Paulo Henrique dos Santos
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA (IAGen) COMO DISPOSITIVO PARA APRENDIZAGEM DE GEOMETRIA ESPACIAL: TRILHAS CARTOGRÁFICAS DE UMA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA
Resumo
A crescente inserção das Inteligências Artificiais Generativas (IAGen) nos contextos educacionais tem provocado reflexões acerca de suas potencialidades para os processos de ensino e aprendizagem, especialmente no campo da Educação Matemática. A pesquisa teve como objetivo geral compreender como se constituem as trilhas de aprendizagem do cálculo de volume a partir das interações de estudantes com a Inteligência Artificial Generativa, em uma perspectiva cartográfica. Como objetivos específicos, buscou-se mapear as concepções iniciais dos estudantes sobre geometria espacial e Inteligência Artificial Generativa; analisar as interações estabelecidas entre estudantes e IAGen durante a resolução de problemas envolvendo volume e identificar as estratégias de resolução mobilizadas ao longo da intervenção pedagógica. A investigação foi orientada pela seguinte questão norteadora: Como se constituem as trilhas de aprendizagem do cálculo de volume a partir das interações de estudantes com a Inteligência Artificial Generativa? Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, inspirada no método cartográfico de pesquisa intervenção, fundamentada na perspectiva da cartografia proposta por Passos, Kastrup e Escóssia (2015). O lócus da pesquisa foi uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública municipal localizada em Barra de Santo Antônio, Alagoas. Os sujeitos participantes foram 40 estudantes do 9° ano do turno Vespertino. Para a produção dos dados, foram utilizados diferentes dispositivos cartográficos, entre eles o diário de campo do pesquisador, os registros produzidos pelos estudantes, as interações realizadas com a IAGen, rodas de conversa, observações participantes, produções escritas e registros fotográficos das atividades desenvolvidas. A análise dos dados foi organizada a partir dos movimentos atencionais da cartografia — rastreio, toque, pouso e reconhecimento atento — que possibilitaram a identificação e interpretação das pistas emergentes ao longo da investigação. Entre as principais categorias analíticas destacaram-se: as dificuldades matemáticas que atravessam a aprendizagem do volume; a contextualização como elemento de construção conceitual; as múltiplas estratégias de resolução mediadas pela IAGen; e a mediação docente diante das respostas produzidas pela IAGen. Os resultados evidenciaram que a IAGen favoreceu a exploração de diferentes estratégias de resolução, ampliou as possibilidades de compreensão dos conceitos relacionados ao cálculo de volume e estimulou processos de reflexão sobre o próprio raciocínio matemático. Os achados também indicaram que a contextualização dos conteúdos e a mediação docente permaneceram elementos fundamentais para a construção dos conhecimentos matemáticos. Conclui-se que a Inteligência Artificial Generativa pode atuar como um recurso potencializador da aprendizagem matemática quando integrada a práticas pedagógicas intencionais, críticas e contextualizadas, sem substituir o papel do professor, mas fortalecendo sua atuação como mediador do processo educativo.
