Gabriela Marroquim dos Santos
A cidade desde o colo: participação, educação e cuidado de bebês em uma ocupação urbana de Maceió
Resumo
Esta pesquisa de mestrado em andamento investiga a participação de crianças bem pequenas desde bebês, de 0 a 3 anos, nos cotidianos familiares, comunitários e territoriais de uma ocupação urbana localizada na parte alta de Maceió, Alagoas. Tem como objetivo compreender seus modos de participação, analisando as práticas de educação e cuidado que atravessam suas experiências de habitar esse território. Busca caracterizar a história, a organização comunitária e as condições materiais da ocupação, descrever as iniciativas, interações, movimentos, ritmos e recusas dos bebês e analisar como as práticas familiares e comunitárias, articuladas às condições territoriais, ampliam, restringem ou reorganizam suas experiências e seu acesso a direitos. Fundamenta-se nos Estudos Sociais da Infância, em diálogo com discussões sobre bebês, culturas infantis, movimentos sociais, direito à moradia e direito à cidade. Reconhece os bebês como sujeitos históricos, sociais e culturais, cujas formas de participação se expressam também por linguagens corporais e não verbais. Adota abordagem qualitativa, configurada como estudo de caso com aproximações etnográficas. Prevê o acompanhamento de quatro a cinco bebês durante aproximadamente quatro meses, após aprovação ética, mediante observação participante sistemática, diário de campo, registros fotográficos e audiovisuais e entrevistas semiestruturadas com familiares, cuidadores e liderança comunitária. O material será examinado por meio da análise temática de conteúdo. Além do consentimento dos responsáveis legais, a pesquisa prevê o assentimento processual dos bebês, com atenção contínua às manifestações de interesse, desconforto e recusa. Como o trabalho de campo está previsto no projeto, ainda não são apresentados resultados empíricos. Espera-se ampliar a compreensão das experiências educativas e de cuidado para além das instituições de Educação Infantil, contribuindo para o reconhecimento da participação dos bebês na vida coletiva e para debates sobre políticas públicas, desigualdades urbanas e direitos das crianças.
