Roberto Paulo Tigre de Barros Noé

Título da dissertação: AULAS PRÁTICAS EM EDUCAÇÃO ONLINE NA FORMAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO: DIFICULDADES E PERSPECTIVAS

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

ROBERTO PAULO TIGRE DE BARROS NOÉ

AULAS PRÁTICAS EM EDUCAÇÃO ONLINE NA FORMAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL
MÉDIO: DIFICULDADES E PERSPECTIVAS

Maceió-AL
2011

2

ROBERTO PAULO TIGRE DE BARROS NOÉ

AULAS PRÁTICAS EM EDUCAÇÃO ONLINE NA FORMAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL
MÉDIO: DIFICULDADES E PERSPECTIVAS

Dissertação apresentada ao Programa de
Pós-Graduação em Educação Brasileira.
Linha de pesquisa: Tecnologias da
Informação e Comunicação na Educação
do Centro de Educação da Universidade
Federal de Alagoas como requisito parcial
para a obtenção do grau de Mestre em
Educação Brasileira.

Orientador: Prof. Dr. Luís Paulo Leopoldo
Mercado.

Maceió-AL
2011

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FOLHA DE APROVACAO

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AGRADECIMENTOS

Agradeço a todos os envolvidos direta e indiretamente na pesquisa, elaboração
e realização desse MINTER entre a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e o
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco
(IFPE) através dos seus dirigentes, professores, organizadores e pessoal de apoio.

Ao meu orientador, Prof. Dr. Luís Paulo Mercado, que colaborou com seus
posicionamentos e escritos. Aprendi bem mais que as linhas escritas nesse estudo.

A professora Leoana Sá revisora do texto.
Aos colegas do MINTER nessa longa e inesquecível caminhada de angústias e
muito estudo e, em especial, à “Turma da Pajuçara”.

Aos autores dos livros e textos consultados, os quais, muitas vezes,
desconhecem suas inestimáveis contribuições em tantos trabalhos posteriores aos
seus escritos.

Aos professores que me ensinaram as primeiras letras e, hoje, relembro-os.
Sem eles, não teria chegado aqui.

Agradeço a minha família: Cássia, Nicole, João e Camila em perceber e
reconhecer a minha necessidade e impulsividade deste meu caminhar, pensando
sempre na melhoria da qualidade do Ensino Técnico.

Aos meus pais Manoel (in memoriam) e Lourdes Tigre (in memoriam). Pais
sempre tão presentes em minha vida. O muito que aprendi com eles, exemplos de
conduta e amor, repasso hoje aos meus filhos. Aos irmãos Luís Tigre (in memoriam),
Sílvia e Lúcia.

A meus tios Antônio e Emília Mota pelo carinho e cuidados dedicados a mim,
na minha educação quando pequeno, e à minha família.

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Ao IFPE e ao DEAD pela contribuição permitindo-me a pesquisa no curso sob
a responsabilidade dessa instituição. Agora é o momento de retribuir com
sugestões,propostas,soluções pelo que foi percebido nesse estudo.

A empresa Companhia Brasileira de Trens Urbanos/ Metrô do Recife
CBTU/METROREC, em especial, ao grupo EAD/CBTU, pelo apoio e reconhecimento
prestados em meus momentos de estudo. Seguiremos, pois a semente por nós
plantada já produz frutos com a implantação de alguns cursos em EAD.

À amiga e professora Doutoranda Lialda Cavalcanti pelo incentivo, apoio e
contribuições valorosas de suas palavras, e-mails e muitos textos enviados para a
realização desse meu Mestrado. Seu exemplo de luta é um incentivo aos que
acreditam em se lançar à luta, trabalhar duro e vencer. Você é uma vencedora !

Ao amigo, colega de linha de pesquisa, de estudos e de ensino Felisberto
Nascimento à sua ajuda e companheirismo nas horas de trabalho, conversas e
caminhadas que vão além do nosso MINTER. Seguiremos mais adiante aplicando o
que foi estudado e ampliando os nossos conhecimentos em outros estudos!

A força maior dEle, Que nos permitiu e permite ,sob seu olhar e amor
,caminhar até aqui nesse estudo de Mestrado. A Ele Que está sempre em nossas
vidas!

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RESUMO

O presente estudo abordou um curso do programa e-Tec Brasil e verificou o
aprendizado dos alunos através dos artefatos do Ambiente Virtual de Aprendizagem
Moodle, bem como os materiais didáticos empregados em duas disciplinas,
Metrologia e Termodinâmica Aplicada, também analisadas. Detectadas as não
conformidades na realização do curso, em relação ao seu planejamento , sugerimos
alterações necessárias para a melhora da qualidade e adequação. Verificamos a
necessidade de formação adequada dos professores formadores e conteudistas para
essa modalidade de ensino ,bem como a carência da exploração das potencialidades
do Moodle para que fossem alcançados os objetivos de ensino nas disciplinas
analisadas. Foram empregados questionários e exercícios focados a práticas de uma
oficina que constataram carências no que concerne à aprendizagem discente.
Palavras-chave: Ensino técnico. Educação a distância. Formação.

ABSTRACT
This study addressed the program and a couse e-Tec Brazil and found the students
learning though the artifacts of the Moodle virtual learning environment and
instructional materials used in both disciplinesanalyzed. Detected non conformities in
the completion of the course in relation to couse design, suggest necessary changes
to improve the quality and suitability. Observed the need for proper training of
teachers and trainers content for this type of education as well as the lack of exploiting
the potential of Moodle so that it was achieved the goals of education in the disciplines
examined. We used questionnaires and exercises focused on the practices of a
workshop and found the needs of student learning.
Keywords: Technical education.Distance education.Treaining

7

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Momento de inércia..................................................................................62
Figura 2 – Blocos e forças..........................................................................................64
Figura 3 – Laboratório móvel......................................................................................84
Figura 4 – Caminhão baú...........................................................................................84
Figura 5 - Leitura do nônio e vernier do paquímetro do tamanho igual ao que
aparece na apostila....................................................................................92
Figura 6 - Paquímetro para leitura de profundidade...................................................92
Figura 7 - Leitura com paquímetro de precisão..........................................................93
Figura 8 – Leitura de um paquímetro do tamanho igual ao que aparece
na apostila................................................................................................93

8

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Curso de Mecânica Automotiva – Estruturação......................................74
Quadro 2 – Matriz Curricular do Curso de Mecânica Automotiva a Distância..........78
Quadro 3 – Conteúdo Programático da Disciplina Metrologia Aplicada a
Controles Automotivos...........................................................................86
Quadro 4 – Conteúdo Programático da Disciplina Termodinâmica Aplicada.........108
Quadro 5 – Categorias do Questionário Aplicado....................................................114

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 –Cores.........................................................................................................63

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LISTA DE SIGLAS

ABT - Associação Brasileira de Tecnologia Educacional
AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem
CC - Creative Commmons
CD – Disco Digital Compacto
CEFET – Centro Federal de Educação Tecnológica
CEFET-RS - Centro Federal de Educação Tecnológica do rio Grande do Sul
CEFET - Centros Federais de Educação Tecnológica
CFE – Conselho Federal de Educação
CNE/CEB – Conselho Nacional de Educação - Câmara de Educação Básica
CNTC – Catálogo Nacional de Cursos Técnicos
DEAD – Departamento de Educação a Distância
DVD – Disco de Vídeo Digital
EAD – Educação a Distância
e-Tec Brasil - Escola Técnica Aberta do Brasil
ETEC - Escolas Técnicas
ETF – Escolas Técnicas Federais
ETFPE - Escola Técnica Federal de Pernambuco
FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
IF – Instituto Federal
IFE – Institutos Federais
IFPE – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco
IOB – Informações Objetivas Publicações Jurídicas
ISO – Organização de Padronização Internacional

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IUB – Instituto Universal Brasileiro
LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação
MEC - Ministério da Educação e Cultura
MOODLE – Modular Object Oriented Dynamic Learning Environment
OA - Objetos de Aprendizagem
OVA – Objetos Virtuais de Aprendizagm
PAP – Polos de Apoios Presenciais
PAPED – Programa de Apoio à Pesquisa em Educação Presencial e a Distância
PNL - Programação Neurolinguística
RIVED - Rede Internacional Virtual de Educação - hoje, Rede Interativa Virtual de
Educação.
SEED – Secretaria da Educação a Distância
SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
SISTEC - Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica
SI - Sistema Internacional de Medidas
TDIC - Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação
TIC - Tecnologias da Informação e da Comunicação
TVE - Televisão Educativa
UAB - Universidade Aberta do Brasil
UFAL - Universidade Federal de Alagoas
UnB - Universidade de Brasília
3D - Terceira Dimensão

12

SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO...............................................................................................13

2

ENSINO TÉCNICO.........................................................................................17

3

ENSINO TÉCNICO NA MODALIDADE A DISTÂNCIA.................................38

3.1

Histórico da Educação a Distância.............................................................38

3.2

Educação Profissional Técnica a Distância...............................................46

4

DOCÊNCIA EM AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM..................51

4.1

Docência nos Cursos Técnicos em Mecânica Industrial Presencial
e Mecânica Automotiva a Distância............................................................52

4.2

O MOODLE no Projeto e-Tec Brasil............................................................54

4.3

Aulas Práticas na Educação Online no Curso Técnico de Nível
Médio de Mecânica Automotiva a Distância..............................................60

5

METODOLOGIA.............................................................................................68

5.1

Cenário da Pesquisa e do Curso.................................................................68

5.2

Pesquisa Documental..................................................................................70

5.2.1

Projeto do Curso.............................................................................................74

5.2.2

Análise do Material Didático Impresso, dos Fóruns,do Ambiente Virtual
e das Notas dos Alunos nas Disciplinas.........................................................85

5.2.2.1 Metrologia Orientada a Controles Automotivos

86

5.2.2.2 Termodinâmica Aplicada..............................................................................108
5.3

Questionário Aplicado...............................................................................113

5.4

Instrumentos de Avaliação Final para cada Disciplina...........................120

13

5.4.1

Metrologia Aplicada.....................................................................................121

5.4.2

Termodinâmica Aplicada..............................................................................122

6

CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................126
REFERÊNCIAS............................................................................................133

14
1

INTRODUÇÃO

As tecnologias que apareceram nas suas épocas foram inseridas e utilizadas
na educação como: máquinas de datilografia mecânicas, elétricas, mimeógrafos,
computador com seus editores de texto e memórias que poderiam armazenar milhões
de textos, imagens fixas e dinâmicas, sons, propiciando a aplicação destes em aulas
online, experimentos e exercícios a serem realizados pelos alunos, dimensionados
pelos professores para as suas aulas e podendo ser reproduzidos para outros
computadores ou através de impressoras matriciais, a laser ou a jatos de tintas. Hoje
já é possível imprimir em terceira dimensão (3D), que é uma reprodução de um sólido
e ainda fazer reproduções em 3D de vídeos chamada de imagem holográfica, que
produz em 3D a presença dos conteúdos das imagens projetadas que estão em um
outro ambiente real e distante que terá impacto direto na realidade virtual e que
certamente estas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) serão introduzidas
e largamente difundidas na educação em um futuro bem próximo.

No contexto atual do início do século XXI, a evolução e utilização das TIC
podem auxiliar como recurso de concepção de novos modos de se fazer educação
em resposta às transformações que vêm ocorrendo no mundo. Estas mudanças são
decorrentes de fatos tecnológicos, estruturais e conjunturais que, na globalização do
mundo produtivo, exigem um trabalhador com maior capital cultural e melhor
qualificação profissional para sua inserção nesse mercado de trabalho pelas
empresas já instaladas e por aquelas que fazem seus projetos de instalação de
macro e microlocalização.

Essas mudanças influenciam e são influenciadas pelas mudanças sociais,
políticas, pelo aumento da população mundial que necessita, cada vez mais, da
educação, da formação profissional para a população ,e as TIC conseguem atender
com suas especificidades tecnológicas e muitas vezes restritas por elas mesmas,
mas não são a única e exclusiva saída ou a salvação para todos os problemas e
mazelas existentes na educação ha séculos.

15

De 2007 até meados de 2008, participei da equipe de pesquisadores da UAB
do IFPE ficando com atribuições e responsabilidades pela parte de treinamento aos
tutores presenciais e a distância ,bem como o acompanhamento da criação de mídias
e tecnologias a serem usadas nas aulas desses cursos.

Como uma das atividades para os cursos do e-Tec Brasil, foi feito o
recebimento, acompanhamento da instalação e a pré-operação de sala de
videoconferência. Esta sala destinava-se à criação/produção de vídeo-aula para
subsidiar as aulas desses cursos a distância em todas as disciplinas. Outras
atribuições envolviam o trabalho de pesquisa com softwares de voz, adequações dos
materiais didáticos impressos dos cursos para escrita em braile para atender aos
alunos com necessidades especiais visuais e auditivas, contribuindo assim para a
educação inclusiva.

Diante do exposto, esse estudo investigou elementos, que foram aplicados nas
disciplinas de Metrologia e Termodinâmica Aplicada, para avaliar as aulas práticas na
educação online na formação dos alunos no curso de Mecânica Automotiva a
Distância. Verificamos o aprendizado efetivo dos alunos e a qualidade do processo
prático aplicado nos laboratórios do referido curso no formato e-learning.

A aplicação de testes de experimentos presenciais teóricos e práticos através
de situações-problema apresentadas aos alunos serviu para a verificação,
constatação do nível de aprendizado dos assuntos ensinados nas disciplinas
mencionadas. Analisamos se foi possível aos alunos construírem os conhecimentos
necessários para a resolução de problemas dentro de assuntos abordados em cada
disciplina investigada.

A preocupação em se ter o profissional formado sabendo aprender e depois
saber enfrentar situações e resolvê-las com o seu aprendizado aparece no site do
IFPE no curso de Mecânica Automotiva a Distância com ênfase em aprender fazer,
conforme o perfil profissional do Técnico em Manutenção Automotiva:

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O Técnico em Manutenção Automotiva é o profissional com visão
sistêmica do papel do controle e processos industriais na sociedade.
Aplica seus conhecimentos de forma independente e inovadora,
acompanhando a evolução de seu eixo tecnológico. Contribui na busca
de soluções nas diferentes áreas aplicadas, com conhecimento em
negócios, permitindo uma visão da dinâmica organizacional. Atua com
ética profissional, sustentabilidade, iniciativa empreendedora,
responsabilidade socioambiental e domínio do saber-fazer, do saberser, do saber-saber e do saber-conviver. Facilita o acesso e a
disseminação do conhecimento em seu eixo tecnológico. É crítico e
consistente em sua atuação profissional na sociedade. Possui
habilidades de comunicação e de trabalho em equipes
multidisciplinares. Aplica e respeita as normas de proteção ao meio
ambiente e de prevenção, higiene e segurança no trabalho. (grifo
nosso)

Esta perspectiva se fundamenta no fato de que a UNESCO apresentava essa
preocupação ao prever que não só o aluno aprenderia a teoria como também a forma
de executá-la na prática e a boa convivência, interação e respeito seriam atitudes
necessárias para enfrentar o desafio de ser profissional no novo século que se
aproximava. Segundo Delors (1995, p.17):

a educação ao longo da vida é baseada em quatro pilares: aprender a
conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a
ser. Educação acontece ao longo da vida de muitas formas, entretanto
nenhuma delas deve ser aplicada isoladamente. Devemos começar a
pensar a educação de uma forma mais abrangente. Neste sentido, os
quatro pilares não podem ficar isolados. Sem os quatro pilares, o
resultado não seria o mesmo no que concerne à educação. (grifo
nosso)

As TIC constituem novos meios que permitem o estabelecimento de maior
aproximação de fontes geradoras do conhecimento eliminando a distância como fator
determinante na relação espaço-temporal e a diminuição de custos para a aquisição
desses conhecimentos pelos alunos e ao longo do tempo, também na transmissão
desses cursos, facilitando a difusão de inovações e a transferência de tecnologias.
Segundo Chaves (1999, p.3):

com as novas tecnologias eletroeletrônicas, especialmente em sua
versão digital, unidas às tecnologias de telecomunicação, agora
também digitais, abre-se para o ensino a distância uma nova era ,e o
ensino passa a poder ser feito a distância em escala antes
inimaginável e pode contar ainda com benefícios antes considerados
impossíveis nessa modalidade de ensino: interatividade e até mesmo
sincronicidade.

17

2

ENSINO TÉCNICO
Nas últimas décadas, têm surgido novas propostas pedagógicas para

formação de mão-de-obra qualificada nos cursos Técnicos de Nível Médio. A Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei 9394/96 ,no artigo 80,
regulamenta a educação a distância (EAD) para os níveis de ensino:

Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação
de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades
de ensino, e de educação continuada.

§ 1º. A educação a distância, organizada com abertura e regime
especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas
pela União.

§ 2º. A União regulamentará os requisitos para a realização de exames
e registro de diplomas relativos aos cursos de educação a distância.

§ 3º. As normas para produção, controle e avaliação de programas de
educação a distância e a autorização para sua implementação caberão
aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e
integração entre os diferentes sistemas.

O Decreto 5.622/05 regulamenta o artigo 80 da LDB e dá outras providências.
Define a EAD, no que se refere à EAD no ensino técnico, regulamenta que:

Art. 1º. Para os fins deste Decreto, caracteriza-se a educação a
distância como modalidade educacional na qual a mediação didáticopedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a
utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com
estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em
lugares ou tempos diversos.

§ 1º A educação a distância organiza-se segundo metodologia, gestão
e avaliação peculiares, para as quais deverá estar prevista a
obrigatoriedade de momentos presenciais para:

I - avaliações de estudantes;

II - estágios obrigatórios, quando previstos na legislação pertinente;

18
III - defesa de trabalhos de conclusão de curso, quando previstos na
legislação pertinente; e

IV - atividades relacionadas a laboratórios de ensino, quando for o
caso.

No Art. 2º A educação a distância poderá ser ofertada nos seguintes
níveis e modalidades educacionais:

IV - educação profissional, abrangendo os seguintes cursos e
programas:

a) técnicos, de nível médio; e

b) tecnológicos, de nível superior;

Art. 3º A criação, organização, oferta e desenvolvimento de cursos e
programas a distância deverão observar ao estabelecido na legislação
e em regulamentações em vigor, para os respectivos níveis e
modalidades da educação nacional.

Constatamos, no Art. 1º, inciso IV destacado, a necessidade de se ter a
presencialidade em atividades de laboratório para os experimentos práticos relativos
aos assuntos específicos para cada disciplina em que se faça necessário. Essa
necessidade de aulas práticas deve ser dimensionada em cursos técnicos para que
venham a propiciar o aprendizado completo desde a teoria até a aplicação dos
conhecimentos na prática.

No mesmo artigo e inciso, na alínea “a”, é explicitada a possibilidade de se ter
Curso Técnico Profissionalizante de Ensino Médio na modalidade a distância
legalmente regulamentado. Nesta sequência legal, o Decreto nº 6.301/07 institui o
sistema Escola Técnica Aberta do Brasil (e-Tec Brasil) vindo a atender esta
regulamentação tão necessária em nossos dias.

Art. 1o Fica instituído, no âmbito do Ministério da Educação, o Sistema
Escola Técnica Aberta do Brasil – e-Tec Brasil, com vistas ao
desenvolvimento da educação profissional técnica na modalidade de
educação a distância, com a finalidade de ampliar a oferta e
democratizar o acesso a cursos técnicos de nível médio, públicos e
gratuitos no País.

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Parágrafo único. São objetivos do e-Tec Brasil:

I - expandir e democratizar a oferta de cursos técnicos de nível médio,
especialmente para o interior do País e para a periferia das áreas
metropolitanas;

II - permitir a capacitação profissional inicial e continuada para os
estudantes matriculados e para os egressos do ensino médio, bem
como para a educação de jovens e adultos;

III - contribuir para o ingresso, a permanência e conclusão do ensino
médio pelos jovens e adultos;

IV - permitir às instituições públicas de ensino profissional o
desenvolvimento de projetos de pesquisa e de metodologias
educacionais em educação a distância na área de formação inicial e
continuada de professores para a educação profissional técnica de
nível médio;

V - promover, junto às instituições públicas de ensino, o
desenvolvimento de projetos voltados para a produção de materiais
pedagógicos e educacionais para a formação inicial e continuada de
docentes para a educação profissional técnica de nível médio;

VI - promover, junto às instituições públicas de ensino, o
desenvolvimento de projetos voltados para a produção de materiais
pedagógicos e educacionais para estudantes da educação profissional
técnica de nível médio;

VII - criar rede nacional de educação profissional nas instituições
públicas de ensino, para oferta de educação profissional a distância,
em escolas das redes públicas municipais e estaduais; e

VIII - permitir o desenvolvimento de cursos de formação continuada e a
serviço de docentes, gestores e técnicos administrativos da educação
profissional técnica de nível médio na modalidade de educação a
distância. (grifo nosso)

O decreto citado apresenta detalhamentos para a oferta de cursos técnicos
profissionalizantes de nível médio e, no que diz respeito aos objetivos deste estudo
como a análise das aulas práticas online programadas para este curso, analisando as
suas dificuldades e perspectivas de melhorias para que atinjam o que é descrito e
contemplado nos parágrafos II, IV e VIII do artigo primeiro e citado no projeto do
curso.

20

O ensino técnico no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de
Pernambuco (IFPE), campus Recife, está organizado, em sua maioria, de cursos
técnicos para ser realizados em sala de aula presencial e estão centralizados na
região metropolitana do Recife. Esta condição torna-se um obstáculo para o acesso
de alunos oriundos do Ensino Médio, que podem ter acesso aos cursos de modo
subsequente ou aos que pretendem fazê-lo de modo paralelo, com o curso técnico
que trabalhe e estude de modo concomitante. Os trabalhadores que residem em
locais distantes desse centro formador de mão-de-obra técnica que desejam e
precisam de requalificação também encontrarão entraves para se qualificar.

Há, contudo, o início de implantação de unidades dos campi IFPE em cidades
fora da Região Metropolitana do Recife que ofertam alguns cursos técnicos. Há
também, os polos do e-Tec Brasil espalhados pelo estado de Pernambuco, com
alguns poucos cursos ofertados.

No IFPE, campus Recife, a modalidade de ensino mais adotada em cursos
técnicos continua sendo as aulas teóricas, tradicionalmente presenciais com lápis
marcador e quadro branco e para as disciplinas que exigem aulas práticas, estas
acontecem em laboratórios específicos.

De forma gradual, cada professor vem inserindo algumas mídias em iniciativas
isoladas, aleatórias e diversificadas sem planejamento institucional ou orientação
pedagógica continuada para acompanhamento de aplicação das TICs, resultando na
execução de estratégias diferenciadas e não controladas mesmo que esses
professores estejam com a melhor intenção: enriquecer a qualidade de suas aulas.
Para Moran (1999, p.5), não se justifica um ensino sem a inserção de tecnologias.

Tanto professores como alunos têm a clara sensação de que muitas
aulas convencionais estão ultrapassadas [....] Avançaremos mais se
soubermos adaptar os programas previstos às necessidades dos
alunos, criando conexões com o cotidiano, com o inesperado, se
transformarmos a sala de aula em uma comunidade de investigação.
Ensinar e aprender exige hoje muito mais flexibilidade espaço
temporal, pessoal e de grupo, menos conteúdos fixos e processos
mais abertos de pesquisa e de comunicação.

21

Diante da incorporação de TIC e do planejamento de estratégias destinadas a

qualificar demandas educativas, Tedesco (2004, p.12) afirma a necessidade de
parcerias envolvendo convênios/alianças entre os setores públicos e privados,
alianças interna no setor público. Um dos desdobramentos desta aliança é o fomento
a EAD no campus Recife em seus cursos técnicos de nível médio:

dada a diversidade de situações e o enorme dinamismo que existe
nesse campo, as estratégias políticas deveriam basear-se no
desenvolvimento
de
experiências,
inovações
e
pesquisas
particularmente direcionadas a identificar os melhores caminhos para
um acesso universal a essas modalidades, que evite o
desenvolvimento de novas formas de exclusão e marginalidade.

O ensino mediado pelas TIC pode permitir um dinamismo maior no processo
de ensino num novo paradigma na relação aluno/professor em que ambos tenham
novas responsabilidades e novos perfis com mudanças no ambiente educacional, no
tratamento da informação exigindo esforços e trabalhos das pessoas e instituições
para atenderem a uma demanda cada vez maior de alunos e planejamento de novos
cursos em novas áreas.

Nesta visão, o Projeto e-Tec Brasil vem somar aos Institutos Federais (IFE),
às Escolas Técnicas (ETEC) e aos Centros Federais de Educação Tecnológicas
(CEFET) presenciais aumentando a capacidade de oferta dessa força de trabalho.

O Projeto e-Tec Brasil surgiu da necessidade de se expandir o ensino técnico
profissionalizante pelo Brasil para que pudessem ser atendidas as demandas por
esses profissionais nas empresas já instaladas e as que pretendessem se instalar ou
se expandir,ou que viessem ter a necessidade desses profissionais em seus quadros
funcionais operacionais produtivos, de manutenção ou gerenciais.

Por outro lado, também existe, como desdobramentos dessa ação, a atração
de outras tantas empresas que pretendem se instalar, as quais em seus estudos de
viabilidades de implantação no território nacional, levam em conta a oferta de mãode-obra qualificada local,

agregam valor aos outros potenciais produtivos

estratégicos no estado de Pernambuco e no País.

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É na captação dessas empresas que se encontra uma possibilidade de
diminuir o desemprego e gerar trabalho e renda em outras regiões do Brasil. A
contribuição do Projeto e-Tec Brasil é um caminho para a oferta de mão-de-obra
técnica qualificada cada vez mais solicitada, exigida pela inserção de novas
tecnologias cada vez mais presentes nos equipamentos e processos produtivos para
as quais são requeridas habilidades e competência dos profissionais formados pelo
IFET.

Como atender a esta demanda com as suas especificidades das indústrias
cada vez mais exigentes com a formação desse profissional? Mesmo com a
implantação em Pernambuco de mais campi no grande Recife e interior do estado, o
ritmo das solicitaçõe é maior que os campi implantados para a formação do ensino
presencial.

Desde a criação no Brasil das 19 escolas de aprendizes e artífices, em 1909,
até antes da chegada das TIC e da criação do projeto e-Tec Brasil, em 2007, os
cursos oriundos destas instituições federais de ensino têm sido realizados de maneira
presencial em prédios edificados para tais propósitos para abrigar não só as salas de
aulas convencionais, como também os laboratórios específicos para cada curso
visando a um aprendizado integral e integrado entre a teoria e a prática.

Em algumas situações e por variados motivos, os laboratórios usados nas
aulas práticas do ensino técnico presencial no IFPE não acompanharam a evolução
das novas tecnologias e inovações dos equipamentos que chegam ao parque
industrial estadual.

Este atraso de ação tem causado uma defasagem no aprendizado do aluno,
pois este só consegue visualizar tais evoluções através de fotografias ou vídeos na
internet ou em revistas específicas, manuais de equipamentos dos fabricantes com
especificações técnicas ou em raras visitas técnicas quando o professor assim as faz
acontecer.

23

Na contínua evolução tecnológica de transmissão de informações, nas
comunicações mediadas por equipamentos informatizados nas últimas duas décadas,
com o aparecimento e disseminação dos computadores pessoais, começa a
acontecer uma verdadeira revolução no Brasil das possibilidades de se ensinar e
aprender. Somado a esses equipamentos, aparece a internet como a grande rede
mundial.

No início dos anos 90, o aparecimento e uso da internet de forma massiva se
deram de forma gradual e seletiva, pois os serviços custavam muito caro, e a
velocidade de transmissão e recepção de dados era baixa para a época. Com as
melhorias de oferta e de velocidade de transmissão e recepção, vem ocorrendo a
potencialização de aplicação da internet no campo educacional de forma mais geral e
realista.

Existem várias possibilidades, caminhos, pontos de atuação na aplicação em
educação e gradualmente são pensados e criados softwares aplicativos específicos
para cada curso, disciplina ou assunto. Numa visão comercial de redução de custos,
há possibilidades de esses softwares serem autoinstrutivos e usados para o
aprendizado sem a necessidade de um professor presencial. O referido programa
indica os passos e a sequência a serem seguidos para que seja alcançado o
aprendizado pelo aluno. Nessa visão de produção em mídias, como o cd e DVD, o
alcance globalizado e volume de produção se aliam ao baixo custo de produção
resultando em mais lucros.

Paralela à visão de lucros e educação massificada, a evolução das TIC na
produção em escala dos computadores e aumento de concorrência entre os
fabricantes e prestadores de serviço permitiu o barateamento desses equipamentos e
serviços, como também fez surgir oportunidades de formação de professores em
novas possibilidades de educar utilizando TIC.

A EAD se constrói e se firma no propósito de atender com qualidade aos
preceitos legais e pedagógicos e vem de forma suprir os que se encontram distantes

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dos centros ofertantes de ensino presencial. Este atendimento à população de
maneira geral vem ao encontro das demandas reprimidas pela formação profissional
e neste grupo também estão aqueles que não podem realizar seus estudos de
maneira integralmente presencial.

O uso de artefatos do ambiente virtual de aprendizagem (AVA) Moodle, sem
preparação e conhecimentos básicos pelo professor, pode acarretar um erro comum
de se transferir conteúdos do curso presencial para cursos a distância de forma muito
similar em sua apresentação. Estas situações podem tornar-se uma barreira no
aprendizado dos alunos de modo que o aprendizado não venha ser satisfatório e de
qualidade, um dos prováveis causadores da evasão na EAD.

Mesmo apresentando bons conteúdos, a forma de apresentá-lo ao aluno
através do AVA, similar a do presencial, não será o mais eficiente e eficaz pelas
especificidades de se ensinar a distância online.

Há diferenças entre o ensino presencial e a distância. A deficiência de
formação dos professores do ensino técnico profissionalizante nas instituições
federais de ensino pode ocasionar uma formação inadequada para o mercado de
trabalho, formando profissionais com dificuldades de empregabilidade no mercado
produtivo e se manterem empregados posteriormente.

O ensino nos CEFETs, no que se refere à formação de professores, tem como
referência a Lei nº 6.545/78, quando da transformação das Escolas Técnicas
Federais de Minas Gerais, do Paraná e Celso Suckow da Fonseca em Centros
Federais. No artigo 2º da referida lei, encontra-se explícita a preocupação com a
formação adequada dos professores para que esses cursos sejam ministrados. Ainda
hoje, no curso de Mecânica Industrial presencial do IFPE temos professores sem a
graduação. Esta condição limita sua atuação, pois de acordo com o art. 2º desta lei:

25
Art. 2º - Os Centros Federais de Educação Tecnológica de que trata o
artigo anterior têm os seguintes objetivos:

I- ministrar ensino em grau superior;

a. de graduação e pós-graduação, visando à formação de profissionais
em engenharia industrial e tecnólogos;

b. de licenciatura plena e curta, com vistas à formação de professores
especializados para as disciplinas especializadas no ensino de 2º grau
e dos cursos de formação de tecnólogos;

II- promover cursos de extensão, aperfeiçoamento e
especialização, objetivando a atualização profissional na área
técnica industrial;

III- realizar cursos na área técnica industrial, estimulando atividades
criadoras e estendendo seus benefícios à comunidade mediante
cursos e serviços. (grifo nosso)

Na perspectiva de que outras escolas técnicas estavam a caminho de se
transformarem em centros federais, a exemplo dos cinco CEFETs já existentes,
aquelas escolas precisariam ter a autonomia necessária para ampliar a sua oferta de
formação e como mostra o art. 3º da Lei 6.545/78, alterando o artigo 2º da Lei nº
6.565/89, que trata dos objetivos dos Centros Federais de Educação, o artigo 2º
passa a apresentar a seguinte redação:

Art. 2º - Os Centros Federais de Educação Tecnológica de que trata o
artigo anterior têm por finalidade o oferecimento de educação
tecnológica e por objetivos:

I - ministrar ensino em grau superior;

a - de graduação e pós-graduação lato sensu e stricto sensu, visando à
formação de profissionais e especialistas na área tecnológica;

b - licenciatura com vistas à formação de professores
especializados para as disciplinas específicas do ensino técnico e
tecnológico;

II - ministrar cursos técnicos, em nível de 2º grau, visando à
atualização e à formação de técnicos, instrutores e auxiliares de nível
médio;

26
III - ministrar cursos de educação continuada na área tecnológica,
visando à atualização e ao aperfeiçoamento de profissionais na
área tecnológica;

IV - realizar pesquisas aplicadas na área tecnológica, estimulando
atividades criadoras e estendendo seus benefícios à comunidade
mediante cursos e serviços. (grifo nosso)

O enfoque dado à formação de professores aparece descrito nos incisos b e III
,do art. 2º ,da Lei nº 6.565/89.

A publicação da Lei nº 8.948/94, que dispõe sobre a instituição do Sistema
Nacional de Educação Tecnológica, permitiu às escolas técnicas passarem a centros
federais se reportando à Lei nº 6.545/78, modificada pela Lei nº 8.711/93. O artigo 3º
do Decreto nº 87.310/82 demonstra:

Art.3º - São características básicas dos Centros Federais de Educação
Tecnológica:

I - integração do ensino técnico de 2º grau com o ensino superior;

II - ensino superior como continuidade do ensino técnico de 2º grau,
diferenciado;

III - acentuação na formação especializada, levando-se em
consideração a tendência do mercado de trabalho e do
desenvolvimento;

IV- atuação exclusiva na área tecnológica;

V- formação de professores e especialistas para as disciplinas
especializadas do ensino técnico do 2º grau;

VI- realização de pesquisas aplicadas e prestação de serviços;

VII- estrutura organizacional adequada a essas peculiaridades e aos
seus objetivos (grifo nosso)

A previsão de formação dos professores para o ensino técnico de ensino
médio vem desde 1978, e esses centros possuem essa prerrogativa de formar

27

professores, dadas as especificidades das disciplinas das áreas técnicas, o que se
constituiu na realização através de uma contribuição à época denominados:
“Esquema I e II”. Esquema I para portadores de diploma de grau superior para
obterem a complementação pedagógica e o Esquema II para portadores de diplomas
de técnico de nível médio em suas áreas que ,além das disciplinas constantes do
Esquema I, deverão cursar disciplinas de conteúdos relativos à área de habilitação.

Pouco se avançou desde a tentativa de adequação desses professores nos
Esquemas I e II tidos como medidas emergenciais. O art. 8º do Decreto nº 2.406/97,
entra em vigor com a seguinte redação:

Art. 8º - Os Centros Federais de Educação Tecnológica, transformados
na forma do disposto no art. 3º da Lei nº 8.948, de 1994, gozarão de
autonomia para a criação de cursos e ampliação de vagas nos níveis
básico, técnico e tecnológico da Educação Profissional, bem como
para implantação de cursos de formação de professores para as
disciplinas científicas e tecnológicas do Ensino Médio e da
Educação Profissional. (grifo nosso)

No que se refere à possibilidade desta formação, o Centro Federal de
Educação Tecnológica do Rio Grande do Sul (CEFETRS) mostra a necessidade de
que se faça o curso de formação pedagógica em um Programa Especial de Formação
para a sua atuação em disciplinas do Currículo da Educação Profissional do Nível
Técnico. Os CEFETs tiveram autorização para iniciar o programa em setembro de
1998,entretanto efetivamente implantaram as suas duas primeiras turmas a partir do
primeiro semestre do ano 2000.

A Lei 5692/71 passou a exigir a habilitação de professores para o exercício do
magistério em todas as disciplinas do currículo dos cursos técnicos de nível médio,
visto que as instituições que ministram o ensino técnico detectavam a falta de
profissionais com conhecimentos técnicos e com habilitação para as atividades
docentes. O MEC e o CFE ratificaram esta percepção das instituições e ,através da
Portaria 432/71, autorizaram a formação destes professores para as disciplinas
especiais do currículo, através dos cursos Esquema I e Esquema II, respectivamente,
para portadores de diploma de curso superior e portadores de diploma de cursos
técnicos de nível médio.

28

Posteriormente a Resolução n° 2/97 alteraria a Portaria 432/71 que ,a partir de
então, a formação poderia ocorrer através de Programas Especiais de Formação
Pedagógica, que substituíram os antigos Cursos de Esquema I, sendo destinados aos
portadores de diploma de nível superior, em cursos relacionados à habilitação
pretendida.

Com a Portaria n° 646/97, que regulamenta a implantação do disposto nos
artigos 39 e 42 da Lei 9.394/96 e no Decreto nº 2298/97, passou-se a ter a
possibilidade, no seu artigo 8º, de que as Instituições Federais de Educação
Tecnológica implementassem Programas Especiais de Formação Pedagógica para
professores das disciplinas do currículo de educação profissional, quando
autorizadas.

A situação criada não resolveu o que o sistema necessitava, pois o próprio
CEFET-RS mostra que, devido à renovação do quadro de professores nas
Instituições Federais de Ensino, é urgente e necessária a oferta de Programas
Especiais de Formação Pedagógica, voltadas à formação de quadros docentes,
habilitando-os para o magistério nas disciplinas do Currículo de Educação
Profissional.

A grade curricular do CEFET-RS mostra o que deve ser realizado para se ter
professores capacitados e habilitados, conforme a lei, que venham de fato a atender
à demanda com qualidade e formação corretas. É evidenciada a preocupação
também com a atualização tecnológica necessária para o bom desempenho desses
professores como mostram os módulos do curso:

O Programa Especial de Formação Pedagógica de Docentes para as
Disciplinas do Currículo da Educação Profissional do Nível Técnico
deverá ser desenvolvido com carga horária total de 640 horas, sendo
340 horas consideradas de formação e embasamento em nível das
competências: pedagógica, relacional e tecnológica. A confecção do
programa curricular foi orientada na abordagem de temas geradores
pertinentes com a formação pedagógica e agrupados nos seguintes
módulos:

Módulo: Relações Humanas;

29
Módulo: Educação, Tecnologia e Trabalho;

Módulo: Fundamentos
Epistemologia;

da

Psicologia

da

Aprendizagem

e

da

Módulo: Didática e Metodologia do Ensino;

Módulo: Estrutura do Ensino e Realidade Industrial;

Módulo: Tecnologia Educacional Aplicada;

Módulo: Planejamento e Prática de Ensino. (grifo nosso)

A sociedade cada vez mais percebe a importância e necessidade de uma
formação e preparação do aluno para o mercado de trabalho com qualificação
profissional técnica para atendimento as indústrias. Esta formação dos professores é
necessária para enfrentar o desafio do acompanhamento das TICs inseridas no
processo ensino-aprendizagem. No parque industrial de Pernambuco, a demanda por
técnicos é grande, e a EAD passa a ser uma alternativa ao atendimento desta
demanda que, somada à educação presencial, pode reverter a situação econômica,
social e geopolítica do Estado.

Essas empresas estão cada vez mais aparelhadas com mais tecnologias,
necessitando de mão-de-obra para serviços técnicos específicos, especializados e
muitas vezes terceirizados na área de bens e serviços. Este universo de vagas gera
uma grande demanda para acesso a um curso do IFPE. Atualmente o perfil dessas
pessoas é das que finalizaram o Ensino Médio e ainda não têm profissão,
empregados dos setores produtivos que precisam de qualificação e requalificação.

No caso daqueles que já estão empregados e trabalham em horário integral, é
desgastante

fisicamente

compatibilizar

seus

horários

profissionais

e

suas

responsabilidades pessoais e familiares com um novo curso. É o caso dos que
trabalham 8 horas diárias em empresas ou como autônomos, com jornadas de 5 ou 6
dias na semana restando-lhes apenas um horário livre para estudar ou ,quando
trabalham em sistema de revezamento de turnos e em escalas de serviço e este

30

escalonamento na semana laboral dificulta a sua presença diária em cursos
presenciais, pois têm de optar por um turno determinado para fazê-lo inscrevendo-se
nos concursos para cursos presenciais.

Tentando minimizar as dificuldades que lhes são inerentes, relativas às
jornadas de trabalho em turnos de revezamento ou turnos fixos, a modalidade de
EAD pode ser uma saída para oportunizar a essa demanda a possibilidade de
realização de cursos para formação de técnicos de nível médio profissional.

Num cenário real da expansão da economia estadual, que é percebido no
aumento da implantação e expansão de indústrias de bens e serviços, a falta dessa
formação poderá causar a estagnação profissional do trabalhador, desmotivação
pessoal e a sua exclusão do mercado de trabalho, que evolui exigindo desses uma
formação maior, melhor e atualizada cada vez mais rápida ao longo da sua vida. Há
também o risco de ocorrer a diminuição do ritmo de crescimento industrial e
econômico se houver falta de mão-de-obra especializada. Segundo Keegan (1991,
p.39),as principais características da modalidade EAD são:

separação física entre professor e aluno, que distingue do ensino
presencial; influência da organização educacional (planejamento,
sistematização, plano, projeto, organização dirigida), que a diferencia
da educação individual; utilização de meios técnicos de comunicação,
usualmente impressos, para unir o professor ao aluno e transmitir os
conteúdos educativos; previsão de uma comunicação de mão dupla,
onde o estudante se beneficia de um diálogo, e da possibilidade de
iniciativas de dupla via; possibilidade de encontros ocasionais com
propósitos didáticos e de socialização; e participação de uma forma
industrializada de educação a qual se aceita, contém o gérmen de uma
radical distinção dos outros modos de desenvolvimento da função
educacional.

Neste caso, a modalidade da EAD com o uso de AVA pode atender a este
público e demanda, auxiliando na formação desses profissionais.

No período de 2001 a 2004, na função de coordenador do Curso de Mecânica
do IFPE, constatamos a solicitação das empresas pelo curso Técnico de Mecânica
Industrial como também Automotivo com ofertas fechadas para seus empregados
que, apesar de possuírem a experiência prática do saberem fazer as operações

31

necessárias em seus trabalhos diários, não tinham a habilitação e o diploma de
técnicos tão necessários em momento de certificações de qualidade ISO 9000 ou ISO
14.000, para incrementar as vendas de suas empresas em novos mercados
consumidores mais exigentes e universalizados.

A procura pelo curso de Mecânica Industrial presencial no IFPE tem se
mantido, bem como o que se refere à oferta de vagas. Dados do primeiro semestre
de 2011 da própria Instituição mostram o nível de concorrência por vaga em torno de
15:1 para o curso de Mecânica Industrial em Recife ,no turno da manhã.

Nos estudos e pesquisas que realizamos durante o curso de Especialização
em EAD e no curso de Extensão sobre Tutoria Online, ofertados pelo Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial em Pernambuco (SENAC/PE), bem como na
Especialização em Mídias e Tecnologias em Educação, promovida pela Secretaria da
Educação a Distância (SEED/MEC), abordamos a utilização e aplicação de recursos
tecnológicos e didáticos no ensino e constatamos a viabilidade de Ensino Técnico de
Mecânica Automotiva a distância dentro do Programa e-Tec Brasil que segue os
moldes da Universidade Aberta do Brasil (UAB), em nível médio técnico
profissionalizante.

O cuidado no que concerne ao trato da comunicação entre alunos-tutoresprofessores no AVA deve ser considerado devido à existência das diferenças
individuais dos níveis de conhecimentos sobre o assunto abordado em aula e
,ainda,deve-se sempre observar as dificuldades geradas quando da explanação do
conteúdo ensinado.

Barros (2009, p.14) afirma que “a cultura, os modos de pensamento e ação, as
crenças e valores, os hábitos e tabus não são adquiridos pela instrução, pelo menos
antes de ir à escola” e ,percebendo-se esta individualidade pertencente a cada um
dos alunos, temos de ter atenção nas escolhas de elementos que viabilizem a
comunicação do que se quer ensinar, pois de acordo com o autor citado, os
elementos básicos da comunicação são:

32
A realidade ou situação onde se realiza e sobre a qual tem um efeito
transformador; só interlocutores que dela participam; os conteúdos ou
mensagens que compartilham; os signos que utilizam para representálos e; os meios que empregam para transmiti-los.

Nesta perspectiva, a comunicação na EAD deve contemplar materiais
multisensoriais para proporcionar o compartilhamento de experiências e pensamentos
entre os participantes no AVA. Contudo, é preciso considerar outros fatores, de
acordo com Barros(2009), que interferem na comunicação como: biológicos,
psicológicos, sociológicos e econômicos que podem interferir de modo positivo ou
negativo no processo da comunicação. Neste campo, a tecnologia assistiva com seus
recursos que permitem ampliar habilidades funcionais de quem tem restrições ou
deficiências físicas fazendo com que haja a diminuição da exclusão digital e social.

Com a inserção de fotos, figuras de conhecimento prévio do aluno ou mesmo
fazendo comparações com conhecimentos prévios dos alunos, um início de
interatividade com a aula será propiciado com estas inclusões. Na visão de Silva
(1998, p.29):

a interatividade vai além de interação digital, pois está na disposição
ou predisposição para mais interação, para uma hiper-interação, para
bidirecionalidade, fusão emissão-recepção, para participação e
intervenção. Não se restringe ao simples a realizar, mas ele vê como
um processo bem maior e interligado, mutável em suas posições de
emissor e receptor gerando momentos de mais comunicações no
grupo participante.

Essas interações mostram novas informações que podem se transformar em
conhecimento que está sendo construído. Tanto na sala de aula virtual quanto na sala
de aula presencial e no seu espaço social, ao confrontar novas informações
percebidas comparando-as com as já assimiladas anteriormente, o aluno pode
construir novos conhecimentos. Estes comportamentos e ações são esperados do
tutor no incentivo e estímulo do aluno a participar e contribuir na construção do seu
conhecimento e dos demais alunos em um fórum, por exemplo. Na linha
construtivista, a teoria de Johnson-Laird (1987, p.37) defende:

33
Uma representação é qualquer notação, signo ou conjunto de
símbolos que "representa" alguma coisa para nós, na ausência dessa
coisa que é, tipicamente, algum aspecto do mundo externo ou de
nosso mundo interior, ou seja, nossa imaginação As representações
podem ser divididas em externas e internas ou mentais.

As representações externas são coisas do tipo mapas, diagramas,
pinturas, manuais, descrições escritas. De um modo geral, há duas
grandes classes de representações externas: as que são pictóricas ou
diagramáticas; e as que fazem uso de palavras ou outras notações
simbólicas;
ou,
simplesmente,
representações
pictoriais
e
representações linguísticas.

Ao nos reportarmos a fatos que signifiquem ou façam parte do seu
conhecimento prévio, estaremos contribuindo para a melhora do aprendizado do
aluno que ,por associação, irá construir o seu conhecimento do novo conteúdo de
maneira mais adequada.

Mercado (2009, p.26), partilhando desta linha de conduta na aprendizagem,
nos mostra que:

- o foco da aprendizagem passa a ser a busca da informação
significativa, pesquisa e desenvolvimento de projetos, numa
aprendizagem colaborativa, que envolve a aquisição de
conhecimentos, habilidades ou atitudes, processo resultante da
interação grupal;

- cada aluno tem conhecimentos e experiências individuais para
oferecer e compartilhar com os outros membros do grupo;

- quando trabalham juntos, um membro ajuda o outro a aprender;

- para construir uma equipe, cada membro do grupo deve
desempenhar um papel para realizar a missão do grupo;

- intercâmbio de papéis desempenhados no grupo adiciona valor ao
trabalho da equipe, porque o estudante pode assumir um ou outro
papel com o qual esteja mais familiarizado numa dada situação.

Outro ponto fundamental na educação on-line, de acordo com Mercado
(2009) , dá-se pela combinação de aulas por vídeos, teleconferências e
internet, com atividades individuais ou em pequenos grupos feitas
antes e depois das aulas, parte online e parte offline;

34
- pela participação colaborativa do tutor e alunos intervindo na
mensagem como co-criação da emissão e da recepção;

- pela bidirecionalidade e dialogia, em que a comunicação é uma
produção conjunta da emissão e da recepção – os dois polos codificam
e decodificam;

- pelas conexões em teias abertas, nas quais a comunicação
supõe múltiplas redes articulatórias de conexões e liberdade de
trocas, associações e significados. (grifo nosso)

A utilização de exemplos práticos e pertinentes ao assunto até o emprego de
um linguajar técnico, como também o falado nas oficinas fazem parte do aprendizado
dos alunos. Neste contexto Silva (2003, p.20) afirma que:

Enquanto a interação nos leva a uma atualização, a um
acontecimento, a interatividade nos leva a uma virtualização, a um
estado de potência, à abertura de um campo problemático.

Interatividade é a disponibilização consciente de um mais
comunicacional de modo expressivamente complexo, ao mesmo
tempo atentando para as interações existentes e promovendo mais e
melhores interações – seja entre usuário e tecnologias digitais ou
analógicas, seja nas relações “presenciais” ou “virtuais” entre seres
humanos.

Dillenbourg (2000, p.8) mostra que os alunos são levados a viver e dinamizar a
sua atuação:

Em outras palavras, a noção de uma atividade de aprendizagem em
ambientes virtuais de aprendizagem refere-se a algo mais ricos do que
nos cursos.... A diferença entre os ambientes construtivistas e os
outros é que os ambientes virtuais potencialmente oferecem como
fazer os alunos se comportarem, não apenas ativo, mas também
atores, ou seja, estão presentes e colaboram no espaço social e de
informação.

Não é uma tarefa simples devido ao pouco tempo para professores se
apropriarem de tudo o que se relaciona às TIC nas múltiplas aplicações e
possibilidades. Mercado (2004, p.15,19) mostra o desafio que se forma:

35
O desafio não é simples: como professores, nós precisamos preparar
os alunos para trabalhar com um universo tecnológico no qual nós
mesmos ainda somos principiantes.

O desafio das novas tecnologias não é apenas técnico e pedagógico: é
também um desafio de poder, pois a facilidade de comunicar entre as
escolas de uma região ou com instituições de outros países, de
comunicação entre alunos e professores por e-mail, de fazer entrevista
online com cientistas, tudo isto abre um gigantesco espaço de
democratização e de re-equilibramento social através das novas
tecnologias.

Se somarmos a este desafio um horizonte no qual ocorram dificuldades ou
restrições às habilidades sensoriais de cada aluno, teremos a seguinte situação:
alguns alunos poderão ser mais auditivos outros mais visuais fazendo com que os
materiais didáticos, ao lhe serem apresentados, possam fazer uma grande diferença
no aprendizado de acordo com o modo, meio da comunicação que foi escolhido pelo
professor formador para ser ministrado o conteúdo no Moodle.

Rose (2007, p.74) mostra a importância da prática e destaca que deveremos
ter cuidado na separação, distinção entre teoria prática, pois há necessidade de se ter
teorias para as realizações práticas por mais simples que se apresentem:

Considerem como muitas distinções que fazemos sem cuidado sobre o
trabalho e que acarretam pesadas implicações sobre o trabalho e o
trabalhador. Essas distinções são apresentadas geralmente como
pares de oposição: cérebro versus mão, intelectual versus prático, puro
versus aplicado, do pescoço para cima versus do pescoço para baixo.

Nesta visão, Barato (2002, p.14) enfatiza que é necessário ter-se teoria e
práticas sendo aplicadas a uma determinada tarefa, obra, para que ocorra o processo
ensino-aprendizagem no ensino profissional e sugere um novo planejamento e
comportamento em sala de aula:

As tradicionais turmas homogêneas seriam substituídas por equipes de
trabalho cujos participantes teriam diferentes níveis de domínio das
técnicas e operações requeridas pelas obras.

Princípios de divisão do trabalho seriam utilizados para atribuir tarefas
distintas aos membros das equipes de produção.

36
Os docentes atuariam como mestres, propondo obras, instruindo os
participantes, avaliando resultados parciais e oferecendo orientações,
executando, para efeitos demonstrativos, partes do trabalho.

Participantes de todos os níveis negociariam, por meio da execução,
significados dos saberes necessários ao alcance da obra.

Avaliações de aprendizagem aconteceriam como julgamentos de
operações no processo e na apreciação da obra pronta. Tais
julgamentos seriam efetuados tanto por aprendizes como pelo mestre.
Os “cursos” não teriam data de início e término. A qualificação ou
habilitação dos alunos ocorreria de acordo com domínio de processos
necessários à produção das obras que integrariam o “currículo”

Com a contínua atualização de informações relacionadas aos conteúdos
ministrados aos alunos, os professores conteudistas e formadores podem explicar o
que querem do assunto da aula de maneira mais contextualizada com o assunto
abordado. Em complemento ao atendimento do aprendizado de qualidade do aluno e
na construção do novo conhecimento deste, a escolha adequada da interface do
Moodle é de grande relevância, pois a maneira de passar as informações e
conteúdos na comunicação para facilitar e simplificar o entendimento poderá ser feita
de modo não adequado. Nesse contexto, as TIC se fazem presentes em suas
potencialidades ajudando a estruturar e organizar as informações contidas nessas
comunicações.

Na elaboração de cursos na EAD, segundo Moran (1994, p.9), é necessário
equilibrar o planejamento e a flexibilidade dos ritmos de aprendizagens dos alunos
levando-se em conta as diferenças individuais:

um bom curso a distância não valoriza só os materiais feitos com
antecedência, mas como eles são pesquisados, trabalhados,
apropriados, avaliados. Traçar linhas de ação pedagógica maiores
(gerais) que norteiam as ações individuais, sem sufocá-las. Respeita
os estilos de aprendizagem e as diferenças de estilo de professores e
alunos. Personalizar os processos de ensino-aprendizagem, sem
descuidar do coletivo. Permite que cada professor, monitor, encontre
seu estilo pessoal de dar aula, onde ele se sinta confortável e consiga
realizar melhor os objetivos, com avaliação contínua, aberta e
coerente.

37

O processo de verificação das escolhas das interfaces escolhidas no AVA
pelos professores formadores para cada uma dessas disciplinas deverá ter uma
sequência : verificar a adequação dos materiais didáticos específicos de cada tópico
de cada disciplina, adequação das interfaces escolhidas para saber se foi alcançado
um ensino de qualidade, e se não, por qual razão. Para tanto, é necessária uma
formação em EAD associada a uma formação teórica e prática em oficinas pelos
professores do curso. Este foi um dos objetivos do presente estudo e que nos
permitiu indicar um caminho possível a ser percorrido para a melhora da qualidade
das aulas desse curso.

38

3

ENSINO TÉCNICO NA MODALIDADE A DISTÂNCIA

No início da Educação Profissional a Distância no Brasil, foi utilizada a
tecnologia do material impresso disponibilizada na época, com facilidade através do
envio de apostilas. Materiais, componentes e ferramentas para aulas práticas eram
enviadas para os alunos realizarem as suas aulas práticas sem a presença física de
um professor. As dúvidas dos alunos eram perguntadas e respondidas através de
correspondência via correio postal, fax, telex ou telefone.

A iniciativa empreendedora desses cursos teve como marco os cursos do
Instituto Universal Brasileiro (IUB), como também o Instituto Monitor há 60 anos.
Ainda hoje estes cursos se mantêm ativos e atualizados empregando TIC variadas
inclusive com o apoio da internet e comunicação online em seus cursos
profissionalizantes, todos voltados para o mercado de trabalho. Os cursos técnicos
têm um novo impulso a partir do Programa e-Tec Brasil o qual relataremos adiante.

3.1

Histórico da Educação a Distância

Um primeiro marco da EAD foi, de acordo com Keegan (1991), o anúncio
publicado na Gazeta de Boston, no dia 20 de março de 1728, pelo professor de
taquigrafia Cauleb Phillips através do anúncio: "Toda pessoa da região, desejosa de
aprender esta arte, pode receber em sua casa várias lições semanalmente e ser
perfeitamente instruída, como as pessoas que vivem em Boston".

A história e o desenvolvimento da EAD estão intrinsecamente relacionados ao
desenvolvimento dos meios de comunicação de acordo com Silva (2003, p.39):

Alguns estudiosos apresentam o Novo Testamento, especialmente as
Epístolas de São Paulo como a origem da Educação a Distância,
quando informação e conhecimentos sobre o cristianismo eram
difundidos aos cristãos distantes, assumindo uma nova dimensão de
alcance: o apóstolo instruía seus discípulos em Corinto, na Galácia, em
Éfeso e noutras cidades distantes. Fato é que a escrita tornou possível
a comunicação assíncrona, portanto é, historicamente, um instrumento
indispensável à EaD.

39

Na definição de Moran (1999, p.6), a EAD é:
O ensino/aprendizagem onde professores e alunos não estão
normalmente juntos, fisicamente, mas podem estar conectados,
interligados por tecnologias, principalmente as telemáticas, como a
internet. Mas também podem ser utilizados o correio, o rádio, a
televisão, o vídeo, o CD-ROM, o telefone, o fax e tecnologias
semelhantes.

Nesta visão de EAD, a temporalidade exerce uma força marcante e
determinante na sua composição do uso de meios tecnológicos, de instrumentos e
meios de comunicação. Estas aplicações vêm para que se atenda às necessidades
de se educar a mais indivíduos em locais e condições mais distantes dos centros
presenciais de educação e que os arranjos dos meios e materiais didáticos propiciem
e proporcionem a motivação necessária e imprescindível para aprender com
autonomia e organização.

Há possibilidades da modalidade EAD em se aplicando as tecnologias
disponíveis, possíveis, viáveis técnica e economicamente alcançar as competências
pretendidas.

Há diferenças entre a educação presencial e a EAD tanto sentidas no lado do
aluno quanto necessárias na conduta e formação dos professores. Nesta visão,
Mercado (2009, p. 21) mostra desvantagens e vantagens para a utilização da EAD
como, em destaque, fatos que se detectaram e se mostraram no curso analisado
comprovando, as dificuldades encontradas neste estudo:

diferenças entre a educação presencial e a educação on-line:

Como vantagens da educação on-line, temos: flexibilidade do ambiente
de estudo; atividade independentemente da situação geográfica e
temporal na qual se encontre o aluno; diferentes modalidades
interativas: interação dos alunos com os materiais didáticos oferecidos,
interação com o tutor, e com os outros colegas, independentemente da
situação espaço-temporal onde se encontrem, com um especialista em
conteúdos e com o ambiente virtual; facilidade para colocar novos
conteúdos e materiais à disposição dos usuários; utiliza-se tanto o
ensino individual quanto grupal; favorece uma educação
verdadeiramente multimídia, em que utiliza uma diversidade de meios,
recursos e sistemas para representar a informação, além de uma
perspectiva de construção individual da informação pelo aluno;

40
centralização/descentralização administrativa da informação; criação
de macrocomunidades intereducativas (diminuição de custos,
coordenação de esforços; internacionalização de relações,
enriquecimento intercultural); acesso imediato de baixo custo a bancos
de informação digitalizada (bibliotecas on-line, sites temáticos
especializados, sites institucionais, intercâmbio on-line em tempo real
de trabalhos e materiais de consulta, acesso a programas didáticos de
livre distribuição, ferramentas eletrônicas de autor – programas,
aplicações); facilita o desenvolvimento de atividades de aprendizagem
cooperativa e permite a comunicação e conversação sincrônica com
outros usuários, favorecendo a criação de comunidades virtuais de
aprendizagem.

As desvantagens da educação on-line: tutores e alunos requerem
formação para poder trabalhar num ambiente virtual de
aprendizagem; pouco conhecimento das potencialidades para a
criação de ambientes para a aprendizagem; riqueza da relação
educativa pessoal entre professor e aluno é empobrecida; feedback
pode ser muito lento; retificações de possíveis erros cometidos nos
materiais, nas mensagens e na avaliação apresentam mais
dificuldades que nos processos educativos presenciais; ruído na
comunicação (deficiente interação figura-fundo, vocabulário
inadequado, textos visuais multimídias sem foco ou com
problemas de recepção acústica); excessiva tendência para o uso dos
sistemas de acompanhamento, avaliação e tutorização automática;
desmotivação progressiva e ocasional abandono do processo de
aprendizagem nos casos em que os desenhos metodológicos e
organizativos não favorecem o estabelecimento de relações
interpessoais de alunos/tutores e de alunos entre si; parte dos
tutores e alunos não possui conhecimentos, habilidades e
atitudes necessárias para desenvolver e utilizar com fins
pedagógicos a tecnologia e cultura digital; resistências pessoais a
mudança e inovação pedagógica que representa a educação on-line.
Muitos professores se sentem incomodados ou incapazes para
desenvolver uma ação educativa através da internet; estudo e
aprendizagem através da internet é quase sempre tarefa realizada por
um indivíduo de forma solitária, em que a maior parte das expectativas
educativas desenvolvidas se baseiam na individualização do ensino;
muitas experiências de EaD se baseiam em métodos de ensino
expositivo, aprendizagem por recepção,em que o aluno memoriza
informações. (grifo nosso)

As iniciativas no mundo, como demonstram Moore e Kearsley (2007, p.277),
processaram-se aos poucos e com aplicações variadas, pois o desenvolvimento
tecnológico entre os países não está num mesmo patamar. Hoje esta distância já está
bem reduzida devido ao fato da globalização das TIC.

Nesta visão, tanto o acesso, fornecimento e tecnologias aplicadas na educação
sofreram mudanças e todos terão que se adequar a essa nova realidade, pois não se
fará a mesma apresentação e não se terá o mesmo resultado repetindo-se

41

conteúdos,

formatações,

procedimentos,

atitudes

e

maneiras

de

ensinar,

simplesmente copiando e transportando tudo do ensino presencial para a EAD.

O desenvolvimento histórico da EAD no Brasil é observado em suas iniciativas
mais relevantes na utilização de mídia rádio a partir do ano de 1923, na Rádio
Sociedade do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, é criada a Fundação Roquete Pinto
que perdurou por muitos anos levando educação através da radiodifusão.

No que se refere diretamente aos cursos profissionalizantes, afora os de nível
médio técnico, foi criado o Instituto Rádio Técnico Monitor em 1939; hoje, Instituto
Monitor, que ajudou na formação de pessoas que precisavam mudar e melhorar de
vida principalmente em tempos iniciais de agitações e previsões de guerra mundial.

Atuando na formação profissional básica através de fascículos enviados aos
alunos e as dúvidas, questionamentos dos alunos eram sanados, resolvidos
inicialmente com o envio e recebimento de cartas. Nesse período, tal metodologia foi
aplicada tanto na Marinha quanto no Exército Brasileiro através de cursos por
correspondência.

Posteriormente com a evolução das TIC foram usando fax, telefone e mais
recentemente correio eletrônico.

Em 1941, o IUB também inicia suas atividades de ensino a distância com
cursos por correspondência na formação profissional básica. Em 1969, a Televisão
Educativa (TVE), do Maranhão, realiza cursos de 5ª a 8ª séries com material
televisivo, impresso e monitores nas salas. Em 1970, a Informações Objetivas
Publicações Jurídicas (IOB) realiza cursos por correspondência para o setor terciário
com assuntos atualizados e completos nesta área.

Um grande projeto, acontecido no País em 1970, foi o Projeto Minerva que
teve amplo alcance e repercussão com seus cursos transmitidos pelo rádio, em
cadeia nacional, às 19 horas, próximo à “Hora do Brasil”. Outras iniciativas ocorreram,

42

como foi o caso da TVE do Ceará em 1974 com cursos de 5ª a 8ª série, com material
televisivo, impresso e monitores presenciais ajudando na condução das aulas em
sala.

Em 1976, o SENAC cria o Sistema Nacional de Teleducação com cursos feitos
através de material instrucional, o referido Sistema atendeu, entre 1976 e 1995, a
dois milhões de alunos. Em 1979, o Centro Educacional de Niterói com seus módulos
instrucionais, com tutoria e momentos presenciais realizava cursos de 1º e 2º graus
para jovens e adultos. Nesse ano, o Colégio Anglo-Americano no Rio de Janeiro, que
atuava em 28 países com cursos de correspondência para brasileiros residentes no
exterior em nível de 1º e 2º graus vem dar a sua parcela de contribuição na EAD da
época.

Em 1991, a Fundação Roquete Pinto lança o programa Um Salto para o
Futuro, para a formação continuada de professores do Ensino Fundamental. O
programa televisivo ainda existente nos dias atuais,é transmitido pela TVE.

No Brasil, a utilização inicial da EAD emprega a mídia rádio, evoluindo
gradualmente para o Telecurso 2000,transmitido pela TV aberta ,que disponibiliza a
aquisição de suas aulas em fitas para videocassete VHS para serem assistidas em
horários e locais desejados.

As fases ou gerações da EAD, segundo Moore e Kearsley (2007), são
classificadas em períodos que se separam claramente por uso e inserções das
potencialidades das tecnologias disponíveis da época que foram aparecendo, sendo
introduzidas e incorporadas nesse campo da educação. Neste sentido em nosso
curso, já é possível disponibilizar recursos de TDIC relativa a sexta geração.

A primeira geração (1829 – 1960) caracteriza-se por usar uma tecnologia
predominante: papel impresso (1850+), rádio (década de 30) e televisão (1950 –
1960); comunicação principalmente em um só sentido; interação entre a instituição e
aluno por telefone ou correio; ocasionalmente apoiada por ajudas presenciais.

43

A escrita impressa em papel predomina, com a sua facilidade de envio de
material didático e de recebimento de tarefas e avaliações dos alunos. Não há uma
preocupação ecológica relativa aos desmatamentos para a produção das folhas de
papel nem o seu tratamento para torná-lo mais claro. O rádio entra como diferencial
para se escutar as explicações do conteúdo, mas ainda se faz de modo simples, sem
uma interação. A comunicação se faz em um único sentido. Em comunicação
eletrônica, a definição de comunicação simples é a que se faz em uma única direção
e sentido, não permitindo uma interação em tempo real ou posterior de modo
satisfatório ou programado, pois há uma série de condicionantes para que as
respostas, como as enviadas através do correio ou telefone, possam ser dadas em
um momento único, via rádio.Vale salientar que são respostas relativas ao conteúdo
daquele dia.

A televisão ainda se encontrava em seu início com dificuldades técnicas de
alcance aos que se encontravam mais distantes. Era tão-somente uma maneira de se
ensinar dentro da nova tecnologia que estava surgindo. Nessa época, apenas uma
pequena parcela da população tinha aparelhos de TV.

A segunda geração (1960 – 1985) tem as seguintes características: múltiplas
tecnologias, mas ainda sem o uso do computador; fitas de áudio, televisão, fitas de
vídeo, fax e papel impresso; comunicação principalmente em um só sentido;
interação entre as instituições e o aluno, realizada via telefone, fax ou correio e
,ocasionalmente, apoiada por encontros presenciais.

Nessa geração se desenvolve a televisão, sendo que boa parte era ainda em
preto e branco. As fitas de vídeo foram empregadas em larga escala com o uso dos
videocassetes e reproduzidos no aparelho de televisão. Nessa fase de aplicação das
fitas, há o surgimento dos telecentros nos quais as fitas são projetadas e como
complemento são explicadas as aulas. Há ainda uma carência de formação de
professores com conhecimentos de aplicação dessas tecnologias que possam obter
um bom resultado na aprendizagem dos alunos.

44
A terceira geração (1985 – 1995) tem as seguintes características: múltiplas
tecnologias, incluindo o computador e a internet; programas de computadores, cd ;
uso de audioconferências, seminários e videoconferências por satélite, a cabo ou
telefone, fax e papel impresso; possibilidade de comunicação interativa em dois
sentidos, síncrona e assíncrona, entre instituição e alunos e entre os alunos.
Aparecem os AVAs.

Ocorre o aparecimento da internet como o grande diferencial que engloba as
possibilidades de se ter textos, gráficos, vídeos, sons, permitindo no final dessa
geração a interação entre alunos, professores e a instituição de ensino de forma
síncrona.

A quarta geração (1995 – 2005) caracteriza-se por: múltiplas tecnologias;
transmissão (internet banda larga), programas de computadores mais eficientes, cd e
internet; videoconferências por satélite, a cabo ou telefone, fax e papel impresso; email, chat ,além da transmissão em banda larga para experiências de aprendizagem
individualizada, personalizada e interativa por vídeo; interação bidirecional em tempo
real mediante áudio e vídeo; comunicação assíncrona e síncrona, AVA; transmissão
completa mediante vídeo digital com base de dados e recursos com conteúdos
disponíveis na internet.

Nessa geração, há uma crescente aplicação em cursos de graduação e pósgraduação com a possibilidade de uso mais intenso de mídias que ocupam mais
espaço de memória, como o vídeo, em plataforma de ensino e uso de objetos de
aprendizagem mais ricos em cores, movimentos e sons. Este desenvolvimento está
atrelado à evolução dos computadores e ao barateamento dos mesmos devido à
produção em larga escala e aparecimento de muitos fabricantes acirrando em muito a
concorrência.

A quinta geração (2005 -

) caracteriza-se pelo uso de equipamentos

wireless, m-learning e linhas de transmissão eficientes (radiofrequência), celulares;
organização e reutilização dos conteúdos (objetos de aprendizagem); maior interação

45

e velocidade na comunicação entre os agentes da EAD; aprendizagem flexível e
inteligente; uso de blogs por professores em suas disciplinas presenciais facilitando e
dinamizando as suas aulas.

As redes de alta velocidade da internet ainda pouco se destacaram, pois
alcançam uma parte pequena da população que se ressente de custos altos para
acessá-la. Os provedores de internet agora disponibilizam através de modens fixos,
através de linhas de pares físicos de fios de telefones já existentes, modens móveis
com o uso chips de celulares adaptáveis aos notebooks ou netbooks ou já
incorporados aos mesmos, vindos assim da própria fábrica, radiofrequência ou
cabeamento estruturado. Cresce a oferta de operadoras de celular com promoções
de vendas de aparelhos celulares com acesso à internet grátis que possibilita ao
usuário comunicar-se nas redes sociais, ter e-mails, bem como acessar cursos a
distância.

A UAB em 2006 e o programa e-Tec Brasil em 2007 já se inserem na quinta
geração da EAD. Nesta visão, os estudos realizados nos mostram que, após a quinta
geração, aparecerá uma sexta com mais recursos tecnológicos, com propósitos de
melhorar ,cada vez mais, enriquecer e dinamizar o ensino online, mas não há
consenso ou definição de um marco que indique a finalização da quinta e o início da
sexta geração da EAD no mundo.

A sexta geração (

- 2011) caracteriza-se pelo uso da TV digital, Web 2.0, do

Second Life com avatares em ambiente virtual rico e dinâmico; uso de blogs por
professores em suas disciplinas facilitando e dinamizando as suas aulas e,ainda,
softwares

específicos aplicados para a realização de pesquisas online de fácil

manuseio pelo grande público da internet.

Não há ainda uma definição clara do fim da 5ª geração para o início da 6ª
geração, pois vivenciamos esta transição e não há consenso do marco determinante
desta mudança.

46

Constatamos

que

as

gerações

são

diretamente

diferenciadas

pela

incorporação de tecnologias mais recentes aplicadas à educação. A tecnologia por si
só não realiza o ensino, mas o emprego correto e bem dimensionado pelo professor
pode obter bons resultados no processo ensino-aprendizagem. Percebemos que,
para a melhor aplicação das novas TDIC ,ressaltamos a importância da constante
atualização e formação dos professores que farão uso das TDIC em sala de aula,
pois de outra forma terão dificuldades em escolhê-las e aplicá-las corretamente para
que os alunos venham a aprender com qualidade.

3.2

Educação Profissional Técnica a Distância

O aspecto legal da conceituação e abrangência da educação profissional é
abordado pela Lei 9394/96, tendo sua complementação através Decreto 2208/97,
reformulado pelo Decreto 5154/04.

Na legislação citada, encontramos três níveis de acesso à Educação
Profissional:

1) Cursos profissionalizantes de nível básico – destinados a pessoas de qualquer
nível de instrução e idade os quais podem ser realizados por qualquer instituição de
ensino. São cursos de curta duração e podem ser realizados por empresas
fabricantes do próprio produto. O aluno desse tipo de curso terá a oportunidade de se
qualificar e exercer uma nova profissão. Um exemplo disso é um curso de pintura e
texturização de alvenaria, material metálico, madeira e plástico realizado por um
fabricante de tinta, verniz e solvente.

2) Cursos Profissionalizantes de Nível Médio Técnico – Há duas maneiras de
cursá-los. A primeira direcionada para alunos que concluíram o Ensino Médio, que
podem ter sua formação técnica na forma sequencial, ou seja, o acesso aos cursos
profissionalizantes após a conclusão do ensino médio. Como segunda opção, podem
cursar o Técnico de nível médio integrado com o Ensino Médio, concomitantemente.

47

Esses cursos podem ser realizados por quaisquer instituições de ensino sendo
que, para isso, obtenham a autorização prévia das secretarias estaduais de educação
de seus estados. No caso de ser uma instituição federal de ensino, como é o caso do
IFPE, a autorização faz-se diretamente ao MEC.

3) Cursos Técnicos Profissionalizantes de Terceiro Grau formam tecnólogos de
uma maneira viável ,tem-se também o acesso aos cursos profissionalizantes em nível
tecnológico , ofertados para aqueles que já possuem o ensino médio completo. O
ingresso a faculdades e universidades ofertantes de cursos tecnológicos é feito por
processo seletivo realizado apenas por instituição de ensino superior, esses cursos
equivalem ao nível de graduação.

Faremos um breve retrospecto da história do ensino técnico profissionalizante
de ensino médio para que se contextualize o propósito e os objetivos desse estudo no
estado de Pernambuco.

Na recente criação dos Institutos Federais em 2008, foi reforçada a condição
de atendimento ao mercado quando se vê em sua missão a atribuição de promover
Educação Profissional Tecnológica através do Ensino, Pesquisa e Extensão, visando
à formação de cidadãos éticos qualificados para o trabalho e socialmente
responsáveis.

Prover o mercado de trabalho com trabalhadores qualificados e voltados para a
demanda de trabalhadores para o parque industrial nacional e regional não tem sido
tarefa fácil. Mesmo com o aumento das unidades espalhadas pelo estado de
Pernambuco, em número de nove até o fim de 2010 e início de 2011, mesmo
contemplando 15.000 alunos em 37 cursos técnicos presenciais, 9 cursos superiores,
2 de Pós-Graduação presenciais, 3 cursos técnicos a distância e mais 2 cursos
superiores nesta mesma modalidade e atendendo a muitos polos em várias cidades
do estado de Pernambuco e fora dele, a demanda tem sido cada vez maior.

48

Nesse cenário de crescimento econômico e social no Brasil, no século 21, o
atendimento ao número maior de empresas distintas e com demandas da população
por formação técnica, inicia o Projeto e-Tec Brasil visto que, mesmo com o aumento
de escolas presenciais, a demanda se faz em um ritmo muito mais acelerado. Dessa
maneira, para que se pudesse suprir,de forma eficaz,o mercado de trabalho lançouse mão das TIC para esse fim, na modalidade a distância já prevista na LDB.

O ensino é uma prática de atividades pelo professor (emissor) que resultam na
aprendizagem do assunto (conteúdo) pelo aluno (receptor) respeitando as diferenças
individuais em suas velocidades de evolução no aprendizado. Isto porque cada aluno
tem sua maneira singular de aprender devemos, portanto, considerar as diferenças
individuais, que obedecem a um conjunto de preferências e graus de motivação e
desmotivação, para alcançar o aprendizado e que faz cada aluno percorrer o seu
caminho único, em sua conduta própria e em seu tempo.

É ,a partir dessa definição, que seguiremos as demais evoluções advindas das
teorias da aprendizagem ,bem como as novas alterações no advento de inclusões
das TIC como elementos de mudanças nos novos papéis dos sujeitos, alunos e
professores,bem como os meios e os conteúdos que permeiam o processo do ensino
e da aprendizagem.

Já a educação é um processo bem mais amplo que o ensino, no qual está
contido nela e objetiva a formação do homem como um ser social na sua convivência
e sustentação harmônica do mundo no qual se inserem. A EAD diferencia-se do
ensino a distância porque a educação contém e contempla o processo de ensinar e
aprender.

No site oficial do DEAD/IFPE, relativo ao curso de Mecânica Automotiva a
Distância, enfatiza-se no perfil desejado ao técnico formado em sua educação:

O Técnico em Manutenção Automotiva é o profissional com visão
sistêmica do papel do controle e processos industriais na sociedade.
Aplica seus conhecimentos de forma independente e inovadora,
acompanhando a evolução de seu eixo tecnológico. Contribui na busca

49
de soluções nas diferentes áreas aplicadas, com conhecimento em
negócios, permitindo uma visão da dinâmica organizacional. Atua com
ética profissional, sustentabilidade, iniciativa empreendedora,
responsabilidade socioambiental e domínio do saber-fazer, do saberser, do saber-saber e do saber-conviver.

Os caminhos para o alcance desses objetivos, segundo a UNESCO, são os
quatro pilares que sustentam a educação neste novo século: o aprender a conhecer,
o aprender a fazer, o aprender a conviver e o aprender a ser:

Aprender a conhecer – É necessário tornar prazeroso o ato de
compreender, descobrir, construir e reconstruir o conhecimento para
que não seja efêmero, para que se mantenha ao longo do tempo e
para que valorize a curiosidade, a autonomia e a atenção
permanentemente. É preciso também pensar o novo, reconstruir o
velho e reinventar o pensar.
Aprender a fazer – Não basta preparar-se com cuidados para inserirse no setor do trabalho. A rápida evolução por que passam as
profissões pede que o indivíduo esteja apto a enfrentar novas
situações de emprego e a trabalhar em equipe, desenvolvendo espírito
cooperativo e de humildade na reelaboração conceitual e nas trocas,
valores necessários ao trabalho coletivo. Ter iniciativa e intuição,
gostar de uma certa dose de risco, saber comunicar-se e resolver
conflitos e ser flexível. Aprender a fazer envolve uma série de técnicas
a serem trabalhadas.
Aprender a conviver – No mundo atual, este é um importantíssimo
aprendizado por ser valorizado quem aprende a viver com os outros, a
compreendê-los, a desenvolver a percepção de interdependência, a
administrar conflitos, a participar de projetos comuns, a ter prazer no
esforço comum.
Aprender a ser – É importante desenvolver sensibilidade, sentido ético
e estético, responsabilidade pessoal, pensamento autônomo e crítico,
imaginação, criatividade, iniciativa e crescimento integral da pessoa em
relação à inteligência. A aprendizagem precisa ser integral, não
negligenciando nenhuma das potencialidades de cada indivíduo.

Esses pilares mostram a escalada gradual da educação do aluno que ,desde o
saber como aprender que se faz necessário com condições e técnicas de estudo e
passando a aprender a pesquisar, procurar ampliar os seus conhecimentos e
chegando ao aprendizado mais concreto, que é a aplicação no mundo do trabalho
realizando o que se aprendeu na teoria, aplicando em caso prático é o que se
constitui no experimento prático das disciplinas aqui escolhidas para o foco do

50

estudo. Finalmente se alcança a aprendizagem do ser em sociedade com a formação
integral do indivíduo como cidadão e interação com os seus pares.

O foco desse estudo está no projeto e-Tec Brasil do IFPE do qual participei, no
início de sua atividade, como treinador do curso de gestores do projeto e vindo
posteriormente, a coordenar o curso de Mecânica Automotiva a Distância na sua fase
inicial.

4

DOCÊNCIA EM AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM

Dificuldades do aprendizado do aluno podem advir de uma possível
inadequação da formação docente específica para um curso a distância ou falta dela,
resultando em desdobramentos negativos e prejudiciais ao Ensino Técnico de Nível
Médio de Mecânica Automotiva a Distância no AVA Moodle. Esta lacuna de formação
pode gerar escolhas de mídias não adequadas para a aplicação dos conteúdos das
disciplinas ou não permitir saber da suas existências e possibilidades dentro do AVA
Moodle.

Estas especificidades se referem ao trabalho em AVA, elaboração e escolha
de material didático adequado ao que se pretende ensinar, dimensionamento e
gerenciamento do tempo no ambiente como o prazo de respostas aos alunos e
vocabulário adequado para não os desmotivar ou afastá-los. Estas preocupações
devem ser motivo de acompanhamento para que possam vir contribuir, somar ao
trabalho já realizado no planejamento do curso e melhorar a qualidade do mesmo.

4.1

Docência nos Cursos Técnicos de Mecânica Industrial Presencial e
Mecânica Automotiva a Distância

A realidade encontrada no curso presencial de Mecânica Industrial apresenta
professores, na sua maioria, engenheiros mecânicos, alguns com atividades práticas
paralelas ligadas às áreas das disciplinas que ensinam. Existe um número
remanescente e reduzido de professores que não possuem graduação, selecionados

51

na época anterior em que era possível, sem a exigência de graduação, candidatar-se
e participar de processo seletivo para se tornar professor do quadro da Instituição.
Esses professores possuem tão-somente cursos técnicos, vivências e experiências
de oficinas e linhas de produção, muito importantes e necessárias ao ensino técnico.

Essa

proporção

de

formação

dos

professores

está

sendo

alterada

gradativamente após a passagem da Escola Técnica Federal de Pernambuco
(ETFPE) para CEFET-PE em 1998, passando a exigir na seleção para o acesso aos
seus quadros de professores a formação mínima de graduação.

As formações de nível Latu e Stritu Sensu são cada vez mais valorizadas e
suas pontuações na hora de se escolher candidatos ao cargo de professor da
instituição se intensificaram a partir da mudança para IFPE, na qual a qualificação de
mestrado e doutorado na área de atuação e disciplina pretendida ao ensino passou a
ser um grande diferencial, pois permitiria a sua atuação em cursos de graduação e
pós-graduação.

Para os professores que não possuíam a qualificação de mestrado e doutorado
e já estavam nos quadros de professores da instituição, foi implementado um maior
incentivo financeiro, através de uma nova tabela salarial, progressiva e crescente de
acordo com a titulação obtida pelos docentes.

Nesta questão legal, para agregar valor à instituição e permitir o ensino de
terceiro grau, talvez tenha se diminuído o foco do ensino técnico, com suas
especificidades de trabalho prático, que, em muitos casos, no que concerne aos
mestres e doutores, existe pouca ou nenhuma experiência ou vivência prática na
mecânica em nível médio.

Somado a este fato, existe a falta de formação acadêmica específica para o
ensino técnico que, em existindo como o caso de professores de educação infantil ou
de jovens e adultos, poderia contribuir na melhora da atuação destes professores

52

para um ensino de qualidade com consequências no mundo do trabalho do técnico de
nível médio.

Mesmo existindo um treinamento para esses professores, podem ocorrer
deficiências na formação deles no que se refere à EAD do Programa e-Tec Brasil,
visto que não seja alcançada a formação pretendida pelo pouco tempo para fazê-la. A
consequência da inadequação desses docentes, nas funções que exercem na
atuação das TIC na educação, é afetar negativamente o aprendizado dos alunos ora
investigados.

Este cenário se encaminha para um trabalho de baixa qualidade da formação
técnica a distância pela especificidade que a modalidade EAD exige e tem de ser
observada e seguida e ,como consequência desse trabalho, profissionais formados
por esse curso não tenham facilidade de acesso ao mundo do trabalho e permanecer
nele. Ao se detectar esse fato nessa pesquisa, estaremos indicando um caminho para
que, posteriormente, seja pensada e planejada a formação dos professores que
participam desse curso e não têm a formação docente adequada para a EAD e por
essas observações, possam se adequar ao novo mundo das TIC na educação
técnica de nível médio.

Pelo pouco tempo que se teve desde a criação do projeto e-Tec Brasil em
2007 até agora para se pensar e aplicar nestas formações adequadas, sugere-nos
um repensar agora para as formações posteriores.

4.2

O Moodle no Curso e-Tec Brasil

O Moodle surgiu da necessidade de utilização de software livre e completo
para EAD, que pudesse ser complementado continuamente por quem quisesse
contribuir em seu aperfeiçoamento, tendo como possibilidade a participação das
comunidades de educação e informática em todo o mundo. Dougiamas (2010) já
preconizava o aparecimento do Moodle. O conceito de fonte aberta permitiu que os

53

usuários pudessem ter acesso ao código fonte do software para examinar, alterar,
ampliar, modificar ou mesmo só usar partes dele.

O construtivismo tem na sua concepção que pessoas aprendem melhor
quando fazem parte de um contexto num processo social de construção por todos.
Num AVA, são percebidas como partes integrantes desta construção as interações
dos alunos com os tutores, material didático disponibilizado e entre os alunos com
seus questionamentos e respostas no AVA. É uma das correntes teóricas
empenhadas em explicar como a inteligência pode se desenvolver pelas interações
com os outros no meio. Dougiamas(2010, p. 5) define o construtivismo como:

a construção do conhecimento conhecido pelo aluno. A educação é
centrada no aluno, os alunos têm de construir conhecimentos próprios.
Declarações metacognição podem usar para explicar através de
metáfora. A semiótica ou significados das palavras são importantes
para manter em mente. O construtivismo é uma teoria, uma
ferramenta, uma lente para examinar as práticas educativas.

A concepção do conhecimento e da aprendizagem do construtivismo estão
interligadas e originadas das Teorias da Epistemologia Genética de Jean Piaget e do
trabalho de pesquisa de Vygotsky na visão sócio-histórica. Ela mostra que o homem
não nasce com o seu cohecimento completo e o seu trajeto de vida pode influenciar e
ser influenciado pelo meio no qual há ações e reações com modificações mútuas e
aparece um novo ser e meio, no caso da EAD, por meio das interações no AVA num
contínuo processo de modificar e ser modificado o seu conhecimento, em escalas
mais ascendentes e complexas. Dougiamas(2010, p.8) ainda reforça que:

Uma visão em perspectiva construtivista tendo os alunos como
ativamente engajados na construção de significados, ensinar com essa
abordagem tem-se como caminhos para que o aprendizado se
verifique nos alunos: analisar, investigar, colaborar, compartilhar, criar
e gerar com base naquilo que eles já sabem, ao invés do que fatos,
habilidades e processos que sejam repetitivos e não contenham um
significado maior para eles. Para fazer isso de forma eficaz, o
professor precisa ser um aprendiz e um investigador, a lutar por uma
maior sensibilização, adequação aos alunos nos ambientes e os
participantes em uma situação de ensino-aprendizagem terem
acompanhadas continuamente suas ações para envolvê-los na
aprendizagem, utilizando o construtivismo.

54

Moraes (2000, p.106) enfatiza que a possibilidade de se ensinar de maneira
construtivista considera:

1- Aprendizagem é um empreendimento individual. O primeiro tipo de
construtivismo é mais estreitamente relacionado com os trabalhos de
Piaget e de seus discípulos, de Ausubel e dos psicólogos da linha
cognitivista. Situa a ênfase no indivíduo. Valoriza o desenvolvimento
de estruturas lógicas ou cognitivas.

2- Só é possível aprender com os outros. O segundo tipo do
construtivismo focaliza o que se poderia denominar o extremo oposto,
o social. É essencialmente derivado das ideias de Vygotsky e dos que
trabalham com ele e a partir dele. Enfatiza a aprendizagem a partir do
social, da cultura e da linguagem. Tem recebido gradativamente maior
ênfase na medida em que se aprofunda na compreensão da linguagem
como manifestação da cultura e sua forma de expressão. Este tipo de
construtivismo reconhece que aprendemos, essencialmente, no meio
cultural e linguístico em que vivemos.

3- Com os outros, aprende-se melhor. O terceiro tipo de construtivismo é
uma espécie de equilíbrio entre as duas posições anteriores. Ele aceita
que o aprender não é apenas um empreendimento individual, mas
valoriza o sujeito dentro do aprender. Também postula que a
aprendizagem não ocorre apenas no social, ainda que atribua um peso
significativo à linguagem e à cultura. Utiliza, portanto, os resultados
dos trabalhos, tanto dos teóricos da linha piagetiana quanto
Vygotskyana. Nesta situação assume uma posição central a questão
da mudança conceitual pelo estabelecimento de conflitos cognitivos,
mais facilmente trabalhados na interação do indivíduo com o grupo.

O Moodle é um sistema de administração de atividades educacionais
destinado à criação de comunidades online fundamentadas na aprendizagem
colaborativa. Este software se modifica a cada momento, com inclusões e
aperfeiçoamentos dos que nele querem modificar, pois tem código fonte aberto, o que
propicia a sua construção constante pelos que nele tem aplicado como aluno ou
professor para melhorar a integração do aprendizado. No caso, o servidor pode estar
localizado fisicamente em um setor de informática ou outro departamento de ensino a
distância, outra cidade ou país e pode-se também ter mobilidade.

Com as TIC mais recentes, pode-se ter acesso fácil e com mobilidade (mlearning) usando notebooks, netbooks, Ipads e celulares 3G para o estudo. Para que
os alunos possam ter acesso aos cursos no ambiente, é exigido um prévio
cadastramento com senha do aluno. Geralmente se pode mudar a senha ao entrar no

55

curso para que ele, o aluno, tenha mais segurança e individualidade. A senha pode
ser também modificada previamente pelo administrador do ambiente ou coordenador
de curso dependendo da suas delegações e permissões de acesso. É de
responsabilidade do administrador da plataforma, que recebe as informações do
professor formador, introduzi-las de acordo com a configuração escolhida desde o
planejamento do curso e configuradas previamente no Moodle.

Além do controle de acesso, o Moodle oferece uma quantidade de artefatos,
potencialidades que podem aumentar a eficácia dos objetivos da aprendizagem de
um curso.

É na adequação dos artefatos ao que se pretende ensinar, que está a
necessidade de se conhecer bem o Moodle para tirar o máximo proveito e a correta
escolha e seleção para que o processo ensino-aprendizagem se faça de maneira
mais adequada e de qualidade.

Os artefatos permitem compartilhar materiais de estudo em mídias variadas,
proporcionar debates e discussões em tempo real através de textos, som e textos e
textos-som-vídeo em tempo real, realizar testes de avaliação, questionários e
pesquisas de opinião, coletar e revisar tarefas e registrar notas.

Cada uma destas ferramentas tem a sua potencialidade mais bem aproveitada
quando for escolhida adequadamente. Tori (2010, p.15) afirma que “a seleção da
mídia e de seu conteúdo é uma importante tarefa dentro da modelagem de uma
atividade de aprendizagem”.

Essa escolha acontecerá quando da elaboração do curso e forem
determinados os seus objetivos e o público-alvo sempre se verificando a estrutura
tecnológica que se pretender utilizar e a disponível para a execução prática para que
as comunicações entre aluno- professor, aluno-aluno e aluno-conteúdo possam ser
feitas as mais adequadas possíveis para alcançar o aprendizado.

56

O ambiente Moodle proporciona com os seus artefatos a aprendizagem como
a tarefa central. Neste ponto, Tori (2010, p.19) defende que “Qualquer atividade de
aprendizagem envolve comunicação que, por sua vez, necessita de uma ou mais
mídias para se efetivar”.

O Moodle permite disponibilizar materiais escritos com extensões.pdf ou .doc
,entre outras, em seus fóruns ou bibliotecas para que os alunos tenham acesso a eles
e possam estudá-los. As tarefas podem ser feitas e cumpridas através do envio de
textos ou trabalhos de pesquisa os quais permitem aos professores dar notas
eletronicamente a materiais enviados pelos alunos ou realizadas/entregues
pessoalmente em encontros presenciais.

Pode-se também utilizar o questionário, recurso que permite uma larga faixa
de composição de questões pré-cadastradas a serem respondidas em uma
quantidade e um tempo pré-definido pelo professor e podem ser misturadas em sua
ordem e disponibilização a cada acesso dos alunos, como também ter um máximo e
mínimo de tentativas para, depois de estipular a nota de cada questão e de ter feita a
configuração de questionários, o aluno ter ou não acesso imediato as suas notas. As
questões podem se montadas como verdadeiro/falso, múltipla escolha, associação,
que serão arquivadas por categorias numa base de dados, podendo ser reutilizadas
em outros questionários e cursos.

Isto se constitui num recurso didático de qualidade a ser aplicado em cursos
técnicos de nível médio em aulas de nivelamento. As respostas e frases de retorno
para incentivo e informações podem ser configuradas pelo professor de várias
maneiras e fazendo loopings de tentativas.

O chat é outro recurso de ensino e interação entre os alunos e os tutores no
AVA. Pode-se convidar alguém de conhecimento expressivo para a sala e não há
necessidade de se estar presente em cada polo do curso. Cada participante pode
estar fisicamente em lugares diferentes e ,mesmo assim ,haverá interação. Permite
aos participantes uma interação síncrona através de conversa, discussão sobre um

57

tema, momento de se tirar dúvidas sobre questões estudadas ou andamentos do
curso. É uma maneira útil para promover a troca de ideias e discussões sobre os
assuntos apresentados no curso. No chat, para se ter reduzida a possibilidade de
dispersão de assuntos e temas, institui-se um mediador, tem-se a preocupação com o
quantitativo de pessoas para que não haja tumulto, desagregação, dispersão.

Na opção glossário, os alunos podem criar e manter uma lista de definições
semelhante a um dicionário. Ao clicar-se em cima da palavra, pode levar ao dicionário
como um hiperlink. Pode-se também bloquear edições aos mesmos pelos alunos.

Ao se aplicar o recurso de pesquisa de opinião, poder-se-ão fazer ajustes ao
longo do curso das não conformidades detectadas pelos alunos e evidenciadas nessa
ferramenta disponibilizada no AVA. O professor propõe uma pergunta, enquete e
oferece respostas as quais o aluno vai optar por uma delas, a exemplo, votações,
coleta de opiniões sobre a qualidade da aula, necessidades não atendidas, solução
de algum problema.

Já no recurso de aplicação da wiki, que é um texto, página na qual se pode
editar a várias mãos com trabalho colaborativo. Na prática, qualquer participante pode
inserir, editar, apagar textos realizados por outros participantes no objetivo de se ter
um texto que seja consenso e atinja o objetivo proposto pelo professor. É um trabalho
construtivista e colaborativo. Os textos iniciais vão sendo arquivados para posterior
confronto a qualquer momento.

Caminhamos para uma disseminação de uso dos celulares para a aplicação,
quase que necessária como dispositivos móveis na educação. Cresce o número
deles em uso no Brasil. São cada vez mais usados por profissionais em suas
empresas para facilitar a comunicação que envolve o trabalho, agilizando e
aumentando a produtividade da empresa e qualidade de serviços prestados,
resultado da rapidez da comunicação que pode também contribuir fortemente para
facilitar o acesso à educação sempre em atualização neste mundo globalizado e
corrido em que o tempo é cada vez mais escasso. Permitem em seus recursos:

58

acesso, aprendizagem, ensino e manter o contato entre os participantes alunos,
professores e gestores com a instituição permitindo a mobilidade e a intensificação de
atendimento de serviços de informações sobre e do curso.

Alves (2009, p.21) mostra que o conhecimento é ativamente construído pelo
aluno e não passivamente recebido pelo ambiente. Isto mostra que, ao se receber
algo de informação, na comunicação há um trabalho mental de elaboração do que se
recebe, trabalha e posteriormente uma assimilação, construção de um novo
conhecimento.

Em seu experimento em um curso de quatro anos, Dougiamas (2010, p.9)
observa que:

Há, naturalmente, outros elementos no ambiente dos alunos que estão
além do nosso controle direto, entretanto nós os reconhecemos como
sendo importantes para entendermos a experiência da aprendizagem
de um aluno como um todo. Isto inclui: a predisposição dos alunos
(para a internet, educação a distância, autoridade, construtivismo), as
culturas profissionais das quais eles são parte, as condições
ambientais no lugar onde eles acessam o site, o hardware e sistema
de operação que estão utilizando, a qualidade de conexão deles para o
site da Web (disponibilidade, banda larga), e o contexto desse curso no
próprio curso do aluno como um todo.

Suas ferramentas direcionam o andamento do curso para a discussão e o
compartilhamento de experiências engajando os alunos na construção do
conhecimento e não apenas em distribuir informações e textos soltos para comporem
o material didático da disciplina.

O Moodle é gratuito e de fonte aberta, que agrega valor de participação
acadêmica na avaliação, compartilhamento do conhecimento e trabalho colaborativo
em nível mundial. Pode-se fazer o download e instalar o Moodle gratuitamente,
modificar ou acrescentar módulos, corrigir erros, melhorar seu desempenho e pode
ser instalado sem nenhum custo.

Não há, por parte do criador, custos de manutenção ou permissão de uso ou
pagar por atualizações, pois ninguém será forçado a fazer atualizações, comprar

59

ferramentas s quais não deseja ou determinar quantos usuários podem ter em cada
curso ou quantos cursos podem ser realizados no Moodle.

Os cursos no Moodle podem ser configurados em três formatos, de acordo
com a atividade a ser desenvolvida:

Formato Social – em que o tema é articulado em torno de um fórum publicado na
página principal;

Formato Semanal - no qual o curso é organizado em semanas, com datas de início e
fim;

Formato em Tópicos - onde cada assunto a ser discutido representa um tópico, sem
limite de tempo pré-definido.

O IFPE ,campus Recife, utiliza o Moodle para EAD nos cursos de graduação
da UAB e no programa e-Tec Brasil com cursos técnicos ,bem como na elaboração
do sitio www.ifpe.edu.br da instituição. Muitas outras aplicações podem ser feitas a
partir do programa de empresas privadas, ONG, sites pessoais e grupos de redes
sociais.

4.3

Aulas práticas na Educação online no Curso Técnico de nível médio de
Mecânica Automotiva a Distância

As aulas práticas poderiam ter sido desenvolvidas com o auxílio de OVA
encontrados em sites do próprio MEC ,bem como em outros que poderiam ter servido
de suporte para explicar e auxiliar o entendimento do princípio de funcionamentos de
equipamentos como os motores endotérmicos, sistema de medição e unidades que
foram solicitados por alunos para facilitar o entendimento do que se estava
ensinando. Esses sites permitem que se usem estes OVA, apenas orientam aqueles
que forem usá-los para que façam referência a seu autor ou autores.

60

Nos sites onde se tem a designação Creative Commmons (CC) ,também se
pode usá-los, mas com algumas restrições descritas nos seis tipos existentes
explicitados na versão 3.0 da CC.

Os simuladores podem contribuir significativamente para o aprendizado do
aluno e facilitar o ensino pelo professores formadores e conteudistas que, no qual:

através da simulação, as pessoas constroem modelos mentais das
situações e dos objetos com os quais estão se relacionando, e depois
podem explorar as diferentes possibilidades dentro destas construções
imaginárias. “A simulação, que podemos considerar como uma
imaginação auxiliada por computador é, portanto, ao mesmo tempo
uma ferramenta de ajuda ao raciocínio muito mais potente que a velha
lógica formal que se baseava no alfabeto”. Lévy (1993, p.124)

Estes modelos mentais de que trata Lévy estão de acordo com o que mostra a
teoria de Johnson-Laird (1987). No caso específico da situação desse curso, seria
providencial, já que o laboratório móvel ainda não está sendo usado em aulas
práticas presenciais, ajudaria a serem entendidas previamente.

Na internet, é possível encontrar simuladores de laboratórios em repositórios
virtuais de OVA, que são bancos de dados, muitos deles de acesso livre, inclusive
disponibilizando os arquivos para serem baixados sem nenhum custo ou através de
links para acessá-los e obter melhor qualidade das aulas online ou mesmo
presenciais. O auxílio de simuladores para as disciplinas analisadas,bem como para
todo o curso de Mecânica Automotiva online é uma maneira de se ter a melhora do
aprendizado, como mostrado nos links abaixo nos quais encontramos os assuntos
listados:

Laboratório virtual de Física http://ww2.unime.it/weblab/mecc.php

61

Figura 1: Momento de Inércia

Fonte: UNIME. http://ww2.unime.it/dipart/i_fismed/wbt/mecc.htm. Acesso em: 08 abr 2011

Laboratório virtual de Termodinâmica http://ww2.unime.it/weblab/thermo.php

Equivalente mecânico da caloria: experiência de Joule disponível em
http://ww2.unime.it/weblab/ita/kim/joule/joule2_ita.htm

Outros laboratórios virtuais são encontrados no País ,em universidades como a
Universidade de Santa Catarina, neles encontramos OVA sobre mecânica/atrito com
as suas explicações de uso. Mesmo que o OVA não seja da universidade, faz uma
referência, link para mostrá-lo a partir do site da Universidade Nacional de Taiwan
,disponível

através

port.html#mecânica

do

site

http://www.fsc.ufsc.br/~ccf/parcerias/ntnujavaindexe

com

link

para

http://www.fsc.ufsc.br/~ccf/parcerias/ntnujava/friction/friction.html com acesso em 07
abr 2011.

O experimento sobre a força de atrito é descrito passo a passo de forma a levar
o aluno ao entendimento e acompanhamento do raciocínio da execução:

62

Uma massa m1 de um descanso em cima da outra massa m2 , que é ligado ao
m3 por uma corda de luz (Passa por uma polia sem atrito).

Este applet java mostra o diagrama de força e do movimento do sistema
quando as forças de atrito estão presentes.A massa de cada bloco é mostrada no
canto inferior direito.

Suponha que os coeficientes de atrito entre duas superfícies sejam os
mesmos.

Força diagrama de massa m2 é mostrada à esquerda.

Tabela 1: Cores

Cor da
seta

Preto

Azul

Verde

Ciano

Vermelho

Amarela

Vigor

Gravidade

Normal

Tensão

Fricção

Fricção

Vigor
Net

Fonte

Terra

Tabela

Corda

m um

Tabela

em m 2

Fonte: Laboratório virtual de Física http://ww2.unime.it/weblab/mecc.php

Clique dentro da área branca de cada bloco para mudar a sua massa.

Clique com o botão direito do mouse para aumento de uma unidade de massa.

63

Clique no botão esquerdo do mouse para diminuir uma unidade de massa.

Pressione Start e irá iniciar a animação.

Clique com o botão do mouse para suspender a animação, clique novamente para
retomar.

Pressione Reset para os parâmetros-padrão.

Jogue!

Descubra que tipo de condição teremos:

1. m1 e m2 não iriam ser acelerados? (Força líquida = 0).

2. m1 e m2 são acelerados juntos.

3. m1 e m2 são acelerados de forma diferente. (A 1

um dois , qual é o maior?)

Esta é uma imagem .gif de amostra.

64

Figura 2: Blocos e Forças

Fonte: Laboratório virtual de Física http://ww2.unime.it/weblab/mecc.php

A massa dos blocos são m 1 , m 2 , m , as acelerações são um 1 , um 2 , um 3 .

A força normal entre m 1 e m 2 : N 12 = m 1 g , (onde g é a intensidade do campo
gravitacional) assim a força de atrito f 12 m 1 g R g .

A força normal entre m 2 e a tabela: N 2 = (m 1 + m 2 g)

Assim, a força de atrito f 2 (M 1 + m 2 ) £ g g

A tensão da corda é T ¡C

Para m 1 G ¡ f 12 m = 1 um 1

65

Por m 2 ¡GIf > T (f 12 + f 2 ) , então T - (f 12 f + 2 ) m = 2 um 2

Caso contrário, f 2 = T e uma 2 = 0.

Por m 2 ¡G T - m 3 g = m 3 um 3

A partir das equações acima, podemos descobrir as acelerações.

Eu fiz esse cálculo já! É a sua vez de fazê-lo agora! OK

Este laboratório virtual não só demonstra como também dá explicações passoa-passo e convida a uma interação sugerindo que o OVA pode ser melhorado com
sugestões do aluno provocando-o, instigando-o ao ensaio e responder com intenção
de melhorá-lo completando o sentido dos OVA.

Outros sites mostram explicações sobre gases que poderiam ser usadas no
conteúdo da disciplina Termodinâmica Aplicada como mostrado abaixo:

O

OVA,

Modelo

Molecular

de

um

Gás

Ideal,

disponível

http://www.fsc.ufsc.br/~ccf/parcerias/ntnujava/idealGas/idealGas.html,

em

mostra

um modelo microscópico para um gás ideal. Embora não seja possível mostrá-lo aqui
em sua totalidade, na animação é descrita a sua aplicação para se ter uma visão
mais próxima do experimento. A pressão que um gás exerce nas paredes do
recipiente é uma consequência das colisões das moléculas do gás com as paredes.
Neste modelo:

1. As moléculas de obedecer à lei do movimento de Newton.

2. As moléculas se movem em todas as direções com probabilidades iguais.

3. Não há interações entre as moléculas (sem colisões entre moléculas).

66

4. As moléculas sofrem colisões elásticas com as paredes.

Você pode alterar os seguintes parâmetros:

1. N: Número total de moléculas

2. P: A pressão do sistema

3. V: A velocidade de cada molécula.

4. A largura do recipiente (Clique perto do limite e arraste o mouse)

O volume do recipiente é ajustado automaticamente de acordo com os parâmetros
acima.

A animação é suspensa quando você pressiona o botão do mouse. É retomado
quando você volta a soltar o botão.

Tente descobrir as relações entre:

1. o número total de moléculas e o volume; N e V

2. a pressão e o volume do sistema; P e V

3. a velocidade das moléculas (v) e o volume (V)

67

As possibilidades em serem aplicados simuladores no curso são muitas,
disponíveis e de fácil acesso em sites na internet. Em síntese, já poderíamos ter
aplicado simuladores através de links ou feitos para disciplinas específicas.

68

5

METODOLOGIA

A aplicação de questionários e avaliação presencial com situações do cotidiano
de uma oficina enfocando os assuntos abordados nas disciplinas se constituíram em
uma forma de avaliar o aprendizado pelos alunos ,como também, através da análise
das destes e dos tutores nos fóruns, perceber suas dificuldades e angústias, nível de
satisfação e aprendizagem e das respostas dos tutores e entre os colegas.

A

análise

dos

materiais

didáticos

impressos

e

em

mídia

digitais

disponibilizados no AVA ou contemplados para cada disciplina analisada, mesmo em
formato de acesso com links, também serão analisados em seu conteúdo, formato,
quantidade e qualidade para checar em que nível de qualidade de atendimento aos
alunos em uma aprendizagem online.

5.1

Cenário da Pesquisa e do Curso

O curso de Mecânica Automotiva a Distância do IFPE foi planejado e
implantado em meio a primeiro grupo de cursos do Projeto e-Tec Brasil. Os
coordenadores de curso ainda estavam saindo de um curso de gestores deste
programa e, como todo curso pioneiro e inédito, tem suas características e
dificuldades funcionais, legais, logísticas e políticas decorrentes dessa realidade.

Na questão legal ,ainda se definiam alguns critérios, como mostra a Resolução
n° 3/2008 do CNE/CEB que dispõe sobre a instituição e implantação do Catálogo
Nacional de Cursos Técnicos de Nível Médio resolve em seu art. 1º disciplinar a
instituição e a implantação do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos de Nível Médio
nas redes públicas e privadas de Educação Profissional e que em seu art. 2º diz que
será instituído por Portaria Ministerial no prazo de até 30 dias.

69

Em seu parágrafo único, mostra que será definida a carga horária mínima para
cada um dos cursos constantes do Catálogo, bem como um breve descritor do curso,
possibilidades de temas a serem abordadas, possibilidades de atuação dos
profissionais formados e a infraestrutura recomendada para a implantação do curso.

Já o art. 3º mostra, por eixos tecnológicos definidores de um projeto
pedagógico que contemple as trajetórias dos itinerários formativos e estabeleça
exigências profissionais que direcionem a ação educativa das instituições e dos
sistemas de ensino na oferta da Educação Profissional Técnica. Prevê ainda no art.
5º que as denominações e planos de curso estejam em conformidade com o
estatuído no Catálogo. Com uma relevância ao nosso estudo o art. 8º prevê que fica a
critério de cada sistema de ensino, as adequações procedidas pela instituição de
Educação Profissional e Tecnológica poderão ser implantadas no ano de 2009,
mesmo antes da competente aprovação formal, mediante consulta documentada à
comunidade escolar, devendo, neste caso, eventuais distorções serem corrigidas a
posteriori pela respectiva instituição de ensino, segundo orientação dos órgãos
próprios do respectivo sistema de ensino.

Os prazos curtos para apresentação de planilhas para a obtenção de recursos
junto ao MEC, toda a burocracia para selecionar pessoal capacitado e o tempo
reduzido para elaboração de materiais didáticos e montagem de laboratório volante
contribuíram para a montagem do curso no nível de qualidade abaixo do esperado
pelos alunos, entretanto isso seria possível se o pessoal fosse capacitado e
qualificado. Não foi possível perceber a utilização de simuladores ou links para seu
acesso como foi apresentado e sem o laboratório móvel chegando a tempo, ficou a
dever a formação destes técnicos.

Os laboratórios não chegaram a tempo, visto que a compra estava defasada e
o curso iniciou sem a sincronia do oferecimento desses laboratórios tão necessários,
fundamentais ao aprendizado. De acordo com o site do Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação (FNDE), os caminhões com suas especificações de
serem rígidos com base plataforma e carrocerias baús e contentores com avanço
lateral, equipados e mobiliados, para instituições da rede pública participantes do

70

Programa e-Tec Brasil, de acordo com as especificações, quantidades estimadas e
condições constantes do Termo de Referência, estavam sendo licitados em agosto de
2010 através de pregão eletrônico n° 55/2010 quando as aulas práticas com eles já
deveriam estar acontecendo.

Cada instituição poderá escolher o tipo de laboratório mais adequado para os
seus cursos. O tamanho do laboratório pode variar entre 35 e 75 metros quadrados. A
empresa tem um prazo de noventa dias para produzir e começar a entregar os
veículos.

5.2

Pesquisa Documental

A pesquisa se caracterizou como tipo mista, na qual os dados coletados foram
analisados de maneira qualitativa em suas respostas em questionários mistos,
aplicados aos alunos do curso de Mecânica Automotiva a Distância nos pólos de
Serra Talhada, Surubim e Garanhuns cidades do interior do estado de Pernambuco.
Foram analisadas também as participações destes alunos nos fóruns do AVA.

Realizamos um estudo de caso do aprendizado prático adquirido pelos alunos
deste curso nas disciplinas Metrologia Aplicada e Termodinâmica Aplicada. Este
estudo se tratou de um caso único de experimento, já que este curso está sendo
realizado pela primeira vez em um projeto recente do governo federal e por uma
instituição de ensino com suas características também novas, visto que o IFPE foi
criado em Pernambuco recentemente. Neste sentido e visão, Yin (2001, p.21) mostra
que na escolha do estudo de caso, isto é apenas uma das muitas maneiras de se
fazer pesquisa em Ciências Humanas.

O estudo de caso representa uma investigação empírica e compreende um
método abrangente, com a lógica do planejamento, da coleta e da análise de dados.
Na visão de Lüdke e André (1986, p.19), o estudo de caso, como estratégia de
pesquisa, é o estudo de um caso, simples e específico ou complexo e abstrato e deve
ser bem delimitado. É distinto, pois tem um interesse próprio, único, particular e

71

representa um potencial na educação. Destacam em seus estudos as características
de casos naturalísticos, ricos em dados descritivos, com um plano aberto e flexível
que focaliza a realidade de modo complexo e contextualizado.

O material didático impresso e entregue aos alunos, como também os
disponibilizados no Moodle foram objetos deste estudo. Foi realizada a análise
qualitativa e quantitativa das respostas dos alunos e dos dados do AVA, com vistas à
detecção das dificuldades e facilidades no entendimento e aprendizado dos assuntos
ministrados através das interfaces escolhidas.

É no estudo desse caso que o nosso é único e inovador, com a visão voltada
às análises das características qualitativas e que venham a ter uma importância do
que se revela sobre o fenômeno objeto da investigação, bem como a compreensão e
descoberta de novos significados para aquilo que está sendo estudado.

Esta pesquisa foi realizada no período de fevereiro a junho de 2011 com a
concordância da instituição. Após esta avaliação inicial, foram aplicados ,para cada
aluno, testes teóricos para avaliar seus conhecimentos nas duas disciplinas
escolhidas em situações-problema de conteúdo prático sobre soluções de defeitos
em veículos automotores e verificar se os resultados destes testes são
satisfatórios,quando comparados aos objetivos do curso e da ementa apresentada de
cada disciplina.

Os instrumentos utilizados como fonte de dados foram:

1) Observação não participante –análise das disciplinas já encerradas do curso,
através da pesquisa no AVA que permitiu ler os textos dos fóruns e compreender os
posicionamentos dos alunos sobre o curso e mais detalhadamente sobre as
disciplinas estudadas, após as mesmas terem sido ministradas ,analisando-se as
estratégias do professor formador no fazer pedagógico;

72
2) Análise documental – registros das aulas virtuais nos fóruns, programa e
planejamento do curso e das disciplinas, banco de dados do AVA, material didático
impresso e em outras mídias disponibilizadas para o aluno. Os documentos
analisados

nas

disciplinas

constaram

de

análise

dos

posicionamentos,

questionamentos e interações dos alunos e tutores em cada disciplina nos fóruns,
material impresso (apostila dividida em capítulos estudados na sequência das
semanas de estudos organizadas e montadas no AVA), bem como as avaliações
aplicadas presencialmente. Esse material é distribuído pelo tutor presencial aos
alunos quando do início do curso nos polos, para que os mesmos possam realizar
seus estudos de maneira mais autônoma quando estiverem sem acesso à internet ou
longe do polo. Outros materiais documentais analisados: a apostila disponibilizada na
plataforma, como também os que foram colocados em fóruns.

3) Questionário semiestruturado – Anexo 1- investigação das expectativas e
sentimentos dos alunos acerca do curso e ,em especial, das disciplinas analisadas.
Os questionários aplicados aos alunos também fizeram parte desse conjunto de
documentos analisados neste estudo, bem como o projeto do curso e a avaliação
aplicada;

4)Avaliações presenciais escrita e prática - foi aplicado um teste teórico para a
disciplina Termodinâmica e um outro prático para a disciplina Metrologia Aplicada.

Os dados coletados foram agrupados e geraram informações que mostraram a
quantificação das participações dos alunos nos fóruns, as dificuldades relatadas
sobre as dificuldades de entendimentos e as sugestões dos alunos quanto às aulas
práticas nas duas disciplinas analisadas.

5.2.1 Projeto do Curso

A criação do curso de Mecânica Automotiva a Distância no IFPE vem da
observação e solicitações de formação logística de se ter mão-de -obra qualificada
para atender à crescente demanda solicitada pelas novas concessionárioas

73

automotivas espalhadas pelos Estado ,desde a região metropolitana até o interior e
Sertão ,como também para suprir as carências dessa formação para que se possam
abrir novas oficinas qualificadas particulares para receberem os novos veículos ,em
sua maioria, repletos de eletrônica embarcada e fornecer este profissional ao
mercado, às oficinas já existentes.

A

manutenção

desses

veículos

com

equipamentos

e

dispositivos

eletroeletrônicos, eletro-hidráulicos e eletropneumáticos, por exemplo, não pode ser
realizada por pessoal não qualificado sob o risco de se danificar parcialmente ou em
sua totalidade o equipamento ou componente que se deseja consertar por falta de
conhecimento e habilidades que esse curso pode proporcionar. De acordo com o
Projeto do Curso, a sua estruturação de disciplinas, carga horária, número de alunos
por polos estão com a seguinte distribuição:

Quadro 1 – Estruturação do Curso de Mecânica Automotiva

Habilitação, qualificações e especializações:
Habilitação

Técnico em Manutenção Automotiva

Carga Horária

1365 h

3

Modalidade

Educação a Distância

4

Forma
Acesso

1

de Concomitante ou Subsequente

Número de Polos para Atendimento

O curso poderá atender até quatro polos de apoio presencial simultaneamente

74

Número de alunos

Até 60 alunos por Polo

Número total de alunos possíveis de serem matriculados nos Polos

Até 240 alunos

Número total de alunos previstos para implantação do projeto

Até 120 alunos

Fonte: Projeto do Curso Mecânica Automotiva a Distância do IFPE (2010)

No semestre de 2011.1 ,o quantitativo de alunos realizando este curso
distribuído nos três polos não ultrapassa aos 20. O aluno ,ao concluir o curso, deve
atender ao seguinte perfil:

Profissionais qualificados e aptos a exercerem atividades de
manutenção de automóveis de passeio, através do desenvolvimento
de competências profissionais necessárias a permanente aquisição de
aptidões para a vida social e produtiva, promovendo a transição entre a
vida escolar e o mundo do trabalho.

O Técnico em Manutenção Automotiva deverá possuir um conjunto de
características capaz de lhe prover as habilidades e competências para
cumprir suas atribuições básicas. Assim, faz-se necessário que este
profissional tenha o seguinte perfil:

Desenvolver competências para realizar manutenção preventiva e
corretiva de automóveis de passeio e pequenos utilitários.

Desenvolver competências para implantar e gerenciar pequenos
centros de reparação automotiva.

Desenvolver competências para diagnosticar e dar manutenção a
automóveis que possuam novas tecnologias automotivas.

75

A carga horária total e parcial na formação deste profissional está estabelecida
no Projeto do curso atendendo à Resolução CNE/CEB Nº 03/08, na qual a carga
horária total da habilitação Técnica em Mecânica Automotiva a distância será de
1.245 horas, trabalhando simultaneamente teoria e prática em seus componentes
curriculares, além de destinar 120 horas específicas para a prática profissional
supervisionada. Para se ter a carga horária aplicada, os componentes curriculares de
cada módulo e a distribuição desses têm formato para que sejam oferecidos até dois
componentes curriculares de forma concomitante. Isto foi feito por ter sido detectado
no curso da UAB que a aplicação de quatro disciplinas ao mesmo tempo não se têm
o mesmo rendimento e a mesma satisfação do aluno quando as disciplinas são
ofertadas duas a duas dentro de um mesmo semestre.

A duração de cada componente curricular depende de sua carga horária. Em
média, uma carga horária de 30 horas é oferecida em 30 dias. É prevista para os
alunos uma dedicação diária de, no mínimo, 1 hora de estudos, bem como a
execução de atividades programadas.

No planejamento do curso, está descrito que, durante o período de
integralização dos componentes curriculares, os professores e tutores a distância
trabalharão os conteúdos das disciplinas através de material didático impresso e
digital, vídeos-aula, conteúdos animados, videoconferência e encontros presenciais
para realização de práticas laboratoriais.

O AVA Moodle é utilizado para distribuição de conteúdos digitais,
compartilhamento de informações, socialização de conhecimento através de fóruns
de discussão, troca de comunicação tanto síncrona (chat) quanto assíncrona
(mensagem), desenvolvimento de atividades didáticas como suporte e avaliação da
aprendizagem visando diagnosticar possíveis falhas e recuperação da aprendizagem
durante o processo de ensino e aprendizagem. Em cumprimento à legislação
específica de cursos EAD online e à organização didática do IFPE, obrigatoriamente,
ao final de cada componente curricular, os alunos serão submetidos a exames
presenciais. Durante todo o processo, os professores e tutores procurarão
desenvolver no aluno uma autonomia no seu processo de aprendizagem.

76

Nas análises das disciplinas Metrologia e Termodinâmica Aplicada, não
encontramos a efetivação destas práticas em laboratório móvel como o planejado e
descrito em seu projeto. Foram feitas outras soluções emergenciais como contatos
com oficinas automotivas autorizadas próximas dos polos e levados os alunos em
aulas demonstrativas de práticas, sob a orientação de professores do IFPE, tais não
alcançaram de forma adequada o que se tinha previsto no plano do curso.

Outro ponto detectado de não conformidade com o planejado foi a falta total ou
um mínimo de vídeo-aulas, conteúdos animados, vídeo conferência e encontros
presenciais em práticas laboratoriais, tais encontros em laboratórios não foram
possíveis mesmo em 2011, visto que não chegaram ao IFPE para esta turma iniciada
em 2009. Há, contudo, uma sala de vídeo conferência já montada com equipamentos
novos no IFPE campus Recife, com equipe montada, podendo realizar gravações de
aulas e posteriormente enviadas aos polos, como também ter capacidade de se
conectar até aos quatro polos simultaneamente, propiciando uma videoconferência.

Não foram percebidos nos fóruns, calendários escolares que oportunizassem
aos alunos recuperações da aprendizagem durante o processo ensino-aprendizagem
como prevê o projeto do curso.

A grade curricular ,no quadro 2 ,indica que a parte prática de laboratório móvel
está prevista para o IV e V módulos. Constatamos nas disciplinas de Metrologia
Aplicada e Termodinâmica Aplicada que já se faz necessário o contato com o
laboratório próprio, pois existem práticas de demonstrações de funcionamento,
reconhecimento, identificação dos componentes do motor e manuseios de
instrumentos de medição para efetuar medidas utilizando corretamente os
instrumentos.

Quadro 2 – Matriz curricular do curso de Mecânica Automotiva a Distância

77

MATRIZ CURRICULAR (MANUTENÇÃO AUTOMOTIVA) - EAD
MÓDULOS

CÓDIGO

COMPONENTES CURRICULARES

CH

I
Nivelamento

MED
INF
PTI
MTI
ELB
FFQ

II
Introdutório

ESA
GMO
MDC
CMT

III
Fundamentos
Tecnológicos
Automotivos

MSA
TMA
FPA
PQM

Metodologia de Estudo a Distância
Informática básica
Português Instrumental
Matemática Instrumental
Eletricidade básica
Fundamentos de Físico-Química Aplicados
Subtotal
Empreendedorismo dirigido a serviços automotivos
Gestão e Marketing de Oficina
Metrologia Orientada a Controles Automotivos
Ciência dos Materiais
Subtotal
Mecânica Aplicada a Sistemas Automotivos
Termodinâmica aplicada
Ferramental padrão em serviços automotivos
Planejamento e Qualidade da Manutenção em Serviços
Subtotal

IV
Manutenção
Automotiva 1
V
Manutenção
Automotiva 2

MCI

Motores de Combustão Interna

30
75
30
30
60
60
285
60
60
60
60
240
60
60
60
60
240
60

STA

Sistemas de transmissões automotivas

60

SE1

Sistemas eletroeletrônicos automotivos I

60

SSD

Sistemas de Suspensão e Direção Automotivas

60

Subtotal
GEM

Gerenciamento Eletrônico do Motor

240
60

SRF

Sistemas de Freios e Rodas

60

SE2

Sistemas eletroeletrônicos automotivos II

60

PFP

Processos de funilaria e pintura automotiva

60

Subtotal
Carga horária total em horas
PPT - Prática profissional
Carga horária Geral em horas

240
1245
120
1365

Fonte: projeto do curso de Mecânica Automotiva a Distância

As disciplinas analisadas neste estudo estão no módulo II, Metrologia
Orientada a Controles Automotivos e ,no módulo III, Termodinâmica Aplicada. Elas
foram escolhidas por estarem finalizando e serem as primeiras disciplinas técnicas e
práticas específicas do curso. Caso tivéssemos escolhido outras disciplinas, teríamos
que fazer as suas análises posteriormente a suas conclusões e devido ao tipo de
pesquisa escolhido, não teríamos tempo hábil para este estudo, visto que elas serão
ofertadas no primeiro semestre de 2012, período este posterior ao término desta
dissertação.

Prérequisit

ELB

ELB/ MC
SE1

78

Existe uma preocupação no Projeto do Curso em se identificar o perfil do
aluno para que se possa adequar as atividades, porém não detectamos esta ação em
sua plenitude.

A preocupação demonstrada na seleção dos conteúdos é evidenciada a partir
da definição do perfil do aluno egresso, o qual contém as competências a serem
desenvolvidas por meio das propostas curriculares dos cursos, estas são
desdobradas nos saberes, fazeres, agires, atitudes de valores a elas associados.

Em seguida, prevê-se que estas serão distribuídas em unidades curriculares
que podem ser ou não agrupadas em módulos. Tais atividades deverão ser
realizadas por estes especialistas da Instituição, podendo contar com o apoio de
consultores externos. Estes profissionais são oriundos tanto das áreas tecnológicas
ligadas ao curso, quanto daquelas científicas e humanísticas, incluindo o campo do
saber da educação.

Os laboratórios didáticos são focados para o desenvolvimento das atividades
práticas nos polos de apoio presenciais (PAP). Estes estarão instalados sobre rodas
para que possam ser deslocados aos polos e proporcionem aos alunos condições de
receber, no EAD, uma carga laboral de atividades práticas compatíveis com a
ofertada no ensino presencial.

Houve tentativas de se buscar soluções para oferecer uma educação técnica a
distância com a mesma qualidade do ensino presencial, que foi uma das
preocupações dos que projetaram e executaram o curso, porém o esforço não
conseguiu diminuir a insatisfação dos alunos, em sua maioria.

Possibilitar a otimização dos recursos públicos e atender temporalmente a um
determinado município, formando o quantitativo necessário de profissionais
qualificados que possam ser inseridos no mercado de trabalho local e regional foram
percebidas, mas em algumas situações faltaram apostilas para disciplinas em toda a
sua execução ,bem como não ocorreu ,até abril de 2011 ,a chegada do laboratório

79

móvel para as aula presenciais que se fazem necessárias ao curso. Mesmo com um
investimento em sala de vídeoconferência e gravação de vídeo-aulas, não se
percebeu este atendimento aos alunos, mesmo sendo solicitado por estes e
recomendados e necessários didaticamente.

Na política para formação e capacitação permanentes dos professores, tutores
e técnicos administrativos, que seria viabilizada mediante a implementação de um
Plano de Capacitação de professores, tutores e técnicos administrativos, destinado a
proporcionar o suporte necessário ao desenvolvimento Institucional em EAD,
constamos a pouca familiaridade e conhecimento dos tutores e professores
formadores em EAD, a partir dos comentários negativos dos alunos, da análise dos
materiais impressos e do não cumprimento das atividades previstas no planejamento
do curso relativo aos OVA embora tenha- se tentado resolver demandas dos alunos.

Encontramos um curso de quatro horas para informação sobre EAD aos
tutores e quatro mudanças de coordenadores deste curso até abril de 2011. A
constante capacitação profissional das pessoas que integram a equipe de EAD é de
fundamental importância para sua sobrevivência de qualquer projeto ligado a essa
modalidade, seja de formação inicial ou continuada de trabalhadores com a qual
concordamos plenamente.

Estas atividades estarão orientadas para os resultados que a instituição deseja
alcançar e serão avaliadas após a conclusão de cada uma, sendo permanentemente
acompanhadas pela Diretoria de Tecnologias Educacionais e Educação a Distância
(DEAD) do IFPE garantindo a disseminação do aprendizado, conforme o caso,
deverão os conhecimentos ser repassados aos demais servidores, ao longo da
implantação e do desenvolvimento dos diversos cursos.

Foi planejado que a equipe de EAD ,inicialmente, recebesse capacitação para
os seguintes cursos: Gestão do processo de EAD; Produção de material didático;
Oferta de componentes curriculares na modalidade de EAD; Processos de Avaliação
na EAD. Durante o processo de desenvolvimento dos cursos, foram planejadas

80

capacitações continuadas que previam três dimensões: capacitação no domínio
específico do conteúdo; capacitação em mídias de comunicação; capacitação em
fundamentos da EAD e no modelo de tutoria. Não foram detectados estes resultados
esperados sobre o curso de Mecânica Automotiva decorrentes destas formações.

Não foi encontrada adequação do curso para uma melhor adaptação do aluno
nem durante o decorrer do curso, mesmo quando o aluno solicitava uma modificação.
É importante esta observação no que diz respeito à importância na EAD, da
adequação maior possível do curso ao seu público alvo, para se ter um bom
aproveitamento do aprendizado. Existia proposta, mas não se observou com clareza
esta adequação aos alunos, no que se refere às suas demandas e informações de
dificuldades com as imagens e fotos, por exemplo. Outro aspecto foi o pouco tempo
para cumprir o que se planejou no projeto sobre capacitação sobre EAD, pois ,de
acordo com o Edital 71 / 2011 do DEAD do IFPE, só previam quatro horas para a
explanação sobre Fundamentos da EAD.

O curso de Mecânica Automotiva a Distância foi planejado para formar técnicos
em manutenção automotiva para trabalharem em oficinas aparelhadas propiciando
uma conveniência da população em torno das cidades polo em oficinas que possam
resolver também os problemas e as falhas apresentados por veículos novos com
tecnologia embarcada através de pessoal qualificado.

A mão - de -obra formada localmente facilita a sua permanência e contratação
por estas empresas bem como a abertura de oficinas próprias ou expansão das
existentes com melhoria de qualidade e confiabilidade dos serviços prestados.

Foi pensado inicialmente que tipo de profissional teria que surgir para atender
plenamente a estas demandas e ,posteriormente, que disciplinas o fariam ter esta
formação de competências e habilidades. Teve-se o cuidado de não se fazer um
curso demasiadamente longo, pois estes cursos técnicos têm duração prevista nas
normas do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT) para a sua execução.

81

Em estudos de 2008, o MEC instituiu o CNTC para facilitar e focar os cursos
técnicos como mostra o site: As atribuições do Técnico em manutenção automotiva
em curso de 1.200 horas:

Realiza diagnósticos, manutenção e instalação de equipamentos,
dispositivos e acessórios em veículos automotivos. Avalia e busca
melhorias quanto à emissão de gases poluentes e às condições gerais
de funcionamento e segurança do veículo. Coordena equipes de
mecânicos para os diversos tipos de automóveis. Controla o registro,
seguro e documentação de veículos automotivos.

A partir das definições de perfil e disciplinas, foram pensados quais conteúdos
seriam inseridos nas disciplinas escolhidas para a grade, fazendo-se uma distribuição
lógica e sequencial que seria ministrado em cada semestre e com suas respectivas
cargas horárias. De acordo com CNCT, teriam como eixo norteador as disciplinas de
Mecânica Automotiva: Sistemas Automotivos, Controle Dimensional, Técnicas de
Manutenção, Diagnóstico e Reparação, Eletricidade, Eletrônica, Eletromecânica. No
mesmo site, é informada também a estrutura mínima recomendada para que as
disciplinas elencadas possam ter as suas práticas realizadas, pois em muitos
momentos, é requerida a atuação direta da atividade para a compreensão de
manuseio de chaves, sons característicos.

Laboratório de diagnósticos de sistemas automotivos, laboratório de motores
automotivos, biblioteca com acervo específico e atualizado dos assuntos ministrados
das disciplinas do curso foram pensados e planejados para fazerem parte do curso,
pois a aplicação destes no curso serve como pré-requisito para que o aluno alcance o
perfil estipulado pelo IFPE descrito no site do DEAD (2010):

O Técnico em Manutenção Automotiva é o profissional com visão
sistêmica do papel do controle e processos industriais na sociedade.
Aplica seus conhecimentos de forma independente e inovadora,
acompanhando a evolução de seu eixo tecnológico. Contribui na busca
de soluções nas diferentes áreas aplicadas, com conhecimento em
negócios, permitindo uma visão da dinâmica organizacional. Atua com
ética profissional, sustentabilidade, iniciativa empreendedora,
responsabilidade socioambiental e domínio do saber-fazer, do saberser, do saber-saber e do saber-conviver. Facilita o acesso e a
disseminação do conhecimento em seu eixo tecnológico. É crítico e
consistente em sua atuação profissional na sociedade. Possui
habilidades de comunicação e de trabalho em equipes

82
multidisciplinares. Aplica e respeita as normas de proteção ao meio
ambiente e de prevenção, higiene e segurança no trabalho

Estes laboratórios, licitados através de pregão eletrônico nº 55/2010, não
chegaram a tempo, visto que a compra estava defasada. Nessa data, o curso já
estava iniciado e sem o oferecimento dos referidos laboratórios necessários e
fundamentais ao aprendizado. De acordo com o site do FNDE, o caminhão estava
sendo licitado em agosto de 2010. Nesse período, as práticas com ele já deveriam
ter sido utilizadas.

Como a empresa vencedora teve noventa dias para confeccionar e entregar as
unidades móveis e ainda tinha de licitar os equipamentos e ferramentas necessárias
para equipar corretamente os laboratórios, o planejado não foi possível ser
executado.

Figura 3 - Laboratório Móvel a ser equipado com instrumentos e
ferramentas

Fonte: site MEC (2010)

A informação é de que os alunos do Programa e-Tec Brasil terão aulas práticas
em novos laboratórios móveis no primeiro semestre do próximo ano. Até a conclusão
desse estudo, não houve a chegada dos Laboratórios Móveis.

83

Figura 4 - Caminhão baú a ser utilizado como Laboratório Móvel

Fonte: Site do MEC (2010)

A opção encontrada pela coordenação do curso foi a de realizar práticas em
oficinas automotivas particulares nas cidades nas quais se localizam os polos ou
trazendo os alunos para os laboratórios do curso de Mecânica Industrial presencial no
campus Recife.

5.2.2 Análise do Material Didático Impresso, dos fóruns, do Ambiente Virtual e das
notas dos alunos nas disciplinas objeto desta pesquisa

As observações dos alunos nos fóruns das disciplinas analisadas mostram a
pouca aplicação dos recursos do Moodle diante das muitas possibilidades oferecidas
pelo AVA e ainda que, ao serem utilizadas aulas práticas nos polos, essas foram
ministradas de forma semelhante ao aplicado em disciplina presencial do curso de
Mecânica Industrial presencial do IFPE.

O Moodle permite empregar várias possibilidades de aulas práticas, mas pouco
se explorou, não permitindo saber se foi por ser o primeiro curso, que posteriormente
possa vir a ter estas inclusões, se houve um aligeiramento em se ter o curso ofertado
e iniciado ou a pouca ou nenhuma formação sobre EAD dos professores formadores
na elaboração de suas disciplinas tenha contribuído de forma decisiva para este tipo
de planejamento das disciplinas analisadas. Constatamos a pouca formação dos
professores formadores e conteudistas na área de EAD, descritas em sua introdução

84

por eles mesmos nas páginas iniciais das apostilas, bem como as dos tutores das
disciplinas analisadas.

Um dos materiais didáticos disponibilizados e utilizados nas disciplinas foi a
apostila com conteúdos feitos pelos professores formadores e planejada para serem
entregues e disponibilizadas para cada aluno nos pólos. Estas estão formatadas em
capítulos estudados pelos alunos a cada semana de aula online através do Moodle.
Estão disponibilizadas também em mídia digital no ambiente da aula online. Há casos
em que a apostila impressa não chegou para o acompanhamento dos estudos nos
polos e a disciplina encerrou. Neste caso, os alunos tiveram que imprimi-la por conta
própria.

Na variedade e multiplicidade das possibilidades dos artefatos do Moodle, o
professor conteudista, o professor formador e a instituição ofertante deste curso
poderiam ter encontrado o caminho para que o aluno aprendesse fazendo com que,
mesmo em disciplina técnica específica, se utilizassem mais potencialidades
disponíveis no Moodle em aulas práticas online. O Moodle ter possibilitado um ensino
de qualidade e de maneira construtivista. Um curso em EAD deve oferecer variadas
formas de se aprender com alternativas de interatividade e interação organizadas e
previstas para acontecer dentro de um planejamento de curso, como foi o caso.

5.2.2.1

Metrologia Orientada a Controles Automotivos

Para que fosse cumprida integralmente a carga horária de 60 horas-aula e o
conteúdo da disciplina Metrologia Orientada a Controles Automotivos ministrada em
2010.2 (terceiro semestre do curso), elaborou-se previamente uma apostila segundo
padrões de materiais didáticos para o Projeto e-Tec Brasil cujo conteúdo contempla a
grade do conteúdo programático descrito no Projeto do Curso.

85

Quadro 3 - Conteúdo Programático da Disciplina Metrologia Orientada a Controles
Automotivos
Semana/Assunto

1 aula

-medidas
comprimento

Conteúdos
Trabalhados

-paquímetro
/escala
milímetros.
de

em

-constituição:
garras,
orelhas,
nônio,
vernier,
fixador,
cursor,
impulsor,
escala
em
milímetros,
haste
de
profundidade.
-funcionamento
leitura do nônio;

e

-tipos e aplicações
dos paquímetros;
-escala
em
milímetro(teoria e
prática);
–erros de leitura.
–tipos e usos do
paquímetro.
–escala
em
milímetro (teoria e
prática)

Objetivos

Interfaces
Usadas no
Moodle

fornecer
ao
aluno
os
princípios fundamentais do
controle dimensional,através
da utilização correta do
paquímetro
em
milímetro,aplicada
diretamente ao setor de
reparação veicular, que lhe
proporcionará suporte para
receber as competências e
habilidades específicas da
habilitação
profissional
proposta.

fórum, tiradúvidas,
capítulo da
apostila
e
questionário
em
formatação
.pdf

Atividades

86

2 aula
-instrumento
medição:

de

–paquímetro
(escala
polegada)
–funcionamento
leitura do nônio.

Paquímetro

em

e

–escala
em
polegada milesimal
(teoria e prática)
–escala
em
polegada
fracionária (teoria e
prática)

fornecer
ao
aluno
os
princípios fundamentais do
controle dimensional, através
da utilização correta do
paquímetro em polegada,
aplicada diretamente ao setor
de reparação veicular, que
lhe proporcionará suporte
para
receber
as
competências e habilidades
específicas da habilitação
profissional proposta.

fórum, tiradúvidas,
capítulo da
apostila
e
questionário
em
formatação
.pdf

fornecer
ao
aluno
os
princípios fundamentais do
controle dimensional, através
da utilização correta do
micrômetro em milímetro,
aplicada diretamente ao setor
de reparação veicular, que
lhe proporcionará suporte
para
receber
as
competências e habilidades
específicas da habilitação
profissional proposta.

-fórum, tiradúvidas,
capítulo da
apostila
e
questionário
em
formatação
.pdf

–erros de leitura
–características do
bom instrumento
–conservação
instrumento
3- aula
-instrumento
medição:
Micrômetro

de

do

-micrômetro
(escala
em
milímetro)constituição: ponta
de contato fi xa,
ponta de contato
(parafuso
micrométrico),
cilindro com linhas
de
referência,
tambor,
catraca,
parafuso
de
fixação, indicador
do ambiente de
medição e arco.
–cálculo
aproximação
medidas.

de
e

–conservação
instrumento.

do

–micrômetro
em
milímetro (teoria e
prática).

duas horas
de
aulas
práticas no
polo
onde
se estudou
o conteúdo

87

4 aula
-instrumento de
medição:
micrômetro/sistema
inglês

–micrômetro
(escala em
milímetro)
–constituição:
ponta de contato
fixa, ponta de
contato (parafuso
micrométrico),
cilindro com linhas
de referência,
tambor, catraca,
parafuso de
fixação, indicador
do ambiente de
medição e arco.

fornecer ao aluno os
princípios fundamentais do
controle dimensional, através
da utilização correta do
micrômetro em polegada,
aplicada diretamente ao setor
de reparação veicular, que
lhe proporcionará suporte
para receber as
competências e habilidades
específicas da habilitação
profissional proposta.

-fórum, tiradúvidas,
capítulo da
apostila e
questionário
em
formatação
.pdf

fornecer ao aluno os
princípios fundamentais do
controle dimensional, através
da utilização correta do
goniômetro, aplicada
diretamente ao setor de
reparação veicular, que lhe
proporcionará suporte para
receber as competências e
habilidades específicas da
habilitação profissional
proposta.

-fórum, tira
dúvidas,
capítulo da
apostila e
questionário
em
formatação
.pdf

–cálculo de
aproximação e
medidas.
–conservação do
instrumento.
–micrômetro em
polegadas (teoria e
prática).
5-aula

–goniômetro

-instrumento de
medição:

–apresentação e fi
nalidade.

Goniômetro

–tipos e uso do
goniômetro.
–funcionamento do
goniômetro.
–conservação.
–leitura (prática).

duas horas
de aulas
práticas no
polo
estudado

88

6-aula
-instrumento de
medição:
relógio comparador

–relógio
comparador e
súbito
-constituição:
encosto ou haste
móvel,
prolongamento do
encosto,relógio.
–escalas e leituras.
–função e uso do
súbito.
–condição de uso.
–conservação do
instrumento.
–finalidades e
aplicações do
instrumento.
–cuidados no
manuseio do
instrumento.
–prática com
relógio comparador
em milímetro.

fornecer ao aluno os
princípios fundamentais do
controle dimensional, através
da utilização correta do
relógio comparador em
milímetro,aplicada
diretamente ao setor de
reparação veicular, que lhe
proporcionará suporte para
receber as competências e
habilidades específicas da
habilitação profissional
proposta.

-fórum ,tiradúvidas,
capítulo da
apostila e
questionário
em
formatação
.pdf

89

–provetas.

7-aula
-instrumento de
medição:
-provetas, plastigages
-sistema internacional
de medidas–(si) e
medidas automotivas

fornecer ao aluno os
princípios fundamentais do
controle dimensional, através
–leitura com
da utilização correta das
instrumento de
provetas e dos plastigages,
medição.
aplicada diretamente ao setor
–erros no processo de reparação veicular, que lhe
proporcionará suporte para
de medição.
receber as competências e
habilidades específicas da
–sistema
habilitação profissional
internacional de
proposta.
medidas.

-fórum, tiradúvidas,
capítulo da
apostila e
questionário
em
formatação
.pdf

–procedimento
para execução de
alguns testes.
–plastigages
–finalidade e forma
de utilização
.
–vantagens do
plastigages.
Fonte: DEAD/IFPE (2009)

O primeiro assunto é sobre o instrumento paquímetro no qual são observadas a
sua constituição e partes como as garras, orelhas, nônio, fixador, cursor, impulsor,
escala em milímetros, escala em polegadas, haste e haste de profundidade. Uma das
dificuldades dos alunos foi que não houve ,na parte introdutória, uma explicação de
transformação e conversão de unidades de medidas e ordem de grandezas. Fazem
parte também desta grade o conhecimento do funcionamento e leitura do nônio, erros
de leitura e tipos e usos do paquímetro.

O micrômetro também é estudado na observação de sua constituição e análise
de cada parte como a ponta de contato fixa, ponta de contato móvel (parafuso
micrométrico), cilindro com linhas de referência, tambor, catraca, parafuso de fixação,
indicador do ambiente de medição e arco.

Há um item ,o cálculo de aproximação e medidas ou arredondamento, que é de
suma importância para o estudo em questão.

90

Os outros instrumentos de medição que aparecem são o relógio comparador e
súbito. São enfocados os conhecimentos sobre sua constituição e partes como
encosto ou haste móvel, prolongamento do encosto, relógio. Há também o item que
trata de escalas e leituras. As buretas entram nesta lista, visto que serão realizadas as
leituras de níveis de líquidos e analisadas na prática em oficina. O goniômetro é
estudado com a sua apresentação e finalidade em leituras em ângulos. Finalizando o
assunto, é estudado o plastigages em suas finalidades e forma de utilização.

É definido no projeto que o aluno, ao encerrar a disciplina, deverá ter condições
de aplicar os conhecimentos teóricos e práticos na utilização de instrumentos básicos
de medições necessárias à pratica automotiva. Como as práticas e acesso aos
instrumentos não se deram de acordo com o planejado, os alunos tiveram muita
dificuldade em desenvolver tais habilidades e competências.

Na análise do material impresso, é possível notar como pontos positivos a
encadernação e edição seguindo as normas de elaboração de material didático para
cursos do programa e-Tec Brasil (MOLIN, 2008). O conteúdo está distribuído em 95
páginas ,divididas em 7 capítulos. Cada capítulo trata de um assunto, instrumento de
medição e respectivos detalhamentos abordados como: instrumento, partes,
funcionamento e realização de leituras, possíveis erros cometidos durante a leitura,
aplicações deste instrumento no dia a dia na oficina e suas escalas de leituras.

Como pontos negativos, tem-se a baixa qualidade das fotografias e ilustrações
instrumentos em aplicação das leituras de medições que não favorecem a noção para
o aluno da real grandeza do instrumento, peso, material de que é feito e como
proceder na realização prática da atividade. Como agravante, verificamos também o
tamanho reduzido das fotos e ilustrações, que somados à baixa qualidade das
mesmas, causam mais dificuldade de entendimento pelo aluno.

Isto foi verificado e comprovado pela solicitação dos alunos nos fóruns de
atividades práticas com o manuseio e a utilização dos instrumentos de cada capítulo
que causaram desmotivação nos alunos.

91

Figura 5 - Leitura do nônio e vernier do paquímetro do tamanho
igual ao que aparece na apostila.

Fonte: Nascimento Neto, apostila de Metrologia do eTec Brasil IFPE

Figura 6 – Paquímetro para leitura de profundidade do tamanho
igual ao que aparece na apostila.

Fonte: Nascimento Neto, apostila de Metrologia do eTec Brasil IFPE

O tamanho encontrado na apostila da Fig 5 é de 4x3 cm do recorte do
instrumento e a Fig 6 apenas 2x4cm dificultando ou impossibilitando a leitura das
unidades e a compreensão, visto que ,no início, os alunos com nenhum instrumento
em sala de aula, pois não contavam com aulas práticas regulares anteriores para
contato com os instrumentos. Não puderam ter esta noção de suas dimensões. Para
atender a esta situação, o material didático poderia apresentar filmagens de leituras
pelos professores com explicações orais e visuais para, posteriormente, serem

92

disponibilizadas na plataforma ou disponibilizados links para complementar e facilitar
o aprendizado dos alunos.
Figura 7 – Leitura com paquímetro de precisão do tamanho
igual ao que aparece na apostila.

Fonte: Nascimento Neto, apostila de Metrologia do eTec Brasil IFPE

A ausência de aulas com os instrumentos em laboratório próprio e a falta de
recursos digitais possíveis de serem aplicados na disciplina podem ter levado os
alunos a ter o comportamento de dificuldade de entendimento de escalas de leitura
como mostra a Fig 8. No fórum da disciplina, a dificuldade aparece de forma clara,
conforme relato do aluno no fórum, acerca da postagem da primeira semana que foi
disponibilizada para o aluno de acordo com a fig. 8

Figura 8 – leitura da medida em um paquímetro do tamanho igual ao que aparece na apostila.

Fonte: Nascimento Neto, apostila de Metrologia do eTec Brasil IFPE

93

Na figura 8, mostrada no fórum, há uma ampliação exagerada com uma
marcação com seta. Ocorrendo aulas práticas ou realizando filmagens das leituras,
este tipo de apresentação surtiria melhor resultado em um curso técnico. O aluno
continua a ter dificuldade na visualização das fotos e ilustrações já que não tiveram
acesso aos instrumentos, como comenta outro aluno:

Professores, pessoalmente tive grande dificuldade nas leituras das
escalas dos Paquímetros da tarefa 2. Não sei se foi problema de vista,
mas, gostaria que das próximas vezes fossem aumentadas as figuras
do aparelho para que possamos fazer uma interpretação mais precisa.

A resposta do tutor foi:

Ok ............., vamos tentar melhorar as figuras.

Na avaliação dos alunos, a prática faz falta. Por exemplo, quando da
realização de uma leitura por um instrumento fica difícil o aluno entender a explicação
online do tutor, como segue:

Aluno: Professor, gostaria que explicasse um pouco melhor sobre a
medicão com o Gaviometro com nonio.

Resposta do tutor:............, o instrumento é o goniômetro.

Leitura no sentido horário, utilizar o nônio da direita e leitura no sentido
anti-horário, utilizar o nônio da esquerda. Cada traço do nônio mede 5´(
minutos). O raciocínio é o mesmo dos outros instrumentos. Lê a
escala fixa o grau e depois vê qual traço do nônio coincide com a
escala fixa.

Este fórum é avaliativo.Por favor, responda-o para ser avaliado,
ok!(grifo nosso)

Esta extensa explicação não seria necessária se existisse o passo-a-passo do
uso dos instrumentos em atividade de leitura online, através de um vídeo feito pelo
professor ou um link para acesso a outro vídeo ,ou demonstrado presencialmente. A
utilização de animações em leituras, em laboratórios virtuais, em escalas diferentes
tanto em milímetros como em polegadas poderia ter sido uma outra estratégia para

94

se chegar ao acerto dos alunos. Caso não obtivessem sucesso na primeira tentativa,
poderiam fazer releituras com explicações mais detalhadas, pré-programadas ou não.

A prática com os instrumentos ficariam para as aulas presenciais, já que não
houve essa prática no AVA como mostra o posicionamento de outro aluno:

Estou com muitas dúvidas sobre o uso do relógio comparador e
acredito que só vou conseguir tirar essa dúvidas através do encontro
presencial; pois que só dar pra aprender e manuseando o objeto.."mão
na massa"

O rendimento do aprendizado melhoraria, sendo potencializado, como
mostram os alunos em seus comentários nos fóruns:

É interessante e importante que seja ensinado e mostrado as unidades
de medidas e suas transformações mais utilizadas, já que na apostila
não foi incluído esse assunto, bem como os tutores trazerem não só os
instrumento mas também peças mesmo que pequena dos automóveis
para que nós tenhamos como operar o instrumento em uma peça real.

Este posicionamento do aluno mostra a sua dificuldade e lucidez face às
necessidades detectadas na disciplina online onde há uma carência, falta do assunto,
ocasionando uma lacuna, não permitindo ter o seu aprendizado do assunto posterior
que se faz necessário para atingir as competências e habilidades planejadas
anteriormente para esse curso.

Estou gostando muito da desta disciplina, apredi muita coisa que
desconhecia, gostaria que tivessem mais encontros presenciais, pois
muitos instrumentos conheço apenas da apostila sem nunca ter
manuseado.

As aulas deveriam existir mais presencialmente, isso facilitaria o nosso
aprendizado, pois teríamos bastante interesse em pegar os
instrumentos e praticarmos tudo com eles. Valeu?

Queremos mais aulas presenciais e se possível de preferência em
Recife-PE em todas as disciplinas para fixar melhor no ambiente e na
memória.

95

O aluno se posiciona com motivação para aprender, no entanto o que se
repetirá nesse curso, através das falas dos alunos nesta disciplina, é a reclamação da
falta de contato com o laboratório, que vem a dificultar o aprendizado, visto que os
encontros presenciais foram escassos e ainda pouco tempo destinado ao manuseio
de materiais em laboratórios.

Na minha opinião, eu acredito que seria melhor para nós alunos se o
livro estivesse mais exemplos resolvidos detalhadamente desses
instrumentos e de preferência com os traços de marcação coloridos
para facilitar a visualização. E o mais importante o contato direto com
o instrumento.

Há também a dificuldade de se aplicar o que se aprendeu por falta de prática e
de exemplos que, de maneira didática, ajudam a fixar o que se aprendeu na teoria e
com o auxílio do laboratório seria o ideal, como foi o planejado.

Eu estou com muita dificuldade de entender essas medições, na aula
presencial eu saí achando que tinha entendido mais foi muito pouco e
às vezes eu me enrrolo quando estou vendo o livro de metrologia. Às
vezes entendo e de repente um outro exemplo eu já me perco, não é
por falta de interesse não. É que alguma coisa não ficou bem
entendida por mim e surge a dúvida, mas vou superar tudo porque eu
quero aprender.

O aluno se mostra angustiado e percebe que, apesar de interessado e
empenhado em superar as dificuldades de aprendizado, não consegue ter o apoio
online, devido à insuficiência de aulas presenciais . Uma das dificuldades não foi
resolvida pelo tutor e pela resposta dele não será atendida a solução de tirar a dúvida
do aluno online. Faltou uma formação específica e conduta correta para o ensino a
distância. Nesse momento, seria necessária a aplicação da recuperação paralela
prevista na elaboração do curso, mas a oportunidade de dirimir dúvida do aluno,
online, não foi aproveitada. O aluno ficará com dúvidas acumuladas e prejudicará seu
aprendizado ao longo do curso.

O tutor responde: ....., é normal surgirem dúvidas!!! Esta é uma
disciplina que requer muita prática. Futuramente ,quem sabe,
poderão ocorrer mais aulas presenciais com práticas. Não
desanime , e o que pudermos fazer para tirar suas dúvidas faremos. O
professor colocou um passo-a-passo de como medir com o paquímetro
1/128". Dê uma olhada, acredito que pode ajudar.

96
Outro aluno questiona:

Estou sem entender esta parte que fala de calibração do micrômetro.
Na verdade é uma regulagem que se faz na bainha do mesmo, mas
não consegui entender direito, eu acho que uma demonstração virtual
cairia bem, já que fisicamente, a esta altura, está mais longe, valeu?

Mercado (2009, p.10) mostra que o conhecimento e a formação do professor
em TIC são necessários, para que venhamos a ter uma aula de qualidade na
educação online:

Os professores podem incluir a utilização desses recursos no
planejamento de suas aulas, para que os alunos possam obter,
comparar e analisar informações; permitem criar situações em que os
alunos interagem com os conteúdos de diferentes formas: textos,
imagens, sons; favorecem um ensino contextualizado, ou seja, que
incorpora as práticas sociais como saber escolar.

A utilização das TIC permite dinamizar as aulas, estimular o senso
crítico, a criatividade em função de uma educação para a autonomia,
descobrindo novos paradigmas, que permitirão aos educandos
entrarem no terceiro milênio com uma educação mais humanitária.
Ajudam o professor, atrai os alunos, aproxima a sala de aula do
cotidiano, das linguagens de aprendizagem e comunicação da
sociedade urbana e, também, introduz novas questões no processo
educacional.

Hoje, o maior problema não é falta de acesso à informação ou às
tecnologias, e sim, a pouca capacidade crítica e procedimental para
lidar com a variedade e quantidade de informações e recursos
tecnológicos. Conhecer e saber usar TIC implica a aprendizagem
de procedimentos para utilizar essas
tecnologias
e,
principalmente, a aprendizagem de habilidades relacionadas ao
tratamento da informação. Diferentes mídias e linguagens são
trabalhadas nos espaços de aprendizagem, com finalidade de
explorar as potencialidades em termos de diversificação de
recursos metodológicos para o ensino de determinados
conteúdos ou a consecução de determinados objetivos postos em
um currículo: vídeos, filmes, materiais digitais, objetos virtuais de
aprendizagem, que podem ser utilizados como ilustração ou
aprofundamento de determinados temas tratados nas disciplinas,
aplicativos que podem ser usados para desenvolver atividades, como
planilhas e editores de texto, nas várias disciplinas, uso da internet
como fonte de pesquisa e comunicação. (grifo nosso)

Contribuiremos para a melhoria da qualidade do aprendizado na elaboração
desses cursos no IFPE, resultando uma contrapartida prática desse mestrado.

97

Almeida (2010, p.5) enfatiza que a formação online para o professor que atua em
cursos a distância e ter como aplicar as TDIC deve percorrer:

Desse modo, o trabalho docente on-line envolve o domínio do
conteúdo do estudo, das tecnologias em uso e do processo
pedagógico, no que se refere às concepções teóricas e metodológicas;
a criação de estratégias didáticas que proporcionem a aprendizagem; a
articulação do conteúdo com a tecnologia no desenvolvimento das
atividades; a atitude de questionamento, diálogo, produção de
conhecimento,colaboração e reflexão sobre a própria atuação; e a
capacidade para trabalhar em grupo.

Ainda que o foco desse estudo incida sobre o professor on-line, a
essência dessa elaboração teórica associada com a constante
evolução tecnológica exige que o professor tenha as
características acima descritas, quer atue na EAD on-line, quer na
educação presencial com o uso de tecnologias. Logo, torna-se
relevante compreender como propiciar a formação do professor em
consonância com as demandas da educação on-line. (grifo nosso)

A falta de preparo e formação do tutor é mostrada quando ele deveria, na sua
atuação, motivá-lo e esclarecer o aluno nas dúvidas percebidas em tempo, levando o
aluno a uma posterior desmotivação já não mais acreditando que “a esta altura” não
terá o seu aprendizado realizado. Enfatizamos a formação dos tutores que venha a
atender ao que se propõe no curso em seus objetivos e metas de formação de
técnicos.

O tutor responde

olá ....................estamos tentando colocar um filme na sala virtual. O
professor responsável está tendo algumas dificuldades. Mas se não for
possível no momento, estaremos levando para a aula presencial, ok?

Soluções sem planejamento prévio que estruturem o conteúdo da disciplina,
distribuído e aplicado em mídias específicas que venham a atender o processo
ensino-aprendizagem são percebidos nestas respostas do tutor.

A falta do manuseio com os instrumentos de medição, escassez das aulas
práticas em laboratórios próprios ou simulações em laboratórios virtuais, possíveis na
educação online, fazem falta nessa disciplina.Tudo isso é percebido na fala de outro

98

aluno que tem uma visão da importância do aprendizado com vistas a se colocar no
mercado de trabalho.

Bom, eu estava pensando no nosso aprendizado durante o curso e tive
uma grande idéia. ( Em fazer uma parceria entre empresários locais,
donos de oficinas e o IFPE), para que viesse um professor do IFPE,
uma vez por semana, dar aulas em uma dessas oficinas, juntando a
pratica com a teoria. Sendo de muita importância para todos os alunos
do curso de manutenção automotiva, e também para o dono do
estabelecimento que poderia futuramente contratar estagiários
mecânicos.

A dificuldade da falta de aulas práticas e a pouca capacidade de entendimento
pelos alunos com o material didático disponibilizado para eles na disciplina. A
resposta do tutor limitou-se a: “boa sugestão”.

A atuação do tutor tem de ir além da simples resposta mecânica ,como foi o
caso. O mesmo deve buscar o atendimento e a resolução do problema detectado
pelo aluno, repassar o problema ao professor formador e o coordenador de curso.
Com um enfoque bastante oportuno e pertinente outro aluno sugere:

gostaria que o curso estivesse uma vídeo aula uma vez por semana e
também as aulas presenciais com mais carga horária duas vez na
semana.

Percebemos, nesse depoimento, a não constatação pelo aluno de que o curso
é realizado a distância e que as regras das aulas nos polos, que lhe foram explicadas
inicialmente, não foram bem assimiladas por ele.

O livro de metrologia, na minha opinião foi bom, mas era para ser
melhor. Acho que deveria ter mais exercícios e exemplos. Para quem
nunca viu esses instrumentos, que foi o meu caso, senti um pouco de
dificuldade. No mais deu para aprender com as aulas presencias e
também algumas boas lidas no livro e pesquisas na internet. A
resposta do tutor a esta colocação do aluno foi :“ok “.

Isto mostra a ansiedade por aprender os conteúdos da disciplina já fazendo
uma análise da apostila usada. O aluno sente claramente uma necessidade de

99

realizar atividades práticas durante as aulas. O uso de simuladores e acesso aos
OVAs ,disponibilizados pelo MEC, poderiam favorecer o preenchimento dessa
carência por aulas práticas, enquanto se aguarda o laboratório móvel.

No site do MEC, o RIVED (http://rived.mec.gov.br/) é o local no qual podemos
dispor de OVA e informações sobre como utilizá-los e orientações pedagógicas de
suas aplicações além de muitos textos sobre o assunto discutidos por vários
pesquisadores.

A Rede Internacional Virtual de Educação (RIVED) é um programa da –
SEED/MEC, que tem por objetivo a produção de conteúdos pedagógicos digitais, na
forma de OVA na intenção e propósito de estimular o raciocínio e o pensamento
críticos dos alunos explorando e se apropriando do potencial da informática às novas
abordagens pedagógicas. Tem como meta melhorar a aprendizagem das disciplinas
da educação básica e a formação cidadã do aluno. Promover a produção e publicar
na web dos conteúdos digitais para acesso gratuito a qualquer um que queira
aprender sobre os assuntos abordados nos OVA. Para que se tenha um melhor
aproveitamento destes materiais didáticos específicos, o RIVED realiza capacitações
sobre a metodologia para produzir e como utilizar os objetos de aprendizagem nas
instituições de ensino superior e na rede pública de ensino.

Por definição, um OVA é qualquer recurso que possa ser reutilizado para dar
suporte ao aprendizado. É reutilizável e sua principal ideia é "quebrar" o conteúdo
educacional disciplinar em pequenos trechos que podem ser reutilizados em vários
ambientes de aprendizagem até em outros cursos, disciplinas e assuntos. Qualquer
material eletrônico que auxilie na construção de conhecimento pode ser considerado
um objeto de aprendizagem, seja essa informação em forma de uma imagem
multimídia, uma página HTML, uma animação ou simulações interativas ou não.
Como possibilidades de OVA, também existem indicações de vídeos veiculados pela
TV Escola que complementam o conteúdo trabalhado no objeto, enriquecendo ainda
mais o processo de aprendizagem do aluno. Isto possibilita ao aluno testar diferentes
caminhos, de acompanhar a evolução temporal das relações entre alunos e
plataforma, aluno tutor, causa e efeito, de visualizar conceitos de diferentes pontos de

100

vista, de comprovar hipóteses simulando situações, fazem dos OVA instrumentos
poderosos para despertar novas idéias, para relacionar conceitos, para despertar a
curiosidade, motivar e para resolver problemas. Essas atividades interativas oferecem
oportunidades de exploração de fenômenos científicos e conceitos muitas vezes
inviáveis física e economicamente ou inexistentes nas escolas por questões
,inclusive, de tempo disponível e de segurança, como por exemplo: experiências em
laboratório com substâncias químicas ou que envolvam conceitos de genética,
velocidade, grandeza, medidas, força, dentre outras.

Num banco de dados chamado de repositórios de objetos de
aprendizagem, há a possibilidade de serem usados e repostos com alguma alteração,
melhor direcionados para outra aplicação para a qual inicialmente não foram
projetados.

São

públicos

e

licenciados

pelo

Creative

Commons. Esses

conteúdos podem ser acessados por meio do sistema de busca - repositório on-line,
que permite visualizar, copiar e comentar os conteúdos publicados. Com a licença
Creative Commons, são garantidos os direitos autorais dos conteúdos publicados de
seus autores e possibilitam a outros a copiarem e distribuirem os OVA ,contanto que
atribuam o crédito aos seus legítimos autores. Uma vantagem desses OVA :cada
professor que for aplicá-los tem liberdade de usar os conteúdos sem depender de
estruturas rígidas: é possível usar o conteúdo como um todo, apenas algumas
atividades ou apenas alguns objetos de aprendizagem como animações e
simulações.

No curso presencial de Mecânica Industrial do IFPE, as aulas se realizam em
laboratório próprio para a disciplina de metrologia.Embora não sejam ideais, os
alunos têm contato com os instrumentos desde o primeiro dia de aula até o último,
inclusive têm contato com blocos-padrão que servem para testar a leitura dos
instrumentos ,bem como a aferição desses.

Nas escritas dos alunos nos fóruns da primeira semana, um deles detecta uma
dificuldade que novamente reforça a necessidade de se ter mais prática.

101
Eu acho que este livro de metrologia deveria ter mais exemplos
práticos para nós exercitarmos nosso aprendizado, em minha opinião.

Ficou mais difícil o atendimento ao aluno, causando desmotivação, visto que a
solicitação dele deveria ser atendida de pronto ou disponibilizados ,nas bibliotecas
dos polos, materiais, livros para consulta.A solução encontrada pelo tutor em resposta
ao pedido do aluno foi com a seguinte resposta:

Isto fica como sugestão para a elaboração de novas apostilas. Vc pode
procurar na internet os livros do telecurso 2000 da área de mecânica.
Eles têm alguns exercícios e com respostas.

Esta resposta mostra o despreparo do tutor para atendimento online por não
possuir uma formação maior que 4 horas aulas sobre EAD como mostra o edital de
chamada aos tutores pelo programa e-Tec do IFPE. É realizado após a sua
aprovação em seleção efetuada anteriormente. As bibliotecas dos polos já deveriam
estar com esse material para que os alunos pudessem acessá-lo livre,
presencialmente ou ter os links para que pudessem fazê-lo remotamente, pois existe
versão em mídia digital (www.bibvirt.futuro.usp.br). Mesmo que o tutor seja professor
presencial, a sua prática online deve ser diferenciada, precisando de formação
complementar para não ficar exposto a esse tipo de erro.

Como não tinham simuladores ou links para acessá-los, instrumentos ou
laboratório volante para a disciplina, ficou evidente por que o aluno solicitou
adequações e modificações, pelo precário material online e comportamento apático
na condução do tutor empregado nessa disciplina. O que ainda outros alunos
comentam:

Na minha opinião, eu acredito que seria melhor para nós alunos se o
livro estivesse mais exemplos resolvidos detalhadamente desses
instrumentos e de preferência com os traços de marcação coloridos
para facilitar a visualização e o mais importante o contato direto com o
instrumento.

Bem gostei do livro de metrologia, no entanto, assim como o
professor formador falou, esse livro era para ter começado com
as unidades de medidas fundamentais, além de que os exercícios
resolvidos foram poucos. (grifo nosso)

102

Ficou evidente que o planejamento falhou em seu dimensionamento e
cronograma quando os alunos solicitam e o próprio tutor, como resposta ao aluno,
argumenta reativamente que:

Como havia comentado com vc. Esta disciplina requer algumas aulas
práticas.

Os alunos, na tentativa de ter seu aprendizado realizado, partem para outras
práticas como mostra a fala de outro aluno no fórum:

Comprei um Paquímetro Metálico - 6¨ - 150 mm. Comprei também uma
Fita Métrica de 3m. Estou medindo tudo em minha casa, só que não
sei se está certo. Solicito orientações.

Os alunos perguntam ao tutor se vão ter somente fóruns e chats, e a resposta
foi:

é .............., só terá fóruns e chats mesmo.

Ocorreram também algumas falhas no ambiente, como percebe o aluno:
Olá prof. Quero fazer uma observação sobre o questionário 6. Nas
questões 7 e 9, na minha opinião houve algum erro de digitação, pois a
medição correta é .694, mais nas alternativas não existe essa medida
e sim; 0.684, 0.619, 0.6319, 63.19 e 0.675. Já na alternativa 9, a
medição correta seria 0.3801 mais nas alternativas só existem 0.3354,
38.04, 33.54, 0.3844 e 0.3804 O brigado e desculpe-me se estiver
errado.

Outra comunicação do tutor para o aluno que notamos ser de maneira errada.
Seria oportuna a intervenção do tutor diretamente junto ao professor, mediando o
contato e trazendo soluções rápidas, que responderiam a esta dificuldade,
solucionando a dúvida para todos os alunos. Não há razão de se encaminhar o aluno
ao professor, como mostra a resposta do tutor. O tutor é o mediador.

......., por favor envie a questão que vc citou.Envie para o professor
............ verificar.

103

O professor respondeu a todos de maneira simples e direta desperdiçando a
oportunidade do incentivo pela percepção do aluno ao erro detectado e revisando o
material didático para não mais acontecer o mesmo:

Semana 6 questão 7 resposta métrico valor 52,59 mm

Semana 6 questão 9 resposta inglês valor 0,3804"

Chegando ao final da disciplina, o problema quanto à baixa qualidade das fotos
e ilustrações na avaliação final presencial persistiu. Isto demonstra uma não
percepção do erro ou não correção do problema evidenciado pelos alunos durante a
realização do curso.

Dava pro exame final ser mais questões de cálculo e em vez de cinco (
2 pontos cada ) ser 10 ( 1 ponto cada ) e tb outra coisa dava para os
desenhos serem mais legíveis pq a questão 4 e 5 da avaliação
presencial num tava muito legível.

A resposta do tutor leva a refletir: o que levou ao atraso desses laboratórios, o
porquê de tanta pressa em iniciar um curso para sair deste jeito, sem aulas em
laboratórios móveis, simuladores, filmagens, animações, baixa qualidade das
imagens e fotos e quando será corrigido:

Ok ............., iremos corrigir isto!

As postagens com abertura de novos fóruns pelos alunos e tutores na
disciplina Metrologia Aplicada foram da seguinte ordem para cada uma das sete
semanas: primeira semana com 15 postagens; segunda com 47; terceira com 24;
quarta semana com 19 postagens; quinta com 11; sexta com 35 postagens e a sétima
semana com 17 postagens entre as dos alunos e as do tutor. Percebemos a enorme
quantidade de abertura de novos fóruns pelos alunos causando uma dispersão no
ambiente e pouca interação entre eles.

No planejamento, a configuração do Moodle permite que seja escolhido pelo
professor formador, um estilo de interação com a não permissão do aluno em abrir

104

tópicos (fóruns) habilitando o aluno para apenas postar suas participações, interações
e o professor. Somente poderá abrir novos fóruns quando percebida a necessidade,
durante o acompanhamento das discussões. Este procedimento permitiria menos
dispersão e um maior direcionamento em focar os tópicos dos fóruns criados pelo
professor no AVA. Direcionariam os alunos a realizar mais interações, lendo mais
facilmente o que o colega postou ,induzindo os alunos a colocarem os comentários
das postagens num mesmo fórum. Foram abertos 89 fóruns (tópicos) no total, que
geraram dispersão e dificuldade nas interações tão necessárias na educação online.

No projeto do curso, está descrito que seriam disponibilizadas várias maneiras
de se repassar os conteúdos através de várias mídias e que teriam “práticas
laboratoriais”. De acordo com os comentários e posicionamentos de vários alunos, o
que aconteceu na disciplina foi a falta de práticas presenciais em laboratório móvel
específico e que, através do AVA, não foram realizadas aulas práticas online em
mídias variadas, preconizadas no projeto, em tempo hábil até junho de 2011.

Como mostrado no planejamento contido no projeto do curso para essa
disciplina ,a Integralização da Carga Horária Modular mostra que os componentes
curriculares de cada módulo serão distribuídos de forma que sejam oferecidos até
dois componentes curriculares (disciplinas) de forma concomitante que dependeria da
duração de sua carga horária. Sendo ,em média, uma carga horária de 30 horas ,para
as duas disciplinas ,foram disponibilizados 30 dias. Desta forma, foi previsto para os
alunos uma dedicação diária de, no mínimo, uma hora de estudos e desenvolvimento
de atividades programadas.

Este planejamento dificultou mais ainda as idas aos polos aumentando os
custos de passagens e diárias pagas aos professores para se deslocaram do campus
Recife às cidades dos polos de ensino para a realização de avaliações.

Estava previsto no projeto do curso que, durante o período de integralização
dos componentes curriculares, os professores e tutores a distância trabalhariam os
conteúdos das disciplinas com material didático impresso e digital, vídeos-aula,

105

conteúdos animados, videoconferência e encontros presenciais para realização de
práticas laboratoriais. Utilizariam o AVA para distribuição de conteúdos digitais,
compartilhamento de informações, socialização de conhecimento através de fóruns
de discussão, troca de comunicação tanto síncrona (chat) como assíncrona (fórum),
desenvolvendo atividades didáticas como suporte e avaliação da aprendizagem
visando diagnosticar possíveis falhas e recuperação da aprendizagem durante o
processo de ensino e aprendizagem. O que se constatou na avaliação das notas das
avaliações presenciais foi uma média de valor igual a 5,8 ,abaixo da média estipulada
para ser aprovado, e tem peso 7. A média alcançada pela turma nas contribuições no
AVA foram as seguintes em sequência de semanas: 7,7 ; 7,7 ; 8,2 ; 9,2 ; 8,1 ; 8,3
ficando a média na plataforma igual a 1,7 na qual a máxima seria 3, visto que o peso
é este. Se fizermos uma comparação de média, o valor 1,7 será equivalente a uma
média 5,7 para a nota na plataforma.

Obrigatoriamente, ao final de cada componente curricular, os alunos foram
submetidos a exames presenciais, conforme determina a organização didática do
IFPE e a legislação vigente. O valor da média da avaliação presencial foi 5,8, com
peso 7. O resultado da média da turma para a avaliação final, que é o somatório da
média virtual de cada aluno somada a sua média presencial e depois dividida pelo
número total de alunos da turma, foi 6,7. Ficou abaixo da média de aprovação
individual que é 7. Se levarmos em conta a não participação efetiva de três alunos e
os descartarmos para efeito de média, a mesma terá um resultado melhor, ou seja,
aumentará.

Durante todo o processo, os professores e tutores deveriam desenvolver no
aluno uma autonomia no seu processo de aprendizagem que não foi percebida no
AVA. Vimos um aluno ter a iniciativa de comprar, com os seus próprios recursos, dois
instrumentos de medição e pedir auxílio de como realizar as práticas, mas não
percebemos as respostas e orientações do tutor a contento e em tempo para eles no
AVA.

Na disciplina Metrologia Aplicada, a qual exige muita prática com o manuseio
de instrumentos de medição, as aulas práticas na educação online focaram em um

106

experimento de leituras de medidas através de figuras postadas no AVA e no material
impresso com leituras pré-determinadas que, de acordo com os alunos, tinham baixa
qualidade.

Na execução do curso, os professores poderiam ter enviado aos alunos
instrumentos de medição e alguns blocos de leituras, que são padrões para leituras,
para que os alunos realizassem práticas presenciais à vontade. As aulas presenciais
foram mínimas. Duas em toda carga horária da disciplina, segundo relato dos
próprios alunos. Em paralelo a esta atividade, exercitariam estas práticas com o
professor supervisionando a distância através de câmera de vídeo acoplada ao
computador em sala de aula no polo e o professor em sala de vídeoconferência, no
campus Recife, recurso permitido pelo Moodle e previsto no planejamento do curso.

Como opção, o professor conteudista também poderia ter feito uma filmagem
simples de realização de leituras de medições, passo-a-passo, contendo informações
e cuidados ao serem realizadas as leituras, atentando para o correto manuseio com
os instrumentos de precisão enviando aos polos em formato de mídia DVD.
Realização simples e de custo muito baixo, e estas filmagens seriam realizadas na
sala de vídeo-conferência, no campus Recife, no qual existe material e pessoal para a
realização e edição do mesmo e os alunos nos polos repetiriam o experimento com
ajuda online, num chat ,por exemplo. Tais procedimentos simples amenizariam as
ansiedades e dificuldades encontradas pelos alunos nessa disciplina.

Após as filmagens serem realizadas, seriam disponibilizadas no próprio AVA
ou oferecidos hiperlinks para acesso a outros sites de vídeos na internet. Poderia
também se fazer uma webquest para vídeos bem-elaborados na internet sobre o
assunto abordado na disciplina e, após este trabalho de pesquisa, socializar os
conteúdos com os comentários dos colegas em fórum específico ,provocando ,assim,
uma interação.

Existe possibilidade de se postar vídeo no Youtube e os alunos da disciplina de
o acessarem. Este procedimento ajudaria para que os alunos tivessem uma noção

107

mais próxima da realidade do dia-a-dia de uma oficina na leitura de análise
dimensional mecânica.

Poder-se-ia pensar uma maneira de utilizar simuladores de instrumentos de
medição feitos em Flash, por exemplo, para que ocorresse a prática online e em
seguida fornecer os instrumentos aos alunos nas aulas presenciais. Isto levaria o
aluno a identificar, ter o primeiro contato para como proceder com as leituras em
instrumento online (www.stefannelli.eng.br).

De acordo com o dimensionado e previsto inicialmente no planejamento do
curso de Mecânica Automotiva a Distância e percebido nesse estudo, a falta da
oficina volante para a realização dessas práticas fez, até o momento, uma diferença
enorme para o curso.

No curso presencial de Mecânica Industrial, as aulas de Laboratório de
Metrologia acontecem desde o primeiro até o último dia de aula, e os alunos têm
acesso ao uso dos instrumentos de medição.

5.2.2.2

Termodinâmica Aplicada

Esta disciplina tem como competência desenvolver nos alunos a aplicação dos
conceitos de termodinâmica no setor automotivo, com ênfase em ciclos térmicos.
Está planejada para ser aplicada com os conteúdos programáticos sobre os conceitos
básicos e definições sobre termodinâmica, trabalho e calor, unidades de trabalho, leis
da termodinâmica, primeira lei da termodinâmica, energia interna, segunda lei da
termodinâmica, reações químicas: combustíveis e o processo de combustão. Motores
térmicos: ciclo Beau Rochas, ciclo Otto, ciclo Diesel.
Quadro 4 – Conteúdo Programático da disciplina Termodinâmica Aplicada
Semana/Assunto

Conteúdos
Trabalhados

Objetivos

Interfaces
usadas
Moodle

Atividades
no

108

1-conceitos
fundamentais:
trabalho e calor

-trabalho e calor
-unidades de
trabalho

-entender os
conceitos
fundamentais de
trabalho e calor
para ser aplicado
à mecânica
automotiva

-fórum
-capítulo da
apostila e
questionário em
.pdf
-chat

2-primeira Lei da
termodinâmica

-primeira Lei da
termodinâmica

-entender os
conceitos
fundamentais da
primeira Lei da
termodinâmica

-fórum

-questões p.32

-capítulo da
apostila e
questionário em
.pdf
-chat

3-segunda Lei da
termodinâmica

4-combustíveis e o
processo de
combustão

-segunda Lei da
termodinâmica

-reações
químicas,
combustível e o
processo de
combustão

-estimular a
percepção da
necessidade da
utilização segunda
Lei da
termodinâmica e
introduzir seus
enunciados

-fórum

-estudar os
sistemas que
envolvem as
reações químicas

-fórum

-enfatizar a
combustão, pois
grande parte dos
dispositivos
geradores de
potência (energia)
utiliza
combustíveis
5-ciclos de
potência

-ciclos de
potência

- conhecer os
mais comuns
ciclos de potência
e seu
funcionamento
básico

6-motor de ciclo
Otto

-motor de ciclo
Otto

- entender o
funcionamento de
um motor de ciclo
Otto, usado na
maioria dos
veículos
automotores
brasileiros

-capítulo da
apostila e
questionário em
.pdf
-chat

-capítulo da
apostila e
questionário em
.pdf
-chat

-atividade p.45 e
46

109

7-motor de ciclo
Diesel

-motor de ciclo
Diesel

- entender o
funcionamento de
um motor de ciclo
Diesel assim
como suas
características
termodinâmicas

-fórum
-capítulo da
apostila e
questionário em
.pdf

Fonte: DEAD/IFPE (2010)

O objetivo da disciplina é conhecer os ciclos dos motores de combustão interna
,comumente usados pela indústria automobilística; conhecer conceitos básicos da
termodinâmica e entender como funciona um motor de combustão interna automotivo.

Na análise do material impresso, foi constatada a mesma qualidade de
impressão da disciplina Metrologia Aplicada e os mesmos pontos positivos
relacionados à boa encadernação e edição, seguindo as normas de elaboração de
material didático para cursos do Programa e-Tec Brasil (MOLIN, 2008). O conteúdo
estava distribuído em 85 páginas, divididas em sete capítulos. Cada capítulo tratava
de um assunto, teorias com os respectivos detalhamentos abordados, como:
aplicações destas teorias voltadas à área automotiva e no dia-a-dia na oficina e seus
desdobramentos positivos e negativos na natureza.

Como pontos negativos, têm-se as mesmas dificuldades, como a baixa
qualidade das fotografias, ilustrações dos gráficos e equipamentos sem cores,
apenas tonalidades de cinzas. Com o recurso das cores e animações nos materiais
didáticos, poder-se-ia favorecer a aprendizagem do aluno. Também não foram
aplicados laboratórios virtuais, simuladores dos princípios de funcionamento e
aplicações das teorias estudadas durante os capítulos apesar de estarem previstos
no planejamento da disciplina.

Como agravante, verificou-se também o tamanho reduzido das fotos e
ilustrações que ,somado à baixa qualidade e falta de cores, provoca mais dificuldades
no que se refere à percepção do aluno acerca do assunto abordado. Mesmo com
estes pontos negativos, que podem ter levado os alunos a ter o comportamento mais

110

apático, observou-se uma motivação e entendimento das teorias ensinadas, que teve
um fator determinante: o atendimento rápido e motivador do tutor.

Na disciplina, o material didático entregue aos alunos não demorou a chegar e
,já no início da disciplina, os alunos tiveram a apostila impressa em mãos.

A estratégia utilizada nesta disciplina, de se ter apenas um fórum por semana,
ao contrário da disciplina Metrologia, demonstrou ser caminho correto para

um

melhor rendimento e qualidade dos questionamentos. Foi aberto um fórum por
semana pelo professor formador e nele os alunos postavam suas dúvidas e
colocações sobre o tema abordado.

O posicionamento do aluno quanto ao entendimento e à necessidade de ser
aplicada, introduzida uma nova mídia, foi prontamente acatada e operacionalizada
pelo tutor como vemos no diálogo abaixo:

Aluno

Acredito que, para entender melhor este sistema de motor a quatro
tempo, deveria ter algum vídeo para analisarmos melhor......

Tutor

Ótima Sugestão! Vou verificar com o pessoal de sistemas para
colocarmos o vídeo explicativo sobre este assunto.

Embora pudesse oferecer links de vídeos, para dirimir a falta de mídias na
plataforma do curso, não foi percebida essa ação. Nesta disciplina, o tutor se esforça
para que o aluno não fique com dúvidas e tenta dar explicações e auxiliá-lo no
máximo de explicações no fórum como relatamos a seguir:

Aluno pergunta: Qual a diferença de um motor a quatro tempos e um
motor de dois tempos?

Tutor responde: O motor a dois tempos recebe esse nome porque seu
ciclo é constituído por apenas dois tempos. O próprio pistão

111
funciona abrindo e fechando as janelas, por onde a mistura é admitida,
e os gases queimados são expulsos.

Primeiro Tempo: O pistão sobe comprimindo a mistura no cilindro.
Aproximando-se do ponto morto alto, dá-se a ignição e a combustão da
mistura. Ao mesmo tempo, dá-se a admissão da mistura nova durante
a subida do pistão.

Segundo Tempo: Os gases da combustão se expandem fazendo o
pistão descer comprimindo a mistura. Aproximando-se o ponto morto
baixo, o pistão abre a janela de exaustão permitindo a saída dos gases
da combustão. A seguir, abre-se a janela de transferência ,e a mistura
comprimida invade o cilindro, expulsando os gases queimados.

O motor a dois tempos é mais simples, mais leve e mais potente que o
motor a quatro tempos e seu custo é menor.

Como desvantagens:

É pouco econômico, porque uma parte da mistura admitida no cilindro
foge juntamente com os gases queimados;

Após o escapamento, uma parte dos gases queimados permanece no
cilindro contaminando a mistura nova admitida;

O motor a dois tempos se aquece mais, porque as combustões
ocorrem com maior frequência;

O motor é menos flexível do que o de quatro tempos, isto é, a sua
eficiência diminui mais acentuadamente quando variam as condições
de rotação e temperatura ,por exemplo.

O aluno agradece elogiando o tutor:

Esta explicação está muito rica em informações. Valeu, professor!.

As respostas aos alunos quando bem-elaboradas, visando à retirada das
dúvidas, caracterizaram uma motivação, maior participação e interesse dos alunos.
Em uma visão a longo prazo, podem promover uma menor evasão nos cursos em
EAD.

112

Os quantitativos de postagens, participação dos alunos e tutores nos fóruns
,durante a realização da disciplina Termodinâmica Aplicada, foram divididas em sete
semanas, resultando na seguinte sequência: primeira semana com 20 postagens;
segunda com 13; terceira com 8; quarta semana com 14 postagens; quinta com 13;
sexta com 8 postagens e a sétima com 6 postagens entre as dos alunos e as dos
tutores.

Estava previsto no projeto aprovado do curso que, durante o período de
integralização dos componentes curriculares, os professores e tutores a distância
trabalhariam os conteúdos da disciplina Termodinâmica Aplicada através de material
didático impresso e digital, vídeos-aula, conteúdos animados, videoconferência e
encontros presenciais para realização de práticas laboratoriais. Utilizariam o AVA
para

distribuição

de

conteúdos

digitais,

compartilhamento

de

informações,

socialização de conhecimento através de fóruns de discussão, troca de comunicação
tanto síncrona (chat) quanto assíncrona (mensagem), desenvolvendo atividades
didáticas como suporte e avaliação da aprendizagem visando diagnosticar possíveis
falhas e recuperação da aprendizagem durante o processo de ensino e
aprendizagem.

Obrigatoriamente, ao final de cada componente curricular, os alunos eram
submetidos a exames presenciais, conforme determina a organização didática do
IFPE e a legislação vigente. O valor da média da avaliação presencial foi 4,7 cujo
peso foi de 7. O resultado da média da turma para a avaliação final, que é o
somatório da média virtual de cada aluno somada a sua média presencial e depois
dividida pelo número total de alunos da turma, foi 6,4. Ficou abaixo da média de
aprovação individual que é 7. Se levarmos em conta a não participação efetiva de três
alunos e os descartarmos para efeito de média, esta média da turma irá subir.

Durante todo o processo, os professores e tutores deveriam desenvolver no
aluno uma autonomia no seu processo de aprendizagem o que não foi percebida no
AVA.

113

5.3

Questionário Aplicado

No questionário semiestruturado (Anexo 1), aplicado aos alunos de cada polo
do curso de Mecânica Automotiva, foram verificadas inicialmente as dificuldades por
parte dos alunos em utilizar o Moodle e entender tanto o conteúdo como formato dos
materiais didáticos disponibilizados. Foi também feita a análise do aluno na
percepção no que foi relevante para eles,os alunos, nas disciplinas analisadas.

Cada pergunta foi elaborada, em seu conteúdo e sequência, para analisar o
aprendizado prático online, as angústias e os problemas enfrentados pelos alunos
durante a realização das disciplinas e o curso como um todo já que encontram-se em
seu penúltimo semestre.

Quadro 5 – Categorias analisadas no questionário

Aspecto Analisado

Descrição

1 – Realização anterior de algum outro curso Visão da formação e o grau de contato com
em formato EAD
AVA comparando com o rendimento e
perguntas e respostas da semana inicial de
acolhimento no curso ,verificaremos se o
manuseio ou a dificuldade de entendê-lo teve
influência no aprendizado.
2 - Motivação para a inscrição e participação A partir da motivação, poderemos chegar ao
do aluno no curso a distância
grau de persistência do aluno no decorrer do
curso e quais incentivos e palavras de
encorajamento seriam melhor empregadas
para este aluno ou grupo deles.
3 - Dificuldades em usar o ambiente virtual Desempenho do aluno com o uso do AVA,
que chegou a dificultar o aprendizado na decorridos três semestres do curso, avaliam

114

disciplina

o grau de interferência negativa, dificuldade
no manuseio do AVA para o aprendizado
prático online do aluno.

4 – Avaliação do conteúdo do material A análise das avaliações dos conteúdos do
impresso entregue para o aluno estudar
material didático pelos alunos quanto a sua
forma,
quantidade
e
qualidade
na
apresentação. Mostrar o que esperavam ou
o que seria mais adequado, ou do que
sentiram falta nos materiais didáticos.
Permitirá nova versão do curso ,revisada e
que venha a atender aos anseios dos alunos.
5 – Aplicação dos conhecimentos teóricos Grau de segurança do aluno após a
na prática do dia-a-dia de uma oficina aplicação das teorias e práticas. Abordar o
mecânica
que os alunos sentem a respeito do
aprendizado prático dimensionado para eles.
6 – Dificuldades em cursar a disciplina

Opinião sobre a disciplina especificada.
Permite comparar as disciplinas ampliando o
estudo em questão fornecendo informações
a serem analisadas para a melhoria contínua
do curso e consequentemente dos
profissionais formados.

7 – Pontos positivos em cursar a disciplina

Faz alusão e justiça com o trabalho
apresentado aos alunos e se perceber e
manter estes pontos.

8 – Sugestões para a melhoria do curso

O que melhorar; o que se tem de bom e
precisa manter; o que se tem de ruim e
precisa retirar e o que não existe ainda e que
precisa se inserido para que o curso possa
melhorar.

9 – Material didático disponibilizado no Material disponibilizado no ambiente, nos
ambiente
fóruns.
Fonte: (Autor, 2011)

Os resultados apresentados pelos 10 alunos que responderam, nos três polos
o questionário da disciplina Metrologia Aplicada no questionamento se o aluno tinha
feito alguns cursos a distância através do computador constatamos 3 respostas sim e
7 respostas não, indicando que a turma, em sua maioria, estava num novo momento
e com as dificuldades peculiares do novo. Esta informação servirá de parâmetro para
se ter ampliado o conteúdo e carga horária ou se ter o conteúdo do uso do AVA o
mais detalhado possível na semana de acolhimento dos alunos para que minimizem
as dúvidas para que não haja prejuízo quanto ao rendimento do aluno.

115

Nos questionamentos acerca do que motivou os alunos a se inscreverem e
participarem do curso a distância, as respostas foram variadas e mostraram os
diferentes objetivos, graus de ansiedade e perspectivas dos alunos. A esta pergunta
obtivemos respostas como:

Aprender sobre a área;

Utilizar para conserto do seu próprio veículo e não ficar na estrada;

A oportunidade de fazer, pois não tinham nada parecido na cidade
antes.

Melhorar as chances de se empregar na área

No questionamento se o aluno teve dificuldade em utilizar o AVA que chegasse
a comprometer o seu aprendizado na disciplina, avaliamos o grau de desempenho do
aluno no manuseio do AVA. Decorridos três semestres do curso, constatamos o grau
de interferência no aprendizado prático online. As respostas se dividiram em cinco
para cada opção, indicando que a semana de acolhimento foi insuficiente para a
metade dos alunos pesquisados. Os argumentos dos alunos nas suas justificativas
das respostas afirmativas reportam-se às dificuldades no ambiente virtual as quais
interferem diretamente no aprendizado. Pudemos verificar quando das reclamações
como: falta de material prático, poucos instrumentos, site fora do ar, figuras malexplicadas, tudo muito estranho, pois nunca tinha participado de algo parecido,
período curto para adaptação a esse tipo de ambiente. Para eles, era algo novo,
desconhecido.

Para os alunos que não sentiram dificuldades em usar o AVA em seu
aprendizado, tivemos algumas respostas que demonstravam certa que os alunos
apresentavam dificuldades de entendimento dos conteúdos e complementos ao
aprendizado online como: sentiram falta de equipamentos para treinar, falta de
laboratório, Internet lenta, apostila muito resumida e duas respostas ficaram em
branco, não nos permitindo identificar a opinião. Percebemos ser desejável maior

116

período de acolhimento e instrumentos de verificação de entendimento correto do uso
do Moodle.

No questionamento acerca da qualidade do material didático aplicado,
constatamos que nenhum dos alunos classificou o material da disciplina como
excelente ou mesmo muito bom. Duas respostas bom e 6 seis com a avaliação
razoável. As outras que se seguiram demonstraram a insatisfação com o material
didático respondendo com 1 ruim e 1 péssimo.

Se atribuirmos notas de zero a dez, como pesos das avaliações de excelente a
péssimo e com variações de dois em dois, teremos uma média, de acordo com as
respostas para as notas dos dez alunos, respondentes:

10x0= 0; 8x0= 0; 6x2= 12; 4x6= 24; 2x1= 2; 0x1=0

(0+0+12+24+2+0) /10= 38/10= 3,8 (três vírgula oito) que é uma média muito baixa,
visto que a média dos alunos, para aprovação na disciplina, é de valor sete.

Questionados sobre o que mais contribuiu para essas respostas em suas
avaliações sobre o material didático, as respostas dos alunos foram: conteúdos para
estudar deveriam ser melhor explicados usando-se imagens e linguagens mais
acessíveis, a complexidade dos assuntos abordados; pouco conteúdo; o não acesso
dos alunos aos materiais durante o período das aulas; necessidade de ter mais aulas
presenciais; conteúdos disponibilizados muito resumidos o que compromete

o

entendimento do assunto; deveriam existir representações coloridas das peças e
componentes explicados para facilitar o entendimento e aprendizado.

Os alunos sentem dificuldade no que concerne à qualidade das imagens, ao
conteúdo. Nesse momento, aparece como sugestão a elaboração da apostila em
cores para que eles possam ter o aprendizado facilitado. Quando da elaboração das
apostilas, previu-se ser colorida, mas por restrição de verbas pelo MEC, a alternativa
foi a de se ter apenas tonalidades de cinza.

117

No questionamento com os exercícios propostos na disciplina, o aluno sentese capaz e seguro de aplicar os conhecimentos teóricos na prática do dia-a-dia, as
respostas sim totalizaram zero; as respostas não foram 3,e as respostas em parte
foram 7. Nesta análise, defrontamo-nos com a insegurança do aluno que, em nenhum
momento destas respostas, sentiu-se totalmente seguro para aplicar na prática o que
foi ensinado.

Neste questionamento, investigamos o grau de segurança do aluno após a
aplicação das teorias e práticas. Deixamos espaço para a justificativa, na qual
teríamos revelada a resposta sobre o que sentem a respeito do aprendizado prático
dimensionado para eles.

Esperaríamos outro resultado das respostas se houvesse aulas práticas
onlines e presenciais. As justificativas para esta afirmação e resultados destes
números aparecem com as respostas dos alunos ao questionamento sobre o que
mais influenciou, contribuiu para estas respostas em sua avaliação: pouca vivência
prática na área de Mecânica; necessidade de ir mais fundo no assunto e não foi
possível; a parte prática na disciplina foi insatisfatória para que ocorresse o
aprendizado; deveria ter laboratórios. As aulas práticas que aconteceram nos polos,
com o tempo reduzido e em local inadequado, foram poucas e sem condições
nenhuma segundo uma das respostas.

Outro questionamento se referiu às dificuldades em cursar disciplina a
distância e passados três semestres, o aluno pode ter uma visão do curso como um
todo e emitir sua opinião sobre a disciplina especificada e possibilitando fazermos
comparações entre disciplinas, ampliando um pouco o estudo em questão,
fornecendo informações a serem analisadas para a melhoria contínua do curso, e
conseqüentemente dos profissionais formados. Tivemos respostas mais incisivas
como: nada de aulas práticas e atraso de material impresso e período longo de aula
presencial.

118

Nas respostas dos alunos, percebemos um novo posicionamento que no relato
informa que a aula presencial teve um longo período de duração, quando houve. Que
Isto se deveu ao fato de que os alunos dos polos foram trazidos para o campus
Recife numa condução do IFPE e ficaram parte da manhã e tarde no laboratório
presencial voltando aos seus polos em seguida, no mesmo dia, à tarde. Esta solução
foi a única encontrada para que eles tivessem aulas práticas na disciplina. O
laboratório usado foi o do curso de Mecânica Industrial presencial do IFPE, campus
Recife, visto que o laboratório móvel não estava disponível. O polo de Surubim está
distante 129 km, o polo Serra Talhada dista 441 km e o polo Garanhuns esta a 232
km do campus Recife. Os alunos chegaram para a aula com, no mínimo, de 2 horas e
no máximo de 6 horas de viagem. Este procedimento paliativo não é o que
recomendamos como didaticamente correto. Há um tempo para a explicação do
professor, assimilação por parte dos alunos e outro para poder praticar respeitando
as diferenças individuais de habilidades respondendo aos questionamentos dos
alunos necessários ao aprendizado.

No questionamento sobre os pontos positivos em cursar esta disciplina, as
respostas dos alunos variaram muito, pois cada um tem objetivos e metas
diferenciadas, constatados nas respostas aos pontos positivos da disciplina: obter
conhecimentos; foram poucos os pontos positivos; muito interessante; boa explicação
do professor; aprender pouco; os professores; permitir ter o cálculo exato das
medições com estes instrumentos; horário livre de estudo e acompanhamento dos
tutores no AVA; conhecimento que adquiri.

No item sugestões para tornar o curso melhor tivemos respostas de seis
alunos numa uma única sugestão: mais e mais aulas práticas com os instrumentos . .
Como outras sugestões, tivemos respostas: melhorar o AVA; melhorar a apostila;
mais participação dos tutores.

Evidenciamos, nas respostas dadas pelos alunos, uma clara necessidade de
eles terem aulas práticas, de se melhorar o material didático e ainda a atuação dos
tutores, que não permite, pela falta de uma formação específica destes, desempenhar
um trabalho docente de qualidade na EAD.

119

Questionados sobre o material didático disponibilizado no AVA, nenhum aluno
achou-o excelente; 2 afirmaram ser muito bom, 3 opinaram como bom; 4 julgaram ser
um material razoável; apenas 1 classificou como ruim e nenhum como péssimo.

Os resultados apresentados pelos 10 alunos que contribuíram nos três polos
ao responderem o questionário na disciplina Termodinâmica Aplicada no
questionamento em muitos pontos foram idênticos por se tratar do mesmo grupo que
respondeu ao questionário da disciplina Metrologia.

Para os questionamentos sobre a qualidade do material didático aplicado,
constatamos que nenhum dos alunos classificou o material da disciplina como
excelente e um declarou ser muito bom. Uma resposta com bom e 6 seis com a
avaliação razoável. A outra que se seguiu demonstrou a insatisfação com o material
didático respondendo como ruim.

Se atribuirmos notas de zero a dez, como pesos, as opiniões de excelente a
péssimo e ,com variações de dois em dois, teremos uma média para as notas dos 10
alunos respondentes na escala muito bom a ruim:

10x0= 0; 8x1= 8; 6x1= 6; 4x6= 24; 2x1= 2; 0x0=0

Realizando os devidos cálculos com os pesos estipulados, teremos:

(0+8+6+24+2+0) /10= 40/10= 4,0 (quatro vírgula zero) média muito baixa, visto que a
média dos alunos para aprovação na disciplina é de valor sete.

Questionados sobre o que mais contribuiu para essas respostas em suas
avaliações no que concernia ao material didático, as respostas dos alunos foram: nas
imagens e conteúdos para os alunos estudarem deveriam ser mais bem explicados
com imagens detalhadas e linguagens mais acessíveis, há complexidade dos
assuntos abordados, pouco conteúdo, sem acesso aos materiais durante o período
das aulas, necessidade de ter mais aulas presenciais, estava muito resumido o

120

conteúdo da apostila para se ter o entendimento do assunto e que deveriam existir
representações coloridas das peças e componentes dos motores explicados para
facilitar o entendimento e que os conteúdos estavam em desacordo com o currículo.

Quanto ao material didático disponibilizado no AVA, os alunos foram
questionados e tivemos como respostas: nenhum achou excelente; dois afirmaram
ser muito bom, três opinaram como bom; quatro julgaram ser o material razoável.

5.4

Instrumentos de avaliação para cada disciplina analisada

Dos 20 alunos matriculados no curso, foram aplicadas as avaliações em uma
amostra de 30% deles em um total de 6 alunos, tanto para a disciplina
Termodinâmica Aplicada quanto para a de Metrologia, no momento presencial da
última avaliação. Na disciplina Termodinâmica, foi aplicada uma avaliação escrita,
visto que os laboratórios móveis não chegaram a tempo. Foi apresentado aos alunos
um problema usual de oficina ao qual os alunos responderam com a solução de
acordo com o que foi aprendido nos conteúdos da apostila e fóruns relativos ao
assunto apresentado na ementa da disciplina focada. Esta avaliação focou no
aprendizado teórico do curso e como este aprendizado seria aplicado em casos
práticos em problemas de oficinas.

5.4.1 Metrologia Aplicada

Na aplicação do teste prático com os alunos da disciplina Metrologia
Aplicada, foram oferecidos paquímetro, micrômetro e relógio comparador dispostos
numa mesa. Junto a estes instrumentos, estavam também vários elementos a serem
medidos como: parafusos, porcas, arruelas, peças com furos, ressaltos e rebaixos
para que os alunos realizassem medições de espessura, comprimento.

Foi analisado o comportamento dos alunos na hora da escolha do instrumento
adequado e correto para cada tipo de medição pretendida, o manuseio correto dos
instrumentos para não danificá-los e para não acarretar erros de medições e a própria

121

leitura da medição realizada, bem como os passos e as etapas a serem seguidos
para cada medição, com um mínimo de dúvidas, perguntas e tempo gasto para a
execução.

Foi constatada a escolha errada dos instrumentos para o tipo pretendido da
leitura; a falta total de conhecimento do instrumento, nome, funções e recursos; onde
fazer a leitura da medição no instrumento, se na escala de milímetro ou polegada
quando do manuseio com o paquímetro, por exemplo.

Os alunos desconheciam a influência da temperatura corporal e do ambiente
na precisão da leitura, ocasionando erro de procedimento de leitura. Seguravam os
instrumentos de qualquer maneira, fora da posição correta, sem ter a preocupação
com a transmissão de calor por condução que causa interferência no resultado. Não
foi exigida dos alunos rapidez, pois com a prática terão de ser mais eficientes e
habilidosos. Mas se não sabem fazer a leitura, é improvável que melhorem a não ser
que voltem à sala de aula e aprendam a maneira correta de trabalhar com os
instrumentos de medição.

Não realizaram qualquer manutenção e limpeza dos instrumentos quando
fizeram a prática, muito menos quais os produtos e procedimentos deveriam ser
escolhidos e feitos. Não sabiam da sua importância para a vida útil dos instrumentos
e o que a falta da mesma iria influenciar negativamente na precisão das leituras
efetuadas por esses instrumentos. Ficou visível a pouca intimidade com os
instrumentos no tocante ao manuseio, à escolha correta e manutenção dos mesmos.
Para que possam exercer a profissão de técnicos, tais conhecimentos básicos são
imprescindíveis dentro de uma oficina na hora da escolha de chaves, parafusos,
peças de reposição e adaptações, bem como o entendimento e a análise ou a
elaboração de um desenho mecânico, onde deverá proceder às leituras, fazer
rascunho e ,posteriormente, solicitar ou desenhar o que se pretende e logo após
conferir.

122

5.4.2 Termodinâmica Aplicada

Os critérios a serem usados nas avaliações não ficaram muito claros, o que
especificamente e como avaliar, embora contenha no projeto uma informação que
haverá avaliação presencial e outra formativa, pois não foi demonstrado na matriz
curricular o que se avaliaria em cada etapa da ementa.

Foram aplicadas duas questões no teste teórico da disciplina Termodinâmica
Aplicada e constatamos a pouca percepção para a solução das questões
apresentadas. A primeira questão focou sobre um conteúdo teórico já estudado por
eles na apostila do curso e que permitiria analisar uma solução correta a ser
apresentada sobre um problema de um caminhão que estava esquentando o motor
acima do normal por conta de um radiador furado e teriam de optar por uma solução
de conserto ou improvisar adaptação para o mesmo:

TESTE 1 - Um caminhoneiro chega a uma oficina, em um dia de sábado, às 12h e
02min, em um caminhão Ford ,turbinado, com carregamento máximo ,o radiador do
caminhão que é de cobre está furado. Não há como recuperá-lo na hora, pois o
estrago é grande e o caminhoneiro está atrasado e com pressa e ,ainda, o comércio
local já fechou. Contudo existe na oficina outro radiador de igual tamanho, de um
caminhão Scânia, a peça é de aço, mais resistente e mais barata e cabe na base do
caminhão Ford. Quais os passos que devem ser dados para solucionar o problema
de aquecimento do motor, de acordo com o que você aprendeu na disciplina
Termodinâmica Aplicada, para que o caminhão Ford volte a rodar normalmente e sem
problemas.

Toda a percepção estava voltada para o tipo de material empregado na
confecção do radiador e que toda explicação e teoria estavam contidas na apostila do
curso sobre o emprego do metal de que era feito o radiador. Dependendo da escolha
e procedimentos utilizados, poderiam existir várias opções ,menos a substituição

123

direta, pois em se fazendo dessa maneira, o problema continuaria mesmo sem o
caminhão estar com o radiador furado.

O teste focou a observação da percepção dos alunos conforme o
conhecimento técnico teórico já ensinado, ou seja, a análise e solução dos problemas
práticos automotivos, pois na solução destes casos devem ser observados e
respeitados limites de emissão máxima de poluentes provocados por esses motores,
de temperaturas que se relacionam diretamente com lubrificação e lubrificantes
empregados e estipulados pelo fabricante, inclusive por questões legais vigentes.

Teste 2 - Um carro flex com tanque na reserva quase no fim está apresentando
“batida de pino”. Qual o combustível que devemos completar este tanque para testar
a redução deste efeito. Por quê? Qual a ação que deverá ser feita para solucionar o
efeito completamente?

A segunda questão ficou voltada para um conteúdo da apostila do curso que
focou o problema de “batida de pino”, um problema causado pela queima do
combustível na câmara de combustão de um motor, que sem a sincronia correta com
outros componentes do motor, provoca um ruído anormal peculiar e conhecido.
Dependendo se o combustível for álcool ou gasolina, apresentar-se-á mais
perceptível devido à diferença da octanagem do combustível (álcool ou gasolina) que
é a medida de sua velocidade de queima para o Ciclo Otto já estudado por eles na
disciplina.

O conteúdo para a solução do teste 2 consta na apostila. Posteriormente a
aplicação da avaliação, informou-se aos alunos onde encontrarem a resposta para a
referida questão.

Os alunos novamente demonstraram pouco conhecimento teórico na
apresentação de uma solução técnica. O que chamou mais a atenção foi que, por se
tratar de análise de um som de motor, eles não tiveram a aula prática virtual ou

124

presencial necessária para a detecção ou percepção desse ruído. Ressaltamos que
esse assunto faz parte do conteúdo da apostila da disciplina ensinada aos alunos.

Durante as aulas que foram ministradas nessa disciplina abordando esse
assunto específico, poderia ter sido aplicado um vídeo demonstrativo deste problema
com motor funcionando e “batendo pino” e o procedimento para a sua solução.
Existem na internet vários filmes de curta duração que demonstram tal problema.
Como mais uma possibilidade de ensino deste conteúdo dentro do AVA, poderia ter
sido disponibilizado link para acesso a vídeos ou solicitar uma pesquisa destes
conteúdos através de uma webquest, que é um recurso de se pedir aos alunos
pesquisa na internet de um tema escolhido previamente. Recurso disponível no
Moodle.

Podendo ser de curta ou longa duração, a webquest tem sete passos a serem
seguidos: a introdução ao assunto abordado a qual deve determinar a atividade; a
tarefa em si; o processo que define a forma (mídia) como a informação deverá ser
organizada (livro, vídeos); a fonte de informação pesquisada que, neste caso, serão
os endereços de sites, páginas da web; a avaliação que explicita ao aluno como ele
será avaliado; a conclusão que resume os assuntos explorados na webquest e os
objetivos alcançados; por último, vêm os créditos : as fontes das quais são retiradas
as informações para montar a webquest, quando página da web coloca-se o link;
quando material físico, coloca-se a referência bibliográfica.

Neste caso, ficou evidenciada a falta de aulas práticas, o contato com motores
em funcionamento, tão necessário ao aprendizado deste conteúdo da apostila do
curso e a não complementação com recursos de TIC já possíveis e disponíveis aos
professores que elaboraram o conteúdo desta disciplina.

125

6

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta etapa final do estudo, salientamos a importância de se ter uma boa

teoria aliada à prática em laboratórios específicos para cada conteúdo abordado,
quando isto o requerer. Esta formação objetiva que os profissionais atuem na prática
e que é imprescindível aprendê-la.

Realizamos um experimento com alunos do curso de Mecânica Automotiva a
Distância ,em junho de 2011, o qual contemplamos assuntos contidos nas apostilas
das duas disciplinas e obtivemos resultados que mostram que o curso deve ser
repensado em seu dimensionamento de aulas práticas aplicadas nessa turma inicial,
bem como o aguardo do laboratório móvel planejado e dimensionado para estar
contido na formação desse profissional técnico de nível médio.

Os resultados destes estudos em relação às aulas práticas online são de que
estas podem ser possíveis já neste momento com o auxílio dos simuladores e
laboratórios virtuais com uso de animações. Estes OVA podem ser aperfeiçoados e
,cada vez mais, aplicados e direcionados para cada assunto e disciplina que se
queira ensinar.

O AVA Moodle é versátil e modulável, adaptável para as muitas necessidades
e públicos que se queira alcançar para montar um curso. As potencialidades

126

disponíveis do AVA ,bem como os OVA, laboratórios virtuais e simuladores, vídeoaulas foram poucos ou em nada explorados, e pelo que detectamos, por falta de
formação específica em EAD dos sujeitos envolvidos no planejamento e execução do
curso.

Uma observação a ser acrescentada é a de que o curso iniciou e continuou
mesmo após a detecção de não conformidade pelos alunos, percebidos quando estes
se colocavam nos fóruns. Vale salientar também que não houve ações corretivas . A
elaboração de simuladores e laboratórios específicos para esse curso é uma
necessidade para que tenhamos motivação e aprendizado dos alunos.

Em estudo posterior, poderemos aprofundar pesquisas sobre falhas de
formação, informação e preparo adequado e específico da EAD daqueles envolvidos
nesse processo e que possam levar a este procedimento do professor na hora de
escolher as interfaces mais adequadas ao ensino de qualidade e não mais se deparar
com dificuldades em saber como fazê-lo.

Após a divulgação desse trabalho, haverá como desdobramento propiciar um
início de estruturação de cultura de EAD em cursos de nível técnico no IFPE. Neste
caminho, almeja-se orientar os professores dos cursos para que façam assimilação
gradual dessa modalidade de ensino e, com emprego correto da EAD, para que
possamos ter a aplicação desta modalidade em novos cursos técnicos. Tal
procedimento pode agilizar o atendimento da demanda de formação técnica em
Pernambuco.Novos projetos de ensino que visem à inclusão da EAD como
instrumento na construção de um conhecimento sólido pelos alunos nas disciplinas e
ainda seguir no caminho da melhoria dos cursos existentes.

Ampliar e melhorar a estruturação dos novos cursos e dos já existentes com
modificações e inclusões de materiais didáticos que visem à inclusão de novos alunos
com deficiências visuais, auditivas e motoras através de equipamentos e mídias
existentes e outras em uma atualização contínua. Nesse estudo, focado em curso
técnico a distância, não encontramos materiais e estruturas disponíveis que viessem

127

a atender esses alunos com necessidades especiais, há que se investir mais em
recursos educacionais de qualidade na educação online.

Como resultado prático desse estudo e na observância dos objetivos aqui
propostos, sugeriremos a criação de um grupo de trabalho dentro do IFPE, campus
Recife, para fomentar as habilidades e competências aos professores para o ensino
técnico online contribuindo também no planejamento, elaboração, execução,
dimensionamento ,bem como a sua execução de formação básica aos professores.

Este grupo de estudo trabalhará para formar tanto professores contratados
quanto de nossa instituição para: elaboração de materiais didáticos de aplicação
prática em cursos à distância no Projeto e-Tec Brasil; que professores formadores e
tutores online sejam treinados e venham atuar com mais qualidade nesta modalidade.
Como resultados positivos deste estudo, há também que se vislumbrar caminhos de
como seguir na melhoria contínua na correção das não conformidades e deficiências
detectadas.

Este grupo poderá atuar no acompanhamento e na avaliação contínua da
qualidade do processo ensino-aprendizagem junto aos cursos técnicos de nível médio
profissionalizante à distância do IFPE já existentes ou em elaboração.

Este acompanhamento deverá ser realizado durante a execução do
planejamento e posteriormente na condução do curso. Neste caso, executar o
planejado é um procedimento básico visto que na autorização do MEC o projeto foi
avaliado e se espera a sua execução baseada no que foi apresentado. Checar as não
conformidades em relação ao projetado, analisar os problemas ocorridos na
execução visando à solução dos mesmos nos levará a agir corretivamente e se ter o
cuidado e atenção, para que depois de feitas as correções das não conformidades,
que elas não venham a acontecer novamente.

128

Desta maneira, conseguiremos manter e até melhorar o grau de qualidade de
um curso e como o processo é contínuo, podem ser alcançados patamares de
qualidade mais altos com a implantação deste grupo de trabalho.

Com as ferramentas do AVA e vencendo aos poucos as barreiras estruturais
de formação dos professores para a EAD, o paradigma ainda sente falta de crédito na
modalidade que pode ser um resultado da condição de serem imigrantes digitais em
algumas situações, será alcançado um nível de qualidade cada vez maior nas aulas
em cursos técnicos do IFPE.

Poderemos, de forma mais ágil e focada, preparar mais cursos específicos
para mais empresas que nos procuram para atender às demandas de qualificação e
requalificação de seus funcionários no estado de Pernambuco.

Preparar um curso de qualidade, com respeito às diferenças individuais de
limitações e necessidades especiais, é requisito necessário para o alcance de um
bom patamar de qualidade. Cada aluno é um ser único e que percebe, compara e
assimila segundo o que já teve construído em sua mente através de conhecimentos
anteriores.

Como sugestão e prudência, não oferecer outra turma desse curso nas
condições atuais dos laboratórios móveis inexistentes. Capacitar os professores para
a EAD, melhorar o material impresso, aplicar simuladores no AVA ou disponibilizar
links, certamente, farão a diferença no que se refere à qualidade do curso. Oferecê-lo,
sim, mas em condições adequadas tendo como objetivo primeiro ensino e
aprendizagem de qualidade.

129

REFERÊNCIAS

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educação a distância on-line. Em Aberto n 84: Integração de mídias nos espaços de
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BARROS, Daniela M. Guia didático sobre as tecnologias da comunicação e
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ANEXO

MINTER UFAL/IFPE

134

Este questionário, bem como a avaliação final aplicada aos alunos do curso de
Mecânica Automotiva a Distância do IFPE sobre as disciplinas focadas nesse estudo
fizeram parte da pesquisa da dissertação do MINTER - Mestrado em Educação
Brasileira entre a UFAL e o IFPE do mestrando Professor Roberto Paulo Tigre de
Barros Noé ,orientando do Prof. Dr. Luís Paulo Mercado acerca das AULAS
PRÁTICAS EM EDUCAÇÃO ONLINE NA FORMAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL
MÉDIO: dificuldades e perspectivas; no curso Mecânica Automotiva a Distância
do IFPE nas disciplinas Metrologia e Termodinâmica Aplicada, buscando
investigar o aprendizado do aluno em situação prática em cada disciplina analisada
com o objetivo de melhorar o curso e o aprendizado.

Sua colaboração em respondê-lo é fundamental!

1) Anteriormente você já havia feito algum curso a distância utilizando a
internet?

( ) Sim

( ) Não

Caso a resposta seja sim, qual?
-

2). O que o motivou a se inscrever e fazer esse curso a distância?
-

3) Atualmente você tem dificuldades para usar o ambiente virtual que chegue
comprometer o seu aprendizado na disciplina?

( ) Sim

( ) Não

Cite quais foram suas dificuldades mais frequentes.
-

135

-

4) De que forma você avalia o conteúdo do material impresso para estudar:

( ) Excelente ( ) Muito Bom ( ) Bom ( ) Razoável ( ) Ruim ( ) Péssimo

O que mais contribuiu para a sua resposta anterior?
-

5) Com os exercícios propostos na disciplina, você se sente capaz e seguro
para aplicar o seus conhecimentos teóricos em sua prática cotidiana?

( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte

O que mais contribuiu para esta resposta da sua avaliação:
-

6) Quais os pontos negativos,no que concerne às dificuldades, em cursar essa
disciplina?

-

7) Quais os pontos positivos em cursar essa disciplina?
-

8) Quais sugestões você daria para tornar o curso melhor?
-

136

9) Quanto ao material didático disponibilizado no ambiente, você considera:

( ) Excelente ( ) Muito Bom ( ) Bom

( ) Razoável ( ) Ruim ( ) Péssimo

10) No ambiente virtual, quanto à comunicação com os tutores no que se
refere às respostas as suas dúvidas ,solução de dificuldades do curso ,você
considera?

( ) Excelente ( ) Muito Bom ( ) Bom

( ) Razoável ( ) Ruim ( ) Péssimo

10). Cite aspectos que você considerou positivos no curso até agora.

-11) Qual o motivo que o faria desistir desse curso?