Matheus Vieira da Silva
A CULTURA DA AVALIAÇÃO EXTERNA E SUAS IMPLICAÇÕES PARA AS DESIGUALDADES EDUCACIONAIS: UMA ANÁLISE EM ESCOLAS DO MUNICÍPIO DE MARECHAL DEODORO – AL
Resumo
As reformas do Estado, implementadas após a década de 1990, desencadearam um conjunto de reformulações nas maneiras de conduzir a sociedade, reconfigurando o cenário político e administrativo brasileiro. Para fiscalizar se essa reestruturação realmente se efetivou no cenário educativo, o Estado passou a adotar estratégias como as políticas de avaliações externas, que a depender do resultado avaliativo, verte-se em consequências para aqueles que estão sendo avaliados. Temendo as consequências das avaliações, as escolas mudam suas configurações para corresponderem aos resultados avaliativos, ainda que essa não seja a necessidade para a transformação social das comunidades em que elas estão inseridas. À vista disso, considerando os cenários de desigualdades que permeiam as escolas públicas brasileiras, o objetivo geral dessa pesquisa é discutir acerca das implicações da cultura da avaliação externa para os cenários de desigualdades educacionais, objetivando especificamente apresentar as repercussões da cultura da avaliação externa na escola pública; os efeitos que ela causam para a função social da escola e quais são as consequências de sua repercussão. Para isso, desenvolveu-se uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, por meio de um estudo exploratório, tendo como técnica a Revisão da Literatura. Para fundamentar as discussões encontradas, foi desenvolvida uma pesquisa documental acerca das normativas que regem essa configuração e almejando analisar os efeitos desse fenômeno no ambiente em que ele acontece, serão extraídos dados empíricos a partir de entrevistas semiestruturadas com aqueles que vivenciam a realidade causada pelo objeto investigado. A análise dos dados será investigada sobre as estruturações de uma análise temática, que associa os dados extraídos a subtemas presentes em sua estruturação, analisando não apenas a temática, mas os contextos que a originou. Os resultados apresentam que durante o processo de avaliação, os efeitos das avaliações apresentam consequências para aqueles que são avaliados. E caso as configurações avaliativas não considerem as realidades dos que avaliam, sobretudo quando imersos em cenários de desigualdades e vulnerabilidades, ao invés de contribuir para a reconfiguração desses cenários podem resultar na sua reprodução e intensificação.
