16. Mitose e meiose: estratégia lúdica para o ensino da divisão celular

Autora: Rafaella Lima Gomes. Orientadora: Profa. Dra. Hilda Helena Sovierzoski. Defesa de dissertação número 155. Data: 23/11/2022.

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                    1

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA

RAFAELLA LIMA GOMES

MITOSE E MEIOSE: ESTRATÉGIA LÚDICA PARA O
ENSINO DA DIVISÃO CELULAR

Maceió
2023

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RAFAELLA LIMA GOMES

MITOSE E MEIOSE: ESTRATÉGIA LÚDICA PARA O
ENSINO DA DIVISÃO CELULAR

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Ensino de Ciências e Matemática, da
Universidade Federal de Alagoas, como requisito
parcial para obtenção do título de Mestre em Ensino
de Ciências e Matemática.

Orientadora: Profa. Dra. Hilda Helena Sovierzoski

Maceió
2023

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4

RAFAELLA LIMA GOMES

Mitose e meiose: estratégia lúdica para o ensino de divisão celular

Dissertação apresentada à banca examinadora como requisito parcial para a obtenção
do Título de Mestre em Ensino de Ciências e Matemática, pelo Programa de Pós-Graduação
em Ensino de Ciências e Matemática do Centro de Educação da Universidade Federal de
Alagoas, aprovada em 23 de novembro de 2022.

BANCA EXAMINADORA

Profa. Dra. Hilda Helena Sovierzoski
Orientadora (ICBS/Ufal)

Prof. Dr. Rodrigo Souza Polleto
(UENP)

Profa. Dra. Silvana Paulina de Souza
(Cedu/Ufal)

5

Dedico aos meus pais, Rosineide
Lima

da

Cruz

Gomes,

Antônio

Carlos Gomes e à minha irmã, Ane
Caroline Lima Gomes.

6

AGRADECIMENTOS

A Deus, o arquiteto do universo. Costumo dizer corriqueiramente que, uma folha não
cai do pé sem a sua permissão. Até aqui o Senhor me sustentou.
A minha orientadora Profa. Dra. Hilda Helena Sovierzoski agradeço a confiança que
tornou possível a realização do meu sonho, o ombro amigo nos momentos de desabafos. Mais
que uma orientadora você se tornou parte da minha família, afinal, eram horas de conversas
antes da orientação, muitas delas vindas com choro e recebidas com conselhos sábios de quem
tem experiência no que diz.
A todos que compõem o Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e
Matemática (PPGECIM/UFAL), em especial a Profa. Dra. Adriana Cavalcanti dos Santos, Prof.
Dr. Carloney Alves de Oliveira, Prof. Dr. Elton Casado Fireman, Prof. Dr. Jenner Barretto
Bastos Filho, Profa. Dra. Silvana Paulina de Souza e Prof. Dr. Wilmo Ernesto Francisco Junior
por me ensinarem não somente o conteúdo programado, mas também o sentido da amizade e
do respeito. Além disso, ajudaram-me a discernir o real sentido em aprender CIÊNCIA.
A todos os colegas do curso, em especial a Bianca Luz dos Santos Costa. Foram tantos
momentos que faltariam palavras para descreve-los, mas, jamais esquecerei os dias de correria
para montar os seminários, as reuniões para fazer os artigos (sim, montar artigo, não somos
orientandas do mesmo professor, mas, modéstias a parte, trabalhamos bem juntas, rsrsrs) e tanto
esforço, dedicação e amizade, já renderam frutos. Sempre juntas, minha dupla, presente que o
mestrado me deu. Eram tantas horas juntinhas que acabamos dando espaço para entrarmos uma
na vida da outra, hoje já sou tia do Bernardo e amiga do Simão. Mas, acima de tudo, sou
AMIGA DA BIA.
A todos que fazem parte da Escola de Referência em Ensino Médio de Jatobá (EREM
de Jatobá, Pernambuco), minha eterna gratidão pela colaboração na execução do trabalho,
estando representados na figura da diretora Profa. Audrey Clécia Dantas Souza, a Coordenadora
pedagógica Profa. Ana Débora Menezes Lima de Oliveira e da Profa. Kaline Catiely Campos
Silva.
Aos meus pais, Rosineide Lima da Cruz Gomes e Antônio Carlos Gomes, minha base e
fonte de inspiração. Mainha você é minha rainha, sou admiradora do ser humano que és, mulher
forte, guerreira, protetora, sou muita grata a Deus por ter vindo de seu ventre, se eu for para o
meu filho a metade que a senhora é pra mim, estarei satisfeita. Sei que sou falha, tá certo, meio
bruta (rsrsrs), mas, o amor que tenho por ti, tenha certeza, é INCONDICIONAL. Obrigada por

7

sempre acreditarem em mim, por sempre me darem liberdade e me apoiarem em cada escolha,
nunca esqueçam: TUDO POR VOCÊS!
A minha irmã, Ane Caroline Lima Gomes. Ei, gorda, somos sobreviventes. Só nós
sabemos o que passamos para chegar onde estamos hoje, nada nunca foi/é fácil em nossas vidas,
mas, que graça teria a vida sem essas pedras? Hoje não teríamos o nosso castelo, e não me refiro
a bens materiais, mas, a fortaleza que nós somos e temos ao nosso lado. O conhecimento e
amadurecimento adquirido nessa jornada nos fazem dignas e merecedoras de chegarmos juntas
até aqui. Obrigada por estar sempre comigo e por me amar tanto, é recíproco. TE AMO!
Aos meus amigos, em especial a Diego Daltro Vieira e Janaína Gomes do Nascimento,
vocês são os responsáveis por me fazerem estar no programa, por sempre me incentivarem e
me mostrarem o quanto sou capaz, minha eterna gratidão.
A todos que direta ou indiretamente me ajudaram a subir mais esse degrau na escada da
vida! Meu muito obrigada.

8

O sucesso é a soma de pequenos esforços
repetidos dia após dia.
Robert Collier

9

RESUMO
O ensino de Biologia exige do professor e dos alunos uma capacidade que passa a ser inerente
a essa área do conhecimento, com inúmeros termos novos, com pronúncias difíceis e escrita
que divergem da linguagem comumente utilizada no cotidiano. Dentre os conteúdos mais
abstratos na Biologia encontram-se os processos de divisão celular, a mitose e a meiose. O
objetivo desse trabalho foi analisar indícios da aprendizagem dos discentes do 1º ano do Ensino
Médio acerca do conteúdo de divisão celular, de forma a instigar a curiosidade e ampliar os
conhecimentos dos participantes do processo. O público alvo foram estudantes de uma turma
do 1ºano do Ensino Médio Integral da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) de
Jatobá, localizada na Cidade de Petrolândia – PE. No tocante a estrutura do texto para
dissertação, esse trabalho foi disposto na forma de sete capítulos, sendo eles, a Introdução, a
Fundamentação Teórica, Revisão Sistemática de Literatura, Procedimentos Metodológicos da
pesquisa, Produto Técnico Tecnológico (PTT), Resultados e Discussões e as Considerações
Finais. Para o desenvolvimento dessa pesquisa seguiu-se a execução do planejamento conforme
o projeto encaminhado para Plataforma Brasil, aprovado sob o processo no.
48691621.0.0000.5013 e parecer no. 5.069.415. O método de pesquisa utilizado foi do tipo
qualitativo e a abordagem do tipo intervenção pedagógica. A intervenção pedagógica esteve
composta por 8 aulas, desenvolvidas em 4 semanas, em 2 aulas sequenciais semanais, de
cinquenta minutos cada. O instrumento de coleta de dados foram 2 questionários, pré-atividades
e pós atividades. As atividades e aplicação do livro-jogo foi realizada com 32 alunos. Desses,
16 foram selecionados pelo método de diversidade e saturação. Os dados foram organizados
em categorias por meio de quadros e tabelas. O resultado deste trabalho apontou uma avaliação
positiva para o uso da ferramenta lúdica o livro-jogo e demais modelos didáticos utilizados na
intervenção pedagógica (placas dos processos da mitose e meiose e mapa conceitual), uma vez
que, contribuiu de forma significativa para a aprendizagem dos alunos no conteúdo de divisão
celular, além disso, os jogos didáticos em sala de aula podem complementar as aulas teóricas,
revisar os conteúdos e ensinar de forma divertida, instigando o discente a aprender os assuntos
e sair da abstração.

Palavras-chave: Mitose, Meiose, ferramenta didática.

10

ABSTRACT

The teaching of Biology demands from the teacher and from the students a capacity that
becomes inherent to this area of knowledge, with countless new terms, with difficult
pronunciations and writing that differ from the language commonly used in everyday life.
Among the more abstract contents in Biology are the processes of cell division, mitosis and
meiosis. The objective of this work was to analyze evidence of the learning of students in the
1st year of high school about the content of cell division, in order to instigate curiosity and
expand the knowledge of participants in the process. The target audience were students from a
class of the 1st year of High School at the Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) of
Jatobá, located in the City of Petrolândia - PE. Regarding the structure of the text for the
dissertation, this work was arranged in the form of seven chapters, namely, the Introduction,
the Theoretical Foundation, Systematic Literature Review, Methodological Procedures of the
research, Technological Technical Product (PTT), Results and Discussions and the Final
Considerations. For the development of this research, the planning was carried out according
to the project sent to Plataforma Brasil, approved under process no. 48691621.0.0000.5013 and
opinion no. 5,069,415. The research method used was of the qualitative type and the approach
of the pedagogical intervention type. The pedagogical intervention consisted of 8 classes,
developed in 4 weeks, in 2 weekly sequential classes, of fifty minutes each. The data collection
instrument were 2 questionnaires, pre-activities and post-activities. The activities and
application of the book-game were carried out with 32 students. Of these, 16 were selected
using the diversity and saturation method. Data were organized into categories using charts and
tables. The result of this work pointed to a positive evaluation for the use of the ludic tool, the
gamebook and other didactic models used in the pedagogical intervention (plates of the
processes of mitosis and meiosis and conceptual map), since it contributed significantly to
learning. of students in cell division content, in addition, didactic games in the classroom can
complement theoretical classes, review content and teach in a fun way, encouraging students to
learn the subjects and get out of abstraction.

Keywords: Mitosis, Meiosis, teaching tool.

11

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Quantitativo correspondente as diferenciações progressivas e reconciliações
integradoras nos mapas conceituais dos discentes...................................................................127

12

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Critérios de Inclusão e Exclusão na RSL...............................................................31
Quadro 2 – Número de citações e publicações selecionadas....................................................32
Quadro 3 – Trabalhos selecionados sobre a temática Mitose e meiose, entre os anos de 2010 e
2021...........................................................................................................................................33
Quadro 4 - Categoria “Estratégias didáticas” e as subcategorias..............................................36
Quadro 5 - Categoria: “Noções Adequadas” - Questionário I................................................111
Quadro 6 - Categoria: “Noções parcialmente adequadas” - Questionário I............................113
Quadro 7 - Categoria: “Desconhecimento” – Questionário I.................................................114
Quadro 8 - Categoria: “Descrição sem resposta ou em branco” – Questionário I..................115
Quadro 9 - Categoria: “Noções Adequadas” - Questionário II...............................................116
Quadro 10 - Categoria: “Noções parcialmente adequadas” - Questionário II........................119
Quadro 11 - Categoria: “Desconhecimento” – Questionário II..............................................121
Quadro 12 - Categoria: “Descrição sem resposta ou em branco” – Questionário II...............122

13

LISTA DE FIGURAS

Figura

1

–

Aula

expositiva

no

auditório

com

o

conteúdo

mitose

e

meiose.......................................................................................................................................45
Figura 2 – Sequência das fases da mitose em sala de aula com os modelos didáticos
...................................................................................................................................................45
Figura 3 – Montagem das fases da meiose com os modelos didáticos em sala de
aula............................................................................................................................................46
Figura 4 – Questionário pré-atividades utilizado na intervenção.............................................47
Figura 5 – Questionário pós-atividades após a aplicação do “livro-jogo” ...............................49
Figura 6 – Mapa conceitual do aluno D1................................................................................124
Figura 7 – Mapa conceitual do aluno D2................................................................................125
Figura 8 – Mapa conceitual do aluno D3................................................................................125
Figura 9 – Mapa conceitual do aluno D4................................................................................126
Figura 10 – Mapa conceitual do aluno D5..............................................................................126
Figura 11 – Mapa conceitual do aluno D6..............................................................................127
Figura 12 – Alunos lendo o livro-jogo, em dupla.....................................................................128
Figura 13 – Interação professor-aluno.....................................................................................128

14

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

A - Aluno
D – Discente
DNA - Ácido desoxirribonucleico
EREM - Escola de Referência em Ensino Médio
PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais
PTT – Produto Técnico Tecnológico
RSL - Revisão Sistemática de Literatura
SCIELO - Scientific Electronic Library Online
TAS - Teoria da Aprendizagem Significativa
TCC – Trabalho de Conclusão de Curso

15

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................17
2 REFERENCIAL TEÓRICO...............................................................................................19
2.1 O lúdico no Ensino da Biologia..........................................................................................19
2.2 O Ensino da Divisão Celular...............................................................................................21
2.3 A Teoria da Aprendizagem Significativa e o Ensino das Ciências.....................................23
2.4 Conhecimentos prévios e os mapas conceituais.................................................................26
3 ESTRATÉGIAS DIDÁTICAS PARA O ENSINO DE DIVISÃO CELULAR: UMA
REVISÃO SISTEMÁTICA DE LITERATURA.................................................................29
3.1 Introdução...........................................................................................................................30
3.2 Percurso da Pesquisa...........................................................................................................31
3.3 Resultado e Discussão.........................................................................................................33
3.4 Considerações Finais...........................................................................................................41
3.5 Referências..........................................................................................................................41
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA..........................................44
4.1 Tipo de Pesquisa.................................................................................................................44
4.2 Lócus da Pesquisa...............................................................................................................45
4.3 Participantes Envolvidos.....................................................................................................45
4.4 Abordagem da Pesquisa......................................................................................................45
4.5 Instrumento de Coleta de Dados.........................................................................................48
4.6 Análise dos Dados...............................................................................................................51
5 PRODUTO TÉCNICO TECNOLÓGICO “Na trilha da divisão celular: aprendendo
mitose e meiose” ......................................................................................................................54
5.1 Introdução...........................................................................................................................54
5.2 Orientações para o Professor...............................................................................................55
5.3 Orientações para o Aluno....................................................................................................56
5.4 O “livro-jogo”: “Na trilha da divisão celular: aprendendo mitose e meiose” .......................57
6 RESULTADOS E DISCUSSÃO.......................................................................................112
6.1 Questionário Pré-atividades..............................................................................................112

16

6.2 Questionário Pós-atividades..............................................................................................117
6.3 Análise dos Mapas Conceituais........................................................................................123
6.4 Aplicação do Produto Técnico Tecnológico “Na trilha da divisão celular: aprendendo
mitose e meiose” .....................................................................................................................129
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................132
REFERÊNCIAS....................................................................................................................133
APÊNDICES...........................................................................................................................138
ANEXOS................................................................................................................................140

17

1 INTRODUÇÃO
No Brasil, há quase quatro décadas o ensino vem passando por consideráveis reflexões
na busca pelo aperfeiçoamento da aprendizagem e pela promoção de uma educação com
qualidade e com base na vivência do estudante (TEMP; CARPILOVSKY; GUERRA, 2011).
Motivar o aluno para que ele relacione a teoria contemplada em sala de aula com a prática
cotidiana vem sendo tarefa difícil para o professor. O volume de informações que é passado e
a prática considerada tradicional, de transmissão de conteúdo no formato rotineiro e
conteudista, desestimulam o aprendizado.
O ensino de Biologia exige do professor e dos alunos uma capacidade que passa a ser
inerente a essa área do conhecimento, com inúmeros termos novos, com pronúncias difíceis e
escrita que divergem da linguagem comumente utilizada no cotidiano. Dentre os conteúdos
mais abstratos na Biologia encontram-se os processos de divisão celular, a mitose e a meiose.
De acordo com Braga (2010, p. 20) “A aprendizagem dos processos da divisão celular tem
como pré-requisito uma compreensão clara das estruturas que caracterizam o núcleo das células
eucariontes e envolve o entendimento de muitos conceitos que, devido a seu caráter abstrato,
são motivo de angústia para muitos alunos”.
Nesse contexto, partindo do que se observa em sala de aula, da insatisfação dos alunos,
do baixo índice de aprendizado e levando em consideração a grande quantidade de detalhes que
o conteúdo abrange, surge a necessidade de elencar práticas e/ou ferramentas para aprimorar o
ensino, tendo em vista que o conteúdo de mitose e meiose são importantes processos e os únicos
de reprodução celular nos seres vivos.
O ensino com o auxílio de jogos é uma estratégia lúdica que possibilita a otimização da
aprendizagem dos alunos, gerando um ambiente para as trocas de conhecimentos. De acordo
com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) selecionam-se as estratégias de ensino que
promovam para os alunos melhores entendimentos dos objetivos de seus estudos, possibilitando
que se envolvam no processo de construção dos recursos didáticos (BRASIL, 2000). Para tanto,
o objetivo dessa dissertação é de analisar indícios da aprendizagem dos alunos do 1ºano do
Ensino Médio acerca do conteúdo de divisão celular, de forma a instigar a curiosidade e ampliar
os conhecimentos dos participantes do processo.
No que diz respeito aos objetivos específicos, busca-se com essa pesquisa avaliar os
conhecimentos prévios dos alunos do 1º ano do Ensino Médio em relação à divisão celular,
compreender as dificuldades dos discentes em relação ao conteúdo de mitose e meiose e

18

desenvolver um “livro-jogo” que oportunize de maneira lúdica a aprendizagem dos estudantes
para os processos de mitose e meiose.
Esse trabalho está disposto na forma de sete capítulos, sendo eles, a Introdução, a
Fundamentação Teórica, Revisão Sistemática de Literatura, Procedimentos Metodológicos da
pesquisa, Produto Técnico Tecnológico (PTT), Resultados e Discussões e as Considerações
Finais. Por fim listam-se as Referências utilizadas.
Na Introdução apresentam-se a justificativa para o problema e o formato de
apresentação desta dissertação. A Fundamentação Teórica traz comentários de autores sobre o
tema da pesquisa, e dentre os tópicos citados tem-se: o lúdico no Ensino de Biologia, o Ensino
de Divisão Celular, a Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS), os conhecimentos prévios
e os mapas conceituais.
Segue-se com a revisão sistemática de literatura, no formato de artigo, encaminhado
para publicação na Revista Areté. O artigo elaborado possui como título “Estratégias Didáticas
para o Ensino de Divisão Celular: Uma Revisão Sistemática de Literatura”. Objetivou-se fazer
uma Revisão Sistemática de Literatura (RSL), com o intuito de analisar estratégias didáticas
para o ensino do conteúdo de divisão celular, propostas para o Ensino Médio. A investigação
ocorre por meio do levantamento bibliográfico, considerando artigos (periódicos), publicados
em Revistas Científicas, Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) e monografias, disponíveis
nas plataformas de busca do Scielo (“Scientific Electronic Library On line”), Scopus da
plataforma Periódicos Capes e Google Acadêmico, entre 2010 e 2021.
Tendo em vista que o presente trabalho parte de uma ação planejada em elaborar uma
proposta pedagógica mais eficiente para aperfeiçoar a prática docente da pesquisadora ao
aprender e ensinar o conteúdo de divisão celular, além de instigar e ampliar de maneira lúdica
os conhecimentos dos estudantes acerca desse assunto, o quarto capítulo traz os procedimentos
metodológicos, mostrando como foi desenvolvida a pesquisa.
No quinto capítulo apresenta-se o Produto Técnico Tecnológico intitulado “Na trilha da
divisão celular: aprendendo mitose e meiose”. O “livro-jogo” encontra-se formado por
diferentes cenas. Ao final de cada cena encontram-se instruções para as cenas seguintes, que
estão enumeradas e após a escolha, o aluno vai para a cena que o número indicar. Essa
ferramenta tem o intuito de dinamizar as aulas de Biologia, mais precisamente o conteúdo de
Divisão Celular.
Em seguida mostram-se os resultados obtidos e a discussão com outros autores,
finalizando com as considerações finais da dissertação.

19

2 REFERENCIAL TEÓRICO
A busca por práticas lúdicas e tecnológicas que venham incentivar a aprendizagem dos
estudantes vêm sendo cada vez mais constante por parte do educador. Na Biologia, por
exemplo, por conta dos termos técnicos, que conferem aparente abstração, o aluno apresenta
dificuldade e desinteresse em aprender a maioria dos conteúdos que a disciplina apresenta. Para
Farias, Silveira e Arruda (2015) as ações lúdicas com fins educativos quando bem
desenvolvidas ajudam na memorização, mas também no conhecimento, propiciando ao aluno a
capacidade de interagir com os assuntos, e concede ao estudante o aprender de forma mais
prazerosa.
Esse segundo capítulo discorre sobre os aportes teóricos referentes ao lúdico no ensino
de Biologia, buscando estratégias didáticas e/ou ferramentas que facilitem a aprendizagem dos
estudantes. Em seguida aponta-se a relevância em estudar o conteúdo de divisão celular no
Ensino Médio. Por fim apresenta-se o histórico e a importância da Teoria da Aprendizagem
Significativa (TAS) para o ensino das Ciências, com especial referência para os conhecimentos
prévios obtidos antes da aplicação do Produto Técnico Tecnológico e os mapas conceituais
elaborados após a intervenção, na qual os alunos utilizaram o “livro-jogo” elaborado.

2.1 O lúdico no Ensino da Biologia
A educação brasileira vem passando por consideráveis reformas, especialmente no
Ensino Médio, surgindo por parte dos alunos uma inquietação e desinteresse quanto a
aprendizagem de algumas disciplinas, entre elas a Biologia, o que desperta no professor um
alerta para adoção de estratégias didáticas e/ou uso de ferramentas que consigam reverter esse
quadro A ludicidade, por exemplo, é uma delas. Para Ferreira e Santos (2019, p. 847) “a
ludicidade no Ensino Médio torna-se relevante por sabermos que o brincar está presente em
todas as faixas etárias e oferece aos homens, em geral, várias situações que possibilitam o
desenvolvimento do raciocínio lógico, da criatividade e a capacidade de resolver problemas”.
Fica perceptível que, introduzir o lúdico na Biologia, é dar um aporte para que o aluno
potencialize seu aprendizado de maneira dinâmica, ampliando assim seus conhecimentos. De
acordo com Melo (2014) a união do lúdico com o ensino ocorre pela analogia dos conteúdos
que proporcionam aos estudantes a criação do conhecimento de modo aprazível, divertido e
espontâneo.
Nas aulas de Biologia o uso de práticas lúdicas se faz imprescindível, uma vez que, essa
disciplina contempla termos científicos considerados difíceis de se aprender. Por essa razão,

20

essas práticas educativas possibilitam melhor eficácia no entendimento do conteúdo e
estimulam a inteligência do aluno, facilitando assim seu aprendizado. De acordo com Ferreira
e Santos (2019):

As práticas lúdicas no contexto escolar do Ensino Médio levam os educandos
a se interagirem uns com os outros, incentivando-os a buscarem e criarem suas
próprias regras, no ensino de Biologia torna-se então necessário e fundamental
a inserção das mesmas nas aulas, o educador tem o papel de introduzi-las e ser
mediador já que para os alunos o brincar não é algo novo, assim terá um papel
especial e significativo nas interações professor-aluno e ensino-aprendizagem,
levando-os a se expressarem criando e recriando o seu cotidiano
(FERREIRA; SANTOS, 2019, p. 854).

Neste sentido, as Orientações Curriculares para o Ensino Médio trazem que “Utilizar
jogos como instrumento pedagógico não se restringem a trabalhar com jogos prontos, nos quais
as regras e os procedimentos já estão determinados; mas, principalmente, estimular a criação,
pelos alunos, de jogos relacionados com os temas discutidos no contexto da sala de aula”
(BRASIL, 2006, p. 28). O que percebe-se é a ênfase na importância do lúdico como ferramenta
didática, oportunizando a aproximação entre aluno e professor. Como afirma Cabreira (2007)
as práticas educativas tornam-se mais ricas e efetivas com a inserção do lúdico como orientador
de relações harmônicas entre aluno e professor.
Para Ferreira e Santos (2019) o lúdico tem como proposta proporcionar um
desenvolvimento significativo na aprendizagem e, integrar o conhecimento por meio das
características da compreensão do mundo. Neste sentido, Alves (2009) destaca que:
A expressão “lúdica” está voltada à um conjunto de atividades que se usa para
brincar e o mesmo é utilizado por educadores a levarem os educandos sejam
eles crianças, jovens ou adultos a desenvolverem plenamente nos aspectos
cognitivos e convívio social, na qual insere uma série de atividades, o caminho
para tornar o aprendizado mais significativo é constituir uma prática
pedagógica mais prazerosa, de maneira que torne a aprendizagem divertida
(ALVES, 2009, p. 60).

De acordo com Vieira (2014, p.8) “a palavra “lúdico” vem do latim “ludus” e significa
brincar. Neste significado estão incluídos os jogos, brinquedos, divertimentos e,
respectivamente, a conduta daquele que joga, que brinca e que se diverte”. Por isso, numa
tentativa de trazer o lúdico para sala de aula, os jogos didáticos vêm ganhando espaço. Segundo
Fialho (2008) os jogos consentem uma ação motivadora, comovente e agradável, nos quais os
alunos têm a possibilidade de trocar ideias, desenvolver o raciocínio lógico e aperfeiçoar a
convivência social.

21

Empregar os jogos como recurso didático para o ensino é promover a ludicidade, além
de uma relação mútua entre aluno e professor. De acordo com Miranda (2011) mediante o uso
dos jogos que claramente estimula a cognição a criança e até mesmo o adolescente desenvolve
a inteligência e a personalidade fundamentais para construção dos conhecimentos.
Integrar os jogos em qualquer fase da vida humana torna o aprendizado mais leve e
eficaz, como afirma Lopes (2005) é mais simples e eficiente estudar por intermédio dos jogos,
e isso é apropriado para todas as idades, desde o maternal até a fase adulta. Neste sentido,
considerando que as estratégias lúdicas representam práticas que facilitam a compreensão de
conceitos abstratos referentes a Biologia, tornasse essencial sua inserção nas aulas de Divisão
Celular, tendo em vista que essa é uma ferramenta colaborativa no aperfeiçoamento da
aprendizagem dos estudantes.

2. 2 O Ensino de Divisão Celular
O entendimento dos processos de divisão celular é de grande relevância para o Ensino
da Biologia, sendo fundamental para a compreensão de diversas temáticas e áreas dessa
disciplina. Para Rufina, Baratele e Santos (2016, p. 3) “Divisão celular é o processo que ocorre
nos seres vivos, através do qual uma célula, chamada célula-mãe, se divide em duas (mitose)
ou quatro (meiose) células-filhas, com toda a informação genética relativa à espécie”.
Os conteúdos sobre mitose e meiose demandam dos alunos imaginação e abstração para
a compreensão dos complexos mecanismos biológicos envolvidos, bem como para a
assimilação das consequências destes processos para o organismo como um todo (PADUAN,
2015). No entanto, Cunha (2008) destaca a importância do conteúdo de divisão celular para o
currículo do Ensino Médio, uma vez que é uma condição indispensável para a compreensão do
fenômeno da vida.
No que diz respeito a mitose e meiose, Oliveira (2017. p. 11) comenta que “Mitose e
Meiose são divididas didaticamente em fases e subfases nos livros e, em geral, são
representadas de forma muito ilustrada, como meio para ajudar os estudantes visualizarem e
entenderem melhor o processo”. Além disso, Tatsch (2016) afirma que o valor dado para a
memorização da sequência de eventos que caracteriza cada fase é enorme e facilmente excede
a necessidade de entender esse processo.
A mitose tem como característica principal, ser um tipo de divisão celular em que uma
célula dará origem a duas novas células com o mesmo número de cromossomos da célula

22

inicial, além de acontecer sem envolvimento de gametas (LOPES; ROSSO, 2005). Ou seja, as
células-filhas apresentarão o mesmo número de cromossomos existentes na célula-mãe.
Para Tatsch (2016) essa divisão ocorre desde o desenvolvimento embrionário e segue
se repetindo durante todo o período de vida dos seres vivos. Suas principais funções são o
desenvolvimento e crescimento dos tecidos, atuando também na reposição de células perdidas.
De acordo com Amabis e Martho (2013) a mitose é caracterizada por apresentar quatro fases:
Prófase, Metáfase, Anáfase e Telófase, cada uma com eventos particulares. Conforme afirma
Alberts (2017), observam-se nessas quatro etapas que:

Em um estágio chamado de prófase, as duas moléculas de DNA são
gradativamente desembaraçadas e condensadas em pares de bastonetes rígidos
e compactos chamados de cromátides-irmãs, as quais permanecem ligadas
por meio da coesão de cromátides-irmãs. Quando posteriormente o envelope
nuclear se desfaz na mitose, os pares de cromátides-irmãs ficam ligados ao
fuso mitótico, um gigantesco arranjo bipolar de microtúbulos. As cromátidesirmãs são fixadas a polos opostos do fuso, e, por fim, alinham-se na placa
equatorial do fuso em um estágio chamado de metáfase. A destruição da
coesão de cromátides-irmãs, no início da anáfase, separa as cromátides-irmãs,
que são puxadas para polos opostos do fuso. Em seguida, o fuso se desfaz e
os cromossomos segregados são empacotados em núcleos separados na
telófase. Então, a citocinese cliva a célula em duas, de forma que cada célulafilha herde um dos dois núcleos (ALBERTS, 2017, p. 964).

Já a meiose, é um processo de divisão celular que reduz o número de cromossomos pela
metade e ocorre nos gametas (PADUAN, 2015). Essa redução é essencial para a preservação
do número de cromossomos de uma espécie, uma vez que, na fecundação os gametas se unem
compartilhando seu material genético e proporcionando uma grande variabilidade genética,
como afirma Nascimento (2013):
esse processo pode ser considerado como o responsável por uma grande fonte
de variabilidade genética, devido à troca de material genético entre os
cromossomos homólogos durante a prófase I “crossingover” e a segregação
dos cromossomos homólogos durante a anáfase I para um dos pólos da célula,
independentemente deles terem origem paterna ou materna (NASCIMENTO,
2013, p. 16).

Nesse sentido, Nascimento (2013) ainda afirma que a mitose e a meiose constituem dois
importantes processos no que se refere à reprodução das células, à evolução dos seres vivos e à
reprodução e perpetuação das espécies.
Uma das formas proposta nessa dissertação busca como aliada uma teoria de
aprendizagem, com a finalidade de conhecer as experiências do cotidiano dos alunos a respeito
de divisão celular. Essa teoria é da Aprendizagem Significativa, comentada a seguir.

23

2.3 A Teoria da Aprendizagem Significativa e o Ensino de Ciências
Estudos que incluem estratégias didáticas e/ou ferramentas para estimular a
aprendizagem de Ciências, com ênfase em Biologia, têm sido cada vez mais procurado na
literatura. Para Bizzo (2009, p. 17), “O Ensino de Ciências deve, sobretudo, proporcionar a
todos os estudantes a oportunidade de desenvolver capacidades que neles despertem a
inquietação diante do desconhecido, buscando explicações lógicas e razoáveis, amparadas em
elementos tangíveis, de maneira testável”.
Dentre as teorias que tem mais embasado essas pesquisas está a Teoria da Aprendizagem
Significativa (TAS), proposta por David Ausubel ainda no século XX, década de 1960
(MOREIRA, 2006). De acordo com Moreira (2011) a aprendizagem significativa é aquela em
que ideias se manifestam simbolicamente, atuam de forma substantiva e não arbitrária com
aquilo que o aluno já conhece. Isto significa dizer, que essa teoria descreve a relação entre
conhecimentos já adquiridos ou conhecimento prévios, como serão tratados nessa dissertação,
com novos conhecimentos e está implícita na construção da integração do pensamento.
De acordo com Braga (2010):

Essa teoria baseia-se na premissa de que a mente humana possui uma estrutura
organizada e hierarquizada de conhecimentos que é continuamente
diferenciada pela assimilação de novos conceitos, proposições e ideias que
servirão, por sua vez, de pontos de ancoragem para a assimilação de outros
novos conceitos, proposições e ideias, levando a um processo contínuo e
dinâmico de mudanças na estrutura cognitiva, que é subsidiado pela
aprendizagem significativa (BRAGA, 2010, p. 23).

Para Moreira (2011) a ocorrência dessa teoria se dá por meio de duas condições, uma é
que o material de aprendizagem deve ser potencialmente significativo, a outra é que o aluno,
denominado de aprendiz na TAS, deve manifestar uma predisposição para aprender. Nessa
última condição, é necessário que o aluno apresente em sua estrutura cognitiva ideias-âncoras.
A este conhecimento, indispensável à nova aprendizagem, Ausubel denomina de subsunçor.
De acordo com Moreira (2011, p. 14) “subsunçor é o nome que se dá a um conhecimento
específico, existente na estrutura de conhecimentos do indivíduo, que permite dar significado a
um novo conhecimento que lhe é apresentado ou por ele descoberto”. Para formação dos
primeiros subsunçores Moreira (2011) ainda afirma que a hipótese é que:

Construção dos primeiros subsunçores se dá através de processos de
inferência, abstração, discriminação, descobrimento, representação,

24

envolvidos em sucessivos encontros do sujeito com instâncias de objetos,
eventos, conceitos. Por exemplo, quando uma criança se encontra pela
primeira vez com um gato e alguém lhe diz “olha o gato”, a palavra gato passa
a representar aquele animal especificamente. Mas logo aparecem vários outros
animais que também são gatos, embora possam ser diferentes em alguns
aspectos, e outros que não são gatos, apesar de que possam ser semelhantes
aos gatos em alguns aspectos. Quando a palavra gato representa uma classe
de animais com certos atributos, independente de exemplos específicos, dizse que o conceito de gato foi formado (MOREIRA, 2011, p. 28-29).

Sendo assim, a TAS se baseia na ideia de que um novo conhecimento só será
significativo se tiver em que se ancorar, ou seja, um subsunçor que lhe dê apoio, o qual pode
ser uma imagem, um conceito ou uma proposição já significativa na estrutura cognitiva do
indivíduo (MOREIRA, 2006). A partir da ideia central de interação entre os subsunçores e o
conhecimento novo, Ausubel distingue três tipos de aprendizagem significativa:
representacional, de conceitos e proposicional (SOUZA, 2011).
Para Braga (2010) a aprendizagem representacional, implica em conhecer o significado
de símbolos particulares, em geral palavras, ou aprender o que eles representam. De acordo
com Sousa, Silvano, Lima (2018, p. 9) “É o tipo de aprendizagem que envolve atribuição de
significados a determinados símbolos individuais e o que eles representam ao se estabelecer
equivalência entre a relação com os símbolos arbitrários e seus referentes”. Como exemplo, os
autores trazem que:
após observar várias vezes à relação entre a palavra “bola” e o conteúdo
cognitivo (imagem visual do objeto “bola”), a apresentação apenas da palavra
“bola”, será suficiente para desenvolver no aprendiz a habilidade de associar
a palavra à imagem visual da bola, sem que seja necessário mostrar o objeto.
Essa aprendizagem representacional possibilita a identificação da palavra ou
símbolo com os respectivos referentes que essa palavra ou símbolo
representam (SOUSA; SILVANO; LIMA, 2018, p. 9).

No que concerne à aprendizagem significativa por aquisição de conceito Abreu (2016)
considera tudo o que já foi conceituado pelo aluno, uma vez que facilita a aprendizagem
significativa de novos conceitos. Braga (2010) aponta sua semelhança com a aprendizagem
representacional, ao afirmar que:
a aprendizagem de conceitos é de certa forma, uma aprendizagem
representacional, no entanto, a equivalência por ela estabelecida não faz
referência ao significado de palavras ou símbolos unitários, mas sim a
atributos criteriais comuns a múltiplos exemplos de referentes incluídos no
conceito. (BRAGA, 2010, p. 25).

25

Já a aprendizagem proposicional, comparada com a anterior, tem um nível maior de
complexidade, com a nova proposição sendo resultante da interação das ideias relevantes com
uma proposição potencialmente significativa (SOUZA, 2011). Na aprendizagem proposicional
a obrigação está em aprender o significado de ideias em forma de proposição (BRAGA, 2010).
Levando em conta a forma como uma nova ideia, conceito ou proposição se conectam
com outros conhecimentos definidos na estrutura cognitiva do indivíduo, a aprendizagem pode
se dar de três maneiras diferentes: por subordinação, superordenação ou combinatória
(BRAGA, 2010). A aprendizagem subordinada, de acordo com Sousa, Silvano e Lima (2018)
acontece quando existe relação dos conhecimentos gerais e mais abrangentes com os novos
conhecimentos. Para Moreira (2011) se caracteriza pela subordinação de conceitos às ideias
mais gerais e inclusivas já existentes como subsunçor. A aprendizagem por subordinação ainda
está dividida em: derivativa e correlativa.
Na aprendizagem por superordenação, diferente da aprendizagem subordinativa, de
acordo com Braga (2010, p. 27) “ocorre quando a nova ideia ou proposição que se aprende é
mais geral do que uma ou um conjunto de ideias já estabelecido na estrutura cognitiva do
indivíduo”. Por fim a aprendizagem combinatória ocorre sem relação do conhecimento prévio
com o subsunçor, nem de forma subordinada nem de forma superordenada (SOUSA,
SILVANO, LIMA, 2018). Para Moreira (2011):

Aprendizagem combinatória é, então, uma forma de aprendizagem
significativa em que a atribuição de significados a um novo conhecimento
implica interação com vários outros conhecimentos já existentes na estrutura
cognitiva, mas não é nem mais inclusiva nem mais específica do que os
conhecimentos originais. Possui alguns atributos criteriais, alguns
significados comuns a eles, mas não os subordina nem superordena
(MOREIRA, 2011, p. 37-38).

Quando estabelece o uso de analogias, por exemplo, para o ensino de determinados
conceitos, faz-se necessário o uso desse tipo de aprendizagem (BRAGA, 2010). Para Lemos
(2011) utilizar a TAS como referencial teórico para auxiliar no planejamento, no
desenvolvimento e na avaliação do ensino revela que o professor age de maneira mais atenta
para a natureza do conhecimento do aluno, havendo mais chances de favorecer a aprendizagem
significativa.
No entanto, a aprendizagem que mais ocorre nas escolas é a mecânica, “aquela
praticamente sem significado, puramente memorística, que serve para as provas e é esquecida,
apagada, logo após” (MOREIRA, 2011, p. 31-32). Porém, as duas formas de aprendizagem,
tanto a significativa quanto a mecânica, se apresentam de maneira constante, sem separações

26

(THOMAS; HEERDT; IURK, 2018). Segundo Moreira (2011) uma das premissas da TAS é
que:

o sujeito que aprende vai diferenciando progressivamente e, ao mesmo tempo,
reconciliando, integrativamente, os novos conhecimentos em interação com
aqueles já existentes, ou seja, a diferenciação progressiva e a reconciliação
integradora são dois processos simultâneos, da dinâmica da estrutura
cognitiva (MOREIRA, 2011, p. 42).

Ao estimular o pensamento crítico e estruturar suas ideias os alunos conseguem
distinguir o conhecimento prévio da nova informação organizando sua estrutura cognitiva. Uma
ferramenta para encadear os conhecimentos prévios com os novos conhecimentos são os mapas
conceituais. Trata-se de instrumentos capazes de compor, organizar e construir conhecimentos
por meio do desenvolvimento cognitivo do discente (CASTRO, 2019).

2.4 Conhecimentos prévios e os mapas conceituais
O ponto de partida da aprendizagem está em verificar quais são os conhecimentos do
aluno sobre determinado conteúdo. Miras (1999) estabelece os conhecimentos prévios como
esquemas de conhecimento, ou seja, a reprodução da realidade que cada pessoa possui. Para
Moreira (2011) os conhecimentos prévios são materiais iniciais desenvolvidos antes do material
a ser aprendido.
Ainda de acordo com Moreira (2011, p. 105) “para Ausubel, a principal função do
organizador prévio é a de servir de ponte entre o que o aprendiz já sabe e o que ele deveria saber
a fim de que o novo material pudesse ser aprendido de forma significativa”. Neste sentido, o
princípio norteador da teoria proposta por Ausubel trata da ideia de que, para que a
aprendizagem ocorra, faz-se necessário partir de conhecimentos prévios que o aluno já possui
(BRAGA, 2010). E o professor tem papel relevante nesse processo, é competência do docente
considerar esse conhecimento prévio que o aluno possui. Segundo Moreira (2011) o
conhecimento prévio é, na visão de Ausubel:

a variável isolada mais importante para a aprendizagem significativa de novos
conhecimentos. Isto é, se fosse possível isolar uma única variável como sendo
a que mais influencia novas aprendizagens, esta variável seria o conhecimento
prévio, os subsunçores já existem na estrutura cognitiva do sujeito que aprende
(MOREIRA, 2011, p. 23).

27

Para consolidação das novas aprendizagens é importante a avaliação dos conhecimentos
prévios (CORDEIRO, 2013). De acordo com Moreira (2011) quando o aluno deixa de utilizar
os subsunçores apropriados que lhe conceda atribuir significados aos novos conhecimentos,
tende-se pensar que o problema pode ser solucionado com os chamados organizadores prévios.
Os conhecimentos prévios possibilitam a obtenção de ideias que podem ser aplicadas
no campo das categorizações de novas situações e podem servir de pontos de ancoragem e
descobertas de novos conhecimentos (PIVATTO, 2014). Segundo Moreira (2011) existem dois
tipos de organizadores prévios:

Quando o material de aprendizagem é não familiar e o aprendiz não tem
subsunçores, recomenda-se o uso de um organizador expositivo que,
supostamente, faz a ponte entre o que o aluno sabe e o que deveria saber para
que o material fosse potencialmente significativo. Nesse caso, o organizador
deve prover uma ancoragem ideacional em termos que são familiares ao
aprendiz. Quando o novo material relativamente familiar, o recomendado é o
uso de um organizador comparativo que ajudará o aprendiz a integrar novos
conhecimentos à estrutura cognitiva e, ao mesmo tempo, a discriminá-los de
outros conhecimentos já existentes nessa estrutura que são essencialmente
diferentes, mas que podem ser confundidos (MOREIRA, 2011, p. 23).

Neste sentido, na falta dos subsunçores os organizadores prévios preenchem essa lacuna
ou podem servir para revelar a agregação e distinção entre os novos conhecimentos e os
conhecimentos já existentes. Outro recurso que vem de encontro a TAS é a construção da
ferramenta ou subsunçor chamado de mapas conceituais.
Tendo a TAS como referência, Joseph D. Novak e os membros do grupo de pesquisa
criaram na década de 1970 os mapas conceituais para identificar como alunos alcançavam e
usavam os conceitos científicos (MOREIRA, 2017). Segundo Alegro (2008) para Novak, o
mapa conceitual é uma ferramenta de representação do conhecimento, ou seja, um auxílio para
o trabalho em diversos campos conceituais, que tem como objetivo primordial, facilitar a
aprendizagem, criação e utilização desse conhecimento.
Para Moreira (2017, p. 106) os mapas conceituais são “diagramas conceituais,
enfatizando conceitos, suas hierarquias e suas relações proposicionais no contexto de um corpo
de conhecimentos”. Os elementos necessários de um mapa conceitual são as palavras que
exprimem o conceito, ligadas umas às outras por meio de palavras ou frases de conexão
(conectivos), formando frases (proposições) que explicam a estrutura cognitiva do sujeito
(ALEGRO, 2008). Os mapas conceituais são formados por diagramas, setas e conectores.
Descritos por Cordeiro (2013) como:

28

Nos diagramas se insere os conceitos, respeitando a hierarquia nos quais se
consideram relevantes para o entendimento dos conteúdos. As setas apontam
o caminho da leitura da ideia, no qual revela a compreensão dos alunos. Os
conectores são palavras de ligação entre um conceito e outro que possibilita
verificar as ideias que contribuem para aprendizagem (CORDEIRO, 2013, p.
8).

Mesmo que muitas das vezes se utilizem setas e até mesmo uma organização
hierárquica, os mapas conceituais devem ser diferenciados dos organogramas, por exemplo. A
mesma confusão pode ocorrer com mapas conceituais e mapas mentais, estes últimos são mais
simples, mais livres. De acordo com Moreira (2011, p. 126) “não há regras gerais fixas para o
traçado de mapas de conceitos. O importante é que o mapa seja um instrumento capaz de
evidenciar significados atribuídos a conceitos e relações entre conceitos no contexto de um
corpo de conhecimentos, de uma disciplina, de uma matéria de ensino”.
Moreira aponta ainda que é possível fazer uso dos mapas conceituais nas mais diferentes
formas, seja para apresentar relações significativas entre concepções ensinadas em uma única
aula, em apenas uma unidade de estudo ou em um curso inteiro (MOREIRA, 2011).
Neste sentido, a diferenciação progressiva encontra-se definida como “o processo de
atribuição de novos significados a um dado subsunçor (um conceito ou uma proposição, por
exemplo) resultante da sucessiva utilização desse subsunçor para dar significado a novos
conhecimentos” (MOREIRA, 2011, p. 20). Quanto a reconciliação integradora Moreira (2011)
ainda enfatiza como o processo de rearranjo de elementos e reestruturação cognitiva acontece.
Para esse trabalho, utilizam-se os mapas conceituais na intervenção, como instrumento
avaliativo e de coleta de dados, a fim de melhor integrar e diferenciar significados de conceitos
na busca de uma aprendizagem mais significativa no conteúdo de divisão celular.

29

3 ESTRATÉGIAS DIDÁTICAS PARA O ENSINO DE DIVISÃO CELULAR: UMA
REVISÃO SISTEMÁTICA DE LITERATURA

Resumo: A busca por novas práticas de ensino nos dias atuais constitui objeto de estudo para
muitos docentes que visam aprimorar sua didática em sala de aula. No campo da Biologia
também, mesmo com os constantes avanços tecnológicos, muitas vezes não se consegue
despertar o interesse dos alunos devido as práticas rotineiras que se mostram menos atrativas,
estimulando o professor a buscar por ferramentas que facilitem o processo de aprendizagem. A
presente pesquisa teve como objetivo, fazer uma Revisão Sistemática de Literatura (RSL), com
o intuito de analisar estratégias didáticas para o ensino de mitose, meiose e divisão celular,
propostas para o Ensino Médio. A investigação ocorreu por meio do levantamento
bibliográfico, considerando artigos, TCC e monografias publicadas em Revistas Científicas,
disponíveis nas plataformas de busca do Scielo (Scientific Electronic Library Online), Scopus
da plataforma Periódicos Capes e Google acadêmico, totalizando 20 artigos selecionados, entre
os anos de 2010 a 2021. Os resultados obtidos permitiram identificar que, apesar do empenho
de alguns autores, o número de artigo com essa temática na área de ensino ainda é pequeno e
as inovações com estratégicas didáticas ainda são pouco diversificadas.
Palavras – chave: mitose e meiose, práticas de ensino, avanços tecnológicos.

Abstract: The search for new teaching practices nowadays is an object of study for many
teachers who aim to improve their didactics in the classroom. In the field of Biology too, even
with the constant technological advances, it is often not possible to arouse students' interest due
to routine practices that are less attractive, encouraging the teacher to look for tools that
facilitate the learning process. This research aimed to make a Systematic Literature Review
(RSL), in order to analyze didactic strategies for teaching mitosis, meiosis and cell division,
proposed for High School. The investigation took place through a bibliographic survey,
considering articles, TCC and monographs published in Scientific Journals, available on the
search platforms of Scielo (Scientific Electronic Library Online), Scopus - Periódicos Capes
and Google academic, totaling 20 articles selected, between the years from 2010 to 2021. The
results obtained allowed us to identify that, despite the efforts of some authors, the number of
articles with this theme in the teaching area is still small and the innovations with didactic
strategies are still little diversified.
Keywords: mitosis and meiosis, teaching practices, technological advances.

30

3.1 Introdução
Lecionar nos dias atuais vêm sendo um grande desafio na vida dos docentes. Isso porque
a busca por novas práticas tecnológicas e pedagógicas que instiguem os alunos, ainda se
mostram escassas. De acordo com Paiva, Guimarães e Almeida (2015) a problemática também
está bem presente no contexto do ensino de Biologia, que mesmo diante de avanços no campo
da Educação Científica, ainda tem sido trabalhado de modo conteudista, cientificista e
desconexo do cotidiano.
Após a introdução de novas diretrizes no Ensino Médio, o educador da disciplina de
Biologia precisa dar destaque a outras práticas que relacionem o conhecimento cientifico com
o contexto social ao qual o estudante está inserido, como forma de facilitar o aprendizado e
compreensão destes (AMORIM, 2013). E mesmo com os constantes avanços tecnológicos,
observa-se que as práticas de ensino costumam ser rotineiras e conteudistas, mostrando assim,
um desestímulo por parte do aluno e fazendo com que o professor deseje se reinventar. O
conteúdo de divisão celular, inclui os processos de mitose e meiose, práticas que permanecem
abstratas, como afirmam Manzke, Manzke e Traversi (2017):
o assunto “divisão celular” quase nunca atinge seu objetivo no processo
ensino-aprendizagem, talvez pela metodologia geralmente utilizada em sala
de aula, que tem por base a exposição verbal de cada fase, ou, ainda, trabalhos
de consulta bibliográfica, sem que o aluno possa identificar nas interfaces sua
grande importância ou contextualização (MANZKE; MANZKE; TRAVERSI,
2017, p. 24).

Vale ressaltar, ainda, que as dificuldades de ensino e aprendizagem de mitose e meiose
fazem parte de diversos conteúdos curriculares da Educação Básica, presentes na Genética,
Biologia Celular, Fisiologia (SILVA; SILVA; SILVA, 2018). Para Paiva, Guimarães e Almeida
(2015) assuntos como divisão celular, câncer, doenças genéticas, transgenia e clonagem, por
exemplo, podem ser empregados na educação escolar para beneficiar a reflexão crítica sobre
estes conteúdos, que são tão presentes em nosso cotidiano.
As dificuldades dos processos presentes na mitose e meiose são apontadas por Braga
(2010) no que concerne as ilustrações vigente no livro didático, que contém muitas informações
desassociadas ao nível do ensino proposto, o que gera dificuldade em interpretá-las e
desmotivação do aluno pelo conteúdo. Diante do exposto, fica ainda maior a responsabilidade
do professor em rever sua didática em sala de aula.
Em face dessa problemática vivenciada pelos docentes, em que o aluno se mostra
desmotivado pela aprendizagem, é necessário trabalhar com novos métodos, que venham

31

despertar seu interesse, bem como instigá-los a conhecer o novo de forma prazerosa. Neste
sentido, o presente trabalho tem como objetivo, fazer uma Revisão Sistemática de Literatura
(RSL), com o intuito de analisar estratégias didáticas para o ensino de divisão celular propostas
para o Ensino Médio.

3.2 Percurso da Pesquisa

Como objeto de pesquisa realizou-se um levantamento bibliográfico, por meio de uma
Revisão Sistemática de Literatura (RSL). Para Galvão e Ricarte (2020) a RSL se caracteriza
por ser uma modalidade de pesquisa, que mantém protocolos específicos, e que busca entender
e dar algum sentido a um grande corpus documental, especialmente, verificando o que funciona
e o que deixar de funcionar num dado contexto.
A abordagem metodológica da pesquisa pode ser considerada de cunho qualitativo. “A
pesquisa qualitativa usa métodos múltiplos que são interativos e humanísticos. Os métodos de
coleta de dados estão crescendo e cada vez mais envolvem participação ativa dos participantes
e sensibilidade aos participantes do estudo” (CRESWELL, 2007, p. 186). A presente pesquisa
considerou artigos, publicados em Revistas Científicas, Trabalhos de Conclusão de Curso
(TCC) e Monografias disponíveis nas plataformas de busca do Scielo (Scientific Electronic
Library Online), Scopus da plataforma de Periódicos Capes e o Google Acadêmico. Os critérios
para seleção das plataformas foram a importância para a área de Ensino de Ciências e para o
objeto de pesquisa.
A seleção dos trabalhos foi feita por meio de busca com palavras-chave, usando os
termos: “Aprendizagem da Divisão Celular”, “Divisão Celular no Ensino Médio”,
“Experimentos de Divisão Celular no Ensino Médio”, “Ensino de Mitose e Meiose”, “Divisão
Celular” e “Mitose e Meiose”. Nesta seleção foram consideradas publicações dentro do recorte
da pesquisa quando apresentavam em seu título, resumo ou palavras-chave o tema de
investigação.
Ainda para seleção foram utilizados os critérios de inclusão e exclusão, onde foram
elencados alguns aspectos, levando em conta a relação destes com a pesquisa. Para os critérios
de inclusão foram selecionadas as publicações que apresentam em seu título ou resumo relação
com o tema de investigação dentro da área da educação, no idioma português, dentro de revistas
especializadas, Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) ou Monografias, entre os anos de 2010
a 2021. Para o critério de exclusão foi considerado fora do recorte da pesquisa, Teses,

32

Dissertações, Capítulos de livros, Trabalhos completos em eventos, artigos em outras áreas da
ciência e em outros idiomas e, trabalhos anteriores ao ano de 2010, como apresentados na
Quadro 1.
QUADRO 1 - Critérios de Inclusão e Exclusão na RSL.
Critérios de Inclusão

Critérios de exclusão

Publicações em Revistas Especializadas, TCC e
Monografias.

Teses, Dissertações, Capítulos de livros.

Abrangem os anos de 2010 a 2021.

Publicações exceto entre 2010 e 2021.

Apresentam alguma abordagem de divisão celular
no ambiente educacional.

Publicações em outras áreas da Ciência.

Publicações apenas em português.

Artigos em outros idiomas.

Fonte: As autoras, 2022.

De acordo com Dermeval, Coelho e Bittencourt (2020) todos os critérios de inclusão
devem ser satisfeitos para que o trabalho seja incluso na lista de seleção final, ao contrário do
que acontece com os critérios de exclusão, o qual necessita apenas se enquadrar em um critério
para ser excluído.
Os trabalhos foram inseridos em pastas separadas, de acordo com o buscador utilizado
e analisados por meio de leitura flutuante. Em seguida foi feito um recorte das ideias que mais
se assemelhavam com a pesquisa para posterior discussão. A análise de dados foi realizada a
partir da análise de conteúdo proposto por Bardin (2011). A análise de conteúdo é uma
metodologia utilizada principalmente para descrição e interpretação de dados, permite
descrições sistemáticas e uma reinterpretação dos dados obtidos (THOMAZ; HEERDT; IURK,
2018).
De acordo com Bardin (2011, p. 147) “a maioria dos procedimentos de análise organizase em redor de um processo de categorização”. Para a presente pesquisa foi estabelecida a
Categoria “Estratégias didáticas” com as seguintes subcategorias: jogos, sequência didática,
exposição dialogada com questionários, análise de livros didáticos, seleção e análise de vídeoaulas no Youtube e laminário histológico.
Os trabalhos foram analisados e selecionados de acordo com a subcategoria em que cada
um se enquadrava, posteriormente identificados pela letra T, seguido de um número ordinal:
T1, T2, T3.....T20, no processo de reprodução dos dados. O processo de categorização,
constitui-se como uma “operação de classificação dos elementos constitutivos de um conjunto

33

por diferenciação e, sem seguida, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com critérios
previamente definidos” (BARDIN, 2011, p. 147).

3.3 Resultados e Discussão

Como resultado, representou-se por meio de quadros, as publicações selecionadas e a
fundamentação dos dados de acordo com a categoria e subcategorias estabelecidas. Foram
apresentados a seguir por meio do Quadro 2, as bases de buscas e palavras chaves com o total
das citações e das publicações selecionadas.
QUADRO 2 – Número de citações e publicações selecionadas.
SCIELO

SCIELO

Nº de

Nº

citações

selecionados

1

2

0

74

0

2

1

4

2

0

0

0

13.800

6

5

0

0

0

Divisão Celular

16.200

1

502

0

21

0

Mitose e Meiose

3.310

1

18

0

8

1

Total de citações e

77.510

17

654

1

33

2

BASE DE BUSCA

Aprendizagem da

Google

Google

Scopus

Scopus

Acadêmico

Acadêmico

Capes

Capes

Nº de

Nº

Nº de

Nº

citações

selecionados

citações

selecionados

14.700

4

53

14.600

1

14.900

Divisão Celular
Divisão Celular no
Ensino Médio
Experimento de
Divisão Celular no
Ensino Médio
Ensino de Mitose e
Meiose

publicações
selecionadas

Fonte: As autoras, 2022.

34

Como observado no Quadro 2, foram selecionadas 20 publicações de um total de
764.510 citações. Destas, 17 foram encontradas na plataforma Google Acadêmico, um na base
de dados Scopus da plataforma Periódicos Capes e dois na base Scielo.
Abaixo listaram-se as publicações selecionadas em ordem cronológica (Quadro 3).
QUADRO 3 – Trabalhos selecionados sobre a temática Mitose e Meiose, entre os anos de 2010 e
2021.
Base de busca

Título do trabalho

Autores

Ano

Código

Revista da

O uso de modelos em uma

BRAGA; FERREIRA;

2010

T1

SBEnBio

sequência didática para o ensino

GASTAL.

2011

T2

2013

T3

NASCIMENTO.

2013

T4

CRISTINA; CAPUANO;

2014

T5

2015

T6

dos processos da divisão celular.
Acta Scientiae

As
situações-problema
na
aprendizagem dos processos de
divisão celular.

CARNEIRO; DAL-

Debates em

Concepções

REIS; BEZERRA;

Educação

ingressantes do Ensino Médio

Científica e

sobre o conceito de

Tecnológica

celular.

Monografia -

A

Trabalho de

conteúdos de mitose e meiose no

Conclusão de

Ensino Médio.

de

transposição

alunos

FARRA.

ALENCAR; AMADO.

divisão

didática

dos

Curso (Curso
de Ciências
Biológicas a
Distância) Universidade
Estadual do
Ceará
Caderno de

Lâminas

histológicas

como

Estudos

instrumento didático no Ensino

Tecnológicos -

Médio.

BONATTO.

CET
Revista

O jogo do ciclo celular – Uma

FARIAS; SILVEIRA;

Amazônica de

alternativa para o ensino de

ARRUDA.

Biologia.

35

Ensino de
Ciências
C&D-Revista

Atividade prática implementada

SILVEIRA; ALMEIDA;

Eletrônica da

pelo

PEREIRA; LEMOS.

Fainor

aprendizagem do conteúdo divisão

Pibid

subsidiando

a

2015

T7

MARTINS; BRAGA.

2015

T8

2017

T9

2017

T10

2017

T11

2017

T12

celular mitótica.
Revista

Jogo didático como estratégia para

Essentia

o ensino de divisão celular.

Revista

Estratégia Didática para o ensino

MANZKE; MANZKE;

Eletrônica de

de Divisão Celular no Ensino

TRAVERSI.

Investigação

Básico.

em Educação
e Ciências
Revista de

Mitose

e

meiose:

Ciências,

norteando

Tecnologia e

aprendizagem dos processos de

Sociedade

divisão celular.

a

o

lúdico

construção

da

RUFINA; BARATELI;
SANTOS.

(CTS ).
Revista

Modelos cromossômicos auxiliam

SOUZA; LEAL-BRITO;

PECIBES

o estudo da mitose e da meiose.

NEVES; OLIVEIRA.

Monografia -

O uso da imagem no processo de

GUIMARÃES.

Trabalho de

aprendizagem da divisão celular.

Conclusão de
Curso (Curso
de
Licenciatura
em Ciências
Biológicas) Instituto
Federal de
Educação,
Ciência e
Tecnologia do
Piauí.

36

Monografia -

Modelo

didático

de

divisão

Trabalho de

celular: Visualizando o invisível.

MATOS.

2017

T13

OLIVEIRA.

2017

T14

2018

T15

SILVA; SILVA; SILVA.

2018

T16

SILVA.

2018

T17

Conclusão de
Curso (Curso
de Ciências
Biológicas) Universidade
Federal Rural
do Rio de
Janeiro.
Trabalho de

O uso de modelos tridimensionais

conclusão de

à base de materiais alternativos

curso (TCC) -

como estratégia no ensino de

Instituto

divisão celular para alunos de 3º

Federal de

ano do Ensino Médio.

Educação,
Ciência e
Tecnologia do
Piauí.
Revista Olhar

Unidade de ensino potencialmente

THOMAZ; HEERDT;

De Professor

significativa (UEPS) para o ensino

IURK.

de mitose e meiose.
Revista

Modelização

didática

Thema

possibilidade

de

como

aprendizagem

sobre divisão celular no Ensino
Fundamental.
Trabalho de

Confecção de modelos didáticos

conclusão de

para

curso (TCC) -

aprendizagem sobre a estrutura

Universidade

dos cromossomos e a meiose.

Federal de
Pernambuco.

o

processo

de

ensino-

37

Trabalho de

Análise das estratégias didáticas

conclusão de

abordadas

curso (TCC) -

“youtube” sobre divisão celular.

em

videoaulas

MATOS.

2019

T18

CARVALHO; PEREIRA;

2020

T19

2020

T20

do

Universidade
Federal de
Pernambuco.
Revista

Caminhando

para

a

divisão

Ciências &

celular: Proposta de jogo para o

Ideias

ensino de meiose e mitose.

Revista

A Fragilidade do Ensino da

SANTIAGO;

Ciência &

Meiose.

CARVALHO.

PEREIRA; SOUZA.

Educação

Fonte: As autoras, 2022.

Após análise, apresentaram-se as revistas citadas, sendo confirmadas um total de 13:
Acta Scientiae, Revista da SBEnBio, Debates em Educação Científica e Tecnológica, Revista
Thema, Investigação em Educação e Ciências, Revista Eletrônica da Fainor, Revista Técnica,
tecnologia – Ciências, Tecnologia e Sociedade (CTS), Revista Ciências & Ideias, Ciência &
Educação, Revista PECIBES, Olhar De Professor, Revista Amazônica de Ensino de Ciências e
Essentia. Além disso, verificaram-se que existem TCC e monografias.
Após a leitura dos textos, percebeu-se que, devido a problemática acerca do ensino da
divisão celular em ser transmitido de forma conteudista, algumas publicações sobre essa
temática já vêm mostrando alternativas para tentar estimular a aprendizagem do aluno para o
assunto de mitose e meiose, inserindo práticas ao ensino desse conteúdo a partir de estratégias
metodológicas, como mostra o Quadro 4.
QUADRO 4 – Categoria “Estratégias didáticas” e as subcategorias.

Categoria

Subcategorias

Trabalho analisado

Jogos.

T6, T8, T9, T10 e T19.

Sequência Didática.

T1 e T11.

Exposição dialogada com questionário.

T2, T3, T7, T12, T15 e
T20.

Análise de livros didáticos.

T4

38

Estratégias
Didáticas

Seleção e análise de vídeo-aulas do
Youtube.

T18

Laminário histológico.

T5

Modelos Didáticos.

T13, T14, T16 e T17

Fonte: As autoras, 2022.

Na maioria das publicações observou-se dominância da subcategoria “Exposição
dialogada com questionários”. Um total de seis trabalhos usaram exclusivamente o questionário
como instrumento avaliativo para o conteúdo de divisão celular, a mitose e a meiose. No T2 os
autores analisaram a utilização de situações-problema no ensino da divisão celular, onde os
resultados apontaram que em determinados tópicos, especialmente em relação à mitose, a
utilização de situações-problema proporcionou um maior entendimento por parte dos alunos,
principalmente pelo maior número de informações disponíveis que favoreceram a análise dos
casos por eles. Já T3 defendeu que o conhecimento sobre o assunto divisão celular foi bastante
restrito ao ambiente formal de ensino e que os alunos possuíam apenas uma visão limitada e
generalizada do tema.
Nas publicações T7 e T20 os autores comentaram que as inferências para o aprendizado
foram imensas, tendo em vista que, quase sempre, os conteúdos abordados na sala de aula, de
maneira teórica, deixaram de ser assimilados com facilidade pelos alunos, mostrando uma
lacuna no aprendizado. Zamunaro (2006) afirmou que frequentemente os conteúdos são
transmitidos aos alunos de forma teórica dentro da sala de aula, dispersando-os do assunto, por
terem muita dificuldade e nem sempre conseguirem fazer conexões com a realidade.
No que concerne as publicações T12 e T15 os autores fizeram uso de um estudo
descritivo e qualitativo, utilizando imagens para posterior discussão dos resultados, onde se
evidenciou a contribuição para uma aprendizagem mais significativa.
Os jogos didáticos se apresentaram em segundo lugar como estratégias mais utilizadas
nas metodologias das publicações aqui analisadas, propostas em cinco publicações. No T8 os
autores mostraram o jogo como uma ferramenta que conseguiu auxiliar na fixação do conteúdo,
trazendo ganhos para a sala de aula, tanto para o professor como uma técnica de motivação,
quanto para o aluno na compreensão sobre o assunto tratado. Já em T19 os autores descreveram
que o jogo por eles trabalhado, conseguiu trazer diversão, visto que foi um jogo interativo e que
continha a explicação das alternativas, além de possuir movimentos e personagens que foram
escolhidos exatamente para trazer bem-estar ao jogador.

39

Neste sentido, em T10 os autores também apontaram que a metodologia usada
proporcionou uma apropriada interação entre os alunos, porém a utilização do jogo deixou de
ser a ferramenta primordial no entendimento sobre o conteúdo por parte dos sujeitos
pesquisados. Para T6 a atividade lúdica aplicada foi uma ótima estratégia de ensino. Os autores
usaram um jogo da memória sobre o ciclo celular que facilitou a compreensão e a fixação dos
conceitos transmitidos nas aulas teóricas.
Em T9 os autores propuseram um jogo de diferenças, estruturado em representações
esquemáticas que evidenciavam as etapas da divisão celular e comprovavam que há aumento
no interesse por parte dos alunos pelo conteúdo e pela atividade. Luckesi (2014) argumentou
sobre a ludicidade como um estado interno, proveniente da mais habitual às mais complexas
tarefas e experiências humanas, decorrentes das brincadeiras ou de qualquer atividade que possa
irradiar brilho nos olhos dos alunos.
Outra estratégia metodológica bem citada tratou do uso de modelos didáticos, em quatro
das 20 publicações. Para os autores do T16 o uso dos simples materiais didáticos propostos
descreveram uma metodologia alternativa para o ensino de divisão celular e, portanto, eficaz
para ampliar a capacidade de aprendizagem dos alunos sobre os conceitos básicos que requerem
certo grau de imaginação e abstração. Já em T14 os autores desenvolveram modelos
tridimensionais e apontaram que durante a explanação de cada processo, os alunos relataram
que se torna mais fácil o aprendizado com o auxílio do modelo, pois o conteúdo ficou mais
próximo de sua realidade, e conseguiram visualizar cada uma das fases.
De forma semelhante, em T13 o autor enfatizou que o modelo tornou as aulas sobre
divisão celular mais didáticas, interativas e possibilitaram a melhor visualização de estruturas
e processos, considerados abstratos e sem significado pelos alunos. Da mesma forma em T17
os modelos didáticos tornaram as aulas mais agradáveis e participativas, aproximando os
objetos de estudo da realidade dos estudantes, e deste modo, facilitaram a assimilação de
conteúdos complexos e abstratos. O autor confeccionou com os alunos dois modelos didáticos
com a utilização de materiais duráveis e de baixo custo, sendo um com a finalidade de
representar os diferentes níveis de compactação do DNA e outro para mostrar o comportamento
cromossômico durante a meiose.
A sequência didática apareceu citada em duas publicações. Em T1 os autores utilizaram
modelos em uma sequência didática e nas suas análises afirmaram que os dados obtidos por
meio da observação e da filmagem das aulas ministradas permitiram constatar o potencial que
o uso da modelagem, como metodologia de ensino, possui em promover o envolvimento dos
alunos com o conteúdo que está sendo trabalhado. Nóbrega e Sudério (2020) afirmaram que a

40

adoção de uma sequência didática com uso de atividades práticas e lúdicas se mostraram como
uma alternativa ao modelo rotineiro de ensino, que há muito tem se desgastado por ter a figura
do professor como centro do processo educativo e do aluno como sujeito passivo.
Em T11 os autores destacaram que durante a aula tradicional os alunos mostraram-se
pouco interessados pelo conteúdo ministrado, mitose e meiose. Ao retomar o conteúdo,
inicialmente, os alunos foram resistentes em reiniciar os trabalhos com os temas mitose e
meiose. Porém, quando perceberam o lúdico envolvido na proposta, aos poucos começaram a
interagir com o professor, corroborando com os estudos de Gonçalves et al. (2014), que ao
questionaram os alunos a respeito da impressão deles sobre o jogo aplicado pelos autores,
relataram que foi possível aprender com o lúdico, pois o jogo tratava de um exercício que exigia
concentração, atenção e resgaste de conceitos.
Para as subcategorias “Análise de livros didáticos”, “Seleção e análise de vídeo-aulas
no Youtube” e “Laminário histológico” observaram-se poucos trabalhos que utilizaram essas
estratégias, sendo cada uma citada por uma publicação. Em T4 o autor apontou para a
necessidade dos cursos de formação discutirem a transposição didática como um conhecimento
importante e essencial que o professor deve deter para o exercício da docência. De acordo com
Miglio e Terán (2012) foi mediante a transposição didática que a proposta curricular se efetivou,
pois, os saberes científicos, ao serem introduzidos no contexto escolar, se modificaram em
objetos de ensino, ou seja, em conteúdo curricular, em saberes ensináveis.
Em T5 os autores destacaram que o conteúdo pode ser abordado de maneira ampla, com
auxílio de vídeo e imagens ilustrativas. Em seguida, os alunos demonstraram através de um
desenho a fase da metáfase na mitose, em dois momentos: o primeiro após a aula teórica e o
segundo após a aula prática. Com isso os autores concluíram que as aulas práticas, utilizandose de lâminas histológicas, como instrumento didático-pedagógico, tornou-se eficaz para a
motivação dos alunos, deixando as aulas mais dinâmicas e estimulantes.
Já em T13 o autor fez uso da tecnologia e, tem com o objetivo de analisar as estratégias
didáticas em vídeo-aulas disponíveis no YouTube que abordassem o conteúdo divisão celular,
observou a relevância do uso do vídeo como recurso pedagógico e pode concluir que a maioria
dos videoaulas foram satisfatórias, principalmente no que se referiu ao estudo de Biologia
Celular, apesar de em uma pequena parcela de vídeo-aulas existir um uso superficial da
contextualização como estratégia didática e também pouca resolução de exercícios.
Desenvolver estratégias didáticas que incorporem o aporte teórico dos conteúdos de
divisão celular, a mitose e meiose, com a ludicidade se constitui de grande relevância para o

41

conhecimento dos alunos, uma vez que, os ajudam a sair da abstração que o assunto promove
e os estimulam a participar ativamente da aprendizagem.

Considerações finais
Após a análise das publicações desta Revisão Sistemática de Literatura sobre o ensino
de divisão celular, ficou nítido o empenho dos professores na busca por estratégias didáticas
que facilitem a aprendizagem do ensino deste conteúdo, envolvendo a mitose e a meiose,
principalmente de maneira lúdica, na tentativa de estimular o interesse dos alunos para a
compreensão dos conceitos abstratos. Mas, apesar dos esforços o quantitativo de publicações
com diversidade de estratégias didáticas ainda foi pequeno para a importância que a temática
tem no âmbito das Ciências Biológicas.
As ferramentas didáticas que mais se destacaram foram os jogos, o uso de questionários
e a confecção e/ou apresentação de modelos didáticos. Mesmo com os avanços tecnológicos as
práticas com o uso de tecnologia ainda se mostraram escassas.
Vale ressaltar, também, que somente essas estratégias e recursos nem sempre
promoveram educação de qualidade, pois o professor precisaria utilizar uma linguagem simples
para transmitir os conhecimentos, fazendo conexões com o cotidiano e tentando minimizar a
abstração que a Ciência impõe. Considerou-se de grande importância que mais trabalhos
ressaltando as estratégias didáticas sejam desenvolvidos facilitando a prática educativa dos
professores de Biologia.

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44

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA
Para o desenvolvimento dessa pesquisa seguiu-se a execução do planejamento conforme
o

projeto

encaminhado

para

Plataforma

Brasil,

aprovado

sob

o

processo

no.

48691621.0.0000.5013 e parecer no. 5.069.415 (Anexo 1). A seguir apresentam-se os itens
desenvolvidos na parte prática dessa dissertação. Os itens da pesquisa passaram a figurar
abaixo, explicando a cada subitem como, quando, com quem e em que formato houve o
planejamento e as atividades que aconteceram.

4.1 Tipo de pesquisa
O método de pesquisa utilizado foi do tipo qualitativo, Creswell (2007) define a técnica
qualitativa como:
aquela em que o investigador sempre faz alegações de conhecimento com base
principalmente ou em perspectivas construtivistas (ou seja, significados
múltiplos das experiências individuais, significado social e historicamente
construídos, com o objetivo de desenvolver uma teoria ou um padrão) ou em
perspectiva reivindicatórias/participatórias (ou seja, políticas, orientadas para
a questão; ou colaborativas, orientadas para a mudança) ou em ambas. Ela
também usa estratégias de investigação como narrativas, fenomenologia,
etnografias, estudos baseados em teoria ou estudos de teoria embasada na
realidade. O pesquisador coleta dados emergentes abertos com o objetivo
principal de desenvolver temas a partir dos dados (CRESWELL, 2007, p.

35).

Isto ressalta a possibilidade que o professor tem em fazer uma imersão na realidade em
que vai trabalhar, promovendo a obtenção de dados descritivos de forma técnica e mais próxima
do objeto de estudo. Yin (2016) descreve 5 características da pesquisa qualitativa:
1. estudar o significado da vida das pessoas, nas condições da vida real; 2.
representar as opiniões e perspectivas das pessoas (rotuladas como os
participantes) de um estudo; 3. abranger as condições contextuais em que as
pessoas vivem; 4. contribuir com revelações sobre conceitos existentes ou
emergentes que podem ajudar a explicar o comportamento social humano; e
5. esforçar-se por usar múltiplas fontes de evidência em vez de se basear em
uma única fonte (YIN, 2016, p. 7)

Portanto, seus resultados advêm da análise e descrição de elementos empíricos
coletados de forma sistemática.

45

4.2 Lócus da pesquisa
O local escolhido para o desenvolvimento da pesquisa foi a Escola de Referência em
Ensino Médio (EREM) de Jatobá, localizada na Rua da Matriz, 50, Centro, município de
Petrolândia, Pernambuco. A unidade de ensino estava integrada a Gerência Regional de
Educação do Submédio-São Francisco, fazendo parte do Programa de Educação Integral, criado
pelo Governo de Pernambuco com o objetivo de melhorar a qualidade no Ensino Médio desse
estado.
Um dos motivos da escolha residiu no fato da pesquisadora estar inserida no quadro de
professores efetivos em pleno exercício, do componente curricular Biologia, na referida
instituição de ensino.
4.3 Participantes envolvidos
Os estudantes alvo da pesquisa são de alunos da turma do 1ºano A do Ensino Médio
Integral da escola EREM de Jatobá, município de Petrolândia, Pernambuco, pelo seu número
amostral, maior que as outras 3 turmas que funcionam na mesma escola (1ºB, 1ºC e 1ºD).
Participaram da pesquisa trinta e dois estudantes, com idades entre doze a dezesseis anos. A
turma possuía outro professor responsável pela disciplina de Biologia, sendo cedida para a
realização desta pesquisa. Por questões éticas, identificaram-se os alunos pela letra A, seguido
de um número ordinal: A1, A2, A3.....A32, no processo de reprodução dos dados.

4.4 Abordagem da pesquisa

O presente estudo teve origem nas observações das dificuldades enfrentadas pelos
alunos na aprendizagem do conteúdo de divisão celular, que sugeriram tratar-se de aspectos
cognitivos da aprendizagem e de afinidade com o assunto. Utilizou-se a abordagem do tipo
intervenção pedagógica, pois segundo Damiani et al. (2013) envolvia o planejamento e a
implementação dessas interferências para produzir melhorias nos processos de aprendizagem
dos alunos que delas participaram e a posterior avaliação dos efeitos dessas interações.
A intervenção pedagógica esteve composta por 8 aulas, desenvolvidas em 4 semanas,
em 2 aulas sequenciais semanais, de cinquenta minutos cada. No primeiro momento da
intervenção, ocorrida no auditório com disponibilidade de aparelho de projeção multimídia da
escola para realização de palestras, reuniões ou aulas com diapositivos (slides) os alunos
mantiveram-se animados.

46

Para esse momento, com duração de 2 aulas, ocorreu a explanação de todo o conteúdo
de divisão celular, com os processos de mitose e meiose. Percebeu-se o interesse pela aula com
diapositivos, pelo simples fato dessa dinâmica ser incomum na escola e por desconstruir a
abstração do conteúdo, utilizando figuras, além da relação com o cotidiano (Figura 1).
Na semana seguinte, com 2 aulas de cinquenta minutos cada, foi retomada a aula
expositiva em sala de aula, para revisão do conteúdo já explanado e, em seguida os alunos foram
divididos em 4 grupos, em que cada um recebeu modelos didáticos das fases das 2 divisões
celulares, já disponíveis na escola, que continham as fases da mitose e da meiose, para que os
alunos as colocassem na ordem correta: 1 - Mitose: Prófase, Metáfase, Anáfase e Telófase; 2 Meiose: Prófase I e II, Metáfase I e II, Anáfase I e II e Telófase I e II.

Figura 1 – Aula expositiva no auditório com o conteúdo mitose e meiose.

Fonte: Autora (2022).

Após a entrega dos materiais os alunos foram colocando as placas ou modelos didáticos
na sequência as diversas fases, conforme as características anotadas por eles na primeira aula
expositiva e de acordo com o tipo de divisão. Para as fases da mitose, por exemplo, foram
consideradas características como a carioteca, fibras do fuso, nucléolos e cromossomos. A
construção dessas fases foi feita na sala de aula, com a junção das mesas escolares (Figura 2).
A professora monitorou os grupos durante toda a atividade, aproveitando para esclarecer
dúvidas e corrigir erros conceituais ou de características.
Figura 2 – Sequência das fases da mitose em sala de aula com os modelos didáticos.

Fonte: Autora (2022).

47

Na construção das fases da meiose, foi satisfatório ver os alunos montando a sequência
com empolgação. Nessa fase foi considerado como ponto principal o crossing-over, pois as
cores das placas ou modelos didáticos ajudavam a identificar o fenômeno, promovendo grande
interação de conhecimentos entre todo o grupo (Figura 3). Resultando semelhante foi obtido
por Silva (2022), que também dividiu os alunos em grupos para a construção dos eventos da
mitose e meiose e observou que todos mostraram que os pares de cromossomos homólogos das
representações estavam em contato entre as cromátides homólogas, os quiasmas, de forma
correta e com as cores padronizadas, além de terem sido identificados acertos em todo o
fenômeno de crossing-over ou permutação.
Figura 3 – Montagem das fases da meiose com os modelos didáticos em sala de aula.

Fonte: Autora (2022).

Na terceira semana, também com 2 aulas sequenciais, com o mesmo tempo de aulas, os
alunos foram apresentados aos mapas conceituais, baseado na TAS. Foi elaborado um tutorial
com o passo a passo de como elaborar um mapa conceitual (Apêndice 1).
Em seguida os alunos foram orientados para preparar os mapas conceituais de acordo
com o conteúdo de divisão celular, relacionando a mitose e meiose com as suas diversas fases.
Os alunos receberam após a explicação e distribuição de uma cópia impressa do tutorial, uma
folha de papel A4, quando foi pedido que o mapa conceitual fosse elaborado e no final da folha
cada estudante se identificasse colocando o nome completo. Por motivos éticos o nome dos
alunos foram ocultados.
Por fim, na quarta semana, com 2 aulas sequenciais, foi utilizado o “livro-jogo” com um
formato lúdico. Os alunos gostaram da atividade, concordando com o exposto por Trindade
(2009), que categoriza o jogo didático como um recurso pedagógico utilizado em sala de aula
para transpor as barreiras do conhecimento meramente expositivo, ajudando a despertar nos
alunos a exploração de variados conceitos, ambas as atividades de maneira aprazível.

48

4.5 Instrumentos de coleta de dados
O questionário, segundo Gil (1999, p. 128) pode ser definido “como a técnica de
investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões apresentadas por
escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos,
interesses, expectativas, situações vivenciadas”.
O instrumento utilizado para a coleta de dados tratou de 2 questionários, aplicados antes
e após a utilização do “livro-jogo”. O questionário pré-atividades (Figura 5) continha quinze
questões, sendo 5 objetivas a respeito da condição socioeconômica do aluno e dez questões
sobre o conteúdo de divisão celular. Dessas, 5 eram objetivas e outras 5 discursivas. Para Bozza
(2016) ao conhecer as deficiências específicas dos alunos após o questionário Pré-atividades
foi necessário proceder as alterações no planejamento inicial das atividades, assim como nos
materiais a serem utilizados.

Figura 4 – Questionário pré-atividades utilizado na intervenção.
QUESTIONÁRIO I

Esse questionário será aplicado para identificar o que você estudante já conhece acerca do conteúdo de
divisão celular. Conto com a sua colaboração para que as respostas sejam as mais honestas possíveis
afim de que nessa pesquisa possamos entender um pouco mais sobre o que você já sabe e quais as
dificuldades na compreensão desse conteúdo!
Participante nº _______
1 Qual sua idade? _______
2 Sexo:
Masculino

Feminino

Outros.

3 Onde você mora:
Zona Rural

Zona Urbana

4 Com quem você mora:
Com os pais

Outros familiares

5 Rendimento mensal da família:
Até 1 salário mínimo

2 salários mínimos

3 ou mais salários mínimos
6 Você sabe o que é Divisão Celular? Se a resposta for sim, descreva.

49

7 Ao final dos processos de divisão celular, verifica-se uma etapa conhecida como citocinese. O que
ocorre nessa etapa?

8 Qual(is) é(são) a(s) diferença(s) entre Mitose e Meiose?

9 Você sabe quais as etapas da Mitose e Meiose?

10 Em relação à divisão celular por mitose, aponte a alternativa CORRETA:
A célula-mãe origina duas células-filhas com metade do número de cromossomos.
As células-filhas são idênticas às células-mãe no número de cromossomos.
Ocorre em células germinativas apenas, tanto de animais como de vegetais.
A mitose é a divisão celular que forma os espermatozoides e os óvulos.
11 Sobre a meiose, marque a alternativa CORRETA:
Na meiose são formadas duas células-filhas idênticas às células-mãe no número de cromossomos.
A meiose ocorre em células somáticas de animais.
Na meiose há formação de células-filhas com metade do número de cromossomos da célula-mãe.
A meiose está relacionada ao crescimento do indivíduo.
12 Em que células ocorre a Mitose?
Células germinativas.

Células somáticas.

13 Em que células ocorre a Meiose?
Células germinativas.

Células somáticas .

14 Em qual tipo de divisão celular ocorre a formação de esporos e gametas?
Na Mitose.

Na Meiose.

15 Você tem dificuldades em entender Divisão Celular? Se sim, aponte o que, em sua opinião, dificulta
seu aprendizado nesse conteúdo.

Fonte: Autora (2022).

O questionário pós-atividades (Figura 6) também contém 5questões objetivas e outras
dez discursivas, para verificação se ocorreu a mudança de conceitos dos alunos e da opinião
sobre o “livro-jogo”.

50

Figura 5 – Questionário pós-atividades após a aplicação do “livro-jogo”.
QUESTIONÁRIO II
Esse questionário será aplicado Pós-atividades, afim de discutir o grau de modificação dos conceitos
adquiridos por você estudante com o “livro-jogo”. Conto com a sua colaboração para que as respostas
sejam as mais honestas possíveis afim de que nessa pesquisa possamos entender um pouco mais sobre
o que você já sabe e quais as dificuldades na compreensão desse conteúdo!

Participante nº _______
1 Em sua opinião o “livro-jogo” facilitou sua compreensão sobre o conteúdo de Divisão Celular (Mitose
e Meiose)?

2 Na sua opinião houve alguma dificuldade na linguagem apresentada no “livro-jogo”?

3 O que você mais gostou no “livro-jogo”?

4 Você tem alguma sugestão para a melhoria do “livro-jogo”?

5 Você considera importante trabalhar com o “livro-jogo” em sala de aula?

6 Você sabe o que é Divisão Celular? Se a resposta for sim, descreva.

7 Ao final dos processos de divisão celular, verifica-se uma etapa conhecida como citocinese. O que
ocorre nessa etapa?
8 Qual a(s) diferença(s) entre Mitose e Meiose?
9 Você sabe quais as etapas da Mitose e meiose? Se a resposta for sim, descreva.
10 Em relação à divisão celular por mitose, aponte a alternativa CORRETA:
A célula-mãe origina duas células-filhas com metade do número de cromossomos.
As células-filhas são idênticas às células-mãe no número de cromossomos.
Ocorre em células germinativas apenas, tanto de animais como de vegetais.
A mitose é a divisão celular que forma os espermatozoides e os óvulos.
11 Sobre a meiose, marque a alternativa CORRETA:
Na meiose são formadas duas células-filhas idênticas às células-mãe no número de cromossomos.
A meiose ocorre em células somáticas de animais.

51

Na meiose há formação de células-filhas com metade do número de cromossomos da célula-mãe.
A meiose está relacionada ao crescimento do indivíduo.
12 Em que células ocorre a Mitose?
Células germinativas.

Células somáticas.

13 Em que células ocorre a Meiose?
Células germinativas.

Células somáticas .

14 Em qual tipo de divisão celular ocorre a formação de esporos e gametas?
Na Mitose.

Na Meiose.

15 Você tem dificuldades em entender Divisão Celular? Se sim, aponte o que, em sua opinião, dificulta
seu aprendizado nesse conteúdo.

Fonte: Autora (2022).

Ambos os questionários foram aplicados em sala de aula, na presença da professora para
exclusão de dúvidas. O questionário pré-atividade foi aplicado antes da aula expositiva sobre o
assunto da Divisão Celular, portanto na primeira semana da intervenção. Já o segundo
questionário, pós-atividade, foi aplicado após a execução das aulas expositivas, do exercício de
montagem correta da sequência dos modelos didáticos e da atividade com o “livro-jogo”.

4.6 Análise dos dados

Para a análise dos dados utilizou-se o método de diversidade e saturação. De acordo
com Guerra (2006, p. 42) “o conceito de diversidade é utilizado para investigar a compreensão
dos participantes sobre o tema estudado, garantindo que nas análises de dados participem
pessoas de diferentes grupos”. No caso da saturação, foi classificada como uma categoria de
análise que sinaliza quando o pesquisador nada mais tem a compilar de novo quanto ao objeto
de pesquisa.
Foram selecionados 16 estudantes por esse método, utilizando os seguintes critérios:
I.

2 alunos do sexo feminino e 2 alunos do sexo masculino;

II.

2 alunos que residem na zona rural e 2 alunos que residem na zona urbana;

III.

2 alunos que moram com os pais e 2 alunos que moram com outros familiares;

IV.

2 alunos em que o rendimento mensal da família chega até um salário mínimo e 2 alunos
em que o rendimento mensal ultrapassa três salários mínimos.

52

Em seguida os dados foram tabulados e apresentados em quadros ou tabelas, com base
nas anotações e observações feitas durante todas as atividades e de acordo com as respostas
obtidas por meio dos questionários.
Também foram analisadas as categorias que representavam os aspectos mais relevantes
dos dados coletados, segundo os princípios da análise de conteúdo proposto por Bardin (2011).
A análise de conteúdo foi uma metodologia usada principalmente para descrição e interpretação
de dados, permitindo uma reinterpretação desses dados além de suas descrições sistemáticas
(THOMAZ; HEERDT; IURK, 2018).
Para Santiago e Carvalho (2020, p. 9) “com as questões discursivas, pode-se avaliar a
qualidade das respostas”. Foram listadas 4 perguntas discursivas dos questionários préatividades e pós-atividades, respectivamente, por serem as mesmas nos 2 questionários. Todas
as perguntas selecionadas foram referentes ao conteúdo de divisão celular, a fim de analisar e
comparar as respostas dos conhecimentos prévios, obtidos das respostas do questionário préatividades, antes da intervenção e as respostas do questionário pós-atividades.
- Questão 1 - Você sabe o que é divisão celular? Se a resposta for sim, descreva. - Descrever
a respeito do conteúdo de divisão celular, atentando ao número de células que são produzidas
em cada processo.
- Questão 2 - Ao final do processo de divisão celular, verifica-se uma etapa conhecida como
citocinese. O que ocorre nessa etapa? - Descrever o que ocorre nessa etapa da divisão celular.

- Questão 3 – Qual (is) a (s) diferença (s) entre mitose e meiose? - Descrever a diferença
entre mitose e meiose, seja quanto ao número de células geradas, em que tipo de células
ocorrem, quantas divisões ou até mesmo sua função.
- Questão 4 – Você sabe quais as etapas da mitose e da meiose? - Categoria elaborada com
a intenção de coletar informações dos alunos acerca do conhecimento das etapas que estão
presentes na mitose e na meiose.
A partir da análise dos dados foram estabelecidas 4 categorias para classificação dos
excertos textuais, de acordo com as perguntas discursivas dos questionários pré-atividade e pósatividade, sendo elas:
- Categoria 1: Noções Adequadas - Resposta correta, de acordo com a fundamentação
científica.
- Categoria 2: Noções parcialmente adequadas - Próxima ao que se deseja obter como
resposta correta, porém com poucas informações.
- Categoria 3: Desconhecimento - Resposta sem nexo, sem relação direta com o
conteúdo.

53

- Categoria 4: Descrição sem resposta ou em branco - Sem explicação alguma.
Após a análise dos dados foram elaborados os quadros para posterior discussão dos
resultados.

54

5 - PRODUTO TÉCNICO-TECNOLÓGICO: “Na trilha da divisão celular: aprendendo
mitose e meiose”

RAFAELLA LIMA GOMES

Na Trilha da Divisão Celular: Uma ferramenta didática para o aprendizado
de mitose e meiose

Produto Educacional apresentado à banca examinadora como requisito parcial para a
obtenção do Título de Mestre em Ensino de Ciências e Matemática, pelo Programade PósGraduação em Ensino de Ciências e Matemática do Centro de Educação da Universidade
Federal de Alagoas, aprovado em 30 de setembro de 2022.

BANCA EXAMINADORA

Profa. Dra. Helena Sovierzoski
Orientadora
(ICBS/Ufal)

Prof. Dr. Rodrigo Souza Polleto
(UENP)

Profa. Dra. Silvana Paulina de Souza
(Cedu/Ufal)

55

56

A escola é vista por muitos alunos como um ambiente chato, com muitas disciplinas,
onde frequentemente perdem o interesse de estudar. Mas isso está prestes a mudar. Esse “livrojogo” intitulado “Na trilha da divisão celular: aprendendo mitose e meiose”, voltado para um
conteúdo da Biologia, mais especificamente a Divisão Celular, difere daqueles livros
tradicionais. Essa leitura será um momento de descontração, uma forma lúdica e divertida de
aprender, ou ainda um momento de revisar o conteúdo.

5.1 Introdução
Na tentativa de substituir os métodos tradicionais, considerados pouco estimulantes,
buscar ferramentas que venham a instigar o aprendizado no âmbito do Ensino de Ciências são
ideais constantes dos professores que se preocupam com o desenvolvimento escolar e cognitivo
dos alunos. Neste sentido, o “livro-jogo” vem ganhando espaço como uma das ferramentas
ideais da aprendizagem, pois na medida em que propõe ao estímulo do interesse do aluno,
desenvolve níveis diferentes de experiência pessoal e social, além de ajudar a construir novas
descobertas (CAMPOS; BORTOLOTO; FELÍCIO, 2003).
De acordo com Pereira (2019, p. 36) “O livro-jogo foi criado no final dos anos 60,
quando o advogado Edward Packard teve um bloqueio criativo ao contar histórias de ninar para
suas filhas, decidindo passar a elas as decisões de possíveis desfechos”. Segundo Murray (2003)
a estrutura do livro-jogo é descrita como multissequencial, o que propicia ao interator a
capacidade de percorrer por uma combinação fixa de eventos de diferentes maneiras, todas elas
bem definidas e significativas.
Neste sentido, o jogo oferece importante contribuição para aprendizagem, uma vez que,
trata-se de uma ferramenta rica e de grande efeito que responde às necessidades lúdicas,
intelectuais e afetivas, estimulando a vida social do aluno (RODRIGUES, 2001). O que
significa dizer que, nas atividades lúdicas, como o “livro-jogo”, tem-se um instrumento de
praticidade para chegar ao conhecimento concreto.
Para Martins e Braga (2015) o conteúdo de mitose e meiose demanda dos alunos
capacidade de abstração e de imaginação, tanto para entender definições quanto para
compreender conceitos de difícil assimilação. Isto mostra a necessidade de alternativas
pedagógicas que possam auxiliar na aprendizagem dos estudantes. Percebe-se então a
importância de trabalhar com o “livro-jogo”. Segundo Antunes (1998, p. 90) “no sentido
etimológico a palavra jogo expressa um divertimento, brincadeira, passatempo sujeito a regras
que devem ser observadas quando se joga”. Sendo assim, o “livro-jogo” pode contribuir de

57

forma lúdica para o aprendizado da divisão celular, quebrando o mito de dificuldade dos alunos
em aprender o conteúdo, diminuindo a falta de estratégia didática e o ensino conteudista, que
dificultam sobretudo a compreensão da divisão celular e causam insatisfação nos alunos.
Neste sentido, o objetivo desse Produto Técnico Tecnológico foi desenvolver um “livrojogo” que oportunize de maneira lúdica a aprendizagem dos estudantes para os processos de
mitose e meiose.

5.2 Orientações para o Professor

PARA COMEÇO DE CONVERSA...
Prezado Professor,
Este “livro-jogo” trata de uma ferramenta didática que foi desenvolvida na dissertação
de mestrado nomeada de: “MITOSE E MEIOSE: UMA ESTRATÉGIA LÚDICA PARA O
ENSINO DA DIVISÃO CELULAR”, do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências
e Matemática da Universidade Federal de Alagoas, sob a orientação da Profa. Dra. Hilda Helena
Sovierzoski.
A proposta de trabalhar com o “livro-jogo” foi em função da ludicidade que pode
proporcionar ao aluno no formato de ferramenta pedagógica, contribuindo com várias áreas de
conhecimento. A seguir passam a ser apresentados o passo a passo de como utilizar este “ livrojogo” em sala de aula.
Sugere-se que a utilização deste “livro-jogo” ocorra após a explicação do conteúdo.
Aconselha-se que primeiro seja abordado o conteúdo para que o aluno possa se familiarizar.
Em seguida o professor pode utilizar essa ferramenta lúdica para fixação do assunto. Neste
momento o docente pode apresentar este material para os alunos, explicando que essa
ferramenta foi preparada para o conteúdo de Divisão Celular e difere dos livros tradicionais já
lidos anteriormente. Trata-se de uma forma lúdica e divertida de aprender, ou ainda um
momento de revisar o assunto.
O “livro-jogo” foi disponibilizado para forma impressa, e a critério do professor pode
ser encadernado e acompanhado por dois dados. A turma pode ser dividida em duplas ou deixar
os alunos trabalharem individualmente, como julgar melhor. Sugere-se entregar as cópias do
“livro-jogo”, caso exista a opção pela impressão e encadernação, orientando os alunos no
formato deste tipo de livro e assim observar o início da diversão. Propõem-se deixar os alunos
à vontade, pois se trata de uma atividade com momento de descontração.

58

5.3 Orientações para o Aluno

Olá, galerinha,
Hoje o dia está favorável para uma aventura. Então vamos trilhar um lindo caminho para
a Divisão Celular. Chegou a hora de colocar a mão na massa.
Com as duplas formadas ou de maneira individual você pode receber do professor o
“livro-jogo” com os dados, então começa a aventura. O livro-jogo é formado por diferentes
cenas. Ao final de cada cena encontram-se instruções para as cenas seguintes. Cada cena
está numerada e você precisará ler e escolher a cena para a qual que você deseja ir. Ao
realizar sua escolha vá para cena que o número indicar. Algumas escolhas e posteriores
decisões testarão seus conhecimentos e o levarão para diferentes caminhos.
De acordo com suas escolhas, ao longo da aventura, sua leitura pode terminar muito
rapidamente, ou ser longa. Seu aprendizado depende de você. Você precisa ser honesto, evitar
trapacear e optar pelas escolhas corretas.
Você pode anotar a sequência escolhida para melhor orientação e até mesmo verificar
possíveis erros, sem precisar voltar para as cenas já lidas.
Há um objetivo a ser conquistado no final do “livro-jogo”, que pode ser alcançado por
diferentes caminhos. Mas, lembre-se que nem todo caminho levará você ao sucesso de finalizar
essa aventura como pensa que pode acontecer.
Nessa aventura o personagem é chamado de Pedro, mas você sabe que o
personagem principal é você. Então sinta-se à vontade para mudar o nome, use sua
criatividade.
Agora divirta-se, aprenda jogando, trilhando e se aventurando. Você vai perceber a quão
enriquecedora será essa experiência!

59

5.4 O “livro-jogo”: “Na Trilha da divisão celular: Uma ferramenta didática para o aprendizado
de mitose e meiose”

Olá, galerinha,
Tudo bem com vocês?
Hoje o dia está lindo para uma aventura, então, vamos trilhar um lindo caminho para a Divisão
Celular.
Nessa aventura você será o personagem principal e pode até mudar seu nome, se preferir,
nomeando o seu personagem de sua maneira. Use a criatividade.
Essa aventura começa quando a Profa. Joana inicia sua aula de Biologia falando sobre a
“Divisão Celular”, explicando sua importância desde o surgimento, ou descobrimento da célula
até os processos de mitose e meiose.
... E então, preparado para embarcar nessa aventura?

Vá para a cena 1.

60

CENA 1
Hoje tem aula de Biologia e a Profa. Joana está muito empolgada para iniciar o novo
assunto, que é a Divisão Celular. Mas, ao chegar na sala de aula encontra seus alunos muito
agitados, alguns conversando, outros mexendo no celular. Há também aqueles calados e outros
com o olhar fixo na professora, esperando o início da aula. E você encontra-se entre esses
últimos, esperando ansioso por essa aula. Afinal você gosta muito da disciplina de Biologia,
isso porque você é curioso(a) e busca aprender sempre mais.
No entanto, é a primeira aula da manhã e a essa hora você encontra-se um pouco
sonolento(a), provavelmente por ter ficado até tarde conversando no whatsapp 1com seus
amigos. Nesse momento a professora interrompe seus pensamentos ao dar um “Bom Dia” tão
alto que te traz de volta para a sala de aula.
- Ok, turma! Como informado na aula passada, hoje iniciaremos o conteúdo de Divisão Celular
e antes de começar, quero saber se vocês sabem o conceito de célula? Alguém?
Você fica ansioso pra responder, mas teme errar e receber gozação da turma.
Imediatamente você pensa em se dirigir ao bebedouro de água e confirmar no celular a resposta.
Então você:

Tenta responder a professora mesmo inseguro com a possibilidade de errar, afinal você está
ali pra aprender e errar é humano ............ Cena 7
Prefere sair e pede para ir ao bebedouro de água fazer consulta na internet? ........ Cena 11

1 É um aplicativo multimídia de comunicação instantânea e sua principal função é a troca de mensagens de texto,

vídeos e imagens entre usuários, e é compatível com dispositivos móveis como Smartphones com acesso à
internet (NERI, 2015, p. 1).

61

CENA 2
Após ler as informações obtidas no site2, você confirma o conceito de célula.
- Ah, então é isso mesmo, a célula é a menor unidade estrutural e funcional de um ser.
Imediatamente você se dirige para a sala de aula e desenha no caderno a célula e suas
respectivas partes.

Vá para cena 30.

2

Site é uma coleção de páginas da web organizadas e localizadas em um servidor na rede. Disponível em
<https://www.hostinger.com.br/tutoriais/o-que-e-site>. Acesso em 21 de abr. 2022.

62

CENA 3
Xiii! Deu ruim pra você. A sua desobediência o levou para a sala da coordenação e a
coordenadora está muito furiosa. Você ouve suas passadas, que continuam mais fortes à medida
que se aproxima em sua direção.
Neste momento você se encontra muito ansioso e com medo para saber qual a sua
punição. Sem meias palavras, a coordenadora fala:
- Veja só rapazinho, sua situação só piora. Você sempre está nos corredores, suas notas estão
caindo a cada bimestre e você desrespeita as regras da escola. Esses seus atos só demonstram a
falta de interesse em estudar. Há pouco alertei você sobre isso no bebedouro. Você será
suspenso por três dias e só retorna com a presença de seus pais ou responsável. Entendeu?
Infelizmente você foi suspenso e está sem continuar a trilha, que chega ao fim pra você!

FIM!

63

CENA 4
Retornando à sala de aula após ter ido beber água, por que sua intenção foi pesquisar a
resposta sem a professora ver, você percebe que a pergunta feita pela professora já havia sido
respondida. Afinal você demorou mais do que o previsto no bebedouro.
Logo você fica triste ao perceber que seu esforço tinha sido em vão e ainda por cima
continua com a dúvida sobre o conceito de célula. Pior, nem deu uma olhada em suas redes
sociais. Mesmo assim, segue até seu lugar e tenta prestar atenção no restante da aula. Mas a
professora continua a comentar sobre a pergunta feita por ela anteriormente.

Você então aproveita a oportunidade para tirar sua dúvida.........Cena 9
Você permanece calado ouvindo a explicação ou os comentários da professora.........Cena 16

64

CENA 5
Agora você vai revisar de forma dinâmica. Chegou a hora de responder o caça-palavras
sobre a célula. Vamos lá ver como estão os seus conhecimentos?

Fonte: Autora (2021).

Agora que você já revisou, pode dar continuidade ao assunto da Divisão Celular........ Cena 24

65

CENA 6
Então você deixou de fazer a pesquisa para ir ao cinema com seus amigos assistir ao
filme: “Velozes e Furiosos”? Que pena, seu desinteresse trará punição!
Além de deixar de trazer a pesquisa você continua conversando na aula. O filme foi tão
empolgante que você começa a dar spoiler3 aos seus colegas e atrapalha a aula da Profa. Joana,
que chama a coordenadora para o levar para coordenação.
Chegando na coordenação, você ouve:
- Então nem fez a pesquisa e ainda ficou atrapalhando a aula com suas conversas. Já havia
conversado com você antes rapazinho, mas agora chega. Você está suspenso por dois dias e, só
retorna com seus pais ou responsáveis.
Infelizmente, caro(a) aluno(a), sua aventura na trilha acaba por aqui!

FIM!!!

3 Revelação de informações inéditas sobre uma série, livro ou filme, para quem não assistiu ou leu. Disponível em

< https://www.dicio.com.br/spoiler/>. Acesso em: 21 de abr. 2022.

66

CENA 7
Mesmo com medo e inseguro você decidiu ficar na sala e tentar responder à pergunta
feita pela professora.
- Professora?!
- Sim, você sabe o significado de célula?
- Acho que sei. É a unidade estrutural e funcional de um ser.
A Profa. Joana toda satisfeita com a resposta, lhe dá os parabéns e começa a explicar e
exemplificar para os demais alunos que nesse momento encontram-se dispersos a conversar.

A professora já irritada, chama atenção da turma e continua a explicar.............Cena 8

67

CENA 8
- Ok, turma. O colega respondeu corretamente.
E a Profa. Joana continua a explicação: a parte da Biologia que se dedica a estudar a
célula é a Citologia. Lopes e Rosso (2020, pag. 37) afirmam que “as células são as unidades de
organização morfológica e funcional dos seres vivos”.
Além disso, a célula é formada por membrana plasmática, citoplasma e núcleo. Existem
duas categorias de células, a procariótica que apresenta seu material genético localizado no
nucleoide e a eucariótica que tem um núcleo, estrutura delimitada pelo envoltório nuclear, e no
seu interior está o material genético (LOPES; ROSSO, 2020).
Existem seres que são classificados como unicelulares por possuírem uma única célula
e seres que possuem mais de uma célula, os pluricelulares ou multicelulares. No entanto, para
que a célula realize suas funções precisa se dividir. Agora chegamos aonde eu queria, a Divisão
Celular.
Alberts et al. (2017, p. 963) afirma que “Em espécies unicelulares, como bactérias e
leveduras, cada divisão celular produz um novo organismo completo. Em espécies
multicelulares, sequências longas e complexas de divisões celulares são necessárias à produção
de um organismo funcional”.
Assim, existem dois tipos de Divisão Celular, alguém sabe dizer quais são elas?

Você sabe a resposta desta pergunta e logo responde a professora............Cena 15
Você espera que algum outro(a) aluno(a) responda..............Cena 23

68

CENA 9
- Desculpe professora, fui beber água e perdi a resposta da pergunta feita anteriormente pela
senhora sobre a célula. Poderia explicar novamente?
- Tá certo, posso sim! Todos os seres são constituídos por células, exceto o vírus. A célula é a
unidade estrutural e funcional dos seres vivos.
Você levanta a mão, olha para o seu desenho e completa:
- Professora, a célula é composta por membrana plasmática, citoplasma e núcleo, não é?
- Muito bem, responde a professora, é isso mesmo!
- Tá certo, professora. Obrigado, entendi perfeitamente.
A Profa. Joana então fala:
- Já que todos entenderam, quem poderia dar exemplos de seres que são unicelulares e seres
pluricelulares?

Ah! Aí é moleza pra você, que responde rapidamente.............. Cena 33
É, você ainda está envergonhado e com medo de errar prefere deixar a professora
responder..............Cena 18

69

CENA 10
Sério? Você deixou de fazer seu trabalho para olhar o Instagram4? É muita novidade
nessa rede social, novos filtros, enquetes, fora aquela foto que você postou e está tendo muitas
curtidas e comentários, não é?
Mas você acabou se empolgando e esqueceu de vez de fazer a pesquisa. Infelizmente
você negligenciou essa atividade e sua aventura na trilha acaba por aqui.

FIM!

4

O Instagram é uma rede social online criada por Kevin Systrom e Mike Krieger, a rede social é baseada no
compartilhamento de fotos, vídeos e “snapgram” ou mais popularmente chamado stories, desenvolvida
primeiramente para iPhone, iPad, e iPod Touch, depois dando suporte para os smartphones com sistema Android
(COSTA; BRITO, 2020, p. 2)

70

CENA 11
Mesmo sendo tão cedo, a primeira aula, a professora libera você para ir tomar água
porque sabe que você mora na zona rural e ao chegar na escola esteve sem tempo de ir ao
bebedouro, pois o sinal já havia tocado. Mas diz:
- Volte rápido!
No bebedouro você tira o celular do bolso e logo ativa a internet pelos dados móveis.
Mas quando inicia a pesquisa o aparelho logo dá sinais das notificações de mensagem do seu
whatsapp.
Além disso, o Instagram assinala marcações feitas pelos seus(uas) colegas nessa rede.
E agora?

Você continua a pesquisa...........Cena 21
Você vai dar uma olhada em suas redes sociais...........Cena 27

71

CENA 12
Já que resolveu conversar com João, foi logo aproveitando e mostrando suas mensagens
nas redes sociais. Também perguntou sobre a festinha na casa de Antônio no último fim de
semana. Mas precisa lembrar que se a coordenadora lhe encontrar nos corredores de
conversinha, com certeza vai se chatear e aí vai dar bronca!
João então vai logo perguntando:
- E aí “madeira”, matando aula?
Vocês se cumprimentam, de longe, é claro, afinal, nesse momento pandêmico 5 a escola
estabeleceu regras de distanciamento. E quando você vai responder João, é interrompido por
uma voz firme, de tom alto e conhecido.
- O que os dois rapazes fazem fora da sala? Sem desculpas, direto pra minha sala.
Pois é. A coordenadora deixa de moleza e ao que parece você já estava sendo observado
nos corredores. Ela avisou o que poderia acontecer caso estivesse novamente pelos corredores
da escola. Agora vai querer explicações.

Você segue para a sala da coordenação em silêncio............Cena 3
Você pede desculpa e diz que quer voltar para sala porque o culpado foi João que te parou
para perguntar que hora era.............Cena 13

5 Em 31 de dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre vários casos de

pneumonia na cidade de Wuhan, província de Hubei, na República Popular da China. Tratava-se de uma nova
cepa (tipo) de coronavírus que não havia sido identificada antes em seres humanos. Uma semana depois, em 7
de janeiro de 2020, as autoridades chinesas confirmaram que haviam identificado um novo tipo de coronavírus, a
covid-19. Disponível em >https://www.paho.org/pt/covid19/historico-da-pandemia-covid-19> Acesso em: 21 de abr.
2022.

72

CENA 13
Ufa! Essa foi por pouco. Você teve sorte, a coordenadora aceitou suas desculpas, mas
antes confirmou com João a sua versão. Então ela mesma foi levar você para sala de aula.
- Professora, Bom dia! disse a coordenadora. Esse rapaz estava passeando nos corredores, mas,
já conversei com ele. Por favor deixe-o entrar.
A professora consente e explica que ele pediu para ir beber água. Então agradece a
coordenadora e pede que você entre para a sala de aula.

Você então senta e ouve a explicação da professora............ Cena 8

73

CENA 14
Agora você resolve mostrar o desenho para a professora. Então chama-a até sua mesa
escolar.
- Professora, pode vir aqui, por favor?
A professora se dirige até você, e então você mostra o seu desenho.
- Muito bem Pedro, representou muito bem a célula e as partes que a compõe. Posso mostrar
para a turma?
Você todo feliz e orgulhoso responde que sim. Então a Profa. Joana pede com todo
carinho que você levante o caderno e mostre para a turma o seu desenho.
- Vejam turma, que desenho lindo feito pelo colega de vocês.
Todos ficam olhando e você é claro, está todo sorridente por ter impressionado a
professora.

A Profa. Joana continua a explicação....................... Cena 24

74

CENA 15
Você então levanta a mão e diz:
- Eu sei professora, é a mitose e a meiose, não é?
De imediato a professora acena com a cabeça que sim, você está de parabéns. Mas, um
de seus(uas) colegas questiona a professora.
- Professora, e a Interfase? Alguns livros falam dela, achei que também fosse um tipo de Divisão
Celular.
Então você se questiona, Interfase? Essa é nova pra mim. A professora olha para o
relógio e vê que logo o sinal vai tocar e sua aula irá acabar. Mas a confusão gerada pela dúvida
logo faz a conversa se instalar em sala de aula.
- Pessoal, silêncio por favor! Já que a maioria tem dúvida com relação a Interfase, proponho
uma tarefa pra casa, uma pesquisa em livros ou em sites (páginas eletrônicas) na internet sobre
a Interfase. Os(as) alunos(as) que responderem corretamente e trouxerem a pesquisa copiada
no caderno vão receber o visto e pontuação na média de Biologia, referente a uma das atividades
avaliativas.

Você logo faz a pesquisa, assim que chega em casa..........Cena 22
Você lembra que marcou de ir ao cinema com seus amigos para o lançamento do filme
“Velozes e Furiosos 9” e acaba sem fazer a pesquisa...........Cena 6

75

CENA 16
Você permaneceu calado ouvindo a explicação e, então, a professora continuou a
explanação.
- Agora que já falamos sobre célula e sobre a Divisão Celular, que tal vocês responderem um
caça-palavras para revisar o assunto?
A turma toda gosta da ideia e diz que sim!

Então, para que fique sem nenhuma dúvida você responde o caça–palavras.............Cena 5

76

CENA 17
E no caminho para a biblioteca a empolgação toma conta da turma que começa a
conversar em tom mais alto pelos corredores, atrapalhando a aula dos demais professores que
saem na porta pra olhar o que está acontecendo.
- Silêncio pessoal, diz a Profa. Joana. Lembrem que as outras turmas estão em aula.
É, a professora tem razão e pelo seu tom de voz ela está chateada com o mau
comportamento da turma.
Ao chegar na biblioteca a professora pede que todos sentem e esperem ela explicar como
construir um mapa conceitual.

Você fica esperando a professora iniciar a explicação.............Cena 36
Você sem paciência de esperar a explicação, pede para ir beber água.............Cena 19

77

CENA 18
O silêncio toma conta da turma. A professora então diz:
- Certo! Vocês desconhecem o assunto ou estão com vergonha de responder?
Você então responde:
- Uma mistura dos dois, professora.
- Sem problema pessoal, responde a Profa. Joana. Eu sei que são termos sem uso diariamente,
então vou explicar novamente, de forma mais simples e com exemplos. Percebam que as
palavras já dizem muita coisa, unicelular “uni” significando única, “celular” com o significado
de célula. Seres que possuem uma única célula, então tem que ser bem primitivos para ter
apenas uma célula, como as bactérias. Já os pluricelulares, é o inverso, possuem vários milhares
de células, são seres mais completos, evoluídos, como por exemplo, os animais. Agora deu para
compreender?
A turma acena positivamente.

Interessado, você segue se aprofundando no assunto............Cena 16

78

CENA 19
- Professora posso ir beber água?
- Permissão negada, Pedro. Você acaba de chegar da biblioteca, isso porque eu tive que ir lhe
buscar. Por favor continue sentado, já irei começar a explicação.
É, você realmente está entediado, mas, dessa vez a professora percebeu que sua conversa
era para sair da sala de aula. Então é melhor você fazer o que ela pediu, tenho certeza será
melhor aprender a fazer um mapa conceitual. Vai ser muito significativo para sua
aprendizagem. Boa explicação!

Você vai para a ...................Cena 36

79

CENA 20
Nesse momento você está ansioso(a) e curioso(a). Então, vamos ouvir o que a professora
ainda está falando, isso é, se a turma deixar, porque o barulho está grande.
- Gente, posso continuar? Silêncio, por favor!
- Para concluir, teve um de vocês que se destacou bastante nas apresentações. Essa pessoa me
surpreendeu, pois se empenhou bastante e se aprofundou mesmo na abordagem realizada. Uma
pesquisa completa desde novas informações trazidas, o desenho em formato 3D e até a
desenvoltura em apresentá-lo.
- Resumindo, esta pessoa tirou nota máxima no trabalho!
Iupe! Depois de uma excelente apresentação, tenho certeza que esses elogios foram para
você. Que incentivo ao aprendizado, concorda?

Agora siga para o tabuleiro, chegou a hora de revisar.................Cena 45

80

CENA 21
Você deixa a curiosidade de lado e termina a sua pesquisa para tentar confirmar a
resposta. Ao digitar “Célula” no Google6 você obtém o seguinte resultado:

Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/celulas.htm

Mas, você está com pressa, então:
Você clica no primeiro site de busca e analisa as informações..............Cena 2

6

Empresa multinacional americana de serviços online e software, conhecida como o melhor mecanismo de busca
da internet. Disponível em <https://www.significados.com.br/google/> Acesso em: 21 de abr. 2022.

81

CENA 22
Depois de uma pequena viagem de 40 minutos, retornando pra sua casa, você finalmente
chega e vai direto para o computador fazer a pesquisa solicitada pela professora sobre a
Interfase. Você encontra muitos materiais, então resolve almoçar primeiro e depois retornar
para o computador.
Após ter almoçado, você dá continuidade à sua pesquisa. Empolgado com o conteúdo,
você resolve assistir algumas videoaulas no Youtube7, que mostram a diferença da Interfase do
Ensino Médio e do Ensino Superior.
Ainda entusiasmado com essa descoberta e com o intuito de se aprofundar ainda mais
no assunto, você busca sites que venham dar embasamento para sua pesquisa. Mas, mesmo com
toda empolgação você tem dificuldade de se desligar do celular. Fica curioso para olhar suas
redes sociais, porque está recebendo muitas notificações.

Você então vai terminar sua pesquisa e continuar a navegar nos sites de busca pelo
conteúdo..............Cena 26
Você para um pouco e vai dar uma espiadinha em suas notificações...............Cena 10

7

O YouTube foi fundado por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim em fevereiro de 2005, nos Estados Unidos.
Comprado pela Google em 2006, o site permite que os usuários assistam vídeos, compartilhem e interajam com
seus autores através de comentários. Disponível em <https://canaltech.com.br/empresa/youtube/> Acesso em: 21
de abr. 2022.

82

CENA 23
Você esperou sua colega Luana responder:
- Professora, os tipos de Divisão Celular são mitose e meiose.

Você espera a professora dizer se Luana está certa............Cena 28
Você pega rapidamente o livro para confirmar a resposta de Luana e antecipar a explicação da
professora............Cena 25

83

CENA 24
Continuando com o assunto, a professora então começa a explicar o que é a Interfase,
tirando a dúvida da turma quanto a ser ou não um tipo de Divisão Celular.
- Então pessoal, quanto a Interfase, é aquela fase que antecede a Divisão Celular e não um tipo
de Divisão Celular. Nesta fase a célula nem começou a se dividir, está executando suas funções
básicas. Quando esta célula recebe o chamado da Divisão Celular prepara-se para se dividir. De
acordo com Alberts et al. (2017, p. 964) “As fases G1, S e G2 são, em conjunto, chamadas de
Interfase. Em uma célula humana típica, se proliferando em cultura, a Interfase pode utilizar 23
horas de um ciclo celular de 24 horas”.
Na fase G1 a célula está realizando suas funções, esperando o chamado para começar a
se dividir. Na fase S, a de síntese de DNA (ácido desoxirribonucleico), vai haver a duplicação
do material genético para passar para as células filhas. E na última fase G2, é o momento em
que a célula vai produzir bastante energia para dar início a Divisão Celular.
Tenho uma ideia pessoal! Para a próxima aula quero que vocês tragam um desenho que
contemple as três fases da Interfase com explicação e apresentem para toda a turma. Pode ser
em cartaz ou até mesmo no caderno de Biologia Experimental. Vai contar como atividade
avaliativa e valerá nota, ok?
Como esperado a turma responde que sim.

Termina a aula. Agora você vai pra sua casa produzir seu trabalho.............Cena 31

84

CENA 25
Após consultar o livro você confirma que Luana está correta e então antecipa a
explicação da professora:
- Professora, lendo aqui no livro, as etapas da Divisão Celular são realmente a mitose e a meiose.
Mas os desenhos que as representam estão diferentes no final.
- Isso mesmo Pedro, responde a Profa. Joana. Existem diferenças entre elas, tanto em relação a
função que cada uma desempenha, quanto no resultado final de cada divisão.
- Então eu pergunto: o que diferencia a mitose da meiose?
Agora ficou difícil?

Você então pede a professora que estipule um tempo para que a turma faça a leitura do livro
pra tentar encontrar a resposta............Cena 29

85

CENA 26
Muito bem, você tomou a decisão certa! Resolveu continuar sua pesquisa, afinal vale
nota e vai contribuir bastante para o seu aprendizado. Vai fundo!
Oba! Esse site está bem completo, não é Pedro? Agora você consegue finalizar essa
pesquisa.

Com a pesquisa completa é só apresentá-la..............Cena 41

86

CENA 27
Você está muito curioso(a) e começa a olhar suas redes sociais, esquecendo o verdadeiro
motivo da sua saída da sala de aula. Mas, para sua infelicidade a coordenadora está olhando os
corredores que dão acesso a sala de aula, para ver se tem algum(a) estudante fora da classe, e
encontra você rindo, a mexer no celular.
A coordenadora então pergunta o motivo pelo qual você se encontra fora da sala de aula.
Você se assusta ao ouvir a pergunta e coloca imediatamente o celular no bolso,
afirmando que estava com muita sede. Ainda assim a coordenadora questiona você, por estar
mexendo no celular e então chama sua atenção.
Após explicar que ao chegar na escola o sinal da primeira aula já havia tocado, sem ter
tempo de beber água, a coordenadora pede que você retorne à sala de aula e então continua a
olhar os próximos corredores.
Você bebe água e no retorno para a sala de aula encontra João, que estava indo ao
banheiro.

Você para e começa a conversar com João..............Cena 12
Você apenas acena pra João e segue para sala de aula................Cena 4

87

CENA 28
Continuando o assunto, agora a professora explica sobre a mitose e meiose. Mas, antes
de começar a explicação, dá os parabéns a Luana pela resposta correta.
- Isso mesmo Luana, parabéns! A Divisão Celular está dividida em mitose e meiose.
De acordo com Alberts et al. (2017, p. 978) “na mitose as cromátides-irmãs são
separadas e distribuídas (segregadas) para o par de núcleos-filhos idênticos, cada um com sua
própria cópia do genoma”. O que comprova que são geradas duas células filhas com a mesma
quantidade de cromossomos da célula mãe.
Já a meiose “produz células haploides que portam somente uma única cópia de cada
cromossomo” (ALBERTS et al, 2017, p. 1004).
A professora vai até o quadro e faz o seguinte desenho:

Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/mitose-meiose.htm

- Além das diferenças citadas, a mitose e a meiose diferenciam-se também quanto as funções
que desempenham no organismo. Com relação as etapas da mitose e meiose tentem lembrar o
nome de cada uma. Vou ensinar um “macete”.
Pro

88

Meto
Ana
Telefonar
- As iniciais de cada palavra podem ajudar a lembrar. É uma estratégia de memorização.

Dessa vez a professora solicita que seu colega Anderson responda o nome de cada etapa com
o auxílio do “macete” ................Cena 35

89

CENA 29
Depois de consultar o livro muito rapidamente, você responde a professora:
- Professora, eu não sei se está correto, mas seria pela quantidade de células?
A professora com todo cuidado nas palavras, fala pra você que a sua resposta está
incorreta, mas valeu a tentativa.
- Olha Pedro, você quase acertou. Não é referente ao número de células o que diferencia a
mitose da meiose, e sim o número de cromossomos que as células filhas produzem no final de
cada divisão, por isso a diferença no final de cada desenho. Além disso existe um processo
bastante interessante e importante ao final das etapas da mitose e da meiose, a Citocinese.
Alguém já ouviu falar e deseja comentar?

Você querendo se redimir da resposta errada, olha rapidamente o livro e tenta
responder...............Cena 37

90

CENA 30
Então você fez o desenho da célula com as partes que a compõem.

Citoplasma

Núcleo

Membrana
Plasmática
Fonte: https://br.depositphotos.com/stock-photos/c%C3%A9lula-humana.html.

Muito bem Pedro, desenho pronto!

Agora você resolve mostrar o desenho para a professora................Cena 14
Agora você vai ouvir a explicação da professora..............Cena 8

91

CENA 31
Você então recorre ao livro didático e faz seu desenho da Interfase com as suas três
fases.
Duração: Cerca de 4 horas

Duração: Cerca de 10 horas

Duração: Cerca de 4
horas

Fonte: https://www.biologianet.com/biologia-celular/ciclo-celular.htm.

Ao terminar seu trabalho você vai descansar.................Cena 41

92

CENA 32
Eu falei!!! Você arrasou na apresentação, parabéns! Até a professora ficou surpresa com
a quantidade de informações trazidas por você, sem falar no desenho. Vamos ouvir o que ela
tem a falar.
- Ok, pessoal. As apresentações foram muito boas. Só faltou um pouco mais de curiosidade
para buscar e trazer informações complementares. Além disso a vergonha e o medo de
apresentar ainda atrapalha um pouco o desempenho de alguns, mas nada que diminua a nota.
Mas, você deve estar se questionando: Poxa! Apresentei tão bem. Porém, a professora
continua.
- Claro que tiveram alguns destaques, justamente por ter ido além do que foi pedido, porque
deixou a curiosidade falar mais alto. Por exemplo, a Luana trouxe um ótimo desenho e suas
explicações foram bem claras. O Anderson se superou e nos surpreendeu com a sua criatividade
no desenho 3D.

Como assim? E você? Ficou curioso e quer saber se mais alguém se destacou? Por exemplo,
você? Corre para ...................Cena 20

93

CENA 33
Você levanta a mão e diz:
- Eu professora!
- Muito bem Pedro, estou gostando de ver, você está mais participativo, diz a Prof. Joana.
Recebendo elogios da professora, isso é muito bom para o seu progresso enquanto
estudante!
- Seres unicelulares são as bactérias e pluricelulares são as plantas e animais, por exemplo.
A Profa. Joana está orgulhosa de você, veja, ela está batendo palmas.
- Boa Pedro! Respondeu corretamente, diz a Profa. Joana.

Continuando o assunto, vá para ................. Cena 28

94

CENA 34
- Então, pessoal, agora vamos continuar falando da Citocinese.
A Profa. Joana se dirige ao quadro e começa a fazer anotações.
- Como dito anteriormente o processo final da Divisão Celular é a Citocinese, que é a divisão
do citoplasma, formando duas novas células.

“A primeira mudança visível da citocinese em uma célula animal é o aparecimento
repentino de uma reentrância, ou sulco de clivagem, na superfície celular. O sulco
rapidamente se torna mais profundo e se espalha ao redor da célula, até dividir
completamente a célula em duas”.
Fonte: Alberts et al. (2017, p. 996).

Que tal ilustrarmos esse processo para facilitar o seu aprendizado?..............Cena 47

95

CENA 35
- E aí, Anderson, quais as etapas presentes na mitose e na meiose?
Anderson, mesmo com vergonha, começa a responder porque tem certeza da resposta.
- O “macete” é:
Pro
Meto
Ana
Telefonar
- Então, Pro - Prófase, Meto – Metáfase, Ana – Anáfase, Telefonar – Telófase. É isso
Professora?
- Muito bem, Anderson, respondeu a Profa. Joana.

“Em um estágio chamado de prófase, as duas moléculas de DNA são
gradativamente desembaraçadas e condensadas em pares de bastonetes rígidos
e compactos chamados de cromátides-irmãs, as quais permanecem ligadas por
meio da coesão de cromátides-irmãs. Quando posteriormente o envelope
nuclear se desfaz na mitose, os pares de cromátides-irmãs ficam ligados ao fuso
mitótico, um gigantesco arranjo bipolar de microtúbulos. As cromátides-irmãs
são fixadas a polos opostos do fuso, e, por fim, alinham-se na placa equatorial
do fuso em um estágio chamado de metáfase. A destruição da coesão de
cromátides-irmãs, no início da anáfase, separa as cromátides-irmãs, que são
puxadas para polos opostos do fuso. Em seguida, o fuso se desfaz e os
cromossomos segregados são empacotados em núcleos separados na telófase.
Então, a citocinese cliva a célula em duas, de forma que cada célula-filha herde
um dos dois núcleos”.
Fonte: Alberts et al. (2017, p. 964).

- Agora vocês irão pegar o caderno de Biologia Experimental e abrir o livro na página 48, para
desenhar as etapas descritas acima. Lembro que toda atividade vale nota de participação.

Você imediatamente pega o livro e o caderno para fazer os desenhos..............Cena 42
Você faz birra, diz que está com preguiça e prefere ir mexer no celular............Cena 10

96

CENA 36
A Profa. Joana escreve um passo a passo no quadro de como fazer um mapa conceitual.
Em seguida abre uma cartolina e mostra um modelo, deixando-o colado numa parte do quadro.
- O mapa conceitual é sobre a Divisão Celular, mas está incompleto. É necessário que vocês
utilizem seus conhecimentos sobre o conteúdo para continuá-lo. Além disso, vocês já fizeram
muitas anotações e até mesmo desenhos.
- Sugiro que fiquem com o caderno, lápis ou caneta em mãos para ajudar a montar seu mapa
conceitual. Quando todos terminarem, iremos fazer as apresentações desses mapas e um debate
para que todas as dúvidas sejam tiradas.
Nesse momento a Profa. Joana entrega uma folha de papel A4 em branco para que cada
aluno possa iniciar a construção de seu mapa conceitual.

Fonte: Autora (2022).

Agora é a vez de você construir o mapa conceitual................Cena 39

97

CENA 37
Rapidamente você procura a resposta no livro, mas, como está com pressa para
responder a professora e tentar se redimir pela resposta errada dada anteriormente, então você
fala:
- Professora, Cito = Célula e Cinese seria repouso? A célula em repouso?
A professora então responde:
- Parabéns por ter tentado Pedro, mas não é isso. A Citocinese é a etapa final da Divisão Celular,
é quando o citoplasma está se dividindo (ALBERTS et al., 2017).
Então pessoal, antes de continuarmos o assunto, quero mostrar um jogo que eu trouxe
pra vocês aprenderem mais e de forma lúdica.

Vá até ............... Cena 45

98

CENA 38
Você não esperava que a professora fosse sentir sua falta.
- Cadê Pedro? Diz a professora ao chegar na biblioteca e pedir que todos se sentem.
Todos ficam em silêncio. Então resolve voltar para a sala de aula, para procurar por
você. Ao chegar na sala você está todo sorridente mexendo no celular.
Então a professora diz:
- Ah, então é aqui que você está. Você vai comigo para a biblioteca ou prefere que eu te leve
para a coordenação?
Agora complicou, porque você já está na mira da coordenadora.
- Não professora, eu já estava indo para a biblioteca, só parei para responder uma mensagem de
minha mãe no whatsapp. Desculpa!
Você sabe que a professora desconfiou da sua desculpa, não é? Mesmo assim ela aceita
que você vá construir seu mapa conceitual.

Você segue a professora para a biblioteca para construir o seu mapa conceitual.........Cena 36

99

CENA 39
- Os mapas estão ficando maravilhosos, a criatividade de vocês chega a surpreender, cada um
fazendo de acordo com o que aprendeu sobre o conteúdo.
Para Moreira (2011, p. 126) “o importante é que o mapa seja um instrumento capaz de
evidenciar significados atribuídos aos conceitos e relações entre conceitos no contexto de um
corpo de conhecimentos, de uma disciplina, de uma matéria de ensino”.

Fonte: Autora (2022).

100

Fonte: Autora (2022).

Todos construíram seus mapas conceituais? Chegou a hora do debate............... Cena 40

101

CENA 40
Chegou a hora do debate. A professora formou um círculo com as cadeiras, mantendo o
distanciamento entre os estudantes de acordo com o protocolo da escola para o momento de
pandemia, e começou a mediar o debate.
- Então pessoal, como foi construir o mapa conceitual? Desejam mostra-los?
Vocês ainda se encontram eufóricos. Muitos sinalizam que foi interessante, outros que foi um
pouco complexo, mas que tentaram e fizeram.
- Então vamos começar o debate pelas dúvidas de vocês. Quem anotou alguma dúvida e gostaria
de começar?
Você levanta a mão e a professora pede para que faça a pergunta.
- Primeiro você mostra seu mapa conceitual para toda turma. Em seguida pergunta: Professora,
porque a meiose tem duas fases: Meiose I e Meiose II?
- Certo, Pedro, muito bem feito o seu mapa conceitual. Respondendo à sua pergunta, é porque
é na meiose que são formados os gametas. Então, como vocês sabem temos um quantitativo de
46 cromossomos. Na meiose I, chamada de reducional, o número de cromossomos é reduzido
pela metade, quando ocorre a fecundação: 23 cromossomos vindo da mãe se unem com 23
cromossomos vindo do pai, formando 46 cromossomos, retomando o número inicial. E a meiose
II é a equacional, para manter esses números de cromossomos. Deu pra entender?

Você responde a professora positivamente..........Cena 48
Você ainda continua com dúvida..........Cena 44

102

CENA 41
A noite passou rápido. Você descansou! Já amanheceu e agora é hora de ir para a escola.
Ao chegar na sala de aula você começa a treinar sua apresentação.
Muito curioso, você pede pra ver os desenhos e apresentações dos colegas mais
próximos. Então você se alegra, é um dos poucos que teve a ideia de fazer o desenho em 3D.
Aí você já começa a ficar ansioso e com vergonha de apresentar seu trabalho pra sala toda.
Nada de preocupação, você vai se dar muito bem, tenho certeza!
É a sua vez, vai lá, você vai conseguir. Boa apresentação!

Apresentação...................Cena 32

103

CENA 42
Muito bem Pedro, você resolveu fazer os desenhos que a professora pediu. Até porque
desenhar é com você mesmo.
Vamos lá então!

Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/mitose-meiose.htm.

Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/mitose-meiose.htm.

Continue seu aprendizado..............Cena 5

104

CENA 43
A professora pede então para ver o caderno de toda turma para atribuir as notas
referentes ao desenho pedido na aula anterior, e fica muito feliz com o desempenho da turma
em realizar a tarefa.
- Muito bom pessoal, os desenhos de vocês ficaram excelentes! Agora, todos irão se dirigir a
biblioteca para construírem o mapa conceitual a partir do que vocês anotaram e aprenderam
durante as aulas de Divisão Celular.

Agora você vai para a biblioteca.............Cena 17
Você está entediado e decide ficar na sala, mas espera todos saírem e fica mexendo no
celular................... 38

105

CENA 44
- Certo! É normal continuar com dúvida. A Biologia tem muitos nomes científicos e isso
dificulta um pouco o entendimento. Vou tentar explicar de uma forma mais simples.
- A meiose é dividida em duas etapas: meiose I e meiose II, cada uma das duas etapas é dividida
em quatro fases. A meiose I é a reducional, o próprio nome já diz, reduz. Como na meiose
ocorre a produção dos gametas (óvulo e espermatozoide), cada gameta vai ficar com 23
cromossomos e na fecundação esses dois gametas se unem formando uma célula com 46
cromossomos. Já na meiose II, a equacional, esses números de cromossomos serão mantidos.
Para facilitar a compreensão abra o caderno no desenho que você fez sobre as etapas da mitose
e da meiose.

Vá para ................Cena 42

106

CENA 45
- Então pessoal, vamos aprender jogando. Trouxe um jogo de tabuleiro para vocês. É sobre a Divisão Celular. Vamos nos aventurar, quem chegar
no final da trilha primeiro ganhará um prêmio. Boa sorte!

Caminhando para Divisão Celular

Fonte: Autora (2022).

Atenção: Vá para folha seguinte onde encontram-se as regras do tabuleiro!

107

Tabuleiro: Regras do jogo
1 – Podem participar dois jogadores de cada vez.
2 – Para iniciar o jogo os jogadores precisarão de um dado cada um. Os dois deverão estar na
casa “INÍCIO”.
3 – Os dois jogadores lançarão os dados ao mesmo tempo. Inicia o jogo quem tirar a maior
pontuação. Caso haja empate, repete-se a jogada.
4 – O jogador que iniciar lançará o dado e o número que cair será a casa correspondente para a
qual irá avançar.
5 – Se parar numa casa com número, o jogador terá que ir até a cena seguinte, Cena 46, ler a
pergunta referente ao número que caiu no jogo (na casa). Se acertar, joga novamente o dado e
continua a trilha. Se errar passa a vez para o(a) colega. Como saber se acertou ou errou? O
gabarito encontra-se na Cena 50.
6 – Se lançar o dado e o número levar para uma casa com algum desenho, pode avançar duas
casas automaticamente.
7 – O primeiro jogador a alcançar a casa “CHEGADA” ganha o jogo.

Parabéns! Se você chegou até aqui é porque conseguiu finalizar a trilha, agora vamos
continuar o assunto.............Cena 43

108

CENA 46
Perguntas do Tabuleiro
1 – Quais os tipos de Divisão Celular que você conhece?
a) Mitose e Meiose

b) G1, S e G2

c) Prófase e Anáfase

d) Metáfase e Telófase

2 – Processo de Divisão Celular em que o número de cromossomos das células filhas é igual ao
da célula mãe:
a) Meiose

b) Mitose

c) Citocinese

d) Interfase

3 – Tem como principal função a produção de gametas:
a) Meiose

b) Mitose

c) Citocinese

d) Interfase

4 – Nesse número haverá um desenho da Divisão Celular, você pode avançar duas casas.
5 – Nesse número você pode avançar uma casa.
6 - Etapa da mitose em que os cromossomos se localizam na região mediana da célula:
a) Prófase b) Metáfase

c) Anáfase d) Telófase

7 – Fase mitótica em que o núcleo aumenta de tamanho e começa a desintegrar:
a) Prófase b) Metáfase

c) Anáfase

d) Telófase

8 – Fase em que a carioteca e o nucléolo são formados novamente:
a) Prófase b) Metáfase

c) Anáfase

d) Telófase

9 – Etapa da mitose caracterizada pela separação das cromátides-irmãs e pelo encurtamento das
fibras do fuso:
a) Prófase b) Metáfase

c) Anáfase

d) Telófase

10 – Nesse número você pode avançar uma casa.
11 – Unidade funcional e estrutural de um ser é chamada de?
a) Divisão

b) Citocinese

c) Célula

d) Interfase

12 – Nesse número haverá um desenho da Divisão Celular, você pode avançar duas casas.
13 – Fase da Divisão Celular em que a célula não está se dividindo:
a) Meiose

b) Mitose

c) Interfase

d) Citocinese

14 – Divisão Celular responsável pela reprodução:
a) Meiose

b) Mitose

c) Interfase

d) Citocinese

15 – Nesse número você pode avançar uma casa.
16 – Dê um exemplo de seres Unicelulares.
17 – Dê um exemplo de seres Pluricelulares.

109

18 – Etapa em que o Citoplasma está se dividindo:
a) Meiose

b) Mitose

c) Interfase

d) Citocinese

19 – Nesse número haverá um desenho da Divisão Celular, você pode avançar duas casas.
20 – Nesse número você pode avançar uma casa.
21 – Fases da Interfase:
a) Mitose e Meiose

b) G1, S e G2

c) Prófase e Anáfase

d) Metáfase e Telófase

22 – Gameta Masculino:
a) Óvulo

b) Haploide

c) Diploide

d) Espermatozoide

c) Diploide

d) Espermatozoide

23 - Gameta Feminino:
a) Óvulo

b) Haploide

24 – Nesse número haverá um desenho da Divisão Celular, você pode avançar duas casas.
25 – Nesse número você pode avançar uma casa.
26 – União do espermatozoide com o óvulo:
a) Divisão

b) Citocinese c) Fecundação

d) Interfase

27 – Nome das duas fases da meiose:
a) Reducional e Equacional

b) G1 e G2

c) Interfase e Citocinese

d) S e G2

28 - Número de cromossomos que um ser humano possui:
a) 43

b) 46

c) 48

d) 23

29 – Nesse número haverá um desenho da Divisão Celular, você pode avançar duas casas.
30 – Nesse número você pode avançar uma casa.
31 – Número de cromossomos que cada gameta possui:
a) 43

b) 46

c) 48

d) 23

32 – Na Interfase, qual a fase mais duradoura?
a) G1

b) S

c) G2

d) M

110

CENA 47

Fonte: https://pontobiologia.com.br/mitose-entenda-divisao-celular/

Vá para ......................Cena 49

111

CENA 48
- Que bom, você entendeu a diferença!
- Sem a meiose não existiria ovócito, espermatozoide e nem fecundação. Entender e saber
diferenciar o processo de Divisão Celular é fundamental para a compreensão da vida.

Fonte: https://www.coc.com.br/blog/soualuno/biologia/quais-as-diferencas-entre-mitose-e-meiose

Para entender o processo de Citocinese vá para.................. Cena 34

112

CENA 49
Se você chegou até esta cena significa que conseguiu trilhar um lindo caminho para o
seu conhecimento. Veja, você conheceu alguns conceitos, relembrou outros, fez desenhos,
jogou caça-palavras, tabuleiro, pesquisou, nossa! Tenho certeza que o seu olhar para Divisão
Celular será diferente de agora em diante e que seu conhecimento sobre esse conteúdo evoluiu.
Parabéns, você teve sucesso e finalizou a aventura!

FIM!!!

113

CENA 50
Gabarito do tabuleiro
1

LETRA A

17

ANIMAIS

2

LETRA B

18

LETRA D

3

LETRA A

19

AVANÇAR 2 CASAS

4

AVANÇAR 2 CASAS

20

AVANÇAR 1 CASA

5

AVANÇAR 1 CASA

21

LETRA B

6

LETRA B

22

LETRA D

7

LETRA A

23

LETRA A

8

LETRA D

24

AVANÇAR 2 CASAS

9

LETRA C

25

AVANÇAR 1 CASA

10 AVANCE 1 CASA

26

LETRA C

11 LETRA C

27

LETRA A

12 AVANCE 2 CASAS

28

LETRA B

13 LETRA C

29

AVANÇAR 2 CASAS

14 LETRA B

30

AVANÇAR 1 CASA

15 AVANCE 1 CASA

31

LETRA D

16 BACTÉRIAS

32

LETRA B

114

6 RESULTADOS E DISCUSSÃO
As atividades de ensino do conteúdo divisão celular foram desenvolvidas com uma
turma de 1º ano de Ensino Médio Integral da Escola de Referência em Ensino Médio de Jatobá,
do município de Petrolândia, PE, envolvendo 32 alunos.
Foram aplicados dois questionários, um de conhecimentos prévios, o questionário préatividades. Em seguida ocorreu a intervenção, com a aula expositiva dialogada. Na semana
seguinte houve a manipulação de modelos didáticos já preparados. Na sequência foi
apresentado e lido o Produto Técnico Tecnológico “Na trilha da divisão celular: aprendendo
mitose e meiose”. Finalmente um questionário pós-atividades foi respondido pelos alunos,
diferente do anterior, para verificar se ocorreu o estímulo para o aprendizado do conteúdo
proposto.

6.1 Questionário Pré-atividades
De um total de 32 participantes, foram selecionados 16 estudantes pelo método de
diversidade e saturação proposto por Guerra (2006).
De acordo com Moreira (2006), a melhor forma de impedir a simulação da
aprendizagem significativa é organizar questões e problemas de modo novo que pleiteiem
máxima transformação do conceito assimilado. Nesse primeiro momento foram discutidos os
resultados obtidos no Questionário Pré-atividades. Conforme a análise das quatro perguntas
discursivas selecionadas nos questionários obteve-se a categorização de cada uma delas em:
Noções Adequadas, Noções parcialmente adequadas, Desconhecimento, Descrição sem
resposta ou em branco.
Na categoria 1 “Noções Adequadas”, foram dispostos no quadro abaixo as quatro
perguntas discursivas sobre o conteúdo de mitose e meiose do questionário Pré-Atividades.
Nessa categoria foram apresentadas as respostas mais fidedignas possíveis quanto a
fundamentação científica de cada pergunta, destacando a(s) resposta(s) assertiva(s) (Quadro 5).
Quadro 5 - Categoria: “Noções Adequadas” - Questionário Pré-atividades.

“Processo que ocorre nos seres vivos,
onde a célula-mãe origina duas ou quatro
células com a informação genética para
Pergunta 1: Você sabe o que é divisão sua espécie” (A13).
celular? Se a resposta for sim, descreva.

115

“É quando uma célula se reproduz/divide
formando novas células, no caso duas ou
quatro” (A15).
“Ocorre a divisão do citoplasma de uma
Pergunta 2: Ao final do processo de célula que forma duas outras idênticas.”
divisão celular, verifica-se uma etapa (A13).
conhecida como citocinese. O que ocorre
nessa etapa?

“Meiose há a formação das células-filhas
com a metade dos cromossomos da célula
mãe. Mitose são idênticas a célula mãe no
número de cromossomos.” (A3).
Pergunta 3: Qual(is) a(s) diferença(s) “Mitose: é o processo onde ocorre a
entre mitose e meiose?
divisão de células somáticas que ajudam
na manutenção de vários tecidos. Meiose:
divisão celular de células reprodutivas
tendo metade de cromossomos da célulamãe” (A4).

Pergunta 4: Você sabe quais as etapas da Sem resposta compatível.
mitose e da meiose?
Fonte: Autora (2022).

Observou-se que dentre os 16 alunos selecionados, apenas 4 (25%) conseguiram
responder corretamente, tendo em vista que o participante A13 se apresentou nessa categoria
por duas vezes em perguntas distintas. Houve a falta de conhecimento da maioria dos estudantes
sobre o conteúdo de divisão celular. Resultado similar foi encontrado nos estudos de Farias,
Silveira e Arruda (2015) com estudantes do 5º semestre de Ciências Biológicas, em curso do
Ensino Superior. Os autores propuseram um jogo de memória sobre ciclo celular para auxiliar
na compreensão e fixação do conteúdo e mesmo sendo estudantes de graduação, quando
perguntados se possuíam algum conhecimento sobre o assunto, 35,70% dos acadêmicos
responderam que apresentaram pouco conhecimento sobre o ciclo celular, enquanto 50%
afirmaram ter conhecimento razoável e apenas 14,30% da população amostral declararam
apresentar muito conhecimento.
Para Banet e Ayuso (1995) foi nítida a dificuldade dos alunos em compreender os
processos de divisão celular, localização, estrutura e função do material genético, bem como

116

sua relação com a transmissão de caracteres hereditários. Ressaltaram a importância da mitose
e meiose como âncora para melhor compreensão dos assuntos referentes a Genética.
A pergunta de número 4 “Você sabe quais as etapas da mitose e da meiose?” esteve sem
resposta compatível. Silva (2022) em seu trabalho com alunos de 3º ano de uma escola de Minas
Gerais, observou por meio de oficinas com a construção de modelos didáticos sobre a divisão
celular que o principal obstáculo apresentado foi empregar a terminologia científica e organizar
as etapas da mitose e meiose, o que também foi evidenciado no questionário Pré-atividades.
A segunda categoria “Noções parcialmente adequadas” considerou os excertos do
questionário Pré-atividades em que as respostas estavam com algum grau de acerto ou
incompletas, de acordo com o conhecimento científico (Quadro 6) para as mesmas quatro
perguntas discursivas.
Quadro 6 - Categoria: “Noções parcialmente adequadas” - Questionário Pré-atividades.

“É quando a célula está em processo de
divisão” (A2).
Pergunta 1: Você sabe o que é divisão
celular? Se a resposta for sim, descreva.
“divisão das células” (A3).

Pergunta 2: Ao final do processo de Sem resposta parcialmente compatível ou
divisão celular, verifica-se uma etapa incompleta.
conhecida como citocinese. O que ocorre
nessa etapa?

“Acho que na mitose são as células- filhas,
na meiose as células têm característica da
célula-mãe” (A6).
Pergunta 3: Qual(is) a(s) diferença(s)
entre mitose e meiose?
“A diferença é que na meiose ocorrem
duas divisões (meiose I e Meiose II)”
(A13).
Pergunta 4: Você sabe quais as etapas da “São a prófase, metáfase, anáfase e
mitose e da meiose?
telófase” (A13).
Fonte: Autora (2022).

O que chamou atenção nessa categoria foi a falta de resposta e conhecimento sobre a
citocinese. Silva (2016, p. 3) definiu a citocinese como “o evento final da divisão celular em

117

que ocorre a separação física das duas células filhas”. Além disso, na categoria 1, anterior a
essa, apenas um estudante conseguiu responder de maneira correta a essa pergunta.
Apenas duas categorias analisadas e fica perceptível que os alunos pouco sabem ou
lembram do conteúdo Divisão Celular. O mesmo acontece nos estudos de (THOMAZ;
HEERDT; LURK, 2018) ao analisar o processo de aprendizagem potencialmente significativa
em relação ao conteúdo de mitose e meiose com alunos de primeiro ano do Ensino Médio,
poucos respondiam não saber ou deixavam de responder as questões dos questionários
referentes a Divisão Celular, além da maioria ainda apresentar equívocos em suas respostas.
No que concerne à Categoria 3 “Desconhecimento” foram elencadas as respostas que
não tinham relação direta com as perguntas, referentes ao questionário Pré-atividades, Quadro
7.
Quadro 7 - Categoria: “Desconhecimento” – Questionário Pré-atividades.

“É onde a célula se divide gerando demais
outras” (A4).
Pergunta 1: Você sabe o que é Divisão
Celular? Se a resposta for sim, descreva.
“Seria a reprodução da célula” (A5).

Pergunta 2: Ao final do processo de
Divisão Celular, verifica-se uma etapa Sem resposta Incompatível.
conhecida como citocinese. O que ocorre
nessa etapa?
“Uma á a célula-filha tem a mesma
característica uma da outra, tem
característica da célula-mãe.” (A5).
Pergunta 3: Qual (is) a (s) diferença (s) “Na mitose as células-filhas com
entre mitose e meiose?
características iguais e na meiose as
células têm características da célula-mãe.”
(A15).

Pergunta 4: Você sabe quais as etapas da Sem resposta Incompatível.
mitose e da meiose?
Fonte: Autora (2022).

Pouca ou nenhuma resposta é observada para essa categoria no quadro acima, o que
deveria ser entendido que os alunos compreendem bem o conteúdo de Divisão Celular, tendo
em vista que essa categoria trata-se de “Descrição Incompatível”, no entanto as categorias
anteriores também apontam a mesma escassez de respostas. Resultados semelhantes foram

118

encontrados nos estudos de Giacóia (2006) que logo após a aplicação dos questionários
observou que a meiose e a mitose aparecem como assuntos aparentemente difíceis para os
alunos, tendo em vista que, mais de 70% não responderam as questões referente ao conteúdo.
Além disso, muitos equívocos dos alunos também são percebidos em algumas respostas,
como por exemplo, a troca da mitose pela meiose ao descrever a diferença entre ambas, outros
apenas citaram o tipo de divisão sem discorrer sobre os eventos que ocorrem. Para Moreira
(2011, p. 31) “Se o aluno não tem Subsunçores relevantes à aprendizagem de novos
conhecimentos, o melhor é facilitar, promover, a sua construção antes de seguir”. Foi o que foi
feito nesse trabalho por meio da intervenção pedagógica, de maneira lúdica.
Na Categoria 4 “Descrição sem resposta ou em branco” foram relacionados os alunos
que não conseguiram responder as questões selecionadas sobre o conteúdo de Divisão Celular,
deixando-as “sem explicação alguma” ou respondendo “não sei”. O quadro abaixo mostra o
quantitativo por meio da letra A, seguido de um número ordinal: A1, A2, A3.....A32, por
questões éticas, Quadro 8.
Quadro 8 - Categoria: “Descrição sem resposta ou em branco” – Questionário Pré-atividades.

Pergunta 1: Você sabe o que é Divisão A1, A6, A7, A8, A9, A10, A11, A12, A14
Celular? Se a resposta for sim, descreva. e A16.

Pergunta 2: Ao final do processo de A1, A2, A3, A4, A5, A6, A7, A8, A9,
Divisão Celular, verifica-se uma etapa A10, A11, A12, A14, A15 e A16.
conhecida como citocinese. O que ocorre
nessa etapa?

A1, A2, A7, A8, A9, A10, A11, A12, A14
Pergunta 3: Qual (is) a (s) diferença (s) e A16.
entre mitose e meiose?

Pergunta 4: Você sabe quais as etapas da A1, A2, A3, A4, A5, A6, A7, A8, A9,
mitose e da meiose?
A10, A11, A12, A14, A15 e A16.
Fonte: Autora (2022).

No que diz respeito a essa última categoria, muitos alunos demonstram não ter
conhecimento sobre o assunto de Divisão Celular, mesmo afirmando ter visto o conteúdo
“célula” em algum momento da vida escolar. Isso pode ser observado pelo quantitativo elevado

119

de respostas “em branco” deixadas pelos discentes. Resultados semelhantes foram encontrados
por Thomaz, Heerdt, Iurk (2018) ao analisarem o processo de aprendizagem potencialmente
significativa em relação ao conteúdo de mitose e meiose com alunos de primeiro ano do ensino
médio.
Segundo os autores a maioria dos registros do questionário prévio foi classificada na
Unidade de Registros (UR) em que os alunos responderam a questão, porém de maneira
equivocada com um percentual de 37,5%, seguido de respostas que afirmam não saber com
31,25% e respostas em branco perfazem 18,75%, somando-se esses percentuais 87,5% não tem
clareza do processo de Divisão Celular mitose. Apenas 9,3% dos registros citaram a mitose
como responsável pela formação de células somáticas, porém não explicaram as etapas da
divisão, um registro na UR 2.4 o aluno por meio de um desenho representou a mitose, porém
não citou o nome do processo e não explicou as fases.
Com base no que foi exposto, fica nítido a necessidade e a importância de trabalhar com
o lúdico no conteúdo de Divisão Celular, como por exemplo, o livro-jogo, na tentativa de fugir
do método conteudista, da abstração e acima de tudo instigar a curiosidade do aluno.

6.2 Questionário Pós-atividades
Identificar essas lacunas presentes no conteúdo de Divisão Celular por meio do
questionário pré-atividades facilitou a aplicação do Livro-Jogo. Por conseguinte, neste segundo
momento de discussão, estão sendo apresentados a seguir e comparados os resultados obtidos
no Questionário Pós-atividades por meio das categorias já mencionadas anteriormente.
Na Categoria 1 “Noções Adequadas”, está exposto o quadro com as respostas
mencionadas pelos alunos, após a aplicação das atividades (aula expositiva, confecção do mapa
mental, jogo com as placas e o livro-jogo). Nessa categoria como já mencionadas, são
apresentadas as respostas mais fidedignas possíveis, Quadro 9.
Quadro 9 - Categoria: “Noções Adequadas” – Questionário Pós-atividades.

“Processo em que a célula está em divisão,
Pergunta 1: Você sabe o que é Divisão podendo originar duas ou quatro célulasCelular? Se a resposta for sim, descreva.
filhas” (A6).
“Processo que ocorre nos seres vivos,
onde a célula-mãe origina duas ou quatro
células com a informação genética para
sua espécie” (A13).

120

“É quando uma célula se reproduz/divide
formando novas células, no caso duas ou
quatro” (A15).
“Separação do citoplasma em duas
células-filhas” (A3).
“Ocorre a divisão do citoplasma em duas
células-filhas” (A4).
“Separação do citoplasma” (A6).
Pergunta 2: Ao final do processo de “É a etapa final da divisão celular, onde o
Divisão Celular, verifica-se uma etapa citoplasma se divide em duas células”
conhecida como citocinese. O que ocorre (A7).
nessa etapa?
“É a fase final, quando o citoplasma se
divide em duas células-filhas” (A10).
“Ocorre a divisão do citoplasma de uma
célula que forma duas outras idênticas.”
(A13).
“Divisão do citoplasma de cada célula, de
formar a originar duas células” (A14).
“A mitose só ocorre em células somáticas,
é importante para renovar os tecidos. Uma
célula mãe origina duas células-filhas com
o mesmo material genético. Já na meiose
ocorre duas divisões” (A2).
Pergunta 3: Qual (is) a (s) diferença (s)
entre mitose e meiose?
“Meiose há a formação das células-filhas
com a metade dos cromossomos da célula
mãe. Mitose são idênticas a célula mãe no
número de cromossomos.” (A3).
“Mitose: é o processo onde ocorre a
divisão de células somáticas que ajudam
na manutenção de vários tecidos. Meiose:
divisão celular de células reprodutivas
tendo metade de cromossomos da célulamãe” (A4).
“Mitose: origina 2 células-filhas idênticas
a mãe e a Meiose: quatro células-filhas”
(A12).

121

“Mitose: Prófase, Metáfase, Anáfase e
Pergunta 4: Você sabe quais as etapas da Telófase. Meiose: Prófase I e II, Metáfase
mitose e da meiose?
I e II, Anáfase I e II e Telófase I e II” (A2).
“Mitose: Prófase, Metáfase, Anáfase e
Telófase. Meiose: Prófase I e II, Metáfase
I e II, Anáfase I e II e Telófase I e II” (A3).
“Mitose: Prófase, Metáfase, Anáfase e
Telófase. Meiose: Prófase I e II, Metáfase
I e II, Anáfase I e II e Telófase I e II”
(A12).
Fonte: Autora (2022).

Após a intervenção pedagógica, foi percebido um aumento no número de respostas pelos
alunos, principalmente entre as categorias 1, 2 e 3, e uma diminuição no número de alunos que
deixavam as respostas em branco, conforme sugere a categoria 4. É importante destacar as
perguntas: “Ao final do processo de Divisão Celular, verifica-se uma etapa conhecida como
citocinese. O que ocorre nessa etapa?” e “qual (is) a (s) diferença (s) entre mitose e meiose?”
com o maior número de respostas corretas pelos alunos nessa primeira categoria.
Ao comparar o quantitativo de respostas do Questionário Pé-atividades e do
Questionário Pós-atividades, referente a categoria “Descrição Compatível”, percebe-se um
aumento no número de respostas. Enquanto no primeiro questionário apenas 4 alunos
responderam corretamente, no segundo questionário dez alunos conseguiram responder. Esse
avanço é percebido devido aos modelos didáticos utilizados durante a intervenção,
corroborando com Moul e Silva (2017) ao perceber que os alunos quando participaram da aula
de mitose e meiose com modelos didáticos, respondiam em mais de 90% dos casos às questões
do pós-teste. Por essa razão, Colombari e Melo (2006, p. 24) recomendam que “os modelos
didáticos sejam trabalhados numa abordagem de problematização, em que o aluno usa mais a
imaginação, a criatividade e o raciocínio, tornando-se um agente do processo educativo, tendo
o professor como facilitador e não como um simples transmissor de conteúdos”.
Na categoria 2 “Noções parcialmente adequadas” do Questionário II (Pós-Atividades)
foram considerados os excertos em que as respostas estavam relativamente corretas ou
incompletas, de acordo com o conhecimento científico, como mostra o quadro abaixo, Quadro
10.

122

Quadro 10 - Categoria: “Noções parcialmente adequadas” – Questionário Pós-atividades.

“É o processo em que a célula passa por
etapas e transformações para se dividir”
(A1).
“É o processo de divisão da célula
somática e germinativa.” (A2).
“Divisão das células” (A3).
Pergunta 1: Você sabe o que é Divisão “É quando a célula se divide gerando
Celular? Se a resposta for sim, descreva. demais outras” (A4).
“Divisão das células” (A5).
“É quando a célula se divide em mitose e
meiose” (A8).
“Divisão das células” (A9).
“É quando a célula se divide em mitose e
meiose” (A10).
“Divisão das células” (A11).
“A célula se divide em duas fases, mitose
e meiose” (A12).
“É responsável pela reprodução das
células e faz parte do ciclo celular, ciclo
da vida” (A14).
“É quando o citoplasma está no processo
Pergunta 2: Ao final do processo de de separação” (A2).
Divisão Celular, verifica-se uma etapa
conhecida como citocinese. O que ocorre “É a etapa final da divisão celular” (A16).
nessa etapa?

“A mitose só ocorre em células somáticas,
já a meiose ocorre em células
germinativas” (A1).
“Uma é idêntica à mãe, e a outra tem
metade dos números de cromossomos”
(A5).

123

“Acho que na mitose são as células- filhas,
na meiose as células têm característica da
célula-mãe” (A6).
Pergunta 3: Qual (is) a (s) diferença (s) “Mitose divide em 2 e meiose em 4” (A7).
entre mitose e meiose?
“A mitose serve para cicatrização e a
meiose acontece em células reprodutoras”
(A8).
“Mitose ocorre em células somáticas e
meiose em células germinativas” (A10).
“A diferença é que na meiose ocorrem
duas divisões (meiose I e Meiose II)”
(A13).
“Mitose ocorre apenas uma divisão celular
e meiose ocorrem duas divisões” (A14).
“Mitose se divide em duas e meiose em
quatro” (A16).
“São a prófase, metáfase, anáfase e
Pergunta 4: Você sabe quais as etapas da telófase” (A13).
mitose e da meiose?
“Prófase, metáfase, anáfase, telófase e
citocinese” (A16).
Fonte: Autora (2022).

Como houve uma diminuição nas respostas da categoria 4, isso significa dizer que mais
alunos tentaram responde-la, demonstrando ter aprendido alguns princípios básicos do assunto
após a aplicação das atividades. Barros e Carneiros (2005) em seus estudos constataram que
conceitos errôneos proveniente da aprendizagem podem comprometer a leitura de imagens,
ressaltando a importância do conhecimento teórico e lúdico para este processo.
O emprego da prática na Biologia é uma forma de estimular a inteligência, sendo
necessário reconhecer que o lúdico facilitará as estratégias de aprendizagem, propiciando ao
aluno o interesse pela disciplina, de maneira a incentivar o gosto pela pesquisa, unindo teoria e
prática, além de trabalhar a interdisciplinaridade (FERREIRA; SANTOS, 2019). Dessa forma,
os modelos didáticos e lúdicos auxiliam a aprendizagem para que ela se torne mais significativa.
No que diz respeito à Categoria 3 “Desconhecimento” foram selecionadas as respostas
que não tinham relação direta com as perguntas, de acordo com o conhecimento científico,
como mostra o Quadro 11.

124

Quadro 11 - Categoria: “Desconhecimento” – Questionário Pós-atividades.

“É o processo de multiplicação das
células” (A7).
Pergunta 1: Você sabe o que é Divisão
Celular? Se a resposta for sim, descreva. “É o processo de multiplicação das
células” (A16).
“É a etapa da formação de uma célula
Pergunta 2: Ao final do processo de quando uma célula se divide para formar
Divisão Celular, verifica-se uma etapa duas” (A1).
conhecida como citocinese. O que ocorre
nessa etapa?
“É a fase final, nela as células se dividem
por completo” (A8).
“Na mitose as células-filhas com
características iguais e na meiose as
células têm características da célula-mãe.”
Pergunta 3: Qual (is) a (s) diferença (s) (A15).
entre mitose e meiose?
“Prófase, Metáfase, Anáfase e Telófase e
a Citocinese” (A1).
“Prófase, Metáfase, Anáfase e Telófase e
Pergunta 4: Você sabe quais as etapas da a Citocinese” (A10).
mitose e da meiose?
“Prófase, metáfase, anáfase, telófase e
crossing-over” (A15).
Fonte: Autora (2022).

Para essa categoria seis alunos tentaram responder as perguntas discursivas do
Questionário II, mesmo as respostas estando erradas, diferente do Questionário I que duas
dessas perguntas: “Ao final do processo de Divisão Celular, verifica-se uma etapa conhecida
como citocinese. O que ocorre nessa etapa?” e “você sabe quais as etapas da mitose e da
meiose?” ficaram sem resposta compatível. A falta de atenção, interesse ou até mesmo
interpretação pode ter ocasionado essa confusão nas respostas. O mesmo aconteceu nos estudos
de Lopes et al (2005, p.8) quando os autores afirmam que a relação entre ciclo celular e Divisão
Celular não foi bem interpretada pelos alunos, existindo, portanto, um obstáculo na
compreensão de que a Divisão Celular é uma etapa constante do ciclo celular.
A Categoria 4 “Descrição sem resposta ou em branco”, refere-se a falta de respostas dos
alunos “sem explicação alguma” ou responderam “não sei”, como mostra o quadro abaixo,
Quadro 12.

125

Quadro 12 - Categoria: “Descrição sem resposta ou em branco” – Questionário Pós-atividades.

Pergunta 1: Você sabe o que é Divisão Todos responderam!
Celular? Se a resposta for sim, descreva.

Pergunta 2: Ao final do processo de
Divisão Celular, verifica-se uma etapa A5, A9, A11, A12 e A15.
conhecida como citocinese. O que ocorre
nessa etapa?

Pergunta 3: Qual (is) a (s) diferença (s) A6, A9 e A11.
entre mitose e meiose?

Pergunta 4: Você sabe quais as etapas da A4, A5, A6, A7, A8, A9, A11 e A14.
mitose e da meiose?
Fonte: Autora (2022).

Nessa categoria pode-se observar um avanço nos conhecimentos dos alunos, uma vez
que, em comparação com o questionário pré-atividades houve uma diminuição na falta de
respostas ou respostas em “branco”. Isso significa dizer que, por meio da aplicação das
atividades (aula expositiva, confecção do mapa mental, jogo com as placas e o livro-jogo)
obtivemos êxito na aprendizagem sobre o conteúdo de Divisão Celular. Braga (2010) em seus
estudos observou que ao considerar a dinâmica que envolve a exposição dos conteúdos durante
uma aula, o uso dos modelos em vários momentos facilitou a retomada de conceitos e
proposições trabalhados na sequência, aumentando a coesão entre os assuntos tratados nas aulas
ministradas. Foi o que ocorreu no presente estudo.

6.3 Análise dos mapas conceituais
Um total de 30 alunos fizeram os mapas conceituais, relacionando os conceitos da
Divisão Celular e suas fases, discutidos durante a aula explicativa. Alguns desenvolveram
esquemas com quadros ao invés de mapa conceitual, como observado na figura 9, de acordo
com Moreira (2012) os mapas conceituais não podem ser confundidos com quadros sinópticos
que são diagramas classificatórios. Moreira (2012) ainda destaca que na aprendizagem

126

significativa, não existe mapa conceitual certo ou errado, o mapa conceitual possui função
idiossincrática:
Quer dizer, tanto mapas usados por professores como recurso didático como
mapas feitos por alunos em uma avaliação têm componentes idiossincráticos.
Isso significa que não existe mapa conceitual “correto”. Um professor nunca
deve apresentar aos alunos o mapa conceitual de um certo conteúdo e sim um
mapa conceitual para esse conteúdo segundo os significados que ele atribui
aos conceitos e às relações significativas entre eles. De maneira análoga,
nunca se deve esperar que o aluno apresente na avaliação o mapa conceitual
“correto” de um certo conteúdo. Isso não existe. O que o aluno apresenta é o
seu mapa e o importante não é se esse mapa está certo ou não, mas sim se ele
dá evidências de que o aluno está aprendendo significativamente o conteúdo
(MOREIRA, 2012, p. 7-8).

Fazendo um apanhado da análise de todos os mapas feitos pelos alunos é possível
classifica-los mediante as diferenciações progressivas e reconciliações integrativas propostas
por Ausubel. Para Moreira (2011, p.20) “a diferenciação progressiva é o processo de atribuição
de novos significados a um dado subsunçor (um conceito ou uma proposição, por exemplo)
resultante da sucessiva utilização desse subsunçor para dar significado a novos conhecimentos”.
No que concerne à reconciliação integradora ou integrativa, Moreira (2011) afirma que
é um método da dinâmica da estrutura cognitiva, que resume em excluir diferenças aparentes,
resolver inconsistências, incluir significados e fazer superordenação. Neste sentido, foram
selecionados pelos critérios de diversidade e saturação de Guerra (2006) seis mapas conceituais.
Para Moreira (2011, p. 129) “Como instrumento de avaliação da aprendizagem, mapas
conceituais podem ser usados para se obter uma visualização da organização conceitual que o
aprendiz atribui a um dado conhecimento”. Neste caso, certifica-se em cada mapa conceitual
analisado se os alunos conseguiram mostrar indícios de aprendizagem sobre o conteúdo de
Divisão Celular.
A seguir são mostrados os mapas conceituais construídos pelos alunos. Estes se
encontram assinalados com um (x) na cor amarela para apontar as diferenciações progressivas
e, com um (x) na cor vermelha, para as reconciliações integradoras, Cada mapa está sendo
identificado pela letra D (de discente) seguido por um número ordinal: D1, D2.....D6, no
processo de reprodução dos dados.
Ao examinar o mapa conceitual do aluno D1(figura 7) pode-se dizer que houve
aprendizagem significativa, uma vez que há evidências de diferenciação progressiva e da
reconciliação integrativa.

127

Figura 6 – Mapa conceitual do aluno D1.

Fonte: D1 (2022).

Percebe-se também que a maioria dos mapas conceituais elaborados pelos estudantes
apresentam como termo mais geral a Divisão Celular e como termos mais inclusivos a “mitose
e meiose” e a “interfase” com suas fases. Para Brum e Schuhmacher (2015):
Na utilização de mapas conceituais, o objetivo é buscar indícios de
aprendizagem significativa, porém, é preciso lembrar que a aprendizagem
mecânica ou memorística e aprendizagem significativa são dois extremos de
um “continuum”, e que, portanto, os estudantes podem construir mapas
conceituais desconsiderando conceitos relevantes à sua aprendizagem (Brum;
Schuhmacher, 2015, p. 12).

No mapa conceitual do aluno D2 (figura 8), observa-se a presença de desenhos e
significados referentes aos termos/conceitos mais importantes citados acima. Brum e
Schuhmacher (2015) afirmam que conforme os alunos se relacionam com mapas conceituais
para realizar ligações cruzadas, harmonizar e discernir conceitos, eles estarão empregando o
mapeamento conceitual como uma ferramenta de aprendizagem.

128

Figura 7 – Mapa conceitual do aluno D2.

Fonte: D2 (2022).

Além disso, o mapa conceitual apresenta palavras-chave entre os conceitos, isso
viabiliza a averiguação de proposições formadas. Neste sentido, é possível observar no mapa
conceitual do aluno D3 (figura 9), que a reconciliação integrativa está presente na combinação
estabelecida entre os conceitos “reducional” e “equacional” por meio da ligação da preposição
“é uma divisão”.
Figura 8 – Mapa conceitual do aluno D3.

Fonte: D3 (2022).

De acordo com Tavares (2010, p. 3) “Na reconciliação integrativa um conceito de uma
rama da raiz é relacionado a um outro conceito de outro ramo da raiz, propiciando uma
reconciliação, uma conexão entre conceitos que não era claramente perceptível”. Por meio da
análise dos mapas conceituais pode-se perceber que os alunos têm potencial de ancorar em seus
subsunçores novos conhecimentos e que estes foram modificados, ou seja, ampliados à medida
que o conteúdo era aprofundado, como mostra a figura 10.

129

Figura 9 – Mapa conceitual do aluno D4.

Fonte: D4 (2022).

Dentre os mapas conceituais analisados, D4 e D5 evidenciam o maior número de
diferenciação progressiva, possuindo uma maior hierarquização dos conteúdos mais ampliada.
Para Moreira (2011) apesar de acontecer com intensidades diferentes, os dois processos são
síncronos e fundamental à construção cognitiva.
Figura 10 – Mapa conceitual do aluno D5.

Fonte: D5 (2022).

Já a reconciliação integradora foi apontada em menor número pelos discentes 5 e 6,
corroborando com os estudos de Lourenço et al (2007) onde os autores analisaram o grau de
reconciliação integrativa, determinado pelo número de relações cruzadas presentes nos mapas

130

conceituais elaborados nas quatro etapas e, obteve um total de vinte e três relações cruzadas,
número relativamente pequeno, indicando que os alunos devem ser mais incentivados em
relacionar os conceitos entre si.
Figura 11 – Mapa conceitual do aluno D6.

Fonte: D6 (2022).

Ao analisar a estrutura dos mapas conceituais construídos pelos discentes, todos
apresentam tanto a diferenciação progressiva quanto a reconciliação integradora, como mostra
a Tabela 1.
Tabela 1 - Quantitativo correspondente as diferenciações progressivas e reconciliações
integradoras nos mapas conceituais dos discentes.

Estudantes Diferenciações Progressivas
D1
13
D2
13
D3
15
D4
24
D5
22
D6
6
Total
80

Reconciliações Integradoras
3
5
4
4
1
2
19

Fonte: Autora (2022).

Vale destacar que a diferenciação progressiva se encontra em maior quantidade em
todos os mapas conceituais analisados. De acordo com (NOVAK, 2010, p.70-71) “O
mecanismo cognitivo preferencial de construção de conhecimento é via diferenciação
progressiva, ou seja, quando as ideias e conceitos mais gerais e abrangentes são desdobrados

131

em outros conceitos, pela introdução de detalhes e/ou exemplos em níveis hierárquicos mais
específicos”.

6.4 Aplicação do Produto Técnico Tecnológico
O Produto Técnico Tecnológico produzido foi o livro-jogo, intitulado “Na trilha da
Divisão Celular: Uma ferramenta didática para o ensino da Divisão Celular”. Um total de trinta
e dois alunos jogaram o livro-jogo (Figura 4).
Figura 12 – Alunos lendo o livro-jogo, em dupla.

Fonte: Autora (2022).

No primeiro momento foram formadas duplas entre os alunos e em seguida foi entregue
um livro-jogo por dupla. Por fim, foi lido as regras do livro-jogo e explicado como funciona
cada uma delas, a partir daí os alunos iniciaram a leitura. A medida que as dúvidas iam surgindo,
iam também sendo sanadas e anotadas para melhorar a ferramenta metodológica, figura 5.
Figura 13 – Interação professor-aluno.

Fonte: Autora (2022).

Ao passo que os estudantes jogavam o livro-jogo, aguçavam a leitura e a curiosidade,
além de se divertirem também iam aprendendo de maneira lúdica e descontraída, revisando
todo conteúdo de Divisão Celular já estudado. Após o término da leitura e do jogo, foi aplicado
o questionário II, o “Pós-Atividade”.

132

Quando questionados sobre a ferramenta didática “livro-jogo” ter facilitado a
compreensão do conteúdo de Divisão Celular, a resposta foi positiva, dos 32 alunos que
responderam o questionário, 28 (93,3%) responderam que o livro-jogo ajudou na compreensão
do conteúdo de Divisão Celular, enquanto 4 (6,7%) dos estudantes responderam “mais ou
menos”. Esse resultado se assemelha aos encontrados por Farias, Silveira e Arruda (2015) que
verificaram a opinião dos discentes em relação ao uso do jogo didático como instrumento para
aumentar o interesse pelo conteúdo e 92,90% dos estudantes afirmam ser motivador, e quando
questionados sobre aumentar o conhecimento e facilitar a aprendizagem 85,70% dos
acadêmicos responderam sim e 14,30% declararam que não influenciam.
Inúmeros estudos apontam os recursos lúdico e didáticos como relevante ferramenta de
ensino, no artigo de (BRAGA, FERREIRA, GASTAL, 2010) são utilizados modelos em uma
sequência didática e nas suas análises os autores afirmam que os dados obtidos por meio da
observação e da filmagem das aulas ministradas permitiu constatar o potencial que o uso da
modelagem, como metodologia de ensino possui em promover o envolvimento dos alunos com
o conteúdo que está sendo trabalhado.
Lopes, Almeida e Amado (2012) constatou, em seu trabalho com deficientes visuais,
que o modelo confeccionado pelos autores, além de ser um material inclusivo poder ser
utilizado para facilitar o aprendizado da mitose por estudantes sem a deficiência. Sendo capaz
de incentivar a abstração, aplicável em um contexto de sala de aula inclusiva e auxiliando a
compreensão do conteúdo de mitose.
Ao serem indagados se é importante trabalhar com o livro-jogo em sala de aula, os
alunos responderam:
“Sim, facilita bastante o aprendizado”. A1
“Sim, é uma forma mais leve de aprender”. A2
“Sim, um jeito de aprender e brincar”. A6
“Sim, para descontrair e não ficar na mesma explicação cansativa”. A7
“Muito, pois ele facilita o entendimento”. A8
“Sim, é muito importante para o aprendizado”. A9
“Sim, pois é uma maneira de entretenimento para educar”. A12
Ao analisar algumas das respostas dos alunos, como mostrado acima, é possível
confirmar a importância de trabalhar com os jogos didáticos em sala de aula, uma vez que, essa

133

ferramenta lúdica pode complementar as aulas teóricas, revisar os conteúdos e ensinar de forma
divertida, instigando o discente a aprender os assuntos e sair da abstração

134

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a intervenção pedagógica e análise dos Questionários Pré-Atividades e PósAtividades, foi percebido um aumento no número de respostas pelos alunos sobre o conteúdo
de Divisão Celular, tanto respostas corretas, quanto de respostas incompletas, o que significa
dizer que houve aprendizagem e, os alunos tentaram replicar da melhor maneira que
conseguiram aprender, tendo em vista a extensão e cientificidade do assunto. Além disso, houve
uma grande diminuição no quantitativo de respostas em branco.
Com os resultados até aqui desenvolvidos, pode-se afirmar que a utilização dos recursos
didáticos propiciou aos alunos uma aprendizagem mais lúdica, com menos abstração, além de
uma maior interação entre aluno-aluno e aluno-professor. As placas com as fases da mitose e
meiose, por exemplo, promoveram o protagonismo dos alunos e a socialização das relações
afeitavas, promovendo o trabalho em grupo e estimulando o aluno a participar espontaneamente
da aula.
Já o mapa conceitual fez com que os alunos saíssem da zona de conforto pelo simples
fato de ser algo novo e não habitual, como o mapa mental. Com essa participação na construção
do saber, o aluno deixa de ser um simples objeto no processo da aprendizagem e passa a
construir e ser protagonista dos novos conceitos que lhes são empregados.
Quanto a leitura do livro-jogo, movimentou toda a turma e, além de estimular, despertou
curiosidade nos alunos, que tiveram a oportunidade de revisar os conhecimentos apresentados,
dinamizando o estudo de conteúdos subjetivos como a Divisão Celular. No entanto, essa
ferramenta lúdica precisa vim acompanhada de estímulos para o novo conhecimento, assim
como o mediador desse ensino precisa ser o professor.
Diante das considerações tecidas e dos resultados apresentados, pode-se inferir que as
ferramentas utilizadas, contribuíram de forma significativa para o conhecimento dos alunos,
uma vez que, houve aprendizado. No entanto, a busca por materiais didáticos e lúdicos precisam
ser constantes, tendo em vista que esses instrumentos estimulam muito mais o saber dos alunos.

135

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140

APÊNDICES
Orientações para elaborar um Mapa Conceitual
Os mapas conceituais são instrumentos utilizados para estabelecer relações entre conceitos.
Podem ser elaborados através de diagramas, ou com outro formato. É importante a ênfase nos conceitos,
nas hierarquias destes conceitos e nas relações que existem nos conhecimentos. Trata-se de uma
ferramenta desenvolvida nos anos de 1970, por Joseph Novak, com a preocupação de relacionar e
hierarquizar os conceitos.
São elementos necessários para um mapa conceitual as palavras que exprimem o conceito,
ligadas umas às outras por meio de palavras ou pequenas frases de conexão, denominados conectivos,
formando frases, conhecidas por proposições.
Como elaborar um mapa conceitual:
1º passo: Defina a ideia central
Identificar o tema que você vai utilizar para construir o seu mapa conceitual. Faça uma
leitura e anote os pontos principais, identificando o(s) conceito(s)-chave do conteúdo que
vai mapear e coloque-o(s) em uma lista. Limite-se a 10 conceito(s)-chave no máximo.
2º passo: Ordene os conceitos associados
Ordene o(s) conceito(s)-chave, colocando o(s) mais geral(is), mais
inclusivo(s), no topo do mapa conceitual e, gradualmente, vá agregando o(s)
seguinte(s) até finalizar o conteúdo.
3º passo: Utilize linhas com palavras-chave
Conecte o(s) conceito(s)-chave com linhas e escreva essas linhas com uma ou mais
palavras-chave, que explicitem a relação entre esses o(s) conceito(s)-chave. O ideal será
a expressão de setas mostrando as relações entre o(s) conceito(s)-chave. No entanto, o
uso de muitas setas acaba por transformar o mapa conceitual em um diagrama de fluxo.
4º passo: estruture seu mapa conceitual
Estruture seu mapa conceitual. As informações podem ser organizadas por meio
de caixas ou balões (comumente chamados de nós), conectados por meio de linhas
ou setas. Utilize conectivos, que geralmente são verbos e estabelecem relações,
com sentido para a ligação entre conceitos-chave ou significados. Exemplos
podem ser agregados ao mapa conceitual, embaixo dos conceitos correspondentes.
Em geral, os exemplos ficam na parte inferior deste mapa.

141

5º passo: Construção do mapa conceitual
É importante que a construção do mapa conceitual seja realizada objetivando seu melhor
entendimento. Você pode cruzar e relacionar ideias conforme vai desenvolvendo seu mapa
conceitual. Lembre-se de que existem vários modos de traçar um mapa conceitual. À medida que muda
sua compreensão sobre as relações entre os conceitos-chave, ou à medida que você aprende, seu mapa
conceitual também muda.

142

ANEXOS