de crânio, assim como um
ortopedista deve saber avaliar uma ressonância magnética de joelho.
Costa (2007, p.22), em relação à formação de médicos, afirma o que se poderia
estender a todo o profissional da área de saúde, a:
[...] necessidade de formar um médico capaz de conduzir, de forma
autônoma, seu processo de aprendizagem ao longo da vida
profissional, de adaptar-se e participar das mudanças, com aptidão
para raciocinar criticamente, para analisar sistemática e logicamente
os problemas e tomar decisões fundamentadas em sua própria
avaliação.
21
É desta maneira que o profissional da saúde pode buscar, principalmente pelo uso
das TIC e da Internet, a construção de novos conhecimentos a partir de atividades online de
educação continuada.
A Educação Médica Continuada (EMC) e a Educação Médica a Distância (EMaD),
muitas vezes são referidas como sinônimos, mas vale salientar que a primeira modalidade não
necessita, obrigatoriamente, da utilização das TIC. De acordo com Christante et al (2003,
p.327) “ o objetivo da EMC é intervir nos aspectos da prática médica que possam ser
melhorados”, ou seja, aprimorar o atendimento médico tornando-o cada vez mais
humanizado.
A EMC tem como exemplo a residência médica e deve proporcionar que o
aprendizado seja facilitado, de forma que se desenvolva uma consciência crítica, propiciando
que as novas técnicas e conhecimentos da área médica sejam testados antes de sua aplicação
clínica. Deve existir uma preocupação acentuada com a rotina dos médicos, de modo que suas
ações diárias sejam cada vez mais aprimoradas, refletindo no principal objetivo deste processo
de formação que é a melhoria na qualidade e a humanização do atendimento médico da
população.
Atualmente, existe uma preocupação com a EMC de profissionais do Programa
Saúde da Família (PSF), de forma que se permita que o atendimento aos pacientes que se
encontram em cidades distantes tenham qualidade e acesso a recursos presentes em grandes
centros de saúde.
Uma grande dificuldade encontrada pelos médicos a partir do momento em que
buscam este tipo de aperfeiçoamento é reconhecer que necessitam destas atividades, pois
muitas vezes a forma solitária como desempenham suas atividades profissionais, não permite
que reconheçam a defasagem do seu conhecimento, algo que geralmente acontece a partir do
momento em que existe uma troca de informações com outros médicos. Esta avaliação que o
profissional pode fazer de suas próprias necessidades é prejudicada quando ele possui uma
especialização muito específica, pois dificilmente terá a referência de um colega para que
realize alguma interação neste sentido. Outra característica é que a confiança que possuem na
área que conhecem, não permite que tenham credibilidade em conteúdos disponibilizados na
Internet.
Diante de uma realidade brasileira, em que os grandes centros médicos e de
pesquisa encontram-se nas regiões sul e sudeste, a EMaD surge como uma possibilidade de
difundir os conhecimentos médicos pelo país. Desta forma, a crescente especialização de
22
profissionais nestes grandes centros, a presença e a dependência de tecnologias utilizadas da
promoção da EMC levam a uma formação hospitalar de capacitação de seus trabalhadores.
A importância da educação médica continuada, além de estimular a constante
atualização das atividades médicas, reflete também nas relações entre profissionais, as equipes
das quais eles fazem parte e, por fim, na estrutura organizacional das instituições. “A
Educação Permanente em Saúde pode ser orientadora das iniciativas de desenvolvimento dos
profissionais e das estratégias de transformação das práticas de saúde.” (CECCIM, 2005,
p.165).
Todas as ações de EMaD, além de estarem direcionadas à EMC, devem objetivar
que o atendimento de pacientes seja cada vez mais humanizado, a partir do momento em que
os profissionais envolvidos se dedicam ao seu aperfeiçoamento, a educação médica atinge o
seu principal objetivo, qualificar a prática clínica e o atendimento da população.
1.2 O médico professor em ambientes online
A educação médica presencial ou online tem na figura do médico professor uma
questão importante a ser avaliada. De modo geral, não existem disciplinas nos cursos de
graduação em Medicina que objetivem a formação docente.
Somente em cursos Stricto Sensu encontraremos este tipo de formação, uma vez
que a maioria dos professores de Medicina não possui uma formação voltada para a docência.
O que leva um médico a se tornar professor é a competência e o domínio que ele possui de
sua área específica e de sua prática como médico. Ao mesmo tempo, este profissional precisa
atender seus pacientes e estar em sala de aula, o que aumenta a cobrança sobre ele e dificulta
que se dedique ao aprimoramento de sua atividade como professor.
Segundo Batista (2000), os professores dos cursos de formação pedagógica para
médicos são apresentados em uma dupla condição: nativos e estrangeiros. A maioria destes
professores está inserida no contexto da proposta do curso, isto é, oriundos da área de
educação, porém sem nenhum conhecimento específico da área médica. Eles são nativos no
terreno da formação de professores e estrangeiros em relação ao ensino médico, uma situação
que exige destes professores a busca por conhecimentos que não possuem.
Na maioria das vezes, um médico se torna um professor não por uma escolha ou
por vocação, mas sim em decorrência de um reconhecimento adquirido na sua atividade
profissional, gerando pouco investimento na sua formação docente, por conta de várias
23
razões. A principal delas é o domínio de um conteúdo e o fato de ser um profissional
reconhecido dentro da sua especialidade.
Outras causas envolvem a desvalorização da formação docente na educação
médica, o contrário do que ocorre com a formação do pesquisador, a falta de entrosamento
entre as áreas de saúde e educação e a falta de interação entre universidades que dispõem de
disciplinas de formação docente na área médica. Mesmo assim, alunos destes cursos
costumam se interessar quando existe uma abordagem mais ampla do ensino médico, o que
acaba despertando a vocação pela prática docente.
Numa área que abrange uma grande quantidade de especialidades, e estas, se
relacionam no cotidiano da área de saúde, é necessário que o professor se preocupe em trocar
conhecimentos com áreas diferentes da sua, o que denota uma atitude interdisciplinar.
Os processos de formação docente devem permitir que conhecimentos sejam
compartilhados para que os professores deixem de ser vistos apenas como voluntários, mas
sim como profissionais da educação médica, fazendo com que o processo de formação passe a
ser continuado e os saberes docentes sofram transformações e aperfeiçoamentos. Para isto,
deve ocorrer sempre uma discussão sobre as metodologias aplicadas na educação médica, já
que o processo de formação docente na área médica trata-se de algo complexo.
Ser professor em um ambiente online exige constantes trocas, diálogos,
participação constante, criação e que o professor esteja em um processo constante de
formação continuada. Assim, o médico professor encontra-se, atuando na Internet, em uma
dupla atividade, atualizar-se em sua carreira médica e ao mesmo tempo se capacitando para
ser um docente online.
Atuar como um professor que apenas transmite conhecimentos, está de acordo com
a idéia do médico tornar-se um professor, o que o leva a exercer uma atividade docente é o
reconhecimento de sua atividade como médico, ele apenas transmitirá aquilo que sabe, mas
atuar na educação online exige saber trabalhar em um modelo no qual todos os indivíduos
envolvidos precisam ser avaliados diante da interação que são capazes de estabelecer com
seus colegas. Não é apenas uma avaliação individual, pois estas interações refletirão também
no aperfeiçoamento do trabalho médico em um processo continuado de educação online.
Esta é uma atividade que exige mudança e aceitá-las, interagir com outros colegas,
romper com a falta de credibilidade e preconceito com a educação pela Internet representam
dificuldades marcantes para um profissional que muitas vezes realiza um trabalho isolado.
Essa transformação é necessária, a cultura da transmissão do saber médico como algo pronto e
24
acabado precisa evoluir. Estamos diante de uma sociedade do conhecimento, da troca de
informações, da interação, que não está de acordo com as características ainda encontradas em
cursos online e que são apontadas por Silva (2006, p.52) de que “no curso online a tela do
computador ainda é semelhante à tela da televisão, a que a gente assiste e não interage”. A
formação médica para a docência online deve contribuir para que o médico professor
promova que seus alunos construam seus conhecimentos através de atividades ricas em
interação, principalmente entre as diversas especialidades médicas.
1.3 O papel da educação online no cenário da formação médica atual
Segundo Blank (2006, p.29), “As estratégias educativas modernas recomendam o
treinamento em serviço inserindo o aluno o mais precocemente possível no ambiente
profissional real”. Esta proposta pode ser avaliada a partir de dois focos distintos. De um lado
consideramos o aluno-médico inserido neste ambiente de prática clínica, buscando um
conhecimento prático da sua formação e por outro há de ser considerada a necessidade do
desenvolvimento de suas habilidades de comunicação e o relacionamento com os pacientes.
Estas são questões fundamentais nas perspectivas da formação e da atuação médica atual.
Aprimorar competências a partir de atividades práticas é um dos princípios das
Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Medicina a partir da articulação entre a
Universidade e o Sistema Único de Saúde (SUS), fazendo com que os futuros médicos
desenvolvam capacidades de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças.
O cenário no qual as atividades práticas se desenvolvem são hospitais e postos de
atendimento em geral, fazendo com que os alunos saiam das dependências das universidades
tenham que se dirigir a estes locais. Existem algumas dificuldades nesse sentido,
principalmente em relação a horários e a disponibilidade de alunos e professores, bem como
permitir que todos os estudantes pertencentes a um grande grupo tenham as mesmas
oportunidades e o mesmo nível de aprendizado.
Consideremos agora que a própria população tem dificuldade de acesso aos serviços
de saúde, com isso, pacientes dos mais variados casos clínicos, que ao serem atendidos,
contribuiriam para o processo de formação destes alunos-médicos, não teriam a oportunidade
de serem atendidos. O desafio consiste em desenvolver meios que promovam o atendimento
de um maior número de pessoas, proporcionando um aumento do número de indivíduos com
25
acesso a saúde, bem como das atividades práticas dos alunos dos cursos de Medicina, o que
estaria de acordo com a necessidade de treinamento em serviço apresentada por Blank (2006).
Diante desta perspectiva, a Telemedicina se apresenta como um recurso segundo o
qual é possível atender um maior número de pacientes, principalmente quando a distância é
um fator crítico. Assim, atividades de teleconsulta, telediagnóstico, telemonitoramento,
telecirurgia e segunda opinião, proporcionam que residentes e pacientes estando online,
estejam inseridos nas perspectivas atuais de formação médica, permitindo que tanto os
objetivos de aprendizagem destes residentes como as de atendimento dos pacientes sejam
alcançados.
Outro aspecto importante no cenário da formação médica atual é a habilidade de
comunicação dos médicos com seus pacientes, que está diretamente influenciada pela
facilidade de acesso pela Internet a qualquer tipo de informação. A idéia de que a própria
linguagem médica é inacessível aos pacientes, de que se deve ter cuidado com o uso de
expressões extremamente técnicas no momento de uma consulta, já não é tida como verdade
atualmente. É comum que muitos médicos e residentes se deparem com um paciente cada vez
mais consciente de sua doença e dos possíveis tratamentos, após terem absorvido um grande
número de informações pelas pesquisas realizadas em sites especializados. Os portais de
saúde têm permitido que os pacientes tenham cada vez mais a necessidade e a curiosidade de
buscar o maior número de conhecimento possível acerca dos problemas de saúde que são
acometidos e, muitas vezes, levam consigo os materiais encontrados para as consultas,
incrementando o debate com os médicos a respeito de seus casos.
Neste momento, estes profissionais acabam por perceber a necessidade de estarem
cada vez mais conectados e atualizados, pois não podem comparar seu nível de conhecimento
apenas com colegas de profissão, mas sim, com seus próprios pacientes.
O médico de hoje deixa de ser o principal personagem na relação médico-paciente,
pois ambos passam a ter o mesmo nível de importância, se considerarmos que em
determinadas situações o fluxo da troca de informações passa a ocorrer em uma via de mão
dupla. Por esta razão, visão moderna de atendimento, deve respeitar o princípio que todas as
decisões devem ser tomadas de maneira compartilhada e acordada, pois não existe um único
sujeito detentor de uma verdade absoluta.
Desta maneira, a educação online além de dar um novo sentido ao relacionamento de
médicos e pacientes, passa a proporcionar que todos estejam adquirindo conhecimentos e
26
comprovando a necessidade de que estes profissionais estejam cada vez mais voltados para
atividades de educação continuada.
Algumas vezes as dificuldades no atendimento médico são atribuídas ao ensino de
Medicina. As estruturas ultrapassadas das metodologias do ensino presencial acabam por ser
responsáveis pelos freqüentes erros médicos e a falta de exigências estruturais acaba levando
a um crescimento muito rápido do número de cursos de Medicina no Brasil.
As estruturas das faculdades e a metodologia de ensino não acompanham a velocidade
com que o conhecimento se renova. As atividades de residência, muitas vezes ministradas por
preceptores que não atualizam suas práticas e conteúdos fazem com que o conhecimento dos
alunos não seja aprofundado.
Qual deverá ser o perfil do médico do século XXI e
qual será o papel da informática na sua formação?
Como o conhecimento médico continuará a evoluir
cada vez mais rapidamente, o médico não terá tempo
para retornar frequentemente até à academia e precisa
se tornar um aprendiz autônomo , para o resto da vida.
(SABBATINI, 2004)
A tendência atual é que o conhecimento seja revalidado periodicamente em um
número cada vez maior de especialidades, como acontece, por exemplo, na Cardiologia e na
Radiologia. Diante de um custo bastante elevado no caso de acesso à informação de forma
tradicional, as redes digitais surgem como facilitadoras neste processo, principalmente no
caso de médicos que vivem longe das grandes cidades.
As vantagens desses novos recursos estão ligadas à flexibilidade de tempo, custo baixo,
desenvolvimento de aprendizado, independendo do local onde o profissional esteja. A
educação continuada acontece por meio de comunidades virtuais, cursos de curta duração e de
pós-graduação.
São muitas as instituições que propiciam esta metodologia de ensino, como a Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz), a UNIFESP, além de hospitais de grande porte como o Sírio Libanês
e Albert Einstein em São Paulo. Além destas, existem também uma série de sites
especializados, nacionais e internacionais, dedicados à realização de cursos online.
27
Quadro 1 – Sites de Educação Médica
Sites com recursos profissionais
MedScape: http://www.medscape.com/
Medem: http://www.medem.com/
WebMD: http://www.webmd.com/
InteliHealth Pro: http://www.intelihealth.com/
Scientific American Medicine: http://www.samed.com/
MDConsult: http://www.mdconsult.com/
ConnectMed: http://www.connectmed.com.br/
BiblioMed: http://www.bibliomed.com.br/
MedCenter: http://www.medcenter.com.br/
Sites de Educação Médica Continuada
CMEinfo: http://www.cmeinfo.com/
CMEWeb: http://www.cmeweb.com/
CMEcourses: http://www.cmecourses.com/
AMA WebCME: http://www.ama-assn.org/ama/pub/category/2797.html
Fundação Oswaldo Cruz: http://www.fiocruz.br/
HELIX: http://www.helix.com/
MedScape CME: http://www.medscape.com/
Medical Matrix CME: http://www.medmatrix.org/
Conexão Médica: http://www.conexaomedica.com.br/
Fonte: http://www.renato.sabbatini.com/CREMESP-EAD.htm
Estes cursos, em sua maioria, utilizam um ambiente de aprendizagem com todos os
recursos para que os alunos estudem, interajam com seus professores e sejam avaliados. Os
principais recursos são os chats e sistemas de tele e videoconferência.
1.3.1 Instituto Edumed
A EAD em Medicina teve um grande crescimento nos últimos anos em razão da
necessidade de revalidação de títulos de especialista. Neste contexto de desenvolvimento
desta modalidade de educação, é fundado em agosto de 2000 pelo Dr. Renato Sabbatini o
Instituto Edumed. O intuito era desenvolver atividades de EAD de forma a atender as
dificuldades de horário e de distância dos médicos interessados em se atualizar.
Tem como missão aumentar a qualidade do atendimento em saúde no Brasil por meio
do ensino e aprendizagem à distância, baseado no uso das TIC, atuando juntamente com
universidades, sociedades médicas, hospitais e empresas privadas.
28
A política deste instituto é a utilização de softwares livres, executando tarefas como o
desenvolvimento de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). A preferência pela
utilização deste tipo de software se deu pela dificuldade em encontrar produtos comerciais
que atendessem os objetivos do instituto e pela facilidade de realizar mudanças conforme as
necessidades, além da interoperacionalidade, fácil manutenção e baixo custo. São exemplo de
softwares utilizados o Moodle e o TelEduc.
1.3.2 Hospital Sírio Libanês
O núcleo de Telemedicina do Hospital Sírio Libanês foi criado em 1999 e
incorporado em 2003 ao seu Instituto de Ensino e Pesquisa. O foco das atividades é promover
a atualização e o aprimoramento de profissionais da área de saúde e da interação entre
especialistas nacionais e internacionais.
O hospital também apresenta um programa de EAD por meio de um AVA que,
atualmente, atende os alunos da pós-graduação (Lato-Sensu). O ambiente apresenta recursos
como fórum, videoconferência, bate-papo, e-mail, notícias e biblioteca.
Os cursos acontecem em parceria com o núcleo de Telemedicina e são credenciados
pelo MEC. Os cursos ofertados pelo hospital são:
- Aperfeiçoamento em Anestesia Regional ;
- Aperfeiçoamento em Cuidados ao Paciente com Dor;
- Especialização em Coloproctologia;
- Especialização em Enfermagem em UTI;
- Especialização em Enfermagem em UTI;
- Especialização em Gestão da Atenção à Saúde;
- Especialização em Neurointesivismo para Adultos;
- Especialização em Videocirurgia;
- Aperfeiçoamento em Insuficiência Respiratória - para profissionais da saúde;
- Aperfeiçoamento em Insuficiência Respiratória: fisiopatologia, monitorização e suporte para médicos;
- Especialização em Ginecologia;
- Prostatectomia Radical.
29
1.3.3 Instituto Israelita de Pesquisa Albert Einstein
O Instituto Israelita de Pesquisa Albert Einstein (IIEPAE) tem a missão de ser referência
em pesquisa, geração e difusão de conhecimentos. Realiza atividades de pesquisa
experimental, pesquisa clínica, além de possuir o Centro de Educação em Saúde Abram
Szajman (CESAS), que realiza atividades de treinamento, educação e difusão científica. A sua
característica está na inovação de metodologias de ensino, promovendo treinamentos
multiprofissionais.
É composto por unidades de pós-graduação, graduação em enfermagem, escola
técnica, eventos científicos. O IIEPAE também possui um centro integrado de bibliotecas e
um centro de informação e comunicação, que desenvolve atividades ligadas a Telemedicina.
As ações de treinamento e capacitação têm investido em estratégias ligadas educação
virtual como também no Centro de Experimentação e Treinamento em Cirurgia e um Centro
de Simulação Realística, que utiliza simuladores, manequins, em instalações que representam
um hospital virtual, capacitando os profissionais em relação a todas as etapas de atendimento
aos pacientes, sendo possível treinar as equipes nas mais diversas situações.
1.3.4 EAD na Fundação Oswaldo Cruz
A EAD na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) prioriza a qualificação do SUS no
atendimento em saúde por meio da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP).
Os certificados são expedidos pelas duas instituições, ENSP e Fiocruz, em cursos de pósgraduação Lato Sensu como também para alunos do ensino médio.
A instituição possui material educacional próprio e os alunos interagem através do
AVA VIASK (Virtual Institute of Advanced Studies Knowledge), além disso, existe um
sistema de gestão acadêmica e de orientação de aprendizagem.
Os cursos estão baseados na teoria construtivista, favorecendo a construção de
competências profissionais. A teoria construtivista fundamenta que:
[...] nada está pronto e que o conhecimento não é algo
acabado. O aluno é agente ativo de seu próprio
conhecimento. Ele constrói significados e define
sentidos de acordo com a representação que tem da
realidade, com base e suas experiências e vivências.
30
As representações do aluno são re-significadas e
novos conhecimentos são construídos. (FIOCRUZ,
2009).
Esta proposta da Fiocruz está ligada ao desenvolvimento do pensamento crítico
articulado com o processo de trabalho, o que atende as novas perspectivas da educação
médica, ligada ao aprendizado em serviço.
Os AVA oferecem textos, possibilidade de discussões, fóruns, chats e atividades
que envolvem diversos casos na área de saúde, a partir do desenvolvimento de um material
que possui uma abordagem interdisciplinar e atividades acompanhadas por tutores.
As interações entre alunos e professores ocorre em comunidades virtuais, que
representam um espaço que reúne pessoas com interesses nas mesmas temáticas. Os cursos
oferecidos atualmente pela Fiocruz são:
-Autogestão em Saúde;
- Biossegurança;
- Formação Pedagógica em EAD;
- Gestão em Saúde Materno-Infantil;
- Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Municipais e Impacto Ambiental;
- Processos de Gestão e Tecnologias da Informação em Saúde;
- Saúde Mental, Políticas e Instituição;
- Vigilância Alimentar e Nutricional;
- Vigilância Sanitária.
1.4 A formação médica online e a interdisciplinaridade
O profissional especialista, cada vez mais, vem perdendo espaço para o profissional
generalista e isto consiste em uma nova visão das universidades, formar um profissional que
domine várias áreas do saber. Desta forma, as TIC surgem como ferramenta que contribuem
neste processo interdisciplinar, promovendo a troca imediata de informações.
[...] a interdisciplinaridade constitui um entre vários
temas que necessitam serem desenvolvidos para gerarem
contribuição para a pauta da área da saúde [...] o contexto
histórico vivido nessa virada de milênio, caracterizado
31
pela divisão do trabalho intelectual, fragmentação do
conhecimento e pela excessiva predominância das
especializações, demanda a retomada do antigo conceito
de interdisciplinaridade[...] ( SAUPE, 2005, p. 522).
Também de acordo com Saupe, é importante fazer uma diferenciação entre conceitos
que muitas vezes se confundem, relacionados à multidisciplinaridade, pluridisciplinaridade e
interdisciplinaridade.
A multidisciplinaridade refere-se a um conjunto de disciplinas que não possuem
objetivos comuns, sem qualquer atividade colaborativa. Na pluridisciplinaridade, estas
disciplinas passam a ter um elo em comum, mas o grau de colaboração entre elas ainda é
bastante restrito. No caso de disciplinas que são executadas baseadas na interdisciplinaridade,
existe uma possibilidade de trabalho em conjunto, de forma que exista uma busca por
soluções respeitando as suas diferenças.
O surgimento de diversas especialidades, como é o caso da área médica, ocorreu com
o desenvolvimento do conhecimento humano. Especificamente na área médica, os primeiros
conhecimentos eram aplicados na Clínica Geral, pois os profissionais do passado eram
generalistas. A atuação médica era bem mais próxima do paciente, pois havia a figura do
médico da família, cuja atividade estava voltada para o cuidado de todos os seus membros
independente do tipo de doença que fossem acometidos.
Com o passar do tempo, este profissional foi perdendo espaço, e passaram surgir os
mais variados tipos de especialidades médicas, ou seja, para cada tipo de enfermidade que
uma pessoa era acometida, havia um profissional diferente para prestar esse atendimento.
Como resultado, o processo de formação médica se tornou cada vez mais tecnicista, havendo
uma maior valorização da formação para tratar do que para prevenir, o que implica atender
um número menor de pacientes, já que as ações preventivas atingem um maior número de
pessoas se comparadas às ações curativas.
Hoje, em pleno século XXI, epidemias ainda assustam e cada vez mais nos damos
conta do quanto é importante a implantação de políticas de prevenção de doenças. Na
verdade, trata-se de uma avaliação das conseqüências deste amplo processo de
especializações e subespecializações e o início de um trabalho voltado para que estes
profissionais atuem, cada vez mais, de uma maneira mais interdisciplinar, considerando
custos, riscos e benefícios de prevenir mais e tratar menos.
32
Esta consciência da importância das ações preventivas se desenvolve dentro das
Universidades, fazendo com que os alunos-médicos valorizem a necessidade de estarem
voltados mais para o lado humano do que exclusivamente para as doenças. O médico precisa
se educar para ser um educador da população, o que tem se refletido com o crescimento do
PSF. É neste contexto, que percebemos o papel das TIC em relação à interdisciplinaridade,
pois se um grupo de profissionais passa a atuar combinando diferentes especialidades com o
objetivo de prevenir doenças e encontram-se em regiões nas quais a distância de grandes
centros de produção de conhecimentos é uma barreira a ser vencida, a EAD e as atividades de
Telemedicina passam a ser uma maneira de vencer estes obstáculos.
Estar conectado, inserido em cursos de educação continuada online e em contato com
profissionais de diversas especialidades buscando novos conhecimentos e troca de opiniões,
são possibilidades que as atividades de formação médica online oferecem aos médicos das
mais variadas especialidades.
Apesar disso, não basta apenas reconhecer que as TIC podem contribuir na formação
online, “é preciso desenvolver competências e habilidades num mesmo ritmo para se
apropriar dos conhecimentos oferecidos pelas informações.” (AMEM, 2006, p.72). É
necessário transferir conteúdos de informática aos profissionais da saúde. Existem sugestões
para que as estruturas dos cursos desenvolvam projetos pedagógicos que incluam as TIC, mas
a partir de sua utilização é preciso avaliar como os professores recebem esta nova prática
pedagógica.
A área da saúde forma profissionais que trabalham pelo bem-estar físico, psicológico e
social dos seres humanos, representando um contexto que inclui inúmeras especialidades,
portanto não podemos admitir que o ensino destas ciências não utilizem em suas práticas
esses novos recursos.
33
CAPÍTULO 2 - TELEMEDICINA: AS CONTRIBUIÇÕES DAS TIC NA FORMAÇÃO
ONLINE
A Telemedicina está relacionada a todas as ações realizadas por meio de informática
médica promovendo acompanhamento de pacientes, principalmente por meio de segunda
opinião. Trata-se da maneira mais rica de interação com outras áreas de conhecimento,
promovendo uma educação baseada no conceito de interdisciplinaridade. Apesar de estar a
serviço da prática médica, a Telemedicina não é considerada uma especialidade, mas sim um
meio capaz de inovar a realidade tanto de médicos como de pacientes.
A Telemedicina pelo uso das TIC promove o atendimento de pacientes,
principalmente quando a distância é um fator que dificulta o contato físico na relação médicomédico e médico-paciente.
Diante disto, existem razões que justificam, nos cursos de Medicina, a criação de
disciplinas de Telemedicina, todas passando pela necessidade de um atendimento de
qualidade para que decisões e orientações aconteçam à distância. Desta forma, uma vez que
essas práticas alteram o relacionamento entre médicos e pacientes, é necessário que seja uma
modalidade ensinada nas faculdades e nas residências. Muitos aspectos devem ser discutidos
entre os futuros profissionais, tais como aspectos éticos e legais, programas educacionais
existentes na Internet que não podem ser ignorados. Uma nova didática passa a fazer parte da
rotina dos educadores, havendo a necessidade de que eles compreendam as tecnologias que
promovem facilidades de acesso a infinitas informações e a grande possibilidade de interação.
Tratando-se de um meio interativo, diferentes profissionais passam a participar das
ações de atendimento, assim como os próprios pacientes em projetos de prevenção de
doenças. É por esta razão, que avaliar a educação por Telemedicina não significa apenas
pensar nos residentes, mas também nos indivíduos de toda a sociedade.
Atividades como estas, se refletem diretamente em uma questão discutida no capitulo
anterior, o esclarecimento dos pacientes sobre seus casos e sua participação mais ativa na
relação médico-paciente, sendo um questionador capaz de buscar informações em sites da
área médica. O paciente torna-se um aliado na promoção de saúde e no combate de doenças, a
partir do momento que possui um maior esclarecimento sobre a sua doença e de indivíduos
próximos a ele.
34
A Telemedicina tem em uma de suas vantagens, a redução de custos no atendimento à
população, algo que pode ser obtido por campanhas de prevenção e por meio da EAD, mas
não é adequado levar em conta apenas este aspecto. É necessário analisar todas as
conseqüências, positivas e negativas da utilização desses recursos para não transformá-lo em
reflexo apenas de um pensamento meramente comercial.
Seabra (2003, p.5), relaciona como uma das principais aplicações da telemedicina,
além de outras incluindo a telerradiologia, as comunidades virtuais, que define como grupos
de:
profissionais que se utilizam de ferramentas ou tecnologias da
Internet, como o correio eletrônico, listas de discussão por correio
eletrônico, grupo de notícias eletrônicas (newsgroups) ou sítios da
WWW (world wide web) para discutir temas e casos clínicos das
diversas especialidades médicas ou elaborar e publicar
eletronicamente conteúdo científico que reflita suas experiências e
opiniões técnicas. Mais recentemente a tendência na Internet tem
sido reunir esses grupos em torno de sítios da WWW com grande
volume de informações e serviços na especialidade ou em medicina
de um modo geral; esses sítios são conhecidos, por sua característica,
como portais.
O sistema e-Saude1, que é formado por alguns subsistemas como a pesquisa e o
desenvolvimento e inovação, assim como o subsistema de formação, educação e treinamento,
possui uma lista de aplicações das TIC, tais como, redes cooperativas à distância para
pesquisas médicas, institutos virtuais de pesquisa, tecnologias educacionais digitais aplicadas
em cursos e faculdades da área de saúde para apoio ao ensino presencial, educação e
treinamento à distância, sistemas integrados de informação acadêmica em medicina,
telemedicina
e
telessaúde,
telerradiologia,
segunda
opinião
médica
à
distância,
telediagnóstico, e as redes PACS (SABBATINI, 2008).
Esses recursos fazem parte do conjunto de aplicações da telemedicina, que contribuem
para a formação de médicos e outros profissionais da saúde. Neste estudo serão abordados
sistemas de Telemedicina relacionados ao tráfego de imagens radiológicas em rede,
objetivando a formação profissional como uma proposta de EAD. Desta forma, antes de uma
discussão mais específica sobre esses sistemas, é necessário conceituar Telemedicina, bem
como abordar a utilização de seus recursos em uma perspectiva de teleducação médica.
1
Para Sabbatini (2008, p.2): E-saúde é a saúde em rede digital, ou seja, o conjunto de aplicações,
sistemas, infraestrutura, interconexão e filosofia de integração de dados, informações e serviços que
abrangem a totalidade das atividades típicas deste setor econômico e social.
35
2.1 Conceito de Telemedicina
O avanço tecnológico vem contribuindo em todo o mundo com projetos de saúde e
troca de conhecimentos. De acordo com Melo e Silva (2006, p.17)
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera
que, no século XXI, a principal expectativa referente à
saúde coletiva seja alcançada por meio da melhoria do
acesso aos recursos [...] disponíveis na área de saúde
para a maior parte da população mundial.
Estes recursos estão relacionados também ao uso da telemática, que manipula e utiliza
a informação através do computador e dos diversos meios de comunicação, como instrumento
de acesso a ações em saúde.
Por tratar-se de uma área do conhecimento em constante desenvolvimento, estabelecer
conceitos envolvendo telessaúde, telemedicina e e-saúde, torna-se algo tão dinâmico quanto
seu próprio desenvolvimento.
São consideradas práticas médicas a distância desde as fogueiras utilizadas para
informar sobre a peste bubônica na Europa da Idade Média, passando pelo telégrafo durante a
guerra civil americana no século XIX e o uso do telefone inventado em 1880 e utilizado para
realizar uma consulta médica à distância.
Já o século XX foi marcado pelo uso do rádio como meio de divulgação de doenças, até
que no século XXI, com o surgimento da telemática, a telemedicina passa a desempenhar um
importante papel no atendimento médico à distância e representando um grande avanço para a
maioria das especialidades médicas, mas a telemedicina surge como modalidade de
atendimento médico na corrida espacial no início dos anos 60, a partir do monitoramento dos
sinais vitais dos astronautas.
Estabelecer um conceito de telemedicina chega a ser motivo de divergência, pois sua
definição inicial se referia apenas ao tratamento do paciente pelo médico à distância, sendo
ampliado posteriormente para a transferência de dados médicos por meio eletrônico de um
lugar ao outro.
A expansão da telemedicina ao longo dos anos 90 fez com que em um congresso
realizado nos Estados Unidos, seu conceito fosse ampliado, incluindo referência ao uso das
tecnologias de telecomunicação e de informação. A referência às TIC está ligada ao uso da
36
videoconferência como a principal ferramenta de interação em tempo real, transmitindo
informações em forma de texto, som, imagem e vídeo. De acordo com Lima et al (2007,
p.341) “a Telemedicina é definida como a troca de informações utilizando tecnologia de
informação e de comunicação em saúde e a distância”.
Diante de todos estes avanços, vários profissionais da área de saúde, não apenas
médicos, utilizam esta tecnologia, fato que ampliou a utilização do termo telemedicina para
telessaúde e e-saúde, que passou a ser utilizado a partir do ano 2000. Contudo, Telemedicina e
telessaúde algumas vezes são utilizados como sinônimos e seu prefixo tele relacionado a
outras
especialidades
das
práticas
médicas
como
a
teleconsulta,
telerradiologia,
telediagnóstico e teleducação médica.
2.2 Telemedicina e teleducação médica interativa
A carência do atendimento médico no interior do Brasil é um fator preocupante, pois é
difícil encontrar profissionais com interesse em exercer atividades em locais distantes dos
grandes centros de saúde e pesquisa. Quando isto ocorre, o período que um médico
permanece nessas cidades é pequeno, iniciando logo após a sua formação, com o objetivo de
adquirir a prática da profissão e buscar um retorno financeiro para investir futuramente em
sua formação, de preferência em um centro de referência de um grande hospital ou
universidade.
As causas desta breve permanência em cidades pequenas são variadas, mas uma delas
é a possibilidade dos médicos encontrarem dificuldade em continuar sua formação,
manterem-se atualizados, participando de grupos de pesquisa e realizando cursos de
capacitação.
Um dos objetivos principais da implementação de sistemas de Telemedicina, tais
como, realização de eventos por meio de vídeo e teleconferência é superar as dificuldades
geradas pelas distâncias geográficas, permitindo que médicos e outros profissionais da saúde
possam interagir em eventos que tenham a participação de mestres e doutores de grandes
centros de pesquisa.
De acordo com Oliveira et al (2004, p.2)
As três divisões básicas da Telesaúde e Telemedicina
podem ser identificadas como se segue: educação em
saúde, tomada de decisão e monitoramento remoto [...]
dever-se-ia ter em conta as possibilidades e vantagens
37
da Educação a Distância EaD “online” no que pese seja
essa uma área plena de desafios , tanto quanto suas
inumeráveis possibilidades.
O avanço da medicina e as mudanças no foco de suas ações trazem cada vez mais um
número maior de possibilidades no que se refere à aplicação da telemedicina. O
desenvolvimento da medicina preventiva ao invés da curativa, o uso de um menor número de
medicamentos e a possibilidade do paciente ser cuidado em casa, são exemplos dessas novas
perspectivas. Todas estas ações remetem para atividades do PSF, que presta atendimentos em
municípios nos quais o acesso ao atendimento médico é precário, com o objetivo de
aperfeiçoá-lo e ampliá-lo. As dificuldades do atendimento acontecem em decorrência das
dimensões territoriais do Brasil e das desigualdades sociais existentes e pensar em um
atendimento médico que atinja toda a população passa, necessariamente, pela atualização das
equipes. A realidade deste processo continuado de atualização profissional ainda não é
suficiente, mas o importante é que haja uma organização entre as atividades profissionais e a
educação em saúde.
A qualidade dos serviços prestados depende diretamente da capacitação profissional
continuada no intuito de aumentar a eficiência dos atendimentos. Os próprios custos com
saúde diminuem se existirem políticas de educação continuada, mas segundo Campos (2006,
p.62) “muitos programas de capacitação profissional promovidos no Brasil tiveram sucesso
limitado” e as diversas causas estão relacionadas à pedagogia aplicada, baixo número de
profissionais envolvidos, distância geográfica e incompatibilidade de horário.
A implantação de projetos de Telemedicina visa, portanto, eliminar essas
dificuldades, aproximando profissionais como os que atuam no PSF, sem contar a
possibilidade de aproximar também hospitais e universidades, reunindo todos em um único
espaço físico, de promoção de ensino-aprendizagem. Além disso, pela educação online, os
programas de telemedicina objetivam a melhoria do atendimento médico a partir da
capacitação profissional com o uso de tecnologias na promoção da teleducação interativa,
utilização de recursos como bibliotecas virtuais e videoconferência, desenvolvimento da
teleducação formativa, segunda opinião entre especialistas online e offline, integrando a
academia aos profissionais, principalmente de hospitais universitários através de projetos de
inclusão digital.
A estrutura física de ambientes de formação médica online contempla salas para
discussão de casos, salas de computadores, servidores e videoconferência. Utilizam-se
38
unidades de ensino, que geralmente são distribuídas em regiões estratégicas, com o objetivo
de aproximar professores e alunos. Cada vez mais se desenvolvem técnicas de interação em
cursos por teleconferência, que de acordo com Silva (2006, p.40) “é uma comunicação
audiovisual, normalmente por satélite, que tem um centro produtor de imagem e som e muitos
possíveis centros de recepção (telesalas) que permitem algum retorno (e-mail, fax, telefone ou
áudio)”. Já a videoconferência tem mais de um centro produtor de imagem. Oliveira (2006,
p.271), indica que:
na área da formação, a educação permanente e a
distância, com base na web (EAD on-line), constitui a
modalidade com as maiores possibilidades de sucesso,
em curto prazo, de um projeto de Telemedicina que
fomente o uso da tecnologia para a melhor formação
profissional [...]
Projetos de Telemedicina vem sendo desenvolvidos e atingindo diferentes regiões do
Brasil, o que tem propiciado processos de educação permanente e qualificação profissional.
2.3 Rede Universitária de Telemedicina
São muitas as contribuições da Telemedicina para a formação médica online, já que
trata-se de um de seus principais objetivos. No Brasil, a Rede Universitária de Telemedicina
(RUTE), pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) desenvolve um projeto que interliga
hospitais universitários. O objetivo principal da RUTE é o de :
viabilizar o acesso das unidades de faculdades de
medicina e hospitais universitários e de ensino das
diferentes regiões do país, que desenvolvem projetos na
área de telemedicina, ao sistema de comunicação da
RNP. (SIMÕES, 2006, p.304)
A RUTE busca trabalhar com mecanismos inovadores na educação em saúde, na
colaboração à distância para pré-diagnóstico e na avaliação remota de dados de atendimento
médico. Trata-se de uma rede de interconexão de faculdades e hospitais universitários em
diferentes regiões do Brasil, no desenvolvimento de atividades de Telemedicina. Uma vez
interligados, estes hospitais permitirão a interação de grupos de pesquisa, troca de
39
conhecimentos médicos, tele e videoconferências e cursos de capacitação e formação
continuada. Todas estas ações visam melhores condições de atendimento das populações mais
carentes, em regiões nos quais o atendimento médico especializado é inexistente. Serviços
desenvolvidos em hospitais universitários do Brasil poderão ser levados a profissionais que se
encontram em cidades distantes, características que englobam as propostas de formação
médica online, representando um importante projeto de ampliação de cursos de educação
médica continuada online.
Fazem parte do projeto diferentes instituições, como a RNP e instituições
representadas por seus hospitais ou institutos, como a UFPR, UNIFESP, UNICAMP, UFES,
UFBA, UFAL, UFPE, UFPB, UFC, UFMA, UFAM, entre outras. Grupos de colaboração
também fazem parte da rede, entre eles o T@lemed, que trabalha com telediagnóstico por
imagem e regiões carentes da América Latina.
Fig. 1 - Rede Universitária de Telemedicina (RUTE)
Fonte: http://rute.rnp.br
Pelos sistemas de tele e videoconferência, novas técnicas, inclusive realizadas em
outros países, podem ser apresentadas em hospitais ligados à RUTE.
40
A International Telecommunication Union (ITU-T)
define videoconferência como “um serviço audiovisual
de conversação interativa que provê troca bidirecional e
em tempo real de sinais de áudio e vídeo entre grupos
de usuários, em dois ou mais locais distintos (LIMA,
2007, p.341).
A utilização da videoconferênia representa o principal meio de interação entre os
hospitais e usuários da RUTE nas mais diversas especialidades. Especificamente na
telerradiologia, existem experiências em países como a Alemanha, de discussões por meio de
videoconferência, envolvendo diagnóstico por imagem pela implantação de sistemas PACS.
Esta ferramenta representa um grande impacto nos custos de atendimento à população,
na medida em que trata-se de um excelente meio de atualização e capacitação de médicos.
Os impactos causados pelas atividades da RUTE, na sua maioria, estão relacionados a
questões científicas e tecnológicas. No campo científico, promovem um crescimento da
colaboração entre pesquisadores, introduz novos meios de EAD, aumenta a produção
científica, dissemina resultados de pesquisas, cria meios de formação de recursos humanos em
temas especializados, principalmente em regiões carentes. Com relação às tecnologias,
desenvolvem ferramentas para a capacitação à distância, estimula a criação de material
pedagógico especializado e integra especialistas por meio de discussões online sobre os mais
diversos temas.
O projeto RUTE (2006, p.19)
[...]mudará substancialmente a qualidade do serviço de
comunicação e a colaboração médica entre os HUs e
suas redes de atendimento. Será possível a utilização de
recursos
avançados
de
rede,
incluindo
videoconferências remotas, acesso ágil a acervos de
informação, pré-diagnósticos e consultas on-line à
distância[...]
Salas de videoconferência são os locais que promovem discussão de casos em
diferentes especialidades pelo Special Interest Group (SIG), ou Grupo Especial de Interesse,
com o objetivo de trocar experiências bem sucedidas buscando estratégias de aperfeiçoamento
utilizando a tecnologia da RUTE. Nestas sessões, ocorrem transmissões de procedimentos,
alguns apresentando novas técnicas desenvolvidas em outros países. Toda a tecnologia
utilizada é específica, com transmissões a partir de recursos áudio-visuais de alta definição
que não prejudicam a visualização detalhada dos procedimentos.
41
A realidade na maior parte dos núcleos RUTE no país é de uma fase de implantação,
como é o caso da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Nesta etapa inicial existe em
média a realização de dois SIG por mês.
A idéia inicial é a de que para que a Telemedicina aconteça, basta que de um lado
tenhamos médicos e de outro as TIC, mas existem vários profissionais que devem participar
deste projeto para que ele se torne viável. Além dos médicos, por exemplo, é necessária a
atuação de advogados por conta das questões relacionadas à legislação, bem como
profissionais da área de informática para atuarem no suporte das tecnologias aplicadas.
De outro modo, alguns entraves podem dificultar que os principais objetivos da
Telemedicina sejam alcançados, como a dificuldade de encontrar médicos em pequenas
cidades e a não participação do SUS no financiamento destes projetos. Isto acaba refletindo
diretamente na remuneração dos médicos que atuam tanto no grande centro como em cidades
distantes, como também aqueles que participam de sessões de videoconferência.
Outra dificuldade envolve a falta de tecnologias em determinadas localidades, ou seja,
a dificuldade de interligar grandes centros a pequenas cidades. Se essas não possuírem
tecnologias para enviar exames ou transmitir imagens para teleconsultas, a proposta dos
sistemas de Telemedicina torna-se inviável. Muitas vezes, esses equipamentos são retirados
por membros da comunidade para serem utilizados para outros fins. Mesmo diante destas
dificuldades, existem alguns projetos que estão obtendo êxito em suas propostas, como é o
caso da área de telediagnóstico.
2.3.1 SIG de Radiologia e Diagnóstico por Imagem
A RUTE realiza SIG através da transmissão por videoconferência de telessessões na
área de radiologia pediátrica, a partir das ações de um grupo de especialistas na área, com a
apresentação de casos nesta área. Os vários núcleos da rede podem participar apresentando
estes casos, que geralmente objetivam a avaliação de outros radiologistas e, principalmente,
de residentes em radiologia.
Cada sessão possui um coordenador que assume o papel de mediador do debate.
Inicialmente, os casos são apresentados por imagens de diferentes métodos de diagnóstico em
forma de questões objetivas que deverão ser respondidas pelos participantes da sessão.
Geralmente são fornecidas cinco alternativas relacionadas a hipóteses diagnósticas para cada
caso, com o tempo de um minuto para a resposta.
42
Após esse tempo, as respostas são fornecidas e os casos são discutidos, havendo uma
avaliação de todas as imagens que são também correlacionadas com outros métodos de
imagem a partir dos casos clínicos. No final, é aberto um espaço para perguntas entre os
participantes dos SIG que estão em diferentes instituições.
2.4 Forum RUTE 2009 e as perspectivas da Rede
O primeiro Fórum realizado pela RUTE ocorreu no Hospital Universitário Clementino
Fraga Filho (UFRJ), de 10 a 11 de agosto de 2009. No evento também foi divulgado o
lançamento da Revista Latino-americana de Telessaúde.
O evento contou com uma programação científica importante na apresentação de
projetos desenvolvidos nas Instituições que fazem parte da RUTE, porém foi marcado pelas
discussões que ocorreram nas mesas redondas, nas quais foram apontadas dificuldades e
sugestões por parte dos participantes.
Entre as dificuldades relacionadas à prática da Telemedicina foram relacionados os
desafios éticos, médicos legais, os riscos de atividades de assistência à distância, as
responsabilidades pelas ações de tele-atendimento e o pagamento dos profissionais
envolvidos, como também a qualificação destes. As atividades da RUTE como a organização
dos SIG e a emissão de segunda opinião, não são atividades remuneradas, o que acaba
dificultando a captação de pessoas que aceitem participar do projeto.
Outro ponto de discussão foi a necessidade de introduzir nos cursos de saúde
disciplinas de Informática de Saúde, com o objetivo de capacitar já na graduação, os alunos
que certamente exercerão atividades por meio de Telessaúde.
Atualmente, a maioria das atividades exercidas pela RUTE são referentes aos SIG
realizados entre as instituições participantes. A UFRJ marcou sua presença divulgando
principalmente seus SIG nas áreas de Radiologia, que iniciaram na especialidade de
Radiologia Pediátrica e hoje contam com discussões também nos grupos de neurorradiologia,
radiologia do abdome. Já a UFSC conta com discussão de casos envolvendo radiologia do
tórax.
Depois da implantação de novos núcleos, a RUTE aos poucos deixa de se tornar um
projeto e passa a se tornar uma instituição que promove as ações por Telemedicina. O
objetivo é fazer com que atividades além dos SIG, principalmente relacionadas à
Teleassistência passem a fazer parte das atividades da rede.
43
Ainda são muitas as dificuldades encontradas, principalmente por se tratar de uma rede
nova, tais como os recursos financeiros para a contratação e remuneração dos recursos
humanos que compões a rede. Algumas atividades em Telemedicina ainda não são
regulamentadas, o que torna difícil a remuneração daqueles que as promovem, como, por
exemplo, os profissionais que emitem segunda opinião.
Pelo fato da interligar Hospitais Universitários, é necessário também que sejam inseridas
disciplinas de Informática de Saúde em cursos de Medicina e que os professores sejam
capacitados na mesma velocidade que a rede cresce, com a utilização de ferramentas para
formar profissionais, não só para fins de capacitação, mas também para que estes percam o
medo das tecnologias.
Para tanto, é necessário que os diversos hospitais participem ativamente, devendo ser
utilizados meios que incentivem esta participação, tais como aumentar os recursos de
hospitais que atuem na Telemedicina como forma de incentivo. Muitas vezes a resistência na
participação passa pela dificuldade que o profissional de saúde tem de compartilhar, porém
não podemos pensar que essas dificuldades tornam-se barreiras para o bom funcionamento da
rede, pois se com todas as dificuldades projetos de Telemedicina funcionam na Amazônia,
podem funcionar em qualquer lugar.
Com isto, será possível alcançar uma inclusão social através da inclusão digital
promovendo um melhor atendimento.
2.4.1 Projetos RUTE para o desenvolvimento da educação médica online
As atuais atividades de educação médica promovidas pela RUTE são relacionadas às
videoconferências realizadas nos seus SIG. Esta não pode ser a única ferramenta utilizada
neste objetivo, portanto, discute-se a criação AVA para uma maior interação entre os
participantes da rede, não só durante atividades online, mas também em situações em que os
participantes estejam offline, utilizando assistência assíncrona através de aulas gravadas.
Já se discute a necessidade de que sejam utilizados ambientes de EAD como o Moodle e
não apenas a videoconferência, assim como a criação de oficinas de capacitação de
professores para a educação à distância.
As atividades dos SIG poderiam ser utilizadas como carga horária em cursos de Medicina,
uma vez que o MEC autoriza que 20% desta carga horária total de um curso pode ser à
distância.
44
Outra medida apresentada no fórum foi a possibilidade de inclusão dos SIG no Programa
Nacional de Extensão Universitária, associando estas atividades aos sistemas de capacitação
dos hospitais, como também o fornecimento de certificados aos seus participantes como
forma de incentivo.
2.4.2 Universidade Aberta do Brasil e RUTE
A coordenadora da UAB/Unifesp, Profª Drª Mônica Parente Ramos, apresentou no fórum
RUTE as experiências desenvolvidas, principalmente em relação ao curso de especialização
em Informática da Saúde. A importância deste curso está relacionada à capacitação de
profissionais que atuam na rede.
A EAD na Unifesp na área de saúde iniciou em 1986 com um programa educacional na
área de nefrologia e em 1990 desenvolveu trabalho na área de Oftalmologia, Pneumologia e
Hipertensão. O desenvolvimento de programas educacionais multimídia na Internet levou ao
surgimento em 1997 da Unifesp Virtual, com a realização de um curso virtual sobre Nutrição
em Saúde Pública, o primeiro curso online em saúde do Brasil. A Unifesp também
desenvolveu programas educacionais na Internet para a comunidade.
Hoje, dispõem de cursos de graduação, pós-graduação e extensão, configurando
experiências formais dentro de cursos de Medicina. São exemplos de cursos: Dependência
Química, Introdução à Bioestatística, Nutrição Clínica, Dermatologia para Clínicos,
Enfermagem em Nefrologia, Revisão Sistemática e Metanálise, Capacitação em EAD,
Primeiros Socorros, Suporte Básico à Vida e Técnica Operatória e Cirurgia Experimental, esta
representando a primeira disciplina online e em um curso de Medicina.
Os cursos de especialização oferecidos pela UAB/Unifesp são: Especialização em
Informática da Saúde, Especialização em Saúde Indígena, Especialização em Gestão em
Enfermagem, Especialização em Cuidado Pré-Natal, Aperfeiçoamento em Cuidados
Primários em Oftalmologia, Aperfeiçoamento em Educação Ambiental e Especialização em
Gestão em Saúde.
45
Fig. 2 – UNIFESP Virtual
Fonte: http://www.virtual.unifesp.br/home/posgradua.php
O curso de Informática da Saúde possui 150 alunos distribuídos em três pólos, ofertando
disciplinas tanto relacionadas a estrutura das ferramentas de informática utilizadas em saúde,
como também para a Telemedicina, EAD e ambientes virtuais de aprendizagem. Entre as
atividades de avaliação, além da realização de uma monografia e um artigo científico, os
alunos também elaboram um projeto de um curso à distância.
Um curso de especialização em Informática da Saúde, vem preencher uma importante
lacuna nas atividades da RUTE, isto é, o desenvolvimento de competências por parte das
pessoa que participam de suas atividades e contribuem para o seu desenvolvimento.
2.5 Telerradiologia e telediagnóstico por imagem
Na área de telerradiologia e telediagnóstico, existem projetos que vem desempenhando
atividades importantes na Telemedicina brasileira. Para que estas redes entrem em
funcionamento de fato, é necessário incorporar a manipulação de exames à distância à rotina
de trabalho dos profissionais, de preferência, desde o momento de sua formação. No Hospital
Materno Infantil Presidente Vargas na cidade de Porto Alegre, esta formação já acontece de
46
forma online, com residentes em obstetrícia realizando exames de ultrassonografia à distância
e em tempo real. Iniciaremos a discussão deste caso no item 2.5.3.
A introdução de procedimentos relativamente simples
de telemedicina no ambiente hospitalar, como é o caso
do telediagnóstico por imagem, exige um esforço
adicional de integração de profissionais, trabalho
colaborativo e prática usual com PCs. (MESSINA,
2006, p.242)
Temos como exemplos de experiências em Telediagnóstico o Projeto Cyclops da
Universidade Federal de Santa Catarina, o Projeto T@lemed e o
POA_S@UDE, da
Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
2.5.1 Projeto Cyclops
O estado de Santa Catarina, assim como ocorre nas demais regiões do Brasil, também
apresenta inúmeras dificuldades no atendimento da população residente em localidades
distantes de sua capital Florianópolis. Necessidade de viagens para realizar exames com longo
tempo de espera pelo resultado e demora nos processos de decisão de condutas médicas, são
alguns fatores que levaram o estado a implementar a Rede Catarinense de Telemedicina,
visando um atendimento voltado para o sistema público em conjunto com a Universidade
Federal. O Cyclops, da Universidade Federal de Santa Catarina, desenvolveu uma tecnologia
de PACS, que hoje permite que exames radiológicos sejam realizados de forma a evitar o
transporte de pacientes por longas distâncias, agilizando processos como a tomada de decisão.
Residentes de diferentes especialidades médicas do Hospital da Universidade também
utilizam estes recursos, enviando imagens de exames solicitados para especialistas em
Radiologia com o objetivo de obter uma segunda opinião sobre os casos de pacientes que
estejam atendendo.
Esta consulta ocorre sem a necessidade que os médicos estejam presentes no mesmo
espaço, ou seja, são utilizados os recursos das salas de laudo virtual na qual ocorre uma
interação online entre residente e especialista em Radiologia. A discussão pode ocorrer pelo
chat, bem como pela voz, a partir da qual o especialista pode assumir o controle da exibição
das imagens por acesso remoto, realizando alterações nas imagens como brilho, realização de
47
medidas e densidades que serão acompanhadas pelos residentes ou outros médicos de
qualquer especialidade que estejam participando da consulta.
Fig.3 – Projeto Cyclops
Fonte: http://www.cyclops.ufsc.br
Fig. 4 – Vídeo Institucional Cyclops
Fonte: http://www.cyclops.ufsc.br
48
Fig. 5 - Sessão colaborativa do projeto Cyclops – sala de laudo virtual
Fonte: http://www.telemedicina.ufsc.br/cms/index.php?lang=pt
As figuras 3, 4 e 5, apresentam o site do projeto, bem como um vídeo que demonstra
como ocorre uma sessão colaborativa, na qual um especialista em Radiologia é consultado por
residentes a cerca do provável diagnóstico de um paciente que realizou radiografia e
tomografia computadorizada do tórax.
Vários exames são realizados nessa modalidade, tais como, eletrocardiograma,
tomografia computadorizada, ressonância magnética, radiografias e mamografias, segundo
rotinas de diagnóstico à distância. Mesmo diante de uma estrutura que permite a conexão de
especialistas em radiologia, inclusive em formação, Wangenheim (2006, p.298) afirma que:
a pesquisa, o ensino a distância, a discussão de casos
difíceis em tempo real, videoconferências e outros
serviços comuns no campo da telemedicina não foram
tratados como prioridade.
De acordo com a filosofia do projeto, os exames são realizados por técnicos em
regiões distantes, mas o mais próximo possível da residência dos pacientes. O exame é
enviado para uma Central de Telemedicina em Florianópolis, mas também disponibilizado em
rede para outras cidades. O laudo será de responsabilidade de um telemédico e armazenado
49
junto com suas imagens em uma página web, na qual ficará disponível ao médico que
solicitou o exame.
2.5.2 Projeto T@lemed
O projeto T@lemed, desenvolvido em 2005, tem por objetivo levar atendimento
médico a regiões carentes da América Latina pela Telemedicina, sendo implementado no
Brasil e na Colômbia. Atua principalmente nas redes de telediagnóstico por imagem, que no
Brasil estão implantadas nos estados do Espírito Santo e Rio Grande do Sul.
Fig. 6 – Projeto T@lemed
Fonte: http://www.igd.fraunhofer.de/igd-a7/projects/telemed
Inicialmente o projeto desenvolveu atividades de combate a enfermidades infecciosas
típicas da região, como a malária e tuberculose, assim como atividades na área se urologia,
diagnóstico cardio-vascular e na realização de exames de ultrassonografia à distância para
avaliação gestacional.
50
A escolha pelo desenvolvimento de suas atividades no Brasil e na Colômbia está
relacionada ao fato de tratarem-se dos países de maior população da América Latina e grande
parte dessas pessoas não possuírem acesso a serviços médicos de qualidade.
Na Colômbia o projeto está adaptado a uma localidade de alta incidência de malária e
tuberculose, a fim de conectar a região da costa do pacífico e cidades da região do Amazonas
com clínicas especializadas nas cidades de Bogotá e Cali.
No Brasil as atividades são voltadas para a realização de exames de ultrassom
gestacional na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, que atende grande parte da
população residente no interior do estado, e no Hospital da Universidade Federal do Espírito
Santo, oferecendo serviços de telediagnóstico através de uma unidade de Telemedicina
portátil conectada a um equipamento de ultrassom. O sistema utilizado nestas atividades é o
Teleconsult, através conexão de um aparelho de ultrassom a Internet, o que permite a
discussão médica sobre as imagens em tempo real, de forma online, como também offline.
Grandes dificuldades da Santa Casa de Porto Alegre referem-se à oferta de
atendimento presencial, a necessidade de transferência de pacientes do interior para a capital,
dificuldades financeiras e de segurança dos pacientes diante dos riscos inerentes as viagens
que precisam realizar. Outra questão é a ocupação dos leitos do hospital por pacientes que
poderiam ser atendidos em suas cidades, uma vez que apenas as imagens dos seus exames
poderiam ser enviadas por rede.
O objetivo também é que estes exames sejam avaliados por médicos especialistas da
capital do estado, pois a maioria dos profissionais que atuam nas cidades do interior são
generalistas. A teleconsulta offline ainda é a mais utilizada, pelo fato da dificuldade de dois
médicos estarem conectados ao mesmo tempo, principalmente o especialista, o que impede a
possibilidade dos dois profissionais visualizarem as mesmas imagens no modo online.
2.5.3 Projeto POA_S@UDE
O projeto POA_S@UDE, foi desenvolvido com base no projeto T@lemed, e está
relacionado à realização de tele-ultrassonografias mediante um serviço de Telemedicina da
Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS) e da Companhia de Processamento de
Dados do Município de Porto Alegre (PROCEMPA).
Foi constatado que um alto índice de pacientes gestantes faltava a exames agendados
em hospitais do município por causas variadas, tais como a necessidade de se deslocar de
51
ônibus, a falta de ter com quem deixar seus filhos e o tempo de espera por um atendimento,
que muitas vezes chegava a 5 meses. Esta é uma realidade dos hospitais e postos de saúde
públicos que realizam exames de ultrassonografia gestacional, muitas vezes o tempo de espera
pode ser maior do que o período de uma gestação.
Com a implantação deste sistema de Telemedicina no Hospital Materno-Infantil
Presidente Vargas (HMIPV), o período de espera diminuiu de 120 para 34 dias e o índice de
faltas aos exames de 40% para 10%, além das pacientes passarem a realizar o pré-natal no
próprio hospital.
Fig. 7 - Projeto de exames à distância do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas
Fonte: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/hmipv/default.php?reg=14&p_secao=16
Com a diminuição do tempo de espera, as pacientes passam a ter a possibilidade de
agendar um segundo exame, o que supera a recomendação da Organização Mundial de Saúde
(OMS) de, pelo menos, uma ultrassonografia por gestação.
Os exames são realizados em unidades de saúde do bairro Restinga, distante 30 km do
centro da capital, com uma população de aproximadamente 100.000 habitantes e renda média
de 3,03 salários mínimos. A SMS coordena tanto as equipes médicas do HMIPV, como no
posto de saúde Macedônia no bairro Restinga, ficando também responsável pela marcação,
realização dos exames médicos, bem como pela seleção e armazenamento de suas imagens e
posterior elaboração dos laudos.
52
Esses procedimentos são realizados por residentes em medicina fetal, ao mesmo
tempo em que um especialista acompanha e orienta o procedimento em tempo real, mediante
as imagens da paciente e do exame que são enviadas ao HMIPV. Esses residentes, também
passam por treinamentos teóricos e práticos em ultrassonografia obstétrica.
Desta forma, tratando-se de uma realização de exames orientados por uma relação
especialista-residente à distância, esta experiência representa um meio de formação médica
online na área de diagnóstico por imagem.
Fig. 8 - Gestante em atendimento em posto de saúde
Fonte:http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/pwcidadao/default.php?reg=1&p_secao=
Como beneficiários do projeto temos as gestantes que realizam pré-natal pelo SUS e
que vivem distantes dos grandes centros de diagnóstico, médicos especialistas e generalistas
que não possuem acesso a cursos de treinamento médico e a saúde pública, principalmente
pela redução de custos e de complicações nas gestações das pacientes.
53
CAPÍTULO 3 - ARQUIVAMENTO E COMUNICAÇÃO DE IMAGENS: UMA
METODOLOGIA INOVADORA USANDO TIC NA FORMAÇÃO MÉDICA ONLINE
O sistema PACS, ferramenta de uma aplicação da telemedicina chamada
telerradiologia, é o objeto de estudo deste trabalho, uma vez que se apresenta como
metodologia inovadora que pode ser utilizada na formação médica online, principalmente de
especialistas na área de diagnóstico por imagem.
3.1 Telerradiologia
A Telerradiologia, como um segmento da Telemedicina, apresenta inúmeras
características e vantagens relacionadas a ela, como acesso a segunda opinião assim como
possibilidades de ensino continuado, como no caso das residências médicas.
A Radiologia é uma das especialidades que mais tem se
beneficiado com o desenvolvimento da Telemedicina,
mais especificamente nas áreas do telediagnóstico,
segunda opinião especializada (teleconsulta) e ensino a
distância (NOBRE, 2005, p.7)
Trata-se de uma modalidade mais restrita, que permite que usuários acessem imagens
de exames radiológicos podendo visualizá-las de modo simultâneo mesmo se estiverem em
lugares diferentes, melhorando o acesso e a qualidade de interpretação destes exames.
O importante é que toda a estrutura, que permite a visualização destas imagens, não
comprometa o desempenho das atividades de interpretação e elaboração de laudos à distância.
Para tanto, os sistemas envolvidos devem garantir a qualidade das imagens, de modo que o
profissional que esteja avaliando não perceba diferenças entre uma imagem exibida de modo
online e a exibida no próprio equipamento radiológico. Assim, é importante que as
interpretações satisfaçam não apenas as necessidades clínicas, como também daqueles que as
utilizam como instrumento de formação online.
Um sistema telerradiológico consiste de três unidades fundamentais, uma unidade de
envio das imagens, uma rede de transmissão e outra de recepção. Por estes recursos, imagens
54
podem ser enviadas, inclusive, para a casa de um radiologista, permitindo agilidade na
avaliação dos exames e que consultas sejam realizadas de modo imediato. Outra vantagem, é
que médicos de cidades distantes e que realizam um atendimento primário de saúde têm a
oportunidade de enviar imagens com o objetivo de obter uma segunda opinião de um
especialista que esteja em um centro maior.
É possível também, que exista a necessidade da consultar algum médico de alguma
subespecialidade, por exemplo, um radiologista pediátrico ou neuroradiologista, que são
encontrados, na sua maioria, em hospitais de grande porte. Em todos estes casos, percebemos
que esta modalidade promove ações interdisciplinares, a partir do momento em que permite a
participação de várias especialidades médicas.
Durante um longo período que antecedeu o surgimento da Telerradiologia, havia a
necessidade dos radiologistas estarem presentes nos serviços radiológicos ou se deslocando
dos hospitais quando atuavam em mais de uma unidade, avaliando imagens registradas em
filme por meio de um negatoscópio. Outras vezes, o especialista emitia um laudo e o enviava
ao médico solicitante pelo correio, aumentando o tempo entre a realização do exame e a
definição das condutas de tratamento.
A partir da implantação desses novos sistemas e com a possibilidade de
disponibilização de imagens pela Internet, é importante que os centros de diagnóstico criem
meios para que não necessitem mais da presença física dos especialistas, ampliando as formas
e a qualidade de atendimento de seus pacientes. Ao mesmo tempo, residentes de Radiologia
terão a oportunidade de dispor de uma ferramenta que os permitirá acessar uma quantidade
maior de casos, discutí-los por meio de salas de laudo virtuais, ou, até mesmo, realizar exames
sob a avaliação e orientação de um especialista mesmo que não estejam presentes em um
grande centro de radiodiagnóstico.
3.2 Laudos virtuais
Telerradiologia significa pensar em uma atividade colaborativa, na qual exames
radiológicos são enviados por rede a um especialista com o objetivo de obter segunda opinião.
Isso ocorre em razão da distância geográfica existente entre profissionais, trazendo inúmeras
vantagens para médicos e pacientes.
Essa modalidade pode se tornar mais viável e dinâmica, a partir do momento em que
as imagens não sejam apenas enviadas, mas seus laudos sejam feitos através de uma atividade
55
colaborativa, que não só motivaria mais os radiologistas, como também melhorariam a
qualidade dos diagnósticos, o que refletiria diretamente no nível de atendimento prestado à
população. Uma sala de laudos virtuais representa o ambiente tradicional dos equipamentos
radiológicos, de maneira que os especialistas que estejam online possam utilizar todos os
recursos disponíveis como se estivessem em um ambiente presencial.
Fig. 9 e 10 - Estação de laudo virtual - Cyclops Medical Station
Fonte: http://www.telemedicina.ufsc.br/cms/index.php?lang=pt
Uma sessão de laudos tem início com a identificação do usuário (médico), que ao
iniciar os trabalhos torna-se o coordenador. Exames podem ser enviados a um servidor pelos
especialistas presentes na sessão, de forma que todos tenham acesso às imagens e possam
trocar experiências, interagindo de forma a enriquecer os laudos desses exames.
Esta é uma ferramenta que, se utilizada na formação médica, pode proporcionar aos
alunos e residentes de medicina, a oportunidade de debater com especialistas de grandes
centros, independente da localidade em que estejam.
3.3 Arquivamento e Comunicação de Imagens
Todos os projetos de telediagnóstico relatados no capítulo anterior estão relacionados
ao processo de arquivamento e comunicação de imagens PACS, que de acordo com Elias
Júnior (2007, p.195)
56
É um sistema de arquivamento e comunicação
voltado para o diagnóstico por imagem que permite o
pronto acesso, em qualquer setor do hospital ou
clínica, de imagens médicas em formato digital,
sendo caracterizado por quatro subsistemas:
aquisição, exibição, disponibilização e arquivamento
de imagens.
Imagens radiológicas são informações médicas que necessitam ter um acesso
confiável e seguro. Desde o momento em que são produzidas, nos equipamentos de
radiodiagnóstico, até o momento em que são analisadas, passam, necessariamente, por três
estágios: geração de imagens (relacionado à sua obtenção), gerenciamento das informações
dessas imagens e análise.
Independente da aplicação, seja médica ou em educação online, as informações
médicas em rede são denominadas de sistemas de informação hospitalar (HIS – Hospital
Information System), que pode incluir ou não o sistema de informação radiológico RIS, que
possuem a função de gerenciamento de exames radiológicos. Os sistemas HIS trabalham com
informações em forma de texto, mas a partir do momento em que se agregam imagens
radiológicas a essas informações estaremos diante dos sistemas RIS. A partir da década de 80
a ampliação do conceito dos sistemas RIS, incluiu o sistema PACS, que está relacionado a
todo o processo de aquisição, armazenamento, disponibilização e exibição de imagens.
A realidade digital e o constante progresso dos meios diagnósticos por imagem como
tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultra-sonografia, tem levado ao
desenvolvimento e implementação dos PACS, com o objetivo de integrar diferentes setores de
um hospital, ou de fazer a comunicação deste com outras clínicas, consultórios e postos de
saúde. O objetivo deste estudo não é tratar dos requisitos técnicos de implantação destes
sistemas, mas abordar algumas formas de utilizá-los como ferramentas de formação médica
online. Mesmo assim, é importante esclarecer sobre algumas características que permitem que
estas imagens possam ser enviadas por rede, a partir dos equipamentos de radiodiagnóstico.
Disponibilizar imagens radiológicas online e permitir que estas sejam acessadas por
qualquer computador e em qualquer lugar, requer um requisito básico, que elas sigam uma
linguagem denominada Digital Imaging and Communication in Medicine (DICOM). Trata-se
de um padrão universalmente utilizado no gerenciamento de informações em sistemas de
Telerradiologia, que tem o objetivo de padronizar as imagens diagnósticas de exames como
tomografia computadorizada, ressonância magnética, radiografias e ultrassonografia.
57
Com isso, imagens podem trafegar em rede, sendo enviadas de um equipamento a
outro, bem como de um equipamento radiológico para um computador, nos quais podem ser
instalados programas que exibam as imagens radiológicas, e, por conseqüência, podem fazer
com que estas sejam projetas em uma sala de aula através de um projetor multimídia.
Esses programas específicos são capazes de reproduzir funções presentes nos
equipamentos de radiodiagnóstico e podem trazer uma nova perspectiva aos cursos de saúde.
Para Azevedo-Marques et al (2001, p.224), se referindo a programas DICOM como o Magic
View 300 ou o Osíris, “as imagens capturadas permitem ajustes de brilho, contraste e a
aplicação de processamentos padrões como realce de bordas, binarização, borramento e
outros”.
A partir destes recursos, uma modalidade de formação médica online adquire um
grande diferencial, capacitar um aluno de um curso de medicina ou um profissional já
formado a partir dos mais variados recursos existentes nos meios de diagnóstico por imagem.
Existem recursos de envio de imagens, inclusive pela Internet, mas com a utilização dos
sistemas PACS, esta imagem pode não se apresentar apenas de maneira estática, mas ser
manipulada de forma que o aluno se sinta como se estivesse diante de um equipamento, ou,
até mesmo, realizando um exame à distância.
Mesmo considerando que o crescimento destas tecnologias tenha ocorrido de maneira
bastante rápida em nosso país, percebe-se que este avanço não está ligado apenas ao fato de
um centro de diagnóstico por imagem possuir essas tecnologias, é importante também uma
discussão aprofundada acerca das questões éticas que envolvem sua utilização.
3.4 Arquivamento e comunicação de imagens na educação médica
Nos cursos de Medicina, o trabalho do residente em radiologia envolve a parte de
laudos, algo ainda visto com receio se feito à distância. Em um sistema implantado no
Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, os médicos residentes fazem os laudos que serão
conferidos pelos radiologistas e docentes. Nesse caso, recebem o status de laudo provisório no
sistema não sendo visíveis na rede até que seja feita a sua revisão (AZEVEDO et al, 2001).
Uma experiência semelhante foi discutida no capítulo anterior, o projeto
POA_S@UDE, da Prefeitura de Porto Alegre. Neste caso, residentes realizam exames que são
avaliados à distância por um especialista, em tempo real, emitindo laudos provisórios que são
58
salvos em um servidor da prefeitura, para posterior acesso e avaliação do especialista do
Hospital Materno Infantil Presidente Vargas.
O sistema de informação em radiologia (RIS) faz parte de uma realidade conhecida
como realidade “filmless”, ou seja, “refere-se a um hospital com um ambiente de rede de
computadores amplo e integrado, no qual o filme foi completamente ou em grande parte
substituído” (opcit p.38). Em áreas de ensino fora da radiologia, como a cirurgia, por
exemplo, “os cirurgiões devem ser capazes de tomar decisões diagnósticas logo após um
exame, bem como acessar simultaneamente as imagens para discutir as seqüências de imagens
nas salas de ensino, ou nas salas de consulta”. (BUENO, 2001, p.6).
Em relação à utilização destes recursos como meio de realização de um planejamento
tridimensional de tratamentos radioterápicos, temos a importância de proporcionar a um aluno
o acompanhamento do caso de um paciente com tumor desde o diagnóstico até o tratamento,
através de meios digitais. “Com o desenvolvimento dos métodos de imagem e de
planejamento tridimensional, um grande número de informações passou a ser disponível para
a análise do plano de tratamento pelos radioterapeutas”. (JUSTINO et al, 2003 p.161).
O desenvolvimento da Radiologia Digital ainda está, na maioria dos casos,
direcionado para a aquisição e trânsito de imagens dentro das dependências de um hospital,
mas uma nova visão pode levar essa tecnologia a ser responsável por impactar todo o sistema
de ensino neste segmento. Como visto em capítulos anteriores, existem experiências bem
sucedidas na utilização desse tráfego de imagens em rede em projetos de Telemedicina,
porporcionando que pacientes possam realizar exames de imagem e que estes sejam avaliados
por especialistas de grandes centros de saúde.
Desta maneira, este estudo tem por finalidade avaliar a importância que a utilização em
uma estrutura digitalizada de imagens e seu envio através de redes como a Internet, pode
trazer no processo de formação médica, tanto para docentes, como discentes e demais
usuários de um ambiente hospitalar e educacional.
Avaliando as tendências e as potencialidades deste novo campo de estudo, percebe-se
que as aplicações e as vantagens podem não se restringirem apenas ao ambiente médicohospitalar, mas também a ambientes de ensino na área médica.
No Brasil, há experiências acadêmicas e privadas desenvolvidas em telerradiologia.
Mesmo tratando-se de algo recente, estes projetos vem sendo desenvolvidos seguindo dois
focos distintos: ou possuem um objetivo específico de ensino e telediagnóstico, focado na
59
especialidade de Radiologia, ou fazendo parte de um projeto mais amplo de Telemedicina,
que acolha não só a Radiologia como também outras especialidades.
As discussões envolvendo as aplicações da EAD e da teleassistência, ocorrem em uma
comissão de telerradiologia do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), pois além de
contribuir para o processo de Educação Continuada, a EAD em Telerradiologia também é
utilizada na revalidação dos títulos de especialistas dos membros do CBR.
3.5 Sistema Teleconsult
Trata-se de um sistema de fácil utilização, que pode ser executado nos sistemas
operacionais Windows 2000 ou XP. Permite a aquisição de imagens médicas de qualquer
equipamento de ultrassonografia, além de visualizar, de forma instantânea, as imagens dos
exames realizados. Além disto, é capaz de criar um banco de dados dos pacientes que
realizaram exames.
Como ferramenta de Telemedicina e EAD, pode ser utilizado para a realização de um
gerenciamento de estudos dos mais variados casos clínicos, sendo estes armazenados em um
banco de dados que também permite a importação e exportação de arquivos externos (a partir
de banco de dados de outros centros de diagnóstico), realizando discussões entre especialistas
através do envio de mensagens online ou offline. Neste caso, a resposta de um especialista a
um médico ou um residente que esteja realizando o exame, pode ocorrer de forma síncrona ou
assíncrona.
As vantagens de uma discussão online, principalmente se o objetivo da utilização
desse sistema for a formação médica, estão relacionadas à possibilidade de envio de
mensagens instantâneas com as anotações das imagens, através da realização de um chat. As
imagens são transferidas de forma criptografada, o que possibilita ocultar as informações do
paciente, preservado sua identidade durante uma atividade de ensino-aprendizagem.
A transmissão de dados ocorre pela Internet e de acordo com Messina (op cit, p.236237):
No modo on-line, ambos os médicos visualizam a
mesma imagem ou a série de imagens. Todas as
interações com mouse, chat e anotações são
transferidas em tempo real [...] O sistema trabalha e
converte qualquer imagem DICOM, podendo se
comunicar com equipamentos médicos da rede
60
DICOM e, também, do protocolo de rede TCP/IP.
[...] possui um pequeno banco de dados que armazena
informações do paciente, índices para recuperação de
imagens digitais e todo o histórico das teleconsultas.
Mesmo considerando estas vantagens, o fato de médicos dificilmente estarem
conectados ao mesmo tempo, faz com que a maior parte das atividades seja realizada no modo
offline.
O projeto POA_S@UDE utiliza nas interações entre residentes e especialistas a
interface do sistema Teleconsult, dinamizando o processo de realização de exames de
ultrassonografia em postos de saúde e avaliação instantânea de especialistas presentes no
hospital.
A ultra-sonografia é, entre todos os exames de
diagnóstico por imagem, o exame mais dependente do
examinador, pelo fato de ser dinâmica e realizada em
tempo real. (ELIAS JUNIOR, op cit, p. 194)
Por esta razão, existe a necessidade de um longo treinamento para que um residente
torne-se apto a realizar os mais variados tipos de exames o que faz com que freqüentemente
encontremos profissionais que não estão habilitados a realizar alguns tipos de exames.
Habitualmente, todo este treinamento é realizado na rotina de atendimento de hospitais
e clínicas, não permitindo que haja tempo e variedade de exames suficientes para o
treinamento. Esta realidade torna-se ainda mais complicada por haver a necessidade de que o
residente seja orientado por um especialista.
A falta de oportunidade de contato com uma maior variedade de casos acaba
contribuindo para o surgimento de subespecialidades, ou seja, aqueles médicos especialistas
em um único tipo de exame.
Uma técnica de aprendizagem que se mostra muito eficiente nesses casos é a
utilização recursos de simulação, que na área de saúde consiste em utilizar aparatos que
substituam o paciente. No caso da Radiologia, o aprendiz analisa imagens, que podem, dentro
de uma realidade digital, serem enviadas e compor arquivos de acordo com temas específicos
(doenças ou regiões anatômicas).
A simulação em Radiologia se apresenta como um método que favorece a formação
médica neste sentido, dentro da necessidade de um aprendizado através da repetição, na qual
as técnicas são realizadas previamente por um profissional especialista. O aluno exercita e
depois é avaliado por ele.
61
Fig. 11 – Especialista acompanhando realização de exame à distância
Fonte:http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/pwcidadao/default.php?reg=1&p_secao=150
A utilização de sistemas PACS neste contexto favorece a possibilidade de que os profissionais
e os residentes desenvolvam atividades em conjunto, trocando informações durante e não após o
procedimento. Isto não só aprimora o aprendizado, como também dinamiza o processo com a
utilização de ferramentas como o sistema Teleconsult. Trata-se de um mecanismo inovador que pode
contribuir não apenas para a formação médica em Radiologia, mas também em outras especialidades
que nela se baseiam para o estabelecimento de condutas terapêuticas.
62
CAPÍTULO 4 - A UTILIZAÇÃO DO PACS NA FORMAÇÃO MÉDICA A
DISTÂNCIA
Segundo Gomes et al (2004, p.265), baseado em estudos de Koch (1987) e Tonomura
(1989), no ensino de radiologia nos anos 80
[...] a metodologia de ensino era deficiente, incluindo a ausência de
material didático e de equipamento radiológico. Que tanto eram
deficientes os recursos humanos quanto os equipamentos destinados
ao ensino da Radiologia. [...] as aulas de Radiologia deveriam ser
ministradas por médicos radiologistas, como disciplina obrigatória,
utilizando procedimentos de ensino que permitissem uma maior
participação do aluno, quando o professor assumiria a função de
coordenador das atividades programadas, evitando o excesso de
aulas expositivas.
Nos anos 80, portanto, havia uma realidade em que poucos profissionais da saúde
tinham
formação
em
Radiologia.
Hoje,
principalmente
após
as
tendências
de
interdisciplinaridade, e com o aperfeiçoamento de profissões como a Biomedicina,
Odontologia, Fisioterapia e o surgimento da formação de Tecnologia em Radiologia no
Brasil, novos cursos passaram a agregar o ensino desta disciplina. De acordo com Fernandes
et al (2003, p.364):
De acordo com a informação de dez coordenadores de curso de
graduação em fisioterapia, a radiologia é oferecida como disciplina
específica em 90% dos cursos, recebendo as seguintes
denominações: Radiologia, Radiodiagnóstico, Imagenologia, entre
outros.
Percebe-se que as preocupações presentes nos anos 80 em relação à metodologia de
escolha durante as aulas desta disciplina tendem a aumentar a partir do momento em que
outras áreas além da medicina necessitam desta formação. É necessário avaliar como se dá o
comportamento e a formação docente, para que estes professores possam utilizar ferramentas
que tornem as aulas mais dinâmicas, menos expositivas e que levem os alunos a construir o
seu próprio conhecimento. Além da formação para utilização das TIC de um modo geral, é
necessário avaliar se estes professores utilizam ou não ferramentas que contribuam para os
63
principais objetivos da telemedicina em educação à distância, tornar o aluno mais
independente e promover a interdisciplinaridade.
Este estudo não envolve apenas esta metodologia enquanto ferramenta, leva também
em consideração o processo de formação online no que se refere aos fundamentos e modelos
da EAD. De acordo com Silva (2006, p.12) “o aprendiz encontra no computador conectado a
possibilidade de intervenção nos fluxos de informação e nos processos de aprendizagem,
podendo atuar individual e colaborativamente na construção do conhecimento.” Desta forma,
partir do acesso de imagens pela Internet, é necessário avaliar o preparo dos professores para
atuar dentro de uma nova realidade online, bem como a participação dos alunos como seres
mais autônomos.
As experiências no Brasil que utilizam imagens radiológicas online e que foram
relatadas no terceiro capítulo possuem como principal objetivo o atendimento da população
dentro de uma perspectiva de teleatendimento, ou seja, fazem parte de um conjunto de
atividades envolvendo telerradiologia.
Neste estudo, analisamos a utilização do PACS em uma experiência que possuía
entre seus objetivos a formação médica online a partir da realização de exames de
ultrassonografia à distância por residentes de Medicina Fetal.
Diante do caráter inovador desses sistemas e do fato de sua utilização, na maioria
dos casos estar focada na Telemedicina, o projeto analisado representa uma experiência de
formação médica online baseada na utilização destes recursos interativos, combinando as
propostas de Gomes (2005) e Silva (2006), como objeto de estudo.
A maioria dos projetos analisados, além de priorizar apenas o atendimento médico,
não apresentava como característica o acompanhamento contínuo de residentes de Medicina.
Representavam um instrumento de consulta de segunda opinião para a definição de condutas
médicas à distância, principalmente em situações de urgência e emergência.
Esta pesquisa se desenvolveu baseada na experiência do projeto POA_S@UDE, que
realiza exames de ultrassom à distância por residentes de curso de Medicina e sob a
orientação de especialistas está inserida em um contexto que atende as propostas deste estudo
e dos autores supracitados, possuindo seu foco direcionado para o atendimento médico e
também para a formação médica especificamente. Desta forma, procuramos analisar a
experiência considerando a possibilidade de utilizá-la em uma perspectiva de EAD, uma vez
que há um acompanhamento sistemático destes residentes.
64
Mesmo utilizando ferramentas de um sistema de telerradiologia, se tratam de
residentes da especialidade de medicina fetal que se capacitam na realização de exames de
ultrassonografia gestacional.
4.1 Metodologia
A metodologia utilizada nesta pesquisa foi o estudo de caso e teve por objetivo
analisar como a implantação de um sistema PACS pode ser utilizada como recurso de
formação médica online à distância. Esta análise ocorreu a partir das respostas de
questionários enviados a médicos e residentes em medicina fetal.
Segundo Creswell (2007), as características deste estudo se configuram como
qualitativas, visto que esta possibilita uma compreensão mais aprofundada do fenômeno
estudado. Trata-se de um tipo de pesquisa que fornece dados para que se compreenda e se
desenvolva a relação estabelecida entre os sujeitos e sua situação, podendo agrupar diversas
estratégias de investigação, com o objetivo de estudar um fenômeno no contexto em que está
inserido.
Existe uma preocupação em compreender os fenômenos a partir da perspectiva dos
próprios sujeitos, as questões externas possuem uma importância secundária, portanto, a partir
das especificidades expostas acima em relação à metodologia qualitativa, acreditamos que
esta seria a mais adequada para compreensão do fenômeno que me propusemos a investigar.
A análise da utilização dos PACS como instrumento de formação médica online foi
realizada por meio de estudo de caso, que segundo Yin (2001, p.32) “investiga um fenômeno
contemporâneo dentro de seu contexto da vida real [...]”.
A contemporaneidade do objeto de estudo é comprovada pelo fato de estar inserido na
realidade digital da Radiologia e na Telemedicina, tratando-se de um recurso atual, utilizado
em ambientes hospitalares, que será avaliado no contexto da realidade da formação médica.
O problema levantado nesta pesquisa a direciona para um estudo de caso, pois
também de acordo com Yin (2001, p.21) “[...] os estudos de caso representam a estratégia
preferida quando se colocam questões do tipo “como” e por que” [...]”, ou seja, a pesquisa
busca analisar como o PACS pode ser utilizado como ferramenta de formação médica online.
4.2 O cenário
65
A pesquisa se desenvolveu no HMIPV, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul,
analisando o projeto POA_S@UDE a partir da realização de exames de ultrassom à distância
em postos de saúde do bairro Restinga por residentes em medicina fetal sob a orientação de
médicos especialistas.
O projeto POA_S@UDE apresenta características que podem ser analisadas a partir
de uma perspectiva de educação online, pelo fato de promover um processo de interação entre
um médico especialista e um residente, mesmo tendo como principal objetivo
atender
gestantes de um bairro distante na cidade de Porto Alegre. Essas pacientes são submetidas a
exames de ultrassom, na qual os residentes (médicos em formação) recebem orientações à
distância.
4.3 Os sujeitos
O grupo de participantes da pesquisa foi composto por quatro pessoas (dois
especialistas e dois residentes). Todas já vivenciaram ou estavam vivenciando o projeto
POA_S@UDE na sua residência dentro do HMIPV, tendo como critério de escolha estar
atuando ou ter atuado na realização de exames de ultrassom à distância.
Um residente concluiu seu período de residência e outro se encontra no início de suas
atividades de formação com a utilização de um sistema PACS. Desta forma, consideramos a
opinião de cada um destes protagonistas, a partir das atividades que exercem e do período que
se encontram inseridos no projeto.
O número de sujeitos envolvidos foi pequeno por se tratar de um projeto recente e
destacado na utilização de atividades online envolvendo todos os recursos de exames de
ultrassom, não apenas imagens estáticas, como também por estabelecer um processo de
formação, diferente da maioria das experiências no Brasil. Mesmo assim, todos os
participantes do projeto ao serem convidados, aceitaram colaborar com este estudo.
Representando uma aceitação de 100% (cem pro cento).
Na discussão dos resultados, nos referimos aos especialistas como E1 e E2, e aos
residentes como RS1 e RS2.
66
4.4 Coleta de dados
O primeiro procedimento tomado foi o contato com os especialistas e residentes, bem
como com a coordenação do projeto, a fim de explicitar os objetivos do estudo e solicitar a
colaboração destes para a execução da pesquisa. Todos os participantes aceitaram fazer parte
da pesquisa e formalizaram o consentimento via e-mail.
Neste documento constava o que estava sendo pesquisado e os objetivos. Neste
contato foi combinado um prazo de resposta e como esta aconteceria, de forma que o
participante pudesse sentir-se o mais a vontade possível, respeitando-se aspectos como
privacidade e sigilo.
Os dados foram coletados mediante a aplicação de um instrumento de coleta de dados
semi-aberto com os sujeitos que aceitaram a participação. O questionário consistia em um
roteiro com perguntas gerais, algumas apresentando alternativas de resposta.
Algumas perguntas foram descritivas e as que apresentavam questões objetivas
continham um espaço para a justificativa da resposta, propiciando que fossem coletados dados
pelas respostas subjetivas dos indivíduos, propiciando a realização de uma análise qualitativa
quanto à possibilidade de utilização das experiências deste projeto como recurso de formação
médica online.
Foram respeitadas as exigências éticas e científicas sobre pesquisas que envolvem
seres humanos, considerando questões como a liberdade de escolha dos participantes da
pesquisa, assim como para a desistência, a confidencialidade, privacidade com relação aos
dados mencionados pelos participantes, assegurando que sua imagem e identidade seriam
protegidas.
Realizamos uma identificação, localização e compilação de dados teóricos
encontrados, artigos e produções sobre o tema. A partir desta base teórica, realizou-se um
estudo de campo, com participantes do projeto POA_S@UDE, no qual foram aplicados
instrumentos individuais com médicos especialistas e residentes de Medicina, cujas questões
abordavam as formas com que os PACS são utilizados e a bem como que contribuições estes
recursos trazem ao processo de ensino-aprendizagem.
67
4.5 Análise dos Dados
Os dados coletados foram analisados qualitativamente, de forma que os elementos
fossem organizados de acordo com critérios que levaram a definição de eixos temáticos
relevantes.
A análise de conteúdo foi organizada a partir de uma pré-análise, da exploração do
material, do tratamento dos resultados, de sua inferência e interpretação.
A primeira caracterizada pela pré-análise, sendo a fase de organização propriamente
dita, em que objetiva tornar operacionais e sistematizar as idéias iniciais.
A exploração do material consiste essencialmente de operações de codificação, desconto
ou enumeração, em função de regras previamente formuladas. Por fim, o analista tendo a
disposição resultados significativos e fiéis, pode então propor inferências e adiantar
interpretações a partir dos objetivos previstos, ou acerca de outras descobertas inesperadas.
68
CAPÍTULO 5 - DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A partir da análise dos dados coletados com esta pesquisa, foi possível identificar três
grandes eixos temáticos os quais serviram de subsídio para discussão dos resultados,
considerando a perspectiva da utilização da experiência do projeto POA_S@UDE como
instrumento de formação médica online segundo a perspectiva dos orientadores como também
dos residentes.
Na função de orientadores dos residentes no projeto POA_S@UDE estão médicos
especialistas em medicina fetal. Esta orientação ocorre de forma online, porém no projeto
estes especialistas não exercem a função de professores. Considerando a perspectiva deste
estudo, a análise dos dados coletados junto a estes sujeitos, na medida em que se busca
estabelecer uma perspectiva de EAD, tem por objetivo avaliar suas impressões em relação às
atividades que exercem e em relação a ações do projeto. Visto os aspectos de sigilo, iremos
nos referir a estes especialistas como E1 e E2.
Os residentes em medicina fetal do HMIPV, encontram-se em fase final da residência
(R4) e entre suas atribuições está a realização e supervisão de exames ultra-sonográficos do
pré natal de alto risco e pacientes internadas nas unidades obstétricas. Tratam-se de atividades
práticas realizadas de forma online que representam as colocações de Blank (2006), uma vez
que acontecem durante um processo de aprendizado deste residente. A análise será das
contribuições de dois residentes, na qual o primeiro concluiu sua residência e o segundo
encontra-se no início das atividades. O primeiro foi referido como RS1 e ao segundo como
RS2.
5.1 A prática médica como instrumento de formação
Será feita uma análise a partir dos argumentos de Blank (2006), quando se refere à
necessidade de que o processo de formação médica aconteça através do desenvolvimento de
seu trabalho, a partir de um aprendizado em serviço, como também das considerações de
Batista (2000) sobre a formação dos médicos para exercer a função de professores.
As atividades realizadas no projeto POA_S@UDE e analisadas neste estudo,
representam um método de formação através da prática. Não representa uma prática clínica,
69
como já foi discutido no início deste trabalho, mas combina atendimento a população com
atividades de ensino. A questão fundamental nesta categoria está ligada à percepção dos
participantes do projeto quanto a este caráter educativo da atividade que exercem.
Foi necessário avaliar se houve, em algum momento, algum tipo de formação desses
sujeitos para a realização de atividades de ensino ou se o preparo considerou apenas o caráter
técnico para a realização de exames à distância.
Entre os especialistas, ambos informaram que não tiveram nenhum tipo de formação
neste sentido, sendo que o especialista E1 informou que “o que aconteceu foram várias e
várias reuniões para construirmos uma formatação ideal no sentido de oferecer a maior
segurança possível aos exames”.
Quando questionados sobre a importância da formação para atuar no diagnóstico
online E1 aponta que “a segurança do resultado do exame está relacionado à formação
adequada do especialista e do residente” e E2 coloca que “conhecer o processo e a adequada
visualização de imagens é suficiente para interagir com o residente e auxiliar no diagnóstico
on-line.”
Percebe-se com isso que a expectativa está relacionada às condições da formação no
que se refere à possibilidade de alcançar a realização de tarefas com qualidade no sentido de
obter um resultado satisfatório no diagnóstico do exame.
A partir de um questionamento quanto à formação voltada para atividades de ensinoaprendizagem E1 esclarece que o projeto “não inclui formação para o ensino aprendizado
online”, uma realidade presente nas conclusões dos estudos de Batista (2000), isto é, mesmo
se tratando de uma atividade de formação de residentes, a formação pedagógica do médico
não é algo presente e considerado necessário nas atividades do projeto.
Percebe-se também uma divergência de opiniões entre os especialistas, quando
relacionam a formação do residente para a realização de exames a distância, na medida em
que um aponta que sempre existe e outro que quase sempre há este tipo de atividade.
Quanto aos residentes, RS1 indica que recebeu algum tipo de formação para exercer
atividades online e que esta formação foi apenas “aprender a fazer exame de Ultra-som”. Já
RS2 relata que não recebeu esta formação na medida em que afirma: “Não fiz um
planejamento visando este tipo de formação”.
Sobre a importância da formação dos médicos para atuar no diagnóstico online, a
opinião de RS1 é que:
70
O médico deve ter conhecimento básico sobre o que vai
atuar. No meu caso, eu sou médica ginecologista e
obstetra e estava fazendo uma especialidade em
Medicina Fetal, mas os exames que realizávamos eram
em gestantes de pré –natal de baixo risco, ou seja, na
maioria das vezes eram exames de bebes normais sem
nenhuma mal-formação. O pré-requisito no meu caso
era saber operar o aparelho (saber fazer ecografia
obstétrica) e conhecer as patologias da gestação.
Já na avaliação de RS2 há uma “importância visto que há a necessidade de realizar
este serviço cada vez mais no futuro”. Quanto ao treinamento que receberam para realizar
atividades online, assim como no caso dos especialistas, encontramos uma contradição, na
medida em que RS1 aponta que sempre e RS2 indica que nunca recebeu. Neste caso podemos
considerar a condição relacionada ao tempo de participação no projeto, já que RS2 se
encontra no início de suas atividades, podendo ainda vir a receber qualquer tipo de formação
ao longo de sua residência.
Quando RS1 refere que realiza exames de pacientes de baixo risco, temos que
considerar que pelo fato de ser residente, não existe a prática e a experiência de um
acompanhamento de casos mais complexos, mas talvez alguns momentos nos quais isto
acontecesse, levaria a atividades a ter um caráter mais desafiador, e um certo grau de
segurança por se tratar de uma atividade acompanhada por um especialista.
A prática médica é uma atividade inerente a proposta do projeto de telediagnóstico
analisado e representa a tendência e a necessidade já relatada de utilizá-la no seu processo na
formação profissional. No momento em que nos propomos a analisar as expectativas dos
participantes quanto ao aspecto de formação do projeto, existe também a necessidade de
considerar se existe algum tipo de formação dos médicos para exercer a função de
professores.
Inicialmente, consideremos que o projeto não está inserido em um curso de
Medicina, mas sim em um ambiente hospitalar. Desta forma, não encontraremos a figura do
professor, a avaliação por meio de provas e diferentes disciplinas. A partir das contribuições
relatadas acima, a utilização deste modelo na formação médica, principalmente em cursos de
Medicina, requer que sejam incluídas na proposta inicial de projetos como o POA_S@UDE,
algumas características fundamentais a todo o processo educativo, tais como: a formação
pedagógica dos médicos para atuarem como professores, o domínio das TIC como
instrumento de ensino-aprendizagem e não apenas como objeto de realização de exames a
71
distância e a definição de estratégias de avaliação dos residentes/alunos de cursos de Medicina
a partir da utilização destes recursos de forma online.
Por fim, diante das contribuições analisadas, percebe-se a ausência destas
características no projeto, pelo fato das atividades de ensino não representarem, segundo a
opinião de seus integrantes, o seu principal objetivo, uma vez que representa um processo de
formação informal.
Segundo Costa (2007), uma vez considerada a perspectiva de utilização desta
experiência como EAD, é importante que haja uma sintonia entre seus diferentes focos, o
atendimento a população e o ensino. Desta forma, os aspectos de formação, necessariamente,
devem envolver o não só o preparo para a execução de exames à distância, como também uma
formação pedagógica na qual os orientadores proponham atividades que levem a formação de
médicos que conduzam seu aprendizado de forma autônoma.
A necessidade da formação médica a partir da prática requer que a orientação destas
atividades seja acompanhada, no caso da utilização dos PACS, não apenas de uma série de
recursos tecnológicos, mas também de um processo de capacitação profissional para o
exercício de atividades que façam usos desses recursos de forma online, como também de
uma formação pedagógica adequada daqueles que atuam nessas atividades.
5.2 Arquivamento e comunicação de imagens como ferramenta de EAD
Tomaremos como base na discussão dos dados sobre esta perspectiva, as palavras de
Nobre (2005), quando aponta que a radiologia tem se beneficiado da Telemedicina nas áreas
de telediagnóstico, segunda opinião e EAD, no momento em que consideramos a formação
médica através dos recursos interativos dos sistemas PACS, relacionando com as
considerações de Silva (2006) sobre as questões da interação na EAD e Amem (2006), acerca
do desenvolvimento de habilidades para trabalhar com estes recursos.
Há uma série de benefícios referentes à utilização dos sistemas PACS na formação
médica que podem ser percebidos no objeto de análise deste estudo. Os exames são realizados
à distância e é desta maneira que ocorre todo o processo de interação entre o especialista e o
residente, pois ambos encontram-se, como afirma Silva (2006), diante de um computador no
qual existe a possibilidade de interação não apenas entre eles, mas também com os próprios
recursos do método diagnóstico. A interação com o método está relacionada à possibilidade
72
de estar distante de um equipamento de radiodiagnóstico, e mesmo assim acessar todas as
funções inerentes ao exame.
A partir do momento em que o residente executa qualquer tipo de função ligada ao
procedimento, é possível que haja um acompanhamento, uma intervenção, ou uma sugestão
de ambas as partes para o melhor andamento e resultado das atividades.
Assim, as questões relacionadas à utilização dos sistemas PACS como ferramenta de
EAD, representa a mais complexa categoria de análise deste estudo.
Antes de nos determos a itens mais específicos, tais como a avaliação e realização de
tarefas por parte dos residentes, analisaremos como ocorre, de acordo com a perspectiva dos
integrantes do projeto, os processos de motivação e interação tão necessários e tão
mencionados em diversas publicações acerca da educação online.
A partir de um questionamento sobre a preocupação em motivar os residentes durante
as atividades, tanto os especialistas como os próprios residentes afirmam existir este estímulo,
porém não apontaram a maneira como isso acontece. Da mesma forma, todos registram que
sempre há colaboração de todos os participantes do projeto, sendo que E2 destaca que “o
resultado é fruto das ações de vários indivíduos desde os encarregados com transporte,
técnicos de informática, residentes, orientadores e equipe de profissionais dos postos de
saúde”.
Mesmo sendo evidente a colaboração por parte de todos os integrantes, era importante
considerar se em algum momento essas atividades passaram por algum tipo de dificuldade de
aprendizagem pelo fato de atividades serem realizadas a distância, mas sem uma justificativa,
os residentes apontaram que nunca ocorreram dificuldades e entre os especialistas. Ambos
colocam que isso raramente acontece, apesar de não terem descrito o tipo de dificuldade.
O fato de considerar que as atividades à distância não influenciam e não causam
dificuldades ao aprendizado dos residentes, leva a considerar que os argumentos de Nobre
(2005) retratam o benefício do telediagnóstico dentro da Telemedicina, não apenas na
perspectiva do teleatendimento da população, por meio de teleconsulta e segunda opinião,
mas também quando afirma tratar-se de uma especialidade que possui atividades que podem
ser utilizadas na EAD.
A forma como se dá o desempenho das atividades dos residentes, configura-se
também em um item muito importante na avaliação do projeto segundo uma perspectiva de
EAD. Um dos desafios da proposta é uma comparação necessária entre a atividade e avaliação
dos residentes que realizam exames de forma online se comparada a uma forma presencial.
73
Desta forma, tanto os especialistas como os residentes foram questionados sobre a melhor
modalidade, online e ou presencial para fins de avaliação.
O acompanhamento online por um especialista, segundo E1, propicia sempre uma
melhor avaliação se comparada a uma atividade presencial, porém E2 argumenta que não se
trata da melhor modalidade, uma vez que presencialmente, “sem dúvida, a avaliação do
residente durante a execução do exame se faz mais adequadamente porque permite observar
sua destreza”. Na opinião dos residentes, RS1 acredita que a possibilidade de ser avaliado de
forma online sempre é a melhor opção, se comparada à modalidade presencial, na qual esta
avaliação muitas vezes ocorre depois que o procedimento foi executado. Segundo RS1, “a
avaliação se dá justamente pela “liberdade” do residente em fazer o exame, o especialista
orienta como melhorar as imagens necessárias para a realização do exame, verifica se está
tudo dentro do normal ou se necessita de uma melhor avaliação no centro de referência”.
Esta contribuição demonstra o aspecto de independência dos alunos em atividades
online, que acaba por se refletir no perfil do médico traçado por Costa (2007), isto é, um
médico capaz de conduzir suas ações de forma autônoma, assim como seu processo de
formação ao longo de sua carreira.
Ainda, de acordo com RS2, quase sempre a avaliação online se destaca diante da
presencial, pois segundo ele isso “depende muito da situação e posição do feto”. Neste
aspecto, RS2 está apresentando uma dificuldade de interpretação das imagens apresentadas
em virtude de uma situação que independe de sua vontade e que pode ser reflexo do fato dele
se encontrar ainda no início do seu processo de formação para a realização destes exames,
representando uma situação que pode ser considerada como inexperiência.
Pelo fato de se tratar de um exame realizado em tempo real, durante o
acompanhamento o especialista tem a oportunidade de questionar o residente sobre as
imagens que estão sendo exibidas de forma online, através de um contato por áudio e vídeo.
Os dois especialistas afirmam que realizam sempre este tipo de questionamento, e E2 destaca
que isso acontece continuamente através do seguinte argumento: “Converso com o residente
questionando a avaliação de determinados aspectos em ultrasom e sua relevância clínica.
Instigo-o a procurar determinadas estruturas de difícil abordagem”.
Diante dos argumentos de Silva (2006), a possibilidade dos recursos utilizados
permitirem que a interação entre especialista e residente seja recíproca, é importante avaliar o
nível de questionamento dos residentes e, quando questionados sobre este aspecto, R1 afirma
que sempre questiona o especialista, pois, segundo ele, “o questionamento faz parte do
74
aprendizado, mas na grande maioria das vezes são exames normais. Todavia, de acordo com
RS2, ele quase sempre realiza estes questionamentos, mas argumenta que “é natural que as
dúvidas apareçam”. O importante deste aspecto é considerar que ele representa uma
oportunidade de interação muito rica.
Essa interação não se reflete apenas nos momentos em que os residentes podem
esclarecer dúvidas ou serem questionados por quem os orienta, mas também representa um
espaço de contribuição desses residentes, no qual eles podem emitir suas opiniões sobre as
imagens analisadas contribuindo no diagnóstico dos exames. Os especialistas indicam que
raramente os residentes contribuem opinando sobre os exames e não apresentaram
justificativas para o fato, por outro RS1 afirma que isto sempre acontece, pois, de acordo com
ele, “sempre que necessário existe troca de idéias”, porém de acordo com RS2, ele raramente
apresenta sugestões durante os exames, pois “as melhoras ocorrem aos poucos”. Novamente,
é necessário considerar que através do uso da expressão “aos poucos”, RS2 pode acreditar
ainda é cedo para que ele emita alguma opinião em relação aos exames.
Por se tratar de uma atividade não só de aprendizado na realização de exames, mas
também de emissão de laudos virtuais, se faz necessário saber quem é o responsável por esta
emissão. Em uma experiência já relatada neste estudo (AZEVEDO, et al 2005), os exames
laudados virtualmente pelos residentes do Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto recebem um
status de provisório até serem revisados pelos especialistas. Diante disto, julgamos importante
saber de quem é a responsabilidade dos laudos dos exames realizados no projeto
POA_S@UDE. Pelo questionamento feito aos próprios residentes, eles afirmaram que nunca
a responsabilidade é papel deles. De acordo com RS1, “a conclusão do exame é realizada
sempre pelo especialista”, mas para RS2 esta atividade “é papel dos dois”, isto é, especialista
e residente. É possível concluir que por se tratar de uma atividade de aprendizado, somente
com a supervisão e avaliação final dos especialistas estes exames concluídos podem ser
liberados.
Sobre as tarefas apresentadas pelos residentes, o especialista E1 aponta que quase
sempre estas são apresentadas com qualidade, porém, para RS2, esta sempre é uma
característica destas tarefas.
Um dos pontos importantes dessa análise, pelo fato de ser uma atividade de ensino
online é a independência dos residentes. Analisamos este caráter mediante algumas
características do projeto já levantadas neste capítulo, mas uma vez que o objetivo é analisar
as percepções dos protagonistas do POA_S@UDE foi importante avaliar se estes acreditam
75
que as atividades propiciam essa independência. Um dos especialistas, E1, acredita que os
residentes são independentes na realização e interpretação dos exames, sem depender,
exclusivamente, da opinião dos especialistas, mas para E2 isto nunca acontece.
Na consideração dos residentes, encontramos a mesma situação, ou seja, RS1
considera que nunca é independente nestes aspectos, e justifica argumentando que “o exame é
realizado pelo residente em conjunto com o especialista, porém a decisão das imagens
selecionadas e a conclusão do laudo do exame é feita, exclusivamente, pelo especialista”. Para
R2, sua participação é sempre independente, pois acredita que a busca por essa postura o
contribui para a sua própria auto-avaliação.
A hipótese de uma auto-avaliação reflete um caráter importante na medida em que
esse residente procura se cobrar e aprimorar suas tarefas cada vez mais.
Mesmo diante de todas as características presentes em uma atividade de educação
online, devemos considerar a possibilidade de que esta não seja uma modalidade exclusiva de
ensino. É possível que haja a possibilidade de combinar atividades presenciais com atividades
online, portanto, diante da perspectiva de utilizar a experiência do POA_S@UDE como forma
de EAD, baseado na experiência dos sujeitos envolvidos no projeto, procuramos saber a
opinião de todos quanto à necessidade de que as atividades incluíssem momentos presenciais.
Para os especialistas, é necessário, tanto que para E1 “são imprescindíveis momentos
presenciais” e para E2, a atividade presencial “deve fazer parte de um ensino mais global,
com a nossa presença (do orientador) na maioria dos momentos”. No caso dos residentes, R1
afirma que “dependendo do exame a ser realizado, com certeza é necessário que ocorra
algumas atividades presenciais”, enquanto para RS2 “Por vezes necessita-se que seja
realizada atividade presencial, por se tratar de uma atividade prática que exige experiência”.
A necessidade de alguns encontros presenciais em determinados momentos também
se reflete em outra questão abordada na coleta de dados, se todas as atividades podem ser
realizadas pelos residentes ou se alguma depende exclusivamente dos especialistas. Os
especialistas indicam que isto sempre acontece, tanto que para E1 “ao tipo de exame que é
proposto o residente pode desempenhar-se em todas as atividades e para E2 “No projeto POA
Saúde, o residente executa os exames e elabora os laudos, ambas as atividades
supervisionadas pelo orientador”. No caso dos residentes, RS1 aponta que sempre realiza
todas as tarefas, mas na opinião de RS2 isso ocorre quase sempre. Na opinião de RS1 “O
residente realiza todas as suas funções referentes ao exame exceto laudar o exame, que é feito
76
pelo especialista” e RS2 coloca que as “atividades de maior complexidade como exames
especiais necessitam que o especialista esteja junto fisicamente”.
Há algumas divergências de opiniões entre os participantes, principalmente no que
se refere às atribuições de cada um que estão relacionadas a alguns fatores que merecem
destaque:
- um maior tempo de participação do residente em projetos de telediagnóstico, faz com que
ele torne-se mais independente e maior conhecedor de suas atribuições;
- a avaliação do residente é uma atividade dependente de momentos presenciais de forma que
suas habilidades possam ser avaliadas na realização de exames de ultrassom;
- as contribuições dos residentes na realização dos exames também variam de acordo com o
seu tempo de participação na realização de tarefas à distância na medida em que um maior
tempo faz com ele adquira maior confiança;
- realizar todas as tarefas relacionadas aos exames, incluindo os laudos, só poderá ocorrer a
partir do momento em que a formação do residente for concluída.
5.3 O projeto POA_S@UDE em uma perspectiva de formação médica online
Na análise desta categoria utilizaremos a definição de Oliveira (2004) quando inclui a
EAD nas ações de Telemedicina, com o objetivo de analisar a possibilidade de que a
experiência do projeto POA_S@UDE seja utilizada para este fim. Consideraremos também a
necessidade de uma formação médica generalista, crítica e reflexiva apontada por Arcoverde
(2007) refletindo na proposta descrita por Costa (2007) relacionadas ao perfil do médico
formado.
Na avaliação da possibilidade de utilizar o projeto POA_S@UDE como um modelo de
formação médica online é importante considerar a impressão de seus participantes a partir
desta perspectiva. Para os especialistas, orientadores deste projeto, desde sua implantação o
projeto apresentou este objetivo.
No caso dos residentes, existem opiniões divergentes, a partir do momento que RS1
argumenta que “a idéia inicial era dar acesso aos exames de imagem às pacientes que moram
em locais afastados do grande centro da cidade, sem que elas tivessem que se deslocar ou
deixar de ir por motivos diversos como com que deixar seus filhos”, isto é, considera que o
objetivo principal é o atendimento médico não possuindo um foco em atividades de ensino.
Na opinião de RS2 o projeto “objetiva a formação do R4, mas não atua muito nos demais
77
residentes”. Nesse caso, salienta que para apresentar um caráter de formação médica, o
projeto deveria incluir um maior número de residentes atuando na realização destes exames.
Analisando o projeto da forma como ele se apresenta, com um número restrito de
sujeitos envolvidos e com as atividades sendo realizadas no hospital com a finalidade de
atendimento a população, por algumas vezes torna-se difícil imaginar um foco principal de
suas atividades na formação de médicos, diferente de uma situação na qual toda a tecnologia
envolvida estivesse implantada em uma universidade ou em um hospital universitário, locais
onde a quantidade de estudantes é maior. Desta forma, procuramos avaliar, na opinião dos
participantes do POA_S@UDE, se eles acreditavam que tratava-se de uma experiência que
deveria ser seguida nos cursos de Medicina. Na avaliação dos especialistas, E1 ressalta que “o
objetivo principal do projeto é o atendimento da população carente, amplia o campo de
estágio para o residente e isto é benéfico em sua formação, mas não acredito que isso deva ser
obrigatório”. Pelo argumento de E2, “o projeto muito interessante no aprendizado do
residente porque permite que este atue com autonomia junto à comunidade, porém com
vigilância contínua que o protege e o assiste frente às dúvidas e dificuldades”.
Na opinião dos residentes, RS1 indica que “sem dúvida nenhuma deveria ser
seguido como ensino a distância unido ao atendimento da população” enquanto RS2 indica
que a experiência “deve ser seguida , à medida que se estenda aos estudantes e residentes”.
Por fim, a partir da opinião dos participantes, percebemos que este é um projeto que
deve ser utilizado em uma perspectiva de EAD, de acordo com os argumentos coletados. Para
E1 a modalidade deve ser seguida “nos mesmos moldes da utilizada, ampliando campo de
estágio e levando para locais distantes, recursos que não seriam acessíveis a esta população”.
De acordo com E2, a experiência deve ser utilizada “sem dúvida” como EAD.
Para os residentes, RS1 indica que “com certeza” o modelo do projeto deve ser
seguido como formação online e RS2, aponta que “pode ser a base do futuro desta formação”.
Na tabela a seguir estão relacionadas às características positivas e negativas
apontadas pelos protagonistas do projeto POA_S@UDE.
78
Tabela 1 - Características do Projeto POA_S@UDE
CARACTERÍSTICAS POSITIVAS
CARACTERÍSTICAS NEGATIVAS
Atendimento a população carente
Transferências de imagens às vezes com
interferências
Formação de especialistas
Utilização
Desenvolver tecnologia da saúde
de
equipamentos
de
ultrassonografia portáteis com baixa resolução
Integração de unidades de saúde participantes
e
limitações
diagnósticas,
necessitando
complementação no hospital
Fácil acesso da gestante à assistência médica,
Dificuldades de comunicação por razões
no caso da ultrassonografia
técnicas
Treinamento do residente
Permite
ao
orientador executar funções
simultâneas
Estímulo
do
aprendizado
e
ganho
de
experiência do residente
Maior demanda de pacientes nos seus bairros
e no serviço central
Fonte: Contribuições dos participantes das pesquisa através da resposta de questionários
Com base nos argumentos de Silva (2006), verificamos que um modelo do projeto
POA_S@UDE, se seguido por universidades e cursos de formação médica, representa a
possibilidade do aprendiz ser capaz de intervir e contribuir diretamente na sua formação, nas
atividades que são propostas a ele e de colaborar a todo momento com a troca de informações
que acabam por construir todo o seu conhecimento. Tudo isto de uma maneira inovadora e a
partir de um aperfeiçoamento que ocorra durante a realização do seu trabalho.
Para isto, as instituições que utilizarem este modelo, deverão investir na capacitação
desses orientadores, agora professores, de modo que as atividades desenvolvidas por eles
permitam que os alunos tenham a liberdade, referida na coleta de dados, para construir seu
conhecimento. Além disso, de acordo com Blank (2006), as atividades de avaliação deveriam
79
ser focadas no aprendizado prático, avaliando o treinamento em serviço, na simulação do
ambiente profissional real.
Assim, seria também interessante que os alunos tivessem contato com a maior
variedade possível de casos, simples ou complexos, pois isso faria com que o aprendizado não
se detivesse apenas à realização dos exames, mas também à valorização de um conhecimento
mais amplo, complexo, interdisciplinar, com o desenvolvimento de habilidades que levem a
um pensamento cada vez mais crítico.
A experiência analisada envolveu a realização de exames de apenas uma modalidade
diagnóstica, mas o investimento na utilização de sistemas PACS em instituições educacionais
permite que outros tipos de exames radiológicos sejam utilizados nos mesmos moldes,
representando uma importante ferramenta de formação médica online em radiologia e nas
demais especialidades médicas.
80
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A formação médica representa uma atividade complexa, pois mesmo que um
profissional se especialize em uma única área, sempre há a exigência de um conhecimento
interdisciplinar para que ele possa atuar na sua prática profissional. Nenhuma especialidade é
isolada, é necessário em muitos momentos buscar informações e conhecimento nas demais
para a determinação de uma conduta médica adequada.
Por esta necessidade de uma busca constante por novos conhecimentos e também por
uma relação entre eles, a educação online surge como um importante meio de alcançar este
objetivo, através de acesso instantâneo a novas informações através de meios como a Internet.
Surgem as experiências de telemedicina, projetos que buscam uma interconexão entre
práticas e experiências médicas entre grandes instituições de ensino e pesquisa, e também
permitindo que localidades distantes também possam se conectar com profissionais presentes
nestes centros avançados.
A tendência, a partir de um acesso a um número cada vez maior de informações, é que
os médicos do futuro tenham uma formação cada vez mais generalista, conhecedores um da
área do outro e que esta busca aconteça através do acesso a especialidades como a
telerradiologia, telecardiologia, teledermatologia, entre outros exemplos. Em cada uma destas,
podemos encontrar grupos específicos de debates, nos quais profissionais e alunos,
independente da área de atuação, podem participar de debates por vídeo e teleconferência,
assim como acessar informações pela Internet.
Encontramos no Brasil experiências importantes que contribuem para a formação
médica à distância, ligadas à instituições de destaque como a Unifesp, Fiocruz e grandes
hospitais. Em todas elas existem recursos de EAD que através de comunidades virtuais
reúnem alunos e profissionais da mesma área de atuação e interesse.
Além desses grupos de discussão, encontramos também projetos que desenvolvem
atividades práticas que ocorrem de forma online, seja no atendimento médico da população ou
em uma perspectiva de ensino na área médica. No Brasil encontramos vários projetos,
dedicados às diversas especialidades da Medicina e, dentre elas, umas das que mais se
destacam utilizam imagens de exames radiológicos em rede para fins de consulta de uma
segunda opinião ou como ferramenta de formação médica.
81
Representando o objeto de estudo deste trabalho, os sistemas PACS permitem uma
utilização variada, desde o tráfego em rede de imagens em hospitais, entre cidades distantes,
ou de forma online como forma de consulta ou ferramenta de ensino.
Na perspectiva educacional, da mesma forma que qualquer atividade na EAD, a
utilização do PACS na formação médica requer uma avaliação aprofundada destas atividades
e da capacitação dos indivíduos envolvidos, não só de um conhecimento pedagógico por parte
daqueles que exercem a função de professores, mas também de um preparo específico para
atuar em ambientes de educação online.
A falta de formação pedagógica desses profissionais não está ligada apenas à falta de
interesse por parte dos médicos de investir neste tipo de capacitação, pois não podemos deixar
de considerar que mesmo sendo a EAD um dos focos das atividades de telemedicina, é difícil
encontrar dentro de suas especialidades projetos que possuam na formação o seu principal
objetivo.
Diante da realidade social brasileira, as atividades de telemedicina estão, na sua
maioria, direcionadas ao atendimento da população em situações em que a distância é um
fator crítico. É necessário que além da implementação desses sistemas, tenhamos a
possibilidade de que eles atendam, sob a ótica da EAD, um grande número de instituições e
de alunos.
Analisamos um projeto que reduz a fila de espera por um exame de ultrassom, por
isto possui um papel social muito importante no atendimento da população carente, e que
representa o exemplo de uma experiência bem sucedida também na formação de residentes.
Assim, a partir da definição de atividades mais direcionadas para este aspecto educativo, com
a ampliação do número de aprendizes, do número de instituições envolvidas e do acesso de
indivíduos que estejam em locais distantes, como se propõem as atividades de telemedicina,
se trata de uma experiência a ser seguida por cursos na área médica.
Da mesma forma como os procedimentos médicos têm se beneficiado e se
desenvolvido juntamente com o avanço tecnológico cada vez mais rápido, esta mesma
tecnologia em pouco tempo representará a base da formação em Medicina, de acordo com o
perfil do médico do futuro.
Neste futuro, deveremos pensar que os hospitais universitários poderão contar com
sistemas PACS, interligando suas clínicas e suas salas de aula, nas quais os alunos possam
contar com uma ampla estrutura que organize todas as imagens em dos mais variados
métodos de diagnóstico em um servidor único. Neste caso, estes exames poderiam ser
82
agrupados de acordo com cada especialidade, de modo que todos os professores passem a
utilizá-los como ferramenta didática e instrumento de discussão, interação e, certamente, de
construção de conhecimento.
A Radiologia é uma especialidade de um caráter interdisciplinar marcante, pois
todas as especialidades solicitam exames, portanto, todos devem ter um conhecimento
aprofundado pelo menos daquelas imagens relacionadas a exames da sua especialidade. Por
esta razão, não está sendo apresentada uma proposta exclusiva para o ensino na área de
diagnóstico, a implantação do PACS poderá envolver a formação de qualquer aluno,
independente da especialidade que esteja focado.
As atividades de ensino-aprendizagem, se tratando de hospitais universitários, por
exemplo, podem ser enriquecidas em grupos de interesse pertencente à RUTE, com a
participação de hospitais de todo o Brasil em momentos de consulta à distância, segunda
opinião e implantação de cursos de educação continuada online.
É necessário avaliar que a experiência POA_S@UDE pode representar um grande
projeto de telemedicina e educação online, a partir do momento em que se una a outros
projetos, ampliando o número de pessoas e instituições participantes fazendo com que elas
troquem informações entre si a partir troca de experiências entre os projetos as quais
pertencem.
A partir das contribuições dos participantes da pesquisa, concluímos que as
atividades realizadas neste projeto do HMIPV não estão presentes apenas nas rotinas de
atendimento hospitalar, mas estão inseridas em um contexto de formação médica online.
Trata-se de uma experiência que comprova algumas hipóteses levantadas a partir da questão
fundamental desta pesquisa, isto é, permite a realização de atividades de ensino online a partir
de programas que simulam equipamentos de radiodiagnóstico e promovem, de maneira
dinâmica, a discussão de exames entre médicos em formação e especialistas.
Concluímos que a utilização do PACS como ferramenta de EAD pode representar um
meio de interação entre os sujeitos na medida em que podem trocar informações sobre exames
realizados em tempo real e promover a realização de atividades que motivam aqueles que
utilizam estes recursos.
83
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no Brasil. In: SANTOS, Alaneir F.; SOUZA, Cláudio; ALVES, Humberto J. In: SANTOS,
Alaneir F.; SOUZA, Cláudio; ALVES, Humberto J Telessaúde: um instrumento de suporte
assistencial e educação permanente. Belo Horizonte: UFMG, 2006.
YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2ed. Porto Alegre: Bookman,
2001.
87
ANEXOS
88
Anexo 1 – QUESTIONÁRIO DOS ESPECIALISTAS DO PROJETO POA_S@UDE
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Prezado (a) senhor (a)
Você está sendo convidado (a) a responder este questionário que possibilita a avaliação de
uma nova proposta de formação médica utilizando comunicação de imagens radiológicas.
Esta pesquisa contribuirá para a dissertação de mestrado intitulada “A FORMAÇÃO
MÉDICA ONLINE POR MEIO DO ARQUIVAMENTO E COMUNICAÇÃO DE
IMAGENS RADIOLÓGICAS”. Considerando a escala abaixo, assinale na coluna
correspondente o conceito a ser conferido a cada item. Não deixe nenhum sem resposta. Sua
contribuição é muito importante para este estudo. Agradeço pela sua colaboração.
Alexandre Nogueira dos Santos
Mestrando em Educação Brasileira
anogsan@gmail.com
QUESTIONÁRIO
1.Você considera que o projeto POA_S@UDE, desde sua implantação, teve, entre seus
objetivos, a formação de residentes em medicina fetal à distância ?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
__________________________________________________________________________
2.Baseado na sua experiência, os exames de ultrassom a distância com acompanhamento
online por um especialista, propicia uma maior avaliação do residente, se comparada a uma
modalidade presencial na qual o exame é realizado e avaliado posteriormente?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
__________________________________________________________________________
3.Como especialista em radiologia, você questiona o residente a partir do que está sendo visto
nos exames, como forma de avaliação de aprendizado?
89
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
_________________________________________________________________________
4.Os residentes apresentam sugestões durante ou depois da interação, objetivando uma
melhoria no seu processo de formação?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
_________________________________________________________________________
5.Os residentes apresentam as tarefas com qualidade?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
__________________________________________________________________________
6.Os residentes procuram ser independentes na realização e interpretação dos exames sem
depender, exclusivamente, da opinião do especialista?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
___________________________________________________________________________
7.Você acha que a experiência do projeto POA_S@UDE deve ser seguida em cursos de
Medicina, como meio de educação a distância ou trata-se de uma modalidade diagnóstica que
deve ter apenas como objetivo o atendimento da população?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
8.A realização de exames a distância, é uma modalidade que garante o aprendizado do
residente, ou existe a necessidade de que esta atividade também seja realizada em momentos
presenciais?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
90
9.Os residentes realizam todas as atividades relacionadas aos exames, ou existe alguma que
depende exclusivamente do médico especialista que o acompanha?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
__________________________________________________________________________
10.Quais principais características você pode destacar sobre o projeto POA_S@UDE?
Características positivas:
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
Características negativas:
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
FORMAÇÃO
11.Você recebeu algum tipo de formação para atuar na realização de exames a distância?
( )sim.
Qual______________________________________________________________________
( )não.
Porquê?____________________________________________________________________
12.Qual a importância da formação dos médicos para atuar no telediagnóstico online?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
13. A sua formação (se houver) possui apenas um caráter técnico, voltado para a realização
de exames, ou inclui formação para atividades de ensino-aprendizagem online?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
14.Os residentes recebem algum tipo de treinamento específico para atuar realizando exames
de forma online?
91
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
_________________________________________________________________________
INTERAÇÃO
15.Houve alguma preocupação em motivar os residentes durante as atividades?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
__________________________________________________________________________
16.Há uma colaboração de todos os sujeitos pertencentes ao projeto, independente da função?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
___________________________________________________________________________
17.Ocorreram problemas ou dificuldades de aprendizagem pelo fato da realização das
atividades e da avaliação ocorrer a distância?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
___________________________________________________________________________
18.Você acredita que experiências como a do projeto POA_S@UDE, podem ser utilizadas
em uma perspectiva de educação a distância e online na formação médica?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
92
Anexo 2 – QUESTIONÁRIO DOS RESIDENTES DO PROJETO POA_S@UDE
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Prezado (a) senhor (a)
Você está sendo convidado (a) a responder este questionário que possibilita a avaliação de
uma nova proposta de formação médica utilizando comunicação de imagens radiológicas.
Esta pesquisa contribuirá para a dissertação de mestrado intitulada “A FORMAÇÃO
MÉDICA ONLINE POR MEIO DO ARQUIVAMENTO E COMUNICAÇÃO DE
IMAGENS RADIOLÓGICAS”. Considerando a escala abaixo, assinale na coluna
correspondente o conceito a ser conferido a cada item. Não deixe nenhum sem resposta. Sua
contribuição é muito importante para este estudo. Agradeço pela sua colaboração.
Alexandre Nogueira dos Santos
Mestrando em Educação Brasileira
anogsan@gmail.com
QUESTIONÁRIO
1.Você considera que o projeto POA_S@UDE, desde sua implantação, teve, entre seus
objetivos, a formação de residentes em medicina fetal à distância ?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
__________________________________________________________________________
2.Baseado na sua experiência, os exames de ultrassom a distância com acompanhamento
online por um especialista, propicia uma maior avaliação do residente, se comparada a uma
modalidade presencial na qual o exame é realizado e avaliado posteriormente?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
__________________________________________________________________________
3.Como residente em radiologia, você questiona o especialista a partir do que está sendo visto
nos exames, como forma de avaliação de aprendizado?
93
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
___________________________________________________________________________
4.Como residente você apresenta sugestões durante ou depois da interação, objetivando uma
melhoria no seu processo de formação?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
___________________________________________________________________________
5.Geralmente a conclusão do exame realizado e apontada pelo residente, ou é papel do
especialista?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
___________________________________________________________________________
6.Como residente você procura ser independente na realização e interpretação dos exames
sem depender, exclusivamente, da opinião do especialista?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
___________________________________________________________________________
7.Você acha que a experiência do projeto POA_S@UDE deve ser seguida em cursos de
Medicina, como meio de educação a distância ou trata-se de uma modalidade diagnóstica que
deve ter apenas como objetivo o atendimento da população?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
8.A realização de exames a distância, é uma modalidade que garante o aprendizado do
residente, ou existe a necessidade de que esta atividade também seja realizada em momentos
presenciais?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
94
9.Os residentes realizam todas as atividades relacionadas aos exames, ou existe alguma que
depende exclusivamente do médico especialista que o acompanha?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
__________________________________________________________________________
10. Quais principais características você pode destacar sobre o projeto POA_S@UDE?
Características positivas:
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
Características negativas:
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
FORMAÇÃO
11.Você recebeu algum tipo de formação para atuar na realização de exames a distância?
( )sim.
Qual?_____________________________________________________________________
( )não.
Porquê?____________________________________________________________________
12.Qual a importância da formação dos médicos para atuar no telediagnóstico online?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
13. A sua formação (se houver) possui apenas um caráter técnico, voltado para a realização
de exames, ou inclui formação para atividades de ensino-aprendizagem online?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
14.Você recebeu algum tipo de treinamento específico para atuar realizando exames de forma
online?
95
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
__________________________________________________________________________
INTERAÇÃO
15.Houve alguma preocupação em motivar os residentes durante as atividades?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
___________________________________________________________________________
16.Há uma colaboração de todos os sujeitos pertencentes ao projeto, independente da função?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
___________________________________________________________________________
17.Ocorreram problemas ou dificuldades de aprendizagem pelo fato da realização das
atividades e da avaliação ocorrer a distância?
( ) sempre
( ) quase sempre
( ) raramente
( ) nunca
Justifique sua resposta:
___________________________________________________________________________
18.Você acredita que experiências como a do projeto POA_S@UDE, podem ser utilizadas
em uma perspectiva de educação a distância e online na formação médica?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
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