17. Educação financeira: um olhar sobre a sua presença nos livros didáticos de matemática dos Anos Finais do Ensino Fundamental
Autora: Silvia Joana Costa Rodrigues. Orientador: Prof. Dr. Amauri da Silva Barros. Coorientador: Prof. Dr. Elton Casado Fireman. Defesa de dissertação número 151. Data: 29/08/2022.
Dissertação SIGAA.pdf
Documento PDF (8.8MB)
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA
SILVIA JOANA COSTA RODRIGUES
EDUCAÇÃO FINANCEIRA: UM OLHAR SOBRE A SUA PRESENÇA NOS LIVROS
DIDÁTICOS DE MATÉMATICA DOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
MACEIÓ
2022
SILVIA JOANA COSTA RODRIGUES
Educação Financeira: um olhar sobre a sua presença nos livros didáticos de Matemática
dos Anos Finais do Ensino Fundamental
Dissertação apresentada à banca examinadora da
Universidade Federal de Alagoas, do Programa de
Pós-Graduação
em
Ensino
de Ciências
e
Matemática, como exigência parcial para a
obtenção do título de Mestre em Ensino de
Ciências e Matemática.
Orientador: Prof. Dr. Amauri da Silva Barros.
Coorientador: Prof. Dr. Elton Casado Fireman
MACEIÓ
2022
Catalogação na fonte Universidade
Federal de Alagoas Biblioteca
Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Taciana Sousa dos Santos – CRB-4 – 2062
R696e
Rodrigues, Silvia Joana Costa.
Educação financeira: um olhar sobre a sua presença nos livros
didáticos de matemática dos anos finais do ensino fundamental / Silvia
Joana Costa Rodrigues. – 2022.
144 f. : il. color.
Orientador: Amauri da Silva Barros.
Coorientador: Elton Casado Fireman.
Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática ) –
Universidade Federal de Alagoas. Centro de Educação. Programa de PósGraduação em Ensino de Ciências e Matemática. Maceió, 2022.
Inclui produto educacional.
Bibliografia: f. 115-119.
Apêndice: f. 121-144.
1. Educação financeira. 2. Educação matemática crítica. 3. Livro
didático – Análise. 4. Ensino fundamental – Anos finais. I. Título.
CDU: 51 : 657
SILVIA JOANA COSTA RODRIGUES
Educação financeira: um olhar sobre a sua presença nos livros didáticos de
matemática dos Anos Finais do Ensino Fundamental
Dissertação apresentada à banca examinadora como requisito parcial para a obtenção
do Título de Mestre em Ensino de Ciências e Matemática, pelo Programa de Pós-Graduação
em Ensino de Ciências e Matemática do Centro de Educação da Universidade Federal de
Alagoas, aprovada em 29 de agosto de 2022.
BANCA EXAMINADORA
Prof. Dr. Amauri da Silva Barros
Orientador
(IM/Ufal)
Prof. Dr. Elton Casado Fireman
Coorientador
(Cedu/Ufal)
Profa. Dra. Cristiane Azevêdo Santos Pessoa
(UFPE)
Prof. Dr. Givaldo Oliveira dos Santos
(Ifal)
A minha família.
AGRADECIMENTOS
A Deus, pelo dom da vida e pelas incontáveis bençãos a mim concedidas.
A minha família por todo apoio, incentivo e amor incondicional.
Ao meu esposo Luiz Carvalho, por ser minha inspiração diária.
Ao meu orientador, professor Dr. Amauri da Silva Barros, pelo acolhimento e compreensão
durante a elaboração dessa pesquisa.
Ao meu coorientador, professor Dr. Elton Casado Fireman. A quem considero muito mais que
um orientador, um amigo. Obrigada pelo auxílio e compreensão durante o meu percurso de
escrita.
A banca examinadora, Profa. Dra. Cristiane Azevêdo e ao Prof. Dr. Givaldo Oliveira, pelas
inúmeras contribuições feitas à esta dissertação.
Aos meus amigos de graduação Gustavo Barros e Adson Palmeira, pelas vastas horas de
conversas e trocas de experiências acadêmicas e de vida.
Aos meus amigos e professores da turma do PPGECIM 2019.
RESUMO
Saber lidar com questões relacionadas ao consumo e planejamento financeiro pessoal, vem
ganhando destaque nas preocupações dos brasileiros. Nessa perspectiva, torna-se cada vez mais
necessário aprender a administrar os recursos financeiros de maneira crítica e consciente. De
modo que o consumo seja feito de maneira positiva para si e para o mundo. Nesse sentido a
Educação Financeira (EF) tem se apresentado como tema rico para discussões referentes a
importância de refletirmos acerca do consumo e da necessidade do planejamento financeiro,
estando relacionada com as mais diversas áreas. Em nossa pesquisa, nos limitamos em
compreender a EF na perspectiva da Educação Matemática e Ensino de Matemática no contexto
escolar. Localizamos o leitor (a) que os estudos acerca desse tema vêm ganhando destaque no
cenário nacional, após as recomendações da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE) assinalar a urgência em discutir os mais variados temas
como aposentadoria, consumo de produtos econômicos e planejamento financeiro pessoal e a
sua discussão a partir da criação da ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira). Nessa
perspectiva, nossa pesquisa é qualitativa do tipo documental e fundamente-se da Teoria da
Educação Matemática Crítica de Ole Skovsmose (2000). Compreendemos que a EF é um tema
complexo e que não se resume a simples exercícios e conceitos. Como dados da nossa pesquisa,
analisamos as onze coleções de Matemática aprovadas no PNLD 2020 dos 6°, 7°, 8° e 9° anos
à luz dos ambientes de aprendizagem de Skovsmsose (2014). Como resultado do estudo
podemos observar que todas as coleções apresentam uma referência a Educação Financeira.
Entretanto, notamos que as atividades e tarefas apresentadas nas coleções, estão principalmente
inseridas no paradigma do exercício fazendo referência à semi-realidade. O que nos permite
destacar a necessidade de pensarmos em atividades cada vez mais interdisciplinares e
transversais que permitam aos estudantes refletirem de maneira crítica a respeito das ações
financeiras presentes no seu cotidiano, utilizando os conhecimentos matemáticos como um
grande aliado para auxiliar nas suas escolhas ao longo da vida. Desta maneira, em nosso estudo
salientamos a importância da discussão da EF nas salas de aula de Matemática e vemos nos
livros didáticos um instrumento aliado nesse processo e ensino. Todavia, salientamos que
baseado nas nossas análises nas atividades presentes nas coleções é necessário a intervenção do
docente para tonar as situações e atividades presentes nesses manuais mais realística a realidade
e o contexto de cada estudante.
Palavras-Chaves: Educação Financeira. Análise de livros Didáticos. Educação Matemática
Crítica. Anos Finais.
ABSTRACT
Knowing how to deal with issues related to consumption and personal financial planning has
been gaining prominence in the concerns of Brazilians. From this perspective, it becomes
increasingly necessary to learn to manage financial resources critically and consciously. So that
consumption is done in a positive way for you and the world. In this sense, Financial Education
(EF) has been presented as a rich topic for discussions regarding the importance of reflecting
on consumption and the need for financial planning, being related to the most diverse areas. In
our research, we limited ourselves to understanding PE from the perspective of Mathematics
Education and Mathematics Teaching in the school context. We find the reader that studies on
this topic have been gaining prominence on the national scene, after the recommendations of
the Organization for Economic Cooperation and Development (OECD) point out the urgency
in discussing the most varied topics such as retirement, consumption of economical products
and personal financial planning and its discussion since the creation of ENEF (National Strategy
for Financial Education). From this perspective, our research is qualitative, of the documentary
type and is based on Ole Skovsmose's Theory of Critical Mathematics Education (2000). We
understand that PE is a complex topic and that it is not limited to simple exercises and concepts.
As data from our research, we analyzed the eleven Mathematics collections approved in the
PNLD 2020 for the 6th, 7th, 8th and 9th years in the light of the learning environments of
Skovsmsose (2014). As a result of the study, we can observe that all collections have a reference
to Financial Education. However, we noticed that the activities and tasks presented in the
collections are mainly inserted in the exercise paradigm referring to the semi-reality. This
allows us to highlight the need to think about increasingly interdisciplinary and transversal
activities that allow students to critically reflect on the financial actions present in their daily
lives, using mathematical knowledge as a great ally to assist in their choices throughout of life.
In this way, in our study we emphasize the importance of discussing PE in Mathematics
classrooms and we see textbooks as an ally instrument in this process and teaching. However,
we emphasize that based on our analyzes of the activities present in the collections, the teacher's
intervention is necessary to make the situations and activities present in these manuals more
realistic to the reality and context of each student.
Keywords: Financial Education. Textbook analysis. Critical Mathematics Education. Final
Years.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO........................................................................................................... 11
2. EDUCAÇÃO FINANCEIRA..................................................................................... 16
2.1 Da Matemática Financeira à Educação Financeira ..................................................... 16
2.2 A Educação Financeira no Brasil ................................................................................ 22
2.3 Educação Financeira Escolar ...................................................................................... 26
2.4 A Educação Financeira nos documentos oficiais ........................................................ 32
3. PANORAMA DAS PESQUISAS EM EDUCAÇÃO FINANCEIRA NOS ANOS
FINAIS......................................................................................................................... 42
3.1 Revisão Sistemática da Literatura ............................................................................... 42
3.2 Síntese e categorização da RSL .................................................................................. 45
3.3 Análise e discussão dos dados coletados..................................................................... 61
3.4 Educação Financeira nos Livros Didáticos ................................................................. 64
4. EDUCAÇÃO MATEMÁTICA CRÍTICA ............................................................... 69
4.1 Concepções da Educação Matemática Crítica ............................................................ 69
4.2 Educação Matemática Crítica e os ambientes de aprendizagem ................................. 70
5. PERCURSOS METODOLÓGICOS ........................................................................ 78
5.1 Objetivos ..................................................................................................................... 79
5.2 Método ........................................................................................................................ 80
6. ANÁLISE DOS LIVROS DIDÁTICOS ................................................................... 85
6.1 O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) ...................................................... 85
6.2 Discussão e análise dos Livros Didáticos ................................................................... 86
6.3 Categorização das atividades por ambiente de aprendizagem .................................... 88
6.4 Discussão das coleções................................................................................................ 97
6.4.1 Coleção 1 .................................................................................................................. 97
6.4.2 Coleção 2 .................................................................................................................. 99
6.4.3 Coleção 3 ................................................................................................................ 101
6.4.4 Coleção 4 ................................................................................................................ 102
6.4.5 Coleção 5 ................................................................................................................ 102
6.4.6 Coleção 6 ................................................................................................................ 104
6.4.7 Coleção 7 ................................................................................................................ 105
6.4.8 Coleção 8 ................................................................................................................ 106
6.4.9 Coleção 9 ................................................................................................................ 107
6.4.10 Coleção 10 ............................................................................................................ 109
6.4.11 Coleção 11 ............................................................................................................ 110
6.5 Refletindo acerca dos resultados encontrados........................................................... 112
7. PRODUTO EDUCACIONAL ................................................................................. 113
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 115
REFERENCIAS........................................................................................................ 117
APENDICE ............................................................................................................... 122
11
1. INTRODUÇÃO
Durante a minha graduação em Licenciatura em Matemática, pela Universidade Federal
de Alagoas, tive a oportunidade de participar do PIBID (Programa de Institucional de Bolsa de
Iniciação à Docência), e lá pude observar de perto algumas lacunas e dificuldades enfrentadas
pelos estudantes das escolas públicas e pelos docentes, que orientavam as ações desenvolvidas
pelo programa. Por influência disso, iniciei as minhas buscas por estudos que me auxiliassem
a aproximar os estudantes dos temas e questões referentes à Matemática. De modo que os alunos
pudessem relacionar os conteúdos estudados em sala com a matemática presente no seu
contexto de vida
Após realizar diversas leituras, no decorrer da graduação, a Educação Matemática
Crítica (EMC) despertou um particular interesse; pois por meio dela é possível
compreendermos que a Matemática pode transcender a simples resolução de atividades,
possibilitando que o estudante possa refletir e agir em situações sociais e políticas. A Educação
Matemática Crítica se alinha com as minhas concepções como docente pois compreendo que o
estudante precisa desenvolver a criticidade a partir das discussões dos temas apresentados em
sala de aula. De tal modo que os conceitos e conteúdos apreendidos na escola possam refletir
nas suas ações como um sujeito pertencente a sociedade e possa transcender o espaço escolar.
Nessa perspectiva, o nosso estudo surge de inquietações que me acompanharam durante
a minha trajetória acadêmica. Notamos a urgente necessidade de construirmos uma escola que
atenda as demandas de uma educação mais crítica, na qual os alunos se posicionem como
protagonistas do seu próprio aprendizado. Infelizmente, ainda é comum encontrarmos nas aulas
de Matemática a presença de um modelo de ensino tradicional, em que os alunos são vistos
apenas como depósitos de conteúdo. Compreendemos que os nossos estudantes precisam estar
preparados para lidar com situações que não se resumem apenas a manipulações de cálculos
matemáticos, mas que sejam capazes de utilizar do conhecimento matemático para tomada de
decisão reflexiva e problematizadora.
Nessa ótica, a Educação Matemática Crítica se contrapõe à educação tradicional por
defender uma educação matemática que prioriza uma reflexão crítica e contribui para o
pensamento emancipatório do indivíduo. Tendo em vista a vastidão de temas e conteúdo que
podem ser explorados à luz da Educação Matemática Crítica, elencamos a Educação
12
Financeira como tema central do nosso estudo. Em especial, propomos um olhar
para a Educação Financeira Escolar na perspectiva de proporcionar aos estudantes uma
reflexão crítica e tomada de decisão consciente acerca dos seus hábitos e decisões
financeiras.
Compreendemos que a Educação Financeira permite que todas as pessoas
vivenciem a cidadania de uma melhor maneira e auxilia na tomada das melhores decisões
para si, para sua família, para sua comunidade e consequentemente, para toda a sociedade.
Tendo em vista essa perspectiva, que compreendemos uma maior pertinência em
trabalhar essa temática ao nos depararmos com as inúmeras consequências econômicas e
sociais que se fazem presente no contexto pós pandêmico da Covid -19.
Dessa forma, entendemos que a forma como devemos lidar com o dinheiro é
determinante para nos mantermos seguros e protegidos de eventuais situações
inesperadas. Uma boa relação com o dinheiro nos possibilita planejar e executar sonhos
e desejos, sejam eles de curto prazo ou de longo prazo.
Em nossa pesquisa, abordarmos o tema Educação Financeira à luz da Teoria da
Educação Matemática Crítica, olhando para a inserção desse tema no cenário escolar, em
especial nos livros didáticos de Matemática, destinados aos estudantes dos Anos Finais
do Ensino Fundamental. Entendemos que quanto mais cedo a criança for apresentada às
questões relativas ao mundo financeiro, melhor ela estará preparada para lidar com o seu
orçamento financeiro no futuro. Além de proporcionar aos estudantes não só refletirem
acerca de dinheiro, mas a existência de problemas sociais relacionados as desigualdades
e a questões políticas.
Concebemos que o estudo nessa vertente da Educação Matemática, é uma
tendência mundial por destacar, como afirma Savoia et al (2007) que:
Na sociedade contemporânea, os indivíduos precisam dominar um conjunto
amplo de propriedades formais que proporcione uma compreensão lógica e
sem falhas das forças que influenciam o ambiente e as suas relações com os
demais. O domínio de parte dessas propriedades é adquirido por meio da
educação financeira, entendida como um processo de transmissão de
conhecimento que permite o desenvolvimento de habilidades nos indivíduos,
para que eles possam tomar decisões fundamentadas e seguras, melhorando o
gerenciamento de suas finanças pessoais. Quando aprimoram tais capacidades,
os indivíduos tornam-se mais integrados à sociedade e mais atuantes no âmbito
financeiro, ampliando o seu bem -estar. (SAVOIA, 2007, p. 1122)
13
Temos a compreensão que a Educação Financeira possibilita ao cidadão uma
tomada de decisão crítica, reflexiva. A autora, Hoffman (2012), destaca em seu estudo a
importância da inserção da Educação Financeira no contexto da educação escolar, em
especial associada aos conhecimentos da Matemática Escolar. Vislumbramos que as aulas
de Matemática se constituem um terreno fértil para as discussões acerca da Educação
Financeira, por abordar situações como cálculo de porcentagem, cálculos de juros e
divisões proporcionais, inerentes a Matemática Financeira, que se apresentam como
ponto de partida para reflexões mais aprofundadas voltadas a Educação Financeira.
Todavia, compreendemos que a Educação Financeira pode estar integrada as mais
diversas áreas do contexto escolar.
Entendemos a necessidade do acesso à Educação Financeira pelos alunos da
educação básica, em especial alunos dos anos finais do Ensino Fundamental, como uma
forma de apresentar novas possibilidades e da melhoria da qualidade de vida, tanto
pessoal como familiar. Salientamos que o Estudo da EF é importante em todas as etapas
escolar, entretanto propomos o recorte para os estudantes dos anos finais pois são
adolescentes e em breve serão adultos e terão que lidar com o dinheiro de forma mais
efetiva. Compreendemos que alguns desses alunos sentem a urgência familiar em entrar
no mercado de trabalho informal sendo muita das vezes explorados e tornando-se vítimas
vulneráveis que geram um ciclo vicioso e de desgaste para os mais necessitados.
Em nosso estudo, buscamos discutir e refletir a respeito dos temas ligados a
Educação Financeira, presente nos livros didáticos de Matemática nos Anos Finais do
Ensino Fundamental. Para tanto, buscamos construir um arcabouço teórico que aborda as
concepções de Educação Matemática Crítica, Skovsmose (2000a, 2000b, 2001, 2015),
Educação Financeira, e análise de alguns documentos oficiais como OCDE (2005), ENEF
(2010), BNCC (2014) e a Cidadania Financeira em BRASIL (2018b). Essas leituras nos
subsidiam para uma compreensão mais ampla do tema estudado.
Nossa pesquisa está inserida na linha de pesquisa “Saberes e Práticas Docentes” e
aborda o tema “Educação Financeira: um olhar sobre a sua presença nos livros didáticos
de Matemática dos Anos Finais do Ensino Fundamental”. Compreendemos que a
temática escolhida é ampla, delimitamos o nosso estudo de modo que ele tratará da
análise de toda as onze coleções de livros didáticos de Matemática, voltadas aos Anos
14
Finais do Ensino Fundamental, aprovados no Programa Nacional do Livro Didático PNLD 2020.
Como questão norteadora do estudo, buscamos compreender “Como a Educação
Financeira é explorada nos livros didáticos de Matemática, aprovados no PNLD 2020,
voltados aos anos finais do ensino fundamental? Situamos o leitor, que os livros didáticos
aprovados pelo PNLD 2020 são as primeiras coleções que abordam, a partir das
orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a Educação Financeira como
um tema transversal e integrador.
Destacamos também que a presente pesquisa tem como objetivo central identificar
a presença de temáticas e atividades relacionadas à Educação Financeira nas coleções de
livros didáticos de Matemática, aprovados no PNLD 2020 nos anos finais do ensino
fundamental. Categorizando-as à luz dos ambientes de aprendizagem, propostos na teoria
da Educação Matemática Crítica do pesquisador SKOVSMOSE (2014).
Como objetivos específicos deste trabalho pretendemos, olhar para BNCC e
localizar quais conteúdos matemáticos dispostos nos currículos dos anos finais, possuem
potencial para o trabalho com a Educação Financeira. Posteriormente, analisaremos as
onze coleções de livros didáticos aprovados no PNLD 2020 e as suas 44 obras à luz dos
ambientes de aprendizagem de SKOVSMOSE (2014); e como último objetivo específico
apresentaremos um livro em formato digital e-book,
destinados a professores de
Matemática dos anos finais do ensino fundamental para o ensino dos conteúdos de
Educação Financeira, tanto na perspectiva de auxilia-los nos conteúdos abordados nos
livros didáticos, como ajuda-los na organização e planejamento financeiro pessoal.
O presente estudo está organizado em seis capítulos excluindo a introdução. No
primeiro capítulo nos dedicamos a introduzir ao tema Educação Financeira e analisar os
documentos oficiais que dão suporte para a Educação Financeira no cenário brasileiro.
Foram analisados os decretos aprovados pelo governo, a Lei de Diretrizes Bases (LDB),
tecemos um olhar para os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) até adentrarmos nas
recomendações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Nessa seção nos
debruçamos também em analisar as estratégias de promoção da Educação Financeira na
perspectiva da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), da Organização para
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a proposta de Cidadania
Financeira do Banco Central Brasileiro.
15
No segundo capítulo, apresentamos um estudo exploratório, elaborado por meio
de uma Revisão Sistemática da Literatura, que busca mapear os estudos que abordam o
tema Educação Financeira nos Anos Finais do Ensino Fundamental. Foram selecionados
artigos disponíveis nos periódicos da Capes no período de 2011 a 2021 e observou-se que
nas publicações analisadas que a Educação Financeira é um tópico que vem ganhando
espaço nas pesquisas em Educação Matemática e Ensino de Matemática.
No terceiro capítulo apresentamos a teoria da Educação Matemática Crítica
(EMC) Skovsmose (2000), que nos servirá de aporte teórico para a análise das atividades
apresentadas nos livros didáticos das coleções estudas. Com a EMC será possível
compreender em quais ambientes de aprendizagem as atividades didáticas analisadas se
encontram. A EMC, tem como um dos seus princípios proporcionar aos estudantes uma
matemática que transcenda a resolução de exercícios de forma mecânica, ela busca
proporcionar aos estudantes cenários que permitam a investigação e o desenvolvimento
da criticidade dos estudantes.
No quarto capítulo tratamos dos percursos metodológicos adotados para a
realização da presente dissertação. Aprofundamos as observações feitas na introdução
acerca da metodologia adotada na pesquisa, a questão d e pesquisa bem como as hipóteses
e objetivos a serem atingidos.
No quinto capítulo, apresentamos um estudo a respeito dos livros didáticos.
Propomos uma visão geral acerca das coleções aprovadas no PNLD 2020, bem como a
análise das onze coleções estudadas.
No sexto capítulo apresentamos os resultados obtidos após o estudo detalhado do
tema, elaborando assim um quadro de referência com as classificações das atividades
analisadas de acordo com os Ambientes de Aprendizagem, descritos pela teoria da
Educação Matemática Crítica.
Após as exposições dos capítulos, apresentaremos o produto educacional, que
consiste em um e-book, elaborado com explicações e atividades que possibilitem
professores e alunos uma maior aproximação com a Educação Financeira. O ebook foi
elaborado, levando em consideração as discussões e resultados encontrados na
dissertação. Buscamos, por meio desse recurso educacional contribuir para uma maior
discussão do tema Educação Financeira no contexto educacional. Por seguinte ao produto
16
educacional tecemos algumas considerações finais a respeito do trabalho e possíveis
encaminhamentos para trabalhos futuros.
Na busca por estudos para a construção do nosso referencial teórico, na próxima
seção propomos dialogar com as concepções de Educação Financeira, bem como as
diferenças entre Matemática Financeira e Educação Financeira.
Em seguida,
apresentamos uma análise histórica da presença da Educação Financeira nos documentos
oficiais até a elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Logo após a
análise histórica da Educação Financeira no currículo do Ensino Fundamental Anos
Finais, nos detemos em compreender a Teoria da Educação Matemática Crítica à as suas
contribuições para a análise dos livros didáticos do Programa Nacional do Livro Didático
(PNLD) 2020.
2. EDUCAÇÃO FINANCEIRA
Neste capítulo buscamos inicialmente, tecer algumas considerações a respeito da
Educação Financeira e da Matemática Financeira. Foge do escopo do nosso estudo,
apresentar uma análise histórica e detalhada das duas áreas de pesquisa. O que desejamos
é delimitar a Educação Financeira como nosso objeto de estudo e consequentemente,
compreender a Matemática Financeira como uma ferramenta para relacionarmos os
conceitos da Educação Financeira. Posteriormente olharemos para como a Educação
Financeira se apresenta a nível nacional e após essas reflexões olharemos para a Educação
Financeira no contexto escolar e consequentemente analisaremos os documentos que a
normatiza.
2.1 Da Matemática Financeira à Educação Financeira
De acordo com o autor Puccini (1977) a Matemática Financeira tem por objetivo
a “realização de cálculos em fluxos de caixa, com a aplicação de taxas de juros para obter
valores equivalentes, que permitam uma correta tomada de decisão do ponto de vista
financeiro, levando em consideração o valor do dinheiro no tempo” (PUCCINI, p.5,
1977). Enquanto a Educação Financeira por sua vez é definida pela Organização de
Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) como:
[...] "o processo pelo qual consumidores/investidores financeiros aprimoram
sua compreensão sobre produtos, conceitos e riscos financeiros e, por meio de
informação, instrução e/ou aconselhamento objetivo, desenvolvem as
habilidades e a confiança para se tornarem mais conscientes de riscos e
17
oportunidades financeiras, a fazer escolhas informadas, a saber onde buscar
ajuda, e a tomar outras medidas efetivas para melhorar seu bem -estar
financeiro". Educação financeira, portanto, vai além do fornecimento de
informações e aconselhamento financeiro, o que deve ser regulado, como
geralmente já é o caso, especialmente para a proteção de clientes financeiros
(por exemplo, consumidores em relações contratuais). (OCDE, p.5, 2005)
Na pesquisa desenvolvida por Teixeira (2015), o autor aborda um estudo que
busca compreender a percepção de professores a respeito das diferenças entre Educação
Financeira e Matemática Financeira. Observou-se na pesquisa, que para a maioria dos
sujeitos participantes não há uma distinção entre as duas temáticas. Todavia, o autor
destaca que enquanto a Matemática Financeira prima pelos cálculos matemáticos de
juros, fluxo de caixa e custo de oportunidade, a Educação Financeira lida com a
contextualização e reflexão de situações que transcendem apenas o cálculo numérico.
A Educação Financeira prioriza que o indivíduo seja capaz de administrar,
proteger e investir as suas economias, e que no contexto de uma situação adversa esse
consiga lidar com os conflitos financeiros e que de acordo com o seu projeto de vida
consiga obter uma vida social plena, e que possa contribuir para uma sociedade mais
consciente. A EF não está centrada apenas no planejamento da esfera pessoal, mas
engloba as ações que tomamos individualmente e os seus impactos para a sociedade.
Entretanto, apesar de consideramos que os conteúdos advindos da Matemática
Financeira sejam importantes para introduzir temas referentes a Educação Financeira,
diversos autores destacam que só os estudos daqueles conceitos não são suficientes para
educar um indivíduo financeiramente; mas Teixeira (2015) admoesta que sem um
conhecimento razoável dos conteúdos de Matemática Financeira, o professor que ensina
na educação básica tem seu trabalho dificultado para abordar os tópicos de Educação
Financeira. Destacamos a importância do conhecimento matemático, entretanto não
devemos nos limitar apenas a ele.
A Educação Financeira tem se apresentado em destaque nas pesquisas na área de
Educação Matemática e Ensino de Matemática no cenário nacional e internacional. A
necessidade de refletirmos sobre diversos temas inerentes a sociedade moderna como:
consumismo, planejamento de vida, autonomia financeira, globalização, velhice,
aposentadoria e qualidade de vida, tem colocado em xeque os conhecimentos financeiros
adquiridos pelos cidadãos para lidar com essas multiplicidades de questões.
Principalmente quando olhamos para o cenário econômico atual.
18
No contexto em que escrevemos a presente dissertação, nos deparamos com uma
crise mundial sanitária causada pelo vírus Covid 19, que além dos danos inimagináveis
causados as vítimas e as suas famílias, tem deixado milhares de famílias em condições de
vulnerabilidade econômica. Um estudo apresentado pela CNC (Confederação Nacional
do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) destaca através da Pesquisa de Endividamento
e Inadimplência do Consumidor (Peic), uma grande alta no índice de inadimplência e
endividamento como o destacamos no relato a seguir:
Endividamento apresentou nova e forte alta em junho, renovando a máxima
histórica, com quase 82% de endividados no cartão de crédito. Nas famílias de
menor renda, a proporção de endividados ultrapassou 70%, maior número em
11 anos. Pela segunda vez, a inadimplência mostrou alta nos dois indicadores,
notadamente entre as famílias de menor renda. (PEIC, 2021, p.1)
Fazendo uma análise visual e gráfica desses dados, esse mesmo estudo apresenta
a das famílias brasileiras endividadas. Como demonstrado no gráfico a seguir:
Gráfico 1: Percentual de famílias endividadas
Fonte: Dados coletados (CNC, p. 4, 2021)
Notemos que a taxa de inadimplência entre famílias de baixa renda, ou seja com
menos de dez salários-mínimos mensais chega à margem de quase 71%, uma diferença
de 5,2% em relação as famílias que possuem uma renda superior a dez salários-mínimos.
Foge ao escopo da nossa pesquisa, aprofundar a discussão a cerca dessa diferença entre
os dois contextos. Todavia, compreendemos que as famílias que possuem uma renda
superior a dez salários-mínimos tendem a possuir um maior nível de instrução
educacional e uma maior estabilidade financeira, o que a ponta para o fato de o
19
endividamento ser um fato momentâneo com expectativas do pagamento dessas dívidas.
Essa nossa reflexão é coerente, pois nos dados publicados nesse mesmo estudo, dos
65,5% das famílias com uma renda familiar mais alta apenas 3,4% dessas famílias não
terão condições de pagar as contas inadimplentes, enquanto as famílias com uma renda
inferior a dez salários-mínimos dos 70,6% cerca de 13% não terão condições de arcar
com as suas dívidas. Temos consciência, que a inadimplência e a impossibilidade de arcar
com os compromissos financeiros estão relacionados, não só com a economia, mas
também tem relações com a saúde e bem-estar físico e mental dessas famílias.
Para compreendermos
esse perfil de inadimplência,
faz-se necessário
identificarmos os principais motivos que causam endividamento. Dessa forma,
poderemos localizar e vislumbrar estratégias de intervenção que poderão ser aplicadas no
contexto educacional, e posteriormente alcançar essas famílias. Abaixo, apresentamos
um gráfico que destaca os principais motivos de endividamento das famílias brasileiras,
de acordo com dados publicados pelo CNC.
Gráfico 2: Tipos de endividamento em porcentagem
Fonte: Dados coletados (CNC, p.10, 2021)
Podemos constatar a partir da análise do gráfico acima, que um dos vilões do
endividamento das famílias brasileiras é o cartão de crédito. O que nos dá um indicativo
20
de que as famílias estão necessitando recorrer a esse recurso com uma maior frequência.
Conjecturamos, que diante das altas taxas de desemprego as famílias brasileiras estão
utilizando o limite disponível nos cartões de crédito como um complemento da renda;
esse sendo utilizado muitas das vezes para comprar itens básicos de sobrevivência como
alimentação e remédios.
Infelizmente, temos que discutir Educação Financeira muitas das vezes com
famílias que não possuem nem o mínimo para a sua sobrevivência. O que gera uma
dicotomia: Como ensinar a poupar para quem não possui nem o mínimo para sobreviver?
Fica evidente, que um discurso de Educação Financeira pensado meramente na aquisição
de produtos financeiros é destoante da realidade encontrada nessas famílias. E que é
necessário compreender de fato que a Educação Financeira transcende as cartilhas e
informes distribuídos pelas instituições financeiras.
Lidamos com estudantes, especialmente em escolas públicas, cujas estruturas
familiares vivem em condições críticas que necessitam muitas das vezes endividar-se com
o cartão de crédito para priorizar a alimentação. Precisamos refletir e agir, numa Educação
Financeira mais crítica, acessível e humanizadora que permita uma melhoria na condição
de vida dessas famílias.
A partir de estudos relacionados ao tema de endividamento, alfabetização
financeira e abertura de facilidades de créditos para famílias brasileiras (DONADIO et.
al, 2012) destaca que:
O fato da população brasileira de baixa renda estar tendo acesso fácil a várias
formas de crédito, inclusive aos cartões, a falta de alfabetização financeira
torna-se cada vez mais preocupante, uma vez que o cartão de crédito, por si só,
tende a induzir o consumidor a maiores gastos, dado que muitos o vêem como
algo mais abstrato do que o dinheiro vivo, dificultando o entendimento das
consequências que o uso do cartão pode ter na deterioração das finanças
pessoais e no grau de endividamento. DONADIO et. al,p.90, 2012)
Em contra partida a afirmação dos autores acima, a partir dos dados coletados pela
CNC percebemos que as famílias que possuem uma renda familiar mais elevada, também
tem parte de sua renda comprometida com o uso dos cartões de crédito. Uma outra
perspectiva sobre essa temática é destacada pelos autores (KUNKEL, et. al, 2015) que
apontam que o endividamento no cartão de crédito pode apresentar relações com diversos
fatores como, comportamentais, compras compulsivas, materialismo e o conhecimento
21
financeiro. Os autores destacam que os indivíduos que possuem um maior conhecimento
financeiro, tendem a não se tornarem endividados, todavia, esse não é o único fator.
Corroboramos com o pensamos dos autores que destacam que os indivíduos que
possuem uma maior compreensão sobre os mecanismos do sistema financeiro, possuem
comportamentos de organização orçamentária pessoal e familiar e práticas de
planejamento, adquirem atitudes que diminuem o risco desses indivíduos se endividarem.
Também destacamos, que os indivíduos que possuem um maior conhecimento financeiro
também possuem um nível escolarizado mais elevado, o que implica melhores salários e
consequentemente um menor comprometimento da renda com itens essenciais a
sobrevivência. O que influencia positivamente para o não endividamento.
No estudo dos autores (KUNKEL, et. al, 2015), ainda é abordado a necessidade
em se discutir o tópico de Educação Financeira como uma ferramenta de conscientização
e de instrução para que os cidadãos sejam capazes de tomar decisões informadas e usar
os serviços financeiros de forma responsável.
Salientamos que o cartão de crédito não totaliza todas as dívidas dos brasileiros,
muito menos nos possibilita tecer uma teoria a respeito do endividamento dos indivíduos,
porém a análise desses dados nos leva a pensarmos nas mudanças dos hábitos de consumo
da sociedade. O crédito facilitado disponível nessa modalidade de produto financeiro tal
como a sua multifuncionalidade, tem se mostrado o modo como as pessoas estão gerindo
as suas rendas. Um dado divulgado pela Associação Brasileira das Empresas de Cartão
de Crédito e Serviços (ABECS), que o aumento pelo uso de cartões de débito e crédito
cresceram cerca de 17% no primeiro trimestre de 2021, o que a entidade destaca como
uma mudança nos hábitos do consumidor brasileiro, que estão tendendo a efetuar mais
pagamentos e compras com o uso do cartão (ABECS; 2021). Dados como esse, devem
nos levar a refletir sobre as inúmeras dificuldades econômicas que as famílias brasileiras
vêm enfrentando, que foi potencializado com o período pandêmico da Covid-19.
É notável que a forma como os indivíduos lidam com o consumo atualmente difere
das formas das gerações passadas. Com a facilitação de créditos pessoais e o acesso
simplificados a diversos produtos financeiros, os indivíduos tem se mostrado mais
confiantes em adquirir e consumir produtos dos mais variados nichos. Muitas vezes as
aquisições desses produtos são feitas de modo impensados e sem planejamento o que
22
ocasiona na alta do endividamento e consequentemente no mal estar financeiro e da má
administração do orçamento pessoal e familiar.
Destacamos em nossa fala, que o acesso a produtos financeiros e créditos
facilitados a classe mais pobres, que apresentam maior endividamento, é recente.
Compreendemos que muitos desses endividamentos poderiam ser evitados se os cidadãos
tivessem acesso a Educação Financeira. Notamos, que muitos desses indivíduos não
possuem informações claras acerca das altíssimas taxas de juros que estão “embutidas”
nas boas condições de concessão de crédito e parcelamentos, o que contribui para que
haja uma perda de controle das finanças pessoais.
Salientamos a urgência em fornecer informações claras a respeito desses produtos,
de modo que a Educação Financeira possa ser discutida para além do viés das instituições
financeiras. Estar educado financeiramente, também corresponde a um olhar sensível para
a realidade individual de cada cidadão, e a partir daí baseados em todas de decisões
conscientes proporcionar uma mudança de atitude e consequentemente uma mudança de
vida.
Defendemos o acesso a melhores e justas condições de créditos, como também a
difusão do acesso a produtos financeiros, mas defendemos que tudo isso deve vir
atrelados de informações claras e instruções para os cidadãos. Desse modo, d efendemos
que desde de muito cedo as crianças e jovens precisam ter acesso a esses conhecimentos.
Compreendemos que a escola é o ambiente propício para iniciar esse debate, que não tem
fim, ele é contínuo e vai sendo lapidado durante toda a trajetória de vida do indivíduo.
Como consequência desses fatos, gradativamente vem surgindo a urgência em
discutir temas que se relacionam diretamente com o fator financeiro dos cidadãos. De
modo que instituições nacionais e internacionais vêm sentindo a necessidade de se
mobilizar para refletir e propor estratégias de soluções a respeito desse tópico.
Em frente a esse cenário, tem surgido diversas inciativas que tem por objetivo
incentivar e difundir as ideias da Educação Financeira, especialmente no contexto escolar.
Na seção seguinte, apresentamos como a Educação Financeira se apresenta no cenário
brasileiro e de que forma esse tema perpassa o contexto escolar.
2.2 A Educação Financeira no Brasil
23
Estudos e discussões referentes a Educação Financeira ganhou espaço no cenário
nacional após a OCDE divulgar um documento que orienta aos seus países membros uma
série de princípios e boas práticas a serem desenvolvidos, pelas entidades responsáveis a
fim de promover cidadãos educados financeiramente. O Brasil, apesar de não ser um país
membro da OCDE é considerado por ela como um país parceiro, dessa forma desde 1998
passou a fazer parte das reuniões da organização e consequentemente seguir as suas
recomendações.
A Organização e Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em
2003, apresentou aos seus países membros um projeto intitulado Financial Education
Project (Projeto de Educação Financeira). O projeto foi elaborado por dois importantes
comitês da OCDE, a Comissão de Mercados Financeiros e de Seguros e a Comissão de
Pensões Privadas.
A OCDE atualmente é composta por 38 países e tem como um dos principais
objetivos incentivar o progresso econômico e o comércio internacional de seus países
membros. Entre seus países membros estão a Alemanha, Estados Unidos, França e Itália.
Como fruto da aprovação do Financial Education Project (Projeto de Educação
Financeira), em 2005 a OCDE divulgou um primeiro relatório intitulado Improving
Financial Literacy: AnalysisofIssuesand Policies (Melhoria da Literacia Financeira:
Análise de Questões e Políticas) (OCDE, 2005a). Nesse documento são tratadas as
concepções, e definições gerais da Educação Financeira bem como é destacado e
explicitado a importância em tratar desse tema.
Uma outra contribuição importante, que emerge do relatório é documento
intitulado Recomendações sobre Princípios e Boas Práticas de Educação Financeira e
Conscientização (OCDE, 2005b). Neste segundo documento são apresentadas diretrizes
e recomendações práticas, para que os países membros elaborem estratégias que
promovam a Educação Financeira para os seus cidadãos.
Nesse contexto, alinhado com as recomendações propostas pela (OCDE, 2005b)
para a promoção da Educação Financeira, e diante da tendência mundial em discutir esse
tema. O Brasil por meio do Decreto Federal 7.397/2010, cria a ENEF (Estratégia Nacional
de Educação Financeira), que norteia e orienta a Educação Financeira no cenário
nacional.
24
A ENEF foi inicialmente pensada em 2007, quando o governo brasileiro instituiu
um grupo de trabalho com representantes do Banco Central do Brasil, da Comissão de
Valores Mobiliários (CVM), da Secretaria de Previdência Complementar (SPC) e da
Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).
Desse modo, baseado nas recomendações e princípios para a promoção da
Educação Financeira propostos pela OCDE, o Brasil por meio do Decreto Federal
7.397/2010, cria a ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira), que foi renovada
pelo Decreto Federal n° 10.393 de 9 de junho de 2020. De acordo com a (ENEF, 2010)
a estratégia tem como objetivo:
Figura 1: Objetivos da ENEF
Fonte: (ENEF, 2010, p.1)
No que diz respeito ao fortalecimento da cidadania, na perspectiva da ENEF, na
medida em que os cidadãos melhoram as suas compreensões acerca dos produtos
financeiros tornam-se mais aptos a tomar decisões financeiras pessoais coerentes e
eficientes para a sua vida pessoal. Desse modo, na medida que o cidadão obtém acesso a
informações claras essa passa não só a lidar bem com a sua vida financeira, como passa
a contribuir para a formação de uma sociedade consciente e comprometida com o futuro.
O segundo objetivo da ENEF se constitui em disseminar a educação financeira e
previdenciária. Dessa forma, a estratégia busca preparar a população desde muito jovem
para lidar com temas relacionados a questão previdenciária. Divulgando quais são os
direitos dos cidadãos atendidos pela Previdência Social, de modo que vise a proteção da
população de baixa renda e estimule a inserção de poupadores no mercado financeiro.
25
Com esse objetivo, também estão relacionados a ampla divulgação das formas de
contribuição, tanto pra previdência pública como para a previdência privada.
O terceiro objetivo da ENEF está ancorado na promoção de decisões financeiras
conscientes e autônomas. Dessa maneira, a estratégia busca divulgar amplamente os
direitos e as obrigações das entidades financeiras, de tal forma que as instituições
disponibilizem informações e divulguem conhecimentos suficientes para que os
indivíduos avaliem os riscos a partir das suas necessidades de forma consciente e
autônoma.
O quarto objetivo da ENEF, refere-se à promoção do aumento da eficiência e
solidez do sistema financeiro. Para isso, ela busca proporcionar informações e formações
para investidores e consumidores financeiros. Destaca-se que com o uso da divulgação
das informações e do estabelecimento de ações regulamentadoras, é possível que haja
uma ação conjunta entre o setor privado e o setor governamental que promova um
ambiente de proteção a todos os investidores.
A ENEF também destaca a importância de dar uma atenção especial aos investidores mais
vulneráveis, de tal forma que não haja impactos negativos sobre os seus ganhos e perdas.
Na perspectiva da ENEF, diante do aumento do consumo de produtos financeiros
por partes dos brasileiros, surge a necessidade de propor uma política pública que busque
orientar os cidadãos para o consumo consciente desses produtos. Desse modo, tornandose um canal de diálogo para questões que envolvam seguridade social, aposentadoria,
linhas de crédito, endividamento, investimentos, créditos e juros. Além de propor aos
cidadãos informações referentes aos direitos e deveres do consumidor. Diminuindo assim,
o número de pessoas desenformadas a respeito dos riscos na aquisição d e produtos
financeiros.
Buscando a efetivação de ações que promovam a educação financeira para os
brasileiros, a ENEF propõe um plano de atuação que visa atingir os mais diversos
contextos sociais e econômicos da sociedade brasileira. Para isso, ela propõe a elaboração
de estratégias para dois segmentos alvos, no primeiro segmento serão beneficiados
crianças e jovens e no segundo adultos.
Uma outra ação importante para a ampliação de práticas voltadas à Educação
Financeira, surge a partir da iniciativa do Banco Central do Brasil (BCB) em 2013, no
lançamento do Programa Cidadania Financeira. O Programa tem como objetivo central
três vertentes de sua atuação: a inclusão financeira, a proteção ao consumidor de serviços
26
financeiros e a educação financeira.
Como o intuito da nossa pesquisa é o contexto escolar, nos deteremos a olhar o
primeiro público alvo, crianças e jovens incluídos no sistema escolar. Dessa forma, a
educação financeira escolar na visão da ENEF é importante, pois auxilia os estudantes a
refletirem sobre os mais amplos aspectos relacionados ao dinheiro e a saúde financeira.
Quanto mais cedo o estudante é apresentado as concepções da EF melhor ele se prepara
para lidar com esse tópico no futuro. Na próxima seção analisamos como se apresenta a
Educação Financeira no contexto educacional.
2.3 Educação Financeira Escolar
A discussão a respeito da inclusão da Educação Financeira no contexto escolar
vem ganhando protagonismo nas inciativas elaboradoras por países desenvolvidos ao
redor do mundo. Incluir discussões que possibilitem os estudantes a lidarem com questões
relativas ao dinheiro, finanças pessoais, desejos e sonhos de consumo, se constitui em
uma ação que influencia não somente na economia como em questões ligadas ao âmbito
emocional e de bem-estar desses indivíduos futuramente.
As crianças e jovens estão tendo que lidar com o dinheiro de forma cada vez mais
precoce. Saber como manter uma boa relação com ele, auxiliará aos estudantes
desenvolver boas escolhas que os auxiliem a se tornar um adulto consciente e
financeiramente responsável. Segundo os autores Silva e Powell (2013) a Educação
Financeira Escolar
Constitui-se de um conjunto de informações através do qual os estudantes são
introduzidos no universo do dinheiro e estimulados a produzir uma
compreensão sobre finanças e economia, através de um processo de ensino,
que os torne aptos a analisar, fazer julgamentos fundamentados, tomar decisões
e ter posições críticas sobre questões financeiras que envolvam sua vida
pessoal, familiar e da sociedade em que vivem (SILVA E POWELL, 2013, p.
13).
A luz dessa definição, compreendemos a importância em delimitarmos as
pesquisas em Educação Financeira para a educação básica. Entendemos que o ambiente
escolar representa, um espaço propício para discutir temas relacionados a finanças. Pois
é nesse espaço que os alunos podem ter acesso a pluralidade de contexto que esse assunto
pode ser abordado.
27
A ENEF (2010) também apresenta orientações para a implementação da Educação
Financeira nas escolas. Assim sendo, a ENEF considera que a Educação Financeira deva
ser explorada no contexto escolar em duas dimensões: dimensão espacial e a dimensão
temporal.
Na dimensão espacial, os conteúdos e temas trabalhados devem estar relacionados
às ações individuais dos estudantes, que impactam o seu contexto social. Do mesmo
modo, que os alunos deverão explorar conteúdos cujo contexto escolar impacte nas
tomadas de decisões das suas ações individuais. A dimensão espacial compreende
aspectos que estão interligados com os níveis, individual, local, regional, nacional e
global.
Na dimensão temporal, os conteúdos trabalhados devem se relacionar com a
compreensão de que as decisões tomadas no presente podem afetar o futuro. Nessa
dimensão os conceitos abordados estão diretamente relacionados de modo que todas as
decisões tomadas no presente, não serão exclusivamente frutos de escolhas no passado.
Mas que o presente é o momento ideal para planejar e tomar inciativas cujos resultados
serão colhidos no futuro. Abaixo, apresentamos uma figura que ilustra como as dimensões
se relacionam:
Figura 2: Dimensões da Educação Financeira
Fonte: (ENEF, 2010, p.59)
No que se refere aos objetivos da Educação Financeira Escolar, em ENEF (2010)
são apresentados dois grupos que se relacionam com a dimensão espacial e os que se
28
relacionam com a dimensão temporal. Abaixo, apresentamos um quadro que ilustra de
maneira suscinta os objetivos a serem atingidos em cada dimensão.
Quadro 1: Objetivos da Educação Financeira Escolar – ENEF
DE1: Formar para a cidadania;
DE2: Educar para consumir e poupar de
Dimensão Espacial (DE)
modo ético, consciente e responsável;
DE3: Oferecer conceitos e ferramentas
para a tomada de decisão autônoma
baseada na mudança de atitude;
DE4: Formar disseminadores.
DT1: Ensinar a planejar a curto, médio e
longo prazo;
Dimensão Temporal (DT)
DT2: Desenvolver a cultura da prevenção;
DT3: Proporcionar a possibilidade de
mudança da condição atual.
Fonte: (ENEF, 2010, p.64)
No que diz respeito aos conteúdos de Educação Financeira a serem trabalhados
no contexto escolar. A ENEF (2010), propõem que eles sejam desenvolvidos de acordo
com dois âmbitos, o Âmbito Individual e o Âmbito Social.
No Âmbito Individual, é o próprio estudante que lida com o processo de tomada
de decisão, ele é centro do processo. De tal forma, que ao tomar decisões financeiras
corretas, fazendo planejamento financeiro, controle de orçamento, trabalho e boa
administração da sua renda, consegue estabelecer o equilíbrio entre consumir e poupar.
Já no Âmbito Social, o indivíduo não possui um controle direto acerca das
múltiplas variáveis que impactam a sua vida financeira. Nesse contexto, os conteúdos
trabalhados envolvem a compreensão das variáveis financeiras e do conhecimento das
instituições que compõem o sistema financeiro.
29
No quadro abaixo, apresentamos a recomendação da ENEF (2010), acerca dos
conteúdos de Educação Financeira a serem trabalhados na escola.
Quadro 2: Conteúdos para Educação Financeira -ENEF
Tema a serem trabalhados
Descrição do conteúdo
Trabalho & Renda,
planejamento e orçamento
Âmbito Individual
Consumo
Poupança
Âmbito Social
Planejar sua vida financeira e
viver de acordo com esse
planejamento, de modo que não
transborde para outros níveis
espaciais.
Pagar impostos e contribuições
Utilizar os 5 Rs do consumo
consciente: refletir, recusar,
reduzir, reutilizar e reciclar o
que consumir.
Doar
objetos não
mais
utilizados.
Pesquisar preço.
Dar preferência de compra a
empresas e estabelecimentos
regularizados, que atuem com
responsabilidade
socioambiental.
Avaliar opções de poupança e
decidir-se pela melhor, de
acordo com suas necessidades.
Dar preferência a investimentos
em
empresas
com
responsabilidade
socioambiental.
Variáveis da vida financeira
Moeda, encargos sociais e
crescimento econômico
Instituições que compõem o
Sistema Financeira Nacional
Conhecimento acerca
dos
órgãos que regulamentam e se
relacionam com atividades
financeiras. Como por exemplo
o Conselho Monetário Nacional
(CMN), Conselho Nacional de
Seguros Privados (CNSP) e
Conselho de Gestão
da
Previdência
Complementar
(CGPC)) – e as entidades
supervisoras – BCB, CVM,
Previc e Susep.
Fonte: (ENEF, 2010, p.76)
30
Os autores Silva e Powell (2013), alinhados com as ações e propostas elaborados
pela ENEF, também apresentam uma proposta de currículo voltados para estudantes da
educação básica, que aborda a Educação Financeira como tema transversal do currículo
escolar. Dessa forma, espera-se que após os estudantes serem apresentados à Educação
Financeira, durante toda a sua passagem pelo sistema educacional o aluno apresente
habilidades como:
- compreender as noções básicas de finanças e economia para que desenvolvam
uma leitura crítica das informações financeiras presentes na sociedade; aprender a utilizar os conhecimentos de matemática (escolar e financeira) para
fundamentar a tomada de decisões em questões financeiras; - desenvolver um
pensamento analítico sobre questões financeiras, isto é, um pensamento que
permita avaliar oportunidades, riscos e as armadilhas em questões financeiras;
- desenvolver uma metodologia de planejamento, administração e investimento
de suas finanças através da tomada de decisões fundamentadas
matematicamente em sua vida pessoal e no auxílio ao seu núcleo familiar; analisar criticamente os temas atuais da sociedade de consumo. (SILVA E
POWELL, 2013, p. 13)
Nessa proposta curricular elaborada pelos autores, a estrutura curricular dever ser
pensada em três dimensões: pessoal, familiar e social. Na dimensão pessoal, o foco está
em questões referentes as finanças pessoais dos estudantes, e o modo como ele lida com
o seu próprio dinheiro. Na dimensão familiar, o foco está nas discussões financeiras
inerentes ao seu contexto familiar dos estudantes, de tal modo que ele possa participar
das tomadas de decisões financeiras e contribuindo para divulgação de informações a
respeito do tema. E a última dimensão diz respeito à dimensão social, na qual o foco está
em discussões financeiras a respeito de temas atuais na sociedade. (SILVA E POWELL,
2013, p. 14)
Para além das dimensões, os autores destacam que o currículo de educação
financeira escolar está estruturando em quatro eixos norteadores são eles:
I - Noções básicas de Finanças e Economia: Nesse eixo os temas de discussão
são, por exemplo, o dinheiro e sua função na sociedade; a relação entre
dinheiro e tempo - um conceito fundamental em Finanças; as noções de juros,
poupança, inflação, rentabilida de e liquidez de um investimento; as instituições
financeiras; a noção de ativos e passivos e aplicações financeiras.
II - Finança pessoal e familiar: Nesse eixo, serão discutidos temas como, por
exemplo: planejamento financeiro; administração das finança s pessoais e
familiares; estratégias para a gestão do dinheiro; poupança e investimento das
finanças; orçamento doméstico; impostos.
III - As oportunidades, os riscos e as armadilhas na gestão do dinheiro numa
sociedade de consumo: Nesse eixo, serão discutidos temas como, por exemplo:
oportunidades de investimento; os riscos no investimento do dinheiro; as
armadilhas do consumo por trás das estratégias de marketing e como a mídia
incentiva o consumo das pessoas.
31
IV - As dimensões sociais, econômicas, políticas, culturais e psicológicas que
envolvem a Educação Financeira: Nesse eixo, serão discutidos temas como:
consumismo e consumo; as relações entre consumismo, produção de lixo e
impacto ambiental; salários, classes sociais e desigualdade social; necessid ade
versus desejo; ética e dinheiro. (SILVA E POWELL, 2013, p.14)
De acordo com os autores, esses eixos não necessitam ser desenvolvidos em apenas um
ano específico da trajetória escolar, e sim durante todo o percurso educacional.
Possibilitando discussões que relacionem temas pertinente as diversas áreas do saber. Se
comportando como um tema a ser trabalhado de forma transversal e multidisciplinar. O
autor Azevedo (2019) apresenta na figura baixo, outros conteúdos e temáticas que podem
se relacionar com a Educação Financeira no contexto escolar.
Figura 2: Temas que dialogam com a Educação Financeira
Fonte: (AZEVEDO, 2019, p.30)
O estudo destaca ainda, que esses eixos podem e dever servir de norte para os
professores desenvolverem materiais didáticos apropriados para a faixa de ensino em que
o tema está sendo abordado.
A luz dessa perspectiva de currículo, destinado especificamente para o
desenvolvimento da Educação Financeira na escola, entendemos que a nossa pesquisa se
alinha com o estudo de (AZEVEDO,2019). Pois ambas as pesquisas buscam compreender
através do olhar para o livro didático de Matemática as possíveis atividades voltadas a
Educação Financeira. Destacamos ao leitor, que a pesquisa de Azevedo (2019), se deu
num contexto em que a Educação Financeira ainda não era considerada um tema que
efetivamente fazia parte do currículo da educação básica. Sendo esse trabalho importante
pois nos deu indícios de que com o olhar atento do docente, algumas atividades dos livros
didáticos poderiam ser trabalhadas na perspectiva da Educação Financeira.
32
Por outro lado, o nosso trabalho emerge da análise dos livros didáticos pós BNCC.
Ou seja, após o tema Educação Financeira ser classificado como uma temática integradora
e contemporânea no currículo da Educação Básica. Nosso estudo, nos dará um norte de
como essa temática vem sendo apresentada nas aulas de Matemática, a partir do olhar
atencioso das atividades presentes nos livros didáticos. Quando oportuno, nas discussões
dos resultados propomos um olhar comparativo entre os dois trabalhos de modo a
compreender as mudanças ou não dessas atividades.
Na próxima seção, continuaremos a nos debruçamos a respeito da Educação
Financeira Escolar, dessa vez dando espaço para as suas aparições nos documentos
oficiais. Olharemos as entradas e saídas desse tema no currículo escolar dos anos finais
da educação básica, dando um enfoque para a disciplina de Matemática. Objetivamos
com esse estudo, ter uma visão ampla do que se espera da inserção do tema Educação
Financeira na educação básica e quais são as perspectivas desse tema para discussões e
produções futuras.
2.4 A Educação Financeira nos documentos oficiais
A educação básica é ancorada por diversos documentos que auxiliam na
normatização e na regulamentação das ações e práticas destinados ao contexto escolar.
Nessa seção nos debruçaremos na análise de alguns deles para compreendermos como se
apresenta a Educação Financeira no contexto escolar. Olharemos apenas para os
documentos que fazem menção ao Anos Finais do Ensino Fundamental na área de
Matemática, que é onde se localiza o nosso estudo, na perspectiva de apresentarmos ao
leitor como o tema vem sendo abordado.
Iniciamos a nossa discussão apontando para a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação- LDB (Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996), nesse documento já é
ressaltado no artigo vinte e dois que “A educação básica tem por finalidades desenvolver
o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania
e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.” (BRASIL,
1996). Desse modo, entendemos que para que o aluno possa exercer na totalidade o seu
papel como um cidadão, os conhecimentos que se relacionam com a administração
33
orçamentária, planejamento de gastos e a conscientização econômica pessoal e familiar,
devem estar atrelados ao conhecimento adquirido no chão da escola.
Dando procedimento nas análises dos documentos oficiais, olhando para as metas
e diretrizes estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação - PNE (Lei n° 13.005, de 25
de junho de 2014) é novamente destacado a importância da formação do estudante para a
promoção da cidadania e do trabalho. Entretanto salientar essa importância nos aponta
um norte para discussão do tema no contexto escolar. Temos a ciência que a Educação
Financeira permeia aspectos presentes na sociedade, por vislumbrarmos que o
conhecimento de tópicos relacionados ao dinheiro e consequentemente ao tempo,
auxiliam o trabalho a compreender os seus direitos e deveres na sociedade.
Podemos observar que nos dois documentos acima citados, não há uma menção
direta ou explícita ao tema Educação Financeira, todavia, as discussões posições acima
destacadas mostram como esse tema pode ser abordado no contexto escolar de forma a
adequar-se às diferentes áreas de conhecimento ensinadas na educação básica.
Não devemos deixar de salientar que o caminho para a promoção do acesso a uma
educação justa e de qualidade para todos é longo. Mas acreditamos de uma forma otimista
que de pequenas pedras conseguiremos erguer um lindo castelo, pelo qual todos os
brasileiros terão acesso a uma escola pública e de qualidade. E que a partir disso,
conseguiremos uma sociedade mais justa, igualitária e consciente dos seus direitos e
deveres.
Prosseguindo com o estudo dos documentos oficiais, examinaremos as propostas
e recomendações advindas dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que segundo a
autora
os PCN, documento elaborado na segunda metade da década de 1990,
constituem uma das formas de expressão do papel do Estado na busca por
coesão e ordem, atuando no sentido de atingir a uniformização do currículo
nacional, pela definição de um conteúdo mínimo a ser transmitido na escola
básica, o que tem sido uma busca recorrente na história das políticas públicas
de educação no Brasil. (GALIAN, p.4,2014)
Desse modo, munido das recomendações da LDB os PCNs abordam discussões práticas
para o ensino dos conteúdos específicos na educação básica.
34
Deteremos o nosso olhar para o documento cujo público são os terceiro e quarto
ciclos do ensino fundamental, que corresponde da antiga 5ª a 8ª série, da área de
Matemática. De acordo com a estrutura dos parâmetros, objetiva-se ao final dos ciclos da
educação básica que os alunos sejam capazes de relacionar e compreender além dos
conteúdos específicos da área de Matemática, tópicos referentes aos temas transversais
são eles: Ética, Orientação Sexual, Meio Ambiente, Saúde, Pluralidade Cultural e
Trabalho e Consumo.
Destacamos o tema transversal Matemática Trabalho e Consumo, que apesar de
não utilizar o conceito de Educação Financeira, nos mostra um indício na inclusão desse
tópico no currículo escolar, em especial no currículo de Matemática. Tratando desse tema
transversal, o texto aponta diversos cenários para discussão em que a Matemática pode
dialogar com assuntos relacionados com o trabalho e consumo.
Na tentativa de aproximar a Matemática com questões relativas ao trabalho e o
consumo, em (BRASIL, 1998, p.4,5), os autores destacam diversos pontos em que incluir
essas temáticas no currículo, tem se mostrado importante. Nesse contexto, os autores
afirmam que todo o conhecimento matemático adquirido pela sociedade é advindo do
trabalho e esforço humano, e que na sociedade todas as pessoas possuem uma ocupação;
seja ela remunerada ou não, desse modo é necessário que os estudantes compreendam as
múltiplas relações existentes na sociedade que dizem respeito ao trabalho e ao consumo.
Devido à grande complexidade em que o mundo se encontra, faz necessário que
o estudante desde cedo reflita sobre questões relacionadas a produção e trabalho. Que o
aumento da tecnologia tem influenciado a população de modo geral a modificar as formas
de trabalho, exigindo dos estudantes e futuros trabalhadores posturas proativas e ativa
frente as novas demandas e modo de trabalho.
No que diz respeito ao consumo, é importante que o estudante reflita a importância
do consumo consciente e da sua relação com o trabalho. De modo que ele compreenda
que os bens consumidos são oriundos de uma força de trabalho, destacando que:
É fundamental que nossos alunos aprendam a se posicionar criticamente diante
dessas questões e compreendam que grande parte do que se consome é produto
do trabalho, embora nem sempre se pense nessa relação no momento em que
se adquire uma mercadoria. É preciso mostrar que o objeto de consumo seja
um tênis ou uma roupa de marca, um produto alimentício ou aparelho
eletrônico etc. é fruto de um tempo de trabalho, realizado em determinadas
condições. Quando se consegue comparar o custo da produção de cada um
desses produtos com o preço de mercado é possível compreender que as regras
35
do consumo são regidas por uma política de maximização do lucro e
precarização do valor do trabalho. (BRASIL, 1998, p.35)
Ou seja, incluir esse tema em debates nas aulas de matemática, contribuirá para que o
estudante, futuro trabalhador, aprenda a tomar decisões econômicas conscientes de modo
que ele consiga relacionar-se de uma maneira positiva com o dinheiro e com os seus
desejos de consumo.
O texto destaca ainda, que o debate dessa temática nas aulas de Matemática pode
ser potencializado ao explorar que os estudantes necessitam dos conceitos matemáticos
para entenderem as ofertas e propagandas divulgadas pelas lojas e comércios, de modo
que não sejam enganados por descontos errados e ofertas duvidosas ou acabem
comprando em excesso por propagandas que induzem à compra de produtos em grandes
quantidades com a promessa de grandes descontos.
Notamos que esse tema transversal, aproxima-se muito dos tópicos relacionados
à Educação Financeira, pois possibilita aos estudantes uma reflexão a respeito da gestão
do seu orçamento através da sua relação com o consumo consciente. A relação da
Matemática com trabalho, corrobora com esse tema pois inclui o estudante desde muito
cedo a compreender a importância de estar qualificado e preparado para o mercado de
trabalho além de levá-lo a refletir sobre tópicos como aposentadoria, renda per capta,
investimentos financeiros e planejamento financeiro ao longo da vida.
Entretanto, quando olhamos detalhadamente os conteúdos de Matemática
destinados os terceiros e quarto ciclos, ou seja, para as turmas dos anos finais do ensino
fundamental. Mesmo com as recomendações destacadas no tema transversal Matemática,
trabalho e consumo não localizamos no documento nenhuma recomendação voltada ao
professor de matemática, de modo a propor formas d e como utilizar desses temas com
problemas e atividades de Educação Financeira.
Todavia, encontramos exercícios e situações- problemas que se relacionam com a
Matemática Financeira. Como já explicito anteriormente, compreendemos que a
Educação Financeira também pode ser explorada, usando como ferramenta os cálculos e
situações presentes na Matemática Financeira. Entretanto, para que essas situações se
configurem de fato como um problema de EF é necessário que haja uma aproximação
com situações presentes da vida do estudante e que se relacionem com tópicos como,
orçamento familiar e pessoal, planejamento financeiro entre outros temas.
36
Desse modo, compreendemos que os Parâmetros Curriculares Nacionais de
Matemática, destinado aos terceiros e quartos ciclos, não apresenta de modo direto a
inclusão do tema Educação Financeira, no currículo de Matemática. Com base nas nossas
leituras, compreendemos que esse tema é apresentado de maneira sutil, ao incluir o tema
transversal Matemática Trabalho e Consumo, de tal modo que permite que o professor
explore possíveis cenários de investigação incluído conceitos da Educação Financeira.
Prosseguindo com a análise dos principais documentos oficiais, que rege o ensino
de Matemática nos Anos Finais do Ensino Fundamental, com o intuito de localizar a
inclusão da Educação Financeira no currículo, que nos debruçaremos no estudo da Base
Nacional Comum Curricular (BNCC).
A BNCC se constitui como um documento oficial, de caráter normativo que visa
nortear as aprendizagens essenciais para os estudantes da Educação Básica. Publicada em
sua versão final em 2018, a BNCC apresenta uma série de competências, conhecimentos
e habilidades que devem ser alcançados por todos os estudantes da educação básica.
Abrangendo desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, alunos da rede pública e
privada de ensino.
Desse modo, a BNCC visa se estabelecer como um instrumento balizador para o
ensino dos conteúdos presentes na educação básica, propondo desse modo oferecer aos
estudantes o acesso a uma educação de qualidade e inclusiva para todos.
Em nossa pesquisa, não buscamos aprofundar as discussões teóricas a respeito do
currículo de Matemática em especial da BNCC (2018). Todavia, buscamos localizar a
presença da Educação Financeira, nesse valioso documento. Entendemos que a visão
apresentada por ele, reafirma a necessidade de formar estudantes com habilidades e
competências que transcendem a mera aprendizagem de conteúdo específicos de
Matemática, mas que possibilitem aos estudantes o acesso a uma educação justa e que
promova o pensamento crítico, e atitudes que os auxiliem nas tomadas de decisão no
decorrer da vida.
No que diz respeito a importância de olharmos para o ensino de Matemática
destinados aos estudantes dos anos finais do ensino fundamental, a BNCC nos destaca
que:
no Ensino Fundamental – Anos Finais, a escola pode contribuir para o
delineamento do projeto de vida dos estudantes, ao estabelecer uma articulação
37
não somente com os anseios desses jovens em relação ao seu futuro, co mo
também com a continuidade dos estudos no Ensino Médio. Esse processo de
reflexão sobre o que cada jovem quer ser no futuro, e de planejamento de ações
para construir esse futuro, pode representar mais uma possibilidade de
desenvolvimento pessoal e socia l. (BRASIL, 2018, p.62)
Dessa forma é no Ensino Fundamental, etapa mais longa da educação básica, que a escola
se torna um espaço para o desenvolvimento das habilidades diversas dos estudantes.
Inclusive, mostra-se um campo frutífero para discussões a respeito da Educação
Financeira.
Compreendemos que os alunos matriculados nessa etapa do ensino, estão
passando por uma série de mudanças sejam elas no âmbito físico sejam elas emocionais.
De todo modo, a inclusão de discussões acerca do planejamento financeiro, consumo,
sustentabilidade, gestão de orçamento familiar e pessoal servirão de apoio para a
elaboração dos seus projetos de vida. Munindo-os de ferramentas que os auxiliem a
adentrar no Ensino Médio e posteriormente no mercado de trabalho, mais conscientes das
suas escolhas e dos caminhos a serem trilhados.
A área de conhecimento Matemática, presente na BNCC, está dividida em cinco
unidades temáticas: Números, Álgebra, Geometria, Grandezas e medidas e Probabilidade
e estatística. O termo Educação Financeira aparece explicitamente na BNCC como um
tema a ser trabalhado na educação básica de maneira transversal e está destacado como
uma temática a ser explorada especialmente, nos anos finais, na unidade temática
Números. O documento destaca que:
Outro aspecto a ser considerado nessa unidade temática é o estudo de conceitos
básicos de economia e finanças, visando à educação financeira dos alunos.
Assim, podem ser discutidos assuntos como taxas de juros, inflação, aplicações
financeiras (rentabilidade e liquidez de um investimento) e impostos. Essa
unidade temática favorece um estudo interdisciplinar envolvendo as dimensões
culturais, sociais, políticas e psicológicas, além da econômica, sobre as
questões do consumo, trabalho e dinheiro. É possível, por exemplo,
desenvolver um projeto com a História, visando ao estudo do dinheiro e sua
função na sociedade, da relação entre dinheiro e tempo, dos impostos em
sociedades diversas, do consumo em diferentes momentos históricos,
incluindo estratégias atuais de marketing. Essas questões, além de promover o
desenvolvimento de competências pessoais e sociais dos alunos, podem se
constituir em excelentes contextos para as aplicações dos conceitos da
Matemática Financeira e também proporcionar contextos para ampliar e
aprofundar esses conceitos. (BRASIL, 2018, p.269)
Desse modo, é importante destacar que diferenciando-se das recomendações
trazidas pelos PCNs discutidos anteriormente, a BNCC destaca não apenas os conceitos
38
da Matemática Financeira, mas estes associados às discussões inerentes de fatores e
aplicações sociais, históricas, políticas e econômicas.
Acreditamos, que a inclusão desse tema na BNCC se deu pela urgência em
introduzir a Educação Financeira desde cedo na vida dos cidadãos brasileiros.
Vislumbramos que a escola é um ambiente propício para propor essa discussão. Todavia,
não devemos deixar de destacar que parte dessa iniciativa partiu das discussões no âmbito
nacional e das recomendações advindas de organizações internacionais como OCDE.
Apesar de avaliarmos que nem todas as medidas e recomendações defendidas pela
OCDE, se alinham com as nossas concepções de Educação Financeira. Pois defendemos
uma Educação Financeira voltada para a promoção de uma condição de vida mais
equitativa, justa e humana que emerge das singularidades e necessidades de cada sujeito.
Reconhecemos a importância dessa organização como um chamamento internacional
para a importância da discussão da Educação Financeira.
Todavia, reconhecemos a importância desse tópico na educação básica, tendo em
vista a importância de instruir os jovens, para o seu acesso ao mercado de trabalho e ao
seu planejamento ao longo da vida.
Com o intuito de localizar os objetos de conhecimento e as habilidades a serem
desenvolvidas e a inclusão da Educação Financeira, destacamos o modo como essas
competências estão descritas na BNCC. Listamos no quadro a seguir, todas as habilidades
e competências a serem adquiridas pelos estudantes em turmas do 6° ao 9° ano do Anos
Finais do Ensino Fundamental que faz menção ao tema Educação Financeira.
Quadro2: Competências e habilidades da BNCC – Matemática
Série
Unidade Temática
Objetos de Conhecimento
Habilidades
39
Números
Cálculo de porcentagens por meio de
estratégias diversas, sem fazer uso da
“regra de três”
6° ano
Leitura e interpretação de tabelas e
gráficos (de colunas ou barras simples
ou múltiplas) referentes a variáveis
categóricas e variáveis numéricas
Probabilidade e
estatística
(EF06MA13) Resolver e
elaborar problemas que
envolvam porcentagens,
com base na ideia de
proporcionalidade, sem
fazer uso da “regra de
três”,
utilizando
estratégias
pessoais,
cálculo
mental
e
calculadora,
em
contextos de educação
financeira , entre outros.
(EF06MA32) Interpretar
e resolver situações que
envolvam dados de
pesquisas
sobre
contextos ambientais,
sustentabilidade,
trânsito,
consumo
responsável,
entre
outros, apresentadas pela
mídia em tabelas e em
diferentes
tipos
de
gráficos e redigir textos
escritos com o objetivo
de sintetizar conclusões.
(EF07MA02) Resolver e
elaborar problemas que
envolvam porcentagens,
como os que lidam
Cálculo de porcentagens e de
acréscimos e decréscimos simples
7° ano
Números
com
acréscimos
e
decréscimos
simples,
utilizando
estratégias
pessoais, cálculo mental
e
calculadora, no contexto
de educação financeira,
entre outros.
8° ano
Probabilidade
estatística
e
Pesquisas censitária ou amostral
(EF08MA26) Selecionar
razões, de diferentes
naturezas (física, ética
ou econômica), que
justificam a realização
de pesquisas amostrais e
não
censitárias,
e
reconhecer que a seleção
da amostra pode ser feita
de diferentes maneiras
(amostra casual simples,
sistemática
e
estratificada)
40
(EF09MA05) Resolver e
elaborar problemas que
envolvam porcentagens,
com a ideia de
9° ano
Números
Porcentagens:
problemas
que
envolvem cálculo de percentuais
sucessivos
aplicação de percentuais
sucessivos
e
a
determinação das taxas
percentuais,
preferencialmente
com o uso de tecnologias
digitais, no contexto da
educação financeira.
(EF09MA21) Analisar e
identificar, em gráficos
divulgados pela mídia,
os elementos que
Probabilidade e
estatística
Análise de gráficos divulgados pela
mídia: elementos que podem induzir a
erros de leitura ou de interpretação
podem induzir, às vezes
propositadamente, erros
de leitura, como escalas
inapropriadas,
legendas
não
explicitadas
corretamente, omissão
de
informações
importantes (fontes e
datas), entre outros.
Fonte: (BNCC, 2018, p. 318)
Vemos a partir dos objetos de conhecimentos e as habilidades apresentadas na
BNCC, diversos contextos que podem ser trabalhados na perspectiva da Educação
Financeira. Algumas das habilidades listadas por nós, se alinham com as encontradas a
pelos autores Melo et al. (2021). Outras delas, surgem das experiências da autora como
docente ao vislumbrar ações que promovam a Educação Financeira a partir da explanação
dos conceitos Matemáticos é o caso das habilidades EF06MA32, EF08MA26 e
EF09MA31 que não abordam diretamente o tema Educação Financeira, mas que podem
ser explorados a partir da intervenção do professor.
Concordamos com os autores, Melo et al. (2021) destacam que:
em Matemática anos finais, as habilidades destacadas, da forma como estão
colocadas, possivelmente não conduzem para uma abordagem crítica/reflexiva
pelos estudantes diante das situações financeiras apresentadas, a não ser que o
professor trabalhe esta abordagem por sua iniciativa. [...] O papel do professor
é fundamental para que a temática seja explorada na sala de aula e, para isso,
tanto na Matemática quanto nas demais áreas do conhecimento, processos de
formação são necessários. (MELO et al., 2021, p.17)
41
Entendemos que apenas listar as habilidades e competências apresentadas na BNCC, não
garante que haja de fato uma ação introdutória do estudante à Educação Financeira. É
necessário que o professor de Matemática, em articulação com a gestão escolar em um
trabalho colaborativo com outras áreas de conhecimento possuam um olhar sensível e se
mobilizem em conjunto; para que esse tema possa ser trabalhado de maneira transversal
e integradora e que faça sentido real para a vida dos estudantes.
Diante do reconhecimento dos conteúdos e habilidades listados no quadro acima,
buscaremos fazer uma análise das onze coleções dos livros didáticos aprovados no PNLD
2020, Anos Finais, a fim de compreender como o tema de Educação Financeira, vem
sendo abordado nesses materiais didáticos. Compreender em quais objetos de
conhecimento matemático se concentram as recomendações de trabalho com a EF, nos
auxiliará a ter um olhar mais clínico e objetivo para as atividades propostas nos livros
didáticos. Além de nos possibilitar entender se há de fato atividades de Educação
Financeira que se alinhem com as habilidades propostas.
Feita uma breve análise dos documentos oficiais, percebemos que a inclusão
explícita do tema Educação Financeira documentos é recente, apesar dos indícios de sua
presença desde os PCN’s em 1997 e 1998. Entretanto, a chamada desse tópico na BNCC
nos aponta um caminho que possibilitará essa discussão mais concreta e sistematizada no
contexto escolar.
Percebemos a urgência em refletirmos e criarmos estratégias de ensino que
ampliem a divulgação e abordagem desse tema, não só nos anos finais, mas em todas as
modalidades de ensino. Visto que quanto mais cedo o aluno tiver contato com o tema,
melhor preparado ele estará para lidar com situações que esteja inserida no cenário
econômico e consequentemente social. As autoras Santos e Pessoa (2016) destacam que:
A presença da discussão sobre EF na proposta da BNCC chama atenção para
a maior visibilidade que a temática está recebendo atualmente, o que ressalta a
importância de que seja investigada e analisada, com o objetivo de
compreender como está penetrando na escola e as consequências que essa
discussão pode desencadear. (SANTOS; PESSOA, 2016, p.2)
Corroborando com o pensamento das autoras acima citadas, ressaltamos a relevância do
nosso estudo, ao buscarmos compreender como a Educação Financeira vem sendo
explorada na educação básica.
Apresentamos na próxima seção alguns autores e trabalhos que nos servirão de
aporte teórico para o desenvolvimento da nossa pesquisa. Na qual, buscamos no decorrer
42
do estudo propor discussões a respeito das publicações que nos auxilie a compor um
panorama das pesquisas em Educação Financeira nos Anos Finais do Ensino
Fundamental.
3. PANORAMA DAS PESQUISAS EM EDUCAÇÃO FINANCEIRA NOS
ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
Iniciamos o nosso estudo buscando compreender e localizar os trabalhos
relacionados ao tópico Educação Financeira nos Anos Finais do Ensino Fundamental.
Bem sabemos que a pesquisa exploratória inicial nos permite encontrar lacunas na área
de estudo abordada, além de nos proporcionar uma visão ampla dos estudos até então
desenvolvidos na área de estudo pesquisada. Desse modo, nessa seção buscamos
apresentar um estudo qualitativo do tipo Revisão Sistemática da Literatura (RSL), com o
intuito de mapear as produções completas, publicadas nas áreas de Educação Matemática,
Educação e Ensino de Matemática.
3.1 Revisão Sistemática da Literatura
De acordo com o autor Sampaio (2007) a Revisão Sistemática da Literatura é uma
forma de pesquisa que viabiliza a sistematização e o mapeamento de estudos
possibilitando uma visão crítica e geral do objeto a ser pesquisado. Dessa forma, Lopes
(2008) destaca que “A revisão bibliográfica sistemática é definida como uma síntese de
estudos primários que contém objetivos, materiais e métodos claramente explicitados e
que foi conduzida de acordo com uma metodologia clara e reprodutível” (LOPES,2008,
p.772). A revisão sistemática da literatura, tem seus precedentes na área de saúde,
especialmente na Medicina quando os pesquisadores buscavam publicar seus estudos de
maneira clara e sistemática.
Concebemos ainda, que a elaboração de uma pesquisa nesses moldes propicia uma
contribuição substancial para a pesquisa em ensino e educação, pois possibilita ao
pesquisador uma visão global dos tópicos estudados, gerando assim, um arcabouço
teórico sólido para pesquisas e discussões futuras.
43
Neste trabalho, a revisão foi conduzida por sete fases descritas por Galvão (2019),
são elas: a Construção do Protocolo de Pesquisa, a Definição da Pergunta, a Busca dos
Estudos, a Seleção dos Estudos, a Avaliação Crítica dos Estudos e a Coleta dos Dados e
a Síntese dos Dados. Galvão (2019), ainda propõe uma oitava etapa que constitui a
redação e publicação dos dados.
Na etapa de Construção do Protocolo de Pesquisa, definimos a questão de
pesquisa, os critérios de inclusão e exclusão dos artigos, a definição dos descritores de
busca, e a definição das bases de dados. Como base para o nosso estudo, a pergunta da
pesquisa se estabeleceu da seguinte maneira: Quais são os estudos disponíveis nos
periódicos da Capes, referentes ao Ensino de Matemática e Educação Matemática, que
abordam o tema ensino de Educação Financeira nos Anos Finais do Ensino
Fundamental?
Para realizarmos as buscas, a base de dados escolhida foi o Portal de Periódicos
da Capes. A escolha da base de dados se deu pela facilidade de acesso aos artigos
disponíveis na internet, de alta qualidade e que possibilitam uma análise completa dos
artigos. Além de viabilizar uma diversidade de artigos nos mais variados idiomas,
ampliando o nosso estudo. Os descritores de busca utilizados na pesquisa foram as
palavras chaves: Educação Financeira, Matemática, Anos Finais, Ensino Fundamental,
Ensino e Educação Matemática.
Após a busca nas bases de dados, fez -se necessário estabelecer Critérios de
Inclusão e Exclusão dos estudos. Como critério de inclusão listamos os estudos
publicados no período dos últimos 11 anos 2010 a 2021, os estudos que apresentem de
forma explícita metodologias e/ ou estratégias de ensino de educação financeira para
alunos dos Anos Finais do Ensino Fundamental, os estudos que envolvem formação de
professores para Ensino Fundamental Anos Finais e periódicos revisados por pares.
Definimos como critérios de exclusão os artigos não relacionados a ensino de
Matemática, artigos não revisados por pares, artigos incompletos ou inconclusos.
Também usamos como critério de exclusão dissertações e teses, por considerarmos que
para o nosso estudo inicial os artigos publicados em períodos se constituem em uma
excelente base de busca e análise. Delimitados ainda, que para artigos duplicados,
faremos a leitura de apenas de uma das obras.
44
No que diz a respeito da Avaliação Crítica do Estudo, com o intuito de buscar
pesquisas que de fato contribuam para identificar quais são as tendências metodológicas
para o ensino de Educação Financeira nos Anos Finais do Ensino Fundamental
consideramos, que o período de onze anos é relevante por caracterizar indicativos de
práticas de ensino. Para os fins da realização de uma avaliação crítica dos artigos, fizemos
uma leitura inicial dos títulos e resumos com intuito de classificá-los de acordo com o
processo de inclusão e exclusão. A posteriori, realizamos uma leitura crítica, minuciosa e
aprofundada de cada estudo selecionado.
Para a etapa de Processo de Coleta de Dados, utilizando as strings de buscas e o
critério de inclusão. De acordo com a autora Rodrigues (2017, p. 3) “A definição da string
de busca pelo usuário é um ciclo constante, nele busca, avalia e refina seus objetivos de
busca até se sentir satisfeito com os resultados obtidos, ou desistir da busca.” No mais
esse processo se dá, através da elaboração de frases ou palavras chaves, que possibilitem
ao pesquisador encontrar a maior quantidade possível de artigos coerentes aos objetivos
da sua pesquisa. De tal forma, que esse processo de busca possa ser reproduzido e refinado
a posteriori. Nesse contexto de elaboração dos mecanismos de buscas, utilizamos quatro
strings de buscas elaboradas a partir do uso das palavras chaves e dos operadores lógicos
booleanos “AND” e “OR”. Como destacamos na tabela a seguir.
Quadro 3: Strings de busca
Ordem da
busca
String de busca
1ª
“Educação Financeira”
2ª
“Educação Financeira” and “Matemática”
3ª
“Educação Financeira” and “Matemática” or “Matemática” and “Anos
Finais”
4ª
“Educação Financeira” and “Matemática” and “Anos Finais”
Fonte: Dados da pesquisa (2021)
Após a aplicação das strings de buscas, foram encontrados 203 artigos. Dos quais
foram realizadas uma leitura dos títulos, palavras-chaves, resumo. Quando não era
possível identificar o tipo do estudo apresentado no artigo, elaboramos leituras seletivas
do trabalho completo. Segue abaixo uma tabela com os dados coletados, após a aplicação
das buscas.
45
Quadro 4: Resultados da busca
String de busca
Artigos
encontrados
1ª
“Educação Financeira”
160
2ª
“Educação Financeira” and “Matemática”
33
3ª
4ª
“Educação Financeira” and “Matemática” or “Matemática” and
“Anos Finais”
3
“Educação Financeira” and “Matemática” and “Anos Finais”
7
TOTAL DE ARTIGOS ENCONTRADOS
203
Fonte: Dados da pesquisa (2021)
Após elaboração das strings de busca dos artigos, fizemos uma investigação prévia
nos artigos completos, disponíveis no Portal de Periódicos da Capes com intuito de
selecionar os estudos que estão relacionados com a nossa questão norteadora. Vale
ressaltar, que os artigos disponíveis nessa plataforma atendem aos critérios elencados por
nós, como parâmetros para essa Revisão Sistemática da Literatura. A seguir, organizamos
os dados coletados e posteriormente propomos uma discussão a respeito dos resultados
encontrados.
Após a aplicação desses critérios de busca, realizamos o download dos artigos
encontrados e iniciamos a leitura dos títulos dos trabalhos e posteriormente dos
resumos. Quando estes mecanismos não eram suficientes, recorríamos a leitura do
estudo na íntegra, com o intuito de melhor identificar os estudos encontrados.
3.2 Síntese e Categorização da RSL
Como a Revisão Sistemática da Literatura se caracteriza como uma pesquisa
qualitativa, cujo intuito é apresentar de maneira clara e objetiva os resultados encontrados
com a pesquisa. Dessa forma, para o Processo de Síntese dos Dados, utilizamos os
resultados obtidos e os explicitamos por meio de um quadro, informações importantes
acerca dos estudos selecionados. Indicamos no quadro abaixo: o título do trabalho, o ano
46
de publicação, os atores da pesquisa e as revistas periódicas em que esse trabalho foi
publicado.
Quadro 5: Descrição dos artigos selecionados
Título do Estudo
Autor (es)
Ano de
publicação
Revista
A1
Reflexões sobre a Educação
Financeira e suas interfaces com
a Educação Matemática e a
Educação Crítica
Campos, C. R.,
Teixeira, J., de
Queiroz, C., &
Coutinho, S.
2015
Educação
Matemática Pesquisa
A2
Uma história da educação
financeira escolar por meio de
uma análise em livros didáticos
de Souza, J. I., &
Flores, C. R.
2018
Revista de História
da Educação
Matemática
A3
Economia doméstica e educação
financeira na escola: diferenças a
partir do gênero.
Fernandes, L. D. F.
B., & Vilela, D. S.
2019
TANGRAM-Revista
de Educação
Matemática
A4
A construção de Cyberproblemas
por Estudantes do 6° ano no
contexto da Educação Financeira
Rêgo, L. M., Rosa,
M., & Oliveira, A.
T. D. C. C. D.
A5
Sites da internet: uma
possibilidade de recurso para o
ensino de Educação Financeira
Cordeiro, N. J. N.,
de Carvalho, L. O.,
& da Silva, M. N.
2018
Boletim Cearense de
Educação e História
da Matemática
A6
Desenvolvimento de um MOOC
para o ensino de Educação
Financeira Escolar
Nunes, A. B. S.,
&Rosito, M. C..
2019
REMAT: Revista
Eletrônica da
Matemática
A7
A Matemática Financeira e
Educação Financeira: impactos
na formação inicial do professor.
Somavilla, A. S.,
Andretti, E. C.,
&Bassoi, T. S.
2019
TANGRAM-Revista
de Educação
Matemática
A8
As finanças pessoais dos
professores da rede Municipal de
Ensino de Campo Formoso BA:
um estudo na Escola José de
Anchieta
Moreira, R., & de
Carvalho, H. L. F.
S.
2013
Revista de Gestão,
Finanças e
Contabilidade
A9
Educação Financeira:
entendimento de inflação em
uma turma do 9° ano do Ensino
Fundamental
Almansa, S. D., &
Mariani, R. D. C. P.
2019
Educação
Matemática Pesquisa
A10
Educação financeira: uma
proposta desenvolvida no ensino
fundamental
Scolari, L. C.,
&Grando, N. I.
2016
Educação
Matemática Pesquisa
A11
Percepções de jovens estudantes
sobre a educação financeira: um
estudo em Barra do Garças- MT
Deodato, da S.,
Silva, F. &
Valadão, E. N
2017
Educação
Matemática Pesquisa
A12
Uma proposta didática para o
desenvolvimento da temática
Educação Financeira
Dias, C. R., & de
Assis Olgin, C.
2018
REMATEC
A13
Inflação de custo em um
ambiente de Educação Financeira
Escolar: análise de uma proposta
Almansa, S. D., &
Mariani, R. D. C. P.
2019
Revista de
Investigação e
Divulgação em
2017
Educação
Matemática Pesquisa
47
Educação
Matemática
A14
Educação orçamentária Familiar:
Uma ferramenta que promove o
controle financeiro doméstico.
Lima, R. A. D. A.,
Figueiredo, F. N.
L., Júnior, R. V., &
Ventura, A. F. A.
2016
Caminho Aberto:
revista de extensão
do IFSC
Fonte: Dados da pesquisa (2021)
Feita a filtragem dos artigos, consideramos coerente ao nosso estudo quatorze
trabalhos. Salientamos que a seleção dos textos foi feita, a fim de responder uma das
nossas questões da pesquisa “Quais são os estudos disponíveis nos periódicos da Capes,
referentes ao Ensino de Matemática e Educação Matemática, que abordam o tema ensino
de Educação Financeira nos Anos Finais do Ensino Fundamental? Compreender os
dados desses estudos, nos possibilitará estruturar um arcabouço teórico para responder à
questão central do nosso estudo que é compreender “Como se apresenta a Educação
Financeira nos livros didáticos, nos Anos Finais do Ensino Fundamental, do PNLD
2020?”.
Numa análise a priori dos artigos constatamos que a produção dos estudos que
contemplam diretamente o tema Educação Financeira nos Anos Finais da Educação
Básica ainda é limitado, e não aborda todos os aspectos do tema. Notamos ainda, que essa
lacuna nas publicações nos aponta um norte para a relevância e importância do nosso
estudo para a área de Ensino de Matemática. Concebemos que esse estudo primário
realizado, possibilitará além da criação de um arcabouço teórico sólido, uma perspectiva
temática para estudos e debates futuros.
Compondo o quesito Síntese de Dados da Revisão Sistemática da Literatura, e
para melhor debatermos as ideias apresentadas nos textos selecionados, e buscamos
categorizar os estudos em quatro blocos: Educação Financeira e suas Perspectivas
Teóricas, Educação Financeira e Tecnologias, Educação Financeira e Formação Docente
e por fim Educação Financeira e Estratégias de Ensino. Compreendemos que esse
mecanismo de classificação dos artigos, nos possibilita identificar quais são as tendências
e limitações nos estudos destinados à Educação Financeira nos Anos Finais do Ensino
Fundamental. Elaboramos a seguir, um quadro elaborado a partir da categorização dos
estudos selecionados.
48
Quadro 6: Categorização dos artigos do Bloco 1
- Reflexões sobre a Educação Financeira e suas
interfaces com a Educação Matemática e a
Educação
Crítica.
(CAMPOS,
TEIXEIRA,
QUEIROZ, 2015)
- Uma história da educação financeira escolar por
meio de uma análise em livros didáticos. (SOUZA,
Bloco 1: Educação Financeira e suas perspectivas
FLORES, 2018)
teóricas
- Economia doméstica e Educação Financeira na
escola:
diferenças
a
partir
do
gênero
(FERNANDES, VILELA, 2016)
Fonte: Dados da pesquisa (2021)
No primeiro bloco Educação Financeira e suas perspectivas teóricas, localizamos
três artigos que tratam dessa temática. Iniciamos a nossa reflexão a partir dessas leituras,
pois julgamos necessário compreender quais são as vertentes teóricas atuais que
substanciam as pesquisas em Educação Financeira, no contexto dos Anos Finais do
Ensino Fundamental. Todavia, compreendemos que refletir sobre esse tema nos
possibilitará construir um trabalho sólido e com um arcabouço teórico substancial.
Proporemos a seguir, uma síntese dos artigos selecionados durante a nossa busca, com o
intuito de proporcionar ao leitor uma visão geral de cada estudo. Foge do objetivo da
nossa revisão, detalhar e reescrever discussões inerentes à cada estudo. Propomos dessa
forma, uma síntese dos estudos e a posteriori, são feitas observações e ponderações
reflexivas a respeito do tema tratado.
No primeiro artigo do Bloco 1, apresentamos o estudo “Reflexões sobre a
Educação Financeira e suas interfaces com a Educação Crítica”, (CAMPOS, TEIXEIRA,
QUEIROZ, 2015), os autores propõem um estudo qualitativo que discorre a respeito da
importância em se discutir e tecer reflexões a respeito de uma educação voltada para
cidadania. Nesse contexto, a pesquisa busca relacionar a Educação Financeira com a
Educação Matemática e busca estabelecer um elo entre a Educação Financeira e a
49
Educação Crítica. Além de discutir o papel da formação de professores e apresentar um
mapeamento das pesquisas realizadas no Brasil a respeito do tema Educação Financeira.
Inicialmente os autores destacam a relevância em discutir o tema e incluí-lo na
educação básica. Enfatizando a preocupação que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
e os Parâmetros Curriculares Nacionais apresentam, e destacam a importância em se
incluir o tema Educação Financeira como um fator importante para contribuir para a
formação do cidadão. De tal forma que a inserção de tema Educação Financeira se
apresente para o estudante de forma contextualizada em situações reais ou realísticas.
O artigo aponta um estudo de dados descritos em pesquisas a respeito do alto nível
de inadimplência e falta de conhecimento sobre assuntos financeiros dos brasileiros. Os
estudos ainda descrevem que as classes mais baixas tendem a ter um maior número de
inadimplência financeira. Em uma pesquisa destacadas no artigo cerca de 70% dos
brasileiros que costumam utilizar as linhas de crédito do cheque especial e do cartão de
crédito desconhecem a taxa de juros que pagam. Dificultando a organização e o
planejamento financeiro das famílias. Por outro lado, os autores destacam a importância
em diferenciar a Educação Financeira da Matemática Financeira, compreendendo que a
Matemática Financeira instrumentaliza os estudantes através de conceitos matemáticos
como cálculos de Juros, Porcentagem, Razão e Proporções, mas que sozinha não promove
a Educação Financeira dos discentes. Dessa forma, ela sugere que os conceitos de
Matemática Financeira sejam explorados de diversas maneiras a fim de fornecer aos
estudantes uma contextualização necessária para se tornarem educados financeiramente.
A saber, os pesquisadores destacam várias temáticas de pesquisas que são tendência em
Educação Matemática, como a Resolução de Problemas, Modelagem Matemática, e o uso
de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).
Para concluir suas considerações os pesquisadores destacam que a Educação
Financeira e a Educação Crítica se articulam, através da concepção de uma educação para
autonomia, uma educação para a cidadania e salienta que se faz necessário intensificar os
esforços para incentivar a formação dos docentes desde o seu professo de formação
universitária. Os autores destacam ainda que as iniciativas governamentais, como a
Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), para a inserção da Educação
Financeira na Educação Básica tem se mostrado promissora. Todavia, nos posicionamos
ao destacarmos que essas iniciativas governamentais ainda estão distantes das concepções
de Educação Financeira que defendemos. Precisamos estar atentos quem são os principais
50
favorecidos com a disseminação de informações que na maioria das vezes se resumem ao
mero poupar para viver.
Discussões a respeito de uma Educação Crítica, humanizadora e que possibilite
aos estudantes a oportunidade de introduzirem os conteúdos de Matemática em seu
cotidiano. Dessa forma, o artigo tratado acima, discorre a respeito de um tema que surge
com urgência no contexto escolar. Quando observamos as altas taxas de inadimplência e
a falta de conhecimentos mínimos sobre gastos e planejamento financeiro notamos a
importância em iniciar o mais cedo possível a inserção do tópico no contexto escolar.
Dando seguimento as discussões dos estudos, o artigo “Uma história da educação
financeira escolar por meio de uma análise em livros didáticos” das autoras (SOUZA,
FLORES, 2018). A pesquisa qualitativa, trata de um recorte uma tese que busca em seu
cerne, compreender a forma em que emergiu o tema Educação Financeira e propõe
analisar livros didáticos das décadas de 50 e 60 na busca de tecer considerações a respeito
do tema. Por compreender que o tópico aborda um conjunto de práticas socioculturais, a
elaboração desse estudo se ancora metodologicamente nas ferramentas do teórico Michel
Foucalt. As autoras após uma análise dos documentos concluem que nos livros
escolhidos, havia a presença de exercícios e problemas relacionados com conteúdo de
Educação Financeira, mas que se distinguem dos problemas e atividades adotados nos
livros didáticos atuais. Apesar dos enunciados das questões apresentarem algumas
indicações a situações práticas, as autoras não consideram as atividades analisadas
suficientes para a promoção de uma educação financeira. Todavia, concebe-se que mesmo
sob outra perspectiva havia- se indícios de conceitos que tratassem de Matemática
Financeira, tanto para os alunos, como orientações destinadas a professores.
Na sequência das leituras dos artigos, listamos o estudo um “Economia doméstica
e Educação Financeira na escola: diferenças a partir do gênero” das autoras
(FERNANDES, VILELA, 2016). O artigo representa um recorte da tese de doutorado de
uma das pesquisadoras, e destaca a importância em se debater a questão de gênero no
contexto da Educação Financeira na Educação Básica. Propondo uma abordagem
filosófica e elaborando um estudo histórico- bibliográfico; as pesquisadoras buscam
compreender as diferenças entre os conteúdos de Educação Financeira ministrados entre
meninos e meninas.
Com o intuito de compreender as possíveis diferenças de gêneros as autoras
apresentam os primeiros documentos que datam do século XIX ao início do século XX,
51
que introduz à educação básica a disciplina de “Economia Doméstica”, que anos a pós se
caracterizará como “Educação Financeira”. No que diz respeito a disciplina de Economia
Doméstica, as autoras apontam que havia uma diferença dos conteúdos ministrados.
Enquanto as meninas estudavam a respeito de administração das finanças do lar, saúde e
cuidados com a higiene pessoal e familiar. Aos meninos eram ministrados conteúdos de
Educação Financeira relacionado ao mundo do trabalho e a acumulação de riquezas.
Ainda sob a pesquisa da análise histórico- documental outra, as autoras analisam
o atual projeto de Educação Financeira, elaborado pela ENEF (Estratégia Nacional de
Educação Financeira) em consonância com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular)
e observam que com o passar dos anos, abordagem de ministração dos conteúdos se
alterou, e que no projeto de Educação Financeira para Educação Básica no contexto atual,
não há uma distinção de gênero. As pesquisadoras apontam que nessa nova abordagem,
a Educação Financeira foca na dimensão individual do sujeito. E afirma que um indivíduo
educado financeiramente reflete em uma sociedade igualmente educada. O que destoa da
concepção de Educação Financeira que defendemos. Defendemos uma Educação
Financeira social, coletiva, que transcenda a dimensão individual do sujeito e que busque
a melhoria da sociedade como um todo.
Após análise desses dois momentos históricos no contexto da Educação
Financeira na Educação Básica as pesquisadoras dialogam com pensadores como
Bourdieu a respeito da concepção de “doxa”. Para as autoras essa mudança de
pensamento e consequentemente de abordagens do ensino de Educação Financeira com
o passar dos anos se deu, pela reflexão entre o sistema de ensino e o contexto social. E
aponta que essa mudança de perspectiva de ensino se deu através das mudanças sociais e
a influência do Estado nesse processo.
Nos artigos discutidos no primeiro bloco de estudos, podemos observar a forte
presença de discussões a respeito da Educação Financeira, que se centralizem na
percepção do aluno como protagonista das tomadas decisões no que diz respeito ao
planejamento financeiro. Todavia, destacamos que não podemos distanciar a importância
do papel da Matemática Crítica no contexto da Educação Financeira, por concebermos
que para que haja uma tomada de consciência de compra, e aquisição de produtos
financeiros os estudantes precisam ter uma compreensão do seu papel na sociedade. De
tal forma, que a compra ou investimento financeiro sejam pensados num contexto mais
amplo que envolvam desde questões referentes ao meio ambiente, consumo consciente,
52
até a consciência de um planejamento de vida feito a longo prazo. Um estudante que é
educado financeiramente é capaz de identificar o momento correto de se fazer um
investimento e consequentemente é menos ludibriado com propagandas enganosas.
No que diz respeito a diferença de gênero, notamos atualmente uma maior
inserção da mulher no mercado de trabalho, e consequentemente esta passa a possuir um
poder maior de compra e ganhando espaço nas tomadas de decisões financeiras. Tal
movimento, tente a romper com o paradigma de que a mulher deva tratar apenas de
conhecimentos que a auxilie a organizar as finanças domésticas. Tal mudança nos leva
ao patamar de que a Educação Financeira deve ser vista e ensinada de maneira acessível
a todos os estudantes, independente do gênero.
Seguindo as análises propostas em nosso estudo, iniciamos as discussões no
segundo bloco de artigos, que categorizamos como Educação Financeira e Tecnologia. A
discussão sobre o uso de tecnologias digitais na educação, tem ganhado espaço nos
últimos anos. Dessa forma, autores como descaremos no quadro a seguir, ressaltam a
importância em desenvolver essa temática associada a Educação Financeira. Vejamos os
títulos dos trabalhos descritos abaixo.
Quadro 7: Categorização dos estudos do Bloco 2
- A construção de Cyberproblemas por Estudantes
do 6° ano no contexto da Educação Financeira
(RÊGO; ROSA; OLIVEIRA, 2017)
- Sites da internet: uma possibilidade de recurso
para
Bloco 2: Educação Financeira e Tecnologias
o
ensino
de
Educação
Financeira
(CORDEIRO, DE CARVALHO, DA SILVA,
2018)
- Desenvolvimento de um MOOC para o ensino de
Educação Financeira Escolar (NUNES, ROSITO,
2019)
Fonte: Dados da pesquisa (2021)
No primeiro artigo desse bloco, destacamos o texto “A construção de
Cyberproblemas por Estudantes do 6º ano no contexto da Educação Financeira”. Os
autores abordam uma alternativa didática para o ensino da Educação Financeira. No texto,
53
o uso do ciberespaço e a elaboração de Cyberproblemas tornam- se protagonistas para
que o aluno ressignifique os conteúdos e operações matemáticas utilizadas em sala de
aula. Todavia, os pesquisadores evidenciam em seu estudo que a aprendizagem da
educação financeira pôde ser introduzida no Ensino Fundamental como uma forma de dar
sentido aos cálculos com números decimais, e de forma a ampliar de maneira significativa
os possíveis sentidos atribuídos a taxas cambiais, a mercado internacional e à matemática
subjacente a esses aspectos.
Por meio de um trabalho qualitativo, os pesquisadores apresentam um estudo
aplicado em inicialmente em uma pesquisa piloto, em três turmas do 6° ano do Ensino
Fundamental em uma escola privada do Rio de Janeiro. A pesquisa piloto contou com a
participação de 56 alunos. No que diz respeito a pesquisa definitiva, os autores relatam
que devido ao excesso de informação coletadas na pesquisa piloto, aplicou-se a pesquisa
definitiva em apenas uma turma com 24 alunos. Numa visão geral, os autores apresentam
os Cyberproblemas criados pelos estudantes de um grupo de alunos denominados no
estudo como grupo C. Nas atividades apresentadas pelos estudantes eles apresentam sete
problemas que conectados entre si, trataram de assuntos como conversões de moedas,
porcentagens, desconto e juros.
No entanto, os autores apontaram que mesmo após as orientações e intervenções
feitas aos alunos, os grupos não conseguiram elaborar Cyberproblemas na perspectiva
apresentada pelos pesquisadores. Todavia, a pesquisa considera-se importante por
apresentar aos estudantes uma nova possibilidade de compreender e resolver problemas
num contexto digital. Os pesquisadores salientam a importância em utilizar a Educação
Financeira no contexto da elaboração de Cyberproblemas por consid erar que essa
aplicação possibilita aos estudantes aplicar conhecimentos como número decimais,
porcentagens e outros conteúdos estudados na disciplina de Matemática.
Na sequência das pesquisas com a temática “Educação Financeira e Tecnologias”,
discutimos o artigo Sites da internet: uma possibilidade de recurso para o ensino de
Educação Financeira dos autores (CORDEIRO, DE CARVALHO, DA SILVA, 2018).
Nessa pesquisa bibliográfica, os pesquisadores elaboraram um estudo que reafirma a
importância da utilização da internet como fonte de informações relevantes para o
ensino/aprendizagem da Educação Financeira. Propondo inicialmente uma discussão
teórica a respeito da inserção da Educação Financeira no contexto escolar e apresentando
a internet como uma fonte confiável para pesquisas no contexto educacional. Os autores
54
apresentam dois sites que podem ser utilizados como instrumentos para o ensino de
Educação Financeira, e posteriormente os pesquisadores apresentam estratégias de
ensino, que poderão ser utilizadas pelos docentes como exemplo de utilização desses
sites.
Os sites descritos no estudo foram “MEU BOLSO FELIZ” e “MEU BOLSO EM
DIA”. O primeiro site, foi desenvolvido pelo SPC - Serviço de Proteção ao Crédito do
Brasil, proporciona aos usuários de forma gratuita diversos conteúdos a respeito do tema
Educação Financeira. O site apresenta inúmeras reportagens, entrevistas com
especialistas, como também apresenta dicas sobre consumo. Também disponibiliza
alternativas sobre possíveis gastos além de auxiliar no planejamento financeiro e
economia no cotidiano.
Para os usuários que necessitem planejar orçamentos ou
investimentos financeiros, o site oferece simuladores que apresentam detalhes e
condições financeiras para realização do projeto solicitado.
Como uma estratégia de ensino, exemplificada pelos autores do estudo, que
poderá ser aplicada aos alunos pelo professor para o ensino da Educação Financeira no
site “MEU BOLSO FELIZ” é a utilização da ferramenta infográficos. Apesar do exemplo
dado do texto, ser destinados a aluno do Ensino Médio, compreendemos que a utilização
desse recurso também pode ser explorada em qualquer série do Ensino Fundamental,
inclusive nos Anos Finais. Caberá ao docente adaptar os questionamentos e
consequentemente adequar as elaborações e abordagens dos infográficos de acordo com
a série trabalhada.
O segundo site apresentado “MEU BOLSO FELIZ”, foi uma iniciativa da
Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), que busca oferecer uma gama de recursos
educacionais que fomente aos usuários ferramentas que promovam a Educação
Financeira. Os autores destacam, que o site oferece diversos aplicativos para download
que estão disponíveis para smartphones e para computadores. Esses aplicativos buscam
auxiliar no controle dos gastos e planejamentos financeiros diários. Como uma atividade
proposta com o uso desse site, os pesquisadores apresentam um quadro de anotações de
gastos diários, que está disponível para download em formato PDF no site. Com esse
bloco de notas disponível no site como “Tabelas Dia a Dia”, o professor poderá construir
com os alunos dos anos finais do ensino fundamental, uma tabela com os gastos diários
dos estudantes, como também o planejamento dos gastos financeiros familiar. A
utilização desse recurso, possibilita aos estudantes reconhecer a importância do
55
planejamento financeiro além de aproximá-los da discussão a respeito de planejamento e
controle financeiro na perspectiva pessoal e familiar.
Para finalizamos a discussão a respeito dos artigos selecionados no Bloco 2,
discorremos sobre o estudo “Desenvolvimento de um MOOC para o ensino de Educação
Financeira Escolar” desenvolvido pelos autores (NUNES, ROSITO, 2019). Os autores
iniciam a discussão refletindo a respeito dos baixos índices habilidades matemáticas
apresentados pelos estudantes em avaliações internacionais de larga escala como PISA.
No que diz respeito aos conhecimentos financeiros os estudantes também apresentam
sérias dificuldades. Nesse contexto, a pesquisa apresenta a elaboração de um MOOC,
(Massive Open Online Course) na perspectiva de uma educação a distância, que consiga
atingir o maior número de alunos possíveis, independente das suas condições financeiras
ou geográficas. A utilização de um MOOC se constitui em
uma
oportunidade de
utilizar a Educação a Distância no auxílio ao desenvolvimento dos alunos do Ensino
Fundamental sobre conhecimentos e noções de finanças.
O curso foi disponibilizado pela plataforma Moodle, do Instituto Federal do Rio
Grande do Sul, entre novembro e dezembro de 2017. O curso foi elaborado contendo seis
módulos e destinados a alunos dos anos finais do Ensino Fundamental. Os conteúdos
desse curso foram divididos em seis módulos, os quais tratavam sobre: uma breve
introdução sobre Educação Financeira; porcentagem; exemplos do cotidiano que
envolvem Descontos e Acréscimos; Juros Simples e Juros Compostos; Poupança, Boleto
Bancário, Cartão de Crédito e Impostos; além de tratar sobre o Encerramento do curso.
De acordo com as análises propostas no estudo, o curso mostrou-se interessante
para os objetivos pretendidos. Apesar da não obrigatoriedade da modalidade EaD nos
anos finais da Educação Básica, os pesquisadores apontam para a multiplicidade de
estratégias de ensino que podem ser abordadas, usando esse tipo de curso online. Além
de permitir o acesso desse material, a estudantes independente da sua localização
geográfica.
Podemos destacar, que apesar no número insipiente de trabalhos localizados em
relação ao tópico Educação Financeira e Tecnologias voltado aos Anos Finais. O tema
tende a ser muito relevante para o campo da Educação Matemática e Ensino de
Matemática. Tal relevância, apresentou-se ainda mais forte durante o atual período da
crise sanitária causada pelo Covid 19. Onde, toda a educação brasileira, viu-se obrigada
a migrar para o mundo tecnológico e digital. Apontamos ainda, que pós-covid a discussão
56
a respeito da Educação Financeira mediada pelas tecnologias digitais, consistirão em uma
ferramenta indispensável para conscientização e auxilio para as inúmeras famílias que se
viram com problemas financeiros.
Dando continuidade as nossas análises, no bloco seguinte destacamos os estudos
que abordam o tema Educação Financeira e Formação Docente. Nesses estudos,
vislumbramos a necessidade de refletirmos o papel do professor no processo de ensino da
Educação Financeira. Observamos também, que como um cidadão que possui atividade
remunerada, o professor deve ser educado financeiramente, se posicionando como um
comprador crítico e que consequentemente planeja a sua vid a financeira.
Quadro 8: Categorização dos estudos do Bloco 3
- A Matemática Financeira e Educação Financeira:
impactos na formação inicial do professor.
(SOMAVILLA, ANDRETTI, BASSOI, 2019)
Bloco 3: Educação Financeira e Formação
Docente
- As finanças pessoais dos professores da rede
Municipal de Ensino de Campo Formoso BA: um
estudo na Escola José de Anchieta. (MOREIRA,
DE CARVALHO, 2013)
Fonte: Dados da pesquisa (2021)
No primeiro estudo desse bloco, os autores apresentam um estudo qualitativo
que visa compreender e identificar a presença da Matemática Financeira no curso de
Licenciatura em Matemática em uma universidade pública do estado do Paraná. O estudo
constituiu-se em uma analisar as ementas pedagógicas do curso de Licenciatura em
Matemática, da disciplina de Matemática Financeira, dos anos 1989 a 2017 além de
entrevistar docentes da graduação que lecionaram ou lecionam essa disciplina. Observouse após a coleta dos dados, que apesar da disciplina Matemática Financeira está present e
em todos as ementas do curso, existem fragilidades no que diz respeito a formação dos
licenciandos em Matemática. Notou-se no estudo, que os conteúdos abordados nos
documentos norteadores das disciplinas, mostrou-se insuficiente para que os alunos
possuam um conhecimento sólido em Matemática Financeira e não abordam o tema
Educação Financeira. Dessa forma, os autores destacam a importância de repensar os
conteúdos ensinados nessa disciplina pois compreende a importância do professor ser
consciente e crítico socialmente.
57
No segundo trabalho do bloco 3, destacamos o estudo: As finanças pessoais dos
professores da rede Municipal de Ensino de Campo Formoso BA: um estudo na Escola
José de Anchieta, elaborado pelos autores (MOREIRA, DE CARVALHO, 2013). Nesse
trabalho, os pesquisadores apresentam um estudo de caso elaborado com 618 professores
da rede pública de ensino de 218 escolas municipais de Campo Formoso na Bahia. Na
pesquisa mencionada, os autores por meio das análises das respostas dos professores
pesquisadores, puderam concluir que os professores apresentaram um alto nível de
endividamento e comprovou-se ainda que nenhum dos docentes entrevistados possuíam
o hábito de investir na poupança ou efetuar algum tipo de poupança financeira. Os autores
ainda apontam para a necessidade em se incluir a discussão a respeito da Educação
Financeira desde a pré-escola, por conceber que o processo de letramento e alfabetização
financeira.
Para concluir as análises dos artigos selecionados, finalizamos o último bloco de
artigos buscando compreender e identificar a Educação Financeira e as suas Estratégias
de Ensino. Entendemos que nesse bloco de estudo, é possível localizar quais são as
tendências de ensino voltadas a Educação Financeira. Segue abaixo o quadro, com os
artigos e estudos selecionados para análise.
Quadro 9: Categorização dos estudos do Bloco 4
- Educação Financeira: entendimento de inflação
em uma turma do 9° ano do Ensino Fundamental
(ALMANSA, MARIANI,2019)
-Educação financeira: uma proposta desenvolvida
no ensino fundamental. (SCOLARI; GRANDO,
2016)
Percepções de jovens estudantes sobre a
educação financeira: um estudo em Barra do
Garças- MT (SILVA; ESCORISA, 2017)
Bloco 4: Educação Financeira e Estratégias de
Ensino
-Uma proposta didática para o desenvolvimento da
temática Educação Financeira (DIAS, DE ASSIS,
2018)
- Educação orçamentária Familiar: Uma
ferramenta que promove o controle financeiro
doméstico. (LIMA; et. al, 2016)
Fonte: Dados da pesquisa (2021)
58
Para iniciarmos a discussão dos artigos selecionados no bloco 4, destacamos o
trabalho: Educação Financeira: entendimento de inflação em uma turma do 9° ano do
Ensino Fundamental das autoras (ALMANSA, MARIANI,2019). Nesse estudo
qualitativo, as pesquisadoras buscam identificar os conhecimentos subjacentes aos
conteúdos de Matemáticas que estão inclusos do pensamento do cálculo de inflação em
uma turma do 9° ano do Ensino Fundamental. A pesquisa consistiu na elaboração e
aplicação de seis atividades que buscavam propor aos estudantes o conceito de inflação
no contexto do cotidiano. Apesar da pesquisa ter se dado em seis atividades, as autoras
apresentam brevemente apenas cinco delas.
Em vias gerais, as atividades centravam-se em questões propostas aos grupos de
estudantes com objetivo de propor aos alunos reflexões a respeito do tema inflação. Como
instrumentos didáticos, foram elaboradas pelas pesquisadoras atividades, utilizando
textos informativos, gráficos, tabelas e vídeos e logo após foram propostas questões
discursivas para que os alunos as respondessem em grupos. Os temas utilizados pelas
autoras permearam a presença da inflação em atividades cotidianas como a cesta básica,
aumento do preço do combustível, e a inflação de produtos sazonais. As pesquisadoras
também exploram os conceitos inerentes ada definição de inflação.
Como resultado da pesquisa, o trabalho destaca que os alunos conseguiram
manifestar por meio das respostas a compreensão do tema inflação. O estudo aponta ainda
a necessidade em se expandir a discussão a respeito desse tema em atividades em sala de
aula, reafirmando que a aproximação desse tema, promove aos estudantes uma visão mais
crítica e os aproxima dos mais diversos contextos sociais e culturais.
Seguindo a discussão a respeito do bloco 4, analisamos o artigo Educação
financeira: uma proposta desenvolvida no ensino fundamental das autoras (SCOLARI;
GRANDO, 2016). Nesse estudo as pesquisadoras apresentam uma sequência de
atividades que visam proporcionar aos estudantes discussões que promovam o
pensamento crítico e a tomada de consciência financeira. Nesse contexto, a pesquisa de
cunho qualitativa apresenta a elaboração de atividades didático- pedagógicas baseadas na
metodologia de resolução e problemas e investigação para promover discussão para o
tópico de Educação Financeira.
Dessa forma, a pesquisa se constituiu em dezesseis aulas, aplicadas em uma turma
do 7° ano de uma escola do Rio Grande do Sul que buscavam discutir conteúdos
matemáticos e suas possíveis aplicações para a Educação Financeira. Em vias gerais as
59
aulas centravam-se em conteúdo como: Razão, Porcentagem, Grandezas Diretamente
Proporcionais, Grandezas Inversamente Proporcionais, Regra de Três Simples, Juros
Simples e resolução de problemas do livro didático adotado pela escola. No que diz
respeito as atividades de Educação Financeira, foram propostas aos alunos a elaboração
de um livro, contendo informações sobre a Educação Financeira, a elaboração de um
orçamento familiar, com o intuito de aproximar os estudantes de atividades que envolvem
a Educação Financeira e o consumo consciente.
As pesquisadoras destacam a importância em introduzir o debate da Educação
Financeira na educação básica, pois consideram que diversos conteúdos tradicionais da
Matemática podem ser explorados usando como fio condutor questões relacionadas a
planejamento financeiro familiar e pessoal do aluno, consumo consciente entre tantos
tópicos. Também é evidenciado no artigo que, apropriando do das estratégias de ensino
com o caráter problematizador e investigativos os alunos mostraram-se mais motivados
e conseguiram apresentar os conhecimentos e habilidades esperado pelas pesquisadoras
no decorrer da pesquisa.
Seguindo com as análises dos estudos do bloco 4, no artigo: Percepções de jovens
estudantes sobre a educação financeira: um estudo em Barra do Garças- MT elaborado
pelos autores (SILVA; ESCORISA, 2017), apresentam uma proposta interessante para a
abordagem do tema Educação Financeira nos anos finais do ensino fundamental. Nessa
pesquisa de cunho qualitativa, os autores propõem a elaboração de um minicurso
destinados a estudantes das turmas de oitavo e ano do ensino fundamental, objetivando
compreender a receptividade dos estudantes ao serem abordados com o tema Educação
Financeira. O minicurso consistiu em 100 minutos de aula expositiva e resolução de
exercícios práticos relacionados temas de orçamento familiar e administração de dinheiro
(referente a mesada recebidas pelos estudantes), conceitos introdutórios sobre poupança,
investimentos financeiros e planejamento financeiro.
Como resultado do estudo, os pesquisadores destacaram que o minicurso se
mostrou relevante como um método de introdução ao tema de Educação Financeira nas
turmas trabalhadas. A grande maioria dos estudantes entrevistados após a aplicação do
minicurso relataram que nunca tinham estudado o tema. Todavia, apesar dos pontos
positivos apresentados no estudo, os autores destacam que há a necessidade em dedicar
mais tempo para a exploração do tema e reafirma a urgência em tratar a educação
financeira desde os anos iniciais do ensino regular.
60
Dando procedimento as análises dos estudos selecionados no bloco 4, no artigo
:Uma proposta didática para o desenvolvimento da temática Educação Financeira,
elaborado pelas pesquisadoras (DIAS, DE ASSIS, 2018). O artigo se propõe a elaborar
uma proposta didática abordando do tópico Educação Financeira, para alunos da
educação básica. Utilizando conteúdos matemáticos como estatística, porcentagem e
regra de três; e apoiando no uso de tecnologias d igitais como o uso do software Jclic,
software Toondoo e de planilhas eletrônicas. As autoras buscaram relacionar esses
conteúdos com assuntos inerentes à Educação Financeira, como orçamento familiar,
salário-mínimo, contracheque, receitas e despesas.
Ancorando na teoria da Educação Matemática Crítica e em estudos precedentes
de uma das autoras do artigo em questão, a pesquisa destaca a importância em trabalhar
temáticas para o ensino da Educação Financeira. Como destacado no texto do artigo, a
Educação Financeira aparece na Base Nacional Comum Curricular como tema
transversal, dessa forma exige-se dinamismo e uma variedade de temáticas para abordar
esse tema. As autoras sugerem temáticas como: contemporaneidade, político social,
cultura, conhecimento tecnológico, saúde, temáticas locais e intramatemática. Para cada
uma dessas temáticas é possível desenvolver uma atividade que esteja intrinsicamente
relacionada com a Educação Financeira, visando promover no estudante uma reflexão
crítica.
Em linhas gerais, o artigo apresenta uma proposta didática para Educação
Financeira utilizando a temática Político- Social e aborda conteúdos matemáticos
porcentagem, juros, estatística, funções, matemática financeira. A proposta didática
utiliza-se de quadrinhos para exemplificar gastos de uma família, o uso de tabelas
eletrônicas para registrar gastos e despesas. Como resultados da pesquisa, pode-se
compreender que o uso de temáticas associadas aos conteúdos matemáticas são um norte
para o ensino de Educação Financeira na Educação Básica. Todavia, as autoras destacam
a importância de elaborar atividades que permitam uma reflexão crítica por parte dos
estudantes e reafirmam a necessidade de planejar e selecionar temáticas relacionadas ao
tema.
No próximo estudo intitulado: Inflação de custo em um ambiente de Educação
Financeira Escolar: análise de uma proposta, das autoras (ALMANSA, MARIANI,2019).
Apresenta uma proposta didática aplicada em uma turma do 9° ano do Ensino
Fundamental que teve como ideia central tratar do tema inflação de custos com enfoque
61
na inflação dos combustíveis. Utilizou-se na atividade uma notícia real e dados
apresentados em tabelas para que os alunos refletissem e compreendessem o tema. Após
a apresentação da notícia foram propostas dez questões para que os alunos respondessem
de acordo com as informações disponíveis.
Ao fim da atividade, os autores puderam perceber que os estudantes apesar de
possuírem dificuldades em apresentar as respostas escritas conseguiram compreender e
verbalizar os conceitos apreendidos com a atividade proposta. Os autores destacam que a
atividade elaborada por eles, poderá ser adaptada para qualquer nível de ensino. Sendo
considerada então como uma excelente forma de desenvolver atividades utilizando o tema
Educação Financeira.
Para finalizarmos as análises dos artigos selecionados na presente revisão da
literatura, destacamos o estudo nomeado de Educação orçamentária Familiar: Uma
ferramenta que promove o controle financeiro doméstico, elaborado pelos autores
(LIMA; et. al, 2016). Neste trabalho, os autores apresentam um relato de um projeto de
extensão elaborado pela Universidade Federal de Campina Grande, que visou colaborar
para que algumas famílias conseguissem elaborar com sucesso o seu planejamento
financeiro. Por meio de palestras e consultorias personalizada denominado de balcão
financeiro. Foi possível proporcionar as famílias estratégias e melhorias da sua
organização orçamentária familiar.
3.3 Análise e discussões dos dados coletados
Após realizarmos a descrição e apontamentos dos estudos selecionados em nossa
pesquisa e compondo a última etapa de Síntese dos Dados, definida por Galvão (2014),
podemos observar após a leitura de todos os estudos que os artigos e trabalhos
desenvolvidos com a temática e1Educação Financeira voltada aos Anos Finais do Ensino
Fundamental ainda é incipiente. Localizamos apenas quatorze artigos que tratam
diretamente do tema proposto, considerando as delimitações propostas para o contexto
desse trabalho.
Todavia, buscando responder à questão de pesquisa norteadora dessa Revisão
Sistemática da Literatura a saber, quais são os estudos disponíveis nos periódicos da
Capes, referentes ao Ensino de Matemática e Educação Matemática, que abordam o
62
tema ensino de Educação Financeira nos Anos Finais do Ensino Fundamental, que o
nosso estudo, apresenta uma contribuição relevante para pesquisas posteriori com temas
relacionado ao ensino de Educação Financeira nos Anos Finais do Ensino Fundamental.
Pois, através dele pode-se notar lacunas e tendências desse tema para a modalidade
estudada.
Como solução para o nosso questionamento, foram localizados quatorzes artigos
que tratam do tema Educação Financeira nos Anos Finais, nos quais os categorizamos em
quatro bloco de estudos Educação Financeira e suas perspectivas teóricas, Educação
Financeira e Tecnologias, Educação Financeira e Formação Docente e Educação
Financeira e Estratégias de Ensino. Podemos observar no gráfico abaixo, o aumento
relevante nos estudos feitos na área de Educação Financeira especificamente nos anos
finais.
Apesar do aumento significativo dos estudos destinado a esse tópico, observamos
em nossa revisão uma queda na produção de artigos no ano de 2020 e 2021. Buscando
compreender possíveis motivos desse decaimento, realizando um mapeamento breve nas
dissertações e teses publicadas nesse ano, que fogem do escopo dessa pesquisa, notamos
um volume considerado de publicações como as dos autores (TINOCO,2020),
(FERREIRA, 2021), (LUCAS,2021), Desse modo, podemos conjecturar que apesar de
não localizarmos esses artigos, devido a precisão dos nossos critérios de inclusão para
essa revisão sistemática da literatura, existe uma tendência forte em potencializar e
direcionar estudos para esse tópico.
Outro ponto relevante nos resultados encontrados em nossa pesquisa, que por
meio da categorização proposta, na nossa análise dos dados, podemos observar no gráfico
a seguir os principais temas trabalhados e as lacunas e indicativos de pesquisa que esses
indicadores poderão nos fornecer.
63
Gráfico 3: Categorização dos estudos
22%
43%
21%
14%
Bloco 1: Educação Financeira e suas perspectivas teóricas
Bloco 2: Educação Financeira e Tecnologias
Bloco 3: Educação Financeira e Formação Docente
Bloco 4: Educação Financeira e Estratégias de Ensino
Fonte: Dados da pesquisa (2021)
Pôde-se observar que, apesar da maior quantidade de estudos estarem
relacionados com o desenvolvimento de atividades ou propostas d e intervenção
pedagógicas para o ensino da Educação Financeira anos finais do ensino fundamental.
Notamos um défice em trabalhos que abordem temas como Resolução de Problemas,
atividades de cunho investigativo, referência a Etnomatemática entre outros tópicos de
investigação. Entretanto, os estudos apontam para o uso da Educação Matemática Crítica,
como um caminho possível para a promoção de uma Educação Financeira. Destacamos e
reafirmamos a importância desse estudo, tanto para trabalhos futuros na linha pesquisa
em Educação Financeira nos anos finais; como para o encaminhando da presente
dissertação.
Após a coleta e análise dos dados coletados com a Revisão Sistemática da
Literatura, notamos a presença de algumas lacunas presente na literatura. Com o intuito
de fornecer uma contribuição para a área de Ensino de Matemática, em especial para o
ensino da Educação Financeira nos Anos Finais da educação básica, que proporemos em
nossa dissertação uma análise dos livros didáticos aprovados no PNLD 2020 à luz da
teoria da Educação Matemática Crítica. Compreendemos que o livro didático, se constitui
uma das principais ferramentas para o ensino/ aprendizagem de Matemática na Educação
Básica, seja ela privada ou pública, o livro didático apresenta-se como um guia para o
docente no que diz respeito ao planejamento e execução das aulas de Matemática.
64
Nesse contexto, por compreendermos a urgência em debatermos o tópico da
Educação Financeira
na perspectiva escolar
que buscaremos
responder ao
questionamento “Como a Educação Financeira é abordada nas atividades presentes nos
livros didáticos de Matemática voltados aos anos finais do PNLD 2020?” Como
contribuição para esse campo de pesquisa, propomos a elaboração de um e-book
interativo que contribuirá como uma possível ferramenta didática complementar ao livro
didático com problemas e histórias relacionadas a Educação Financeira.
Pudemos observar, que em nossa RSL não foi possível localizar um quantitativo
significativo de artigos e estudos que abordem especificamente a Educação Financeira
nos Livros Didáticos. Entretanto, julgamos pertinente apresentar os principais estudos
que bordam essa temática. Na próxima seção, destacamos estudos interessantes que nos
permitirão olhar para as atividades apresentadas nos livros didáticos.
3.4 A Educação Financeira nos Livros Didáticos
Iniciamos as nossas discussões acerca dos trabalhos que abordam a análise dos
livros didáticos, com o estudo elaborado pelo autor Azevedo (2019). O analisa as
atividades didáticas apresentadas nas onze coleções de livros didáticos de Matemática
aprovados no PNLD 2017. Nesse estudo, foram analisadas as onze coleções aprovadas
no PNLD 2017 à luz dos ambientes de aprendizagem de Skovsmose (2014).
Destacamos que o estudo foi elaborado com as últimas coleções aprovadas que
antecedem a BNCC, o que nos indica que não havia uma formalização da Educação
Financeira como um tema transversal e integrador. Desse modo, o autor apresenta que
embora não houvesse uma orientação formal para a inclusão da temática nos livros
didáticos, foram encontradas 504 atividades que possuíam potencial para o trabalho com
Educação Financeira.
Um outro ponto de destaque no trabalho de Azevedo (2019), está nos tipos de
atividades encontradas. Baseado na teoria da Educação Matemática Crítica de Skovsmose
(2014), o autor percebeu que a maioria das atividades propostas nos livros didáticos
possuíam um caráter pouco investigativo, e que necessitava das orientações e
intervenções do professor para tornarem-se atividades de Educação Financeira de fato.
No que diz respeito aos conteúdos de Matemática que mais apresentaram
conexões com a Educação Financeira, o autor apresenta o contexto algébrico como o
65
principal espaço para discussões, enquanto não foram encontradas nenhuma atividade que
envolva as áreas de Geometria, Estatística e Grandezas e Medidas. O autor Azevedo
(2019) destaca que:
é de extrema importância que a Educação Financeira esteja cada vez mais
presente nas salas de aula, seja por atividades do livro didático ou por
atividades postas pelo professor, mas que possibilitem uma visão crítica e
atuante das futuras gerações, na perspectiva de construção individual e coletiva
de uma sociedade mais justa e menos ingênua, em que mecanismos que sejam
midiáticos ou não, pouco influenciem nas tomadas de decisão, que o
consumismo deixe de ser a regra e passe a ser exceção e que a EF contribua
para um mundo mais sustentável e sobretudo que escolhas sejam sempre feitas
de forma consciente. (AZEVEDO, 2019, p.127)
Concordamos com a perspectiva do autor, e salientamos a importância de ampliarmos os
espaços para a inclusão da Educação Financeira no contexto escolar.
Um segundo estudo importante acerca das análises dos livros didáticos é de
desenvolvido na dissertação de mestrado de Santos (2017). Olhando para os livros
didáticos aprovados no PNLD (2016), a autora analisa 32 obras de Matemática dos anos
iniciais do ensino fundamental.
Santos (2017) buscou localizar quais atividades sugeridas nos livros dos alunos e
nas orientações presentes nos manuais dos professores abordam a temática Educação
Financeira. Como resultados importantes da pesquisa, foram encontradas apenas 48
atividades que possuíram potencial para o trabalho com Educação Financeira, entre essas
atividades muitas delas exigiam uma atenção e direcionamento específico previsto no
manual do professor.
Em seu estudo, Santos (2017) também utilizou a teoria da Educação Matemática
Crítica e os ambientes de aprendizagem para categorizar as atividades de EF dand o uma
especial atenção aos manuais e orientações para docentes. No texto é levantando a
discussão da importância de termos professores preparados para adaptar, criar e
desenvolver atividade de Educação Financeira. De modo, que as atividades apresentadas
nos livros didáticos não recaíam sempre no paradigma do exercício, mas que promovam
reflexão e mudanças de comportamento.
Por outro lado, assinalamos o pensamento de Santos (2017), quando destaca que
as atividades encontradas nos livros didáticos “[...] estão dissociadas de conteúdos
matemáticos, o que indica a possibilidade de trabalho com a EF a partir de outras
disciplinas, não sendo, portanto, tal temática exclusiva da Matemática.” (SANTOS,2017,
p.15). Compreendemos que o trabalho de Santos (2017) já demarcava a importância de
66
tratar a Educação Financeira de maneira interdisciplinar e não apenas uma mera aplicação
da Matemática Financeira.
Um outro estudo que merece destaque é o artigo publicado pelos autores (Filho,
Espíndola, 2021) que analisa as temáticas de Educação Financeira que emergem da
análise de duas coleções de Matemática aprovadas do PNLD (2020), voltadas a turmas
dos anos finais do Ensino Fundamental. Ancorando-se na teoria da Educação Matemática
Crítica, Skovsmose (2014), os autores analisam as atividades presentes nas duas coleções
e buscam categorizar essas atividades de acordo com temas pertinentes da Educação
Financeira. Como um dos resultados obtidos, destacamos o quadro abaixo:
Quadro 8: Temáticas de Educação Financeira extraídas do livro didático
Fonte: (FILHO, ESPÍNDOLA, 2021. p.15)
Notamos a relevância do estudo, por vislumbrarmos um material que pode auxiliar o
professor na percepção dos conteúdos e temas que podem ser trabalhados em sala de aula.
Entendemos que nem todos os docentes possuem uma formação adequada para lidar com
a Educação Financeira, e que muitas vezes o acúmulo de atividades e conteúdos
específicos presentes no planejamento anual dificultam o desenvolvimento de ações que
abordam a Educação Financeira. Desse modo, ter temáticas claras pode contribuir para
67
que haja uma maior disposição por parte dos docentes em incluir a Educação Financeira
em seu contexto escolar.
Por outro lado, salientamos que as temáticas que que poder ser trabalhadas acerca
da Educação Financeira não são escassas com este quadro. Entendemos que o objetivo
central das ações e atividades em sala de aula, devem ser movidas por temáticas que
promovam a reflexão e inclusão dos alunos a situações financeiras. E que essas situações
possam promover uma mudança de comportamento e visão do estudante de modo eu
possa modificar a sua condição atual e consequentemente a sua vida em sociedade.
Destacamos outra pesquisa relevante, que é o estudo dos autores (GABAN, DIAS,
2018). O artigo, analisa atividades presentes nos livros de Matemáticas destinados a
alunos do Ensino Médio a luz dos ambientes de aprendizagem da EMC de Skovsmose
(2000). Os autores observaram que as atividades presentes nesses livros eram
heterogêneas de modo que apresentavam abordagens e temáticas variáveis.
Por outro lado, os atores destacam a preocupação:
Por mais bem pensado e intencionado que seja o livro didático, não se pode
delegar a ele todos os poderes, por isso levando em consideração a importância,
por exemplo, da tríade professor-aluno-livro, são apresentados exemplos,
específicos de Educação Financeira, de como uma atividade prevista pelo
livro, pode ser transformada pelos agentes professor-alunos de forma a torná la mais participativa e envolvente, modificando o aspecto de como a atividade
pode ser abordada, incluindo aqui a passagem de um exercício para um Cenário
de Investigação e de uma semirrealidade para a realidade, de forma a propiciar
uma educação mais ampla, crítica e cidadã. (GABAN, DIAS, 2018, p.77)
Concordamos com a visão dos autores, ao destacarmos que os livros didáticos de
Matemática são incumbidos de dar conta de diversos conteúdos e temas. E que é
importante ter o livro didático como um auxiliar ou até mesmo um guia nas atividades de
Educação Financeira, todavia não devemos nos limitar a ele.
Que como docentes
possamos localizar essas atividades como potenciais para o desenvolvimento de
atividades com a Educação Financeira, mas que a nossa prática seja marcada pelo diálogo
e ações que permeiem a investigação a inclusão do aluno como protagonista das
discussões.
Poderíamos listar uma diversidade de trabalhos que buscaram destacar a
importância do livro didático nas aulas de Matemática como um instrumento possível de
trabalho com a Educação Financeira. Porém, compreendemos que os que apresentamos
acima, nos dá um indício da forma como a Educação Financeira vem sendo trabalhada
desde os Anos Iniciais até Ensino Médio.
68
Concordamos com os autores que é necessário que haja atividades e orientações
nos manuais dos professores que permitam ações mais investigativas, e para isso é
necessário compreendermos que a Educação Financeira não deve ser vista apenas pelas
lentes da disciplina de Matemática, mas pode ser trabalhada de maneira transversal e
integradora.
Por fim, vemos nos ambientes de aprendizagem propostos na Teoria da Educação
Matemática Crítica, um aliado importante para compreendermos como as atividades
presentes nos livros são/ podem ser trabalhadas no contexto escolar. De tal forma, que a
nossa prática não se restrinja ao paradigma do exercício, mas que possamos criar
ambientes para investigação, diálogo e autonomia dos estudantes. Não devemos esquecer
que o objetivo central da Educação Financeira escolar, na perspectiva que defendemos,
está centrada no sujeito como protagonista e a gente de mudança. Que o nosso aluno possa
compreender por exemplo que consumir é necessário, mas que o consumismo pode se
tornar um problema social e ambiental.
Na próxima seção apresentamos com teoria que embasa o nosso estudo, que é a
Teoria da Educação Matemática Crítica, do autor dinamarquês Ole Skovsmose.
Retomamos ao leitor, que em nossa dissertação olharemos para os livros didáticos de
Matemática a aprovados no PNLD 2020, destinado aos alunos dos Anos Finais do Ensino
Fundamental, à luz dos ambientes de aprendizagem de Skovsmose (2000).
69
4. EDUCAÇÃO MATEMÁTICA CRÍTICA
4.1 Concepções da Educação Matemática Crítica
Como fundamentação teórica para a análise das atividades dispostas nos livros
didáticos de Matemática aprovados no PNLD anos finais apoiar-nos-emos na teoria da
Educação Matemática Crítica (EMC), que vem sendo amplamente difundida do Brasil
nas últimas décadas pelo pesquisador dinamarquês Ole Skovsmose.
A Educação Matemática Crítica constitui-se em uma corrente teórica estudada por
diversos pesquisadores no contexto nacional e internacional, que segundo o estudo
apresentado pelo Skovsmose (2000), se interessa em romper com o paradigma do
exercício e proporcionar aos estudantes autonomia e criticidade para a resolução de
problemas, seja no contexto da Matemática pura seja para questões relacionadas ao seu
cotidiano.
Na visão do autor, a educação tradicional se enquadra no paradigma do exercício¹,
pois não permite aos alunos criar e desenvolver ambientes propícios para investigação e
autonomia. Na educação tradicional, o professor apresenta os conteúdos e logo em
seguida os alunos resolvem atividades mecânicas e na maioria das vezes desconexas da
realidade dos estudantes, em outros contextos o professor até apresenta atividades
baseadas em resoluções de problemas ou outras estratégias didáticas, mas essas
discussões acabam ficando restritas à sala de aula.
Na EMC, um dos interesses centrais é desenvolver no estudante a Materacia.
Semelhante com a ideia proposta por Freire de literacia, a “Materacia não se refere apenas
as habilidades matemáticas, mas também a competência de interpretar e agir numa
situação social estruturada pela matemática” (SKOVSMOSE, 2000, p.2)
A cerca disso, a EMC prima por desenvolver a Materacia nos estudantes a fim de
promover uma educação matemática para a democracia e destaca que a matemática não
deve ser vista apenas como conteúdo específicos da matemática pura, ela deve ser
encarada nas suas mais diversas formas, fazendo parte de um contexto social, tecnológico
e que pode ser explorada nos mais diversos cenários. Em uma entrevista Skovsmose
afirma que:
70
Para a Educação Matemática Crítica é importante questionar qualquer
glorificação geral da Matemática. É importante deixar para trás todas as
características de uma ideologia da modernidade. Em vez disso, é importante
abordar criticamente qualquer forma de Matemática em Ação. Como qualquer
forma de ação, assim também a Matemática em Ação pode ser problemática,
questionável, brilhante, benevolente, arriscada, perigosa, cara, sólida, brutal,
cínica etc. Não há garantia de "progresso" automático ligado aos
empreendimentos tecnológicos que tomam a Matemática por base. (CEOLIM;
HERNANN,2012, p.12)
Fazendo uma breve reflexão a respeito do ensino de matemática na educação
básica brasileira, ainda podemos notar a forte presença da educação tradicional. Um dos
maiores indicadores dessa afirmação, são os livros didáticos. Apesar das multiplicidades
de estratégias de ensino que podem ser utilizadas nas aulas de matemáticas, o livro
didático apresenta como uma das principais ferramentas de auxílio aos professores de
Matemática. Dessa forma, o estudo proposto nessa dissertação busca analisar como os
livros didáticos do PNLD 2020 apresentam atividades que permitam aos alunos
competências ligadas a Materacia, nos tópicos que dizem a respeito da Educação
Financeira.
Compreendemos que a Educação Financeira, permite criar espaços para a
discussão de tópicos de matemática intrinsicamente relacionados às questões no âmbito
social e político, pois busca tratar de como os indivíduos lidam com as suas finanças
pessoais e como a sua forma de consumir pode impactar na sua vida em sociedade. Desse
modo, a análise dos livros didáticos nos permitirá compreender se e como as atividades
dispostas nessas coleções proporcionam aos estudantes o desenvolvimento de habilidades
da Educação Matemática Crítica.
Com o intuito de romper com o paradigma do exercício Skovsmose (2000) destaca
a importância da sala de aula se configurar como um cenário para investigação. Cenário
esse que convide os alunos a participarem e se tornarem protagonista da sua própria
aprendizagem.
4.2 Educação Matemática Crítica e os Ambientes de Aprendizagem
Os ambientes de aprendizagem são formas de classificar atividades de modo a
compreendê-las de que forma se constituem. Sejam atividades do tipo exercício que
fazem menção apenas a matemática pura, até atividades que promovam cenários para
investigação. Como critério para análise das atividades apresentadas nos livros didáticos
71
das coleções selecionadas usaremos o critério de classificação das atividades apresentado
por (SKOVSMOSE, 2000, p.8) em seis diferentes tipos de ambientes para aprendizagem.
A seguir, o autor apresenta o quadro com os seis diferentes tipos de ambiente de
aprendizagem.
Quadro 9: Ambientes de aprendizagem
Fonte: (SKOVSMOSE, 2000, p.8)
Nos ambientes de aprendizagem do tipo (1) são predominantes os exercícios que
fazem alusão apenas a matemática pura. São exercícios que envolvem a mera
manipulação das operações e propriedades matemáticas.
Um exemplo aplicado à
Educação Financeira, pode ser um exercício do tipo: Calcule 35% de R$320,00. Esse tipo
de exercício, usualmente está vinculado a Matemática Financeira, tem como principal
objetivo propor aos alunos que resolvam as operações, munindo-se de regras
anteriormente estudadas.
Notemos que no ambiente de aprendizagem do tipo (1), não há espaço para que o
aluno “inove”, use a criatividade para responder à questão. O resultado é único, fechado
e já está previsto pelo professor. No exemplo destacado a pouco, bastaria o aluno realizar
o cálculo da porcentagem do valor solicitado. Podemos observar que há um uso
demasiado, nas aulas de Matemática, das atividades e exercícios presentes nesse
ambiente. Compreendemos que esses tipos de exercícios são importantes por auxiliarem
os estudantes na manipulação de operações e fórmulas matemáticas; entretanto o docente
não deve se resumir apenas a atividades desse ambiente.
O ambiente de aprendizagem do tipo (2), é marcado pelas atividades de
Matemática pura, mas que permitem que os alunos explorem propriedades da atividade
que não estão explicitas diretamente no enunciado do exercício. Nesse cenário, as
72
atividades são exploradas de modo que estimule o estudante a levantar hipóteses, dialogar
e criar possibilidades. Fazendo referência a Matemática Pura.
Um exemplo desse ambiente é destacado por Azevedo:
Um capital de R$ 3300 foi aplicado a um regime de juro simples durante 8
meses a uma taxa de 5%. Qual foi o juro arrecadado? O que aconteceria com
esse capital se ele fosse aplicado a um regime de juros compo stos? Se
dobrássemos o tempo de aplicação do capital, ele também dobraria? E se
reduzíssemos a taxa pela metade, o juro também cairia pela metade?
(AZEVEDO, 2019, p.37)
Notemos que nesse tipo de exemplo, apesar de se constituir como uma atividade que
envolve a resolução direta de juros simples. Para além dessa questão espera-se que o
estudante seja capaz de investigar o que aconteceria se modificássemos alguns parâmetros
dos dados disponíveis no enunciado. Ou seja, permite que os alunos explorem e
compreendam implicações dessa atividade e a amplie.
Apesar do ambiente do tipo (2) apresentar um cenário de investigação, ele está
incluso como uma Referência a matemática pura; ou seja, não há uma aplicação dessa
questão a realidade do estudante. Considera-se então que o problema proposto já é
completo por si só e consequentemente só foi criado para proporcionar aos estudantes a
exploração dos mecanismos próprios da matemática.
Destacamos que nas situações presentes no ambiente de aprendizagem do tipo 2,
os estudantes são levados a pensar e tecer implicações que envolvem a resolução de
tarefas de Matemática Pura. Entretanto, corroboramos com o pensamento do autor
Azevedo (2020), ao compreendermos que os ambientes de aprendizagem (1) e (2), são
desafiadores para os professores de Matemática, no que diz respeito ao trabalho com a
Educação Financeira. Pois tais atividades são facilmente confundidas com exercícios de
Matemática Financeira. Como destacado nas seções anteriores, entendemos que a
Matemática Financeira instrumentaliza o aluno para resolver e discutir problemas e
situações inerentes à Educação Financeira.
No ambiente de aprendizagem do tipo (3) e do tipo (4) apresentam-se situações
didáticas que fazem referência a semi-realidade. No ambiente do tipo (3) as tarefas
possuem a característica de representarem situações passíveis de acontecer no cotidiano.
Entretanto, os enunciados desses problemas foram criados com o objetivo de simular uma
73
situação real, mas apresentam valores e informações fictícias e algumas vezes não
coerentes com a realidade. Nesses problemas, são apresentados dados que possibilitem
aos alunos realizarem cálculos e métodos exatos, já previstos pelo professor.
Esse ambiente pode ser interessante por contribuir para a preparação dos
estudantes para modelarem problemas do mundo real. Já que esse tipo de atividade é
pensado para que o aluno desenvolva aptidões matemáticas ao mesmo tempo inclui
contextos a verossimilhança do mundo real. Entretanto atividades desse tipo, quando mal
elaboradas, limitam o desenvolvimento das habilidades dos alunos de enxergarem a
situação problema e aplicá-la ao seu contexto de vida. Infelizmente, é comum
encontrarmos dados e valores nos enunciados de exercícios que em nada se assemelham
a uma situação do contexto real do estudante.
Um exemplo envolvendo a Educação Financeira pode ser caracterizado como um
ambiente do tipo (3) pode ser o seguinte: “Uma loja de eletrodomésticos está com a
seguinte promoção: compre 2 micro-ondas e leve o terceiro pela metade do preço.
Sabendo que um micro-ondas custa R$150,00, quanto pagará o comprador que aproveitar
a promoção? Quanto o comprador economizará, em relação ao preço original do
produto?”
Podemos observar que no exemplo acima, a situação descrita no exercício se
apresenta num contexto de semi-realidade. A situação que o problema relata é passível
de acontecer no cenário real, entretanto os dados apresentados pelo problema são
incoerentes com a realidade. Comprar dois micro-ondas, para conseguir desconto em um
terceiro não é ação comum na maioria das famílias e o valor desse produto, destoa do
preço real. Em situações como essa, o objetivo da atividade é apenas simular uma
situação presente na vida real e propor a realização de cálculos matemáticos.
No ambiente de aprendizagem do tipo (4), as atividades são elaboradas à luz da
semi-realidade, possuem característica de estimular a investigação e participação dos
estudantes. As autoras Santos e Pessoa, destacam como exemplo do ambiente de
aprendizagem do tipo (4) que:
Em EF, um exemplo seria um jogo com situações da vida real ou a simulação
de um minimercado, em sala de aula, por exemplo, nos quais os alunos
pudessem agir como compradores, tomando decisões, dentre as quais estariam
a comparação de preços; o pensamento sobre qual produto seria mais adequado
comprar, a depender das situações específicas vivenciadas por cada um dos
alunos; a escolha entre uma marca ou outra e o porquê dessa escolha, etc.
Assim,
mesmo em
uma semi-realidade,
os alunos seriam
74
convidados/instigados a
criticamente sobre as
p.40)
levantarem
questionamentos, refletindo
situações propostas. (SANTOS; PESSOA, 2016.
No ambiente (4), o aluno é convidado a investigar e a discutir as atividades propostas pelo
professor, como mostrado no cenário acima.
Nos ambientes de aprendizagens do tipo (5) e do tipo (6) as atividades propostas,
possuem referência à realidade. Para situações didáticas no ambiente (5) podem ser
usados dados presentes no cotidiano dos estudantes, como notícias de jornal, gráficos e
dados reais. De modo que motive os estudantes a realizarem os procedimentos
matemáticos necessários, de acordo com o tema estudado.
Nesse ambiente, apesar do professor propor atividades que utilizem dados e
notícias reais presentes no cotidiano do estudante, a predominância das questões e
discussões giram em torno da mera resolução de exercícios. A utilização dos dados
servirá apenas como base para a realização de cálculos e aplicação de fórmulas
matemáticas
No exemplo a seguir, buscamos ilustrar uma atividade que pode ser desenvolvida
pelos estudantes, que possui referência a realidade, mas possui a característica do
paradigma do exercício. A matéria apresentada abaixo, está disponibilizada de forma
online e gratuita na internet. Ela foi utilizada como motivação para propor uma atividade
que represente o ambiente tipo (5). Vejamos a seguir:
Figura 3: Exemplo de atividade ambiente de aprendizagem tipo 5
75
Crise econômica gerada pela pandemia de covid -19 contribuiu para o
aumento do endividamento, mas não tanto quanto o descontrole com os gastos no
cartão de crédito. Essa f oi a percepção dos consumidores ouvidos em um
levantamento da associação brasileira de def esa do consumidor (proteste). A
pesquisa f oi realizada na cidade de São Paulo e Rio de Janeiro, com 500
entrevistados. As entrevistas f oram f eitas entre os dias 22 de f evereiro e 3 de
março de 2021.
Para 81% dos entrevistados, o mau uso do cartão de crédito f oi citado como
o maior vilão do superendividamento no último ano. A pandemia f icou em
segundo lugar, com 68% . O desemprego (65% ) e a inf lação (30% ) f icaram em
terceiro e quarto lugar, respectivamente. Ainda de acordo com a pesquisa, 64%
dos entrevistados disseram que aumentaram o consumo durante a pandemia, o que
pode justif icar a necessidade de f azer dívidas para arcar com essas despesas .
Com relação às contas de consumo, 43% dos entrevistados já deixaram de
pagar ao menos uma f atura no último ano. O tipo de conta que mais deixou de ser
paga f oi a de energia elétrica (36% ), seguida da de água (26% ), internet (22% ),
telef one (19% ), aluguel (16% ), e cartão de cré dito (14% ).
A pesquisa também avaliou quais são os riscos que os consumidores mais
temem ao deixar de pagar uma conta. Entre o total de entrevistados, 77% temem
pela suspenção do serviço e 70% tem receio de f icar com o “nome sujo”.
Fonte:https://economia.ig.com.br /2021 -0 4-13/cartao -d e -credi to -endividamento pandemia.html
Fonte: Autora (2021)
Essa atividade foi pensada por nós, como uma atividade motivadora para apresentar o
ambiente do tipo (5). Notemos que a notícia é real, os dados apresentados na atividade
fazem referência à realidade, entretanto os questionamentos propostos a partir da
atividade, se caracterizam no paradigma do exercício.
Quadro 12: Perguntas ambiente de aprendizagem (5)
76
Após a leitura da notícia, responda as questões abaixo :
a) Quantos porcentos dos entrevistados, apontaram o cartão de crédito como o principal vilão do
endividamento?
b) Calcule 81% do número total de entrevistados.
c) Circule as porcentagens presentes no texto e depois construa uma tabela identificando o que esse valor
representa.
Fonte: Autora (2021)
Observe que os questionamentos acerca da notícia, giram em torno do mero cálculo e a
aplicação das porcentagens. O que não motiva a investigação
Por fim, o ambiente de aprendizagem (6) assim como o ambiente (5) busca
aproximar a matemática do contexto real da vida dos estudantes. Todavia, enquanto o
ambiente (5) usa a realidade como parte do paradigma do exercício, o ambiente (6)
proporciona aos estudantes a criação de um cenário para investigação. Nesse ambiente, é
possível propor discussões e debates que levem os estudantes a investigarem e
pesquisarem situações reais do cotidiano, permitindo assim uma aproximação crítica da
matemática no contexto social real.
De acordo com Skovsmose (2015), devemos destacar que:
Um cenário para investigação é aquele que convida os alunos a formular
questões e a procurar explicações. O convite é simbolizado por seus “Sim, o
que acontece se...”. Dessa forma, os alunos se envolvem no processo de
exploração. O “Por que isto...?” dos alunos indicam que eles estão encarando
o desafio e que estão em busca de explicações. Quando os alunos assumem o
processo de exploração e explicação, o cenário para investigação passa a
constituir um novo ambiente de aprendizagem. No cenário p ara investigação,
os alunos são responsáveis pelo processo. (SKOVSMOSE, p.21, 2015)
Desse modo, no ambiente de aprendizagem do tipo (6), o professor deve propor aos
estudantes discussões que aproximem os conteúdos e tema matemáticos, para situações
presentes em seus cotidianos. As atividades propostas, devem permitir que os alunos
possuam um papel ativo e que os mobilize, “coloque a mão na massa”. Usualmente essas
atividades são desenvolvidas por meio de projetos e trabalhos de campo.
Como um exemplo de atividade no ambiente do tipo (6), voltada para a Educação
Financeira, Santos e Pessoa (2016), destaca o bazar como sendo uma atividade que
possibilita os estudantes a terem um contato direto com o tema EF. Pois, serão feiras
análises como o preço justo de venda de cada item; as melhores formas de pagamento.
77
Além de permitir uma aproximação dos estudantes à comunidade em que eles estão
inseridos.
Podemos perceber que na educação básica as atividades e exercício propostos
pelos estudantes, na sua maioria das vezes permeiam os ambientes (1), (3) e (5).
Entretanto, corroboramos com Skovsmose (2000) ao destacarmos que nenhum ambiente
se sobressai ao outro, de acordo com o objetivo da aula e do planejamento do professor
uma atividade pode ser pensada como como tarefas com referência à Matemática Pura e
no decorrer das discussões a atividade pode se transformar em um ambiente de
investigação.
Compreendemos que quando pensado e aplicados de maneira correta, cada um
dos ambientes aprendizagem podem oferecer uma grande contribuição para a
aprendizagem dos conceitos matemáticos. Na próxima seção apresentaremos os caminhos
metodológicos utilizados para a fundamentação do nosso trabalho.
78
5. PERCURSOS METODOLÓGICOS
O presente estudo está inserido na linha de pesquisa “Saberes e Práticas Docentes”
e como destacado anteriormente temos como tema central a “Educação Financeira: um
olhar sobre a sua presença nos livros didáticos de Matemática dos Anos Finais do
Ensino Fundamental”.
Sendo assim, durante a nossa pesquisa buscamos olhar para Educação Financeira,
nos livros didáticos do PNLD 2020, nos últimos quatros anos do Ensino Fundamental a
saber, as séries 6°, 7°, 8° e 9° anos. Buscamos ainda, quando conveniente tecer
considerações e implicações desse estudo na formação de professores que ensinam
Matemática nessa etapa de ensino.
Compreendemos que a relação entre Educação Financeira e Educação Matemática
Crítica se dá, a partir dos diálogos que aproximam a Matemática das questões sociais e
propõem ao aluno a oportunidade de dialogar e refletir a respeito das mais variadas
aplicações da Matemática. Por meio de temas como planejamento financeiro pessoal e
familiar, a compreensão da importância do trabalho, do consumo consciente e dos
impactos do consumismo para o meio ambiente o aluno é levado a compreender que as
operações e cálculos matemáticos como juros, porcentagem, números racionais estão
intrinsicamente ligados à sua vida cotidiana. Possuir habilidades para lidar com essas
questões, permitirá que o estudante esteja mais bem preparado para situações futuras.
Dessa forma, como questão investigativa e norteadora do estudo elencamos o seguinte
problema: “Como a Educação Financeira se apresenta nos livros didáticos de
Matemática, aprovados no PNLD 2020, voltados aos anos finais do ensino
fundamental?”
Pela natureza da nossa questão de pesquisa, compreendemos que nosso estudo
possui uma abordagem qualitativa e se tipifica como uma Análise Documental.
Entendemos que a Análise Documental é “uma operação ou um conjunto de operações
visando representar o conteúdo de um documento sob uma forma diferente da original, a
fim de facilitar, num estado ulterior, a sua consulta e referenciação”. (BARDIN, 2014,
p.51)
E como um mecanismo sistemático para análise desses documentos (exercícios,
atividades e explicações presentes nas onze coleções dos livros didáticos do PNLD 2020),
79
que nos apoiaremos na Análise de Conteúdo. De acordo com Bardin a análise de conteúdo
é:
Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por
procedimento sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das
mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de
conhecimento relativos às condições de produção/recepção (variáveis
inferidas) dessas mensagens. (BARDIN, 2016, p.48)
Desse modo, com a finalidade de analisarmos os livros didáticos de Matemática
aprovados pelo PNLD 2020, voltado aos anos finais da educação básica e de procurar
responder aos questionamentos desta pesquisa, esta investigação se baseia na Análise de
Conteúdo, pois a análise do conteúdo de Educação Financeira nas coleções didáticas de
Matemática representa um domínio linguístico escrito e de comunicação de massa.
5.1 Objetivos
Como objetivo geral propomos:
Analisar como as atividades de Educação Financeira têm sido abordadas nas onze
coleções dos livros didáticos de Matemática, dos aos finais do Ensino Fundamental, do
PNLD 2020 à luz dos ambientes de aprendizagem de Skovsmose (2000), e criarmos um
e-book para divulgação de temas ligados a Educação Financeira destinado a formação de
professores de Matemática.
Destacamos como objetivos específicos:
OB1: Identificar nos livros dos professores todas as atividades que possuem potencial
para um trabalho com a Educação Financeira, nas coleções de livros de Matemática dos
anos finais do Ensino Fundamental aprovadas pelo PNLD 2020.
OB2: Classificar todas as atividades selecionadas como potenciais para o trabalho com
Educação Financeira, de acordo com algum dos Ambiente de aprendizagem propostos
por Skovsmose (2000).
OB3: Dialogar com os resultados obtidos com o estudo apresentado por Azevedo (2019),
a fim de identificar se houve ou não mudanças nas atividades pós BNCC.
80
5.2 Método
Nos apoiaremos na de Análise de Conteúdo de Bardin (2016) e como categorias
de análise das atividades propostas nos livros didáticos, usaremos os seis Ambientes de
Aprendizagens propostos pelo pesquisador Skovsmose (2000).
Com o intuito de responder à questão central da nossa pesquisa e
consequentemente alcançar todos os objetivos elaborados em nosso estudo, nos
apoiaremos como destacado na seção anterior, na Análise de Conteúdo de Bardin (2014).
Para que seja possível utilizarmos dessa técnica, devemos nos preocupar com algumas
etapas necessárias para análise dos nossos documentos.
A primeira etapa na análise de conteúdo se constitui em organizar os documentos
a serem analisados. Inicialmente devemos realizar uma leitura flutuante dos documentos
que melhor se enquadrem com o objetivo e as questões da nossa pesquisa. No caso da
nossa investigação, a leitura flutuante se deu durante o processo da elaboração do projeto
de pesquisa, quando delimitamos os documentos a serem estudados.
Após a leitura flutuante, feita a escolha dos documentos Bardin chama as escolhas
desses materiais de corpus e o define como, “[...] o conjunto dos documentos tidos em
conta para serem submetidos aos procedimentos analíticos” (BARDIN, 2016, p. 126).
Em nosso estudo, o corpus analisado serão as 11 coleções didáticas de Matemática do 6°
ao 9° ano dos Anos Finais do Ensino Fundamental, disponibilizadas no guia do PNLD
2020.
O corpus foi escolhido, tendo em vista que o livro didático se constitui como um
documento rico, e que é amplamente divulgado na comunidade escolar. Fazer uma análise
crítica desses livros, se constitui como uma ferramenta valiosa para docentes que
ministram aulas nessa modalidade. Baseado na escolha do corpus, para a sua constituição
se faz necessário atender as quatros principais regras: exaustividade, representatividade,
homogeneidade e pertinência (BARDIN, 2016, p. 126).
Na regra da exaustividade é preciso que todos os elementos, documentos a seres
analisados, estejam incluídos no corpus selecionados. Em nossa pesquisa, como estamos
analisamos todos os 44 livros disponíveis nas 11 coleções aprovadas pelo PNLD 2020,
essa regra é atendida. O mesmo acontece para a regra da representatividade. De acordo
(BARDIN, 2016, p.126) nessa regra “a análise pode efetuar-se numa amostra desde que
81
o material a isso se preste. A amostragem diz-se rigorosa se a amostra for uma parte
representativa do universo inicial”. Nesta pesquisa, como estamos analisando todos os
elementos do corpus não se faz necessário tomar uma amostra.
Para aplicar a regra da homogeneidade, a partir de (BARDIN, 2016, p. 128)
destaca que “os documentos retidos devem ser homogêneos, isto é, devem obedecer a
critérios precisos de escolha e não apresentar demasiada singularidade fora desses
critérios”. Observamos que neste caso, em nosso estudo todas as coleções analisadas
foram de Matemática para os anos finais do ensino fundamental e aprovadas pelo MEC
seguindo critérios únicos e preestabelecidos em edital, o que garante a aplicação desta
regra.
Finalizando as regras necessárias para a escolha do corpus, a regra da pertinência
que afirma que “os documentos retidos devem ser adequados, enquanto fonte de
informação, de modo a corresponderem ao objetivo que suscita a análise” (BARDIN,
2016, p.128). Neste caso, as coleções selecionadas são adequadas e com condições de
responderem aos questionamentos levantados, pois são coleções de livros que podem
tratar do tema Educação Financeira.
Após a leitura flutuante e a aplicação das regras necessárias para construirmos o
nosso corpus, os documentos selecionados para uma análise detalhadas dos exercícios e
atividades, constitui os 44 livros de Matemática que compõem as 11 coleções dos
materiais didáticos aprovados pelo PNLD 2020. Como destacado na seção anterior,
buscamos com essa análise compreender como se apresenta a Educação Financeira nesses
livros e em quais ambientes de aprendizagem definidos por Skovsmose (2000), podem
ser encontrados nas atividades propostas nessas coleções. No quadro abaixo, listamos
todas as coleções que serão analisadas.
Quadro 1: Coleções de Matemática PNLD 2020
Coleção
C1
Título da coleção
Geração Alpha
Matemática
Editora
SM
Educação
Autores / Formações
•
•
•
Felipe Fugita
(Licenciado em Matemática)
Andrezza Guarsoni
(Licenciada em Matemática)
Carlos N. C. de Oliveira
(Licenciado
em
Matemática,
especialista e mestre em Educação
Matemática)
Edição/Ano
2ª/2018
82
C2
Matemática Essencial
•
Scipione
Patrícia Rosana Moreno Parato
(Licenciada em Matemática e
Especialista em Estatística)
Rodrigo Dias Balestri
(Licenciado em Matemática e Mestre
em Ensino de Ciências e Educação
Matemática)
1ª/2018
•
Fausto Arnaud Sampaio
(Licenciado em Matemática e
Especialista
em
Educação
Matemática)
1ª/2018
•
Adilson Longen
(Licenciado em Matemática, mestre
e doutor em Educação Matemática)
1ª/2018
•
C3
Trilhas da Matemática
Saraiva
Educação
C4
Apoema - Matemática
Editora
Brasil
C5
A Conquista da
Matemática
FTD
•
Jose Ruy Giovanni Junior
(Licenciado em Matemática)
4ª/2018
C6
Matemática Realidade
& Tecnologia
FTD
•
Joamir Souza
(Licenciado
em
Matemática,
especialista em Estatística e mestre
em Matemática)
1ª/2018
C7
Télaris Matemática
Ática
•
Luiz Roberto Dante
(Licenciado em Matemática, mestre
em Matemática e doutor em
Psicologia da Educação: Ensino de
Matemática)
3ª/2018
C8
Matemática - Bianchini
Moderna
•
Edwaldo Roque Bianchini
(Licenciado em Ciências
habilitação em Matemática)
9ª/2018
C9
Aribabá MaisMatemática
Moderna
do
•
•
Maria Regina Garcia Gay
(Bacharel
e
licenciada
Matemática)
Willian Raphael Silva
(Licenciado em Matemática)
com
1ª/2018
em
C10
Matemática Compreensão e Prática
Moderna
•
Enio Ney de Menezes Silveira
(Engenheiro mecânico e Engenheiro
eletricista)
5ª/2018
C11
Convergências
Matemáticas
SM
•
Eduardo Rodrigues Chavante
(Licenciado em Matemática e
especialista em Mídias na Educação)
2ª/2018
Fonte: Dados da pesquisa (2021)
Como esperado, após as recomendações apresentadas pela BNCC (2018), todas
as onze coleções acima destacadas apresentam referência a Educação Financeira. Nesse
83
sentido, olharmos para todas as atividades apresentadas nos livros didáticos, e
classificamos como potencial para o trabalho com Educação Financeira, aquelas que
fizerem menção a situações que envolvem cálculo de porcentagens, cálculo de juros,
compras e vendas, formas de pagamento, consumo entre outros temas relacionados.
Num primeiro estudo, podemos perceber que no que diz respeito as formações dos
autores das obras, notamos que das onze coleções apenas dois autores, das coleções C8 e
C11, não são licenciados em Matemática. Isso mostra que, cerca de 86,7% dos autores
das coleções analisadas possuem uma formação inicial em Matemática. Entendemos esse
dado como positivo, pois como licenciados podemos esperar uma
maior aproximação entre os conteúdos propostos nos manuais e as atividades serem
exploradas em sala de aula.
Um outro fato a ser considerado para a análise dos livros didáticos, é que todos as
coleções analisadas são versões destinadas ao professor. Entretanto, destacamos que em
todos os volumes as páginas aparecem em formato “U”, ou seja, no centro da página do
livro do professor, aparece a miniatura da página correspondente ao livro do aluno
enquanto no contorno das páginas são destacadas as recomendações e orientações aos
professores do conteúdo que está sendo abordado.
Essa “nova” organização, nos permite olhar para as orientações voltad as aos
docentes que ensinam Matemática enquanto também observamos o livro do aluno.
Quando pertinente, analisaremos as recomendações gerais destinadas aos professores em
cada uma das coleções. Nosso olhar será para as atividades propostas aos estudantes
presentes nos livros e quais recomendações são apresentadas aos docentes no contexto de
cada atividade.
Podemos observar, após as análises das coleções que algumas obras já apresentam
a Educação Financeira como um tópico referenciado no sumário. É o caso das coleções
C1, C5 e C9. Nessas coleções, podemos notar uma preocupação dos autores em destacar
atividades específicas de EF, o que em nossa visão proporciona ao estudante uma
experiência de contextualizar e aplicar os conteúdos matemáticos aprendidos no capítulo,
refletindo acerca dos mais diversos temas no contexto da Educação Financeira.
84
Outras coleções, entretanto, apresentam uma seção genérica que busca elencar os
principais temas transversais da BNCC e que inclui discussões a respeito da EF. É o caso
por exemplo, da coleção C2 que apresenta a seção “Cidadania: explore essa ideia”. Nessa
obra em particular, os autores distribuem ao longo dos capítulos leituras e atividades
explorando temas como trabalho, conscientização ambiental, e consumo.
Houve ainda, coleções em que o tema EF não aparece no sumário nem em seções
como tema transversais. Todavia, mesmo o tema EF não tendo destaque no sumário
dessas coleções, localizamos na análise do livro na íntegra, atividades que podem ser
compreendidas como potenciais para desenvolver práticas de EF. No próximo capítulo,
faremos uma análise detalhada de todas as obras, destacando que nas coleções que
apresentam uma seção própria para a Educação Financeira, serão analisados apenas os
exercícios propostos nessa seção. Todavia, para as coleções que não apresentam
explicitamente a temática Educação Financeira, olharemos para todas as atividades
presentes nas coleções a fim de identificarmos quais delas possui potencial para trabalhar
a temática Educação Financeira.
Podemos observar que apesar do tema EF ser incluído nas obras aprovadas no
PNLD 2020, ele ainda aparece de forma suscinta, quando comparado com outros
assuntos. Note que a coleção que mais apresenta destaque em relação à temática é C1,
com a obra voltada aos alunos do 8° ano com apenas 4,6% das suas páginas voltadas para
EF. Entretanto, destacamos que todas as obras possuem um volume considerado de
atividades que possuem potencial para o trabalho com a Educação Financeira.
Como destacado em nosso estudo a respeito da presença da EF na BNCC, notamos
que os autores buscaram incluir a discussão desse tema, dentro dos conteúdos
matemáticos já previsto no programa. Objetivando compreender como a Educação
Financeira vem se apresentando nas coleções aprovadas, que na próxima seção nos
debruçaremos a olhar cada uma das onze coleções aprovadas, buscando localizar as
atividades e exercícios propostos que possuem referência à EF.
85
6. ANÁLISE DOS LIVROS DIDÁTICOS
6.1 O Programa Nacional do Livro Didático e do material didático (PNLD)
O livro didático é um instrumento que auxilia diversos professores da educação
básica, pois contribui para que os docentes organizem e planejem de maneira sistemática
os conteúdos e temas específicos a serem trabalhados durante o ano letivo. Nesta seção,
propomos uma breve apresentação acerca da trajetória dos livros didáticos, em especial
olhamos para os livros didáticos de Matemática destinado aos alunos dos anos finais do
ensino fundamental.
No que diz respeito à distribuição de livros didáticos no Brasil, baseado nos dados
divulgados no site do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE),
observamos que o número de obras destinadas a alunos e professores dos anos finais se
apresenta de forma significativa. Isso nos leva a compreender que o livro didático de fato
é um recurso importante para o ensino e discussões de temas em todas as áreas da
educação básica. A seguir elaboramos um gráfico que apresenta os dados referentes à
distribuição de exemplares de livros didáticos destinados aos Anos Finais do Ensino
Fundamental nos últimos cinco anos. Vejamos:
Gráfico 1: Quantitativo de exemplares distribuídos a alunos do Ensino Fundamental Anos finais
Quantitativo de exemplares distribuídos
100.000.000
80.000.000
60.000.000
40.000.000
20.000.000
0
2016
2017
2018
2019
Quantitativo de exemplares distribuídos
Fonte: FNDE (2021)
2020
86
Esses valores, correspondem a distribuição completas das obras ou a reposição dos títulos.
No ano de 2020 por exemplo, foi feita a aquisição completas das obras destinadas aos
anos finais, e contou com a distribuição de 80.528.321 exemplares.
Nas aulas de Matemática, o livro didático tem presença marcante. Utilizado pela
grande maioria dos docentes, o autor Valente (2008) destaca que:
A dependência de um curso de matemática aos livros didáticos, portanto,
ocorreu desde as primeiras aulas que deram origem à matemática hoje ensinada
na escola básica. Desde os seus primórdios, ficou assim caracterizada, para a
matemática escolar, a ligação direta entre compêndios didáticos e
desenvolvimento de seu ensino no país. Talvez seja possível dizer que a
matemática se constitua na disciplina que mais tem a sua trajetória histórica
atrelada aos livros didáticos. Das origens de seu ensino como saber técnico militar, passando por sua ascendência a saber de cultura geral escolar, a
trajetória histórica de constituição e desenvolvimento da matemática escolar
no Brasil pode ser lida nos livros didáticos. (VALENTE, 2008, p.141)
Valente (2008) afirma ainda que a criação de obras didáticas destinadas ao ensino
de Matemática surgiu no Brasil a partir da necessidade de formar militares com
habilidades para a construção de fortificações, ainda no período em o Brasil era colônia
de Portugal. Como as obras trazidas por Portugal eram na sua grande maioria compêndios
munidos de termos matemáticos técnicos, surgiu a necessidade de reescrever essa
literatura, de modo que tornasse o tema mais acessível a formação dos militares.
Atualmente, o livro didático de Matemática ainda continua sendo um grande
aliado para o ensino dos conteúdos específicos na área. Sendo em alguns casos, o único
instrumento que o professor tem para elaborar e planejar as suas aulas. Desse modo,
compreendemos a importância de entendermos como a Educação Financeira se apresenta
nesses livros didáticos de Matemática destinados as turmas dos anos finais do ensino
fundamental.
6.2 Discussão e análise dos livros didáticos
Neste capítulo, analisamos as onze coleções de livros didáticos de Matemática do
6° ao 9° do Ensino Fundamental, aprovadas no PNLD no ano de 2020. Objetivamos com
essa análise responder à questão central do nosso estudo que busca investigar como a
Educação Financeira se apresenta nos livros didáticos, nos Anos Finais do Ensino
Fundamental. Quando pertinente olharemos para as orientações didáticas sugeridas ao
professor, para a aplicação da atividade analisada.
87
Como seleção das atividades que possui, potencial para a o trabalho com a
Educação Financeira, inicialmente realizamos uma leitura detalhada de todas as questões
apresentadas nas obras didáticas. Elencamos como temas promissores para o trabalho
com Educação Financeira, aqueles que estão relacionados com trabalho, consumo vs
consumismo, ética, sustentabilidade, consumo consciente, sustentabilidade alinhados
com as temáticas propostas por Azevedo (2019). Essas temáticas surgiram como ponto
de partida para a seleção das atividades.
Reafirmamos ao leitor ainda, que em nosso estudo consideramos relevantes as
atividades encontradas de Matemática Financeira como potencial para a EF pois
concordamos com Azevedo (2019) ao destacar que:
atividades voltadas à Matemática Financeira (MF) cump rem um pré-requisito
na tomada de decisões em diversos aspectos, portanto são a “faísca para o
fogo”, ou o primeiro passo para se chegar a uma EF. Não queremos com isso
afirmar que a EF dependa da MF, mas que em algumas situações ter domínios
da MF implica em tomar uma decisão financeira fundamentada. (AZEVEDO,
2019, p. 57).
Destacamos ao leitor que cada item diferente encontrado nas questões propostas
foi contabilizado como uma atividade. Por exemplo, se uma questão encontrada possuir
letra a, b e c contabilizamos cada letra como uma atividade pertinente ou não. Pois
compreendemos que nem todos os itens encontrados podem tratar diretamente do nosso
objeto de estudos.
Nas nossas buscas, categorização e análise pudemos notar que nem todas as
coleções possuem uma seção própria destinada a Educação Financeira. O que nos gera
uma inquietação, pois esperávamos que após a inclusão da EF como tema transversal e
integrador as atividades aparecem com mais frequência e clareza. Nesse sentido, muitas
das coleções analisadas por nós mantiveram o padrão de atividades apresentadas por
Azevedo (2019) no seu estudo pré- BNCC. O que de antemão nos leva a perceber que as
coleções por si só ainda necessitam de um olhar mais cauteloso e atento do docente.
Nas tabelas e gráficos a seguir apresentamos o quantitativo de atividades
encontradas nas coleções de livros didáticos aprovados no PNLD 2020. Destacamos ao
leitor, que a análise apesar de fundamentada nos estudos teóricos de Skovsmose (2000),
Azevedo (2019), Trindade (2017) possui as nuances e as subjetividade do nosso olhar
como pesquisador. Destacamos que o nosso papel de pesquisadores e docentes de
Matemática da Educação Básica, em conjunto com as nossas vivências e experiências na
sala de aula, nos permite vislumbrar possibilidades em atividade que apesar de não
88
apresentada de maneira explícita pode através de intervenções assertivas se tornarem
potenciais para o desenvolvimento de um trabalho com a Educação Financeira.
6.3 Categorização das atividades por ambiente de aprendizagem
Destacamos ao leitor que analisamos os livros didáticos do professor na sua versão
digital em formato PDF. Não utilizamos palavras chaves nem outros mecanismos de filtro
das questões. Analisamos uma a uma as atividades dispostas nos livros e realizamos
anotações manuais dos resultados encontrados. Dessa forma, em nosso estudo, após uma
análise de todas as coleções localizamos o total de 682 atividades que possuem potenciais
para o trabalho com a Educação Financeira. A seguir, apresentamos e discutimos tabelas
e gráficos que destacam as atividades selecionadas por coleção e por ambiente de
aprendizagem.
Tabela 5: Atividades encontradas por ambiente de aprendizagem
Ambiente de aprendizagem
Quantitativo de atividades
Percentual (%)
Matemática Pura + exercícios
118
17,4
Matemática Pura + investigação
5
0,9
Semi - realidade + exercícios
343
50,6
Semi-realidade + investigação
75
10,2
Realidade + matemática pura
94
13,9
Realidade + investigação
47
6,9
Total
682
100
Fonte: Dados da pesquisa (2022)
Diante dos dados apresentados na tabela acima, podemos perceber que as
atividades com potencial para a Educação Financeira foram distribuídas de maneira
interessante. Como resultado previsto dos nosso estudo, esperávamos encontrar nos livros
didáticos a presença de atividades em todos os ambientes de aprendizagem.
Consideramos esse fator positivo, pois possibilita ao docente permear as mais diversas
formas te trabalhar a temática em sala de aula. E que como defendido por Skovsmose
(2000) salientamos que todos os ambientes são propícios para o bom desenvolvimento de
uma atividade didática.
Entretanto, devemos destacar ao leitor algumas nuances encontradas em nosso
estudo. Olhando para a tabela acima apresentada, podemos observar que a maior parte da
concentração das atividades estão localizadas no ambiente de aprendizagem do tipo (3)
89
que faz menção à semi-realidade + exercícios.
Recapitulamos ao leitor, que nesse
ambiente estão presentes as atividades que fazem referência à semi-realidade, cujos os
enunciados e perguntas representam situações passíveis de acontecer no contexto real,
mas que estão inseridas no paradigma do exercício, cuja sua finalidade é apenas a
manipulação de cálculos matemáticos ou aplicação de fórmulas matemáticas.
Tínhamos como hipótese esse resultado, pois compreendemos que os materiais
didáticos fazem uso desse ambiente para facilitar a compreensão e a execução das
atividades pelo aluno. Em nosso estudo, cerca de 50,6% das atividades se classificam no
ambiente do tipo (3). Nessas atividades, localizamos um volume considerado de questões
que apresentavam as temáticas como venda, compra, parcelamento, mas não ampliavam
nem possibilitavam uma discussão aprofundada acerca de possíveis aplicações a
Educação Financeira. Sendo considerados por nós, atividades que apresentam apenas um
pretexto para a discussão de Educação Financeira, mas que sem as intervenções e
orientações dos professores dificultam o desenvolvimento das atividades.
Desse modo corroboramos
com a reflexão
das autoras (SANTOS,
PESSOA,2016) quando também nos questionamos se as atividades classificadas no
ambiente de aprendizagem do tipo (3) são de fato atividades de EF.
A situação colocada serve muitas vezes como um pretexto para que os cálculos
sejam realizados. Será que, de fato, trata -se de uma atividade de EF? Tal
questionamento é feito uma vez que não há criticidade nem problematização.
Como já discutido, há um pretexto para a resolução de um exercício, e não uma
discussão sobre temas que possam vir a auxiliar os alunos em su as tomadas de
decisão. (SANTOS, PESSOA, 2016,p.39)
Nessa perspectiva, compreendemos que o ambiente do tipo (3) como se localiza no
paradigma do exercício não permite uma reflexão nem diálogo acerca do tema estudado.
Apesar das situações serem criadas para “facilitar” a inclusão de situações que modelam
a realidade nem sempre essas atividades mostram-se as mais adequadas para o tratamento
da Educação Financeira. Pois pode desenvolver no aluno uma falsa ideia de que as
situações presentes nas atividades nem sempre precisam fazer sentido.
Esse resultado também foi encontrado no estudo de Azevedo (2019), quando em
suas análises localizou que 56,6% das atividades analisadas estavam inseridas no
ambiente do tipo 3.
90
Em nossa análise outro ponto que nos chama a atenção são atividades classificadas
no ambiente do tipo (6). Nesse ambiente, se localizam as atividades que fazem referência
à realidade, mas que permite ao estudante refletir acerca da temática estudada. Essas
atividades, em sua grande maioria foram encontradas nas obras que tinham uma seção
específica dedicada à Educação Financeira. Para isso os autores, propunham que os
estudantes após a leitura de textos com fontes reais com informações acerca de alguma
temática envolvendo a pesquisa e o trabalho em grupo para solidificação da atividade.
A seguir, apresentamos uma tabela com o quantitativo de atividades por ambiente
de cada solução. Posteriormente, apresentamos exemplos de atividades encontradas em
cada ambiente de aprendizagem.
Relembramos ao leitor que de acordo com Skovsmose (2000) o ambiente do tipo
1 (matemática pura + exercícios), Ambiente 2 (matemática pura + investigação),
Ambiente 3 (semi- realidade + exercício), Ambiente 4 (semi-realidade + investigação)
, Ambiente 5 ( realidade + exercício) e Ambiente 6 ( realidade + investigação)
Tabela 6: Síntese das atividades por ambiente de aprendizagem e por coleção
Coleção
C1
C2
C3
C4
C5
C6
C7
C8
C9
C10
C11
Total
Ambiente Ambiente Ambiente Ambiente Ambiente Ambiente
1
2
3
4
5
6
18
0
30
4
7
8
10
0
21
6
2
6
4
0
29
2
9
2
20
0
25
13
0
4
11
0
17
3
3
3
3
0
24
5
27
3
7
2
32
3
6
2
10
0
26
0
5
1
15
1
65
24
21
6
9
1
32
2
10
8
11
1
42
13
4
4
118
5
343
75
94
47
Total
67
45
46
62
37
62
52
42
132
62
75
682
Fonte: Dados da pesquisa (2022)
Diante das informações acima descrita, já destacamos o insipiente número de
atividades encontradas no ambiente de aprendizagem do tipo (2). A disposição da tabela
acima, facilita a nossa compreensão de como as atividades estão distribuídas nas coleções
e nos aponta um norte dos ambientes que mais estão presentes nas obras analisadas.
91
Podemos observar que a coleção 9 é a que mais apresenta atividades com potencial
para trabalhar com a Educação Financeira, totalizando 382 atividades. Entretanto, como
mencionamos anteriormente as atividades encontradas por nós, nesta coleção estão em
sua maioria ancoradas no ambiente de aprendizagem do tipo (3). Posteriormente,
propomos uma discussão a respeito de cada coleção individualmente.
A seguir apresentamos exemplos de atividades encontradas por nós nas obras, que
possuem potencial para o trabalho com a EF a luz dos ambientes de aprendizagem de
Skovsmose (2000). Iniciamos com o ambiente de aprendizagem do tipo 1, referência à
matemática pura no paradigma do exercício. Observe o exemplo a seguir:
Figura 10: Exemplo de atividade do ambiente 1
Fonte: (CHAVANTE, 2018, p.186)
Para fins de análise, consideramos cada um dos quatro itens como uma atividade
com potencial para a Educação Financeira. Porém, note que em todas elas o objetivo
central é propor que o aluno calcule o juro simples. Veja que para que o estudante resolva
a atividade, basta apenas que ele tenha conhecimento da fórmula e saiba fazer as
substituições necessárias.
Utilizar das atividades do ambiente (1) apenas como ela estar, pode não ser
considerada como uma atividade de EF, pois a mera aplicação de fórmula transforma a
atividade em uma questão de Matemática Financeira apenas. Todavia, compreendemos
que o professor possui total autonomia para transformar uma atividade como essa em um
campo frutífero para a discussões que de EF.
92
Já as atividades classificadas por nós, como ambiente do tipo 2. Encontramos
questões que fazem referência à matemática pura, mas que está inserida como um cenário
de investigação. Observe o exemplo a seguir:
Figura 11: Exemplo de atividade classificada no ambiente 2
Fonte: Gay (2018), p. 289, 7° ano
Note que na atividade acima, o estudante ainda necessita de conhecimentos de matemática
pura acerca do cálculo de juro simples. Apesar da atividade dar os dados numéricos para
serem utilizados no enunciado, essa atividade vai além da mera aplicação da fórmula.
Na nossa perspectiva, quando o estudante é colocado no papel de protagonista na
criação do problema, ele desenvolve habilidades e tece reflexões que ultrapassam o
cálculo operacional. Explorando a criatividade e o seu potencial para lincar situações
interessantes e relevantes.
No ambiente de aprendizagem do tipo 3, localizamos as atividades que fazem
referência à semi-realidade mas que se encontram no paradigma do exercício. Veja o
exemplo a seguir:
Figura 12: Exemplo de atividade classificada no ambiente tipo 3
93
Fonte: (Gay,2018) p. 48, 7° ano
Observe que a situação descrita na atividade acima faz referência a semi-realidade. Já que
é atitude de comprar em uma loja é uma atividade é plausível de acontecer. Todavia,
observamos que essa atividade se restringe a mera aplicação do algoritmo de
multiplicação o que a classifica no paradigma do exercício.
Com um olhar atento podemos observar que essa atividade apresenta potencial
para desenvolver temáticas ligadas a Educação Financeira. Um tema que pode ser
explorado são as diferentes formas de pagamento. O exemplo apresenta o cheque como
uma dessas formas, mas seria possível ampliar esse diálogo para outras maneiras de
pagamento como cartão de crédito, boleto bancário entre tantas outras formas. Além de
ampliar a discussão para os benefícios e os malefícios da compra parcelada são exemplos
de ações que podem ser desenvolvidas na sala de aula em decorrência dessa atividade.
No ambiente de aprendizagem do tipo 4, as atividades fazem referência à semirealidade, mas agora na perspectiva dos cenários para investigação. Analise o exemplo a
seguir:
Figura 13: Exemplo de atividade do ambiente 4
Fonte: Oliveira e Fugita (2019), p. 29, 8° ano
Note que atividade acima apresenta um orçamento doméstico, tema ligado à
Educação Financeira para esta atividade são usadas informações fictícias que compõe a
semi-realidade, mas possibilita os alunos através dos questionamentos dos itens a, b e c
uma reflexão para resolução da atividade.
Os ambientes de aprendizagem do tipo (5) e tipo (6) fazem referência a realidade.
Nessas atividades encontramos em sua maioria questões que envolviam notícias ou
94
informações com dados reais que se relacionam com a EF. No ambiente de tipo (5) as
atividades fazem referência a realidade, mas estão no paradigma dos exercícios. Observe
o próximo exemplo:
Imagem 13: Exemplo de ambiente de aprendizagem do tipo 5
Fonte: Pataro e Balestri (2018), p. 137, 8° ano
A atividade acima, usa de dados verídicos para solicitar que os estudantes resolvam um
cálculo de médias salariais. Note que essa atividade, pode ser explorada pelo professor
afim de transformar a atividade do ambiente 5 num ambiente de troca construindo um
cenário de investigação.
Para finalizar os exemplos de ambientes de aprendizagem identificados durante
as nossas análises, apresentamos a seguir uma atividade que representa o ambiente de
aprendizagem do tipo (6). Nas atividades assim classificadas, utilizamos dados verídicos
para convidar os estudantes a participarem da investigação e reflexão a partir da temática
trabalhada. Veja o exemplo a seguir:
Imagem 14: Exemplo de ambiente de aprendizagem do tipo 6
Fonte: Sampaio (2019), p. 183, 9° ano
95
Os três itens acima dispostos que compõem as perguntas da atividade, são apresentados
após a exposição de um texto que trata da:
falta de planejamento financeiro de grande parte dos brasileiros. Essa falta de
planejamento causa um grande impacto na vida das pessoas, pois pode levar a
endividamentos e até a perda de bens. Outra questão apresentada no texto é o
uso do cartão de crédito, cheque especial ou empréstimos para quitar gastos
mensais. Esse tipo de ação geralmente não resolve o problema e apenas o a dia,
além de aumentar a dívida, devido ao pagamento de juros. (SAMPAIO, 2019,
182)
A partir da leitura do texto são propostas atividades que permitem a exploração e
investigação da atividade, o estudante é convidado a pesquisar para além da sala de aula,
e aplicar os seus conhecimentos de maneira crítica e participativa.
Podemos observar nas atividades que apresentamos, exemplos de ambientes de
aprendizagem de Skovsmose (2000). Deixamos claro para o leitor, que o volume de
atividades encontradas só salienta as possibilidades de incluirmos o debate da Educação
Financeira em nossa sala de aula. E que esse é o nosso olhar para as obras analisadas.
Notamos que muitas das coleções buscaram utilizar atividades que envolvem
conteúdos elementares de Matemática como operações básicas, porcentagem, juro,
divisão e função como um ponto de partida para incluir temáticas como compra, venda e
parcelamento. Entendemos que a relação entre uma questão de aritmética básica, apenas
com uma referência à semi-realidade no paradigma do exercício, e a Educação Financeira
não é direta; e na maioria das vezes não é vista com tanta clareza pelo docente. Todavia,
compreendemos que um dos bons frutos da presente pesquisa é incentivar o professor a
olhar para o livro didático sob uma nova perspectiva.
Desse modo, temos o entendimento que se tratando de coleções voltadas aos anos
finais do Ensino Fundamental, o livro didático de Matemática tem que atender um volume
alto de informações e conteúdos previstos para o ano letivo. Encontrar intencionalidade
para selecionar atividade de EF nos guia para um futuro que permitirá formar estudantes
reflexivos e autônomos nas suas decisões financeiras pessoais e social.
Continuando com um olhar geral para as atividades encontradas nos livros
didáticos, julgamos pertinente elaborar uma tabela com o cruzamento das atividades
encontradas por ano escolar. Observe a seguir:
Figura 12: Quantitativo de atividades por ambiente em cada volume
96
Volume
Ambiente
1
(E + MP)
6° ano
41
7° ano
Ambiente
2
(MP+ CI)
Ambiente
3
(SR+ E)
Ambiente
4
(SR+ CI)
Ambiente
5
(R+E)
Ambiente
6
(R+ CI)
Total
Percentual
(%)
0
102
21
22
11
197
28,9
38
2
136
22
32
8
238
34,9
8° ano
23
2
68
14
9
12
128
18,8
9° ano
16
1
37
18
31
16
119
17,5
Total
118
5
343
75
94
47
682
100
Fonte: Autores (2022)
A tabela acima apresentada, nos mostra com mais detalhes como as atividades
estão distribuídas dentro de cada volume. Notamos que há uma uniformidade na
distribuição em cada ano escolar. O que conjecturamos ser positivo, pois observamos que
a presença dessas atividades acompanha os estudantes ao longo de todo o ensino
fundamental maior, não havendo lacunas muito expressivas de um ano para outro.
Outro ponto relevante a ser destacado, é que o ambiente 3 continua possuindo um
maior quantitativo de atividades em todos os volumes. Nas obras destinadas aos dos 6°s
anos, por exemplo, a maioria das atividades encontradas nesse ambiente estão
relacionadas com a unidade temática número. Era esperado que isso acontece pois como
destacado algumas seções acimas, a habilidade EF06MA que trabalha problemas
envolvendo porcentagens, cálculo de porcentagem como uma fração pode ser utilizada
para compor uma atividade voltada para EF.
Por outro lado, um fator que detém a nossa atenção está no fato de não
localizarmos nenhuma atividade do ambiente 2 nas obras destinadas aos 6°s anos. Como
destacado na citação a seguir, que o ambiente do tipo (2)
[...] vai além da sistematização de regras e fórmulas pré-estabelecidas. Além
de se questionar os porquês dessas fórmulas e regras, professor e alunos estão
engajados em realizar descobertas sobre conceitos matemáticos que
representam novidades aos alunos. Perguntas hipotéticas do tipo “e se...?”
abrem caminhos para que os alunos considerem outros aspectos dos conceitos
matemáticos, além daqueles costumeiramente tratados nos livros
didáticos.(MILANI, 2017,p226)
97
Diante disso, acreditamos que o professor deva incentivar a mediação entre as atividades
presentes no ambiente do tipo (1) a fim que os alunos se sintam convidados a dialogar e
se engajar com a atividade proposta. Ou seja, percebemos que é possível utilizar
atividades do ambiente 1 para desenvolver práticas no ambiente do tipo 2, desde que haja
uma intervenção do docente.
Ressaltamos ainda, a presença significativa de atividades no ambiente tipo (6).
Concebemos que atividades nesse ambiente são propícias para que haja de fato o
desenvolvimento de ações e temáticas ligadas a EF. Nas coleções que encontramos essas
atividades, observamos que elas estavam inseridas em seções específicas de Educação
Financeira. O que nos leva a perceber, que as coleções tiveram cuidado em elaborar
propostas que permitam o diálogo, a reflexão e a participação ativa dos estudantes durante
a execução da atividade. Na seção seguinte, apresentamos uma visão mais detalhada das
coleções analisadas, bem como apresentamos mais atividades de acordo com cada
ambiente de aprendizagem de Skovsmose (2000).
6.4 Discussão das coleções
Nessa seção pontuamos as principais considerações acerca de cada coleção
analisada aqui em nossa pesquisa. De antemão deixamos claro que não é objetivo do
nosso estudo indicar ou repudiar qualquer que seja a obra. O que buscamos é possibilitar
ao leitor uma visão clara de quais obras apresentam atividades para o trabalho com
educação financeira.
Outro ponto importante a ser destacado é que não iremos apresentar todas as
atividades encontradas e categorizadas em nosso estudo. Olharemos para as obras com
um olhar de pesquisador selecionando os pontos mais relevantes de cada obra.
6.4.1 Coleção 1
A coleção 1 é a que mais possui atividades ligadas à Educação Financeira. Com
uma seção intitulada “Ampliando os Horizontes” os autores apresentam textos
informativos seguidos de questionamentos que permitem os estudantes refletirem e
questionarem a respeito de situações que envolvem dinheiro, tomada de decisão e
consumo consciente.
98
A categorização dessas atividades foi de veras desafiadora, pois compreendemos
que a intenção do autor é propor o diálogo e a reflexão por parte dos estudantes através
dos questionamentos propostos. Julgamos que a maioria das atividades propostas nessa
coleção, constituem um potencial para cenários para investigação. Pois compreendemos
que um “cenário para investigarão é um ambiente que pode dar suporte a um trabalho de
investigação” (SKOVSMOSE, 2000, p.3)
Desse modo, julgamos que as atividades propostas nessa seção permitem ao
professor explorar uma diversidade de questionamentos e ações que promovam uma
Educação Financeira crítica e reflexiva. Dessa maneira, classificamos as atividades dessa
coleção como potenciais para trabalho nos ambientes de aprendizagem que fazem
referência à realidade na perspectiva de possibilitar a criação de cenários para
investigação. A seguir, veja um exemplo dessas atividades:
Figura 13: Exemplo de atividade C1
Fonte: (Oliveira, Fugita, 2018,p.55)
Podemos observar que as questões tratam do valor do dinheiro, tema relevante
para a Educação Financeira. São feitos proposições e questionamentos que levam os
estudantes a se incluírem na resolução da atividade. Além de possibilitar os estudantes a
pensarem sobre e como são feitas as transações comerciais e a autenticidade das notas.
99
6.4.2 Coleção 2
A coleção 2 também possui duas seções que aborda explicitamente a Educação
Financeira, intituladas de “Analisando com Cidadania” e “Analisando com a
Matemática”. Em todas as obras são apresentadas alguma situação que busca desenvolver
alguma temática ligada a Educação Financeira.
Veja um exemplo dessa seção:
Figura 14: Exemplo de atividade da Coleção 3
Fonte: (SOUZA, PARATO, 2018, p.73)
100
A atividade acima exposta aparece exemplificando a seção que aborda temas
ligados a cidadania o que inclui a Educação Financeira. Ao olharmos para as cinco
atividades propostas, observamos que elas fazem referência à semi-realidade no
paradigma do exercício. Todavia, o que nos chamou a atenção foi a temática abordada na
atividade “poupar desde cedo”. Entendemos que a EF também trata de questões ligadas a
atividades de poupar, mas não devemos reduzir a Educação Financeira apenas a isso.
Temos a consciência de que os livros didáticos de Matemática analisados aqui em
nossa pesquisa têm como um dos objetivo centrais atender estudantes das escolas
públicas, que na maioria das vezes nem possuem condições de se alimentar dignamente.
Observando sob essa perspectiva, que sugerimos que o docente olhe com atenção e
ressignifique no seu aluno a ação de poupar. E que ele possa compreender que nem
sempre é possível ter um fundo de reserva, principalmente quando os adultos responsáveis
por ele não possuem uma renda familiar mínima.
Defendemos que as discussões de EF devem fazer sentido para o estudante. Na
sala de aula devemos nos preocupar se o aluno tem conhecimento do que é uma mesada,
antes de sugerirmos que ele responda à questão 2 por exemplo. Salientamos mais uma da
importância do olhar crítico do docente para mediar as discussões de EF.
Que não caíamos no discurso bancário de poupar e investir como as únicas formas
de ter uma saúde financeira. Mas que possamos apresentar aos estudantes possibilidades
de compreender que para atingir objetivos de compra a curto, médio ou longo prazo é
necessário planejamento financeiro e consequentemente organização de renda.
Mas uma atividade dessa coleção é destacada a seguir:
Figura 15: Exemplo de atividade da coleção 2
Fonte: (SOUZA, PARATO, 2018, p.131)
101
A questão acima, explora um clássico item de semi-realidade no paradigma do
exercício ambiente tipo (3). Selecionamos esta questão em especial, porque o item b pode
ser explorado pelo professor para além da atividade descrita no texto.
Sabemos que o ato de comparar preço é uma atitude saudável que contribui para
a diminuição da compra por impulsão além de possibilitar ao comprador escolher um
produto a preço o justo. Como forma de explorar essa atividade para além da sala de aula,
o professor, poderia solicitar que os estudantes fizessem um estudo de campo pesquisando
e coletando dados no centro da sua cidade, por exemplo. Depois com os dados em mãos
o docente poderia solicitar que os alunos comparassem os preços e analisasse se os valores
observados são preços justos para o produto.
Uma proposta como a sugerida acima, transformaria uma atividade que estava no
paradigma do exercício como uma atividade potencial para a criação de um cenário de
investigação. Usamos o termo potencial, porque os estudantes necessitam aceitar o
convite de uma atividade exploratória. Mas não podemos esquecer que:
o ensino de conteúdos de Matemática Financeira dentro da disciplina de
Matemática em si não basta para cumprir o papel de formar cidadãos e
promover a Educação Financeira se ele não for contextualizado em
situações reais ou realísticas, próximas ao cotidiano do educando.
(CAMPOS;TEIXEIRA; COUTINHO, 2015, p. 564)
6.4.3 Coleção 3
A coleção 3 não possui uma seção específica destinadas as atividades de Educação
Financeira, desta maneira tivemos uma atenção redobrada para garimpar as atividades
que apresentam potencial para desenvolver a temática em sala de aula. Selecionamos a
atividade a seguir para discutirmos.
Figura 16: Exemplo de atividade da coleção 3
Fonte: (SAMPAIO, 2018, p.168)
102
Podemos perceber que o a questão acima, trata de uma situação de semi-realidade no
paradigma do exercício. Note que a compra de ovos de chocolate no período da Páscoa é
um tema presente na vida da maioria dos estudantes. E que a comparação de preços bem
como a escolha entre comprar ovos de chocolate ou barras de chocolate pode ser um
interessante tema de discussão. Dessa forma, vislumbramos
nessa atividade
possibilidades de investigação, bem como um possível aprofundamento dos conceitos
matemáticos envolvidos na atividade proposta.
6.4.4 Coleção 4
Na coleção 4 foi possível identificar uma seção destinada a atividades de
educação financeira, intitulado “Educação Financeira em foco”. Como apresentado no
quadro da seção anterior, a maioria das atividades dessa coleção estão classificadas no
ambiente tipo 1 ou ambiente tipo 3. Entretanto, apresentamos a atividade a seguir:
Figura 17: Exemplo de atividade coleção 4
Fonte: (Longen,2018,p194)
A atividade expõe um texto motivador verídico a respeito da importância dos motivos de
debater a Educação Financeira no Brasil. São apresentadas os conceitos de EF bem como
a criação da ENEF. Todavia, podemos observar que apesar da atividade apresentar dados
e um contexto real a atividade é classificada como referência à realidade mas no
paradigma do exercício.
6.4.5 Coleção 5
Dando continuidade as discussões e apresentações das coleções, destacamos as obras
presentes na coleção 5. Encontramos em destaque nessa coleção, uma seção destinada a
discussão inerente a EF. Abordando situações como: “Querer é uma coisa, precisar é
outra”, “Moeda também é dinheiro” e o “Os juros do cartão de crédito” ao longo das
obras, nos levam a perceber um olhar atento do autor para a inclusão do tema.
103
Mesmo trazendo discussões próprias da EF as atividades encontradas em sua
maioria estão inseridas no ambiente do tipo 3. Na obra destinada aos alunos do 6° ano
queremos destacar a seguinte atividade:
Figura 18 : Exemplo da coleção 5
Fonte: (Junior, 2018,p.184)
Após a apresentação de um texto motivador verídico o autor propõe essas duas atividades,
que na nossa compreensão sem as orientações e intervenção do professor se classifica no
ambiente do tipo 3. Mas o que queremos destacar nessa coleção, são as orientações
didáticas para o professor.
Nessas orientações o docente é levado a ampliar as discussões com os alunos de
modo que compreendam que o valor da moeda apesar de pequeno, ao longo do tempo
podem somar enormes quantias. Observe um trecho das orientações:
Outra questão interessante para discutir com os alunos é em relação ao
consumo consciente, ou seja, comentar que as compras devem ser feitas
quando realmente precisamos adquirir o bem em questão e que é importante
guardar uma parte do que se recebe, em vez de gastar tudo de uma só vez.
Nesse caso sugerir uma discussão sobre a importância do planejamento dos
gastos, inclusive quando se trata de pequenos valores. As questões propostas
na seção abordam a atitude de poupar (guardar moedinhas no cofre), mas
também discutem o problema da circulação dessas moedas ou, melhor, da não
circulação dessas moedas. É interessante realizar um levantamento com os
alunos para descobrir se eles ou seus familiares possuem o hábito de guardar
as moedas e refletir sobre as possibilidades de poupar, guardando as moedas,
e a necessidade de se criar o hábito de trocá -las por cédulas com maior
frequência ou, ainda outras formas de poupar, sem tirar as moedas e cédulas
de circulação. Se achar conveniente, realizar um projeto coletivo no qual todos
104
se empenhem em arrecadar um valor que será designado para uma ação
conjunta, de interesse de todos; dessa forma, deverão pensar em estratégias
para conseguir a verba, maneiras de poupar e modos de fazer o dinheiro
“render”. Esse projeto poderá receber o incentivo de outros professores que
também poderão propiciar ações e discussões em suas aulas. ( JUNIOR, 2018,
p.184) – grifo nosso
Observe que com as orientações propostas a atividade possui um grande potencial para
torna-se uma atividade que possibilita a investigação. Ressaltamos isso, olhando para a
parte da citação acima que se encontra grifada. Com essa intervenção do docente os
estudantes são levados a investigar e refletir a respeito do que foi estudado em sala de
aula, podendo transformar a atividade em um ambiente do tipo 6.
Como destacado acima, algumas das atividades dessa coleção apresentam as
orientações aos docentes como um diferencial para o trabalho com a EF. Entendemos que
nem sempre é fácil para o professor de Matemática encontrar atividades que ultrapassem
o paradigma do exercício.
6.4.6 Coleção 6
Dando continuidade as nossas análises, pontuamos as atividades impressões e
atividades encontradas na coleção 6. A grande maioria das atividades encontradas nessa
coleção, estão inseridas no ambiente tipo 3. Salientamos ao leitor que essa coleção não
possui com seção específica destinada à Educação Financeira, mas foi possível identificar
uma seção intitulada “Você Cidadão” e “Integrando com História”, que possui potencial
para trabalharmos a EF.
Ressaltando que a EF é vista na BNCC como um tema transversal, integrador e
contemporâneo que apresentamos a proposta de atividad e abaixo. Nela o autor utiliza um
texto verídico para exemplificar o processo de tributação ao longo da história do Brasil.
Compreendemos que pagamento de tributos é um tema pertinente para a EF, e essencial
para que os cidadãos tenham conhecimento dos seus direitos e deveres para com o Estado.
Observe a seguir, parte do texto referência para a atividade.
105
Figura 20: Exemplo de atividade da coleção 6
Fonte: (Souza,2019, p.165)
Note que o autor usa um texto real para construir uma atividade que ao nosso olhar
é pertinente para dialogarmos com a EF. Entretanto, observamos que no item 3, que a
atividade pode ser classificada como um ambiente do tipo 5. Mas se orientada
corretamente pode se transformar em um ambiente propício para a investigação.
7.4.7 Coleção 7
A coleção 7, não apresenta uma seção destinada a Educação Financeira bem como
não encontramos muitas atividades que permitam a reflexão, o diálogo e a investigação
dos estudantes. Nas atividades classificadas, notamos que a grande maioria dos itens não
conseguem ultrapassar o paradigma do exercício seja fazendo referência a Matemática
Pura, seja fazendo referência à semi-realidade.
Apesar do grande volume de atividades propostas na coleção, notamos que elas se
referem a situações como venda, compra de produtos apenas na perspectiva do cálculo
numérico. Nem se quer possibilitam um diálogo com o contexto que envolvem a EF.
Questões assim, infelizmente ainda aparecem com frequência nas coleções.
106
A seguir, exemplificamos uma atividade que se encontra no paradigma do
exercício. Apesar de fazer referência a uma situação de semi-realidade, mas no paradigma
do exercício.
Figura 21: Exemplo de atividade da coleção 7
Fonte: (DANTE, 2018, p.102)
Apesar de não haver recomendações nem orientações aos docentes, acreditamos
que a temática boleto e pagamentos podem ser associadas aos conhecimentos da MF e
possibilitar a reflexão de EF.
7.4.8 Coleção 8
Dando procedimento as discussões acerca das coleções, observamos que os
autores da coleção 8 não tiveram intencionalidade em acrescentar uma seção própria para
a Educação Financeira. E como esperado, as atividades estão em sua maioria centradas
no paradigma do exercício. Temos que salientar que em nosso estudo, buscamos sempre
localizar atividades de Educação Financeira que se aliem com a com a Educação
Matemática Crítica, ou seja que permitam a reflexão dos estudantes,
Veja um exemplo que encontramos nessa coleção:
107
Figura 22: Exemplo de atividade da coleção 8
Fonte: (Bianchini,2018, p.70)
Essa atividade é um exemplo de atividade que exploram a semi realidade. Nos itens
acima propostos são classificados como ambiente do tipo 3. Entretanto, o item e)
dependendo da intencionalidade e orientação do professor pode se transformar em uma
atividade do ambiente 4 ou até mesmo do ambiente 6. Entretanto, destacamos que sem
as orientações devidas à discussão se perde na mera resolução dos exercícios.
7.4.9 Coleção 9
A coleção 9 traz consigo em todas as obras da coleção uma seção destinada a
Educação Financeira.
Temas como “Pagar com o cartão”, “Para onde foi o meu
dinheiro”, “Diferentes formas de pagamento” e “Comprar mais ou comprar menos” são
temáticas levantadas pelo autor distribuídas durante a coleção.
Uma característica interessante dessa coleção é que as atividades de Educação
Financeira estão distribuídas em três seções: “O que você faria” , “Calcule” e “Reflita”.
Consideramos esse cuidado em separar as intencionalidades das perguntas bastante
interessantes.
Na seção reflita o aluno é questionado a refletir sobre uma situação de semi-realidade
apresentada pelo autor anteriormente. Veja o exemplo:
Figura 24: Exemplo de atividade da coleção 9
108
Fonte: (GAY, 2018, p.239)
Nas orientações aos professores, o autor sugere que reflexões como essa listadas nos itens
a a d contribuem para que os alunos tomem posicionamentos com base em princípios
éticos e sustentáveis. Desenvolvendo competências e habilidade de refletir sobre uma
situação financeira.
Na seção “Calcule”, os autores buscam trazer situações de semi-realidade no
paradigma do exercício, mas com temas que exigem do aluno conhecimentos
matemáticos relacionados com a matemática financeira. Um exemplo dessas atividades é
mostrado na imagem a seguir:
Figura 25: Exemplo de uma segunda atividade da coleção 9
Fonte: (GAY, 2018, p.239)
Apesar da atividade constituir a mera resolução de cálculos numéricos,
percebemos que houve uma intencionalidade do autor em relacionar a Matemática
Financeira com a Educação Financeira. Consideramos como um ponto positivo, por
vislumbramos que os docentes podem ver com clareza as perguntas e questionamentos
que quando bem-intencionados pode proporcionar um debate sobre EF.
109
Por fim, mostramos a seguir um exemplo que segue das discussões acima propostas
intituladas “Reflita”. Veja:
Imagem 18: Exemplo de uma atividade
Fonte: (GAY, 2018, p.239)
Esperávamos que seção “Reflita” o autor explorasse com mais veemência as
situações reais que promovessem o diálogo e a reflexão do estudante. Entretanto notamos
uma certa timidez para relacionar as temáticas e propor a mudança de paradigmas.
Todavia, julgamos que essa coleção apresentou um especial cuidado na elaboração das
atividades propostas.
7.4.10 Coleção 10
A coleção 10 não possui uma seção destinada a Educação Financeira, como
também apresenta um quantitativo pouco significativo de atividades que fazem referência
tanto a MF como a EF. As atividades encontradas permeiam o paradigma do exercício,
seja com referência à Matemática pura seja com uma atividade de semi-realidade.
Figura 26: Exemplo de atividade da coleção 10
Fonte: (SILVEIRA, 2018, p.170)
110
As questões ligadas ao planejamento financeiro podem se constituir uma temática
importante na perspectiva da Educação Financeira. Porém quando não explorada
corretamente pode ser reduzida apenas a uma atividade de resolução e aplicação de
cálculos numéricos. Um outro exemplo encontrado é mostrado abaixo:
Figura 26: Exemplo de uma atividade
Fonte: (SILVEIRA, 2018,p.175)
Com as atividades encontradas nessa coleção, percebemos que mesmo após a
inclusão da EF na BNCC muitas obras não conseguiram incluir o debate da temática de
maneira satisfatória. De modo que suas questões ainda estão muito relacionadas com os
conteúdos de Matemática Financeira.
7.4.11 Coleção 11
Chegamos ao fim da exposição das coleções, com as obras presentes na coleção
11. O leitor já deve ter notado que as exposições feitas até agora, tem como objetivo
situar o leitor de como as atividades foram analisadas em cada coleção.
Na coleção 11 encontramos uma seção própria para a Educação Financeira. De
acordo com o autor:
Essa seção incentiva a conscientização quanto ao uso do dinheiro, abordando
os temas contemporâneos Educação para o consumo e Educação fina nceira e
fiscal, elencados na BNCC. O objetivo é preparar o aluno para situações do dia
a dia por meio de questões que, além do conhecimento matemático, envolvem
reflexões sobre temas como ética, sustentabilidade, cidadania e vida em
sociedade, entre outros ( CHAVANTE, 2018, p.7)
Consideramos como um ponto positivo da obra deixar claro quais são as temáticas
desenvolvidas e trabalhadas durante o ano letivo. Isso facilita a inclusão da EF no
processo de planejamento dos docentes.
Todavia, as temáticas abordadas nessa coleção também estão presentes em sua
maioria no ambiente de aprendizagem do tipo 3. Mesmo as atividades na seção de EF
possuem essa característica. Que não julgamos negativa, porém salientamos a
111
importância do olhar ativo e perspicaz do docente na hora de aplicar as atividades e
mediar as discussões em sala de aula.
Selecionamos uma questão interessante que foi localizada durante a leitura de uma
das obras, e não foi classificada pelo autor como EF. Porém no nosso olhar essa atividade
possui potencial para o trabalho com a EF. Veja a imagem a seguir:
Figura 27: Exemplo de uma atividade da coleção 11
Fonte: (CHAVANTE, 2018,p.83)
Consideramos a temática pirâmide financeira é um tema relevante para a
discussão de Educação Financeira. Pois entendemos que diariamente surgem empresas
que oferem ganhos significados a baixos investimentos. Essas empresas são comuns em
comunidades de baixo conhecimento financeiro e aparecem escondida por trás das ações
de Marketing Multinível. Segundo Costa,
[...] o sistema de pirâmide é um esquema de recrutamento de pessoas, gerando
renda somente do recrutamento de novos membros e da cobrança de taxas sem
que nenhum produto ou serviço real seja movimentado. Sem sustento
comercial, o número de recrutas disponíveis é finito e, aritmeticamente,
recrutas posteriores possuem menor chance de enriquecer do que os
promotores do esquema. Consequentemente, este esquema tem vida curta, e os
que por último ingressarem praticamente não possuem nenhuma chance de
recuperar as suas taxas de inscrição ou de se beneficiarem com o esquema. Na
falta de um produto real, tais esquemas tentam coagir as pessoas, garantindo
serem empresas legítimas que operam um plano de Marketing de Rede.
(COSTA. 2004, p.191)
112
Deixamos claro ao leitor que não propomos que haja discussões aprofundadas
dessas temáticas com crianças e adolescentes, mas buscamos que sejam abertos espaços
para o diálogo e participação dos estudantes.
Destacamos essa atividade, por
encontrarmos uma temática atual e diferente das encontradas em todas as outras coleções.
Feita as análises das coleções considerados que atingimos os OB1 e OB2
pretendidos com o nosso estudo. Conseguimos encontrar, analisar e as classificar as
atividades que possuem potencial para o trabalho com a EF nos livros didáticos de
Matemática destinados aos alunos dos anos finais do ensino fundamental além de
realizarmos as categorizações de acordo com os ambientes de aprendizagem de
Skovsmose.
Na próxima seção apresentamos reflexões acerca dos resultados obtidos por nós
em nossa dissertação com as considerações e resultados obtidos por Azevedo (2019).
6.5 Refletindo acerca dos resultados encontrados
Para atendermos o terceiro objetivo do nosso estudo, propomos uma discussão
com intuito de comparar os resultados obtidos em nosso estudo, com aqueles encontrados
por Azevedo (2019). Dialogamos nessa seção, não com o intuito de quantificar as duas
obras. Mas para compreendermos se houve de fato mudanças depois da inclusão do tema
Educação Financeira na BNCC.
Uma consideração a ser feita é que as análises acima descritas têm o nosso olhar
de pesquisador. Não garantimos que outros pesquisadores repitam o nosso processo de
categorização e encontrem o mesmo resultado, pois análise de cada atividade também
conta com a subjetividade de cada pesquisador.
De antemão destacamos que as duas obras encontraram o ambiente 3, como
predominante nas coleções dos livros didáticos. Esse resultado era previsto por nós, por
entendemos a forte presença das atividades que simulam a realidade, além a utilização
demasiada de atividades cuja aplicação é na MF.
Um ponto surpreendente no nosso estudo em comparação com o de Azevedo
(2019) foi o acréscimo na quantidade de atividades presentes no ambiente tipo 4 (semirealidade + investigação). Muitas das atividades encontradas por nós possibilitavam que
o estudante explorasse o contexto de semi-realidade. Entendemos que esse aumento já
113
mostra um indicativo de que as atividades estão tendendo a sair do paradigma do exercício
e adentrando nos cenários para investigação.
Acrescentamos que um estudo detalhado dessas duas obras pode ser considerado
um objeto de estudo promissor para trabalhos futuros. Consideramos que ainda há um
longo caminho de melhoria nas obras para que de fato permitam um trabalho significativo
com a Educação Financeira.
7. PRODUTO EDUCACIONAL
A partir dos diálogos apresentados na presente dissertação observamos que os
livros didáticos de Matemática não apresentam situações e atividades de EF que auxiliem
os docentes na melhoria da sua prática. Afirmamos isso, pelo número insipiente de
orientações que aparecem nas coleções. Dessa forma, propomos a elaboração de um ebook para auxiliar o docente a encontrar informações oficiais e importantes a respeito de
Educação Financeira bem como dicas e sugestões de aperfeiçoamento da sua prática.
Temos a compreensão que os professores de Matemática não possuem uma
formação sólida e direcionada para trabalhar com temáticas ligadas a EF. E que muitas
vezes não sabem lidar com a própria situação financeira. Dessa maneira, olhamos para o
nosso e-book como um recurso a ser utilizado como um guia acessivo de informações e
orientações significativas para compor as ações desenvolvidas em sala de aula.
Em nossa dissertação não nos apropriamos de analisar nem discutir com riqueza
de detalhes os manuais dos professores, porém temos a compreensão da importância de
um professor bem-preparado e atento às situações de EF, pois sabemos que é ele o
principal mediador das temáticas em sala de aula.
Nessa perspectiva atendemos a segunda parte do objetivo central elaborando um
e-book voltado para temáticas ligadas à Educação Financeira destinadas ao público dos
anos finais do ensino fundamental, especialmente docentes de Matemática. O material
didático digital em formato de e-book constitui o nosso produto educacional, item
necessário para a defesa do PPGECIM. Neste material são propostas atividades e leituras
que visam contribuir para o desenvolvimento de atividades ligadas a Educação
Financeira.
114
O e-book está intitulado como “A Educação Financeira nas aulas de Matemática:
um guia de atividades para os Anos Finais”. E nele, apresentamos atividades que poderão
ser executadas nas aulas de Matemática, bem como links de sites importantes que
abordam o tema Educação Financeira. No que diz respeito aos materiais didáticos digitais,
Falkembach (2005), destaca que:
Os materiais educativos digitais são recursos que podem ser desde pequenas
atividades realizadas via computador ou ainda livros eletrônicos, jogos,
simulações,histórias em quadrinhos ou desafios propostos aos alunos. Os
materiais digitais normalmente, além da multimídia, usam o recurso do
hipertexto que permite uma navegação aleatória, não linear e cabe ao professor
fazer um planejamento prévio, saber selecionar as unidades a serem
trabalhadas, de forma contextualizada e utilizá -las em sua prática pedagógica,
observando e intervindo nas interações entre os alunos e deles com o material
no desenrolar do trabalho, oportunizando a descoberta e a exploração.
(FALKEMBACH, 2005, p.2)
Desse modo, a elaboração de um material educativo digital se apresenta como uma
ferramenta interessante para complementar as atividades e ações que abordam a educação
Financeira nos anos finais do ensino fundamental.
O e-book se apresenta como um material complementar, ao livro didático, para
professores que lecionam matemática nas turmas dos anos finais do Ensino Fundamental.
Entretanto, o material proposto possui potencial para ser utilizado pelos mais diversos
públicos, como pais, professores ou até mesmo alunos que se interessem pelo tema.
Apresentamos nos apêndices do nosso estudo, a versão do e-book como requisito
necessário para a defesa da presente dissertação. Estão explicitados no material a
apresentação do tema educação financeira, com a seção “O que é Educação Financeira”,
e posteriormente apresentamos um breve diálogo acerca da “Educação Financeira
Escolar”. Elaboramos a seção “Onde posso me informar?” com links e resumos de sites
interessantes que abordam o tema Educação Financeira.
Utilizamos os QR Codes dos sites para facilitar o acesso aos links recomendados.
Propomos ainda duas atividades voltadas as turmas dos 6° anos do Ensino Fundamental
que possui potencial para contribuir em discussões na sala de aula utilizando temáticas da
Educação Financeira.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em virtude dos dados e considerações já apresentados no decorrer do texto,
retomamos a importância de trabalhar a Educação Financeira no contexto escolar. De tal
modo, que as discussões que envolvam o tema sejam capazes de promover reflexão e
autonomia na tomada de decisão dos estudantes incluídos no contexto educacional.
Baseado nos estudos descritos, pudemos observar que o tema Educação Financeira vem
ganhando destaque no cenário educacional brasileiro a pouco tempo, mas que já apresenta
iniciativas educacionais relevante para a discussão do tópico.
Quando nos referimos aos pressupostos teóricos, inicialmente destacamos a
importância e relevância dos artigos selecionados na Revisão Sistemática da Literatura
apresentada no primeiro capítulo desta dissertação. Entendemos as limitações do estudo
diante dos critérios de inclusão e exclusão adotados e da base de dados selecionada, mas
compreendemos que a partir desse estudo exploratório foi possível compreender como o
tema vem sendo desenvolvido nas pesquisas acadêmicas. No decorrer dos estudos,
localizamos também diversos outros autores que desenvolvem trabalhos relevantes para
a temática abordada e que contribuem para a construção de um estudo sólido acerca do
tema.
No que diz respeito aos documentos oficiais, localizamos que desde os Parâmetros
Curriculares Nacionais de Matemática destinados aos anos finais já havia uma referência
indireta a temáticas ligadas à Educação Financeira, mas que é a partir da BNCC que o
tema é inserido de maneira transversal no currículo da educação básica. Conseguimos
vislumbrar consequências positivas dessa inclusão para os estudantes e posteriormente
futuros profissionais. Pois, entendemos que um cidadão educado financeiramente é capaz
de pensar e agir de maneira crítica de modo que consiga estabelecer uma relação saudável
entre dinheiro, consumo, trabalho e as suas relações e ou implicações na sua vida pessoal
e na sociedade em que ele está inserido.
Ressaltamos a importância da Educação Financeira Escolar, dialogar com a teoria
da Educação Matemática Crítica, proposta pelo pesquisador dinamarquês Ole Skovsmose
(2000), pois compreendemos que a Matemática está relacionadas com temas que
transcendem a mera resolução de exercício, mas que estão ligadas a questões de ordem
116
social e consequente é capaz de promover o pensamento crítico, reflexivo e autônomo
dos estudantes.
Retomando a questão central do estudo, buscamos compreender como a Educação
financeira se apresenta nos livros didáticos de Matemática nos Anos Finais do Ensino
Fundamental.
Como resultado inicial e parcial das coleções analisadas, podemos
observar a partir do estudo que os livros didáticos aprovados no PNLD 2020 já
apresentam uma menção direta ao tema Educação Financeira. E que as atividades por eles
apresentada possuem potencial para trabalhar os ambientes de aprendizagem do autor Ole
Skovsmose.
Finalizamos as considerações finais, ressaltando que foi possível notar a presença
de atividades com potencial para o trabalho com a Educação Financeira. Todavia, essas
atividades em sua maioria permeiam o paradigma do exercício, fazendo referência à semirealidade. Todavia, vislumbramos que as atividades de Educação Financeira trabalhada
nos livros didáticos vêm se apresentando de maneira positiva após a entrada do tema na
BNCC, presente na coleção do PNLD 2020.
Como perspectivas de trabalhos futuros, o olhar para a Educação Financeira não
somente na perspectiva do livro didático de Matemática, mas também de todas as obras
das outras áreas de conhecimento. Pois vislumbramos nas atividades uma alternativa de
incluir o diálogo entre as mais diversas áreas do conhecimento.
117
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APÊNDICE A – PRODUTO EDUCACIONAL
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