Emanuelle Correia da Silva
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DESENVOLVIDAS COM A CRIANÇA COM TEA EM UMA INSTITUIÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Resumo
A Educação Infantil é um direito constitucional assegurado às crianças e aos bebês, nos últimos anos houve um aumento nas matrículas de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ocasionando um novo desafio para os professores. O currículo, nesta etapa da educação básica, é constituído pelas interações e brincadeira e as práticas pedagógicas são desenvolvidas na articulação entre os saberes e experiências da criança e os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, por meio da indissociabilidade entre o cuidar e o educar. O aumento significativo de crianças com TEA na Educação Infantil têm provocado questionamentos relacionados a quais práticas pedagógicas devem ser desenvolvidas com uma criança com TEA em uma instituição de educação infantil? Partindo da hipótese de que essas práticas devem considerar, nos elementos da rotina e do planejamento, o protagonismo e a participação dessa criança, respeitando seus interesses, especificidades e ritmos de aprendizagem, este estudo tem como finalidade refletir sobre as práticas pedagógicas desenvolvidas na Educação Infantil para garantir às crianças com TEA o direito à educação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de cunho bibliográfico, baseada nos estudos de Barbosa (2006; 2010), Fochi (2023), Fortunati (2019; 2021), Ribeiro (2023) e Rinaldi (2016; 2024), dentre outros sobre a identidade, as práticas e o currículo da Educação Infantil e, estabelece um diálogo interdisciplinar com as pesquisas de Drago (2014a; 2014b), Martins et. al. (2010), Mendes (2010; 2015; 2018), Sella e Ribeiro (2018), Schmidt (2013; 2016), dentre outros sobre a inclusão escolar na Educação Infantil e a criança com TEA. E, do tipo Estudo de Caso realizado em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), pertencente à rede municipal de ensino de Maceió-AL. Os procedimentos metodológicos utilizados foram: entrevistas semiestruturadas com a equipe gestora (coordenadora e diretora escolar), profissional de apoio escolar (PAE) e professoras referência e da Educação Especial; observação não participante e análises de planos pedagógicos. Nas entrevistas realizadas foi verificado que os desafios envolvem à formação continuada, indicando que esta precisa ser ofertada com mais frequência e com temáticas relacionadas à inclusão na Educação Infantil; quanto ao planejamento, este deve ocorrer de forma colaborativa para favorecer a articulação e o alinhamento entre os profissionais envolvidos nos processos de inclusão. Os resultados preliminares, também, apontam que o processo de inclusão da criança com TEA na instituição de Educação Infantil ocorre numa perspectiva global, ou seja, a inclusão dar-se-á durante todas as atividades sem distinção de metodologias, materiais ou recursos. No contexto educacional, a criança com TEA realiza as atividades de forma igual às demais, sem que haja uma adequação em relação aos seus interesses, especificidades e necessidades ou flexibilização curricular. O planejamento da professora referência para a criança com TEA não apresenta variação em relação às demais, nem dialoga com o planejamento desenvolvido pela professora de Educação Especial no Atendimento Educacional Especializado (AEE). As práticas pedagógicas observadas no cotidiano indicam que a participação da criança só acontece quando está relacionada ao seu interesse. O tempo e os ritmos no desenvolvimento das atividades são considerados a partir do interesse e da adequação às necessidades da criança com TEA.
