Paulo Marinho Gomes

Título da Dissertação: "Integração de mídias no piloto do programa de formação continuada de professores em mídias na educação"

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                    Paulo Marinho Gomes

INTEGRAÇÃO DE MÍDIAS NO PILOTO DO PROGRAMA
DE FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES EM
MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

Maceió-AL
2008

Paulo Marinho Gomes

INTEGRAÇÃO DE MÍDIAS NO PILOTO DO PROGRAMA
DE FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES EM
MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

Dissertação apresentada ao Programa de
Pós-Graduação
em
Educação
da
Universidade Federal de Alagoas como
requisito parcial para a obtenção do título de
Mestre em Educação, orientada pelo Prof. Dr.
Luis Paulo Leopoldo Mercado.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
MESTRADO EM EDUCAÇÃO

Maceió-AL
2008

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale
G633i

Gomes, Paulo Marinho.
Integração de mídias no piloto do programa de formação continuada de
professores em mídias na educação / Paulo Marinho Gomes. – Maceió, 2008.
110 f. : il.
Orientador: Luís Paulo Leopoldo Mercado.
Dissertação (mestrado em Educação Brasileira) – Universidade Federal de
Alagoas. Centro de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação
Brasileira. Maceió, 2008.
Bibliografia: f. 108-110.
1. Educação à distância. 2. Professores – Formação. 3. Tecnologia da
informação. I. Título.
CDU: 37.018.43

Dedico este trabalho ao Prof. José
Damasceno Lima, ícone da educação,
exemplo de humildade e competência, com
quem aprendi que vigor, motivação e
eficiência não dependem da idade, mas da
dedicação e do amor ao trabalho.

AGRADECIMENTOS

A minha família pela compreensão nos momentos em que me ausentei
durante a elaboração deste trabalho.
Ao Professor Dr. Luis Paulo Leopoldo Mercado pela oportunidade e
dedicação na orientação.

À professora Dra. Cleide Jane de Sá Araújo Costa e ao Professor Dr. Fábio
Paraguaçu Duarte da Costa, pelas orientações nas correções e nos rumos
dados ao trabalho.

Ao Professor Dr. Edmilson Correia Veras pela relevante participação na
Banca Examinadora.

Aos colegas com quem compartilhamos angústias, alegrias e nos auxiliaram
na aprendizagem durante as aulas.

Aos cursistas do curso piloto pela valiosa colaboração na pesquisa e
disponibilidade em nos atender.

A todos que contribuíram das mais diversas formas para a concretização
desta pesquisa.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ...................................................................................................

10

1 INTEGRAÇÃO DAS TIC NA PRÁTICA DOCENTE .......................................

15

1.1 Importâncias das TIC na Escola ..................................................................

18

1.2 Integração das TIC no Currículo da Escola ................................................

21

1.3 Formação de Professores para Uso das Mídias...........................................

27

2 FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES EM EDUCAÇÃO A
DISTÂNCIA: PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA EM MÍDIAS NA
EDUCAÇÃO........................................................................................................

34

2.1 A EAD nas Políticas Públicas.......................................................................

37

2.2 Programa de Formação Continuada de Professores em Mídias na Educação
...........................................................................................................

43

3 ANÁLISE DA INTEGRAÇÃO DAS MÍDIAS NA PRÁTICA PEDAGÓGICA
DOS CURSISTAS DO PROGRAMA MÍDIAS NA EDUCAÇÃO .......................

50

3.1 O Método ......................................................................................................

50

3.2 Análise das atividades dos alunos do Projeto Piloto do Programa de
Formação Continuada de Professores em Mídias na Educação........................

54

3.3 Descrição e Análise dos Projetos Finais dos alunos Concluintes do Piloto do
Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação .....................

75

3.4 Análise das entrevistas dos cursistas ..........................................................

83

CONCLUSÃO ....................................................................................................

102

REFERÊNCIAS ..................................................................................................

107

RESUMO

Esta pesquisa realiza um estudo de caso do Curso Piloto do Programa de
Formação Continuada em Mídias na Educação em Alagoas, analisando o
resultado dos projetos finais dos cursistas a partir da observação do conteúdo
do curso, atividades e das falas dos cursistas em entrevista semi-estruturada,
com a finalidade de investigar a integração de mídias que foi o objetivo do
Piloto. Apresenta como fundamentos teóricos a integração das Tecnologias
de Informação e Comunicação na formação de professores e na prática
docente e faz uma análise das políticas públicas na formação de professores
em EAD e descreve o Projeto Piloto. Consolida-se com a apresentação dos
resultados da pesquisa caracterizando o Projeto como relevante no contexto
de formação continuada e de integração das mídias.

Palavras-chaves: Formação de Professores em EAD; Mídias na educação;
Integração de mídias.

ABSTRACT

This research makes a case study of Pilot Course of Continuous Formation in
Education Media at Alagoas, analyzing the results of conclusion projects of
students from observation of activities, knowledge and talking from students in
a semi-structured interview, with the purpose of research the Media
Integration.
The theoretical reasons showed is technology integration between
technologies of Information and communication in teachers training and
teaching practice doing an analysis of public policies in EAD teaching training
and describing the Pilot Project. It consolidates itself with the presentation of
search results characterizing the project as relevant in the context of
continuing training and media integration.

Keyword: EAD Teaching Formation; Education Media; Media Integration.

LISTA DE SIGLAS

EAD – Educação a Distância
IES – Instituições de Ensino Superior
LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação
MEC – Ministério de Educação e Cultura
NTE – Núcleo de Tecnologia Educacional
PROFORMAÇÃO – Programa de Formação de Professores em Exercício
PROINFO – Programa de Informatização da Escola Pública
RIVED - Rede Internacional Virtual de Educação
SEE/AL – Secretara de Educação do Estado de Alagoas
SEED – Secretaria de Ensino a Distância
UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura
UFAL – Universidade Federal de Alagoas
SEDUC – Secretarias Estaduais de Educação

LISTA DE QUADROS

Quadro 1:

Despenho individual e as interações realizadas no ambiente
e-Proinfo ................................................................................ 52

Quadro 2:

Análise das atividades dos cursista na primeira etapa .........

57

Quadro 3:

Análise das atividades dos cursista na segunda etapa.........

62

Quadro 4:

Análise das atividades dos cursista na terceira etapa...........

66

Quadro 5:

Análise das atividades dos cursista na quarta etapa.............

71

Quadro 6:

Resumo dos projetos dos cursistas.......................................

76

Quadro 7:

Fatores que contribuem para o uso e integração das TIC....

78

Quadro 8:

Parâmetros do projeto piloto quanto a formação do
cursista................................................................................... 79

Quadro 9:

Análise dos projetos finais dos cursistas .............................

80

Quadro 10:

O Uso das TIC .......................................................................

84

Quadro 11:

Integração de mídias .............................................................

88

Quadro 12:

Pedagogia de projetos na Integração de mídias...................

94

Quadro 13:

Análise do curso piloto .........................................................

97

10

INTRODUÇÃO

A EAD vem se tornando a grande alternativa para o país como
modalidade de educação, principalmente na formação de professores. A
evolução desta modalidade tem permitido alcançar as mais distantes regiões
nas quais a educação presencial tem dificuldade de atender. As razões que
permitem este alcance vão desde o material escrito (primeira geração da
EAD), passando pelo rádio e a TV (segunda geração da EAD) até chegar à
videoconferência e a teleconferência através dos meios de comunicação e da
Internet. Nesta destaca-se o acesso às pesquisas e a interação entre os
alunos, professores e tutores.

A partir da terceira geração da EAD, as

possibilidades se multiplicaram no tocante a educação on-line e com estas
possibilidades, a formação de professores, que tem sido a tônica do país nos
últimos anos, têm tomado rumos mais concretos e significativos.
O MEC incentiva às SEDUC na criação de cursos de formação de
professores a distância e vem contribuído para desenvolvimento dessa
modalidade não-presencial, fornecendo cursos de especialização em novas
tecnologias para multiplicadores do Proinfo, curso de capacitação de técnicos
de

informática

para

profissionais

de

laboratórios,

em

apoio

ao

desenvolvimento dos trabalhos do NTE, cursos de gestores de tecnologia
para as escolas que possuem laboratórios de informática e, recentemente, o
Programa de Formação Continuada de Professores em Mídias na Educação,
na modalidade a distância tendo a Internet como apoio, objeto de análise
deste estudo.

Estas ações conjugadas ou não, entre o MEC e as SEDUC, criaram
uma demanda de professores com necessidades emergentes de formação
para uso das TIC já que estas passaram a ter presença cada vez maior no

11
contexto educacional, desde as modalidades de formação de professores
como a EAD, até a formação deste contingente para a integração das TIC na
prática pedagógica no ensino presencial.

As TIC e mídias disponíveis passaram a ser peças fundamentais no
processo de EAD no contexto atual de formação continuada da SEED. O uso
dos recursos disponibilizado pelo MEC, que envolve computadores ligados a
Internet, software básico de sistema operacional e o Office, software de
escritório que pode ser usado na sala de aula num parâmetro mais
educacional, já que estes softwares não foram concebidos com estas
características, além da disponibilidade oferecida por esta secretaria no seu
ambiente virtual de aprendizagem o e-Proinfo.

Os ambientes virtuais em geral, caracterizam-se por conter ferramentas
próprias da Internet e arrumadas de forma a facilitar a navegação dos alunos
direcionada para o processo de ensino e aprendizagem. Estes ambientes são
sistemas computacionais disponíveis na internet, destinados ao suporte de
atividades mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação. Permite
integrar múltiplas mídias e recursos, apresentar informações de maneira
organizada,

desenvolver

interações

entre

pessoas

e

objetos

de

conhecimento, elaborar e socializar produções tendo em vista atingir
determinados objetivos. As atividades se desenvolvem no tempo, ritmo de
trabalho e espaço em que cada participante se localiza.

O uso dos ambientes virtuais de aprendizagem na Internet, trouxeram
novas formas de EAD. A atualização dos recursos utilizados nestes
ambientes traz grandes vantagens em relação à interação, agregando ao já
existente alguns recursos como: o próprio uso da comunicação online que
permite uma comunicação em tempo real; acesso a repositórios de materiais
eletrônicos com opção de impressão; integração dos alunos em tempo real
na elaboração de trabalhos em grupo, criando um ambiente de interação
entre os mesmos; interação entre os professores, tutores e alunos, em grupo
ou individualmente, criando uma sala de aula online; possibilidade de maior
rapidez no processo, que permite aos tutores responderem às dúvidas de

12
seus alunos e corrigirem os trabalhos devolvendo-os eletronicamente em
tempo real; criação de aulas do tipo “expositiva” em vídeo disponibilizando-as
no ambiente online para que sejam assistidas pelos alunos no tempo por eles
escolhidos, sem que seja necessária uma videoconferência. Há, portanto,
neste universo uma maior possibilidade de integração das mídias mediante a
presença do computador, da Internet e das interfaces nela disponibilizada.

A SEED, em parceria com a SEE/AL e UFAL, ofereceu, em 2006 o
Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação - Ciclo Básico,
para professores da rede pública do estado de Alagoas. Este curso objetivou
atender à demanda por formação continuada para um uso mais aprimorado e
pedagógico das TIC disponíveis na educação, visando uma articulação que
fundamentasse a avaliação crítica de como essas tecnologias vem sendo
aplicadas na integração das habilidades e competências necessárias no uso
das mesmas, permitindo também atuar na gestão em tecnologia educacional,
além de atender a uma demanda social de inclusão digital e também pela
importância que a tecnologia tem assumido no contexto educacional.

Para a oferta do Ciclo Básico, houve uma preparação dos tutores
responsáveis pelas turmas deste Ciclo a partir de um Curso Piloto que serviu
de formação dos tutores para o programa, como também de experiência no
âmbito da EAD, da perspectiva de integração de mídias na educação e como
uma forma de avaliar a metodologia do curso como um todo. O curso teve
como foco a integração de mídias como resultado final, a partir da elaboração
de projetos nas atividades finais dos cursistas e da produção individual como
apoio ao ensino e aprendizagem.

Com base no objetivo do Curso Piloto, na formação continuada de
professores e integração de mídias, o estudo parte da seguinte problemática:
como se apresenta a integração das mídias no material didático e nos
trabalhos avaliativos do módulo do Curso Piloto do Ciclo Básico do Programa
de Formação Continuada em Mídias na Educação em Alagoas?

13
Partindo do pressuposto de que o Curso Piloto atingiu seus objetivos
quanto à integração das mídias, a hipótese é que a análise dos projetos, que
foi a conclusão das atividades dos cursistas, mostrará que houve integração
dessas mídias e o programa atingiu seu objetivo maior.

Este estudo justifica-se pela necessidade de avaliar a importância da
formação continuada de professores, considerando o desempenho do Curso
Piloto enquanto modalidade de ensino a distância, formação continuada de
professores e a sua metodologia de curso em ambiente virtual, bem como a
importância dos resultados obtidos através do conteúdo programático,
atividades e tarefas propostas.

O objetivo desta pesquisa foi investigar se o resultado do Curso Piloto
do Programa de Formação Continuada de Mídias na Educação atingiu seu
objetivo de integrar as mídias nos projetos finais dos cursistas e observar na
fala destes a contribuição do curso quanto a sua formação para uso das TIC,
tomando como base os trabalhos avaliativos do Módulo Introdutório e analisar
a relação entre a proposta do curso, resultados esperados e resultado obtido
na integração das mídias e se estas atenderam aos objetivos do Programa.
Neste contexto, a pesquisa analisou as interações e material produzido pelos
tutores e cursistas do Curso Piloto nas participações nos fóruns, bate-papos e
diários de bordo dentro do ambiente online do e-Proinfo e através de uma
entrevista semi-estruturada visando obter subsídios sobre a percepção dos
cursistas quanto ao objetivo principal do curso enquanto piloto e a importância
deste na sua formação.

O estudo está estruturado em três capítulos: o primeiro capítulo
apresenta os fundamentos teóricos relacionados à integração das TIC na
prática docente, envolvendo as mídias na educação, a integração das mídias
e a formação de professores; o segundo descreve o Curso Piloto do
Programa de Formação Continuada das Mídias na Educação e a analisa as
políticas públicas na formação de professores em EAD no contexto do
programa em questão; o terceiro descreve o método utilizado na pesquisa e
trata da integração das mídias nas práticas pedagógicas dos participantes

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cursistas do módulo introdutório do Curso Piloto e a integração de mídias no
material didático e nas atividades propostas e na análise dos projetos finais
dos cursistas.

15

1- INTEGRAÇÃO DAS TIC NA PRÁTICA DOCENTE

A invasão das TIC seja no âmbito social, econômico e educacional é
uma realidade da qual não se pode mais ficar a margem. Concordando ou
não com a sua necessidade, continuará invadindo os lares, as atividades
profissionais e

educacionais a medida da sua evolução globalizada. A

velocidade com que as mudanças acontecem na sociedade do conhecimento
e, conseqüentemente, com que as informações chegam e são facilmente
disponibilizadas à população através das tecnologias presentes, o acesso
cada vez maior aos equipamentos eletrônicos e o surgimento de tele centros
sejam eles públicos ou privados, têm contribuído para que cada vez mais o
mundo se conecte em uma rede de informação e comunicação, fruto desta
globalização que afeta todas as áreas da sociedade.

Na educação, já se tem consciência de que as TIC e as mudanças por
elas

provocadas

continuarão

ocorrendo

independente

das

escolas,

professores, gestores e cursistas terem ou não acesso às TIC. Um mundo
conectado e cada vez mais globalizado exige professores ativos, dinâmicos,
especializados, capacitados e em formação continuada e abertos ao novo.

O desenvolvimento das TIC introduz novos conceitos na educação
através das potencialidades de pesquisa, acesso a informação, ambientes
virtuais que influenciam nas formas de ensinar e aprender. Novos
componentes são inseridos ao processo pedagógico tradicional, surgidos com
as interfaces disponibilizadas pelas inovações das TIC como o rádio, TV,
DVD, Internet e o computador por conseguir convergir as mídias e as TIC na
sua forma mais sintetizada.

16
Neste contexto tecnológico educacional, as políticas públicas através
de ações governamentais nos mais variados aspectos como: introdução de
laboratórios de informática nas escolas através do Proinfo; formação de
técnicos de informática nos NTE para suporte às TIC; programas de formação
continuada de professores para uso das TIC oferecem opções de integração
das mídias na educação, mas de forma muito superficial, já que por motivos
como falta de tempo dos professores, de recursos e de uma política pública
mais consistente e eficaz, não atingem os objetivos desejados.

A percepção introduzida nas políticas públicas ao conceberem o uso
das TIC na escola, vem perpassando por uma discussão permanente sobre a
mudança na forma de ensinar do modelo tradicional para a nova forma com o
uso das tecnologias. Não é só a percepção de inovação tecnológica na
escola, mas também a preparação do ambiente educacional para receber
este novo contexto. Apenas os recursos tecnológicos não serão suficientes
para um processo pedagógico, mas precisa também a preparação do
professor a partir de uma formação básica e continuada, oferecendo subsídio
para o uso das TIC neste novo cenário, como afirma Mercado (1998, p.2):
com as novas tecnologias, novas formas de aprender, novas
competências são exigidas, novas formas de realizar o
trabalho pedagógico são necessárias e, fundamentalmente, é
necessário formar continuamente o professor para atuar
neste ambiente telemático, em que a tecnologia serve como
mediador do processo ensino-aprendizagem.

Este deve ser o norte para uma tecnologia educacional com objetivos
definidos e centrados numa perspectiva pedagógica. A importância das TIC
na mediação do ensino é tão importante quanto a mediação do professor
junto as TIC e daí a relevância da sua formação contínua neste sentido.

Não será pela simples adição das TIC que se transformará a escola. É
a cultura pedagógica dos professores e as suas atitudes que ditam o sucesso
ou insucesso da integração delas. Não é suficiente mudar o professor, é
preciso mudar também os contextos em que ele participa. A escola necessita
mudar suas concepções através dos seus gestores, para que haja um

17
alinhamento de objetivos e idéias inovadoras e substanciais e aí, fomentar
estas mudanças no âmbito pedagógico. Paralelamente, precisa envolver o
professor neste processo como principal responsável pelo uso relevante
dessa interface no ensino.

A escola, além de acompanhar o processo de mudança, necessita se
preparar para ser o principal agente deste processo, considerando sua
importância nesta sociedade globalizada e conectada. O uso das TIC na
escola exige reflexões mais aprofundadas para quem se propõe a usá-las e
que devem contemplá-las desde a importância das TIC no processo
educacional, a sua integração nas disciplinas com as diversas mídias e a
formação básica e continuada do professor de forma mais específica.
Cada vez mais se exige da escola e, por conseguinte dos professores,
a preparação dos cursistas para uma sociedade competitiva e em constante
mutação. A natureza das funções a desempenhar pelo professor é
significativamente diferente daquelas a que este está tradicionalmente
habituado. A cada problema que surge e a cada inovação tecnológica é
exigido da escola que se adapte e acompanhe estas alterações. Os
professores sentem necessidade de alterar o seu perfil profissional e as suas
atitudes, ao mesmo tempo em que têm de conhecer e compreender os novos
problemas/desafios e estarem preparados para enfrentá-los. Essa capacidade
de resposta exige dos professores o domínio de múltiplas competências, as
quais nem sempre são acauteladas durante a formação inicial.

A inserção das tecnologias é problemática e constitui um desafio para
escolas e professores. Estes têm dificuldade em aplicar os conhecimentos
adquiridos sobre as TIC na prática pedagógica, devido às mudanças que
implicam para essas mesmas práticas. As TIC são mais do que veículos de
informação, ferramentas ou instrumentos educacionais: possibilitam novas
formas de sintetizar a experiência humana, com múltiplos reflexos na área
cognitiva e nas ações práticas, ao possibilitar novas formas de comunicação e
produção de conhecimento, transformando a consciência individual, na
percepção do mundo, nos valores e, até mesmo, na sua atuação pessoal.

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É importante a construção de caminhos para os professores se
apropriarem criticamente das TIC e entenderem que qualquer mudança
dependerá, em grande parte, de sua capacidade de analisar e adotar
princípios, estratégias e técnicas mais adequadas às condições da realidade
educacional na sociedade cada vez mais informatizada.

1.1 – A Importância das TIC na escola

Diante do avanço tecnológico no cenário de um mundo globalizado, a
educação não pode ficar apenas como espectadora deste processo, mas
atuar de forma relevante, não pelo modismo tecnológico apenas, mas pela
importância imputada aos novos conceitos de ensinar e aprender com o
auxilio da tecnologia. Para Sancho (1998), a tecnologia transforma o mundo,
os meios e a prática pedagógica.

As mudanças ressaltadas pela autora citada englobam a mudança de
postura do professor frente às TIC e a mudança que tem ocorrido no perfil do
novo aluno, cada vez mais com acesso à informação, à tecnologia e à
Internet. A tecnologia em sua conotação de inclusão tem o efeito de inclusão
social e tecnológica. O mundo globalizado exige cada vez mais pessoas
conectadas e aptas para enfrentar a sociedade do conhecimento nas suas
mais amplas perspectivas de inovação.

Entre estas mudanças estão também as que são intrínsecas à relação
pedagógicas defendida por Moran (2006, p.2) quando escreve:
As tecnologias de comunicação não mudam necessariamente
a relação pedagógica. As Tecnologias tanto servem para
reforçar uma visão conservadora, individualista como uma
visão progressista. A pessoa autoritária utilizará o computador
para reforçar ainda mais o seu controle sobre os outros. Por
outro lado, uma mente aberta, interativa, participativa
encontrará nas tecnologias ferramentas maravilhosas de
ampliar a interação.

Democratizar a informação é uma perspectiva das políticas públicas na
qual as TIC podem proporcionar melhorias pela inclusão digital ao professor,
principal ator no uso destas na escola. Oliveira (2007, p.23) escreve sobre a

19
importância do professor tecnologicamente incluído: “a exclusão tecnológica
do professor representa uma deficiência na sua formação, que deve ser
corrigida com cursos que habilitam a usar a tecnologia no seu cotidiano”. A
era

tecnológica

sofrerá

mudanças

permanentes,

acarretando,

por

conseqüência, necessidade também permanente das pessoas envolvidas
estarem sempre se atualizando ao processo.

Dentro

das

possibilidades

das

TIC

na

sala

de

aula,

mais

especificamente o computador, permite ao aluno um maior desenvolvimento
das suas tarefas e atividades contribuindo diretamente com o seu
aprendizado. Não obstante, as habilidades de lidar com este recurso, as TIC
também permitem que o aluno, tecnologicamente incluído, atue na sociedade
do conhecimento em um mundo seu cada vez mais conectado e globalizado.
Não dominar, mesmo que de modo básico as tecnologias, pode representar
uma exclusão social decorrente da exclusão tecnológica, o que afetará o
futuro deste aluno num âmbito sócio-econômico e profissional.
Almeida (2004) ressalta algumas potencialidades das TIC no processo
pedagógico desenvolvido na escola: ajuda ao aluno descobrir o conhecimento
por si; impulsiona o aluno e o professor ao uso de novas ferramentas
intelectuais; enriquecimento das aulas pela diversificação das metodologias;
aumenta

a

motivação

do

aluno

e

professor;

proporciona

a

interdisciplinaridade; permite formular hipóteses, testá-las, analisar resultados
e reformular conceitos; amplia a disponibilidade de informação aos alunos e
professores de forma mais rápida; permite construção coletiva entre pessoas
de regiões diferentes; permite ensinar com jogos didáticos e simuladores e
ajuda a detectar mais facilmente as dificuldades dos alunos. Para o autor,
estas potencialidades são no fundo, as inovações agregadas ao processo do
ensino e aprendizagem quando se lança mão das TIC com a Internet.

A Internet amplia os horizontes da pesquisa escolar, ampliando os
limites da informação e do conhecimento além dos limites da escola física. O
mundo virtual tem conquistado espaço dentro e fora da sala de aula
envolvendo as diversas possibilidades de usá-lo como apoio ao ensino, sejam

20
nas pesquisas, na construção do conhecimento colaborativo através dos
fóruns, bate-papos, listas de discussão ou até mesmo na utilização da EAD
através dos ambientes virtuais de aprendizagem. Por outro lado, os alunos e
professores têm a possibilidade de socializar a informação e o conhecimento
adquirido através da Internet. Se estimulados a terem seu próprio site,
poderão divulgar suas produções e estimular outros a fazerem o mesmo, o
que acaba por formar uma rede de informação específica em determinado
assunto.

A mudança de postura defendida por Mercado (1998) e Sancho (1998),
é reforçada por Moran (2006, p. 2) em relação ao professor, acentuando a
importância da Internet quando escreve:
Com a Internet estamos começando a ter que modificar a
forma de ensinar e aprender tanto nos cursos presenciais como
nos de educação continuada, a distância [...] o professor tem
um grande leque de opções metodológicas, de possibilidades
de organizar sua comunicação com os alunos, de introduzir um
tema, de trabalhar com os alunos presencial e virtualmente, de
avaliá-los.

Percebe-se nesta afirmação uma preocupação com as mudanças
provocadas pelas TIC no mundo contemporâneo e pelo que estas afetam
diretamente à educação.

O autor ainda reforça que todos estamos

reaprendendo a conhecer, a comunicar-nos, a ensinar e a aprender; a integrar
o humano e o tecnológico; a integrar o individual, o grupal e o social dentro
deste contexto tecnológico atual.

O universo tecnológico que abrange a TV e o DVD são ferramentas
também essenciais para apoio ao ensino. A TV aberta, por assinatura e os
DVD educativos, ou usados com esse fim, contribuem para que a sala de aula
seja ampliada além do seu limite físico como acontece com a Internet. Um
vídeo pode levar o aluno a lugares que fisicamente talvez eles nunca irão,
mas que poderão “estar” em uma viagem pelos multimeios da imagem, do
som, do movimento e da imaginação, reduzindo o tempo, o espaço e as
questões de recursos em levar um grupo a determinados lugares quando o
vídeo pode trazer estes locais até a sala de aula. Por sua vez, os programas
educativos em TVs abertas e por assinatura, podem ser usados como

21
complemento educacional em forma de discussão posterior quando assistidos
fora da sala de aula.
Assim como o novo, de forma geral, as TIC também permitem um novo
encantamento na escola. Abrir os horizontes da informação, da comunicação
e da interação é o seu principal papel. Possuir essa ferramenta é possuir
infinitas possibilidades de inovação na sala de aula, como também infinitas
possibilidades de ampliar e refazer conceitos no processo de ensino e
aprendizagem.

A convergência de mídias incorporadas às TIC emite um fascínio e um
encantamento à geração tecnológica contemporânea. Este encantamento traz
a tona o confronto entre o professor, com formação tradicional, muitas vezes
sem preparo tecnológico básico, e um aluno conectado mais preparado
tecnologicamente que este e mais “antenado” às questões do mundo
globalizado.

Este confronto se arrastou ao longo do tempo e ainda

permanece em algumas escolas que insistem em ter as TIC como um
apêndice e não como interface de integração do ensino, com professores
ainda resistentes ao uso das TIC ou, simplesmente, por não serem
estimulados a usá-las de forma devida.

1.2 – A integração das TIC no currículo da escola

Como outros desafios já vistos com as TIC na educação, este talvez
seja o que mais preocupa aos pesquisadores do assunto. Ter as TIC na sala
de aula é quase senso comum, mas a grande questão é: como integrá-las aos
currículos e torná-las acessíveis no contexto multidisciplinar e com objetivos
no ensino e aprendizagem. Para Marinho (2002, p.2) “a escola e o currículo
não estão dando conta de acompanhar essas mudanças da sociedade”. Fazse necessário reavaliar os currículos da escola tradicional e adaptá-los ou
refazê-los para uma nova realidade no âmbito de uma sociedade cada vez
mais dependente das TIC. Sancho (2006, p.19) ressalta esta preocupação
com integração das TIC no currículo escolar:

22
A principal dificuldade para transforma os contextos de
ensino com a incorporação de tecnologias diversificadas de
informação e comunicação parece se encontrar no fato de
que a tipologia de ensino dominante na escola é a centrada
no professor.

Para a autora, a educação ainda não se desvinculou totalmente do
processo tradicional da centralização do ensino no professor. Ela reforça
dizendo que a educação parece não prosperar sobre as situações educativas
em que devem ser levadas em conta as novas representações e o novo modo
de construção do conhecimento.

Os organismos internacionais como a UNESCO (1984, p.8), “advertem
sobre a importância de educar os alunos para atuarem em uma sociedade
informatizada e para que possam pensar de forma crítica”. Para ele,
paradoxalmente ainda existem países com uma política educativa usando as
TIC baseadas com uma concepção do uso da tecnologia pela tecnologia,
onde o importante é apenas tê-la presente na sala de aula, que nada tem a
ver com a criatividade e a autonomia intelectual no qual deveria ser o principal
foco das TIC na escola: a autonomia do aluno em construir o seu próprio
conhecimento e do desenvolvimento sócio-cultural e econômico. Por outro
lado, há uma distância considerável entre o uso das TIC na escola e a falta de
recursos e políticas públicas que garantam o acesso dos professores e alunos
às TIC dentro e fora da escola.

Integrar as TIC ao currículo requer mais do que a simples incorporação
da disciplina “Tecnologia na Educação”, ou simplesmente criar uma momento
em que os alunos possam “desfrutar” da tecnologia uma ou duas horas por
semana nos laboratórios de informática ou nas salas de multimídias. Integrar
as TIC ao currículo é disseminar a cultura da interdisciplinaridade e do uso
dos temas transversais em projetos pedagógicos que contemplem as diversas
mídias disponíveis, cada uma com a sua colaboração específica. Também faz
parte desta integração uma mudança mais estrutural nos conceitos
pedagógicos sobre ensinar e aprender, nas funções básicas do professor e
num novo paradigma do aluno conectado ao universo globalizado através da
Internet.

23
Para muitos ainda não está bem definido a diferença entre usar as TIC
e a sua integração curricular. Usar não curricularmente as TIC, pode implicar
utilizá-las para os mais diversos fins, sem um propósito claro e exclusivo de
trabalhar determinado conteúdo objetivando o ensino e aprendizagem. Por
outro lado, a integração curricular não implica só o seu uso para aprender um
conceito ou um processo numa determinada disciplina curricular, trata-se de
valorizar as possibilidades didáticas com objetivos e fins educativos. Integrálas no currículo significa aprender através delas mais do que aprendê-las. De
uma forma global, integrar as TIC significa fazer parte de um currículo,
englobá-las harmoniosamente com os restantes componentes desse
currículo, é utilizá-las como parte integral e não como um apêndice ou recurso
periférico.
Para Marinho (2002, p.9) “não é arriscado afirmar que a visão que se
tem de que o currículo é um conjunto de disciplinas com seus programas de
ensino que devem ser cumpridos num determinado tempo”. Para o autor, a
escola tradicional ainda trata objetivos educacionais como “mensuráveis e
calculáveis, no qual se espera um resultado pré-programado de verdades
acabadas e certezas absolutas”, que muitas vezes não se tem a preocupação
de que outros rumos possam ser tomados no desenvolvimento das aulas, dos
programas

curriculares,

dos

meios

usados

no

processo

ensino

e

aprendizagem e do próprio desenvolvimento pessoal do aluno numa
perspectiva menos instrucional e mais autônoma como recomenda o uso das
TIC na educação. O currículo por sua vez, deve contemplar as novas
perspectivas do aluno nesta sociedade que ele está inserido, capaz de dar
respostas as novas demandas socioculturais e tecnológicas.
Há uma tendência de se organizar os currículos por disciplinas e as
tecnologias acabam enquadradas numa disciplina. Esta organização, em
consonância com a forma de distribuição dos tempos dos professores,
dificulta nela o trabalho conjunto e a proposta de outras formas de
organização

curricular.

Mesmo

quando

são

promovidas

atividades

diversificadas, as TIC são colocadas como ferramentas para tornar o trabalho
da sala de aula mais atrativo. Assim, a inserção das TIC no contexto escolar
deve ser no sentido de fortalecer e articular um conjunto de ações mais

24
continuadas. De fato, o trabalho cooperativo é promovido, a relação
professor-aluno torna-se menos hierárquica, os alunos interferem mais na
aula uma vez que os temas são atuais e têm acesso à Internet, extrapolando
o limite da sala de aula e os conteúdos disciplinares.
Sancho (2006, p. 28), sobre a questão da falta de integração das TIC
no currículo, comenta:
As escolas devem integrar os novos meios para todos os
alunos em todos os aspectos do currículo. Até o momento, o
cenário típico de incorporação das TIC no ensino foram as
atividades extracurriculares, a criação de uma nova disciplina,
o uso eventual de uma determinada disciplina de determinada
aplicação didática. Mais difícil é encontrar escolas em que o
computador seja considerado um recurso de uso cotidiano de
busca, criação e pesquisa.

A autora ressalta que é preciso modificar as visões sobre o currículo se
há intenção de integrar as TIC na educação, assim como renovar a visão
sobre o processo de ensino e aprendizagem neste contexto. Esta afirmação
retoma a questão da mudança de postura do professor e dos gestores
educacionais quanto a incorporação das TIC na educação e mais
especificamente nos currículos, Mercado (1998) enfatiza que quando se fala
em integração das mídias no currículo, deve-se considerar não apenas a
interdisciplinaridade, mas também a integração dos meios dentro dos
conteúdos e no projeto pedagógico.

Para uma proposta inovadora no currículo na qual as TIC possam ser
usadas de forma satisfatórias numa dimensão mais efetiva de integração,
algumas considerações importantes devem ser observadas. Com base na
proposta de Mc Clintock (1993), uma infra-estrutura tecnológica adequada,
sem laboratório conectado à Internet, compromete o projeto pedagógico
integrado, já que a Internet tem uma participação importante no currículo.

A utilização de novos meios nos processos de ensino e aprendizagem
que refaçam o currículo corrente para incorporar as TIC, passa por uma
reflexão por parte dos atores no processo, que vai desde levantar a
necessidade real do uso das TIC até a formação necessária do professor para
atuar junto a esta realidade. Também faz parte desta proposta: refletir sobre

25
as condições e as perspectivas da escola para esta inovação curricular;
formação adequada e apoio aos professores para atuarem junto à escola na
elaboração, implantação e execução do currículo neste novo cenário.

Além das questões levantadas, Mc Clintock (1993, p.11) adverte que
deve haver um alargamento das finalidades das TIC voltadas para o âmbito
educacional. Quando se fala no uso pedagógico, didático e educacional das
TIC, deve-se considerar a importância da autonomia do aprendizado e na
capacidade do aluno adquirir sua própria educação, de ampliar seus
conceitos, contrapondo-se à escola tradicional, quando o objetivo era
“aprender para passar nas provas”. Questionar o papel do aluno enquanto
aprendiz de conteúdos considerados “obrigatórios”, é refletir sobre a sua
responsabilidade no próprio processo de aprendizagem, é contribuir para o
desenvolvimento desta autonomia sem impor limites curriculares, mas ampliar
as possibilidades deles fazerem e refazerem conceitos numa perspectiva
realmente construtivista.

A complexidade em que as TIC são inseridas no currículo requer
mudanças às vezes até estruturais. O que no passado era unidirecional na
relação professor-aluno, agora está relativamente ampliado. Não é mais
função do professor ser o foco principal no processo ensino-aprendizagem.
Para isto, a interação docente vai mais além, não apenas centradas no livrotexto ou no conteúdo passado pelo professor, mas também na diversificação
de informação e conhecimento trabalhados pelo próprio aluno, muitas vezes
sem a interferência do próprio professor. Lidar com isso implica em não
esperar mais que o aluno responda apenas o perguntado, mas que o
professor seja capaz de redirecionar as respostas num âmbito mais amplo da
curiosidade do aluno sem que o mesmo sinta-se limitado aos conteúdos
propostos. Este é um novo contexto de comunicação que se amplia além da
forma unilateral do professor e do livro-texto, decorrente das possibilidades
amplas das TIC.

O advento da Internet trouxe mais possibilidades de integração de
mídias e de currículos, como também de interação que agora não mais se

26
limita a um grupo fechado, mas extrapola os limites físicos, não só de uma
sala de aula, mas também de uma região. A interação entre grupos de
regiões, situações sociais diferentes e em espaço distintos, pode agora ser
permitida no novo modelo conectado online. Trabalhar a criação individual e
coletiva são funções agora atribuídas e só possíveis com a ajuda da
tecnologia digital através da internet ou outro meio de telecomunicação. Para
Morgado (2004), a questão ganha uma nova dimensão “na medida em que
constitui uma variável nuclear não só para os modelos construtivistas, mas
também na criação de uma comunidade de aprendizagem no qual há
colaboração de idéias”.

O mais importante então, é analisar, revisar e reconstruir as convicções
pedagógicas em todos os aspectos, culturais, tradicionais, sociais, de
mudanças e, até mesmo, na visão de um mundo que evolui substancialmente
e de um aluno que surge neste novo contexto técnico-pedagógico, renovado
pelo acesso às TIC e por uma característica inerente às mudanças sociais
que

elas

têm

provocado

e

que

exige

pessoas

cada

vez

mais

tecnologicamente formadas e capacitadas, com perfil inovador e que estejam
prontos a desenvolver novos processos.

Não se deve pensar em educar

um aluno nesta realidade sem considerar o seu universo de informação, de
inovação e, principalmente, com uma nova concepção de estar conectado
com o mundo interagindo com outras pessoas, seja no contexto educacional,
profissional ou no laser, tendo as TIC como meio.

Neste contexto de mudança do perfil do aluno em uma sociedade cada
vez mais integrada ao tecnológico, Adell (1997, p. 6) escreve: “as tecnologias
de informação e comunicação não são mais uma ferramenta didática ao
serviço dos professores e alunos, elas são e estão no mundo onde crescem
os jovens que ensinamos”.
Para o autor, a contextualização deste universo das TIC vai além das
interfaces tecnológicas usadas na educação, é um processo de ambientação
tecnológica no qual a convivência deste aluno com as TIC estão em todos os
lugares dos quais faz parte. A presença das TIC na escola deixou de ser

27
apenas uma alternativa didática e passou a ser parte da vida do aluno, dentro
e fora desta.
1.3 – Formação de Professores para uso das Mídias

Em consonância com as questões sobre as TIC na escola, a formação
do professor é algo imprescindível dentro deste novo cenário. Ensinar tem se
tornando, nos últimos tempos, cada vez mais um desafio, seja no contexto
pedagógico, no social e, principalmente, no tecnológico. O ambiente da
escola vem se ampliando além dos seus limites físicos diante do avanço
tecnológico. A disponibilidade das TIC e do acesso à informação pelos alunos
é um termômetro ativo deste avanço. A função do professor, neste contexto,
acaba por sofrer pressões de mudanças, não só no âmbito pedagógico, mas
também na sua formação inicial e continuada.

Os professores até reconhecem que a escola está desatualizada em
relação à sociedade e que os alunos estão cada vez mais desestimulados
pelas atividades escolares tradicionais. Por estes motivos, tentam introduzir
as tecnologias nas práticas educativas, embora não tenham conhecimento
profundo do seu potencial pedagógico.

A inserção das TIC limita-se, em muitos casos, a evidenciar o seu
caráter atrativo, sem que se toquem questões chave dos processos
pedagógicos, como o currículo, a avaliação, a relação professor–aluno e as
novas formas de aprender. Isto decorre da falta de uma preparação básica e
reflexiva sobre a importância e o uso das TIC para um processo pedagógico,
que vai desde capacitação técnica para usar o computador e outras
interfaces, passando pela reflexão sobre o seu papel enquanto mediador da
aprendizagem, até a maturidade crítica de quando e como usá-las na sala de
aula.

As TIC proporcionam uma nova relação com a forma de aprender e um
novo tipo de interação do professor com os alunos decorrentes dos meios
tecnológicos que passaram a fazer parte do cotidiano de ambos através do
uso do computador, das mídias disponíveis e da Internet.

28
Atualmente os professores têm atitudes muito diversas em relação às
TIC. Alguns lançam um olhar de desconfiança, procurando adiar o mais
possível o momento do encontro indesejado, fruto muitas vezes do
desconhecimento das possibilidades reais das TIC neste processo ou apenas
por falta de oportunidade em conhecer o seu potencial.
Outros se colocam como meros utilizadores na sua vida diária, mas
não sabem muito bem como usá-las na sua prática profissional, algo que
recai na falta de formação adequada deste profissional. Outros ainda
procuram integrá-las no seu processo de ensino usual sem, contudo, alterar
de modo significativo as suas práticas pedagógicas.

Alguns professores e gestores sabem da importância das TIC, mas não
querem mudar sua forma de ensinar e muito menos incorporá-las ao ensino.
Apenas uma minoria mais ativa, procura desbravar caminhos explorando
constantemente
perplexidades

novas
e

possibilidades,

também

com

mas

dificuldades

defronta-se

com

devido

escassez

à

muitas
de

equipamentos, formação básica e recursos, principalmente no âmbito da
escola pública.

Não há desenvolvimento sem formação. O professor muitas vezes é
um produto do meio e sem formação adequada, seu desenvolvimento frente
às mudanças de uma sociedade de informação é estagnada e provoca uma
“exclusão profissional”. As conseqüências desta falta de formação podem ser
vistas no cotidiano, no qual professores ainda não utilizam as TIC por motivos
diversos, entre eles o de não estarem devidamente preparados em todos os
aspectos, não só o tecnológico, mas também nas suas novas competências e
habilidades como citado por Mercado (1998) sobre a formação continuada do
professor em exercício para o uso das TIC.

O autor enfoca alguns princípios que devem estar inseridos na
formação deste profissional:
conhecimento das novas tecnologias e da maneira de aplicálas pois não basta o conhecimento técnico, mas estar
adaptando e interagindo com o processo pedagógico e tudo
que lhe é disponibilizado pelas TIC; estimulo a pesquisa porque
saber pesquisar e estimular a construção tendo a pesquisa

29
como base através do computador e da Internet; transmitir o
gosto pela investigação aos alunos de todos os níveis;
capacidade de provocar hipóteses e deduções, elementos que
servirão de base à construção e compreensão de conceitos e a
formulação de novos conceitos a partir de resultados;
habilidade de permitir que o aluno justifique as hipóteses que
construiu, o que permite que o desenvolvimento pessoal seja
aprimorado e estimulado na mediação do professor;
especialidade de conduzir a análise grupal, fundamento básico
da educação online participativa e a capacidade de divulgar os
resultados da análise individual e grupal. (MERCADO,

1998, p.2).
Para o autor, inserir o professor no universo das TIC é torná-lo apto
para enfrentar as mudanças de um mundo cada vez mais globalizado e
permanentemente mutável.

Surge então uma preocupação: formar o professor para usar as TIC na
sala de aula. Alguns pontos importantes sobre o perfil deste novo professor
de acordo com Mercado (1998) são: comprometido com as transformações
sociais e políticas; com o projeto político-pedagógico assumido com e pela
escola; competente, evidenciando uma sólida cultura geral que lhe possibilite
uma prática interdisciplinar e contextualizada, dominando as tecnologias
educacionais; crítico, que revele através da sua postura suas convicções, os
seus valores, a sua epistemologia e a sua utopia, fruto de uma formação
permanente; intelectual que desenvolve uma atividade docente crítica,
comprometida com a idéia do potencial do papel dos alunos na transformação
e melhoria da sociedade em que se encontram inseridos.

Além destes aspectos, o autor citado escreve que o professor neste
contexto necessita: ser aberto às mudanças, ao novo, ao diálogo, à ação
cooperativa que contribua para que o conhecimento das aulas seja relevante
para a vida teórica e prática dos alunos que promove um ensino exigente,
realizando intervenções pertinentes, desestabilizando e desafiando os alunos
para que desencadeie a sua ação reequilibradora, interativo, que concorra
para

a

autonomia

intelectual

e

moral

dos

seus

alunos

trocando

conhecimentos com profissionais da própria área e com os alunos, no
ambiente escolar, construindo e produzindo conhecimento em equipe,

30
possibilitando ao aluno desenvolver-se em todas as dimensões: cognitiva,
afetiva, social, moral, física, estética.

Para se estabelecer este perfil, há a necessidade de trabalhar a
formação do professor desde as licenciaturas. Formar o professor para que
este possa usar devidamente as TIC, exige mudanças na forma de conceber
o

trabalho

docente,

tanto

na

flexibilização

dos

currículos

e

na

responsabilidade da escola no processo de formação do cidadão.

Um aspecto relevante na formação do professor é a socialização do
acesso à informação e produção de conhecimento para todos. Em um país no
qual exclusão digital atinge grande parte da população, o professor é uma
vítima deste contexto e, na qual a mudança deveria ter início que é na escola,
acontece exatamente o contrário, a escola corre atrás das mudanças da
sociedade muitas vezes em passos lentos, o que de fato é um contra-senso.

Não é mais coerente fazer vistas grosas às mudanças provocadas pela
TIC dentro do âmbito educacional, no qual o aluno tem acesso a diversas
tecnologias fora da sala de aula que vão desde um simples eletrodoméstico,
passando pela TV aberta e por assinatura, até o computador com suas
potencialidades de multimídias e Internet. Estas tecnologias adentram o
ambiente educacional e exigem uma dinâmica maior por parte dos
professores que não devem somente conhecê-las, mas desenvolver
habilidades para usá-las devidamente no processo do ensino. Ser ou não
participante do processo, estar ou não integrado ao movimento de mudança,
já não são mais dúvidas entre os que fazem a educação. O que se busca
então é conceber as novas formas de ensinar e aprender e adaptar os
modelos tradicionais com as TIC.

O perfil do professor tem mudado em função das mudanças impostas
pelo mundo capitalista. Esse perfil deve mudar sem perder os seus mais
intrínsecos princípios. Adaptar e inovar a forma de ensinar, vai passar por
processos as vezes necessariamente longos e as vezes emergentes, pois
novos desafios requerem mudanças inclusive de concepção.

31
A necessidade emergente do professor participar ativamente deste
processo requer algumas mudanças, que vão desde a forma de pensar,
passando pela readaptação de uma pedagogia presencial para uma
pedagogia online, até que este se sinta totalmente inserido neste contexto.
Para tanto, é necessário todo um processo pedagógico: saber usar as TIC em
benefício do ensino, estar aberto às inovações, ter o senso crítico aguçado
para perceber quando e onde a tecnologia é benéfica, manter a capacidade
de estimular o aprendizado e ser um guia

no ensino ao aprendiz. Para

Masetto (2000), o professor deve ser uma ponte entre o aluno e os seus
objetivos, e não uma ponte estática, mas uma ponte-rolante que o conduza ao
conhecimento.

A formação básica do professor para o uso das tecnologias na
educação perpassa pela continuidade do processo desta formação.
Reconhecer as mudanças e acompanhá-las é necessário quando se trata de
inclusão digital e social. Porém, a formação continuada do professor tem um
cunho mais consistente neste sentido. Estar de posse das TIC no ambiente
educacional não significa dizer que elas estão sendo usadas a contento e
com o foco na aprendizagem, como também não se pode afirmar que
atendem às exigências de uma integração curricular desvinculada do modelo
tradicional. Não sair desta “mesmice” é como “fazer o tradicional com
tecnologia” o que acaba por não ter o efeito que se espera no uso das TIC na
educação.

Esta formação não só cria consumidores de tecnologia para uso em
sala de aula, mas sujeitos críticos que conduzam o processo com olhares
capazes de se inserirem no contexto inovador do ensino, como ressalta Silva
(2007, p. 3):
Esta nova realidade apresenta desafios à forma como fazemos
educação na atualidade, pois a forma como a escola se
apropriará das tecnologias digitais poderá incidir na formação
de dois tipos de sujeitos: os críticos capazes de produzir
tecnologias contemporâneas ou os consumidores passivos de
recursos tecnológicos.

Para a autora, o professor tem um papel fundamental diante das TIC,
pois nem mesmo os mais avançados software, inclusive de Inteligência

32
Artificial, “seriam possível fazer uma análise das dificuldades subjetivas de um
aluno e nem mesmo de verificar que assuntos são significativos para
propiciar-lhe a aprendizagem” (SILVA, 2007, p.3), ou seja, nada deve
substituir um professor neste processo.

A formação dos professores ainda hoje recai no modelo tradicional de
formação continuada, mesmo aquelas voltadas para o uso das TIC,
geralmente centradas em capacitações técnicas e nas capacitações para uso
de determinado software ou, até mesmo da Internet, mas de forma linear sem
muitas vezes considerar que o professor possa desenvolver seu potencial
crítico quanto ao uso das interfaces e da livre escolha do que e como usar no
processo didático-pedagógico. Para que este possa atuar nesta perspectiva,
deverá saber manusear o computador e perceber as potencialidades das
tecnologias, para a transformação das suas práticas pedagógicas.

Partindo deste principio, a formação inicial do professor tem a grande
responsabilidade de capacitá-lo na melhor forma de usar as TIC. Ele precisa
conhecer os aspectos principais do funcionamento dos equipamentos, mas
não necessariamente de conhecimentos técnica. O professor precisa
conhecer o significado cultural destas tecnologias e as principais implicações
sociais.

A formação inicial tem, ainda, uma grande responsabilidade em

promover nos professores a sua confiança na relação com as TIC, tornandoos aptos a utilizá-las com facilidade e versatilidade. Tem também de fornecer
uma

perspectiva

das

suas

possibilidades

em

termos

de

utilização

importante

neste

domínio

educacionais.

Uma

atividade

particularmente

é

a

exploração e reflexão sobre as principais possibilidades das novas
tecnologias para a respectiva disciplina e nível de ensino, tendo por base as
orientações da didática de cada uma delas. Faz-se necessário também a
percepção sobre as implicações sociais e éticas destas tecnologias e o papel
que todo o professor tem que exercer neste contexto.

A busca por uma

maturidade e a capacidade de utilização criativa é uma conseqüência do
domínio das TIC. Isso pressupõe fácil acesso aos equipamentos e muito

33
tempo de trabalho de exploração. Torna-se pertinente analisar as condições
de acesso e utilização livre que são proporcionadas pelas instituições de
formação, bem como o modo como estas TIC são integradas no projeto e na
cultura de cada instituição.

34

2- FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES EM EDUCAÇAO A
DISTÂNCIA: PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA EM MÍDIAS NA
EDUCAÇÃO

No Brasil, para a formação de professores, segue-se a tendência
sugerida pela LDB no sentido de valorizar a qualificação dos profissionais da
educação que estabelecia um prazo até 2006, a partir do qual só poderiam
ser admitidos professores formados em nível superior e, além disso, reforça a
necessidade de elevar o nível de formação dos profissionais, determinando
no art. 18 da LDB que "cada Município e, supletivamente, o Estado e a União,
deverá (...) realizar programas de capacitação para todos os professores em
exercício, utilizando também, para isto, os recursos da educação a distância",
(BRASIL, 1996).

A preocupação com a qualidade da educação e da formação de
professores ao longo da carreira é decorrente obviamente das tantas
mudanças que vem passando o processo educacional emergente no contexto
das TIC.

Neste cenário, a EAD surge como uma alternativa cada vez mais
estável e com possibilidades mais abrangentes de formação, que pela sua
própria definição, se propõe a atingir um maior contingente e chegar onde o
presencial não consegue.

Com as TIC, novas possibilidades surgiram para a EAD devido às suas
características de difusão rápida, maiores condições de recursos tecnológicos
e de estar cada vez mais acessível ao professor nas mais distantes regiões,

35
rompendo desta forma, barreiras antes instransponíveis por ela própria devido
seus recursos restritos da primeira e segunda geração.

Há uma carência de formação de professores para atender às
exigências impostas pela LDB. Esta carência é um dos fatores que incentivou
a difusão mais acelerada da EAD e uso da mesma nas políticas públicas. “O
número de professores leigos no Brasil chega ao patamar de 150 mil“
(GARRIDO e SILVA, 2006, p. 27), As autoras advertem quanto a uma
necessidade urgente de formar profissionais para atuarem nas suas mais
diversas regiões do país dentro das perspectivas da LDB.

Utilizar EAD na formação de professores vai além de modismos, como
afirma Neves (2005, p.1):
A educação a distância não é um modismo: é parte de um
amplo e contínuo processo de mudança, que inclui não só a
democratização do acesso a níveis crescentes de escolaridade
e atualização permanente como também a adoção de novos
paradigmas educacionais, em cuja base estão os conceitos de
totalidade, de aprendizagem como fenômeno pessoal e social,
de formação de sujeitos autônomos, capazes de buscar, criar e
aprender ao longo de toda a vida e de intervir no mundo em
que vivem.

A autora reforça a necessidade da EAD como a grande alternativa para
a formação de professores pretendida pela LDB, considerando seus princípios
básicos de qualidade que são a elevação do nível dos profissionais,
democratização do acesso com inclusão digital e, conseqüentemente, a
autonomia com cidadania. A autora reforça isto quando escreve sobre “formar
professores capazes de trabalhar seu próprio desenvolvimento ao longo de
toda a sua vida” (NEVES, 2005, p.1).

Neste sentido, Garrido e Silva (2006, p.178) escrevem:
Educar é formar um cidadão que saiba construir e,
principalmente, desconstruir argumentos, ou seja, um homem
que não seja facilmente enganado pela mídia (...) ou ainda, por
desejos de consumo(...). Educar é, portanto, criar no indivíduo
as condições para que ele saiba, a partir de um pensamento
crítico, inventar caminhos novos para construir uma sociedade
mais apta à inclusão do que à exclusão social.

As Autoras citados demonstram a preocupação com os fundamentos
pedagógicos de um professor crítico que possa ter a autonomia de trilhar seus

36
próprios caminhos, a partir de uma formação completa ou pelo menos que
contemple os anseios desta sociedade e, principalmente, os anseios deste
profissional muitas vezes a margem desta nova era.

A expansão e a evolução da EAD como modalidade de educação,
ampliou os horizontes da educação presencial, não sendo apenas uma nova
forma de educar mas também como uma nova forma de fazer educação e
ampliando os recursos já existentes na educação presencial, como ressalta
Moran (2007, p. 138):
É difícil delimitar o que é educação a distancia, porque ela
acontece dentro e fora de cursos presenciais. Por outro lado,
com as tecnologias de comunicação instantâneas, é difícil
definir o conceito a distância. A educação a distância é um
conceito mais amplo do que educação online(...) A educação
online pode ser definida como o conjunto de ações de ensinoaprendizagem desenvolvido por meios telemáticos, como a
internet, videoconferências e a teleconferência.

Para o autor citado, há uma tendência de unir as modalidades de
educação fazendo-se uma fusão de processos no contexto do ensino e
aprendizagem, já que recurso e ferramentas hoje consideradas da educação
on-line, já eram utilizados anteriormente na educação presencial, como
pesquisas na Internet, listas eletrônicas de discussões e outros meios de
interação.

Neste sentido de unir cada vez mais as duas modalidades e na
evolução constante da EAD, o uso do satélite aproximou ainda mais os
conceitos entre as duas, criando o termo “presencial conectado” que traz,
através da tecnologia, o professor para dentro da sala de aula sem que o
mesmo esteja fisicamente no mesmo espaço, mas que possa interagir com os
alunos em tempo real através das TIC.

Há claramente uma mudança na educação presencial provocada pela
EAD. Para Moran (2007) um dos aspectos desta mudança acontece quando o
professor, até então acostumado com a educação presencial, é colocado em
um ambiente de EAD e necessita criar o seu material para esta modalidade.
Para o autor, em geral este professor percebe que não é o bastante ser um

37
especialista na área mas reaprender a escrever de forma mais eloqüente
para comunicar-se com o aluno a distância.
Neste contexto, o professor quando retorna ao ambiente da educação
presencial percebe que o planejamento é menos rigoroso, que as atividades
em sala de aula são menos previstas e que o material poderia ser mais
adequado, e ainda segundo o autor citado tanto os professores como os
alunos depois de terem acesso a bons materiais em cursos a distância trazem
isto para o presencial que contribui para a melhoria desta modalidade
diminuindo ainda mais a separação entre as duas.

2.1- A EAD nas Políticas Públicas

Alguns fatores relevantes sobre a formação de professores em EAD e
com mais ênfase na realidade brasileira, perpassa pelas questões das
políticas públicas, já que a formação básica e continuada deste profissional
tem sido preocupação do estado dentro das perspectivas da LDB.

Na proposta de diversificação do sistema de ensino superior brasileiro
da LDB, a EAD foi incluída pela primeira vez em um texto de abrangência
nacional. Entretanto, no decorrer da década de 90, várias iniciativas
governamentais já vinham demonstrando o avanço dessa modalidade de
ensino em nível de sistema, mesmo antes da LDB: é criado em 1994 o
Sistema Nacional de Educação a Distância e, logo no ano seguinte a SEED
no MEC. Paralelamente algumas universidades públicas passaram a criar
projetos voltados para EAD em nível superior com ênfase na formação de
professores, consolidando assim a institucionalização da EAD como consta
na LDB.

Alguns programas e projetos desenvolvidos pela SEED em EAD foram
direcionados no sentido de inovação dos processos de ensino-aprendizagem,
para fomentar as TIC na educação. Estas ações objetivaram a formação do
professor em exercício. As que mais se destacaram foram:
a TV Escola que tem como foco a capacitação, atualização e
aperfeiçoamento dos professores da educação básica no

38
enriquecimento do processo ensino-aprendizagem; o Salto
Para o Futuro, que é um desdobramento da TV Escola, com a
proposta de formação continuada para aperfeiçoamento do
docente no compromisso de formar novos leitores; o
Proformação, instituído em 1999 para habilitação de
professores leigos no curso Normal Médio; o Pró-Licenciatura,
o programa mais recente, que visa a formação de professores
de 5ª. a 8ª. série nas áreas mais carentes de Química, Física,
Matemática e Biologia, a meta é oferecer 140 mil vagas até
2009 (MEC, 2008).

Há de se ressaltar a criação do Proinfo, um programa do MEC que teve
como característica informatizar as escolas públicas e dá condições para os
professores usarem estes computadores como ferramenta, para apoiar estas
ações em parcerias com as secretarias Estaduais e Municipais de Educação.

A EAD assume um papel fundamental neste século na disseminação
do conhecimento, propiciando a acessibilidade aos que estão excluídos do
processo de educação formal. Estar incluído neste processo deve ser
compreendido como uma dimensão que permite ao aluno as condições
mínimas de equidade no que diz respeito à educação, ou seja, todos têm
acesso ao mesmo nível de aprendizado com oportunidades iguais na
obtenção do conhecimento.

Nos últimos anos as políticas públicas educacionais têm se apropriado
da EAD como uma forma eficiente, rápida e consistente de disseminar o
conhecimento através das TIC. Mesmo assim, as TIC são inacessíveis para a
maioria, sendo necessária uma ação governamental para que o aparato
tecnológico seja implementado e torne-se acessível à população. Com isto, a
inclusão digital, cidadania e movimentos sociais, cada vez mais fazem parte
das discussões sobre educação e cada vez mais se tem consciência da
necessidade de políticas públicas que evidenciem este contexto.

A EAD necessita ser aprimorada como modalidade e como parte das
políticas públicas. Para Preti (2000), numa análise sobre o crescimento desta
modalidade nos cursos superiores e sobre o seu papel nas políticas públicas,
relata que apesar dos resultados quantitativos, que são de certa forma

39
positivos, muitos programas foram desativados pelo governo por falta de
continuidade.
Para o autor, há uma grande diversidade de propostas com objetivo de
responder a um problema específico, fazendo com que esta modalidade
cresça apenas no sentido unilateral de responder questões emergentes e não
como forma permanente para atender aos programas diferenciados em todas
as esferas, municipais, estaduais e federais, contextualizadas pela dimensão
de cada região e pela necessidade de cada uma dentro da sua ampliação de
formação, seja ela básica ou continuada.

Nesta questão, o autor ressalta o fato de que a EAD, por não ser
apresentada de forma contextualizada e que por trás desta modalidade,
enquanto política pública, há apenas uma transferência de procedimento
presencial para a distância e uma aceleração do processo de formação. “Há
muito mais uma preocupação do governo em acelerar o processo sem se
preocupar com as questões humanizadoras” (PRETI, 2001,p.33).

As críticas lançadas a esta modalidade, principalmente respaldadas em
preconceitos, têm discriminado a EAD, colocando-a como de “qualidade
duvidosa” ou como simplesmente “fábrica de diplomas” e não algo que deve
contribuir na formação do professor, atingido regiões e pessoas que
normalmente não têm acesso à educação presencial.

Em outra circunstância, as críticas à EAD são dirigidas quanto ao fato
das políticas públicas se utilizarem desta modalidade em larga escala,
havendo um crescimento demasiado e que venha prejudicar a qualidade
desta, como afirma Moran (2007, p. 133-134):
Com o crescimento rápido no numero de alunos, de pólo, de
telessalas, na minha avaliação, fica muito difícil manter a
qualidade(..). Os cursos com grande número de alunos
costumam ir reduzindo o tempo de qualificação de professores
tutores ou assistentes, que passam a ser chamados para agir
de forma generalista, isto é, como tutores de todas as
disciciplinas.

Esta modalidade não deve ser vista dentro das políticas públicas como
ação compensatória de aligeirar ou baratear a formação de professores

40
sempre dirigida a um grupo que, historicamente, não teve acesso à formação
básica.

Preti (2001) faz referências à questão de como a EAD está sempre em
choque com a modalidade presencial, quando na realidade o que deveria ser
considerado eram suas “peculiaridades e não colocá-las em oposição”
(PRETI, 2001, p.33).

O surgimento de cursos de nível superior na modalidade EAD, acelerou
ainda mais o processo de disseminação desta modalidade e fortalecem a
confiança e, paralelamente, a conduz a níveis de qualidade que se espera da
EAD por estar a mesma sempre em evidências nas discussões sobre
educação em todos os âmbitos.

Implementados

por

universidades

públicas

renomadas

com

financiamento do governo federal, os cursos de licenciatura em EAD, foram
estruturados inicialmente para formar professores em disciplinas que
apresentam forte demanda na rede pública. Dentro desta perspectiva, o
Governo Federal

implementou uma ação que pretendia articular vários

setores da esfera federal, os diferentes níveis de esfera pública (Estados e
Municípios), e as universidades públicas na criação e implementação do
programa de formação de docentes na modalidade a distância, o programa de
Prolicenciatura1.

O Prolicenciatura aparece neste contexto como grande alternativa,
dentro das políticas pública, para acelerar o processo de EAD no Brasil e
como

relevante contribuição

na formação de professores. Ele objetiva a

criação de cursos de licenciaturas na modalidade EAD para formação e
qualificação do professor que atua em sala de aula na rede pública, sem nível
superior, ou quando apresenta nível superior em uma área diversa da que
efetivamente atua. Esta distorção existente nos quadros da Educação Básica
pública ocorre principalmente em localidades distantes dos grandes centros.

41
A intenção do MEC/SEED com este programa visa caracterizar a
formação do professor em uma modalidade com inserção tecnológica
embutida na própria metodologia do curso, que poderá fazer uma diferença
significativa em sua atuação na educação básica. Ao fazer o curso de
__________________________
licenciatura na disciplina em que efetivamente atua, o professor que já exerce
1- Programa de Formação Inicial para Professores dos Ensinos Fundamental e Médio, trata-se de um Programa
deessa
formação
inicial voltado
para professoresacumulará
que atuam nos
sistemas
públicos
de ensino, nos
anos/séries finais
atividade,
possivelmente
não,
apenas
o conteúdo
específico
do Ensino Fundamental e/ou no Ensino Médio e não têm habilitação legal para o exercício da função
(licenciatura).
que leciona, mas também inúmeras possibilidades pedagógicas que permitam

uma atuação mais efetiva, inserida realmente em uma sociedade de
informação e conhecimento.

Assim, os professores atuantes nas mais remotas regiões do país,
travaram conhecimento com a Internet e com as TIC de forma geral,
descobrindo as inúmeras possibilidades que o acesso à informação permite,
ao mesmo tempo em que desenvolvem um conceito de autonomia na
construção de sua própria aprendizagem, algo já inerente à metodologia da
EAD.

Para Schlunzen, Schlunzen e Terçariol (2006, p. 113):
Diante da necessidade de propiciar uma formação continuada
e em serviço aos professores do curso de Graduação das IES
no Programa Pró-Licenciatura, um dos aspectos fundamentais
a serem previstos nas propostas é o de prever um caminhar
para
o processo de formação do docente acadêmico,
oferecendo-lhes oportunidades para refletir sobre sua
prática(...), buscando dessa forma Educação de qualidade para
todos

Para os autores, promover a formação dos professores como um
processo de construção do conhecimento, vai além da formação tradicional
com um repertório de estratégias de ensino apenas. “Cada professor-aluno,
em sua formação, deverá desenvolver seu próprio repertório de forma única e
encontrar a base perceptual de seu comportamento, de modo que sua
competência

básica

esteja

no

desenvolvimento

da

habilidade

de

compreender-se e de compreender os outros” (SCHLUNZEN, SCHLUNZEN
e TERÇARIOL 2006, p. 113).

42
Esta preocupação dos autores reforça o pensamento inserido na
metodologia didático-pedagógico dos objetivos do programa Prolicenciatura,
que terá nas IES o suporte necessário para a sua execução, para uma
formação reflexiva de professores com capacidade de repensar a sua função,
de

conduzir

o

ensino-aprendizagem

no

novo

rumo

das

TIC

e,

fundamentalmente, serem críticos de si mesmo e das concepções que se
inserem permanentemente nesta sociedade.

É também preocupação das políticas públicas consolidarem a
democratização do ensino superior no país. Sobre esta perspectiva, Moreira,
Torres e Assumpção (2005, p.191) ressaltam:
O sistema educacional brasileiro defronta-se, hoje, de forma
mais permanente ainda, com o desafio de ampliar
significativamente, as oportunidades educacionais nos vários
níveis de ensino, desde a educação infantil até o ensino
superior.(...) O estabelecimento de uma política de EAD
assume, assim, grande importância, uma vez que por meio
dessa modalidade de ensino, expande-se a possibilidade de
promover o acesso a ambientes de aprendizagem a todos
aqueles que, pelos mais diversos motivos, foram excluído das
salas de aula presenciais, com conseqüente redução do seu
direito à educação.

Para os autores, a liberdade propiciada pela EAD de tempo e espaço
garante, não só é mais uma possibilidades de acesso pelos alunos, mas
também a flexibilidade de permanecerem no exercício profissional e
paralelamente em constantemente formação. Como há uma tendência do
domínio das TIC na EAD, é necessária também a familiarização das suas
interfaces pelos alunos.

Neste contexto, as políticas públicas propõem-se a atingir duas metas
consideradas fundamentais pela SEED/MEC: formar cada vez mais
professores em nível superior e com todo este aparato de autonomia e
liberdade, como também, formar professores para atuarem nas escolas com
habilidades e competências que atendam a um perfil de uso das TIC na
escola.

Por outro lado, a preocupação dos autores acima citados também
enfatiza a questão da qualidade desta formação, sem perder de vista o foco

43
da qualidade dessa formação na modalidade EAD, como também este
processo não ser uma “aceleração de formação” sem levar em conta a
consistência e coerência do processo. Sobre isto os autores escrevem:
Ainda que a EAD tenha como um dos pressupostos
fundamentais a autonomia intelectual do aluno e a sua
possibilidade de escolher espaços e tempos para realizar as
atividades pedagógicas, ela não pode ser associada com
autodidatismo. (...) deve ser regida pela intencionalidade e por
um programa criterioso e avançado no que se refere ao
processo de ensino-aprendizagem (MOREIRA, TORRES e
ASSUNÇÃO, 2005, p.192).

A EAD por ser um instrumento poderoso para democratizar o acesso à
educação dentro dos objetivos das políticas públicas e por ser uma grande
alternativa de formação de professores, necessita estar em constante
avaliação dos seus meios e processo, visando corrigir possíveis dificuldades
inerentes às sua execução, como coloca os autores citados: “altas taxas de
evasão; a padronização de curso; dificuldades de alunos e professores com
as propostas educativas novas mediadas por tecnologia” (MOREIRA,
TORRES e ASSUMPÇÃO, 2005, p.193).

2.2- Programa de Formação Continuada de Professores em Mídias na
Educação

Dentro das propostas de políticas públicas do governo federal e em
parceria com IES públicas e SEDUC, a SEED/MEC lançou o Programa de
Formação Continuada de Professores em Mídias na Educação, na
modalidade a distância, atendendo uma demanda de professores para uma
formação direcionada ao melhor aproveitamento no uso das TIC na
educação. Num sentido mais abrangente, esse programa prima pela forma
mais ampla e articulada de que haja constantemente uma avaliação crítica da
forma como se aplica as diferentes mídias na educação.

A escolha da SEED/MEC pela modalidade de EAD se justifica pelo uso
do ambiente on-line e-Proinfo com base nas características próprias do uso
da Internet em EAD que são: veiculação da produção dos envolvidos no
processo de ensino-aprendizagem; ampla utilização por facilidade de acesso;

44
utilização associada com a mídia impressa, vídeos, e/ou a cd-rom; e
possibilidade de editar e alterar materiais com custo reduzido.

Com os objetivos de identificar os aspectos teóricos e práticos das
diferentes mídias e no uso integrado das linguagens de comunicação com
destaque nas mais importantes ao ensino e aprendizagem, o programa
também visa explorar o potencial dos programas da própria SEED/MEC, no
que diz respeito à TV Escola, Proinfo, Rádio Escola e o Rived, todos com
aspectos do uso das TIC na educação e também, os programas em
andamento desenvolvidos pelos parceiros, que atinjam os objetivos de gestão
no cotidiano da escola e sua relação com a comunidade.

Com a característica de incentivar a produção e a autoria em diferentes
mídias, o programa se insere no contexto de uma proposta moderna na
relação do ensino e aprendizagem, quando permite que o aluno possa
desenvolver seu aprendizado e coloca este aluno em confronto com as
possibilidades de integração das mídias nos desafio de interagir com as
diversas áreas de conhecimentos desenvolvidas na escola. Por ter uma
metodologia pedagógica centrada no sujeito criador, autor, o programa
reforça a idéia da produção como meio de aprendizagem.

O programa, além da preocupação com o conteúdo e a aprendizagem,
também deu ênfase à formação docente de qualificação e nível, quando
permite de forma modular, atender aos diversos níveis de formação como
extensão, aperfeiçoamento e especialização. Basicamente destinado a
professores da Educação Básica, Educação Especial e Educação de Jovens
e Adultos, profissionais e graduandos de áreas ligadas ao magistério e à
gestão educacional.

A SEED/MEC adotou como estratégia de execução a parceria com
outras entidades com quem dividiu as funções: ao MEC, a responsabilidade
pela concepção, acompanhamento, avaliação e provisão de recursos para o
Programa;

às

universidades

e

secretarias

de

participação

no

desenvolvimento, elaboração, operacionalização, dinamização de momentos

45
presenciais e seleção de participantes; e apenas as universidades, a
elaboração e implementação de módulos e percursos, seleção e capacitação
de tutores, tutoria, avaliação e certificação.
A estrutura curricular do curso tem como eixo a utilização de diferentes
recursos de apoio à aprendizagem e à autoria nas diferentes mídias. Para
tanto, foi disponibilizado um espaço interativo no ambiente e-Proinfo, para as
produções dos participantes. Sua estrutura compreende: Ciclo Básico, com
duração total de 120 horas e certificação de Extensão; Ciclo Intermediário,
com 180 horas de duração e certificação de Aperfeiçoamento; Ciclo
Avançado, com certificação de 360 horas e certificação de Especialização.

A proposta é de uma metodologia que garantia a continuidade e o
aprofundamento dos temas abordados em uma seqüência opcional para os
alunos, mas de aprofundamento nas questões discutidas. Os Ciclos Básico,
Intermediários e Avançados, são formatados por módulos temáticos com
aprofundamento de conteúdo a cada ciclo, nos quais os temas serão
gradativamente discutidos e com conteúdos incrementados a cada nível,
acompanhando o desenvolvimento do aluno.

O Ciclo Básico está situado estrategicamente para servir de base para
os demais Ciclos. Sua função é de englobar as discussões sobre a utilização
das mídias em diferentes concepções pedagógicas, os fundamentos e a
aplicabilidade das principais mídias no ensino e na aprendizagem. O Ciclo
Intermediário, com os módulos temáticos incrementados nos seu nível, é um
acréscimo ao ciclo anterior. Sua certificação de Aperfeiçoamento depende
das horas cursadas pelo aluno no Ciclo Básico e mais sessenta horas
equivalentes ao Intermediário. Soma-se a isto o trabalho final do aluno para
este nível. O Ciclo Avançado, em continuidade aos anteriores, tem
incrementado em seu currículo um estudo mais avançado dos módulos
temáticos. A certificação de especialização depende de que o aluno tenha
cursado os anteriores, com seus respectivos certificados e adicionadas mais
cento e oitenta horas, garantindo uma formatação total de 360 horas. Para a

46
(SEED/MEC,2005), o resultado esperado pelo Programa é a formação de um
profissional com perfil de:
ter liberdade para criar e produzir, nas diferentes mídias,
programas, projetos e conteúdos educacionais; ter capacidade
de tematizar e refletir criticamente a respeito da própria prática
e do papel desempenhado pela tecnologia na criação de um
novo ambiente educacional; ter capacidade de refletir crítica e
criativamente a respeito das diferentes linguagens,
considerando as mídias como objeto de estudo e reflexão,
ferramenta de apoio aos processos de ensino e aprendizagem
e meio de comunicação e expressão através de produção; ter
capacidade de utilizar as diferentes mídias
em conformidade com a proposta pedagógica que orienta sua
prática” (SEED/MEC, 2005, p.2).

Na fig1 percebe-se intencionalmente um relacionamento entre os
Ciclos de forma progressiva, cada um deles com seus conteúdos inseridos
gradativamente no contexto do outro visando um aprofundamento dos temas
e conduzindo o aluno a uma formação gradual, tanto em conhecimento
múltiplos como em nível.

Fig.1- Organização Curricular do Programa de Formação Continuada de
Mídias na Educação

Módulo Conceitual Introdutório

TV

Rádio

Gestão de Mídias

Ciclo
Básico
Impresso

Internet

Interatividade
Suporte as Mídias

Acessibilidade

Gestão de tecnologia na
Educação

Fonte: MEC/SEED, 2005, p. 4)

Mídias na
comunidade

Comunidades
virtuais

Ciclo
Intermediário

Ciclo
Avançado

47
Os fundamentos pedagógicos na proposta de produção e autoria têm
como base as interseções estabelecidas entre as mídias na utilização de
diferentes recursos tecnológicos e com vistas ao apoio na aprendizagem.
Viabilizam um processo construtivo e permanente que implica:
no reconhecimento da especificidade do trabalho docente, que
conduz à articulação necessária entre a teoria e a prática com
a exigência que se leve em conta a realidade da escola e da
profissão do docente; na metodologia de resolução de
problemas, permitindo que a aprendizagem se desenvolva no
contexto da prática profissional do aluno; na integração e na
interdisciplinaridade curriculares, dando significado e relevância
aos conteúdos; no favorecimento à construção do
conhecimento pelo aluno, valorizando sua vivência investigativa
e o aperfeiçoamento da prática; na inclusão, considerando a
oferta de percursos compatíveis com a formação prévia, as
necessidades e a expectativa dos participantes” (SEED/MEC,
2005).

Para que as produções dos alunos sejam publicadas e para que cada
um pudesse contribuir com as suas idéias e sugestões, foi disponibilizado o
Projeto Galeria de Mídias tendo como suporte a Internet em um site
específico, no qual as publicações individuais que seriam agregadas ao
projeto final de avaliação pudessem ser avaliadas e discutidas através de um
bate-papo online entre os participantes alunos e professores, caracterizando
assim mais uma forma de colaboração e integração das mídias na proposta
final do Programa.

A concepção metodológica da estrutura modular referenciou as mídias
em três categorias para efeito de estudo: como objeto de estudo e reflexão;
ferramenta de apoio ao processo de ensino aprendizagem; meio de
comunicação e expressão, direcionado para produção e autoria. Estas
categorias objetivaram construir uma referência para a aplicação das mídias
ao trabalho pedagógico.

No intuito de viabilizar a estrutura do módulo este deveria conter: um
tutorial apresentando as ferramentas de interação e comunicação a serem
usadas, entre elas os fóruns, bate-papo, agendas disponíveis no ambiente eProinfo; apresentação de uma sinopse em hipertexto, que permite ao aluno
navegar a partir de uma informação em busca de outra complementares, com

48
os assuntos a serem tratados nos módulos, incluindo atividades, bibliografias
e webliografia; relação dos recursos de multimídia disponíveis com links
temáticos; link para o espaço Galeria de Mídias onde os trabalhos foram
publicados. Para a estrutura pedagógica,
A estrutura pedagógica do programa considerou os pressupostos
como: a produção individual; estabelecer desafios; o respeito aos direitos
autorais; provocação de debates e releitura das formas tradicionais de aulas
sem o auxilio das TIC e com foco em situações que busque exemplificá-los
com atividades concretas; e a produção individual de projetos como forma de
avaliação.

O uso das TIC foi de fato o principal foco do Programa, dessa forma
ficaram estabelecidos alguns critérios quanto à tecnologia envolvida: garantir
a acessibilidade de recepção de som, todo material audiovisual acompanhado
de legendas e com opção para impressão em braile; os recurso de som e
vídeo na Internet otimizada para não comprometer a navegação dos alunos
nos mais variados tipos de acesso a Internet; cada módulo de 15 horas deve
conter pelo menos 8 minutos de vídeo, animação ou outro recurso multimídia;
textos publicados online adequados ao ambientes da tela e com opção de
impressão; todo recurso multimídia com disponibilidade de acesso pela
Internet. Estes critérios davam enfoque às dificuldades inerentes ao uso da
Internet e das TIC, considerando a importância de se pensar nos alunos com
as situações de acesso a tecnologia e a Internet das formas mais diversas
possíveis, dentro cada um das suas condições de equipamentos e conexões.

Em cada modulo houve a preocupação de se integrar as mídias ao
abordar-se um tema e neste tema se inseria uma perspectiva multimídia de
integração com as outras externas à estudada no módulo. O tema abordado
naquele módulo deveria abrir espaço para que outras mídias interagissem
como ele. Isto era uma forma de garantir que o estudo de uma mídia
específica não se dava isoladamente para não fugir do objetivo pedagógico
do Programa. A partir daí então, os trabalhos e produções deveriam ser
inseridos no espaço Galeria das Mídias para sua integração.

49
A seleção dos alunos para o Curso Piloto atendeu aos pré-requisitos
dentro do contexto pedagógico e metodológico do Programa. Desta forma
optou-se

em

atender

àqueles

professores,

gestores,

coordenadores

pedagógicos, supervisores ou funções assemelhadas das redes estaduais e
municipais, que tivessem acesso a Internet e disponibilidade de pelo menos
duas horas diárias, comprometendo-se a participar das atividades presencias
e virtuais referentes a cada módulo, características primordiais para que os
cursistas selecionados pudessem acompanhar e concluir o curso.

Na avaliação levaram-se em conta as duas formas práticas: a
avaliação da aprendizagem e a avaliação do Programa em si. Na primeira
voltada para o aluno, procurou-se fazer uma avaliação continuada “lançando
mão de procedimentos e instrumentos do curso e às necessidades dos
cursistas para garantir o desenvolvimento integrado e continuo das
aprendizagens e competências” (SEED/MEC, 2005). Isto também incluía os
procedimentos de auto-avaliação, avaliação a distância e presencial,
participação no projeto integrador e elaboração do projeto final. Na segunda,
voltada para o Programa, uma Coordenação Geral do Programa acompanhou
o processo a fim de estabelecer parâmetros, critérios de acompanhamento do
desempenho durante a sua execução visando as possíveis melhorias mesmo
para o Programa em andamento e para os futuros.

50

3- ANÁLISE DA INTEGRAÇÃO DAS MÍDIAS NA PRÁTICA PEDAGÓGICA
DOS CURSISTAS DO PROGRAMA MÍDIAS NA EDUCAÇÃO
A integração das mídias é sempre um desafio que envolve
efetivamente o a escola enquanto gestora, o professor principal responsável
pelo processo de ensino e o aluno hoje inserido num mundo de tecnologias e
informações.

Questões como democratização do acesso a tecnologia, inclusão
digital, resistências às mudanças na escola, despreparo de professores para
uso das TIC e o uso integrado das mídias na educação, foram os objetivos
deste Projeto Piloto no Programa de Formação Continuada de Professores
em Mídias na Educação.

Discutir estas questões foi o principal foco do Curso Piloto neste
programa, já que as políticas públicas neste âmbito vêm propondo uma visão
mais ampla do uso das TIC na educação numa perspectiva integradora nos
aspectos sociais, culturais, econômicos, profissionais, e principalmente, no
ensino e aprendizagem.
3.1 – O Método

A análise de um curso on-line perpassa por questões próprias da sua
metodologia. O uso das TIC como ferramenta de interação neste contexto é
uma das principais variáveis nesta forma de avaliação, já que o diferencial de
um curso online é o não está presente fisicamente, principalmente dentro de
um ambiente na web.

Para esta investigação, que tem um caráter descritivo, foram
analisadas as falas dos 12 cursistas em sua participação nos fóruns de um

51
curso online dentro do ambiente virtual e-Proinfo. As características do estudo
descritivo é buscar o perfil relevante das pessoas, grupos, comunidades e
outros fenômenos que se submetam a análise. A pesquisa descritiva investiga
a

situação

de

algo

no

passado

ou

presente.

Descreve

atitudes,

comportamentos, acontecimentos, realizações e características de objetos o
que caracteriza um estudo de caso.

A participação dos cursistas foi analisada com vistas à investigação do
comportamento de um ambiente on-line no contexto de interação entre o
aluno e as TIC.

O estudo envolveu a análise do documento Relatório da Coordenação
de Tutoria do Curso Piloto pela UFAL do Piloto do Programa de Formação
Continuada de Professores em Mídias na Educação, com carga horária de 30
horas, ocorrido no período de 25 de outubro a 16 de dezembro de 2005,
prorrogado até 30 de janeiro de 2006 oferecido em todo território nacional
pelo CEAD da Universidade de Brasília, utilizando o ambiente online do eProinfo, com tutoria no estado de Alagoas sob responsabilidade da UFAL.

O curso foi ofertado em parceria com as SEDUC que selecionaram
candidatos, dentro de um limite de 1200 vagas. O projeto piloto serviu como
uma experiência em relação ao material produzido, para avaliação dos
problemas do curso e como identificação de possíveis tutores para uma
posterior oferta do Ciclo Básico completo em 2006.

O objetivo do Curso Piloto foi a formação de professores dos sistemas
públicos de educação básica e outros educadores com interesses nas TIC no
processo pedagógico e teve como principal meta a convergências das mídias
como

rádio, televisão, impressos e informática, numa visão ampla de

produção, autoria e uso criativo das mídias nas suas diferentes características
e linguagens.

O grupo experimental de cursistas do piloto foi formado por 15
professores considerando sua formação de pós-graduação e todos com

52
especialização e experiência em EAD e formação de professores, escolhidos
pela coordenação do programa.
Para esta investigação, foram escolhidos 12 dos 15 cursistas do Curso
Piloto estabelecendo o critério do número de interações nas diversas
ferramentas usadas no curso conforme mostra o quadro 1:

Quadro 1- Despenho individual e as interações realizadas no ambiente eProinfo
CURSISTA

A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
K
L

F
AVISOS REFERÊNCIAS
O
BATE- DIÁRIO- ER
PAPO BORDO MAIL
U
M
11
1
0
6
0
37
10
3
0
17
8
67
5
3
1
10
8
33
7
1
24
0
5
7
2
2
0
8
0
14
0
1
1
9
0
32
5
7
2
19
8
34
7
4
3
10
1
58
3
1
0
12
0
17
4
3
20
21
6
85
6
4
4
14
1
33
2
1
2
5
4
38

Para análise das produções dos 12 cursistas, as atividades foram
assim distribuídas no Módulo Introdutório: leitura dos módulos e interação em
todos os materiais disponibilizados no ambiente e-Proinfo; participação e
interação em oito fóruns de discussão: Café – Apresentação; Etapa 1 Tecnologias na Educação; Etapa 2 – Pesquisa; Etapa 2 - Refletindo sobre a
mudança; Etapa 3 - Discutindo soluções para o cenário; Etapa 3 - Utilizando a
TV e vídeo em sala de aula; Etapa 4 - Amarrando as idéias; Trabalho Final –
Ensaio; produção de trabalhos de pesquisa e projeto final disponibilizado no
diário de bordo e na biblioteca do cursista; realização de um chat sobre o
tema Integração das TIC na sala de aula, no dia 02 /12/2005
participantes.

com 9

53
A abordagem da pesquisa foi a etnográfica online, que segundo Hine
(2000), permite um estudo sobre as práticas sociais on-line e de como estas
práticas são significativas para os participantes. A pesquisa realizada lança
mão dessa abordagem para detalhar o ambiente on-line, no qual a Internet
não é vista apenas como um meio de comunicação, mas também como uma
ferramenta cotidiana na vida das pessoas e um lugar de encontro de
interação de grupos e comunidades mais ou menos estáveis dentro da
emergência de uma nova forma de sociabilidade.

A etnografia online, de acordo com Miller e Slater (2004), necessita da
mediação tecnológica durante todo o processo etnográfico, tanto na
observação participante como no registro e construção dos dados, sendo a
mediação técnica através do registro textual, áudio, fotografia e vídeo.

Neste estudo a coleta de dados envolveu os seguintes momentos e
instrumentos:

a) Entrevista semi-estruturada e aberta com os cursistas do Curso
Piloto em Alagoas nos quais foram agregadas perguntas sobre os
objetivos do curso, ferramentas e o ambiente virtual, indagando sobre o
tempo para aprendizagem, textos e tema de estudo propostas de
atividades, concentrando-se na relação teoria-prática no papel do tutor
e do aluno em situação de aprendizagem a distância questionando-os
sobre os momentos presenciais e a avaliação. As entrevista puderam
ser realizadas virtualmente dentro do processo da etnografia,
síncronas com os cursistas e por e-mail para aprofundar o ponto de
vista de outros membros da equipe;

b) Levantamento das visões dos cursistas sobre a integração das
mídias nas atividades no piloto através dos fóruns, diário de bordo e
chat, objetivando perceber a visão dos sujeitos quanto ao processo de
formação que estavam vivenciando. Este processo metodológico da
etnografia agrupa-se em quatro fases como a aproximação dos

54
elementos para interpretação dos fenômenos, identificação de
categorias como ferramentas para as análises e a própria análise dos
resultados na identificação de padrões e interpretações de síntese,
fases nas quais se realizaram diversas atividades e procedimentos;

c) Análise dos dados e resultados através da triangulação dos dados
obtidos durante o processo etnográfico nestes estudos realizados no
grupo do Curso Piloto, sendo extraídos diferentes resultados em
relação à dimensão social dos grupos colaborativos virtuais. Nesta
análise verificaram-se alguns elementos como: problemas de acesso
no ambiente virtual e-Proinfo e suas ferramentas; problemas técnicos
relacionados a Internet e falta de espaço apropriado para realização do
projeto. Estes fatores também afetaram a integração de mídias na
prática dos cursistas e influenciaram diretamente as relações entre o
numero de mensagens dos cursistas e seus tutores, fazendo a
diferença no uso dos recursos sociais de integração e discussão e nos
pessoais

de

desempenho

na

aprendizagem

que

afetaram

o

desenvolvimento do grupo.

A

metodologia

utilizada

no

estudo

envolveu: estudo

sobre

a

fundamentação teórica quanto as TIC na prática docente e os pressupostos
pedagógicos da integração das mídias na educação, visando estabelecer um
paralelo entre a literatura da área e as práticas pedagógicas com integração
das mídias e a proposta do Ciclo Básico do Programa de Formação
Continuada em Mídias na Educação; análise documental do projeto do curso
e módulos online; estudo de caso do Projeto Piloto do Programa de Formação
Continuada em Mídias na Educação nas turmas de Alagoas; entrevista com
participantes do Ciclo Básico do Programa de Formação Continuada em
Mídias na Educação para a análise dos projetos finais e analise das
atividades no ambiente virtual e-Proinfo.
3.2 – Análise das atividades dos cursistas do Curso Piloto do Programa
de Formação Continuada de Professores em Mídias na Educação.

55
De forma geral percebe-se um quadro de preocupação dos cursistas,
em sua maioria, quanto às questões propostas pelo projeto piloto no tocante
aos seus principais objetivos, e uma preocupação de como efetivamente
aplicar este na prática docente diante de tantos problemas como: dificuldade
de acesso dos professores; falta de tecnologia apropriada nas escolas;
despreparo do professor para uso das TIC; novas e velhas concepções
educacionais em conflito;

necessidade emergente da sociedade em

constante mudança decorrente da inserção das tecnologias no dia a dia em
obter pessoas qualificadas; o avanço natural do aluno às vezes mais
conectado tecnologicamente do que o próprio professor; e as políticas
públicas que ainda não foram suficientes para democratizar o acesso às TIC.

Estes aspectos são relevantes na investigação sobre a integração das
mídias que dependem destes fatores para sua concretização, tanto nos
objetivos do programa como no dia a dia dos cursistas.

O Curso Piloto foi dividido em quatro etapas, divididas em atividades
utilizando-se de objetos inerentes à EAD como o fórum, bate-papo, diário de
bordo e pesquisas em bibliotecas virtuais. Em cada uma das etapas procurouse explorar estas ferramentas considerando o objetivo de cada uma delas
dentro dos objetivos pedagógicos propostos pelo programa, disponibilizadas
dentro do ambiente virtual e-Proinfo.

A primeira etapa teve como objetivo abordar os conceitos de mídias,
tecnologia e sua evolução enquanto TIC e uma abordagem sobre multimídia,
hipertextos e hipermídias, como também levar os cursistas a uma reflexão
sobre o papel das TIC na educação e a análise das tecnologias no cotidiano.

Como apoio didático a esta etapa, foram apresentados os seguintes
textos: “Tecnologia e TIC” que trata sobre as definições dos termos em
questão e a aplicabilidade de ambos na prática dentro das suas terminologias;
“Mídias” que aborda o uso das mídias na linguagem, na comunicação e como
uma nova forma de interação do homem com o mundo na busca de
informação, diante da evolução tecnológica; “Evolução da Conceituação das

56
Mídias” que trata da evolução dos conceitos da tecnologia nas décadas de
vinte, trinta e sessenta traçando uma paralelo da história desde a imprensa
até a chegada da TV e os outros meios tecnológicos; “Novas Terminologias”
que trata sobre o tema texto-áudio-visual e o renascimento dos temos
hipermídia, hipertexto, telemática e multimídia com uma nova roupagem na
sociedade de informação, e a tecnologia computacional como elo na
produção de informação e de entretenimento; “Mídia Antiga e Nova Mídia”
que dá um enfoque a evolução das mídias se adequando a nova realidade e o
ponto de fusão onde ambas se configuram e as diversas possibilidades de
interação, informação e comunicação a elas atribuídas; “TIC na Educação”
reflexão sobre as possibilidades das TIC e sua relação com a educação
enfocando o novo desafio da educação frente a esse novo contexto e como
orientar

o

aluno

para

usar

essas

informações,

transformá-las

em

conhecimento e usá-las de forma adequada, responsável e consciente.

Esta etapa teve como meta tratar as conseqüências culturais e sociais
provocadas por uma nova tecnologia emergente e que estas conseqüências
não podem ser compreendidas isoladamente; a importância de se analisar
cada mídia integrada coma as outras disponíveis em seu contexto espaçotemporal, considerando que velhas e novas mídias coexistem assim como os
meios de comunicação se integram e se complementam.

Nesta etapa do Curso Piloto foram propostas quatro atividades: a
primeira levou os cursistas a uma apresentação pessoal considerando a sua
trajetória

profissional

e

pessoal,

seus

interesses

e

expectativas

oportunizando-os a se apresentarem, através de um fórum, incentivando-os
também a explorar este objeto navegando em busca de conhecer um pouco
mais sobre o outro, comentando os aspectos mais relevantes ou que os
identificou com o outro.

A segunda atividade trouxe uma reflexão sobre o que são mídias na
educação e como as TIC estão presentes no cotidiano, fazendo-os refletir as
tecnologias como parte da sua rotina diária e como as tecnologias interativas
influenciam no dia-a-dia, tendo como avaliação da atividade a apresentação

57
de uma análise estruturada do uso das tecnologias nos diferentes espaços e
situações de aprendizagem, mostrando o conhecimento sobre esta situação
numa visão positiva frente à importância e uso das TIC na sala de aula e na
aprendizagem como também na prática pedagógica.

A terceira atividade tratou de um debate virtual sobre tecnologia na
educação enfatizando-se a opinião de cada aluno sobre como as TIC devem
ser utilizadas na educação a partir de uma leitura de textos que se confrontam
quanto ao uso da TV na sala de aula.

Analisando a fala do cursistas nas atividades propostas do Curso Piloto
dentro do ambiente virtual de aprendizagem e-Proinfo, buscou-se investigar
até que ponto houve um entendimento por parte dos mesmos sobre a
integração das mídias, como também investigar as principais dificuldades em
usar as mídias de forma integrada na proposta do curso e trazendo esta
realidade para a escola. Outro aspecto importante investigado foi a evolução
dos cursists entre o início e a conclusão do Curso Piloto, percebido nas falas
das atividades da primeira etapa discutidas no Quadro 2:

Quadro 2: Análise das atividades dos cursista na Primeira Etapa
Atividades
Atividade.1:
Fórum de apresentação dos
cursistas.

Fala dos Cursistas
Minha perspectiva é de aprender mais sobre mídias na
educação. (Cursista A)
Ampliar os conhecimentos sobre o uso das mídias na
educação e como integrá-las devidamente. (Cursista B)
Refletir sobre a importância das mídias e a sua integração.
(Cursista C)

Atividade 2:
Fórum para refletir sobre o uso
das mídias no dia a dia.

Atividade 3:
Fórum para refletir sobre o uso
da TV na sala de aula.

Tenho certa intimidade com as mídias, mas procuro
sempre buscar informações de como usá-las e integrá-las
na escola. (Cursista D).
A escola não acompanha as mudanças da sociedade na
mesma velocidade, no entanto a tecnologia em geral não
deve ser usada neste ambiente apenas tecnicamente mas
para a valorização humana. (Cursista E)
A TV tem assumido muitas vezes o lugar dos pais pela sua
ausência onde a criança acaba absorvendo informações
sem uma filtragem necessária o que pode vir a deturpar
seu crescimento. (Cursista F).
A TV influencia as relações sociais e familiares, esta,

58
portanto deve ser usada positivamente para ensinar, desde
que os alunos e professores estejam devidamente
preparados para assistir a TV com um olhar crítico.
(Cursista A)
A TV consegue transmitir diversão e emoção, pontos
positivos dentro do contexto da sala de aula. (Cursista B)
Falta uma articulação para o uso da TV, principalmente na
escola pública. (Cursista G).

Na primeira atividade percebe-se uma expectativa básica em aprender
mais sobre as TIC e as suas relações com a educação. Para outros, a
preocupação com a integração das mídias já afloravam nesta primeira
atividade.

Esta primeira manifestação dos cursistas na atividade deixa clara as
expectativas que as TIC causam nos aspectos de atrair, inovar, capacitar e
interagir no uso das mesmas e também na formação do professor para usálas mesmo por cursistas com um perfil voltado ao uso das tecnologias.

Na segunda atividade, os cursistas fizeram uma análise do uso das
tecnologias nos diferentes espaços e situações de aprendizagem mostrando
que alguns têm um bom conhecimento sobre o assunto com uma visão
positiva frente ao uso das mesmas na sala de aula. O uso das mídias no
cotidiano tem se tornado uma rotina prática e cada vez mais constante de
forma que as pessoas às vezes nem se dão conta de como elas as usam sem
até mesmo perceber.

Quanto ao uso das TIC na educação, alguns comentaram sobre as
dificuldades de trazê-las para o ambiente educacional, dificuldade esta que
reflete diretamente na integração das mesmas. Há também uma preocupação
de não só incluírem as TIC no ambiente escolar com fim nelas próprias, mas
valorizando o uso adequado delas no ensino e aprendizagem, como refletem
os cursistas nesta atividade e colocam que o tempo, espaço, mudança de
concepção, preparo dos professores e democratização de acesso, são
preocupações generalizada com as TIC nos mais diversas situações da vida e
principalmente na escola.

59
Na terceira atividade desta etapa, levou-se em consideração a
discussão dos cursistas sobre a utilização das TIC a partir de dois textos: “A
TV e o Vídeo na sala de aula” que trata de como usar esta ferramenta no
contexto educacional; e “TV e violência, um casamento perfeito” que traz a
idéia de como a TV tem influencia maléfica nos jovens. Os textos
confrontavam as idéias sobre usar ou não a TV na sala de aula.

Há uma preocupação na fala dos cursistas na elaboração desta
atividade sobre a importância das TIC na educação e sobre os cuidados com
o uso das tecnologias mesmo no âmbito familiar. Para alguns, a TV contribui
positivamente na formação do indivíduo, mas que por outro lado, essa
contribuição pode ser também de forma negativa quando o abuso do seu uso
ultrapassa os limites da utilização, gerando muitas vezes alienados e apenas
consumidores de programação televisiva tirando aquilo que o indivíduo tem
de mais importante que é a capacidade de criar e intervir, algo que parte da
leitura reflexiva e não do consumo de programação que impõe seus
conceitos.

Os cursistas destacam também que a criança necessita de atividades
que estimulem a criatividade, algo que a TV até contribui, mas que não
havendo por trás um acompanhamento pedagógico que possa filtrar
programas, idéias e discutir sempre que necessário o tipo de programa dos
quais estas crianças têm acesso, pode vir a ter um efeito contrário nestes
indivíduos.

Para a Cursista B a TV tem pontos positivos quando trata da
informação, da diversão e até mesmo nas emoções, mas que os professores
e as escolas ainda não estão preparados para o que ela pode produzir
positivamente dentro das salas de aula e de como orientar os cursistas a usálas, mesmo em casa, retirando desse instrumento o que ele tem de melhor.
Outro aspecto relevante nesta discussão sobre as TIC na escola está
ligado às questões da escola pública. Neste contexto as TIC sofrem diversos
problemas na continuidade do processo devido às questões burocráticas ou

60
de interesses outros alheios ao processo pedagógico como foi citado pela
Cursista G.
As discussões de uma forma geral nas três atividades desta etapa se
concentram na importância das TIC na sala de aula e no mau uso delas, bem
como a preocupação com a preparação do professor e dos gestores para
absorver as mudanças provocadas por elas.

Diante destes relatos, foi possível perceber que a integração das
mídias na educação perpassa por dificuldades que vão desde saber usar as
TIC e manipulá-las de forma adequada, passando pela formação dos
professores e culminando com as condições oferecidas pelas escolas

A segunda etapa tratou da educação e sua relação com as mudanças
sociais, tecnológicas e culturais dentro do contexto das TIC, apresentando
novas competências para a Sociedade da Informação e Comunicação numa
abordagem de possibilidades de construção de uma rede colaborativa de
aprendizagem, analisando o papel da escola diante das demandas da
sociedade atual refletindo sobre as mudanças de atitudes e concepções para
se conviver nesta sociedade.

Nesta etapa o material de apoio deu enfoque às redes de comunicação
colaborativa de aprendizagem e como trabalhar isto na educação. Para tanto
foram usados os textos: “Uma Sociedade em Mudança” que trata sobre o
movimento que impulsionou e foi impulsionado pelos avanços das pesquisas,
das descobertas científicas e do desenvolvimento dos meios tecnológicos de
informação e comunicação e pelas complexas inter-relações do mercado
internacional globalizado e a reorganização da sociedade da informação nas
suas características exclusiva; “A Educação na Nova Sociedade” que enfoca
a educação tecnológica e a influência das TIC na educação enquanto escola
inserida no contexto da sociedade da informação participante ativa na
comunidade; “Quais as possibilidades da Internet” que aborda os objetos da
Internet como ferramentas de apoio no processo de ensino e aprendizagem e
a necessidade de políticas públicas que possam diminuir o fosso entre os que
têm acesso em casa, nas escolas e em diferentes espaços e aqueles que

61
carecem de todos os recursos, dos mais básicos e essenciais às tecnologias
de informação e comunicação.

Também serviu como apoio a esta etapa os textos: “Sociedade
Conectada” que trata da incorporação de novos ambientes de aprendizagem
nas escolas e como permitem também levar esses ambientes para além dos
muros das escolas rompendo as limitações das grades curriculares e fazendo
da escola um espaço de produção de conhecimento; “Na sociedade de hoje,
a Sociedade da Comunicação e Informação, quais os principais desafios da
educação?” que faz uma abordagem sobre como educar numa sociedade em
mudanças rápidas e profundas obrigando aos envolvidos a reaprender a
ensinar e a aprender e a construir modelos diferentes dos tradicionais, tendo
o hipertexto e a rede como autores desta mudança; “Tecnologias na escola e
criação de redes de conhecimento” que enfoca a rede tecnológica como meio
e não como fim para garantir mudanças na educação e como ela pode
propiciar novas formas de lidar com a informação, de produzir conhecimento e
de estabelecer comunicação entre as pessoas, permitindo conexões entre
elas, idéias, conceitos, crenças e valores.

Reforçando a questão da inovação e das novas competências, também
foram apresentados os textos: “As Novas competências” no qual o foco está
na Sociedade da Informação e Comunicação que demanda por novas
competências para aprender, ensinar, trabalhar e se relacionar com os
demais; “Modernização ou mudanças?” que trata sobre a importância da
modernização e o que ela provoca de mudança na educação, nas relações
escola-comunidade e na exclusão tecnológica e social; “Que Educação
queremos?” aborda a necessidade do professor lançar mão das TIC
compreendendo-a como um oportunidade de redesenhar os currículos e as
práticas pedagógicas de aprendizagem; “Desafios com as novas mídias” faz
uma conexão entre a Internet, as redes, o celular e a multimídia e de como
elas estão revolucionando a vida no cotidiano e de como as tecnologias não
são

apenas

apoios,

meios,

mas

permitem

realizar

aprendizagem de formas diferentes dos modelos anteriores.

atividades

de

62
Quanto às atividades desta etapa, uma delas acentuou a questão das
ferramentas para comunicação. Nesta atividade dentro do cenário de
integração das mídias, buscou-se a e interação através da seleção de um
tema ou ferramenta de interesse de cada um dos cursistas como wiki, TV
digital interativa, blog/fotolog, comunidades virtuais, pesquisas na Internet e
em jornais e revistas, programas da TV escola ou outras fontes disponíveis,
tendo como roteiro da atividade o histórico, objetivo, forma de utilização no
dia-a-dia e na educação, quem a utiliza e se já foi utilizada na educação.

No Quadro 3, percebe-se nas falas dos cursistas a escolha da proposta
de integração de mídias na atividade desta etapa:

Quadro 3: Análise das atividades dos cursista na Segunda Etapa
Atividades

Fala dos Cursistas

Atividade.1:
Usar uma ferramenta de
interação na Internet para, em
grupo com outros colegas
cursistas, construir uma idéia
sobre o uso delas na sala de
aula.

Escolhi o RPG porque os meus filhos usam e eu não sabia
da sua importância. (Cursista J)
O Blog é uma ferramenta que contribui para o ensino pela
sua din6amica de interação e promove a inserção na
Internet de leigos em informática que querem contribuir
com suas idéias na rede, permitindo que os mesmos
exponham seu pensamento. (Cursista H)
As mudanças que ocorrem na escola decorrem das
mudanças fora dela onde os alunos vivenciam a tecnologia
no seu dia a dia. (Cursista B).

Nesta atividade, cabia aos cursistas usarem uma ferramenta de
comunicação e interação na Internet e orientar a pesquisa no sentido de
construir colaborativamente com outros dois cursistas o conteúdo da
atividade.

A Cursista J optou em desenvolver sua atividade através do RPG e faz
algumas observações sobre sua experiência e o porquê da escolha desta
ferramenta, ressaltando a importância de conhecer as ferramentas da Internet
que já está no dia a dia dos cursistas e até mesmo dos filhos. Para ela às
vezes o preconceito às TIC é fruto do desconhecimento das suas
potencialidades.

63
Para a Cursista H sua pesquisa teve como foco o blog que segundo ela
mesma tem uma importante contribuição ao ensino através da sua dinâmica
de interação.
Frente ao objetivo da atividade de focalizar a comunicação como ponto
central para a interação das ferramentas tecnológica propostas como meios,
os depoimentos citados sintetizam a importância delas neste contexto e de
como é possível interagir pelas TIC em várias modalidades, situações e níveis
de conhecimento quando se permite trabalhá-las no processo ensino e
aprendizagem com ferramentas tecnológicas e democráticas.

Há, portanto nesta etapa um direcionamento ao uso das mídias em
vários aspectos e de forma específica, neste caso, com a Internet. A
convergência de mídias atribuídas ao computador permite uma integração
dentro das suas próprias capacidades. Este foi o objetivo desta etapa dentro
da perspectiva do projeto piloto.

Na terceira etapa, foram trabalhadas as relações entre a comunicação
e a educação abordando a compreensão do processo complexo de
comunicação que estabelece relações para o ensino e aprendizagem para
conhecer os meios que possibilitam esta comunicação com as pessoas e
como se dá essa compreensão no âmbito educacional identificando as formas
de aprender e ensinar com o uso das mídias dentro de uma postura crítico e
de autoria observando o papel das mídias na educação como TV, rádio, e o
computador explorando as diferentes linguagens e representações para
propiciar o desenvolvimento da visão integrada das mídias na prática docente.

O foco desta etapa foi o panorama geral do uso das mídias na sala de
aula. Como apoios às atividades e ao desenvolvimento dos cursistas nesta
etapa foram

disponibilizados

os

seguintes

textos:

“Interações

entre

comunicação e educação” que trata da importância da comunicação como
meio fundamental na expressão, no relacionamento, na busca pela
informação e como interação entre as pessoas; “Integração tecnológica,
linguagem e representação” que aborda, entre outras coisas, as diferentes

64
representações da linguagem diante dos meios tecnológicos existentes, o
ensino e na aprendizagem e a necessidade de se ter das intenções e
objetivos pedagógicos

das possíveis formas de representação do

pensamento e das características de narratividade, roteirização e interação
entre as tecnologias.

Também serviram como apoio didático a esta etapa os textos:
“Redimensionando o ensinar e o aprender com o uso de tecnologias” que faz
uma busca sobre como identificar as contribuições tecnológicas nas práticas
pedagógicas e as mudanças dessas práticas mediante o uso das TIC
direcionando-as para melhorar o aprendizado do cursista e de como ele
poderá produzir e gerir estas tecnologias; “A TV e a educação” que traz a tona
reflexões sobre a importância desta tecnologia em casa, na escola e no dia-adia e sua influência nas mudanças sociais e culturais e de como isto influencia
diretamente na formação do cursista, considerando ser ela o maior meio de
comunicação de massa e como suas influências mexem com o emocional, os
desejos e os instintos das pessoas; “Como a televisão e as mídias se
comunicam” que aborda a comunicação sensorial na facilitação do repasse
das mensagens ao público e o seu poder racional e emocional pela forma
como agrega as mídias escritas, áudio e vídeo afetando prioritariamente os
sentimentos; “O cinema na escola” que caracteriza a magia do espetáculo,
da arte em movimento, da poesia, da emoção, da alegoria, da narração, do
mistério e da realidade tendo como fim o entretenimento e de como esta arte
pode ser trabalhada em uma escola organizada em séries, disciplinas e
grades de conteúdo e de como aproximar esta arte das atividades de sala de
aula.

Ainda nesta etapa, buscando uma reflexão sobre o objetivo do curso,
foram disponibilizados também: “Integrar as mídias na escola” que trata das
diversas habilidades que a criança já possui quando chega a escola e de
como lidar com essas habilidades, muitas vezes adquiridas pelo acesso às
mídias, e que a escolas geralmente não estão preparadas para lidar com
estas situações preocupando-se neste sentido em não só permitir o acesso às
tecnologias pelo cursista mas o uso das TIC para a comunicação, produção

65
de conhecimento e interação; “Rádio na educação” que retoma a discussão
do uso de velhas e novas tecnologia se fundindo na prática pedagógica com
vistas à democratização da informação, à interação social e à disseminação
do conhecimento; “A utilização do vídeo, CD e DVD na educação” que leva à
compreensão desta mídias na escola numa perspectiva mais consistente com
objetivos pedagógicos de sensibilização, ilustração, simulação e conteúdo de
ensino, trazendo também uma reflexão sobre o uso indevido dos mesmos
num sentido único de apenas “tapar buraco”.

Na terceira etapa, duas atividades foram relevantes ao cenário de
integração das mídias: a primeira atividade foi um fórum sobre as mídias no
contexto da escola a partir de um vídeo com o depoimento de uma a
professora sobre a integração das mídias na educação em algumas
experiências e atividades, e de alguns questionamentos de como preparar a
comunidade escolar para projetos envolvendo a integração das diferentes
mídias considerando a realidade da escola brasileira e de como colaborar
para preparar o professor para o uso destas mídias bem como o papel dos
gestores neste processo.

Outra atividade desta etapa, também no formato de fórum, objetivou a
teoria e prática do uso da TV, levando o cursista a desenvolver uma atividade
de aplicação articulando os conceitos vistos na sala de aula através de um
vídeo ou de um programa de TV de sua escolha, ressaltando a identificação
da forma de utilização como sensibilização, ilustração, simulação e conteúdo
de ensino, posteriormente compartilhando a experiência com os outros
cursistas do projeto dentro do fórum.

No Quadro 4, percebe-se a fala dos cursistas diante das atividades
proposta nesta etapa:

66
Quadro 4: Análise das atividades dos cursista na terceira etapa
Atividades

Fala dos Cursistas

Atividade.1:
Fórum para discutir a Influência
das TIC na escola e como
preparar o ambiente escolar
para esta integrá-las.

Efetivar uma gestão participativa na escola para buscar
uma solução de como usar as TIC na escola onde o
administrativo se coloque a serviço do professor e não ao
contrário. (Cursista G).
O professor necessita ser capacitado para o uso devido
das TIC na escola e a partir daí preparar o ambiente.
(Cursista L).
A falta de preparo do professor e gestores no uso das TIC
na escola contribui para a ausência destas no projeto
pedagógico. (Cursista E).
A infra-estrutura é um grande entrave no uso das mídias
nas escolas públicas, seja pela falta delas ou por estarem
obsoletas. (Cursista C).

Atividade 2:
Discutir no Fórum sobre os
efeitos de um programa de TV,
livremente escolhido por cada
cursista e assistido na sala de
aula onde eles atuam.

Permiti que os alunos escolhessem o vídeo. Após a
exibição, passaram a pesquisar na Internet sobre o assunto
do vídeo. (Cursista E).
Usei um vídeo para sensibilização. A partir daí os alunos
produziram um texto e elaboraram um panfleto. (Cursista
D)
A partir de uma reportagem da TV aberta sobre
anticoncepcionais, solicitei que os alunos fizessem uma
entrevista gravada com a comunidade. (Cursista L).
Através de um vídeo da TV Escola, ao alunos abriram um
painel para discutir sobre as questões levantadas no vídeo
e concluíram elaborando um relatório. (Cursista M).
Usei um trecho de uma telenovela de época de onde foi
possível estudar o comportamento dos personagens
relativos a época, a cultura, linguagem e a questão da
discriminação. (Cursista A).

A primeira atividade desta etapa focalizou a influência das TIC no diaa-dia, no cotidiano da escola e a sua integração à prática pedagógica. A partir
das discussões das etapas anteriores, esta atividade levanta a questão de
como preparar a comunidade escolar para projetos envolvendo diferentes
mídias.

No contexto desta atividade há uma preocupação acentuada nas falas
dos cursistas quanto à integração dos gestores e professores no projeto
pedagógico da escola. Para alguns, há uma busca paralela de interesses
entre os professores e os gestores. Neste cenário a cursista E considera que

67
um dos maiores problemas do uso e conseqüentemente a integração das
mídias na escola é pela falta de um projeto participativo entre os interessados
no contexto escolar.

Por outro lado, há também a preocupação de alguns em relação ao
professor que ainda não se utiliza devidamente das TIC, fato que não se deu
ainda não só pela falta de preparo, mas pela falta de mudança de postura em
aceitar as TIC como uma ferramenta necessária e cotidiana.

Há sempre uma tônica comum nas discussões sobre o uso e a
integração das mídias na educação: a falta de preparo, postura, mudança de
concepção em relação a disposição para com o novo e falta de tempo do
professor para se apropriar devidamente das possibilidades das TIC na
educação.

Nestas discussões fica evidente para os cursistas que dessa forma não
haverá integração das mídias, ou seja, se não há na escola ainda o uso
devido das TIC, por conseqüência não vai haver a integração delas dentro
desse cenário.

Reforçando a contextualização pedagógica como integração das
mídias a Cursista D aborda esta questão quando escreve: “o professor
contextualize o uso das mídias tomando como partida a realidade dos
cursistas, para que seja um meio acessível a eles”, ou seja, usar as TIC que
os cursistas conhecem dentro da sua realidade na comunidade, na escola e
em qualquer lugar que elas estejam e estes cursistas tenham acesso.

Outro ponto levantado nestas discussões é o fato de que algumas
escolas ainda não se deram conta de que a tecnologia, apesar de já estar
presente no seu ambiente físico, ainda não foi incorporada pedagogicamente
e se mantém na escola como uma sala anexa. “Estas escolas sequer
contemplaram, em seu Projeto Político Pedagógico, a inserção desses
recursos dificultando ainda mais a integração das mídias aos conteúdos
propostos no currículo” cita a Cursista J.

68
Houve também nas discussões desta atividade uma preocupação com
outros aspectos relevantes que não permitem a integração das mídias pelos
professores considerados como empecilho: infra-estrutura das escolas; falta
de um ambiente próprio para o desenvolvimento dessa integração;
tecnologias às vezes ultrapassadas e computadores danificados sem
possibilidades de conserto pelo tempo de uso; número insuficiente de
equipamentos desproporcional ao número de alunos da escola

Percebe-se nas discussões desta atividade que não é só o fato do
despreparo do professor o culpado pela não utilização das TIC e não
integração das mídias na educação, mas outras questões também são
relevantes neste sentido como foi demonstrado pelos cursistas, inclusive em
suas vivências enquanto professores da rede pública.

Na segunda atividade desta etapa, a proposta foi de se trabalhar a TV
e o vídeo na sala de aula numa perspectiva de livre escolha por parte dos
cursistas entre um programa de TV ou um vídeo, que possibilitassem a eles
vivenciar esta realidade em sala de aula e, posteriormente, discutir os seus
efeitos com os colegas no fórum.

Como roteiro para esta experiência a atividade propunha algumas
questões: como planejou a atividade e como identifica a forma de utilização
considerando sensibilização, ilustração, simulação e/ou conteúdos de ensino?
A partir daí o cursista relata sua experiência e as discute no ambiente virtual
e-Proinfo.

Para alguns cursistas na execução dessa atividade a escolha do
programa de TV ou vídeo foi feita coletivamente pelos participantes. Desta
forma o trabalho tornou-se mais democrático e por conseqüência haver uma
maior participação e comprometimento da turma.

Nesta experiência percebe-se que as TIC já estão sendo usadas de
alguma forma nas escolas, mas que não atingem o objetivo de ser um meio,

69
mas de ser o fim em si mesmo e muitas vezes sem reflexão, discussão,
objetivos pedagógicos e sem a mínima integração.

Os pontos levantados pelos cursistas nas atividades da terceira etapa,
tomando como base o objetivo do programa piloto e os referenciais teóricos
abordados neste estudo sobre a integração das mídias e sobre a formação de
professores, percebe-se uma constatação dos teóricos quanto às questões do
uso das TIC nas escolas que fundamentalmente se alicerçam na infraestrutura, na preparação dos professores e na percepção dos gestores
enquanto apoiadores deste processo, bem como a inclusão das TIC a partir
da formação do professor e no projeto pedagógico da escola.

Há

portanto,

um

relevante

avanço

dos

cursistas

quanto

ao

entendimento sobre estas questões abordadas, o que evidencia a
contribuição do projeto na formação dos mesmo quanto à integração das
mídias.
A quarta etapa deu ênfase a Integração das mídias e à pedagogia de
projetos conhecendo-se algumas experiências de integrações destas mídias
em educação, levando o cursista a elaborar uma proposta de atividade de
sala de aula que integre diferentes mídias em sua realização de acordo com
os objetivos pedagógicos e condições contextuais, fazendo uma autoavaliação da sua participação como cursista do Curso Piloto.

No apoio pedagógico às atividades desta etapa, foram disponibilizados
os textos: “A convivência com velhas e novas mídias” que numa abordagem
moderna traz a reflexão sobre a integração das mídias, a leitura de palavras,
imagens, gráficos, sons, outras mídias e hipermídia evidenciando-as como
um elemento fundamental ao desenvolvimento do aluno-cidadão e à sua
inclusão social; “A integração das tecnologias na educação” que trata da
evolução dos temas e das novas expressões do cotidiano tecnológico como
do físico para o virtual, do análogo para o digital e do fixo para o móvel,
relacionando seu aspectos de convergência de mídias dentro de uma
proposta de objetos multifuncionais e de como estes objetos afetam a escola

70
tradicionalmente fixa no tempo e no espaço, levantando a questão sobre a
escola virtual e conectada através da tecnologia e as suas diversas
possibilidades de interação partindo da aprendizagem individual para a
aprendizagem grupal.

Ressaltando a reflexão sobre a integração das mídias, nesta etapa
também foram disponibilizados os textos: “Alguns problemas na integração
das tecnologias na educação” que retoma a discussão sobre a integração das
mídias ressaltando o problema de resistências às mudanças da escola e do
professor frente a esta questão, discutindo o papel do professor enquanto o
centro do ensino, suas aspirações de mudança mas sem estar devidamente
preparado para tanto, as dificuldades motivacionais do ensino conectado pela
falta de contato do professor com o aluno; “Perspectivas para integração de
mídias na educação” que enfoca os objetos e ferramentas tecnológicas de
aprendizagem e as

dificuldade dos envolvidos para trabalharem a sua

mediação diante do despreparo de alguns professores e escolas no uso
adequado e significativo no contexto da sala de aula, levando o cursista a um
nível critico de cidadão.

Como apoio à tarefa final do curso que foi a construção de um projeto
visando a integração das mídias, também fazia parte do apoio didático os
textos:

“Pedagogia de projetos e integração de mídias” que trata

efetivamente do ensino com foco no aluno através do qual o mesmo aprende
fazendo, pesquisando, aplicando conceitos e desenvolvendo estratégias de
aprendizagem; “Prática pedagógica e formação de professores com projetos:
articulação

entre

conhecimentos,

tecnologias

e

mídias”

que

tratou

especificamente da contribuição ao ensino e à aprendizagem propiciada pela
prática pedagógica com projetos

no uso das TIC, observando a

funcionalidade de cada uma de suas ferramentas

e as suas respectivas

utilidades pedagógicas e de como as mesmas se integram no contexto da
sala de aula e em um projeto integrado com outras disciplinas.
As atividades da quarta e última etapa do Curso Piloto objetivaram
sintetizar as idéias em torno das experiências de como integrar as mídias na

71
educação. Duas atividades destacaram este objetivo nesta etapa:o fórum
para a discussão de como situar a prática pedagógica no sentido de propiciar
aos alunos uma nova forma de aprender, integrando as diferentes mídias nas
atividades do espaço escolar e quais os questionamentos que podem ser
levantados em relação às práticas sugeridas de integração das mídias na
prática pedagógica considerando a atuação do professor diante das TIC e das
novas linguagens que estão surgindo. As interações no diário de bordo dos
cursistas trazem a reflexão sobre os elementos significativos para a
aprendizagem do cursista no modulo introdutório, as dificuldades encontradas
e como elas foram superadas ao longo do curso e das demais atividades.

No Quadro 5 percebe-se as falas dos cursistas nas atividades
propostas desta etapa:

Quadro 5: Análise das atividades dos cursista na Quarta Etapa
Atividades

Fala dos Cursistas
Cada vez mais se exige da escola que ela participe da
comunidade nas aspirações da sociedade fazendo com
que ela reformule o seu currículo para atender às
expectativas desta sociedade abrindo-se às novas
tecnologias. (Cursista C);
A estrutura de cada escola é que vai permitir ao professor
ser ou não aberto ao uso das TIC. (Cursista E).

Atividade.1:
Atividade Fórum para discutir
como integrar as mídias e dar
exemplos
de
como
isso
acontece e se realmente
acontecem.

A integração das mídias é um desafio para um novo
ambiente de aprendizagem que lance mão delas, depende
do professor o seu uso para estimular os alunos. (Cursista
L).
Criar situações problemas que necessitem integrar as
mídias no processo de ensino e aprendizagem fazendo
com que o professor explore as possibilidades do seu uso.
(Cursista A).
Uma experiência vivenciada de integração das mídias foi
através de um vídeo sobre a Grécia antiga durante as
olimpíadas de 2004, onde através de pesquisa na Internet
foi feito um estudo comparativo entre a mitologia grega e o
espírito olímpico da época. (Cursista F)
Usei um livro sobre Zumbi, alguns recortes de revistas e
jornais e pesquisa na Internet, culminando com um filme
sobre a vida do mesmo. (Cursista K)

Quando lidamos com tecnologia nunca chegamos,
estamos sempre iniciando nosso processo de interação

72
com as novidades que surgem a cada momento. (Cursista
K);
Atividade 2:
Refletir através de um Diário de
Bordo sobre o aprendizado
durante o projeto piloto.

A partir das reflexões feitas anteriormente, creio que este
seja o inicio de uma caminhada que venho seguindo desde
2002. (Cursista E).
Os textos trabalhados foram importantes para que a
aprendizagem concretiza-se. A principal dificuldade foi na
própria estrutura do ambiente e-Proinfo que ao invés de
facilitar o processo de submissão dos trabalhos, muitas
vezes apresentou-se pra mim complicado. (Cursista C)
Este caminho é o inicio de novos conceitos e aprendizados
que obtive a partir dos estudos, leituras e interações com o
grupo. (Cursista F)
Este curso representa um momento de grande importância
em minha formação como educadora e mais ainda com
técnica de uma SEDUC envolvida com a formação de
outros educadores (...) pontos que para mim foram
fundamentais: necessidade de uma educação voltada para
a leitura das mídias e do seu conteúdo, objetivando o
discernimento, a criticidade, a importância de conhecer
diversas mídias e nos apropriarmos de sua linguagem.
(Cursista G)

Na primeira atividade desta etapa, a integração das mídias e a
pedagogia de projetos foram os principais focos em forma de fórum. Na
orientação da atividade proposta pelo projeto, o cursista deveria refletir sobre
como situar a prática pedagógica para propiciar uma nova forma de aprender
integrando as mídias e dar exemplos concretos sobre este tema.

Alguns depoimentos dos cursistas nesta atividade mostram que houve
uma reflexão significativa sobre a integração das mídias fruto dos estudos das
etapas anteriores e que as mudanças provocadas pelo avanço tecnológico
interferem na escola e as obrigam em mudarem a sua organização curricular
para atender a esse novo perfil de aluno, cultura e ao sócio-econômico.

Numa outra situação, a Cursista D ressalta a importância de que a
contextualização social impulsione o processo de ensino e aprendizagem e
que a prática pedagógica seja situada nesta realidade. Ainda neste cenário, a
Cursista A completa chamando para o professor a responsabilidade de
incentivar e mediar o aprendizado dos alunos.

73
Percebe-se uma preocupação generalizada em usar a integração das
mídias nesta atividade, mas poucos efetivamente sugeriram ou deram
exemplos de como usar. Os problemas levantados giraram em torno das
dificuldades do professor em seu despreparo, da infra-estrutura, das
concepções pedagógicas sobre as TIC, da falta de estímulo dos gestores e
das resistências às mudanças nos vários níveis educacionais.

Entre os depoimentos analisados, apenas dois cursistas efetivamente
mostraram como se faz uma integração de mídias: a Cursista F que através
de vídeo, livros, pesquisa na Internet e um filme épico, afim de comparar a
Grécia antiga com a moderna no contexto das olimpíadas e a Cursista K que
usou metodologia semelhante para trabalhar a história de Zumbi. Mesmo que
com poucas condições técnicas, havia alguma preocupação com o
aprendizado através da produção própria do conhecimento.

A segunda atividade da etapa chamou os cursistas a uma reflexão
sobre o que foi visto no módulo introdutório e as dificuldades encontradas por
eles e se estas dificuldades foram ou não superadas. Buscou-se saber as
idéias mais relevantes que surgiram ao longo da caminhada dentro do Curso
Piloto: em que estas idéias contribuíram para as mudanças significativas nas
suas posturas? Como as idéias e conceitos levantados foram importantes
nesta caminhada? O que efetivamente se aprendeu com isso?

Na avaliação de alguns cursistas a teoria leva à prática, mas as
dificuldades conduzem ao desânimo e à falta de motivação. O tradicional e a
resistência de professores e gestores ainda predominam como barreiras no
avanço da prática pedagógica com as TIC.

Analisando a fala de cada cursista sobre a proposta desta atividade, é
possível perceber os temas que mais se destacaram: a evolução de
concepção quanto ao uso das TIC para alguns; busca por mais
conhecimentos sobre o assunto; preocupação com a situação atual das
escolas, dos professores e gestores; criticas a formação básica do professor

74
no uso das TIC; falta de políticas públicas efetivas e permanentes neste
sentido.

Para alguns, este módulo marcou o inicio de um estudo sobre as TIC
na educação como escreveu a Cursista F. Isto evidencia um avanço nas suas
concepções sobre as TIC e o que aprendeu com este módulo. Neste cenário
as cursista K e E escrevem sobre a importância do Curso Piloto nas suas
práticas pedagógicas e no aprendizado dentro do projeto.

As dificuldades e as facilidades da EAD perpassam sempre pelas
mesmas questões, as tecnológicas. Ou são meios que facilitam a interação ou
se colocam como empecilho quando não estão adequadas ao uso ou quando
o cursista não consegue ter uma clareza sobre o uso das suas ferramentas.

Para outros, que apesar de já terem uma vivência junto as TIC nos
processos educacionais, comentam nas suas falas que ampliaram de forma
significativa a visão sobre a temática principalmente no tocante perceber a
importância de conhecer outras mídias como foi o caso da Cursista G.

Para a cursista citada, as mídias necessitam ser interpretadas,
avaliadas, contextualizadas e empregadas fazendo parte do contexto da
escola e do seu currículo. Nesta perspectiva o efeito será mais abrangente se
adicionado a isto a participação do professor, aluno e gestor nas decisões
sobre a inserção das mídias nos currículos.

De uma forma geral, as perspectivas dos cursistas quanto ao Curso
Piloto neste módulo introdutório, foram atendidas segundo as suas narrativas.
Apesar dos problemas como: falta de tempo; dificuldades com o acesso ao
ambiente virtual na Internet; problemas com a formatação do próprio ambiente
virtual no acesso às atividades e ao envio delas, foram os fatores
determinantes na avaliação do andamento do curso. Muito embora, todos os
cursistas pesquisados foram unânimes em caracterizar o projeto como
positivo nas suas formações continuada, já que estes conseguiram atingir
objetivos pessoais como: adquirir subsídio para usar as TIC e integrá-las;

75
refletir mais profundamente sobre o uso da TV aberta e seus efeitos na
formação da criança e adolescente; aprender sobre pedagogia de projetos e a
integração das TIC no contexto dos currículos e discutir sobre a integração de
mídias.

3.3- Descrição e Análise dos Projetos Finais dos cursistas Concluintes
do Piloto do Programa de Formação Continuada em Mídia na Educação
Na pesquisa etnográfica virtual (HINE, 2004), a Internet é mais do que
um canal de comunicação, é também um meio que faz parte do cotidiano das
pessoas. Um ambiente de educação online, tem as finalidades centradas nos
ensino e aprendizagem, como também caracteriza um ambiente no qual as
discussões repassam inclusive emoções.

A forma como o ambiente on-line é concebido, tem a propriedade de
gravar todas as falas e tarefas executadas pelos cursistas, permitindo uma
forma profunda de análise retroagindo em vários aspectos para comparações
e comprovações através de uma análise documental eletrônica e em
impressos.

Cubilos

(2006)

reforça

que

a

etnografia

virtual

necessita

fundamentalmente de meios tecnológicos para a construção dos dados e daí
amplia suas fontes de análise por abranger diversas mídias como requisitos:
imagens; som; escritos eletrônicos, impresso, comunicação online que criam
ambiente de observação e análise recheado de ferramentas.

Os instrumentos de coleta de dados usados neste estudo: observação
do desempenho dos cursistas no ambiente online; entrevista semi-estruturada
e aberta com os cursistas; levantamento das visões dos cursistas e a análise
dos dados foram usados dentro de um contexto da etnografia virtual através
das ferramentas tecnológicas do ambiente e-Proinfo.

As críticas às ferramentas usadas no e-Proinfo e ao próprio ambiente
online, as falas sobre as questões mais relevantes quanto ao material de
apoio e a forma como o curso foi conduzido, contribuíram para o resultado

76
desta pesquisa, já que o esperado em relação à integração das mídias
dependia basicamente do andamento do projeto piloto em todas as suas
etapas e atividades.

Neste contexto, a análise dos projetos finais é o ponto culminante deste
estudo, no entanto a análise das atividades dos cursistas nas etapas do
projeto,

trouxe

resultados

consideráveis

e

relevantes

sobre

o

desenvolvimento dos mesmo dentro da metodologia de estudo do Curso
Piloto. Este desenvolvimento, aliado a leitura das tarefas e relatos nos fóruns,
entrevista com cursistas, somou-se a análise dos projetos finais e trouxe
dados mais consistentes sobre o contexto deste estudo.

Os projetos finais dos cursistas foram os resultados da terceira
atividade da quarta etapa. Segundo os objetivos desta atividade, estes
projetos devem conter propostas de integração das mídias e de como elas se
deram dentro dos objetivos do Curso Piloto. Estes projetos foram identificados
com um tema, objetivos, descrição das mídias utilizadas e as atividades
desenvolvidas dentro de uma metodologia a critério de cada cursista.

Ao todo, sete projetos foram analisados. O Quadro 6 traz um resumo
dos projetos apresentados pelos cursistas ressaltando as mídias utilizadas e a
metodologia aplicada no uso destas:

Quadro 6: Resumo dos Projetos dos Cursistas
Projeto
Projeto 1:
A situação ambiental
da Lagoa Mundaú

Descrição
Através de vídeo
sobre a lagoa Mundaú
e Magoaba, levar à
consciência sobre o
meio ambiente

Mídias
Vídeo
TV aberta
Máquina fotográfica
Emissora de rádio

Metodologia
Exibição de vídeo
Elaboração de uma
proposta de conscientização
Visita in loco à lagoa
Construção de painel
Elaboração de folheto
Produção de DVD com o
resultado
Divulgação em uma emissora
de rádio
Divulgação em um blog

Projeto 2:
Semana da
Consciência Negra

Alunos refletiram
sobre a escravidão
histórica e as
diferenças étnicas

Computador
Televisão
Vídeo
Filamadora

Pesquisa na Internet sobre
A vida de Zumbi
Apresentação um roteiro dos
sites pesquisados

77
Rádio
Pôsteres
Cartazes
Instrumentos
musicais

Projeto 3:
Grandes pensadores
e a sua contribuição
à Matemática

Desmistificar o ensino
da matemática

Vídeo
Revista
Livros
Jornais
Computador
Internet

Projeto 4:
Integração
das
mídias na proposta
da escola em ciclo

Integração de mídias
no contexto de uma
escola em ciclo.

Televisão aberta
Vídeo
Máquina fotográfica
Gravador
Filmadora
Jornal e revistas
Computador
Emissora de rádio

Projeto 5:
O ensino da Língua
Portuguesa
utilizando mídias e
tecnologias

O uso da tecnologia
na língua portuguesa
com
ênfase
na
linguagem formal

Jornais
Revistas
Internet
TV aberta

Projeto 6:
Integrando mídias:
Vídeo e computador
na escola

Capacitação dos
professores das redes
estaduais e
municipais para
integrarem as mídias
no seu contexto
escolar

Projeto 7:
As tecnologias
inseridas no ensino

Inserção do computador no ensino da
filosofia como apoio a

TV e vídeo
Vídeos da TV Escola
Vídeos do Salto para
o futuro
Computador
Internet
Livros
Textos
TV aberta
TV Escola
Microsystem

Exibição do filme “Quilombo”
Paralelo entre o enredo do
filme e as pesquisas na
Internet
Criação de uma peça de
teatro que foi filmada
Entrevista na radio com o
secretário de cultura
Exposição de pôsteres
Composição de uma música
Sensibilização de alunos e
professores
Relação dos principais
pensadores
Formar grupos de alunos
Assistir a um filme sobre o
assunto
Pesquisa na Internet
Produção de um livreto
Produção de slides no
PowerPoint
Produção de Painéis
Cartazes e maquetes
Apresentação na sala de aula
Capacitação para usar os
recursos didáticos
Dinâmica de grupo
Atividades práticas a partir
da utilização e manuseio de
computador
Estudos de textos e material
impresso da TV Escola
Análise de vídeo veiculados
pela TV Escola
Elaboração de projetos de
integração das tecnologias
ao projeto político
pedagógico da escola
Atividades individuais e em
grupo
Elaboração do trabalho final e
avaliação.
Pesquisa em jornais e
revistas sobre a linguagem
formal
Reconstruir artigos de revista
em linguagem informal
Uso do chat
Sensibilização dos professores
Promoção de discussões
sobre o tema

Leitura de textos
Leituras de livros de filosofia
Leitura da cartilha de

78
da filosofia

produção coletiva

Retroprojetor
Impressos: jornais e
revistas

cidadania
Leitura de impressos
Sistematização das idéias em
um relatório

O referencial teórico abordado neste estudo quanto a importância das
TIC na escola e a integração das mídias na sala de aula tratam de questões
relevantes sobre o que se deve fazer para que efetivamente as TIC possam
cumprir o seu papel enquanto ferramentas de auxilio ao professor. Dentre
estas questões, os teóricos citados descrevem alguns pontos fundamentais
para que isto se concretize sintetizados e descritos no Quadro 7, como forma
de apoio a análise dos dados dos projetos dos cursistas:

Quadro 7: Fatores que Contribuem Para o Uso e Integração das TIC
Fatores
Democratizar a informação
Inclusão tecnológica dos professores e
alunos
Formação de professores

Integração ao currículo da escola

Políticas públicas

Valorizar as possibilidades didática das TIC
com objetivos e fins educativos

As TIC como parte integral e não como um
apêndice ou recurso periférico na escola
Diversificação de informação e conhecimento
trabalhados pelo próprio aluno

Objetivos
Socializar o conhecimento e permitir que
mais pessoas tenha acesso a elas
Necessidade de que professores e alunos
estejam capacitados a usarem as TIC
Formação básica do professor para lidar com
as TIC enquanto ferramenta de apoio ao
ensino
Integração das TIC na escola e no currículo
fazendo parte do projeto pedagógico e
integrando as disciplinas
Políticas que permitam a informatização das
escolas, acesso a Internet, formação básica e
continuada de professores para uso das TIC
O uso das TIC como meios e não como fim
em si mesmo. Valorizar o contexto
pedagógico das TIC enquanto ferramenta de
aprendizagem
O uso das TIC de forma integralizada em
todas as disciplinas e não apenas como um
recurso a parte
A autonomia do aluno buscar informações
através das TIC que possa fortalecer e
contribuir para o desenvolvimento do seu
próprio conhecimento.

O Curso Piloto deu um enfoque “aos aspectos teóricos e práticos das
diferentes mídias e no uso integrado das linguagens de comunicação com
destaque nas mais importantes ao ensino e aprendizagem”, como também
objetivou a ampla integração de mídias na escola e no currículo como forma

79
de ampliar as possibilidades das ferramentas tecnológicas enquanto objetos
pedagógicos que sirva de apoio ao processo educacional.

As questões discutidas no referencial teórico deste estudo tratam de
forma mais ampla o que se quer alcançar em relação aos cursistas, já que os
parâmetros levantados pelo piloto convergem na direção dos aspectos e
fatores do Quadro 8, no qual há uma relação entre as idéias dos teóricos
citados e as expectativas deste curso:

Quadro 8: Parâmetros do Projeto Piloto Quanto a Formação do Cursista
Objetivo
Incentivar a produção pessoal como meio de
aprendizagem
Interagir com as diversas áreas de
conhecimentos desenvolvidas na escola
Ênfase à formação docente

Diferentes recursos de apoio à aprendizagem
e à autoria nas diferentes mídias
Fundamentos e a aplicabilidade das
principais mídias no ensino e na
aprendizagem
Liberdade para criar e produzir nas diferentes
mídias, programas, projetos e conteúdos
educacionais
Reflexão sobre a própria prática e o papel
desempenhado pela tecnologia na educação

Reflexão sobre diferentes linguagens e as
ferramenta tecnológicas inseridas no ensino
e aprendizagem como meio de comunicação.

Meta
Que o cursista seja capaz de produzir textos
e desenvolver aspectos de criatividade com
as mídias
Integração com outras disciplinas dentro do
projeto pedagógico da escola inserindo as
mídias neste contexto
Participar, incentivar e elaborar propostas
que contribua na formação docente para uso
das TIC
Explorar os diferentes recursos das
diferentes mídias votados para o apoio do
processo ensino e aprendizagem
Refletir sobre os fundamentos das TIC e
como estas podem ser aplicadas no ensino
Independência na criação de projetos e
propostas que venham contemplar as mídias
nos conteúdos educacionais do projeto
pedagógico
Ter capacidade de tematizar e refletir
criticamente a respeito da própria prática e do
papel desempenhado pela tecnologia na
criação de um novo ambiente educacional
tecnológico
Capacidade de refletir crítica e criativamente
a respeito das diferentes linguagens,
considerando as mídias como objeto de
estudo e reflexão, ferramenta de apoio aos
processos de ensino e aprendizagem e meio
de comunicação e expressão através de
produção com auxilio das TIC

A integração das mídias na educação foi sempre a temática destacada
dentro dos projetos, seja nos objetivos, nas atividades ou no próprio tema de
alguns, mas que não garantiu de forma contundente esta integração nas
atividades propostas pelos projetos na perspectiva do Curso Piloto, já que o

80
proposto pelo curso tratava da integração de mídias de forma articulada, bem
como propunha a produção individual como apoio a aprendizagem.

Para efeito de análise, foi estabelecido um paralelo quanto às
expectativas dos objetivos do Curso Piloto e os fatores segundo a
fundamentação deste estudo e como os projetos se apresentaram na
avaliação final dos cursistas. A partir das idéias expostas pelos cursistas é
possível identificar em quais pontos a presença dos objetivos do Curso Piloto
foi contemplado nos projetos.

Esta análise pode ser vista no Quadro 9 que traça este paralelo entre
os fatores de integração das mídias e os parâmetros do Curso Piloto para
esta integração.

Quadro 9: Análise dos Projetos Finais dos Cursistas
Projeto
Projeto 1:
A situação ambiental da
Lagoa Mundaú
Projeto 2:
Semana da Consciência
Negra
Projeto 3:
Grandes pensadores e a
sua contribuição à
matemática
Projeto 4:
Integração das mídias na
proposta da escola em
ciclo

Fatores de Integração
Segundo o Referencial
Democratização da
informação

Parâmetros do Piloto para
Integração de Mídias
Incentivo a produção pessoal como
meio de aprendizagem

Políticas públicas

Iinteração com as diversas áreas
de conhecimentos desenvolvidas
na escola

Valorização das
possibilidades didática das
TIC com objetivos e fins
educativos
TIC como parte integral e
não como um apêndice ou
recurso periférico na escola
Diversificação de informação
e conhecimento trabalhados
pelo próprio aluno
Formação de professores

Projeto 5:
O ensino da Língua
Portuguesa utilizando
mídias e tecnologias

Diversificação de informação
e conhecimento trabalhados
pelo próprio aluno

Ênfase à formação docente
Fundamentos e a aplicabilidade das
principais mídias no ensino e na
aprendizagem
Liberdade para criar e produzir nas
diferentes mídias, programas,
projetos e conteúdos educacionais
Reflexão sobre a própria prática e o
papel desempenhado pela
tecnologia na educação
Reflexão
sobre
diferentes
linguagens
e
as
ferramenta
tecnológicas inseridas no ensino e
aprendizagem como meio de
comunicação.
Liberdade para criar e produzir nas
diferentes mídias, programas,
projetos e conteúdos educacionais
Reflexão sobre diferentes

81
linguagens e as ferramenta
tecnológicas inseridas no ensino e
aprendizagem como meio de
comunicação.
Projeto 6:
Integrando mídias: Vídeo e
computador na escola

Formação de professores

Fundamentos e a aplicabilidade das
principais mídias no ensino e na
aprendizagem
Reflexão sobre a própria prática e o
papel desempenhado pela
tecnologia na educação

Projeto 7:
As tecnologias inseridas
no ensino da filosofia

Fundamentos e a
aplicabilidade das principais
mídias no ensino e na
aprendizagem

Liberdade para criar e produzir nas
diferentes mídias, programas,
projetos e conteúdos educacionais
Reflexão sobre diferentes
linguagens e as ferramenta
tecnológicas inseridas no ensino e
aprendizagem como meio de
comunicação.

Confrontando os projetos na proposta dos objetivos do Curso Piloto
quanto à formação de professores para integrar as mídias na escola e com a
contextualização teórica deste estudo nos fatores considerados fundamentais
para que houvesse esta integração, o Quadro 9 mostra em que aspectos esta
integração se deu e em quais projetos isto de fato aconteceu.

Os fatores mais relevantes que podem garantir a integração das
mídias, aconteceram em sua maioria nos Projetos 1, 2, 3 e 4, nos quais
apenas nestes foi possível perceber uma relação de integração com as
mídias nas suas metodologias. Estes projetos, além de contemplarem as mais
variadas mídias disponíveis, traçaram uma inter-relação entre elas, levando
os envolvidos a elaborarem seus próprios caminhos, partindo de um roteiro de
idéias e sugestões, que conduzissem a um objetivo definido.

Os parâmetros considerados fundamentais pelo projeto como:
incentivar a produção individual e pessoal através das mídias; interagir com
as diversas áreas de conhecimento, dar ênfase à formação dos professores;
integrar diversas mídias e a liberdade de produção pelos envolvidos foram os
fatores que permearam as metodologias dos quatro primeiros projetos.

82
Neste aspecto, a metodologia usada na execução destes projetos,
apesar de deficiente em alguns aspectos quanto a disponibilidade de mídias
conseguiu, como base nos parâmetros expostos, discutir a Integração das
mídias enquanto ferramenta de apoio ao ensino e aprendizagem, deixando
exemplos de uso e manipulação das TIC na educação.

Para os projetos 5, 6 e 7, apesar de terem ensaiado uma integração,
não consideraram as questões mais relevantes do processo de integração.
Deixaram, portanto de contemplar os princípios básicos orientados pelo
próprio piloto em sua metodologia conforme propostos do curso descrita neste
estudo, bem como os aspectos citados no referencial teórico deste estudo.

Há nestes projetos, em contraste com os projetos anteriores, uma
omissão das questões que reforçam os princípios de integração das mídias
em consonância com o referencial e parâmetros adotados. Citar as mídias e
até mesmo usá-las, não caracteriza uma integração.

O princípio de usar

as TIC como parte

integral e não como um

apêndice ou recurso periférico na escola e o estímulo a produção, não foram
observados nestes projetos, descaracterizando os objetivos do programa. As
mídias, no entanto, em alguns momentos foram usadas como ferramentas
técnicas e para simples contemplação, sem considerar suas finalidades e
fundamentos.

No âmbito da proposta do Curso Piloto como descrito do Quadro 7
dentro dos seus objetivos e metas, há nos projetos, nos que se propunham a
contemplarem a integração de mídias como no caso dos projetos 1, 2, 3 e 4,
uma preocupação com o incentivo à produção individual na qual o Curso
Piloto considera como sendo fator relevante para o desenvolvimento pessoal.
Este fator somado à integração de mídias no contexto de integração das
disciplinas voltadas a um objetivo comum e dentro de uma perspectiva de
usar as mídias como apoio didático, caracteriza os objetivos do curso como
atingidos em relação aos projetos citados.

83
Para os demais projetos, percebe-se que não houve um entendimento
por parte dos cursistas em relação aos conteúdos e, conseqüentemente não
conseguiram atingir os objetivos propostos pelo mesmo. Este resultado
evidencia as falhas cometidas ao longo do Curso Piloto quanto a sua
estrutura, conteúdos, metodologia e desenvolvimento.

3.4 – Análise das entrevistas com os cursistas

Outro ponto relevante para a análise do Curso Piloto quanto aos seus
fundamentos, objetivos e metodologia, foi a entrevista semi-estruturada com
os cursistas. A fala dos cursistas nesta entrevista teve sua importância no
tocante às observações sobre o uso das TIC e na sua formação continuada.

Esta entrevista teve como objetivo analisar o Curso Piloto nas suas
percepções em quatro categorias: a primeira quanto ao uso das TIC na
escola, como esta foi trabalhada no curso e no projeto final; a segunda
considerou a integração das mídias e como esta é trabalhada na escola e
como foi exposta no Curso Piloto; a terceira deu ênfase a pedagogia de
projetos de como esta é trabalhada com as mídias e de como o curso tratou
sobre o tema; a quarta categoria, tratou sobre o Curso Piloto e sua
metodologia e de como este contribui na vida e na prática dos cursistas. A
primeira categoria teve suas respostas sintetizadas no Quadro 10:

Quadro 10: O Uso das TIC
Categorias

Respostas
O principal papel das TIC na escola é favorecer
a construção coletiva do conhecimento
(Cursista H)
As TICs na escola vem trazer o novo, o
atrativo e moderno para o ambiente escolar ,
melhorando o processo educativo, tanto para
os professores (Cursista F)
A presença das TIC na escola evidenciam a
necessidade de mudança nas práticas, porque
não admitem o modelo tradicional centrado no
monólogo do professor. Conectam a escola ao
mundo (Cursista G)
O papel das tecnologias de informação na
escola é de proporcionar aos alunos um

84

Papel das TIC na Escola

ambiente inovador do processo ensinoaprendizagem, onde os objetivos educacionais
possam ser atingidos(Cursista A)
Quebrar as arestas e ampliar as possibilidades
pedagógicas da escola, conectando seus
professores e alunos ao mundo sem limitar
tempo ou espaços geográficos (Cursista J).

Quanto ao uso das
TIC

Contribuir para a melhoria do processo de
ensino-aprendizagem se usada correntamente
com a realidade de cada escola (Cursista L).
É um meio alternativo de ensino, um recurso a
mais para auxiliar o professor no processo
ensino- aprendizagem, no sentido de preparar
o aluno para viver e atuar numa sociedade
informatizada (Cursista K)
O papel das TIC na escola é diversificado, mas
sabemos que a tecnologia é um meio eficaz
quando utilizado com segurança e dentro do
currículo e projeto proposto (Cursista E)
O uso das TIC na escola promove o surgimento
de práticas inovadoras no processo de ensino e
aprendizagem, baseado na construção do
conhecimento. É importante destacar que ela
deve ser vista como um meio e não um fim em
si mesmo. Nessa perspectiva as TIC colabora
para um repensar da prática pedagógica e o
surgimento de novas abordagens teóricosmetodológicos (Cursistas L)
O Piloto do Curso Mídias na Educação permitiu
que alguns professores das escolas públicas
tivessem a oportunidade de participar de um
curso na versão totalmente on line.(Cursista H)
No curso de Mídias, as TICs foram sempre
muito bem trabalhadas e apresentadas,
proporcionando aos cursistas conhecimento
mais profundo de como integrá-las(Cursista F)

Uso das TIC no Curso
Piloto do Programa Mídias
na Educação

As TIC são tratadas como ferramentas
auxiliares na prática educativa, sobre as quais
se deve fazer uma reflexão crítica. Suas
possibilidades devem ser exploradas pelo
professor, a fim de incluí-las no seu
planejamento, de acordo com os objetivos a
serem alcançados (Cursista G).
Foram exploradas as possibilidades
pedagógicas do TIC, enfatizando que a
tecnologia deve ser usada como um recurso
didático que possibilitem o acesso a fontes de
informação, favorecendo o processo ensino
aprendizagem, permitindo ao professor
desenvolver aspectos criativos, estimulando e
motivando os alunos em sua aprendizagem
(Cursista A).

85

Utilizou-se de ambientes virtuais de
aprendizagem para integrar as diversas mídias
ao cotidiano do professor (Cursista M)
De maneira clara e objetiva com textos muito
bons, só com alguns inconvenientes e
problemas no ambiente e-Proinfo (Cursista L).
De
uma
forma
bastante
organizada,
proporcionando ao cursista conhecer as mídias
por módulos apresentados, verificando a
contribuição de cada uma para a aprendizagem
e a integração das mesmas para a melhoria da
qualidade do ensino (Cursista K)
O curso foi dividido em módulos, e cada um
abordou discussões sobre cada mídia
específica. As discussões eram realizadas com
freqüência na ferramenta Fórum (Cursista I)
No curso, inicialmente foram abordados as
mudanças que estamos vivenciando na
atualidade e o impacto das TIC na escola e na
formação docente e as competências e
habilidades para dominar pedagogicamente a
inserção das TIC na escola. (Cursista C)
Nossa proposta final foi desenvolvida numa
aula de Sociologia e teve como recursos
utilizados: a tv, o vídeo, o dvd, microsystem,
quadro, pilot e o material impresso (Cursista F)
No projeto pensamos na formação de
professores, através de oficinas onde
pudéssemos integrar os recursos da Internet ao
vídeo e a TV (Cursista G).

Utilização das TIC na
proposta final do Curso
Piloto.

As mídias utilizadas na proposta final foram: tv,
vídeo, dvd, microsystem, retro projetor, quadro
e material impresso. Com o objetivo de
promover através da construção coletiva a
utilização das TIC's como aliada no processo
de ensino-aprendizagem (Cursista A)
Propondo a integração das TIC ao currículo da
escola, integrando as atividades de uso do
laboratório de informática aos recursos da TV/
DVD escola e outras mídias disponíveis
(Cursista J).
De acordo com a realidade da escola que
leciono a qual não possui muita coisa utilizando
a TV e vídeo em sala de aula (Cursista L).
Procurei fornecer a base para que o professor
pudesse fundamentar e motivar sua prática
pedagógica e ao mesmo tempo responder o
porquê do uso das tecnologias na escola,
adquirindo competências e tornando-se capaz
de desenvolver competências também nos
alunos
possibilitando
aos
mesmos
a

86
capacidade de construir
conhecimento (Cursista K).

o

seu

próprio

A proposta final do curso era a elaboração de
um projeto que integrasse as diversas mídias
em sua elaboração e execução. Nesse sentido,
construímos um projeto que contemplou nas
atividades,
avaliações
e
procedimentos
metodológicos a inserção crítica e criativa das
TIC (Cursista C).

Esta categoria da entrevista investigou a importância das TIC quanto
ao seu uso considerando o seu papel na escola, como elas foram trabalhadas
pelos cursistas no Curso Piloto incluindo a sua utilização nos projetos.

Percebe-se na fala de alguns a importância das TIC no aprendizado,
como citam as cursistas G, H e F. Para outros, é um meio alternativo de
auxílio ao professor no ensino e aprendizagem e ampliam as possibilidades
de limite de tempo e espaço quando ultrapassa as barreiras físicas da sala de
aula através da tecnologia on-line.

Na questão sobre como foram trabalhadas as TIC no Curso Piloto o
aprofundamento da questão sobre o uso das TIC na escola foi um dos pontos
positivos como cita a Cursista F, como também foi uma oportunidade de
alguns cursistas participarem de um curso a distância em um ambiente virtual.

Neste aspecto de como as TIC foram trabalhadas no curso, as
Cursistas A e G e o Cursista C ressaltam as diversas possibilidades das TIC
quando citam sobre o estímulo, criatividade e a motivação dos alunos com
auxilio das TIC no processo de ensino aprendizagem. Outro fator relevante,
segundo a Cursista J, a integração das mídias dentro de uma ambiente virtual
foi algo utilizado pelo curso na sua metodologia. Também foi citada pela
Cursista K, a organização do curso em módulos facilitou o entendimento do
processo de integração das mídias.

A outra questão dentro do contexto sobre o uso das TIC na sala de
aula, diz respeito de como estas formas utilizadas no projeto final dos
cursistas. Para a Cursista F, a TV e o vídeo, DVD, microssistem e o material

87
impresso foram usados em um projeto de Sociologia na qual os alunos
poderiam lançar mão dessas ferramentas, mas sem caracterizar uma
integração efetivamente.
No caso da Cursista G, uma oficina com os professores foi possível
trabalhar as mídias de forma integrada através do vídeo, TV e Internet. Já
para a Cursista A trabalhou a construção participativa utilizando as mídias
como apoio, segundo ela, no processo de ensino e aprendizagem, embora
não tenha sido específica de como isto ocorreu na execução.

Para a Cursista J, a articulação das TIC e sua integração perpassa
pelo currículo da escola e na sua proposta de projeto integra as atividades
dentro dos laboratórios de informática e através dos recursos da TV e do
vídeo. Percebe-se nesta proposta uma preocupação de que a integração das
mídias deve ser um processo contínuo e envolver a participação de todos,
desde a elaboração do currículo e projeto pedagógico.

Para a Cursista K, fornecer a base para o professor e fundamentar a
sua prática, é o ponto de partida para o bom uso das TIC. Neste aspecto a
Cursista caracteriza que o seu projeto final deu ênfase à competência do
professor para que este torne-se capaz de desenvolver o seu próprio
conhecimento e competência para utilizar as TIC na sala de aula, ponto
também compartilhado com o Cursista C que escreve sobre discutir as TIC
em um contexto crítico quanto ao seu uso.

A segunda categoria que trata sobre a integração de mídias, está
sintetizada no Quadro 11:
Quadro 11: Integração de Mídias
Categoria

Respostas
Facilita os estudos, enriquece a aula e desperta
mais interesse nos alunos. (Cursistas H)
Quando: o professor é capacitado para usá-las
explorando todas as suas possibilidades,
reconhecem o valor destes recursos numa
aula; são reciclados constantemente;
estimulados ao uso pela sua instituição; sabem
utilizá-las com segurança e planejamento
adequado. (Cursista F)

88

Importância da integração
de mídias na prática
pedagógica do professor

A
integração
de
mídias
amplia
as
possibilidades
de
desenvolvimento
dos
conteúdos e da aprendizagem dos alunos. Por
estes terem características diferentes, podem
necessitar do contato com as diferentes
linguagens das mídias, para se apropriarem
dos objetos de estudo. (Cursista G)
Neste contexto os professores deverão estar
preparados e seguros ao contemplar o uso das
mídias no seu planejamento. Acredito que deve
haver um investimento maior na preparação
profissional do professor, pois o acesso as tic
possibilita que as aulas sejam mais prazerosas
e incentiva os alunos a pesquisarem e
formarem opiniões. (Cursista A)
Enriquecendo suas práticas e ampliando as
possibilidades para se trabalhar com projetos
pedagógicos. Com as TIC o professor deixa de
ser somente o transmissor de conhecimentos e
passa a ser um organizador da pesquisa,
promovendo
assim,
aprendizagens
colaborativas. (Cursista J)

Integração das
mídias

A pratica pedagógica tendo as mídias como
ferramenta de aprendizagem é possível,
porém, torna-se um processo ainda complexo
porque a escola (professores, gestores e
coordenadores) não está preparada para o uso
das mídias, com certeza nenhuma está pronta.
Alguns colegas ainda não estão envolvidos no
processo de mudança, até porque, isso é algo
que é conquistado em longo prazo, pois exige
disponibilidade de cada um em querer mudar,
crescer e transforma. (Cursista L)
No desenvolvimento da prática educacional, é
importante destacar a integração de materiais e
mídias diversas para que o aluno possa
interpretar e dar respostas ao que acontece no
mundo que o cerca. As atividades propostas
devem permitir a pesquisa, possibilitando ao
aluno a paixão pelo aprender. (Cursista K)
A integração de mídias só será importante
quando nos articularmos dialeticamente,
através do instrutivo e do educativo, quando o
ensino favorecer a resolução de problemas,
exigindo capacidade objetiva ou capacidade
técnica, ao mesmo tempo em que, oportuniza
aos envolvidos a assimilação de valores
necessários para o dia-a-dia e para o
desenvolvimento
das
relações
sociais.
(Cursista E)
A mídia vista não apenas isoladamente mais
integrada e articulada com as concepções
teóricas e práticas dos professores favorecem
uma atuação mais abrangente do professor

89
que dispõe de inúmeras possibilidades
pedagógicas ao incorporar as TIC a sua
prática. (Cursista C)
A integração de mídias acontece de forma,
natural, pois quando você descobre que é
possível, viável e importante utilizar as mídias
como recurso pedagógico, elas vão sendo
utilizadas com naturalidade. (Cursista H)
Em todos os conteúdos do módulo, sempre se
fazia referência a esta integração e quanto é
valiosa, nos levando a reflexão destas
possibilidades didáticas. (Cursista F)
Cada módulo apresenta vários recursos
midiáticos. Na elaboração de atividades e
projetos, sempre estimula o professor a utilizar
mais de uma mídia, conforme o trabalho
planejado. (Cursista M)

A integração de mídias no
material didático do Curso
Piloto

Durante as leituras sugeridas nos remetia
sempre a reflexão da importância da integração
das diversas mídias. As tecnologias de
informação e comunicação são importantes sim
na educação, e no processo de formação dos
nossos alunos, pois a cada dia constatamos as
diversidades tecnológicas no meio educacional.
(Cursista A)
Através da metodologia de projetos, foram
trabalhadas atividades que integrassem os
recursos audiovisuais, telemáticos e material
impresso na prática pedagógica. (Cursista J)
Através das leituras dos conceitos e reflexões
apresentados tivemos oportunidade de refletir
sobre o que são mídias, o que são tecnologias
e como estão presentes no dia-a-dia, como
também
refletir
sobre
a
Mudança,
oportunizando relatar nossas experiências no
uso pedagógico de diferentes tecnologias ou
mídias. (Cursista L)
O material do curso é muito rico e oferece
várias formas de integração das diferentes
mídias, parte de uma maneira de utilização
mais simples e vai assumindo atividades mais
complexas.
Experimentar,
avaliar
e
experimentar novamente é a chave para a
inovação e a mudança desejada e esperada.
(Cursista K)
No curso o enfoque da integração das mídias
perpassava pelas possibilidades pedagógicas
de sua utilização e das implicações
metodológicas decorrentes dessa inserção.
(Cursista C)

90
Nas atividades que solicitava ao aluno assistir
vídeos, acessar a Internet, digitar as atividades,
ouvir rádio, etc. (Cursista H)
Nos fóruns, quando contávamos nossas
experiências e interagíamos com as dos
colegas, no projeto final, no chat e no próprio
ambiente do curso. (Cursista F)

Percepção da integração
de mídias nas atividades
do Curso Piloto

O desenho do curso já integra diversas mídias:
texto, áudio e vídeo, imagens. (Cursista G)
As atividades propostas do Curso abordaram a
importância da integração das mídias no
currículo e no trabalho desenvolvido pelo
professor. Posso citar como atividades que
proporcionaram a integração de mídias no
curso: O projeto final como incorporar o uso de
mídias em sua escola? , a pesquisa
ferramentas para comunicação e interação e
Cenário: mídias e o contexto da escola.
(Cursista A)
Montar uma proposta para incorporar o uso de
mídias em sua escola; organização de CHAT
possibilitando na integração do recurso material
impresso aos da internet; pesquisa sobre
ferramentas para comunicação e informação.
(Cursista J)
Em quase todas as atividades. (Cursista L)
A atividade final do curso ofereceu
oportunidade para o cursista fazer um projeto.
(Cursista K)
A atividade final do curso foi planejada para os
cursistas integrarem as mídias dentro de um
projeto, a intenção era fazer o cursista
aprofundar os temas discutidos durante a
realização do curso e propor uma atividade
(projeto) voltado para sua realidade escolar.
(Cursista C)
Elaboramos um projeto que pudéssemos inserilas, respeitando as condições da escola e o
que ela dispunha, de forma que facilitasse o
aprendizado e que motivasse o corpo docente
na utilização destes. (Cursista F)
Propondo atividades de pesquisa na internet,
construção de textos no word, selecionando
vídeos e material impresso de apoio. (Cursista
G)
No Projeto final as TIC foram incluídas no
sentido de permitir o acesso das informações
em tempo mais rápido, hábil e atualizado, além
de possibilitar ao aluno a inserção das
tecnologias em suas vidas. (Cursista A)

Integração de mídias no

Desenvolvendo atividades que dinamizasse o

91
projeto final do Curso Piloto

uso da TV, vídeo e internet, integrandos aos
seus conteúdos pedagógicos. Integrar os
recursos aos já existentes na escola, a nossa
proposta teve como objetivo, planejar junto com
a escola o uso das TIC, em especial, a TV, o
computador e a internet atrelados ao currículo
da escola. Iniciando pela preparação e ou
atualização dos professores. (Cursista J)
Como professora de Ciências de uma Escola
do município desenvolvi uma atividade com os
alunos
da
8ª
série
sobre
Métodos
Contraceptivos, cujo conteúdo estávamos
explorando em sala de aula. Articulando teoria
e prática: utilizando a TV e vídeo em sala de
aula aproveitando o programa da rede Globo
Fantástico de domingo. (Cursista L)
Utilizando estudo de textos, analisando vídeos
veiculados pela TV Escola. Através também da
utilização de aplicativos, Internet e elaboração
de um projeto com uso das TIC. (Cursista K)
No projeto busquei um embasamento teórico
disponibilizado na plataforma e articulação nas
atividades, metodologia e avaliação para
integração das mídias. (Cursista C)

Esta categoria tratou sobre a integração das mídias. Na primeira
questão foi analisada a importância da integração das TIC na prática
pedagógica. A dinâmica da aula e a motivação foram os pontos fortes
tratados pelos cursistas neste contexto. Para a Cursista H, a integração das
mídias desperta o interesse pelas aulas, fato atribuído a dinâmica e ao
fascínio que as mídias despertam. Por outro lado, houve uma preocupação
com relação à capacitação do professor para usar as TIC como citado pelas
Cursistas F e J. Ainda neste contexto a Cursista L ressalta que a integração
das mídias é um processo complexo na realidade dos professores já que os
gestores e as escolas ainda não se encontram preparadas para a inserção
das TIC no currículo.

Para outros cursistas, as possibilidades de desenvolvimento de
conteúdos que as TIC proporcionam ao aprendizado, vêm das características
que cada mídia tem dentro do contexto da sala de aula como citado pela
Cursista G. As diversas linguagens das mídias facilitam ao aluno se apropriar
dos objetos de estudo, completa a Cursista citada. Já para a Cursista K, as

92
TIC proporcionam a paixão pela investigação e criação, que diretamente
contribuem no aprendizado.

A investigação sobre como foi trabalhada a integração das mídias no
material didático, teve como objetivo analisar o potencial deste material
quanto ao embasamento dos cursistas na prática de integração das mídias.
Nesta questão para a Cursista H a integração das mídias deve ser algo
natural na prática pedagógica e isto estaria contemplado no material didático.
Neste contexto, a Cursista F ressalta que o material didático sempre trazia de
alguma maneira algo sobre como integrar as mídias dentro das diversas
possibilidades, reforçado pelas Cursista G e A que escrevem sobre os
recursos discutidos no material didático que estimulam ao professor a utilizar
diversas mídias com um trabalho planejado e pela importância dos alunos
conhecerem cada vez mais sobre tecnologias e as mudanças que estas
provocam na sociedade e no dia a dia.

Na opinião da Cursista L a leitura dos conceitos contidos no material
didático levou-os à reflexão de como as mídias integradas podem beneficiar a
experiência dos professores em suas práticas e de como as TIC pode
influenciar as mudanças desta prática na sala de aula, uma vez que é
possível o acesso a informação online.

A seqüência do material didático no curso permitiu que os cursistas
progredissem gradativamente dentro da reflexão da integração das mídias
desde o uso mais simples destas até uma forma mais complexa de utilização
como citado pela Cursista K.

Na terceira questão desta categoria, procurou-se analisar em qual
atividade do Curso Piloto o Cursista percebeu uma maior integração de
mídias. Nesta perspectiva os cursistas ressaltaram a importância das
atividades que estimularam as discussões sobre o assunto como os fóruns e
as atividades nas quais os cursistas eram solicitados a assistir vídeos,
acessar Internet, digitar as atividades e ouvir rádio como cita a Cursista H.
Para a Cursista J a importância do Chat possibilitando as discussões sobre as

93
mídias foi fundamental na reflexão dos cursistas sobre o assunto. Na
percepção da Cursista L, em todas as atividades do curso se protagonizou a
integração de mídias, como também na concepção do cursista C que escreve
sobre a intenção do curso em aprofundar o assunto sobre integração das
mídias.

A quarta e última questão desta categoria chamou os cursistas à
reflexão de como estes integraram as TIC no projeto final. O objetivo foi
investigar a percepção destes quanto a influência do curso na integração das
mídias no projeto final de cada um.

Para a Cursista F, o seu projeto deu ênfase a integração das mídias
considerando as condições da escola, já que uma das maiores dificuldades
de se trabalhar as TIC diz respeito a falta de condições físicas e preparação
do corpo docente quanto a essa questão.

As atividades propostas pela Cursista G em seu projeto, vislumbrou a
possibilidade de construção de textos através de um editor eletrônico com
apoio de vídeos e material impresso.

A utilização de diversas mídias no projeto só caracteriza integração se
houver uma articulação de objetivos e propostas no sentido de contemplar o
processo de ensino e aprendizagem através da teoria e prática como citado
pela Cursista L, que segundo a cursista o Curso Piloto forneceu subsídio
neste sentido.

Outra categoria analisada na entrevista trata sobre a pedagogia de
projetos, questão relevante para a integração das mídias. As respostas foram
sintetizadas no Quadro 12:

Quadro 12: Pedagogia de Projetos na Integração de Mídias
Categorias

Respostas
A pedagogia de projeto, na minha opinião e
experiência é a via mais concreta das
possibilidade do uso das tecnologias numa

94
perspectiva integradora. (Cursista H)
Com momentos de leitura dos módulos,
socialização dos projetos dos outros colegas e
o incentivo para o estudo mais aprofundado.
(Cursista F)
Foi dada uma fundamentação teórica, a partir
da qual o cursista é levado a elaborar um
projeto, de acordo com um roteiro bem
estruturado. (Cursista G)

Perspectiva da pedagogia
de projetos no Curso Piloto
Pedagogia de
Projetos

Com leituras e atividades que promoveram ao
professor refletir e repensar sua prática em
busca de novos conhecimentos. (Cursista A)
Com atividades que fomentasse a reflexão x
ação ao unir teoria a prática. (Cursista J)
No sentido de preparar o professor para
integrar as diferentes mídias a sua prática
pedagógica, orientando o uso e oferecendo
embasamento teórico e prático para usar as
tecnologias como mais um recurso necessário
para tornar suas aulas dinâmicas e criativas.
(Cursista K)
Apesar de no curso não tratar especificamente
da pedagogia de projetos, o cursista era
incentivado a elaborar projetos pedagógicos no
qual ficasse explícito o papel das TIC na
proposta metodologia do projeto. (Cursista C)
Os trabalhos com projetos didáticos utilizando
as tecnologias numa perspectiva integradora
potencializam o ensino e a aprendizagem. As
tecnologias atuam como impulsionadora para
novas formas de aprender e de ensinar.
(Cursista H)
No atual contexto escolar os projetos estão
cada vez mais presentes na escola e
conseqüentemente às mídias vêm colaborando
efetivamente para o sucesso deles, garantindo
um aprendizado mais atrativo, dinâmico e
eficaz. (Cursista F)

Perspectiva da integração
de mídias é trabalhada na
pedagogia de projetos

O desenvolvimento de projetos favorece
sobremaneira a integração de mídias, porque
permite trabalhar um conteúdo em seus
diversos aspectos, sob diversos pontos de
vista. Permite também
trabalhar uma
diversificação de atividades com vários grupos,
favorecendo a colaboração e a construção
coletiva do conhecimento. Possibilita a
interdisciplinaridade, o registro, a socialização
das produções, valorizando a autoria. (Cursista
G)
Vejo que a efetivação do uso das mídias hoje
disponíveis deverá ampliar e favorecer
perspectivas para que a escola passe a

95
trabalhar com o intercâmbio e a interatividade,
fortalecendo os laços entre professores e
alunos. (Cursista A)
Ao proporcionar os alunos a construção de
seus próprios conhecimentos, através da
pesquisa e da troca de experiências, numa
perspectiva de aprendizagem construcionista.
(Cursista J)
Muito boa só que não vai ser possível ser
realizada devido a realidade de alguns
professores e escolas. (Cursista L)
Um projeto de aprendizagem pode iniciar
através do levantamento das certezas
provisórias e das dúvidas temporárias dos
alunos. Por meio da pesquisa e da
investigação,
muitas
dúvidas
tornam-se
certezas e muitas certezas tornam-se dúvidas.
Neste processo, surgem também outras
dúvidas e certezas que são temporárias e
provisórias. (Cursista K)
O projeto é uma forma de demonstrar uma educação
envolvente entre professores e alunos. Para se
desenvolver um projeto, com integração de mídias é
necessário repensar no contexto no qual se está
trabalhando, como e o que será realizado para
obtermos os resultados, objetivando desenvolver
capacidades e habilidades do aprender a aprender.
(Cursista I).
Acredito que a pedagogia de projetos é
contemplada na integração das mídias na
escola
buscando
desenvolver
uma
aprendizagem significativa para os alunos.
(Cursista C)

As questões relevantes sobre esta categoria destacaram como foi
trabalhada a pedagogia de projetos no curso e como a perspectiva da
integração das mídias.

Neste contexto, investigar esta questão teve como objetivo pesquisar
em que nível os cursistas assimilaram a importância da pedagogia de projetos
dentro de uma visão de integração de mídias e de como o curso pôde
contribuir para este fim.

A pedagogia de projetos, segunda a Cursista H é a forma mais
concreta do uso das TIC de forma integradora, pois mobiliza todo um contexto

96
de interdisciplinaridade. Para a Cursista G, a fundamentação do curso foi
importante para se chegar à elaboração do projeto, fato também citado pelas
Cursistas A e J.

Na perspectiva de integração das mídias na pedagogia de projetos, os
trabalhos que contemplam a integração das mídias potencializam o ensino e a
aprendizagem cita a Cursista H. Neste sentido, a Cursista F ressalta a
importância dos projetos já que estes estão cada vez mais presentes na
escola e que devem sempre conter em sua esfera as tecnologias como apoio
didático, algo reforçado pelas Cursistas G e J quando escrevem que os
projetos permitem uma diversificação de atividades como grupos de alunos
favorecendo a colaboração e a interdisciplinaridade.

Para o Cursista C, o Curso Piloto incentivou sempre o projeto
pedagógico como sendo fundamental para a integração de mídias,
principalmente quando trata do processo sobre ensino e aprendizagem. A
Cursista A escreve sobre a importância da pedagogia de projetos

como

incentivadora do intercâmbio entre aluno e professor no sentido de fortalecer
os laços entre eles. Esta observação fortalece a idéia discutida no referencial
deste estudo sobre a integração de mídias no contexto pedagógico, bem
como os objetivos do Curso Piloto descritos no Quadro 7 deste estudo.

Neste sentido, percebe-se no relato dos cursistas citados que o Curso
Piloto deu subsídios no material didático, nas atividades e avaliações para
que a integração de mídias pudesse estar presente na concepção dos
projetos finais através da pedagogia de projetos.

Na quarta e última categoria da entrevista, análise do Curso Piloto,
investigou-se quanto a importância do curso na formação de professores.
Nesta categoria, investigar a importância do Curso Piloto teve como objetivo
analisar fundamentalmente a contribuição do mesmo em relação ao
aperfeiçoamento, capacitação e na formação continuada dos professore.

As questões abordadas foram sintetizadas no Quadro 13:

97
Quadro 13: Análise do Curso Piloto
Categorias

Respostas
Contribuiu no sentido de fortalecer os conceitos
já adquiridos e compreender a importância do
curso para os professores da rede que
precisam, urgentemente, se apropriar das
ferramentas tecnológicas existentes nas
escolas. (Cursista H)
O curso trouxe para mim uma fundamentação
sobre as TIC de uma forma mais eficiente, me
estimulando a pesquisas sobre os conteúdos
dos módulos e um aprofundamento mais amplo
de como inseri-las na escola. (Cursista F)

O Curso Piloto na
Formação de
Professores em
Mídias na
Educação
Importância da realização
do curso na formação do
cursista

O curso proporciona uma visão geral sobre as
mídias e suas possibilidades. Os conteúdos
abordados provocam reflexões sobre as
práticas e a necessidade de mudança da
mesma. As trocas de experiências nos levam a
aprender com os outros. (Cursista G)
O curso proporcionou uma visão de como
trabalhar e utilizar as diversas mídias no
contexto
escolar.
Além
de
que
os
questionamentos levantados a cerca do que
são mídias, para que e como podemos usufruir
das diversas possibilidades de utilização a
serviço da educação. (Cursista A)
Ampliar os conhecimentos e conhecer novas
práticas. (Cursista J)
Para o meu aperfeiçoamento profissional e
aquisição de conhecimentos com relação a
mídia Rádio.Tive a oportunidade de refletir
sobre o uso do rádio que praticamente não faz
parte do meu cotidiano e nunca havia pensado
em utilizá-lo como ferramenta de trabalho.
(Cursista L)
O processo de informatização da sociedade
caminha com espantosa rapidez e parece ser
irreversível. Acredito que todos devem ter
acesso ao conhecimento e que as tecnologias
oferecem possibilidades extraordinárias à
educação presencial ou a distância. (Cursista
K).
O curso Mídias na Educação proporciona aos
professores a oportunidade de pensar, adquirir
conhecimento, debater, avaliar e utilizar com
mais segurança, a mídia disponível na escola.
Foi esse curso o responsável pelo estímulo,
otimismo e confiança que geriram minhas aulas
durante a sua realização. (Cursista E)

98
Sim, sempre é importante a participação em
novos cursos, pois em se tratando de
tecnologia é imprescindível a atualização na
área. (Cursista H)
Me aprofundei em assuntos que nunca tinha
estudado
anteriormente,
participei
de
momentos nunca vivenciados de interação com
a turma, além do domínio do ambiente do curso
e da socialização de idéias e opiniões.
(Cursista F)

Contribuição dos estudos
realizados no Curso Piloto
para a formação do alunocursista

Sem dúvida. Levou-me a pesquisar e ler sobre
temas dos quais já tinha ouvido falar, mas o
tempo não havia me permitido ainda saber um
pouco mais. Foi o caso das pesquisas sobre
comunidades virtuais, orkut, RPG, TV digital.
(Cursista G)

Foi gratificante poder compartilhar opiniões
com diversos colegas de profissão sobre um
assunto tão interessante, sem contar às
contribuições que os textos dos diversos
autores selecionados proporcionaram novos
aprendizados e conhecimentos na minha
caminhada de educadora. (Cursista A)
Sim, pois como educadores precisamos está
sempre atualizando as nossas práticas.
(Cursista J)
Sim com certeza foi valioso em todos os
aspectos e um aprendizado, visto que não
havia participado na condição de aluno de um
curso a distância. (Cursista L)
Sim, nada melhor do que estudar e aprender.
As atividade propostas me ajudaram muito a
refletir sobre quanto o avanço das tecnologias
nos trouxe
várias formas de ensinar e
aprender e vieram auxiliar o professor e aluno a
desenvolver melhor suas atividades. (Cursista
K)
Sim, pois as TIC vêm adquirindo cada vez mais
relevância no cenário educacional. Suas
utilizações
como
instrumentos
de
aprendizagem e suas ações no meio social
vêm aumentando de forma rápida entre nós.
Nesse sentido, a educação vem passando por
mudanças estruturais e funcionais frente a
essas novas tecnologias. (Cursista E)
Sim no domínio e uso pedagógica das
ferramentas dispostas no ambiente e-proinfo, a
interação com o tutor e colegas favoreceu uma
aprendizagem colaborativa e o conhecimento
das metodologias que subsidia a prática
docente em ambientes virtuais. (Cursista C)

99
Sim. O foco do curso é a integração de mídias,
portanto contribuiu consideravelmente, apesar
de já compreender isso. (Cursista H)
Eles me deram maior segurança para utilizá-las
e sugeriram outras formas de integração e de
motivação. (Cursista F)
Sim. Tanto dentro da perspectiva do trabalho
com projetos, como no desenvolvimento de
atividades pontuais. (Cursista G)

Contribuição dos estudos
realizados no Curso Piloto
para
ampliação
da
perspectiva de utilização
de mídias integradas pelo
aluno-cursista

Este curso proporcionou conhecer as diferentes
possibilidades de aprendizagem utilizando as
diversas mídias existente, explorando o
potencial de cada uma através da leitura e
pesquisa. (Cursista A)
Sim. Percebemos que a integração das mídias
coloca como desafios a criação de novos
ambientes de aprendizagem, fortalecendo
dessa
forma
a
necessidade
de
aperfeiçoamento e reflexão constante para o
professor onde nos força a buscar teorias e
perspectivas
para fundamentar projetos
educacionais que sirvam de estímulos para o
alunado. (Cursista L)
Sim, estou vendo a utilização das mídias com
um olhar diferente, mais crítico e consciente do
que é melhor para mim e para a minha vida
profissional. (Cursista K)
Sim, diante dessa nova conjuntura é importante
que o professor possa refletir sobre essa nova
realidade, repensar sua prática e construir
novas formas de ação que permitam não só
integrar as mídias no contexto escolar, como
também construí-la. (Cursista E)
Os
textos
lidos,
somado
com
o
desenvolvimento das atividades e intervenção
da tutoria contribui para conhecer novos
contextos de utilização das mídias de forma
integrada e inovadora. (Cursista C)

Na primeira questão desta categoria, buscou-se investigar sobre a
importância da realização do Curso Piloto na formação de cada cursista. Na
maioria das respostas o fortalecimento dos conceitos sobre as TIC na sala de
aula foi o ponto forte como citado pela Cursista H e F. Para a cursista G, o
curso deu uma visão geral sobre as possibilidades das mídias na educação,
principalmente quando integradas devidamente fato também compartilhado
pelas Cursista A e L sobre o seu aperfeiçoamento profissional proporcionado

100
pelo curso no tocante a experimentar mídias das quais não havia percebido a
sua importância na escola e no processo de ensino e aprendizagem.

Na segunda questão o objetivo foi investigar se os estudos realizados
no Curso Piloto deram alguma contribuição na formação do cursista no
tocante a formação profissional destes.

O aprofundamento da questão das TIC e sua integração de mídias foi a
tônica neste âmbito. A inovação das aulas, como cita a Cursista H, é algo
que as TIC propiciam e o curso permitiu este conhecimento, algo também
relatado pelas Cursista F e J.

Outro ponto fundamental e relevante é a questão da interação entre
alunos, algo possível com o uso das TIC. O compartilhamento das discussões
sobre os assuntos abordados pelo curso traz a reflexão sobre a importância
de socializar o conhecimento quando se troca idéias e sugestões através dos
meios de comunicação. Este ponto foi abordado pela Cursista A.

O conhecimento adquirido e enfatizado nesta questão perpassa pelos
pontos em que o Curso Piloto colocou como fundamentais que, além da
capacitação e formação continuada, trazer a discussão sobre a integração
das mídias através da interação, produção individual como forma de
aprendizagem, inclusão digital dos professores, uso das mídias no contexto
do currículo escolar e o comprometimento da escola pelos professores e
gestores, já que parte dos cursistas além de professores também são
gestores da educação.

A terceira questão abordou sobre como o curso pôde ampliar as
perspectivas de utilização das mídias, trazendo uma reflexão sobre as
praticas pedagógicas de cada um, antes e depois da utilização das mídias.

Para a Cursista G, a contribuição do curso com ênfase na integração
de mídias, não adicionou apenas conhecimento específico em mídias, mas a
forma estratégica de como integrá-las absorvendo o currículo da escola e o

101
projeto pedagógico que para o Cursista C o curso, além do citado pela
Cursista G, permitiu a oportunidade de alguns professores participarem pela
primeira vez em um curso na modalidade EAD.

Conhecer o potencial de cada mídia é importante no momento de usálas, como cita a Cursista A. Este potencial possibilita diversificar o processo
de ensino

e aprendizagem quando traz o professor à reflexão de como

fundamentar os projetos educacionais que sirvam de estímulo para o aluno,
como enfoco a Cursista L.

A análise destas entrevistas semi-estruturadas contribui de forma
relevante nas observações deste estudo quanto ao fundamento do Curso
Piloto e os seus objetivos enquanto modalidade a distância, uso das mídias
na escola e principalmente, no seu foco primordial de integração das mídias
que foi o grande centro das atenções desta análise.

102

CONCLUSÃO

O propósito deste trabalho foi contribuir com a discussão sobre a
integração das mídias no processo educacional dentro do contexto da escola
e a importância que as TIC têm como mediadora neste sentido.

A expansão da oferta de ambientes virtuais de aprendizagem e a
crescente importância desta tecnologia para dinamização e otimização do
processo de EAD, trouxe o e-Proinfo como uma proposta de mediação para o
projeto piloto, pesquisado neste trabalho, em virtude de que este ambiente
deveria conter as ferramentas essências num processo de EAD na forma
virtualizada.

Neste sentido, este estudo levou a refletir sobre as questões da
integração das mídias na educação a partir das análises dos projetos finais
dos alunos do piloto, partindo dos pressupostos de que a integração das TIC
configura um longo caminho que nasce na concepção das TIC na escola,
passando pela formação de professores devidamente preparados para usálas, contemplando a interdisciplinaridade nos conteúdos pedagógicos e se
inserindo

no

projeto

político

pedagógico

da

escola.

Culminando,

posteriormente, com o envolvimento de gestores, professores e políticas
públicas num contexto mais amplo onde todos devem sentir-se responsáveis
neste processo.

Considerando os resultados da pesquisa desenvolvida, foi possível
perceber que, apesar de estar claramente na proposta do Curso Piloto a
integração das mídias como estratégia no ensino, o resultado obtido nos

103
projetos enquanto avaliação final do curso, não satisfez ao objetivo principal
no tocante ao uso das mídias nesta dimensão.

Os projetos analisados em sua maioria não contemplaram efetivamente
a proposta do Curso Piloto, mesmo considerando que mais da metade (quatro
projetos entre os sete analisados) de alguma forma estabeleceram
parâmetros metodológicos que levaram a contemplar uma integração de
mídias, ainda que de forma deficiente, o que leva a crer que não houve um
entendimento total desta questão por parte dos cursistas envolvidos, quer por
razões ligadas ao tempo ou por motivos estruturais do projeto.

Para alguns, o fato de citar as mídias diferenciadas no projeto as
tornavam usáveis e intrinsecamente relacionadas, sem considerar a
importância e a função de cada uma delas dentro do ambiente educacional e
como suas finalidades poderiam contribuir no processo cognitivo de uma
forma dinâmico, podendo introduzi-las no auxilio a aprendizagem do aluno,
levando-os a uma reflexão crítica na construção da sua própria formação.
Neste aspecto, os projetos analisados se apresentaram como um fator
relevante das deficiências pedagógicas do Curso Piloto.

Ressalta-se o ponto positivo de que todos os projetos incluíram em
suas atividades a produção individual e/ou coletiva como meio de
aprendizagem, o que caracteriza a importância do material disponibilizado no
piloto enfatizando em suas atividades a produção dos cursistas.

Há de se considerar o material disponibilizado nas várias etapas do
projeto que foram considerados pelos cursistas satisfatório como relatado na
análise das atividades ao longo do curso. Porém, segundo eles próprios,
faltaram mais subsídios para que o processo de integração dentro da própria
metodologia do curso ocorresse. Este seria um apoio de relevante
importância que contextualizaria a teoria e a prática simultaneamente dentro
do paradigma “aprender fazendo”.
De acordo com as análises feitas nesta pesquisa e embasadas no
referencial teórico sobre as questões de inter-relações das TIC e o currículo

104
escolar, percebe-se entre os teóricos citados e nas observações dos
cursistas, uma preocupação de estabelecer, desde a concepção do projeto
político pedagógico da escola, diretrizes curriculares que contemplem o uso
desta ferramenta na forma interdisciplinar, integrada e socializada com a
comunidade, contextualizando a escola, comunidade e a tecnologia como
uma necessidade básica nesta sociedade.

Outro ponto relevante verificado foi quanto ao uso da Internet e sua
importância na formação dos professores, na interação de alunos, na
construção do conhecimento e de como ela pode contribuir com a integração
das mídias nestes aspectos do projeto piloto, já que pontos importantes como
a interação e interatividade são inerentes à concepção da Internet como apoio
ao ensino.

Partindo

desta

percepção,

a

experiência

desta

formação

na

modalidade de EAD trouxe reflexões que devem permitir uma visão mais
aprimorada na concepção dos cursos futuros nas perspectivas da Internet,
das interações, na integração das TIC e até mesmo na organização geral da
concepção de um novo projeto nesta modalidade.

As deficiências ressaltadas pelo coordenador do Curso Piloto em
entrevista ao pesquisador, demonstram uma fragilidade do processo no
âmbito do ambiente virtual e-Proinfo como apoio aos estudos. Deficiências
que também contribuíram para que não houvesse o resultado esperado pelos
produtores e gestores do projeto. Estes resultados não só dizem respeito à
metodologia do curso, que foi tecnicamente e pedagogicamente prejudicada,
mas no que se refere principalmente em atingir os objetivos iniciais propostos.

As sugestões diretas e as indiretas percebidas nas falas dos cursistas
e coordenador geral se levadas em conta, poderão trazer consideráveis
melhorias aos próximos projetos e cursos na modalidade de EAD na parceria
MEC/SEDUC. Há de se considerar como relevante neste sentido os tópicos:
melhorias na interatividade e navegação do ambiente e-Proinfo; logística mais
eficiente nas matrículas do curso; aperfeiçoamento do sistema de cadastro de

105
cursistas; informações precisas no que antecede o desenvolvimento do curso
para tutores e cursistas; melhorias no material didático tornando-os mais
eficientes e objetivos e a capacitação dos cursistas no ambiente e-Proinfo
antes do início do curso.

Vale salientar que o curso trouxe relevantes contribuições para as
instituições parceiras, SEE/AL e UFAL. Ambas agregaram conhecimento e
experiência em curso a distância especificamente na Internet. Houve também
contribuição relevante na formação dos cursistas do piloto, posteriormente
tutores do curso aberto aos professores da rede no Ciclo Básico do Programa
de Mídias na Educação, que além do conhecimento adquirido em mídias na
educação e sua integração, agregaram conhecimentos quanto ao ambiente
virtual e-Proinfo e em EAD mediada por tecnologias basicamente na Internet.

Faze-se necessário registrar a importância destes cursistas, futuros
tutores do ciclo básico do projeto subseqüente ao piloto, que com sua
contribuição nas atividades e na realização do projeto final, possibilitaram a
sistematização deste estudo contribuindo com o futuro dos trabalhos neste
universo de EAD, dando a sua colaboração nas críticas à estrutura, ao
material, participando nas discussões sobre a formação de professores, na
gestão das mídias e na preocupação com as políticas públicas voltadas à
inclusão digital do professor neste universo.

No quadro 13 desta pesquisa, no qual foi possível perceber na fala dos
cursistas a importância do curso na sua formação, demonstra que apesar das
deficiências relatadas o curso favoreceu consideravelmente na formação
destes nos aspectos: quanto a necessidade urgente de formação de
professores para uso das TIC; estímulo a pesquisa na Internet; forneceu uma
visão sobre as diversas mídias e as suas possibilidades causando mudanças
no processo ensino-aprendizagem; aperfeiçoamento no assunto quanto a
integração de mídias; visão sobre a globalização na escola quanto a inserção
das TIC no processo; o estímulo ao debate e socialização do conhecimento.

106
A importância das TIC na educação on-line, que já se encontra
diretamente ligada à integração das mídias, permeia todo processo de EAD
nesta sociedade conectada, globalizada e que necessita a cada dia mais de
novos caminhos, considerando a importância do professor como principal ator
neste complexo processo de formação do cidadão.

107
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