Waldeney Alcides da Silva

Título da dissertação: “ A formação do profissional de relações públicas na Universidade Federal de Alagoas: memória, perfil, representações e perspectivas curriculares”

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                    Waldeney Alcides da Silva

A FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS NA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS: MEMÓRIA, PERFIL,
REPRESENTAÇÕES E PERSPECTIVAS CURRICULARES
Dissertação desenvolvida como requisito para
obtenção do título de mestre em Educação
Brasileira, sob a orientação da Profª Dra. Maria
Antonieta Albuquerque de Oliveira.

Universidade Federal de Alagoas
Centro de Educação
Programa de Pós-Graduação em Educação
Curso de Mestrado em Educação Brasileira
Área de Concentração: História e Política da Educação/ Gestão e Avaliação Educacional

Maceió, fevereiro de 2006

2

Waldeney Alcides da Silva

A FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS NA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS: MEMÓRIA, PERFIL,
REPRESENTAÇÕES E PERSPECTIVAS CURRICULARES
Dissertação desenvolvida como requisito
para obtenção do título de mestre em
Educação Brasileira.

BANCA EXAMINADORA

______________________________
Profª. Drª. Maria Antonieta Albuquerque de Oliveira – Orientadora
Universidade Federal de Alagoas

_____________________________
Profª. Drª. Laura Cristina Vieira Pizzi – Examinadora Titular
Universidade Federal de Alagoas

______________________________
Profª. Drª. Cláudia Peixoto de Moura – Examinadora Titular
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

______________________________
Profª. Drª. Magnólia Rejane Andrade dos Santos – Examinadora Suplente
Universidade Federal de Alagoas

3

Dedico este trabalho a todos os profissionais
de Relações Públicas formados pela Universidade Federal de Alagoas.

4

AGRADECIMENTOS

À minha orientadora, Maria Antonieta Albuquerque de Oliveira, pela
confiança em mim depositada e pela presteza com que conduziu o processo de
orientação.
Aos companheiros Fernando Jorge Prado Lima, Audranilson Santos
Trevas e Rose Cristine pelo apoio e entusiasmo para a concretização deste trabalho.
Aos profissionais, professores e alunos de Relações Públicas
informantes.
Aos alunos participantes do projeto “O Ser e o Fazer da Pesquisa de
Opinião em Laboratório de Relações Públicas”, por terem sido agentes de pesquisa.
À minha monitora, Marcela Soares, pelo auxílio no levantamento de
informações importantes.
Muito obrigado.

5

[...] o futuro não é uma entidade concreta que esteja à
nossa espera. Ao contrário do passado, que é fixo e
imutável, o futuro é um espectro de alternativas e
probabilidades algumas das quais se concretizarão
dentro de 10, 20 ou mais anos em razão das nossas
ações de hoje em função das múltiplas opções que
somos chamados a fazer agora. (Darcy Ribeiro)

6

RESUMO

Adotando perspectivas histórica, descritiva e analítica, esta dissertação busca
revelar a formação do profissional de relações públicas na Universidade Federal de
Alagoas constituída ao longo de 26 anos. Faz um resgate da memória da formação,
como inserida num movimento nacional de ensino de Comunicação Social e
apresenta seu perfil atual, privilegiando alguns aspetos das categorias consideradas
em análises de programas de graduação. Registra representações dos sujeitos
envolvidos no processo e discute o currículo de Relações Públicas como um campo
de possibilidades. Resultam destas investigações pistas para a constituição de uma
memória desse campo em Alagoas, olhares e impressões sobre a formação em
questão e subsídios para a conformação de um currículo novo.
Palavras-chave: relações públicas, formação, memória, representações, currículo.

7

ABSTRACT

From analytical, descriptive and historical perspectives, this dissertation aims at
expressing the Public Relation professional’s background at the Federal University of
Alagoas over the past twenty-six years. It traces the background memory as the one
inserted in a national movement of the Social Communication teaching and presents
its current profile highlighting some aspects of the categories considered in
graduation programs analysis. It registers subjects’ understanding involved in the
process, and discusses the Public Relations curriculum as a field of possibilities.
These investigations result in clues for the constitution of a memory of this field in
Alagoas, aspects and impressions of the background in question as well as subsidy
for the configuration of a new curriculum.
Keywords:
curriculum

Public

Relations,

background,

memory,

subjects’ understanding,

8

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABRP – Associação Brasileira de Relações Públicas
ABRP/AL - Associação Brasileira de Relações Públicas/Seccional Alagoas
ACG – Avaliação dos Cursos de Graduação
ALAIC – Associação Latinoamericana de Investigadores da Comunicação
AVALIES – Avaliação das Instituições de Educação Superior
CHLA – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (UFAL)
CIESPAL – Centro Internacional de Estudos Superiores de Comunicação para a
América Latina
CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
CONAES – Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior
CONFERP – Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas
CONRERP’s – Conselhos Regionais de Profissionais de Relações Públicas
CPA – Comissão Própria de Avaliação
DAA – Departamento de Assuntos Acadêmicos (UFAL)
DECOS – Departamento de Comunicação Social (UFAL)
ENADE – Avaliação do Desempenho dos Estudantes
ENECOS – Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social
FAPEAL – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas
GTs – Grupos de Trabalho
IES – Instituição de Ensino Superior
INEp – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

9

LINCS – Laboratório de Informática de Comunicação Social (DECOS/UFAL)
MEC – Ministério da Educação
NPs – Núcleos de Pesquisa
RAV – Recursos Audiovisuais (DECOS/UFAL)
RP – Relações Públicas (singular)
RP’s – Relações Públicas (plural)
RR.PP. – Relações Públicas (plural)
SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
SESu – Secretaria de Educação Superior (MEC)
SINAES – Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior
UFAL – Universidade Federal de Alagoas

10

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO______________________________________________________________ 11
CAPÍTULO I - Do capitalismo avançado à sociedade alagoana. Das
Relações Públicas ao ensino superior ___________________________

22
1.1. Uma possível configuração para o campo das Relações Públicas_______________ 22
1.2. As RP´s como função _________________________________________________ 24
1.3. Relações Públicas como atividade no Brasil e em Alagoas ____________________ 28
1.4. A reflexão sobre RP e seu status de área de conhecimento ___________________ 38
1.5. O determinante da estrutura e do funcionamento da universidade brasileira ______ 49

CAPÍTULO II - Configurações possíveis da memória do Curso de
Comunicação Social da UFAL e do perfil da habilitação em Relações
Públicas ____________________________________________________________________ 58
CAPÍTULO III - Representações sobre a formação, o currículo e a
identidade __________________________________________________________________ 80
CAPÍTULO IV - O currículo de Relações Públicas como um campo de
possibilidades _____________________________________________________________

95
4.1. A trajetória dos currículos na área de Comunicação _________________________ 95
4.2. A Organização da formação em RP na UFAL ______________________________ 99
4.3. Outros subsídios para um currículo em Relações Públicas ____________________ 112

CONCLUSÃO _______________________________________________________________ 125
REFERÊNCIAS _____________________________________________________________ 131
APÊNDICE
APÊNDICE A – Quadros demonstrativos da pesquisa com os Trabalhos de Conclusão de Curso ________
APÊNDICE B – Questionário aplicado aos concluintes em Relações Públicas 2004 __________________
APÊNDICE C – Tabelas demonstrativas dos resultados da aplicação dos questionários _______________
APÊNDICE D – Roteiro de entrevista dirigido aos professores ____________________________________
APÊNDICE E – Grade curricular do Curso de C. Social, habilitação em Relações Públicas da UFAL ______

142
150
151
154
155

ANEXO
ANEXO A – Ficha técnica do Curso de Comunicação Social da UFAL _____________________________
ANEXO B – Planta baixa do Departamento de Comunicação Social da UFAL ________________________
ANEXO C – Diretrizes Curriculares Nacionais para Comunicação Social e habilitações ________________
ANEXO D – Resolução Normativa nº 43/02 do Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas __
ANEXO E – Projeto de Lei do Senado nº 324 de 2005 __________________________________________

157
158
159
166
170

11

INTRODUÇÃO

A universidade está questionada. A profissão de Relações Públicas
também. Estas dimensões aparentemente distintas do complexo social: uma
instituição que historicamente se transforma e que no Brasil não encontrou a melhor
forma de se configurar e uma profissão que potencialmente se apresenta como
alternativa à gestão da função comunicativa das organizações de toda natureza,
encontram-se num cenário curioso - o Estado de Alagoas. Um lugar onde o Índice de
Desenvolvimento Humano é dos mais baixos1; um território de economia
predominantemente agrícola, quase que exclusivamente canavieira e que somente
nas últimas décadas encontrou na prestação de serviços outras vocações
econômicas. Uma região onde a sociedade cristalizou um ethos peculiar,
sedimentado no engenho herdado do período colonial e que se propagou até a
década de 50 como a forma hegemônica de ordenamento social.2
Este cenário, como grande parte dos cenários ocidentais, foi imerso no
discurso da pós-modernidade, espírito que se apresenta como desagregador de
paradigmas até então constituídos e que de algum modo nos oportuniza refletir
sobre o lugar onde nós – sociedade – queremos chegar. Para onde vai a instituição
universitária e qual o futuro da profissão de Relações Públicas parecem ser
questões das mais complexas, mas nem por isso podem deixar de ser levantadas.

1

O IDH – Índice de Desenvolvimento Humano é um relatório produzido pela Organização das Nações Unidas
desde 1990 e reflete as condições de três variáveis básicas para uma boa qualidade de vida: a expectativa de
vida
ao
nascer,
a
escolaridade
e
o
Produto
Interno
Bruto
per
capita
(http://www.10emtudo.com.br/demo/geografia/desenvolcimento_ humano_idh/index_1.html). Entre os Estados
brasileiros, o levantamento sobre o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) mostra que Alagoas
registrou o maior crescimento neste quesito, nos anos 90, entre as 27 unidades da Federação. Mesmo assim,
permanece como penúltimo do rankig. (http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI152453-EI306,00.html)

12

Mas esta complexidade, estes processos multideterminados afetam a
todos nós e em especial os que buscam na instituição que legitima o exercício
profissional, um lugar, uma posição social, uma profissão.
Consideremos que estas histórias da universidade e das Relações
Públicas no cenário alagoano se interseccionaram definitivamente a partir de 1978.
E o importante é que estas histórias foram e são determinantes dos destinos de mais
de quatro centenas de sujeitos que passaram pelo processo de formação em RP na
Universidade Federal de Alagoas, nos quais nos incluímos.
Nos inquieta o processo de formação do comunicador social na
Universidade Federal de Alagoas – UFAL. Na verdade, esta inquietação nos reporta
a tempos anteriores, quando ainda estávamos em graduação, e nos preocupava a
função que a habilitação em Relações Públicas, do Curso de Comunicação Social
da UFAL desempenhava no cenário nacional e local, e como suas práticas
repercutiriam nos destinos dos sujeitos - nós, os acadêmicos em formação. O
envolvimento com esta temática nos parece pertinente, na medida em que nos
concebemos como agentes vivos e participantes do fenômeno da formação do
comunicador: de um lado na condição de graduando, de 1996 a 1999, e de outro, na
atuação docente.
Após alguns anos de docência, de participação nos processos
acadêmicos, de contato com estudantes, professores, funcionários da UFAL e de
outras instituições de ensino que oferecem uma formação para comunicadores, nos
propomos olhar para o Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de
Alagoas de modo diferenciado, selecionando-o como objeto da complexa trama que
configura a educação superior pública brasileira.
2

O professor Elcio de Gusmão Verçosa mapeia a constituição da sociedade Alagoana em “Existe uma Cultua
Alagoana? (2002)” onde resgata a participação dos elementos índio, negro e colonizador.

13

Em atividade desde 1979, e formando profissionais de comunicação
desde 1983, o Curso de Comunicação Social da UFAL está sujeito ao cenário
político-educacional no qual se encontra o ensino público superior. Seu último
projeto pedagógico (UFAL/DECOS, 1996) reflete o disposto na Resolução nº 002, de
24 de janeiro de 1984, que fixou o último currículo mínimo do Curso de
Comunicação Social.
O Ministério da Educação aprovou, em 03 de abril de 2001, as
Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Comunicação Social e suas
respectivas habilitações. O que parece se colocar com as diretrizes curriculares é o
desafio da autonomia pedagógica da formação do comunicador social. Nessa nova
conjuntura, a avaliação parece ganhar espaço privilegiado no meio acadêmico, e
segundo Belloni (1989, p. 58) sua razão principal “decorre de uma tomada de
consciência sobre algo genericamente denominado ‘crise da universidade’ que
mobiliza segmentos acadêmicos, do governo e mesmo da sociedade civil.”
Avaliação será um dos lastros da nossa pesquisa.
Nos parece empírica essa percepção da crise manifestada nas práticas
e processos que ocorrem no Curso de Comunicação Social da UFAL e da
necessidade de reflexão sobre suas práticas. Belloni (1989, p. 55) trata avaliação
como “um processo de tomada de consciência e de aferição da propriedade do
desenvolvimento de uma ação, cujo objetivo é a correção e aperfeiçoamento do
rumo”. Vamos conceber avaliação educacional, como “um processo que visa
produzir conhecimentos e informações para a tomada de decisões, seja sobre o
sistema educacional, um projeto curricular ou mesmo um programa de ensino”
(GREGO, 1997, p.101).

14

A avaliação do ensino superior no Brasil é atualmente uma tarefa
compartilhada entre Estado, através do Ministério da Educação, empreendida pela
Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES) e o Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP/MEC) e as IES – Instituições
de Ensino Superior. Após a experimentação de vários modelos avaliatórios desde a
década de 70, o SINAES (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) 3,
criado em 2004, agrega propostas e metodologias de avaliação até então
conduzidas de forma fragmentada. No documento “Orientações Gerais para o
Roteiro da Auto-Avaliação das Instituições“ de 2004, o SINAES estabelece que a
avaliação

das

Instituições

de

Ensino

Superior

deve

ser

concebida

e

operacionalizada em três níveis: (1) Avaliação das Instituições de Educação Superior
(AVALIES) – que é o centro de referência e articulação do sistema de avaliação que
se desenvolve em duas etapas principais: a) auto-avaliação – coordenada pela
Comissão Própria de Avaliação (CPA) de cada IES, e b) avaliação externa –
realizada por comissões designadas pelo INEP, segundo diretrizes estabelecidas
pela CONAES. (2) Avaliação dos Cursos de Graduação (ACG) – avalia os cursos de
graduação por meio de instrumentos e procedimentos que incluem visitas in loco de
comissões externas. A periodicidade desta avaliação depende diretamente do
processo de reconhecimento e renovação de reconhecimento a que os cursos estão
sujeitos. (3) Avaliação do Desempenho dos Estudantes (ENADE) – aplica-se aos
estudantes do final do primeiro e do último ano do curso, estando prevista a
utilização de procedimentos amostrais 4.

3

O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), instituído pela Lei n° 10.861, de 14 de abril
de 2004, fundamenta-se na necessidade de promover a melhoria da qualidade da educação superior, a
orientação da expansão da sua oferta, o aumento permanente da sua eficácia institucional, da sua efetividade
acadêmica e social e, especialmente, do aprofundamento dos compromissos e responsabilidades sociais.
4
http://www.inep.gov.br/download/superior/sinaes/orientacoes_sinaes.pdf

15

Embora estes processos de avaliação oficiais sejam complexos e
tenham sua contribuição a oferecer ao ensino superior optamos por não adotar na
íntegra os roteiros propostos em virtude de considerarmos outras dimensões do
objeto em questão e por ser este momento uma conduta investigativa individual, por
conta mesmo do perfil deste trabalho, e não um processo coletivo como propõem
aquelas metodologias. O que estamos empreendendo é uma investigação
educativa.
Nosso recorte dar-se-á na habilitação em Relações Públicas do
Curso de Comunicação Social. Iremos nos empenhar na avaliação de um programa
específico, e não da instituição universitária como um todo, ou da unidade Centro de
Ciências Humanas, Letras e Artes, ou ainda do Departamento de Comunicação
Social. Entretanto, poderemos vir a completar a avaliação do programa, com
avaliações institucionais ou de departamento, considerando as interfaces nos
processos das três instâncias. Visualmente poderemos representar assim essa
relação:
Avaliação de programa

Avaliação Institucional

Avaliação de Faculdades
ou unidades Acadêmicas
ESQUEMA I - Relação entre Avaliação Institucional, Avaliação de Departamentos e Avaliação de
Programas, adaptado de Vroeijenstijn (1996, p. 41)

16

O contexto histórico e político do surgimento dos Cursos de
Comunicação Social, bem como suas trajetórias no cenário acadêmico brasileiro
serão questões relevantes para a identificação de matrizes em que se desenvolveu
a nossa realidade específica.
Data de 1947/48 a instalação das duas primeiras escolas de
Comunicação do País: a Escola de Jornalismo Cásper Líbero, em São Paulo,
vinculada à Pontifícia Universidade Católica e o Curso de Jornalismo da antiga
Faculdade Nacional de Filosofia, então vinculada à Universidade do Brasil, que
corresponde hoje à estrutura da Escola de Comunicação da Universidade Federal
do Rio de Janeiro - UFRJ (MELO, 1992, p. 60). A partir de 1962, o ensino de
Comunicação Social no Brasil, em nível de graduação, foi regido por um currículo
mínimo homologado pelo MEC. O primeiro foi concebido em 1962 e o último em
1984, sendo até hoje referência nas Instituições de Ensino Superior para as
habilitações em Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda,
Produção Editorial, Radialismo (Rádio e TV), e Cinema (MOURA, 2002a).
O Curso de Comunicação Social da UFAL se vê desafiado ao
atendimento às Diretrizes Curriculares aprovadas em 03 de abril de 2001. Esta
mudança parece necessitar de reflexões em todas as instâncias, desde o nível
macro, sobre as questões políticas da Educação, até a dimensão micro, de como se
organiza o programa para o cumprimento de sua missão.
De certo, as políticas de ensino, pesquisa e extensão na universidade
repercutem no contexto no qual está inserida. Por analogia, as políticas de ensino,
pesquisa e extensão desenvolvidos no Curso de Comunicação Social devem
repercutir em segmentos sociais específicos, a saber: professores, alunos,
profissionais de comunicação, mercado de trabalho, entidades associativas.

17

Reconhecemos que a assimilação acadêmica da área da Comunicação
Social apresenta questões controversas, que acabam convergindo para o campo do
currículo. Resgatamos de Melo (1991:27) algumas problemáticas do ensino da
Comunicação:
1. A autonomia curricular deveria possibilitar que as
diversas
habilitações
da
Comunicação
Sociais
experimentassem novas estruturas curriculares, buscando
integração entre as metas da universidade e as demandas
do ensino produtivo, em cada região brasileira. 2. O ponto
essencial para a formação cultural dos comunicadores é o
estabelecimento de prioridades para correspondência às
necessidades dos campos específicos. 3. A aproximação
entre as escolas e as empresas requer o desarmamento
ideológico dos educadores e pesquisadores e o
reconhecimento por parte da universidade que a competição
com as empresas quanto à modernização tecnológica é um
ideal inatingível. Faz-se mister o diálogo imediato com o
empresariado para garantia da sofisticação profissional. À
universidade caberia se conformar em possuir o instrumento
necessário para o ensino de uma habilidade. 4. O corpo
docente, além de prescindir competência profissional e
científica peculiar a cada especificidade, dentro dos campos
da comunicação, necessita de reciclagem pedagógica
continuada. 5. Faz-se necessário a revisão profunda das
estruturas atuais da pós-graduação em comunicação.

Apesar de terem sido anunciados há mais de uma década, estes
aspectos nos parecem bastante atuais e merecedores de nossa atenção. Enquanto
o Professor Melo faz um panorama genérico dos fatores que, otimizados, viriam a
reforçar o ensino de Comunicação, Oliveira (1992, p. 182) dá relevância ao currículo
como:
Peça fundamental de um projeto político e pedagógico, que
deve expressar, de maneira clara, os princípios que
orientam o curso, os objetivos da formação acadêmica,
cultural e profissional dos comunicadores; as perspectivas
profissionais e a interação com o sistema produtivo; a
qualidade do ensino e da pesquisa.

Outros autores apontam para a formação de professores, como fator
chave para a melhoria da qualidade de ensino das escolas de Comunicação na
América Latina, citando como exemplo Sánchez G. (1992, p.118) que sustenta ser

18

este um “requisito indispensable para determinar los problemas y necessidades de
las escuelas de la región, y pensar en la implementación de proyectos que ayudasen
a solucionarlos”.
Para obtenção desse salto qualitativo, Duarte (1992, p.144) propõe a
adoção da grupalidade, criatividade, atividade, capacidade e pesquisa como
propostas que enfatizam os processos didáticos e o professor.
Já Moura (2002b) direciona sua atenção para o sujeito em formação,
suas aspirações e percepções como parâmetro de avaliação da habilitação em
Relações Públicas, na Faculdade de Comunicação Social, da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul.
Percebemos como são inúmeras as categorias de análise para um
processo de avaliação. A partir desse espectro já reconhecemos uma dificuldade:
qual ou quais seriam os critérios de avaliação de maior coerência? Será que todos
esses enfoques têm sua contribuição legítima a dar a um processo de avaliação de
um curso de graduação? Qual deles ou que combinação seria a mais adequada
para implementação no Curso de Comunicação Social da UFAL? Parece que os
parâmetros de avaliação repousam sobre três paradigmas anunciados por Grego
(1997)5.
O paradigma de avaliação de orientação técnica tem como valores a
produtividade, a eficiência, a certeza e a predição. Dentro desse se enquadrariam os
estudos reputacionais ou rankings, classificatórios das instituições, os indicadores de
desempenho, definidos como um item de informação, coletado a intervalos
regulares, para monitorar o desempenho do sistema, a taxa de sucesso na
graduação, que indica a capacidade da instituição de levar seus alunos a concluir
5

A autora se fundamenta na obra Conhecimento e Interesse de Habermas (1987) para estabelecer estes
paradigmas.

19

com sucesso seus cursos; e ainda o grau de participação estudantil. (GREGO, 1997,
p.102).
No paradigma subjetivo-interpretativo a atenção reside:
[...] na qualidade das interações entre as pessoas, que lhes
permite construir e significados de uma dada realidade.
Avaliadores nesta orientação estão interessados na
qualidade de vida, qualidade de significado que as pessoas,
vivendo em uma dada situação, atribuem a situações
vividas. (Grego 1997:106)

No paradigma de avaliação de orientação crítica, apontado pela
autora, seriam essas as posturas e olhares:
[...] a concepção acerca do próprio processo de
transformação da realidade, [...] resultado de múltiplas
determinações históricas, [...] a concepção de totalidade e a
relação entre a totalidade de suas partes integrantes, [...] no
contexto da formação social na qual está inserido, [...] a
determinação histórica da conformação de uma
determinada situação, [...] o caráter da psicológico e político
do investigador bem como das teorias e metodologias.
(Grego,1997:108).

Acreditamos que estes paradigmas não se excluem e que o terceiro
apresentado se impõe sobre os outros sem causar-lhes neutralidade.
Outra categoria, além da avaliação, que alicerça o nosso trabalho é o
currículo, entendido aqui na perspectiva ampliada proposta por Silva (2003) “como o
conjunto de todas as experiências de conhecimento proporcionadas aos/às
estudantes” e que “está no centro mesmo da atividade educacional”. Essa noção de
currículo se relaciona com o paradigma de avaliação de orientação crítica, quanto a
sua amplitude, na perspectiva da totalidade.
Esta postura parece coincidir com o pensamento de Giroux (1988, p.
60) quando sugere que “ao reconhecer e questionar os diferentes estratos de
significado e de luta que constituem o espaço escolar os educadores podem
modelar não somente uma linguagem crítica, mas também uma linguagem de
possibilidade”.

20

Entretanto é preciso reconhecer que a concepção de totalidade num
trabalho dessa natureza nos oferece um espectro de dimensões demasiadamente
complexo. Um estudo sobre a temática em questão aceita recortes para que
possamos lançar contribuições efetivas sobre a formação em Relações Públicas.
Veiga (1989, p.70) compreende a definição das categorias a serem
avaliadas como “decisão política, pois revela, ao mesmo tempo, uma percepção
sincrética das áreas onde existe algum tipo de dificuldade e uma indicação de
prioridade ou relevância que a própria atividade avaliada recebe naquele contexto
específico”.
Nosso objetivo principal neste trabalho é avaliar o Curso de
Comunicação Social da UFAL em sua habilitação em Relações Públicas. Avaliar no
sentido de produzir informações que possam lançar luzes sobre o próprio processo
de formação, que revelem o Curso em nuances e olhares educativos. Como uma
fragmentação daquele objetivo geral, como uma forma de atingi-lo ou como
resultantes do seu alcance, temos como objetivos específicos: 1) resgatar a memória
do curso de Comunicação Social da UFAL e da habilitação em Relações Públicas; 2)
configurar o perfil da formação em questão; 3) apresentar as representações dos
sujeitos sobre o processo de formação e 4) apresentar o último projeto pedagógico e
reunir informações que subsidiem discussões sobre essa formação.
Para dar conta dos objetivos anunciados, lançamos mão de
procedimentos que configuraram um hibridismo metodológico. Esse caminho teve
início com nossa aproximação, através de textos, com as principais temáticas da
pesquisa: educação, avaliação institucional, ensino e currículo de Comunicação.
Algumas escolhas teóricas foram feitas e serão apresentadas ao longo do texto. Um
dos procedimentos para operacionalização do nosso trabalho foi a pesquisa

21

documental tendo como locus o Curso de Comunicação, setores da Universidade e
entidades de classe. Posteriormente a análise do conteúdo se fez presente como
procedimento indispensável.
Outras práticas foram adotadas. A própria observação, pelo acesso
que temos às instâncias acadêmicas nos possibilitou reunir informações para a
caracterização do perfil do programa6 em questão.
Um projeto de extensão que nasceu no seio de uma disciplina do
Curso possibilitou que as vozes de uma turma de alunos formandos fossem ouvidas.
Neste caso o instrumento utilizado foi o questionário. Ainda na perspectiva de
registro de representações buscamos através de entrevistas, considerar a fala dos
professores.
Dessas práticas e reflexões resultou o trabalho que apresentamos,
organizado em quatro capítulos. No primeiro, considerando a dimensão histórica,
fazemos um resgate da atividade e da profissão de Relações Públicas, de como
chegam ao Brasil e em Alagoas e como foram assimiladas pelo espaço acadêmico.
No capítulo seguinte, oferecemos uma possível configuração da memória e do perfil
do curso em questão, privilegiando aspectos de categorias de avaliação. No terceiro
capítulo trazemos as representações de duas categorias de sujeitos que participam
do processo de formação: os alunos e os professores. Os depoimentos dos
docentes também subsidiaram o quarto capítulo, em que apresentamos e discutimos
a organização curricular materializada no projeto pedagógico de 1996 e oferecemos
perspectivas curriculares à luz das diretrizes estabelecidas em 2001 e de mapas
cognitivos possíveis no campo das relações públicas.

22

CAPÍTULO I
Do capitalismo avançado à sociedade alagoana. Das Relações
Públicas ao ensino superior

Com o intuito de resgatar o nascimento e desenvolvimento das
atividades de Relações Públicas (RP´s) e a inserção dessa atividade no leque de
opções de formação superior no Brasil e em Alagoas, propomos configurar as
Relações Públicas como função político-econômica e atividade profissional (aqui
apresentadas as dimensões legal e corporativa), e como uma vertente do
pensamento comunicacional, que se constituiu num movimento reflexivo e cultural.
Acrescentamos ainda uma caracterização da estrutura e do funcionamento do
ensino superior brasileiro. Estes assuntos são apresentados considerando as
dimensões nacional e local, de forma a abranger os espaços e tempos cenários do
nosso objeto.

1.1. Uma possível configuração para o campo das Relações Públicas

A dimensão polissêmica da expressão Relações públicas foi apontada
por Simões (1995) quando nos ofereceu um arcabouço teórico para a área. Segundo
o autor, o tratamento histórico-empírico dado ao assunto atribuiu o uso da mesma
expressão para designar pelo menos nove categorias de coisas distintas. O termo
pode significar: 1) o processo, ou rede de relações pluridimensional de interação da
organização com a sociedade; 2) uma função, ou subsistema das organizações,
representando as filosofias, as políticas e as normas no trato dos interesses comuns

6

Mesmo reconhecendo que os termos programa, curso e formação têm significados diferentes no campo da
Educação, vamos adota-los para nos referir ao Curso de Comunicação Social, em sua habilitação em Relações
Públicas.

23

e específicos com os vários públicos; 3) a atividade, representada pela
administração daquela função organizacional.
Sobre este último aspecto, o autor esclarece que “a sociedade
identificou a necessidade de uma atividade perita na gestão desta [daquela] função”
entendendo como atividade “o trabalho realizado em um ambiente físico, com
materiais e pessoal com a finalidade de organizar uma função” (ibidem). O ensino e
o estudo em Relações Públicas parecem representar os esforços no sentido de
oferecer e apreender as técnicas mais adequadas para o desenvolvimento desta
atividade.
A quarta designação do termo diz respeito ao cargo, que seria o
espaço na estrutura das organizações para o desenvolvimento da atividade. O
quinto significado refere-se ao profissional. Enquanto na língua inglesa usa-se o
termo public relations, e na língua espanhola utilizam-se os termos relacionista ou
relaciones públicas, a língua portuguesa cunhou o uso da expressão “relações
públicas” para se referir à pessoa que desenvolve a atividade. Essa referência é
formalmente condicionada no Brasil à conclusão do Curso de Comunicação Social,
na habilitação em Relações Públicas e ao registro profissional no órgão da
categoria. A mesma expressão designa uma profissão, uma atividade reconhecida
socialmente, desenvolvida por profissionais organizados, legalmente amparados.
Reconhecemos que nas atividades do campo da comunicação organizacional os
profissionais de Relações Públicas têm perdido espaço para outros profissionais
como jornalistas e publicitários, administradores e até para profissionais com outras
formações. Em Alagoas esta situação se acentua pela própria constituição social e
econômica alagoana, sedimentada em uma cultura que pouco considerou,
historicamente, a dimensão da opinião pública.

24

O sétimo, o oitavo e o nono significados trazidos por Simões (ibidem)
dizem

respeito aos qualitativos ciência,

tecnologia

e

arte,

representando

respectivamente: 1) o conhecimento acumulado cientificamente em documentação
específica que leva à compreensão daquele processo; 2) o conhecimento capaz de
gerar certas operações sociais para a produção de um programa e o conjunto de
conhecimentos sobre os recursos necessários e a utilização da infra-estrutura mais
adequada para viabilizá-lo; e, 3) a capacidade do profissional de fazer incidir sua
subjetividade no desenvolvimento de programas, projetos e instrumentos que
mantenham ou alterem a estrutura do processo.
Apresentadas as perspectivas em que as RP´s podem ser abordadas,
priorizaremos tratá-las como função e principalmente como atividade profissional e
como ciência, caracterizando uma sub-área do campo da Comunicação Social.

1.2. As RP´s como função

Para tratar das RP´s como função, parece conveniente considerar a
dimensão histórica de aparecimento desta atividade. E histórica não apenas no
aspecto do resgate cronológico, mais principalmente no sentido de uma atividade
humana que se apresentou como necessária, tendo como pano de fundo o modo de
produção capitalista, suas relações de poder e suas tensões.
Essa dimensão histórica nos permite reconhecer que as coisas nem
sempre foram como são hoje. Assim é a atividade de Relações Públicas, que tem
sua origem em países de capitalismo avançado, mais precisamente no início do
século XX e começa a se estruturar nos anos subseqüentes à Primeira Guerra
Mundial.

25

Enquanto o processo das Relações Públicas pode ser remetido há
tempos mais remotos7 as atividades especializadas das relações públicas
desenvolveram-se simultaneamente com o crescimento do poder da opinião pública
e do conhecimento progressivo sobre as maneiras de cristalizá-la, conservá-la ou
transformá-la.
Tal atividade teve início nos Estados Unidos na primeira década do
século XX, quando a indústria moderna começou a ser atacada por líderes do
governo e intelectuais de prestígio. Ivy L. Lee criou, em 1906, o primeiro escritório
mundial de Relações Públicas, em Nova Iorque e em 1914 iniciou seu trabalho como
consultor pessoal de Jonh D. Rockefeller Júnior, o homem mais impopular dos EUA,
que assumia posturas agressivas em atividades de suspensão de greves (LLOYD E
LLOYD, 1988, p.16).
Peruzzo (1986) reflete sobre a função das Relações Públicas no modo
de produção capitalista. Trata, dentre outras questões, das condições de chegada
dessa tecnologia social ao Brasil, importada no bojo do modo de organização social.
Sobre a conjuntura norte-americana que propiciou o nascimento e desenvolvimento
da atividade apresenta considerações relevantes e sugere que:
Naquele país as primeiras décadas do século XX marcaram
o aparecimento dos poderosos monopólios, a concentração
de riqueza em poucas mãos. A manifestação por parte da
classe trabalhadora e da própria classe média contra o
abuso das empresas provocou a necessidade destas
organizações virem a público para tentar explicar suas
atividades, através de advogados e jornalistas. (PERUZZO,
1986, p.20)

7

Fonseca (in HAIG, 1962, p. 21-24) sugere que a origem das Relações Públicas, enquanto processo, seria
antiga e ilustrada pelas formas de poder desenvolvidas por povos antigos como a Pérsia, a Assíria, a Babilônia e
o Egito, quando atribuíam uma origem divina ao poder. Aquela seria a fase Teocrática das RR.PP. A fase
intermediária estaria representada pelo surgimento da opinião pública entre os povos da Grécia e Roma,
considerando por exemplo a expressão Vox populi, Vox dei (A voz do povo é a voz de Deus). A terceira fase, da
descoberta da sua necessidade coincidiria com o Renascimento e o movimento humanista, com a Reforma e a
Contra-Reforma, com o Enciclopedismo e a Revolução Francesa, com a Guerra Franco-Prussiana, com o
Manifesto Comunista, de Marx e Engels e com a Revolução Americana. A quarta fase, empírico-prática, seria
representada pela Revolução Industrial e o aparecimento da atividade nos Estados Unidos e demais países.

26

Ao encontro do apontamento de Peruzzo sobre o contexto norteamericano que oferecia as condições para a construção da atividade de RP, Torres
(2003, p. 1) esclarece:
[...] com o aparecimento da revolução industrial, já bem
cedo as partes lesadas, no relacionamento entre as
organizações de seus públicos, começaram a expor suas
reivindicações. Além disso, a sociedade americana, em
razão de uma autoconsciência valorativa, promovia a
participação de todos em todos os assuntos de comum
interesse, devendo para tanto empenhar o seu sentido de
responsabilidade comunitária e o seu direito à informação".

A autora acrescenta ainda que “aproximadamente um quarto da
população americana estava, direta ou indiretamente, vinculado a atividades
educacionais” (ibidem).
As Relações Públicas então nascem num contexto em que os
antagonismos

de

classe

se

evidenciaram.

Configuraram

um

sub-sistema

organizacional, uma função das organizações, como o são as funções financeiras,
produtivas, administrativas. As tensões geradas pela relação entre capital e trabalho
foram o amálgama em que nasceria e se cristalizaria uma atividade humana
especializada na administração de crises. Entretanto, é importante reconhecermos
que esta função organizacional não cessou a contradição genética entre o capital e
o trabalho, como explica Peruzzo (ibidem, p.22):
o lema “o público que se dane” expresso por William D.
Vanderbild, outro capitalista, por “o público tem de ser
informado” de Ivy Lee [que depois evoluiria para “o público
deve ser compreendido”], acrescido de doações para obras
de caridade, concessão de bolsas de estudo e criação de
fundações não significa que o público tenha sido informado
sobre as reais condições de exploração do trabalho e que a
exploração da mais-valia tenha deixado de existir.

27

No Brasil, com a importação do capitalismo industrial, seus modelos
produtivos, organizacionais e suas tensões, temos o aparecimento das atividades de
RP. Como tecnologia social ela chegou no bojo do modelo de sociedade capitalista
proposto, com os discursos de harmonização, cordialidade e confiança entre o
capital e o trabalho. O desenvolvimento dessa função pode ser constatado com a
caracterização de um novo setor que ficou conhecido por comunicação empresarial,
organizacional ou institucional como esclarece Brandão (2001 p.38).
A expansão do capitalismo brasileiro, verificado a partir da década de
50, ofereceu as condições para a proliferação das iniciativas no âmbito da
comunicação organizacional. Depois da II Guerra Mundial, o País passou por um
surto de industrialização, caracterizado pelo incremento do mercado de consumo
nacional, pela aceleração do processo de urbanização da sociedade e a
conseqüente formação da classe média e do operariado urbano (BRANDÃO, 2001,
p.38). Aquele momento histórico foi marcado ainda pelo desenvolvimento das
comunicações massivas. Na tentativa de criação de uma identidade nacional, os
meios de comunicação de massa funcionaram como uma agência de socialização,
convertendo massa em povo e povo em nação. O mercado cultural se expandiu.
Rádios, jornais, revistas, discos e a televisão moldavam o estilo de vida e o ethos
urbano brasileiro.
Esse

sentimento

nacionalista

cristalizado

na

ideologia

desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek pode ter sido, como aponta Brandão
(ibidem) o ingrediente para compor o clamor da opinião pública contra as
multinacionais, em especial as que operavam no setor de serviços públicos (telefonia
e energia elétrica). Foi quando as organizações criaram em sua estrutura setores
especializados em Comunicação.

28

Contudo, a importação daquele modelo parece não ter contemplado
adaptações necessárias à adequação a um contexto diferente, de relações de
poder, cultura empresarial e escolarização distintos da matriz onde nascera as RP´s.
Outro fator a considerar nessa trajetória são as diferenças regionais brasileiras que
parecem ter produzido um perfil heterogêneo para a atividade, a profissão e a
formação na área (apesar dos currículos mínimos). O desenvolvimento industrial a
que nos referimos foi notadamente concentrado no eixo Sul-Sudeste. Lá, a filosofia
da comunicação organizacional chegou e se desenvolveu três, quatro décadas antes
de sua repercussão na Região Nordeste.

1.3. Relações Públicas como atividade no Brasil e em Alagoas

Para tratar das Relações Públicas como formação acadêmica faz-se
necessário considerar algumas categorias de fenômenos que se vinculam
diretamente com o surgimento e o desenvolvimento dos trabalhos que tiveram a
finalidade de organizar a função comunicativo-organizacional no Brasil. Os marcos
históricos, as referências legais e o corporativismo profissional serão as principais
categorias consideradas nesta seção, privilegiando a perspectiva histórico-política
brasileira nas décadas de 60 e 70, fase de maior crescimento da profissão, que
coincide com sua apropriação pela ditadura militar.
Os marcos históricos dizem respeito às primeiras iniciativas de criação
por parte das organizações públicas e privadas, de setores ou departamentos de
comunicação responsáveis por gerir aquela função no Brasil e em Alagoas. A
dimensão nacional destes marcos está aqui resumida pela consulta a Kunsch (1997)

29

e Cabestré (2004).8 Já o conhecimento desses marcos em Alagoas está
sedimentado em depoimentos de profissionais que nos reportam aos primórdios
dessa atividade no Estado e sustentado por pesquisa documental, considerando
arquivos e jornais das décadas de 70, 80 e 90.
De acordo com Chaves (in JAMERSON, 1962, p.30) após a criação do
Departamento de Relações Públicas pela The São Paulo Tramway Light and Power
Co. em 1914, que iconiza o alagoano Eduardo Pinheiro Lobo como o pai das
relações públicas brasileiras, outros se sucederam, principalmente em empresas
estrangeiras. A referência à criação do primeiro departamento verdadeiramente
nacional é atribuída à Cia Siderúrgica Nacional, no ano de 1951. O autor registra
ainda que “muitas dependências governamentais instituíram departamentos
semelhantes, como a própria Presidência da República9, o Governo do Estado de
São Paulo, a Prefeitura de Niterói e outras”. A partir da tomada do poder pelos
militares com o Golpe de 64, as atividades de RP ganharam destaque na sociedade
e interesse junto ao poder central. Foi sob a denominação de Relações Públicas que
foi incrementado um conjunto de atividades de comunicação política por parte dos
governos militares.

8

A autora sugere uma sistematização de caráter didático para a configuração da atividade de relações públicas
numa divisão em quatro (4) momentos. O primeiro momento (1882-1948) seria o de "emergência da profissão"; o
segundo momento (1949-l968) seria o de "consolidação"; o terceiro momento (1969-1980) seria caracterizado
como de "aperfeiçoamento", destacando-se a regulamentação e a proliferação dos cursos de graduação na área.
O quarto momento (de 1981 até os dias atuais) a autora chama de "fundamentação teórico/científica",
caracterizado pela intensificação da discussão e produção científica na área.
9
De acordo com Cabestré (2004, p.8) “nessa época, é estruturado no Brasil, em âmbito federal, o Departamento
de Imprensa e Propaganda, através do Decreto Lei nº 1915, de 27 de dezembro, com cinco divisões: divulgação,
radiodifusão, cinema e teatro, turismo e imprensa. Esse mesmo departamento, em 1940, através do Decreto Lei
2557, de 4 de setembro, amplia suas atividades de censura sobre os meios de divulgação e expressão
existentes no país, estabelecendo-se a censura, inclusive sobre espetáculos e diversões públicas.” Ainda
segundo a autora “no início da década de 40 (1942), o Governo Federal do Brasil cria, no âmbito do Ministério da
Agricultura, o Serviço de Informação Agrícola (SIA), sucedendo ao Serviço de Publicidade Agrícola, da Diretoria
de Estatística e Publicidade, criado pelo Decreto nº 22.984, de 25 de julho de 1933. O SIA é considerado o
primeiro órgão de relações públicas, em âmbito governamental. Apesar de não ter a denominação da área, esse
órgão desempenhava atividades específicas de RP produzindo e distribuindo publicações e informações para o
setor agrícola.”

30

A cronologia relativa aos marcos históricos da atividade e à conjuntura
destes momentos foi oportunamente apresentada por Kunsch (1997), Brandão
(2001) e Cabestré (2004). Cabe-nos eleger as que consideramos importantes,
inclusive por correspondência com os marcos registrados em terras alagoanas.
Em Alagoas, o movimento das relações públicas parece ter seguido a
tendência nacional. As empresas estatais e os órgãos do governo fizeram uso
freqüente de assessorias de Relações Públicas.10 Se o alagoano Eduardo Pinheiro
Lobo é considerado o pai das Relações Públicas no Brasil, no Estado de Alagoas a
paternidade da atividade é consensualmente atribuída a Luiz Plácido Tojal, que teria
assumido o cargo de RP da Petrobrás em 1958.11
Os registros que trazemos em relação à movimentação corporativa
dizem respeito à criação da Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP), do
Conselho Federal dos Profissionais de Relações Públicas (CONFERP), dos
Conselhos Regionais (CONRERP´s), dos sindicatos profissionais e das instalações
dos primeiros Cursos de Relações Públicas e dos congressos nacionais,
considerando as dimensões brasileira e alagoana, organizados no quadro a seguir:

10

De acordo com depoimentos de Benedita de Souza e Lúcia de Paula, relações públicas aposentadas,
tínhamos nos anos que antecederam o surgimento do Curso de Comunicação na UFAL, empresas como a
PETROBRÁS, a TELASA, a SALGEMA a SEASA e órgãos do governo abrigando as atividades e os profissionais
de relações públicas.
11

Em matéria publicada em O Repórter, nº 33, em 1996 o professor do Departamento de Comunicação Social
Luiz Gonzaga registra que “Luiz Tojal está para Alagoas assim como Eduardo Pinheiro Lobo está para o Brasil”.
A matéria assinada por Tobias Júnior faz referência à trajetória profissional de Luiz Tojal, que teria transitado
pelo rádio, pela televisão, pelas relações públicas e teria sido co-responsável pela implantação do curso de
Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas.

31

ANO
1954
1967

1968

MARCOS DO DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL DAS RPs. NO BRASIL E EM ALAGOAS
Fundada a ABRP em São Paulo
Sancionada a Lei 5.377, de 11 de dezembro, que disciplina a profissão no Brasil
Instalado o primeiro curso superior regular de RP pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de
São Paulo.
Sancionado o Decreto 63.283 que aprova o Regulamento da profissão de relações públicas.

1969

Sancionado o Decreto-Lei nº 860, de 11 de setembro, dispondo sobre a constituição do Conselho Federal e
dos Conselhos Regionais de Profissionais de Relações Públicas.

1971

Criados os conselhos Federal e Regionais de Relações Públicas, pelo Decreto 6.582 de 4 de maio.
Criada a ABRP seccional Alagoas, entidade que evoluiu da ARPAL (Associação dos profissionais de
Relações Públicas de Alagoas).
Realizado o I Congresso Brasileiro de Relações Públicas em Petrópolis (RJ)

1972
1976
1978
1996
1999

Realizado o IV Congresso Brasileiro de Relações Públicas em Maceió e Penedo (AL)
Instalado o Curso de Comunicação Social na Universidade Federal de Alagoas com as Habilitações em
Relações Públicas e Jornalismo
Realizado o XIV Congresso Brasileiro de Relações Públicas em Maceió (AL)
Criado o Conselho Regional de Relações Públicas 9ª Região com jurisdição em Alagoas e Sergipe.

QUADRO I - Cronologia do desenvolvimento institucional das Relações Públicas.

Apesar de estarem concentrados no período da ditadura militar os fatos
relativos ao desenvolvimento institucional das Relações Públicas, o momento
referencial no sentido de agregar profissionais e pensadores desta atividade foi a
fundação em 1954, em São Paulo, da Associação Brasileira de Relações Públicas
(ABRP). A finalidade da ABRP expressa em seus primeiros estatutos era:

a) congregar todos os profissionais, estudiosos e entidades
cujas atividades sejam ligadas a Relações Públicas; b)
tornar conhecida, apreciada e respeitada a atividade
profissional de Relações Públicas; c) proporcionar o
aperfeiçoamento profissional de seus associados e das
pessoas que desejarem dedicar-se a Relações Públicas,
promovendo cursos, palestras, congressos. etc. d) pugnar
pelo reconhecimento, oficialização e regulamentação da
profissão de Relações Públicas e de cursos de formação
profissional. (GURGEL, p.35)

Percebe-se que esta entidade, em seu momento de gênese,
mencionava o acompanhamento da formação profissional como questão a ser
considerada como uma de suas finalidades, antecipando o fato da formação
acadêmica. Seguidas da fundação da ABRP em São Paulo, deram-se instalações no

32

Rio de Janeiro (1956) e Minas Gerais (1958). Na década de 60 somente o Distrito
Federal, Pernambuco (ambos em 1965) e o Rio Grande do Sul (1968) fundaram
seccionais da ABRP. Alagoas foi o oitavo estado a fundar a associação que
congregava os profissionais, em 197112.
Através de consultas a arquivos da ABRP/AL, atas e recortes de
jornais, tentamos investigar o papel pedagógico desta entidade e de sua
interferência na criação do Curso de Comunicação Social da UFAL. As descobertas
foram além das intenções iniciais. A leitura das atas foi norteada pela busca de
registros sobre aquela dimensão educativa da entidade. A constatação foi que a
ABRP em Alagoas foi uma entidade dinâmica, com reuniões regulares e densas em
suas pautas, com uma relação íntima com políticos, governadores, deputados e a
iniciativa privada e uma forte expressão da movimentação cultural e científica da
profissão e dos profissionais de Relações Públicas. Por outro lado, podemos dizer
que nas décadas de 70, 80 e 90, esses comportamentos não foram homogêneas e a
entidade apresentou perfis diferenciados nestes 34 anos. Não seria arriscado afirmar
que antes da criação do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de
Alagoas, desde sua fundação em 1971 e até mesmo alguns anos após a instalação
daquele programa de graduação na UFAL, a ABRP era o espaço e o esforço que os
profissionais e pensadores das Relações Públicas tinham para propagar, discutir e
socializar as teorias e modelos deste campo comunicacional. E outra questão
verificável é que a década de 70 foi o período em que a ABRP mais trabalhou no
sentido de oferecer cursos e eventos na área.
Para apresentar esta dimensão educativa da ABRP recorremos a
alguns momentos registrados em atas. É possível que um dos primeiros acadêmicos
12

Informações sobre a cronologia de instalações das seccionais da ABRP encontram-se no site
http://www.abrp_sp.com.br

33

em Alagoas a se envolver com a área de Relações Públicas em seu aspecto
educativo tenha sido o Prof. José Sílvio Barreto de Macedo, que quando convocado
em 1974 pelos seus pares para representar a ABRP/AL na comissão de ensino de
Relações Públicas no Conselho Nacional de Educação, aceitou a incumbência
(ABRP/AL, Ata de 12 de julho de 1974). Mas foi por meio de eventos que a ABRP
cumpriu seu papel pedagógico. As Semanas Alagoanas de Relações Públicas, o
Curso de Técnicas de Relações Públicas, os Painéis Alagoanos de Relações
Públicas, os Ciclos Alagoanos de Estudos de Relações Públicas, os Seminários
Arapiraquenses de Relações Públicas, o Simpósio de Relações Públicas, o Curso de
Planejamento de Relações Públicas na Comunicação Integrada e o Seminário de
Comunicação Empresarial da Teoria da Opinião Pública estabeleceram contatos dos
profissionais alagoanos com pesquisadores precursores do campo das RP´s no

ILUSTRAÇÂO I - Público de um dos eventos promovidos pela ABRP antes da criação do Curso de
Comunicação na UFAL. Platéia numerosa. Arquivo ABRP/AL

34

Brasil como Cândido Teobaldo de Souza Andrade, Margarida Maria Kroling Kunsch,
Sarah Chiucid da Viá e Roberto Porto Simões.
Estes eventos, principalmente os de antes da instalação do curso
superior se configuraram como o locus de reflexões e debates no campo da
comunicação organizacional em Alagoas, que culminaram na realização, em 1976,
do IV Congresso Brasileiro de Relações Públicas.

ILUSTRAÇÕES II e III - Prospecto e público IV Congresso Brasileiro de Relações Públicas, realizado no
ano de 1976, no Teatro Deodoro, em Maceió. Arquivo ABRP/AL

Os temas que estimularam o encontro dos profissionais naquele
momento e foram abordados no evento trataram de: “Relações Públicas como fator
de mentalidade para o desenvolvimento”; “Ação e descentralização do Conselhos
Regionais dos Profissionais de RRPP”; “Necessidade de desenvolvimento
regional no ensino de RRPP (grifo nosso)”; Análise histórico crítica das RRPP No
Brasil”; “A figura e a obra de Eduardo Pinheiro Lobo” e “ Função dos Profissionais
de RRPP na Integração Latino Americana.13
13

Essas informações constam na parte interna do prospecto do evento. Durante o IV Congresso Brasileiro de
Relações Públicas a cidade de Penedo recebeu os participantes no último dia para a inauguração da Rua
Eduardo Pinheiro Lobo e para a Palestra “A figura e a Obra de Eduardo Pinheiro Lobo” no Cine São Francisco.

35

Destaque-se que antes da realização do IV COMBRARP (Congresso
Brasileiro de Relações Públicas) em Maceió, as entidades de classe se mobilizaram
para a futura instalação dos programas acadêmicos. Na ata de reunião da ABRP, de
18 de outubro de 1974, consta:

[...] dando prosseguimento, foi lido o memorial apresentado
pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de
Alagoas, ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação e
cultura, Senador Ney Braga, quando de sua visita a Maceió,
pleiteando a criação do curso de comunicações sociais (sic)
na Universidade Federal de Alagoas, abrangendo
jornalismo, propaganda e relações públicas, sendo
registrado um voto de louvor pela idéia do referido sindicato
e ratificada pela ABRP/AL [...]

A realização daquele evento em Maceió talvez tenha dado o estímulo
do qual os profissionais precisavam para a instalação do curso superior. Estímulo
observado em 1977 quando em reunião ordinária da ABRP “[...] o presidente
cientificou aos presentes de que o associado Juarez Ferreira sugeriu fosse feito (sic)
um estudo sobre a possibilidade de se levar o ensino de relações públicas nas
unidades universitárias das cidades de Penedo e Arapiraca [...]” (ABRP/AL, Ata de
14 de outubro de 1977).
Essa mobilização, mesmo não tendo surtido o efeito em relação ao
interior do Estado, obteve êxito na capital alagoana. A mesa redonda “Relações
Públicas e Comunicação” realizada em 1978 contou com a participação de Dante
Lima Vianna, do professor João Azevedo, Vice-Reitor da UFAL, do jornalista José
Otavio da Rocha, presidente da Associação de Propaganda de Alagoas, do
jornalista José Aldo Ivo, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas e do
jornalista Juarez Ferreira, além da senhora Vilma Vital, secretária do Conselho

36

Nacional da ABRP. O evento antecipava o que no mesmo ano seria a instalação do
Curso de Comunicação Social com duas habilitações14.
Em registro da “reunião almoço”, do dia 23 de setembro de 1978, da
ABRP “[...] o primeiro vice-presidente, Luiz Otávio Gomes da Silva parabenizou os
novos associados e transmitiu a satisfação pelo curso de Relações Públicas que terá
[teria] o primeiro vestibular na UFAL [...] O envolvimento do Vice-Reitor que assinara
a resolução de criação do curso teria estimulado a entidade no ano de 1979 a
conceder-lhe o título de sócio honorário15“[...] considerando o esforço pessoal do
vice-reitor [...] para a criação do curso de Comunicação Social com habilitações em
relações públicas e jornalismo”.
Em todo o Brasil a concepção de uma associação seria o estímulo para
os esforços e a consecução da regulamentação, que aconteceu em 1967 através da
Lei nº 5377 de 11 de dezembro, que qualificou o profissional de Relações Públicas,
definiu suas atividades e fixou as condições para o registro e o exercício profissional
e sua fiscalização, fazendo do Brasil o primeiro país do mundo a apresentar uma
legislação para as RP´s. No ano seguinte, com o Decreto nº 63.283 de 26 setembro,
aprova-se o regulamento da profissão, de que trata a Lei nº5.377/67 (ATHAYDES,
s.d).
Quatro anos depois, a categoria de Relações Públicas no Brasil que,
desde a sua regulamentação recorria ao Ministério do Trabalho, através das
Delegacias Regionais do Trabalho, para o registro profissional, conquista um espaço

14

A resolução nº 02/78 do Conselho Coordenador de Ensino e Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
criou o Curso de Comunicação Social com as habilitações de Jornalismo e Relações Públicas. O documento é
assinado por João Azevedo, à época Vice-Reitor no exercício da Reitoria.
15

Segundo o Estatuto da Associação Brasileira de Relações Públicas (1994) constituem-se sócios honorários
pessoas ou entidades não associadas que tenham prestado relevantes serviços à ABRP ou à dignificação da
atividade de relações públicas. Os títulos de sócios beneméritos são concedidos aos associados da ABRP que
tiveram prestado relevantes serviços à entidade ou à categoria de RP. Algumas concessões desses títulos
demonstram a aproximação que a entidade tinha com as esferas governamentais em Alagoas. Exemplo disso foi

37

próprio, o Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (CONFERP). A
regulamentação do CONFERP e dos Conselhos Regionais ocorre com a publicação
em 4 de maio de 1971, do Decreto nº 68.582/71 (ATHAYDES, s.d). No ano seguinte,
a categoria, por meio do Conselho, conquista a aprovação do Código de Ética, com
disposições reguladoras do comportamento a ser obedecido pelos que exercem a
profissão, inclusive enfatizando o respeito aos princípios da Declaração Universal
dos Direitos do Homem.16
Foi no período que se sucedeu à Nova República que as atividades de
Relações Públicas ganharam a fisionomia que têm hoje. Para mostrar como a
atividade se operacionaliza, e para garantir espaço de trabalho para a profissão o
Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (CONFERP), recorrendo a
legislação que regulamenta o exercício da profissão (Lei nº 5.377, de 11/12/67;
Decreto-lei nº 860 de 11/09/69; o Decreto 63.283, de 26/09/68; e o Decreto 68.582,
de 04/05/71), define as funções privativas e as atividades específicas do profissional
de Relações Públicas em sua Resolução Normativa nº 43, de agosto de 2002 17.
Neste documento aparece:
Todas as ações de uma organização de qualquer natureza
no sentido de estabelecer e manter, pela comunicação, a
compreensão mútua com seus públicos são consideradas
de Relações Públicas e, portanto, não se subordinam a
nenhuma outra área ou segmento.

Na legislação e na bibliografia que tratam de definir o campo em
questão é recorrente a apresentação das atividades específicas agrupadas e
classificadas nos segmentos de pesquisa, assessoria e consultoria, planejamento,
execução e avaliação.

a concessão dos títulos de sócios beneméritos ao então Governador do Estado de Alagoas, Divaldo Suruagy, em
1978, seguido do título de RP do ano e ao então Prefeito de Maceió, Dilton Falcão Simões, em 1979.
16
O Código de Ética dos Profissionais de Relações Públicas está Disponível em http//www.conferp.org.br.
17
Documento disponível no site http://www.conferp.org.br.

38

Essas referências históricas da atividade de RP destacando-se as
diretrizes legais são importantes, pois são matrizes da institucionalização da
atividade e ofereceram subsídio para a organização corporativa e certamente
balizaram e orientam a organização do ensino neste campo.
Considerando que todas as definições são complementares e
afastando-nos do compromisso de oferecer uma definição universalmente aceita,
concebemos as Relações Públicas como uma função organizacional, desenvolvida
através de atividades que buscam estabelecer e manter canais de diálogo entre as
organizações e os grupos humanos com que interagem, com a finalidade de
equilibrar os interesses e as disputas políticas. Além de representar uma função,
uma atividade e uma movimentação corporativa e profissional, Relações Públicas
representam também um campo de reflexão que se desenvolve dentro e fora dos
espaços acadêmicos.

1.4. A reflexão sobre RP e seu status de área de conhecimento

Se este é o nosso caminho, partiremos da premissa de que as
Relações Públicas inserem-se, enquanto reflexão e prática, no campo da
Comunicação Social. Esse pertencimento sofre tensões, pois se considerarmos a
dimensão interdisciplinar das RP´s não será difícil verificar que recebem influências
em sua constituição de áreas como a Administração, por exemplo. Sem querer
estimular uma polêmica, reconhecemos que o campo da Comunicação tem sido um
lugar privilegiado e fecundo para reflexões sobre comunicação organizacional e RP.
Quando tratamos de dimensão reflexivo cultural das RP´s queremos destacar o

39

movimento científico que tem geminado no campo da Comunicação e que correu
paralelo às movimentações profissionais e corporativistas referenciadas até então.
Muito elucidativo tem sido Melo (2003a; 2003b) quando nos oferece um
mapa cognitivo da constituição do pensamento comunicacional latino-americano,
brasileiro e alagoano. Toma o campo da Comunicação Social como herdeiro da
retórica aristotélica e que ganha contornos de campo científico no início do século
passado, se desenvolvendo durante a I Guerra Mundial e encontrando nos espaços
acadêmicos portos para ancoragem em todo o mundo.
Segundo o autor, a inserção de um novo campo do conhecimento na
estrutura acadêmica traduz a sua legitimação social. Seriam três os fluxos
convergentes que determinariam a eclosão do fenômeno da aceitação desse novo
campo do saber pelas universidades:
Industriais - As empresas da área informativa demandam
recursos humanos qualificados e investem na sua formação.
Profissionais - Os trabalhadores midiáticos reivindicam a
aperfeiçoamento
intelectual
para
ter
melhores
oportunidades ocupacionais e ao mesmo tempo fortalecer
as corporações a que pertencem. Cívicos - Requerendo
produtos culturais de qualidade, a sociedade civil reage ao
abastardamento da imprensa diária, ou melhor, à sua
popularização. Trata-se de movimento liderado pela classe
média, na qual se incluem os intelectuais. Temerosos do
nivelamento por baixo, ele preconizam linguagens e
temáticas mais sintonizadas com as aspirações das classes
trabalhadoras, porém capazes de influir no processo de
ascensão social.

O campo da Comunicação Social emergiu no bloco das chamadas
ciências aplicadas, semelhante à Medicina, à Engenharia e ao Direito. Foi composto
por um aglomerado de disciplinas de cinco segmentos da atividade intelectual: as
artes, as humanidades, as tecnologias, as ciências sociais. Se estabeleceu na
América Latina nos anos 70, representando a ampliação da disciplina Jornalismo.

40

Parece-nos conveniente também considerar o que trata Lopes (2003)
sobre o assunto quando nos diz que “a comunicação é um campo de estudo que se
autonomiza dentro da grande área de ciências sociais e humanas” e “vem
demonstrando

especificidade

intrínseca

do

seu

objeto”

–

os

fenômenos

comunicacionais. A partir desta asserção a autora organiza seu pensamento de
forma a nos apresentar o que teria sido a matéria-prima conjuntural dos estudos de
comunicação no Brasil. De acordo com a pesquisadora, o mercado cultural no Brasil,
durante o desenvolvimentismo (décadas de 30, 40 e 50) teria oferecido as condições
para o desabrochar de um campo científico distinto. Os meios de comunicação de
massa que nasciam junto com a corrida brasileira para o desenvolvimento, tornaramse agências de socialização e foi através deles que tivemos as primeiras vivências
de nação que seriam “experiências partilhadas por nordestinos, gaúchos, cariocas”
Lopes (2003, p.17 - 33) .
Os períodos seguintes, representado pelo Governo Kubitschek (19561960) e os governos militares (1964-1985) teriam sido, segundo Lopes, quando “o
Brasil, país da periferia capitalista, constitui uma indústria cultural complexa” (ibdem,
p.26-27). Essa conjuntura é importante, pois tanto a autora quanto Melo reconhecem
que “historicamente o primeiro objeto comunicacional a suscitar estudos (pesquisas)
e a demandar sistematização (ensino) foi a imprensa (século XIX)” Melo (2003a, p.
39). Surge a bibliologia e hemerografia, depois aparece o jornalismo, primeiramente
em sua vertente impressa. O autor aponta que “as demais disciplinas midiológicas:
publicidade,

relações

públicas,

cinematografia,

radialismo,

teledifusão,

entretenimento – conquistaram espaço somente nas três últimas décadas do século
passado” Melo (2003a, p. 39).

41

Essa afirmação nos leva a estabelecer relações temporais, pois foi
naquela época que reconhecidamente deu-se o desenvolvimento das atividades de
RP e sua trajetória rumo à universidade na trilha de todo o pensamento
comunicacional brasileiro que segundo Melo (2003a, p 39) foi sendo configurado:
a) Pela legitimação empírica, representada pelos
conhecimentos gerados nas corporações, manualizados ou
transformados em livros e ensaios que comportavam
reflexões críticas dos seus produtores paradigmáticos ou se
incorporavam à memória histórica das profissões. b) Pela
assimilação universitária – pressionadas pelo mercado, pelo
estado ou pela sociedade civil, as universidades admitem
essas novas formas de saber e as convertem em cursos
profissionais ou as privilegiam como objetos de pesquisa,
institucionalizados ou não. c) Reconhecimento acadêmico –
quando se criam programas regulares de ensino avançado
e de pesquisa teórica, ensejando a formação de
pesquisadores do campo (isso se dá no âmbito da pósgraduação). Estes por sua vez, constituem uma comunidade
autônoma, inserida na comunidade internacional.

Essa assimilação universitária, depois de ocorrida na Europa e nos
Estados Unidos18, chega ao Brasil com fisionomia de importação, no bojo das
investidas que aquela nação adotou após a Segunda Guerra Mundial. É possível
pensar na conformação do campo comunicacional na América Latina e no Brasil
como um reflexo da dinâmica da Guerra Fria. A constituição da ELACOM 19, e a
participação brasileira neste movimento teria como “lócus primitivo” (Melo, 2003a,
p.135) a instalação do CIESPAL – Centro Internacional de Estudos Superiores de
Comunicação para a América Latina, em Quito, capital do Equador, que trazia,
segundo Meditsch (sd) uma dimensão notadamente política. Segundo este autor a
concepção do ensino de Comunicação no Brasil começava a se formar:

18

Melo aponta como marcos dessa assimilação a defesa da primeira tese de doutorado sobre Jornalismo na
Alemanha em 1690 e a fertilidade do campo da comunicação social nos Estados Unidos da América, apoiada
pelo sistema empresarial e pelo Governo no século XX.
19
É como José Marques de Melo se refere à Escola Latino Americana de Comunicação

42

[...] numa conferência da UNESCO realizada em Paris, em
1948. Naquele encontro, a entidade, na época amplamente
dominada pela política dos Estados Unidos, resolveu dar
atenção especial à formação dos jornalistas no terceiro
mundo. A UNESCO advertia ao mundo ocidental que o
jornalismo poderia "agravar, se mal inspirado, os
desajustamentos entre grupos, classes e partidos" - como
pregava o comunismo soviético - "ou atenuá-los até‚ o ponto
de extinguí-los, se baseado na boa compreensão dos fatos
e na lúcida revelação dos mesmos", conforme a retórica da
época reproduzida por Celso Kelly (1966:62-3). Com essa
preocupação principalmente política, a UNESCO começa a
criar centros de formação de professores de jornalismo nas
várias regiões do terceiro mundo. Antes mesmo que a África
e a Ásia, a América Latina foi contemplada com um Centro
Internacional de Estudos Superiores de Jornalismo [...]

O legado do CIESPAL repercutiu no currículo mínimo elaborado para a
formação do profissional de Comunicação Social polivalente20, proposta que teve
pouca aceitação da comunidade acadêmica, talvez reflexo da rejeição dos grupos
profissionais já articulados de jornalistas, relações públicas e publicitários21.
Entretanto, aquele Centro parece ter sido responsável pela concepção de ensino
que deveria se desenvolver na formação em Comunicação Social e que repercute
até os dias de hoje. Os cursos de jornalismo passariam a ser escolas de
Comunicação e acolheriam, além do ensino do jornalismo, a formação de todas as
outras práticas profissionais. De acordo com Meditsch (sd) a influência do CIESPAL:
[...] implicou numa ruptura da orientação teórica das
escolas, que até então era centrada numa formação
clássico-humanística, com ênfase nos estudos éticos,
jurídicos, filosóficos e literários. Esta orientação, por
influência do Centro, será rejeitada por "não-científica", e
substituída pelas disciplinas valorizadas pelo funcionalismo
norte-americano.

Se a assimilação acadêmica pode ser considerada aspecto importante
para o pensamento comunicacional, sem desconsiderar sua dimensão contraditória,

20

Trataremos dos currículos mínimos na área de comunicação social no capítulo IV.

43

outros fenômenos do campo científico são verificados paralelamente a essa
absorção pelo ensino superior e àquelas movimentações profissionais que
verificamos no campo das RP´s. Estamos nos referindo à organização do
pensamento comunicacional que acontece fora dos espaços acadêmicos e que tem
como referência, no Brasil, a fundação da Sociedade Brasileira de Estudos
Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), no ano de 1977. Como nos explica
Faro (1992), o projeto modernizador brasileiro refletiu na economia, na política, na
organização da sociedade civil e no comportamento dos intelectuais que indicou:

[...] não apenas uma postura de um engajamento radical
contra o autoritarismo e as restrições às liberdades civis postura essa que responde pela tônica da quase totalidade
das manifestações artísticas e por sua vinculação empática
com as camadas médias urbanas; indica também intensa
reflexão sobre temas que envolviam a revisão de todo o
arcabouço teórico de interpretação da realidade brasileira.
Faro (1992, p.27)

O autor aduz que a universidade constituiu-se no núcleo aglutinador
desse movimento, e por isso foi alvo de intervenções do regime militar o que teria
contribuído para o divórcio entre intelectuais e Estado, e para a organização da
comunidade científica fora das fronteiras do sistema, “através de publicações e do
surgimento e ativação de instituições que passaram a representar novos pólos de
resistência ao autoritarismo” (FARO, 1992, p.28). Antes mesmo desse regime, os
intelectuais se aglutinaram na SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência, a partir de 1948, e na década de 70 “já representava toda a totalidade dos
cientistas”. Alvo de descaso e censura pelas forças políticas a SBPC acabou por
contribuir com os movimentos de articulação que repercutiram na nuclearização dos
21

Segundo Meditsch o CIESPAL não se limitava a propor a criação de um novo tipo de profissional: propunha a

44

segmentos da intelectualidade em torno de suas áreas de trabalho e de estudo. “A
Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação se constituiu
num desses núcleos” (FARO, 1992, p. 35).
A INTERCOM, apesar de referência, não se constitui como o único
espaço

extra-acadêmico

aglutinador

de

pensadores

dos

fenômenos

comunicacionais brasileiros22. A ALAIC – Associación Latinoamericana de
Investigadores de la Comunicación, indicador da maturidade alcançada pelas
ciências da comunicação na América Latina, também é refúgio para os cientistas
brasileiros.
Além de publicações, essas entidades promovem congressos com
grande participação de cientistas de todas as sub-áreas da comunicação. Nessas
duas instituições é garantido o espaço para as relações públicas e para a
comunicação organizacional. Nelas, dos 21 núcleos de pesquisa (INTERCOM) e 21
grupos de trabalho (ALAIC) constituídos, um se intitula Relações Públicas e
Comunicação

Organizacional,

naquela,

e

Comunicación

Organizacional

y

Relaciones Públicas na entidade latino-americana, como apresentamos no quadro a
seguir:

extinção e a substituição das profissões previamente existentes.
22
Quando falamos em extra-acadêmico estamos nos referindo a instituições e processos constituídos de uma
forma distinta da organização acadêmica, porém com grande envolvimento com essa. Se estivermos tratando do
movimento que se desenvolve por fora da academia, não necessariamente independente dela, falamos das

45

NÚCLEOS DE PESQUISA (NPs) DA INTERCOM23
NP 01 - Teorias da Comunicação
NP 02 - Jornalismo
NP 03 - Publicidade, Propaganda e Marketing
NP 04 - Produção Editorial
NP 05 - Relações Públicas e Comunicação
Organizacional25
NP 06 - Rádio e Mídia Sonora
NP 07 - Comunicação Audiovisual
NP 08 - Tecnologias da Informação e da Comunicação
NP 09 - Comunicação Científica e Ambiental
NP 10 - Políticas e Estratégias de Comunicações
NP 11 - Comunicação Educativa
NP 12 - Comunicação para a Cidadania
NP 13 - Comunicação e Cultura das Minorias
NP 14 - Ficção Seriada
NP 15 - Semiótica da Comunicação
NP 16 - Histórias em Quadrinhos
NP 17 - Folkcomunicação
NP 18 - Comunicação e Esporte
NP 19 - Comunicação, Turismo e Hospitalidade
NP 20 - Fotografia: Comunicação e Cultura
NP 21 - Comunicação e culturas urbanas

GRUPOS DE TRABALHO (GTs) DA ALAIC24
GT 01 - Comunicación,Tecnologia e Desarrollo
GT 02 - Comunicación y Ciudad
GT 03 - Comunicación Política y Midia
GT 04 - Economía política de las Comunicaciones
GT 05 - Estudios de Recepción
GT 06 - Estudios sobre Periodismo
GT 07 - Ética y Comunicación
GT 08 - Folkcomunicación
GT 09 - Comunicación y Educación
GT 10 - Comunicación y Salud
GT 11 - Discurso y Comunicación
GT 12 - Comunicación Organizacional y Relaciones
Públicas
GT 13 - Comunicación Publicitária
GT 14 - Historia de la Comunicación
GT 15 - Medios Comunitarios y Ciudadania
GT 16 - Telenovela y Ficción Seriada
GT 17 - Teorias y Metodologias de la Investigación en Comunicación
GT 18 - Internet y sociedad de la información
GT 19 - Comunicación Intercultural
GT 20 - Comunicación y Estúdios Socioculturales
GT 21 - Medios de Comunicación, Ninos y Adolescentes

QUADRO II – Núcleos de Pesquisa da INTERCOM e Grupos de Trabalho da ALAIC

A partir da fisionomia da INTERCOM e da ALAIC podemos ter uma
idéia de como se organiza o pensamento comunicacional no Brasil e na América
Latina e como o campo das RP´s tem lugar nesta comunidade científica. Essa
tendência é seguida por outras instituições que têm como objetivo o estudo das
produções midiáticas e dos fenômenos da comunicação no Brasil, como é o caso da
Rede Alfredo de Carvalho que mantém um grupo temático intitulado “História das
Relações Públicas”26.

instituições que aglutinam cientistas da área da Comunicação Social e a produção científica e informativa do
campo das relações públicas.
23
Os NPs estão abertos à participação de pesquisadores que desenvolvam trabalhos em seus campos
temáticos, tendo o grau de mestre ou doutor ou que estejam matriculados, como alunos regulares, em cursos de
pós-graduação stricto sensu no Brasil ou no exterior. Mais informações podem ser acessadas no site
http://www.intercom.org.br
24
Relação disponível no endereço http://alaic.incubadora.fapesp.br/portal
25
Consta no site da INTERCOM que este núcleo enfoca “pesquisas direcionadas aos processos de
relacionamento estabelecidos entre os públicos e as organizações. Centraliza a discussão nas interfaces
existentes com áreas afins e nas interações com as diferentes culturas organizacionais. Aborda as práticas
comunicativas no ambiente interno das organizações, assim como o seu papel na sociedade. Promove estudos
sobre a gestão da comunicação nas organizações, no âmbito teórico e prático, para identificar ações e processos
que contribuam para o aprimoramento da área. Está organizado pelas seguintes seções temáticas: Teoria e
História; Ensino (grifo nosso); Gestão de processos comunicacionais; Estratégias comunicacionais; Retórica e
discursos organizacionais; Opinião pública; Comunicação nas organizações do 3º setor; Imagem e identidade
organizacionais.
26
Consta no endereço http://www.jornalismo.ufsc.br/redealcar

46

No bloco que legitima as Relações Públicas como campo de
conhecimento, além da receptividade pela esfera acadêmica e da organização
intelectual em instituições científicas é preciso considerar as publicações e as
plataformas eletrônicas que oferecem informações pertinentes aos campos
profissionais e científicos das atividades de RP. No âmbito das publicações daremos
destaque aos panoramas dos livros, teses e dissertações produzidas. No tocante à
Internet faremos referência aos principais sites que acumulam informação sobre
essa área de estudo e trabalho.
Kunsch (1997, p.44) traz um panorama de como evoluiu a produção
editorial no campo de RP e comunicação empresarial da década de 1950 à 1995 e
identifica 91 títulos (sendo 62 de Relações Públicas), reconhecendo a possibilidade
de ter-lhe escapado alguns. O perfil da maioria das obras, que tem como marco a
publicação pioneira “Para entender relações Públicas” de Cândido Teobaldo de
Souza Andrade, se concentraria nas técnicas de RP, o que indicaria a tendência
para o aspecto instrumental, “o como fazer”. As exceções são listadas pela
pesquisadora:

Comunicação social e relações públicas, de Walter Ramos
Poyares, que, com base filosófica, faz uma análise profunda
e objetiva das duas áreas; Psico-sociologia das relações
públicas, de Cândido Teobaldo de Souza Andrade,
apresentando os fundamentos do comportamento coletivo e
enfatizando os conceitos de público e opinião pública; usos
Usos e abusos de relações públicas, de José Xavier de
Oliveira, abordando criticamente conceitos e práticas e
revelando os bastidores dói processo de regulamentação da
profissão; Relações públicas: função política, de Roberto
porto Simões, com uma nova proposição teórica; e
Relações públicas no modo de produção capitalista, de
Cecília Maria Krohling Peruzzo, que questiona o status quo
da atividade, analisando sua essência na aparência, dentro
de um referencial dialético.

47

Acrescente-se a estas obras as publicações da professora Kunsch
“Planejamento das Relações Públicas na comunicação integrada” (1986) e já no final
da década de noventa – “Relações Públicas e Modernidade” (1997) e “Obtendo
resultados com Relações Públicas” (1997). A professora registra os nomes dos que
mais se sobressairiam nos números de publicações e na adoção de suas obras
pelos cursos de Relações Públicas e que, seguramente, têm sido referência na
formação dos profissionais desta área em todo o Brasil: “Cândido Teobaldo de
Souza Andrade27, Roberto Porto Simões, Cicília M. Krohling Peruzzo, Margarida
Maria Krohling Kunsch, Hebe Wey, Martha d´Azevedo e Marcos F. Evangelista”.
Consideraremos, como fez Kunsch (1997 e 2002), a produção
acadêmica materializada em dissertações e teses. As investigações da autora
revelaram um total de 19 teses (de doutorado e livre docência) e 49 dissertações de
mestrado concentrados no sul e, principalmente, sudeste do Brasil, até 1995. Em
estudo mais recente (KUNSCH, 2002) a pesquisadora apresenta o desenvolvimento
até o ano de 2000 dos trabalhos produzidos sobre RP e comunicação organizacional
pelos cursos de pós-graduação em Comunicação:

27

Ao Professor Cândido Teobaldo de Souza Andrade é atribuído o pioneirismo pelo primeiro livro impresso no
Brasil sobre o tema e da primeira tese de doutorado nessa área no país.

48

Gráfico A

Gráfico B

GRÁFICOS A e B – Produção científica em RP e Comunicação Organizacional por décadas, nos níveis
28
acadêmicos de mestrado e doutorado .

Kunsch (1997) considera que o Brasil tem uma produção significativa
na área de Relações Públicas e comunicação organizacional mas que “se faz
necessário democratizá-la, estudá-la e avaliá-la, até mesmo para elevar seu nível”. E
neste sentido parece que a rede mundial de computadores tem dado considerável
contribuição, hospedando sites profissionais, de sociedades científicas e mesmo de
escolas de comunicação. A ascensão da produção de livros e trabalhos acadêmicos
tem compartilhado espaço com os crescentes fenômenos da informatização e
disponibilização em outros suportes midiáticos de informação sobre praticamente
todas as áreas do conhecimento humano. Como no campo científico da
Comunicação Social não podia ser diferente, informações utilitárias e textos
científicos no campo das RP´s podem ser acessados nos sites das comunidades
científicas INTERCOM, ALAIC, Rede ALCAR, como também são disponibilizados
nos sites do Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas; da ABRP/São

28

Este estudo foi apresentado no Núcleo de Pesquisa Relações Públicas e Comunicação Organizacional no XXV
Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado de 1 a 5 de setembro de 2002, promovido pela
Intercom - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e realizado pela UNEB -

49

Paulo, do Sindicato dos Profissionais de Relações Públicas de São Paulo e ainda
sites particulares, que demonstram a crescente produção e circulação neste suporte
midiático29.
Apresentado o mapa que indica para onde as reflexões sobre RP
evoluíram (em grupos, livros, teses, dissertações, sites); afastando-nos do seu
aspecto pragmático levado à cabo pelas organizações de todos os tipos desde o
início do século passado30 e considerando aquela movimentação profissional
institucionalizada mencionada que teve capilaridade em todo o Brasil, cabe-nos
configurar o espaço institucional das escolas de comunicação e situar o
aparecimento dos cursos de relações públicas.

1.5. O determinante da estrutura e do funcionamento da universidade brasileira

Sem dúvida alguma o CIESPAL imprimiu suas marcas nas escolas de
comunicação que figuram ainda hoje. Mas é preciso considerar algumas tendências
gerais da educação superior no Brasil para não enveredarmos na responsabilização
exclusiva do Centro instalado em Quito. Compreender a universidade brasileira,
privilegiando alguns fenômenos registrados a partir da metade do século XX, quais
sejam: a massificação, a diferenciação, a diversificação, a privatização e o debate
recorrente sobre reforma do ensino superior que traz à tona a questão da

Universidade do Estado da Bahia, Salvador, BA. O estudo apontou ainda a produção de sete teses de livredocência: uma na década de 70, duas na década de 80 e quatro na década de 90.
29

Podemos considerar com importantes conteúdo de língua portuguesa na área de Relações Públicas os sites
do Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (http://www.conferp.org.br), da ABRP/ São Paulo
(http://www.abrpsaopaulo.com.br) do Sindicato dos profissionais de Relações Públicas do Estado de São Paulo
(http://www.sinprorp.org.br). Entre os sites científicos os mais conceituados são o http://www.intercom.org.br (da
INTERCOM) e o http://alaic.incubadora.fapesp.br/portal (da ALAIC). Entre os sites particulares citaríamos o
http://www.mundorp.com.br, o http://www.portal-rp.com.br.
30
Não é objetivo do presente trabalho apresentar ou diagnosticar as repercussões que as atividades tiveram
dentro das organizações

50

autonomia, pode ser mais uma referência para nos ajudar a enquadrar o ensino de
comunicação social e de relações públicas como um fenômeno nacional.
Buscando entender a instituição universitária recorremos à Wanderley
(1991) que apresenta a universidade como herdeira das instituições do mundo
greco-romano denominadas estudia generalia. O termo universidade viria de
universitas, originalmente aplicado às sociedades corporativas escolásticas e, no
século XIV, passando a ser usado à parte, no sentido restrito de uma comunidade
de professores e alunos. O autor trabalha com a hipótese de que esta instituição
teria sido criada para formar uma elite aristocrática, depois complementada por uma
elite de mérito.
Pouco a pouco ela se transformou no lugar apropriado para conceber a
permissão para o exercício das profissões, através do reconhecimento dos títulos e
diplomas conferidos por órgãos de classe e governamentais. Com a Revolução
Industrial e a consolidação do modo de produção capitalista, surgiram exigências e
especializações e técnicas que se ajustassem à nova divisão social do trabalho.
No Brasil, o desenvolvimento do sistema de educação superior é
considerado

atípico

por

Olive

(2002).

Enquanto

os

espanhóis

fundavam

universidades no México, Cuba, Guatemala, Peru, Chile e Argentina ainda no
período colonial, no Brasil estas instituições só foram inauguradas quase três
séculos depois. Antes de implantar um sistema fragmentado de escolas, os filhos da
elite portuguesa nascidos na colônia graduavam-se na Universidade de Coimbra.
Inclusive a criação da universidade no Brasil tem forte vinculação com a congênere
portuguesa. Chizzoti (2001) comenta sobre o projeto da universidade brasileira na
Constituinte de 1823, marcado pela improvisação circunstancial. A pedido de
estudantes brasileiros em Coimbra, Fernandes Pinheiro (apud Chizzotti, 2001) fez,

51

na sessão de 14 de junho, o seguinte apelo: "a mocidade a quem um nobre estímulo
levou Universidade de Coimbra, geme ali debaixo dos mais duros tratamentos e
opressão, não se decidindo, apesar de tudo, a interromper e a abandonar a
carreira.”
Olive (2002) registra 1920 como o ano de criação da primeira
universidade brasileira - a Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio
de Janeiro), que reunia faculdades profissionais preexistentes. Mais voltada ao
ensino do que a pesquisa, elitista, conservava a orientação profissional dos seus
cursos e a autonomia das faculdades. Em 1931, Francisco Campos, titular do recém
criado Ministério da Educação e Saúde, aprova o Estatuto das Universidades
Brasileiras, que vigorou até 1961.
Durante

a

Nova

República

(1930-1964),

foram

criadas

22

universidades federais, constituído-se o sistema de universidades públicas federais.
Cada unidade da federação passou a contar em suas respectivas capitais, com uma
universidade pública federal. Durante esse mesmo período, foram, também, criadas
nove universidades religiosas, sendo oito católicas e uma presbiteriana. A
Universidade Federal de Alagoas estava neste projeto modernizante do ensino
superior brasileiro e “o seu verdadeiro espírito universitário seria formado pela
atenção aos problemas do Estado, buscando soluções específicas 31” (VERÇOSA,
2001).
O regime militar deixou legados para a profissão de Relações Públicas
e também o fez para o ensino superir. Na contra mão dos regimes militares
instituídos na América Latina, o Brasil tratou de forma muito particular seu sistema
de ensino superior, talvez pela representação que os governantes tinham de que o
31

A Universidade Federal de Alagoas (UFAL) foi criada em 25 de janeiro de 1961, segundo professor Verçosa
(2001, p.151-154), pela unidade e federalização de escolas pré-existentes.

52

sistema seria útil para o projeto de desenvolvimento nacional e até mesmo para a
manutenção das forças instituídas.
Ribeiro (1982) nos apresenta uma reflexão a respeito da constituição
da universidade brasileira na perspectiva da dependência econômica, no que ele
chama de “modernização reflexa”, que seria o movimento de atualizar a universidade
para o atendimento ao projeto capitalista mundial. Aponta as dimensões da crise
universitária e sugere o caminho da “crescimento autônomo”, contrário à
modernização reflexa32, “através de revoluções sociais que nos permitam
”empreender transformações tão radicais em nossos modos de ser que possibilitem
nossa incorporação como sociedades autônomas”. O autor chama atenção para as
dimensões “conjunturais, políticas, estruturais, intelectuais e ideológicas” da crise da
universidade.
Em relação a uma movimentação objetiva dos atores sociais
poderemos supor que as grandes referências para compreendermos a situação atual
da universidade foram a Lei nº 4.024 de 1961, efeito da Constituição de 1946, que
inaugurou o ciclo de leis de diretrizes e bases, a Reforma Universitária, de 1968, e a
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394), de 1996. Segundo
Penteado (1998) com a reforma de 1968, “o sistema de ensino superior brasileiro
tende inevitavelmente a uma pluralidade de formas e funções, sobretudo se
considerarmos a sobreposição de modelos e, ainda a diferenciação institucional”. Os
modelos mais influentes no ensino superior brasileiro seriam o francês e o

32

Ribeiro (1982, p25) apresenta os caminhos opostos para onde deve caminhar a universidade latino-americana.
A modernização reflexa seria “Alicerçada na suposição de que, acrescentando-lhes certos aperfeiçoamentos e
inovações, veremos nossas universidades aproximarem-se mais e mais de suas congêneres adiantadas até
tornaren-se tão eficiente quanto elas”. Esta política seria contrária ao que denomina de crescimento autônomo
“que parte do pressuposto de que a universidade – como uma subestrutura inserida numa estrutura social global
– tende a operar como agência de perpetuação das instituições sociais, enquanto atuar espontaneamente.
Nestas condições, só poderá representar um papel ativo no esforço de superação do atraso nacional se
intencionalizar suas formas de ação”.

53

americano e a diferenciação institucional representa a variedade de natureza e
dependência administrativa. Esta sobreposição conduz a um dos maiores paradoxos
do sistema de ensino superior. A reforma de 1968, ao mesmo tempo em que
ampliou as possibilidades de expansão e diferenciação do sistema, estabeleceu um
modelo específico – a universidade americana de pesquisa (research university).
Já o legado que a Lei nº 9.394 deixou para o ensino superior foram a
criação do Conselho Nacional de Educação, com a supressão do Conselho Federal
de Educação e uma intensa normatização do MEC e do CNE sobre o conjunto do
sistema, que tem como exemplo o Decreto nº 2.207 que classifica as instituições de
ensino superior em universidades, centros universitários, faculdades integradas
faculdades e institutos superiores

ou escolas superiores. O princípio da

indisssociabilidade entre o ensino pesquisa e extensão foi mantido só para as
instituições classificadas como universidades.
Trindade (2001) faz uma reflexão acerca dos dois traços dominantes
na evolução da educação superior na América Latina, na segunda metade do século
XX, a massificação e a privatização. Em relação ao primeiro, o autor registra o
rápido crescimento da matrícula ao que Neves (2000, p.41) acrescenta:

O enlace Estado-capital fez-se sentir, na área educacional,
pela diretriz adotada pelo estado populista de expansão
mais acentuada dos níveis mais elevados de ensino,
enquanto estratégia de formação da força de trabalho mais
especializada requerida pelo estágio de desenvolvimento
alcançado.

Segundo Trindade (ibdem), este fenômeno da massificação veio
atrelado

com

o fenômeno

da privatização,

caracterizado pela

“tendência

generalizada de expansão das instituições privadas” (ibidem, p.26). Ainda conforme
o autor “as instituições públicas de ensino vieram a se expandir da década de 30 à

54

década de 70”. Mas a década de 70, a mesma da expansão da profissão de
Relações Públicas, teria dado ênfase a uma política voltada para a expansão de
oferta de vagas tanto nos estabelecimentos públicos como com a criação de
estabelecimentos privados. É este o contexto histórico e político da proliferação dos
Cursos de Comunicação Social. Sobre este momento Schwartzmann (1994, p. 151)
acrescenta:
As dificuldades de acesso e profissionalização nas
profissões liberais clássicas e ilegibilidade de um currículo
de educação geral em nível pós-secundário levaram a
criação de um grande número de “novas profissões” comunicações, biblioteconomia, administração, nutrição,
estatística -, cada qual aspirando a um nicho próprio e
cativo no mercado de trabalho e monopólios profissionais e
garantidos por lei (grifo nosso).

Em 1935, foi instalado e mantido por pouco tempo o primeiro Curso
Superior de Jornalismo, vinculado à Universidade do Distrito Federal (RJ). Mas a
organização institucional para esta formação data de 1947 quando da instalação das
duas primeiras escolas de Comunicação do país: a Escola de Jornalismo Cásper
Líbero, em São Paulo, vinculada à Pontifícia Universidade Católica e o Curso de
Jornalismo, da antiga Faculdade Nacional de Filosofia, então vinculada à
Universidade do Brasil, que corresponde hoje à estrutura da Escola de Comunicação
da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Melo (1991,p.9) nos explica em
que sentido nasceram essas escolas:

Na América Latina, as primeiras instituições destinadas ao
ensino da Comunicação Social que se implantaram
correspondem às demandas sociais emergentes nas
empresas jornalísticas, cujo processo de estruturação
industrial reclamava profissionais qualificados para o
exercício da comunicação social. Na medida em que a
imprensa se renovava no continente e as emissoras de
rádio difusão começam a se proliferar, sintonizadas com o
fluxo desenvolvimentista que se inicia no pós-guerra,

55

multiplicam-se as instituições dedicadas
especialistas para os meios de comunicação.

a

formar

É importante frisar que o ensino de Comunicação Social no Brasil
surgiu com o ensino de jornalismo. Moura (2002b) nos explica que nos anos 50, 60 e
70, as reflexões que se debruçaram sobre o ensino da Comunicação Social
trataram as Relações Públicas como área pertencente ao jornalismo, assim como a
publicidade.
Aquele movimento profissional e cultural das Relações Públicas que
mencionamos culminou na instalação, em 1957, do primeiro curso regular de
Relações Públicas, promovido pela escola Brasileira de Administração Pública da
Fundação Getúlio Vargas, sob o patrocínio da Organização das Nações Unidas
(Torres, 2003). Dez anos depois, o sistema de ensino superior acolhe a formação
como um curso de graduação. Sobre a fisionomia dos cursos, Melo (1979, apud
Moura 2002, p.63) indica que:
As escolas de jornalismo, transformaram-se, na década de
60 em escolas de comunicação, abrindo um leque mais
extenso de alternativas para as novas funções criadas pelo
desenvolvimento urbano-industrial (Relações Públicas,
Publicidade e Propaganda, Cinema, Rádio, TV, Editoração
etc.).

Em 1967, ano de emissão da Lei 5.377, que tornou a atividade
privativa dos bacharéis em comunicação social com habilitação em Relações
Públicas, surge na Escola de Comunicações Culturais da Universidade de São
Paulo, atual Escola de Comunicação e Artes, o primeiro curso superior efetivo de
Relações Públicas, com quatro anos de duração. Melo (1991, p.13-15) aponta
algumas peculiaridades que marcam a concepção dos programas universitários
brasileiros nesse campo:

56

1) nascem dentro de um espaço inadequado. A finalidade
dos cursos de comunicação em essência foi a de formar
profissionais para a imprensa, assemelhando-se nesse
aspecto aos projetos pioneiros no nosso ensino superior:
Engenharia, Medicina e Direito. Mas assumem o caráter de
formação básica que está no cerne das propostas das
faculdades de filosofia, privilegiando o embasamento
humanístico; 2) estruturam-se em padrões pedagógicos
inadequados, sendo o saber transmitido fragmentado em
disciplinas estanques; 3) recrutam professores somente
pelo critério da titulação acadêmica e não do
reconhecimento profissional; 4) distanciam-se da prática
cotidiana da comunicação processada nas organizações.

Considerando aqui a trajetória da legislação que trata da educação
superior e especificamente a que trata do ensino de Comunicação Social temos em
1961, após catorze anos no Congresso Nacional, a promulgação da Lei nº 4.024, a
primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira.
Soares (2002) nos apresenta o perfil dessa lei que, na prática, reforçou
o modelo tradicional de instituições de ensino superior vigente no país. Em termos
organizacionais, deixou ilesas a cátedra vitalícia, as faculdades isoladas e a
universidade composta por simples justaposição de escolas profissionais; além
disso, manteve maior preocupação com ensino, sem focalizar o desenvolvimento da
pesquisa. Ao conceder expressiva autoridade ao Conselho Federal de Educação,
com poder para autorizar e fiscalizar novos cursos de graduação e deliberar sobre o
currículo mínimo de cada curso superior, a nova Lei fortaleceu a centralização do
sistema de educação superior. Uma de suas competências era fixar os currículos
mínimos e a duração dos cursos superiores, sendo a mesma determinação
apresentada na Lei nº 5.540/68, da Reforma Universitária.
Esta Lei foi pensada para as IFES (Instituições Federais de Ensino
Superior), mas seu alcance foi além do sistema público federal. A estrutura que
muitas Instituições de Ensino Superior apresentam hoje representa o legado das
discussões de 68. Os departamentos, o sistema de créditos, o vestibular

57

classificatório, a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o regime de
tempo integral e a dedicação exclusiva foram marcos que possibilitaram a
profissionalização dos docentes e a criação de condições para o desenvolvimento
da pós-graduação e das atividades científicas. (Soares, 2002, p. 39). Foi nesta
estrutura que se proliferaram os cursos de comunicação social no Brasil.
Fizemos uma retrospectiva do nascimento da atividade de Relações
Públicas, quando surge para interferir nas relações de classe em favor do capital;
como outras atividades humanas ela vai fazer parte do leque de opções de formação
de nível superior no Brasil. Organiza-se e prolifera-se fora e dentro da instituição
universitária. Fora, configura uma produção editorial, científica e midiática. O espaço
universitário traz em si contradições específicas que precisam ser consideradas na
análise de um programa de formação. Faz-se necessário a partir da adoção de
categorias de avaliação registrarmos a memória e o perfil da formação em questão
com o auxílio de documentos e da fala dos sujeitos que se envolveram neste
processo ao longo de 26 anos.

58

CAPÍTULO II
Configurações possíveis da memória do curso de Comunicação Social da
UFAL e do perfil da habilitação em Relações Públicas.

Após termos apresentado as condições que desencadearam a
multiplicação dos cursos de Comunicação e das habilitações em RP no Brasil,
vamos apresentar informações que dizem respeito à memória do Curso de
graduação na UFAL seguido da apresentação do perfil constituído da formação em
RP, privilegiando alguns aspectos.
Este capítulo foi construído com base em duas metodologias distintas e
complementares. De um lado fizemos uso da observação participante, pois o acesso
nos possibilitou um conhecimento empírico. De acordo com Neto (1994, p.59) a
pesquisa participante é uma modalidade de aproximação do pesquisador com seu
objeto de estudo, através do contato direto com o fenômeno observado para obter
informações sobre a realidade dos atores sociais em seus próprios contextos. Essa
abordagem foi importante para o registro da infra-estrutura e da estrutura
administrativa e organizacional. Outro procedimento utilizado foi a pesquisa
documental33 que segundo Pádua (2003, p 154) tem sido largamente utilizada na
investigação histórica, a fim de descrever/comparar fatos sociais, estabelecendo
suas características ou tendências.
Consideraremos para este resgate alguns momentos que marcaram a
existência do curso de comunicação nestes 26 anos. A criação do Curso, seu
reconhecimento, a mudança de regime, a oferta para o turno da noite e a recente
mobilização para mudanças administrativas e curriculares podem ser momentos
eleitos para representar essa trajetória. Outros registros podem ter ficado de fora
33

Baseada em documentos considerados cientificamente autênticos

59

dessa abordagem, mas esses parecem ser os mais cristalizados na memória dos
sujeitos. Essa percepção temporal, cronológica, nos oferece uma representação
cartesiana que não se configura no fio condutor dos nossos esforços, mas que pode
pontuar, ao longo do tempo, os momentos em que o Curso apresentou certos
movimentos, no sentido de se apresentar para a sociedade como a opção adequada
à formação do comunicador social. Alguns momentos representam bem as décadas,
como organizamos no quadro seguinte:

DÉCADAS
Década de 70

MOMENTOS REPRESENTATIVOS
Criação do Curso de Comunicação Social (1978)

Década de 80

Primeira Formatura (1983) Reconhecimento do curso (1986)

Década de 90

Mudança de regime, reforma curricular (1996) e oferta noturna (1999)

Anos 2000

Desencadeamento de reformas administrativas

34

e curriculares

35

(2005...)

QUADRO III – Momentos representativos por décadas para o Curso de Comunicação Social

No final da década de 70, como vimos no capítulo anterior, algumas
forças e condições convergiram para a concepção de um curso de Comunicação em
Alagoas. Em 1978 é criado o programa de graduação na UFAL conforme a
reprodução do documento que apresentamos a seguir:

34

Após a homologação do seu estatuto em 2003 pelo MEC, a Universidade Federal de Alagoas passa por
mudanças organizacionais representadas dentre outras pela extinção da instância dos departamentos e a
constituição das Unidades Acadêmicas, que substituirão os Centros. O Centro de Ciências Humanas, Letras e
Artes, ao qual pertence o Departamento de Comunicação está sendo fragmentado em Unidades. As
movimentações dos departamentos propõem a criação de uma Unidade Acadêmica formada pelos
departamentos
de
Comunicação
e
Artes.
O
estatuto
da
UFAL
está
disponível
em
https://www.ufal.br/sites/proplan/documentos/CEspecial/ESTATUTO2003.doc/file_view.
35
Paralelamente às reformas organizacionais, a UFAL, através da Pró-Reitoria de Graduação se esforça e
estimula que os cursos reformulem seus currículos e atendam às Diretrizes Curriculares.

60

ILUSTRAÇÃO IV – Reprodução da Resolução 02/78 – CCEP/UFAL – A “Certidão de nascimento” do Curso

As consultas a documentos e os depoimentos sobre a época da
instalação revelam que o Curso de Comunicação Social nasceu no antigo
Departamento de Estudos Sociais do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes
(CHLA) da UFAL. Uma mesma dependência concentrava o Departamento de
Estudos Sociais e a Coordenação do Curso de Comunicação Social. Começou a
funcionar no segundo semestre de 1979, e suas disciplinas nucleares estiveram,
inicialmente, sob responsabilidade do Departamento de Estudos Sociais – ESO.
Foram ofertadas inicialmente 20 vagas, sendo ampliadas para 30 a partir de 1980
para cada uma das habilitações.

61

Em 1982, ainda vinculado ao CHLA, foi criado o Departamento de
Comunicação Social, que passou a responsabilizar-se pelo ensino das disciplinas
específicas do Curso e demais atividades acadêmicas por ele requeridas. De acordo
com o primeiro projeto pedagógico, de 1979, o Curso de Comunicação Social, tinha
por objetivos:
1. Formar pessoal dentro da área, dando condições de
colocá-los no mercado de trabalho, favorecendo nosso
Estado; e 2. Promover a integração entre os diversos
segmentos da UFAL, implantando uma política de
comunicação que facilitasse desempenho dessa instituição.

Passados quatro anos regimentares para conclusão do Curso, formamse em Alagoas os oito primeiros profissionais de RP. Na relação dos concluintes do
curso de Comunicação Social consta também a formatura da primeira Jornalista
formada pela UFAL:

ILUSTRAÇÃO V – Relação dos primeiros concluintes do Curso de Comunicação Social da UFAL

62

Em 1986 o Curso é reconhecido através de Processo do extinto
Conselho Federal de Educação. Através da Portaria 11, de 3/02 de 1986 –
SESu/MEC,

foi

designada

comissão

verificadora

das

condições

para

o

reconhecimento do curso, que conclui seu parecer com a seguinte observação:
Considerada a situação do curso de Comunicação Social
da Universidade Federal de Alagoas, sob todos os ângulos,
de funcionamento, de potencialidade, interesse social e
atendimento ao mercado de trabalho, a comissão
recomenda seu imediato reconhecimento.

No relatório do reconhecimento consta o registro sobre as condições
da instituição subdividido em: A) Biblioteca, B) Laboratórios e Equipamentos, C)
Instalações, e D) Quanto à situação do curso. Esta última categoria o documento
divide em 1) qualificação e suficiência do corpo docente, 2) estrutura e
funcionamento; 3) Currículo pleno. Numa outra seção intitulada “Qualidade
acadêmica do curso” aparecem: A) Pesquisa e Extensão e B) Ensino.36
A partir desse roteiro propomos uma constituição do perfil da formação
em questão, com atenção para o acervo bibliográfico, laboratórios, instalações,
corpo docente e o perfil discente. Registros sobre o ensino, a pesquisa e extensão
serão desenvolvidas nos próximos capítulos.
Num resgate da qualificação dos pontos registrados no Parecer nº
215/86, no item biblioteca a comissão aponta a existência de um pequeno acervo
bibliográfico, reconhecendo que a instituição “[...] está demonstrando que
providências para ampliação significativa estão sendo tomadas, quais sejam a
aquisição de 500 novos títulos específicos, com 20 volumes de cada, bem como a
ampliação dos periódicos existentes”.
36

Esta forma de olhar para os programas de graduação assemelha-se com a avaliação das condições de oferta
dos cursos, empreendida contemporaneamente pela SESu/MEC, que visa avaliar in loco os cursos em relação à
qualificação de seu corpo docente, sua organização didático-pedagógica e suas instalações físicas em geral e
especiais como laboratórios, equipamentos e bibliotecas.

63

A Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (ENECOS), em
sua cartilha “Fiscalize sua Escola” aponta a imprescindibilidade da existência de
biblioteca especializada e hemeroteca. Atualmente os alunos do Curso de
Comunicação Social contam com um acervo na Biblioteca Central da UFAL. Na
organização bibliotecária da UFAL, Relações Públicas ocupa duas estantes de um
metro cada. Quando partimos para o levantamento das obras que estão subsidiando
a formação do RP temos a seguinte situação:

ÁREA

NÚMERO DE TÍTULOS

NÚMERO DE EXEMPLARES

Relações Públicas
Comunicação Organizacional
Marketing
TOTAL

29
02
42
73

137
6
200
343

QUADRO IV - Relatório do Levantamento Bibliográfico do Acervo de Relações Públicas
Biblioteca Central/UFAL (2005)

De fato a formação em RP sempre teve um acervo bibliográfico
modesto. Os 27 títulos e 110 exemplares adquiridos em 2004 superam em muito os
6 títulos e 23 exemplares que a área dispunha como bibliografia até então e que
ganha uma condição melhor quando consideramos o campo do Marketing.
No Departamento de Comunicação uma sala mantém o nome de
hemeroteca. Não existe política departamental de aquisição de livros, revistas
científicas, periódicos, jornais ou revistas semanais. O acervo da hemeroteca tem
sido alimentado mais pela produção de trabalhos de conclusão de curso do que por
outro meio. Observamos também pequenas atualizações ocasionais quando ao
DECOS são remetidas algumas publicações de órgãos públicos e de outras
universidades. Uma política de empréstimos não é disponibilizada pelo não
tratamento bibliotecário, o que é um paradoxo, quando no seio do DECOS nasceu o
curso de Ciência da Informação com habilitação em Biblioteconomia.

64

Não há registros, de 1986 aos dias atuais de uma aquisição da
proporção que se referia o Parecer de reconhecimento.
Curioso é perceber como os pareceristas apostaram apenas nas
intenções da Instituição e não investigaram as condições de operacionalização da
suposta ampliação do acervo. Em todos os pontos o parecer se apresenta muito
econômico. No item Laboratórios e Equipamentos os pareceristas apresentam a
seguinte constatação:
O curso está razoavelmente servido de laboratórios e
equipamentos, a sala de redação é considerada, mesmo
pelos profissionais, como a melhor do Estado. Os demais
laboratórios têm seus equipamentos em bom estado de
conservação e funcionamento. A coordenação do curso
conhece da necessidade (sic) de completar os
equipamentos até o início de 1987 (prazo legal estabelecido
pela Resolução 2/84, do CFE), a fim de criar as condições
laboratoriais para implantação plena do novo currículo
mínimo de Comunicação.

Esta questão dos laboratórios é recorrente nos debates sobre
qualidade dos cursos de Comunicação. A Resolução a que se refere o Parecer nº
215/86 instituiu o currículo mínimo do Curso de Comunicação e suas habilitações,
assim como estabeleceu algumas exigências dentre as quais estão os laboratórios
por habilitação do curso. Segundo a Resolução 02/84, a habilitação em Relações
Públicas deveria manter pelo menos dois laboratórios, o de pesquisa de opinião e o
laboratório de recursos audiovisuais. No parecer de reconhecimento nenhuma
referência foi feita às especificidades das habilitações. De todo modo, algumas
investidas apontam para a tentativa de cumprimento à Resolução 02/82. O espaço
denominado “Recursos Audiovisuais” (RAV) apesar de não apresentar condições
que o configurem como tal, é marca desta tentativa. Outra investida nos laboratórios
de Relações Públicas foi denominada de “Agência Experimental”, iniciativa do então
professor Plácido Tojal, que desenvolvia atividades laboratoriais onde atualmente

65

está instalado um Lincs (Laboratório de Informática de Comunicação Social) uma
herança do programa de Mestrado Interinstitucional desenvolvido de 2000 a 2002
entre a Universidade Federal de Alagoas e a Universidade Federal do Rio de
Janeiro.
Alguns esforços foram empreendidos no sentido de dotar o
Departamento de Comunicação da estrutura tecnológica necessária à formação.
Desde o reconhecimento do Curso, o DECOS buscou junto ao Ministério da
Educação recursos financeiros para a atualização tecnológica. Mesmo tendo
projetos aprovados junto ao MEC, o repasse de recursos sempre foi problemático e
aquém das necessidades.
O que podemos constatar, na consulta ao ofício 46/88 do DECOS ao
então Vice-Reitor Rogério Moura Pinheiro é que o MEC se movimentou para que as
instituições

de

ensino

atendessem

a

Resolução

02/04,

mas

em

sua

operacionalização a proposta não obteve êxito.
Como repercussão de empenho interno do DECOS/UFAL, no Ofício nº
284/88, a à época Reitora, Delza Gitaí, apresentou a José Calillo Filho, então
secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação, as lacunas que iam se
configurando pelos repasses de recursos insuficientes causados principalmente pela
não atualização monetária dos equipamentos relacionados para aquisição, na sua
maioria importados. Em época de inflação e onde a cotação do dólar dobrava ou
triplicava em um ano, do que era previsto adquirir só se efetivava metade ou um
terço, sem contar que a própria demora na liberação do financiamento acarretava
uma desatualização tecnológica, pois o equipamento adquirido deixava de ser o
mais moderno. No ofício assinado pela Reitora Delza Gitaí registra-se, dentre outras
solicitações à SESu que:

66

Tome providências urgentes para atualização monetária do
Projeto Global da Ufal aprovado desde setembro/86 pelo
MEC, a fim de viabilizar a aquisição dos laboratórios de
Redação
em
Jornalismo,
Planejamento
Gráfico,
Fotográfico, Rádio Jornalismo, Hemeroteca, Redação em
RRPP, Pesquisa de Opinião e Recursos audiovisuais.
(Grifo nosso)

Percebe-se que a concepção e nomenclaturas dos laboratórios de
Relações Públicas citados no documento e que em certo momento do Curso
existiram foi exigência da própria resolução 02/84 que fixou o último currículo mínimo
e que recomendava como deveriam ser denominados os laboratórios.
É possível inferir que de todas as habilitações profissionais da
Comunicação Social, Relações Públicas é a que solicita menos investimento em
tecnologia, ou pensando de outra maneira é a formação em que o custo com
equipamentos ultramodernos não é determinante. Isto por que as Relações Públicas
como processo não concentram seus esforços para a produção da informação em
massa, como faz o jornalismo, ou para a produção de mídias especializadas para
estimular o consumo de produtos, serviços ou idéias como faz a publicidade. Sem
dúvida, a formação em RP deve contemplar o entendimento das mais variadas
mídias e processos, porém deve concentrar sua atuação no desenvolvimento e
manipulação de tecnologias sociais.
De certo, podemos considerar os laboratórios como parte do que
atualmente se denomina condições de oferta, assim como o próprio acervo
bibliográfico e a infraestrutura. O Parecer de reconhecimento registra um momento
de transição do desenvolvimento das atividades do curso do prédio do Centro de
Ciências Humanas, Letras e Artes para o que se erguia para ser a estrutura atual do
DECOS. Segundo Parecer (ibidem):

67

No momento [em 1986] o curso funciona no prédio central
do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, ao qual
pertence o departamento de Comunicação Social. Ocupa
também um prédio de construção recente, de
2
aproximadamente 500 m , igualmente administrado por
este Departamento. Ainda este ano estará construído um
outro prédio, (bloco B), para este existe uma alocação de
um e meio milhão de cruzados à UFAL. Os dois blocos
constituem condições muito boas para o funcionamento do
curso, permitindo a rápida implantação do novo currículo.

O que estava sendo registrado corresponde à ampliação da estrutura
primeira do DECOS. O prédio paralelo foi acoplado àquela estrutura por um
corredor. Atualmente a estrutura do Departamento se assemelha a letra H deitada.
Todas as atividades administrativas e parte das atividades acadêmicas de ensino e
pesquisa são desenvolvidos na estrutura do DECOS37.
Poderíamos ainda tratar de como se distribuem as atividades
acadêmicas em função da infraestrutura. Originalmente o DECOS não contempla
salas de aula. Foi concebido para ser um prédio administrativo e de concentração
dos laboratórios. Na prática não acontece assim. Em virtude da redução do número
de laboratórios existentes, que podemos resumir em três (somente de jornalismo) as
dependências que não são administrativas funcionam como salas de aula.
Descrevendo o DECOS, temos uma sala de Secretaria do Departamento, uma sala
da Chefia do Departamento, uma da Coordenação do Curso, a sala dos professores,
duas salas de aula, dois laboratórios de informática, uma sala que foi sede da
Empresa Júnior de Comunicação, outra do Diretório Acadêmico e uma lanchonete.
Estas dependências compõem o primeiro prédio. Seguindo o corredor, no segundo
prédio, temos a hemeroteca, um laboratório de informática, o de telejornalismo, o de

37

A visualização da estrutura física do Departamento de comunicação Social da UFAL encontra-se no ANEXO B
deste trabalho.

68

Fotografia, o de Rádio, quatro banheiros e o Núcleo de Pesquisa em Comunicação.
Grande parte das aulas são ministradas no bloco 13, em frente aos DECOS.
Passando das condições materiais de trabalho, importantes e como
vimos, insuficientes para o desenvolvimento adequado das atividades, entramos no
campo da esfera humana. É passar do cenário para os protagonistas do processo e
alguns sujeitos são definitivamente importantes para o desenvolvimento de um
programa de estudos: os alunos e os professores38. Em 1986 o parecer de
reconhecimento qualificava sem muitos detalhes como “plenamente habilitado” o
corpo docente. O documento registrava naquele ano 37 professores com o seguinte
perfil de qualificação39:

Doutor

Doutorando

Mestre

Mestrando

Especialista

Graduado

1

1

8

9

6

12

QUADRO V – Qualificação dos professores do Departamento de Comunicação Social
na ocasião do reconhecimento

Quase duas décadas depois o quadro docente assume outra
fisionomia. Existem 36 (trinta e seis) profissionais atuando no magistério na área de
Comunicação Social. Desses, 27 (vinte e sete) são do quadro efetivo da Instituição e
9 (nove) substitutos, professores de contrato por tempo determinado. Vamos
considerar que no DECOS existem 36 professores vinculados para apresentar uma
nova configuração de sua qualificação:

38

Como não é contemplado nos nossos estudos a dimensão operacional, burocrática das atividades do
Departamento, não consideraremos o perfil do corpo técnico administrativo.
39

Apesar de serem convencionalmente consideradas as titulações de doutor, mestre, especialista e graduado,
apresentaremos as condições de doutorando e mestrando, por constarem no documento de reconhecimento e
por anunciarem uma situação diferente do quadro docente a curto e médio prazos.

69

Doutor

Doutorando

Mestre

Mestrando

Especialista

Graduados

10

4

16

1

5

5

QUADRO VI – Qualificação dos professores do Departamento de Comunicação Social
em 2005, considerando os substitutos

Este quadro representa a totalização se considerarmos os professores
substitutos, que é uma categoria que sofre certa rotatividade, em virtude de seus
contratos por tempo determinado. Considerando apenas os professores com vínculo
efetivo com a Universidade teremos um quadro com 27 docentes que apresenta a
seguinte qualificação em 2005:

Doutor

Doutorando

Mestre

Mestrando

Especialista

Graduados

10

4

12

0

2

3

QUADRO VII – Qualificação dos professores do Departamento de Comunicação Social
em 2005, considerando apenas os efetivos

Dos 36 profissionais que atuam no magistério, nove são profissionais
habilitados em Relações Públicas e portadores do registro profissional40. São exatos
seis profissionais de RP com vínculo efetivo com a Instituição e três profissionais de
Relações Públicas na condição de prestadores de serviços. Dos seis efetivos,
apenas um tem o título de doutor, que está sendo buscado por mais dois
profissionais mestres e doutorandos. São seis docentes com o título de mestre e
dois com o de especialista, sendo que um busca o título de mestre matriculado em
curso de pós-graduação strictu sensu. Com este quadro e sua comparação com os

40

O Regulamento da Lei nº 5.377, de 11 de dezembro de 1967, que disciplina o exercício profissional de
relações públicas , apresenta no capítulo II (Do campo e da atividade profissional) a atividade do ensino de
disciplinas específicas ou de técnicas de relações públicas, oficialmente estabelecido, como uma das atividades
do profissional de RP. Em seguida, no Capítulo III, condiciona a prática profissional ao registro no órgão
competente.

70

outros dois que apresentamos poderemos sugerir que, embora a habilitação em
Relações Públicas seja concebida para formar o mesmo número de profissionais
que a de jornalismo por ano, inclusive os ingressos também são em quantidade
equivalente para as duas habilitações anualmente e, embora a carga horária para a
conclusão das habilitações na UFAL seja a mesma, dos 27 professores efetivos,
apenas 6 são profissionais de Relações Públicas. Não podemos deixar de
considerar que o DECOS abriga o corpo docente que atende ao curso de Ciências
da Informação. No quadro de professores do DECOS identificamos 6 professores
atendendo à biblioteconomia, sendo 3 efetivos e 3 substitutos. A situação do curso
de Ciências da Informação não é confortável, mas devemos lembrar que o curso é
novo com apenas 3 turmas formadas.
A situação da habilitação em RP é preocupante, pois a formação
nasceu gêmea à formação em jornalismo em 1986, mas ao longo do tempo vem
perdendo força em vários aspectos, em infraestrutura e funcionamento de
laboratórios, em número e qualificação dos professores, em acervo bibliográfico. O
quanto a configuração desses elementos repercute na representação que o alunado
tem da formação apresentaremos no próximo capítulo deste trabalho.
É possível considerarmos o alunado, ou corpo discente a razão de um
programa de estudos, de graduação ou pós-graduação. E no nosso trabalho terá
esta dimensão. Numa caracterização do corpo discente elegeremos alguns aspectos
a serem abordados, quais sejam: o número de concluintes, o perfil dos que
ingressam no Curso, e sua produção final, no trabalho de conclusão de curso.
O parecer de reconhecimento registrava, em 1986, 212 alunos
matriculados, 122 na habilitação em jornalismo e 90 em RP41. Registrava também
41

No ano de 2005, segundo o Núcleo de Processamento de Dados da UFAL, estão matriculados 531 alunos no
Curso de Comunicação Social, sendo 244 na habilitação em RP e 187 na habilitação em Jornalismo.

71

que 67 alunos tinham concluído o Curso, sendo 34 em jornalismo e 33 em Relações
Públicas. Buscamos através pesquisa documental desenvolvida no Departamento de
Assuntos Acadêmicos (DAA) da UFAL, revelar o número de concluintes por ano, o
qual apresentamos na seqüência:

Ano
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990

Concluintes
9
13
6
21
6
16
11
42
S/R

Ano
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998

Concluintes
14
14
14
27
14
29
37
10

Ano
1999
2000
2001
2002
2003
2004

Concluintes
24
32
39
43
15
12

Total

406

QUADRO VIII – Número de concluintes por ano e total de concluintes em Relações Públicas

O número de 406 profissionais habilitados em relações públicas foi
conseguido através da contagem das assinaturas nas Atas de Colação de Grau dos
formandos disponibilizadas pelo DAA/UFAL. É possível que este número não seja
preciso, porém sua imprecisão tende a ser para mais, visto que registramos o
número dos que assinaram a lista de presença nas ocasiões das colações de grau.
O que podemos afirmar com segurança é que durante os 26 anos de existência
foram formados mais de 400 profissionais de relações públicas e que o fluxo de
concluintes por ano não segue um padrão regular.
Se o padrão quantitativo da conclusão de curso não foi regular, alguns
indicadores apresentam certa regularidade de ocorrência. Acessamos dados sobre o
o perfil sociocultural dos alunos ingressos em 2001, 2002 e 2003 que se encontram
disponíveis nos documentos Perfis sócio-culturais dos alunos ingressos,
produzidos anualmente com base em questionários aplicados aos recém-chegados

72

à Universidade na ocasião da matrícula. Elegemos algumas categorias já com as
opções que apresentam maior incidência para apresentar um perfil do corpo
discente de RP:

CATEGORIAS E OPÇÕES COM MAIOR INCIDÊNCIA
Sexo (feminino)
Idade (18 anos)
Estado civil (solteiro)
Tipo de escola no ensino médio (Privada)
Escolha da Carreira (Adequação às aptidões)
Renda mensal da Família (Entre 05 e 10 salários mínimos)

DIURNO
89,66%
44,83%
100%
82,76%
89%
27,59%

NOTURNO
70%
5%
80%
75%
50%
45%

QUADRO IX - Perfil dos ingressos para Relações Públicas no vestibular em 2001

Como podemos perceber no contato cotidiano e nos resultados da
pesquisa, o corpo discente de relações públicas é predominantemente feminino. Na
maioria das estatísticas ultrapassa a casa dos 70%. Esta é uma questão a
considerar, pois saber que um gênero é predominante pode nos oferecer caminhos
para a concepção de um currículo, que diminua os preconceitos e tensões entre os
gêneros na sociedade e na área da comunicação, por um lado, mas que reforce
algumas potencialidades presentes nos espíritos femininos e masculinos. Embora
economicamente caminhando para um equilíbrio nos papeis entre homens e
mulheres, temos que reconhecer que são seres diferentes.
Vejamos como se repete a relação quantitativa entre moças e rapazes
no ano de 2002:

CATEGORIAS E OPÇÕES COM MAIOR INCIDÊNCIA
Sexo (feminino)
Idade (18 anos)
Estado civil (solteiro)
Tipo de escola no ensino médio (Privada)
Escolha da Carreira (Adequação às aptidões)
Renda mensal da Família (Entre 05 e 10 salários mínimos)

DIURNO
80%
36%
96%
80%
72%
52%

NOTURNO
75%
25%
100%
68,75%
68%
43,75%

QUADRO X - Perfil dos ingressos para Relações Públicas no vestibular em 2002

42

Sem registro

73

Outra constatação é que os alunos chegam jovens ao curso de
Comunicação Social. A idade com maior incidência são os 18 anos. Esta idade
parece indicar o final de uma fase de transição da adolescência para a vida adulta o
que também deve ser considerada numa proposta de formação. Será que o currículo
pode agregar conhecimentos sobre como conduzir esta nova fase da vida? Ou deve
desconsiderar esta condição discente? A grande maioria dos ingressos se declara
solteiro (a), sem relacionamento estável com outro sujeito o que pode ser
relacionado à idade e a condição de estar buscando um lugar social a partir de uma
formação em nível superior.
Como podemos observar nos dois quadros que apresentamos e no
próximo, que vem reforçar a recorrência das incidências das respostas às categorias
escolhidas, a maioria do corpo discente se insere em grupos familiares com renda
entre 05 e 10 salários mínimos. Considerando as condições regionais arriscaríamos
dizer que se inserem na faixa de renda da classe média baixa e média. Esta
condição de classe, de grupo social, de perfil de consumo, de lugar econômico
também deverá ser considerada na proposta de formação do RP, pois esta noção de
lugar de partida poderá oferecer mais nitidez da direção e do caminho onde se quer
chegar. Um outro dado interessante é que a grande maioria dos alunos vem de
escolas privadas, pagas. Porém esta condição é mais elástica se observarmos o
turno da noite.

CATEGORIAS E OPÇÕES COM MAIOR INCIDÊNCIA
Sexo (feminino)
Idade (18 anos)
Estado civil (solteiro)
Tipo de escola no ensino médio (Privada)
Escolha da Carreira (Adequação às aptidões)
Renda mensal da Família (Entre 05 e 10 salários mínimos)

DIURNO
84,62%
34,62%
96,15%
84,62%
76,92%
53 85%

NOTURNO
58,82%
52,94%
100%
58,82%
88,24%
47,06%

QUADRO XI - Perfil dos ingressos para Relações Públicas no vestibular em 2003

74

Finalmente os quadros demonstram que a escolha da carreira está
atrelada de forma muito íntima às adequações às aptidões dos sujeitos que optaram
por Relações Públicas. Nos escapam o grau de conhecimento dos alunos do ensino
médio sobre carreiras de uma forma geral e suas representações sobre a profissão
de relações públicas. No entanto, a partir dos resultados das pesquisas de perfil
podemos sugerir que os estudantes têm alguma representação sobre a profissão,
que inclusive relaciona com suas aptidões. Mas que aptidões serão estas? São
identificadas, valorizadas e potencializadas pelo currículo? A resposta a primeira
pergunta dependeria de uma investigação com as turmas do primeiro ano do Curso,
nos primeiros dias de aula, para que inclusive não sofressem interferência das
representações que circulam na academia. Reconhecemos que esta indagação
emerge num momento de impossibilidade de desenvolvimento de tal pesquisa, pois
os primeiros dias de aula já se foram. Mas outros virão e com eles a possibilidade de
se registrar as declarações das tais aptidões e mesmo a representação que os
alunos têm da profissão de Relações Públicas.
Já a resposta a segunda pergunta é, supostamente, não. O currículo
de Relações Públicas apesar de contemplar os conhecimentos necessários para a
constituição de um (a) profissional, deixa de fora elementos de gênero, de classe
social, e de aptidões prévias dos discentes. Nada disto está previsto. Trataremos
sobre o currículo mais adiante.
Como dissemos, o sujeito discente parece representar a razão de ser
de um programa de estudos. Vimos que é possível e saudável conhecermos quem é
o (a) aluno (a). Como demonstramos a própria Instituição reúne informações sobre o
perfil do corpo discente. O que se faz necessário é o contato, apropriação e

75

tratamento de tais informações para que sejam úteis e repercutam na formação
discente, nos trabalhos docentes e na produção do conhecimento.
Estamos longe de um acompanhamento que registre como os alunos
se desenvolvem durante o Curso. Por exemplo, não dispomos de mecanismos para
verificar a mudança ou estabilização das concepções que o (a) discente tem sobre a
sociedade, o ser humano, as organizações e seus processos comunicacionais. Na
verdade, o foco do processo de formação parece repousar em outras instâncias,
como as notas nas disciplinas.
Institucionalmente, um instrumento que tem movimentado os sujeitos
no sentido da atenção para o discente, ele sendo protagonista do processo, é o
momento do Trabalho de Conclusão de Curso. E como ele termina por ser
materializado e arquivado, nos lançamos em outra pesquisa documental para
registrar o que nestes 26 (vinte e seis) anos de existência do Curso foi desenvolvido
como experiência final da formação. Nossa intenção neste momento da pesquisa foi
registrar para onde apontam os Trabalhos de Conclusão do Curso de Comunicação
na habilitação em Relações Públicas. Para onde apontam em relação a áreas
abordadas, que podem sinalizar espaços de atuação profissional, ou tendências de
desenvolvimento em pós-graduações. Por enquanto traremos informações que dão
um perfil diferente daquele produzido no ato da matrícula. O perfil que oferecemos
será sustentado pela investigação nos próprios TCCs, e poderá ter repercussões
tanto acadêmicas, de organização do currículo, quanto profissionais, de campos de
atuação dos profissionais de RP.
A prática utilizada foi a análise de conteúdo que Bardim (1977, p.38)
define como “conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza
procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens”.

76

A autora acrescenta ainda que o “interesse reside no que os conteúdos poderão
ensinar após serem tratados (por classificação, por exemplo)”. Para a definição da
autora converge o pensamento de Berelson (apud Bardim, 1997) que caracteriza a
análise do conteúdo como “uma técnica de investigação que através de uma
descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifestos das
comunicações, tem por finalidade a interpretação destas mesmas comunicações“.
Na verdade, não existe uma conduta definitiva para se proceder a análise do
conteúdo, mas a orientação é que façamos algumas escolhas, estabeleçamos
algumas categorias e as busquemos nas mensagens objetos de análise.

E foi

exatamente o que fizemos na investigação da produção final dos concluintes em
relações públicas da UFAL.
Nosso objetivo principal foi registrar a memória da produção de
trabalhos de conclusão do curso de Comunicação Social, na habilitação em
Relações Públicas, no tocante às áreas temáticas. Procedemos ao registro dos
títulos e subtítulos dos trabalhos, fizemos a leitura de seu sumário e resumo (quando
havia), organizamos essas informações por ano, e indicamos até duas áreas
temáticas principais do trabalho, de acordo com as categorias que construímos e
que apresentamos na seqüência.

A) Pesquisa – pesquisa de opinião, auditoria de opinião, opinião pública, pesquisa de imagem, pesquisa de clima
organizacional, pesquisa de perfil organizacional, pesquisa quantitativa, pesquisa qualitativa, diagnóstico, análise do conteúdo,
análise do discurso.
B) Planejamento – planejamento estratégico, planejamento operacional, objetivos e estratégias organizacionais, projetos.
C) Assessoria/Consultoria – assessoria de comunicação, assessoria de relações públicas, assessoria de imprensa.
D) Comunicação de Massa – meios de comunicação de massa, televisão, rádio, jornal, revista.
E) Comunicação Dirigida Oral – oratória, oralidade, discursos.
F) Comunicação Dirigida Escrita – redação, release, lead, preskit, publicações institucionais, house organ, jornais,
diagramação.
G) Comunicação Dirigida Auxiliar – Equipamentos, retroprojetor, projetor multimídia, datashow, , vídeos institucionais.
H) Comunicação Dirigida Aproximativa – Eventos sociais, eventos empresariais, eventos científicos, feiras, reuniões,
cerimonial e protocolo
I) Comunicação Política e Eleitoral – marketing político, marketing eleitoral, assessoria política.
J) Comunicação Comunitária – comunicação para o 3º Setor, comunicação alternativa, organização social, organização
comunitária, rádio e tv comunitária,
L) Comunicação Pública – Relações Públicas Governamentais, comunicação para a esfera das instituições públicas.
M) Publicidade e Propaganda – criação, campanhas, plano de mídia.

77

N) Cultura Organizacional – cultura, valores, crises, humanização, grupos, equipes, liderança, motivação, clima
organizacional.
O) Marketing – mercado, produtos, serviços marketing social, marketing cultural, marketing de fidelização, endomarketing,
marketing de relacionamento, comportamento do consumidor.
P) Ombudsman – ouvidoria,
Q) Relações Internacionais – globalização, multinacionais, transnacionais, franquias, diplomacia.
R) Empreendedorismo – plano de negócio, financiamento, crédito.
S) Administração – Teoria geral da Administração (TGA), Organização, gestão de pessoas, Recursos Humanos, gestão de
talentos, capital intelectual
T) Legislação – Regulamentação das atividades de Relações Públicas, fronteiras e intersecções com Jornalismo e
Publicidade.
U) História das Relações Públicas e Comunicação Organizacional – Pioneiros no Brasil e em Alagoas, entidades de
classe.
V) Desenvolvimento Local – desenvolvimento sustentável, desenvolvimento comunitário, cooperativismo, associativismo.
W) Comunicação Visual – composição visual, fotografia, diagramação.
X) Comunicação e Turismo – turismo, hotéis, lazer.
Z) Novas Tecnologias – internet, intranet, bate-papo, videoconferência, orkut.

QUADRO XII - Categorias para indicação das áres temáticas dos TCCs

Estas categorias foram estabelecidas no sentido de esgotar as
possibilidades de assuntos, temas e áreas incidentes nos Trabalhos de Conclusão
de Curso. Com base nos mapas cognitivos (ou conhecimentos pertinentes ao
campo) que caracterizam as Relações Públicas chegamos a 24 categorias/temas
com seus assuntos.
Apresentamos o resultado esta pesquisa em quadros organizados por
ano (APÊNDICE A); registramos a quantidade e títulos dos TCCs; indicamos se sua
autoria é individual, em dupla ou equipe; o número de páginas (e a média de
páginas por ano,) e a que área se relaciona a partir das letras das categorias. Na
seqüência contabilizamos a incidência das áreas nos TCCs finalizados por ano.
Estes quadros subsidiaram as descrições e análises seguintes. Foram
167 trabalhos identificados na hemeroteca do DECOS/UFAL como de conclusão de
curso na habilitação em Relações Públicas. Destes, 79 foram de autoria individual,
63 foram desenvolvidos em dupla, 22 em trio e ainda tivemos a ocorrência de 3
trabalhos elaborados em quarteto. Organizando estas informações num quadro
teremos:

78

Individual
79

Dupla
63

Trio
22

Quarteto
3

Total
197

QUADRO XIII - Autoria dos TCCs de Relações Públicas

Em relação à quantidade de páginas os dados configuram uma
tendência geral de diminuição se observarmos a média de páginas por ano. O ano
que obteve maior quantidade média de páginas foi o de 1993, com 89 páginas. O
período em que foi registrado menor quantidade de páginas na produção de TCCs
foi o ano 2000 que registra 38 páginas em média.
Nosso objetivo principal na catalogação dos TCCs foi registrar a
freqüência em que aparecem alguns temas do campo das RP´s. Na seqüência
contabilizamos a ocorrência das áreas na produção dos TCCs:

CATEGORIAS DE TEMAS NO CAMPO DAS RP’S

A) Pesquisa
B) Planejamento
C) Assessoria/Consultoria
D) Comunicação de Massa
E) Comunicação Dirigida Oral
F) Comunicação Dirigida Escrita
G) Comunicação Dirigida Auxiliar
H) Comunicação Dirigida Aproximativa
I) Comunicação Política e Eleitoral
J) Comunicação Comunitária
L) Comunicação Pública
M) Publicidade e Propaganda
N) Cultura Organizacional
O) Marketing
P) Ombudsman
Q) Relações Internacionais
R) Empreendedorismo
S) Administração
T) Legislação
U) História das RPs
V) Desenvolvimento Local
W) Comunicação Visual.
X) Comunicação e Turismo
Z) Novas Tecnologias

OCORRÊNCIA NOS TCCS

40
56
18
7
3
10
2
5
1
8
15
5
15
29
3
0
0
7
0
4
14
4
9
7

QUADRO XIV - Ocorrência das áreas nos TCCs de RP de 1985 a 2005, num total de 167 TCCs

Como pudemos verificar os trabalhos de conclusão de curso têm uma
incidência forte da área “B” – planejamento, com 56 ocorrências, seguida pelas

79

áreas “A” – pesquisa, com 40 ocorrências, “O” – marketing, com 29 ocorrências, “C”
– assessoria/consultoria, aparecendo em 18 trabalhos, “N” – cultura organizacional,
com 15 ocorrências e “L” e “V” - comunicação pública e desenvolvimento local,
respectivamente, com 14 ocorrências.
Esta conformação, das áreas de planejamento e pesquisa serem as
mais incidentes nos TCCs, pode ser explicada, em parte, pelo fato de que estas
áreas são trabalhadas no 3º e 4º anos do curso, sob a denominação Laboratório de
Pesquisa e Planejamento de Relações Públicas I e II. O que nos surpreende é o fato
de algumas áreas que são pouco valorizadas no currículo aparecerem com
freqüência nas produções, como é o caso da área “O” - marketing aparecer logo em
seguida, configurando uma tendência forte no campo das RPs e a área “C” Assessoria e consultoria.
Outras áreas são recorrentes nos TCCs, embora com menor
freqüência. As áreas “N”, “L” e “V” – cultura organizacional, comunicação pública e
desenvolvimento local apresentam ocorrências em 15, 14 e 14 trabalhos
respectivamente. A comunicação dirigida escrita (F), o turismo (X), a comunicação
comunitária (J), a comunicação de massa (D) e a administração (S) aparecem com
pouca freqüência. Não foi identificada ocorrência das áreas “Q” – relações
internacionais, “R” – empreendedorismo e “T” – legislação, nos trabalhos analisados.
Buscamos resgatar uma memória da formação em questão e
apresentar sua configuração elegendo alguns aspectos. As dimensões da formação
e da identidade, consubstanciada em experiências educacionais virão a tona no
próximo capítulo com a fala dos concluintes de 2004 e o depoimento dos
professores.

80

CAPÍTULO III
Representações sobre a formação, o currículo e a identidade

Com o objetivo de somar àqueles aspectos que caracterizam o
programa de formação a dimensão da representação43, que para nós configura a
consideração do aspecto subjetivo, apresentaremos a síntese de duas pesquisas
empreendidas com duas categorias de sujeitos distintas. Acreditando ser as falas
dos envolvidos no processo uma medida das experiências educativas conformadas
fomos em busca dos sujeitos que mais diretamente se envolvem com o processo de
formação: os alunos e os professores.
Uma das pesquisas revela a partir da aplicação de questionários 44 as
impressões de uma turma de alunos concluintes tem sobre a Instituição e sobre sua
própria formação na tentativa de revelar algumas tendências curriculares. Pádua
(1989) esclarece que o questionário, por se constituir de perguntas fechadas,
patronizadas, é instrumento de pesquisa mais adequado à quantificação, por ser
mais fácil de codificar e tabular, propiciando comparações com outros dados
relacionados ao tema pesquisado.
A outra investigação tomou a categoria docente para buscar, em seus
depoimentos, conceitos e imagens sobre as experiências educacionais do programa.
Neste caso, a forma de abordagem técnica esteve entre a entrevista livre narrativa,
que Pádua (1989) caracteriza quando se solicita ao entrevistado discorrer sobre o

43

Moscovici (1981) apud Oliveira e Werba (1998) entende por Representações Sociais um conjunto de
conceitos, proposições e explicações originado da vida cotidiana no curso de comunicações interpessoais.
Equivaleriam, em nossa sociedade, aos mitos e sistemas de crença das sociedades tradicionais; podem também
ser vistas como a versão contemporânea do senso comum e para ela pode convergir a categoria da opinião.
44
Esta pesquisa fez parte do projeto de extensão O Ser e o Fazer da Pesquisa de Opinião em Laboratório de
Relações Públicas, que desenvolveu cinco pesquisas de opinião, recrutando alunos do terceiro ano do curso
para o exercício de uma das funções de Relações Públicas. Durante o último semestre do ano letivo de 2004, foi
desenvolvida a pesquisa de opinião Perspectivas do Formando em RP sobre o Mercado de Trabalho em

81

tema proposto e a entrevista semi-estrurada, modalidade que articula a entrevista
aberta e questões previamente formuladas, segundo Neto (1994).
A investigação que tomou os alunos como sujeitos teve como principal
objetivo pontuar a visão dos formandos sobre a instituição de ensino, o curso
ofertado e os recursos disponibilizados pela habilitação, bem como medir suas
perspectivas para atuação como profissional da área, no mercado estadual. Tendo
como universo 55 estudantes matriculados no 4º ano da habilitação em RP do curso
de Comunicação Social dos turnos vespertino e noturno a amostragem utilizada foi
de 61,82% o que representou 34 estudantes. Já na categoria docente entrevistamos
7 professores com representação dos que atuam no ensino de disciplinas do tronco
específico de RP e do tronco comum às duas habilitações. As entrevistas foram
gravadas e posteriormente consideramos trechos que tinham relação com as
categorias lançadas aos dicentes.45
Apresentaremos as representações discente e docente de forma
intercalada, de modo a relacionar as respostas quantificadas dos alunos em gráficos
aos depoimentos dos docentes46.
A primeira questão lançada aos discentes estimulou que os
pesquisados avaliassem a instituição em que estavam concluindo sua habilitação em
Relações Públicas.

Alagoas com o envolvimento de uma equipe de alunos do terceiro ano noturno de Relações Públicas, tomando
como sujeitos os alunos matriculados nos quartos anos diurno e noturno.
45
Compõem os Apêndices B, C e D o questionário, aplicado aos alunos, as tabelas demonstrativas da tabulação
dos questionários e o roteiro de entrevistas aplicado aos professores, respectivamente.

82

Gráfico 1 - Qualificação da instituição onde
cursa a graduação
3%
41%

ÓTIMO
BOM
RUIM
PÉSSIMA

56%

As duas opções mais assinaladas, ruim e bom, parecem refletir uma
situação de descontentamento do aluno concluinte com a instituição Universidade
Federal de Alagoas e sinalizam que reflexões sobre os processos educacionais
devem ser empreendidas. Esta situação é reforçada pelo depoimento de um
professor quando reconhece achar “que os alunos estão muito insatisfeitos [...]”. A
partir dessa abordagem generalista da instituição universitária fomos em busca de
qualificações mais específicas, de aspectos do Curso que merecem ser pontuados.
Seguindo essa proposta, na questão 2 o formando em relações
públicas qualificou seis aspectos do curso de graduação, quais sejam: instalações;
tecnologia; projeto pedagógico/currículo; professores; administração; e acervo
bibliográfico. Estes itens são justificados por serem indicadores de qualidade em
avaliações empreendidas pelos órgãos oficiais.

46

As identidades dos docentes foram ocultadas neste trabalho.

83

Gráfico 2 - Qualificação dos aspectos do curso de graduação

80

68

65
56

60

44 44

%

41

40

38

35

29

20

26
12

0

3

65

53

0

3

0

9

9
0

0

0

0

ADMINISTRAÇÃO

ACERVO
BILBIOGRÁFICO

0
INSTALAÇÕES

ÓTIMO

TECNOLOGIA

BOM

PROJETO
PEDAGÓGICO
CURRÍCULO

PROFESSORES

REGULAR

PÉSSIMO

Estes resultados definem melhor o posicionamento do alunado em
relação aos aspectos principais do programa de graduação. Uma constatação que
pode ser feita é que a qualificação regular predomina na maioria dos aspectos,
dividindo espaço com a qualificação péssimo nos itens instalações, tecnologia e
acervo bibliográfico e bom nos itens projeto pedagógio/currículo, professores e
administração.
É possível neste momento trazermos os registros dos depoimentos dos
professores informantes sobre aquelas categorias de consulta aos alunos.

ASPECTOS
DO CURSO

DEPOIMENTOS DOS PROFESSORES

Instalações

“Agente sabe que a universidade não tem uma estrutura física condizente com as
atividades que são desenvolvidas aqui dentro”.

Tecnologia

“Nós tínhamos na década de 80 equipamentos mais modernos que as empresas de
televisão do Estado”.

Projeto
Pedagógico/
Currículo

“Acho que se não acontecer um redimensionamento e uma melhoria do próprio
currículo acho que o curso não vai muito a frente não”.

84

Projeto
Pedagógico/
Currículo

“O Currículo de 1996 foi bem montado mas não foi bem implementado”.
“Não há um objeto coletivo em construção. Falta uma regência uma idéia de
totalidade. Os professores não podem tomar as disciplinas como território privado”.
“O professor deve ter passado pelo mercado ou estar no mercado, para que o aluno
tenha uma idéia do espaço que vai ocupar”.

Professores

“Um aspecto positivo foi a preocupação de formar e capacitar seu quadro de
professores. Temos hoje um quadro de professores capacitados. Essa capacitação
tem que incidir no ensino da graduação e possibilitar que os professores se articulem
em projetos de pós-graduação. Talvez seja o ponto que nós temos mais organizado.
Mas isso não reflete ainda do ponto de vista de produção acadêmica, da qualidade do
ensino, com projetos de pesquisa e extensão articulados”.

Administração “Sempre tivermos no departamento uma fragilidade na gestão, que interfere muito no
nosso modo de se articular, de se organizar e de trabalhar com o ensino a pesquisa
e a extensão”.
Acervo
Bibliográfico

“Temos que fazez um levantamento do que temos em termos de acervo bibliográfico.
A hemeroteca não pode ir embora, porém deve ser estabelecida uma política de
conservação e preservação do material”.

QUADRO XV – Depoimento dos professores em relação aos aspectos do Curso

No registro do alunado e no depoimento do corpo docente é
reconhecida a precariedade da estrutura física, do ambiente físico-espacial, bem
como do aspecto tecnológico representado pelos computadores e equipamentos de
uso laboratorial. Quanto ao projeto pedagógico, a impressão dos alunos se divide
entre bom e regular, o que converge para a representação dos docentes sobre o
tema. Grande parte dos depoimentos são no sentido de aperfeiçoamento e até
superação mesmo da estrutura curricular do Curso e da habilitação. A impressão
dos alunos a respeito dos professores é a melhor de todas em relação aos aspectos
do curso e vai ao encontro do que os professores acham de si próprios. O aspecto
administração, condenado pelos alunos, encontra ressonância na fala docente,
como aspecto deficiente, principalmente por que “as brigas políticas no
departamento superam os interesses do curso” como aponta um dos professores.
Esta disputa segundo a fala de outro docente seria “o fator que mais interfere

85

negativamente no desenvolvimento do curso” e “teria origem nas disputas políticas
entre o PC do B (partido Comunista do Brasil) e o PT (Partido dos Trabalhadores).
O item acervo bibliográfico foi o que teve a pior qualificação por parte
dos alunos e é um ponto crítico na opinião dos docentes. Como identificamos no
capítulo anterior dois acervos atendem ao curso de Comunicação, o da Biblioteca
Central e o da Hemeroteca, ambos considerados insuficientes por professores e
alunos.
Buscamos saber se em sua trajetória acadêmica os alunos tinham
participado de experiências fora do padrão turma/aula, as quais denominamos de
extra curriculares. Os resultados foram os seguintes:

Gráfico 3 - Indicação de participação em atividades
extracurriculares

%

100
80
60
40
20
0

74
56

44
26

ESTÁGIO

PROJETOS DE
PESQUISA

97

85
65

SIM

35

NÃO
15

PROJETOS DE
EXTENSÃO

BOLSA DE
TRABALHO NA
IES

3
MONITORIA

A partir do gráfico, percebemos que a participação dos dicentes em
atividades de estágio é considerável se levarmos em conta que não é uma atividade
obrigatória no currículo de RP. Atividades de extensão e de pesquisa são pouco
experienciadas e menos ainda atividades de prestação de serviços na própria IES e
de monitoria, que praticamente inexiste. De modo geral, os alunos não participam de

86

experiências extracurriculares o que pode indicar uma fragilidade da Instituição e do
próprio Curso em oferecer atividades de pesquisa e extensão articuladas com as
experiências de sala de aula. Na verdade esta mensuração parece refletir o
descompasso

entre

atividades

de

pesquisa,

extensão

e

ensino,

com

a

predominância desta última em detrimento das outras duas.
As atividades de estágio são organizadas pela Pró-Reitoria de
Extensão da universidade, que a partir dos convênios firmados com organizações
diversas47, encaminha as solicitações para a coordenação de curso que procede à
divulgação e inscrição para as oportunidades abertas nas empresas 48. No Curso de
Comunicação e na habilitação em RP, o estágio não é contemplado como atividade
da formação. No máximo é contabilizado como carga horária flexível.
As atividades de pesquisa no Brasil são protagonizadas por
pesquisadores titulados mestres ou doutores e principalmente por estes últimos. Os
alunos de graduação podem participar dessas atividades como bolsistas de
Iniciação Científica, modalidade de auxílio semestral ou anual concedida por
agências de financiamento como o CNPq49, em âmbito nacional e a FAPEAL50, em
nível local, para que os alunos desenvolvam suas atividades. Para toda a UFAL, o
número de bolsas de iniciação científica tem girado em torno de 240. Tratando dessa
atividade no âmbito da formação em RP temos uma situação pouco confortável. A
média anual de envolvimento de alunos de RP em projetos de pesquisa é de 3
alunos, por conta do baixo número de apresentação de projetos pelos professores

47

São registradas 728 empresas conveniadas com a Universidade Federal de Alagoas (Relação dos Órgãos
Conveniados com a UFAL para fins de concessão de estágios - Empresas/Escritórios - Universidade Federal de
Alagoas - Pró-Reitoria Estudantil - Coordenadoria dos Programas de Monitoria e Estágio).
48
No Termo de Compromisso de Estágio consta como cláusula primeira que “o estagiário cumprirá
rigorosamente as atividades programadas no estágio concedido, segundo planejamento, coordenação,
acompanhamento e avaliação a cargo da instituição de ensino”.
49
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
50
Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Alagoas.

87

do DECOS. Para se ter uma idéia, apenas um grupo de pesquisa do DECOS é
cadastrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil do CNPq, com o nome de
Comunicação e Significação51. Nenhum dos 11 pesquisadores integrantes do Grupo
é profissional da área de RP e dos 18 estudantes envolvidos em projetos apenas 3
cursam a habilitação.
A cultura de desenvolvimento de atividades de extensão parece ser,
como a pesquisa, condição incipiente para os alunos de relações públicas, embora
tenhamos registrados mais envolvimento neste campo do que no da pesquisa 52. Isto
pode se dar pelo fato de ser muito abrangente a natureza, os tipos e formatos das
atividades rotuladas de extensão53.
Mas a formação do Relações Públicas, como qualquer outra de nível
superior parece considerar, pelo menos na dimensão subjetiva, experiências e

51

Para o Grupo Comunicação e Significação parece convergir as atividades de pesquisa e pós-graduação no
Departamento de Comunicação Social da UFAL. No diretório do CNPq, no item Repercussões do trabalho do
Grupo consta: “1. Possibilitou a criação do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Comunicação do Departamento de
Comunicação da Universidade Federal de Alagoas; 2. Estimulou a realização do I Curso de Especialização em
Comunicação e Cultura, em 1995/96. 3. Realizou o II Curso de Especialização em Comunicação e Cultura em
1997/1998, com recomendação da Capes e recursos da Fapeal; 4. Uma professora do Departamento de Letras
Clássicas Vérnaculas e quatro professores do Departamento de Comunicação Social da UFAL concluíram teses
de doutorado em Comunicação e Semiótica na PUC/SP; 5. Viabilizou a publicação da Revista do Núcleo de
Estudos e Pesquisa em Comunicação-NEPEC; 6. Possibilitou a criação da linha de pesquisa Processos de
Intersemiose em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras/UFAL. 7. Um professor do
Departamento de Comunicação Social realizou pesquisa de pós-doutoramento sobre Novas Tecnologias, em
Barcelona, Espanha; 8. O grupo realizou o VI Encontro de Pesquisadores em Comunicação da Região NordesteSIPEC/INTERCOM, em Alagoas, de 25 a 27 de outubro de 2001. 9.Promoveu o I Seminário de Pesquisa e
Extensão do Departamento de Comunicação Social/SEPECOM da UFAL, que aconteceu nos dias 3 a 5 de
agosto de 2004. (Informações extraídas da página http://lattes.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo).
52

O Relatório Técnico “Programas de Extensão no Curso de Comunicação” de 2005, registra 31atividades de
extensão desenvolvidas no Curso de Comunicação Social, no período 2002-2005.
53

A definição de Extensão elaborada pelo Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas
Brasileiras Extensão Universitária é de um ‘processo educativo, cultural e científico que articula o Ensino e a
Pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre Universidade e Sociedade. A
Extensão é uma via de mão-dupla, com trânsito assegurado à comunidade acadêmica, que encontrará, na
sociedade, a oportunidade de elaboração da praxis de um conhecimento acadêmico. No retorno à Universidade,
docentes e discentes trarão um aprendizado que, submetido à reflexão teórica, será acrescido àquele
conhecimento.Esse fluxo, que estabelece a troca de saberes sistematizados, acadêmico e popular, terá como
conseqüências a produção do conhecimento resultante do confronto com a realidade brasileira e regional. (Plano
Nacional
de
Extensão
Universitária
Edição
Atualizada,
Brasil,
2000/2001
Informações
extraídas
da
página
https://www.ufal.br/sites/proex/institucional/plano).

88

situações de aprendizagem diferenciadas da organização disciplinar. E neste
aspecto os protagonistas do processo, os próprios alunos, parecem ter ido em busca
de tais experiências, como vemos no gráfico a seguir:

Gráfico 4 - Quantidade de eventos que já participou, que considera
relevante para a formação
6%

23%

3%
14%

6%

12%

3%
3%

6%

NENHUMA

1

2

15%

9%

3

4

5

6

7

8

9

10

ACIMA DE 10

A partir destes resultados é importante destacar que na maioria os
alunos participaram de 3, 4, 5 e 6 eventos considerados relevantes. Se
considerarmos os 4 anos de curso percebemos que a média por ano tem sido baixa.
E este aspecto pode ser relacionado à própria fragilidade do campo da comunicação
organizacional em Alagoas, assim como da própria movimentação cultural no âmbito
das entidades associativas de RP, que no passado atuavam de forma distinta.
Tratar de formação superior e de currículo como dissemos prevê a
consideração de múltiplos fatores que interfere ou que são produto dos processos
educativos. Como vimos no capítulo anterior o trabalho de conclusão de curso (TCC)
é um aspecto que precisa ser mais observado, no sentido de revelar alguns indícios
que possam mapear a formação em questão. No instrumento lançado aos alunos

89

tentamos registrar quantos relacionam seu trabalho final a processos que ocorrem
no mercado de trabalho e o resultado foi o seguinte:

Gráfico 5 - Envolvimento do TCC com algum fenômeno
ocorrente no mercado de trabalho
100
80

%

60

47

53

40

SIM
NÃO

20
0

Os dados indicam que a maioria do corpo dicente concluinte não
aproveita a prática de desenvolvivento de TCC para estabelecer interfaces com o
mundo do trabalho. Temos que reconhecer que uma fração considerável desses
alunos busca essa aproximação. Além da situação do estágio não ser obrigatório
para a formação, muitos alunos não aproveitam a ocasião do TCC para promover
elos entre os conhecimentos organizados em disciplinas e as demandas do mundo
do trabalho. Por outro lado, esses sujeitos não se privam de indicar onde enxergam
mais oportunidades para atuação profissional.

90

Gráfico 6 - Principal setor que acredita de onde partem mais
oportunidades para os profissionais de RP em Alagoas

18%

15%
3%
INDÚSTRIA
COMÉRCIO
SERVIÇOS

29%

35%

TERCEIRO SETOR
NÃO SABE
INFORMAR

Parece que o espaço da prestação de serviços chama atenção dos
concluintes, seguido do Terceiro Setor e da indústria. Neste mapeamento é
fundamental considerar os 18% que não souberam informar. Isto pode sinalizar uma
certa fragilidade da visão dos alunos sobre o mundo do trabalho. Cabe-nos refletir se
não seria conveniente ampliar ou até direcionar os conhecimentos de economia para
que os alunos possam vislumbrar possivilidades de atuação profissional.
Por outro lado, esta interface entre as experiências educativas e o
mundo do trabalho parece ser para a metade dos concluintes pesquisados uma
situação real. A outra metade não teve experiêcias de trabalhos no campo das
Relações Públicas.

91

Gráfico 7 - Possui ou já possuiu algum vínculo com o
mercado de trabalho na área de RP

100
80

%

60
40

50

50

SIM
NÃO

20
0

Duas questões podem emergir desse fenômeno. De um lado as
propostas curriculares futuras devem considerar que o sujeito em formação é um
aluno trabalhador, principalmente o aluno do turno da noite. Outra questão para
reflexão na próxima proposta curricular é que se o aluno não tem experiências do
mundo do trabalho, em geral, ou da área da comunicação, como a Universidade
poderia oferecer experiências que minimizassem o trauma da conclusão do Curso,
do ingresso no mercado de trabalho. Seja qual for a experiência no mundo do
trabalho parece que a Universidade dá pouca importância a isso. Não organiza seu
conhecimento também em função disso, o que amplia a sensação de que a
Universidade e o mercado são dois mundos completamente diferentes. Talvez se
considerarmos o aluno um sujeito em desenvolvimento e nesse processo o mundo
do trabalho como uma instância importante, poderíamos lançar luzes sobre a
realidade social e desenvolver um sujeito com maior possibilidade de intervenção.

92

Após buscarmos o registro da visão e das experiências que
tangenciam as práticas curriculares e que indicam visões e práticas do mundo do
trabalho,

formulamos

questão

aberta

onde

o

concluinte

registrou

quais

conhecimentos ou temas foram mais presentes na sua formação. Agrupamos as
respostas e o resultados apresentamos a seguir:

Gráfico 8 - Indicação dos aspectos da habilitação que têm sido
mais ofertados na graduação
12%
3%

3%

3%
44%

35%
NÃO SABE
PLANEJAMENTO
OPINIÃO PÚBLICA
COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL
TEORIAS
PESQUISA / ASSESSORIA

É surpreendente verificar que a maioria do alunado não tem uma
imagem formada sobre o conhecimento que mais esteve presente em sua formação.
A segunda resposta mais enfatizada, o planejamento, parece coincidir com os
levantamentos dos trabalhos de conclusão de curso que indicam a maior freqüência
desse componente curricular. Uma fatia considerável dos alunos apontou o tema
comunicação organizacional como presente em sua formação. Podemos estabelecer
mais relações entre estes dados e os coletados nos TCCs. É perceptível o
descompasso entre o conhecimento utilizado no último momento de formação (no
TCC) e as temáticas apontadas pelos alunos. Observamos como foi pouco

93

reconhecida a presença dos temas pesquisa, assessoria e não foi mencionado o
tema marketing, o qual na pesquisa dos TCCs aponta como terceiro tema em
ocorrência. O que isso significa? Longe de termos uma resposta definitiva, e
ressaltando que a questão buscou algumas imagens residuais do Curso, o que
podem revelar em certa medida sua identidade, o fato é que a maior parte não
conseguiu atribuir uma representação para a formação.
Se conseguimos o registro do que mais tinha sido freqüente na
formação daqueles sujeitos caberia saber quais conhecimentos foram pouco
explorados ou ofertados durante o Curso. E a forma que encontramos para colher
essa informação foi perguntando quais temas gostaria que fossem ofertados em
cursos ou palestras, o que pode representar as maiores carências ou lacunas na
formação.

Gráfico 9 - Temas que gostaria que fossem ofertados em
curso e/ou palestras

9%

3% 3%

3%

3%

6%

3%
6%

21%

3%

3%

9%
28%
RH
NÃO SABE
3º SETOR
ONBUSDMAN
PLANEJAMENTO
MERCADO DE TRABALHO
TURISMO

MKT
INFORMÁTICA
CERIMONIAL / EVENTOS
CULTURAL / SOCIAL
SERVIÇO PÚBLICO
ESTÁGIO

94

Novamente foi expressivo o percentual de alunos que respondeu não
saber. Em pesquisas dessa natureza é possível que os sujeitos informantes estejam
desmotivados para responder, porém, como eles responderam a maioria das
questões, preferimos achar que esta dimensão da identidade do curso, para eles
não está sedimentada. Parece difícil encontrar representações do que passou. Mas
se os alunos reconheceram o Terceiro Setor como o segundo espaço de atuação
profissional, não mencionaram como aspecto ofertado no curso e indicam como o
tema que mais gostaria que estivesse presente em cursos, temos aí uma lacuna e
um componente curricular a ser mais explorado.
No campo da Educação currículo forma, conforma, produz sujeitos.
Após termos feito uma retrospectiva para visualizar o desenvolvimento do campo
das RPs, de caracterizar o perfil da formação e de apresentar as representações
sobre ela, cabe-nos analisar a organização curricular de 1996, por estar em vigência
até os nossos dias, e oferecer elementos que possam contribuir com a concepção
de um currículo novo, no sentido de assumir os desafios que se colocam para este
campo do conhecimento humano.

95

CAPÍTULO IV
O currículo de Relações Públicas como um campo de possibilidades

A compreensão que temos de currículo é a de um conjunto de
experiências da escola que afetam em alguma medida o processo de formação do
sujeito. Vivemos no limiar entre uma educação conservadora, que trabalha no
sentido da manutenção da ordem vigente e reforça as desigualdades e uma
educação progressista que visa romper com o estado de coisas estabelecido.
As instituições escolares abrigam em maior ou menor intensidade os
dois paradigmas e precisam reconhecer o caráter dialético do currículo. Este seria
um lugar de confronto de saberes, onde se privilegiaria conhecimentos em
detrimento de outros. O objetivo deste capítulo é discutir o projeto pedagógico de
formação do profissional de RP de 1996, como materialização do currículo e
oferecer pistas para seu aperfeiçoamento e quiçá superação. Num primeiro
momento trazemos uma síntese da trajetória dos currículos na área de
comunicação. Na seqüência, descreveremos como está organizada a proposta de
formação do profissional de relações públicas na UFAL e em seguida discutiremos
algumas matrizes que deverão ser consideradas numa reflexão sobre currículo do
RP.

4.1.

A trajetória dos currículos na área de Comunicação

Desde sua origem, a formação dos profissionais de Comunicação
Social pauta-se pelos princípios vigorantes na nossa estrutura universitária,
refletindo seus modelos institucionais, e assimilando suas contradições pedagógicas.

96

Como em todos os campos do saber institucionalizado pela organização
universitária, o Estado Brasileiro sempre orquestrou o ensino superior no campo da
Comunicação. A partir de 1962, os cursos de Comunicação Social passaram por
cinco currículos. Somente a partir do segundo currículo mínimo, instituído pelo
Parecer nº 631/69 aparecem as relações públicas como habilitação do Curso de
Comunicação Social, assim como jornalismo e publicidade.
O primeiro currículo mínimo para cursos de Comunicação Social veio
através do Parecer nº 323/62, que apontava a tendência para formar profissionais da
imprensa, do rádio e da televisão considerando que “sua originalidade, sua
especificidade estaria na própria generalidade” Moura, (2002a, p. 83). Este currículo
inaugurou uma estrutura modular recorrente em toda a legislação (pareceres e
resoluções) que divide o curso em duas fases, uma etapa de fundamentação teórica
e outra etapa que oferece matérias de caráter profissionalizante. Esse primeiro
currículo determinou a duração mínima do curso de Jornalismo, sem especificar sua
carga horária mínima e sua duração máxima.
O segundo currículo mínimo apareceu como reformulação do curso de
Jornalismo, através do Parecer nº 984/65. Teve como protagonista o CIESPAL,
mantido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura – UNESCO. No Parecer,
O conceito de jornalismo ganhou maior ampliação,
compreendendo todas as modalidades de transmissão de
notícias: jornalismo diário, jornalismo teria módico,
jornalismo ilustrado, jornalismo radiofônico, jornalismo
televisionado, jornalismo cinematográfico, jornalismo
publicitário, e relações públicas. A todos esses ramos são
comuns os estudos do fenômeno jornalístico, bem como os
conhecimentos gerais, variando a intensidade de cada
técnica particular, decorrentes todas de uma teoria geral da
informação. A profissão não comporta cursos diversificados,
pois as ofertas de trabalho levam os jornalistas que a
freqüentar mais de um setor. Recomendável, pois, é a
formação de jornalista polivalente, cuja especialização seria

97

complementada mediante cursos pós-graduados (Moura,
2002a, p. 84).

Este currículo ampliou para quatro anos a duração mínima do Curso,
determinou uma carga horária mínima de 2.700 horas-aula e não estipulou duração
máxima. A partir do Parecer nº 631/ de 69 que culminou na Resolução nº 11/69
estabeleceu-se o terceiro currículo que já permitia a organização do Curso por
habilitação específica ou ainda para a habilitação polivalente. Dessa forma este
currículo mínimo possuía o tronco comum a todas as áreas, e o estudo de áreas
específicas diversificadas que são as habilitações. Esta terceira organização do
curso de Comunicação Social previa concomitantemente à habilitação polivalente, a
habilitação em Jornalismo, em Relações Públicas, em Publicidade e Propaganda e
em Editoração. A duração mínima foi estabelecida em três anos letivos, com carga
horária mínima de 2.200 horas-aula, a ser cumprida em no máximo seis anos letivos.
Este composto curricular trouxe problemas de natureza jurídica pelo fato de legitimar
a formação do profissional polivalente, quando a legislação que regulamenta as
profissões exigia requisitos específicos para o exercício das atividades de relações
públicas, de jornalismo e outras.
O quarto currículo mínimo fixado pela Resolução nº 03/78 estabelece
cinco habilitações para o curso de Comunicação Social: Jornalismo, Publicidade e
Propaganda, Relações Públicas, Rádio e Televisão, e Cinematografia, extinguindo a
habilitação polivalente. Apresenta as ementas das matérias, discriminado o tipo de
conteúdo programático, e indica as exigências de instalações e equipamentos para a
formação nas habilitações.
Considerando que estamos fazendo este resgate para situar a posição
das relações públicas no contexto da formação em comunicação social é importante

98

destacarmos que antes do estabelecimento do quarto currículo mínimo, o Parecer nº
02/78

apresentou

uma

solicitação

do

CONFERP

(Conselho

Federal

dos

Profissionais de Relações Públicas) de transferência dessa habilitação do curso de
Comunicação Social para o de Administração. A proposta foi recusada alegando-se
diversidade nos campos de ação das atividades e manifestação favorável da classe
a permanência da área como uma das cinco habilitações da Comunicação.

A

respeito desta controvérsia Andrade (1983) registra que:

A aprovação da resolução nº 03/78 pelo conselho federal
educação, fixando o currículo mínimo de comunicação
social, permitiu que a questão administração ou
comunicação no ensino de relações-públicas (sic) de certa
forma fosse superada. Embora as relações públicas
continuassem em comunicação social, as matérias natureza
profissional previstas abriam campo para o ensino de
disciplinas da área de administração, o que foi feito por
várias escolas.

A carga horária mínima para a formação completa se manteve em
2.200 horas-aula, que deveria ser cumprida em três anos letivos, no mínimo, e seis
anos letivos, no máximo. Em 1980, o Conselho Federal de Educação (CFE) criou
uma comissão especial para estudo do Curso de Comunicação Social para a
reelaboração do quinto currículo, constituída por professores, empresários
representantes de entidades de classe e estudantes, que culminou na Resolução nº
02/84 que fixou o quinto currículo mínimo para formação de profissionais de
jornalismo, de relações públicas, publicidade e propaganda, produção editorial,
radialismo e cinema. Faz referência à organização modular do curso e estabelece
exigências de infra-estrutura. Define uma carga horária mínima de 2.700 horas aula
a ser cumprida em quatro anos letivos, no mínimo, e sete anos letivos, no máximo.

99

4. 2. A Organização da formação em RP na UFAL

Foi sobre aquele último currículo mínimo que a proposta de formação
em Relações Públicas foi estabelecida em 1996. Elaborado para adaptar a
Resolução 02/84 ao regime seriado, que a UFAL adotou em 1995, o documento tem
como pressupostos:
a) A preocupação em atender as novas demandas, técnicoteóricas e ético políticas provenientes dos processos de
mudanças societárias, tecnológicas e mediáticas da
contemporaneidade. b) Avaliação crítica do papel da
universidade e dos pressupostos de neutralidade curricular
representado pelo fenômeno do “currículo oculto”, no
sentido de dimensionar de forma pertinente a participação
da universidade nos processos acima descritos de
transformação do social. (DECOS, 1996, p.9)

A estes dois pontos o documento acrescenta uma perspectiva
epistemológica quando propõe

c) Refletir criticamente a redução dicotomizada do sujeito e
objeto, que instaura, ora uma visão positivista, de
predominância do objeto sobre o sujeito, ora idealista, com
a predominância do sujeito sobre o objeto, buscando
contemplar a interação entre sujeito e objeto ou, em outras
palavras
entre
subjetividade
e
objetividade,
e
conseqüentemente entre a teoria e a prática. (DECOS,
1996, p.9)

A última matriz orientadora da proposta de formação diz respeito a
“dinamização do currículo, buscando atingir os pressupostos conceptuais descritos,
através da experimentação como forma de desvelamento permanente do
conhecimento e, portanto, interação entre teoria e a prática realizada na forma de
laboratórios.” (UFAL/DECOS, 1996, p.9)
Curioso é perceber como a questão da experimentação e do
laboratório permeou as concepções de formação, tanto do profissional de RP quanto

100

do jornalista no último projeto consubstanciado. E especialmente a área de relações
públicas foi muito influenciada pelo formato laboratorial. Após apresentar alguns
marcos como a adequação do ementário à realidade do social, a visão de que a
universidade é o próprio social, a reafirmação da indissociabilidade entre ensino,
pesquisa e extensão e o reconhecimento da emergência das tecnologias
contemporâneas o documento apresenta:

Diante dessa realidade globalizante, apresentamos uma
estrutura curricular que contém uma base em humanidades
e uma concentração técnica, teórica e tecnológica nos
laboratórios de relações públicas. (UFAL/DECOS, p.13)

O perfil do profissional de RP foi tangenciado pelas reflexões do
professor Roberdo Porto Simões. O Projeto Pedagógico de 1996 cita o que o
Professor estabeleceu para a formação do perfil profissional em sua tese de
doutorado:
Informações sobre as teorias de relações públicas, de
política, de administração e de comunicação [...]
Informações das demais ciências sociais [...]; informações e
práticas sobre os métodos de pesquisa pura e aplicada [...]
Teoria e prática das técnicas de comunicação
(contemporânea) mais usuais. Métodos e técnicas de
planejamento [...]. Prática de Administração de um órgão de
relações públicas [...] Prática, controle e avaliação da
aprendizagem [...] Debate sobre a contribuição que a
atividade poderia dar segundo a ótica da Ética e da Estética.

Àqueles pontos levantados pelo Dr. Simões foram acrescentados:
Informações sobre a Cultura Organizacional, para que
sejam compreendidos as contradições e os conflitos face Às
diferenças e às variáveis culturais; b) Interpretar as
tendências de globalização da Economia e suas interrelações com o ambiente organizacional, e em especial o
fenômeno mundial da opinião pública. C) assimilar as
tendências de estudos inter, pluri, muiti e transdisciplinar,
para fortalecer sua função política perante a organização e
seus públicos. D) interpretar os novos paradigmas da
comunicação e suas inter-relações com a crise da
modernidade.

101

Como mencionamos, a proposta pedagógica de 1996 dá ênfase à
prática

laboratorial,

caracterizando

algumas

disciplinas,

as

que

trabalham

conhecimentos específicos da profissionalização, como laboratórios. A leitura do
projeto pode até induzir à compreensão de que apenas a partir dos laboratórios seria
possível desenvolver a concepção a que chegaram seus autores. Essas disciplinas
laboratórios estariam organizadas em dois módulos, onde estariam contidos dois
semestres. Supomos que além do “que” ensinar, proposto com base na sugestão do
professor Simões, o documento indica as disciplinas laboratoriais em módulos
representando o “como”. Sobre este aspecto da operacionalização o documento faz
menção à agência experimental para onde:

Todas as disciplinas, tanto teóricas como laboratoriais,
direcionam suas potencialidades para a agência
experimental, onde as atividades de planejamento,
organização e execuçãoi de todas as ações que lhe são
peculiares se solidificam e se prestam Às solicitações do
mercado.

A agência visaria “integrar os conhecimentos teórico-práticos para criar
e produzir planos, programas e projetos de relações públicas” e estaria condicionada
a “pessoal, laboratórios e equipamentos em pleno funcionamento ou pelo menos às
condições mínimas para produzir do desejável”. Esse desejável foi anunciado como
as atividades ou serviços prestados pela agência:

Treinamento sobre ética na empresa, no tocante à
comunicação; cursos de cerimonial e organização de
eventos; pesquisa institucional; produção de peças
institucionais; produção de jornal de empresa; assessoria
e/ou consultoria nas organizações públicas ou privadas;
plano de comunicação empresarial; produção de vídeo
institucional; palestras, painéis, conferências etc; pesquisa
de opinião pública e demais ligadas à área, etc.

102

Como pudemos perceber a agência experimental foi concebida no
projeto de 1996. De lá para cá não se tem registro de atividades desenvolvida por
essa instância do Curso. Quanto a sua gestão, não foi feita nenhuma referência,
limitando-se a citar a FUNDEPES54 como o órgão responsável pelas questões
jurídicas, comerciais e financeiras.
Como os equipamentos dos laboratórios de relações públicas nunca
foram instalados e como a agência experimental também não se materializou, a
formação em relações públicas foi concentrada em disciplinas que apresentaremos
por ano de oferta, pela caracterização da disciplina e pelas ementas extraídas do
projeto pedagógico de 1996 e dos programas de disciplinas acessados na
Coordenação do Curso, que nos oferecem um retrato do quanto evoluíram as
disciplinas do Curso ao longo desses nove anos.
Disciplina/
Carga Horária

Caracterização

Ementa do projeto de 1996

Ementa do programa de disciplina acessado
na Coordenação do Curso

Teoria da
Comunicação

Disciplina do tronco
comum ofertada pelo
Departamento de
Comunicação Social

A questão do objeto da comunicação. A
crise do paradigma científico e suas
determinações sobre o estudo
contemporâneo da comunicação. Conceito
de teoria, ciência e domínio ou campo de
atividade. A problemática da
transdisciplinaridade. A diversidade das
correntes teóricas: panorama, realidade
institucional e pesquisas. Informações
históricas, processos de comunicação e seu
inter-relacionamento, com ênfase na
contemporaneidade. A sociedade pósmoderna e seus modos de produção do
real.
Teorias antropológicas. Sistema de
representação e sistemas simbólicos da
realidade brasileira.

Procurar mostrar a importância dos estudos
lingüísticos e filosóficos para a leitura dos
fenômenos da comunicação. A relação entre
a lingüística e a semiologia. A semiótica. As
linguagens e a realidade cultural brasileira.

Teorias psicológicas. Elementos e
conceitos de psicologia, susceptíveis de
aplicação no campo da comunicação.
Abordagem psicológica da problemática da
comunicação humana.

Teorias psicológicas. Elementos e
conceitos de psicologia susceptíveis de
aplicação no campo da comunicação.
Problemática da comunicação humana.
Analise das questões sociais e culturais que
influencia o comportamento humano.

CH: 180

Antropologia
Cultural
CH: 60
Psicologia
Geral e da
Comunicação
CH: 120

54

Disciplina do tronco
comum ofertada pelo
Departamento de
Ciências Sociais
Disciplina do tronco
comum ofertada pelo
Departamento de
Psicologia

Teorias antropológicas. Sistema de
representação e sistemas simbólicos da
realidade brasileira.

A Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa é uma entidade de direito privado,
sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, com sede e foro na cidade de Maceió, Estado de
Alagoas. Tem como Instituições criadoras a Universidade Federal de Alagoas, Federação das Indústrias do
Estado de Alagoas, Federação da Agricultura do Estado de Alagoas e Federação do Comércio do Estado de
Alagoas. Está credenciada junto ao Ministério da Educação e Ministério da Ciência e Tecnologia, nos termos da
Lei nº 8.958 de 20 de dezembro de 1994, podendo firmar convênios e/ou contrato com pessoas públicas e/ou
privadas. Informações disponíveis no site http://www.fundepes.br

103

Sociologia
Geral e da
Comunicação

Disciplina do tronco
comum ofertada pelo
Departamento de
Ciências Sociais

CH: 120

Filosofia
CH: 120

Disciplina do tronco
comum ofertada pelo
Departamento de
Filosofia

Língua
Portuguesa
CH: 180

Disciplina do tronco
comum ofertada pelo
Departamento de
Línguas Clássicas e
Vernáculas

Sociologia: campo e natureza de
abordagem. Teorias sociológicas.
Elementos da análise sociológica. Estrutura,
ação, estratificação, classes e mudanças
sociais. Ideologia, hegemonia, cultura e
civilização. Teorias sociais da comunicação.
O impacto social das novas tecnologias de
comunicação. Surgimento e características
das mídias no Brasil. Modernidade e Pósmodernidade
Análise dos grandes sistemas de idéias,
com ênfase nas principais correntes de
pensamento contemporâneo. Filosofia e
ciência. A crise da racionalidade e suas
determinações sobre os paradigmas do
conhecimento científico. Filosofia e estética

Leitura obrigatória de textos da literatura
nacional. Produção e interpretação de
textos em língua portuguesa. Correção
gramatical de textos e sua adequação à
estilística dos meios de comunicação de
massa. O original datilografado: normas
para apresentação de originais.

Teorias sociológicas. Elementos para
analise cientifica da sociedade – estrutura
social, classes sociais, instituições e
mudança social. Sociologia geral e da
comunicação.

Identificando a filosofia como o trabalho do
conceito, introduzir a filosofia a partir da
gênese do pensamento - do mítico ao
racional. A filosofia como explicação da
realidade, apontando para os grandes
problemas filosóficos - o problema da vida,
assim como o desenvolvimento da filosofia
na historia, como o aparecimento de
problemas e disciplinas filosóficas. O lugar
da filosofia na atual sociedade.
Experiência de leitura e de expressão
escrita com diversos tipos de textos,
fundamentadas na noção de texto como
unidade básica significativa.

QUADRO XVI – Disciplinas ofertadas no 1º ano do Curso

As disciplinas do primeiro ano são as mesmas para as habilitações em
RP e jornalismo, o que adia por um ano o contato dos estudantes com disciplinas
específicas da formação profissional e geram uma certa frustração nos alunos pela
não aproximação com conhecimentos específicos da formação que escolheram. É
uma organização pautada nos currículos mínimos que estabelecia o tronco comum
para as habilitações da Comunicação Social e que repercutem nas diretrizes de
2001 do MEC. No primeiro ano, das seis disciplinas, apenas uma é ofertada pelo
Departamento de Comunicação Social. As demais são ofertadas por outros
departamentos do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, a qual pertence o
DECOS. Acreditamos que no cotidiano os alunos recém chegados não têm uma
aproximação efetiva com o campo da Comunicação Social ou com a profissão que
escolheram. A recepção dos alunos é organizada por iniciativa dos discentes 55, o
que demonstra por um lado certo espírito de envolvimento dos alunos e por outro

55

Registre-se que além de ter assumido a responsabilidade da chamada Semana dos Feras, os alunos têm
demonstrado iniciativas que buscam preencher algumas lacunas da formação. Como exemplo desses esforços
podemos citar a promoção em 2004 e 2005 do Ciclo de Palestras sobre Relações Públicas, certificado pela Pró-

104

lado a revelia das instâncias do Curso e do Departamento para com um momento
crucial da vida dos sujeitos provenientes do ensino médio. No que se refere às
disciplinas ofertadas no primeiro ano algumas questões emergem. É possível refletir
sobre o papel da disciplina Teoria da Comunicação na formação em RP. Essa
inquietação está respaldada na fala de um dos docentes:

A outra preocupação é a disciplina Teoria de comunicação.
Dizem que fazem adaptações para as habilitações, mas me
parece que pelos relatos se destaca uma teoria da
comunicação para a prática do jornalismo. Onde está a
teoria da comunicação organizacional? A amarração de
teoria da comunicação deveria contemplar melhor as
habilitações no segundo semestre. Eu não vejo como se
formar bem em RP sem se ter uma passagem pela teoria da
Administração. Com certeza as escolas de administração
tem que ser bem colocadas para os alunos. Não há como
fugir desses paradigmas.

A impressão que o docente manifestou parece ter evoluído da proposta
de 1996 para a ementa atual acessada na Coordenação do Curso. E os
questionamentos se estendem pelo bloco de disciplinas de base humanística. É
possível o redesenho das disciplinas em função de uma formação específica. O
quanto a Antropologia, a Psicologia, a Sociologia, a Filosofia e a Língua Portuguesa
podem contribuir com a formação do sujeito parecem questões das mais complexas,
e nos remetem aos primórdios da organização curricular em nível superior. Todas as
propostas de formação, em todas as áreas, antes das Diretrizes de 2001 eram
montadas a partir desse modelo polarizado humanístico – técnico. Caberia pensar
se estas disciplinas são indispensáveis, se devem aparecer nos primeiros momentos

Reitoria de Extensão da Ufal. Outra iniciativa foi a organização em 2004 da I Jornada Alagoana de Relações
Públicas por alunos do 4º ano, que discutiu a questão do currículo.

105

da formação, se suas cargas horárias são adequadas e ainda e principalmente,
onde se colocam no mosaico da formação do profissional de RP.
Um exercício de reflexão poderá tomar a disciplina Língua Portuguesa,
no sentido de se questionar se deve apenas constar nos períodos inicias ou ser um
conhecimento recorrente durante a formação. Experiências de contato com as
produções dos alunos nos TCCs demonstram que a habilidade de escrever é um
ponto crítico na formação do profissional.
Consideramos importantes os conhecimentos das disciplinas clássicas,
por sedimentarem conceitos e categorias indispensáveis para a compreensão da
realidade. No entanto, a forma como são ofertados em disciplinas estanques merece
ser repensada. A maioria dos conhecimentos do primeiro ano de curso e alguns do
segundo e terceiro anos são ofertados por outros departamentos, o que traz a tona a
questão interdisciplinar. Essa dimensão, entendida como a interdependência entre
os vários campos de conhecimento sugere que as ementas, o programa e a
bibliografia dos componentes curriculares sejam discutidos e construídos com a
participação de profissionais dos diversos campos do saber, pois é mais seguro que
um filósofo, após compreender a função social do profissional de RP, ofereça um
conhecimento adequado à formação desse profissional, do que a Filosofia ser
concebida no seio da Comunicação, ou ainda transplantada de outros programas de
formação.
Percebemos a partir do quadro XVI que todas as disciplinas do 1º ano
de curso já se modificaram, o que reforça a tese de que o currículo é um processo
em constante construção. É possível relacionar essa mutabilidade com as disciplinas
da formação humanística e com as disciplinas Língua Portuguesa e Teoria da

106

Comunicação. Essa característica, como veremos, é menos freqüente nas
disciplinas profissionalizantes.
No segundo ano os alunos entram em contato com mais disciplinas do
campo da Comunicação Social, e com disciplinas da formação específica. Ainda são
desenvolvidos conteúdos de outras disciplinas do campo das Ciências Sociais como
apresentamos no quadro a seguir:
Disciplina/
Carga Horária

Caracterização

Ementa do projeto de 1996

Ementa do programa de disciplina acessada
na Coordenação do Curso

Comunicação
Comparada

Disciplina do tronco
comum ofertada pelo
Departamento de
Comunicação Social

Processos sociais e processo de
comunicação. Condições de produção e
consumo de mensagens. As políticas que
determinam e condicionam o processo de
informação. As diversas formas de controle
da informação.
Definição operacional de RR.PP.
Psicossociologia das RR.PP. O processo de
RR.PP. Aplicação das técnicas de RR.PP.
Tendências contemporâneas das práticas
contemporâneas na sociedade (sic).
Relação com diferentes públicos. Público
interno, externo e misto. Elementos para
análise teórico-política da atividade de
RR.PP. Administração da Controvérsia
pública. Relações Públicas e a
interdisciplinaridade
Fenômenos estéticos e cultura de massa
Interpretações estéticas de indústria
cultural

Processos sociais e processo de
comunicação. Condições de produção e
consumo de mensagens. As políticas que
determinam e condicionam o processo de
informação. As diversas formas de controle
da informação.

Módulo 1 – Redação em linguagem de
relações públicas e de jornalismo Compreensão e produção de textos de
natureza jornalística e de Relações
Públicas. Linguagem jornalística em RR.PP.
Técnicas de redação em RRPP. Estrutura de
textos para RRPP. Produção de textos
específicos na linguagem jornalística.
Elaboração de releases, boletins e demais
instrumentos de comunicação em RR.PP.
Publicação em geral. Assessoria de
imprensa. Módulo 2 - Compreensão e
produção de textos de natureza técnica,
administrativa e científica. Produção de
textos técnico-administrativos;
correspondências. Mala-direta, relatórios,
ensaios e monografia.
Documentação

Compreensão e produção de textos de
natureza jornalística e de Relações Públicas
Linguagem jornalística em RR.PP. Técnicas
de redação em RRPP. Estrutura de textos
para RRPP. Produção de textos específicos
na linguagem jornalística. Elaboração de
releases, boletins e demais instrumentos de
comunicação em RR.PP. Publicação em
geral. Assessoria de imprensa

CH: 60 h/a

Teoria e
técnicas de
Relações
Públicas

Disciplina da área
específica de RP
ofertada pelo
Departamento de
Comunicação Social

CH: 120 h/a

Estética e
Cultura de
Massa
CH: 60 h/a
Laboratório de
Redação para
Relações
Públicas I
CH: 120 h/a

Laboratório de
Comunicação
Dirigida e
Multimeios I
CH: 120 h/a

Disciplina do tronco
comum ofertada pelo
Departamento de
Comunicação Social
Disciplina da área
específica de RP
ofertada pelo
Departamento de
Comunicação Social

Disciplina da área
específica de RP
ofertada pelo
Departamento de
Comunicação Social

Módulo 1 – comunicação oral, escrita e
audiovisual
Compreensão e produção de programas e
projetos de natureza oral, escrita e
audiovisual. Estudo da oratória
contemporânea. Análise da implementação,
execução de projetos e produção de textos
orais, escritos e audiovisuais, utilizando as
técnicas de comunicação dirigida oral
(palestra, reunião, telefone, teleconferência).
Recursos audiovisuais (projetos de opacos,
retroprojetor, gravador, videocassete,
fotografia, etc.), com fins institucionais.
Noções de diagramação
Módulo 2 - Comunicação aproximativa e
auxiliar

Sem informação

Fenômenos estéticos e cultura de massa
Interpretações estéticas de indústria
cultural

Módulo 2
Compreensão e produção de textos de
natureza técnica, administrativa e científica
Produção de textos técnico-administrativos
Correspondências Mala-direta, relatórios,
ensaios e monografia
Documentação

Módulo 1
Comunicação oral, escrita e audiovisual
Compreensão e produção de programas e
projetos de natureza oral, escrita e
audiovisual. Estudo da oratória
contemporânea. Análise da implementação,
execução de projetos e produção de textos
orais, escritos e audiovisuais, utilizando as
técnicas de comunicação dirigida oral
(palestra, reunião, telefone, teleconferência).
Recursos audiovisuais (projetos de opacos,
retroprojetor, gravador, videocassete,
fotografia, etc.), com fins institucionais.
Noções de diagramação

107

Análise de técnicas de comunicação
dirigida aproximativa e
auxiliar.Comunicação dirigida aproximativa,
eventos, visitas, cerimonial e protocolo.
Compreensão e desenvolvimento de
projetos de comunicação dirigida
aproximativa auxiliar

Laboratório
Interdisciplinar
de Relações
Públicas I
120

Teoria Política
60

Economia
60

Disciplina da área
específica de RP
ofertada pelo
Departamento de
Comunicação Social

Disciplina do tronco
comum ofertada pelo
Departamento de
Ciências Sociais
Disciplina do tronco
comum ofertada pelo
Departamento de
Economia

Módulo 1 – Teoria Geral da Administração –
Elementos de administração Geral.
Estruturas organizacionais. Processos
administrativos. Administração
orçamentária. Corporação virtual e novos
paradigmas. Gestão da Qualidade Total ;
Módulo 2 – Assessoria e consultoria de
RR.PP. As funções de assessoria,
consultoria e coordenação de relações
públicas, como atividade de
assessoramento à política em geral da
organbização (social, financeira,
administrativa, econômica e mercadológica,
etc). Ombusman. Relações
Públicas/Relações Humanas no trabalho:
endomarketing.
Teorias políticas contemporâneas.
Elementos para análise política: Estado,
estrutura de poder e sistemas de governo.
Teorias econômicas. Elementos para
análise econômica: produção, distribuição e
controle. Elementos de economia da
comunicação. Economia e informação nos
Meios de comunicação de Massa.

Módulo 2
Comunicação aproximativa e auxiliar.
Análise de técnicas de comunicação
dirigida aproximativa e auxiliar.
Comunicação dirigida aproximativa,
eventos, visitas, cerimonial e protocolo.
Compreensão e desenvolvimento de
projetos de comunicação dirigida
aproximativa auxiliar

Não consta a ementa no programa da
disciplina

Ciência política – o poder e suas
abordagens. O estado capitalista.A ordem
liberal. Mudanças das estruturas políticas –
revolução e transformação
Fundamentos básicos da ciência
econômica. Os problemas econômicos
fundamentais. O sistema econômico. Oferta
e procura. A moeda e o sistema financeiro.
Os agregados macroeconômicos. Inflação.
Setor público

QUADRO XVII – Disciplinas ofertadas no 2º ano do Curso

Como percebemos, as disciplinas da área específica de RP foram as
que menos se modificaram ao longo de nove anos, o que difere do movimento das
disciplinas Economia e Teoria Política que se apresentam diferentes da proposta de
1996. No entanto cabe a reflexão se estas disciplinas não consideram pouco os
fenômenos locais. No segundo ano três disciplinas são pré-requisitos para o terceiro
ano. Neste período, duas disciplinas integram ainda o chamado tronco comum, e
apenas uma delas é ofertada por outro departamento, como mostra o quadro a
seguir:
3º ano

Caracterização

Ementa do projeto de 1996

Laboratório
de Redação
para
Relações
Públicas II
CH: 120h/a

Disciplina da área
específica de RP ofertada
pelo Departamento de
Comunicação Social

Módulo 1 – Redação de linguagem para
rádio, TV e vídeo – compreensão e
produção de textos de natureza
radiofônica, televisiva e radiográfica.
Produção e edição de textos para mídia
eletrônica. Elaboração de roteiros para
audiovisuais. Vídeo empresa. Módulo 2 –
Redação em Linguagem Publicitária –

Ementa do programa de disciplina
acessado na Coordenação do Curso

Não consta a ementa no programa da
disciplina

108

Laboratório
de Pesquisa e
Planejamento
de RP I
CH: 120h/a

Disciplina da área
específica de RP ofertada
pelo Departamento de
Comunicação Social

Laboratório
Interdisciplin
ar de
Relações
Públicas II
CH: 120h/a

Disciplina da área
específica de RP ofertada
pelo Departamento de
Comunicação Social

Laboratório
de
Comunicação
Dirigida e
Multimeios II
CH: 120h/a

Disciplina da área
específica de RP ofertada
pelo Departamento de
Comunicação Social

Legislação e
Ética de
Relações
Públicas
CH: 80h/a

Disciplina da área
específica de RP ofertada
pelo Departamento de
Comunicação Social

Teoria e
Método da
Pesquisa em
Comunicação
CH: 160h/a

Disciplina do tronco
comum ofertada pelo
Departamento de
Comunicação Social

Realidade
SócioEconômica e
Política
Brasileira e
Regional
CH: 80h/a

Disciplina do tronco
comum ofertada pelo
Departamento de Ciências
Sociais

Compreensão e produção de texto de
natureza publicitária. Elaboração de textos
de peças nos meios impressos,
radiofônico, televisivo e outros, com
especial atenção para propaganda
institucional e de causas sociais.
Módulo 1 – Teoria e pesquisa de opinião
pública – Tipos de comportamento
coletivo. Multidão e massa. Conceituação
de público e de opinião pública.
Classificação de públicos para RR.PP.
Natureza, formação e conteúdo de opinião
pública. Pesquisa de opinião pública:
coordenação e planejamento. Pesquisa
institucional e outras pesquisas
empregadas na área de RR.PP.
Globalização e o fenômeno mundial da
opinião pública. Planejamento e execução
de campanha de opinião pública.
Módulo 2 – Trabalhos dirigidos –
planejamento e produção de pesquisa
Módulo 1 - Premissas mercadológicas
para RR.PP. Conceito e paradigma atuais
de marketing,Mercados, públicos,
produtos, trocas tangíveis e intangíveis.
RR.PP. e Marketing – integração mútua.
Aplicações da lógica mercadológica em
setores relacionados diretamente com as
RR.PP. (Marketing Social, cultural,
esportivo, de eventos, etc.) Marketing
político e propaganda política. Modulo 2 O mix comunicacional. O composto
comunicacional com especial atenção
para a dimensão do seu espectro e as
inter-relações entre seus componentes – a
comunicação global. A propaganda
(campanha) nos contextos
mercadológicos e institucionais. As atuais
tendências das comunicações integradas
de marketing. A comunicação de marca
(de produto e/ou institucional)
Módulo 1 – Editoração eletrônica e
tecnologias contemporâneas. Elementos
de microinformática. Banco de dados.
Princípio de composição visual e
computação gráfica. Técnica de
diagramação e produção editorial.
Processamento eletrônico de texto.
Digitalização de imagens. Impressão.
Módulo 2 – Trabalhos dirigidos.
Elaboração e desenvolvimento de projetos
multimediáticos
Instituições de direito publico e privado.
Direito administrativo. Legislação
orçamentária e trabalhista. Introdução a
legislação dos meios de comunicação. O
direito à informação. Regulamentação
profissional. Ética profissional. Código de
ética. Código do consumidor. Cidadania e
qualidade de vida.
O conhecimento e os métoidos científicos.
O processo da pesquisa científica. A
pesquisa em comunicação:
especificidades, abordagens, métodos e
técnicas. Novos rumos da pesquisa em
comunicação. Planejamento, execução e
avaliação de pesquisa.
Formação da sociedade brasileira e
regional em seus respectivos aspectos
econômicos, políticos e culturais, com
ênfase no período posterior a 1930.
Situação atual e perspectivas.

Tipos de comportamento coletivo.
Multidão e Massa.Conceituação de público
e opinião publica.Classificação de
públicos para Relações publicas.
Natureza, formação e conteúdo da opinião
pública: coordenação e
planejamento.Pesquisa Institucional e
outras pesquisas na área de Relações
Públicas Planejamento e produção de
pesquisas

Módulo 1 - Premissas mercadológicas
para RRPP. Conceito e paradigma atuais
de marketing mercados, públicos,
produtos, trocas tangíveis e intangíveis.
RR.PP. e Marketing: integração mútua.
Aplicações da lógica mercadológica em
setores relacionados diretamente com as
RR.PP. (Marketing Social, cultural,
esportivo, de eventos, etc.). Marketing
político e propaganda política. Modulo 2 O mix comunicacional. O composto
comunicacional com especial atenção
para a dimensão do seu espectro e as
inter-relações entre seus componentes – a
comunicação global. A propaganda
(campanha) nos contextos
mercadológicos e institucionais. As atuais
tendências das comunicações integradas
de marketing. A comunicação de marca
(de produto e/ou institucional)
A revolução digital e seu impacto nas
organizações. Novas ferramentas para a
Comunicação Dirigida: redes, internet,
bancos de dados, editoração eletrônica,
videoconferência, fotografia digital.
Desenvolvendo relações com os públicos
na era digital.

Instituições de direito publico e privado.
Direito administrativo. Legislação
orçamentária e trabalhista. Introdução a
legislação dos meios de comunicação. O
direito à informação. Regulamentação
profissional. Ética profissional. Código de
ética. Código do consumidor. Cidadania e
qualidade de vida.
Estudo exploratório-heurístico das
modalidades dos métodos que fundam o
saber científico. A caverna de Platão. A
retórica de Aristóteles. A subjetividade de
Descartes. O empirismo de Bacon. O
pragmatismo de Peirce.
Formação da sociedade brasileira e
regional em seus respectivos aspectos
econômicos, políticos e culturais, com
ênfase no período posterior a 1930.
Situação atual e perspectivas.

QUADRO XVIII – Disciplinas ofertadas no 3º ano do Curso

109

Fica

evidente

que

o

trabalho

com

conhecimentos

do

nível

profissionalizante é mais intensa. O terceiro ano tem alguns componentes
curriculares identificados como redação, pesquisa em RP, administração, novas
tecnologias de comunicação, legislação, pesquisa em Comunicação e realidade
Brasileira. Na prática curricular percebemos uma possibilidade de intersecção entre
as disciplinas Laboratório de Pesquisa e Planejamento em Relações Públicas I e
Teoria e Método da Pesquisa em Comunicação, por ambas desenvolverem a
dimensão da pesquisa, a primeira no âmbito das organizações e a segunda no
âmbito acadêmico. Outras disciplinas precisam ser repensadas. A disciplina
Realidade Sócio econômica e Política Brasileira e Regional parece não contemplar
aspectos locais, da realidade Alagoana, o que pode gerar uma lacuna na formação.
No quarto ano a formação não concebe mais disciplinas do tronco
comum, nem as que dizem respeito à área da Comunicação nem as que dizem
respeito às outras ciências. A ênfase é a imersão em conhecimentos próprios da
área de relações públicas, como apresentamos abaixo:

4º ano

Caracterização

Ementa do projeto de 1996

Trabalho de
Conclusão de
Curso
CH: 300h/a
Laboratório de
Pesquisa e
Planejamento de
RP II
CH: 120h/a

Produção do discente, sob
orientação do professor.

Produção, na última série, de trabalho
relacionado com a habilitação, em forma de
monografia teórica e/ou planejamento e
execução de programas de relações públicas.
Módulo I - Função básica do Planejamento em
RR.PP. Métodos e técnicas de planejamento
aplicados às RR.PP. Prognóstico e diagnóstico.
Plano, Programa e Projetos de relações
públicas e sua administração. Orçamentação:
elaboração de orçamento e controle de custo.
Coordenação, controle e avaliação. Módulo II:
Estudos dirigidos: Projetos de Planejamento de
Relações Públicas. Estudo, elaboração e
execução das atividades orientadas de
comunicação em RR.PP convencionais e/ou
alternativas, local regional e/ou nacional.
Módulo 1 – teoria e técnica da comunicação
comunitária. Comunicação e mudança social.
Métodos e técnicas de comunicação
participatória. Desenvolvimento e
operacionalização pelas comunidades de seis
recursos de comunicação. Elementos teóricos
e práticos para a comunicação popular.
Relações Públicas na contramão. Relações
Públicas no meio rural. Módulo 2 – Projeto de
comunicação comunitária. Análise e produção
de programas comunitários.

Laboratório de
Comunicação
Comunitária
CH: 120h/a

Disciplina da área
específica de RP ofertada
pelo Departamento de
Comunicação Social

Disciplina da área
específica de RP ofertada
pelo Departamento de
Comunicação Social

Ementa do programa de disciplina
acessado na Coordenação do Curso

Sem informação

Corresponde a ementa de 1996

Comunicação e mudança social. Métodos
e técnicas de comunicação participatória.
Desenvolvimento e operacionalização
pelas comunidades de seis recursos de
comunicação

110

Laboratório de
Comunicação
Institucional
CH: 120h/a

Disciplina da área
específica de RP ofertada
pelo Departamento de
Comunicação Social

Laboratório de
Cultura
Organizacional
e Projeto de
Empresa
CH: 120h/a

Disciplina da área
específica de RP ofertada
pelo Departamento de
Comunicação Social

Módulo 1 – teoria e técnica da comunicação
institucional. Formas institucionais de
comunicação: conceito e imagem da
organização. Relações Públicas
governamentais (lobby), empresariais,
organizacionais e associativas. Funções e
importância da assessoria de imprensa. Papel
da assessoria de comunicação. Módulo 2 –
estudo de caso. Análise e produção de
campanhas institucionais.
Módulo 1 – Cultura organizacional. Cultura e
organização empresarial. Contradições e
diferenças culturais. Mitos, símbolos e ritos
nas organizações. Principais valores e
percepções organizacionais. Diferenciação
entre organização e instituição. Módulo 2 –
estudos dirigidos: projeto de empresa.

A comunicação institucional e seus
processos, voltados à legitimação e
credibilização das organizações pelos
seus públicos de relacionamento, bem
como todo um conhecimento estratégico
dessa mesma organização, utilizando
para tanto, técnicas de relações públicas
e marketing,

Cultura: conceitos e tipologias. Cultura
organizacional: conceito, universo
simbólico das organizações e seus
componentes. Atos administrativos e
comunicacionais. Filosofia de negócios e
modelos de gestão empresarial. D.O. –
Desenvolvimento Organizacional.
Relações Públicas e Recursos Humanos:
um cruzamento inevitável. Projetos de
empresas multinacionais, públicas e
privadas, ONG´s (...)

QUADRO XIX – Disciplinas ofertadas no 4º ano do Curso

Todas as disciplinas da formação em RP merecem atenção. No 4º ano
destacaríamos o Trabalho de Conclusão de Curso, que traz uma ementa muito
simplificada em relação à importância que tem esse momento. Também conhecido
como Projeto Experimental, o TCC, segundo Freitas e França (1997) “constitui uma
prova de habilitação profissional, conduz os universitários à aplicação de seus
conhecimentos em torno de um objetivo específico e os levam a vencer o desafio
que lhes foi proposto: comprovar, para si próprios e para as faculdades que o
acolheram, que atingiram o nível profissional esperado.”
Embora exista uma regulamentação sobre os projetos experimentais, o
processo de produção e orientação ganhou certa autonomia em relação ao
estabelecido pelo colegiado do curso em 199456. Outro ponto importante diz respeito
à pertinência da disciplina Laboratório de Comunicação Institucional que em sua
ementa aborda dimensões das Relações Públicas já trazidas por outras disciplinas
constituindo-se numa redundância.
Como pudemos perceber as primeiras disciplinas constituem uma
formação básica, cujo objetivo é o de “permitir a compreensão do indivíduo como

111

produto e produtor do meio social” (França, 2003). Nos anos intermediários
aparecem as disciplinas que servem de base para a compreensão do processo da
comunicação e de outras dimensões da sociedade. No último ano a ênfase está
direcionada para as disciplinas profissionalizantes.
Além das disciplinas relacionadas, que são obrigatórias à formação,
que perfazem uma carga horária de 3.140 horas, outras compõem o leque das
denominadas disciplinas flexíveis que devem atingir, segundo a resolução 02 de
1984, as mínimas 240 horas. No ano de 2005 foram ofertadas as seguintes
disciplinas flexíveis:

Disciplinas flexíveis ofertadas em 2005

Departamento

Carga Horária

Fotografia

Comunicação Social

120

Introdução à pesquisa bibliográfica e documental

Comunicação Social

80

História dos meios de comunicação no Brasil

Comunicação Social

80

Laboratório de Imagem

Comunicação Social

160

Comportamento e defesa do Consumidor

Comunicação Social

80

Publicidade e propaganda

Comunicação Social

120

Assessoria de Comunicação

Comunicação Social

80

Organização de Evento e Cerimonial

Comunicação Social

80

Informação e cidadania

Comunicação Social

80

Comunicação Visual

Arquitetura

120

Expressão Vocal

Artes

120

Empreendedorismo

Engenharia

80

História da cultura Alagoana

História

80

Inglês Instrumental

Línguas Estrangeirais Modernas

80

Francês Instrumental

Línguas Estrangeirais Modernas

80

QUADRO XX – Disciplinas flexíveis ofertadas em 2005

Percebemos que a oferta das disciplinas da parte flexível é sazonal.
Embora algumas delas sejam fundamentais para relações públicas, como é o caso
de Assessoria de Comunicação e Organização de Eventos, não aparecem no
projeto pedagógico de 1996. Talvez numa próxima organização curricular esses

56

Resolução sem número, 17 de junho de 1996. Comissão de regulamentação e avaliação de projetos
experimentais. Universidade Federal de Alagoas. Departamento de Comunicação Social. Maceió, 1994.

112

conhecimentos estejam relacionados com certas ênfases que o aluno queira dar à
sua formação e algumas dessas disciplinas sejam consideradas na parte fixa da
formação.
O que se percebe com o projeto de 1996 é a tentativa de
intelectualização do egresso em RP. Disciplinas com títulos e conteúdos complexos
parecem ter objetivado pouco a formação. Parece necessário que tornemos mais
explícito os conteúdos da formação em RP, sob pena de continuarmos com
desempenhos aquém das potencialidades, nos campos acadêmico e não
acadâmico.

4. 3. Outros subsídios para um currículo em Relações Públicas

Segundo Veiga (1995) O planejamento curricular terá de se
fundamentar numa concepção de educação que:

pressupõe que o aluno seja sujeito de seu processo de
aprendizagem; privilegia principalmente o saber que deve
ser produzido, sem relegar a segundo plano o saber que o
aluno já possui; as atividades de currículo e ensino não são
separadas da totalidade social e visam à transformação
crítica e criativa do contexto escolar, e mais especificamente
de sua forma de se organizar; essa transformação ocorre
através do acirramento das contradições e da elaboração de
propostas de ação, tendo em vista a superação das
questões apresentadas pela prática pedagógica.

A autora apresenta dois momentos do planejamento curricular
representados pelo ato de situar, que compreenderia partir da realidade concreta, ir
a essência dos dados do contexto social em que está inserida a escola,
configurando em linhas gerais sua história, reconstruindo a história dos sujeitos da
ação educativa (educadores e alunos). Destaca a necessidade de descrever a

113

prática pedagógica vivida e experienciada no seio da instituição escolar, envolvendo
explicação e compreensão da realidade de forma crítica, ultrapassando o nível da
descrição empírica. Sugere ir até as raízes das questões levantadas, ou mergulhar
mais profundamente nos “significados, valores e ideologias que penetram todos os
aspectos da vida escolar”. Ainda no ato de situar a autora propõe que se defina o
que é prioritário para a escola.
Um outro momento destacado por Veiga (1995, p.86) é o ato de
elaborar onde aponta a participação dos educadores e dos educandos na
sistematização da prática pedagógica, de modo a estabelecerem propostas de
mudanças coerentes com seus objetivos e que lhes permitam avançar. Essas
propostas devem ser registradas num plano de ações, que podemos chamar de
projeto curricular ou projeto político pedagógico.
As decisões básicas do currículo abrangem questões referentes ao
que, para que, e o como, articuladas ao para quem. Desenvolver uma proposta
levando em conta estas instâncias não é tarefa simples, principalmente se
considerarmos o planejamento curricular como um processo que deve, em essência,
ser coletivo. Não é nosso objetivo oferecer uma proposta de currículo, pelo fato
mesmo de considerarmos a dimensão coletiva. Entretanto poderemos refletir sobre
as decisões básicas do currículo, buscando anunciar caminhos possíveis para o
campo de relações públicas.
O que ensinar é uma questão que se torna complexa a partir da
passagem dos currículos mínimos para as diretrizes curriculares. Em verdade existe
uma relativa autonomia pedagógica que deverá considerar o perfil do sujeito que se
pretende formar. França (2003, p.53) reconhece que “a LDB conferiu às escolas
liberdade, se não total, pelo menos suficiente para que cada uma formate seu

114

projeto de ensino e defina o profissional que se deseja formar, utilizando a prática
pedagógica que julgue adequada” e infere que as escolas têm modificado o currículo
apenas por uma exigência burocrática. As instituições estão desafiadas a escolher
os conhecimentos que achar adequados para a formação profissional.
Embora com esta autonomia pedagógica, os currículos mínimos
estabelecidos ao longo do tempo e especificamente o último, da Resolução 02 de
1984, devem continuar por anos sendo referência para a concepção de um projeto
de formação em RP. Isto por que estas organizações pedagógicas instituídas
representaram e representam concepções do próprio campo de conhecimento das
Relações Públicas e da prática profissional. Algumas influências perdurarão, como é
o caso dos conhecimentos de planejamento, de pesquisa, da comunicação dirigida.
Temos que reconhecer a influência dos documentos legais na
formação do RP. A Lei nº 5.377 de 1967 sedimentou as propostas curriculares
quando no Capítulo II, Artigo 2º, estabeleceu as atividades profissionais, que seriam:

a) a informação de caráter institucional entre a entidade e o
público, através dos meios de comunicação; b) a
coordenação e planejamento de pesquisas da opinião
pública, para fins institucionais; c) a planejamento e
supervisão da utilização dos meios audiovisuais, para fins
institucionais; d) a planejamento e execução de campanhas
de opinião pública; e) ao ensino das técnicas de Relações
Públicas, de acordo com as normas a serem estabelecidas,
na regulamentação da presente Lei.

Ainda no campo legal, o Decreto Nº 63.283 de 1968 resgata os
aspectos da atividade estabelecidos pela lei. No Título I “Da Profissão de Relações
Públicas”, em seu Capítulo II “do Campo e da Atividade Profissional”, Artigo 4º, o
documento traz:
a) à orientação de dirigentes de instituições públicas ou
privadas na formulação de políticas de Relações Públicas;

115

b) à promoção de maior integração da instituição na
comunidade; c) à informação e a orientação da opinião
sobre objetivos elevados de uma instituição; d) ao
assessoramento na solução de problemas institucionais que
influam na posição da entidade perante a opinião pública; e)
ao planejamento e execução de campanhas de opinião
pública; f) à consultoria externa de Relações Públicas junto
a dirigentes de instituições; g) ao ensino de disciplinas
específicas ou de técnicas de Relações Públicas,
oficialmente estabelecido.

No âmbito da regulamentação profissional, ao Decreto 63.283 de 1968
acrescenta-se o Decreto-Lei 860, que dispõe sob a constituição dos Conselhos
Federal e Regionais da categoria, e o Decreto 68.582 de 1971, que regulamenta o
Decreto-Lei 860. Estes três documentos não apresentam maiores contribuições em
relação a quais conhecimentos são necessários para o desempenho das atividades
de RP. Do início da década de 70 aos nossos dias não tivemos novidades na
normatização da profissão de RP, do ponto de vista legal. No entanto, o Conselho
Federal de Profissionais de Relações Públicas tem se esforçado para reger as
atividades profissionais. Na reformulação do Código de Ética Profissional, de 1985,
nos princípios fundamentais estabelece, dentre outros que “o profissional de
Relações Públicas deve empenhar-se para criar estruturas e canais de comunicação
que favoreçam o diálogo e a livre circulação de informações”.
Após o auge da crise identitária da profissão na década de 80, a
categoria empreende um movimento nacional no sentido de discutir e adequar as
atividades de RP às novas exigências sociais. Foi sob o nome de Parlamento
Nacional de Relações Públicas que foram empreendidas de 1995 a 1997, uma série
de pesquisas e discussões sobre o conceito normativo da profissão, suas
possibilidades de intervenção social e as perspectivas para o futuro. Seus resultados
principais, segundo Ataydes (s/d) se resumem na:

116

a) manutenção da lei, com a devida atualização, ou seja,
revisão do conteúdo dos artigos 1º e 2º. b) inclusão de
novas possibilidades para atuação em Relações Públicas no
Brasil: acordos internacionais e profissionais de outras
áreas com pós-graduação em Relações Públicas; c)
possibilidade de, posteriormente e com o consenso dos
profissionais das demais habilitações de Comunicação, criar
um Conselho Único, garantindo unidade perante a
sociedade brasileira.

Reflexo e culminância do Parlamento Nacional, a Resolução nº 043 de
2002 atualiza, reitera e explica as funções e atividades de Relações Públicas
(ANEXO D). Um dos mais completos materiais que tratam das atividades de RP, o
documento sugere, no Artigo 1º, inciso 3º que:

Relações Públicas caracterizam-se pela aplicação de
conceitos e técnicas de: I)comunicação estratégica, com o
objetivo de atingir de forma planificada os objetivos globais
e os macro-objetivos para a organização; II)comunicação
dirigida, com o objetivo de utilizar instrumentos para atingir
públicos
segmentados
por
interesses
comuns;
III)comunicação integrada, com o objetivo de garantir a
unidade no processo de comunicação com a concorrência
dos variados setores de uma organização.

O documento explica termos que são a base do entendimento do
processo de RP como “organização”, “empresa”, “comunicação” e suas modalidades
“Institucional”, “corporativa”, “organizacional”, “pública ou cívica”. Define “pesquisa
de opinião”, “auditoria de opinião” em suas variações “auditoria ou pesquisa de
imagem”, “auditoria ou pesquisa de clima organizacional”, “auditoria ou pesquisa de
perfil organizacional”. Esclarece os termos “diagnosticar”, “prognosticar” e “público
estratégico ou de interesse”.
Após

apresentar

algumas

normatizações

quanto

o

exercício

profissional o documento, em seu Artigo 3º, define as funções abaixo como
privativas da atividade profissional de Relações Públicas:

117

I - 1) elaborar, coordenar, implantar, supervisionar e avaliar:
a)planejamento
estratégico
da
comunicação;
b)
comunicação corporativa; c)campanhas institucionais de
informação, integração, conscientização e motivação
dirigidas a público estratégico e à informação da opinião
pública e em apoio à administração, recursos humanos,
marketing, vendas e negócios em geral; 2) coordenar,
implantar, supervisionar, avaliar, criar e produzir material
que, em essência, contenha caráter institucional da
organização e se enquadre no escopo da comunicação
organizacional e são conhecidos por newsletters e boletins
informativos eletrônicos ou impressos, house-organs, jornais
e revistas institucionais de alcance interno ou externo,
relatórios
para
acionistas,
folhetos
institucionais,
informações para imprensa, sugestões de pauta, balanços
sociais, manuais de comunicação, murais e jornais murais;
3) elaborar planejamento para o relacionamento com a
imprensa: a)definir estratégia de abordagem e aproximação;
b)estabelecer programas completos de relacionamento;
c)manter contato permanente e dar atendimento aos
chamados e demandas;d)elaborar e distribuir informações
sobre a organização, que digam respeito às suas ações,
produtos, serviços, fatos e acontecimentos ligados direta ou
indiretamente a ela, na forma de sugestões de pauta, press
releases e press kits, organizar e dirigir entrevistas e
coletivas; e)criar e produzir manuais de atendimento e
relacionamento com a imprensa; f)treinar dirigentes e
executivos para o atendimento à imprensa, dentro de
padrões de relacionamento, confiança e credibilidade;
4) desenvolver estratégias e conceitos de comunicação
institucional por meios audiovisuais, eletrônicos e de
informática, Internet e Intranet; 5) definir conceitos e linhas
de comunicação de caráter institucional para roteiros e
produção de vídeos e filmes; 6) organizar e dirigir visitas,
exposições e mostras que sejam do interesse da
organização. II - Nos termos das alíneas "b", "c" e "d " do
art. 2º da Lei 5.377 e "b" e "e" do art. 4.º do Regulamento:1)
coordenar e planejar pesquisas de opinião pública para fins
institucionais: a)analisar os resultados obtidos e proferir
diagnóstico; b)detectar situações que possam afetar a
imagem da organização e realizar prognósticos; 2)implantar,
realizar, coordenar, dirigir, acompanhar e avaliar: a)auditoria
e pesquisa de opinião; b) auditoria e pesquisa de imagem;
c) auditoria e pesquisa de clima organizacional; d) auditoria
e pesquisa de perfil organizacional; III - Nos termos das
alíneas "e" do art. 2.º da Lei 5.377 e "g" do art. 4.º do
Regulamento, combinado com o disposto na Resolução do
Conselho Nacional de Educação N,º CNE 0016/2002, de 13
de março de 2002: 1)ser professor de disciplinas que têm
por objetivo o desenvolvimento das competências
específicas da formação do Profissional de Relações
Públicas, a saber: a)história das Relações Públicas e do
desenvolvimento de seu campo profissional no Brasil e no
mundo; b)conceitos fundamentais, métodos e técnicas de
Relações Públicas; c)uso das estratégias, dos instrumentos
e das linguagens de comunicação dirigida; d)métodos e
técnicas de diagnóstico e prognóstico da comunicação
organizacional e da pesquisa com fins institucionais;
e)aspectos teóricos e práticos do planejamento da

118

comunicação organizacional; f)legislação das Relações
Públicas, código de ética e conduta da profissão;
g)trabalhos práticos orientados de Relações Públicas;
2)supervisionar estágios curriculares ou extra-curriculares;
3)coordenação: a)de laboratório, escritório-modelo ou
agência-modelo; b)didático-pedagógica específica da
habilitação; IV - Nos termos das alíneas "a", "d " e "f " do art.
4.º do Regulamento: 1)criar, apresentar, implantar, gerar,
propor, coordenar, executar e desenvolver políticas e
estratégias
que
atendam
às
necessidades
de
relacionamento da organização com seus públicos;
2)implantar, coordenar, desenvolver e dirigir ações em
órgãos públicos que tenham por objeto a comunicação
pública ou cívica; 3)acompanhar assuntos de interesse
público afetos à organização; 4)definir conceitos e sugerir
políticas de: a)relações públicas para a organização;
b)atitudes ou mudança de atitudes no tratamento com os
públicos e em relação à opinião pública; c)estratégias da
comunicação; d)administração de ações de comunicação
em situação de crise e de emergência; e)apoio ao
marketing, dentro das atividades de comunicação dirigida;
f)propaganda institucional; 5) desenvolver, implementar,
executar e coordenar campanha de envolvimento com
público de interesse, campanha temática de integração,
orientação, motivação, desenvolvimento organizacional e
aquela que envolva relacionamento com funcionários,
familiares, acionistas, comunidade, fornecedores, imprensa,
governo, clientes, concorrentes, escolas e academias e
clubes de serviços e organizações sociais; 6)definir os
públicos estratégicos da organização e caracterizar a
segmentação feita de acordo com as técnicas de Relações
Públicas para a definição das relações com funcionários,
também chamada de comunicação interna; acionistas;
fornecedores; comunidade; imprensa; clientes; governo;
entidades de classes, associações e organizações nãogovernamentais;
entidades
do
Terceiro
Setor
e
benemerentes e com qualquer outro tipo de público que seja
caracterizado por interesse em comum em relação à
organização; 7)pesquisar, formalizar, promover, orientar e
divulgar para os públicos estratégicos a aplicação do Código
de Conduta Ética e do Código de Valores da organização;
8)conceber, criar, planejar, implantar e avaliar eventos e
encontros institucionais que tenham caráter informativo para
construir e manter imagem; 9) desenvolver, implementar,
montar, coordenar, dirigir, executar e avaliar serviço de
relações governamentais executar e coordenar atividades
de Relações Governamentais lobby e cerimonial.

Optamos por apresentar esta citação por considerar que é o
documento que melhor definiu as funções e atividades profissionais e que está
sendo tomado como referência em discussões no campo das RP’s.
Outra matriz norteadora da formação do profissional de RP são as
Diretrizes Curriculares para os Cursos de Graduação, aprovadas em 2001. O

119

documento estabelece diretrizes para os cursos de Filosofia, História, Geografia,
Serviço Social, Comunicação Social, Ciências Sociais, Letras, Biblioteconomia,
Arquivologia e Museologia. Na sessão “Diretrizes Curriculares para a área de
Comunicação Social e suas Habilitações”, no item “introdução” aponta como
objetivos:
a) flexibilizar a estruturação dos cursos, tanto
para
atender a variedades de circunstâncias geográficas, políticosociais e acadêmicas, como para ajustar-se ao dinamismo
da área, e para viabilizar o surgimento de propostas
pedagógicas inovadoras e eficientes; b) estabelecer
orientações para a obtenção de padrão de qualidade na
formação oferecida.

O documento se apresenta como “um padrão básico de referência para
todas as instituições que mantenham Cursos de Graduação em Comunicação com
habilitações em Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Cinema,
Radialismo,

Editoração,

ou

outras

habilitações

pertinentes

ao

campo

da

Comunicação que venham a ser criadas.” Estabelece o perfil comum do egresso em
Comunicação Social, que se caracterizaria por:

1. sua capacidade de criação, produção, distribuição,
recepção, e análise crítica referentes às mídias, às práticas
profissionais e sociais relacionadas com estas, e a suas
inserções culturais, políticas e econômicas; 2. sua
habilidade em refletir a variedade e mutabilidade de
demandas sociais e profissionais na área, adequando-se à
complexidade e velocidade do mundo contemporâneo; 3.
sua visão integradora e horizontalizada - genérica e ao
mesmo tempo especializada de seu campo de trabalho
possibilitando o entendimento da dinâmica das diversas
modalidades comunicacionais e das suas relações com os
processos sociais que as originam e que destas decorrem.4.
utilizar criticamente o instrumental teórico-prático oferecido
em seu curso, sendo portanto competente para posicionarse de um ponto de vista ético-político sobre o exercício do
poder na comunicação, sobre os constrangimentos a que a
comunicação pode ser submetida, sobre as repercussões
sociais que enseja e ainda sobre as necessidades da
sociedade contemporânea em relação à comunicação
social.

120

Já no item “Perfis Específicos” assegura a manutenção da referência
básica às habilitações historicamente estabelecidas: jornalismo, relações públicas,
publicidade e propaganda, radialismo, editoração, e cinema, e prevê a criação de
ênfases específicas em cada uma dessas áreas, bem como a criação de outras
habilitações pertinentes ao campo da Comunicação.
Vale lançar atenção para o item “Perfis Específicos por Habilitação”
que estabelece que o perfil do egresso em Relações Públicas se caracteriza:
1. pela administração do relacionamento das organizações
com seus diversos públicos, tanto externos como internos;
2. pela elaboração de diagnósticos, prognósticos,
estratégias e políticas voltadas para o aperfeiçoamento das
relações entre instituições, grupos humanos organizados,
setores de atividades públicas ou privadas, e a sociedade
em geral; 3. pelo exercício de interlocução entre as funções
típicas de relações públicas e as demais funções
profissionais ou empresariais existentes na área da
Comunicação.

Outro item organizado em dois níveis, um geral e os específicos, é o
que o documento intitula de “Competências e Habilidades”. Embora não esclareça o
que seriam competências e habilidades, as Diretrizes concebem como competências
e habilidades gerais (dos profissionais de comunicação) as seguintes:
1. assimilar criticamente conceitos que permitam a
apreensão de teorias; 2. usar tais conceitos e teorias em
análises críticas da realidade; 3. posicionar-se de modo
ético-político; 4. dominar as linguagens habitualmente
usadas nos processos de comunicação, nas dimensões de
criação, de produção, de interpretação e da técnica; 5.
experimentar e inovar no uso destas linguagens; 6. refletir
criticamente sobre as práticas profissionais no campo da
Comunicação; 7. ter competência no uso da língua nacional
para escrita e interpretação de textos gerais e
especializados na área.

Como competências e habilidades específicas da habilitação em
Relações Públicas aparecem:

121

- desenvolver pesquisas e auditorias de opinião e imagem;
realizar diagnósticos com base em pesquisas e auditorias
de opinião e imagem; elaborar planejamentos estratégicos
de comunicação institucional; estabelecer programas de
comunicação estratégica para criação e manutenção do
relacionamento das instituições com seus públicos de
interesse; coordenar o desenvolvimento de materiais de
comunicação, em diferentes meios e suportes, voltados
para a realização dos objetivos estratégicos do exercício da
função de Relações Públicas; dominar
as
linguagens
verbais e audiovisuais para seu uso efetivo a serviço dos
programas de comunicação que desenvolve; identificar a
responsabilidade social da profissão, mantendo os
compromissos éticos estabelecidos; assimilar criticamente
conceitos que permitam a compreensão das práticas e
teorias referentes às estratégias e processos de Relações
Públicas.

As diretrizes ainda orientam, no item “Conteúdos Curriculares, como
deve ser organizada a formação, diferenciando os conteúdos em Básicos e
Específicos. Aqueles “envolveriam tanto conhecimentos teóricos como práticos,
reflexões e

aplicações relacionadas ao campo da Comunicação e à área

configurada pela habilitação específica”. Estariam assim categorizados: “conteúdos
teórico-conceituais; conteúdos analíticos e informativos sobre a atualidade;
conteúdos de linguagens, técnicas e tecnologias midiáticas, conteúdos éticopolíticos”.
Já os conteúdos específicos, segundo as Diretrizes, seriam os
conhecimentos que “cada instituição, livremente, deve eleger para organizar seu
currículo pleno, tendo como referência os objetivos e os perfis comum e específicos
anteriormente definidos”. Seriam definidos pelo Colegiado de cada Curso e
contemplariam os recortes do campo geral da Comunicação correspondendo a cada
habilitação.

122

O documento faz menção aos estágios e atividades complementares 57
como “mecanismos de interação com o mundo do trabalho, assim como o confronto
com possibilidades metodológicas visando a promoção de uma formação complexa”.
Prevê como atividades complementares:
Programas especiais de capacitação do estudante (tipo
CAPES/PET); atividades de monitoria; outras atividades
laboratoriais além das já previstas no padrão turma/horasaula; atividades de extensão; atividades de pesquisa etc.

Sobre como devem ser concebidas estas atividades o documento
sugere o acompanhamento da dedicação do aluno, a partir da adoção de um
sistema de creditação de horas “baseada em decisões específicas para cada caso,
projeto ou atividade específica, e em função do trabalho desenvolvido”, na “ênfase
em procedimentos de orientação e/ou supervisão pelo docente” e que estimule a
“ampliação da autonomia do estudante para organizar seus horários, objetivos e
direcionamento”.
O documento faz referência ainda a estrutura do curso, considerando
os sistemas de crédito, seriado e ainda a organização modular, que devem garantir
“uma seqüência equilibrada de conteúdos curriculares e acompanhamento
planejado da formação” e “a flexibilidade de caminhos alternativos”.
Para finalizar, menciona a avaliação como processo periódico, que se
realiza em articulação com o Projeto Acadêmico do curso sob três ângulos:
a) pertinência da
estrutura do Curso, observando o
fundamento de suas propostas e a adequação dos meios
postos em ação para realizá-las; b) aplicação dos critérios
definidos pelo colegiado de curso, para a sua avaliação; c)
mecanismos de acompanhamento e avaliação externa e
interna do próprio curso.
57

O número máximo de horas dedicadas a este tipo de atividades não pode ultrapassar 20% do total do curso,
não incluídas nesta porcentagem de 20% as horas dedicadas ao Trabalho de Conclusão de Curso (ou Projetos
Experimentais).

123

Estes documentos mencionados – a legislação que regulamenta o
exercício profissional de RP (principalmente a Lei nº 5.377 de 1697 e o Decreto nº
63.283 de 1968), a Resolução Normativa 43 de 2002 do CONFERP, as Diretrizes
Curriculares devem nortear discussões sobre a formação e o currículo de Pelações
Públicas.
Mas uma nova configuração se apresenta para o futuro. As intenções
de mudança na Lei, que desde o Parlamento Nacional de Relações Públicas
(década

de

90)

circulavam

nas

entidades

da

categoria,

finalmente

são

consubstanciadas em um projeto apresentado pelo Senador Marco Maciel. O Projeto
de Lei do Senado nº 324 de 2005 intenciona regulamentar o exercício da profissão
de Relações Públicas, revogando a Lei nº 5.377, de 11 de dezembro de 1967.
Em seu conteúdo o documento atualiza as atividades e funções dos
profissionais de RP e apresenta novas condições para a designação do profissional
da área dentre as quais está:
[...] c) dos que possuírem diploma de bacharel, em qualquer
área do conhecimento, e forem aprovados em curso de pósgraduação, lato ou strictu sensu, em Relações Públicas,
ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo;

E apresenta o Parágrafo Único estabelecendo que:
Os programas de pós-graduação de que trata a alínea c
deverão obedecer a critérios e procedimentos para
enquadramento no campo das Relações Públicas, em
termos de grade curricular, no caso de programas de lato
sensu, e em termos de fundamentação teórico-conceitual e
do objeto de pesquisa, no que se refere aos programas
strictu sensu [...]

Estamos prestes a ter a situação onde o curso superior de graduação
não será a única condição para o exercício profissional. Neste sentido, podemos
arriscar mais, experimentar e encontrar uma configuração mais adequada para a
formação em nível de graduação. Poderemos prever também a proliferação de

124

cursos de pós-graduação na área, principalmente os latu sensu, pois requerem
condições menos complexas em relação aos cursos de Mestrado e Doutorado. É
possível que estes cursos se desenvolvam nas escolas de Comunicação e ainda de
Administração, e que tenham uma demanda considerável, devido ao tempo de oferta
do curso, que gira em torno de 15 a 20 meses58 e que credenciará ao exercício de
um profissão.
O documento estabelece ainda o exame de qualificação profissional e
a expedição e controle da carteira de estágio em relações públicas para os
bacharelandos matriculados a partir do 3º período, a serem operacionalizados pelo
Sistema CONFERP. Define tipificações de especialidades a serem exercidas pelos
possuidores do Registro Profissional Específico, a saber: funções de relacionamento
com a imprensa e assessoria de imprensa, cerimonial, organização de eventos,
pesquisa de opinião pública e relações governamentais.
Estes são, a nosso ver, importantes norteadores de discussões sobre a
formação do profissional de Relações Públicas. Não se pode desconsiderar um
currículo que está às vésperas de completar 10 anos. É preciso refletir sobre os
conhecimentos que foram inseridos e aqueles que ficaram de fora da proposta de
1996.
Para a configuração de um currículo novo, temos que levar em conta
que a flexibilização aparece tanto nas Diretrizes Curriculares quanto no que se
apresenta como futuro da profissão de Relações Públicas. Resgatar as origens da
atividade e ao mesmo tempo enxergar novas possibilidades, com olhares atentos
para a realidade local, poderão ser preciosos elementos para a educação neste
campo.

58

Que deve perfazer um total de 360 horas.

125

CONCLUSÃO

Adotando uma perspectiva de currículo que considera experiências
educacionais das mais diversificadas, e de avaliação, como a produção de
informações que transitam entre a dimensão objetiva e subjetiva buscamos levantar
questões e trazer fatos para a qualificação da discussão sobre a formação em
Relações Públicas na Universidade Federal de Alagoas.
As informações que trouxemos revelam aspectos da história das
relações públicas alagoanas que indicam ter seguido a tendência nacional de
assimilação pelo espaço acadêmico. O caminho da prática profissional, da
organização corporativa e da absorção pela Universidade foi verificado em todo o
País e Alagoas confirma essa trajetória. Nesse Estado, a Associação Brasileira de
Relações Públicas cumpriu papel fundamental como espaço político e educativo.
Também foi protagonista, juntamente com o Sindicato dos Jornalistas dos esforços
para a instalação do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de
Alagoas.
Do ano de 1979 aos dias atuais, 26 anos se passaram e mais de 400
sujeitos foram submetidos à formação em Comunicação Social com habilitação em
Relações Públicas. Neste intervalo, os dados indicam uma melhora substancial da
qualificação do corpo docente do Curso, uma evolução conturbada da estrutura
física e tecnológica e a constituição de um tímido acervo bibliográfico no campo das
relações públicas e comunicação organizacional.
Percebemos também que a UFAL dispõe de informações valiosas para
o conhecimento sobre o processo de formação. O perfil do aluno de RP – a maioria
mulheres, da classe média baixa e média média, com idade em torno dos 18 anos,

126

solteiras, provenientes de rede privada de ensino, e que escolheram a carreira por
adequação às aptidões – pode nos oferecer pistas do “que”, do “como” e do “porque”
deve ser ensinado, pois teremos subsídios do “para quem”.
Como nos escapa, nesta ocasião, um instrumento que acompanhe o
processo de educação dos sujeitos do primeiro ao quarto ano do curso,
consideramos a produção dos alunos consubstanciada no Trabalho de Conclusão
de Curso para tentar perceber quais conhecimentos os alunos têm manipulado. Foi
revelado que os conhecimentos de planejamento, pesquisa e marketing aparecem
com maior incidência nos trabalhos finais.
Para esses aspectos, que poderemos chamar de currículo, devem
convergir às representações dos sujeitos sobre as dimensões fundamentais do
Curso. A pesquisa empreendida com os alunos formandos de 2004 revela uma
insatisfação em relação à Instituição de Ensino, traduzida na avaliação dos itens
instalações, tecnologia, projeto pedagógico, professores, administração e acervo
bibliográfico. Dessas categorias, somente o corpo docente teve avaliação positiva na
opinião dos alunos.
Os alunos participam pouco de atividades diferentes do padrão
turma/sala de aula, sendo o estágio a que mais tem movimentado os alunos, embora
não esteja contemplada no projeto de 1996. Atividades de extensão, pesquisa e
monitoria ainda são insipientes no Curso e ainda mais na habilitação em RP, o que
pode ser sintoma tanto de um processo de exclusão conjuntural como da timidez
institucional em desencadear tais processos.
A própria área da comunicação organizacional e de Relações Públicas
parece, em Alagoas, ter perdido espaço dentro e fora da academia. Quando os

127

estudantes revelaram ter participado de 3 a 6 eventos durante todo o curso,
confirmam essa tendência da área.
O espaço da prestação de serviços parece chamar atenção dos
formandos, mas 53% deles assume o não envolvimento do TCC com um fenômeno
ocorrente no mundo do trabalho e 50 % reconhece não ter possuído nenhuma
experiência no mercado de trabalho em RP durante a formação.
Aspecto importante foi o fato de a maioria ter respondido não saber
quando perguntados sobre os aspectos da habilitação que foram mais ofertados
durante o Curso e uma fração considerável – 21% revelou não ter idéia de temas de
cursos ou palestras que gostariam que fosse oferecidos pela Universidade ou
entidades de classe.
Já os docentes reconhecem as dificuldades do Curso e parecem estar
dispostos para um redimensionamento do currículo. Trabalharam subsidiados por
estruturas fixas estabelecidas pelos currículos mínimos e agora encaram o desafio
de com base nas diretrizes curriculares, conceber um novo formato para a formação
em Relações Públicas.
O último projeto pedagógico, o de 1996, parece não ter sido
completamente

implementado,

e

como

percebemos,

apresenta

sinais

de

transformação, principalmente nas disciplinas do tronco comum do campo da
comunicação e de outras áreas. As disciplinas da parte profissionalizante mudaram
pouco ou quase nada.
Todas as disciplinas precisam ser discutidas, preferencialmente com
profissionais dos diferentes campos do saber. Na verdade, o próprio formato de
disciplinas precisa ser repensado, pois não mais se configura como a única opção
de organização de uma formação. A partir do retorno ao sistema de créditos

128

poderemos prever que a mudança na estrutura curricular vai ser inevitável e
potencialmente positiva. Como vimos, a organização curricular pautada em
laboratórios não obteve o êxito esperado.
Se as discussões sobre o currículo se concentrarem menos nos nomes
das disciplinas e as atenções se voltarem para os conteúdos que precisam estar
presentes na formação de um profissional de RP num país de terceiro mundo, na
região Nordeste, no estado de Alagoas, teremos motivos para vislumbrar uma nova
situação profissional e educacional.
No campo das Relações Públicas temos que estar atentos sobre como
evoluíram estas atividades e como se apresentam contemporaneamente, para então
elevar o nível de uma formação nesse campo. A Universidade terá que protagonizar
este processo, mas outros atores também terão que entrar em cena. As entidades
de classe – Os Conselhos Federal e o Regional e a Associação Brasileira de
Relações Públicas – devem ser convocados a participar da reformulação curricular.
Ampliando essa perspectiva de construção coletiva de currículo, o mais
legítimo seria a participação de representantes dos setores público e privado, de
organizações de diversas naturezas e funções, das empresas de comunicação e dos
trabalhadores relações públicas.
A legislação que regulamenta as atividades de RP no Brasil, e as
normatizações desenvolvidas pelos órgãos de classe, somados a uma sensibilidade
sobre os processos econômicos no Estado e no Brasil, serão sem sombra de
dúvidas elementos indispensáveis para o desenvolvimento de um currículo novo.
Acrescente-se a estes subsídios as Diretrizes Curriculares Nacionais,
de 2001, os documentos para fins de autorização e reconhecimento de cursos de
graduação e o Projeto de Lei do Senado nº 324, de 2005, que pretende revogar a

129

Lei nº 5.377, de 1967. O que de mais sério se apresenta neste documento é a
intenção de reformular as condições do exercício da profissão, que exigiria não mais
somente o diploma de graduação, mas a comprovação de curso de pós-graduação
na área, e a possibilidade do registro profissional específico nas funções de
relacionamento com a imprensa e assessoria de imprensa, cerimonial, organização
de eventos, pesquisa de opinião pública e relações governamentais.
A comunicação organizacional é um campo em ascensão no mundo
todo. A tendência de atrofia da habilitação em RP, do Curso de Comunicação Social
da UFAL, não corresponde a este movimento. Estando atentos para o passado e
para as tendências da profissão poderemos nos antecipar às novas configurações
do mundo do trabalho e poderemos ser novamente protagonistas do processo
histórico.
Reconhecemos que as categorias apresentadas neste trabalho são
possibilidades

de

olhares

sobre

o

objeto

selecionado.

Ramificações,

complementações e acréscimos estão previstos. As limitações deste trabalho
oferecem perspectivas para trabalhos futuros, principalmente no campo do que
acontece em sala de aula, ou mesmo no acompanhamento das experiências do
sujeito em formação, privilegiando fenômenos pedagógicos.
Não seria impertinente agregarmos a estes conhecimentos a
configuração das possibilidades econômicas do exercício da profissão. Caracterizar
um mapa dos campos de atuação do profissional de relações públicas no Estado
poderia alimentar o trabalho acadêmico, o currículo e a formação. O que buscamos,
em essência, é o sincronismo entre o espaço acadêmico com as outras dimensões
da sociedade, por acreditar, ainda, na Universidade, como espaço para a produção

130

e disseminação do conhecimento e na profissão de Relações Públicas, como a
atividade legítima de condução dos processos comunicativos em nossa sociedade.

131

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ALAGOAS. Ata de Reunião Ordinária da Associação Brasileira de
Relações Públicas seccional Alagoas. Maceió, 18 de outubro de 1974.

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ALAGOAS. Ata de Reunião Ordinária da Associação Brasileira de
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do

relações

públicas

em

formação:

caso

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Universidades

na

penumbra:

neoliberalismo

e

reestruturação

universitária. São Paulo: Cortez, 2001

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Acadêmicos/Universidade Federal de Alagoas.

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Gabinete

–

(1983

2004).

Departamento

de

Assuntos

Acadêmicos/Universidade Federal de Alagoas.

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FEDERAL

DE

ALAGOAS.

Edital

Nº

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Coordenadoria Permanente do Vestibular - COPEVE/ UFAL: Maceió, 2002.

66. UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Ofício Nº 284/88. Reitoria/
UFAL: Maceió, 21 de abril de 1988.

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de Comunicação Social/UFAL: Maceió, 12 de abril de 1998.

68. UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Perfil sócio-econômico dos
alunos

ingressos

na

UFAL

em

2001.

Pró-Reitoria

Planejamento/Universidade Federal de Alagoas: Maceió, 2001.

de

139

69. UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Perfil sócio-econômico dos
alunos

ingressos

na

UFAL

em

2002.

Pró-Reitoria

de

Planejamento/Universidade Federal de Alagoas: Maceió, 2002.

70. UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Perfil sócio-econômico dos
alunos

ingressos

na

UFAL

em

2003.

Pró-Reitoria

de

Planejamento/Universidade Federal de Alagoas: Maceió, 2003.

71. UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Projeto de reestruturação do
Currículo Seriado do Curso de Comunicação Social – UFAL. Maceió,
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141

APÊNDICE

APÊNDICE A – QUADROS DEMONSTRATIVOS DA PESQUISA COM OS
TRABALHOS DE CONCLUSÃO DE CURSO

APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS CONCLUINTES EM
RELAÇÕES PÚBLICAS 2004

APÊNDICE C – TABELAS DEMONSTRATIVAS DOS RESULTADOS DA
APLICAÇÃO DOS QUESTIONÁRIOS

APÊNDICE D – ROTEIRO DE ENTREVISTA DIRIGIDO AOS PROFESSORES

APÊNDICE E – GRADE CURRICULAR DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL,
HABILITAÇÃO EM RELAÇÕES PÚBLICAS DA UFAL

APÊNDICE A – QUADROS DEMONSTRATIVOS DA PESQUISA COM OS TRABALHOS DE CONCLUSÃO
DE CURSO
ANO 1985
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Valorização do Profissional de Relações Públicas.

Individ.

Dupla

Trio

Quart

Incremento da participação na Associação dos Moradores de Amigos da Jatiúca.
TOTAL DE TCCs: 2
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCS DE 1985, NUM TOTAL DE 2 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
1

M

N

O

ANO 1986
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Campanha de esclarecimento aos dirigentes de instituições privadas de Maceió, com mais de 200
funcionários, sobre Relações Públicas.
Proposta de reestruturação do setor de comunicação social no INAMPS/AL
TOTAL DE TCCs: 2
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCS DE 1986, NUM TOTAL DE 2 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
2
1

M

N

P

Q

Individ.

O

P

ANO 1987
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Planejamento de uma Assessoria de Relações Públicas para a Prefeitura Municipal de Maceió

Q

Individ.

R

S

Dupla

R

T

Trio

S

Dupla

U

V
1

Quart

T

Trio

U

V

Quart

Relações Públicas numa empresa de extensão rural
Projeto Experimental Aeroturismo
Campanha de Relações Públicas no Centro de Hemoterapia e Hematologia de Alagoas –HEMOAL
Relações Públicas: Um conceito desviante
TOTAL DE TCCs 5
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCS DE 1987, NUM TOTAL DE 5 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
1
3
2

M
1

N

O

ANO 1988
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Alternativas de Mudanças – rádio AM/ FM
A implantação de uma assessoria de Relações Públicas em uma empresa de captação de poupança e
financiamento imobiliários
Turismo e Relações Públicas: Reflexões sobre Alagoas
Projeto: Presença do Relações Públicas no Governo do Estado de Alagoas
Implantação de uma assessoria de Relações Públicas na empresa Socôco S/A – Industrias Alimentícias
Projeto: Relações Públicas no contexto bancário
TOTAL DE TCCs: 6

P

Q

Individ.

R

Dupla

S

T

Trio

U

Quart

V

Nº de Pág
105

Área (s)
A

50
média 77

V

W

X

Z

Nº de Pág
60

Área (s)
B

62
média 61

B/C

W

X

Z

Nº de Pág
62

Área (s)
B/L

40
60
65
média 57

L
B
B/M
A

W

X

Z

Nº de Pág
40

Área (s)
D

60

B/C

70
84
30
48

X
B/L
B/C
B

média 55

OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCS DE 1988, NUM TOTAL DE 6 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
4
1
1
1

M

N

O

P

ANO 1989
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Projeto: Plantão Agropecuário: Uma proposta de melhoria das Relações Públicas na Secretaria de
Agricultura de Alagoas.
Campanha de preservação dos orelhões “não deixe a violência destruir amizades, cuide bem dos
orelhões”
ABRP-AL/UFAL: Uma proposta de integração em prol das Relações Públicas em Alagoas
TOTAL DE TCCs: 3
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCS DE 1989, NUM TOTAL DE 3 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
3
1

M
1

N

Q

Individ.

O

P

ANO 1990
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Reserva Florestal do IBAMA: Uma opção de Lazer

Q

Individ.

R

S

Dupla

R

T

Trio

S

Dupla

U

V

Quart

T

Trio

U
1

V

Quart

Análise da Comunicação organizacional da Casal mediante uma perspectiva das Relações Públicas
TOTAL DE TCCs: 2
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 1990, NUM TOTAL DE 2 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
1
1
1

M

N

O

P

ANO 1991
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
A Comunicação Social na média e pequena empresa

Q

Individ.

R

S

Dupla

T

Trio

U

V

Quart

O policial militar perante a comunidade alagoana
Implantação de uma assessoria de Relações Públicas na Secretaria de Comunicação Social do Estado
de Alagoas
TOTAL DE TCCs: 3
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 1991, NUM TOTAL DE 3 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
1
2
2
1

M

N

O

ANO 1992
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Implementação de um setor de Relações Públicas no Maceió Mar Hotel
Projeto experimental em Relações Públicas, consultoria de Relações Públicas ao Lar São Domingos
Projeto: Sugestões teóricas para a implantação de um planejamento de Relações Públicas no Instituto
Penal São Leonardo
Relações Públicas aplicada ao turismo: uma proposta para a EMATUR
TOTAL DE TCCs: 4

W

X
1

Z

Nº de Pág
66

Área (s)
B/L

30

B/M

123
média 73

B/U

W

X

Z

Nº de Pág
40

Área (s)
B/X

40
média 40

A/L

W

X
1

Z

Nº de Pág
40

Área (s)
B/C

120

A/B
C/L

média 80

P

Q

Individ.

R

Dupla

S

T

Trio

U

Quart

V

W

X

Z

Nº de Pág
127

Área (s)
B/X

100
140

B/C
B

84
média 112

B/X

OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 1992, NUM TOTAL DE 4 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
4
1

M

N

O

P

ANO 1993
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Relações Públicas: a busca de um canal democrático de ouvidoria pública

Q

Individ.

R

S

Dupla

T

Trio

U

V

Quart

Uma entidade a serviço da formação profissional em Alagoas
Organização, Execução e Avaliação do Encontro Nacional dos colaboradores do RENAC do Banco do
Brasil S. A
A comunicação visual como instrumento das Relações Públicas
Uma contribuição para o atendimento aos públicos no Banco Econômico
A qualidade dos press-releases em Maceió
Relações Públicas no exército brasileiro 59º BIMTz
Assessoria de Relações Públicas no escritório jurídico tributário pacífico advogado: uma experiência
prática
TOTAL DE TCCs: 8
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 1993, NUM TOTAL DE 8 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
1
2
1
1
1
2

M

N
1

O
1

P
1

Q

Individ.

R

S

Dupla

T

Trio

U

V
1

Quart

Assessoria de Relações Públicas numa organização filantrópica: relato de experiência e proposta de
implantação
Política de comunicação na área hospitalar: uma proposta para a Santa Casa de Misericórdia de Maceió
Relações Públicas e Terceirização : serviços de consultoria junto a micro e pequenas empresas
maceioenses
Relações Públicas aplicada ao turismo: uma proposta para a Transamérica Turismo
Proposta de reestruturação do processo de comunicação no espaço cultural Telasa
O profissional de Relações Públicas no atendimento ao consumidor no PECDH: o caso Procomum
O papel dos Relações Públicas na implantação dos programas de Qualidade Total
Proposta de implantação de uma assessoria de Relações Públicas na Delegacia Regional do Trabalho –
DRT/ AL
TOTAL DE TCCs: 9

M

N

O
2

ANO 1995
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Elaboração de uma campanha de Relações Públicas no NAV: Núcleo de Amor a Vida
Participação do profissional de Relações Públicas na política da Casal: uma experiência no setor de
atendimento ao usuário SEATU
Proposta de implantação da comunicação visual intramuros da Universidade Federal de Alagoas
As novas tecnologias de comunicação e o futuro das Relações Públicas: uma visão da informática
aplicada na comunicação organizacional
Proposta de incrementação e viabilização da política de comunicação do Hospital da Criança e da Mulher
Frei Fabiano

X
2

Z

Nº de Pág
250

Área (s)
L/P

56

B/V
H

80
52
50
48

W
B/O
A/F
N/L
C

média 89

ANO 1994
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Estudo de viabilidade implantação de uma consultoria de Relações Públicas em Maceió

OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 1994, NUM TOTAL DE 9 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
1
7
4

W

W
1

X

Z

Nº de Pág
69

Área (s)
B/C

90

B/C

56
50

B
B/C

35
30
62
32
50

B/X
B
A/O
S/O
B/C

média 52

P

Q

Individ.

R

Dupla

S
1

T

Trio

U

Quart

V

W

X
1

Z

Nº de Pág
123

Área (s)
M/B

35

N/O

70
56

W
Z

77

B

A comunicação falada e escrita : molas propulsoras das Relações Públicas
TOTAL DE TCCs: 6
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 2004, NUM TOTAL DE 6 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
1
2
1
1

E/F

135
média 82

M
1

N
1

O
1

P

Q

R

S

T

U

V

W
1

X

Z
1

ANO 1996 – Nenhum registro
ANO 1997
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Marketing de rede: Persuasão e Realidade Social

Individ.

Dupla

Trio

Quart

Relações Públicas do consumidor e Cidadania: um estudo exploratório no Shopping Iguatemi em Maceió
- Alagoas
Comunicação na Universidade: Relações Públicas para melhorar a integração da sociedade
Igreja católica no rádio em Maceió: uma análise de sua mensagem
A comunicação dirigida a serviço de uma instituição religiosa: estudo de caso
Relações Públicas na prestação de serviços e fluxos comunicacionais em empresas de informática: uma
análise sobre o setor de Relações Públicas da INFOTEC-Al
Estudos direcionados da Relações Públicas sobre o evento Maceió Fest como fomento das atividades
turísticas
TOTAL DE TCCs: 6
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 1997, NUM TOTAL DE 6 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
2
1
1
1

M

N

O
2

M

N

ANO 1999
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Projeto de implantação do proextenção boletim informativo da pró-reitoria de extensão Ufal
A comunicação no processo de revitalização teatral em Alagoas: Estratégias na mídia impressa
A comunicação mercadológico aplicada as instituições hospitalares Públicas e filantrópicas
As funções do profissional de Relações Públicas na comunicação empresarial
O novo perfil do comunicador no processo de revolução empresarial

O
1

Área (s)
O

55

B/O

58
58
36
44

V
V/D
E
A/Z

64

A/X

média 68

P

ANO 1998
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Jaraguá: uma herança presente: o profissional de Relações Públicas como incentivador da revitalização
do patrimônio histórico do bairro de Jaraguá
Planejamento de eventos: Qualidade Total: Papel preponderante do Relações Públicas
Relações Públicas e compromisso social: a prática das Relações Públicas
Movimento dos Trabalhadores sem – teto – Al – Vídeo documentário: um retrato de um povo
Relações Públicas e Marketing de relacionamento: um estudo de caso num grupo empresarial
Assessoria de Relações Públicas no Colégio Batista Alagoano
Proposta de um manual básico para a orientação do profissional de Relações Públicas na organização de
eventos
Preservação e Divulgação do Turismo em Alagoas
TOTAL DE TCCs: 8
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 1998, NUM TOTAL DE 8 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
2
4
1
1
1
1

Nº de Pág
130

Q

Individ.

P

Q

Individ.

R

S

Dupla

R

Dupla

T

Trio

S

V
2

Quart

T

Trio

U

U

Quart

V
2

W

X
1

Z
1

Nº de Pág
40

Área (s)
B/V

90
55
33
60
170
61

B/H
B/V
A/G
A/O
C
B/F

56
média 70

X

W

X
1

Z

Nº de Pág
27

Área (s)
B/F

39
48
84
74

B/F
A/O
A/S
A/S

Estudo das infaces: Marketing x Relações Públicas no campo do Endomarketing
Comunicação no poder público local: diagnóstico de situação na Prefeitura de Maceió- Alagoas
A comunicação de pacientes psiquiátricos do Hospital Portugal Ramalho
Estudo sobre a marca de Maceió
TOTAL DE TCCs: 9
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 1999, NUM TOTAL DE 9 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
6
2
2
1

M

N

O
2

P

ANO 2000
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Voluntariado acadêmico: um olhar de Relações Públicas

Q

Individ.

R

S
2

Dupla

T

Trio

U

V

Quart

Comunicação e Relações Públicas na Pastoral da Criança em Alagoas
Vida e Obra de Eduardo Pinheiro Lobo: Pioneirismo em Relações Públicas no Brasil
Relações Públicas e educação ambiental: intervenções num projeto para o vale do riacho Jacarecica
Relações Públicas e cultura organizacional: um fator humano nas empresas
Formas de Comunicação entre a equipe Multidisciplinar do Núcleo de Saúde da Família e a
comunicação do Alto e Grota da Alegria
Comunicação especial: a Língua Brasileira de sinais vista sob a abordagem da semiótica
Análise da comunicação institucional no turismo do estado de Alagoas
Projeto Assessoria de imprensa para o tribunal eleitoral de Alagoas
MST: a imagem que a mídia não vê: vídeo documentário
TOTAL DE TCCs: 10
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 2000, NUM TOTAL DE 10 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
5
2
1
1
1

M

N
1

O

P

ANO 2001
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
A criação do primeiro manual de Relações Públicas
Padre Marcelo Rossi: o sacerdócio como fenômeno Midiático
Home page: uma gênese virtual
Relações Públicas versus Marketing, além das interfaces
Ele ou Ela Uma abordagem sobre a questão de gênero na moda
A política de comunicação do grupo gay de Alagoas e as eleições de 2000
Transmarketing: uma nova visão em Relações Públicas
A importância do profissional de Relações Públicas em defesa do consumidor e criação de uma
assessoria de relações públicas no PROCON
TOTAL DE TCCs: 8
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 2001, NUM TOTAL DE 8 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
3
1
1
1
1

M

N
1

ANO 2002
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
A comunicação por um fio: análise do Telemarketing sob a ótica das Relações Públicas
Relações Públicas no interior alagoano a experiência pioneira de Água Branca
Serviços e públicos das academias de ginástica de Maceió
“ A vida que doa vida” um plano de comunicação para continuar vivendo

O
A/L
A
A/W

105
34
84
48
média 63

Q

Individ.

R

S

Dupla

T

Trio

U
1

V
5

Quart

W
1

X

Z

Nº de Pág
35

Área (s)
A/V

23
37
35
37
40

A/B
U
B/V
N/S
A/V

42
61
42
30
média 38

A/V
A/X
C/L
D/V

W
1

X

Nº de Pág
23
91
107
34
53
54
41
64

Z

Área (s)
B/F
A/D
Z
O
A
A/N
O
C/P

média 60

O
1

P
1

Q

Individ.

R

Dupla

S

T

Trio

U

Quart

V

W

Nº de Pág
52
49
61
139

X

Z
1

Área (s)
O
U
A
B

A Internet como ferramenta de comunicação no serviço público
A comunicação para o direito do consumidor: proposta de implantação de um setor de comunicação
social no PROCON - Alagoas
A comunicação institucional nas organizações do terceiro setor: a experiência da Associação dos
Deficientes Físicos de Alagoas - ADEFAL
A retomada da Igreja Católica, no Brasil, através da televisão
“ Potenciais e dificuldades da atividade turística em Alagoas”
Implantação de uma emissora de rádio comunitário no Centro de Assistência Social da Palestina José
Nogueira de Melo
O enfoque sistêmico como solução para integrar os processos organizacionais
O Relações Públicas como profissional da cidadania
TOTAL DE TCCs: 12
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 2002, NUM TOTAL DE 12 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
1
3
1
1
2

M

N

O
1

P
1

ANO 2003
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Comunicação social na doutrina espírita: Planejando a comunicação do grupo espírita Antônio de Padua (
GEAP )
Troca: A realização do desejo
Plano de comunicação: projeto Alagoas presente
Relações Públicas, Gestão de pessoas e Endomarketing: uma leitura contemporânea
Comunicação e Responsabilidade Social Empresarial Case: Cipesa Engenharia S.A
Formas expressivas da contemporaneidade no ciberespaço: análise do projeto multireferencial
Endomarketing: uma estratégia de Relações Públicas para a organização
Crise: como sua prevenção pode trazer benefícios a empresa sob ótica de Relações Públicas
Fidelizando o cliente através do CRM- Central de Relacionamento de Marketing: demonstrando essa
política na gestão da TIM Nordeste
“Comunicação e satisfação do cliente interno case: Hospital UNIMED Maceió- Al”
Gestualidade no cerimonial e protocolo: subsídio para uma pesquisa aplicada
A importância das Relações Públicas no Marketing Político: Estudo de Caso com os candidatos ao
Governo do Estado de Alagoas -2002
Comunicação interna como fator estratégico na administração da empresa
As Relações Públicas como atividade de apoio ao Marketing
Relações Publicas e a comunicação nas ONGs em Maceió
Pequena história do autdoor, com noções essenciais de produção e utilização
As pesquisas de opinião: uma proposta para a formação do profissional de Relações Públicas
TOTAL DE TCCs: 17
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 2003, NUM TOTAL DE 17 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
4
4
1
1
1

M

N
3

O
7

Q

Individ.

P

Q

R

S
1

Dupla

R

T
1

Trio

S
2

U

V

Quart

T

U

V
3

29
38

Z/L
B/P

42

F/J

67
49
29

D
X
J

72
70
média 57

S
B

W

X
1

Z
1

Nº de Pág
58

Área (s)
B

60
36
36
37
65
31
50
52

B/O
B/V
O/S
N/V
A/Z
O
B/N
O

37
54
55

N/O
A/H
O/I

55
67
42
59
36
média 45

S
O
V
A/D
A

W

X

Z
1

ANO 2004
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Assessoria de comunicação para o mercado alagoano. Case : BCCOM comunicação

Nº de Pág
35

Área (s)
A/C

Uma proposta de Relações Públicas interna do Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas
Liderança: sob a ótica da comunicação
Propaganda Nazista
Comunicação e Marketing individualizado no setor da moda: uma proposta de catalogo online

36
40
51
121

B/L
S/N
M
O/F

Requalificação da comunicação interna na organização. Case: Secretaria Municipal de finanças

51

N/B

Endomarketing como diferencial mercadológico. Case: Flávio Luz Veículos
Poleiro dos anjos
A contribuição da comunicação institucional na cultura organizacional
Ritual do poder: o cerimonial e suas implicações nas atividades governamentais em Alagoas
O cartão telefônico como suporte midiático em ações de responsabilidade social
Discurso e cotidiano; a violência segundo antigos moradores do vale do Reginaldo
Responsabilidade social empresarial: uma estratégia para o profissional de Relações Públicas
Uma proposta de assessoria de relações públicas na área médica para a fidelização de pacientes e
clientes
Os sac’s funcionam uma experiência de contato com as industrias alimentícias de Alagoas
Assessoria de comunicação para o mercado alagoano: BCCOM comunicação
A importância do profissional de Relações Publicas no Terceiro Setor
Política de comunicação e Marketing turístico. Case: Secretaria executiva de Turismo
Atendimento: um diferencial na organização hospitalar: o caso Santa Casa de Misericórdia e Maceió
Relações Públicas e Responsabilidade Social Empresarial. Case: Usina Coruripe S.A
As Relações Públicas e o turismo de eventos em Alagoas
A comunicação e as Relações Públicas no Banco do Brasil: Análise de modelo de Assessoria de
comunicação de uma instituição bancária
TOTAL DE TCCs: 22

40
81
72
52
52
52
52
45

O
J
N
H/L
F/O
A/E
J/O
C

43
35
39
60
51
34
35
34

A/O
C
J
O/X
A/O
J
X
A/C

OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 2004, NUM TOTAL DE 22 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
H
I
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L
5
2
4
1
1
2
1
4
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M
1

N
3

Individ.

O
6

Dupla

Trio

Quart

média 55

P

Q

R

S
1

T

U

V

W

X
2

Z

ANO 2005
Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, Habilitação em Relações Públicas
Um olhar para o programa de saúde da família sob perspectiva das Relações Públicas

Individ.

Dupla

Trio

Quart

Preto e Branco: Agência experimental de comunicação social: um meio em prol dos movimentos sociais
em Alagoas
Um RP na cozinha: projeto de comunicação e divulgação da tapioca como símbolo da gastronomia
alagoana
Assessoria de comunicação em um órgão público: uma proposta para a cédula de desenvolvimento
econômico do governo de Alagoas (SDE-AL)
As relações públicas na polícia militar de Alagoas: atribuições e perspectivas
Análise das políticas de Marketing de comunicação da ABYS Calçados: diagnóstico e propostas
Novas Tecnologias na comunicação empresarial: A internet como ferramenta das Relações Públicas na
Pajuçara Sistema de Comunicação
Relações Públicas X videoconferência: as tecnologias contemporâneas a serviço da comunicação
institucional
A importância da renovação carismática católica em Cajueiro Alagoas: a experiência do grupo de oração
Nossa Senhora do Livramento
Proposta de Comunicação integrada para o supermercado Carnes e Verdes: conquistando clientes e
agregando valores
As mudanças na cultura comunicacional na rede Bompreço- Wat- Mart- um estudo de caso
Proposta para implantação de uma cartilha de Relações Públicas como instrumento informativo
Relações Públicas no planejamento estratégico para a construção da imagem organizacional: a
experiência da TIM Nordeste Telecomunicações
Relações Públicas comunitária: projeto de Incentivo à leitura no bairro da Pitanguinha
Comunicação interna e cultura organizacional. Case: Escola Estadual Professor Almeida
Implantação de um projeto de comunicação no clube de orientação de Alagoas
Comunicação institucional e Marketing . case Braskem: Programa Lagoa Viva
As Relações Públicas motivando a participação dos pais nas atividades escolares: a experiência na
escola de ensino fundamental Luiz Calheiros Júnior
1ª Jornada Alagoana de Relações Públicas: Identidade e Perspectivas da profissão
Atuação do conselho regional de Relações Públicas em Alagoas : uma proposta de dinamização
A importância da comunicação empresarial na fixação da imagem positiva de uma empresa: o caso
Frascalli- Al
“A construção de um novo paradigma no atendimento aos públicos: o caso Clion”
A importância da pesquisa institucional: Revelando a cooperativa de colonização agropecuária e
industrial de Pindorama
A requalificação da comunicação na organização: case J. Serv Administração de condomínios
TOTAL DE TCCs: 24
OCORRÊNCIA DAS ÁREAS NOS TCCs DE 2005, NUM TOTAL DE 24 TCCs
A
B
C
D
E
F
G
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I
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5
7
1
1
1
1
2
2

M
1

N
5

O
O

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Q

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T

U
1

V

Nº de Pág
53

Área (s)
A

93

J

81

M/B

63

C/L

46
123
61

A/L
A/O
Z

92

GZ

53

A

50

N/O

41
47
42

N
F
B

51
51
82
63
51

J/B
N
B
O
O

67
84
98

H
B/U
N

80
65

B/O
A

60

B/N

W

X

Z
2

APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS CONCLUINTES EM RELAÇÕES
PÚBLICAS 2004
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
MESTRADO EM EDUCAÇÃO BRASILEIRA
ORIENTADORA: Drª.MARIA ANTONIETA ALBUQUERQUE DE OLIVEIRA
MESTRANDO: WALDENEY ALCIDES

1. Como qualifica a Instituição onde está se habilitando em Relações Públicas ?
1.1 ( ) Ótima
1.2 ( ) Boa
1.3 ( ) Ruim
1.4 ( ) Péssima
2. Qualifique os aspectos do curso de Graduação:
Ótimo

Bom

Regular

Péssimo

2.1 Instalações (Espaços, salas, acessos)
2.2 Tecnologia (Laboratórios, equipamentos, computadores)
2.3 Projeto Pedagógico/Currículo
2.4 Professores (Qualificação, Didática, compromisso)
2.5 Administração (Coordenação e Chefia)
2.6 Acervo Bibliográfico (BibliotecaCentral e Hemeroteca)
3. Indique a participação, durante a graduação, nas seguintes atividades:
sim não
3.1 Estágio
3.2 Projetos de pesquisa
3.3 Projetos de Extensão
3.4 Bolsista de trabalho na IES
3.5 Monitoria
4. Indique a quantidade de eventos (seminários, workshops, palestras, oficinas, congressos etc) que participou e que
considera relevante para a formação:
4.1 ( ) Nenhum
4.5 ( ) 4
4.9 ( ) 8
4.2 ( ) 1
4.6 ( ) 5
4.10 ( ) 9
4.3 ( ) 2
4.7 ( ) 6
4.11 ( ) 10
4.4 ( ) 3
4.8 ( ) 7
4.12 ( ) Mais de 10
5. Seu TCC tem envolvimento com algum fenômeno ocorrente no mercado de trabalho ?
5.1 ( ) Sim
5.2 ( ) Não
6. Qual setor que oferece mais oportunidades para profissionais de RP em Alagoas?
6.1 ( ) Indústria
6.2 ( ) Comércio
6.3 ( ) Serviços
6.4 ( ) Terceiro Setor
6.5 ( ) Não sabe informar
7. Possui ou já possuiu algum vínculo com o mercado de trabalho na área de RP?
7.1 ( ) Sim
7.2 ( ) Não
8. Quais aspectos da habilitação foram mais ofertados na graduação? (Poderá citar até dois aspectos)
____________________________________________/___________________________________________
9. Quais temas gostaria que fossem ofertados em cursos ou palestras? (Poderá citar até dois temas)
____________________________________________/___________________________________________

APÊNDICE C – TABELAS DEMONSTRATIVAS DOS RESULTADOS DA
APLICAÇÃO DOS QUESTIONÁRIOS

Tabela 1 - Qualificação da instituição onde cursa a graduação
VALOR ABSOLUTO
ÓTIMO
0
BOM
14
RUIM
19
PÉSSIMA
1
TOTAL
34
Tabela 2 - Qualificação dos aspectos do curso de graduação
VALOR ABSOLUTO
ÓTIMO
BOM
INSTALAÇÕES
0
1
TECNOLOGIA
0
1
PROJETO PEDAGÓGICO/CURRÍCULO
0
15
PROFESSORES
3
18
ADMINISTRAÇÃO
0
9
ACERVO BILBIOGRÁFICO
0
0
VALOR PERCENTUAL
INSTALAÇÕES
TECNOLOGIA
PROJETO PEDAGÓGICO
PROFESSORES
ADMINISTRAÇÃO
ACERVO BILBIOGRÁFICO

CURRÍCULO

ÓTIMO
0,00
0,00
0,00
9,00
0,00
0,00

BOM
3,00
3,00
44,00
53,00
26,00
0,00

VALOR PERCENTUAL
0,00
41,00
56,00
3,00
100,00

REGULAR
23
19
15
13
22
12

PÉSSIMO
10
14
4
0
3
22

TOTAL
34
34
34
34
34
34

REGULAR
68,00
56,00
44,00
38,00
65,00
35,00

PÉSSIMO
29,00
41,00
12,00
0,00
9,00
65,00

TOTAL
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00

Tabela 3 - Indicação de participação em atividades extracurriculares
VALOR ABSOLUTO
ESTÁGIO
PROJETOS DE PESQUISA
PROJESTOS DE EXTENSÃO
BOLSISTA DE TRABALHO NA IES
MONITORIA

SIM
19
9
12
5
1

NÃO
15
25
22
29
33

TOTAL
34
34
34
34
34

VALOR PERCENTUAL
ESTÁGIO
PROJETOS DE PESQUISA
PROJETOS DE EXTENSÃO
BOLSA DE TRABALHO NA IES
MONITORIA

SIM
56,00
26,00
35,00
15,00
3,00

NÃO
44,00
74,00
65,00
85,00
97,00

TOTAL
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00

Tabela 4 - Quantidade de eventos que já participou (seminários, workshops, palestras, oficinas,
congressos, etc), que considera relevante para a formação.
VALOR BSOLUTO
VALOR PERCENTUAL
NENHUMA
2
6,00
1
0
0,00
2
1
3,00
3
5
15,00
4
4
12,00
5
5
15,00
6
3
9,00
7
1
3,00
8
2
6,00
9
1
3,00
10
2
6,00
ACIMA DE 10
8
24,00
TOTAL
34
100,00

Tabela 5 - Envolvimento do TCC com algum fenômeno ocorrente no mercado de trabalho
VALOR ABSOLUTO
VALOR PERCENTUAL
SIM
NÃO

16
18

47,00
53,00

TOTAL

34

100,00

Tabela 6 - Principal setor que acredita de onde partem mais oportunidades para os profissionais de RP em
Alagoas
VALOR ABSOLUTO
VALOR PERCENTUAL
INDÚSTRIA
5
15,00
COMÉRCIO
1
3,00
SERVIÇOS
12
35,00
TERCEIRO SETOR
10
29,00
NÃO SABE INFORMAR
6
18,00
TOTAL
34
100,00
Tabela 7 - Possui ou já possuiu algum vínculo com o mercado de trabalho na área de RP
VALOR ABSOLUTO
VALOR PERCENTUAL
SIM

17

50,00

NÃO
TOTAL

17
34

50,00
100,00

Tabela 8 - Indicação dos aspectos da habilitação que têm sido mais ofertados na graduação
VALOR ABSOLUTO
VALOR PERCENTUAL
NÃO SABE
PLANEJAMENTO

15
12

44,00
35,00

OPINIÃO PÚBLICA
COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL

1
4

3,00
12,00

TEORIAS
PESQUISA / ASSESSORIA

1
1

3,00
3,00

TOTAL

34

100,00

Tabela 9 - Temas que gostaria que fossem ofertados em curso e/ou palestras
VALOR ABSOLUTO
VALOR PERCENTUAL
RH
MKT

1
2

3,00
6,00

NÃO SABE
INFORMÁTICA

7
1

21,00
3,00

3º SETOR
CERIMONIAL / EVENTOS

10
3

29,00
9,00

OMBUSDMAN
CULTURAL / SOCIAL

1
2

3,00
6,00

PLANEJAMENTO
SERVIÇO PÚBLICO

1
3

3,00
9,00

MERCADO DE TRABALHO
ESTÁGIO

1
1

3,00
3,00

TURISMO
TOTAL

1
34

3,00
100,00

APÊNDICE D – ROTEIRO DE ENTREVISTA DIRIGIDO AOS PROFESSORES

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
MESTRADO EM EDUCAÇÃO BRASILEIRA
ORIENTADORA: Drª.MARIA ANTONIETA ALBUQUERQUE DE OLIVEIRA
MESTRANDO: WALDENEY ALCIDES

LOCAL DE REALIZAÇÃO_______________________________________________
DATA________________ HORA________________

ENTREVISTADO (A): __________________________________________________

OBJETIVOS: Registrar a memória do curso, com informações que não constam em
documentos. Apontar caminhos outros, pistas, pessoas que se envolveram no
processo de abertura e reconhecimento do curso. Registrar a impressão que a
coordenadora tem da situação do curso e da habilitação em Relações Públicas, seu
currículo, problemáticas e potencialidades.
METODOLOGIA: estaremos munidos do projeto pedagógico do Curso (o último, de
1996) e das Diretrizes Curriculares para o Curso e a habilitação em Relações
Públicas. Utilizaremos um gravador digital de voz, que possibilitará o arquivamento
digital da entrevista.
PAUTA:
Apresentação do projeto e dos objetivos da entrevista
O histórico do curso – estimular um relato sucinto dos principais momentos do
curso, instalação, reconhecimento, pessoas envolvidas.
Situação atual do curso
1. Perfil profissional pretendido
2. Diretrizes curriculares (MEC)
3. Projeto pedagógico/currículo/disciplinas
4. Regime
5. Instalações
6. Professores
7. Quantidade de alunos, turmas.
8. Estágio
9. Percepção quanto à inserção dos alunos no mercado de trabalho/
egressos

APÊNDICE E – GRADE CURRICULAR DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL,
HABILITAÇÃO EM RELAÇÕES PÚBLICAS DA UFAL

Ano de
oferta

Disciplinas e cargas horárias

1º ano

Teoria da Comunicação – 180h/a
Antropologia Cultural – 60h/a
Psicologia Geral e da Comunicação – 120h/a
Sociologia geral e da Comunicação – 120h/a
Filosofia – 120h/a
Língua Portuguesa – 180h/a

2º ano

Comunicação Comparada – 60h/a
Teoria e técnicas de Relações Públicas – 120h/a
Estética e Cultura de Massa – 60h/a
Laboratório de Redação para Relações Públicas I – 120h/a
Laboratório de Comunicação Dirigida e Multimeios I – 120h/a
Laboratório Interdisciplinar de Relações Públicas I – 120h/a
Teoria Política – 120h/a
Economia – 60h/a

3º ano

4º ano

Laboratório de Redação para Relações Públicas II – 120h/a
Laboratório de Pesquisa e Planejamento de RP I – 120h/a
Laboratório Interdisciplinar de Relações Públicas II – 120h/a
Laboratório de Comunicação Dirigida e Multimeios II – 120h/a
Legislação e Ética de Relações Públicas – 80h/a
Teoria e método da Pesquisa em Comunicação – 160h/a
Realidade Sócio-Econômica e Política Brasileira e Regional – 80h/a
Trabalho de Conclusão de Curso – 300h/a
Laboratório de Pesquisa e Planejamento de RP II – 120h/a
Laboratório de Comunicação Comunitária – 120h/a
Laboratório de Comunicação Institucional – 120h/a
Laboratório de Cultura Organizacional e Projeto de Empresa – 120h/a

ANEXO

ANEXO A – FICHA TÉCNICA DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UFAL

ANEXO B – PLANTA BAIXA DO DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
DA UFAL

ANEXO C – DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA COMUNICAÇÃO
SOCIAL E HABILITAÇÕES

ANEXO D – RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº 47/02 DO CONSELHO FEDERAL DE
PROFISSIONAIS DE RELAÇÕES PÚBLICAS

ANEXO E – PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 324 DE 2005

ANEXO A – FICHA TÉCNICA DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UFAL
(Disponível em http://www.prograd.ufal.br/cursos/comunicacaosocial.htm)

COMUNICAÇÃO SOCIAL
Código do Curso: Nº 34
Documento de Reconhecimento: Portaria Ministerial Nº 327/86 Portaria Ministerial
Nº 327/86
Objetivo:
Formar profissionais de Comunicação Social com capacitação técnica adequada e
visão crítica do relacionamento social, habilitados para atuar nas áreas de Relações
Públicas ou Jornalismo.
Campo de Trabalho:
No setor público: assessorias de imprensa, propaganda ou relações públicas de
órgãos governamentais ou empresas estatais.Em organizações do setor privado:
jornais, agências de publicidade e relações públicas, além de órgão de comunicação
de empresas, sindicatos e associações.
Modalidade: Bacharelado
Regulamentação: Jornalismo: Decreto nº 972/69, Decreto nº 83.284/79.
Relações Públicas: Lei nº 5377/67, Decreto nº 63.283/68.
Título Conferido: Bacharel em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo
Bacharel em Comunicação Social – Habilitação em Relações Públicas.
Turno de Funcionamento: Diurno e noturno
Vagas no Vestibular: Diurno Jornalismo = 30, Diurno Relações Públicas = 30,
Noturno Jornalismo = 20, Noturno Relações Públicas = 20
Integralização Curricular: Resolução nº 09/94 CEPE/UFAL
Carga Horária Total: Jornalismo, 3.380 h; Relações Públicas, 3.380 h
Duração do curso: Média: 4 anos / Máxima: 7 anos
Telefone: (82) 214-1532
E-mail da Coordenação: coordcom@ufal.br

ANEXO B – PLANTA BAIXA DO DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO
SOCIAL DA UFAL (Alterada)

ANEXO C – DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA COMUNICAÇÃO
SOCIAL E HABILITAÇÕES
(PARECER CNE/CES 492/2001 – HOMOLOGADO. Despacho do Ministro em 04/7//2001,
publicado no Diário Oficial da União de 09/7/2001, Seção 1, p. 50.)

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
INTERESSADO: Conselho Nacional de Educação/Câmara Superior de Educação

UF: DF

ASSUNTO: Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de Filosofia, História, Geografia, Serviço
Social, Comunicação Social, Ciências Sociais, Letras, Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia
RELATOR(A): Eunice Ribeiro Durham, Silke Weber e Vilma de Mendonça Figueiredo
PROCESSO(S) N.º(S): 23001.000126/2001-69
PARECER N.º:
CNE/CES 492/2001

COLEGIADO:
CES

APROVADO EM:
03/04/2001

I – RELATÓRIO
Trata o presente de diversos processos acerca das Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de
Filosofia, História, Geografia, Serviço Social, Comunicação Social, Ciências Sociais, Letras,
Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia remetidas pela SESu/MEC para apreciação da CES/CNE.
A Comissão constituída pelas Conselheiras Eunice Ribeiro Durham, Vilma de Mendonça Figueiredo e
Silke Weber analisou as propostas provindas da SESu referentes aos cursos mencionados e
procedeu a algumas alterações com o objetivo de adequá-las ao Parecer 776/97 da Câmara de
Educação Superior, respeitando, no entanto, o formato adotado pelas respectivas Comissões de
Especialistas que as elaboraram. A Comissão retirou, apenas de cada uma das propostas, o item
relativo à duração do curso, considerando o entendimento de que o mesmo não constitui
propriamente uma diretriz e será objeto de uma Resolução específica da Câmara de Educação
Superior, o que foi objeto do Parecer CNE/CES 583/2001.
II – VOTO DO(A) RELATOR(A)
A Comissão recomenda a aprovação das propostas de diretrizes dos cursos mencionados na forma
ora apresentada.
Brasília(DF), 03 de abril de 2001.
Conselheiro(a) Silke Weber – Relator(a)
Conselheiro(a) Eunice Ribeiro Durham
Conselheiro(a) Vilma de Mendonça Figueiredo
III – DECISÃO DA CÂMARA
A Câmara de Educação Superior aprova por unanimidade o voto do(a) Relator(a).
Sala das Sessões, em 03 de abril de 2001.
Conselheiro Arthur Roquete de Macedo – Presidente
Conselheiro Jose Carlos Almeida da Silva – Vice-Presidente

DIRETRIZES CURRICULARES PARA A ÁREA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E SUAS HABILITAÇÕES
Introdução
Estas Diretrizes Curriculares da Área da Comunicação foram elaboradas procurando atender a dois objetivos fundamentais:
b) flexibilizar a estruturação dos cursos, tanto para atender a variedades de circunstâncias geográficas, político-sociais e
acadêmicas, como para ajustar-se ao dinamismo da área, e para viabilizar o surgimento de propostas pedagógicas inovadoras
e eficientes;
c)

estabelecer orientações para a obtenção de padrão de qualidade na formação oferecida.

O presente texto estabelece um padrão básico de referência para todas as instituições que mantenham Cursos de Graduação
em Comunicação com habilitações em Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Cinema, Radialismo,
Editoração, ou outras habilitações pertinentes ao campo da Comunicação que venham a ser criadas.

Diretrizes Curriculares
1. Perfil dos Formandos
PERFIL COMUM
O perfil comum do egresso corresponde a um objetivo de formação geral que deve ser atendido por todos os Cursos da área e
em todas as habilitações de Comunicação, qualquer que seja sua ênfase ou especificidade. Trata-se de base que garanta a
identidade do Curso como de Comunicação.
O egresso de Curso de Graduação em Comunicação, em qualquer de suas habilitações, caracteriza-se por:
1. sua capacidade de criação, produção, distribuição, recepção, e análise crítica referentes às mídias, às práticas profissionais
e sociais relacionadas com estas, e a suas inserções culturais, políticas e econômicas;
2. sua habilidade em refletir a variedade e mutabilidade de demandas sociais e profissionais na área,
complexidade e velocidade do mundo contemporâneo;

adequando-se à

3. sua visão integradora e horizontalizada - genérica e ao mesmo tempo especializada de seu campo de trabalho possibilitando
o entendimento da dinâmica das diversas modalidades comunicacionais e das suas relações com os processos sociais que as
originam e que destas decorrem.
4. utilizar criticamente o instrumental teórico-prático oferecido em seu curso, sendo portanto competente para posicionar-se de
um ponto de vista ético-político sobre o exercício do poder na comunicação, sobre os constrangimentos a que a comunicação
pode ser submetida, sobre as repercussões sociais que enseja e ainda sobre as necessidades da sociedade contemporânea
em relação à comunicação social.
Perfis Específicos
Os perfis específicos resultam das habilitações diferenciadas do campo da Comunicação, que se caracteriza por uma
abrangência sobre diferentes meios, linguagens e práticas profissionais e de pesquisa e, na atualidade, por envolver um
acelerado dinamismo social e tecnológico. Para assegurar o desenvolvimento histórico desta área de formação, estudos e
exercício profissional, serão desenvolvidas habilitações com uma variedade de perfis específicos. Estas habilitações,
definidoras dos perfis específicos, se organizam conforme as seguintes premissas:
a) é mantida a referência básica às habilitações historicamente estabelecidas: jornalismo, relações públicas, publicidade e
propaganda, radialismo, editoração, e cinema (assim como à sua denominação alternativa, cinema e vídeo);
b) podem ser criadas ênfases específicas em cada uma destas habilitações, que serão então referidas pela denominação
básica, acrescida de denominação complementar que caracterize a ênfase adotada;
c)

podem ser criadas novas habilitações pertinentes ao campo da Comunicação.

As habilitações referidas nos itens "b" e "c" acima serão reconhecidas como pertinentes ao campo da Comunicação na medida
em que contemplem :
-

a dimensão e a complexidade temática e de objeto de estudo;

-

a existência de vinculações profissionais e conceituais com o campo da Comunicação;

-

a delimitação de uma habilitação específica, que comporte linguagem e práticas profissionais próprias.

PERFIS ESPECÍFICOS POR HABILITAÇÃO
Para as habilitações já estabelecidas, além do perfil comum relacionado no item anterior, devem se objetivar os perfis a seguir
explicitados:

Jornalismo
O perfil do egresso em Jornalismo se caracteriza :
1.

pela produção de informações relacionadas a fatos, circunstâncias e contextos do momento presente;

2.

pelo exercício da objetividade na apuração, interpretação, registro e divulgação dos fatos sociais;

3.

pelo exercício da tradução e disseminação de informações de modo a qualificar o senso comum;

4.

pelo exercício de relações com outras áreas sociais, culturais e econômicas com as quais o jornalismo faz interface.

Relações Públicas
O perfil do egresso em Relações Públicas se caracteriza:
1.

pela administração do relacionamento das organizações com seus diversos públicos, tanto externos como internos;

2.

pela elaboração de diagnósticos, prognósticos, estratégias e políticas voltadas para o aperfeiçoamento das relações entre
instituições, grupos humanos organizados, setores de atividades públicas ou privadas, e a sociedade em geral;

3.

pelo exercício de interlocução entre as funções típicas de relações públicas e as demais funções profissionais ou
empresariais existentes na área da Comunicação.

Radialismo
O perfil do egresso em Radialismo se caracteriza:
1.

pela percepção, interpretação , recriação e registro da realidade social, cultural e da natural através de som e imagem ;

2.

pelas formulações audiovisuais habituais, documentárias, de narração, musicais, descritivas, expositivas, ou quaisquer
outras adequadas aos suportes com que trabalha;

3.

pelo domínio técnico, estético e de procedimentos expressivos pertinentes a essa elaboração audiovisual;

4.

pela atividade em emissoras de rádio ou televisão ou quaisquer instituições de criação, produção, desenvolvimento e
interpretação de materiais audiovisuais;

5.

pelo exercício de interlocução entre as funções típicas de radialismo e as demais funções profissionais ou empresariais da
área da Comunicação.

Publicidade e Propaganda
O perfil do egresso em Publicidade e Propaganda se caracteriza:
1.

pelo conhecimento e domínio de técnicas e instrumentos necessários para a proposição e execução de soluções de
comunicação eficazes para os objetivos de mercado, de negócios de anunciantes e institucionais;

2.

pela tradução em objetivos e procedimentos de comunicação apropriados os objetivos institucionais, empresariais e
mercadológicos;

3.

pelo planejamento, criação, produção, difusão e gestão da comunicação publicitária, de ações promocionais e de
incentivo, eventos e patrocínio, atividades de marketing, venda pessoal, design de embalagens e de identidade
corporativa, e de assessoria publicitária de informação.

Editoração
O perfil do egresso em Editoração se caracteriza:
1.

pela gestão e produção de processos editoriais, de multiplicação, reprodução e difusão, que envolvam obras literárias,
científicas, instrumentais e culturais;

2.

pelo desenvolvimento de atividades relacionadas à produção de livros e impressos em geral, livros eletrônicos, CDROMs
e outros produtos multimídia, vídeos, discos, páginas de Internet, e quaisquer outros suportes impressos, sonoros,
audiovisuais e digitais;

3.

pelo domínio dos processos editoriais, tais como planejamento de produto, seleção e edição de textos, imagens e sons,
redação e preparação de originais, produção gráfica e diagramação de impressos, roteirização de produtos em diferentes
suportes, gravações, montagens, bem como divulgação e comercialização de produtos editoriais.

Cinema
O perfil do egresso da habilitação em Cinema (com esta denominação ou na denominação alternativa Cinema e Vídeo) se
caracteriza:
1.

pela produção audiovisual nas bitolas e formatos cinematográficos, videográficos, cinevideográficos ou digitais, incluindose nessa produção direção geral, direção de arte, direção de fotografia, elaboração de argumentos e roteiros,

montagem/edição, animação, continuidade, sonorização, finalização e demais atividades relacionadas; e ainda pela
preservação e fomento da memória audiovisual da nação;
2.

pela percepção, interpretação, recriação e registro cinematográfico de aspectos da realidade social, cultural , natural de
modo a torná-las disponíveis à sociedade por intermédio de estruturações narrativas, documentárias, artísticas, ou
experimentais;

3.

pela iniciativa e pela participação na discussão pública sobre a criação cinematográfica e videográfica no país e no
mundo, através de estudos críticos e interpretativos sobre produtos cinematográficos, sobre a história das artes
cinematográficas, e sobre as teorias de cinema;

4.

pelo desenvolvimento de atividades e especialidades de produção cinematográfica e videográfica;

2.

Competência e Habilidades

Assim como os perfis dos egressos, organizados em uma parte geral comum e uma parte específica por habilitação,
as competências e habilidades também comportam dois níveis, um geral para todas as profissões e formações do campo da
Comunicação e um especializado por habilitação.
A)

Gerais

As competências e habilidades gerais para os diferentes perfis são as seguintes:
1.

assimilar criticamente conceitos que permitam a apreensão de teorias;

2.

usar tais conceitos e teorias em análises críticas da realidade;

3.

posicionar-se de modo ético-político;

4. dominar as linguagens habitualmente usadas nos processos de comunicação, nas dimensões de criação, de produção, de
interpretação e da técnica;
5.

experimentar e inovar no uso destas linguagens;

6.

refletir criticamente sobre as práticas profissionais no campo da Comunicação;

7.

ter competência no uso da língua nacional para escrita e interpretação de textos gerais e especializados na área.

B)

Específicas por Habilitação

Além das competências e habilidades gerais acima referidas, há que se promover o desenvolvimento de competências
específicas.

Jornalismo
-

registrar fatos jornalísticos, apurando, interpretando, editando e transformando-os em notícias e reportagens;

-

interpretar, explicar e contextualizar informações;

-

investigar informações, produzir textos e mensagens jornalísticas com clareza e correção e editá-los em espaço e período
de tempo limitados;

-

formular pautas e planejar coberturas jornalísticas;

-

formular questões e conduzir entrevistas;

-

relacionar-se com fontes de informação de qualquer natureza;

-

trabalhar em equipe com profissionais da área;

-

compreender e saber sistematizar e organizar os processos de produção jornalística;

-

desenvolver, planejar, propor, executar e avaliar projetos na área de comunicação jornalística;

-

avaliar criticamente produtos, práticas e empreendimentos jornalísticos;

-

compreender os processos envolvidos na recepção de mensagens jornalísticas e seus impactos sobre os diversos setores
da sociedade;

-

buscar a verdade jornalística, com postura ética e compromisso com a cidadania;

-

dominar a língua nacional e as estruturas narrativas e expositivas aplicáveis às mensagens jornalísticas, abrangendo-se
leitura, compreensão, interpretação e redação;

-

dominar a linguagem jornalística apropriada aos diferentes meios e modalidades tecnológicas de comunicação;

Relações Públicas
-

desenvolver pesquisas e auditorias de opinião e imagem;

-

realizar diagnósticos com base em pesquisas e auditorias de opinião e imagem;

-

elaborar planejamentos estratégicos de comunicação institucional;

-

estabelecer programas de comunicação estratégica para criação e manutenção do relacionamento das instituições com
seus públicos de interesse;

-

coordenar o desenvolvimento de materiais de comunicação, em diferentes meios e suportes, voltados para a realização
dos objetivos estratégicos do exercício da função de Relações Públicas;

-

dominar as linguagens verbais e audiovisuais para seu uso efetivo a serviço dos programas de comunicação que
desenvolve;

-

identificar a responsabilidade social da profissão, mantendo os compromissos éticos estabelecidos;

-

assimilar criticamente conceitos que permitam a compreensão das práticas e teorias referentes às estratégias e processos
de Relações Públicas.

Radialismo
- gerar produtos audiovisuais em suas especialidades criativas, como escrever originais ou roteiros para realização de
projetos audiovisuais; adaptar originais de terceiros; responder pela direção, realização e transmissão de programas
audiovisuais; editar e finalizar programas analógicos ou digitais;
-

saber como planejar, orçar e produzir programas para serem gravados ou transmitidos; administrar, planejar e orçar
estruturas de emissoras ou produtoras;

-

dominar as linguagens e gêneros relacionados às criações audiovisuais;

-

conceber projetos de criação e produção audiovisual em formatos adequados a sua veiculação nos meios massivos,
como rádio e televisão, em formatos de divulgação presencial, como vídeo e gravações sonoras, e em formatos típicos de
inserção em sistemas eletrônicos em rede, como CDROMs e outros produtos digitais;

-

compreender as incidências culturais, éticas, educacionais e emocionais da produção audiovisual mediatizada em uma
sociedade de comunicação;

-

assimilar criticamente conceitos que permitam a compreensão das práticas e teorias referentes à área audiovisual.

Cinema (ou Cinema e Vídeo)
-

gerar produtos cinematográficos em suas especialidades criativas, como direção geral, direção de arte, direção de
fotografia, argumento e roteiro, montagem/edição, animação, continuidade, sonorização, finalização, e outras atividades
relacionadas;

-

promover a geração e disseminação de produtos cinematográficos em suas especialidades de gestão, como produção,
distribuição, exibição, divulgação, e outras atividades relacionadas;

-

dominar as diversas técnicas audiovisuais envolvidas nos processos de criação cinematográfica, em qualquer de seus
suportes, e nos processos de divulgação;

-

interagir com áreas vizinhas à criação e divulgação cinematográfica, como a televisão, o rádio, as artes performáticas e as
novas mídias digitais;

-

avaliar, quantificar, formar e influenciar o gosto público no que diz respeito ao consumo de produtos audiovisuais;

-

inovar e reinventar alternativas criativas e mercadológicas para a produção de filmes e vídeos;

-

interpretar, analisar, explicar e contextualizar a linguagem cinematográfica apropriada aos diferentes meios e modalidades
da comunicação audiovisual;

-

compreender os processos cognitivos envolvidos na produção, emissão e recepção da mensagem cinematográfica e seus
impactos sobre a cultura e a sociedade;

-

articular as práticas cinematográficas, em seus aspectos técnicos e conceituais, à produção científica, artística e
tecnológica que caracteriza nossa cultura, e ao exercício do pensamento em seus aspectos estéticos, éticos e políticos;

-

assimilar criticamente conceitos que permitam a compreensão das práticas e teorias referentes à criação, produção e
circulação cultural do Cinema.

Publicidade e Propaganda
-

ordenar as informações conhecidas e fazer diagnóstico da situação dos clientes;

-

realizar pesquisas de consumo, de motivação, de concorrência, de argumentos etc;

-

definir objetivos e estratégias de comunicação como soluções para problemas de mercado e institucionais dos
anunciantes;

-

conceber meios de avaliar e corrigir resultados de programas estabelecidos;

-

executar e orientar o trabalho de criação e produção de campanhas de propaganda em veículos impressos, eletrônicos e
digitais;

-

realizar e interpretar pesquisas de criação como subsídio para a preparação de campanhas publicitárias;

-

dominar linguagens e competências estéticas e técnicas para criar, orientar e julgar materiais de comunicação pertinentes
a suas atividades;

-

planejar, executar e administrar campanhas de comunicação com o mercado, envolvendo o uso da propaganda e de
outras formas de comunicação, como a promoção de vendas, o merchandising e o marketing direto;

-

identificar e analisar as rápidas mudanças econômicas e sociais em escala global e nacional que influem no ambiente
empresarial;

-

identificar a responsabilidade social da profissão, mantendo os compromissos éticos estabelecidos;

-

assimilar criticamente conceitos que permitam a compreensão das práticas e teorias referentes à publicidade e à
propaganda.

Editoração
-

dominar processos de edição de texto tais como: resumos, apresentações, textos de capa de livros, textos de revistas,
textos que acompanham edições sonoras, audiovisuais e de multimídia, textos para publicações digitais, tratamento de
textos didáticos e para-didáticos, textos de compilação, de crítica e de criação;

-

dominar a língua nacional e as estruturas de linguagem aplicáveis a obras literárias, científicas, instrumentais, culturais e
de divulgação em suas diferentes formas: leitura, redação, interpretação, avaliação e crítica;

-

atentar para os diferentes níveis de proficiência dos públicos a que se destinam as produções editoriais;

-

ter competências de linguagem visual, como o conhecimento de produção de imagens pré-fotográficas, fotográficas e pósfotográficas e os principais processos de design gráfico, desde tipologias até edição digital;

-

ter competências de linguagem de multimídia, como o conhecimento de processos de produção de registros sonoros,
videográficos e digitais, tais como CDs, vídeos, edição de páginas e outras publicações em Internet;

-

desenvolver ações de planejamento, organização e sistematização dos processos editoriais, tais como o
acompanhamento gráfico de produtos editoriais, seleção de originais, projetos de obras e publicações, planejamento e
organização de séries e de coleções, planejamento de distribuição, veiculação e tratamento publicitário de produtos
editorial;

-

ter conhecimentos sobre a história do livro, a história da arte e da cultura;

-

fazer avaliações críticas das produções editoriais e do mercado da cultura.

-

agir no sentido de democratização da leitura e do acesso às informações e aos bens culturais.

-

assimilar criticamente conceitos que permitam a compreensão das práticas e teorias referentes aos processos de
Editoração.

3.

Conteúdos Curriculares

Os conteúdos curriculares são diferenciados em Conteúdos Básicos e Conteúdos Específicos. Os conteúdos básicos são
aqueles relacionados tanto à parte comum do curso quanto às diferentes habilitações. Os conteúdos específicos são aqueles
que cada instituição, livremente, deve eleger para organizar seu currículo pleno, tendo como referência os objetivos e os perfis
comum e específicos anteriormente definidos.
a.

Conteúdos Básicos

Os conteúdos básicos são caracterizadores da formação geral da área, devendo atravessar a formação dos graduandos de
todas as habilitações. Envolvem tanto conhecimentos teóricos como práticos, reflexões e aplicações relacionadas ao campo
da Comunicação e à área configurada pela habilitação específica. Estes conhecimentos são assim categorizados: conteúdos
teórico-conceituais; conteúdos analíticos e informativos sobre a atualidade; conteúdos de linguagens, técnicas e tecnologias
midiáticas, conteúdos ético-políticos.

b.

Conteúdos Específicos

Os conteúdos específicos serão definidos pelo colegiado do curso, tanto para favorecer reflexões e práticas no campo geral
da Comunicação, como para incentivar reflexões e práticas da habilitação específica.
Cada habilitação correspondendo a recortes dentro do campo geral da Comunicação, organiza conhecimentos e práticas
profissionais, aborda questões teóricas, elabora críticas, discute a atualidade e desenvolve práticas sobre linguagens e
estruturas.
4.

Estágios e Atividades Complementares

O Estágio orientado por objetivos de formação refere-se a estudos e práticas supervisionados em atividades externas à
unidade de oferecimento do Curso. As atividades complementares realizadas sob a supervisão de um docente buscam
promover o relacionamento do estudante com a realidade social , econômica e cultural, e de iniciação à pesquisa e ao ensino.
Tais tipos de ação pedagógica caracterizam mecanismos de interação com o mundo do trabalho, assim como o confronto com
possibilidades metodológicas visando a promoção de uma formação complexa.
Assim, além das disciplinas típicas e tradicionais da sala de aula e de práticas ditas laboratoriais, segundo o padrão de
turma/docente/horas-aula semanais, podem ser previstas Atividades Complementares, com atribuição de créditos ou
computação de horas para efeito de integralização do total previsto para o Curso, tais como:
-

programas especiais de capacitação do estudante (tipo CAPES/PET);
atividades de monitoria;
outras atividades laboratoriais além das já previstas no padrão turma/horas-aula;
atividades de extensão;
atividades de pesquisa etc.

O que caracteriza este conjunto de atividades é a flexibilidade de carga horária semanal, com controle do tempo total de
dedicação do estudante durante o semestre ou ano letivo. Esta flexibilidade horária semanal deverá permitir a:
a)
adoção de um sistema de creditação de horas baseada em decisões específicas para cada caso, projeto ou
atividade específica, e em função do trabalho desenvolvido;
b)

ênfase em procedimentos de orientação e/ou supervisão pelo docente;

c)

ampliação da autonomia do estudante para organizar seus horários, objetivos e direcionamento.

O número máximo de horas dedicadas a este tipo de atividades não pode ultrapassar 20% do total do curso, não incluídas
nesta porcentagem de 20% as horas dedicadas ao Trabalho de Conclusão de Curso (ou Projetos Experimentais).
5.

Estrutura do Curso

O curso de Comunicação Social pode ser oferecido por créditos, havendo, no entanto, atenção para uma seqüência
equilibrada de conteúdos curriculares e acompanhamento planejado da formação.
Na oferta seriada importa considerar, além de uma seqüência harmônica e lógica, a flexibilidade de caminhos alternativos.
Na organização modular, deverá ser esclarecido o seu modo de inserção na estrutura geral do curso.

6.

Acompanhamento e Avaliação

A avaliação é peródica e se realiza em articulação com o Projeto Acadêmico do curso sob três ângulos:

b) pertinência da estrutura do Curso, observando o fundamento de suas propostas e a adequação dos meios postos em
ação para realizá-las;
c)

aplicação dos critérios definidos pelo colegiado de curso, para a sua avaliação;

mecanismos de acompanhamento e avaliação externa e interna do próprio curso.

ANEXO D – RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº 43 DE 2002 DO CONSELHO
FEDERAL DE PROFISSIONAIS DE RELAÇÕES PÚBLICAS
(Publicada no DOU - Nº 209 - Seção 1- Páginas: 190 a 191 Data: 28 /10/02)
RESOLUÇÃO NORMATIVA N.º 43, DE 24 DE AGOSTO DE 2002
Define as funções e atividades privativas dos
profissionais de Relações Públicas
O Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas – CONFERP no uso das atribuições que lhe confere o art. 9.º,
alínea “r” do Decreto 68.582, de 04.05.71, e
-considerando as disposições constantes nas alíneas "b", "c", "e", e "g" do art. 2.º do Decreto-Lei 860, de
11 de setembro de 1969, combinadas com as constantes no art. 3.º e nas alíneas "a", "b", "d", e "e" do art.
9º do Decreto 68.582, de 04 de maio de 1971;
-considerando a necessidade de se prestarem esclarecimentos sobre dúvidas e questões surgidas nos
Conselhos Regionais quanto à aplicação de normas legais pertinentes à profissão, conforme dispõe a
alínea “d” do Decreto 68.582,
RESOLVE:
Art. 1.º - Esta Resolução contém a definição das funções privativas e as atividades específicas do profissional de Relações
Públicas, nos termos da Lei 5.377 e de seu Regulamento.
§ 1.º - Todas as ações de uma organização de qualquer natureza no sentido de estabelecer e manter, pela comunicação, a
compreensão mútua com seus públicos são consideradas de Relações Públicas e, portanto, não se subordinam a nenhuma
outra área ou segmento.
§ 2.º- Relações Públicas são definidas como uma filosofia administrativa organizacional, com funções administrativas de
direção e de comunicação, independentemente de nomenclaturas de cargos e funções que venham a ser adotadas.
§ 3.º- Relações Públicas caracterizam-se pela aplicação de conceitos e técnicas de:
I)comunicação estratégica, com o objetivo de atingir de forma planificada os objetivos globais e os macro-objetivos para a
organização;
II)comunicação dirigida, com o objetivo de utilizar instrumentos para atingir públicos segmentados por interesses comuns;
III)comunicação integrada, com o objetivo de garantir a unidade no processo de comunicação com a concorrência dos
variados setores de uma organização.
§ 4.º- Nesta resolução entende-se por :
I - Lei 5.377: A Lei 5.377, de 11 de dezembro de 1967;
II - Regulamento: O Regulamento da profissão baixado pelo Decreto 63.283, de 26 de setembro de 1968, que disciplina o
exercício da Profissão de Relações Públicas de que trata a Lei 5.377;
III - DL-860: O Decreto-Lei 860, de 11 de setembro de 1969, que dispõe sobre a constituição do Conselho Federal e dos
Conselhos Regionais de Profissionais de Relações Públicas;
IV - Dec-68.582: O Decreto 68.582, de 04 de maio de 1971, que regulamenta o DL-860;
V - RN: Resolução Normativa do Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas;
VI - Atividades específicas ou privativas: as especificadas no art. 2.º da Lei 5.377 e no art. 4.º do Regulamento;
VII - Funções específicas ou privativas: as definidas por esta RN em consonância com as atividades específicas;
VIII – Organização: grupamento organizacional, seja ele classificado como micro, de pequeno, médio ou de grande porte e de
qualquer ramo de atividade, público, privado ou misto, com ou sem fins lucrativos;
IX – Empresa: o termo é aplicado para identificar uma organização do ramo industrial, comercial ou de serviços e que tenha
fins lucrativos;
X - Comunicação:
a)Institucional, aquela criada exclusivamente para formar imagem positiva em torno de uma organização, empresa, pessoa,

ou, ainda, em torno de algo ou alguma coisa. A comunicação institucional, com este escopo, está ligada ao nível de abordagem
do assunto tratado e ao tipo de linguagem adotada para transmitir informações de uma determinada organização. O nível de
abordagem deve ter a amplitude necessária à representação do conjunto de conceitos de uma organização, como filosofia,
valores, missão, visão, políticas, pensamentos, condutas, posturas e atitudes, tanto do ponto de vista ético-moral quanto
administrativo, em todos os níveis da organização. A linguagem institucional é aquela que trata esses assuntos com isenção
comercial ou mercadológica, atendo-se, apenas, a identificar, demonstrar e apresentar os conceitos ligados aos temas próprios
da organização, com a intenção de informar e satisfazer os interesses de um ou mais públicos ligados à empresa e os dela
próprios;
b)Corporativa, aquela com as mesmas características e objetivos da comunicação institucional, com a particularidade de estar
ligada exclusivamente à alta administração das organizações;
c)Organizacional, a ação estratégica de uma organização, elaborada com base no diagnóstico global e em uma visão geral da
organização, levando-se em consideração o processo de relacionamento entre a organização e os seus públicos, individual ou
simultaneamente;
d)Pública ou Cívica, a que promove o fluxo da informação entre as necessidades da sociedade e aquelas que estão
disponíveis nas instituições públicas que são, por natureza, as portadoras do interesse coletivo;
XI – Pesquisa: processo interativo de levantamento de dados e informações de interesse de uma organização sendo:
a)Quantitativa, quando analisa informações com base em identificação numérica e percentual de opiniões de entrevistados;
b)Qualitativa, quando analisa informações com profundidade maior do que apenas a identificação numérica e percentual de
opiniões de entrevistados. Pode ser o resultado das opiniões individuais ou de grupo, levando-se em conta, além da opinião, o
conhecimento, a percepção e as expectativas dos entrevistados;
XII) Pesquisa de opinião:
processo de comunicação e interação voltado para o levantamento de informações e identificação de opiniões a fim de obter,
pela tabulação e cruzamento de dados, uma análise quantitativa que indique a natureza de uma organização. Esse resultado
oferece elementos percentuais que orientam a tomada de decisão pela área de comunicação;
XIII) Auditoria de Opinião:
técnica específica de relações públicas que levanta informações buscando-se a manifestação de opiniões dos entrevistados de
maneira informal e espontânea. Processo de comunicação e interação voltado para o levantamento de informações e
identificação de opiniões, percepções e expectativas, a fim de obter, pela análise e interpretação das informações, o resultado
qualitativo que determina o perfil organizacional. Essa análise oferece um diagnóstico preciso e o embasamento correto para a
criação do planejamento estratégico de comunicação.
A auditoria de opinião com fins institucionais apresenta as seguintes variações:
a)Auditoria ou pesquisa de imagem, técnica que objetiva, exclusivamente, a identificação da imagem mediante o conceito
que tem o entrevistado em relação à organização;
b)Auditoria ou pesquisa de clima organizacional, técnica que objetiva identificar os níveis de satisfação e insatisfação do
indivíduo e do grupo e que, em seu conjunto, determinam qual o tipo de harmonia ou conflito existente na organização ou parte
dela;
c)Auditoria ou pesquisa de perfil organizacional, técnica que objetiva identificar as características institucionais,
administrativas, políticas e de procedimentos que, consolidadas, permite que seja formulada a definição sobre a organização;
XIV – Diagnosticar:
executar ações que permitam o conhecimento ou a determinação das causas que provocaram determinado fato nas
organizações. A análise conclusiva das informações desse conhecimento ou dessa determinação é chamada diagnóstico;
XV – Prognosticar:
executar ações que permitam antever com antecipação o desfecho ou o encaminhamento de determinada questão. A análise
conclusiva das informações que possibilitam o desfecho ou encaminhamento é chamada prognóstico;
XVI –Público Estratégico ou de Interesse:
segmento definido como sendo portador de interesses mútuos e comuns com a organização.
Art. 2.º - A falta do registro junto ao Conselho Regional respectivo torna ilegal o exercício da profissão, da atividade ou da
função de Relações Públicas, tornando-se o infrator, pessoa física ou jurídica, punível com as cominações definidas no Código
Penal Brasileiro e nas resoluções normativas do CONFERP.

§ 1.º - Na análise dos autos formalizados para aplicação de penalidades pelo exercício ilegal da profissão, o Conselho Regional
apreciará as provas neles contidas a partir das normas previstas nesta resolução.
§ 2.º - Na análise da nomenclatura, o Conselho Regional atentará para os nomes utilizados por pessoas físicas e jurídicas que,
motivadas pela expansão dos negócios da comunicação no mercado e na tentativa de se eximirem da obrigatoriedade legal do
registro profissional, executam funções específicas de Relações Públicas.
§ 3.º - O Conselho Regional decidirá se a atividade ou a função em exame, independente do nome adotado, enquadram-se no
escopo do exercício das Relações Públicas e, em forma de acórdão, proferirá a decisão sobre o feito.
§ 4.º - O Presidente do Conselho Regional, de ofício, recorrerá ao Conselho Federal para que seja apreciada a decisão de
primeira instância, ressalvando-se que da decisão do CONFERP não caberá recurso.
§ 5.º - Confirmada a decisão de primeira instância, o CONFERP expedirá resolução e a ela dará ampla divulgação.
§ 6.º - Reformada a decisão de primeira instância, o CONFERP expedirá acórdão e a ele dará ampla divulgação.
Art. 3.º - Ficam definidas as seguintes funções como privativas da atividade profissional de Relações Públicas:
I – Nos termos das alíneas "a" do art. 2.º da Lei 5.377 e "c" do art. 4.º do Regulamento:
1) elaborar, coordenar, implantar, supervisionar e avaliar:
a)planejamento estratégico da comunicação;
b)comunicação corporativa;
c)campanhas institucionais de informação, integração, conscientização e motivação dirigidas a público estratégico e à
informação da opinião pública e em apoio à administração, recursos humanos, marketing, vendas e negócios em geral;
2) coordenar, implantar, supervisionar, avaliar, criar e produzir material que, em essência, contenha caráter institucional da
organização e se enquadre no escopo da comunicação organizacional e são conhecidos por newsletters e boletins informativos
eletrônicos ou impressos, house-organs, jornais e revistas institucionais de alcance interno ou externo, relatórios para
acionistas, folhetos institucionais, informações para imprensa, sugestões de pauta, balanços sociais, manuais de comunicação,
murais e jornais murais;
3) elaborar planejamento para o relacionamento com a imprensa:
a)definir estratégia de abordagem e aproximação;
b)estabelecer programas completos de relacionamento;
c)manter contato permanente e dar atendimento aos chamados e demandas;
d)elaborar e distribuir informações sobre a organização, que digam respeito às suas ações, produtos, serviços, fatos e
acontecimentos ligados direta ou indiretamente a ela, na forma de sugestões de pauta, press releases e press kits, organizar e
dirigir entrevistas e coletivas;
e)criar e produzir manuais de atendimento e relacionamento com a imprensa;
f)treinar dirigentes e executivos para o atendimento à imprensa, dentro de padrões de relacionamento, confiança e
credibilidade;
4) desenvolver estratégias e conceitos de comunicação institucional por meios audiovisuais, eletrônicos e de informática,
Internet e Intranet;
5) definir conceitos e linhas de comunicação de caráter institucional para roteiros e produção de vídeos e filmes;
6) organizar e dirigir visitas, exposições e mostras que sejam do interesse da organização.
II - Nos termos das alíneas "b", "c" e "d " do art. 2º da Lei 5.377 e "b" e "e" do art. 4.º do Regulamento:
1)coordenar e planejar pesquisas de opinião pública para fins institucionais:
a)analisar os resultados obtidos e proferir diagnóstico;
b)detectar situações que possam afetar a imagem da organização e realizar prognósticos;
2)implantar, realizar, coordenar, dirigir, acompanhar e avaliar:
a)auditoria e pesquisa de opinião;
b)auditoria e pesquisa de imagem;
c)auditoria e pesquisa de clima organizacional;
d)auditoria e pesquisa de perfil organizacional;
III - Nos termos das alíneas "e" do art. 2.º da Lei 5.377 e "g" do art. 4.º do Regulamento, combinado com o disposto na
Resolução do Conselho Nacional de Educação N,º CNE 0016/2002, de 13 de março de 2002:
1)ser professor de disciplinas que têm por objetivo o desenvolvimento das competências específicas da formação do
Profissional de Relações Públicas, a saber:

a)história das Relações Públicas e do desenvolvimento de seu campo profissional no Brasil e no mundo;
b)conceitos fundamentais, métodos e técnicas de Relações Públicas;
c)uso das estratégias, dos instrumentos e das linguagens de comunicação dirigida;
d)métodos e técnicas de diagnóstico e prognóstico da comunicação organizacional e da pesquisa com fins institucionais;
e)aspectos teóricos e práticos do planejamento da comunicação organizacional;
f)legislação das Relações Públicas, código de ética e conduta da profissão;
g)trabalhos práticos orientados de Relações Públicas;
2)supervisionar estágios curriculares ou extra-curriculares;
3)coordenação:
a)de laboratório, escritório-modelo ou agência-modelo;
b)didático-pedagógica específica da habilitação;
IV - Nos termos das alíneas "a", "d " e "f " do art. 4.º do Regulamento:
1)criar, apresentar, implantar, gerar, propor, coordenar, executar e desenvolver políticas e estratégias que atendam às
necessidades de relacionamento da organização com seus públicos;
2)implantar, coordenar, desenvolver e dirigir ações em órgãos públicos que tenham por objeto a comunicação pública ou cívica;
3)acompanhar assuntos de interesse público afetos à organização;
4)definir conceitos e sugerir políticas de:
a)relações públicas para a organização;
b)atitudes ou mudança de atitudes no tratamento com os públicos e em relação à opinião pública;
c)estratégias da comunicação;
d)administração de ações de comunicação em situação de crise e de emergência;
e)apoio ao marketing, dentro das atividades de comunicação dirigida;
f)propaganda institucional;
5)desenvolver, implementar, executar e coordenar campanha de envolvimento com público de interesse, campanha temática
de integração, orientação, motivação, desenvolvimento organizacional e aquela que envolva relacionamento com funcionários,
familiares, acionistas, comunidade, fornecedores, imprensa, governo, clientes, concorrentes, escolas e academias e clubes de
serviços e organizações sociais;
6)definir os públicos estratégicos da organização e caracterizar a segmentação feita de acordo com as técnicas de Relações
Públicas para a definição das relações com funcionários, também chamada de comunicação interna; acionistas; fornecedores;
comunidade; imprensa; clientes; governo; entidades de classes, associações e organizações não-governamentais; entidades
do Terceiro Setor e benemerentes e com qualquer outro tipo de público que seja caracterizado por interesse em comum em
relação à organização;
7)pesquisar, formalizar, promover, orientar e divulgar para os públicos estratégicos a aplicação do Código de Conduta Ética e
do Código de Valores da organização;
8)conceber, criar, planejar, implantar e avaliar eventos e encontros institucionais que tenham caráter informativo para construir
e manter imagem;
9) desenvolver, implementar, montar, coordenar, dirigir, executar e avaliar serviço de relações governamentais executar e
coordenar atividades de Relações Governamentais lobby e cerimonial.
§ 1.º - Para o cumprimento do disposto no inciso III deste artigo, o Conselho Regional examinará as ementas e os programas
das disciplinas oferecidas pelas Instituições de Ensino Superior/IES, independente do nome que tenham, para associá-las às
temáticas elencadas no mencionado inciso e, se for o caso, exigir o registro profissional do professor da disciplina examinada.
§ 2.º - Caso o Conselho Regional encontre óbices para a fiscalização do exercício profissional a que se refere o inciso III deste
artigo, seu Presidente representará ao Presidente do CONFERP para que sejam tomadas as medidas cabíveis junto ao
Ministério da Educação.
Art. 4.º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 5.º - Revogam-se as disposições em contrário.
Brasília, 24 de agosto de 2002
FLÁVIO SCHMIDT
Presidente do Conselho

ANEXO E – PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 324 DE 2005.

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 324, DE 2005
Regulamenta o exercício da profissão de Relações Públicas, revogando a Lei nº 5.377, de 11 de dezembro de 1967, e
dá outras providências.
O Congresso Nacional decreta:
CAPÍTULO I
Da Definição de Relações Públicas e da Designação do Profissional da Área
Art. 1º A atividade e o esforço deliberado, planificado e contínuo, para estabelecer e manter a compreensão mútua entre uma
instituição pública ou privada e os grupos e pessoas a que esteja direta ou indiretamente ligada constituem o objeto geral da
profissão liberal ou assalariada de Relações Públicas.
Art. 2º A designação de “Profissional de Relações Públicas” passa a ser privativa:
a) dos bacharéis formados nos respectivoscursos de nível superior;
b) dos que houverem concluído curso similar no estrangeiro, em estabelecimento legalmente reconhecido, após a revalidação
do respectivo diploma no Brasil;
c) dos que possuírem diploma de bacharel, em qualquer área do conhecimento, e forem aprovados em curso de pósgraduação, lato ou strictu sensu, em Relações Públicas, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo;
d) dos estrangeiros beneficiados por acordo firmado pelo Brasil.
Parágrafo único. Os programas de pós-graduação de que trata a alínea c deverão obedecer a critérios e procedimentos para
enquadramento no campo das Relações Públicas, em termos de grade curricular, no caso de programas de lato sensu, e em
termos de fundamentação teórico-conceitual e do objeto de pesquisa, no que se refere aos programas strictu sensu,
apontados pela
resolução de que trata o art. 8º, § 1º, desta lei.

CAPÍTULO II
Das Atividades Profissionais, das Funções Específicas e do Campo de Trabalho
Art. 3º Consideram-se atividades específicas de Relações Públicas as que dizem respeito:
a) à informação de caráter institucional entre a entidade e o público, através dos meios de comunicação;
b) à coordenação e planejamento de pesquisas da opinião pública, para fins institucionais;
c) ao planejamento e supervisão da utilização dos meios audiovisuais, para fins institucionais;
d) à coordenação, planejamento e execução de campanhas de opinião pública;
e) ao ensino de disciplinas específicas ou técnicas de Relações Públicas em instituições de ensino superior legalmente
reconhecidas;
f) à orientação de dirigentes de instituições públicas ou privadas na formulação depolíticas de Relações Públicas;
g) à promoção de maior integração da instituição na comunidade;
h) à informação e à orientação da opinião pública sobre os objetivos elevados deuma instituição;
i) ao assessoramento na solução de problemas institucionais que influam na posição da entidade perante a opinião pública;
j) à consultoria externa de Relações Públicas;
l) ao planejamento, coordenação e execução de programas de interesse comunitário, de responsabilidade social e cerimonial.
§ 1º As atividades de Relações Públicas, apontadas nas alíneas deste artigo e nos organogramas de empresas públicas ou
privadas, são exercidas sob as denominações de Comunicação Institucional, Comunicação Organizacional, Comunicação
Corporativa, Comunicação Pública e Relações Públicas.
§ 2º O Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas, Sistema Conferp, de que trata o Decreto-Lei nº 860, de 11 de
setembro de 1969, fica autorizado, por meio de resolução, a definir as funções específicas a serem exercidas e a tipificar as
funções de relacionamento com a imprensa e assessoria de imprensa, cerimonial, organização de eventos, pesquisa de
opinião pública e relações governamentais.
§ 3º A tipificação de que trata o parágrafo anterior permitirá a execução das funções específicas ao possuidor do Registro
Profissional Específico (RPE), de que trata o art. 9º desta lei.
§ 4º Tipificadas as funções por resolução do Conferp, nos termos do § 2º, será concedido o Registro Profissional Específico
(RPE) à pessoa que satisfizer as exigências nela descritas.
CAPÍTULO III
Do Registro Profissional, do Registro
Profissional Específico e de Sua Fiscalização
Art. 4º A profissão de Relações Públicas, observadas as condições previstas nesta lei, poderá ser exercida como atividade
liberal, assalariada ou de magistério, nas entidades de direito público ou privado, ou no atendimento de pessoas físicas, tendo
por fim o estudo ou aplicação de técnicas de política social destinada à intercomunicação de indivíduos, instituições
e coletividades.

Art. 5º O exercício em órgãos da administração pública, e em organizações privadas ou de economia mista, de cargos,
empregos ou funções, ainda que de direção, chefia, assessoramento, consultoria e magistério, cujas atribuições envolvam
conhecimentos inerentes às técnicas de Relações Públicas, é privativo do profissional dessa especialidade, devidamente
registrado no Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas – Sistema CONFERP.
Art. 6º O exercício da atividade de Relações Públicas por pessoa jurídica está condicionado ao registro a que se refere o artigo
anterior, exigindo-se-lhe, ainda, a indicação de Profissional de Relações Públicas como Responsável Técnico pelas ações por
ela desenvolvida, ficando o Sistema Conferp autorizadoa definir, por resolução, os termos em que o exercício da atividade
poderá ser exercido.
Art. 7º A falta de registro profissional – RPF e do registro de profissão específica – RPE toma ilegal o exercício da profissão,
tomando-se punível o infrator com as cominações do Código Penal Brasileiro.
Art. 8º O Registro Profissional, de que trata o art. 5º, será concedido ao Profissional de Relações Públicas designado pelo art.
2º desta lei.
§ 1º “Para a obtenção do registro profissional, de que trata o caput, as pessoas incursas no disposto nas alíneas c e d do art. 2º
desta lei deverão comprovar sua competência para o exercício da profissão de Relações Públicas através de aprovação em
exame de qualificação profissional.
§ 2º Fica o Sistema Conferp autorizado a dispor, mediante resolução, sobre a elaboração e aplicação do exame previsto no
parágrafo anterior.
§ 3º Aos Profissionais de Relações Públicas registrados no Sistema Conferp, até a data da publicação desta lei, é assegurado
o exercício da profissão, independentemente de novo registro.
Art. 9º A fiscalização do exercício das atividades profissionais de Relações Públicas e das funções específicas de que trata
essa lei será feita pelo Sistema Conferp, que fica autorizado, sem prejuízo do disposto no Decreto-Lei nº 860, de 11 de
setembro de 1969, a determinar por resolução:
I – os procedimentos que serão cumpridos pelos Conselhos Regionais de Profissionais de Relações Públicas (CONFERP), de
que trata o Decreto-Lei nº 860, de 11 de setembro de 1969, e relativos à:
a) execução e manutenção dos registros apontados nesta lei;
b) cobrança dos valores referentes às taxas para a execução dos atos administrativos e daqueles referentes à anuidade devida
por registro lançado;
c) expedição e controle da Carteira de Identidade Profissional e da Carteira de Identidadede Registro Profissional Específico,
nos termos dos arts. 8º e 9º desta lei;
d) expedição e controle do Certificado de Registro, do Certificado de Responsabilidade Técnica, nos termos do art. 6º desta lei.
II – os procedimentos para a elaboração, realização e avaliação do Exame de Qualificação Profissional, de que trata esta lei.
III – os critérios para Anotação de ResponsabilidadeTécnica, devida aos Conferp.
IV – expedição e controle da Carteira de Estagiário em Relações Públicas, aos bacharelandos matriculados a partir do terceiro
período em Relações Públicas, em curso oferecido por instituição de ensino superior, credenciada pelo Governo Federal.
V – os valores devidos ao Conferp pelos seus registrados serão definidos anualmente mediante correção com base no Índice
de Custo de Vida – ICV, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Parágrafo único. O Conselho Nacional de Educação fica autorizado a fiscalizar o disposto na alínea e do art. 3º, de oficio ou
provocado pelo Conferp.
Art. 10. O portador da Carteira de Identidade Profissional e o da Carteira de Identidade Profissional Especifica poderá
desempenhar suas atividades em todo o território nacional, ressalvadas as instruções do Conferp quanto à jurisdição do
Conferp que a expedir.
Art. 11. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 12. Revoga-se a Lei nº 5.377, de 11 de dezembro de 1967.
Justificação
A Lei nº 5.377, de 11 de dezembro de 1967, que rege a atividade dos profissionais em relações públicas já foi superada pelo
tempo. Na realidade, ela representava uma norma compatível com o tempo em que foi aprovada. A atividade desses
profissionais estava, quase quarenta anos atrás, iniciando um processo de consolidação. Hoje, a evolução tecnológica e o
aprofundamento da experiência profissional, nesse meio, exigem uma atualização legal.
Propõe-se, então, alterar as definições das atividades e funções exercidas pelos profissionais de relações públicas, com o
intuito de modernizar a legislação e fazer justiça para com esses competentes profissionais, imprescindíveis nas relações entre
instituições, o público e as pessoas. Trata-se, em última instância, de prevenir conflitos e realçar compatibilidades,
estabelecendo a harmonia nos relacionamentos produtivos, públicos ou privados.
Na realidade, os profissionais de relações públicas foram chamados a exercer, pela sua competência profissional, uma série de
outras atividades, nas quais os avanços dos meios tecnológicos de comunicação e de relacionamento tornaram exigíveis a
presença de um profissional capacitado.
As pesquisas de opinião, a utilização dos meios audiovisuais, as campanhas de opinião pública e a formulação de políticas de
relações públicas são apenas alguns dos exemplos de atividade que exigem hoje um profissional de bom nível. Como
conseqüência, as demandas educacionais também foram afetadas, exigindo-se uma atualização curricular constante nas
instituições de ensino e um esforço pessoal dos profissionais para se manter em condições de acompanhar a evolução do
mercado de trabalho nesse campo.
Como a profissão evoluiu, ocupando novas vertentes de trabalho, com especificidades a ser consideradas, nossa proposição
pretende instituir um registro profissional específico. Atende-se assim a uma tendência à especialização, fenômeno que
abrange quase todas as profissões. Na mesma direção está a exigência de uma responsabilização técnica, sem a qual os

contratadores dos serviços de relações públicas e a fiscalização do exercício profissional não teriam garantias de bons
resultados.
Por sua vez, o exame de proficiência certamente será um instrumento positivo. Ele servirá como um elemento de melhoria na
qualidade profissional e de controle da existência de uma capacitação mínima, sem a qual os cidadãos que precisarem do
trabalho dos profissionais de relações públicas podem ser enganados por mera titulação universitária, sem garantias
de formação adequada.
O exame de proficiência pode servir também para difundir conhecimentos e definir alguns conteúdos didáticos mínimos a
serem observados na realização dos cursos superiores de educação. Também servirá como parâmetro e como referência para
a atualização dos profissionais em atividade, com relação aos avanços teóricos e tecnológicos pertinentes à área.
Tratando-se de um tema que exige atualização constante, o ideal é que o Sistema CONFERP assuma a responsabilidade pela
regulamentação das minúcias necessárias a tornar efetivas as novas regras legais.
Nesse sentido, estamos propondo que esses Conselhos fiquem autorizados a promover, mediante resolução, as ações
necessárias à eficácia da legislação.
Pretendemos, então, dar à iniciativa um conteúdo mínimo, transferindo aos Conselhos a responsabilidade de regulamentar.
Pela sua natureza autorizativa, a proposta pretende colaborar com o Poder Executivo, a quem cabe, em última instância, as
decisões que envolvam as instâncias administrativas.
Estas as razões que nos levam a pleitear o apoio de nossos Pares para a aprovação desta iniciativa, justa e necessária para
valorizar os profissionais de Relações Públicas e atualizar a regulamentação profissional vigente.
Sala das Sessões, – Senador Marco Maciel.