Roberta da Silva Freitas
Título da dissertação: PERSONAGENS EM HISTÓRIAS INVENTADAS POR ALUNOS DE ESCOLA PÚBLICA E ESCOLA PARTICULAR : A INTERTEXTUALIDADE NAS NOMEAÇÕES
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira
PERSONAGENS EM HISTÓRIAS INVENTADAS POR ALUNOS
DE ESCOLA PÚBLICA E ESCOLA PARTICULAR :
A INTERTEXTUALIDADE NAS NOMEAÇÕES
Roberta da Silva Freitas
Maceió
2012
Roberta da Silva Freitas
PERSONAGENS EM HISTÓRIAS INVENTADAS POR ALUNOS
DE ESCOLA PÚBLICA E ESCOLA PARTICULAR :
A INTERTEXTUALIDADE NAS NOMEAÇÕES
Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação
em
Educação
Brasileira
da
Universidade Federal de Alagoas, para a obtenção
do título de Mestre em Educação.
Orientador: Eduardo Calil de Oliveira
Maceió
2012
Ao Thiago
companheiro incondicional.
AGRADECIMENTOS
Agradeço aos meus pais pelo incentivo.
Ao meu marido por seu incessante apoio e constante incentivo.
Ao meu orientador, Eduardo Calil, pela confiança depositada em mim e no meu
trabalho.
Ao financiamento concedido pelo convênio Capes/Fapeal.
Às professoras que participaram da banca de qualificação e defesa.
Aos companheiros de turma (especialmente às amigas Carla, Thaise e Sirlene) que
dividiram muitos momentos bons e ruins durante a graduação e o mestrado.
Aos integrantes do grupo de pesquisa Escritura, Texto & Criação - ET&C.
Ao amigo, Denisson Lopes, pela troca de informações durante a análise dos dados.
Enfim, agradeço a todos que contribuíram direta ou indiretamente para a construção
dessa dissertação.
RESUMO
Este trabalho pretende discutir, a partir da noção de “dialogismo bakhtiniano”
entendida como elemento constitutivo de todo e qualquer discurso, os nomes de
personagens dados por alunos do ciclo inicial do Ensino Fundamental, quando
escrevem suas histórias inventadas (CALIL, 2004; CALIL e LIMA, 2007). Nosso
corpus é formado por 41 manuscritos escolares de alunos de 2ª série, coletados em
1996 em uma escola pública e 24 manuscritos de alunos de 3ª série, coletados entre
1997 e 1998 em uma escola particular; ambas da cidade de Maceió. A partir desses
dois conjuntos de manuscritos (CALIL, 2008) descrevemos quais são os nomes de
personagens que surgem, as relações intertextuais (KOCH, 2009) que esses nomes
têm com o ambiente cultural, sobretudo determinado pela televisão e pelos textos
lidos em sala de aula, em que estão imersos esses alunos pertencentes a distintos
níveis socioeconômicos. Para compará-los, estabelecemos as seguintes categorias:
ficcional (nomes relacionados ao universo cultural, como mídia, material escrito
conhecido, entre outros - exemplo: Chapeuzinho Vermelho); não-ficcional (nomes
ligados ao contexto imediato e cotidiano das crianças - exemplo: Amanda); ficcionalnão-ficcional (universo cultural e cotidiano - exemplo: Princesa Raquel). Os
resultados indicam que tanto os alunos da escola pública quanto os da escola
particular adotaram praticamente a mesma forma de nomeação, identificamos a
presença de uma significativa porcentagem de personagens relacionados ao
universo não-ficcional, isto é, ao contexto imediato e cotidiano, com nomes de
amigos e familiares, apresentados geralmente de forma individualizada, como
Isabel, João... Concluímos que, mesmo em textos escritos por alunos imersos em
realidades culturais distintas, esta forma de nomeação aproxima suas histórias,
assim como nos ajuda a caracterizar o processo criativo de alunos dessa faixa
etária.
Palavras-chave:
intertextualidade.
Criação,
dialogismo,
história
inventada,
personagens,
ABSTRACT
This paper discusses, from the notion of "Bakhtinian dialogism" understood as a
constitutive element of any speech, character names by pupils of the first cycle of
elementary school, when they write their stories invented (Calil, 2004, Calil and LIMA,
2007). Our corpus consists of 41 manuscripts school students in grades 2, collected
in 1996 in a public school and 24 manuscripts from the 3rd grade students, collected
between 1997 and 1998 in a private school, both the city of Maceió. From these two
sets of manuscripts (Calil, 2008) describe what are the names of characters who
appear, the intertextual relations (KOCH, 2009) that these names are to the cultural
environment, mainly determined by television and the texts read in room classroom,
where students are immersed in these belonging to different socioeconomic
levels. To compare them, we established the following categories: fictional names
(related to the cultural universe, such as media, written materials known, among
others - eg Little Red Riding Hood), nonfiction (names linked to the immediate
context and daily lives of children - example: Amanda);-fictional non-fiction (and
everyday cultural universe - eg Princess Rachel). The results indicate that both the
public school students as the private school have adopted much the same form of
appointment, identify the presence of a significant percentage of characters related to
non-fictional universe, ie, the immediate context and everyday, with names from
friends and family, usually made individually, like Elizabeth, John .. We conclude that,
even in texts written by students immersed in different cultural realities, this form of
appointment approaching their stories, as well as helps us to characterize the
creative process of students in this age group.
Keywords: Creation, dialogism, invented story, characters, intertextuality.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Gráfico 1 – Personagens inventados pelos meninos da escola pública .................... 66
Gráfico 2 – Personagens da categoria ficcional inventados por meninos ................. 67
Gráfico 3 – Personagens da categoria não-ficcional inventados por meninos .......... 67
Gráfico 4 – Personagens da categoria ficcional-não-ficcional ................................... 67
Gráfico 5 – Personagens inventados pelas meninas da escola pública .................... 68
Gráfico 6 – Personagens da categoria ficcional inventados por meninas ................. 69
Gráfico 7 – Personagens da categoria não-ficcional inventados por meninas .......... 69
Gráfico 8 – Distribuição dos personagens, por sexo, de acordo com a categoria ..... 70
Gráfico 9 – Personagens inventados por meninos .................................................... 70
Gráfico 10 – Personagens inventados por meninas .................................................. 70
Gráfico 11 – Personagens inventados em dupla – composta por menino + menino . 73
Gráfico 12 – Personagens da categoria ficcional inventados por meninos + meninos
.................................................................................................................................. 74
Gráfico 13 – Personagens da categoria não-ficcional inventados por meninos +
meninos ..................................................................................................................... 74
Gráfico 14 – Personagens inventados em dupla – composta por menina + menina . 75
Gráfico 15 – Personagens da categoria ficcional inventados por menina + menina75
Gráfico 16 – Personagens da categoria não-ficcional inventados por menina +
menina....................................................................................................................... 75
Gráfico 17 – Personagens da categoria ficcional-não- .............................................. 76
Gráfico 18 – Personagens inventados em dupla – composta por menino + menina . 77
Gráfico 19 – Personagens da categoria ficcional inventados por menino + menina . 77
Gráfico 20 – Personagens da categoria não-ficcional inventados por menino +
menina....................................................................................................................... 77
Gráfico 21 – Personagens inventados em dupla por alunos da escola pública ......... 78
Gráfico 22 – Personagens inventados por menina + menina .................................... 78
Gráfico 23 – Personagens inventados por menino + menino .................................... 78
Gráfico 24 – Personagens inventados por menino + menina .................................... 78
Gráfico 25 – Personagens inventados pelos meninos da escola pública .................. 81
Gráfico 26 – Personagens da categoria ficcional inventados por meninos ............... 82
Gráfico 27 – Personagens da categoria não-ficcional inventados por meninos ........ 82
Gráfico 28 – Personagens da categoria ficcional-não-ficcional ................................. 82
Gráfico 29 – Personagens inventados pelas meninas da escola pública .................. 83
Gráfico 30 – Personagens da categoria ficcional inventados por meninas ............... 84
Gráfico 31 – Personagens da categoria não-ficcional inventados por meninas ........ 84
Gráfico 32 – Distribuição dos personagens, por sexo, de acordo com a categoria ... 84
Gráfico 33 – Personagens inventados por meninos .................................................. 85
Gráfico 34 – Personagens inventados por meninas .................................................. 85
Gráfico 35 – Personagens inventados em dupla – composta por menino + menino . 87
Gráfico 36 – Personagens da categoria ficcional inventados por meninos + meninos
.................................................................................................................................. 88
Gráfico 37 – Personagens da categoria não-ficcional inventados por meninos +
meninos ..................................................................................................................... 88
Gráfico 38 – Personagens inventados em dupla – composta por menina + menina . 89
Gráfico 39 – Personagens da categoria não-ficcional ............................................... 89
Gráfico 40 – Personagens inventados em dupla – composta por menino + menina . 90
Gráfico 41 – Personagens da categoria ficcional inventados por menino + menina . 91
Gráfico 42 – Personagens da categoria não-ficcional inventados por menino +
menina....................................................................................................................... 91
Gráfico 43 – Personagens inventados em dupla por alunos da escola particular ..... 91
Gráfico 44 – Personagens inventados por menino + menino .................................... 92
Gráfico 45 – Personagens inventados menina + menina .......................................... 92
Gráfico 46 – Personagens inventados por menino + menina .................................... 92
Gráfico 47 – Incidência dos nomes inventados pelos alunos da escola pública ..... 100
Gráfico 48 – Incidência dos nomes inventados pelos alunos da escola particular .. 100
Gráfico 49 – Categoria dos nomes de personagens inventados por escola............ 100
Gráfico 50 – Personagens inventados pelos alunos da escola pública ................... 102
Gráfico 51 – Personagens inventados alunos da escola particular ......................... 102
Gráfico 52 – Categoria dos nomes de personagens inventados por escola............ 102
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Discriminação dos personagens contidos nas histórias inventadas, em
dupla, no dia 22/11/1996 ........................................................................................... 40
Tabela 2 – Relação de nomes de personagens criados, individualmente, por alunos
da 2a série, em 18/12/1996 ....................................................................................... 43
Tabela 3 – Categoria e subcategoria nas histórias inventadas individualmente por
meninos ..................................................................................................................... 45
Tabela 4 – Personagens inventados por meninas .................................................... 47
Tabela 5 – Nome dos personagens em história inventada, escrita em dupla –
formada por meninos................................................................................................. 48
Tabela 6 – Personagens em história inventada, escrita por meninas, em dupla ....... 49
Tabela 7 – Nome dos personagens em história inventada por menino e menina ..... 51
Tabela 8 – Personagens inventados em dupla por alunos da 3 a série, no dia
14/11/1997 ................................................................................................................ 53
Tabela 9 – Personagens inventados individualmente por alunos da 3 a série, no dia
03/04/1998 ................................................................................................................ 54
Tabela 10 – Personagens em histórias inventadas, por meninos, individualmente .. 57
Tabela 11 – Personagens inventados individualmente - por meninas ...................... 58
Tabela 12 – História inventada, em dupla, composta por meninos ........................... 61
Tabela 13 – História inventada em dupla formada somente por meninas ................. 62
Tabela 14 – Personagens inventados em dupla composta por meninos e meninas . 63
Tabela 15 – Personagens inventados por meninos .................................................. 66
Tabela 16 – Personagens inventados por meninas .................................................. 68
Tabela 17 – Personagens inventados por menino x menina ..................................... 71
Tabela 18 – Personagens inventados por menino + menino .................................... 73
Tabela 19 – Personagens inventados por menina + menina .................................... 74
Tabela 20 – Personagens inventados por menino + menina .................................... 76
Tabela 21 – Personagens inventados em dupla ....................................................... 79
Tabela 22 – Personagens inventados por meninos .................................................. 81
Tabela 23 – Personagens inventados por meninas .................................................. 83
Tabela 24 – Personagens inventados por menino x menina ..................................... 86
Tabela 25 – Personagens inventados por menino + menino .................................... 87
Tabela 26 – Personagens inventados por menina + menina .................................... 88
Tabela 27 – Personagens inventados por menino + menina .................................... 90
Tabela 28 – Personagens inventados em dupla ....................................................... 93
Tabela 29 – Categoria dos personagens inventados pelos meninos ........................ 94
Tabela 30 – Subcategoria dos personagens inventados pelos meninos ................... 95
Tabela 31 – Categoria dos personagens inventados pelas meninas ........................ 95
Tabela 32 – Subcategoria dos personagens inventados pelas meninas ................... 96
Tabela 33 – Categoria dos personagens inventados em dupla: menino + menino ... 96
Tabela 34 – Subcategoria dos personagens inventados em dupla: menino + menino
.................................................................................................................................. 97
Tabela 35 – Categoria dos personagens inventados em dupla: menina + menina ... 97
Tabela 36 – Subcategoria dos personagens inventados em dupla: menina + menina
.................................................................................................................................. 98
Tabela 37 – Categoria dos personagens inventados em dupla: menino + menina ... 98
Tabela 38 – Subcategoria dos personagens inventados em dupla: menino + menina
.................................................................................................................................. 99
Tabela 39 – Categoria dos personagens inventados por alunos da escola pública e
escola particular ........................................................................................................ 99
Tabela 40 – Subcategoria dos personagens inventados por alunos da escola pública
e escola particular ................................................................................................... 101
SUMÁRIO
1.
INTRODUÇÃO ................................................................................................... 14
2.
A CONSTRUÇÃO DO SENTIDO NO TEXTO .................................................... 17
2.1. A PRODUÇÃO TEXTUAL NAS SÉRIES INICIAIS ............................................. 17
2.2. CONTRIBUIÇÃO DA “VOZ” BAKHTINIANA ....................................................... 18
2.3. SOBRE A INTERTEXTUALIDADE ..................................................................... 21
2.3.1.
A intertextualidade no manuscrito escolar .............................................. 25
2.3.1.1.
O intertexto na criação de poemas ........................................................... 26
2.3.1.2.
O intertexto nas histórias inventadas ........................................................ 27
2.3.1.3.
O processo de nomeação dos personagens ............................................. 29
3.
ASPECTOS METODOLÓGICOS ....................................................................... 33
3.1. APRESENTAÇÃO DO CORPUS ........................................................................ 33
3.2. AS ESCOLAS ..................................................................................................... 34
3.3. A ANÁLISE ......................................................................................................... 35
3.3.1.
Análise quantitativa ................................................................................... 36
3.3.1.1.
Categorias................................................................................................. 36
3.3.1.1.1. Subcategorias ........................................................................................... 37
3.3.2.
4.
Análise qualitativa ...................................................................................... 38
A INTERTEXTUALIDADE NAS NOMEAÇÕES ................................................. 40
4.1. O QUE TRAZEM OS MANUSCRITOS ESCOLARES COLETADOS ................. 40
4.1.1.
Escola Pública ............................................................................................ 40
4.1.1.1.
Descrição dos nomes dos personagens ................................................... 40
4.1.1.1.1. Classificação por categoria e subcategoria ............................................... 44
4.1.1.1.1.1. Histórias inventadas individualmente ..................................................... 44
4.1.1.1.1.2. Histórias inventadas em dupla ............................................................... 48
4.1.2.
Escola Particular ........................................................................................ 53
4.1.2.1.
Descrição dos nomes dos personagens ................................................... 53
4.1.2.1.1. Classificação por categoria e subcategoria ............................................... 57
4.1.2.1.1.1. Histórias inventadas individualmente ..................................................... 57
4.1.2.1.1.2. Histórias inventadas em dupla ............................................................... 61
4.1.3.
Escola Pública X Escola Particular ........................................................... 65
4.1.3.1.
Comparação interna.................................................................................. 66
4.1.3.1.1. Escola Pública .......................................................................................... 66
4.1.3.1.1.1. Menino x Menina ................................................................................... 66
4.1.3.1.1.2. Menino + Menino x Menina + Menina x Menino + Menina..................... 73
4.1.3.1.2. Escola Particular ....................................................................................... 81
4.1.3.1.2.1. Menino x Menina ................................................................................... 81
4.1.3.1.2.2. Menino + Menino x Menina + Menina x Menino + Menina..................... 87
4.1.3.2.
Comparação entre Escola Pública X Escola Particular ............................. 94
4.1.3.2.1. Menino x Menino ....................................................................................... 94
4.1.3.2.2. Menina x Menina ....................................................................................... 95
4.1.3.2.3. Menino + Menino x Menino + Menino ....................................................... 96
4.1.3.2.4. Menina + Menina x Menina + Menina ....................................................... 97
4.1.3.2.5. Menino + Menina x Menino + Menina ....................................................... 98
4.1.3.2.6. Nomeação de personagem de acordo com as categorias estabelecidas . 99
4.1.3.2.7. Nomeação de personagem de acordo com as subcategorias ................ 101
5.
CONCLUSÃO ................................................................................................... 104
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 107
ANEXO A – Chapeuzinho Amarelo ...................................................................... 113
ANEXO B – Mari Mar ............................................................................................. 114
ANEXO C – Stephanie ........................................................................................... 116
ANEXO D – O pai a Mãe e os Três Filhos ............................................................ 117
ANEXO E – Sem Título .......................................................................................... 118
ANEXO F – O Gato de Bota .................................................................................. 119
ANEXO G – A Menina e o Gato ............................................................................. 120
ANEXO H – A Princesa Catarina .......................................................................... 121
ANEXO I – SOS Titanic O Mais Trágico Naufrágio de toda a humanidade.
Titanic ..................................................................................................................... 122
ANEXO J – A Bruxinha Matilda e Brunilda .......................................................... 124
ANEXO K – A Bruxinha Sapeca ........................................................................... 125
ANEXO L – Bad Boy, a vingança ......................................................................... 126
ANEXO M – As aventuras da galera..................................................................... 128
ANEXO N – A Ovita................................................................................................ 130
14
1. INTRODUÇÃO
A partir da noção de “dialogismo bakhtiniano”, entendida como elemento
constitutivo de todo e qualquer discurso pretendemos discutir como os alunos do
ciclo inicial do Ensino Fundamental nomeiam os personagens quando escrevem
suas histórias inventadas. O principal objetivo desse estudo é identificar o que pode
interferir nas suas escolhas (relacionadas às histórias de alunos de uma escola
pública e uma escola particular) durante o processo de criação.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa PCNs (1997)
orientam que um dos caminhos necessários para a garantia da formação do aluno
enquanto leitor e produtor de textos é aquele que o insere em um universo
discursivo significativamente heterogêneo. E, isso só será possível a partir da
constituição de um amplo repertório de modelos que, ao mesmo tempo, deve
focalizar o aprofundamento de um determinado tipo de texto.
A formação dos alunos enquanto escritor deve estar associada às
possibilidades deles criarem seus próprios textos. Lembrando que é preciso ter boas
referências, pois, não há como criar do nada. É importante destacar que a escola
desempenha um papel fundamental para oferecer essas condições de criação. Por
isso, formar bons escritores não depende somente da prática de produção de textos,
deve-se também a uma prática constante de leitura.
Sabe-se que a produção textual é um dos quatros eixos de ensino de língua
portuguesa. Conforme os PCNs é esperado que a produção de textos seja bastante
comum nas escolas, pois permite focalizar aspectos relevantes no processo de
autoria de crianças letradas que nos levam a ver em “histórias inventadas” (CALIL,
2004) modos de interferência do universo discursivo em que as crianças estão
inseridas.
Considerando a escola uma das instituições responsáveis pela consecução
do saber e pela inserção do aluno na sociedade letrada, adotamos como objeto de
análise desta pesquisa um material que está intimamente relacionado ao processo
de produção textual. Para tanto, elegemos como objeto de estudo os manuscritos
15
escolares de alunos, do primeiro ciclo das séries iniciais do Ensino Fundamental, de
uma escola pública e uma escola particular da cidade de Maceió.
É importante elucidar que, a partir do que discute Calil (2008), o “manuscrito
escolar” é tudo aquilo que o scriptor produz em sua condição de aluno. Sendo o
produto de um processo escritural que tem a escola como pano de fundo –
independente do local em que foi produzido, ou seja, se foi ou não escrito no
ambiente escolar, por exemplo.
Calil (2008) pondera ainda que esses manuscritos escritos na escola trazem
uma significativa heterogeneidade de material vinculado às diversas práticas de
textualização, que pode ser organizada como objeto científico de grande valor
documental, histórico e cultural.
Deste modo, tentaremos identificar como surge a heterogeneidade inscrita
nesses manuscritos. Com base nesse corpus foi realizado um levantamento de
como ocorrem as possíveis escolhas realizadas por esses alunos, buscando
esclarecer como foi estabelecida a nomeação dos personagens em suas histórias
inventadas. Em seguida, tentaremos identificar de que maneira esses nomes
indiciam marcas dos textos que circulavam no universo em que os alunos estavam
inseridos.
Essas interferências serão discutidas a partir dos nomes de personagens de
histórias inventadas que alunos de 2ª e 3 a série1 escrevem. Através desses nomes
pretendemos indicar a força do dialogismo que atravessa o processo de criação e
escritura desses alunos, o qual aparece refletido no manuscrito escolar.
Também estamos dispostos a analisar se esses nomes sofrem interferência
do meio em que vivem, assim sendo, averiguamos se a televisão e a leitura de
histórias são levadas em consideração por esses alunos ao fazerem certas
escolhas, já que alguns deles têm forte contato com esses meios. Outro ponto
relevante consiste em investigar como os meninos e as meninas nomeiam os seus
personagens, posto que como se interessam, na maioria das vezes, por diferentes
1
No decorrer do trabalho será utilizada a nomenclatura empregada na época (1996, 1997 e 1998) da
produção dos textos: 2ª e 3ª série que correspondem, respectivamente, ao atual 3° e 4º ano – do
Ensino Fundamental de 9 anos.
16
assuntos, eles poderão apresentar diferenças na estrutura ou no tema tratado em
seus manuscritos.
Sendo assim, o nosso propósito será investigar especificamente como a
intertextualidade aparece refletida em textos inventados por alunos que vivem em
realidade economicamente, socialmente e culturalmente distinta. Acreditamos que
os alunos da escola particular nomeiam os seus personagens de forma letrada (mais
próxima do contexto em que estão inseridos). Enquanto os alunos da escola pública
se apropriam do contexto mais imediato, isto é, tentam, de certa forma, “reproduzir”
o ambiente em que vivem.
É a partir do ato de escrever e das diversas práticas de textualização
presentes nas escolas que tentaremos identificar as relações dialógicas no
manuscrito escolar. Nesse sentido, os PCNs (1997) orientam que a produção de
discursos não acontece no vazio, ele se relaciona de algum modo com os que já
foram produzidos. Assim sendo, os textos, como resultantes da atividade discursiva,
estão em constante e contínua relação uns com os outros, ainda que isso não se
explicite em sua linearidade.
De tal modo, acreditamos que o caráter dialógico que a criança apresenta, ao
nomear os personagens, traz marcas do universo em que está inserida
apresentando indícios que talvez façam parte do cotidiano desses alunos. Logo,
partimos da ideia de que os nomes dos personagens possuem relação com o
contexto em que os alunos estão inseridos.
17
2. A CONSTRUÇÃO DO SENTIDO NO TEXTO
2.1. A PRODUÇÃO TEXTUAL NAS SÉRIES INICIAIS
Sabe-se que os textos escritos, nas séries iniciais, “são geralmente propostos
pela escola, em situações formais, fortemente marcadas por procedimentos
didáticos relacionados aos métodos de ensino, cuja ênfase sobre aspectos gráficos,
alfabéticos e ortográficos é historicamente conhecida.” (CALIL, 2008, P. 1).
Entretanto, para nós o que interessa não é como o aluno escreveu e, sim o que ele
escreveu.
É importante ressaltar que as crianças escrevem com uma linguagem própria,
tentando, de diversas formas, reproduzir as suas descobertas. Em alguns momentos
escrevem tentando reproduzir algum texto conforme o modelo que memorizou, e em
outras situações criam o seu próprio texto, baseando-se em suas características
próprias, singulares. Entretanto, Massini-Cagliari adverte que “não é possível
produzir um texto em uma modalidade que não se conhece. Isto quer dizer que, se a
criança não tiver a experiência de leitura de textos escritos, suas escrituras serão
nada mais do que uma transcrição da fala.” (MASSINI-CAGLIARI, 2001, p. 34).
Ao analisar um texto verificam-se vestígios da herança cultura do sujeito e
das ações sobre ela, percebendo que repetição e criação estão juntas nas diversas
maneiras de retomar o vivido. É da realidade que o aluno tem o seu material de
escrita, ele usa a maneira de pensar e refletir acerca dos acontecimentos para
escrever o seu texto. Portanto, pode-se dizer que “a construção identidade individual
no processo de produção de textos parece estar fundada na construção da
identidade social.” (GOULART, 2003, p. 106).
Por conseguinte, ao considerarmos que durante a produção de textos é
comum que os alunos escrevam acerca daquilo que está mais próximo à sua
realidade, reafirmando o que foi posto por Leal ao ponderar que se o texto do aluno
resulta de um “conjunto de saberes, de relações e de conhecimentos, podemos, do
nosso ponto de vista de compreendente, entender que os conhecimentos
linguísticos que os alunos possuem influenciam fortemente os textos produzidos.”
(LEAL, 2003, p. 64).
18
Diante disso, de acordo com a concepção de Massini-Cagliari, “para que o
aluno progrida em suas produções escritas é necessário que a produção textual
esteja vinculada a leitura porque é principalmente por intermédio dela que o adquire
experiência com a modalidade escrita.” (MASSINI-CAGLIARI, 2001, p. 34).
Deve-se ter consciência de que a consecução do saber precisa estar, como
conforme Calil vem discutindo, relacionada à leitura de textos representativos, os
quais criam um contexto favorável à aprendizagem, na medida em que constitui para
os alunos um repertorio textual de referência ao mesmo tempo em que se garante a
função social dos textos que servirão como “modelos” estruturantes para a produção
de texto.
2.2. CONTRIBUIÇÃO DA “VOZ” BAKHTINIANA
Adotamos como referencial teórico o estudo desenvolvido por Bakhtin que
considera o dialogismo a característica essencial da linguagem e o princípio
constitutivo de todo e qualquer discurso. Considerando que “os textos são diálogos
porque resultam do embate de muitas vozes.” (BARROS, 1994, p. 6).
Com base nessa afirmação, estamos assumindo que um “enunciado sempre
pressupõe enunciados que o precederam e que lhe sucederão; ele nunca é o
primeiro, nem o último; é apenas o elo de uma cadeia” (BAKHTIN, 2004, p. 375)
posto com a intenção de estabelecer o sentido no texto.
Destarte, esta teoria se marca através das relações com o outro. Ao
considerar que todo texto é resultado de uma ação dialógica entre o texto escrito e
outros textos conhecidos, pois traz em si fragmentos de outros textos. Os quais
podem ser retomados com a finalidade de compor o seu sentido, se opor a ideia
defendida por ele ou simplesmente assegurar o que foi dito.
Partindo desse ponto de vista, afirmamos que todo texto é resultado de outros
textos. Como vimos, “o texto ‘original’ é uma ficção, ou melhor, é uma função da
historicidade, num processo retroativo. São sempre vários, desde sua ‘origem’, os
textos possíveis num ‘mesmo’ texto.” (ORLANDI, 2007, p. 14). O texto escrito é o
congelamento desses conflitos.
19
Conforme Bakhtin, “o texto só vive em contato com outro texto (contexto).
Somente em seu ponto de contato é que surge a luz que aclara para trás e para
frente, fazendo que um texto participe de um diálogo.” (BAKHTIN, 1992, p. 404). O
princípio dialógico é marcado por uma concepção de linguagem que engloba a
história e o sujeito, tendo em vista que esta relação dá-se por meio da interação
entre o “eu” e o “outro” no texto. Sendo assim, o referido autor afirma que “a língua
vive e evolui historicamente na comunicação verbal.” (BAKHTIN, 2004, p. 124).
Segundo Bakhtin (2003), todas as palavras proferidas passam pela relação
mútua da orientação dialógica com o outro, pois “ao se constituir na atmosfera do ‘já
dito’, o discurso é orientado ao mesmo tempo para o discurso-resposta que ainda
não foi dito, discurso, porém, que foi solicitado a surgir e que já era esperado. Assim
é o diálogo vivo.” (BAKHTIN, 1997, p. 89). O autor ainda afirma que:
A orientação dialógica é naturalmente um fenômeno próprio a todo o discurso.
Trata-se da orientação natural de qualquer discurso vivo. Em todos os seus
caminhos até o objeto, em todas as direções, o discurso se encontra com o
discurso de outrem e não pode deixar de participar, com ele, de uma interação
viva e tensa. (BAKHTIN, 1997, p. 88).
A partir da interação dialógica, várias “vozes” sociais se exprimem, se
enfrentam, se entrechocam, manifestando diferentes pontos de vista acerca de
determinado tema, remetendo a visões plurais de mundo, que representam
diferentes elementos históricos, sociais e linguísticos. Logo, podemos afirmar que o
diálogo é construído a partir das “relações de acordo-desacordo, afirmaçãocomplemento, pergunta-resposta, etc.” (BAKHTIN, 1997, p. 188), estabelecendo,
assim, relações puramente dialógicas. Com base nessa afirmação, considera-se que
todo texto é composto por diversas vozes e diferentes enunciados, ora
concordantes, ora divergentes, assinalando o caráter dialógico da linguagem
humana.
Portanto, “cada enunciado é pleno de ecos e ressonâncias de outros
enunciados com os quais está ligado pela identidade da esfera de comunicação
discursiva”. (BAKHTIN, 2003, p. 297). Logo, na constituição do sentido no texto, é
comum fazer referência ao papel do “outro” o que ocasiona uma “insistência em
afirmar que nenhuma palavra é nossa, mas traz em si a perspectiva de outra voz.”
20
(BARROS, 1994, p. 3). Deste modo, reconhecemos que o papel do outro é de
grande valia na construção do sentido, posto que nenhuma palavra é inteiramente
nossa, pois traz em si a perspectiva de outra voz. Conforme Brait:
Bakhtin afirma que tudo que é dito, tudo que é expresso por um falante, por
um enunciador, não pertence só a ele. Em todo discurso são percebidas
vozes, às vezes infinitamente distantes, anônimas, quase impessoais,
quase
imperceptíveis,
como
as
vozes
próximas
que
ecoam
simultaneamente no momento da fala (1994, p. 14).
Neste sentido, voltamos a citar Bakhtin quando ele menciona que “a palavra
está sempre carregada de um conteúdo ou de um sentido ideológico ou vivencial. É
assim que compreendemos as palavras e somente reagimos àquelas que despertam
em nós ressonâncias ideológicas ou concernentes à vida” (BAKHTIN, 2004, p. 95), o
autor afirma ainda que não é possível escapar da orientação dialógica, pois:
O objeto do discurso do falante, seja esse objeto qual for, não se torna pela
primeira vez objeto do discurso em um dado enunciado, e um dado falante
não é o primeiro a falar sobre ele. O objeto, por assim dizer, já está
ressalvado, contestado, elucidado e avaliado de diferentes modos; nele se
cruzam, convergem e divergem diferentes pontos de vista, visões de
mundo, correntes. O falante não é um Adão bíblico, só relacionado com
objetos virgens ainda não nomeados, aos quais dá nome pela primeira vez.
(BAKHTIN, 2003, p. 299-300).
Prosseguindo acerca da concepção bakhtiniana podemos verificar que as
palavras são inseridas no texto como se fossem “ecos da voz” do outro ou
simplesmente um reflexo de algo relacionado a determinado “episódio” da vida de
quem está participando do processo de escritura. Logo, “qualquer que seja o
aspecto da expressão-enunciação considerado, ele será determinado pelas
condições reais da enunciação em questão, isto é, antes de tudo pela situação
social mais imediata.” (BAKHTIN, 2004, p. 112).
Barros destaca que “outro aspecto do dialogismo a ser considerado é do
diálogo entre os muitos textos da cultura, que se instala no interior de cada texto e o
define” (1994, p. 4), fornecendo subsídios para o processo de criação. Sendo assim,
ela afirma que “a intertextualidade na obra de Bakhtin é, antes de tudo, a
intertextualidade ‘interna’ das vozes que falam e polemizam no texto, nele
21
reproduzindo o diálogo com outros textos.” (Barros, 1994, p. 4). Adiante veremos
com a intertextualidade se manifesta durante o processo de criação.
2.3. SOBRE A INTERTEXTUALIDADE
A partir da linguística textual, a intertextualidade é definida como “o processo
de incorporação de um texto em outro, seja para produzir o sentido incorporado, seja
para transformá-lo” (FIORIN, 1994, p.30), sendo assim, podemos afirmar que todo
texto é um intertexto, pois outros textos aparecem nele. Por conseguinte, todo texto
nasce do trabalho sobre outros textos, sendo atravessado por vários textos que o
constituem. “Em um determinado texto pode aparecer mais de um tipo textual,
embora geralmente um se faça predominante.” (BARROS; COSTA VAL, 2003, p.
139).
É através do sentido dado no processo histórico que a relação entre
diferentes textos expede um discurso, ou como destaca Calil (2004), “é na
articulação entre já-dito e o dito (não-dito), entre o conjunto do dizível, do
interpretável e as condições de produção do dizer que se dá a busca pela
concretude daquilo que se ‘deseja’ dizer.” (p. 45). Necessariamente determinado por
sua exterioridade, todo discurso remete a outro discurso, presente nele por sua
ausência necessária.
A intertextualidade ocorre quando fragmentos de um texto são inseridos em
outro texto, essas “partículas” são chamadas de intertexto. Deste modo, diz-se que a
intertextualidade nada mais é que um diálogo, ou seja, uma troca enunciativa entre
textos. Fiorin (1994, p. 29) relata que “o conceito de intertextualidade concerne ao
processo de construção, reprodução ou transformação do sentido.” Isto ocorre
através do “processo de incorporação de um texto em outro, seja para reproduzir o
sentido incorporado, seja para transformá-lo.” (FIORIN, 1994, p. 30). Desta maneira,
podemos considerar que nos apropriamos dela para complementar um texto, em
outros momentos, assegurar, ou, simplesmente, dar um novo sentido ao que foi dito.
De acordo com a concepção de Discini (2005) a intertextualidade nada mais é
que “a imitação de um texto por outro, de modo a resultar, no texto que imita, um
efeito de bivocalidade: a voz do imitado e a voz do que imita estão presentes e
diluídas uma na outra.” (p. 166). Esse efeito é considerado bivocal porque, como o
22
próprio nome diz: contêm duas vozes, dois sentidos. Dessa forma, quem produz um
discurso estará sempre o remetendo à voz do outro, reafirmando que dentro de um
texto há outros textos. Quanto à bivocalidade, Bakhtin (1998), discorre da seguinte
maneira:
Nesse discurso há duas vozes, dois sentidos, duas expressões. Ademais,
essas duas vozes estão dialogicamente correlacionadas, como que se se
conhecessem uma à outra (como se duas réplicas de um diálogo se
conhecessem e fossem construídas sobre esse conhecimento mútuo),
como se conversassem entre si. O discurso bivocal sempre é internamente
dialogizado. (p. 127).
Do mesmo modo, considerando essa diversidade, veremos em Koch (2009)
que todo texto é heterogêneo, pois revela uma relação entre seu interior e seu
exterior. Dele fazem parte outros textos que lhe dão origem, predeterminam,
dialogam, retoma, a que alude ou se opõe.
É comum fazer referência ao papel do “outro” na constituição do sentido no
texto, o que confirma que a perspectiva de outra voz, pois “todo texto representa o
repetível, o reprodutível e que o remete à língua enquanto sistema, em oposição ao
que nele é acontecimento único, irrepetível e que o remete a outros textos, também
irrepetíveis.” (LEMOS, 1994, p. 41).
Com o objetivo de construir o sentido no texto “o sujeito toma como suas as
palavras da voz anônima produzida pelo interdiscurso (a memória discursiva)”
(ORLANDI, 2007, p. 31), o que faz gerar novas possibilidades de interpretação para
o que foi posto no texto. É importante lembrarmos que “cada termo, cada palavra
abre e fecha concomitantemente campos de interpretação, possibilitando a cada
instante a ressignificação do que já-(está)-lá.” (CALIL, 2004, p. 109).
Sendo assim, voltamos a considerar que as palavras postas em cena, durante
a produção do texto – por exemplo, nem sempre aparecem com o seu sentido “real”.
Como já foi discutido, é comum encontrarmos alguns enunciados inseridos em uma
situação “nova”, bem diferente da que estamos habituados.
23
A fim de ilustrar tal ocorrência, destacaremos a história “A família F
Atrapalhada2” que foi inventada, em 1992, por duas meninas que cursavam a 1 a
série em uma escola particular de São Paulo.
Essa dupla recém-alfabetizada
resolveu iniciar a história pelo “fim”, o que gerou um fato inusitado, porque “Fim” foi
transformado em nome próprio e, a partir dele, os demais personagens foram
nomeados. Isso revela o que estávamos tentando esclarecer. É sabido que a
“palavra ‘fim’ não é nova, nem diferente, mas ao se descongelar, muda de lugar,
rompendo com uma suposta ‘estrutura’.” (CALIL, 2004, p. 114).
A partir do ponto de vista de Koch (2004) veremos a sua classificação de
acordo com a referência que pode ser feita ou não mediante o tipo de autoria,
elegendo três tipos de intertextualidade: com intertexto alheio, com intertexto próprio
ou com intertexto atribuído a um enunciador genérico; e, de acordo com o critério da
expressão ou não da autoria, esses casos ela nomeia de intertextualidade explícita e
implícita.
Ainda conforme a autora, na primeira categorização, o intertexto alheio ocorre
quando há a inserção de fragmentos da voz de outro locutor que são introduzidos no
texto através das expressões prototípicas (segundo, conforme, de acordo...). No
intertexto próprio, as interseções são caracterizadas pela retoma de segmentos
extraídos de textos do próprio autor, numa espécie de autotextualidade. Tal situação
é recorrente no discurso acadêmico quando o autor faz menção a conteúdos
utilizados em outro trabalho de sua autoria.
E, para finalizar, diz-se que o intertexto é atribuído a um enunciador genérico
quando o fragmento do texto alheio não pode ser atribuído especificamente a um
enunciador. Isto acontece ao mencionar um segmento que faz parte do repertório de
uma comunidade, como os provérbios e os ditos populares.
A partir de agora, veremos em que consiste a divisão realizada entre a
intertextualidade explícita e implícita. O primeiro caso, a autora define como os
elementos nos quais a fonte (intertexto) é mencionada no próprio texto, isto
acontece em citações, resenhas, resumos..., ou seja, o autor dá os devidos créditos
a quem divulgou/publicou/mencionou determinado argumento.
2
Adiante falaremos um pouco mais a respeito desse manuscrito.
24
Koch; Bentes; Cavalcante (2008, p. 28) afirmam que a intertextualidade pode
estar relacionada também às “situações de interação face-a-face, nas retomadas do
texto do parceiro, para encadear sobre ele ou contraditá-lo, ou mesmo para
demonstrar atenção ou interesse na interação”. Desta forma, podemos perceber que
a intertextualidade não se limita apenas aos textos, verificamos que a sua
heterogeneidade é bem mais abrangente, pois pode trazer à tona outros diálogos ou
outras formas de interação.
Entretanto, no outro tipo “o produtor do texto espera que o leitor/ouvinte seja
capaz de reconhecer a presença do intertexto, pela ativação do texto-fonte em sua
memória discursiva” (KOCH; BENTES; CAVALCANTE, 2008, p. 29-30), pois ele é
introduzido no texto, intertexto alheio, sem qualquer menção explícita. Caso isto não
aconteça, a construção do sentido será prejudicada.
Conforme Koch (2004), tal situação pode ser evocada no intuito de garantir o
sentido do texto através da ativação da memória coletiva da comunidade com a
utilização de intertextos “de obras literárias, de músicas populares bem conhecidas
ou textos de ampla divulgação pela mídia, bordões de programas humorísticos de
rádio ou TV, assim como provérbios, frases feitas, ditos populares etc.” (p. 147).
Diante dessas circunstâncias, segundo a autora, é mais comum a
recuperação do texto-fonte o que possibilita o interlocutor a “argumentar a partir
dele; ou então, ironizá-lo, ridicularizá-lo, contraditá-lo, adaptá-lo as novas situações,
ou orientá-lo para um outro sentido, diferente do sentido original.” (2004, p. 148).
Vejamos três dos exemplos, de intertextualidade implícita, dados por Koch (2004,
p.149):
(2) E0: Penso, logo existo.
E1: Penso, logo hesito. (Luis Fernando Veríssimo, “Mínimas”).
(4) E0: Até que a morte os separe.
E1: Até que a bebida os separe. (Veja, 18 jul. 1988, mensagem da AAA).
(5) E0: Quem espera sempre alcança.
E1: Quem espera nunca alcança. (Chico Buarque, “Bom conselho”).
25
Nesses casos, o novo sentido dado às expressões conhecidas foi posto
ironicamente, porém a intertextualidade “não ocorre apenas quando existe uma
intenção de fazer humor com um texto preexistente. É uma noção mais abrangente,
pois engloba todas as referências a outros textos constitutivos do sentido, e,
portanto, da coerência do texto em questão.” (MASSINI-CAGLIARI, 2001, p. 58).
Ao mencionar a propagação que ocorre anonimamente por meio da sabedoria
popular Koch (2008, p. 33) destaca que “a recuperação é praticamente certa”, pois
elas são re-enunciadas no interior da comunidade, representando a “voxpopuli”. Tais
enunciações de origem desconhecida as quais abrange: frases feitas, provérbios,
ditos populares ou qualquer enunciação que faz parte da cultura popular.
Em relação aos demais tipos de textos-fonte como o literário, jornalístico,
bordões de programas humorísticos entre outros, a autora considera que o
reconhecimento do intertexto é menos garantido, já que isto depende da amplitude
dos conhecimentos guardados na memória do interlocutor. Caso a ativação da
memória não seja feita o texto pode perder o sentido.
2.3.1. A intertextualidade no manuscrito escolar
Há poucos estudos relacionados à intertextualidade no manuscrito escolar.
Calil (2004, 2008), Calil e Lima (2007) apontam importantes indícios de como os
alunos trazem à tona o que já foi dito (com o mesmo sentido – agindo como uma
reprodução – ou ressignificando aquilo que estava estabilizado – atribuindo-lhe um
novo sentido).
Isto acontece porque “a cada nova palavra posta em cena, há um movimento
de volta sobre o que já havia sido escrito e de ida sobre as possibilidades de direção
da história.” (CALIL, 2004, p. 49). O que abre um leque de possibilidades para a
construção do sentido no texto, pois:
Esse movimento pode ser interpretado como uma tensão. A tensão entre o
previsível e o imprevisível. Duas forças antagônicas que se articulam entre
a dependência e a autonomia na relação sujeito/sentido. Há predominância
de uma formação discursiva relacionada a produção de histórias. Isto
equivale a uma dependência à cultura e a um universo de enunciados
bastante estabilizados, cristalizados através do processo histórico, que
26
circulam invariavelmente nestas práticas de textualização “era uma vez”,
“princesa/príncipe”, “um X que se chamava Y”, “de repente”, “um dia”,
“mãe/madrasta”, “feitiço/encantamento”, “viveram felizes para sempre”,
“fim”, “título”, etc. O previsível enquanto um conjunto de enunciados
logicamente estabilizados. (CALIL, 2004, p. 113).
Neste caso, compreendemos como previsível qualquer enunciado que faz
parte da cultura letrada desses alunos, uma característica marcante seria a
retomada aos “contos de fadas”. Esses textos são fortemente difundidos em
ambiente escolar e fazem parte do universo dos alunos em processo de
alfabetização. Já o imprevisível estaria marcado pelo “novo”, pelas diversas
possibilidades do dizer. A seguir veremos como o intertexto “ganha forma” no
manuscrito escolar.
2.3.1.1. O intertexto na criação de poemas
Calil (2008) analisou os poemas escritos, em dupla - por alunos da 2a série3, e
constatou que em boa parte dos dados coletados é intensa a retomada de títulos,
temas, versos, rimas, expressões, personagens. “Essas retomadas parecem tanto
funcionar como um apoio para a produção em curso quanto trazer também as
marcas de relações intertextuais com os próprios textos já escritos.” (p.68).
Um ponto relevante destacado nessa pesquisa foi em relação a tal retomada,
pois ela não aconteceu exclusivamente com os poemas lidos pela professora. Em
alguns casos, os alunos “trouxeram” fragmentos do seu próprio poema se inserindo
naquilo que Koch; Bentes; Cavalcante (2008) chamam de intertexto próprio ou
autotextualidade. No decorrer da discussão apresentaremos alguns casos de
intertextualidade destacados por este autor.
Ao analisar os manuscritos, Calil (2008) observou que, após a leitura de dois
poemas de Guimarães Rosa (1997), “Alaranjado” e “Verde”, uma dupla escreveu um
poema intitulado “Azul”. A semelhança não está apenas no título – está claro que os
três foram intitulados fazendo menção a uma cor. Além disso, há outras
intertextualidades nesse manuscrito que remetem a fragmentos do poema “As
3
Os dados foram coletados nos anos 2000 e 2001, por isso, mencionamos que estes alunos
cursavam a 2a série, seguindo a nomenclatura empregada no período em que o trabalho foi realizado
pelo pesquisador Eduardo Calil (2008).
27
borboletas”, de Vinícius de Moraes. E, ainda, retoma trechos do que foi escrito no
poema “Quem vem me salvar”, de autoria da mesma dupla.
Essas relações intertextuais são intensas e constantes nos poemas escritos
pelos alunos envolvidos no projeto didático “Poema de Cada Dia”, e, como
se observa, elas funcionam como uma espécie de “matéria-prima” para o
processo de criação, não entrando no poema como mera cópia ou
paráfrase; palavras, expressões, versos, sintagmas e, até mesmo,
fragmentos de estruturas poéticas, sintáticas e/ou gráficas são rearranjados
e ressignificados durante o processo de escritura em ato, constituindo-se,
através de diferentes articulações lingüísticas e discursivas, em novos
textos. (CALIL, 2008, p. 74).
Sendo assim, percebemos que mesmo se tratando de manuscrito escolar é
comum encontrarmos, além dos fragmentos de textos conhecidos, segmentos do
que já foi escrito pelo próprio aluno em outro texto. A retomada se dá através da
criação de novos textos, os quais, por vezes, talvez não intencionalmente, acabam
resgatando aquilo que já foi dito.
2.3.1.2. O intertexto nas histórias inventadas
A entrada de outros textos, durante o processo de produção textual, é um fato
corriqueiro e segue o mesmo rumo nas histórias inventadas, sejam elas
relacionadas à linguagem oral ou escrita. Como vimos, o intertexto aparece nas
histórias inventadas a fim de complementar, reafirmar ou contestar aquilo que foi
dito. E, é com base nessa afirmação que veremos como ele pode aparecer nesse
tipo de produção.
Iniciaremos esta discussão a partir da análise, realizada por Calil e Lima
(2007), de uma história inventada por um aluno da 4 a série de uma escola particular 4
de Maceió. Ela foi escrita após a professora solicitar a todos os alunos a produção
de uma história inventada.
4
Foi nessa mesma escola que os nossos dados foram coletados, em 1997 e 1998. Essa história foi
escrita no dia 26/11/1996.
28
O aluno atribuiu, à sua história, o título “O Rei Cagado” – que apresenta fortes
relações com a novela “O Rei do Gado5”. Nesse trabalho, encontraram certos
trocadilhos com a versão original que vão desde a seleção do título até a criação dos
nomes dos personagens, cuja boa parte da escolha se deu através de adjetivos
relacionados a insultos (“Mijada”, “Melado”, “Molhada”, “Abestado”...) que remetem
ao adjetivo “Cagado” presente no título dessa história, o qual “contamina o processo
de nomeação e contagia o scriptor que se movimenta sob os efeitos de um universo
discursivo escatológico.” (p.121).
Os autores perceberam que “o manuscrito marcava ainda outras relações de
semelhanças com esta novela através de significantes como ‘gado’, ‘fazenda’ e ‘rei’.”
(p. 116). E, apesar de apresentar uma configuração que se aproxima dos contos de
fadas, na medida em que são registrados certos elementos pertencentes a este
gênero como o início da história marcado por “era uma vez” e em seu desfecho
aparecer “viveram felizes para sempre”. O desenrolar de tal história toma um rumo
completamente imprevisível.
Do mesmo modo, em “os três todinhos e a dona sabor” o “que parece saltar
aos olhos nesta história é a filiação de diferentes textos remetendo a um discurso.”
(CALIL, 2004, p. 18).
No manuscrito em questão, o autor ainda afirma que, acontece um
cruzamento entre o texto publicitário da TV (propaganda do “Todinho”), a história
“Os
três
porquinhos”,
personagens
característicos
dos
contos
de
fadas
(fada/feiticeiro), discursos sobre as relações familiares (mãe/filhos, seus nomes etc.).
Isto representa a marca do já-dito, mostrando que o sentido não nasce no contexto
interacional, e sim, nas relações entre os textos e suas articulações com as
formações discursivas. Pois, como afirma Calil (2004):
Estes textos estão filiados a uma memória do dizer (interdiscurso) que
circula em
determinadas condições de
produção.
Neste caso,
a
propaganda, o conto de fada, as relações “mãe/filho” fazem parte de um
universo possível de enunciados que tecem e produzem sentidos na medida
em que são postos em funcionamento e se congelam neste processo
discursivo. (p. 18-19).
5
O manuscrito foi produzido em 1997. Período em que essa novela estava sendo exibida pela Rede
Globo.
29
A inserção de diferentes enunciados no texto possibilita uma nova gama de
sentidos, às vezes, bem diferentes daqueles que estamos habituados a ver. Eis que
surge um jogo de palavras ditando diferentes formas para aquilo que foi estabilizado,
atribuindo-lhe uma nova direção. Não estou querendo dizer que o que for inserido no
texto sempre terá uma abordagem diferente do que foi dito anteriormente, ao
contrário. Pode surgir uma miscigenação entre o que foi proferido e o que pode vir a
ser, ou simplesmente, continuar perpetuando o já dito através do congelamento do
sentido empregado originalmente. Portanto, podemos concluir que o intertexto pode
ser empregado tanto para reafirmar quanto para contestar o que foi expresso.
2.3.1.3. O processo de nomeação dos personagens
Calil (2004) considera que o processo de nomeação não deve se restringir
apenas à questão de nomear o personagem, mas sim uma questão discursiva muito
mais ampla e complexa que se põe em xeque a própria coerência/unidade da
história a ser produzida. A coerência não é dada previamente, nem aleatoriamente,
bem como não está relacionada às experiências vividas e armazenadas na
memória. Neste processo, procurou se mostrar que o autor precisa saber inserir-se,
filiar-se historicamente nos sentidos, apresentar-se como o “já-dito”.
Essas experiências podem se refletir nas histórias inventadas e por diversos
motivos ser inseridas no manuscrito escolar obtendo o estatuto de nomes próprios.
“A historicidade do nome próprio parece se dar na medida em que ele se refaz, se
singulariza no nome de alguém. Desse modo, pode ser dito que o nome próprio não
tem sentido, não tem significado, é puro significante.” (CALIL, 2004, p. 115). Adiante
veremos alguns casos de como surgem os nomes dos personagens.
Na história “O Rei Cagado” a imprevisibilidade se deve principalmente ao que
se refere aos nomes próprios recebidos por seus personagens. Apesar da grande
diferença em relação aos contos de fadas, essas nomeações trazem certas
semelhanças aos nomes contidos na novela ou remete a alguma característica
marcante de determinados personagens. Agora notemos dois dos exemplos
apresentados:
30
O Rei do Gado
O Rei Cagado
Mezenga + Berdinazzi Merdinasi
Luana
Mulamba
Os nomes expostos acima trazem à tona o que estamos discutindo desde o
início do trabalho. Seguindo a análise de Calil e Lima (2007), no primeiro exemplo
está explícita a condensação entre os nomes “Mezenga” + “Berdinazzi”, resultando
em “Merdinasi”. No segundo caso, a personagem “Luana” era bóia-fria e andava
feito uma “molamba”.
A partir do que foi discutido, está claro, nesse manuscrito, que foi constatado
um jogo discursivo entre “nomear” e “qualificar”. Consoante a iniciativa do aluno que
se
apropriou
de
transformando-os
substantivos e
em
nomes
adjetivos (predominantemente
próprios
diferenciando-se
das
insultantes)
tradicionais
possibilidades de nomeação6.
Em outra história inventada intitulada “os treis todinhos e a dona sabor” foi
constatado que, no nome destes personagens, “há um congelamento de vários
textos que circulam em um discurso.” (CALIL, 2004, p.32). Apesar dos “Três
Todinhos” fazerem menção aos “Três Porquinhos” os nomes dos personagens, bem
como, o enredo das histórias não se parecem em nada. O mesmo ocorre na
retomada dos demais textos (e discursos) que foram inseridos nessa história como
nome próprio. Porque mesmo se tratando de origens diferentes, notou-se, durante a
análise desse manuscrito, que uma das preocupações das alunas era deixar claro
que:
A mãe deve estar relacionada de alguma forma aos filhos: seja através da
descrição física ou pelo fato do nome indicar que a mãe, “Todona”, é maior
que os “Todinhos”, seja através da composição de nomes, como parece
indicar a tentativa de Nara, ao inventar um nome para a mãe, formando a
partir do nome dos filhos: - ...chilcoo... morran... rreme...”, seja através
6
Estou chamando de tradicionais possibilidades de nomeações aquilo que não foge às “regras
convencionais”. Tentarei explicar melhor, ao nomear um personagem, em uma história inventada, é
bastante comum a retomada de algum nome conhecido seja ele do seu dia a dia, proveniente da TV,
de alguma história conhecida... Enfim, há uma variedade imensa. Porém, não é nada convencional
encontrarmos adjetivos, principalmente insultantes, apresentados como nomes de personagens em
histórias inventadas por um aluno do 1° ciclo do ensino fundamental, em ambiente escolar.
31
daquilo que tem efeito de sobrenome “Todona de Todos os Sabores”.
(CALIL, 2004, p. 27).
O nome da mãe, além de marcar a relação de poder (Todona > os Três
Todinhos) imposta pela necessidade de deixar claro que ela deve ser maior que os
filhos, também reúne o nome (sabor) dos três - “Todona de Todos os Sabores”. O
mesmo acontece na história “A família F Atrapalhada”. Nela, o “personagem fim/filho
deve também estar relacionado aos pais. Talvez haja um lugar de ancoramento do
sentido, resgatando-se novamente uma suposta unidade.” (CALIL, 2004, p. 115).
A relação entre “Fim” (filho) e os seus pais, que a princípio foram chamados
de “Fimo” e “Fima”, retomando assim o nome do filho. Transformou-se em “Fumo” e
“Fina”, que são nomes já conhecidos, porém ganham nova forma após adquirir o
estatuto de nome próprio.
Um fato curioso é que o nome do personagem “Fim”, no manuscrito “A família
F Atrapalhada”, surgiu da necessidade dessas alunas em estabelecer um título para
a sua história. Tendo em vista que, no contexto em que estavam inseridas, a palavra
“título evoca “fim” – normalmente essas alunas iniciavam as suas histórias com um
título e, a maioria delas, eram finalizadas com a palavra “fim”.
“Esse efeito parece estar relacionado a outros ‘textos’ em que tal palavra
surge, como por exemplo, em gibis e certos filmes. Nesse lugar, o sentido de ‘fim’
está congelado, tem um sentido cristalizado que funciona como se fosse único”
(CALIL, 2004, p. 114) ao criar certa “garantia” de término do que foi dito/escrito.
É interessante destacar que durante a conclusão desse manuscrito foi posto o
enunciado “fim” – que além de possuir um efeito de cristalização do processo
histórico, caracteriza como ocorreu o processo de criação dessa dupla. Dessa forma,
foi através do “jogo” entre as palavras, e ao lado da brincadeira com o título, que
iniciou o modo como os personagens foram nomeados, interferindo desde o
desenvolvimento até o desfecho da história.
Deste modo, fica claro que, em todos os casos, esses alunos se apropriaram
da cultura letrada em que estavam inseridos, retomando aspectos relacionados à TV
(como a propaganda do “Toddynho” e a novela “O Rei do Gado”, por exemplo) ou
aos contos de fadas – quando se referem aos “Três Porquinhos” e ao enunciado
32
“fim” que “equivale a uma dependência à cultura de enunciados bastante
estabilizados,
cristalizados
através
do
processo
histórico,
que
circulam
invariavelmente nestas práticas de textualização.” (CALIL, 2004, p. 113).
Vimos, nesses casos, que houve uma apropriação de termos existentes, os
quais foram transformados em nomes próprios – sejam eles através da reprodução
de palavras existentes, incorporação de adjetivos, composição de palavras... Enfim,
abrem-se infinitas possibilidades relacionadas ao processo de nomeação de
personagens em histórias inventadas.
33
3. ASPECTOS METODOLÓGICOS
3.1. APRESENTAÇÃO DO CORPUS
O trabalho foi desenvolvido a partir da análise de 65 manuscritos escolares7.
Dos quais 41 foram escritos, por alunos 2a série - da rede pública, no ano de 1996 e
os outros 24 entre os anos de 1997 e 1998, por alunos da 3ª série, de uma escola
particular, ambas situadas na cidade de Maceió. Esses dados são formados por
histórias inventadas escritas em dupla e individualmente.
a) A coleta dos dados
Neste aspecto, é relevante salientar que, infelizmente, não tivemos acesso à
prática didática adotada pelas professoras, portanto, não sabemos o que os alunos
liam, nem o que circulava na sala de aula durante o período em que os manuscritos
foram coletados. A única informação obtida a respeito das condições de produção
dos manuscritos é que foram escritos a partir da seguinte orientação: a professora
solicitava aos seus alunos que escrevessem uma história inventada, a proposta era
efetuada sem títulos dados previamente por ela, visando menor interferência no
processo de criação de seus alunos para que escrevessem de maneira mais
informal e espontânea.
b) A seleção dos dados para a análise
Inicialmente, o nosso objetivo restringia-se apenas em analisar os dados da
escola privada, entretanto, após algumas análises, chegamos à conclusão de que
uma comparação entre realidades distintas enriqueceria bastante a nossa pesquisa.
Portanto, adicionamos os manuscritos oriundos da rede pública. Durante a seleção
desses “novos dados” nos deparamos com um problema: não foram localizados
manuscritos, com as mesmas características (o nosso corpus é composto somente
por histórias inventadas, nas quais os alunos tiveram livre escolha para decidir o
título), escritos por alunos da 2a série. Desta forma, fomos obrigados a recorrer à
7
Este acervo encontra-se armazenado no banco de dados “Práticas de Textualização na Escola PTE”. Pertencente ao Laboratório do Manuscrito Escolar (L’ÂME) organizado pelo Prof. Dr. Eduardo
Calil, no Centro de Educação (CEDU) na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Todos os dados
estão digitalizados.
34
série seguinte – 3ª série8, e nos deparamos com outra dificuldade: o ano em que
foram escritos, neste caso, recorremos ao ano em que antecedeu as primeiras
produções da escola particular (1997), sendo assim, adotamos os manuscritos de
1996.
Além da distinção entre os manuscritos escritos por alunos de escola
particular e pública, os nossos dados ainda são desmembrados em dois conjuntos,
textos produzidos em dupla e individualmente, ou seja, das 24 histórias inventadas,
escritas pelos alunos da escola particular, nove foram produzidas em dupla, no ano
de 1997, enquanto as outras quinze foram escritas individualmente, em 1998. O
mesmo aconteceu na escola pública, na qual encontramos dezesseis histórias
escritas em dupla e, consequentemente, vinte e cinco escritas individualmente, em
1996, totalizando quarenta e um manuscritos.
3.2. AS ESCOLAS
Como mencionamos, os dados foram coletados em duas escolas de Maceió
pertencentes a realidades distintas. Uma delas está localizada em um dos bairros
mais valorizados9 da cidade, trata-se de uma escola particular que atende aos
alunos de classe média. Já a outra escola faz parte da rede municipal de ensino e
está situada em um dos bairros mais populosos de Maceió, com mais de 200 mil
habitantes10, abriga, em sua maior parte, moradores com baixa renda. Além disso, é
cercado por favelas, sofre com a falta de infraestrutura e a criminalidade. O seu
corpo discente é formado por alunos que vivem nessa região e possuem uma classe
econômica desfavorecida.
Acreditamos que o contato com o universo letrado, para a maioria desses
alunos, limitava-se principalmente ao que era transmitido através do ambiente
escolar. Provavelmente, em suas casas, não havia a circulação de jornais, livros,
revistas ou qualquer outro material cuja finalidade seja difundir o hábito da leitura.
Realidade bem diferente da vivenciada pelos alunos da escola particular.
8
Demos prioridade a esta série porque o nosso objetivo é analisar o nome dos personagens que
foram criados nessas histórias. Ficamos com receio de retroceder e nos deparar com manuscritos de
alunos não alfabetizados, o que dificultaria a nossa análise.
9
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Gruta_de_lourdes>. Acesso em: 28/03/2012.
10
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacintinho>. Acesso em: 28/03/2012.
35
Pois, apesar de não possuir o projeto (ou projetos) didático, podemos inferir
que os alunos da escola privada possuíam forte contato com as riquezas culturais
daquela época como os livros que fazem parte da literatura infantil, revistas, histórias
em quadrinhos, programas de televisão, filmes, novelas, desenhos animados, etc.
Enquanto os alunos da escola pública que tem uma prática diferente, partimos da
ideia que ficavam restritos ao contexto imediato ao escrever as suas histórias
inventadas.
3.3. A ANÁLISE
A partir do levantamento dos nomes dos personagens foi possível averiguar a
relação com o ambiente em que esses alunos estavam inseridos. Também
verificamos como os personagens são nomeados em dupla e individualmente, tanto
pelos meninos quanto pelas meninas.
É importante salientar que estamos chamando de personagem o nome em si,
independente da quantidade que ele represente, ou seja, um nome equivale a um
personagem. Adotamos essa referenciação a fim de estabelecer certa “exatidão11”
ao quantificar as nomeações encontradas.
Outro questionamento significativo diz respeito à escolha do nome dos
personagens o que nos fizeram refletir se sofreram interferência do meio em que os
alunos vivem, assim sendo, investigamos de que modo a televisão e a leitura de
histórias também são levadas em consideração por eles ao fazerem certas escolhas,
já que possuem forte contato com esses meios.
Deste modo, o nosso propósito foi investigar como a intertextualidade aparece
refletida
em
histórias
inventadas
por
alunos
que
vivem
em
realidade
economicamente, socialmente e culturalmente distinta. Partimos do pressuposto que
os alunos da escola particular nomeiam os seus personagens de forma letrada (mais
próxima do contexto em que estão inseridos). Enquanto os alunos da escola pública
utilizam nomes mais próximos da sua realidade.
11
Não temos como quantificar exatamente os nomes que aparecem nessas histórias inventadas.
Tendo em vista que nem todos os personagens aparecem de maneira individualizada (Mãe, Princesa,
Pedro). É comum encontrarmos nomes genéricos que expressam a coletividade dos personagens
(Cortadores, Todos os moradores da cidade, Amigos), o que impossibilita determinar quantos
personagens está por trás dos nomes dados.
36
Para atingir o nosso objetivo, tentamos resgatar os fatos marcantes
relacionados à cultura, ocorridos na época em que os textos foram escritos, bem
como o que circulava na mídia naquele período (como filmes, novelas, desenhos
animados, acontecimentos históricos, políticos e econômicos) e no universo escrito
(histórias em quadrinhos, fábulas, lendas, conto de fadas, etc.) para, em seguida,
encontrarmos possíveis relações entre os nomes dados aos personagens nas
histórias inventadas pelos alunos e tais acontecimentos.
Vale ressaltar que não temos registro de diálogos destas crianças, e como
esta pesquisa está voltada para um processo de produção interno, as análises terão
algumas suposições. Os dados foram organizados em tabelas a fim de quantificar e
classificar os nomes dos personagens em categorias. Logo, a pesquisa foi realizada
em duas etapas: uma quantitativa e outra qualitativa.
3.3.1. Análise quantitativa
A primeira etapa realizada quantitativamente a fim de caracterizar os nomes
dos personagens, deu-se a partir da criação de três categorias:
3.3.1.1. Categorias
a) Ficcional – Abrange os nomes relacionados à natureza cultural, como mídia
ou material escrito conhecido – exemplo: Chapeuzinho Vermelho;
I.
Meios de comunicação
a. TV
i. Novela
ii. Filme
iii. Desenho animado
iv. Esporte
v. Seriado
b. Rádio
i. Cantor
ii. Letra de música
II.
Material impresso conhecido
a. Contos de fada
37
a. História em quadrinho
b. Livro
i.
Literatura infantil
ii.
História
c. Fábula
d. Bíblia Sagrada
III.
Histórias narradas a partir da oralidade/tradição oral
a. Lenda
IV.
Peça de Teatro
a. Musical infantil
b) Não-Ficcional – Utiliza nomes ligados ao cotidiano dos alunos – exemplo:
Amanda;
I.
Cotidiano
a. Utiliza o próprio nome, ou seja, o aluno se insere na história
b. Ambiente escolar
i. Colega de classe
ii. Professora
iii. Relação familiar/Grau de parentesco
c) Ficcional-Não-Ficcional – Reúne os nomes relacionados ao universo
cultural e ao cotidiano das crianças – exemplo: Princesa Raquel.
I.
Meio de comunicação + Cotidiano
II.
Meio de comunicação + Ambiente escolar
III.
Material impresso conhecido + Cotidiano
IV.
Material impresso conhecido + Ambiente escolar
Dentro dessas categorias podemos encontrar, ainda, três subcategorias.
3.3.1.1.1. Subcategorias
As subcategorias podem ser definidas quanto à forma apresentada, ou seja,
se nomeia ou não o personagem e, em relação, a sua quantificação.
38
a) Individualizado – Refere-se somente a um personagem, o qual recebeu
nome “próprio” – exemplo: Gato de Bota;
b) Genérico – Ocorre quando o personagem não recebe um nome próprio
(exemplo: Filho), este ainda pode ser subdividido em:
I.
Genérico Coletivo – Quando se trata de mais de um personagem
(exemplo: Irmãs);
II.
Genérico Individualizado – Quando se refere a um personagem,
apenas (exemplo: Menino).
Essa classificação foi estabelecida de acordo com o nome dos personagens,
contidos nos textos escritos pelos alunos, tendo por objetivo expor a organização da
nomeação dada. Apesar de ser bastante limitada, ela nos ajudará a descrever o
modo como os nomes se configuram e, a partir disso, estabelecermos algumas
observações para a nossa reflexão.
3.3.2. Análise qualitativa
Com base no que foi apresentado fica claro que o nosso objetivo é, além de
identificar a influências recebidas pelos alunos, comparar os dados da escola pública
aos da escola particular com o intuito de identificar possíveis diferenças e
semelhanças entre os nomes dos personagens pertencentes a realidades sóciocultural e economicamente distintas, ao tipo de agrupamento (em díade e
individualmente) e ao sexo dos alunos que escreveram tais manuscritos.
Deste modo, o nosso propósito foi investigar especificamente de que modo a
intertextualidade (diálogo entre textos) está presente no processo de construção de
um texto inventivo de crianças que vivem em realidade economicamente,
socialmente e culturalmente distinta. Em produções infantis é comum encontrarmos
textos baseados em fatos vivenciados pelos alunos e a partir de temáticas que os
atrai.
Consequentemente, a intertextualidade “indiciou os caminhos” para que fosse
identificada a presença de outros textos para a constituição do sentido nas
nomeações. E, isso só foi possível a partir das pistas deixadas no próprio manuscrito
39
escolar, elas indicaram os reflexos do que interferiu (ou pode ter interferido12)
durante o processo de criação.
12
Como foi dito, não temos como afirmar o que realmente aconteceu.
40
4. A INTERTEXTUALIDADE NAS NOMEAÇÕES
4.1. O QUE TRAZEM OS MANUSCRITOS ESCOLARES COLETADOS
4.1.1. Escola Pública
O nosso corpus apresenta 41 manuscritos produzidos pelos alunos da escola
pública, no ano de 1996. Desses manuscritos, 16 foram escritos em dupla – neles,
verificamos a presença 71 personagens (conforme a Tabela 1) – e 25 manuscritos
escritos individualmente – com 100 personagens (Tabela 2). Logo, os alunos dessa
escola criaram 171 personagens. Veremos, a seguir, como esses alunos da 2a e 3a
série nomearam os personagens em suas histórias inventadas.
4.1.1.1. Descrição dos nomes dos personagens
Tabela 1 - Discriminação dos personagens contidos nas histórias inventadas, em dupla, no dia
22/11/1996
QUANTIDADE
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
CATEGORIA
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
Gato de Bota
Menina
Jogadores de futebol do Vasco da Gama
Quatro Irmãs
Bruxa
Pai
Gatinha
Mãe
Galinhas
Pai
Cinderela
Mãe
Gato
Três Filhos
Fada
Velha
Ratinhos
Família
Cavalos Brancos
Menina
Rei
Mãe
Galinha
Primos
Pata
Nadine
Pintinho Feio
Carmem
Homem Amaldiçoado
Pessoa
Feiticeira
Cleverton
Todo Mundo
Primas
Fada
Raianne
Príncipe Chico Lopes
Fernanda
Rapunzel
Janice
Cinderela
Ana
Maria Joaquina
Roberto
Gato Pripri
Pai
Beunice
Fernanda
Príncipe
Luiz
Bruxa
Wilma
Juíza
Pedro
Três Meninas Gêmeas
Família
Chapeuzinho Amarelo
Mãe
Lobo Mau
Amigos
Princesa Isabel
Namorados
Rei Ricardo
Pai
Quatro Meninos
O Primo
Vovó
Mãe
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Princesa Raquel
Princesa Karla
Princesa Amanda
41
Esses personagens foram extraídos das histórias inventadas, em dupla.
Neles, verificamos forte incidência de personagens (trinta e dois) advindos do
universo ficcional, os quais remetem ao ambiente cultural em que estavam inseridos.
Entretanto, o que predomina é a nomeação relacionada ao universo não-ficcional
(com trinta e seis personagens) que traz em si reflexos do cotidiano. Apenas três
personagens foram nomeados de acordo com a categoria ficcional-não-ficcional
através da junção entre as outras duas categorias.
Entre os trinta e seis personagens classificados na categoria não-ficcional,
chamamos a atenção para a grande referência (dezessete) aos personagens “Mãe”
(cinco vezes), seguido de “Pai” (quatro vezes), “Família” (duas vezes), “Irmãs”,
“Filhos”, “Primos”, “Primas” e “Prima” (cada nome apareceu uma vez) que
representam laços afetivos importantes e estão fortemente relacionados ao cotidiano
dos alunos devido a posição que ocupam de acordo com a relação familiar.
Considerando
ainda
os
personagens
não-ficcionais
observamos
um
significativo número (cinco) de personagens que foram extraídos do ambiente
escolar, pois possuem o mesmo nome de alguns colegas de classe como “Raianne”,
“Fernanda” (aparece em dois manuscritos) e “Ana”, além da professora “Janice”.
“Karla” e “Amanda” também se inserem nesse grupo, porém estão classificados na
categoria ficcional-não-ficcional porque aparecem como “Princesas”.
Logo, podemos considerar que dos trinta e seis personagens inseridos nesse
conjunto de manuscritos vinte e quatro nomes estão diretamente relacionados ao
cotidiano desses alunos, o que confirma a nossa hipótese quanto à origem dos
nomes porque representam o contexto em que estavam inseridos. Além disso, a
maioria (vinte e um) foi nomeada genericamente, ou seja, o personagem não
recebeu um “nome próprio”.
Por outro lado, não podemos negar a expressiva relação ao universo ficcional,
com a inserção de trinta e dois personagens classificados nessa categoria. Nela,
identificamos
nomes
relacionados
a
diversas
origens.
Para
exemplificar
demonstraremos um dos casos que remete tanto a um “conto de fadas” quanto à
personagem de um livro.
42
No manuscrito escolar “Chapeuzinho Amarelo13” identificamos a presença de
quatro personagens: “Chapeuzinho Amarelo”, “Vovó”, “Mãe” e o “Lobo Mau”. O título
da história é o nome da protagonista, o mesmo acontece no livro “Chapeuzinho
Amarelo” – de Chico Buarque (2003). A protagonista dessa história era amarela de
medo, tinha medo de tudo, não brincava, não corria... O seu medo mais medonho
era do Lobo, até que ela o enfrenta e supera todo o medo que sentia.
No entanto, a personagem da história inventada por uma dupla formada por
meninas não se parece em nada com a “Chapeuzinho” de Chico Buarque. O enredo
dessa história remete ao conto dos Irmãos Grimm – “Chapeuzinho Vermelho”, com
direito à “Vovó”, “Mãe” e o temido “Lobo Mau”. Como acontece no conto, a menina, a
pedido da sua “Mãe”, vai levar comida para a “Vovozinha”. Ela vai cantando e no
meio do caminho encontra o “Lobo Mau”, conversaram um pouco e o “Lobo” foi
correndo até a casa da avó da menina.
Com base nessa breve apresentação dos dados, podemos inferir que a
“Chapeuzinho Amarelo”, dessa dupla, não tinha medo de nada! Bem diferente da
encontrada no livro de Chico Buarque, aproximando-se bastante da personagem dos
Irmãos Grimm, o que nos leva a ver que nesse manuscrito, as alunas, “recorreram” a
dois materiais impressos conhecidos (“conto de fadas” e livro) para nomear as suas
histórias, mostrando que fazem uso da leitura de histórias conhecidas.
E, mais, essas histórias se fizeram presentes durante o seu processo de
criação, pois foram utilizadas através da “ativação do texto-fonte em sua memória
discursiva.” (KOCH, BENTES, CAVALCANTE, 2008, p. 31). A articulação entre
esses textos se deu a partir do plágio – com a reprodução do conto, porém com a
utilização do nome de uma personagem presente em outra história, talvez na
tentativa de “camuflar” tal ocorrência.
13
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO A.
43
Tabela 2 - Relação de nomes de personagens criados, individualmente, por alunos da 2a série, em
18/12/1996
QUANTIDADE
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
47
48
49
50
51
52
53
54
55
56
FICCIONAL
Rapunzel
Bruxo
Príncipe Coração de Leão
Guardas do castelo
Leão
Rato
Maiores (Ratos)
Mari Mar
Sérgio
Avôs
Seu Chico
Padre Torres
Gata Mimosa
Homem do carro
Gatinha Mimi
Chapeuzinho Azul
Bebê Dinossauro
Dinossaura
Raposa
Rato
Cinderela
Gato Pripri
Cinderela
Gato
Fada
Príncipe
Três Gatinhos
Cachorro
Polícia
Chapeuzinho Vermelho
Lobo Mau
Caçador
Cachorro
Doutor
Gata Bolota
Deus
Rei
Jesus
Gatinho Fofo
Bruxa
Cobra
Bruxinha
Gato
CATEGORIA
NÃO-FICCIONAL
Filha
Filho
João
Amigos
Botaram
Menina
Amiguinho
Mãe
Vovo
Fernanda
Pessoas
Fabiane
Fabrício
Flavia
Família
Mãe
Pai
Avó
Avô
Pai
Filho
Eu
Mãe
Menina
Vovozinha Emília
Gustavo
Mãe
Mãe
Primas
Filhinho
Homem
Velho
Velha
Pais
Três Irmãos
Pais
Meninos
Outros Pais
Mãe
Vovó
Amanda
Mãe
Eu
Pais
Janice
Tereza Cristina
Mamãe
Pai
Família da Filha
Juquinha
Vizinha
Pai
Todos os colegas
Janice
Mãe
Papai
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Princesa Eliza
44
De acordo com os nomes dispostos na Tabela 2, verificamos que, assim
como na Tabela 1, os personagens foram, em sua maioria, nomeados de acordo
com a categoria não-ficcional (cinquenta e seis), seguida da ficcional (quarenta e
três) e apenas um personagem se enquadra na categoria ficcional-não-ficcional.
Além disso, houve novamente um significativo número (trinta e dois) de
personagens que fazem parte da relação familiar. Os quais foram chamados de
“Mãe” (oito), “Pai” (quatro), “Pais” (três), “Filho” (dois), “Mamãe”, “Outros Pais”, “Três
Irmãos”, “Papai”, “Filha”, “Vovô”, “Família”, “Avó”, “Avô”, “Vovozinha Emília”,
“Primas”, “Filhinho”, “Vovó” e “Família da Filha” (aparecem apenas uma vez).
Os nomes relacionados ao ambiente escolar também voltaram a aparecer –
dessa vez com menor intensidade. Dos quatro nomes, apenas um (“Tereza Cristina”)
não apareceu nos manuscritos escritos em dupla, enquanto os outros três (o da
professora: “Janice” e de duas colegas de classe: “Fernanda” e “Amanda”) foram
inseridos nos dois grupos.
Sendo assim, de modo geral, podemos afirmar que não constatamos
diferença significativa em relação aos nomes contidos nas histórias inventadas em
dupla e individualmente, ao contrário, identificamos as mesmas incidências quanto à
classificação.
Posteriormente, veremos de que forma os personagens foram escritos,
levando em consideração a distinção por sexo: manuscritos produzidos por meninos
(Tabela 3) e meninas (Tabela 4); e, em relação ao agrupamento: com a formação de
díades compostas somente por meninos, meninas e menino + menina (conforme a
Tabela 5, Tabela 6 e Tabela 7, respectivamente).
4.1.1.1.1. Classificação por categoria e subcategoria
4.1.1.1.1.1. Histórias inventadas individualmente
Ao que se refere às quinze produções individuais, a divisão foi a seguinte: dez
histórias inventadas por meninos (Tabela 3) e as outras quinze por meninas (Tabela
4).
45
Tabela 3 - Categoria e subcategoria nas histórias inventadas individualmente por meninos
QUANTIDADE
TÍTULO
1
Rapunzel
2
3
4
5
6
7
8
9
10
PERSONAGENS
Rapunzel
CATEGORIA
Ficcional
Filha
Não-Ficcional
Filho
Não-Ficcional
Princesa Eliza
Ficcional-Não-Ficcional
Bruxo
Ficcional
A Princesa Caçula
e o Príncipe
Príncipe Coração de Leão
Ficcional
Guardas Do Castelo
Ficcional
João
Não-Ficcional
João, Homem
Amigos
Não-Ficcional
atrás do Leãozinho
Leão
Ficcional
Menina
Não-Ficcional
Amiguinho
Não-Ficcional
A Menina
Mãe
Não-Ficcional
Vovó
Não-Ficcional
Mari Mar
Ficcional
Sérgio
Não-Ficcional
Avôs
Não-Ficcional
Mari Mar
Seu Clico
Não-Ficcional
Pai
Não-Ficcional
Padre Torres
Não-Ficcional
Filho
Não-Ficcional
Gustavo
Não-Ficcional
Bebê Dinossauro
Ficcional
O Menino e o
Dinossauro
Mãe
Não-Ficcional
Dinossaura
Ficcional
Três Gatinhos
Ficcional
Homem
Não-Ficcional
Cachorro
Ficcional
Três Gatinhos e o
Velho
Não-Ficcional
Homem
Velha
Não-Ficcional
Pais
Não-Ficcional
Polícia
Ficcional
Três Irmãos
Não-Ficcional
Pais
Não-Ficcional
O Três Irmãos e os
Pais
Meninos
Não-Ficcional
Outros Pais
Não-Ficcional
Chapeuzinho
Amanda
Não-Ficcional
Vermelho e Cor de
Mãe
Não-Ficcional
Rosa
Bruxa
Ficcional
Cobra
Ficcional
A Bruxinha e a
Cobra
Bruxinha
Ficcional
Gato
Ficcional
SUBCATEGORIA
Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Individualizado
Individualizado
Genérico Coletivo
Individualizado
Genérico Individualizado
Individualizado
Genérico Individualizado
Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Coletivo
Genérico Coletivo
Genérico Coletivo
Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
As estatísticas mostram claramente que foram inventados, pelos meninos, 42
personagens. Entre eles, quinze pertencem à categoria ficcional, quanto às
subcategorias classificam-se do seguinte modo: dois personagens aparecem
individualizados; onze pertencem a genérico individualizado; e dois a genérico
coletivo. No que concerne à categoria não-ficcional (26 personagens), a
classificação quanto as subcategorias é a seguinte: seis aparecem individualizados;
quatorze genérico individualizado e seis genérico coletivo. Para finalizar, apenas um
personagem se enquadra em ficcional-não-ficcional de maneira individualizado.
46
Em relação a esse conjunto de manuscritos, gostaria de chamar a atenção
para a história que tem como título (e personagem principal) o nome “Mari Mar14”.
Antes de iniciarmos a nossa análise gostaria de contextualizar a “origem” dessa
nomeação.
“Marimar” é uma novela mexicana (a qual – como “Rapunzel”, “A Bela
Adormecida” e “Cinderela” – têm como título o nome da protagonista da história e
isso, se repete, mais uma vez, em nossos dados – o mesmo aconteceu no
manuscrito “Chapeuzinho Amarelo”) exibida pela primeira vez no Brasil em 1996 –
ano em que o texto foi escrito. A trama foi protagonizada por Thalía que viveu a
personagem “Marimar”.
Localizamos também, no manuscrito, um personagem chamado “Sérgio” –
que poderia perfeitamente fazer parte do cotidiano deste aluno, o qual se
enquadraria na categoria não-ficcional. Isso, se não fosse por um detalhe
imprescindível: este personagem, por pertencer ao manuscrito citado acima, nos
leva a crer que foi igualmente inspirado na novela “Marimar”, cujo seu par romântico
e também protagonista da novela chamava-se “Sérgio”. O mesmo acontece no
manuscrito analisado. Assim sendo, somos obrigados a caracterizá-lo de maneira
ficcional e individualizado.
Verificamos que a protagonista “Mari Mar” encontrada na história inventada,
por este aluno, estabelece grande relação com a da novela. Ambas são pobres, se
apaixonam por “Sérgio” – com quem se casa e tem uma filhinha – são humilhadas
pela família do rapaz e expulsas da fazenda em que viviam.
Outros personagens da novela – “Seu Chico”, “Padre Torres” e os “Avós de
Marimar” – também estão presentes no manuscrito intitulado “Mari Mar”. Todavia, as
semelhanças com a novela não param por aqui, além do nome dos personagens,
percebemos que o aluno tentou fazer uma síntese do que foi exibido pelo SBT.
Podemos afirmar que ele era um fiel telespectador e acompanhou a cada capítulo o
desenrolar da história. Ela foi tão marcante que ele resolveu reproduzi-la no
ambiente escolar, confirmando que a “intertextualidade é a imitação de um texto por
outro, para captá-lo ou para subvertê-lo.” (DISCINI, 2005, p. 150).
14
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO B.
47
Tabela 4 - Personagens inventados por meninas
QUANTIDADE
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
TÍTULO
PERSONAGENS
Rato
O Rato
Botaram
Maiores (Ratos)
Fernanda
Pessoas
Fabiane
Fabrício
Flavia
A Cinderela
Família
Mãe
Pai
Avó
Avô
Gata Mimosa
Eu
A Gata
Mãe
Homem Do Carro
Gatinha Mimi
Sem Título
Menina
Chapeuzinho Azul
Chapeuzinho Azul
Vovozinha Emília
Raposa
A Raposa e o Rato
Rato
Cinderela
Cinderela
Gato Pripri
Cinderela
Mãe
Primas
Cinderela
Gato
Fala
Príncipe
Filho
Chapeuzinho Vermelho
Mãe
O Chapeuzinho
Vovó
Vermelho
Lobo Mau
Caçador
Eu
Cachorro
Stephanie
Doutor
Pais
Gata Bolota
A Gata Bolota
Janice
Tereza Cristina
Mamãe
Chapeuzinho Amarelo
Deus
Pai
Família da Filha
Rei
O Rei Bom
Jesus
Juquinha
Vizinha
Sem Título
Pai
Todos os Colegas
Gatinho Fofo
Janice
O Gatinho Fofo
Mãe
Papai
CATEGORIA
SUBCATEGORIA
Ficcional
Genérico Individualizado
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
Ficcional
Genérico Coletivo
Não-Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Não-Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Ficcional
Genérico Individualizado
Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional
Individualizado
Ficcional
Genérico Individualizado
Ficcional
Genérico Individualizado
Ficcional
Individualizado
Ficcional
Individualizado
Ficcional
Genérico Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
Ficcional
Genérico Individualizado
Ficcional
Genérico Individualizado
Ficcional
Genérico Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Ficcional
Individualizado
Ficcional
Genérico Individualizado
Não-Ficcional
Individualizado
Ficcional
Genérico Individualizado
Ficcional
Genérico Individualizado
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
Ficcional
Genérico Individualizado
Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional
Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
Não-Ficcional Genérico Individualizado
48
Quanto aos 58 personagens inventados, por essas alunas, verificamos vinte e
quatro personagens classificados de acordo com a categoria ficcional (encontramos
onze personagens individualizados, doze genérico individualizado e um genérico
coletivo) e trinta e quatro com a categoria não-ficcional (onze individualizado,
dezessete genérico individualizado e seis genérico coletivo). Neste conjunto, não
aparecem personagens que se enquadram na categoria ficcional-não-ficcional.
Gostaríamos de chamar a atenção para o manuscrito intitulado “Stephanie 15”.
Ele foi escrito por uma aluna chamada Stephanie. Apesar de o manuscrito fazer
menção à aluna em nenhum momento, com exceção do título, ela cita o seu nome
na história, a qual foi narrada em 1 a pessoa. De acordo com as informações contidas
no manuscrito (“fui à escola e encontrei um cachorro que queria me pegar...”) talvez
a aluna descreveu (ou tentou descrever) um episódio ocorrido com ela.
4.1.1.1.1.2. Histórias inventadas em dupla
Para escrever essas histórias as díades foram organizadas da seguinte
maneira: três duplas formadas exclusivamente por meninos (Tabela 5); oito por
meninas (Tabela 6) e cinco com menino e menina (Tabela 7).
Tabela 5 - Nome dos personagens em história inventada, escrita em dupla – formada por meninos
QUANTIDADE
TÍTULO
1
O Pai a Mãe e
os Três Filhos
2
Cavalo e o Rei
3
O Pintinho Feio
PERSONAGENS
Pai
Mãe
Três Filhos
Bruxa
Velha
Família
Cinderela
Mãe
Primos
Gato
Fada
Ratinhos
Cavalos Brancos
Rei
Galinha
Pata
Pintinho Feio
CATEGORIA
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
SUBCATEGORIA
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Individualizado
Em 1998, foram produzidas três histórias inventadas, em dupla formada
apenas por meninos. Nas quais constatamos dezessete personagens: dez
relacionados ao universo ficcional (um individualizado, sete genérico individualizado
15
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO C.
49
e dois genérico coletivo) e sete ao universo não-ficcional (quatro genérico
individualizado e três genérico coletivo).
A história inventada “O Pai a Mãe e os Três Filhos16”, se enquadra no que foi
discutido por Calil (2004), pois “a tentativa de ‘nomear’ a história traz uma forma de
‘resumo’ daquilo que ela é. Os personagens são filho, pai e mãe, portanto, ‘família’.”
(p. 124).
Entretanto, o enredo dessa história não se limita a relação familiar. Ele se
aproxima bastante da história “João e Maria” – assim sendo, mais uma vez, aparece
um conto dos Irmãos Grimm. Nos dois casos, os filhos saem de casa e se perdem,
quando estão com bastante fome encontram uma casa coberta por chocolate.
Tabela 6 - Personagens em história inventada, escrita por meninas, em dupla
QUANTIDADE
TÍTULO
1
As Gêmeas
2
O Palácio
Assombrado
3
Sem Título
4
16
As Duas Irmãs
5
O Garoto
Perdido
6
Pedro e o pé de
maçãs
7
Três Meninas
gêmeas
8
Chapeuzinho
PERSONAGENS
CATEGORIA
SUBCATEGORIA
Menina
Não-Ficcional
Genérico Individualizado
Quatro Irmãs
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
Pai
Não-Ficcional
Genérico Individualizado
Mãe
Não-Ficcional
Genérico Individualizado
Carmem
Não-Ficcional
Individualizado
Homem Amaldiçoado
Ficcional
Genérico Individualizado
Feiticeira
Ficcional
Genérico Individualizado
Todo Mundo
Ficcional
Genérico Coletivo
Fada
Ficcional
Genérico Individualizado
Pessoa
Não-Ficcional
Genérico Individualizado
Príncipe Chico Lopes
Ficcional
Individualizado
Princesa Raquel
Ficcional-Não-Ficcional
Individualizado
Princesa Karla
Ficcional-Não-Ficcional
Individualizado
Princesa Amanda
Ficcional-Não-Ficcional
Individualizado
Rapunzel
Ficcional
Individualizado
Cleverton
Não-Ficcional
Individualizado
Raianne
Não-Ficcional
Individualizado
Fernanda
Não-Ficcional
Individualizado
Janice
Não-Ficcional
Individualizado
Beunice
Ficcional
Individualizado
Ana
Não-Ficcional
Individualizado
Roberto
Não-Ficcional
Individualizado
Pai
Não-Ficcional
Genérico Individualizado
Fernanda
Não-Ficcional
Individualizado
Luiz
Não-Ficcional
Individualizado
Wilma
Não-Ficcional
Individualizado
Juíza
Ficcional
Genérico Individualizado
Pedro
Não-Ficcional
Individualizado
Família
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
Mãe
Não-Ficcional
Genérico Individualizado
Amigos
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
Três Meninas Gêmeas
Ficcional
Genérico Individualizado
Namorados
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
Pai
Não-Ficcional
Genérico Individualizado
Quatro Meninos
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
O primo
Não-Ficcional
Genérico Individualizado
Chapeuzinho Amarelo
Ficcional
Individualizado
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO D.
50
Amarelo
Vovó
Mãe
Lobo Mau
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Individualizado
As alunas da escola pública escreveram oito histórias inventadas em dupla.
Nelas, foram encontrados 40 personagens: onze relacionados ao universo ficcional
(oito individualizados, cinco genérico individualizado e um genérico coletivo); vinte e
seis ao não-ficcional (onze individualizados, dez genérico individualizado e cinco
genérico coletivo) e três que se enquadram ao universo ficcional-não-ficcional (todos
de maneira individualizada).
Nesse conjunto de manuscritos, o nome que mais chama a atenção foi
encontrado em uma história inventada sem título17. O personagem “Príncipe Chico
Lopes” aparece individualizado e se enquadra duplamente na categoria ficcional
porque além de ser um “Príncipe” - termo facilmente encontrado em contos de fada
– o seu nome “Chico Lopes” provavelmente está relacionado à música "Fã de
Eliane" (trecho da música: Alô, Eliane, ô me atenda pelo telefone, quem tá falando é
Chico Lopes. O novo astro lá do Mossoró...), que está no CD: Chico Lopes e Banda
Aquárius "Fã de Eliane", gravada e bastante difundida nas rádios locais, em 1996,
ano em que este manuscrito foi escrito.
Apesar desse “Príncipe” conquistar todas as “Princesas” – retomando, mais
uma vez, o que é posto nos contos de fada (é comum, nesse tipo de história, que as
mulheres se apaixonem por ele) – até que um dia ele se casou com a “Princesa
Raquel” foram pais e, depois, avós. Esse personagem se diferencia das demais
nomenclaturas porque, mesmo inserido na categoria ficcional, não possui relação
com a literatura “clássica” (livros, contos...), nem com personagens vindos da TV,
surgindo um fato diferenciado do que foi suposto na nossa hipótese.
17
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO E.
51
Tabela 7 - Nome dos personagens em história inventada por menino e menina
QUANTIDADE
1
2
3
4
5
TÍTULO
PERSONAGEM
CATEGORIA
Gato de Bota
Ficcional
O Gato de Bota
Jogadores de futebol do Vasco
Não-Ficcional
da Gama
Gatinha
Ficcional
A Gatinha
Menina
Não-Ficcional
Galinhas
Ficcional
O aniversário de Nadine
Nadine
Não-Ficcional
Cinderela
Ficcional
Maria Joaquina
Ficcional
A Menina e o Gato
Primas
Não-Ficcional
Gato Pripri
Ficcional
Princesa Isabel
Ficcional
Príncipe
Ficcional
O Príncipe e a Princesa
Rei Ricardo
Ficcional
Bruxa
Ficcional
SUBCATEGORIA
Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Genérico Coletivo
Individualizado
Individualizado
Genérico Individualizado
Individualizado
Genérico Individualizado
Nas cinco histórias escritas por meninos e meninas localizamos quatorze
personagens. Dez deles se insere na categoria ficcional (com seis personagens
individualizados, três genérico individualizado e um genérico coletivo); quatro na
não-ficcional (um individualizado, um genérico individualizado e dois genérico
coletivo).
Encontramos
aqui
mais
um
personagem,
individualizado,
que
está
diretamente relacionado ao universo ficcional “O Gato de Botas”. Entretanto, o
personagem analisado, de acordo com descrição realizada pela dupla (menino e
menina), não tem nada a ver com o personagem do conto de fadas - de autoria
do escritor francês Charles Perrault. O “Gato de Bota18” é uma mistura de príncipe
com jogador de futebol muito habilidoso. Ele era o Capitão do time, jogava no Vasco
da Gama.
É sabido que os jogadores de futebol são personagens que estão
intensamente presentes na cultura de muitos brasileiros. E, consequentemente, essa
modalidade esportiva é bastante difundida entre as crianças, considerando que a
população brasileira dá muita importância ao futebol, as crianças são imersas nesse
meio desde muito cedo – vão aos jogos, acompanham os campeonatos e programas
esportivos transmitidos através da rádio, TV...
O interessante é que esse jogador foi escalado em um time que não pertence
ao estado habitado por esses alunos (Alagoas), tal personagem poderia
18
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO F.
52
perfeitamente fazer parte do CRB (Clube de Regatas do Brasil - Campeão Alagoano
25 vezes) ou CSA (Centro Sportivo Alagoano - maior Campeão do Estado, com 37
conquistas) – times de Maceió que acumulam a maior parte dos títulos do futebol
alagoano.
Contudo, o “Gato de Bota” ocupa uma posição bem melhor, pois compõe um
dos times mais renomados do Brasil. O Club de Regatas Vasco da Gama foi
fundado em 21 de agosto de 1898, com sede no Rio de Janeiro. No dia 26 de
novembro de 1915 foi formado um time de futebol e o Vasco começava a construir a
história de um dos clubes mais respeitáveis do futebol brasileiro, colecionando
diversos títulos importantes a nível nacional e internacional. Citelli faz uma
observação interessante que podemos relacionar a essa miscigenação que envolve
o “Gato de Bota” porque é:
Na medida em que os alunos elaboram essas pequenas histórias,
reorganizam, à sua maneira, o mundo usando para tanto o imaginário.
Utilizam a criatividade como organização e concatenação das idéias,
deixando em cada texto as marcas da individualidade: contam as “velhas
histórias”, diferenciando-as, a partir da maneira como são construídas e
reconstruídas. (2008, p. 114).
Nessa história, a reconstrução se dá a partir da nova configuração do
personagem, o qual rompe as “barreiras” estabelecidas nas “velhas histórias”. O
“príncipe” não condiz com os tradicionalmente encontrados nos “contos de fada” que
ao ser inserido na história desse aluno adquire novas características surgindo,
assim, uma nova versão.
Enquanto isso, no manuscrito intitulado “A Menina e o Gato19” a protagonista
da história, inicialmente, foi chamada de “Cinderela” – personagem do “conto de
fadas” bastante conhecido. No entanto, na terceira linha a dupla alterou o nome da
personagem, nesse momento ela passou a se chamar “Maria Joaquina”.
“Maria Joaquina” é o nome de uma das personagens da telenovela Carrossel
das Américas, transmitida no Brasil, em 1996, pelo SBT. Esta trama fez muito
sucesso entre as crianças. Ela era uma menina rica, filha de um renomado médico,
bonita e egoísta que menosprezava seus colegas, em especial o Cirilo (menino
19
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO G.
53
pobre e negro) que era apaixonado por ela. Devido a sua beleza era admirada por
muitas meninas, o que deve ter motivado a sua inserção nessa história. Tendo vista
que a personagem do “conto” também possuía essa característica.
Talvez esses alunos realizaram essa substituição no título (“Cinderela”
aparece rasurado) e o nome da personagem com o objetivo de “disfarçar” o que
ainda estava por vir, a essa “estratégia” Koch (2009) dá o nome de intertextualidade
implícita. Apesar de receber um novo nome, suas características se assemelham às
da “Cinderela”: ambas viviam em um castelo e eram tratadas como empregadas –
na versão original, pelas “suas irmãs” (filhas da madrasta), e na versão dessa dupla,
por suas primas. Além disso, as duas fazem parte do universo ficcional.
4.1.2. Escola Particular
Os alunos dessa escola escreveram vinte e quatro manuscritos, entre os anos
de 1997 e 1998. Dos quais encontramos 55 personagens inventados em dupla e 50
individualmente – apresentados na Tabela 8 e Tabela 9, respectivamente. Portanto,
foram identificados 105 personagens.
4.1.2.1. Descrição dos nomes dos personagens
Tabela 8 - Personagens inventados em dupla por alunos da 3a série, no dia 14/11/1997
No
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
FICCIONAL
Bad Boy
Bad Dog
Kate
Jec
Jeine
Advogados
Kuragora
Bichinhos
Família Rica
Todos os moradores da cidade
Homem da capital
Pulga
Pulga fêmea
Vários animais
Cachorros
Gatos
Formiga
Dragão
Aves
Cobra
Ovita
Veterinário
Passarinho doente
CATEGORIA
NÃO-FICCIONAL
Henrique
Paloma
Laila
Fernando
Fabio
Lihan
Ricardo
Felipe
Daniel
Pai de Ricardo e Felipe
Velho
Seu José
Dona Maria
Dono da Casa
Avós
Pessoas
Habitantes dessa Terra
Crianças
Adultos
Pais
Menino
Menina
João
Roberto
Marcos
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
54
26
27
28
29
30
31
32
Carlos
Zé
Menino
Professora
Pai
Irmão
Vó
Com base nessa tabela, verificamos que a maioria dos personagens pertence
à categoria não-ficcional (trinta e dois personagens) e os outros vinte e três
compõem a categoria ficcional. Neste ano, os alunos não utilizaram nomes advindos
da categoria ficcional-não-ficcional.
Como aconteceu nas histórias da escola pública, aqui a maioria dos
personagens também receberam nomes genéricos, dos trinta e dois personagens
contidos na categoria não-ficcional, dezessete não recebeu “nome próprio”.
Tabela 9 - Personagens inventados individualmente por alunos da 3a série, no dia 03/04/1998
No
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
FICCIONAL
Elefante
Formiga
Leonardo DiCaprio
Bruxinha Matilda
Brunilda
Prenda
Papai Noel
Bruxa Má
Lulu
Malévola
Amigos de Lulu
Preta
Príncipe Cuturinu
Ernestina
Índio Chefe
Índios
Sr Wiin
Passageiros da 1a Classe
Capitão Eduard J. Smith
Passageiros
Carphatia
Bruxinha Matilda
Brunilda
Prenda
Macaco
Rei
CATEGORIA
NÃO-FICCIONAL
Rosa
Isabel
Médico
Menina
Arthur Alencar
Bruno
Pai do Bruno
Mariana Gonzaga
Pai
Menino
Moça
Manuel
Filho do Manuel
Menino
Rosa
Isabel
Médico
Menina
A gente
Nossos pais
Nós (Aparece Omitido)
Nossos pais
Mulher
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Princesa Catarina
55
Aqui, acontece um caso singular porque há a predominância de nomes
ligados à categoria ficcional (com a presença de vinte e seis personagens), seguidos
da não-ficcional (vinte e três) e somente um personagem relacionada à ficcionalnão-ficcional.
Como podemos observar, esse foi o único conjunto de manuscritos em que
foram criados mais personagens oriundos do universo ficcional. Nos outros casos
(Tabela 1, Tabela 2 e Tabela 8), os personagens foram inscritos, em sua maioria, no
universo não-ficcional. Outra singularidade presente nesse conjunto de manuscritos
está relacionada ao nome “Princesa Catarina20” – único personagem da escola
particular que se insere na categoria ficcional-não-ficcional.
A personagem “Princesa Catarina” poderia perfeitamente estar relacionada à
“Princesa Catarina de Bragança”, filha do “Rei D. João IV”, Princesa de Portugal e
Rainha da Inglaterra, casada com o “Rei Carlos II”. Entretanto, o manuscrito
intitulado “A Princesa Catarina” apresenta fortes indícios de que o seu nome teve
outra “origem”.
Ao analisar essa história, constatamos duas marcas dialógicas do “dialogismo
bakhtiniano” (2004) que confirmam a nossa hipótese: a primeira aparece refletida no
enunciado “Princesa” e, a segunda, presente no nome “Catarina”. É importante
destacar que essa história foi escrita por uma aluna que tinha como colega de classe
uma menina chamada “Catarina”.
Diante dessas informações, classificamos essa personagem na categoria
ficcional-não-ficcional porque o seu nome nada mais é que a junção entre um
personagem contido em um material escrito conhecido (conto de fadas) e um
personagem que faz parte do cotidiano (ambiente escolar) dessa aluna.
Certamente essas alunas eram amigas e, por este motivo, a colega “deu-lhe”
o título de “princesa”, personagem que tem como características marcantes bondade
e beleza estonteante. Logo, a aluna tenta – através da comparação implícita –
transferir à sua colega as qualidades de uma “princesa”.
20
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO H.
56
Essa interpretação caracteriza um processo dialógico realizado pela aluna ao
escolher metaforicamente o nome da personagem de sua história, tendo em vista
que o seu nome poderia ser associado a qualquer princesa existente – como
“Cinderela”, “Rapunzel”, “Bela Adormecida”, “Branca de Neve”, “Ariel”, entre outras –
nas histórias conhecidas. Porque, além de estar relacionada à cultura letrada em
que essa aluna estava imersa, trata-se de uma figura importante no imaginário da
maioria das meninas que está cursando as séries inicias do ensino fundamental, é
bastante admirada por elas. No entanto, metonimicamente falando, a menina
“Catarina” – personagem que possui forte presença no cotidiano da aluna que
escreveu o manuscrito – surge no texto como uma personagem digna de receber tal
título, sendo nomeada, portanto, como “Princesa Catarina”.
Na mesma história, aparece um personagem chamado “Cuturinu”, pois como
em todo “conto de fadas”, a “princesa” deve ter um “príncipe”, e nessa história não
foi diferente! A aluna certamente se apropriou do conhecimento adquirido na escola
para definir os gêneros masculinos (geralmente marcado pelas letras O ou U) e
femininos (geralmente marcado pela letra A) possivelmente influenciada pelo
discurso da professora, posto que essa marca dialógica é característica do ambiente
escolar, a aluna provavelmente apropriou-se da seguinte estratégia: no nome
“CATARINA”, aonde tinha a letra A, ela substituiu por U, identificando o masculino
de “Catarina”, sendo assim, o nome do “príncipe” ficou definido como: “CUTURINU”.
Está explicita que a intenção era vincular o nome da “Princesa” ao nome do
“Príncipe”. Algo semelhante aconteceu na história “A Família F Atrapalhada”, na qual
o nome dos pais deveria estar relacionado ao nome do filho. Conforme a análise
realizada por Calil (2004, p. 118):
Desse modo, o nome dos personagens ‘pai’ e ‘mãe’ foi dado a partir de uma
‘derivação’ do termo ‘fim’: para o ‘pai’, fim + o; para a ‘mãe’, fim + a. De
acordo com as regras da língua, tal variação seria suficiente e correta, pois
uma das regras de formação de gênero é exatamente esta. Além do que, o
modo de funcionamento do nome próprio admite o não-sentido.
E, para finalizar essa história encontramos uma “Bruxa”. Como os demais
personagens, a “bruxinha” também recebeu um nome: foi chamada de “Ernestina”,
nome dado a uma personagem da novela infantil Chiquititas, exibida pelo SBT no
57
período de 1997 a 2001, vale ressaltar que a história foi escrita durante o segundo
ano de exibição da novela, ou seja, em 1998. A personagem “Ernestina” é a
zeladora do orfanato e dá medo nas crianças – entre outras coisas, cria aranhas no
quarto e manda as meninas limparem o orfanato, também é chamada (comparada)
de bruxa por estas crianças. Talvez por este motivo, a “bruxinha” dessa história
recebeu esse nome.
Uma das peculiaridades dessa personagem, no manuscrito, é que ela surgiu
na história com uma vassoura quebrada e uma das características das “bruxas”
presentes nos “contos de fada” é a sua relação/ligação com a vassoura. Outro ponto
chama a atenção, pois bem diferente do que acontece nos demais contos, nessa
história, a “princesa” foi trocada pela “bruxa”. O “Príncipe Cuturinu” se apaixona pela
“Bruxa Ernestina” e a “Princesa Catarina” foi chorando para casa – ao invés de “viver
feliz para sempre” com o seu príncipe encantado como nos tradicionais “contos de
fadas”.
4.1.2.1.1. Classificação por categoria e subcategoria
4.1.2.1.1.1. Histórias inventadas individualmente
Tabela 10 – Personagens em histórias inventadas, por meninos, individualmente
Nº
TÍTULO
1
O Elefante E A
Formiga Filme 2
2
A Preta
6
Sos Titanic O Mais
Trágico Naufrágio
de toda a
humanidade.
Titanic
O dia Três de Abril
de
1998
O dia Três de Abril
de
1998
O Macaco Esperto
7
A Pedra Mágica
3
4
5
PERSONAGENS
Elefante
Formiga
Arthur Alencar
Bruno
Pai
Mariana Gonzaga
Leonardo DiCaprio
Caçador
Pai
Menino
Preta
CATEGORIA
Ficcional
Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional
Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional
SUBCATEGORIA
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Individualizado
Individualizado
Genérico Individualizado
Individualizado
Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Menino
Sr Wiin
a
Passageiros da 1 Classe
Eduard J. Smith
Todos os passageiros
Carphatia
A gente
Não-Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Não-Ficcional
Genérico Individualizado
Individualizado
Genérico Coletivo
Individualizado
Genérico Coletivo
Individualizado
Genérico Coletivo
Nossos pais
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
Nós (aparece omitido)
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
Nossos pais
Não-Ficcional
Genérico Coletivo
Macaco
Rei
Mulher
Ficcional
Ficcional
Não-Ficcional
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
58
As alunas dessa escola criaram vinte e quatro personagens individualmente:
doze ficcional (quatro individualizados, seis genérico individualizado e dois genérico
coletivo) e doze não-ficcional (três individualizados, cinco genérico individualizado e
quatro genérico coletivo).
No manuscrito “Sos Titanic O Mais Trágico Naufrágio de toda a humanidade.
Titanic21” encontramos, como na história “Mari Mar” – escrita por um aluno da escola
pública, uma reprodução do que foi exibido na TV.
O filme Titanic foi protagonizado por Leonardo Dicaprio e alcançou, em 1997,
a maior bilheteria da história. Na época em que este filme foi exibido, recebeu muito
destaque na mídia. Portanto, devido a grande divulgação provavelmente interferiu no
desenvolvimento dessa história.
Tabela 11 – Personagens inventados individualmente - por meninas
21
Nº
TÍTULO
1
Sem Título
2
A Bruxinha Matilda e
Brunilda
3
A Bruxinha Sapeca
4
Sangue Verde
5
A Princesa Catarina
6
Sem Título
7
A Destruição da
Floresta
8
A Bruxinha Matilda
e Brunilda
PERSONAGENS
Rosa
CATEGORIA
Não-Ficcional
Isabel
Não-Ficcional
Individualizado
Médico
Menina
Bruxinha Matilda
Brunilda
Prenda
Papai Noel
Malévola
Lulu
Amigos de Lulu
Moça
Manuel
Filho do Manuel
Princesa
Catarina
Príncipe Cuturinu
Ernestina
Rosa
Isabel
Médico
Menina
Índio Chefe
Índios
Bruxinha Matilda
Brunilda
Prenda
Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional-Não-Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Genérico Individualizado
Individualizado
Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
Individualizado
Genérico Individualizado
Ficcional-Não-Ficcional
Individualizado
Ficcional
Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional-Não-Ficcional
Ficcional
Ficcional
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO I.
SUBCATEGORIA
Individualizado
59
Essas alunas nomearam vinte e seis personagens. Dos quais, três
personagens individualizados inscritos na categoria ficcional-não-ficcional, quatorze
ficcional (oito individualizado, quatro genérico individualizado e dois genérico
coletivo)
e
nove
não-ficcional
(cinco
individualizado
e
quatro
genérico
individualizado).
A personagem “Matilda” pode ter vindo do filme ou da novela “Chiquititas” que
na época em que a história “A Bruxinha Matilda e Brunilda22” foi escrita, em
03/04/1998, a novela fazia o maior sucesso entre as crianças. De acordo com o
desenrolar da história, acreditamos que a personagem do filme foi quem de fato
interferiu no momento da escolha.
“Matilda” é um filme de comédia estadunidense de 1996, dirigido por Danny
DeVito e estrelado por Mara Wilson e Embeth Davidtz. Ela é uma garotinha esperta
e inteligente, que gosta de ler e vai bem nos estudos. Mas os pais não percebem
isso e a colocam num colégio infernal. Lá ela descobre que tem poderes mágicos e
assim vai poder acertar as contas com todos, inclusive a cruel diretora da escola. A
Matilda do manuscrito também tem poderes mágicos. Aqui, ela é descrita como uma
bruxinha muito atrapalhada que como a do filme: sempre apronta alguma coisa.
Outro personagem encontrado nessa história é o “Papai Noel”. Sabemos que
o “Papai Noel” é uma figura lendária que, em muitas culturas ocidentais, traz
presentes aos lares de crianças bem-comportadas na noite da véspera de Natal, o
dia 24 de dezembro. Diz a lenda que ele realiza os sonhos de todos aqueles que
acreditam na magia do Natal. O “bom velhinho” mora no Pólo Norte, local cercado
por neve e distribui os presentes em seu trenó. Talvez por ser uma figura bastante
difundida no meio cultural, principalmente no final do ano, “Papai Noel” foi inserido
nessa história inventada.
É importante destacar que o manuscrito foi escrito no início de abril, ou seja,
pouco mais de três meses após o natal. Este personagem entrou na história após a
protagonista “Matilda” ter perdido a sua tarântula chamada “Brunilda” na neve, ele
encontrou “Brunilda” a embrulhou em um papel de presente e devolvendo-a a
“Matilda” e juntas viveram um feliz natal!
22
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO J.
60
Acreditamos que o caráter dialógico que o aluno apresenta, ao nomear os
personagens, certamente traz marcas do universo em que está inserida
apresentando indícios que talvez façam parte do cotidiano desses alunos.
Consequentemente, “as palavras podem entrar no nosso discurso a partir de
enunciações individuais alheias, mantendo em menor ou maior grau os tons e ecos
dessas enunciações individuais” (BAKHTIN, 2003, p. 293). O diálogo é um aspecto
recorrente como elemento fundamental e constitutivo do processo autoral.
Uma prova de tal afirmação aparece refletida no trabalho de Rojo (2003). A
autora identificou que durante a produção textual os alunos do 1° e 2° ciclos do
ensino fundamental utilizaram como fontes privilegiadas para essas construções
“conhecimentos advindos da mídia visual (filmes de TV e vídeo, sobretudo) e, nas
melhores classificações, esta fonte se coloca para mídias escritas (quadrinhos e
livros).” (ROJO, 2003, p. 198).
E, é com base nessas “fontes privilegiadas” que daremos continuidade a
nossa análise ao discutir as relações encontradas nos personagens inseridos no
manuscrito “A Bruxinha Sapeca23”.
Iniciaremos a nossa análise com a personagem “Malévola”, esse é o nome da
bruxa má presente no conto de fadas “A Bela Adormecida”. Provavelmente por
tratar-se de uma bruxa (originalmente) que tem por característica a maldade, a aluna
utilizou o nome dessa bruxa. O interessante é que ao invés de trazer a “Princesa”
para a história, como geralmente acontece, a aluna preferiu a “Bruxa do Mal”, como
é caracterizada pelos irmãos Grimm. Outro personagem também conhecido é a
“Luluzinha”
“Luluzinha” é uma personagem feminina, norte-americana, de história em
quadrinhos e desenho animado – na época em que o manuscrito foi escrito o
desenho era exibido, no Brasil, pelo SBT. Ela é uma menina muito esperta, teimosa
e com uma imaginação incrível, sua idade é entre 8 a 10 anos e gosta de aprontar
várias peripécias, principalmente manter na linha seu amigo “Bolinha” (líder do grupo
de meninos que têm como lema de seu clube a frase: Menina não entra!). Acredito
que esta aluna foi influenciada pela TV porque o desenho era exibido diariamente,
23
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO K.
61
logo, a acessibilidade era bem maior, porém não descarto a possibilidade dela ter
lido algumas histórias em quadrinhos.
Assim como a personagem norte-americana, “Luluzinha” também é chamada
de “Lulu”, tem vários amigos e é muito sapeca. Qualquer coisa que aprontassem
com ela já era motivo para “Luluzinha” por os seus “planos de pé”, mas logo ela se
arrependia, faziam as pazes voltavam a brincar como se nada estivesse acontecido.
4.1.2.1.1.2. Histórias inventadas em dupla
Tabela 12 - História inventada, em dupla, composta por meninos
Nº
TÍTULO
1
Bad Boy, a
vingança
2
O Passarinho
Doente
PERSONAGENS
Bad Boy
Bad Dog
Kate
Jec
Jeine
Advogados
Passarinho Doente
Menino
Professora
Pai
Irmão
Vó
CATEGORIA
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
SUBCATEGORIA
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Genérico Coletivo
Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Nas histórias inventadas pelos alunos, em dupla, encontramos doze
personagens: sete relacionados à categoria ficcional (quatro individualizado, dois
genérico individualizado e um genérico coletivo) e cinco a não-ficcional (todos
aparecem genericamente individualizados).
O título do manuscrito “Bad Boy, a vingança24” remete a uma famosa marca
(Bad Boy) de roupas, caderno, entre outros adereços e título de um filme, no plural,
de 1995 com Will Smith (Bad Boys). Sabe-se que “Bad Boy” quer dizer garoto mal,
em inglês, e é comum a utilização de termos, palavras, expressões de outras línguas
para a constituição do discurso, certamente o Bad Boy foi trazido para a história com
base no garoto mal.
Jec assemelha-se a nomes (ou pronúncias) relacionados a alguns
personagens que circulavam com frequência na mídia como o Jack que aparece no
24
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO L.
62
seriado “Infelizes Para Sempre” – exibido pelo SBT e nos filmes: Titanic e O médico
e o monstro. Diante dessa diversidade relacionada ao nome desse personagem,
destacamos que “o sentido da palavra é totalmente determinado por seu contexto.
De fato, há tantas significações possíveis como contextos possíveis” (Bakhtin, 2004,
p. 106)
Com base no que foi posto no manuscrito, acredito que este personagem foi
inspirado no filme ou no livro “O médico e o monstro”, de Robert Louis Stevenson.
Além do nome, ambas as histórias tratam de perseguição, assassinato e envolvem
advogados.
Tabela 13 - História inventada em dupla formada somente por meninas
Nº
TÍTULO
1
As Aventuras
da Galera
2
Caverna dos
Barcos
PERSONAGENS
Henrique
Paloma
Laila
Fernando
Fabio
Lihan
Ricardo
Felipe
Daniel
Pai de Ricardo e Felipe
Velho
CATEGORIA
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
SUBCATEGORIA
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Nas duas histórias inventadas por essas alunas todos os onze personagens
pertencem à categoria não-ficcional, se diferenciando dos demais conjuntos
analisados. Apenas dois se apresentam genericamente individualizados (“Pai de
Ricardo e Felipe”, “Velho”), enquanto, os nove restantes, foram nomeados de
maneira individualizada. Veremos a seguir como a intertextualidade aparece refletida
no manuscrito intitulado “As aventuras da galera25”.
Na história inventada por essa dupla, “galera” é o nome dado a um grupo, de
meninos e meninas, com o objetivo de viajar para descobrir um pouco mais sobre o
litoral. Depois de pensarem bastante resolveram pegar um voo para Noan, e em
seguida, outro para Johannia. Então, juntaram dinheiro e iniciou o percurso, o
primeiro voo foi calmo. Porém, no segundo, “Lihan” teve um pressentimento de que
algo ruim estava prestes a acontecer e “Fernando” disse que ele não precisava se
25
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO M.
63
preocupar, pois em breve estariam no seu destino, sãos e salvos, mas de repente, o
avião começou a perder altitude, até que caiu numa floresta. O piloto e o co-piloto do
avião morreram.
A “galera” estava faminta e decidiram comer frutas, até que “Paloma” avistou
uma caverna, na qual passaram a noite, acordaram com uma tempestade que
inundou a floresta, e eles tiveram que subir nas árvores para se proteger da
correnteza, que estava bastante forte, mas mesmo assim não adiantou e eles foram
arrastados. “Fábio” se agarrou em uma pedra e pediu para que os outros
segurassem nos seus pés, pois estavam indo em direção a uma catarata. Assim,
todos conseguiram sobreviver. Após três meses “Henrique” avistou de longe um
helicóptero de resgate, logo, fizeram uma fogueira para atrair a atenção de quem
estava no helicóptero. Todos foram salvos e levados de volta para casa.
Assim, como nos outros manuscritos, nesse identificamos forte relação
dialógica com a categoria ficcional. Certos elementos contidos nesse manuscrito
lembram a história de um filme - "O Senhor das Moscas", de 1990 - inspirado no livro
de William Golding, publicado em 1954, no qual um grupo de estudantes entre 9 e
15 anos de idade sofre um desastre de avião e cai em uma ilha deserta. Esse grupo
faz de tudo para lutar pela sobrevivência.
O livro retrata a regressão à selvageria de um grupo de crianças inglesas de
um colégio interno, presos em uma ilha deserta sem a supervisão de adultos, após a
queda do avião que as transportava para longe da guerra.
O interessante é que entre os seis nomes contidos no manuscrito nenhum
deles remete aos personagens presentes na obra "O Senhor das Moscas", nem aos
colegas de classe dessas alunas. O que o torna diferente dos demais manuscritos
analisados.
Tabela 14 - Personagens inventados em dupla composta por meninos e meninas
Nº
TÍTULO
1
Kuragora
2
Castelo
Mal-Assombrado
PERSONAGENS
Kuragora
Bichinhos
Família Rica
Todos os Moradores da
cidade
Homem da capital
CATEGORIA
Ficcional
Ficcional
Ficcional
SUBCATEGORIA
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
Ficcional
Genérico Coletivo
Ficcional
Genérico Individualizado
Seu José
Não-Ficcional
Genérico Individualizado
64
Uma Pulga Sem Lá
3
A Terra do
Contrário
4
5
A Ovita
Dona Maria
Dono da casa
Pulga
Pulga fêmea
Vários animais
Avós
Cachorros
Gatos
Formiga
Dragão
Pessoas
Habitantes dessa Terra
Crianças
Adultos
Pais
Menino
Menina
Aves
Cobra
Ovita
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional
Ficcional
Ficcional
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Coletivo
Genérico Coletivo
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Coletivo
Genérico Coletivo
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
Genérico Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
Individualizado
João
Não-Ficcional
Individualizado
Veterinário
Roberto
Marcos
Carlos
Zé
Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Não-Ficcional
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Individualizado
Essas duplas criaram trinta e dois personagens. Entre eles, encontramos
dezessete relacionados ao universo ficcional (dois individualizado, oito genérico
individualizado e sete coletivo) e quinze ao não-ficcional (cinco individualizado, seis
genérico individualizado e quatro genérico coletivo).
“A Ovita26” é o título de uma história inventada por uma dupla composta por
um menino e uma menina e, como é comum, o título traz o nome do principal
personagem da história. A trama relata a história de uma galinha que vive em um
sítio e põe ovos de ouro.
Esse manuscrito está relacionado ao universo ficcional, focalizando um
material impresso conhecido, posto que ele remete a duas fábulas conhecidas “O
Ganso de Ouro” – dos Irmãos Grimm, e “A Galinha dos Ovos de Ouro” – de autoria
de Esopo.
O primeiro relata a história de um homem velho (e muito pobre) que perdeu a
sua esposa, e então viveu solitário, até que surgiu uma fada. Ela agitou a
sua varinha de condão em direção ao ganso do camponês e desde então, o ganso
26
Cópia digitalizada do manuscrito no ANEXO N.
65
passou a botar vários ovos de ouro. Estando o camponês muito rico, ele pensou que
dentro do ganso havia milhares de ovos esperando para sair.
Convencido disto, ele pegou uma faca e matou o ganso. Infelizmente o ganso
era inteiramente igual aos outros. Arrependido e desesperado, ele implorou que a
fada retornasse, mas ela não voltou. E então o homem passou o resto de seus dias
pobre e solitário de novo.
Já a segunda fábula relata a história de um fazendeiro que descobriu que sua
galinha colocava ovo de ouro. A partir daí, todos os dias ele apanhava os ovos e os
vendia no mercado por um bom preço. E, assim aconteceu durante muitos dias.
Mas, quanto mais rico ficava o fazendeiro, mais dinheiro queria. Até que pensou:
“se esta galinha põe ovos de ouro, dentro dela deve haver um tesouro!”
Matou a galinha e ficou admirado, pois, por dentro, a galinha era igual a qualquer
outra.
Logo, verificamos que nos dois casos a moral da história foi a mesma: “Quem
tudo quer, tudo perde”. Porém, podemos dizer que apesar de tal semelhança, a
“Ovita”, personagem desse manuscrito, provavelmente recebeu interferência da
fábula de Esopo, pois ambas referem-se à “galinha dos ovos de ouro”.
4.1.3. Escola Pública X Escola Particular
Após a descrição dos dados (tópico 4.1.1.1 e tópico 4.1.2.1), aprofundamos a
nossa análise a fim de caracterizar como ocorreu o processo de nomeação dos
personagens, em histórias inventadas, por alunos recém-alfabetizados oriundos de
realidades sociocultural e economicamente distintas.
A partir de agora faremos um estudo detalhado acerca dos nomes inscritos de
acordo com o tipo de agrupamento: individual (menino ou menina) e em dupla
(menino + menino, menina + menina ou menino + menina), e, por fim, fizemos uma
comparação entre as escolas seguindo a maneira em que os manuscritos foram
escritos (meninos x meninos, meninas x meninas, menino + menino x menino +
menino, menina + menina x menina + menina, menino + menina x menino +
menina).
66
4.1.3.1. Comparação interna
4.1.3.1.1. Escola Pública
Os alunos da escola pública escreveram 41 manuscritos escolares no ano de
1996 – distribuídos conforme as Tabelas 1 e 2.
4.1.3.1.1.1. Menino x Menina
Foram escritos vinte e cinco manuscritos, individualmente, no dia 18/12/1996.
Dos quais dez foram escritos pelos meninos, com 42 personagens (Tabela 15), e
quinze pelas meninas – neles encontramos 58 personagens (Tabela 16), distribuídos
da seguinte forma:
Tabela 15 - Personagens inventados por meninos
FICCIONAL - 15
Individualizado Genérico
Col. Ind.
2
2
11
NÃO-FICCIONAL - 26
Individualizado Genérico
Col. Ind.
6
6
14
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL - 1
Individualizado
Genérico
Col.
Ind.
1
-
Diante do que foi exposto, na Tabela 15, verificamos que a maioria dos
personagens (26), inventados pelos meninos, foi inscrita de acordo com a categoria
não-ficcional, seguidos da ficcional e ficcional-não-ficcional. Tal predominância da
categoria ficcional também aparece refletida unanimemente nas três subcategorias,
conforme o Gráfico 1 – a seguir.
PERSONAGENS INVENTADOS POR MENINOS
16
14
14
11
CATEGORIAS
12
10
FICCIONAL
8
6
6
NÃO-FICCIONAL
6
4
2
2
1
FICCIONAL-NÃOFICCIONAL
2
0
0
0
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO
COLETIVO
GENÉRICO
INDIVIDUALIZADO
SUBCATEGORIAS
Gráfico 1 – Personagens inventados pelos meninos da escola pública
67
CATEGORIA FICCIONAL
CATEGORIA NÃO-FICCIONAL
14%
23%
14%
54%
23%
72%
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 2 - Personagens da categoria ficcional
inventados por meninos
Gráfico 3 – Personagens da categoria nãoficcional inventados por meninos
CATEGORIA FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
0% 0%
100%
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 4 – Personagens da categoria ficcional-não-ficcional
inventados por meninos
Está claro, ainda, que grande parte dos nomes dos personagens, contidos
nas histórias inventadas pelos meninos, foi apresentada de maneira individualizada.
Consoante os Gráficos 2 e 3 – representativos da categoria ficcional e categoria
não-ficcional, respectivamente.
Notamos
estatisticamente
a
predominância
de
nomes
inseridos
na
subcategoria genérico individualizado – com 72% dos personagens na categoria
ficcional (Gráfico 2) e 54% contidos na categoria não-ficcional (Gráfico 3). Ao que se
refere à categoria ficcional-não-ficcional (Gráfico 4), o único personagem deste
grupo foi representado individualmente como indica a Tabela 15.
68
Tabela 16 - Personagens inventados por meninas
FICCIONAL - 24
NÃO-FICCIONAL - 34
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL - 0
Individualizado Genérico Individualizado Genérico Individualizado
Genérico
Col. Ind.
Col. Ind.
Col.
Ind.
11
11
1
12
6
17
-
Em relação aos personagens inventados pelas meninas houve um percentual
maior em relação á categoria não-ficcional – com 34 personagens – seguida da
categoria ficcional – 24. Não identificamos personagens pertencentes à categoria
ficcional-não-ficcional.
CATEGORIAS
PERSONAGENS INVENTADOS POR MENINAS
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
17
12
11 11
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
6
1
0
INDIVIDUALIZADO
0
GENÉRICO
COLETIVO
FICCIONAL-NÃOFICCIONAL
0
GENÉRICO
INDIVIDUALIZADO
SUBCATEGORIAS
Gráfico 5 – Personagens inventados pelas meninas da escola pública
O Gráfico 5 revela que grande parte dos personagens (51 nomes) foram
inventadas individualmente, independente de terem recebido “nome próprio” - como
os personagens individualizados – ou um nome genérico – podendo remeter ao grau
de parentesco (“filho”, “filha”...), amizade (“amigo”, “colega”...), enfim, a qualquer
nomenclatura que não esteja diretamente relacionada a um “nome próprio”.
Logo
após,
no
Gráfico
6
e
Gráfico
7
veremos
como
se
deu,
proporcionalmente, a distribuição dessas nomeações – inventadas pelas meninas –
dentro de cada categoria.
69
CATEGORIA FICCIONAL
46%
50%
CATEGORIA NÃO-FICCIONAL
32%
50%
18%
4%
INDIVIDUALIZADO
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 6 – Personagens da categoria ficcional
inventados por meninas
Gráfico 7 – Personagens da categoria nãoficcional inventados por meninas
Como podemos perceber, tanto na categoria ficcional (Gráfico 6) quanto na
categoria não-ficcional (Gráfico 7), metade dos personagens (exatamente 50%) – foi
enquadrada na subcategoria genérico individualizado, isto é, foram nomeados
individualmente, ou seja, não receberam um “nome próprio”.
Os demais personagens receberam nomes individualizados – 46% na
categoria ficcional (Gráfico 6) e 32% categoria não-ficcional (Gráfico 7) – seguidos
de personagens nomeados genericamente coletivo – 4% na categoria ficcional
(Gráfico 6) e 18% categoria não-ficcional (Gráfico 7).
O que nos leva a concluir que as alunas da escola pública se apropriaram, na
maior parte dos casos, de personagens individualizados - sejam eles representados
genericamente ou não – para nomear as “pessoas” (os seres) que aparecem em
seus manuscritos escolares.
Considerando o que foi discutido, adiante (Gráfico 8, Gráfico 9, Gráfico 10 e
Tabela 17) iremos comparar a nomeação dos personagens contidos nas histórias
inventadas pelos meninos e pelas meninas
70
CATEGORIA DOS PERSONAGENS POR SEXO
40
34
35
30
26
24
25
20
MENINO
MENINA
15
15
10
5
1
0
0
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 8 – Distribuição dos personagens, por sexo, de acordo com a categoria
As meninas escreveram um número maior de manuscritos escolares – quinze
– enquanto os meninos escreveram apenas dez, ou seja, cinco a menos. Por
conseguinte, o número de personagens inventados pelas meninas também foi maior
– elas criaram 58, enquanto eles nomearam 42 personagens – distribuídos de
acordo com o Gráfico 8.
MENINAS
MENINOS
2%
0%
36%
41%
62%
59%
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 9
meninos
–
Personagens
inventados
por
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 10 – Personagens inventados por
meninas
Ao analisar o Gráfico 9 e o Gráfico 10, verificamos – proporcionalmente –
grande similitude entre os nomes de personagens inventados por meninos e
meninas individualmente. Em ambos os casos ocorreu a predominância de
personagens relacionados ao cotidiano dos alunos – 62% inventados pelos meninos
71
(Gráfico 9) e 59% pelas meninas (Gráfico 10) – com a inserção de nomes ligados ao
universo não-ficcional.
Entretanto, não podemos deixar de mencionar a grande incidência de
personagens que fazem parte da cultura (seja ela letrada ou não 27) em que esses
alunos estavam inseridos. Dessa forma, destacamos a inclusão de 36% dos
personagens inventados pelos meninos (Gráfico 9) e 41% inventados pelas meninas
(Gráfico 10) que estão diretamente relacionados à categoria ficcional.
Ao que se refere à categoria ficcional-não-ficcional, como dissemos, apenas
os meninos possuem personagens contidos nessa categoria. O que invalida a nossa
hipótese de que as meninas são mais propícias a atribuir esse tipo de nomeação que reúne nomes relacionados às outras categorias - adentrando com maior
fidedignidade no universo “mágico” dos “contos de fadas” em que são imersas desde
muito cedo.
A tabela (Tabela 17) a seguir, sintetiza tudo o que foi discutido até aqui – com
a inclusão da distribuição dos personagens de acordo com as subcategorias
inscritas em cada categoria.
Tabela 17 - Personagens inventados por menino x menina
SUBCATEGORIA
Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
27
SEXO
CATEGORIA
Ficcional
Não-Ficcional
Ficcional-Não-Ficcional
Menino
2 ≅ 14%
6 ≅ 23%
1 ≅ 100%
Menina
11 ≅ 46%
11 ≅ 32%
-
Menino
2 ≅ 14%
6 ≅ 23%
-
Menina
1 ≅ 4%
6 ≅ 18%
-
Menino
11 ≅ 72%
14 ≅ 54%
-
Menina
12 ≅ 50%
17 ≅ 50%
-
Estamos chamando de “Cultura Letrada” os nomes advindos de material impresso conhecidos –
como livros, “contos de fadas”, histórias em quadrinhos... E, os nomes que “não se enquadram”
nessa lista estão relacionados aos meios de comunicação – como os personagens oriundos de
novela, filme, seriado, desenho animado, letra de música, isto é, refere-se a personagens diretamente
relacionados ao rádio, TV...
72
Como vimos, na Tabela 4, as meninas escreveram mais manuscritos que os
meninos (Tabela 3). A diferença foi de cinco manuscritos – elas escreveram quinze e
eles dez, consequentemente, isso refletiu na quantidade de personagens criados –
58 e 42, respectivamente.
Após avaliar a Tabela 17, concluímos que a única diferença entre os sexos
(menino x menina) foi em relação ao personagem inscrito na categoria ficcional-nãoficcional porque apenas os meninos o fez. Portanto, podemos afirmar que, em
relação às categorias, os meninos e as meninas, da escola pública, mantiveram os
mesmos procedimentos ao nomear os personagens em histórias inventadas.
Enquanto isso, se considerarmos as subcategorias veremos que as
semelhanças
se
repetem.
É
interessante
enfatizar
que
esses
alunos,
coincidentemente, adotaram o mesmo procedimento ao nomear os personagens de
suas histórias na categoria ficcional e não-ficcional.
Ao observar a Tabela 17, percebemos que, tanto na categoria ficcional quanto
na não-ficcional, a maioria – 72% (onze) e 54% (quatorze), respectivamente - dos
personagens foram representados genericamente individualizados. Além disso, o
número de personagens e a porcentagem dos nomes inscritos na subcategoria com
personagens individualizados e genérico coletivo é exatamente igual nos dois casos.
Isto é, os meninos nomearam dois personagens de maneira individualizada e
dois genericamente coletivos, o que equivale – em cada ocorrência – a 14% dos
nomes inventados na categoria ficcional. Quanto à categoria não-ficcional, eles
inventaram seis personagens individualizados e seis genericamente coletivo,
representando – em ambos os casos – 23% dos nomes inventados na categoria
ficcional.
Em relação, às meninas essa coincidência se deu gradativamente apenas.
Elas nomearam, nos dois casos – categoria ficcional e não-ficcional – a metade dos
personagens (exatamente 50%) conforme a subcategoria genérico individualizado –
com a presença de doze e dezessete personagens, respectivamente.
Os demais personagens foram representados, na categoria ficcional, por 46%
- onze - e 32% - onze - individualizados e, para finalizar os 4% - um - e 18% - seis –
73
restantes, da categoria não-ficcional, foram inseridos na subcategoria genérico
coletivo. Deste modo, constatamos que a diferença entre o sexo não interferiu na
nomeação dos personagens, pois, tanto os meninos quanto as meninas, da escola
pública, nomearam de forma semelhante os seus personagens.
4.1.3.1.1.2. Menino + Menino x Menina + Menina x Menino + Menina
Os alunos da escola pública escreveram dezesseis manuscritos em dupla, no
dia 22/11/1996. Dos quais três foram escritos em dupla formada apenas por
meninos, com 17 personagens (Tabela 18), oito manuscritos em dupla formada
pelas meninas – neles localizamos 40 personagens (Tabela 19), e cinco manuscritos
produzidos por menino + menina, com 14 personagens (Tabela 20), assim
distribuídos:
Tabela 18 - Personagens inventados por menino + menino
FICCIONAL - 10
NÃO-FICCIONAL - 7
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL - 0
Individualizado Genérico Individualizado Genérico Individualizado
Genérico
Col. Ind.
Col. Ind.
Col.
Ind.
1
2
7
3
4
-
As três duplas, compostas exclusivamente por meninos, criaram dezessete
personagens em seus manuscritos escolares – distribuídos conforme a Tabela 18.
Diante do que foi analisado, na Tabela 18, verificamos que a maioria dos
personagens (10) pertence à categoria ficcional, seguido da não-ficcional. Nesse
conjunto de manuscritos nenhum personagem se insere na categoria ficcional-nãoficcional.
CATEGORIAS
MENINO + MENINO
8
7
6
5
4
3
2
1
0
7
4
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
3
2
1
0
0
INDIVIDUALIZADO
0
GENÉRICO
COLETIVO
0
GENÉRICO
INDIVIDUALIZADO
SUBCATEGORIAS
Gráfico 11 – Personagens inventados em dupla – composta por menino + menino
74
O Gráfico 11 mostra que a maioria (onze nomes) dos personagens aparece
genericamente individualizada nas duas categorias (sete na ficcional e quatro
contidos na não-ficcional) apresentadas. Não há personagem classificado na
categoria ficcional-não-ficcional.
Veremos, a seguir, no Gráfico 12 e Gráfico 13 como os personagens foram,
estatisticamente,
distribuídos
entre
a
categoria
ficcional
e
não-ficcional,
respectivamente, considerando as subcategorias.
CATEGORIA FICIONAL
CATEGORIA NÃO-FICCIONAL
0%
10%
20%
43%
57%
70%
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 12 – Personagens da categoria ficcional
inventados por meninos + meninos
Gráfico 13 – Personagens da categoria não-ficcional
inventados por meninos + meninos
Conforme o Gráfico 12 e o Gráfico 13, averiguamos que os personagens em
dupla, formada apenas por meninos, possuem as mesmas características. Como
dissemos, a maioria dos personagens pertencem à subcategoria genérico
individualizado. Seguidos do genérico coletivo – 20% categorizados ficcionalmente
(Gráfico 12) e 43% contidos na categoria não-ficcional (Gráfico 13). E, para finalizar
somente a categoria ficcional (Gráfico 12) apresenta personagens individualizados –
com 10% dos nomes.
Tabela 19 - Personagens inventados por menina + menina
FICCIONAL - 11
NÃO-FICCIONAL - 26
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL - 3
Individualizado Genérico Individualizado Genérico Individualizado
Genérico
Col. Ind.
Col. Ind.
Col.
Ind.
5
11
3
1
5
5
10
-
75
Foram compostas oito duplas compostas por alunas da escola pública. Nesse
conjunto de manuscritos identificamos personagens contidos nas três categorias –
conforme a exposição contida na Tabela 19.
MENINA + MENINA
12
11
10
CATEGORIAS
10
8
6
5
5
4
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
5
3
2
1
0
0
0
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO
COLETIVO
GENÉRICO
INDIVIDUALIZADO
SUBCATEGORIAS
Gráfico 14 – Personagens inventados em dupla – composta por menina + menina
O Gráfico 14 apresenta a distribuição dos personagens inventados em dupla
formada apenas por meninas. Está claro que houve a predominância – em relação
às três subcategorias: individualizado (onze personagens), genérico coletivo (cinco)
e genérico individualizado (dez) – de personagens relacionados à categoria nãoficcional, seguidos da ficcional e ficcional-não-ficcional. A seguir, veremos como as
subcategorias foram proporcionalmente distribuídas.
CATEGORIA FICCIONAL
45%
45%
CATEGORIA NÃO-FICCIONAL
39%
42%
19%
10%
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 15 – Personagens da categoria ficcional
inventados por menina + menina
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 16– Personagens da categoria não-ficcional
inventados por menina + menina
76
CATEGORIA FICCIONAL-NÃOFICCIONAL
0% 0%
100%
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 17 – Personagens da categoria ficcional-nãoficcional inventados por menina + menina
De acordo com o que foi exposto na categoria ficcional (Gráfico 15), nãoficcional (Gráfico 16) e na ficcional-não-ficcional (Gráfico 17) a maioria dos
personagens recebeu nomeação individualizada – com 45%, 42% e 100% dos
personagens, respectivamente.
Logo após, encontramos os personagens contidos na subcategoria genérico
individualizado – 45% na categoria ficcional (Gráfico 15) e 39% categoria nãoficcional (Gráfico 16) – seguidos de personagens nomeados genericamente coletivo
– 10% na categoria ficcional (Gráfico 15) e 19% categoria não-ficcional (Gráfico 16).
Tabela 20 - Personagens inventados por menino + menina
FICCIONAL - 10
NÃO-FICCIONAL - 4
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL - 0
Individualizado Genérico Individualizado Genérico Individualizado
Genérico
Col. Ind.
Col. Ind.
Col.
Ind.
6
1
1
3
2
1
-
Ao que se refere aos personagens inventados por menino + menina foram
identificadas cinco duplas. Conforme a apreciação da Tabela 20, constatamos que
nesse conjunto de manuscritos escolares não foram inventados personagens que se
enquadram na categoria ficcional-não-ficcional. Adiante, observamos como esses
personagens foram distribuídos considerando os Gráficos 18, 19 e 20.
77
CATEGORIAS
MENINO + MENINA
7
6
5
4
3
2
1
0
6
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
3
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
2
1
1
0
INDIVIDUALIZADO
1
0
GENÉRICO
COLETIVO
0
GENÉRICO
INDIVIDUALIZADO
SUBCATEGORIAS
Gráfico 18 – Personagens inventados em dupla – composta por menino + menina
O Gráfico 18 explicita que grande parte dos personagens foi inventada de
acordo com a categoria ficcional – seis individualizados, um genérico coletivo e três
genérico individualizado – enquanto a categoria não-ficcional apresenta um
personagem individualizado, dois genérico coletivo e um genérico individualizado.
Como vimos, só a subcategoria genérico coletivo apresentou um número maior de
personagem relacionado à categoria não-ficcional.
CATEGORIA FICCIONAL
CATEGORIA NÃO-FICCIONAL
25%
30%
25%
60%
10%
50%
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 19 – Personagens da categoria ficcional
inventados por menino + menina
Gráfico 20 – Personagens da categoria nãoficcional inventados por menino + menina
Esses gráficos explicitam a referida divergência entre a categoria ficcional –
60% dos personagens estão individualizados, 30% genérico individualizado e 10%
genérico coletivo – (Gráfico 19) e a categoria não-ficcional – 50% dos personagens
são genericamente coletivos e os 50% restantes foram igualmente divididos em 25%
individualizados e 25% genérico individualizado – (Gráfico 20).
78
CATEGORIA POR DÍADE
30
26
25
MENINO + MENINO
20
MENINA + MENINA
15
10
11
MENINO + MENINA
10
10
7
4
5
3
0
0
0
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 21 – Personagens inventados em dupla por alunos da escola pública
O Gráfico 21 apresenta a distribuição dos nomes de personagens entre os
três tipos de agrupamentos – dupla formada por: menino + menino, menina +
menina e menino + menina. Observamos que nos três tipos de díades houve certo
equilíbrio relacionado à categoria ficcional – com 10 personagens inventados por
menino + menino e menino + menina, e 11 personagens inventados por menina +
menina.
MENINO + MENINO
MENINA + MENINA
0%
8%
27%
41%
59%
65%
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 22 – Personagens inventados por menina
+ menina
Gráfico 23 – Personagens inventados por
menino + menino
MENINO + MENINA
0%
29%
71%
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 24 – Personagens inventados por menino + menina
79
Após a análise dos dados fica evidente que as duplas compostas por menino
+ menino (Gráfico 22) e menino + menina (Gráfico 24) se apropriaram das mesmas
estratégias para nomear os personagens das suas histórias inventadas.
Verificamos que a maioria dos personagens foi nomeada com nomes
relacionados à categoria ficcional – 59%, 71% (conforme Gráfico 22 e Gráfico 24,
nesta ordem) – seguidos da não-ficcional – 41%, 29% (inventados por menino +
menino e menino + menina, respectivamente) – em ambos os casos não
identificamos personagens contidos na categoria ficcional-não-ficcional.
Enquanto o Gráfico 23 apresenta personagens contidos nas três categorias –
com a presença de 27% dos personagens na categoria ficcional, 65% na nãoficcional e 8% na categoria ficcional-não-ficcional. Esse tipo de nomenclatura retoma
a hipótese de que as meninas estão mais propicias a se apropriarem da junção entre
categoria ficcional e a não- ficcional.
Tabela 21- Personagens inventados em dupla
CATEGORIA
SUBCATEGORIA
DÍADE
Ficcional Não-Ficcional Ficcional-Não-Ficcional
Menino + Menino 1 ≅ 10%
Individualizado
Menina + Menina 5 ≅ 45%
11 ≅ 42%
3 ≅ 100%
Menino + Menina 6 ≅ 60%
1 ≅ 25%
Menino + Menino 2 ≅ 20%
3 ≅ 43%
Genérico Coletivo
Menina + Menina 1 ≅ 10%
5 ≅ 19%
Menino + Menina 1 ≅ 10%
2 ≅ 50%
Menino + Menino 7 ≅ 70%
4 ≅ 57%
Genérico Individualizado Menina + Menina 5 ≅ 45%
10 ≅ 39%
Menino + Menina 3 ≅ 30%
1 ≅ 25%
A Tabela 21 sintetiza os 71 nomes de personagens contidos nos dezesseis
manuscritos escritos, em dupla, pelos alunos da escola pública. Como dissemos, no
Gráfico 23, apenas as duplas compostas por menina + menina apresentam
personagens contidos na categoria ficcional-não-ficcional. Deste modo, os demais
personagens foram distribuídos entre as demais categorias.
Em relação a esses dados destacamos o tipo de nomeação e a sua incidência
dentro das categorias analisadas. Sendo assim, verificamos que os personagens
80
inventados por menino + menino estabeleceram um “critério” durante a nomeação. A
maioria dos nomes, tanto na categoria ficcional quanto na não-ficcional, se inserem
na
subcategoria
genérico
individualizado
–
70% (sete)
e
57%
(quatro),
respectivamente, seguidos de genérico coletivo – 20% (dois) e 43% (três) – e, por
fim, apenas a categoria ficcional apresenta 10% (um) individualizado.
As duplas compostas por menina + menina não seguiu a “mesma
organização” das duplas analisadas anteriormente. Ao que diz respeito à categoria
ficcional 10% (um) apareceu genericamente coletivo e os 90% restantes foram
igualmente divididos: 45% (cinco) na subcategoria individualizada e 45% (cinco)
genérico individualizado. Quanto a categoria não-ficcional os personagens foram
distribuídos da seguinte forma: 42% (onze) apareceu individualizado, 19% (cinco)
genérico coletivo e 39% (dez) genérico individualizado.
Quanto às duplas formadas por menino + menina também não houve uma
“ordem” para nomear os personagens. De acordo com a categoria ficcional
identificamos 60% (seis) individualizado, 10% (um) genérico coletivo e 30% (três)
genérico individualizado. E, em relação à categoria não-ficcional a distribuição foi a
seguinte: metade (50% ≅ 2) dos personagens apareceram coletivamente
generalizado – chamados por “Galera”, “família”... – e a outra metade foi dividida em
duas partes iguais 25% (um) individualizado, e 25% (um) genérico individualizado.
Dessa forma, a Tabela 21 deixa claro que cada díade (menino + menino,
menina + menina e menino + menina) – formada pelos alunos da escola pública –
estabeleceu um critério diferente ao nomear os personagens em suas histórias
inventadas.
Localizamos
mais
manuscritos
(oito)
–
e,
consequentemente,
mais
personagens (40) – escritos por duplas compostas somente por meninas (Tabela 6).
A maioria, vinte e seis, desses personagens se insere na categoria não-ficcional.
Seguidos dos cinco manuscritos formados por menino + menina (Tabela 7) – com a
presença de quatorze personagens e, a maioria (dez) deles, se enquadra na
categoria ficcional.
Contudo, as três duplas formadas por meninos (Tabela 5), apesar de possuir
dois manuscritos a menos, criaram mais personagens (dezessete) que as duplas
81
formadas por menino + menina. Também houve a incidência de mais personagens
contidos na categoria ficcional.
4.1.3.1.2. Escola Particular
4.1.3.1.2.1. Menino x Menina
Os alunos da escola particular escreveram quinze manuscritos escolares,
individualmente, no dia 03/04/1998. Dos quais sete foram escritos por meninas –
com 24 personagens (Tabela 22) – e os oito restantes foram escritos pelos meninos
– com 26 personagens (Tabela 23).
Tabela 22- Personagens inventados por meninos
FICCIONAL - 12
NÃO-FICCIONAL - 12
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL - 0
Individualizado Genérico Individualizado Genérico Individualizado
Genérico
Col. Ind.
Col. Ind.
Col.
Ind.
4
3
2
6
4
5
-
Com base na Tabela 22 verificamos que, em relação às categorias, não
constatamos divergência, pois foram inscritos doze personagens na categoria e
doze na não-ficcional. Ao que se refere à categoria ficcional-não-ficcional não há
personagens nessa categoria.
CATEGORIAS
PERSONAGENS INVENTADOS POR MENINOS
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
8
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
5
4
4
3
2
0
INDIVIDUALIZADO
0
GENÉRICO
COLETIVO
0
GENÉRICO
INDIVIDUALIZADO
SUBCATEGORIAS
Gráfico 25 – Personagens inventados pelos meninos da escola pública
82
O Gráfico 25 deixa explícito que grande parte dos personagens foi inventada
de maneira individualizada (dezesseis). Os nomes genéricos individualizados
também merecem destaque – com oito personagens.
Logo a seguir, os Gráficos 26, 27 e 28 expõem, proporcionalmente, como
ocorreu a distribuição dessas nomeações – inventadas pelos meninos da escola
particular – dentro de cada categoria.
CATEGORIA NÃO-FICCIONAL
CATEGORIA FICCIONAL
29%
14%
44%
56%
57%
0%
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 26 – Personagens da categoria ficcional
inventados por meninos
Gráfico 27 – Personagens da categoria nãoficcional inventados por meninos
CATEGORIA FICCIONAL-NÃOFICCIONAL
0% 0%
100%
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 28 – Personagens da categoria ficcional-não-ficcional
inventados por meninos
É notória a forte presença da subcategoria individualizada nas três categorias
– 57% na categoria ficcional (Gráfico 26), 56% não-ficcional (Gráfico 27) e 100% na
ficcional-não-ficcional (Gráfico 28). Logo atrás, segue a subcategoria genérico
individualizada – com 29% na categoria ficcional (Gráfico 26), 44% não-ficcional
(Gráfico 27). E, apenas categoria ficcional (Gráfico 26) apresenta 14% dos nomes na
83
genérico coletivo. Como vimos, apenas a categoria ficcional apresenta nomes
presentes nas três subcategorias.
Tabela 23 - Personagens inventados por meninas
FICCIONAL - 14
NÃO-FICCIONAL - 9
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL - 3
Individualizado Genérico Individualizado Genérico Individualizado
Genérico
Col. Ind.
Col. Ind.
Col.
Ind.
8
5
3
2
4
4
-
A Tabela 23 volta a confirmar que as meninas possuem condições mais
favoráveis a adicionar personagens presentes nas três categorias – com destaque
para a categoria ficcional, qual apresenta quatorze personagens.
PERSONAGENS INVENTADOS POR MENINAS
7
6
CATEGORIAS
6
5
4
3
5
4
FICCIONAL
4
NÃO-FICCIONAL
3
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
2
2
1
0
0
INDIVIDUALIZADO
0
GENÉRICO
COLETIVO
0
GENÉRICO
INDIVIDUALIZADO
SUBCATEGORIAS
Gráfico 29 – Personagens inventados pelas meninas da escola pública
Consoante os dados contidos no Gráfico 29 as meninas nomearam os seus
personagens com nomes relacionados aos meios de comunicação ou material
impresso conhecido, ou seja, categoria ficcional ou se apropriaram de nomes
relacionados ao seu cotidiano. A seguir, o Gráfico 30 e Gráfico 31 apresentam como
tais personagens foram distribuídos dentro dessas categorias.
84
CATEGORIA FICCIONAL
CATEGORIA NÃO-FICCIONAL
33%
50%
25%
42%
33%
17%
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 30 – Personagens da categoria ficcional
inventados por meninas
Gráfico 31 – Personagens da categoria nãoficcional inventados por meninas
O Gráfico 30 apresenta a distribuição na categoria ficcional com 50% dos
personagens genérico individualizado, 33% individualizado e 17% genérico coletivo.
Em contrapartida, apresentamos o Gráfico 31 – categoria não-ficcional – que
também possui um número superior de nomes enquadrados na subcategoria
genérico individualizado - com 42% personagens.
Todavia, a ordem – decrescente – de incidência nas demais subcategorias se
inverte. Considerando ainda o Gráfico 31 localizamos 33% personagens genérico
coletivo e 25% individualizado. Dessa forma, constatamos que, nos dois casos, há a
presença de personagens contidos em todas as subcategorias.
CATEGORIA DOS PERSONAGENS POR SEXO
16
14
12
10
8
6
4
2
0
14
12
12
MENINO
9
MENINA
3
0
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 32 – Distribuição dos personagens, por sexo, de acordo com a categoria
85
O Gráfico 32 evidencia que não houve grande divergência - quanto às
categorias - entre os nomes inventados por meninos e meninas, individualmente.
Exceto no tocante à categoria ficcional-não-ficcional porque, como vimos, apenas os
meninos utilizaram esse tipo de personagem.
MENINOS
0%
MENINAS
11%
50%
35%
50%
54%
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 33 – Personagens inventados por
meninos
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 34 – Personagens inventados por
meninas
O Gráfico 33 deixa claro que os alunos da escola particular se apropriaram
das três categorias ao nomear os personagens em suas histórias inventadas.
Enquanto as alunas (Gráfico 34) da mesma escola utilizaram apenas nomes
relacionados à categoria ficcional e a categoria não-ficcional.
Os meninos (Gráfico 33) nomearam 54% dos personagens de acordo com a
categoria ficcional, 35% com a categoria não-ficcional e 11% ficcional-não-ficcional.
Enquanto o Gráfico 34 revela que metade dos personagens inventados pelas
meninas foram nomeados conforme a categoria ficcional (50%) e os outros 50%
utilizaram a categoria não-ficcional.
Deste modo, concluímos que os meninos da escola particular
se
aprofundaram mais na cultura letrada em que estavam imersos para nomear os
personagens em suas histórias inventadas. Enquanto as meninas ficaram dividas
entre o universo cultural e o contexto imediato em que estavam inseridas.
86
Tabela 24 - Personagens inventados por menino x menina
CATEGORIA
SUBCATEGORIA
SEXO
Ficcional Não-Ficcional Ficcional-Não-Ficcional
Individualizado
Genérico Coletivo
Genérico Individualizado
Menino
8 ≅ 57%
5 ≅ 56%
3 ≅ 100%
Menina
4 ≅ 33%
3 ≅ 25%
-
Menino
2 ≅ 14%
-
-
Menina
2 ≅ 17%
4 ≅ 33%
-
Menino
4 ≅ 29%
4 ≅ 44%
-
Menina
6 ≅ 50%
5 ≅ 42%
-
A partir da análise da Tabela 24 concluímos que apenas os meninos
utilizaram três personagens inscritos na categoria ficcional-não-ficcional. Entretanto,
os demais personagens foram distribuídos nas duas categorias restantes. Vejamos
como essa organização se deu dentro das subcategorias.
Ao averiguar a Tabela 24, notamos que os alunos da escola particular
nomearam a maioria dos seus personagens de maneira ficcional (quatorze) e de
forma individualizada – se apropriando ou não de um “nome próprio”.
Os meninos nomearam oito personagens de maneira individualizada, quatro
genérico individualizado e dois genérico coletivo, isto equivale a 57%, 29% e 14%,
respectivamente – dos nomes inventados na categoria ficcional. Em relação à
categoria não-ficcional, eles inventaram cinco personagens individualizados e quatro
genericamente individualizados, o que representa 56% e 44%, respectivamente.
Quanto às meninas metade dos personagens (doze) inventados pertencem à
categoria ficcional e a outra metade (doze) a não-ficcional. Os mesmos foram
divididos da seguinte maneira: seis (33%) personagens genérico individualizado na
categoria ficcional e dezessete (42%) na não-ficcional.
Em relação aos personagens com “nome próprios” – individualizados –
encontramos quatro (33%) relacionados à categoria ficcional e três (25%) a nãoficcional. E, para concluir, apenas dois (17%) personagens foram nomeados
conforme a subcategoria genérico individualizado, na categoria ficcional, e quatro
(33%) na não-ficcional.
87
Sendo assim, consideramos que a diferença entre os sexos (menino x
menina) não afastou a forma de nomeação dos personagens em histórias
inventadas, pelos alunos da escola particular, pois apesar das poucas diferenças o
que predominou foi a maneira individualizada de nomear os personagens.
4.1.3.1.2.2. Menino + Menino x Menina + Menina x Menino + Menina
Os alunos da escola particular escreveram nove manuscritos em dupla, no dia
14/11/1997. Dos quais dois manuscritos foram escritos em dupla formada por
meninos – com 12 personagens (Tabela 25) – dois manuscritos escolares escritos
em dupla formada pelas meninas – neles localizamos 11 personagens (Tabela 26), e
cinco manuscritos produzidos por menino + menina, com 32 personagens (Tabela
27), assim distribuídos:
Tabela 25 - Personagens inventados por menino + menino
FICCIONAL - 7
NÃO-FICCIONAL - 5
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL - 0
Individualizado Genérico Individualizado Genérico Individualizado
Genérico
Col. Ind.
Col. Ind.
Col.
Ind.
4
1
2
5
-
Na Tabela 25 verificamos que a maior parte dos personagens faz parte da
categoria ficcional e, como em grande parte dos dados, não identificamos
personagens incluídos na categoria ficcional-não-ficcional.
MENINO + MENINO
6
CATEGORIAS
5
5
4
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
4
3
2
2
1
1
0
0
0
0
0
0
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO
COLETIVO
GENÉRICO
INDIVIDUALIZADO
SUBCATEGORIAS
Gráfico 35 – Personagens inventados em dupla – composta por menino + menino
88
É manifesta, no Gráfico 31, a limitação dos nomes dos personagens à
categoria ficcional e a não-ficcional. Vale considerar que apenas a primeira categoria
possui personagem entre as três subcategorias.
CATEGORIA FICCIONAL
CATEGORIA NÃO-FICCIONAL
0% 0%
29%
57%
14%
100%
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 36 – Personagens da categoria ficcional
inventados por meninos + meninos
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 37 – Personagens da categoria nãoficcional inventados por meninos + meninos
Os Gráficos 32 e 33 mostram como as duplas formadas apenas por meninos
nomearam os personagens em suas histórias inventadas. Como vimos, no Gráfico
31, a categoria não-ficcional (Gráfico 33) é composta exclusivamente de nomes
genérico individualizado.
Enquanto o Gráfico 32 apresenta como os personagens foram divididos na
categoria ficcional, entre as três subcategorias. Aqui, identificamos 57% dos
personagens individualizados, 29% genérico individualizado e 14% genérico
coletivo.
Tabela 26 - Personagens inventados por menina + menina
FICCIONAL - 0
NÃO-FICCIONAL - 11
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL - 0
Individualizado Genérico Individualizado Genérico Individualizado
Genérico
Col. Ind.
Col. Ind.
Col.
Ind.
9
2
-
Quantos aos onze personagens inventados pelas duas duplas formadas por
menina + menina encontramos uma peculiaridade. A Tabela 26 revela que todos
esses nomes foram inscritos na categoria não-ficcional.
89
MENINA + MENINA
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
9
CATEGORIAS
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
2
0
0
0
INDIVIDUALIZADO
0
0
0
GENÉRICO COLETIVO
SUBCATEGORIAS
0
GENÉRICO
INDIVIDUALIZADO
Gráfico 38 – Personagens inventados em dupla – composta por menina + menina
É inegável a centralização da categoria não-ficcional. O Gráfico 38 reafirma o
que mostramos na Tabela 26 – os personagens inventados em dupla, pelas
meninas, foram nomeados de acordo com o cotidiano dessas alunas – com nomes
do ambiente escolar, relação familiar ou com a inclusão do seu próprio nome no
manuscrito escolar.
CATEGORIA NÃO-FICCIONAL
0%
18%
82%
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 39 – Personagens da categoria não-ficcional
inventados por menina + menina
O Gráfico 39 representa a incidência das subcategorias contidas na categoria
não-ficcional.
Nele,
fica
evidente
que
os
personagens
foram
inscritos
individualmente. Localizamos 82% individualizado e, conseguintemente, 18%
genérico individualizado.
90
Tabela 27 - Personagens inventados por menino + menina
FICCIONAL - 17
NÃO-FICCIONAL - 15
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL - 0
Individualizado Genérico Individualizado Genérico Individualizado
Genérico
Col. Ind.
Col. Ind.
Col.
Ind.
2
5
7
8
4
6
-
Ao que se refere aos trinta e dois personagens contidos nas cinco histórias
inventadas por menino + menina há a inserção de personagens na categoria
ficcional e não-ficcional.
MENINO + MENINA
9
8
CATEGORIAS
8
7
7
6
6
5
5
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
4
4
3
2
2
1
0
0
0
0
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO
COLETIVO
GENÉRICO
INDIVIDUALIZADO
SUBCATEGORIAS
Gráfico 40 – Personagens inventados em dupla – composta por menino + menina
O Gráfico 36 traz informações a respeito dos manuscritos escritos em dupla –
formada por menino + menina. Ele revela que há a presença de nomes contidos nas
três subcategorias ao analisarmos a categoria ficcional e a não-ficcional. Nos
Gráficos 37 e 38, apresentados a seguir, veremos como ocorre essa distribuição,
proporcionalmente.
91
CATEGORIA FICCIONAL
CATEGORIA NÃO-FICCIONAL
12%
33%
40%
47%
41%
27%
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 41 – Personagens da categoria ficcional
inventados por menino + menina
Gráfico 42 – Personagens da categoria nãoficcional inventados por menino + menina
Diante do que foi exposto no Gráfico 37 e no Gráfico 38, constatamos que a
maior parte dos personagens aparece genericamente individualizada – com 47% e
40%, respectivamente. Na categoria ficcional também houve grande incidência de
personagens na subcategoria genérico coletivo (41%) e 12% dos nomes aparecem
individualizados.
Entretanto, a categoria não-ficcional reúne 33% personagens individualizados
e 27% genérico coletivo, ou seja, houve uma inversão proporcional entre as duas
subcategorias, com menor incidência, considerando a categoria ficcional e nãoficcional.
CATEGORIA POR DÍADE
17
18
15
16
14
11
12
MENINO + MENINO
10
8
MENINA + MENINA
7
5
6
MENINO + MENINA
4
2
0
0
0
0
0
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 43 – Personagens inventados em dupla por alunos da escola particular
92
O Gráfico 43 explicita como ocorreu a distribuição dos sessenta e cinco
personagens entre os três tipos díades: menino + menino, menina + menina e
menino + menina, formadas pelos alunos da escola particular. Constatamos o
predomínio de personagens relacionados à categoria não-ficcional – com trinta e um
personagens.
MENINO + MENINO
MENINA + MENINA
0%0%
0%
42%
58%
100%
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 44 – Personagens inventados por menino
+ menino
Gráfico 45 – Personagens inventados menina +
menina
MENINO + MENINA
0%
47%
53%
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 46 – Personagens inventados por menino + menina
Diante do que foi exposto, verificamos que as duplas formadas por menino +
menino (Gráfico 40) e menino + menina (Gráfico 42) nomearam grande parte dos
personagens com nomes relacionados a materiais impressos conhecidos ou aos
meios de comunicação.
Sendo assim, constatamos que a maioria dos personagens foi nomeada com
nomes relacionados à categoria não-ficcional – 58%, 53% (conforme Gráfico 40 e
93
Gráfico 42, nesta ordem) – seguidos da ficcional – 42%, 47% (inventados por
menino + menino e menino + menina, respectivamente) – em ambos os casos não
identificamos personagens contidos na categoria ficcional-não-ficcional.
Nas histórias inventadas pelas duplas formadas por menina + menina
aconteceu uma peculiaridade. Nesse conjunto foram inventados onze personagens
– todos inseridos na categoria não-ficcional, ou seja, as duplas formadas pelas
alunas da escola particular se apropriaram exclusivamente dos nomes presentes em
seu cotidiano.
Tabela 28 - Personagens inventados em dupla
CATEGORIA
SUBCATEGORIA
DÍADE
Ficcional Não-Ficcional Ficcional-Não-Ficcional
Menino + Menino 4 ≅ 57%
Individualizado
Menina + Menina
9 ≅ 82%
Menino + Menina 2 ≅ 12%
5 ≅ 33%
Menino + Menino 1 ≅ 14%
Genérico Coletivo
Menina + Menina
Menino + Menina 7 ≅ 41%
4 ≅ 27%
Menino + Menino 2 ≅ 29%
5 ≅ 100%
Genérico Individualizado Menina + Menina
2 ≅ 18%
Menino + Menina 8 ≅ 47%
6 ≅ 40%
-
A Tabela 28 explicita como foi realizada a distribuição dos 65 nomes de
personagens contidos nos nove manuscritos escolares escritos em dupla. A Tabela
28 deixa claro que as duplas formadas pelos alunos da escola particular não
inventaram personagens contidos na categoria ficcional-não-ficcional.
A seguir destacaremos os casos em destaque. De acordo com a subcategoria
individualizada o maior percentual (9 ≅ 82%) foi em relação aos nomes inscritos na
categoria não-ficcional com as duplas formadas por menina + menina. Em relação a
genérico coletivo, destacamos os personagens inventados (7 ≅ 41%) por menino +
menina contidos na categoria ficcional.
Os personagens genérico individualizado apareceram em maior quantidade
nos manuscritos inventados por menino + menina: foram oito (≅ 47%) na categoria
ficcional e seis (≅ 40%) na não-ficcional. Por outro lado, proporcionalmente falando,
o destaque vai para os nomes inventados pelas duplas formadas somente por
94
meninos que, na categoria não-ficcional, tem 100% (≅ 5) dos personagens
enquadrados na subcategoria genérico individualizado.
4.1.3.2. Comparação entre Escola Pública X Escola Particular
Após a apresentação de como se deu a nomeação dos personagens em cada
escola, veremos se houve variação de uma escola para outra considerando o
mesmo tipo de agrupamento.
A seguir, faremos uma comparação de acordo com as categorias (Tabela 29)
e subcategorias (Tabela 30) estabelecidas pelos alunos da escola pública e da
escola particular conforme a nomeação dos personagens em suas histórias
inventadas.
4.1.3.2.1. Menino x Menino
Tabela 29 – Categoria dos personagens inventados pelos meninos
CATEGORIA
ESCOLA
Ficcional Não-Ficcional Ficcional-Não-Ficcional
Pública
15
26
1
Particular
14
9
3
A Tabela 29 apresenta os personagens contidos nas histórias inventadas
pelos meninos da escola pública e da escola particular. Eles foram organizados de
acordo com as categorias estabelecidas.
Verificamos que os alunos da escola pública escreveram dez (Tabela 3)
manuscritos escolares, enquanto os alunos da escola particular escreveram oito
(Tabela 10). Por conseguinte, os alunos da escola pública possuem um número
maior de personagens 42 e os da particular possuem 26 personagens.
Consoante a Tabela 29, constatamos também que os alunos de ambas as
escolas contêm personagens inscritos nas três categorias. Confirmamos também a
95
nossa hipótese que os alunos da escola pública estão mais sujeitos a utilizarem
mais nomes relacionados ao contexto imediato em que estão inseridos, se
apropriando assim de nomes relacionados à categoria não-ficcional.
Por outro lado, observamos que os meninos da escola particular adotaram
nomes mais letrados ao escrever as suas histórias inventadas. Esses alunos
nomearam a maior parte de seus personagens de acordo com a categoria ficcional.
Tabela 30 – Subcategoria dos personagens inventados pelos meninos
SUBCATEGORIA
ESCOLA
Genérico
Individualizado
Coletivo Individualizado
Pública
9
8
25
Particular
16
2
8
A Tabela 30 revela que grande parte dos alunos da escola particular dá
“nome próprio” aos personagens de suas histórias. Entretanto, os alunos da escola
pública os nomeiam, no geral, genericamente – chamando os seus personagens de
“pai”, “mãe”, “galera”...
4.1.3.2.2. Menina x Menina
Tabela 31 – Categoria dos personagens inventados pelas meninas
CATEGORIA
ESCOLA
Ficcional Não-Ficcional Ficcional-Não-Ficcional
Pública
24
34
-
Particular
12
12
-
Constatamos que as alunas da escola pública inventaram quinze manuscritos,
individualmente – com cinquenta e oito personagens (Tabela 4) - e, as alunas da
escola particular escreveram sete manuscritos – localizamos vinte e quatro
personagens (Tabela 11).
96
Ao analisar a Tabela 31 verificamos que as alunas, de ambas as escolas, não
inventaram, individualmente, personagens contidos na categoria ficcional-nãoficcional.
As meninas da escola pública criaram mais personagens relacionados à
categoria não-ficcional. Enquanto as da escola particular ficaram bem divididas ao
nomear os personagens em suas histórias inventadas.
Tabela 32 – Subcategoria dos personagens inventados pelas meninas
SUBCATEGORIA
ESCOLA
Genérico
Individualizado
Coletivo Individualizado
Pública
22
7
29
Particular
7
6
11
As meninas da escola pública surpreenderam com a grande intensidade de
personagens com “nome próprio” – vinte e dois -, mas não foi o suficiente para
superar os personagens nomeados de forma genérica – vinte e nove individualizado
e sete coletivo. Quanto aos nomes inventados pelas meninas da escola particular o
que predominou foram os nomes genéricos individualizados.
4.1.3.2.3. Menino + Menino x Menino + Menino
Tabela 33 – Categoria dos personagens inventados em dupla: menino + menino
CATEGORIA
ESCOLA
Ficcional Não-Ficcional Ficcional-Não-Ficcional
Pública
10
7
-
Particular
7
5
-
Quanto aos personagens inventados em dupla, formada somente por
meninos. A Tabela 33 deixa claro que não há personagens contidos na categoria
ficcional-não-ficcional.
97
Como observamos, os alunos da escola pública escreveram três manuscritos
em dupla (dezessete personagens – Tabela 5) e os da particular inventaram duas
histórias inventadas (doze personagens – Tabela 12). Nos dois casos há a
predominância de nomes ligados à categoria ficcional.
Tabela 34 – Subcategoria dos personagens inventados em dupla: menino + menino
SUBCATEGORIA
ESCOLA
Genérico
Individualizado
Coletivo Individualizado
Pública
1
6
11
Particular
4
1
7
A Tabela 34 explicita que as coincidências entre os manuscritos escolares
escritos em dupla – formada por menino + menino – não se limitou à categoria
apenas. Ao que se refere às subcategorias, nos dois casos, a maior parte dos
personagens foi genericamente individualizada.
4.1.3.2.4. Menina + Menina x Menina + Menina
Tabela 35 – Categoria dos personagens inventados em dupla: menina + menina
CATEGORIA
ESCOLA
Ficcional Não-Ficcional Ficcional-Não-Ficcional
Pública
11
26
3
Particular
-
11
-
As meninas da escola pública formaram oito duplas – com quarenta
personagens (Tabela 6), enquanto as duas duplas da escola particular inventaram
onze personagens (Tabela 13).
As duplas formadas por menina + menina (Tabela 35) apresentam grande
diferença entre as escolas. As alunas da escola pública criaram personagens
inseridos nas três categorias, com destaque para a categoria não-ficcional – com
98
vinte e seis personagens. Entretanto, as alunas da escola particular inventaram
todos os personagens de acordo com a categoria não-ficcional.
Tabela 36 – Subcategoria dos personagens inventados em dupla: menina + menina
SUBCATEGORIA
ESCOLA
Genérico
Individualizado
Coletivo Individualizado
Pública
19
6
15
Particular
9
-
2
Assim como as duplas formadas pelos meninos (Tabela 34), encontramos
semelhanças em relação às duplas formadas pelas meninas (Tabela 36). As alunas
das duas escolas nomearam grande parte dos personagens com “nomes próprios”,
isto é, com nomes individualizados.
4.1.3.2.5. Menino + Menina x Menino + Menina
Tabela 37 – Categoria dos personagens inventados em dupla: menino + menina
CATEGORIA
ESCOLA
Ficcional Não-Ficcional Ficcional-Não-Ficcional
Pública
10
4
-
Particular
17
17
-
Os alunos da escola pública escreveram cinco manuscritos escolares,
escritos em dupla formada por menino + menina – com quatorze personagens
(Tabela 7). E, os da particular inventaram cinco manuscritos – com trinta e dois
personagens (Tabela 14).
A Tabela 37 revela que as duplas compostas por menino + menina não
inventaram personagens relacionados à categoria ficcional-não-ficcional. As duplas
formadas pelos alunos da escola pública nomearam grande parte dos personagens
99
de acordo com a categoria ficcional. Enquanto, as duplas da escola particular
ficaram divididas entre a categoria ficcional e a não-ficcional.
Tabela 38 – Subcategoria dos personagens inventados em dupla: menino + menina
SUBCATEGORIA
ESCOLA
Genérico
Individualizado
Coletivo Individualizado
Pública
7
3
4
Particular
7
11
14
De acordo com a Tabela 38, verificamos que os alunos da escola pública
nomearam, em geral, os personagens de maneira individualizada. E, as duplas da
escola particular criaram mais personagens genericamente individualizados.
4.1.3.2.6. Nomeação de personagem de acordo com as categorias estabelecidas
De modo geral, a seguir, tentaremos explicitar a incidência dos nomes de
personagens considerando as categorias (Tabela 39, Gráfico 47, Gráfico 48 e
Gráfico 49) e as subcategorias (Tabela 40, Gráfico 50, Gráfico 51 e Gráfico 52) a fim
de comparar as escolas.
Para tanto, durante a apresentação dos dados - contidos nas Tabelas 39 e 40
– adotamos as siglas E1 e E2 para designar a Escola Pública e a Escola Particular,
respectivamente.
Tabela 39 – Categoria dos personagens inventados por alunos da escola pública e escola particular
CATEGORIA
AGRUPAMENTO
Ficcional
Não-Ficcional Ficcional-Não-Ficcional
Individual
E1 - 43
E2 - 29
E1 - 56
E2 - 23
E1 - 1
E2 - 1
Dupla
E1 - 32
E2 - 23
E1 - 36
E2 - 32
E1 - 3
E2 - 0
De acordo com a tabela 39, constatamos que aconteceu um fato singular.
Apenas os nomes de personagens escritos, de forma individual, pelos alunos da
100
Escola Particular (E2) se caracterizam, em sua maioria - 29 personagens, na
categoria ficcional. Enquanto os demais nomes - sejam eles escritos individualmente
ou em dupla – pertencem, com maior incidência, à categoria não-ficcional.
Em relação à categoria ficcional-não-ficcional somente nos manuscritos
escritos em dupla, por alunos da Escola Particular (E2), não foi encontrado
personagem relacionado a esta categoria. Adiante veremos uma comparação mais
detalhada entre os nomes dos personagens inventados pelos alunos de ambas as
escolas.
ESCOLA PARTICULAR
ESCOLA PÚBLICA
3%
2%
48%
41%
49%
57%
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 47 – Incidência dos nomes inventados
pelos alunos da escola pública
Gráfico 48 – Incidência dos nomes inventados
pelos alunos da escola particular
CATEGORIA POR ESCOLA
120
97
100
80
70
ESCOLA PÚBLICA
60
50
52
ESCOLA PARTICULAR
40
20
4
3
0
FICCIONAL
NÃO-FICCIONAL
FICCIONAL-NÃO-FICCIONAL
Gráfico 49 – Categoria dos nomes de personagens inventados por escola
101
Diante do que foi exposto, fica explícito que com base nesta divisão foi
constatado uma forte predominância de nomes de personagens relacionados à
categoria do universo não-ficcional (57% escola pública e 49% escola particular),
seguidos do ficcional (41% escola pública e 48% escola particular) e, por fim,
ficcional-não-ficcional (2% escola pública e 3% escola particular).
Deste modo, podemos dizer que, de modo geral, os alunos de ambas as
escolas adotaram praticamente a mesma “estratégia” ao nomear os personagens
em suas histórias inventadas. Observamos que, nos dois casos, a maioria (57%
escola pública e 49% escola particular) desses nomes de personagens foi atribuída
de acordo com a categoria não-ficcional, seja através da utilização do próprio nome,
isto é, o aluno se insere na história ou utiliza algum “personagem” do ambiente
escolar, com nomes relacionados ao cotidiano dos alunos.
4.1.3.2.7. Nomeação de personagem de acordo com as subcategorias
Em seguida, apresentaremos como se deu a distribuição de acordo com as
subcategorias, a fim de verificar se houve divergência entre a nomeação atribuída
aos personagens das duas escolas ou se as semelhanças que aconteceram nas
categorias irão permanecer.
Tabela 40 – Subcategoria dos personagens inventados por alunos da escola pública e escola
particular
AGRUPAMENTO
Individual
Dupla
SUBCATEGORIA
Genérico
Individualizado
Coletivo
Individualizado
E1 - 31
E2 - 23 E1 - 54 E2 - 19 E1 - 15 E2 - 8
E1 - 31
E2 - 29
E1 - 22
E2 - 17
E1 - 8
E2 - 3
Os manuscritos escolares escritos, em dupla, tanto na Escola Pública (E 1)
quanto na Escola Particular (E2) possuem um número maior de personagens
inscritos de maneira individualizada (receberam “nome próprio”) – com 31 e 29
nomes,
respectivamente.
Consequentemente,
os
demais
nomes
aparecem
genericamente (nomeados por irmão, tia, homem...). Entretanto, é importante
102
considerar que boa parte dos personagens foi nomeada de acordo com a
subcategoria genérica, como mostram os gráficos a seguir:
ESCOLA PÚBLICA
49%
ESCOLA PARTICULAR
40%
34%
17%
41%
19%
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO COLETIVO
GENÉRICO INDIVIDUALIZADO
Gráfico 50 – Personagens inventados pelos
alunos da escola pública
Gráfico 51 – Personagens inventados alunos da
escola particular
SUBCATEGORIA POR ESCOLA
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
84
ESCOLA PÚBLICA
58
ESCOLA PARTICULAR
43
42
29
20
INDIVIDUALIZADO
GENÉRICO
COLETIVO
GENÉRICO
INDIVIDUALIZADO
Gráfico 52 – Categoria dos nomes de personagens inventados por escola
Em relação às subcategorias a classificação seguiu da seguinte maneira:
personagem individualizado (34% escola pública e 41% escola particular), genérico
coletivo (17% escola pública e 19% escola particular) e genérico individualizado
(49% escola pública e 40% escola particular).
Logo, verificamos que, nas duas escolas, a maioria dos personagens (66%
escola pública e 59% escola particular) não recebeu “nome próprio”, ou seja, foram
nomeados genericamente (mãe, velho, galera...). Permanecendo, assim, as
coincidências contidas nos dados.
103
Através desse levantamento percebemos que tanto os alunos da escola
pública quanto os da particular agiram praticamente da mesma maneira ao nomear
os personagens de suas histórias, posto que grande parte dos nomes faz parte do
cotidiano ou contexto imediato das crianças. É importante ressaltar que o nosso
corpus traz dados referentes a três anos letivos distintos, porém consecutivos (1996,
1997 e 1998).
Com base nesse estudo verificamos que, em grande parte das produções, a
maioria dos personagens foi nomeada levando em consideração os nomes
relacionados ao universo não-ficcional, sendo apresentados geralmente de forma
individualizada. Neste caso, podemos concluir que alunos de realidade oposta
apresentaram característica semelhante no processo criativo.
Constatamos que, bem diferente do que pensávamos inicialmente, não houve
grande disparidade entre os nomes contidos na escola pública e na escola
particular. Ao contrário, chegamos à conclusão que mesmo se tratando de
realidades distintas o modo como os personagens foram nomeados aproxima as
suas histórias. Outro fato interessante foi a necessidade de incluir nomes que fazem
menção às relações familiares (pai, mãe, filho, irmão...).
104
5. CONCLUSÃO
A partir do diálogo entre diversos textos, foi possível analisar o nome atribuído
aos 276 personagens presentes nas 65 histórias inventadas escritas por alunos do
ciclo inicial do Ensino Fundamental, entre os anos de 1996, 1997 e 1998, coletadas
em uma escola pública e uma escola particular, localizadas na cidade de Maceió.
Com base nos dois conjuntos de manuscritos descrevemos como os nomes
de personagens surgiram e as relações intertextuais entre eles e o ambiente cultural
em que os alunos estavam imersos, sobretudo determinado pela televisão e pelos
textos lidos em sala de aula. Para compará-los, estabelecemos as categorias:
ficcional (com nomes relacionados ao ambiente cultural como mídia, material
impresso conhecido, entre outros); não-ficcional (contém nomes ligados ao contexto
imediato e/ou cotidiano dos alunos); ficcional-não-ficcional (reúne nomes atrelados à
categoria ficcional e não-ficcional).
De modo geral, os alunos da escola pública, bem como os da escola
particular nomearam, na maioria dos casos, os personagens utilizando elementos
presentes no universo não-ficcional, ou seja, adotaram nomes contidos em seu
contexto imediato e cotidiano, os nomes normalmente são oriundos de amigos,
colegas e familiares, também há a inclusão do nome de quem escreveu a história.
Os personagens são apresentados geralmente de forma individualizada, como
Pedro, José, Isabel...
Portanto, os resultados indicam que nas duas escolas o que predominou
foram os nomes relacionados ao cotidiano dos alunos com nomes de colega de
classe e professora, remetendo ao ambiente escolar, e aos membros da família,
utilizando o grau de parentesco entre eles – pai, mãe, avós, filhos, irmãos...
Porém, ao desmembrar as escolas em histórias inventadas em dupla e
individual, percebemos que aconteceu uma variação nesse quadro porque nas
histórias individuais da escola particular houve a predominância de nomes
relacionados ao universo ficcional, os quais foram apresentados, em sua maioria,
genericamente individualizados.
105
E, ao que se refere à escola pública houve o predomínio de nomes
relacionados à categoria não-ficcional, o que confirma a nossa hipótese quanto à
origem dos nomes, pois representam o contexto em que estavam inseridos. As
principais singularidades contidas nesse conjunto de manuscritos dizem respeito aos
nomes de personagens oriundos da letra de música e do meio esportivo para atribuir
a nomeação, uma vez que apenas os alunos dessa escola se apropriaram de tal
estratégia.
Contrariando a nossa hipótese inicial, a partir da análise, constatamos que
somente os meninos – tanto da escola pública quanto os da particular – inventaram
personagens contidos nas três categorias. Bem diferente do que aconteceu com a
nomeação atribuída, individualmente, pelas alunas das duas escolas porque não
criaram nenhum personagem de acordo com a categoria ficcional-não-ficcional.
Anulando a ideia de que as meninas se apropriam mais da junção entre a categoria
ficcional e não-ficcional devido a forte imersão no universo dos “contos de fadas”.
Em relação à nomeação atribuída, decorrente das histórias inventadas em
dupla, a única divergência – entre as escolas – refere-se à categoria ficcional-nãoficcional porque apenas os alunos da escola pública nomearam os seus
personagens segundo tal categoria. Os demais nomes, em ambas as escolas, foram
– em geral – inscritos na categoria não-ficcional e aparecem genericamente
individualizados.
Por outro lado, apesar da grande referência à categoria não-ficcional (oitenta
e nove), não podemos negar a expressiva relação de nomes advindos do universo
ficcional, com a inserção de setenta e cinco (dos cento e setenta e um) personagens
classificados nessa categoria. Nela, identificamos nomes relacionados a diversas
origens, não se limitando apenas à TV.
Em ambas as escolas, encontramos nomes relacionados a filme, desenho
animado, novela... Outra característica comum diz respeito à intensa referência aos
contos de fadas, em especial, aos dos Irmãos Grimm.
Desta forma, concluímos que, apesar de encontrarmos algumas diferenças, a
similitude entre as escolas predominou. O que nos leva a ver que mesmo em textos
escritos por alunos imersos em realidade sociocultural e econômica distinta, a forma
106
de nomeação aproxima suas histórias, assim como nos ajuda a caracterizar o
processo criativo de alunos dessa faixa etária.
107
REFERÊNCIAS
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Disponível
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108
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2003.
CALIL, Eduardo. Autoria: a criança e a escrita de histórias inventadas. Londrina:
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ANEXO A – Chapeuzinho Amarelo
114
ANEXO B – Mari Mar
115
116
ANEXO C – Stephanie
117
ANEXO D – O pai a Mãe e os Três Filhos
118
ANEXO E – Sem Título
119
ANEXO F – O Gato de Bota
120
ANEXO G – A Menina e o Gato
121
ANEXO H – A Princesa Catarina
122
ANEXO I – SOS Titanic O Mais Trágico Naufrágio de toda a humanidade.
Titanic
123
124
ANEXO J – A Bruxinha Matilda e Brunilda
125
ANEXO K – A Bruxinha Sapeca
126
ANEXO L – Bad Boy, a vingança
127
128
ANEXO M – As aventuras da galera
129
130
ANEXO N – A Ovita
131
