Elizete da Silva Coelho
Título da dissertação: INTERAÇÃO EM SALAS DE AULA VIRTUAIS: a contribuição da linguagem gráfico-visual
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO BRASILEIRA
ELIZETE DA SILVA COELHO
INTERAÇÃO EM SALAS DE AULA VIRTUAIS:
a contribuição da linguagem gráfico-visual
Maceió/ AL
2011
ELIZETE DA SILVA COELHO
INTERAÇÃO EM SALAS DE AULA VIRTUAIS:
a contribuição da linguagem gráfico-visual
Dissertação de Mestrado apresentada
ao Programa de Pós-graduação em
Educação da Universidade Federal de
Alagoas, como requisito parcial para
obtenção do grau de Mestre em
Educação.
Orientadora: Profa. Dra. Anamelea de
Campos Pinto
Maceió
2011
ii
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale
C672i
Coelho, Elizete da Silva.
Interação em salas de aula virtuais : a contribuição da linguagem gráfico-visual
/ Elizete da Silva Coelho. – 2011.
136 f. : il.
Orientadora: Anamelea de Campos Pinto .
Dissertação (mestrado em Educação Brasileira) – Universidade Federal de
Alagoas. Centro de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação
Brasileira. Maceió, 2011.
Bibliografia: f. 127-130.
Apêndice: f 131-136.
1. Educação a distância. 2. Linguagem gráfico-visual. 3. Salas de aula virtuais.
4. Tecnologia da informação. I. Título.
CDU: 37.018.43
DEDICATÓRIA
Aos meus pais
Joaquim da Silva Coelho (in memoriam) e Maria Nivalda da Silva Coelho. Com eles,
aprendi o significado do amor incondicional.
Aos meus sobrinhos
Rafael Kim, Danielle Christine, Renan Victor, Flávio Daniel e Camyla Gabriela
para que percebam a importância da educação na vida de cada um de nós.
Eu os amo muito.
DEDICATÓRIA ESPECIAL
A Felis
Severino Felisberto Nascimento Neto (in memoriam)
Grande amigo nesta jornada do mestrado (Minter UFAL/IFPE). Pessoa séria, leal,
ética, digna, sempre um cavalheiro. Era também um menino crescido, de incrível
bom humor.
No início deste mestrado precisou enfrentar um grande desafio e o fez com muita
seriedade, sem perder a fé e o bom humor. Sem reclamar lutou como o grande
guerreiro que foi, venceu batalhas que nunca seremos capazes de avaliar.
Ele foi O MESTRE na arte de viver e com certeza alcançou o mais alto grau que
alguém pode obter nessa luta que enfrentou.
Dedico a você esta dissertação e te digo de coração:
É um prazer “INOXIDÁVEL” tê-lo como amigo, pois sei que os laços de amizades
não se desfazem com as partidas.
AGRADECIMENTOS
Agradeço, primeiramente, a Deus que me concedeu o direito à vida e aos meus
amigos e guias espirituais por mais esta jornada ao meu lado. A toda minha família,
especialmente aos meus pais, Joaquim (In memoriam) e Nivalda; meus irmãos e
cunhados, Joaquim Júnior e Patrícia, Hercília e Flávio; as minhas tias, Elizete e
Marlene Viana, pelo carinho, cuidado e preces (que foram muitas).
A minha orientadora, a professora e doutora Anamelea de Campos Pinto, pelo
tempo e dedicação a mim dispensados, ao Prof. Ig Bert Bittencour pelas orientações
na qualificação e aos componentes da banca de defesa, professor doutor Elton
Casado Fireman pela orientação recebida e o professor doutor Rogério Luiz
Covaleski por se prontificar a colaborar neste momento importante da minha vida.
A todas as pessoas que compõem o PPGE por sua dedicação, às
Coordenadoras do Minter, Edna Guedes e Neiza Fumes e a CAPES, pelo Minter
UFAL/IFPE.
Às pessoas que fazem parte do DEaD, IFPE, pelo apoio e pela força que me
deram, quando da minha pesquisa, José Severino Bento, Graças Nery, Vânia
Carvalho, Ioná Ramesh, Verônica Sarmento, Josineide Braz, Regina Beltrão e,
principalmente, os alunos do curso de Gestão Ambiental a Distância.
A Ana Costa (incentivadora incansável), Rejane Rego (minha luz guia), Sílvio
Pena (companheiro de mestrado), Eduardo Fernandes, Eliana Melo, Josinaldo
Barbosa, Patrícia Travassos e Graça Costa (amigos de jornada). A professora
Leoana Sá e Cremilda, minhas revisoras, e a todos os meus amigos que me
apoiaram de todas as formas. Sem vocês, seria impossível chegar até aqui.
A Maria José, Ana Cristina, Celly, Márcia Cristina, Mônica Cristina, Beth Gomes
e Ana Lúcia (amigas de vidas incontáveis), a Cláudio Mello e Ana Maria. (pais pelo
coração), Conrado (meu irmão pelo coração) e Socorro Beserra e Lourdes Gimenez
(cuidaram do meu corpo e da minha mente).
Aos companheiros do Minter, Eliane, Ruth, Rosaly, Zivaneide, Lucivanda,
Denise, Fátima, Gerline, Mirian, Ana Patrícia, Daricson, Wilson, Ivon, Eraldo, Tigre e
Felisberto ((In memoriam).
A Tiaggo Cavalcanti de Morais (in memoriam), ex-aluno, designer, professor e
amigo.
RESUMO
O sistema educacional, dentro do contexto das tecnologias de comunicação e
informação, faz uso dos ambientes virtuais de aprendizagem (AVA). Ambientes nos
quais se trabalham múltiplas linguagens para poder estabelecer um processo
comunicativo e educacional eficiente e eficaz. Considera-se a interface gráfica, da
Sala de Aula Virtual (SAV), espaço destinado dentro de um AVA para
desenvolvimento de disciplinas/Cursos, um instrumento facilitador na interação do
usuário com o ambiente e com os conteúdos nele existentes. Focam-se os conceitos
e elementos da linguagem gráfico-visual e como eles se unem aos critérios
ergonômicos de usabilidade no planejamento gráfico dessas interfaces. O propósito
desta pesquisa foi estudar em que medida uma Sala de Aula Virtual planejada de
acordo com os princípios da linguagem gráfico-visual interfere na interação do
discente com o ambiente. Para alcançar esse propósito refletiu-se sobre os AVA
como espaços que contém recursos capazes de administrar os cursos, conteúdos,
atividades e usuários, dentro de um projeto pedagógico, descreve-se ainda, o AVA
MOODLE, plataforma utilizada durante a pesquisa e tomou-se o estudo de caso,
como estratégia de investigação. Observou-se a interface gráfica das SAV de um
curso superior a distância, oferecido por instituição federal de ensino superior.
Propôs-se novo formato para as SAV de acordo a linguagem gráfico-visual e os
critérios ergonômicos de usabilidade. Essas SAV foram utilizadas e examinadas
pelos seus discentes. Concluiu-se que a utilização da linguagem gráfico-visual
associada aos critérios ergonômicos de usabilidade na construção da interface
gráfica de uma SAV interfere positivamente na interação dos discentes com o
ambiente e, consequentemente, tem o potencial de contribuir com o processo de
aprendizagem facilitando o aprendizado. Acredita-se que este exercício de
investigação e reflexão contribua no debate sobre uma educação que se fortaleça
utilizando os caminhos que o mundo virtual oferece com suas múltiplas linguagens e
possibilidades de formatação.
Palavras-chave: Educação a distância. Linguagem gráfico-visual. Salas de aula
virtuais.
ABSTRACT
The educational system, within the context of communication and information
technologies, makes use of learning virtual environments (LVE). Environments where
multiple languages are worked in order to establish an efficient and effective,
educational and communication process. The Virtual Classroom graphical interface is
considered, (VC), a space within an LVE intended for the development of
subjects/courses, a facilitator tool in the user interaction with the environment and the
content within it. The concepts and elements of graphic-visual language are focused
and how they are joined with the ergonomic criteria of usability in the graphic design
of these interfaces. The purpose of this research is to examine to what extent a
Virtual Classroom planned according to the graphic and visual language principles
interferes in the student interaction with the environment. To achieve that goal the
LVE is thought as a space that contains resources that can manage courses,
content, activities and users within a pedagogical project; the Moodle VLE, platform
used during the research, is also described; the case study was taken as a research
strategy. We observed the VC graphical interface of distance education, offered by a
federal institution of higher education. A new format was proposed for the VC
according to the graphic-visual language and ergonomics and usability criteria.
These VC were used and examined by their students. It was concluded that the use
of the graphic-visual language associated with ergonomic criteria of usability in the
construction of a VC graphical interface positively interferes in the interaction of
students with the environment and therefore it has the potential to contribute to
learning process by facilitating learning. It is believed that this research and reflection
exercise will contribute in the debate on a stronger education by using the paths the
virtual that the virtual world offers with its many languages and formatting possibilities
Key words: Distance education. Graph-visual language. Virtual classrooms
LISTA DE FIGURAS
Figura 1
Tela Inicial do MOODLE que Pertence ao Instituto Federal
de Ensino Superior que Autorizou esta Pesquisa................
32
Figura 2
Colunas 1 e 3 do Ambiente MOODLE.................................
33
Figura 3
Três Faixas que Correspondem a Semanas Letivas.
(1º momento)........................................................................
35
Figura 4
Ícones de Inclusão e Alteração Ativados. (2º momento)......
36
Figura 5
Conteúdos das Caixas: Acrescentar Recurso e
Acrescentar Atividade. (3º momento)...................................
37
Semana Letiva com Recurso e Atividades já Inclusos.
(4º momento)........................................................................
38
Figura 6
Figura 7
Semana Letiva com Planejamento Gráfico-Visual
( 5º momento).......................................................................
39
Figura 8
Elementos Iconográficos Básicos da Tipografia..................
52
Figura 9
SAV –Teste de uma Semana Letiva....................................
61
Figura 10
SAV-Teste com Aplicação dos Princípios de Proximidade..
62
Figura 11
SAV Planejada com o uso do Princípio do Alinhamento.....
64
Figura 12
SVA Planejada com o Uso do Princípio da Repetição.........
65
Figura 13
Rótulo Inicial Planejado com o Princípio do Contraste........
66
Figura 14
Apresentação da SAV-Teste................................................
82
Figura 15
Tela Inicial do AVA/IF - SAV-Teste ...................................
83
Figura 16
SAV-Teste- Ícones de Manipulação Ativados......................
85
Figura 17
Tela do Editor do Comando “Inserir Rótulo”.........................
86
Figura 18
Famílias Tipográficas Disponíveis........................................
86
Figura 19
Tamanhos Disponíveis para a Tipografia.............................
86
Figura 20
Rótulo só com Uso de Tipografia.........................................
87
Figura 21
Rótulo Construído Utilizando a Linguagem Gráfico-Visual.
88
Figura 22
SAV-Disciplina SSA Antes do Planejamento Visual............
91
Figura 23
SVA - Disciplina SSA Após o Planejamento Visual.............
92
Figura 24
Rotulo Inicial da Semana 4 –Disciplina SSA........................
93
Figura 25
Rótulo Secundário................................................................
93
Figura 26
Semana Letiva da Disciplina SR sem o Planejamento
Visual....................................................................................
95
Semana Letiva da Disciplina SR com o Planejamento
Visual Executado com Base nos Pontos Norteadores
desta Pesquisa.....................................................................
95
Figura 28
Semana Letiva da Páscoa - sem Planejamento Visual 1....
99
Figura 29
Semana Letiva da Páscoa – com o Planejamento Visual 1.
99
Figura 30
Questões 1, 2 e 3.................................................................
103
Figura 31
Questões 5, 6 e 7.................................................................
104
Figura 32
Questão 9 ............................................................................
105
Figura 33
Questões 10 e 12.................................................................
105
Figura 34
Questão13............................................................................
107
Figura 35
Questão 14...........................................................................
108
Figura 36
Questão 15...........................................................................
108
Figura 37
Questão 16...........................................................................
109
Figura 38
Modelo 1 da SAV.................................................................
110
Figura 39
Modelo 2 da SAV.................................................................
111
Figura 40
Questão 17...........................................................................
112
Figura 41
Questões 18 e 21.................................................................
113
Figura 27
LISTA DE QUADROS
Quadro 1
Palavra Festa..........................................................................
55
Quadro 2
Palavra Pesquisa....................................................................
55
Quadro 3
Significado Psicológico das Cores .........................................
58
Quadro 4
Tipos de Alinhamento.............................................................
63
Quadro 5
Critérios Ergonômicos de Usabilidade ...................................
69
Quadro 6
Interseção: Critérios Ergonômicos e Linguagem GráficoVisual......................................................................................
72
Quadro 7
Organização Curricular CTGA/IF – Modalidade a Distância..
80
Quadro 8
Etapas do Módulo Básico do Curso de Gestão
Ambiental/2010-2....................................................................
89
Quadro 9
Questão 4 e Respostas........................................................... 103
Quadro 10 Questão 8 e Respostas........................................................... 104
Quadro 11 Questão 22 e Respostas......................................................... 114
Quadro 12 Questão 20 e Respostas......................................................... 115
Quadro 13 Questão 23 e Respostas......................................................... 116
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABNT
Associação Brasileira de Normas Técnicas
ANDIFES
Associação Nacional dos Dirigentes das instituições Federais de
Ensino Superior
AVA
Ambiente Virtual de Aprendizagem
CAPES
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CEaD
Coordenadoria de Educação a Distância
CEFET -PE
Centro Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco
CMS
Course Management System ou Content Management System
CTGA
Curso de Tecnologia de gestão Ambiental
CV
Comunidade Virtual
CVA
Comunidade Virtual de Aprendizagem
DEaD
Diretoria de educação a Distância
IES
Instituições de Ensino Superior
IFES
Instituições Federais de Ensino Superior
LSM
Learning Management System
MEC
Ministério da Educação e Cultura
MOODLE
Modular Object-oriented Dynamic Learning Environment
NTEaD
Núcleo de Tecnologia em Educação a Distância
ONG
Organização não Governamental
OU
Open University
PDE
Plano Nacional de Desenvolvimento
SAV
Sala de Aula Virtual
SEED
Secretaria de Educação a Distância
SR
Sensoriamento Remoto
SSA
Saúde e Saneamento Ambiental
TIC
Tecnologia da Informação e Comunicação
UA
Universidade Aberta
UAB
Universidade Aberta do Brasil
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO...........................................................................
15
CONTEXTO DOS AMBIENTES VIRTUAIS PARA A
APRENDIZAGEM......................................................................
22
1.1
Tecnologia da Informação e Comunicação...........................
23
1.2
Comunidades Virtuais.............................................................
25
1.3
Ambientes Virtuais de Aprendizagem...................................
27
1.4
MOODLE...................................................................................
31
2.
LINGUAGEM GRÁFICO-VISUAL EM AMBIENTES
VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM..............................................
41
2.1
Imagem e suas Linguagens....................................................
42
2.2
Linguagem Gráfico-Visual......................................................
47
2.3
Elementos Básicos da Linguagem Gráfico-Visual...............
50
2.3.1
Tipografia...................................................................................
50
2.3.2
Cor.............................................................................................
56
2.3.3
Iconografia.................................................................................
59
2.4
Princípios Básicos de Composição Visual...........................
60
2.4.1
Proximidade...............................................................................
61
2.4.2
Alinhamento...............................................................................
62
2.4.3
Repetição...................................................................................
65
2.4.4
Contraste...................................................................................
65
2.5
Usabilidade e Critérios Ergonômicos/Heurísticas de
Usabilidade...............................................................................
67
Discutindo a Interseção Entre Critérios de Usabilidade e a
Linguagem Gráfico-Visual......................................................
71
CONTRIBUIÇÃO DA LINGUAGEM GRÁFICO-VISUAL NA
INTERAÇÃO DOS DISCENTES DO CURSO DE GESTÃO
AMBIENTAL..............................................................................
74
1
2.6
3
3.1
Contexto da Pesquisa.............................................................
75
3.1.2
UAB e o Instituto Federal de Ensino Superior da Região
Nordeste....................................................................................
77
3.2
Caminhos Percorridos na Pesquisa......................................
79
3.3
Fases da Pesquisa...................................................................
82
3.3.1
Primeira Fase da Pesquisa........................................................
82
3.3.2
Segunda Fase da Pesquisa.......................................................
88
3.3.2.1
Planejamento Visual das SAV...................................................
90
3.3.3
Terceira Fase da Pesquisa........................................................
98
3.4
Conhecendo a Opinião dos Estudantes Sobre o
Planejamento Gráfico-Visual das SVA..................................
100
CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................
118
REFERÊNCIAS.........................................................................
127
APÊNDICE................................................................................
131
4
15
INTRODUÇÃO
O mundo é visto e vivido por meio das imagens que nos mostram desde a
mais tenra idade do homem na Terra, uma forma de apresentar e representar o
mundo com suas características. Foram em cavernas que se descobriram as
primeiras imagens (pinturas, gravuras, desenhos) e foi por meio delas que o homem
encontrou uma forma de fazer uma leitura daquela época, daquele mundo. A
imagem exerce tal fascínio que uma das definições mais antigas vem, segundo Joly
(1996, p. 15), de Platão “Chamo de imagens em primeiro lugar as sombras, depois
os reflexos que vemos nas águas ou na superfície de corpos opacos, polidos e
brilhantes e todas as representações do gênero”. Nesse conceito, a imagem aparece
como representação de um objeto do mundo sobre uma superfície (parede, chão,
um lago, rio ou mesmo uma poça de água), de acordo com leis particulares
(projeção da luz sobre o objeto, a sombra, o reflexo).
Passam-se milênios, e o termo imagem passa por diversas significações e
sentidos. E esses novos sentidos vão sendo construídos na medida em que ela, a
imagem, invade o mundo da arte e das divindades, o mundo científico e o das
comunicações e mídias. Com a evolução do homem, das técnicas e da sociedade,
as imagens deixam a fase de arte, prisioneira de uns poucos, para era da
reprodutibilidade técnica (BENJAMIN, 1987) onde todos podem tê-las. Elas passam
a existir em vários suportes: paredes das cavernas e das igrejas; telas dos pintores,
papel (jornal, livro, revista) e telas digitais. Ao penetrar no mundo digital, elas ajudam
a criar novas realidades, a realidade virtual, portanto criam e recriam novos mundos,
Bernardino (2009, p. 212) argumenta que:
[...] sempre que uma tecnologia interfere no processo de produzir
imagens, está implicitamente a interferir na nossa concepção de
mundo. É, por mais esse motivo, que hoje a imagem recria o real e
nós reconstruímos a certeza de que vivemos num mundo de
simulações, em que a realidade acaba por ser mais uma questão da
imagem do que outra coisa qualquer.
Uma função inerente à imagem é a função de comunicar. Essa comunicação
torna-se mais eloquente à medida que a tecnologia evolui, somando elementos e
16
signos que vão produzir sentidos ou novos sentidos para os seus usuários. Dessa
forma, a imagem é trabalhada por meio de seus elementos gráfico-visuais, de
acordo com ideias e intenções que se quer passar, formando, assim, novas imagens
com funções específicas. Elas tornam-se verdadeiras mensagens visuais. Para que
uma mensagem (de qualquer natureza) seja construída, lida e entendida, é
necessário que se estabeleça um processo comunicativo. Segundo Pereira (2001, p.
12) a comunicação “É um processo que se realiza em três etapas: emissão,
transmissão e recepção. Ou que envolve três elementos básicos: um emissor, uma
mensagem e um receptor.” Ainda citando Pereira (2001, p. 31), toda mensagem é
traduzida, expressa numa linguagem qualquer, ou seja, é codificada.”. No caso da
mensagem visual, a linguagem capaz de codificá-la é a gráfico-visual, composta de
seus elementos gráfico-visuais e seus princípios de composição.
Com o avanço das redes digitais, a comunicação se estabelece, em sua
essência, por multimeios (som, imagens, imagens em movimento), que, por sua vez,
utilizam
as
múltiplas
linguagens,
entre
elas
a
linguagem
gráfico-visual,
possibilitando, não só, a formação de comunidades virtuais (CV), bem como uma
maior facilidade de interação entre seus usuários. Essas CV têm os mais diversos
fins e fazem uso de plataformas, ambientes virtuais, de características próprias para
atingir o objetivo desejado. Para as Comunidades que têm como fim a educação,
construção de conhecimentos, o Ambiente Virtual utilizado é denominado, entre
outros nomes, de Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), que é composto de
comandos e recursos, capazes de ajudar na administração de usuários, cursos,
depósitos/resgates de materiais didáticos e estabelecer uma comunicação entre
seus usuários. Esses ambientes foram e são construídos com a potencialidade de
proporcionar o uso de várias estratégias pedagógicas, escolhidas de acordo o
desejo e necessidade de seus usuários.
A comunicação, em um AVA, estabelece-se por meio de sua interface gráfica
e de seus recursos comunicativos, salas de bate-papo, fóruns de discussão, quadro
de avisos e mensagens, porém é a interface o primeiro contato dos usuário com o
ambiente, é a porta de acesso, é o elemento que midiatiza a ação do homem com os
computadores. Para tanto, é preciso que exista um planejamento dessa interface em
relação aos recursos e elementos que ela vai oferecer e, principalmente, como
17
esses elementos estarão dispostos, organizados na página. O planejamento de uma
interface, em todos os seus níveis, proporciona uma interação de qualidade com o
seu usuário.
É na intercessão entre a educação e o mundo das imagens, como meio de
informação e comunicação em ambientes virtuais de aprendizagem, que nasce o
interesse e a vontade de estudar como a utilização de uma linguagem gráfico-visual
na construção da interface gráfica das Salas de Aula Virtuais (SAV), espaço dentro
de um AVA destinado ao professor para o desenvolvimento das disciplinas, contribui
na interação dos discentes com o ambiente e com os conteúdos a serem
ministrados.
Enquanto professora de uma instituição federal de ensino público superior, na
área de desenho, empenhei-me em construir com os discentes a importância que o
desenho e a imagem assumem no processo comunicativo, no entanto foi como
professora no curso de Tecnologia em Gestão Ambiental (presencial e a distância) e
com a experiência profissional na área gráfica (expressão gráfica e design gráfico),
que observei como uma SAV era trabalhada. Ela recebia vários recursos
pedagógicos (questionários, chats, fóruns, entre outros), entretanto existia pouco ou
nenhum planejamento gráfico-visual. Ora, trabalhar com ambientes virtuais é
trabalhar com múltiplas linguagens. Uma informação lida nesse ambiente é
composta da linguagem escrita (uma sequência de signos linguísticos), da
linguagem gráfico-visual (formada por iconografias, figuras, ícones, gráficos, cores e
tipografias) e da linguagem sonora (com seus sons e músicas). Nesse contexto, o
ideal é que o professor, ao planejar a sua SAV, considere quais recursos
pedagógicos serão utilizados para que respondam satisfatoriamente aos conteúdos
da disciplina e ao planejamento visual de sua interface gráfica, tornando-a mais
atraente, compreensível e de fácil uso.
Diante da observação da falta desse planejamento nas SAV, alguns
questionamentos foram levantados e tornou-se relevante encontrar a resposta para
a pergunta base da pesquisa: Em que medida uma Sala de Aula Virtual (SAV),
planejada de acordo com os princípios da linguagem gráfico-visual, interfere na
interação do discente com o ambiente?
18
A hipótese que levantamos para essa pergunta teve com objetivo identificar
em que medida uma Sala de Aula Virtual planejada de acordo com os princípios da
linguagem gráfico-visual interfere na interação do discente com o ambiente.
Esta hipótese nos fez estudar e refletir sobre como planejar e construir a
interface desses ambientes, focando uma interação de qualidade que facilitasse o
uso do ambiente e da comunicação para seus usuários. Dessa forma trabalhamos
com a ideia de verificar quais os elementos gráfico-visuais eram reconhecidos pelos
discentes como instrumento facilitador de sua interação com as SAV; identificar qual
a influência que eles atribuíam ao planejamento gráfico-visual adequado da SAV e a
facilitação no seu processo de interação com ela.
Para obter essas respostas e cumprir com os objetivos, desenvolvemos uma
pesquisa com os professores e discentes do curso superior em Tecnologia de
Gestão Ambiental de uma Instituição Federal de Ensino Superior (IFES) da região
do nordeste na modalidade a distância, e dentro de parâmetros estabelecidos, foram
escolhidos os semestres letivos, as etapas e as disciplinas, componentes
curriculares. As etapas escolhidas estavam no 1º e 2º módulo do curso; cada etapa
continha três disciplinas, duas delas tiveram as interfaces gráficas de suas SAV,
planejadas e produzidas com a assistência da pesquisadora, que possui
conhecimento na área gráfico-visual, e dos professores desses componentes
curriculares, elas foram trabalhadas dentro de critérios de uma linguagem gráficovisual e dos critérios ergonômicos de usabilidade. A terceira não recebeu nenhum
tratamento e orientação na construção da interface gráfica, ficando apenas sob o
critério do professor da disciplina, servindo desta forma de balizamento para os
resultados obtidos. No total trabalhamos com 6 professores e 200 alunos.
Foi feita uma análise visual dos elementos que compõem a SAV, antes e
após a intervenção, para clarificar quais os princípios visuais que foram utilizados ou
não. Posteriormente, houve uma aplicação de questionário semiestruturado com os
discentes dessas SAV. Por meio desse instrumento, pretendemos identificar
elementos gráficos e códigos visuais (tais como: cor, tipografias, imagens, princípios
de composição e hierarquia de informações) utilizados na construção das interfaces
destas SAV e como o reconhecimento desses elementos gráfico-visuais, por parte
dos discentes, influenciou de forma positiva na sua interação com a SAV.
19
Esta pesquisa, que adotou uma abordagem qualitativa e como estratégia de
investigação o Estudo de Caso, percorreu um caminho para cumprir com seus
objetivos. Esse caminho envolveu uma revisão bibliográfica sobre assuntos ligados à
sociedade da informação, aos ambientes virtuais de aprendizagem, à importância da
imagem na sociedade e nos processos comunicativos, à linguagem gráfico-visual
com seus elementos e princípios de composição, à interface e à usabilidade entre
outros que foram permeando todo esse processo. Foi necessário, também, conhecer
o AVA utilizado na instituição na qual a pesquisa foi realizada e quais os recursos
que esse ambiente oferecia para ajudar na construção visual da interface da SAV.
Estabelecemos os critérios de escolha do curso e das disciplinas que tiveram as
interfaces das SAV analisadas gráfica e visualmente; fizemos reuniões com os
professores e trabalhamos com eles os critérios gráfico-visuais que foram
implementados na interface de suas SAV; redefinimos as interfaces com os
elementos gráfico-visuais estabelecidos; elaboramos e aplicamos os questionários
aos discentes e por fim compilamos e analisamos os dados recebidos.
Para que pudéssemos desenvolver esta dissertação, a estruturamos em três
capítulos mais as considerações finais. Os capítulos 1 e 2 tiveram o objetivo de
discutir os assuntos à luz dos teóricos de cada área, ajudando a clarear e construir
novos olhares sobre o planejamento visual de uma SAV.
Neste sentido construímos o capítulo 1, Contexto dos ambientes virtuais para
a aprendizagem, e discutimos sob a luz dos teóricos como Castells (1999); Litto
(2009); Tedesco (2006) entre outros, a Tecnologia da Informação e Comunicação
como uma fonte na mudança de paradigma da educação; as comunidades virtuais
como um espaço capaz de conectar pessoas, assuntos e interesses, e como elas se
tornam centros de interesse quando se voltam para a educação; a utilização de
Ambientes Virtuais de Aprendizagem capazes de administrar conteúdos, usuários,
recursos de comunicação, atividades e avaliações dentro de um projeto pedagógico
escolhido pela comunidade. Completando a discussão, a plataforma MOODLE foi
descrita, tendo como foco a SAV, o espaço destinado para desenvolvimento dos
conteúdos programáticos do curso.
A ideia para o capítulo 2, Linguagem gráfico-visual em ambientes virtuais de
aprendizagem, foi a de investigarmos segundo Aumont (1993); Joly (1996);
20
Benjamim (1994); Dondis (1991); Arnheim (1989) entre outros autores a importância
que a imagem foi adquirindo perante o desenvolvimento da sociedade;
conceituamos e caracterizamos a linguagem gráfico-visual, seus elementos e
princípios de composição. Apresentamos os conceito de usabilidade e as heurísticas
de usabilidade de Jacob Nielsen, os critérios ergonômicos de usabilidade de Scapin
e Bastien que ajudam a planejar e construir uma interface. Por fim, refletimos sobre
como a aplicação da linguagem gráfico-visual, no planejamento visual da interface
gráfica da SAV, une-se aos critérios ergonômicos de usabilidade e funciona como
um instrumento facilitador da interação do estudante com a SAV.
Já no capítulo 3, Contribuição da linguagem gráfico-visual na interação dos
discentes do curso de Gestão Ambiental, descrevemos o locus da pesquisa, a
Universidade Aberta do Brasil, seu início, seus editais, a IFES que nos autorizou a
pesquisa no seu curso de Gestão Ambiental. Depois versamos sobre os
procedimentos metodológicos adotados na investigação e as etapas desenvolvidas
para coleta de dados, destacando as atividades realizadas, assim como as análises
e a interpretação dos resultados
Nas considerações finais, procuramos resgatar os principais aspectos
abordados nos capítulos anteriores e enfatizamos a análise dos resultados obtidos
com a pesquisa. Entre outros pontos constatamos, por exemplo, que a maioria dos
discentes escolheu uma SAV que foi planejada visualmente utilizando a linguagem
gráfico-visual em acordo com os critérios ergonômicos de usabilidade, como uma
SAV mais fácil de usar e de interagir.
Dessa forma esperamos que a investigação e reflexão dessa pesquisa
pudessem contribuir na construção de um caminho para o mundo virtual que envolve
os processos de ensino-aprendizagem. Um caminho que seja mais motivador, afável
e fácil de usar, pois é necessário entender que, na atualidade, o contato com o
mundo virtual já faz parte da vida das pessoas, não só na forma de entretenimento,
mas também como parte integrante da vida em todos os aspectos sociais e
profissionais. Não precisamos sair de casa para comprar, pagar, ler livros, assistir a
filmes, namorar, aprender e conhecer sobre outras cidades e países. O mundo
virtual dá acesso a tudo isso de forma cada vez mais natural por meio dos
computadores, dos tablets e celulares conectados com a rede. E esse mundo virtual
21
lança mão de todas as linguagens que lhe estão disponíveis para tornar esse acesso
mais fácil e amigável de modo que não tenhamos que adivinhar o caminho a ser
tomado e sim de seguir o caminho desejado simplesmente porque ele é claro e
evidente.
A relevância desta pesquisa está na convicção de que o processo de ensinoaprendizagem a distância precisa ter no Ambiente Virtual de Aprendizagem, mais
explicitamente na SAV, um ambiente propício à comunicação entre professores e
discentes, capaz de motivá-los a desenvolver a construção da relação entre eles
próprios e o assunto que se está apreendendo. Para que isso aconteça, é
necessário que as SAV se tornem mais amigáveis e motivadoras, dirimindo as
dificuldades de acesso aos links, chegando-se, portanto, à informação e interação.
Uma das formas de conseguirmos é pesquisando acerca do que envolve a
construção das SAV.
22
1
CONTEXTO DOS AMBIENTES VIRTUAIS PARA A APRENDIZAGEM
23
Neste capítulo, discutimos a Tecnologia da Informação e Comunicação como uma
fonte na mudança de paradigma da educação; as comunidades virtuais como um
espaço capaz de conectar pessoas, assuntos e interesses, e como elas se tornam
centros de interesse quando se voltam para a educação; a utilização de Ambientes
Virtuais de Aprendizagem capazes de administrar conteúdos, usuários, recursos de
comunicação, atividades e avaliações dentro de um projeto pedagógico escolhido
pela comunidade. Completando a abordagem, a plataforma MOODLE é descrita,
tendo como foco o espaço destinado para o desenvolvimento dos conteúdos
programáticos do curso (a que denominamos Sala de Aula Virtual), o qual é
analisado sob a ótica do planejamento visual e de sua interface gráfica.
1.1
Tecnologia da Informação e Comunicação
A crescente evolução das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)
durante as duas últimas décadas do século XX foi o alicerce de uma revolução que
alterou e ainda altera todas as áreas da sociedade que conhecemos, transformando,
assim, todas as relações políticas, econômicas, sociais e educacionais. De acordo
com Castells (1999) e Tedesco (2006), a informação e o conhecimento sempre
foram peças-chave nas grandes modificações sociais que aconteceram nesses
séculos de civilização. Porém, nessa revolução tecnológica, a informação e o
conhecimento passaram a ser a matéria-prima, fonte propulsora de mais tecnologias
que geram e processam mais informações, levando a desdobramentos diretos no
aumento do poder econômico e social de quem as detém.
Com desenvolvimento das TIC e de uma rede de comunicação mundial de
computadores, de alta velocidade, temos uma interconexão global que promove o
rompimento das barreiras geográficas e temporais transformando a vida e a cultura
de seus usuários. Na medida em que os sujeitos interagem entre si, trocando
informações e construindo conhecimentos, ocorre uma miscigenação entre as
culturas, que passam a ser conhecidas entre seus participantes e depois sofrem um
processo de desconstrução para serem reconstruídas com uma visão mais
abrangente, Belloni (1999, p. 3) argumenta que:
24
O contato, ainda que mediatizado, dos indivíduos com eventos e
ideias existentes em outras culturas tem um efeito de
descontextualização (com relação ao mundo local vivido) e de
recontextualização num mundo globalizado que, embora
tecnicamente virtual, fornece-lhes novos parâmetros para
compreender seu contexto local. (BELLONI, 1999, p. 3)
É na construção desses novos parâmetros de compreensão do contexto local
e globalizado que a sociedade encontra em um estágio de reformulação, que cria
novos cenários envolvendo todas as atividades humanas.
No âmbito do trabalho, uma nova organização passa a existir, a qual substitui
uma hierarquia vertical de poder por uma hierarquia horizontal, onde conhecimento,
inovação, trabalho em grupo e velocidade de atualização são pontos fundamentais
nas relações. Porém, para que esses pontos sejam conquistados, o próprio homem
tem que se transformar. Tedesco (2006), Gadotti (2000) e Belloni (1999) afirmam
que o indivíduo capaz de incorporar-se a essa nova organização de trabalho e a
essa sociedade deverá ser capaz de: (a) estabelecer comunicações com eficiência
nas várias linguagens; (b) ter disciplina para o trabalho; (c) possuir adaptabilidade e
flexibilidade para resolver problemas; (d) ser autônomo e independente; (e) buscar
por si próprio o aprendizado necessário e (f) saber trabalhar em grupo de forma
colaborativa.
Diante desse panorama, a educação configura-se como uma área de
fundamental importância, demandando a revisão e reconstrução de seus
paradigmas, para que se possam articular as mudanças nos papéis do aluno e do
professor nas formas de interação, na relação espaço/tempo e no acesso e uso de
recursos tecnológicos. Para Coll, Mauri e Onrubia (2010b, p. 68)
Neste cenário, a educação adquire uma nova dimensão: transformase no motor fundamental do desenvolvimento econômico e social.
Tradicionalmente, a educação tem sido considerada uma prioridade
das políticas culturais, de bem-estar social e equidade. Junto com as
TIC, na SI, a educação e a formação passam a ser uma prioridade
estratégica para as políticas de desenvolvimento, com tudo que isso
representa.
25
Nesse sentido, as TIC atuam na educação de forma antes não imaginada,
pois possibilitam, entre outros aspectos:
a) A abertura de novos espaços para a construção de conhecimentos. Esses
novos espaços se formaram dentro das próprias casas, escolas, empresas,
organizações não governamentais (ONG), igrejas e associações; podem ser
na forma de comunidades virtuais (CV) 1 ou Comunidades Virtuais de
Aprendizagem (CVA)2
b) O estudo de concepções pedagógicas que revejam as formas de ensinar e
aprender e uma revisão sobre o papel do professor, do aluno, da comunidade
e da escola.
c) A concepção de espaço/tempo e a aprendizagem como um processo
permanente ao longo da vida (Life Long Learning).
1.2
Comunidades Virtuais
As comunidades virtuais (CV) agregam pessoas que têm interesses em
comum e que constroem no ciberespaço um local para dividir, discutir e cultivar
esses interesses, criando entre eles uma rede de relações sociais que tem suas
próprias regras. Essas comunidades foram crescendo em quantidade e variedade, já
que uma pessoa pode se agregar a quantas desejar.
Segundo Coll, Mauri e Onrubia. (2010b), quatro fatores são importantes para
entender o porquê das CV tornarem-se centros de interesse, principalmente quando
pensamos em educação:
1º Importância concedida ao conhecimento e a aprendizagem: é fato que a
informação e o conhecimento tornaram-se a matéria-prima, o ponto chave
do desenvolvimento da Sociedade da Informação (SI), simplesmente porque
eles afetam todas as áreas de atividades humanas, a vida social, o trabalho
e a educação.
1
Segundo Rheingold (2005 apud LALUEZA; CRESPO; CAMPIS, 2010, p. 59) “as Comunidades
Virtuais são congregações sociais que emergem da internet quando suficientes pessoas se mantêm
em uma discussão pública, durante tempo suficiente para estrabelecer redes de relações pessoais no
ciberespaço”
2
As Comunidade Virtuais de Aprendizagem (CVA) ‘”estabelecem como objetivo explícito a
aprendizagem cujos membros desenvolvem estratégias, planos, atividades e papéis específicos para
alcançar tal objetivo. (COLL; BUSTOS; ENGEL, 2010a, p. 276).
26
2º Importância dos fatores contextuais, sociais, culturais, relacionais e
colaborativos nos processos de aprendizagem: com o uso das TIC e, em
especial, com a utilização da rede mundial de computadores, as relações
estabelecidas entre os usuários tecem uma rede de colaboração que alteram
a forma de ver, perceber e construir os conhecimentos (aprender). Nesse
sentido, de acordo com Coll, Bustos e Engel (2010a), é no construtivismo de
orientação sociocultural onde se vai encontrar a base para vários enfoques
de teorias de aprendizagem.
3º Acelerado desenvolvimento das TIC: o crescimento e a utilização das TIC
chegam a um ponto tal que se torna praticamente impossível pensar nas
atividades humanas sem que elas estejam presentes. Muitas vezes, já estão
de tal forma incorporadas ao processo, que se tornam invisíveis, ubíquas.
Todo esse desenvolvimento atinge diretamente a educação com novas
formas de pensar, conhecer e construir o conhecimento.
4º Transformação e qualificação dos sistemas educacionais e escolares e
das escolas: o desenvolvimento das comunidades virtuais propicia meios de
discussão sobre os métodos de aprendizagem, os papéis dos atores
envolvidos nesse processo, os conteúdos e objetivos do que se quer ou se
pode aprender, modificando e reciclando os paradigmas da educação
formal.
As CV podem ser de vários tipos, porém quando essas utilizam os recursos
tecnológicos para promover a comunicação entre seus membros e para estabelecer
planos e estratégias para a aprendizagem de conteúdos específicos, isto é, têm foco
na aprendizagem, no exercício da ação educacional intencional, elas passam a
receber a denominação de Comunidade Virtual de Aprendizagem (CVA).
Os recursos tecnológicos trabalhados em forma de “pacotes” de programas
computacionais, capazes de favorecer a obtenção dos objetivos de uma CVA,
formam sistemas complexos que permitem a comunicação, o planejamento, o
registro, o acompanhamento de ações, a manipulação e arquivamento de dados,
constituindo-se em plataformas de aprendizagem on-line. Essas plataformas passam
a ser conhecidas como Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA).
27
1.3 Ambientes Virtuais de Aprendizagem
Para administrar e manter uma CVA, é necessária a utilização de um sistema
de gerenciamento de conteúdo, ou sistema de administração de aprendizagem.
Esses sistemas, ou plataformas, receberam denominações tais como: Ambientes
Digitais de Aprendizagem, Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), LSM
(Learning Management System), CMS (Course Management System ou Content
Management System). Eles são ambientes que tiveram seu princípio baseados na
WEB3 e, de acordo com Araújo (2003), as estratégias que os nortearam foram as de
incorporar elementos que permitissem: a comunicação (como correio eletrônico e
fórum de discussão); o gerenciamento de arquivos e cópias de segurança; os
elementos de atividades educacionais com módulos para conteúdos e a avaliação e
os elementos para administração acadêmica.
Inicialmente os professores e os alunos utilizaram os AVA como um espaço
para que pudessem depositar e ter acesso aos materiais em formato digital (textos,
questionários,
exercícios,
entre
outros).
Materiais
esses
que
ajudam
no
desenvolvimento dos conteúdos ministrados nas disciplinas. A utilização desses
recursos já promoveu uma mudança de atitudes e de ideias.
O AVA, mais que um local para repositório de materiais didáticos digitais, foi
idealizado e construído com uma concepção muito abrangente. Essa concepção
envolve desde a administração e controle escolar, passando pela comunicação
assíncrona e síncrona entre os participantes do processo educativo, chegando até a
ser considerado uma ferramenta de apoio didático que colabora com a construção
do conhecimento desejado. Segundo Almeida (2003, p. 331), pode-se conceituar o
AVA como:
Ambientes digitais de aprendizagem: sistemas computacionais
disponíveis na internet, destinados ao suporte de atividades
mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação. Permitem
integrar múltiplas mídias, linguagens e recursos, apresentam
3
Castells (1999, p. 87) “Um novo salto tecnológico permitiu a difusão da internet na sociedade em
geral: a criação de um novo aplicativo, a teia mundial (word wid web –www), que organizava o teor
dos sítios da internet por informação, e não por localização, oferecendo aos usuários um sistema de
fácil de pesquisa para procurar informações desejadas.A invenção da WWWdeu-se na Europa, 1990,
no Centre Européen pour Recherche Nucleaire (CERN) ,em Genebra, um dos principais centros de
pesquisa do mundo. Foi inventada por um grupo de pesquisadores do CERN, chefiados por Tim
Berners Lee e Robert Cailliau.
28
informações de maneira organizada, desenvolvem interações entre
pessoas e objetos de conhecimento, elaboram e socializam
produções tendo em vista atingir determinados objetivos. As
atividades se desenvolvem no tempo, ritmo de trabalho e espaço em
que cada participante se localiza, de acordo com uma
intencionalidade explícita e um planejamento prévio denominado
design educacional, o qual constitui a espinha dorsal das atividades a
realizar, sendo revisto e reelaborado continuamente no andamento
da atividade. (ALMEIDA, 2003, p. 331)
Como um AVA oportuniza a possibilidade de múltiplos usos, é fundamental
que cada usuário, de acordo com o seu papel, perceba essa dimensão e aproprie-se
dessas possibilidades para
construir o relacionamento adequado
visando à
obtenção dos resultados particularmente desejados.
Conhecer e utilizar todas as possibilidades disponíveis em um AVA é uma
tarefa complexa, já que cada usuário tem desejos e expectativas variados, embora o
objetivo geral seja a construção de conhecimentos e saberes entre seus integrantes.
Para Silva (2006, p. 64), “O ambiente virtual de aprendizagem é a sala de
aula online. É composto de interfaces ou ferramentas decisivas para a construção da
interatividade e aprendizagem”; e a interatividade, ainda segundo o autor, é
entendida como “participação colaborativa, bidirecional e dialógica, além das
conexões e teias abertas como elos que traçam a trama das relações”. É, portanto,
um ambiente com recursos que provocam a construção do conhecimento por meio
da colaboração de seus integrantes, com liberdade adequada para fazer as
descobertas e representações; com elementos que propiciem a comunicação, o
diálogo, a troca de informações de forma síncrona ou assíncrona gerando uma rede
de relações de grandes proporções.
Um AVA oferece recursos básicos que proporcionam a administração dos
conteúdos e dos dados adquiridos durante o processo de aprendizagem, a
comunicação síncrona4 e assíncrona entre seus participantes e ferramentas capazes
de contribuir para o projeto pedagógico escolhido pela comunidade. Para Tori
4
Termo utilizado em educação a distância para caracterizar a comunicação que ocorre exatamente
ao mesmo tempo, simultânea. Dessa forma, as mensagens emitidas por uma pessoa são
imediatamente recebidas e respondidas por outras pessoas. Exemplos: ensino presencial,
conferências telefônicas e videoconferências. É o oposto de comunicação assíncrona. Disponível em:
<http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=202>. Acesso em: 12 set. 2011.
29
(2010), os principais recursos oferecidos pelos AVA vão abranger o gerenciamento
de cursos e/ou disciplinas, controle dos atores envolvidos no processo, avaliações
do curso e dos discentes, senhas de acesso, a hierarquia dessas senhas, espaços
para armazenamento, acesso e usos dos materiais didáticos; meios que permitam a
comunicação (correio eletrônico, mensagens instantâneas, salas de bate-papo,
fóruns de discussão, quadros de avisos; recursos para compartilhamento de
arquivos e telas); por fim, recursos que possibilitem uma avaliação versátil com a
produção, a aplicação e a correção de testes de múltiplas escolhas, dissertativos ou
mistos. Os testes podem ser configurados no seu tempo de aplicação, na sua
correção, nos feedbacks automáticos e na forma de apresentação das questões
para cada discente.
É importante perceber que esse ambiente, pelo fato de ter tantos recursos e a
sua base de trabalho ser dentro da rede mundial de computadores, oferece muitas
vantagens, tais como: utilização de várias mídias (vídeos, animações, objetos de
aprendizagem, som, gráficos, textos, hipertextos, jogos, entre outros) que ativam o
nosso sistema sensorial que é o responsável pela interpretação das coisas do
mundo, possibilitando várias formas de aprendizagem, pois propiciam também ao
professor formador escolher uma estratégia pedagógica que incentivará o discente a
ser um pesquisador, um explorador, na verdade, um coautor na construção de sua
aprendizagem.
O AVA vai oferecer os recursos, mas, como argumentamos anteriormente,
será a ação do professor responsável pelo curso e pela disciplina que fará a
diferença. Pois, caberá a ele compreender a infinidade de variáveis nessa equação a
fim de definir qual ou quais será/serão os caminhos capazes de coordená-las para
alcançar os objetivos desejados. Essas variáveis vão desde o entendimento do
contexto social (local e o desenvolvimento social da comunidade, aparato físico
disponível, velocidade de acesso à rede, largura da banda), bem como o
conhecimento sobre os discentes, sobre o conteúdo a ser ministrado, e quais as
estratégias pedagógicas que poderão ser adotadas para potencializar os recursos
que o AVA oferece. Para Silva (2006, p. 57), o professor deve disponibilizar, ou seja,
“arrumar conteúdos de aprendizagem de modo a promover, ensejar, urdir, arquitetar
novas teias de possibilidades”. Ainda segundo Silva (2006, p. 57)
30
Aprendi, em suma, que disponibilizar em sala de aula online significa
basicamente três investimentos:
•
Oferecer múltiplas informações (em imagens sons, textos etc.)
sabendo que as tecnologias digitais utilizadas de modo
interativo potencializam consideravelmente ações que resultam
em conhecimento.
•
Ensejar (oferecer ocasião de...) e urdir (dispor entrelaçados
fios da teia, enredar) múltiplos percursos para conexões e
expressões com que os alunos possam contar no ato de
manipular as informações e percorrer caminhos arquitetados.
•
Estimular os aprendizes a contribuir com novas informações e
a criar e oferecer mais e melhores percursos, participando
como coautores do processo. (SILVA, 2006, p. 57)
A partir dessas ideias, podemos perceber que, embora o uso dos AVA seja
predominante na educação a distância, ele pode e é usado nos cursos presenciais
de forma mista, isto é, o curso pode oferecer disciplinas a distância ou oferecer uma
percentagem das disciplinas presenciais a distância. Essa possibilidade tornou-se
um ganho para o ato de proporcionar caminhos para aprendizagem.
Existe grande número de softwares educacionais. Alguns podem ser
comprados e ter suas licenças de uso renovadas anualmente e outros são
distribuídos de forma gratuita e tem o seu sistema aberto. Ter o sistema aberto
significa que pode ser alterado de acordo com as necessidades da entidade que vai
utilizá-lo. A escolha de um AVA levará em conta diversos fatores: a adequação aos
objetivos, o custo, a facilidade de gerenciamento/administração e a diversidade de
recursos pedagógicos. Dentre os AVA mais conhecidos no Brasil, citamos o
TELEDUC, o MOODLE, o AMADEUS, o COL e o AE, entre outros.
Para esta dissertação, estudamos o MOODLE (Modular Object-oriented
Dynamic Learning Environment), que é o AVA utilizado na instituição que comporta o
estudo de caso realizado nesta pesquisa.
31
1.4 MOODLE.
O MOODLE é uma plataforma LSM (Learning Management System), cujo
sistema de gerenciamento de conteúdo e aprendizagem foi concebido por Martin
Dougiamas como parte de sua tese de doutorado e para o qual utilizou, na sua
concepção, conceitos pedagógicos relacionados ao construcionismo,e a sua
distribuição é na forma de software livre. Segundo Dougiamas e Taylor (2009)
Moodle foi desenhado para ser compatível, flexível e fácil de
modificar. Foi escrito com uma popular e poderosa linguagem PHP,
que roda em qualquer plataforma de computador com um mínimo de
esforço, permitindo aos professores criar seus próprios servidores
usando suas máquinas de desktop.
Em função dessas características, o MOODLE passou a ser usado por
instituições de ensino particulares e públicas, por ONG, empresas e pelos
professores em diversas partes do mundo. Esse fato somado ao código aberto
(sistema de programação acessível) proporciona um constante desenvolvimento de
suas ferramentas, de suas interfaces e de seus recursos pedagógicos.
É amplo o número de elementos, ferramentas e recursos que compõem o
MOODLE e ainda mais amplas são as combinações que se pode obter entre esses.
É com essa riqueza de possibilidades que o professor (com sua equipe, em alguns
casos) planeja o curso/disciplina. Nesse momento, não é objetivo explorar todo o
potencial do MOODLE com suas ferramentas, seus recursos e suas múltiplas
combinações. Por essa razão, a seguir apresentamos os elementos dessa
plataforma que são importantes para dar continuidade e melhor entendimento da
pesquisa descrita nesta dissertação.
Nossa pesquisa buscou analisar como a utilização de uma linguagem gráficovisual contribui na interação da Sala de Aula Virtual (SAV). Para que possamos
buscar as respostas dessa análise, temos que conhecer as interfaces que o
MOODLE
oferece
e
como
elas
podem
ser
modificadas,
isto
é,
que
recursos/ferramentas são oferecidos por esse AVA para que ocorra a modificação
pretendida pelo professor e/ou pela equipe responsável pelo curso.
32
A interface inicial do MOODLE apresenta-se dividida em três colunas. Essas
três colunas são espaços que oferecem aos usuários a ideia geral da organização
visual dos cursos. Elas são personalizadas de acordo com os objetivos das
entidades que oferecem o(s) curso(s). É pertinente destacar que esse ambiente
pode ser utilizado por uma variada gama de entidades, como por exemplo,
empresas, ONG, escolas, universidades, faculdades e institutos de educação, bem
como o professor enquanto pessoa física (independente da entidade/empresa a que
este esteja vinculado). Vejamos, na Figura 1, o exemplo da interface inicial do
Moodle com as três colunas destacadas.
Figura 1 – Tela inicial do MOODLE que Pertence a Instituição Federal de Ensino
Superior que Autorizou esta Pesquisa
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
As três colunas são dotadas de caixas que contêm os recursos necessários
para administrar, comunicar e organizar as atividades didático/pedagógicas do
curso/disciplina.
Nas colunas 1 e 3, encontramos os recursos administrativos, acesso de
usuário, indicação de mensagens, calendário, atividades (fóruns, chats, pesquisas,
questionários), conforme observados na Figura 2.
33
Figura 2 – Colunas 1 e 3 do Ambiente MOODLE
Coluna 1
Coluna 3
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
A coluna 2, ou seja, a coluna central é a mais larga e contém faixas que
correspondem aos cursos/disciplinas. Cada curso/disciplina será ministrado por um
professor que escolhe e organiza os conteúdos programáticos de acordo com as
estratégias pedagógicas por ele traçadas, utilizando os recursos e as ferramentas
que o ambiente oferece. Esse espaço é na realidade o espaço de comunicação e
convivência entre professores, tutores e discentes, e por essas características,
34
doravante o denominaremos de Sala de Aula Virtual (SAV). Cada SVA é, por
essência, diferente de qualquer outra em função de suas particularidades:
conteúdos, usuários e interface gráfica. A interface gráfica segundo Johnson (2011,
p.17) é: “Em seu sentido mais simples, a palavra se refere a softwares que dão
forma à interação entre usuário e computador. A interface atua como uma espécie
de tradutor, mediando entre as duas partes, tornando uma sensível a outra.”
O objeto de estudo dessa dissertação focou a 2ª coluna, mais propriamente
nas SAV e sua interface gráfica. Entendendo que essa interface tem o papel de
mediadora entre os usuários, é também o primeiro contato do discente com o
curso/disciplina, com as ideias e os conteúdos com os quais professor irá trabalhar.
Nesse contexto, ela é um elo de grande relevância na interação entre usuários
(discentes, docentes e tutores) e os conteúdos, tornando-se fundamental que ela
proporcione um ambiente em que o usuário a use com facilidade, que se informe e,
ao mesmo tempo, sinta-se instigado na busca por (mais) conhecimento. O seu
planejamento visual deve ser considerado requisito básico nesse processo de
mediação e interação.
Uma interface construída sem um planejamento visual adequado pode fazer
com que os seus usuários venham a cometer erros, demorem na escolha dos links
que devem acessar; sintam dificuldade em associar o que veem, ao que querem
apreender, tornem o ambiente cansativo, enfadonho e de difícil uso levando, muitas
vezes, a uma aversão; dificultando, assim, todo o processo de aprendizagem.
Em uma SAV o professor formador, os alunos e os tutores se conectam para
desenvolvimento dos conteúdos programáticos da disciplina e construção dos
conhecimentos pretendidos. Cabe ao professor, se possível, em conjunto com os
tutores e com a equipe interdisciplinar, planejar e organizar esse espaço com os
recursos oferecidos pelo AVA.
Para o instituto federal, objeto desta pesquisa, a coluna 2 (central) é dividida
em faixas que correspondem às SAV. Cada SAV é dividida em novas faixas que
correspondem às semanas letivas que o curso/disciplina terá para desenvolver o seu
conteúdo programático. A quantidade de semanas é determinada em função da
carga horária, dos conteúdos a serem construídos e do planejamento geral que o
35
curso tem. Em cada semana, os conteúdos são trabalhados por meio de recursos e
atividades pedagógicas, preparadas e disponibilizadas para os discentes.
Apresentaremos, a seguir, as semanas letivas de uma SAV em 5 (cinco)
momentos.
O 1º momento dá-se quando o professor recebe do grupo que administra o
curso, a sua SAV e estabelece, com esse grupo, a quantidade de semanas letivas
necessárias para o desenvolvimento da disciplina. Essas semanas letivas aparecem
na forma de faixas com a indicação do período de tempo indicado no canto superior.
No exemplo abaixo, Figura 3, mostramos três faixas/semanas que
correspondem:
•
ao período de 5 junho – 11 junho. Esta faixa se apresenta com o título
semana 7 e mais dois recursos disponibilizados (avaliação e Nota);
•
ao período de 12 junho -18 junho. Esta faixa se apresenta só com o
título semana 8;
•
ao período de 19 junho – 25 junho. Esta faixa se apresenta sem título
ou recursos disponibilizados.
Figura 3 – Três Faixas que Correspondem as Semanas Letivas (1º momento)
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
36
O 2º momento acontece quando o professor vai construir a sua SAV e para
tanto precisa que os comandos, recursos e atividades fiquem visíveis para que
possa manipulá-los.
Na Figura 4, o comando “ativar edição” foi acionado de forma a deixar visível
e disponível para uso todos os ícones que promovem as inclusões e alterações dos
recursos e das atividades.
Figura 4 – Ícones de Inclusão e Alteração Ativados (2º momento)
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
No 3º momento, conforme Figura 5, as caixas “Acrescentar Recursos” e
“Acrescentar Atividades“ estão abertas mostrando as possibilidades que o MOODLE
oferece para trabalhar o conteúdo programático. A escolha e o uso desses recursos
e atividades dependem da estratégia pedagógica pela qual o professor optar.
Nesse momento, o professor define as atividades que envolvem:
a) As comunicações síncronas ou assíncronas, tais como salas de batepapo (chats) e fóruns de discussão;
b) As tarefas (questionários, pesquisas, envio de arquivo);
37
c) E a interface de sua SAV, ou seja, como ela visualmente se apresentará
aos usuários.
Figura 5 – Conteúdos das Caixas: Acrescentar Recurso e Acrescentar Atividade
(3º momento)
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
O 4º momento, Figura 6, apresenta uma semana letiva da SAV, com os seus
recursos e suas atividades já inclusos. Porém, como pode ser observado, a interface
da SAV demonstra que poucos recursos de um planejamento gráfico-visual foram
adotados.
A interface está composta pelos itens: (a) Período de tempo da semana letiva;
(b) Títulos da semana; (c) Texto de apresentação; (d) Links que acessam recursos e
atividades.
O titulo da semana e o texto de apresentação, por exemplo, têm a mesma
tipografia com o mesmo tamanho. Diferenciamos um do outro por duas situações:
(1) uma das frases que compõe o título está em negrito; (2) o espaçamento entre o
bloco de títulos e texto de apresentação.
38
Observamos que o bloco de links apresenta a mesma tipografia e mesmo
tamanho, porém a adoção desses recursos visuais, tais como os ícones coloridos e
a cor azul para a tipografia, valoriza a comunicação. Esse bloco, quando comparado
aos dois anteriores, permite uma pequena demonstração de como os recursos
visuais são importantes para uma melhor comunicação. No entanto, a utilização
dessa pequena demonstração de recursos visuais não é mérito do professor que
planejou a SAV, pois essa forma é um parâmetro definido pelo próprio MOODLE.
Figura 6 – Semana Letiva com Recurso e Atividades já Inclusos (4º momento)
Fonte: MOODLE-UFPE, 2011.
Para o 5º momento, Figura 7, apresentamos uma semana letiva que teve a
sua interface gráfica planejada gráfico-visualmente com o uso de critérios
ergonômicos de usabilidade e da linguagem gráfico-visual.
O título inicial foi trabalhado em forma de uma imagem composta de figuras
(fotos e desenhos), tipografias, cores e os princípios de composição (contraste e
alinhamento).
39
Os subtítulos foram trabalhados com o uso de tipografia, tamanho da fonte,
negrito e cor. O objetivo desses subtítulos é formar grupos de links que guardassem
entre si uma afinidade com a função descrita no título.
Os links estão com um alinhamento diferente dos títulos provocando dessa
forma uma hierarquia entre eles.
Figura 7– Semana Letiva com Planejamento Gráfico-Visual ( 5º momento)
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
Enfatizamos que o MOODLE é o ambiente que serve como elo de
comunicação e interação entre seus usuários e os conteúdos a serem discutidos e
apreendidos. Para tanto, é necessário compreender essas suas potencialidades e
desenvolvê-las. Esse ambiente pertence ao mundo virtual que naturalmente utiliza a
linguagem gráfico-visual para estabelecer uma comunicação eficiente. Por esse
motivo, é fundamental que a SAV tenha sua interface planejada grafico-visualmente,
e que a equipe gestora tenha um profissional que conheça e utilize os fundamentos
40
da linguagem gráfico-visual e as heurísticas/critérios ergonômicos de usabilidade
para apoiar o professor na construção dessa interface, ou ainda, que o professor
tenha esses fundamentos para planejar e executar essa interface gráfica.
41
2
LINGUAGEM
GRÁFICO-VISUAL
APRENDIZAGEM
EM
AMBIENTES
VIRTUAIS
DE
42
Neste capítulo, discutimos a importância da imagem na atualidade,
conceituamos e caracterizamos a linguagem gráfico-visual, seus elementos e
princípios de composição. Conhecemos, ainda, o conceito de usabilidade e os
critérios ergonômicos/heurísticas de usabilidade para se construir uma interface. Por
fim, refletimos sobre como a aplicação da linguagem gráfico-visual, no planejamento
visual da interface gráfica da SAV, une-se aos critérios ergonômicos de usabilidade
para funcionar como um instrumento facilitador na interação do estudante com o
AVA.
2.1
Imagem e suas Linguagens
Vivemos em um mundo repleto de imagens, que são construídas e
consumidas de acordo com necessidades e objetivos de pessoas ou de grupos
sociais, portanto é comum ouvir que vivemos na “civilização da imagem”, termo que,
segundo Aumont (1993, p. 8), “revela bem o sentimento de se viver em um mundo
onde as imagens são cada vez mais diversificadas e mais intercambiáveis”. Já Joly
(1996, p. 10), argumenta que “A utilização de imagens se generaliza e,
contemplando-as ou fabricando-as, todos os dias, somos levados a utilizá-las,
decifrá-las, interpretá-las.”. As duas sentenças nos revelam a força, relevância que a
imagem exerce nessa fase que a civilização atravessa, onde o mundo se integra por
meio das redes digitais e que por sua vez faz da imagem o elo dessa ligação.
Vale salientar, no entanto, que a palavra Imagem possui um grande número
de significados. Vamos nos deter aqui ao sentido que nos levará à imagem visual,
representação visual das coisas do mundo. Um dos significados mais antigos,
considerava que as imagens eram as sombras e o reflexo em águas ou em
superfícies opacas, isto é, alguma coisa é representada por meio de alguma lei (por
exemplo, a projeção) sobre uma superfície ou substrato,. Na atualidade,
consideramos que a imagem pode ser o desenho, a gravura, a pintura, a fotografia
e/ou a própria imagem em movimento (cinema). Unimos o sentido da imagem a seu
substrato, ao suporte em que ela é apresentada, paredes (de cavernas ou de
igrejas), papel ou telas (quadro, fotografias, revistas e jornais) e o meio digital (telas
digitais, TVs, computadores, celulares, entre outros). Essas imagens são
interpretadas de forma diferenciada pelas pessoas. Mesmo que todas elas utilizem o
aparato físico do corpo (olhos, retina, cones, bastonetes, nervos óticos) para vê-las,
43
é necessário considerar vários aspectos sociais relativos a essas pessoas, conforme
nos coloca Aumont (1993) no que se refere a esses espectadores:
Esse sujeito não é de definição simples, e muitas determinações
diferentes, até contraditórias, intervêm em sua relação com uma
imagem: além da capacidade perceptiva, entram em jogo, os afetos,
as crenças, que, por sua vez, são muito modelados pela vinculação a
uma região da história (a uma classe social, a uma época, a uma
cultura).
Já Dondis (1991, p.18), corrobora com essa ideia argumentando que:
aprendemos a informação visual de muitas maneiras. A percepção e
as forças cinestésicas, de natureza psicológica, são de importância
fundamental para o processo visual [...]. O modo como encaramos o
mundo quase sempre afeta aquilo que vemos. O processo é, afinal,
muito individual para cada um de nós.
De forma análoga, a sua interpretação vai depender do sujeito que a
interpreta e do espaço/tempo em que ela se apresenta. A construção de uma
imagem vai ter que considerar os objetivos que se quer alcançar, seja como um
pedido de ajuda aos deuses, como um meio de demonstrar riqueza, grandeza e
dominação, seja para vender ideias e produtos ou ainda como um apelo estético Em
outras palavras, a imagem guarda em si funções que estabelecem, garantem a
relação do sujeito com o mundo visual, que ainda segundo Aumont (1993, p. 81)
“.essa relação é essencial para a nossa atividade intelectual: o papel da imagem é
permitir que essa relação seja aperfeiçoada e mais bem dominada.”
A imagem torna-se o alimento dessa relação sujeito-espectador com o mundo
ao mesmo tempo em que ela, a imagem, se alimenta dessa mesma relação. Nessa
condição de consumidor e produtor, as imagens são elaboradas em conjunto com
outras faculdades sensoriais (auditivas, táteis, gustativas e olfativas). Assim, desde a
era das cavernas até a era das redes digitais, o consumo de imagens processadas
vem aumentando. .
Considerando que as imagens são nossa janela-espelho para o mundo,
segundo Benjamin (1987), o homem sempre tentou copiá-las por meio de técnicas
44
de reprodução e assim passamos da valorização da obra de arte por nobres e
burgueses à reprodutibilidade das imagens graças à evolução das técnicas
possíveis de reprodução, a imagem evoluiu em modos de representação e
significação.
A imagem se tornou uma disciplina do conhecimento (AUMONT, 1993), e as
técnicas de reprodução da imagem evoluíram e causaram, consequentemente, uma
maior aproximação de diversas categorias e tipos de imagens com a humanidade.
Como por exemplo, a fotografia que reproduzia em escala industrial as obras de
arte, antes só apreciadas em museus ou nas paredes de casas nobres. Ainda
segundo Benjamin (1987) a obra de arte, aqui, perdia sua “aura”. O que perdeu em
“aura” ganhou em possibilidades de disseminação da informação e a imagem
tornou-se um forte elemento da comunicação e da cultura das massas.
Aumont (1993) ainda complementa que todos esses estudos em torno dos
processos externos são concernentes ao visível – o aparelho perceptivo e suas
reações à luz. O importante, para que entendamos o papel geral da imagem, é
entender como a percepção humana organiza esse visual, especificamente, como
usuários organizam imagens processadas graficamente para a Web na área
específica da Educação a Distância.
Para entender o papel e a importância geral da imagem, é fundamental
transcorrer sobre os valores e as funções em relação ao espectador/usuário na
produção constante de representações simbólicas com o real. Arnheim (1989)
sugere a seguinte divisão:
a) Representativo.- Aqui o concreto é representado com “um nível de
abstração inferior aos da própria imagem”;
b) Simbólico.-
Representa coisas abstratas
e possui “um nível de
abstração superior aos da própria imagem” e aqui os níveis de aceitação
social definem pragmaticamente os símbolos representados (AUMONT,
1993)
c)
45
d) Sígnico -. Acontece quando representa um determinado conteúdo que
não reflete visualmente a coisa.
Ao expor os valores da imagem podemos,
então, perceber as suas funções, segundo Aumont (1993):
a) Simbólica- Remontam à Pré-história, às representações das primeiras
estátuas gregas e aos símbolos religiosos como ídolos, tanto em imagens
figurativas (Buda, Cristo) ou simplesmente simbólicas (cruz, suástica);
b) Epistêmica-. O valor informativo variado sobre o mundo aparece aqui com
toda sua carga de conhecimento. “....foi consideravelmente desenvolvida
e ampliada no início da era moderna, com o aparecimento de gêneros
‘documentários’ como a paisagem e a fotografia.”;
c) Estética.- Estimula o “gosto” do espectador da imagem e aciona
determinadas sensações. Ainda muito ligada à questão da arte, a
aesthésis se confunde muito com o que é artístico, principalmente na
construção e exibição publicitária.
Expostos os valores e funções da imagem, podemos trabalhar com a
construção
do
aprendizado.
Essa
construção
consiste
em
estabelecer
procedimentos que padronizam a leitura dessas imagens de modo que resulte na
identificação das informações ali elaboradas. No caso das imagens visuais, significa
propiciar a medida adequada de contraste entre o contexto da comunicação (a
dimensão de familiaridade) e a informação que dali se sobressai (a dimensão de
novidade). Desse modo, há uma maior probabilidade que a comunicação ocorra com
sucesso.
O cérebro humano funciona interpretando os conjuntos de estímulos –
perceptos – que chegam aos neurônios mediante os órgãos do sentido, e seu
processo de interpretação considera três dimensões cíclicas e simultâneas
(PIERCE, 1975), e que apenas por questões didáticas podemos descrever em
linearidade ordinal:
46
• A interpretação emocional, aquela que busca filtrar e congregar num conjunto
organizado os estímulos sensoriais;
• A interpretação energética, que desencadeia a reação corpórea capaz de
desenvolver associações entre as emoções conjugadas e a memória de
significados e valores oriundos de experiências anteriores;
• A interpretação racional, aquela que reelabora o conjunto de imagens
inicialmente captadas em uma nova imagem capaz de ser materialmente
expressa e compartilhada com outros cérebros.
Tudo acontece tão rapidamente que, em geral, reagimos instintivamente, mas
logo somos capazes de absorver e reproduzir novas imagens visuais, segundo
regras de linguagem compositiva, regras essas que aprendemos durante a nossa
vida.
O nosso momento tecnológico é, de certo modo, privilegiado em termos de
produção de imagens audiovisuais, se comparado às realizações imagéticas 5 de
nossa história precedente. Hoje, podemos associar e conjugar elementos
multissensoriais para transmitir uma mensagem com determinada exatidão
desejada, conforme Santos (2003, p. 7) esclarece:
O sujeito pós-moderno vive essa intensidade num cotidiano saturado
de imagens distribuídas tanto nas ruas da cidade através de letreiros,
placas, outdoor quanto pelos meios de comunicação e informação de
massa, que distribui e erradia signos diversos, bem como nos
chamados meios de comunicação interativos, que permitem
adentramentos e manipulação de signos, a exemplo dos jogos
eletrônicos, games, rede de internet.
A construção do conhecimento e, por conseguinte, o sucesso do aprendizado
depende da utilização de um arsenal expressivo capaz de desencadear o
nascimento de novas linguagens, novos recursos de codificação e apreensão, novos
modos de pensar e agir no mundo. Freitag (apud ROUANET, 2005) defende que a
capacidade cognitiva humana supera os seus desafios de acordo com a inovação de
repertórios. Esses repertórios fazem parte da vida por meio da ética e pela moral
5
Imagético é tudo aquilo relativo à produção de imagens ,tais como, imagem em movimento
(cinema) , a produção de catazes ,entre outros.
47
que guiam os movimentos de emancipação e das ações humanas. Isso tudo
proporciona oportunidades para uma nova realidade comunicativa que parece
promissora para a aprendizagem no campo da educação.
É da natureza das preocupações educacionais que os resultados pragmáticos
dos ambientes didáticos garantam a identificação das informações que fazem parte
dos conteúdos ministrados. A intenção é ver transformadas as pessoas em
indivíduos mais conscientes de suas próprias habilidades para agir no mundo. Essas
habilidades são construídas mediante o desejo básico de todo processo
comunicativo que é o de menor esforço para melhores resultados.
Nesse contexto, encontramos a linguagem gráfico-visual, composta de seus
elementos básicos e princípios de composição, como parceira profícua no trabalho
por melhores e mais viáveis condições de aprendizado. A aplicação dessa
linguagem em conjunto com os princípios de usabilidade (heurísticas e critérios
ergonômicos) no meio digital e educacional proporciona um caminho eficiente na
busca pela construção do conhecimento.
Os recursos de educação a distância por meio de sistemas digitais que
possibilitam a organização pedagógica de diversos objetos de aprendizagem podem
valer-se e enriquecer-se com a adequada aplicação dos princípios da linguagem
gráfico-visual. O uso dessa linguagem na conformação das mensagens e na
estruturação de ambientes didáticos os deixa mais atrativos e funcionais para os
indivíduos. Apresentamos a linguagem gráfico-visual, seus elementos básicos, os
princípios da composição visual, a usabilidade e suas heurísticas e critérios
ergonômicos.
2.2
Linguagem Gráfico-Visual
Construímos uma mensagem visual utilizando seus elementos: cores, formas
(tipografias, imagens) e texturas; relacionamos esses elementos entre si, isto é,
compomos visualmente a mensagem, para que ela produza o grau de significação
desejado para o público escolhido. Para Dondis (1991) se a composição da
mensagem for bem-sucedida, o seu receptor a entenderá de forma clara, porém no
48
processo inverso, a mensagem terá um sentido ambíguo e deixará o seu receptor
confuso, não atingindo o objetivo pretendido.
Para que possamos alcançar o objetivo de uma mensagem visual, isto é, a
interação entre o propósito e a composição, é necessário que conheçamos ou
reconheçamos os três níveis em que os dados visuais se apresentam; o
representacional, o simbólico e o abstrato.
O nível representacional que vai ter relação com o real, a realidade, aquilo
que vemos e vivenciamos no nosso meio ambiente. O nível simbólico pode ser tudo
aquilo que criamos e reconhecemos como símbolos. Esses símbolos podem ser
uma imagem que será simplificada no menor número de linhas e formas sem perder
sua unidade de informação inicial, pode ser um conjunto complexo de elementos,
onde esses elementos terão um sentido atribuído a cada um; um exemplo é o da
linguagem alfabética ou dos números. Para Dondis (1991, p. 91), “... para ser eficaz,
um símbolo não deve ser apenas visto e reconhecido; deve ser lembrado, e mesmo
reproduzido.”. Já o nível abstrato está ligado à composição das informações para
obter o sentido que se deseja dar à mensagem. Para Dondis (1991, p. 95), “Em
termos visuais, a abstração é uma simplificação que busca um significado mais
intenso e condensado”. Cabe a quem vai construir a mensagem visual ter o domínio
sobre a informação, seus dados representacionais e simbólicos, e trabalhar esses
dados compositivamente, isto é, trabalhar a relação entre forma e conteúdo, o nível
abstrato, para obter a resposta desejada do receptor da mensagem.
O código com o qual contamos para conformar essas mensagens visuais, nos
seus três níveis, é a linguagem gráfico-visual, um conjunto de leis e hábitos que
organiza tal conformação com base em três elementos próprios de sua natureza.
O nosso corpo conta com um aparato físico capaz de processar essa
linguagem como modo de comunicação. Para Araújo (2005), tal aparato corporal
tem três dimensões: a perceptiva (recepção dos estímulos visuais), a cognitiva
(processamento dos estímulos visuais), e a operativa (projeção de estímulos
visuais).
49
O primeiro conjunto de elementos visuais é o perceptivo: cor, iconografia
(figura) e sinestesia. O segundo conjunto é o cognitivo: eidos (fundamento), a
relação (espaço) e o processo (tempo). O terceiro grupo de elementos é o operativo:
a ideia (problema/soluções), a técnica (instrumentos de intervenção espacial da
ideia) e o método (procedimentos de intervenção temporal da ideia).
No primeiro conjunto (perceptivo) o elemento cor é entendido como:
segmento de energia ondulatória que é captado por nossos olhos como cor pura,
que convencionalmente são sete (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e
violeta). Iconografia, outro elemento perceptivo, refere-se à compleição ou limite dos
objetos captados como unidade inteira e separados do resto do ambiente, também
chamado de fundo ou contexto. Sinestesia, no caso da linguagem gráfico-visual, é
resultante da percepção visual do que antes seria percebido por outros sentidos,
como sentir um cheiro de flor e lembrar-se da imagem de uma rosa, ou ouvir uma
música imaginando movimentos corporais. No caso de projeto visual, a sinestesia
visual será a busca inversa, provocar outros sentidos mediante a visualidade, como
por exemplo, a foto de um delicioso hambúrguer com refrigerante geladíssimo que
nos deixa com água na boca, despertando percepções gustativas.
No segundo conjunto (cognitivo), estamos lidando com o modo humano de
processar cerebralmente os estímulos visuais recebidos. Em um primeiro momento,
há pregnância de uma completude que se refere ao teor emocional da mensagem,
uma impressão geral que marca toda interpretação subsequente. Tal impressão é o
eidos6 ou fundamento da mensagem visual.
A partir dela, dá-se a etapa do discernimento espacial das partes da
mensagem: o que ela tem de cores, figuras e sinestesias distintas. Em seguida, a
concatenação temporal da mensagem, ou seja, qual o significado total na intenção
de combinar aquelas cores, figuras e sinestesias.
No terceiro conjunto (projetivo) é o momento em que devolvemos ao mundo
público aquilo que interpretamos e aprendemos com as mensagens visuais já vistas
6
Eidos .Eidos era um termo já bem enraizado e mesmo bastante sofisticado muito antes de ser
consagrado por Platão. O seu primeiro significado e o uso é corrente em Homero, é «aquilo que se
vê», «aparência», «forma», normalmente do corpo. Disponível em: <http://www.sophia.bemvindo.net/tiki-index.php?page=eidos>. Acesso em: 27 ago. 2011.
50
e estudadas. É como se, após aprender gramática (primeiro conjunto de elementos)
e lermos vários textos e livros (segundo conjunto), estivéssemos aptos a elaborar e
escrever (terceiro conjunto) nossas experiências em composições redacionais. A
primeira etapa projetiva é conceber com cuidado o problema que desejamos
transmitir e suas possíveis soluções formais, o par problema/solução é a ideia
básica do projeto. A etapa posterior é recorrer a técnicas (habilidades) de
conformação real dessas soluções. A etapa última é decidir que métodos (caminhos)
serão assumidos para controlar o tempo disponível para execução daquelas
técnicas que darão corpo físico à ideia inicialmente pensada.
Ao conformar uma mensagem visual para um determinado público e
principalmente com um determinado objetivo, estamos na realidade no campo do
projeto gráfico, isto é, planejamento gráfico-visual dessa mensagem.
Para que ocorra esse planejamento, faz-se necessário construir um repertório
de informações, imagens, cores, palavras, sons, texturas que estão ligados ao
conteúdo e ao público a que se destina. Temos ainda que ter domínio sobre os
elementos básicos desta linguagem gráfico-visual: tipografia, cor, iconografia. E,
paralelamente, conhecimento das regras básicas de composição visual, isto é, os
princípios de composição: proximidade, alinhamento, repetição e contraste.
2.3
Elementos Básicos da Linguagem Gráfico-Visual
2.3.1 Tipografia
É a partir do nascimento da imprensa na Europa, em 1456, que surge a grafia
escrita por meio dos tipos móveis7, isto é, a tipografia. De acordo com Pereira (2007,
p.4) tipografia “é um conjunto de caracteres – letras, algarismos e sinais –, seu
estilo, formato, tamanho e arranjo visual, que constituem a composição de textos,
usada num projeto tipográfico”. Pensar a tipografia é pensar no desenho da forma
desses caracteres, na composição visual da página que receberá esses caracteres e
no substrato que o receberá, páginas de papel ou páginas digitais, pois é na
composição tipográfica que as informações expressas terão seu sentido ratificado,
7
Tipo móvel- bloco fundido de metal (ou fabricado com outros materiais resistentes, como a madeira),
na forma de paralelepípedo, que traz relevo, numa das faces, uma letra ou qualquer outro sinal de
escrita (carácter) para ser reproduzido por meio de impressão. (BARBOSA; RABAÇA 2001, p. 726).
51
confirmado ou obscurecido e confuso. Isso acontece porque a construção do
entendimento dessa informação passa pelo uso dos sentidos, das percepções e
sensações. Para Bringhurtst (2005, p. 23), a tipografia “É um ofício por meio do qual
os significados de um texto (ou a sua ausência de significados) podem ser
clarificados, honrados e compartilhados ou conscientemente disfarçados”.
A forma visual da letra, fonte ou tipo, junto aos outros elementos visuais que
dão forma à página (impressa ou digital), deve ser escolhida com o cuidado de quem
quer ter a mensagem vinculada ao sentido que o emissor deseja. Embora se tenha a
clareza que uma mensagem ao ser recebida e interpretada pelo receptor, vários
fatores externos e internos irão influenciar nessa interpretação; a escolha coerente
de uma tipografia será uma variável a menos nessa equação da interpretação. Ainda
segundo Bringhurtst (2005, p. 29), “quando o tipo é mal escolhido, aquilo que as
palavras dizem linguisticamente e aquilo que as letras inferem visualmente fica
dissonante, desonesto e desafinado”. Escolher com adequação uma tipografia na
composição de uma mensagem visual é entender a mensagem, com seu objetivo e
estrutura; é buscar entender o receptor, o usuário e o contexto em que será usada.
No contexto de um ambiente virtual de aprendizagem, mais especificamente
no espaço destinado ao professor para desenvolver a sua disciplina, a Sala de Aula
Virtual (SAV), escolher adequadamente a ou as tipografias a serem usadas é
entender que o texto visual deve ser claro e objetivo de forma a facilitar e orientar a
ação dos seus usuários dentro da SAV. Porém, essa escolha deverá se basear em
todos os elementos que fazem parte dessa tipografia, tais como: legibilidade,
leiturabilidade e hierarquia visual e não só como relação à forma visual que tem o
carácter.
A legibilidade é um fator que se relaciona diretamente com a forma da letra,
fonte, tipografia, e que tem o objetivo de tornar essa fonte clara, limpa, nítida de
maneira a passar a mensagem com eficiência. Nesse sentido, ao construir uma
família tipográfica8, os parâmetros definidos por seu criador para a sua construção é
que determinará o seu grau de legibilidade. Para Jury (2006), legibilidade “É o grau
8
Família Tipográfica é o conjunto ou coleção de tipos cujo traçado, em qualquer corpo (tamanho) ou
variante (claro/negrito, redondo/itálico, lago/estreito, etc), apresenta as mesmas características
estruturais e cujo desenho básico é conhecido por um nome, que pode ser o seu criador, alusivo à
sua origem ou arbitrado. (BARBOSA; RABAÇA, 2001, p. 298)
52
de nitidez que permite distinguir os caracteres individuais uns dos outros. As formas
das letras são desenhadas para surgirem com um aspecto nítido e conciso”. Para
isso a relação entre os elementos iconográficos (Figura 08) devem ser estudados.
Outros fatores que interferem na legibilidade são o tamanho individual dos
caracteres, o corpo utilizado e o contraste tonal entre texto e substrato.
Figura 8 – Elementos Iconográficos Básicos da Tipografia
Fonte: ARAÚJO, 2005.
Descrição dos elementos:
AF (altura da fonte): refere-se à altura da fonte desde sua mais baixa
descendente até sua mais alta ascendente;
A (altura): refere-se à altura real de cada caractere;
L (largura): refere-se à largura real de cada caractere;
LC (largura da célula): refere-se à largura da célula que comporta o caractere;
LA (linha-ascendente): refere-se ao topo dos caracteres ascendentes;
AC (altura capitular): refere-se à altura das capitulares;
AX (altura x): refere-se à altura dos caracteres caixa-baixa;
LB (linha-base): refere-se à linha na qual os caracteres repousam (origem 0).
Caracteres que se estendem abaixo da linha-base são chamados
descendentes;
LD (linha-descendente): refere-se à altura dos caracteres estendidos abaixo
da linha-base.
53
A leiturabilidade, ou seja, a facilidade de leitura tem relação com a
disposição do texto na página, com o fluxo visual, onde surpresas podem
interromper a leitura natural. Para Pereira (2007, p.104), a leiturabilidade (readability)
“diz respeito à qualidade do conforto visual, à facilidade de compreensão dos textos,
ao que torna aprazível sua leitura”. Assim, de uma forma geral, temos que os tipos
caixa baixa permitem um melhor fluxo de leitura, tendo em vista que sua forma
permite que eles sejam utilizados mais próximos um dos outros e por possuírem
uma melhor diferenciação nas formas das palavras que os de caixa alta.
Hierarquia do texto ou hierarquia visual, ainda segundo Pereira (2007, p.
134), “é o termo que melhor traduz como se guia o modo de ver ou, em outras
palavras, qual o roteiro que o olhar percorre pelos elementos do plano gráfico”.
Logo, construir uma mensagem usando hierarquia visual é ter domínio sobre a
importância dos elementos visuais, que fazem parte de seu corpo, e manipulá-los de
acordo como objetivo da mensagem, orientado o público na sua leitura.
Nas SAV, é fundamental que o ou os caminhos a serem percorridos para
alcançar o objetivo do cursos/disciplina sejam claros, visíveis, facilmente
reconhecidos pelos seus usuários orientando-os nas suas escolhas
Pensar na legibilidade, leiturabilidade e hierarquia visual das informações são
fatores, conforme vistos acima, de inegável valor para que o usuário compreenda a
mensagem. Porém, quando trabalhamos com a tela digital, que é o caso das SAV,
devemos compreender que a leitura é feita de forma diversa da leitura feita no
substrato do papel, pois a tela emite luz que atinge diretamente os olhos, tornando a
leitura mais lenta do que a feita sobre o papel. Segundo Pereira (2007, p. 87), “a
leitura em tela é mais lenta que a sobre o papel e que tipos ‘sem serifa’ tendem a ser
mais legíveis, enquanto os ‘com serifa’ proporcionam melhor leiturabilidade”.
De uma forma geral, existem linhas de estudo as quais dizem que fonte com
serifas 9 deve ser utilizada no papel e para tela devem ser utilizadas fontes sem
serifas. Segundo Nielsen e Loranger (2007, p. 232), “estudos sobre leitura em tela
descobriram que texto sem serifas é mais rápido de ler, exatamente o oposto da
9
Serifa é um pequeno traço, em forma de filet, barra ou simples espessamento, que finaliza
(arremata) as hastes das letras, de um ou de ambos os lados, na maioria dos caracteres tipográficos.
(BARBOSA; RABAÇA, 2001, p. 668)
54
descoberta para o texto impresso.” Ainda segundo Nielsen e Loranger (2007), as
fontes com detalhes e que não foram concebidas para leituras on-line podem ser
prejudiciais quando utilizadas, já que elas sofrem em legibilidade quando têm seus
tamanhos reduzidos. Outro cuidado que se deve ter ao se escolher a fonte é
certificar-se de que ela está disponível nos computadores e navegadores dos
usuários. A ou as fontes que não forem reconhecidas podem ser trocadas ou
aparecerem de forma diversa da planejada, desorganizando assim todo o
planejamento visual pretendido e, consequentemente, dificultando a leitura do
usuário.
Outro fator importante na escolha da fonte ou tipografia é entender em que
contexto ela será usada, como por exemplo, em um rótulo, título, ou em um texto
corrido, imersivo. Nesses dois casos, a influência da escolha da tipografia é fio
condutor para completar o objetivo do texto (ser lido e compreendido). No caso de
textos corridos, imersivos, faz-se necessária a escolha de tipografias próprias para a
leitura mais longa, tipografias com ou sem serifas para uso em tela digital ou em
papel. Já no caso de rótulos e títulos, formados comumente de poucas palavras, a
escolha da tipografia pode recair em tipografias fantasia10, decorativos ou display,
pois ela acrescentaria ao título mais que o valor semântico, um valor simbólico e
estético que complementaria o sentido do texto e de sua hierarquia no conjunto da
página. Em uma SAV, é comum o uso de texto para títulos e o recurso de poder usar
tipografias fantasia/display pode ser de grande utilidade.
Como já dissemos, a forma visual, o desenho da letra/fonte, da palavra escrita
não se encerra apenas no reconhecimento digital de seu valor fonético ou verbal,
mas a feição de seu desenho desencadeia uma série de interpretações sensórias
mediante a provocação visual. É sinestésica, portanto, pois a figura ou desenho da
letra comunica tanto ou mais que a representação simbólica de som que a letra
carrega consigo.
Para ilustrar o que dissemos acima, mostramos, nos Quadro 1 e 2, exemplos
de 2 palavras escritas com tipografias fantasia/display. Ao lado de cada palavra,
10
Tipografia fantasia, decariva ou display é o nome dado ao desenho da letra/carácter, segundo Jury
(2007, p.122), que tinha “ o intuito de refletir o gosto ou a tendência da moda em termos estéticos,
dando-se maior importância ao aspecto do que as características associadas à facilidade de leitura”.
55
descrevemos o valor fonético/verbal de cada vocábulo, fazendo um contraponto com
os conceitos cuja forma visual da tipografia evoca:
Quadro 1 – Palavra Festa
A palavra festa está ligada à alegria, felicidade,
brincadeira. Quem pensa numa festa, pensa em
se divertir. Porém, a tipografia ou família
tipográfica utilizada para escrevê-la é uma letra
formal, sem serifas, bastante larga e na cor preta,
que provoca a sensação de peso, de algo
estático. Logo, desta maneira, o sentido
semântico é entendido, porém a sensação
provocada pela tipografia não lhe completa o
sentido.
Fonte: Autora, 2011.
Quadro 2 – Palavra Pesquisa
A palavra pesquisa está ligada ao sentido de
investigação, de procura com diligência, com
cuidado. Num senso comum, ela tem o peso,
indica uma responsabilidade, é formal. Porém, a
tipografia escolhida tem uma forma lúdica, que
inspira brincadeira, é o que se pode dizer de uma
tipografia de fantasia. Mais uma vez, a tipografia
escolhida não lhe completa semanticamente.
Fonte: Autora, 2011.
Como pudemos observar, nos quadros acima, os valores visuais e fonéticos
podem se aproximar e se complementarem em sentido ou ainda se distanciarem
emitindo assim uma confusão sensorial dos sentidos atribuídos à forma visual e ao
valor fonético.
Em todo esse estudo da tipografia como elemento visual de uma mensagem,
exploramos seus conceitos, sua forma visual e a importância de seu uso observando
os contextos e os objetivos. Esse é um elemento de grande relevância para uma
SAV, já que ele é um dos mais utilizados quando a construímos; a sua relevância
também se revela quando unimos esses conceitos visuais aos conceitos de
56
usabilidade11. Existe uma linha tênue que liga o uso da tipografia, com todas as suas
características visuais, com os conceitos de usabilidade. Romper essa linha visando
tão-somente ao conceito visual pode caracterizar uma SAV exagerada, confusa,
cheia de “pra que isso”, que desorganiza, desorienta o usuário; já ao contrário, isto
é, não fazer uso desse conceito visual em nome de uma usabilidade mais acessível
pode acarretar uma SAV sem atrativos, desmotivadora, com pouca ou nenhuma
organização visual, hierarquia de informação, que dificulta o acesso aos links,
tarefas e a outros recursos disponíveis dificultando, assim, o aprendizado. É o
equilíbrio entre o uso dos conceitos visuais e os conceitos de usabilidade que
permitirá a construção de uma SAV que possibilite a agilidade, facilidade de uso, a
recordação e o reconhecimento. Enfim, uma SAV motivadora e de fácil uso.
Para dar continuidade a essa busca pelo equilíbrio entre o uso de uma
linguagem gráfico-visual e a usabilidade de uma SAV, passamos a conhecer o
elemento visual cor.
2.3.2 Cor
Cor é nome dado para expressar a sensação visual obtida por meio dos raios
de luz que chegam ao nosso planeta. A fonte natural que irradia energia para a
Terra é o sol, responsável pela luz branca, parte visível dessa energia. Quando a luz
branca é decomposta, isto é, quando o feixe luminoso é partido por qualquer tipo de
prisma de refração, somos capazes de distinguir sete segmentos universais: as sete
cores do arco-íris. A partir de tal descoberta, ficou acessível aos estudiosos da
óptica discernir as características físicas da cor, a saber: o matiz, o brilho, a
saturação, o tom, o valor e o croma.
Ao ferir nosso sentido visual, a luz convida nossa mente a interpretá-la
perceptivamente como cor em associação por similaridade a outros conceitos,
coisas ou sensações fixadas em nossa memória. Embora seja possível associar
certas cores a alguns valores por um hábito cultural (azul para imensidão ou
introspecção, vermelho para violência ou paixão, verde para natureza ou
11
Segundo Nielsen e Loranger, (2007, p. xvi) “é um atributo de qualidade relacionado à facilidade de
uso de algo. Mais especificamente, refere-se à rapidez com que os usuários podem aprender a usar
alguma coisa, a eficiência deles ao usá-la, o quanto se lembram daquilo, seu grau de propensão a
erros e o quanto gostam de utilizá-la. Se as pessoas não puderem ou não utlizarem um recurso, ele
pode muito bem não existir.”
57
tranquilidade, amarelo para euforia ou dinheiro, preto para elegância ou luto, etc.), é
a analogia ou semelhança emocional que predomina como juízo perceptivo das
interpretações cromáticas.
No processo que se trava entre fenômeno cromático e nossa interpretação, a
percepção é muito mais emoção que esforço ou conhecimento, para Dondis (1991 p.
69), “a percepção da cor é o mais emocional dos elementos específicos do processo
visual, ela tem grande força e pode ser usada com muito proveito para expressar e
intensificar a informação visual”, aqui temos o início de todas as possibilidades de
sentimento, ação e pensamento autocontroláveis por nossa inteligência visual. Para
Farina, Perez e Bastos (1990, p. 27), a cor:
Ela age não só sobre quem fruirá a imagem, mas também sobre
quem a constrói. Sobre o indivíduo que recebe a comunicação visual,
a cor exerce uma ação tríplice: a de impressionar, a de expressar e a
de construir. A cor é vista; impressiona a retina. É sentida: provoca
uma emoção. E é construtiva, pois, tendo um significado próprio, tem
valor de símbolo e capacidade, portanto, de construir uma linguagem
que comunique uma ideia.
Ao utilizar uma cor, devemos ter a ciência que ela vai influenciar as pessoas
que a percebem, pois a cor são estímulos psicológicos que induzem o indivíduo a
negar ou afirmar, gostar ou não de algo, induzem a ter preferência, a fazer escolhas.
Por isso, ao compor uma mensagem visual, a cor é um elemento valioso na
interpretação da mensagem. Para usá-la, é necessário observar o contexto em que
ela será empregada, a cultura, as sensações e os sentimentos que se quer explorar.
Ainda para Farina, Perez e Bastos (1990, p. 26): “Essa utilização está em relação
direta com as exigências do campo que explora, seja na área da educação,
prevenção de acidentes, decoração, medicina, produtividade, moda, trânsito e
outras.”
Muitos estudos foram e são realizados em relação às cores. Esses estudos
ajudam a compreender como as cores influenciam as pessoas e como podem ser
utilizadas nas várias áreas das atividades humanas. Para esta pesquisa,
apresentamos o Quadro 3 que contém as sensações, acromáticas (branco, preto e
cinza) e as sensações cromáticas (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, roxo e
marrom), as associações materiais e as afetivas relativas. Esse quadro baseia-se
58
em Farina, Perez e Basto (1990, p. 112-115) e mostra o que cientistas
estabeleceram a respeito do significado psicológico das cores.
Quadro 3 – Significado Psicológico das Cores
Sensações
Acromáticas
Branco
Preto
Cinza
Sensações
Cromáticas
Vermelho
Laranja
Amarelo
Verde
Azul
Associação Material
Associação Afetiva
Batismo, casamento,
cisne, lírio, primeira
comunhão, neve, nuvens
em tempo claro, areia
clara.
Sujeira, sombra, enterro,
noite, carvão, fumaça,
condolência, morte, fim,
coisas escondidas.
Pó, chuva, ratos, neblina,
máquinas, mar sob
tempestade.
Ordem, simplicidade, limpeza, bem,
pensamento, juventude, otimismo, piedade,
paz, pureza, inocência, dignidade, afirmação,
modéstia, deleite, despertar, infância, alma,
harmonia, estabilidade, divindade.
Mal, miséria, pessimismo, sordidez,
tristeza, frigidez, desgraça, dor, temor,
negação, melancolia, opressão, angústia,
renúncia, intriga.
Tédio, tristeza, decadência, velhice,
desânimo, seriedade, sabedoria, passado,
finura, pena, aborrecimento, carência vital.
Associação Material
Associação Afetiva
Rubi, cereja, guerra,
lugar, sinal de parada,
perigo, vida, sol, fogo,
chama, sangue, combate,
lábios, mulher, feridas,
rochas vermelhas,
conquista, masculinidade.
Dinamismo, força, baixeza, energia,
revolta, movimento, barbarismo,
coragem, furor, esplendor, intensidade,
paixão, vulgaridade, poderio, vigor, glória,
calor, violência, dureza, excitação, ira,
interdição, emoção, ação, agressividade,
alegria comunicativa, extroversão.
Outono, laranja, fogo, pôr
do sol, luz, chama, calor,
festa, perigo, aurora,
raios solares, robustez.
Força, luminosidade, dureza, euforia, energia,
alegria, advertência, tentação, prazer, senso
de humor.
Flores grandes, terra
argilosa, palha, luz,
topázio, verão, limão,
chinês, calor de luz solar.
Umidade, frescor,
diafaneidade, primavera,
bosque, águas claras,
folhagem, tapete de
jogos, mar, verão,
planície, natureza.
Montanhas longínquas,
frio, mar, céu, gelo,
feminilidade, águas
tranquilas.
Iluminação, conforto, alerta, gozo, ciúme,
orgulho, esperança, idealismo, egoísmo,
inveja, ódio, adolescência, espontaneidade,
variabilidade, euforia, originalidade,
expectativa.
Adolescência, bem-estar, paz, saúde, ideal,
abundância, tranquilidade, segurança,
natureza, equilíbrio, esperança, serenidade,
juventude, suavidade, crença, firmeza,
coragem, desejo, descanso, liberalidade,
tolerância, ciúme.
Espaço, viagem, verdade, sentido, afeto,
intelectualidade, paz, advertência, precaução,
serenidade, infinito, meditação, confiança,
amizade, amor, fidelidade, sentimento
profundo.
Fantasia, mistério, profundidade, eletricidade,
dignidade, justiça, egoísmo, grandeza,
misticismo, espiritualidade, delicadeza, calma.
Noite, janela, igreja,
aurora, sonho, mar
profundo.
Terra, águas lamacentas,
Marrom
outono, doença,
Pesar, melancolia, resistência, vigor.
sensualidade,
desconforto.
Fonte Autora, 2012. - Baseado em Farina; Perez; Bastos, 1990.
Roxo
59
Enfim para se fazer uso das cores, é necessário estar ciente dos objetivos e
do meio em que elas serão usadas. Em um meio digital, elas deverão atender a
recomendações ergonômicas para garantir uma boa usabilidade. Para Cybis, Betiol
e Faust (2010), o uso de cores nas Interfaces Humano-Computador deve obedecer
às recomendações ergonômicas e ter como objetivo transmitir informações, chamar
a atenção, contrastar e associar objetos de interação. Ainda segundo Cybis, Betiol e
Faust (2010, p. 96), três aspectos devem observados: “a legibilidade final da
informação; os efeitos das cores sobre a performance perceptiva do usuário e as
possibilidades dos dispositivos físicos.” Outro cuidado com o uso de cores é evitar
uma codificação de significados que não sejam percebidas pelas pessoas que
sofrem de daltonismo, que traria para esse grupo de usuários entraves no que se
refere à percepção da informação e dos objetivos.
Percebemos o uso da cor em uma SAV nos textos, colorindo as tipografias,
no pano de fundo de algumas mensagens e títulos e/ou ainda na iconografia
escolhida (fotografias, ícones, gráficos, gravuras, desenhos). A iconografia é outro
elemento de grande relevância na linguagem gráfico-visual. Passaremos, em
seguida, a conhecê-lo.
2.3.3 Iconografia
A fase energética da percepção compreende o esforço que o olho faz para
percorrer a imagem e discernir a segregação entre figura e fundo. Nosso cérebro,
antes de processar cognitivamente a imagem, dá ao olho instruções de separação
em unidades de imagem para fora do fundo ou contexto. Tais comandos enviados
ao olho são explicados em termos geométricos. São eles: o ponto, a linha, o plano, o
volume, forma. (DONDIS, 1991)
A percepção geométrica solicita um esforço ou atitude da mente para
interpretá-la como tal, visto que a mente é estimulada a tomar iniciativa de
acompanhar as liberdades dimensionais do ponto até fechar a figura. Para Gomes
Filho (2000, p. 19), “A excitação cerebral não se dá em pontos isolados, mas por
extensão. Não existe, na percepção da forma, um processo posterior de associação
das várias sensações. A primeira sensação já é de forma, já é global e unificada.”
Nesse sentido, as associações por similaridade e contiguidade se equilibram na
60
percepção geométrica, daí porque a distinção e a importância das configurações e
dos esquemas para o exercício do raciocínio visual. A percepção da forma é muito
mais energética que emocional ou cognitiva, porquanto aqui começam todas as
efetividades de sentimento, ação e pensamento autocontrolados por nossa
inteligência visual. (GOMES FILHO, 2000).
Para Dondis (1991), como vimos no item 2.2, existe três níveis em que os
dados visuais se apresentam: o representacional, o simbólico e o abstrato. A
iconografia perpassa pelos três níveis. Quando utilizamos uma fotografia, desenho,
pintura e/ou gravura, estamos no nível mais próximo da realidade, portanto o
representacional, quando usamos ícones ou símbolos, estamos mais próximos do
nível simbólico. Seja um desenho, uma fotografia, um ícone ou símbolo, a
iconografia começa a se permitir abstrações por meio da organização dos elementos
que a compõem, assim teremos o nível do abstrato, podendo despertar as
sensações táteis, gustativas e sonoras, nos aproximar ou afastar de ideias e
objetivos pretendidos.
Até esse momento, discorremos pelos elementos básicos de uma linguagem
gráfico-visual, entendendo como eles fazem parte da construção visual e interferem
em nossos sentidos e percepções na construção e no entendimento da mensagem
visual. Mas, ainda, é necessário entender as relações de organização visual que vão
reger esses elementos, ou seja, os princípios básicos de composição visual.
2.4
Princípios Básicos de Composição Visual
Na construção de um projeto gráfico-visual, tal como um jornal, revista, cartaz,
site entre outros, é necessário conhecer os elementos visuais que farão parte desse
projeto, estudar a relação de força e hierarquia que esses elementos têm entre si e
planejar a composição visual, isto é, organizar visualmente esses elementos para
que a leitura da mensagem seja completa e com o mínimo de ruídos possível. Os
princípios básicos de composição visual vão funcionar como uma espécie de regra
ou de direcionamento para aqueles que precisarem compor mensagens visuais.
Podemos destacar quatro princípios básicos: proximidade, alinhamento,
repetição e contraste.
61
2.4.1 Proximidade
Os elementos que compõem uma mensagem visual interagem uns com os
outros para formar o todo. Existem, entretanto, elementos que mantêm entre si uma
forte relação de afinidade, formando uma unidade de informação. Quando isso
acontece, é importante manter esses elementos próximos, isto é, situados
espacialmente juntos uns dos outros. Para que isso aconteça, é necessário
reconhecê-los, estabelecer suas afinidades, formar as unidades de informação, e
entender a relação de hierarquia entre essas unidades.
Na SAV-Teste (Figura 9), a semana letiva é composta pelos rótulos iniciais e
secundários, pelo texto de orientação e pelos links (para textos, para arquivos
digitais, para o fórum de princípios de composição e para os chats), aparecendo
todos eles juntos.
Figura 9 – SAV-Teste de uma Semana Letiva
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
62
A SAV-Teste foi modificada (Figura 10) segundo os princípios de proximidade.
Na área dos links, rótulos foram criados com a intenção de separá-los, segundo
suas afinidades. Essa divisão consegue organizar visualmente os links tornando o
acesso a eles mais fácil.
Figura 10 – SAV-Teste com Aplicação dos Princípios de Proximidade
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
2.4.2 Alinhamento
É o princípio de composição que tem a função de criar uma linha imaginária
ligando os elementos que formam a página, conferindo-lhe uma ordenação, um
63
caminho a seguir. Esse alinhamento é formado pelos textos e pelas imagens que
compõem a mensagem.
Temos quatro alinhamentos conhecidos: o alinhamento à esquerda, à direita,
o centralizado e o justificado; no Quadro 4 demonstramos, visualmente, esses
alinhamentos (Quadro 4).
Quadro 4 – Tipos de Alinhamento
Fonte: Autora, 2011.
O alinhamento é o princípio básico da “arrumação” visual para os elementos
gráficos de uma mensagem. Com ele, temos a sensação de que as “coisas” estão
no seu lugar. O alinhamento centralizado é um dos mais usados, pois transmite um
equilíbrio e simetria. Porém, ao mesmo tempo, ele torna a comunicação usual,
normal e sem diferença das demais. Os alinhamentos à direita e à esquerda
provocam um desequilíbrio ao primeiro olhar, entretanto, em algumas situações,
chamam a atenção pela diferença, tornando-se atrativos.
Apresentamos, na Figura 11, um exemplo de uma SAV que tem seus
elementos organizados por meio dos alinhamentos diferenciados.
64
Figura 11 – SAV Planejada com o Uso do Princípio do Alinhamento
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
65
Seguindo o princípio do alinhamento, o rótulo superior tem o texto alinhado à
direita da imagem que ele contém. No restante da SAV, os rótulos estão alinhados à
esquerda e os links também à esquerda com uma indentação12.
2.4.3 Repetição
Esse princípio tem a função de unificar e dar consistência à mensagem visual.
Ele também cria padrões que são reconhecidos pelas pessoas “ensinando-as” a agir
de determinada maneira ou tomar decisões de forma mais rápida. A repetição pode
ser obtida utilizando os elementos visuais, tais como: tipografias, linhas, cor, ícones,
imagens. Também pode ser obtida por meio da diagramação de uma página ou de
site. No exemplo da Figura 12, mostramos a utilização dos princípios de repetição
em uma SAV. Os links foram divididos em três grupos. Para cada um deles, foi
criado um rótulo com cor e nomenclatura diferentes. A cada semana letiva, o padrão
é repetido; dessa maneira, os discentes passam a acessar os links guiados pelos
rótulos e por sua cor.
Figura 12 – SVA Planejada com o Uso do Princípio da Repetição
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
2.4.4 Contraste
O contraste é um princípio que pode ser utilizado como estratégia visual,
capaz de atrair a atenção pela força e diferença marcante entre seus elementos. O
contraste pode ser obtido por meio das cores, formas, direções e até por meio de
ideias.
12
Indentar- Inserir determinado espaço entre a margem da página e o início do texto de um parágrafo.
http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=indentação Acesso em: 27 ago. 2011 as 15:30.
66
O contraste numa mídia gráfica pode se dar:
1. pela tipografia – o tipo escolhido, altura das fontes e, ainda, pelo uso do
modo bold ou negrito;
2. pelas cores – cores quentes versus cores frias;
3. pela forma e localização dos elementos;
4. pela oposição de ideias.
Na Figura 13, foi criado um rótulo para a semana letiva que incluía conceitos
de cor, tipografia e iconografia da SAV-teste. O princípio do contraste, no lado
esquerdo, tem a cor de fundo azul-escuro que contrasta com a cor branca da
tipografia. Já o lado direito, tem cor de fundo amarela com tipografias de cor preta.
Por fim, o lado esquerdo contrasta com o direito em função das cores de fundo.
Figura 13 – Rótulo Inicial Planejado com o Princípio do Contraste
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
Para que uma mensagem visual atinja adequadamente o seu público, é
importante que os elementos visuais que a compõem sejam trabalhados dentro dos
princípios de organização e percepção visual. A composição visual deve estabelecer
a leitura de acordo com os objetivos pretendidos; porém quando estamos nos
referindo à composição de uma mensagem visual no meio digital, um site, ou como
no nosso caso uma SAV, é necessário unir esses conceitos, acima estudados, aos
de usabilidade, critérios ergonômicos/heurísticas de usabilidade. É essa união que
promoverá, na construção visual da SAV, um ambiente mais organizado, atrativo,
instigante e, acima de tudo, mais fácil de usar. Nas linhas abaixo, deter-nos-emos
em conhecer a usabilidade e os critérios ergonômicos/heurísticas de usabilidade;
depois faremos uma relação entre as heurísticas e os critérios ergonômicos com a
linguagem gráfico-visual e seus princípios de composição.
67
2.5
Usabilidade e Critérios Ergonômicos/Heurísticas de Usabilidade.
Ao construir um software ou uma página na Web para realizar uma atividade,
seja essa atividade de qualquer natureza (compra, informativo, educacional), um dos
principais cuidados que se deve ter é com a sua interface gráfica, pois ela é a porta
de acesso do usuário a esse mundo virtual. Segundo Johnson (2001), a interface
gráfica atua como uma espécie de tradutor, isto é, ela traduz o mundo de
processamentos de bytes em uma linguagem compreensível ao usuário. Para que a
interface consiga exercer essa função de mediadora entre esses dois mundos, é
necessário que, ao se fazer o planejamento dessa interface, sejam considerados e
usados os conceitos de usabilidade e os critérios ergonômicos/heurísticas de
usabilidade.
A usabilidade, segundo Nielsen e Loranger. (2007, p.xvi):
É um atributo de qualidade relacionado à facilidade de uso de algo.
Mais especificamente, refere-se à rapidez com que os usuários
podem aprender a usar alguma coisa, a eficiência deles ao usá-la, o
quanto se lembram daquilo, seu grau de propensão a erros e o
quanto gostam de utilizá-la. Se as pessoas não puderem ou não
utilizar um recurso, ele pode muito bem não existir.
Para ISO 9241-11:1998/ NBR ISO 9241-11:2011:
Usabilidade: Medida na qual um produto pode ser usado por
usuários específicos para alcançar objetivos específicos com
eficácia, eficiência e satisfação em um contexto específico de uso;
Eficácia: corresponde à acurácia com as quais os usuários alcançam
objetivos específicos;
Eficiência: Recursos gastos em relação à acurácia e abrangência
com as quais os usuários atingem objetivos e
Satisfação: Ausência do desconforto e à presença de atitudes
positivas para o uso de um produto.
Conforme foi observado nos conceitos expostos acima, quando a interface de
um software ou página da web consegue comunicar por meio de seus elementos
não verbais (tipografia, imagens, ícones, cores e organização visual), uma forma de
utilização rápida, fácil, eficaz e eficiente, que conseguiu internalizar, na interface, os
conceitos de usabilidade.
Para se construir um sistema, software, com usabilidade, vários elementos
fazem parte dessa equação e para resolvê-la, faz-se necessário o uso de critérios,
68
princípios ou heurísticas de usabilidade. Vários autores já estudaram e prepuseram
esses critérios, princípios, regras, heurísticas. Segundo Cybis, Betiol e Faust (2010,
p. 25) Nielsen e Loranger (2007) juntos a outros autores lançaram as heurísticas de
usabilidade, um conjunto de dez qualidades, bases para qualquer interface. Para
Preece, Rogers e Sharp (2005, p. 48), são elas:
1- Visibilidade do status do sistema - o sistema mantém os
usuários sempre informados sobre o que está acontecendo,
fornecendo um feeback adequado dentro de um tempo razoável.
2- Compatibilidade do sistema e o mundo real – o sistema fala a
linguagem do usuário utilizando palavras, frases e conceitos
familiares a ele, em vez de termos orientados ao sistema.
3 Controle do Usuário e Liberdade - permite que os usuários saiam
finalmente dos lugares inesperados em que se encontram, utilizando
“saída de emergência”, claramente identificada
4 Consistência e padrões – evita fazer com que usuários tenham
de pensar em palavras, situações ou ações diferentes que significam
a mesma coisa;
5 Ajuda os usuários a reconhecer, diagnosticar e recuperar-se
de erros- utiliza linguagem simples parta descrever a natureza do
problema e sugere uma maneira de resolvê-lo.
6- Prevenção de erros – impede,onde for possível, a ocorrência de
erros.
7- Reconhecimento em vez de memorização - torna objetos, ações
e opções visíveis.
8- Flexibilidade e eficiência de uso – fornece aceleradores
invisíveis aos usuários inexperientes, os quais, no entanto, permitem
aos mais experientes realizar tarefas com mais rapidez.
9 - Estética e design minimalista – evita uso de informações
irrelevantes ou raramente necessárias.
10 - Ajuda e Documentação – fornece informações que podem ser
facilmente encontradas e ajuda mediante uma série de passos
concretos que podem ser facilmente seguidos.
As heurísticas têm como objetivo fazer com que um software, por meio de sua
interface gráfica, seja facilmente usado pelo usuário do sistema, seja ele um usuário
experiente ou não. Elas ajudam a interface a se tornar mais simples, mais próxima
do usuário.
Além de Nielsen e Loranger (2007), com as heurísticas, outros autores
trabalharam conceitos e critérios que tinham como objetivos similares, isto é, um
sistema centrado no usuário. Entre esses outros autores, encontramos Dominique
Scapin e Christian Bastien que propuseram, em 1993, os Critérios Ergonômicos de
usabilidade. De acordo com Cybis, Betiol e Faust (2010, p. 26), “O objetivo de tal
sistema é o de minimizar a ambiguidade na identificação das qualidades e
69
problemas ergonômicos do software interativo.” Esse sistema é constituído de 8
critérios que se dividem em 18 subcritérios. Apresentamos no quadro 5 os critérios e
os subcritérios:
Quadro 5 – Critérios Ergonômicos de Usabilidade
Critérios ergonômicos
de usabilidades
1
2
3
4
5
Subcritérios
1.1
Convite
1.2
Agrupamento/
Distinção de itens
1.3
Agrupamento e distinção de formato; Legibilidade
1.4
Feedback imediato.
2.1
Brevidade:
2.2
Concisão;
2.3
Ações mínimas;
2.4
Densidade Informacional
3.1
Ações explícitas
3.2
Controle do Usuário
4.1
Flexibilidade
4.2
Consideração da experiência do usuário
5.1
Proteção contra erros
5.2
Qualidade de mensagens de erros
5.3
Correção de erros
Condução
Carga de trabalho
1.2.1
Agrupamento e
distinção por
localização;
Controle Explícito
Adaptabilidade:
Gestão de erros
6
Homogeneidade/
consistência
7
Significados de
códigos e
denominações
8
Compatibilidade
Fonte: Scapin; Bastien (apud CYBIS; BETIOL; FAUST, 2010)
A finalidade comum entre as heurísticas, os critérios ergonômicos e outros
princípios e regras de usabilidade é a de tornar o sistema e a sua interface de fácil
utilização, favorecendo e incentivando o usuário a usar o sistema, provocando no
usuário a confiança de poder alcançar os objetivos que ele desejou quando resolveu
usar esse sistema. Qualquer ambiente virtual que incorpore os conceitos de
usabilidade terá sucesso com os seus usuários. Esse sucesso está relacionado
diretamente aos objetivos que o sistema deve atingir. No caso de um ambiente
70
virtual de aprendizagem cujo objetivo central é promover a construção de
conhecimentos específicos, ligados aos cursos/disciplinas, é fundamental que esse
objetivo seja alcançado pelos seus usuários, logo a usabilidade será um ponto de
grande relevância nesse processo. No caso das SAV a interface gráfica está ligada
ao responsável pela sala, professor ou equipe designada para essa função, e aos
conteúdos que deverá conter, logo a usabilidade da SAV vai depender do
planejamento e ações das pessoas responsáveis por sua construção.
Portanto,
é
fundamental
uma
reflexão
sobre
a
interseção
das
heurísticas/critérios ergonômicos de usabilidade com a linguagem gráfico-visual no
momento em que vai se construir uma SAV. Embora todos os critérios ergonômicos
sejam fundamentais para alcançar a usabilidade; em nosso caso, destacamos
aqueles que tiverem uma afinidade direta com a linguagem gráfico-visual.
Apresentamos a seguir, de acordo com Cybis, Betiol e Faust (2010), esses critérios.
• Condução (critério 1): visa favorecer o aprendizado e a utilização do
sistema aconselhando, orientando, informando e conduzindo o usuário
na interação com o sistema. Esse critério subdivide-se em quatro
subcritérios: (1.1) convite, (1.2) agrupamento e distinção de itens, (1.3)
agrupamento e distinção por formato; Legibilidade e (1.4) feedback
imediato.
• Convite (subcritério1.1): é a qualidade inicial do sistema, formada
pelas informações que levam o usuário a identificar de forma clara e
rápida suas opções de interação com o sistema, para que isso possa
acontecer é necessário: (a) Títulos claros para as telas, janelas e caixa
de diálogos; (b) Informações claras sobre o estado dos componentes do
sistema; (c) informações sobre preenchimento de um formulário e (d)
Opções de ajuda claramente indicadas.
• Agrupamento/distinção de itens (subcritério 1.2): é a qualidade da
intuitividade, que leva o usuário (novato ou experiente) a ter uma rápida
compreensão das atividades que a interface oferece por meio de
formação de grupos de comandos ou atividades.
divide-se em outros dois:
Esse subcritério
71
9 Agrupamento por localização (subcritério 1.2.1): grupos são
formados e organizados espacialmente na interface. Os grupos
podem ser formados de acordo com características como:
frequência de uso, ordem alfabética, relação lógica entre esses
comandos/atividades.
9 Agrupamento e distinção de formato (subcritério 1.2.2):
grupos são formados e organizados graficamente. Esses grupos
são percebidos a partir de sua forma gráfica, figura fundo, cor,
tipografia.
• Agrupamento e distinção por formato; Legibilidade (subcritério 1.3):
Visa às características que possam facilitar ou não a leitura das
informações verbais. Trabalha com os textos, com a forma das
tipografias escolhidas, com o espaçamento entre linhas, tamanho dos
parágrafos, comprimento das linhas e a relação de cor da tipografia com
o fundo.
• Homogeneidade/coerência (critério 6): refere-se à forma como as
escolhas no projeto de interface (código, denominação, formatos,
procedimentos etc.) são conservadas idênticas, em contextos idênticos,
e diferentes, em contextos diferentes. Dessa maneira, os procedimentos,
rótulos, comandos, atividades passam a ter uma sintaxe estável e são
reconhecidos e localizados mais facilmente.
• Significado dos códigos e denominações (critério 7): diz respeito à
adequação entre objetos ou à informação apresentada ou perdida e sua
referência na interface. Ao construir uma interface com elementos
significativos para os usuários, favorecemos a recordação e o
reconhecimento que provocam um aumento de acerto nas ações,
tornando-as mais produtivas.
2.6
Discutindo a Interseção Entre Critérios de Usabilidade e a Linguagem
Gráfico-Visual.
Apresentamos no quadro 6, a interseção dos critérios ergonômicos de
usabilidade que destacamos no item anterior com a linguagem gráfico-visual e, em
seguida, discutimos como se observa essa interseção.
72
Quadro 6 – Interseção: Critérios Ergonômicos e Linguagem Gráfico-Visual
Critérios
ergonômicos de
usabilidades
Homogeneidade
/Coerência
Linguagem gráfico-visual
(elementos e princípios de
composição)
Os quatro princípios:
Princípio de proximidade;
Princípio de
Alinhamento;
Princípio de
Contraste e de repetição.
Elemento Tipografia
Princípio
Contraste e repetição
Significado dos
códigos e
denominações
Liguagem gráfico- visual – seus
elementos e princípios de
composição
Subcritérios
Convite
Agrupamento/Distinção de itens
Agrupamento por localização
Condução
Agrupamento e distinção de
formato
Legibilidade
Fonte: Autora, 2011.
• Interseção do critério de condução e seus subcritérios com os
princípios de composição, alinhamento, proximidade, contraste e
repetição
Esse critério e seus subcritérios unem-se aos quatro princípios de
composição que apresentamos neste trabalho, pois o princípio de proximidade tem
como objetivo criar grupos com mesmas características ou grupos de informações
que
se
complementem
em
sentido
e
ordenação.
(Subcritério
1.2:
Agrupamento/distinção de itens). O princípio do alinhamento tem a função de ajudar
na ordenação espacial dos elementos ou grupo e estabelecer uma relação espacial
entre eles. (Subcritério 1.2.1: Agrupamento por localização). Os princípios de
contraste e repetição trabalham a forma gráfica de como essas informações ou
grupos se apresentam. O trabalho referente à forma gráfica está ligado ao uso de
cores, figuras, texturas, tamanhos, escalas e tipografias. (Subcritério 2.2:
Agrupamento e distinção de formato).
• Interseção do subcritério de agrupamento e distinção por formato /
legibilidade com o elemento tipografia
Esse critério tem ligação direta com o elemento tipografia da linguagem
gráfico-visual. Na linguagem gráfico-visual, a escolha de uma tipografia terá como
parâmetros: (a) a definição do público (usuários); (b) do tema a ser tratado; (c) da
sua função, isto é, se ele será utilizado num texto longo de vários parágrafos, como
73
display (para títulos, rótulos ou chamas curtas); (d) suporte (papel, tela); (e) formato,
cor, serifas, tamanhos. Todos esses parâmetros irão influenciar na legibilidade,
leiturabilidade e na hierarquia de informações.
• Interseção do critério homogeneidade/coerência com o princípio de
composição (repetição)
A base desse princípio é utilizar, formas, cores, figuras, ícones, tipografias
para unificar e dar consistência à mensagem visual. Ele também cria padrões que
são reconhecidos pelas pessoas “ensinando-lhes” a agir de determinada maneira ou
tomar decisões de forma mais rápida.
• Interseção do critério significado dos códigos e das denominações
com a linguagem gráfico-visual (seus elementos e princípios de
composição)
O uso da linguagem gráfico-visual, na construção de uma SAV, apresentará
elementos que destacarão imagens, recursos e atividades que o discente terá que
desenvolver durante o seu período letivo; formará padrões próprios para cada curso
ou disciplina; criará códigos visuais que facilitarão o reconhecimento das ações,
atividades e assuntos a serem estudados pelos usuários. Esses objetivos se alinham
com os objetivos do critério dos códigos e denominações permitindo que o
planejamento visual da SAV ofereça um reconhecimento rápido do curso ou
disciplina a ser acessado, diminua a quantidade de erros e esquecimentos na
utilização dos recursos e atividades disponibilizadas na sala para desenvolvimento
do curso/disciplina. Lembramos que quanto maior for o número de erros e
esquecimentos, maior será o desgaste do usuário na utilização do ambiente. No
caso de um ambiente de aprendizagem, isso pode significar prejuízos na
aprendizagem. Outro ponto a considerar são os acessos ao ambiente MOODLE no
interior do Brasil. Em muitos locais onde esses cursos são oferecidos, a velocidade
da banda larga é pequena, logo os acessos são difíceis e lentos; qualquer erro na
escolha de acesso aos cursos, atividades e aos links provocam perda de tempo e
desgaste emocional.
74
3
CONTRIBUIÇÃO DA LINGUAGEM GRÁFICO-VISUAL NA INTERAÇÃO
DOS DISCENTES COM SAV NO CURSO DE GESTÃO AMBIENTAL
75
Neste capítulo descrevemos o recorte que demos ao universo da pesquisa: as
universidades abertas; a Universidade Aberta do Brasil, seu início, seus editais, o
Instituto Federal de Ensino Superior que comporta essa pesquisa, o curso de Gestão
Ambiental. Depois tivemos o olhar sobre os procedimentos metodológicos adotados
na investigação, bem como as etapas desenvolvidas para coleta de dados,
destacando as atividades realizadas, assim como as análises e a interpretação dos
resultados.
3.1
Contexto da Pesquisa
As universidades abertas têm seu início por volta da década de 1970, em
vários países do mundo. Segundo Litto e Formiga (2009), essas instituições tinham
como meta ampliar o acesso ao ensino superior, utilizando as mídias de massa
como: TV, rádio e serviço por correspondência. O público-alvo: as pessoas adultas
que, devido a vários motivos ou circunstâncias, não conseguiram cursar a educação
superior durante uma faixa etária mais adequada. Litto e Formiga (2009, p.15)
também relata:
A designação aberta significa que a instituição não exige exame
eliminatório (como vestibular), possibilita ao aluno optar por um
programa que lhe garantirá um diploma acadêmico ou,
simplesmente, permitir-lhe-á fazer cursos de seu interesse.
Uma das precursoras da universidade aberta é a Open University (OU), na
Inglaterra , em 1969, que tem como missão, segundo o seu site, “Nós promovemos
oportunidades educacionais e de justiça social por meio da educação universitária
de alta qualidade para todos aqueles que desejam realizar suas ambições e seu
potencial”, esse site ainda informa que a OU é a maior universidade do Reino Unido,
com mais de 250.000 alunos; 7.000 professores; 1.200 funcionários acadêmicos em
tempo integral e 3.500 funcionários administrativos e de apoio, e que desde o seu
lançamento mais de 1,6 milhões de pessoas atingiram seus objetivos de
aprendizagem.
Em 1972, no Brasil, parlamentares que acreditavam no sucesso da Open
University fizeram projetos de lei com moldes parecidos com a referida universidade.
Esses projetos foram arquivados sob o pretexto de ter posteriormente um
76
julgamento mais amadurecido. Porém diante da sociedade da informação (SI),
pautada nas tecnologias da informação e comunicação, cujo conhecimento torna-se
a matéria-prima para o seu desenvolvimento; na realidade, ele torna-se a fonte de
riqueza dessa sociedade. O Brasil tem que vencer o desafio de gerar essa fonte de
riqueza e desenvolvimento, para que não fique fora do ciclo de crescimentos gerado
pela SI.
Gerar conhecimento implica, diretamente, ter uma educação de qualidade,
por isso ele se vê intimado a repensar suas políticas públicas, inclusive as que têm
relação com a educação superior. Assim é lançada, em 2005, a Universidade Aberta
do Brasil. Segundo Mota (2007):
A Universidade Aberta do Brasil (UAB) é um projeto construído pelo
Ministério da Educação e Associação dos Dirigentes das Instituições
Federais de Ensino (Andifes), no âmbito do Fórum das Estatais pela
Educação, para oferta de cursos e programas de educação superior
a distância, em parceria com as Universidades Públicas, por meio de
consórcios com municípios e estados da Federação.
O projeto faz parte do atual conjunto de políticas públicas
desenvolvidas pelo atual Governo Federal para a área de educação,
especialmente na área de programas voltados para a expansão da
educação superior com qualidade e promoção de inclusão social.
Assim, o projeto se caracteriza pela da reafirmação do caráter
estratégico da educação superior e do desenvolvimento científico,
tecnológico e de inovação para o crescimento sustentado do País.
De acordo com Universidade Aberta do Brasil [20- -]
O Sistema UAB foi criado pelo Ministério da Educação no ano de
2005, em parceria com a ANDIFES e Empresas Estatais, no âmbito
do Fórum das Estatais pela Educação com foco nas Políticas e a
Gestão da Educação Superior. Trata-se de uma política pública de
articulação entre a Secretaria de Educação a Distância - SEED/MEC
e a Diretoria de Educação a Distância - DED/CAPES com vistas à
expansão da educação superior, no âmbito do Plano de
Desenvolvimento da Educação - PDE. O Sistema UAB sustenta-se
em cinco eixos fundamentais:
• Expansão pública da educação superior, considerando os
processos de democratização e acesso;
• Aperfeiçoamento dos processos de gestão das instituições de
ensino superior, possibilitando sua expansão em consonância
com as propostas educacionais dos estados e municípios;
• Avaliação da educação superior a distância tendo por base os
processos de flexibilização e regulação implantados pelo MEC;
77
• Estímulo à investigação em educação superior a distância no
País;
• Financiamento dos processos de implantação, execução e
formação de recursos humanos em educação superior a distância.
Dessa forma, o sistema de universidade aberta espalha-se pelo Brasil, por
meio de universidades e institutos federais, com o apoio dos municípios,estados e
federação. Com o objetivo de expandir a educação superior para localidades que
antes sequer tinham acesso a esse nível de educação. Implantar esse sistema é um
processo longo e com muitos obstáculos a superar, tais como, as instalações físicas
dos polos, dos equipamentos e da rede digital. Em muitos locais, o acesso à rede
digital era/é um acesso discado (por telefone), o que torna difícil a comunicação
entre seus participantes e a interação do discente com o sistema. No entanto apesar
das dificuldades, ainda a serem vencidas, a UAB começa a cumprir esse objetivo da
expansão da educação pelos locais mais longínquos do Brasil.
3.1.1 UAB e o Instituto Federal de Ensino Superior da Região Nordeste
O edital Nº 1 da UAB visava fomentar o sistema de UAB. Nesse edital, as
instituições federais de ensino superior ofereciam propostas de cursos superiores na
modalidade de educação a distância, e as prefeituras municipais indicavam quais os
cursos de que necessitavam para as suas cidades, ficando sob a tutela dos
administradores a implantação dos polos de apoio presencial.
Esse edital não limitava a ação dos Institutos Federais de Ensino superior
(IFES) a sua região de origem, logo foi possível uma IFES do sul do País ministrar
cursos em cidades da região Norte, o que acarretou alguns problemas de logística
de acompanhamento desses cursos que, embora fossem a distância, tinham
algumas etapas presenciais. No caso pertinente a esta pesquisa, o Instituto Federal
que autorizou a pesquisa, passou a ministrar os cursos em municípios de
Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Bahia.
Por meio de solicitação da Direção Geral do Centro Federal de Educação
Tecnológica que atualmente é um Instituto Federal de Ensino Superior –, o Núcleo
de Tecnologia Educacional e Educação a Distância (NTEaD) propôs e submeteu ao
78
edital 1, da UAB, a oferta de dois cursos superiores na modalidade de educação a
distância: um curso para formação de professores e outro de tecnologia.
Durante quase dois anos, o NTEaD se preparou para oferecer esses dois
cursos à sociedade, quando no dia 17/10/2007, iniciou as atividades pedagógicas
com os cursos de Licenciatura em Matemática, nos polos de apoio presencial de
Ipojuca e Pesqueira em Pernambuco; Santana do Ipanema, em Alagoas; e de
Tecnologia em Gestão Ambiental nos polos de Ipojuca e Pesqueira, em
Pernambuco; Itabaiana, na Paraíba e Dias d’Ávila, na Bahia. Nessa época, o NTEaD
passou de um núcleo de pesquisa para se tornar uma Coordenadoria de Tecnologia
Educacional e Educação a Distância – CEaD.
Em dezembro de 2008, os CEFET foram transformados em Institutos
Federais (IF), e o nosso IFES converteu a CEaD em
Diretoria de Educação a
Distância (DEaD). Em 2009, foi lançado o edital para os cursos superiores e técnicos
a distância e, mais uma vez, ofertou os cursos de Licenciatura em Matemática para
os polos de Ipojuca e Pesqueira, em Pernambuco; Santana do Ipanema, em
Alagoas; e de Tecnologia em Gestão Ambiental para os polos de Ipojuca e
Pesqueira, em Pernambuco; Itabaiana, na Paraíba; e Dias d’Ávila, na Bahia; Nesse
mesmo edital, oferta, pela primeira vez, os cursos técnicos de Manutenção e
Suporte em Informática para os polos de Belém de Maria, Surubim, Garanhuns e
Paudalho; Manutenção Automotiva para os polos de Surubim, Garanhuns, Serra
Talhada e Palmares; e Sistemas de Energia Renovável para os polos de Recife,
Garanhuns, Serra Talhada e Fernando de Noronha.
Porém, são retirados do
processo seletivo os polos de Palmares e Fernando de Noronha por não terem
obtido número de inscrições válidas suficientes, conforme estabelecia o item 8.1.5.1
do edital de seleção nº 42 de 03/12/2008.
Em abril de 2009, a Fundação de Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior – CAPES lança, por meio de edital, o Processo Seletivo
de adesão, no Âmbito do Sistema Universidade Aberta do Brasil, a oferta de cursos
na área da Administração Pública, referentes ao Programa Nacional de Formação
em Administração Pública – PNAP. Mais uma vez, o DEaD , junto com a PróReitoria de Ensino, submete o projeto ao edital e é aprovada a proposta pedagógica
para a oferta do Curso de Especialização lato sensus em Gestão Pública, na
79
modalidade a distância nos polos da UAB em Palmares, Ipojuca, Pesqueira, Santa
Cruz do Capibaribe e Surubim.
3.2
Caminhos Percorridos na Pesquisa
A pesquisa utilizou uma abordagem qualitativa, pois, como argumenta
Chizzotti (2008, p. 27-28):
Se, por outro lado, o pesquisador supõe que o mundo deriva da
compreensão que as pessoas constrõem no contato com a realidade
nas diferentes interações humanas e sociais, será necessário
encontrar fundamentos para uma análise e para interpretação do fato
que revele o significado atribuído a esses fatos pelas pessoas que
partilham dele. Tais pesquisas serão designadas como qualitativas,
termo genérico para designar pesquisas que, usando, ou não,
qualificações, pretendem interpretar o sentido do evento a partir do
significado que as pessoas atribuem ao que falam e fazem.
Identificamos o Estudo de Caso como a estratégia de investigação mais
adequada para o tipo de problema colocado. Segundo Gil (2009, p. 6 apud
CRESWELL, 1994, p.12):
O pesquisador explora uma simples entidade ou fenômeno limitado
pelo tempo e atividade (um programa, evento, processo, instituição
ou grupo social) e coleta detalhada informação utilizando uma
variedade de procedimentos de coleta de dados durante um período
de tempo definido
A pesquisa foi desenvolvida em uma IFES da região nordeste, com
autorização da sua Diretoria de educação a distância, no curso Superior de
Tecnologia em Gestão Ambiental (CTGA), com as Salas de Aulas Virtuais (SAV) de
seis disciplinas.
O curso CTGA, que teve seu início em outubro de 2007, foi organizado por
módulos, e cada módulo dividido em etapas. Cada etapa constituída de, no máximo,
três componentes curriculares (disciplinas). A etapa pode durar de quatro a seis
semanas letivas, ficando a definição desse tempo em função da carga horária das
disciplinas. A semana letiva iniciou-se na quarta-feira e foi até a terça-feira seguinte.
Uma etapa foi finalizada com a última avaliação presencial de cada componente e,
80
logo após, iniciou-se outra etapa com outros componentes. Esse ciclo terminou
quando o conjunto de componentes curriculares propostos para o módulo foi
concluído.
A organização curricular do Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental,
modalidade a distância, apresenta-se como registrado no Quadro 1:
Quadro 7 – Organização Curricular CTGA/IF – Modalidade a Distância
Disciplinas
MÓDULOS
3
Política
Ambiental
4
Proteção
Ambiental
5
Qualidade
Ambiental
Legislação
Ambiental
Gestão de
Recursos
Naturais
Sistema Integrado
de Gestão
Desenvolvimento e
Meio Ambiente
Aspectos da
Economia
Ambiental
Gestão de
Recursos
Hídricos
Auditoria e
Certificação
Ambiental
Química
Ambiental
Comunicação em
Educação Ambiental
Políticas Públicas
Socioambientais
Gestão de Áreas
Urbanas
Processos
Industriais
Estatística
Aplicada
Procedimentos
Pedagógicos em
Meio Ambiente
Instrumentos de
Gestão
Ambiental
Gestão e
Tratamento de
Águas e
Efluentes
Líquidos
Programas de
Prevenção de
Riscos
Ambientais
Estudo da
Ecologia Regional
Saúde e
Saneamento
Ambiental
Avaliação de
Aspectos e
Impactos
Ambientais
Gestão de
Resíduos
Sólidos
Fundamentos de
Geologia
Biologia da
Conservação
Administração e
Marketing
Aplicados
Gestão da
Poluição
Atmosférica
1
Básico
2
Educação
Ambiental
Metodologia da
Pesquisa
Estratégias de
Educação Ambiental
Relações
Interpessoais
Socioambientais
Sensoriamento
Sistema
Remoto Aplicado Informações
ao Meio Ambiente Geográficas
de
Ecoempreendimentos
Planejamento
Ambiental
Manejo
e
Gestão de Unid. Recuperação de
de Conservação
Áreas
Degradadas
Preservação do
Patrimônio
Cultural
Expressão
Gráfica Aplicada
Projeto
Projeto
Projeto
Interdisciplinar
Interdisciplinar
de Interdisciplinar de
de
Proteção
Educação Ambiental Política Ambiental
Ambiental
Projeto
Interdisciplinar de
Qualidade
Ambiental
Fonte: Autora, 2011.
Para este estudo de caso, selecionaram-se três SVA da turma que iniciou o
curso em 2010.2, com cerca de 200 discentes inscritos, nos municípios de Dias d’
Ávila (BA), Itabaina (PB), Ipojuca (PE), Pesqueira (PE) e Limoeiro (PE). Essa
81
seleção fundamentou-se em três critérios, sendo um de ordem pessoal, um de
ordem técnica e um de ordem operacional.
O critério de natureza pessoal para escolha das SVA do curso de Gestão
Ambiental, como universo de pesquisa, baseou-se no fato de que foi nesse curso
que atuamos, pela primeira vez, como professora na modalidade a distância,
ministrando a disciplina de Expressão Gráfica. A partir dessa experiência com a
EaD, que começamos a observar, com maior atenção, a SAV, como o espaço
destinado ao professor para desenvolver a sua disciplina.
Já o critério técnico está relacionado à presença de uma disciplina (ou
componente curricular) de “expressão gráfica” no curso e aos alunos que já
cursaram esta disciplina. A existência de uma disciplina de expressão gráfica na
organização curricular torna peculiar a relação do estudante do curso com a
linguagem gráfico-visual. O objetivo desse componente curricular é que o estudante
construa conhecimentos na área de comunicação visual, para ajudá-lo em sua ação
profissional como gestor ambiental e, principalmente, como educador ambiental,
com a ampliação de seu repertório comunicativo por meio da utilização de mídias
gráfico-visuais como instrumento para estabelecer vínculos comunicativos com seu
público-alvo.
Para que esses vínculos comunicativos se estabeleçam, o profissional deverá
saber utilizar a linguagem gráfico-visual com seus elementos e princípios de
composição, formatando mensagens visuais para mídias impressas e digitais. Saber
se comunicar visualmente requer aprendizado e prática constantes, assim como
qualquer outro sistema comunicativo.
Dessa forma, o discente que já concluiu essa disciplina tem uma percepção
mais aguçada das questões comunicativas visuais, tornando-o mais consciente e
perceptivo quanto ao planejamento visual das SAV.
O critério operacional se verifica pelo fato de pertencermos ao quadro de
professores do curso de Design Gráfico e Gestão Ambiental (este último nas
modalidades presencial e a distância), o que nos conferiu, junto à Diretoria de
Educação a Distância (DEaD) e aos professores, a confiabilidade na pesquisa a ser
82
realizada e, por consequência, o oferecimento das condições operacionais
necessárias para viabilizar a mesma, como a cessão de senhas pessoais de acesso
à SVA.
A investigação estruturou-se em três fases, descritas a seguir.
3.3
Fases da Pesquisa
3.3.1 Primeira Fase
Objetivou aprofundar o conhecimento dos recursos do Ambiente Virtual de
Aprendizagem que a instituição utilizava (plataforma Moodle).
Após a autorização da DEaD para dar início à pesquisa, foi concedida uma
“sala teste” (Figura 14), isto é, uma SAV (na qual anteriormente já tínhamos sido
professora) foi duplicada para que, assim, tivéssemos liberdade de conhecer e
manipular os recursos oferecidos pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) –
Moodle – que poderiam ser usados no planejamento visual da SAV.
Figura 14 – Apresentação da SAV-Teste
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
Na Figura 15 apresentamos a tela inicial do AVA – SAV-teste, apresenta-se
com três colunas de trabalho.
A coluna 1 é composta de recursos administrativos, onde o professor poderá
obter inúmeras informações que o auxiliarão na administração de seu componente
curricular.
83
Na coluna 2, mais larga que as outras duas e centralizada, encontram-se as
SAV – Sala de Aula Virtual. Cada SAV é composta por faixas horizontais que
correspondem às semanas letivas do componente curricular. Nesse espaço, o
professor deverá, por orientação da DEaD, registrar o título da aula, um texto inicial
de orientação e os recursos pedagógicos que os discentes deverão explorar para
construir o conhecimento a ser trabalhado naquela semana. Esses recursos podem
ser links para os textos (os da semana e os complementares), links para sites, blogs
que lhes trarão mais informações do tema trabalhado, chats ( salas de bate-papo ou
tutoria on-line), fóruns de discussão, atividades de envio de arquivos ou para
responder os questionário, entre outros recursos disponíveis no AVA.
E a coluna 3, o espaço destinado à comunicação, avisos, mensagens. Na
figura 15, logo abaixo, mostraremos essa três colunas.
Figura 15 – Tela inicial do AVA/IF – SAV-Teste
Fonte: MOODEl-IFPE, 2011.
O acesso à edição da estrutura da SAV dá-se por meio do botão “ativar
edição”, localizado no canto superior direito.
Ao acionar o botão “ativar edição”, são liberados os comandos que poderão
alterar as configurações da SAV (coluna 2), acrescentando recursos pedagógicos
tais como: chats (tutoria online), fóruns de discussão, webquest, questionários, envio
de arquivos, links para textos e para sites, colocação de títulos, entre outros.
84
Na Figura 16, mostramos uma semana letiva com o botão de “ativar edição”
acionado e ainda alguns ícones que são deixados ativos para que possamos
manipular os elementos das SAV.
O ícone identificado como “i-1”, representado por um olho, tem duas posições
possíveis: aberto significa que os discentes poderão ver e interagir com a semana
letiva e fechado ele estará invisível aos discentes.
A identificação “i-2” refere-se a um conjunto de ícones que ajudará a
manipular o rótulo, tais como: movimentar o rótulo da direita; mudá-lo de posição
verticalmente; editá-lo podendo alterar o texto, a tipografia, a cor e tamanho dessa
tipografia, inserindo uma imagem; excluir o rótulo e, por fim, deixá-lo visível aos
discentes ou não. O problema encontrado com esse conjunto de ícones é que o
local que ele ocupa na página não pode ser alterado, permitindo que se criem
espaçamentos indesejados entre os rótulos, quebrando, assim, o ritmo e a harmonia
do espaço.
Quando ativamos o menu “acrescentar recursos”, encontramos o comando
“inserir rótulo” (i-3). Esse comando é o comando com potencialidade para ajudar a
construir o planejamento gráfico da SAV.
Os menus “acrescentar recursos” e “acrescentar atividades”, ao serem
ativados, liberam recursos e atividades que podem ser inseridos na SAV, auxiliando
o professor quando da escolha pedagógica a ser adotada e postando os conteúdos
da disciplina que serão ministradas aos alunos.
85
Figura 16 – SAV-Teste- Ícones de Manipulação Ativados
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
Durante a análise dos recursos oferecidos pelo AVA da IFES, procuramos
aqueles que pudessem ajudar no planejamento visual da SAV. Percebemos que o
recurso “Inserir Rótulo” é o que tem potencialidade para acrescentar à SAV os
elementos visuais necessários para planejá-la visualmente.
Observamos a Figura 17, que corresponde à tela obtida quando escolhemos
o comando “inserir rótulo”. Essa tela nos mostra um Editor de Texto, com várias
capacidades, entre elas temos a inclusão de textos e comandos para manipular esse
texto (escolha de tipografia, tamanho, cor do texto e do fundo do texto, alinhamento,
negrito o sublinhado, itálico e riscado), podemos ainda acrescentar figuras, tabelas,
links, emoticons e caracteres especiais. Embora ela tenha uma boa quantidade de
comandos para manipular textos, oferece, entretanto, poucas possibilidades de
86
manipular e criar alguns elementos visuais ou ainda de manipular dois elementos
simultaneamente.
Figura 17 – Tela do Editor do Comando “Inserir Rótulo”.
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
Outro fator que compromete o planejamento está relacionado à quantidade de
famílias tipográficas possíveis de usar, assim como a quantidade de tamanhos que
essas tipografias podem ter. Nas Figuras 18 e 19, mostramos essas possibilidades.
Figura 18 – Famílias Tipográficas
Disponíveis.
.
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
Figura 19 – Tamanhos Disponíveis para a
Tipografia.
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
As tipografias e tamanhos, acima apresentados, satisfazem quando temos
que escrever um texto corrido, longo, pois elas terão legibilidade adequada para
leitura em tela em qualquer tipo de tela. Porém se a opção for fazer um rótulo ou
87
título com uma qualidade visual que remeta ao assunto tratado na disciplina, essas
opções tornam-se poucas e pobres visualmente.
Para superarmos essas limitações e podermos adotar os princípios da
linguagem gráfico-visual na criação dos rótulos, recorremos a instrumentos
informatizados como programas de edição de imagem e de vetorização. Com eles,
podemos produzir uma imagem contendo as informações relativas a cada semana
letiva, utilizando os códigos visuais (cor, tipografia, iconografia e os princípios de
composição). Com a imagem do rótulo construída, podemos utilizar o comando
“inserir rótulos” e no editor de texto que ele nos disponibiliza usar o comando inserir
imagem.
Na Figura 20, apresentamos a SAV teste com o rótulo da semana expresso
por tipografias, com cores e tamanhos diferenciados, criados com os recursos
disponíveis no AVA. Já a Figura 21 exibe o rótulo que foi produzido utilizando os
programas de edição de imagem e de vetorização, adotando-se princípios da
linguagem gráfico-visual na aplicação dos elementos visuais: cor, tipografia, imagem
e princípios de composição.
Figura 20 - Rótulo só com Uso de Tipografia
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
88
Figura 21 – Rótulo Construído Utilizando a Linguagem Gráfico-Visual
Fonte: MOODEL-IFPE, 2011.
Após os estudos e análises efetuados nesta SAV-Teste, verificamos que as
opções para se trabalhar visualmente uma SAV são escassas. Para se obter uma
SAV com o planejamento visual dentro da linguagem gráfico-visual, é necessário
utilizar outros programas computacionais que facilitem a manipulação dos
elementos.
3.3.2 Segunda Fase da Pesquisa
A turma escolhida foi a que iniciou em 2010-2, trabalhamos com o módulo
básico do curso; dessa forma, a investigação abordou discentes que estariam
entrando em contato com AVA utilizado na IFES pela primeira vez. Portanto, ainda
sem experiência para perceber o planejamento visual, a falta de planejamento ou
ainda contaminados por um número excessivo de SAV (com os mais diversos tipos
de planejamento). A etapa escolhida para o trabalho foi a terceira, porque dessa
maneira os estudantes teriam se acostumado com o AVA, com a metodologia
utilizada para o desenvolvimento dos componentes curriculares e já teriam cumprido
o componente “expressão gráfica”.
As disciplinas do módulo básico do semestre letivo 2010-2 foram divididas
nas três etapas, conforme registradas no quadro 08. A etapa em azul foi a
selecionada para o trabalho nessa fase da pesquisa.
89
Quadro 8 – Etapas do Módulo Básico do Curso de Gestão Ambiental/2010-2
1ª Etapa
Relações
Interpessoais - RI
Metodologia da
Pesquisa - MP
Fundamentos da
Geologia- FG
2ª Etapa
Estudo Da Ecologia
Regional – ER
Expressão Gráfica
Aplicada – EG
3ª Etapa
Química Ambiental- QA
Sensoriamento Remoto
Aplicado - SR
Estatística Aplicada –
EA
Fonte: Autora, 2011.
Na etapa escolhida, dois componentes curriculares (Química Ambiental – QA
e Sensoriamento Remoto – SR) tiveram suas SAV planejadas visualmente de
acordo com os princípios da linguagem gráfico-visual, em um trabalho conjunto com
os professores que os iriam ministrar. O terceiro componente curricular não recebeu
por parte da professora pesquisadora nenhum planejamento visual, sendo utilizado,
apenas, para observação visual.
Para que uma mensagem visual seja construída e decifrada, entendida por
seus interlocutores e receptores, o emissor deve: a) conhecer o conteúdo a ser
abordado; b) conhecer o código linguístico a ser utilizado e c) conhecer o púbico que
receberá a mensagem. Nesse contexto, cada docente das disciplinas selecionadas
esclareceu os conteúdos abordados a cada semana, quais imagens poderiam ser
utilizadas na composição visual e como foram suas vivências anteriores com os
discentes dessas disciplinas.
Dessa forma, a cada semana, na segunda-feira, era feito o planejamento
visual das SAV, e os docentes emitiam suas opiniões. As mudanças que se
fizessem necessárias eram produzidas na terça-feira, pois na quarta-feira a semana
letiva se tornava visível para os discentes.
É necessário ter clareza que as opiniões dos docentes eram analisadas e
discutidas com eles e que a discussão era fundamentada em dois pontos básicos:
(1) a relação dos conteúdos dos componentes curriculares com o planejamento
visual proposto; (2) a organização visual propriamente dita, isto é, se os docentes se
sentiam
contemplados
pela
organização
visual
proposta.
Nesse
aspecto,
detectamos que um dos docentes tinha um gosto visual sóbrio, simples, limpo,
adepto a formas mais retas. Já o segundo gostava mais de formas mais livres,
orgânicas.
90
Esses aspectos foram respeitados na composição visual já que devemos, ao
planejar visualmente as SAV, levar em consideração: os códigos visuais, os
conteúdos dos componentes curriculares, a visão do professor que ministra a
disciplina e, finalmente, o público que se quer atingir. É essencial que docentes e
discentes se sintam convidados a participar e compartilhar da SAV e de seus
conteúdos.
3.3.2.1 Planejamento Visual das SAV
Para efetuar o planejamento visual das SAV, seguimos os seguintes passos:
1- Observação das SAV organizadas pelos docentes, listando os pontos a
serem explorados;
2- Reunião com os professores e tutores responsáveis pela SAV;
3- Coletânea de informações visuais, imagens que serão utilizadas
durante na disciplina;
4- Definição dos pontos norteadores do planejamento visual;
5- Formatação das mensagens visuais, rótulos, com os programas de
vetorização e edição de imagem;
6- Acesso às SAV para efetuar o planejamento, os docentes cederam as
suas senhas de acesso para que esse passo pudesse ser efetuado;
7- Implementação do planejamento sempre às segundas-feiras; caso
fosse necessária a efetuação e retificação desse planejamento, às
terças-feiras.
Apresentamos, logo abaixo, a tela inicial da disciplina de sensoriamento
remoto, com uma análise visual de sua interface gráfica, antes de ter seu
planejamento visual revisto pela pesquisadora.
Descrevemos os pontos que nortearam o planejamento visual, apresentamos
a tela com as modificações feitas e fizemos uma análise dessas modificações. Por
fim, apresentamos também uma semana letiva dessa SAV, com e sem o
planejamento visual executado de acordo com a linguagem gráfico-visual.
91
Disciplina de Sensoriamento Remoto.
Os pontos observados relativos ao uso da linguagem gráfico-visual na SAV da
disciplina de Saúde Saneamento Ambiental (SSA), antes da execução do
planejamento visual, foram (Figura 22):
•
O título inicial da disciplina está escrito em uma tipografia em cor vermelha e
negritada; o tamanho com relação ao texto do corpo é um ponto maior;
•
A página é muito longa e monótona, todas as tipografias estão com o mesmo
tamanho e cor;
•
A separação por assuntos se dá apenas pelo espaçamento entre os
elementos visuais.
Figura 22 – SAV-Disciplina SSA antes do Planejamento Gráfico-Visual
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
92
Após a execução do planejamento visual, a interface da disciplina se
apresenta como na Figura 23
Figura 23 – SVA - Disciplina SSA após o Planejamento Visual
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
93
Os pontos norteadores do para o planejamento visual realizado consistiram
em:
• Trabalhar visualmente o rótulo inicial com tipografias diferenciadas,
imagens e cores ligadas ao tema trabalhado; utilizar os princípios de
composição (alinhamento, contraste, repetição e proximidade) para obter
o resultado de uma organização visual atrativa, quebrando a sensação
de algo monótono (Figura 24).
Figura 24 – Rótulo inicial da Semana 4 – Disciplina SSA
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
• Separar os textos e links que comporão as semanas letivas em unidades
visuais afins;
• Criar rótulos secundários para cada grupo. Esses rótulos têm um grau
menor na hierarquia da informação, portanto não deverão competir
visualmente com o rótulo inicial. Foram compostos visualmente por dois
retângulos coloridos em degradê, e o nome do rótulo entre os
retângulos. Utilizou-se tipografia em negrito e na cor do retângulo,
conforme Figura 25:
Figura 25 – Rótulo Secundário.
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
O objetivo é fazer com que os discentes façam uma associação desses
rótulos secundários com o seu conteúdo, ajudando-os posteriormente a recordarem
e localizarem com maior facilidade os itens que eles querem trabalhar.
94
• O texto de apresentação tiveram as tipografias de boas-vindas e de
despedidas alteradas em tamanho, cor e negrito.
Podemos observar mudanças positivas na tela inicial da disciplina após a
execução do planejamento visual da SAV de SSA – Figura 23
• O rótulo inicial, em função do tamanho, das cores e imagens provoca
impacto visual e fornece os primeiros dados sobre o conteúdo da
disciplina;
• A tela continua longa em função, principalmente, do texto inicial, porém
esse texto segue normas da DEaD. Dessa forma, o texto não pode
sofrer alterações. No entanto, os rótulos secundários alteraram o ritmo
de leitura, tornando a tela menos monótona e chamando mais atenção
para determinados conteúdos.
• A estrutura de Títulos/rótulos e rótulos secundários, com o uso de cores,
proporcionou uma hierarquia das informações, tornando a leitura visual
mais organizada e criando uma facilidade para memorizar visualmente
as unidades visuais.
A Figura 26 apresenta a tela da 2ª semana letiva da disciplina de
Sensoriamento Remoto (SR) que está como o professor da disciplina executou. Já
na figura 27 podemos observar a mesma semana letiva com o planejamento visual
executado com base nos pontos norteadores adotados para a SAV de SSA.
95
Figura 26 – Semana Letiva da Disciplina SR sem o Planejamento Visual
Fonte: RAMESH, [s.d.].
Figura 27 – Semana Letiva da Disciplina SR com o Planejamento Visual
Executado com Base nos Pontos Norteadores desta Pesquisa.
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
96
O rótulo inicial da SAV tem a função de informar o assunto ou tema a ser
desenvolvido nesse período, por esse motivo ele foi trabalhado da seguinte forma:
a- Construção de uma imagem retangular, dividida em duas de tamanhos
diferentes. A primeira área (A1) é maior que a segunda e comportará o
texto do título da semana;
b - A cor escolhida, para A1, será baseada no assunto a ser tratado ou na
figura que comporá a segunda área (A2).
c - O tom escolhido para esse fundo deverá oferecer um contraste com a cor
da tipografia do título para preservar a legibilidade e leiturabilidade deste
título.
d - A segunda área (A2) comportará a imagem escolhida pelo professor da
disciplina que deverá representar o assunto a ser estudado naquele
período e deve ter seu direito autoral assegurado por meio de uma fonte
já existente ou de criação própria.
e- O texto do título poderá ser composto pelo assunto ou tema da semana e
poderá ser acompanho de outro texto que indicará o período o semana
letiva. Nesse caso a indicação desta semana receberá uma hierarquia
visual menor que o texto do tema.
f- A tipografia deverá ter a sua forma plástica escolhida segundo o conceito
semântico que se deseja passar, porém ele se deverá ter boa
legibilidade e leiturabilidade,
g- O texto poderá ter seu alinhamento trabalhado em relação à figura que se
colocar em A2.
Dessa forma, trabalhamos os princípios de contraste e alinhamento, os
elementos cor, iconografia e tipografia nesse rótulo inicial.
Os rótulos secundários têm a função de organizar visualmente os links
disponibilizados pelo professor durante a semana letiva. Ele tem uma hierarquia
97
visual menor que o rótulo inicial, por esse motivo eles foram trabalhados da seguinte
forma:
a. Os links foram divididos em assuntos e ou tarefas a serem realizadas.
b. Utilizamos duas barras coloridas separadas pelo nome do rótulo, rotulo este
com tipografia na cor das barras.
c. A Cor dos rótulos seguiu as características mais fortes do tema/assunto, por
exemplo:
c.1– Rótulo Orientação, Chat e Fórum, nesse rótulo teremos textos de
orientação da semana, que é um convite a participar do que se vai estudar
com enumeração das tarefas a serem realizadas. E os links para a sala de
bate-papo (chat) e os fóruns de discussão, que mais uma vez são um
convite à comunicação, para estabelecer um diálogo entre discentes,
tutores e professores. Foi escolhida a cor verde-escuro por proporcionar
uma associação afetiva com bem-estar, equilíbrio, tolerância e no senso
comum o verde, também, está associado ao sentido de permitir, ir em
frente, seguir.
c-2- Rótulo Recursos Didáticos, está relacionado aos links de textos e sites
que ligados ao assunto/tema a ser estudado e pesquisado. Por esse motivo
ele carrega um tom mais sério e deve ter uma boa credibilidade. Logo a
escolha de cor para este rótulo foi o azul-escuro, pois ele proporciona uma
associação afetiva de confiança, verdade, sentido e intelectualidade.
c-3- Rótulo Atividades da Semana, contem os links relacionados a
questionários, pesquisas, envios de arquivos, webquest entre outros. Para
que se realizem tarefas é importante que se tenha força e energia, por este
motivo a cor escolhida foi o laranja-escuro, pois ela propicia uma
associação afetiva com energia, força euforia, luminosidade.
c.4 - Os tons escolhidos para as cores nesses três rótulos secundários foi o
tom escuro, pois eles provocam um contraste com a tela, que é branca e
emite muita luz. Esse contraste oferece uma adequada legibilidade e
98
leiturabilidado deste rótulos, permitindo ao usuário encontrar visualmente os
links desejado com maior facilidade.
c-5- Um dos cuidados, nesse caso, foi não escolher as cores verdes e
vermelhas para não dificultar a leitura visual de um usuário que seja
daltônico.
Esse padrão de planejamento visual da semana letiva foi utilizado em todas
as outras semanas de forma a criar para os usuários um padrão de repetição,
gerando também o reconhecimento visual da disciplina em comparação as outras.
3.3.3 Terceira Fase da Pesquisa
Iniciamos a terceira fase da pesquisa com a mesma turma de Gestão
Ambiental, no semestre subsequente 2011-1, trabalhando o planejamento visual da
interface das SAV das disciplinas de Sistema de Informações Geográficas (SIG) e
Saúde e Saneamento Ambiental (SSA).
Os procedimentos para realizar o planejamento visual da interface dessas
duas SAV foram os mesmos da segunda fase, ou seja:
1. Reunião com os docentes e tutores responsáveis pela SAV, os quais foram
informados sobre a pesquisa e a interferência no planejamento visual;
2. Participação dos docentes e tutores no que se referia à seleção das
imagens que poderiam ser usadas durante as semanas letivas.
3. Após execução do nosso planejamento visual a SAV era liberada para os
docentes e tutores que expressavam suas opiniões que geravam, em
alguns casos, um re-planejamento até o momento que era liberada para os
discentes
Para cada SAV, foi criado um planejamento, que adotou os mesmos pontos
que nortearam o trabalho da fase anterior.
Durante esse período letivo, houve uma semana em que as aulas não foram
ministradas em função de um feriado, logo o seu planejamento ficou diferenciado.
Esse planejamento foi composto com o Rótulo inicial da semana. Abaixo mostramos
99
a imagem desta semana sem o planejamento visual (Figura 28) e depois com o
planejamento (Figura 29).
Figura 28 – Semana Letiva da Páscoa - sem Planejamento Visual 1
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
Nesse exemplo, o docente escreveu a mensagem desejando um bom
descanso e uma boa Páscoa a todos, assinando como equipe de SIG. A tipografia
utilizada foi pequena e sem serifa, que é a tipografia comum das leituras de textos
corridos, permanecendo um sentido de formalidade. A imagem utilizada pelo
docente remete a questões da Páscoa (coelho da Páscoa e os ovos de chocolate).
Figura 29 – Semana Letiva da Páscoa – com o Planejamento Visual 1
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
Para o planejamento visual dessa semana, foi construída uma mensagem
visual envolvendo o texto que o docente escolheu e imagens ligadas ao tema. Essa
mensagem foi inserida como o rótulo da semana. A tipografia usada foi a que imita a
100
escrita cursiva (feita à mão) e fina, a qual adiciona ao conteúdo semântico das
palavras o sentido de informalidade e leveza. A tipografia é branca e situa-se sobre
uma imagem de tons escuros, fornecendo um bom contraste e legibilidade. A
imagem de fundo foi trabalha com três fotografias que foram somadas com o uso de
um aplicativo de edição de imagem. Após a soma dessas imagens, foi aplicado um
filtro que dava a impressão de pinceladas, pintura. As imagens escolhidas foram o
ovo de páscoa colorido, mantendo-se o sentido inicial objetivado pelo docente,
contudo somando-se os sentidos totalidade com a figura do planeta terra e o sentido
de cuidado e apoio com a imagem da mão da criança sobre a mão do adulto.
Os sentidos atribuídos às imagens, acima descritas, podem variar de pessoa
para pessoa, porém elas estão dentro de uma esfera comum de significados,
portanto vão transmitir a mensagem central que foi objeto dessa criação.
Com esse exemplo quisemos mostrar que uma semana letiva, por mais
simples que seja, ao utilizar a linguagem gráfico visual para o seu planejamento
visual pode impactar favoravelmente os seus usuários.
3.4
Conhecendo a Opinião dos Estudantes sobre o Planejamento GráficoVisual das SVA
Para conhecer como os estudantes avaliam a importância do planejamento
gráfico-visual das SVA ou mesmo como percebem a diferença entre uma SVA
planejada e uma não planejada, aplicamos um questionário que foi postado na SAV
(Apêndice 1, p. 119) da disciplina de SIG. Essa SAV teve a sua interface gráfica
planejada visualmente, utilizando a linguagem gráfico-visual
As perguntas do questionário, apresentadas a seguir, tiveram que ser
ajustadas, visto as limitações impostas pelo AVA referentes à maneira de inserção
de perguntas a um questionário. A forma final do questionário consta do Apêndice 1,
para que se possa observar como as perguntas ficaram dispostas.
O Questionário e os Resultados
Elaboramos um questionário semiaberto com 23 perguntas. Tivemos 38
respondentes do universo de 200, este valor corresponde a 19% dos alunos
101
respondendo ao questionário. Os discentes tinham toda liberdade de responder ou
não aos questionários, foram incentivados por meios de mensagens enviadas pelos
professores e tutores da SAV, porém estes questionários foram colocados na 6ª e
última semana letiva que também era a semana que antecedia a semana de prova
final de todas as disciplinas desta etapa. Acreditamos que este pode ser um motivo
para que não houvesse um quantitativo maior de respostas.
As questões de 1 a 9 tiveram o intento de traçar o perfil dos discentes por
meio da faixa etária, sexo, se já possuía outra graduação, se tinham conhecimento
da utilização do MOODLE ou de outro ambiente virtual de aprendizagem, e há
quanto tempo utilizavam o MOODLE. As perguntas de 10 a 23 tiveram como objetivo
saber se os alunos reconheciam os elementos que compõem a linguagem gráficovisual e como esses elementos afetavam a sua interação com a SAV. As figuras e
quadros mostrados neste capítulo, para analise das respostas, foram gerados dentro
do AVA.
Com as respostas que obtivemos e com dados iniciais que fizeram parte do
processo de escolha desta pesquisa, pudemos conhecer quem são estes discentes.
Eles moram em municípios do interior dos estados de Pernambuco, Paraíba, Bahia
e Alagoas; locais onde o acesso a internet é de baixa velocidade e o acesso a rede
se dá pelos polos presenciais de apoio, que fazem parte dos editais do sistema da
UAB, ou por meio de lanhouses, locais que comercializam o uso e de computador e
acesso a internet. Em resumo embora o discente tenha o acesso à rede, a qualidade
e velocidade de conexão é baixa. O que torna este um fator fundamental no
momento de planejar a SAV, a sua interface gráfica, pois em casos de baixa
velocidade é importante que existam poucos erros na sua utilização, por parte dos
discentes, permitindo uma maior fluidez nos acesso aos conteúdos e exercícios
propostos.
As questões 1, 2, (Figura 30) nos mostraram que temos uma equidade em
relação ao gênero, isto é temos 50% de homens e 50% de mulheres, em relação a
idade temos que 65,79 % tem mais de 30 anos, que se configura, segundo Conger
(1998), em uma geração conhecida como Geração X13. O conceito de gerações, de
13
As definições de nomes e de períodos entre gerações sofrem diferenciações de acordo com os autores que
abordam esse assunto.
102
acordo com Kullock (2010) “engloba o conjunto de indivíduos nascidos em uma
mesma
época,
influenciados
por
um
contexto
histórico,
determinando
comportamentos e causando impacto direto na evolução da sociedade” e por tanto
influência a forma de ensinar e aprender. Esta geração é composta por pessoas
nascidas entre 1965 e 1981, que se sentem a vontade com a tecnologia, gostam de
consumir equipamentos eletrônicos e da informalidade, buscam o equilíbrio entre a
vida profissional e pessoal, trabalham com entusiasmo.
Já os outros 34,21% pertencem a geração Y, filhos da geração X, nascidos
entre 1980 e 2000, tem entre suas principais características o fato de que nasceram
na era dos computadores, das máquinas fotográficas digitais e dos celulares, estão
sempre conectados a rede mundial de computadores, preferem computadores a
livros, se comunicam com facilidade por meio das redes de relacionamentos e estão
sempre em busca de novas tecnologias. Para o nosso trabalho o que é relevante é
percebermos que essas duas gerações têm em comum o conhecimento e uso das
TIC nas relações que estabelecem em suas vidas. Porém, este é um assunto que
necessita de maiores pesquisas, já que falamos de pessoas, que embora nascidas
dentro dessas gerações, elas pertencem a cidades do interior dos estados da região
do nordeste. Elas ainda que tenham acesso, como dissemos anteriormente, este
acesso é de baixa qualidade.
Na questão 3, Figura 30, e na questão 4, Quadro 9, buscamos entender
quantos discentes já tinham outra graduação completa e qual seria. Com as
respostas percebemos 76,32 % não possuem outra graduação e os que possuem
uma graduação não se concentram em áreas que tenham afinidade com o curso de
gestão ambiental.
103
Figura 30 - Questões 1, 2 e 3
Fonte: Autora, 2011.
Quadro 9 – Questão 4 e Respostas
Questão
Respostas
Psicologia
Lic. em Ciências Biológicas
Licenciatura Plena em Química
4 Em caso afirmativo, qual a
área de formação
Marketing
ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESA
Ciências Contábeis
TECNOLOGIA ELÉTRICA
Pós graduação em Qualidade
Fonte: Autora, 2011.
Para que pudéssemos avaliar o quantos nossos alunos já conheciam o
ambiente MOODLE e ou outro Ambiente Virtual de aprendizagem, fizemos
perguntas especificas sobre esse tópico. As respostas às questões 5, 6 e 7,
mostradas na Figura 31, a questão 8, no Quadro 10, e a questão 9, na Figura 32,
nos sinalizaram que: a) Eles acreditam, 76,31%, que têm de bom a excelente
conhecimento na utilização do MOODLE; b) 47,37% usam o ambiente a mais de 6
meses e outros 47,37% a mais de 1 ano; c) 73,68% não haviam freqüentado outro
curso a distancia, porém dos que haviam feito outro curso a distância verificamos
que não havia uma área de conhecimento comum entre eles, nem com o curso de
estão ambiental. Por fim, 53,85% dos que já fizeram outro curso a distância
utilizaram o ambiente MOODLE. A relevância desses dados se dá pelo fato de que
os estudantes, participantes desta pesquisa, já tinham conhecimentos necessários
104
para trabalhar no ambiente, ou por causa do tempo de uso ou por ter utilizado um
AVA em outro momento de aprendizado, tendo em vista suas faixas etárias, e as
gerações a que pertencem conforme apresentamos nas páginas 91 e 92 deste
estudo. Dessa forma dirimimos da pesquisa a dúvida se o aluno não encontra o que
procura, dentro da SAV, porque não conhece o sistema ou se é porque ele não
visível de forma adequada. Abaixo temos as Figuras 31 e 32, o Quadro 10 que nos
mostram as respostas das questões 5, 6, 7, 8 e 9 tal qual a analisamos.
Figura 31 – Questões 5, 6 e 7
Fonte: Autora, 2001.
Quadro-10 – Questão 8 e Respostas
Questão
8- Em caso afirmativo, em
que área?
Respostas
SEBRAE, Empreendorismo.
Informática
Análise de sistemas
Segurança Pública
Capacitação de servidor público.
Segurança pública(Pronasci)
Gerenciamento de Projetos
Informática
empreendedorismo pelo SENAI
Fonte:Autora, 2011.
105
Figura 32 – Questão 9
Fonte: Autora, 2011.
Nas questões 10, 11 e 12, abordamos a opinião dos estudantes quanto à
percepção dos elementos gráfico-visuais presentes na SVA e seus gráficos
sintetizam as resposta, abaixo mostraremos as questões com os gráficos das
respostas e logo após fizemos uma análise delas.
Figura 33 – Questões 10 e 12
Fonte: Autora, 2011.
Com as respostas às questões 10 e 11, percebemos que a maioria dos
discentes (86,84%) considera que o que mais prende a atenção deles na SAV é a
organização visual dos elementos como um todo. Cada elemento visual em
particular não se apresenta com mais destaque que o todo. Apenas um estudante
respondeu a questão 11, afirmando que “tudo, pois é visual, atrativo”.
Por meio das respostas à questão 12, observamos que 68,42% dos discentes
acreditam que aprendem com mais facilidade se utilizarem textos com imagens; e
21,05% acreditam que é a organização visual que facilita o aprender. Na soma das
respostas a esses dois itens, percebemos que o fator visual (imagem mais
organização visual), corresponde a 89,47% das respostas que valorizam a questão
visual na aprendizagem. No capítulo 2 deste estudo, discutimos a relevância da
imagem na relação do homem com o mundo que o cerca. Para Aumont (1993, p.
106
81), “a imagem tem por função primeira garantir, reforçar, reafirmar e explicitar nossa
relação com o mundo visual: ela desempenha o papel de descoberta do visual.” Ele
ainda afirma que essa relação, homemÙimagemÙmundo, é essencial para a nossa
atividade intelectual.
Colaborando com essa ideia, encontramos em Dondis (1991, p. 82): “A
linguagem é complexa e difícil; o visual tem a velocidade da luz e pode expressar
instantaneamente um grande número de ideias”. Assim podemos afirmar que ao
trabalharmos a interface da SAV com a linguagem gráfico-visual, apoiada nos
critérios ergonômicos de usabilidade, estaremos favorecendo a forma de aprender
do discente.
Para as questões 13, 14 e 15, focamos o elemento tipografia da linguagem
gráfico-visual. Foram apresentadas 3 palavras: Aprendizagem, Festa e Pesquisa.
Para cada uma delas, foi usada uma tipografia/família tipográfica diferente. Essas
famílias tipográficas foram escolhidas para afastar ou aproximar essas palavras de
seu sentido semântico.
Solicitamos aos participantes da pesquisa que associassem a forma visual da
tipografia aos conceitos de decoratividade, seriedade e neutralidade, entendidos
como:
a) Decoratividade - relativo a adornar com decoração; embelezar, enfeitar,
ornamentar;
b) Seriedade - qualidade de sério; compostura na apresentação e
maneiras; gravidade de porte; integridade de caráter; lealdade,
probidade, retidão;
c) Neutralidade - estado ou qualidade de neutral; não distintamente
marcado ou colorido; indiferença14.
Na Figura registramos a imagem da palavra “aprendizagem” e o resultado das
associações realizadas pelos estudantes com os conceitos supracitados.
14
Definições extraídas de: http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=indentação. Acesso em: 27 ago.
2011 as 15:30.
107
Figura 34 – Questão 13
Fonte: Autora, 2011.
A palavra “aprendizagem” está ligada à ação de aprender qualquer ofício, arte
ou ciência. Por essa razão, palavras como estudar, escrever, livros, cadernos e
escola se unem a esse conceito na memória do público que aprendeu a escrever e
ler. Por esse motivo, é comum unir-se o sentido semântico dessa palavra com a
forma visual da escrita manual. A tipografia ou família tipográfica escolhida para
representar a palavra é classificada por alguns autores como manuscrita
(WILLIAMS, 1995). Assim temos a forma visual da tipografia aproximando-se do seu
sentido semântico.
As respostas a essa pergunta revela um equilíbrio nas escolhas: 34,21% para
decoratividade; 36,84% para seriedade e 28,95% para neutralidade. Porém, se
levarmos em consideração que a aprendizagem carrega consigo um conceito de
algo sério e não festivo, podemos considerar que 65,79% dos discentes acham que
a forma visual remetem ao conceito de seriedade e neutralidade, e esses dois
conceitos juntos aproximam-se do sentido semântico da palavra.
Para a palavra “festa”, as respostas dos estudantes registraram as
associações como mostrado o Figura 34
108
Figura 35 – Questão 14
Fonte: Autora, 2011.
A palavra “festa” está ligada à alegria, felicidade, brincadeira. Quem pensa
numa festa pensa em se divertir. Porém, a tipografia ou família tipográfica utilizada
para escrevê-la é uma letra sem arabescos, formal, sem serifas, bastante larga e na
cor preta. Possui estética árida, que provoca a sensação de peso, de algo estático,
logo o sentido semântico é entendido, porém a sensação provocada pela tipografia
não complementa esse sentido.
O resultado dessa pergunta revela que 84,22% dos discentes acham que a
forma visual remete às qualidades de seriedade e neutralidade, afastando-se do
sentido semântico da palavra. E apenas 16% escolhem o conceito de
decoratividade, que é a qualidade mais próxima desse sentido.
No que se refere à palavra “pesquisa”, as associações feitas pelos discentes
com os conceitos estão na figura 36.
Figura 36 – Questão 15
Fonte: Autora 2011.
109
A palavra “pesquisa” está ligada ao sentido de investigação, de procura com
diligência, com cuidado. No senso comum ela está associada à seriedade, rigor,
indica uma responsabilidade, é formal. Porém, a tipografia escolhida tem uma forma
lúdica, que sugere brincadeira. Essa tipografia pode ser classificada por alguns
autores como fantasia/decorativa (JURY, 2007; WILLIAMS, 1995). Logo, a tipografia
escolhida não se aproxima do conceito semântico da palavra.
O resultado dessa pergunta revela que 97,37% dos discentes acham que a
forma visual remete a qualidades de decoratividade, distanciando-se do sentido
semântico da palavra.
Os resultados das análises dessas respostas reforçam o que foi tratado no
capítulo anterior, quando se apresentou o elemento tipografia. A forma visual ou
desenho da letra escrita não se encerra apenas no reconhecimento digital de seu
valor fonético ou verbal, mas a feição de seu desenho desencadeia uma série de
interpretações sensórias mediante a provocação visual.
As questões 16 e 17, que aparecem nas Figuras 37 e 40, buscaram identificar
a opinião dos estudantes quanto à influência que o planejamento gráfico-visual das
SVA exerce no seu processo de interação com elas. Para tanto, os discentes
observaram o modelo 1 da SVA, (Figura 38) e o modelo 2 (Figura 39).
Figura 37 – Questão 16
Fonte: Autora, 2011.
110
Figura 38 - Modelo 1 da SAV
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
111
Figura 39 – Modelo 2 da SAV
Fonte: MOODLE-IFPE, 2011.
Com as respostas à questão 16, observamos que 71,05% dos discentes
responderam que a SAV modelo 2 (Figura 39) seria a mais fácil de usar. As SAV
exibidas para os discentes são da mesma disciplina, Sensoriamento Remoto. A
diferença entre as elas esta no planejamento gráfico de suas interfaces, a SAV da
modelo 1, Figura 38, tem título/rótulo inicial em tipografia em negrito com uma fonte
altura maior do que a do texto geral, os seus links estão divididos por uma linha
vermelha e um título em tipografia vermelha e tamanho igual aos do links. No
modelo 2, Figura 39, tem o seu Título/rótulo executado com uma imagem criada a
partir do assunto e figura a ser trabalhado na semana letiva. Os links foram divididos
em três conjuntos que agrupavam tarefas ou assuntos afins. Para cada conjunto foi
criado um rótulo formado de uma tarja colorida que tem no seu meio o nome do
112
conjunto em negrito da mesma cor da tarja. Essa interface foi construída utilizando
os conceitos da linguagem gráfico-visual associada aos critérios ergonômicos de
usabilidade.
Quanto à questão 17, solicitamos que fosse quantificada, em uma escala de
zero a dez, a influência da organização visual (uso de cor, letra, imagem e
composição gráfica) da SAV na forma como ocorre a interação do discente com os
conteúdos da mesma. A Figura 40, que contém o gráfico dessa resposta mostra os
resultados obtidos.
Figura 40 – Questão 17
Fonte: Autora, 2011.
De acordo com as respostas. 89,47% atribuíram valores iguais ou maiores
que 7 para a influência que a organização visual de uma SAV tem na forma como o
discente interage com os conteúdos.
As questões 18 e 21 são análogas, com objetivo de identificar qual o grau de
facilidade de acesso aos links.Entende-se que facilitar esse acesso, em uma SAV,
significa dar dinamismo ao processo de busca das atividades e materiais e cada erro
significa perda de tempo, principalmente nos casos em que a velocidade da rede é
baixa. Que é a realidade nas diversas cidades do interior onde residem os
estudantes participantes da pesquisa. Portanto, essa possibilidade de erro deve ser
diminuída ao máximo.
113
A SAV à qual estão vinculadas essas perguntas foi trabalhada visualmente, e
os links de acesso às tarefas e aos materiais foram divididos em grupos por
afinidade de funções, sendo, depois, separados por subtítulos adotando-se o
procedimento de planejamento gráfico-visual descrito no item 3.3.2.1. Esse
procedimento de apresentação visual foi repetido a cada semana letiva, fazendo
com que essa forma de comunicação, na interface, pudesse abranger as
heurísticas15: Consistência e padrões; Prevenção de erros; Reconhecimento em vez
de memorização. E que também pudesse atender também o critério ergonômico de
condução com seus sub-critérios: Convite; Agrupamento/Distinção de itens;
Agrupamento por localização e Agrupamento e distinção de formato.
Na Figura 41 temos as perguntas 18 e 21 e os gráficos referentes a elas.
Estes gráficos expõem os resultados obtidos com as respostas. Ressalte-se que dos
38 participantes, 37 responderam a questão 18 e 33 a questão 21.
Figura 41 – Questões 18 e 21
Fonte: Autora, 2011.
Verificamos a partir das respostas a essas duas perguntas que 84,21% dos
estudantes tiveram pouca ou nenhuma dificuldade de acesso aos materiais
postados. Já 60,53% conseguem o acesso aos links com uma tentativa, enquanto
21% com duas ou mais tentativas.
A questão 22 complementa a resposta das duas questões anteriormente
analisadas, pedindo aos participantes que escolham qual o formato que mais
15
Ver capitulo 2
114
facilitaria o acesso aos links e materiais. O resultado pode ser observado no Quadro
11
Quadro 11 – Questão 22 e respostas
22-. Das
alternativas
relacionadas
abaixo,
escolha
aquelas que
você acha que
mais
facilitariam o
acesso aos
conteúdos das
salas de aula
virtuais:
Separar os
conteúdos por
grupos e esses
grupos
sinalizados por
cores
diferentes.
Usar Títulos
destacados
pela
tipografia(letra
com desenho
diferente) e
imagens
ligadas ao
conteúdo.
Organização
visual das
informações, de
maneira a
provocar uma
hierarquia de
leitura.
Todos os textos
apresentados
na tela, sem ter
que acessar a
links.
Todos os links
listados sem
separação
alguma.
16
15
16
5
0
30,77%
28,85%
30,77%
9,62%
0,00
Fonte: Autora, 2011.
Nessa questão 22 os estudantes poderiam assinalar mais de uma resposta;
observamos o total de respostas obtidas para fazer a análise. Dessa forma,
analisando os resultados referentes às opções que se relacionam com as duas
questões anteriores (18 e 21), verificamos:
•
Separar os conteúdos por grupos e esses grupos sinalizados por cores
diferentes ( 30,77%)
•
Usar Títulos destacados pela tipografia (letra com desenho diferente) e
imagens ligadas ao conteúdo. (28,85%%)
•
Organização visual das informações de maneira a provocar uma
hierarquia de leitura, 30,77%
Essas três opções fazem referências ao uso da linguagem gráfico-visual e a
heurísticas/critérios ergonômicos de usabilidade, conforme descrito nos parágrafos
anteriores, e elas recebem um total de 90,39% das escolhas dos discentes. Com
isso podemos identificar que o acesso aos links e materiais fica mais fácil e rápido e
que os estudantes reconhecem que trabalhar visualmente esses acessos promove
essa facilidade.
Na questão 19 perguntamos se os estudantes conseguiam identificar os
elementos visuais que aparecem na SAV e na questão 20 indagamos se eles
115
conseguiam escrever quais eram esses elementos. Como resultado, obtivemos que
63% acham que conseguem identificar os elementos visuais.
Quanto à identificação desses elementos visuais, as respostas que
apresentam nos elucidam o reconhecimento dos elementos: tipografia, cor, imagem
(iconografia), (respostas 1, 6, 8, 10, 12, 14 e 19). Reconhecem os rótulos iniciais e
rótulos secundários, que foram trabalhos dentro da linguagem gráfico-visual, como
elementos visuais na comunicação, (respostas 4, 7, 12, 13 e 14) como podem ser
observado no Quadro 12.
Quadro 12 - Questão 20 e Respostas
(continua)
Questão
1
2
3
4
5
6
7
20. Se você respondeu SIM à
pergunta
anterior,
escreva
abaixo quais são elementos que
você reconhece
8
9
10
11
12
13
Respostas
Tipografia ,
cor ,
fonte,
imagem
ícones de arquivos ligados diretamente às
atividades.,; Nome das atividades.
Os links de acesso
Fórum, recursos didáticos e atividades da semana.
imagens, subtítulos em destaque.
As cores, formato das letras e imagens.
Orientação,chat e fórum:orientação de estudo
semanal 1, chatt tutorria online, fórum da semana 1.
Recursos didáticos: livro aula-1, processo da
formação das cores-animação em flash, aquisição de
imagem-animação em flash, experiência sobre a luzanimação em flash
Atividade da semana: Questionário aula-1 e envio de
arquivo 1
Letras, cores, imagens.
Textos, ícones, destaques, avisos, etc.
As figuras presentes nos menus, exs.: recursos,
tarefas; o desenho do Q-acadêmico.
Na figura 2, mostrada acima como exemplo, há uma
imagem gráfica de uma área.
figuras, letras etc
envio de arquivo , fórum da semana
Imagem iconográfica relacionada ao tema abordado
na semana; texto informativo da semana; barras com
títulos separando os links por grupos; ícones ao lado
dos links.
Não são todos os símbolos que eu reconheço, mas
os mais usuais são o de CHAT, LIVRO, ENVIO DE
TAREFA, e também os links das barras indicando ou
orientando-nos diretamente ao assunto ou recurso
com suas cores diferenciadas.
116
Quadro 12 - Questão 20 e Respostas
(conclusão)
Questão
Respostas
14
20. Se você respondeu SIM à
pergunta anterior, escreva
abaixo quais são elementos que
você reconhece
15
16
17
18
19
20
Os elementos que indicam as tarefas, os fóruns e o
material didático, pois estão bem distribuídos através
da sinalização ,por cores e figuras.
Top do site em flash, menus laterais com
informações e textos.
Disciplinas, fóruns, mensagens, diagramação
decorativa, etc.
Não estou entendendo, mas se for os textos e
questionários são bem visíveis, por outro lado a
figuras postadas às vezes nos tira a atenção de
concentração do foco do assunto principal.
textos, foruns, chat, web.
Imagens, informações, videos...
orientação,livros para baixar,fórum.
Fonte:Autora, 2011.
Na questão 23 abrimos um espaço para que eles tecessem considerações a
respeito das impressões que não foram mencionadas nas questões anteriores e que
devem ser consideradas. Esperávamos comentários vinculados à questão gráficovisual da SAV, porém as respostas obtidas versam sobre problemas técnicos e
pedagógicos. (ver respostas 2, 3, 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 15) de uso do AVA.
Quadro 13 – Questão 23 e Respostas
(Continua)
Questão
Respostas
1
23Escreva
aqui
suas
considerações
ou impressões
que
você
acredita
que
não
foram
mencionadas
nas questões
anteriores
e
devem
ser
consideradas?
2
3
4
É de fundamental importância a participação do docente na melhoria do uso
da SAV, assim sendo, ele é quem usa o recurso e ele pode julgar, criticar e
aprimorar.
Só queria colocar uma ressalva, que é sobre questionários, em algumas
matérias foram postados questionários que permitiam só uma tentativa,
outros que tinham tempo, eu acho errado pois moro no interior a conexão
não é boa e já perdi questões por que a net caiu e não pude fazer mais,
acho que isso teria que ser mudado.
A questão de muitas vezes o site está fora do sistema.
Mais horários de chat.
Em relação ao acesso acadêmico, como calendário, inscrições, não gosto
do formato.
5
6
Apenas acho interessante não exagerar no número de links e materiais para
serem baixados/acessados na semana. Acaba ficando muitas opções para
serem acessadas.
117
Quadro 13 – Questão 23 e Respostas
(Conclusão)
Questão
Respostas
7
23- Escreva
aqui suas
considerações
ou impressões
que você
acredita que
não foram
mencionadas
nas questões
anteriores e
devem ser
consideradas?
8
9
10
11
12
13
14
15
Fonte:Autora, 2011.
PRINCIPALMENTE QUESTÕES COMO AULA INICIAL PRESENCIAL E
CONTEÚDO MAIS NÍTIDO DOS LIVROS DISPONÍVEIS NO AMBIENTE
EAD.EXEMPLO:
APOSTILAS OU LIVROS COM DESENHOS INFORMATIVOS NO CASO DO SIG
PRECISAM SER CONFECCIONADOS COLORIDAMENTE;
AS QUESTÕES DE CÁLCULOS NOS AMBIENTES EAD PRECISAM SER
REVISTOS DE FORMA A SIMPLIFICAR O APRENDIZADO
) O tamanho da letra do texto explicativo de cada semana poderia ser
aumentado.
2) Os links para arquivos PDF deveriam, sempre, abrir outra guia ou janela,
de forma a manter o acesso. concomitantemente a ambas.
De resto, parabéns pelo trabalho.
Não tenho
Quais são os elementos visuais que você quer saber? Respondir não porque
não entendir
A interação entre os alunos e os tutores/professores, além de uma linha
direta de contato e sugestões dos alunos, de forma que esta seja eficiente
no sentido de ouvir os questionamento dos mesmos.
Penso que facilitaria bastante se cada sala de aula tivesse uma área para
que os alunos pudessem colocar arquivos de forma compartilhada, uma
espécie de repositório geral.
Acho que ,quanto mais criativo for o ambiente, mais teremos chances de
entender a mensagem.. Letras que chamem a atenção....informações
repetitivas e interatividade é essencial no ambiente virtual..
Padrão de tipografia único, sem muita mistura.
Gosto da ideia de imagens ligadas ao conteúdo, mas não aprovo usar títulos
com tipografia diferente. Acredito que os títulos devem manter o mesmo
padrão de letra, até para podermos identificar que se trata de um título.
AS ATIVIDADES DE CADA DISCIPLINA DEVER E ATÁ SEMPRE BEM
EMFORMANDA COM A DATA E A SEMANA, COMO EX: ATIVIDADE DA SEMANA
(1) DO DIA 3 MAIO AO DIA 9 DE MAIO E VIR JUNTO À ATIVIDADE
118
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS
119
Ao trabalhar com EaD, observamos que as maiores preocupações dos
professores participantes, coordenadores e diretores, direcionavam-se no campo do
material didático, ou seja, os materiais que eram produzidos para serem utilizados
dentro dos cursos/disciplinas: textos, questionários, etc. Esses materiais recebiam
especial atenção já que eles eram o maior elo entre professor – conteúdo – discente
– aprendizagem. Outro aspecto do ambiente virtual muito discutido e incentivado
dizia respeito aos meios para estabelecer a comunicação com os discentes e tutores
– chats (salas de bate-papo), fóruns e mensagens – pois esses recursos marcavam,
e até ditavam, a comunicação entre esses atores envolvidos no processo educativo.
Com desenvolvimento e o fortalecimento da EaD, no Instituto Federal de Ensino
Superior da região nordeste analisado, outros materiais foram sendo trabalhados e
entre eles estavam os vídeos explicativos sobre as disciplinas ou de partes dos
conteúdos das disciplinas e os objetos de aprendizagem (OA), que eram animações,
na sua maioria, com o objetivo de apresentar um conteúdo específico das
disciplinas.
Um aspecto relevante no momento da análise dos dados foi a pouca ou
nenhuma atenção dada à interface da sala de aula virtual (SAV), isto é, a
apresentação destas salas não tinha quase nenhum planejamento visual. Essa
observação contrastava com a evidência da importância que se dava com a
qualidade do material a ser postado para os discentes e com a escolha dos recursos
e estratégias pedagógicas para desenvolvimento da disciplina, o que reconhecemos
como aspectos de fundamental importância para que o processo educativo tenha
êxito, entretanto, diante de um meio, como um ambiente virtual, que utiliza, em larga
escala, a comunicação escrita, visual e sonora, como não privilegiar o trabalho visual
de uma SAV?
Essa indagação, que acompanhou a pesquisa ao longo de todo o processo
associada com a nossa experiência e prática profissional e educacional na área
gráfico-visual, contribuiu para a formulação da pergunta-problema desta pesquisa:
em que medida uma Sala de Aula Virtual (SAV), planejada de acordo com os
princípios da linguagem gráfico-visual interfere na interação do discente com o
ambiente?
120
Dessa forma a pesquisa desenvolveu-se na busca de respostas, e para isso
procuramos entender no 1º capítulo o Contexto dos ambientes virtuais para a
aprendizagem, isto é, analisar o valor atribuído aos Ambientes Virtuais que estão
voltados para aprendizagem. Dentre os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA)
existentes,
nos
detivemos
no
ambiente
MOODLE
e,
particularmente,
no
entendimento da área destinada por ele à realização de cursos ou disciplinas, a que
denominamos de SAV (Sala de Aula Virtual). A SAV, espaço de trabalho no qual o
professor
tem
pedagogicamente
para
com
o
desenvolvimento
um
bom
número
da
sua
disciplina,
de
recursos
e
é
elaborado
ferramentas
já
disponibilizadas no ambiente. Porém, ao funcionar como o elemento de
investigações entre as ações dos discentes, do conteúdo e do professor, é
necessário que a interface gráfica da SAV seja planejada graficamente, de forma a
facilitar a interação dos usuários com os recursos pedagógicos que foram
disponibilizados.
O planejamento gráfico-visual de uma interface deve obedecer a uma
linguagem gráfico-visual, sem perder de vista os aspectos de usabilidade, pois uma
interface que se preocupe só com a linguagem gráfico-visual pode ficar visualmente
interessante, mas impedindo uma navegação rápida e eficiente. Por outro lado, uma
interface que não considere essa linguagem pode ser uma interface árida, que não
provoque o reconhecimento dos assuntos tratados e caminhos a serem percorridos.
Discutir a linguagem gráfico-visual conhecendo seus elementos básicos e os
princípios de composição, fazer uma união desses princípios com os critérios
ergonômicos/heurísticas de usabilidade foi o foco do segundo capítulo – Linguagem
gráfico-visual em ambientes virtuais de aprendizagem – o que nos permitiu
conhecer melhor os pontos fortes desta união e, assim, fazer uso desse
conhecimento nas SAV que fizeram parte da pesquisa.
Ao planejar graficamente uma interface, estamos construindo uma mensagem
visual para o usuário; essa mensagem deve cumprir seu objetivo de informar com
eficiência e eficácia, levando o usuário a percorrer os caminhos necessários para
cumprir seus objetivos. Esse percurso deve ser feito com facilidade e rapidez. No
caso dos AVA, a interface, graficamente planejada, vai além desses conceitos de
eficiência e eficácia, facilidade e rapidez. Ela deve ainda apresentar motivação,
121
associação com o assunto a ser apreendido, ajudando a criar pontos de ancoragem
para os conhecimentos a serem construídos.
Ao estudar a linguagem gráfico-visual nos seus elementos básicos (tipografia,
cor e iconografia), pudemos entender a força deles como fonte de informação na
composição da mensagem visual. A tipografia, isto é, a sua forma plástica, se
incorpora ao sentido sem. Todavia, a escolha dessa tipografia deve estar baseada
no uso que terá dentro do AVA.
No terceiro capítulo – contribuição da linguagem gráfico-visual na
interação dos discentes com SVA do curso de gestão ambiental –
contextualizamos a pesquisa dentro do universo do sistema, Universidade Aberta do
Brasil, e como o Instituto Federal que autorizou essa pesquisa entra nesse campo
da educação a distância por meio desse novo sistema de oferta de ensino superior
na modalidade a distância. Definimos o corpo da nossa pesquisa escolhendo o
curso, a turma e os semestres que iríamos atuar.
Durante a 1ª fase da pesquisa foi importante explorar os recursos
disponibilizados pelo MOODLE na formatação de uma SAV. Nesse ponto
constatamos que o ambiente MOODLE possibilita a utilização de vários recursos
para se trabalhar os aspectos pedagógicos do curso/disciplinas. Ele fornece espaços
para se postar materiais didáticos, sejam eles texto, vídeos, endereço de sites e etc.
Podem-se usar ainda os recursos que criam questionários, pesquisa e fóruns, todos
podendo ser trabalhados com uma variedade de tipos e estilos que se ajustem aos
conhecimentos que se quer construir. Há, ainda, os recursos de comunicação
síncrona e assíncrona que ajudam a promover as relações entre discentes,
professores, tutores e coordenadores desse processo educativo.
Entretanto, para se construir visualmente a interface gráfica da SAV, apenas
um recurso apresentou potencialidades, que foi o recurso inserir rótulo. Ao ser
acionado, ele abre um editor que permite a inserção de iconografias, imagens,
textos, links para sites e tabelas. Contudo, não autoriza a manipulação desses
elementos entre si. Qualquer ação nesse sentido tem que acontecer fora do
ambiente. Dessa forma, as possibilidades oferecidas pelo AVA ficam muito restritas
para um planejamento gráfico-visual mais aprofundado.
122
No nosso estudo de caso trabalhamos grafico-visualmente com um
rótulo/título principal e com os rótulos secundários, fazendo uso de softwares, que
manipulam imagens. Isto é, softwares que permitem a composição de uma
mensagem visual por meio da soma dos elementos gráfico-visuais (imagem, cor e
tipografia) e aplicando os princípios de composição.
Na segunda fase da pesquisa, trabalhamos com os professores responsáveis
pelas SAV que receberiam o planejamento visual. Em todos os casos os professores
acharam a proposta interessante e se dispuseram a colaborar com a pesquisa, pois
são eles que conhecem o conteúdo da disciplina e o perfil dos discentes. Em todos
os casos os docentes já tinham oferecido as disciplinas em mais de uma
oportunidade. Portanto, dominavam também as estratégias pedagógicas que iriam
utilizar. As reuniões foram efetuadas com cada professor e, após a primeira reunião,
as posteriores foram sendo estabelecidas também com os tutores, a convite do
professor. Os docentes se demonstraram interessados em participar do processo
oferecendo todas as possibilidades viáveis para que tivéssemos a liberdade de agir
na SAV.
A cada semana os professores entregavam os textos, materiais postados, os
recursos e tarefas já implantados em forma de links na SAV. Nós executávamos o
planejamento visual e no domingo os implementava. Na segunda-feira, os
professores e tutores observavam a SAV e faziam seus comentários, na terça-feira
era o dia para fazer as alterações sugeridas, finalmente na quarta-feira a SAV era
liberada para os discentes. Durante esse processo, dois professores tiveram um
maior interesse e passaram a adotar alguns parâmetros visuais escolhido para a
SAV. Dessa forma, passou a ser normal que esse professores nos entregassem a
SAV com os rótulos secundários já no padrão que tínhamos proposto. Esse fato nos
surpreendeu agradavelmente, pois o normal era o elogio perante a SAV pronta,
porém não havia uma predisposição prévia para executá-la, por eles próprios,
sobretudo no que tange ao planejamento. Enfim todos acharam que a SAV ficava
“mais bonita” ou era mais fácil de lembrar por ser diferente das convencionais.
Após
essas
duas
fases
iniciais,
fizemos
o
planejamento
visual,
implementação e acompanhamento das SAV. Para fazer o planejamento visual
algumas regras estabelecidas pelo grupo gestor da EaD do instituto tinham que ser
123
obedecidas; cada SAV deveria ter um texto inicial sobre o conteúdo da semana
letiva e ainda os links referentes à orientação dos estudos, chat, fórum, material
didático e atividade da semana. Outro requisito a ser atendido no planejamento
visual, foi o princípio estético dos professores, pois as SAV eram deles e deveriam
representá-los de alguma forma. Por fim, nos dedicamos a unir essas condições com
a linguagem gráfico-visual e os critérios ergonômicos de usabilidade.
Encerradas essas etapas, utilizamos o recurso pesquisa dentro de uma SAV
que foi planejada visualmente para buscar as respostas para nossas indagações:
•
Quais os elementos gráfico-visuais reconhecidos pelos discentes
como instrumento facilitador de sua interação com as SAV?
•
Qual a influência atribuída pelos discentes entre uma SAV com
planejamento gráfico-visual adequado e facilitação de sua
interação com o ambiente?
A partir das respostas obtidas constatamos que:
1. Os discentes participantes da pesquisa são, na sua maioria, adultos sem
graduação anterior e têm conhecimentos para utilização do ambiente.
Relembramos que essas pessoas moram em cidades do interior dos
estados de Pernambuco, Bahia e Paraíba.
2. As respostas afirmam e confirmam que a organização visual da SAV
prende a atenção e que aprendem melhor quando o conteúdo é
disponibilizado por meio de textos e imagens. Quando foi pedido para
escolherem qual a SAV mais fácil de usar, 71% escolheram a que foi
planejada visualmente utilizando a linguagem gráfico-visual em acordo
com os critérios ergonômicos de usabilidade. 90% atribuíram nota igual
e superior a 7 (sete) para a influência que a organização visual tem na
forma de interagir com os conteúdos que a SAV contém. Outro item
observado foi que 80% conseguiram acessar os materiais postados na
SAV com pouca ou nenhuma dificuldade e 61% conseguiam acessar os
links na primeira tentativa. É relevante esclarecer que nas cidades do
interior, nos quais moram os discentes pesquisados, a velocidade da
rede é baixa e cada erro provoca certamente uma grande perda de
124
tempo que gera no discente um sentimento desagradável que pode
dificultar o aprendizado.
3. Quando as perguntas versaram sobre o reconhecimento dos elementos
gráfico-visuais, ficou claro que os estudantes os reconheceram, por
vezes identificando-os por sua nomenclatura (cor, tipografia, fonte,
imagem) ou pela forma como foram apresentados (nome dos subtítulos
e títulos). Quando trabalhamos a forma da tipografia, verificamos que
eles conseguiram associar o conceito da forma (plástica) da tipografia
independentemente do conceito semântico da palavra. O que nos
esclarece que o elemento visual tipografia pode ser utilizado para
reforçar os sentidos e conceitos que se deseja alcançar nos conteúdos
das disciplinas.
Por fim podemos formular algumas considerações finais em relação á
utilização da linguagem gráfico-visual associada aos critérios ergonômicos de
usabilidade na construção da interface gráfica de uma SAV, uma vez que ela
interfere na interação dos discentes com o ambiente e, consequentemente, tem o
potencial de contribuir positivamente com seu processo de aprendizagem.
Verificamos, também, que existe um equilíbrio a ser conquistado quando se
pensa em fazer o planejamento visual de uma SAV. Esse equilíbrio encontra-se em
associar a linguagem gráfico-visual aos critérios ergonômicos de usabilidade, pois se
ao fazer esse planejamento visual esquecermos a usabilidade, teremos como
resultado uma interface cheia de informações visuais que serviram apenas para
confundir com uma interface “pesada” em termos de bytes, provocando um
funcionamento lento. Por outro lado, ter-se uma interface minimalista, só preocupada
com a usabilidade, corre-se o risco de que seja pouco atrativa, que não conduz o
discente a uma busca prazerosa na construção do conhecimento. Ou seja, uma
seleção que indique caminhos, tornando a interação mais fácil, criando pontos de
ancoragem, ativando os subsunçores dos discente, proporcionando com isso uma
efetiva aprendizagem SIGNITFICATIVA.
Em um processo educativo, que utiliza um AVA, a SAV representa o espaço
em que discentes, professores e conteúdos se encontram nessa busca pelo
125
conhecimento. A interface gráfica da SVA é o elo que une esses elementos e pode
representar um caminho bem construído para alcançar os objetivos educacionais.
O desenvolvimento desta pesquisa produziu vários questionamentos que
podem colaborar com novos estudos e, principalmente, podem ajudar a pensar e
repensar a educação que desejamos para as nossas futuras gerações. Uma
educação que possa motivar e estimular os aprendentes a querer aprender sempre,
que forme pessoas com capacidade de refletir, criticar, criar novos caminhos,
capazes de construir um mundo melhor para todos e não para um poucos.
Entres os questionamentos produzidos, destacamos alguns que demonstram
quanto ainda temos que percorrer nessa área de investigação:
1- Quem deve ser o responsável por construir a interface gráfica de uma
SAV? O professor responsável pela SAV ou uma equipe de designers?
Existe interesse por parte dos professores de aprender essa linguagem
gráfico-visual para preparar seus materiais visuais e suas SAV.
2- Os professores têm na sua formação, competências para trabalhar com
a linguagem gráfico-visual e os conceitos de usabilidade? Se não as
têm, a formação de professores deve mudar?
3- É interessante e possível criar um guia de recomendações que ajude
aos professores a conhecer e manipular os elementos de uma
linguagem gráfico-visual par ajudá-los a planejar visualmente a interface
de sua SAV?
4- É interessante e possível construir, dentro do próprio AVA, modelos
visuais de SAV pré-planejados para que os professores as utilizem, de
acordo com a sua disciplina específica?
5- É possível inserir uma ferramenta de edição de imagem dentro do
próprio AVA, capaz de auxiliar na construção do planejamento gráficovisual?
Todas essas questões nos levam a várias outras, pois esse é um espaço que
necessita e merece ainda pesquisas. No momento acreditamos que existam
algumas significativas ações que podem ser implementadas, tais como:
126
•
A criação de um grupo de estudo que trabalhe a interface gráfica da
SAV, explorando o potencial do uso da linguagem gráfico-visual e dos
critérios ergonômicos de usabilidade para a construção das interfaces,
nas diferentes Instituições de Ensinos Superior (IES).
•
Ofertas de Cursos de capacitação nessa área para estimular os
professores a
conhecer e trabalhar visualmente, utilizando a
linguagem gráfico-visual nos seus materiais visuais e nas suas SAV.
•
Criar no seio das IES, mas particularmente junto aos profissionais das
áreas de TIC e EAD equipes com designers preparados para ajudar na
construção das interfaces das SAV.
Reconhecedores de que o profissional de hoje e do amanhã necessita saber
se comunicar em muitas línguas e em muitas linguagens, pois vivenciamos uma
época de comunicação rápida e ela acontece pelos mais diversos meios e mídias,
as IES não podem perder isso de vista, por se tratarem de espaços privilegiados de
formações inicial e continuada. Não estamos mais em um só local por meio de um
equipamento eletrônico que tenha acesso à rede mundial de computadores;
podemos estar em vários locais ao mesmo tempo tomando as mais variadas
decisões, porém é fundamental dominarmos essas linguagens para podermos ser
eficientes. A Educação é a porta principal de acesso a esse mundo. Esperamos que
com esta pesquisa tenhamos contribuído com o debate sobre uma educação, mais
especificamente sobre a Interação em Salas de Aulas Virtuais: a contribuição da
linguagem gráfico-visual, fortalecida pelos os caminhos que o mundo virtual oferece
com suas múltiplas linguagens.
127
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São Paulo: Loyola, 2006. cap. 3, p. 53-75.
TEDESCO, J. C. Educar na sociedade do conhecimento. Araraquara: Junqueira &
Martins, 2006.
TORI, R. Educação sem distância: as tecnologia interativas na redução de
distâncias em ensino e aprendizagem. São Paulo: SENAC, 2010.
UNIVERSIDADE ABERTA NO BRASIL. [20- -]. Disponível em:
http://uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9&Itemid=2
1. Acesso em: 22 ago. 2011.
WILLIAMS,R. Design para quem não é designer: noções básicas de planejamento
visual. Tradução Laura Karin Gillon. São Paulo: Callis, 1995. ISBN: 85-85642-40-8.
131
APÊNDICE
132
APÊNDICE A
Questionário da Pesquisa.
1 Idade
Menos de 18 anos.
Entre 18 e 20 anos.
Entre 21 e 24 anos.
Entre 25 e 30 anos.
Mais de 30 anos.
2 Sexo
Masculino.
Feminino.
3 Possui outra graduação completa?
Sim.
Não.
4. Em caso afirmativo, qual sua área de formação?................................................
4. Qual o seu nível de conhecimento na utilização do Ambiente Virtual de Aprendizagem
(AVA) Moodle?
Baixo.
Médio.
Bom.
Excelente.
5 Há quanto tempo você usa o Ambiente Virtual de Aprendizagem Moodle?
Até 6 meses.
+ de 6 meses.
+ de 1 ano.
6 Você já fez outro curso a distância?
Sim.
Não.
7 . Em caso afirmativo, em que área?.........................................................................
133
8 Se você já fez outro curso à distância, qual o Ambiente Virtual de Aprendizagem
utilizado?
Moodle
TelEduc.
Outros.
9. O que lhe chama mais a atenção em uma Sala de Aula Virtual (SAV)?
Cores
Imagens
Letras
Organização das informações na tela.
Outro
10. Se na pergunta anterior resposta foi outro, qual é esse outro?
------------------------------------11. Você acha que aprende melhor o conteúdo por meio de:
Texto
Textos com imagens.
Tanto faz texto ou textos com imagens, desde que a tela tenha uma boa organização das
informações.
12. Em sua opinião, o desenho da letra na palavra abaixo remete a qual conceito:
Decoratividade
Seriedade
Neutralidade
13. Em sua opinião, o desenho da letra na palavra abaixo remete a qual conceito:
Decoratividade
Seriedade
Neutralidade
14. Em sua opinião, o desenho da letra na palavra abaixo remete a qual conceito:
Decoratividade
Seriedade
Neutralidade
134
15 A seguir, observa-se dois exemplos de uma mesma Sala de Aula Virtual com
organizações visuais diferentes. Qual das SVA você acharia mais fácil de usar?
Modelo 1
135
Modelo 2
16 De 0 a 10 quantifique a influência da organização visual (uso de cor, letra, imagem e
composição gráfica) da Sala de Aula Virtual na forma como você interage com os seus
conteúdos:
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
17 Para encontrar o material que é postado na Sala de Aula Virtual, você tem:
Muita dificuldade
Alguma dificuldade
Pouca dificuldade
Nenhuma dificuldade
18 Você consegue identificar os elementos visuais que aparecem na sua Sala de Aula
Virtual?
Sim
Não
19 Se você respondeu SIM à pergunta anterior, escreva abaixo quais são os elementos que
136
você reconhece:
‐‐‐
‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐‐
20 Quanto ao acesso aos links disponíveis na Sala de Aula Virtual, você:
Sempre consegue acesso com uma tentativa.
Só consegue acesso com duas ou mais tentativas.
Sempre acessa um link indesejado.
21 Das alternativas relacionadas abaixo, escolha aquelas que você acha que mais f
acilitariam o acesso aos conteúdos das salas de aula virtuais:
Separar os conteúdos por grupos e estes grupos sinalizados por cores diferentes.
Para cada semana usar títulos com o assunto da semana, destacados pela tipografia (letra com
desenho diferente) e imagem ligadas aos conteúdos.
Organização visual das informações, de maneira a provocar uma hierarquia de leitura.
Todos os textos apresentados na tela, sem ter que acessar a links.
Todos os links listados sem separação alguma.
22. Escreva aqui as suas considerações e impressões que você acredita que não foram
mencionadas nas questões anteriores e devem ser consideradas?
