Priscila Gomes dos Santos
POR UMA FILOSOFIA DO EU: O TERCEIRO DOMÍNIO FOUCAULTIANO E A HERMENÊUTICA DE SI.
Resumo
Com as transformações correntes, insistentes e rigorosas que a sociedade nos impõe, a educação surge como um hiato nas linhas das resistências para pôr em xeque o status quo. Dessa maneira, a educação é o lápis que se inscreve nas linhas da história para lançar novas formas de agir, de ser, de sentir, tudo isso impregnado de subjetividades, de particularidades, de coletividades, de sensos e de contra sensos, de debates e embates, continuidades e descontinuidades, no jogo no movimento da vida, dos saberes e das transformações, de si e outro. E nesse contexto, é importante indagar quais as implicações do campo educacional para a sociedade, para a formação dos sujeitos, para formas estéticas de existências. Deste modo, o problema central desta pesquisa é: quais as correlações podemos estabelecer entre o terceiro domínio foucaultiano e os modos de subjetivação dos sujeitos, através da educação formal, da modernidade e do contexto social e educacional brasileiros? Para isto, esta pesquisa é de cunho bibliográfico. Os textos foram selecionados em razão de seus descritores principais, além da revisão sistemática feita para constatação da relevância para o texto. Foram utilizadas as plataformas SciELO, Libgen.is, Google Scholar e RIUFAL 1 . Dessa maneira, estes são os pilares em que esta pesquisa se ancora: a) a hermenêutica; b) a pesquisa foucaultiana e; c) a Inteligência Artificial (IA) - segundo cérebro. As brechas analíticas legadas por Michel Foucault são potentes, no sentido de ajudar a investigar nosso presente e as relações que nelas acontecem. É sob a ótica do terceiro domínio de “permitir que aos indivíduos por conta própria ou com a ajuda de outros” e “obtendo assim uma transformação de si mesmo” que se pode relacionar com a educação, com as práticas pedagógicas. Com isso, pode-se inferir que nas legislações educacionais brasileiras há o intuito, assim como as práticas de si de desenvolvimento de certas habilidades e certas atitudes. Nesse cenário, os biopoderes e as biopolíticas, que são os poderes “invisíveis” que gerem os corpos individuais e coletivos, agem nessa relação. Para constituição dessa discussão, a tríade conceitual - psicagogia, parrésia e cuidado de si - são importantes no que diz respeito a ir além do que Foucault legou.
