Maria Helena Ferreira Pastor Cruz
Título da dissertação: A TELEVISÃO E O RÁDIO COMO INSTRUMENTOS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FUNDAMENTAL
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Maria Helena Ferreira Pastor Cruz
A TELEVISÃO E O RÁDIO COMO
INSTRUMENTOS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
NO ENSINO FUNDAMENTAL
Maceió/AL
2009
Maria Helena Ferreira Pastor Cruz
A TELEVISÃO E O RÁDIO COMO
INSTRUMENTOS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
NO ENSINO FUNDAMENTAL
Dissertação de Mestrado apresentada
como requisito parcial de conclusão do
Curso de Mestrado em Educação pela
Universidade Federal de Alagoas,
orientada pelo Prof. Dr. Luis Paulo
Leopoldo Mercado.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
Maceió/AL
2009
DEDICATÓRIA
A Arnaldo Pastor Cruz (in memorian), esposo querido, que
me acompanhou no início da construção desta pesquisa.
A José Monte Ferreira, meu querido pai amigo, (in
memorian) que sempre me apoiou e incentivou também
nas minhas descobertas educativas e profissionais.
À companheira, colega e amiga, ambientalista Alba Correia
Silva, que me ajudou, e sempre lutamos juntas por uma
educação de boa qualidade em prol da melhoria de
qualidade de vida dos nossos compatriotas.
Aos meus filhos e netos, a quem ofereço este trabalho e
agradeço carinhosamente, o incentivo e a compreensão.
Espero que continuem a lutar por um país melhor, com
mais justiça e um ambiente equilibrado.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente, ao meu Deus que me iluminou e me deu
forças e coragem para o eterno recomeçar.
A minha mãe querida, Maria José Pereira Ferreira, que
sempre me apoiou nos meus deslocamentos para os
estudos.
As minhas alunas e colegas professoras, ambientalistas,
que me incentivaram para continuar lutando por um
mundo melhor e por meu eterno recomeçar nos estudos
no cotidiano de educadora.
À colega e amiga, professora Izabel Regina Medeiros
que com seu carinho e compreensão, cooperou na
realização desta pesquisa.
À amiga e colega, Dra. Lenilda Austrilino Silva,
companheira de luta por um ambiente saudável, por seu
desprendimento e compreensão.
Ao meu orientador Professor Dr. Luis Paulo Mercado, por
seu entusiasmo contagiante com as mídias na escola.
À ex-aluna e colega de Mestrado, Janayna Paula Santos,
com carinho, por sua cooperação na participação do
trabalho.
RESUMO
Este estudo analisa a situação da Educação Ambiental e a questão da mídia –
o rádio e a televisão – na escola pública de Ensino Fundamental, como
instrumento mediador na construção do conhecimento e da cidadania. O
estudo foi realizado em quatro escolas situadas em territórios ambientais –
Complexo Lagunar Mundaú Manguaba (bairro do Pontal da Barra) e APA do
Catolé (Bairro do Tabuleiro) – da cidade de Maceió/Alagoas, que já
desenvolvem experiências de Educação Ambiental. Tendo como objetivo
compreender a relação entre as mídias – rádio e televisão – a pesquisa busca
responder à questão de como a escola deve tratar a Educação Ambiental de
forma a contribuir para o desenvolvimento de uma consciência crítica e como o
rádio e a televisão são utilizados na escola para modificar esse quadro. Utiliza
a metodologia histórico-crítica e apresenta como sujeitos de pesquisa,
professores e alunos da escola a partir da análise de suas falas e registros no
sentido de verificar se a Educação Ambiental está inserida no trabalho
pedagógico na perspectiva da construção do ecodesenvolvimento e se as
mídias – rádio e TV – potencializam essa produção político-pedagógica. Sua
base teórica apoia-se em autores do movimento ambientalista, da Educação
Ambiental, políticas do governo brasileiro e uso de mídias na educação. Os
resultados mostram a necessidade de uma ação interdisciplinar mais eficaz no
processo de educação continuada, trabalhando a formação dos educadores,
principalmente para a utilização das mídias na escola, promovendo mudanças
no currículo, incluindo articulações institucionais e comunitárias, que
contemplem a transformação do contexto social de crise ambiental para a
promoção do ecodesenvolvimento.
Palavras-chaves: educação ambiental, mídia na escola, ecodesenvolvimento.
ABSTRACT
This study examines the situation of environmental education and the issue of
media - the radio and television - in the public school of elementary school, as a
mediator in the construction of knowledge and citizenship. The study was
conducted in four schools in environmental areas - Laguna Complex Mundaú
Manguaba (Pontal da Barra district) and APA of Catolé (Tabuleiro district) - the
city of Maceió / Alagoas, which already have experience in Environmental
Education. With the objective to understand the relationship between the media
- radio and television - the research seeks to answer the question of how
schools should deal with the environmental education to contribute to the
development of a critical consciousness and how the radio and television are
used in school to change this situation. Uses the historical-critical methodology
and presents as subjects of research, teachers and students of the school from
the analysis of their speeches and records to verify that Environmental
Education is embedded in the pedagogical work in view of the construction of
ecodevelopment and whether the media - TV and radio - potentiate the political
and pedagogical production. Its theoretical basis is based on author's
environmental movement, environmental education, the Brazilian government's
policies and use of media in education. The results show the need for more
effective interdisciplinary action in the process of continuing education, work
training for educators, mainly for the use of media in schools, promoting
changes in the curriculum, including community and institutional policies, which
include the transformation of the social context of environmental crisis to
promote the ecodevelopment.
Key words: environmental education, media in school, eco-development.
LISTA DE SIGLAS
APA – Área de Proteção Ambiental
BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento
CEDU - Centro de Educação
CELMM – Complexo Estuarino Lagunar Mundaú Manguaba
CNE – Conselho Nacional de Educação
CNBB - Confederação Nacional dos Bispos Brasileiros
CNUMAD- Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento
CRE - Coordenadoria Regional de Ensino
DETRAN - Departamento de Trânsito
DST - Doenças Sexualmente Transmissíveis
ECMAL - Escola de Ciências Médicas de Alagoas
ECO 92 – 2ª Conferência da ONU sobre o meio ambiente e desenvolvimento
realizada no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992
EJA - Educação de Jovens e Adultos
IMA - Instituto do Meio Ambiente de Alagoas
GTZ - Deusch Gesellsthaft für Technesche Zuzammenarbeit
MCP - Movimento de Cultura Popular
MEB - Movimento de Educação de Base
MEC - Ministério da Educação e Cultura
NEA - Núcleo de Educação Ambiental
ONU - Organização das Nações Unidas
PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais
PDE - Plano de Desenvolvimento da Escola
PIEA - Programa Internacional de Educação Ambiental
PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
PRONEA – Programa Nacional de Educação Ambiental
SEE - Secretaria Estadual de Educação
SEED- Secretaria de Educação a Distância
SEMED - Secretaria Municipal de Educação
TIC - Tecnologias da Informação e Comunicação
UFAL - Universidade Federal de Alagoas
UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1: Lagoa Mundaú
66
Figura 2: Vista do Bairro do Pontal a partir da Lagoa Mundaú
66
Figura 3: As atividades econômico-produtivas do Bairro do Pontal da
69
Barra
Figura 4: Os alunos ajudando aos pais no manejo do sururu
69
Figura 5: APA do Catolé
72
Figura 6: Estudo do Meio na APA do Catolé, por professores das
73
escolas do seu entorno, 2006
Figura 7: Estudo do Meio na APA do Catolé, por professores e alunos,
2006
74
ÍNDICE DE GRÁFICOS
Gráfico 1: Nível de formação dos professores das escolas pesquisadas,
75
2008
Gráfico 2: Turno Diurno
76
Gráfico 3: Turno Noturno
76
Gráfico 4: Gênero Masculino
77
Gráfico 5: Gênero Feminino
77
Gráfico 6: Total de Alunos
78
Gráfico 7: Temática de Educação Ambiental – Professores
84
Gráfico 8: Temática de Educação Ambiental – Alunos
85
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
13
CAPÍTULO I: POLÍTICA EDUCACIONAL E EDUCAÇÃO AMBIENTAL
21
1.1 – Política Educacional
22
1.2 – Educação Ambiental
34
1.3 – Educação Ambiental e Interdisciplinaridade
49
CAPÍTULO II: TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO
53
2.1 – Mídias na educação ambiental
53
2.2 – O Rádio e a Televisão na escola
58
CAPÍTULO III: A RELAÇÃO MEIO AMBIENTE E EDUCAÇÃO NA
65
ESCOLA RELACIONANDO TEORIA E PRÁTICA
3.1 – Caracterizando o ambiente de pesquisa
65
3.1.1 O ambiente da Lagoa Mundaú no CELMM
66
3.1.2 APA do Catolé
71
3.2 – Os sujeitos de pesquisa
75
3.3
–
OS
DADOS
DA
PESQUISA:
O
QUE
DIZEM
OS
78
ATORES/PROFESSORES E ALUNOS
CONSIDERAÇÕES FINAIS
87
REFERÊNCIAS
91
“A Educação Ambiental e os meios de comunicação tecnológicos devem se
articular para desenvolver a consciência crítica, valores éticos,
socioambientais, que promovam à vida no planeta, capacitando as pessoas a
trabalharem os conflitos de maneira justa e humana.”
Maria Helena
INTRODUÇÃO
A partir de uma vivência como educadora, desenvolvendo ações de
reflexões e análises sobre o currículo escolar do ensino básico, temos
procurado enfatizar que educar para a defesa do meio ambiente é uma
necessidade primordial; e valorizar a natureza é exercer a cidadania.
Nos estudos em busca de uma maior interação entre comunidade e
saber
científico,
levando-se
em
consideração
as
dimensões
sociais,
econômicas e históricas, observamos que a dicotomia sociedade x natureza
vem provocando a dilapidação dos recursos naturais, sendo a educação um
dos instrumentos de resgate do equilíbrio dessas relações.
A questão da dicotomia entre natureza e sociedade não é recente.
Está presente desde os primórdios da humanidade. A busca de soluções para
os problemas daí decorrentes vem se ampliando desde as décadas de 50 e 60
do século XX, com o agravamento da crise ambiental, compreendida como um
problema para a humanidade. Mesmo havendo divulgação na mídia, constando
na pauta das políticas governamentais, e apresentando um certo consenso que
o desenvolvimento da consciência ecológica é fundamental para o ecodesenvolvimento1, os empreendimentos, neste sentido, são insuficientes para
manter o equilíbrio nas relações ser humano x natureza.
Com essa compreensão, de tão complexa, a questão passa a se
constituir uma preocupação na práxis pedagógica, pois a inserção da dimensão
ambiental da educação precisa ser garantida e impulsionada pela mídia na
educação contemporânea. Este estudo pretende descobrir novas alternativas
mais produtivas e dinâmicas a fim de melhorar a qualidade do ensinoaprendizagem e a vida no nosso planeta.
1
Ecodesenvolvimento ou "ecossocioeconomia" é uma combinação de crescimento econômico,
aumento igualitário do bem-estar social e preservação ambiental (Ignacy Sachs in
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ignacy_Sachs), acessado em 28.04.09.
Envolvida pela ação educativa, desde a infância, alfabetizando, por
ensaios e erros, o vaqueiro, o carreiro, o trabalhador rural e sua família no
sertão de Alagoas ou, nos finais de semana, nos bairros carentes com as
freiras dos colégios onde estudei, sentia satisfação em cooperar com a
formação religiosa e cultural dessa população.
Essas experiências educativas infanto-juvenis foram um marco para
as descobertas sobre a importância do conhecimento da realidade local, da
ação
integrada
entre
educação,
saúde
e
meio
ambiente
para
o
desenvolvimento sustentável.
Nas experiências de professora em turmas multisseriadas na zona
rural e urbana do semiárido e no agreste de Alagoas, ampliava o trabalho como
professora primária com visitas e orientação às famílias dos alunos para
discutir sobre os cuidados com a higiene e a alimentação das crianças e
idosos.
Nesses municípios, o rádio, muitas vezes, era o mais importante
meio tecnológico de comunicação da comunidade e sempre surgia a
programação radiofônica como instrumento de questionamento no grupo.
A importância dos conhecimentos, da descoberta, da divulgação e
da continuidade dos estudos surgiu como uma luz para a melhoria da
qualidade de vida da população e, principalmente, aumentaram as descobertas
do conhecimento científico com prazer e lazer para que, como educadora,
desenvolvesse um processo de ensino-aprendizagem mais eficaz e coerente
com a realidade da comunidade.
Durante o período dos estudos, no curso de Letras, organizamos a
criação do jornal e do Clube de Leitura da Mônica no ensino fundamental com
apresentações quinzenais. Posteriormente, com o curso de Pedagogia,
ampliamos a experiência para a Coordenadoria Regional de Ensino da 5ª CRE
– sede Arapiraca e 1ª CRE – sede Maceió. Também, em discussões no Curso
Pedagógico na formação de professores no ensino médio, também em
Arapiraca, obtivemos bons resultados em conhecimentos e lazer para a
comunidade escolar e para os pais.
A experiência se amplia para o Núcleo de Educação Ambiental do
Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas NEA/CEDU/UFAL2.
Como membro do NEA/CEDU/UFAL, pretendemos refletir como os educadores
do Ensino Fundamental estão desenvolvendo a Educação Ambiental e se
utilizam a televisão e o rádio na sala de aula.
Assim, essa pesquisa articula-se a um trabalho de extensão, desde
1997, através do NEA/CEDU/UFAL. Suas dimensões abrangem a relação
política educacional e meio ambiente, tendo como foco a inserção da dimensão
ambiental na prática pedagógica da escola. A busca vai se ampliando para a
relação educação ambiental e tecnologia, em face do avanço científicotecnológico e seus efeitos na ação educativa em suas modalidades formais e
não formais.
Atualmente, devido ao grande desenvolvimento da ciência e da
tecnologia, a mídia com o seu poder de atração e convicção, principalmente
entre crianças e adolescentes, vem influenciando nas mudanças sociais e na
educação familiar e escolar e com elas concorrendo.
Este trabalho foi realizado no Ensino Fundamental, em turmas de
terceira, quarta e quinta séries, em escolas públicas de Maceió que trabalham
com a Educação Ambiental, buscando apreender a importância da TV e do
rádio como instrumentos tecnológicos na Educação Ambiental.
Vários autores apresentam experiências com TIC, como Brunner
(2004), Mercado (2004), Pereira (2002), Diaz (2002) e outros, que incentivam
questionamentos e orientações nas ações pedagógicas.
2
Criado pela Portaria CEDU/UFAL nº 44 de 25/09/97, o Núcleo de Educação Ambiental é
instituído no âmbito do Centro de Educação, pela Resolução CEDU/UFAL nº 2 de 1998. É
homologado pelo Conselho Superior da Universidade, conforme Resolução CONSUNI/UFAL nº
3 de 01/02/99, como Núcleo Temático de natureza acadêmica, sob enfoque pluri e
interdisciplinar de intervenção na realidade. Desde sua criação, apresenta como finalidades:
promover ações integradas na relação meio ambiente e educação, envolvendo os Centros de
Ensino da UFAL; desenvolver projetos de pesquisa e extensão, em conjunto com instituições e
entidades educacionais e ambientais; promover e assessorar a formação de multiplicadores em
educação formal e não formal.
Pereira (2002), por exemplo, retrata a importância do papel da TV na
família e na escola, sugerindo a necessidade de questionar, descobrir
procedimentos metodológicos, níveis de valores na nossa educação. O estudo
serve de alerta e de incentivo para maior aprofundamento em pesquisas a fim
de desenvolver ações pedagógicas mais coerentes com o exercício consciente
de cidadania junto aos nossos educadores escolares e familiares.
Desenvolver as razões e a importância da utilização do rádio e da
TV como instrumentos de divulgação e dinamização dos valores sociais e
éticos na ação educativa, principalmente na Educação Ambiental, para autores
como Prado (2000), exige o debate da prática educativa, a necessidade de a
escola ampliar os espaços de aprendizagem e os processos de relação e
intercomunicação.
Durante a década de 70, por sua função estratégica junto à
sustentabilidade do desenvolvimento, a Educação Ambiental tem se constituído
no grande apelo de instituições e programas internacionais (ONU, UNESCO,
PNUMA, dentre outros), o que vem incentivando novas posturas, com
determinações legais e, em conseqüência, à tomada de consciência pelo
desgaste ambiental do nosso planeta.
No Brasil, a política de Educação e Gestão Ambiental Pública no seu
Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA) representa um marco
teórico, balizador de princípios. A Lei número 9.795/99, que institui a Política
Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências, entre elas, que a
dimensão ambiental da educação seja inserida em todos os níveis de ensino
formal e não formal, desde a educação infantil à universidade.
Nesse sentido, questionamos se os conceitos, os valores, os
instrumentos que são utilizados para programar a construção, a formação da
consciência ecológica são os mais adequados, os mais instigantes ao papel de
educadores ambientais frente ás exigências do século XXI. O rádio e a TV
fazem parte desses instrumentos? Que tipo de Educação Ambiental é
desenvolvido nas escolas no Ensino Fundamental?
Com este trabalho pretendemos provocar reflexões na sociedade, na
população acadêmica em geral, de modo que as ações pedagógicas
planejadas para as escolas do ensino fundamental, prioritariamente, em
articulação com a mídia sejam mais dinâmicas e significativas. Pretendemos
incentivar a ética e os valores sócioculturais, contribuindo com as mudanças
sociais necessárias para a melhoria da formação de um educador ambientalista
consciente do seu papel social e coerente com a práxis educativa.
No que diz respeito especificamente à escola, para o ensino
fundamental, o MEC elaborou os Parâmetros Curriculares Nacionais em dez
volumes, com fundamentação, objetivos, avaliação e orientações pedagógicas.
Os volumes são específicos para a Língua Portuguesa, Matemática, Ciências
Naturais, História e Geografia, Arte, Educação Física, Ética, Saúde e Meio
Ambiente, Pluralidade Cultural e seus objetivos buscam compartilhar o esforço
diário de fazer com que as crianças dominem os conhecimentos de que
necessitam para crescer como cidadãos plenamente reconhecidos e
conscientes de seu papel na sociedade.
Na perspectiva dos PCN algumas unidades escolares vêm
realizando iniciativas com vistas ao desenvolvimento de projetos e criação de
ambientes orientados, ajustados aos parâmetros curriculares tendo em vista a
implementação de ações que construam a consciência ecológica, através da
Educação Ambiental.
A educação, enquanto prática transformadora da sociedade,
preocupada com o patrimônio ambiental e cultural, tem na escola um espaço
fundamental que serve de suporte para a sobrevivência do ser humano na
sociedade. Nessa relação educação e meio ambiente torna-se necessário
integrar as dimensões social, econômica, ambiental e cultural à extensão dos
processos educativos.
A questão ambiental e a utilização das tecnologias na educação são
complexas e contraditórias e, na maioria das vezes, o desenvolvimento
científico e tecnológico não vem sendo acompanhado pela escola com a
intensidade necessária, diante do desequilíbrio do ambiente que vem gerando
desconforto e problemas ambientais.
Para melhor compreensão dessas questões, estudamos a prática da
educação ambiental em quatro escolas públicas: Professora Maria Margarez
Lacet, localizada na APA do Catolé, no entorno da UFAL e as escolas Maria
Rita Lira de Almeida, Professor Almeida Leite e Silvestre Péricles, situadas no
entorno do Complexo Lagunar Mundaú-Manguaba, todas em Maceió.
Trata-se de uma pesquisa baseada na modalidade quantiqualitativa,
em que os dados estatísticos se entrelaçam aos dados exploratórios,
promovendo maior solidez na análise. Além disso, apresenta uma abordagem
holística que procura analisar as relações dos seres vivos com o todo: a
cosmovisão, e preserva a complexidade do comportamento humano.
Segundo Huthison (2000, p. 59), sob a perspectiva holística todos os
fenômenos
na
natureza
são
vistos
como
interligados
em
universo
interdependente. Essa interdependência está baseada em uma reciprocidade
dentro e entre os mundos natural, físico e cultural que permeiam nossas vidas
e toda a comunidade biótica. A aprendizagem ocorre por meio de um
desenvolvimento pessoal e social.
Para melhor compreensão dessas questões, o presente trabalho
apoia-se nas teorias críticas da educação3. São concepções pedagógicas
desenvolvidas por Paulo Freire, Libâneo, Saviani, Gasparin que articulam à
educação, a realidade cultural, social e política do ambiente do educando cuja
prática de ensino
deve apresentar um teor crítico, buscando qualificar a
formação do cidadão e da cidadã para uma atuação transformadora da
realidade. A pesquisa tem como objetivos, conhecer como a escola desenvolve
as ações de educação ambiental no ensino fundamental e descobrir a relação
3
Segundo Saviani (2003), a Pedagogia Histórico-Crítica, embora "consciente da determinação
exercida pela sociedade sobre a educação", fato que a torna crítica, acredita que "a educação
também interfere sobre a sociedade, podendo contribuir para a sua própria transformação" [...],
fato que a torna histórica (www.chaves.com.br/TEXTSELF/PHILOS/dermeval.htm, acessado
em 04.05.09).
Para Gasparin (2003), o primeiro passo da pedagogia histórico– critica diz respeito ao nível de
desenvolvimento real do educando; pratica social inicial; o segundo constitui o elo entre a
prática social e a instrumentalização; é a problematização; o terceiro relaciona-se às ações
didático pedagógicas para aprendizagem; instrumentalização; o quarto, a expressão elaborada
da nova forma de entender a prática social; cartase; e o quinto e ultimo, ao nível de
desenvolvimento
atual
do
educando
;
prática
social
final
http://www.unir.br/html/pesquisa/pibic.acesso em 14.04.09)
da mídia – rádio e televisão – com as ações pedagógicas desenvolvidas na
educação ambiental.
Associando a metodologia histórico–crítica com o método dialético
foram desenvolvidos estudos bibliográficos de fundamentação teórica e
documental para maior compreensão na análise dos dados, junto às escolas
pesquisadas.
A pesquisa aconteceu em três momentos. No primeiro momento,
além dos estudos básicos, visitas às escolas e observação do ambiente, houve
a aplicação de questionários aos gestores, alunos e professores por ano de
cada escola, gerando a mobilização não só de alunos e professores da turma
como também da coordenação pedagógica das escolas. A seleção dos alunos
aconteceu aleatoriamente, com 20% das duas turmas em cada série de cada
escola,
oportunizando
maior
conhecimento
da
realidade
das
ações
pedagógicas e fidedignidade na análise dos dados.
No segundo momento, foi realizada a análise comparativa dos dados
coletados com os sujeitos da pesquisa, alunos, professores, coordenação
pedagógica e gestores das quatro escolas, com a sistematização e crítica da
realidade.
O terceiro momento envolveu a socialização dos resultados
analisados que deverá contribuir para uma reflexão do Núcleo de Educação
Ambiental NEA/CEDU/UFAL e das escolas, na melhoria da formação de
multiplicadores em Educação Ambiental, num processo interativo, participativo
e crítico visando ao surgimento de uma nova ética social.
O trabalho está estruturado em três capítulos. O primeiro capítulo –
Política Educacional e Educação Ambiental – contempla o referencial teórico, o
universo da pesquisa, a identificação sujeito-objeto.
No segundo capítulo – Tecnologia na Educação Ambiental: a mídia
na Educação Ambiental – trata da importância do uso das TIC, particularmente
o rádio e a TV, sua viabilidade e operacionalização no cotidiano da ação
educativa escolar.
O terceiro capítulo descreve a Relação Meio Ambiente e Educação
na Escola: relacionando teoria e prática, tratando do cotidiano dos sujeitos da
pesquisa no território ambiental que vivenciam suas experiências de vida e de
educação. Professores e alunos falam de sua prática no cotidiano da escola,
enfocando a relação ação pedagógica e seus reflexos na vida social do bairro.
A interpretação dos dados pesquisados integra esse capítulo sob categorias de
análise estabelecidas a partir da fundamentação teórica desenvolvida.
Por essas concepções, pode-se viabilizar e sugerir alternativas a fim
de alcançar as transformações necessárias para um desenvolvimento
sustentável, contribuindo assim com uma educação de qualidade com uma
formação do educador que valoriza qualidade de vida dos cidadãos e de sua
comunidade.
CAPÍTULO I
POLÍTICA EDUCACIONAL E EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Ao longo da história da humanidade, o ser humano criou diversas
instituições cujas funções eram a transmissão de diferentes formas de saber,
inseridas no contexto da sociedade. Surgiram, então, as escolas, com sua
educação formal ou, sistemática, cada uma com sua forma particularizada de
transmitir esse saber.
A educação sistemática, caracterizada como formal, acontece na
instituição escolar visando à transmissão de determinados legados culturais,
isto é, de determinados conhecimentos técnicos ou modos de vida. Constitui-se
uma modalidade seletiva de educação, em que se escolhem dentro da cultura
os elementos considerados essenciais, bem como os mais necessários para
serem transmitidos na escola por pessoas especializadas.
Outro tipo de educação é a não formal ou assistemática,
oportunizada pela mídia, pela comunidade e por outras instituições não
governamentais. Os educadores que atuam nessa modalidade de ensino,
grande parte sem qualificação adequada, são oriundos das experiências de
vida e trabalham o resgate de culturas que são transmitidas de geração a
geração. Essa modalidade acontece no decorrer da vida diária, pelo
aprendizado das tarefas normais de cada grupo social, pela observação do
comportamento dos mais velhos, pela convivência dos membros de uma
sociedade.
Observa-se o envolvimento de uma população que vê nos estudos
uma possibilidade de mudanças no setor pessoal, social e econômico. Nesse
sentido, deve-se considerar que a escola, um direito de todos segundo a
Constituição brasileira, nem sempre tem poder de concretizar este direito uma
vez que não oferece vagas para atender a toda demanda.
Este capítulo procura analisar a política educacional e sua relação
com a construção da educação ambiental – conceitos, fundamentos e
proposições políticas, frente à problemática ambiental contemporânea.
1.1.
Política Educacional
A compreensão do fenômeno educativo só é possível mediante o
entendimento das formas pelas quais os seres humanos produzem e
reproduzem a existência social.
Vivemos em uma época da história da humanidade em que se faz
necessária a coerente articulação entre ação política e ética frente à
responsabilidade e ao compromisso social. Trata-se de uma época em que as
mudanças paradigmáticas demandam políticas que impulsionem a participação
social. Em relação á educação ambiental duas questões se colocam de forma
estratégica, articulando pessoas e grupos sociais de um lado e de outro às
diversas áreas do conhecimento.
Nessa perspectiva, durante os quatro séculos de predomínio da
economia agroexportadora, o sistema educacional brasileiro constituiu-se no
agente exclusivo de formação de camadas superiores para o exercício das
atividades político-burocráticas e das profissões liberais, consolidando um
padrão de ensino humanista e elitista.
No período de transição da sociedade oligárquico-tradicional para a
urbano-industrial, redefinem-se as estruturas de poder e se orienta o modelo
econômico, no sentido da industrialização. A urbanização crescente favorecida
pela reorientação do modelo econômico fez crescer a demanda social, por
escola, acompanhada de uma intensa mobilização das elites intelectuais em
torno da reforma e da expansão da educação, cujo ensino embora favorecido
com as mudanças, consolidou-se seletivo.
A direção tomada pelo processo de modernização no Brasil acabou
por impor à esfera cultural os mesmos limites verificados na evolução
econômica e social do país. Consequentemente, se antes a necessidade de
instrução era desvalorizada como fundamental na sociedade brasileira, além de
relegada também pelo poder político, a nova situação induziu profundas
modificações às aspirações educacionais, no discurso e na ação do próprio
estado.
Esse processo particular de modernização no Brasil, que marcou
decisivamente os rumos da expansão da produção capitalista no país, refletiu e
reforçou os limites da transformação da sociedade brasileira no avanço das
relações capitalistas do seu povo. O segmento educacional e a classe popular
lutam por educação de qualidade e outros direitos sociais, como terra, trabalho,
habitação e saúde com o apoio dos intelectuais progressistas do país.
A modernização econômica dependente implica uma modernização
cultural e institucional dentro dos limites necessários à incorporação da
economia nacional ao conjunto da economia capitalista mundial.
As novas formas de desenvolvimento tecnológico, sócio-cultural e de
produção foram absorvidas como parte do movimento de expansão da
moderna civilização ocidental, que consolidou o avanço das relações
capitalistas em nível internacional.
Esse sistema capitalista, por um lado, progride no processo de
globalização do mundo produzindo fluxos de interdependência e integração e,
por outro lado, produz fragmentação e antagonismos, acompanhando a
natureza do processo de globalização sócioeconômica, segundo Ianni (1992)
apud Cavalcante (1998).
O processo de globalização da vida humana, no atual estágio de
desenvolvimento da nossa civilização, é de caráter amplo e complexo,
ideológico e histórico, possuindo ideais e políticas com tendência para a
formação de um grande mercado único de alcance mundial, resumindo-se na
concepção de um Mercado Máximo com um Estado Mínimo. A consequência
está na ideologia do capitalismo atual, o neoliberalismo.
Segundo Belli (1990), as nações industrializadas com suas
economias crescentes têm-se interligado, por meio do comércio global e dos
produtos globais na sua perspectiva histórica – “globalização da globalização”,
processo que, principalmente da economia, tem início com o advento do
capitalismo no século XVI, buscando formar um “Sistema Mundo”. É necessário
rever a História onde se detecta que o descobrimento do Brasil no século XVI,
o início da expansão do território europeu, o desenvolvimento tecnológico e
científico, os transportes, as comunicações evoluem com profunda e dinâmica
transformação, provocando uma extraordinária revolução, que já era a semente
do desejo da internacionalização.
Com este processo em evolução surgem os fenômenos da
unificação territorial e política com a acumulação de capitais incentivando as
aspirações de europeização do mundo, provocando a concentração econômica
de capitais em detrimento dos países de culturas não européias, periféricos e
subdesenvolvidos, caracterizados como inferiores.
Essa política, com a revolução tecnológica e cientifica, deveria
produzir aceleração na comunicação, socializando os acontecimentos e
descobertas em prol da melhoria da qualidade de vida e saúde da humanidade.
Segundo Ferreira (1975, p. 1109), política significa ciência do
governo dos povos, ou arte de dirigir os aspectos ou negócios públicos; ramo
das ciências sociais que trata da organização e do governo dos povos, arte de
dirigir as relações.
Interpretamos política como ação em prol da transformação social,
do direito de todos os cidadãos da “polis” ao exercício de sua cidadania. É uma
postura de comprometimento ou de negação do exercício dessa cidadania, por
parte de uma cultura, de uma nação, para com o seu povo.
Relativamente, políticas são as atividades sociais exercidas pelos
cidadãos, sob a direção de um governo, que lhes assegura ou nega o pleno
exercício dessa cidadania, promovendo ou dificultando o bem-estar social da
maioria.
Historicamente, a organização das atividades da vida social nas
comunidades exigiu o surgimento de instituições que visassem ao alcance de
objetivos comuns à maioria.
Essas instituições que vêm a compor o Estado exercem a função de
ordenar e disciplinar as atividades das comunidades e nações. As relações
destas instituições políticas com os governados (cidadãos) podem assumir um
caráter de dominação, de coerção, ou de persuasão e consenso. Segundo
Marx (1981, p. 37) “a dominação pela força e a direção pelo convencimento
são os meios da política”.
Por sua vez, os cidadãos, como participantes da sociedade civil
organizam-se também em instituições que reivindicam do governo a satisfação
dos seus interesses e necessidades, e lutam pela transformação social quando
este não está suprindo suas necessidades básicas.
As expressões culturais de uma sociedade podem ser incluídas
nessas instituições. Nesse sentido, as produções literárias e artísticas de um
povo podem se constituir em instrumentos de veiculação de seus anseios
políticos, nem sempre concernentes à intenção política do governo.
Num ou noutro sentido, governamentais ou não, essas instituições
passam ideologias que segundo Gramsci (1978, p.25) são a concepção de
mundo que se manifesta implicitamente na arte, no direito, na atividade
econômica, em todas as manifestações de vida individuais e coletivas.
Segundo Freire (1996), os textos político-pedagógicos exercem essa
função numa determinada direção, pois apresenta uma forte conotação política,
resultante de sua visão de mundo e de educação expressa na preocupação
com os ideais, sonhos e bem-estar social dos sujeitos de ambos os gêneros
que habitam a pólis e a nação de sua época, sendo, portanto, textos políticos.
A preocupação com o bem-estar social está explícita em suas palavras:
[...] falo do meu interesse por tudo que diz respeito aos homens e às
mulheres, assunto de que saio e a que volto com gosto de quem a ele
se dá pela primeira vez. Daí a crítica permanentemente presente em
mim à malvadez neoliberal, ao cinismo de sua ideologia fatalista e a
sua recusa inflexível ao sonho e à utopia ( p. 15).
A origem etimológica da palavra Educação é latina e segundo
Broccolini (1990) apud Fazenda (2002 p. 243) apresenta um duplo sentido:
”educo-eduxi-educactum-educare” com o significado de fazer sair, lançar, tirar
para fora, trazer a luz, educar, e “educo-educavi educatum-educare” referindose a criar, amamentar, sustentar, elevar instruir, ensinar.
O
termo
educação
em
seu
binômio
refere-se
tanto
ao
desenvolvimento dos seres vivos, “educere” como a atuação, intervenção
educativa “educare”, identificando-se a complementaridade entre os processos
e os resultados atingidos.
Segundo Morin (2005, p. 65),
a educação deve contribuir para a autoformação da pessoa (ensinar a
assumir a condição humana, ensinar a viver) e ensinar como se
tornar cidadão. Um cidadão é definido em uma democracia, por sua
solidariedade e responsabilidade em relação à sua pátria. O que
supõe nele o enraizamento de sua identidade nacional.
Freire (1996, p. 31) recomenda aos educadores: “o professor que
pensa certo deixa transparecer aos educandos que uma das bonitezas de
nossa maneira de estar no mundo e com o mundo, como seres históricos, é a
capacidade de intervir no mundo, conhecer o mundo”.
Articulando as questões sóciopolíticas à era da globalização, Morin
(2005) discute a gravidade da compartimentação dos saberes, e incentiva o
estudo
dos
desafios
da
globalidade,
da
multidimensionalidade,
na
contextualização do saber. Destaca a necessidade de a educação trabalhar e
desenvolver ações sóciopolíticas multidisciplinares para a formação de
cidadãos
críticos,
conscientes,
autônomos,
cooperativos,
capazes
de
descobrirem alternativas adequadas à melhoria da vida no planeta.
Na escola, consequentemente, surgem os desafios encadeados do
cultural, sociológico, cívico. Cria-se o desafio dos desafios e, em lugar da
cabeça feita na relação professor X aluno, nasce a noção de sujeito, no aluno
que se forma construindo seu próprio pensar e agir.
As manifestações culturais apresentam-se revestidas de um cunho
político, estabelecendo um relacionamento entre valores culturais e objetivos
políticos.
Uma canção, um vídeo ou um programa de rádio, uma página na
internet ou uma peça teatral, além das funções artísticas que lhe são inerentes,
possui explícita ou implicitamente a intenção de favorecer uma reflexão do
ouvinte ou leitor/espectador, gerando atitudes de apoio ou contraposição à
atuação do poder institucionalizado.
Tendo em vista que a ação política encaminha mudança ou
conservação através da mobilização ou do consentimento, as manifestações
culturais podem funcionar tanto como aparelho ideológico do poder
estabelecido, quanto como instrumento de libertação em relação a esse poder.
A esse respeito, Freire apud Shor (1992, p. 120) afirma:
[...] um poema, uma canção, uma escultura, uma tela, um livro, uma
música, um fato, um feito, um acontecimento, jamais têm, explicandoos, uma única razão. Um acontecimento, um fato, um gesto, de amor
ou de ódio, um poema, um livro se acham sempre envolvidos em
densas tramas, tocados por múltiplas razões de ser, de que algumas
estão mais próximas do ocorrido ou do criado, de que algumas são
mais visíveis enquanto razão de ser
A atividade cultural possui um objetivo político e a atividade política,
por sua vez, possui uma finalidade cultural. Uma criação artística de caráter
político é aquela que deixa transparecer a visão de mundo, de homem e de
sociedade, característica do autor que, usando da persuasão, provoca no
público uma postura e aceitação ou de luta pela transformação social.
A sociedade atual está passando por uma crise de valores, cujo
reflexo é bem visível em todos os níveis sociais. O que se observa na política é
a falta de ética que, na maioria das vezes, está em segundo plano, e que os
valores são outros, parecendo que o respeito ao ser humano e à natureza
foram relegados.
A grande divulgação, nas mídias, da violência, da prostituição, das
drogas, da “indústria” do “turismo” na população infanto-juvenil, através da telecomunicação, com grande repercussão das TIC, sem limites e planejamento
adequado, vem contribuir com a crise de valores social no mundo, reforçando o
declive da ética.
Nessa dinâmica, a concentração de capitais empobrece os conceitos
tradicionais de espaço e tempo, como também rompe as barreiras e as
fronteiras do território dos Estados Nacionais, deixando vulnerável sua
concepção de soberania e a ideologia de caráter nacionalista.
Igualmente, a concentração de capitais estrangeiros quando não é
bem planejada provoca a quebra de padrões políticos autônomos. E com esse
processo de globalização viabiliza-se uma subordinação do estado-nação às
articulações do capital. Portanto, a atual globalização desenvolve uma
característica, a desterritorialização, na qual se estruturam os poderes
econômico, político, social e cultural internacionais, globais, sem determinação
precisa, alimentando também as desigualdades, as contradições dando origem
à exclusão dos desfavorecidos.
Esses investimentos de capitais estrangeiros que só visam à
produtividade da empresa no setor econômico, não considerando a realidade
sóciocultural da população local, os interesses, as idéias de grupos e classes
são desterritorializadas, ampliando e difundindo a semente da fragmentação e
da contradição, em nível local, regional, continental, global. Com este tipo de
política questiona-se: o que é federativo em nível mundial é uma vontade de
liberdade, cooperação ou de dominação e competição? A educação está
cumprindo o seu papel de formar o cidadão crítico e preocupado em intervir a
fim de promover o bem-estar social?
Consequentemente, esse processo de globalização afeta a real
identidade e impõe a cultura da globalização, isto é: dominar, sem respeitar os
limites do ambiente físico e sóciocultural, acentuando ainda mais a dívida
social, as desigualdades espaciais e sociais, ampliando a exclusão da
população desfavorecida com a miséria, o desemprego e a degradação
ambiental.
Todavia, com as mudanças sociais e a visão do mundo
contemporâneo, não é
viável destruir esse processo
gigantesco de
globalização, e sim trabalhar para a sua transformação a fim de que a sua
estrutura básica se modifique, tornando-o mais humano, ecológico, equilibrado
e harmonioso.
Esse
processo
político
poderá
oferecer
condições
para
a
operacionalização de uma real democracia social e política com incentivos
coerentes a um rápido e intenso progresso técnico, científico, proporcionando
novas
condições
educacionais,
agrícolas,
de
saúde,
culturais,
de
sobrevivência, principalmente, da população excluída, um real desenvolvimento
sustentável, respeitando as suas identidades e cultura, em harmonia com a
natureza.
A educação com a formação de professores, no cotidiano escolar,
na relação professor X aluno, na mídia, e nas inter-relações entre comunidade
escolar e sociedade também passam por essa crise.
A pedagogia libertadora, segundo Freire (1980) estuda o processo
de formação da consciência critica dos cidadãos, o papel do homem no mundo
como sujeito de sua história e da apropriação do seu conhecimento. Estuda,
também, a questão da opressão como processo que estabelece uma relação
antagônica entre opressores e oprimidos, sujeitos situados em pólos opostos
numa relação de poder.
Nesta concepção problematizada, o educar é construir, é libertar o
ser humano do determinismo passando a reconhecer o papel da História e a
Identidade Cultural, que é essencial à prática pedagógica proposta, tanto em
sua dimensão individual como social.
Segundo Freire (1980, p. 26), o processo de formação da
consciência crítica/conscientização se efetiva através da passagem “da esfera
espontânea de apreensão da realidade, para chegarmos a uma esfera crítica
na qual a realidade se dá como objeto cognoscível e na qual o homem assume
uma posição epistemológica”.
A consciência crítica do ser humano está em crise. A proposta
educacional de Paulo Freire tem uma conotação de comprometimento de
tomada de posição a favor da transformação da sociedade da qual faz parte
numa sociedade mais justa na qual a educação com uma formação ética tornase necessária para atingir esse fim.
[...] o processo educativo, em seus vários níveis, deveria contribuir
para tais mudanças com a construção de uma ‘consciência crítica
nacional’ que se fundamentasse na democracia, no diálogo, na
liberdade e, especialmente, nos valores progressistas de uma
sociedade que “transitava para a modernidade (SCOCUGLIA, 1999,
p.51).
Freire (1998) afirma que ensinar exige humildade, tolerância e luta
em defesa dos direitos dos educadores e apreensão da realidade. Para que
isto seja uma constante no trabalho educativo, é necessário um educador
competente, organizado, consciente do seu papel social. Assim, mesmo na real
diversidade político-cultural, os educadores procurem desempenhar sua função
com alegria e confiança em um futuro melhor.
O referido autor enfatiza a importância da esperança considerando-a
um adubo indispensável na experiência histórica e uma luz que faz parte da
natureza humana, conduzindo o professor e os alunos, juntos, a produzirem e a
trocarem experiências, lutando pelo que acreditam e não se acomodando às
injustiças sociais.
A ação participativa e organizada promove e interfere, com
objetividade, na atuação dos sujeitos conscientes da realidade que precisa ser
transformada. Porque, afirma o autor, “ensinar exige a convicção de que a
mudança é possível”.
A curiosidade também é necessária, não como maledicência, mas
sim, como um elemento que impulsiona, a pedagogia da autonomia.
Ela alavanca a capacidade crítica de observação do objeto, na sua
reflexão, e passagem da consciência ingênua para a construção da
consciência crítica, do conhecimento do senso comum ao científico
(FREIRE, 1998, p. 61).
A liberdade é também um objeto incentivado na obra do autor para
ser cultivado pelo educador e os educandos. A curiosidade com liberdade, não
pensando somente nos conteúdos programáticos das diferentes disciplinas
desenvolvidos em sala de aula, mas sim na descoberta da essência das
coisas.
O professor só exerce com segurança o seu trabalho quando tem
competência profissional, fruto de estudos e reflexões criativas. Portanto, a
autoridade do educador é respeitada e conquistada pelo seu exercício
pedagógico, com generosidade, respeito e comprometimento.
A generosidade, o clima de respeito que surge de relações justas,
humildes e eticamente constituídas, é uma qualidade autêntica do caráter
formador do educador competente no exercício de sua autoridade. Segundo
Freire (1999, p.102)
uma das qualidades essenciais que a autoridade docente
democrática deve ter em suas relações com as liberdades dos alunos
é a segurança em si mesmo. É a segurança que se expressa na
firmeza com que atua com que decide com que respeita as
liberdades, com que discute suas próprias posições, com que aceita
rever-se.
A leitura de mundo que o educador pode e deve fazer revela a
inteligência do mundo que vem cultural e socialmente se construindo.
Saber que a educação é ideológica, e que a prática educativa do
professor ou professora reflete o seu poder, faz com que o educador na sua
crítica tenha consciência da necessidade de uma leitura profunda do discurso
dos seus interlocutores.
O professor deve promover sempre momentos adequados para que
as suas relações com os outros que não têm as mesmas opções sejam
disponibilizadas para o diálogo, pois o ser humano deve usar o diálogo e a
mídia como a arma dos oprimidos para lutar contra os seus opressores.
A afetividade entre professor e aluno faz parte da cognoscibilidade4,
porém, o que não se pode permitir é que a afetividade interfira na avaliação do
aluno. Não importa com que faixa etária trabalhe o educador ou educadora,
eles lidam com gente em permanente processo de busca, e não com coisas.
A prática educativa vivida com afetividade e alegria prescinde da
formação científica séria de e da clareza política dos educadores ou
educadora. A prática educativa é tudo isso: afetividade, alegria,
capacidade científica, domínio técnico, a serviço da mudança ou
lamentavelmente, da permanência do hoje [...] neoliberal que a
ideologia contida no discurso (FREIRE, 1998, p. 161).
É nesse patamar de desigualdade social que se encontra o Brasil,
em que uma parte da população detém poder aquisitivo bastante elevado, em
detrimento de uma grande maioria de trabalhadores explorados e condenados
a uma situação de miséria absoluta. Vivem sem direito à moradia, educação,
4
Cognoscibilidade, conhecer e estabelecer a igualdade entre conhecimento e investigação da
aprendizagem em um contínuo processo de interação (http://www.psicopedagogia.com.br,
acesso em 15.04.09).
saúde e segurança física, fatores necessários para a sobrevivência do ser
humano, garantindo assim sua inserção condignamente perante a sociedade.
É que, seguindo o modelo capitalista5, o Brasil coloca em situações
diferenciadas os que detêm capital e os que trabalham para produzi-lo.
A população sem infraestrutura econômica, mesmo com os
programas sociais governamentais, tem dificuldades de matricular e manter
seus filhos na escola, causando muitas vezes a evasão e o semianalfabetismo,
prejudicando a inclusão social do cidadão, promovendo a exclusão, o
desemprego e a violência.
O sistema capitalista desenvolve-se sustentado nas instituições
sociais, as quais não dispõem de explicações precisas nessa dinâmica de
poder, apesar de as mesmas contribuírem para predominância do capital.
A história política do país fundamenta-se em duas vertentes que
sustentam as interpretações do Brasil neste século. A primeira vertente
confronta-se com a estrutura política do país com as experiências europeias e
norte-americanas transportadas para o nosso, onde era valorizada a educação
tecnológica com objetivos e planejamento rígido, sem flexibilidade.
Na segunda metade do século, a ciência social dominou a
perspectiva centrada nas carências, naquilo de que o Brasil não dispunha:
partidos políticos sólidos, burguesia hegemônica ou cidadania efetiva,
expressando assim a visão de uma classe média formada nos valores e
aspirações do primeiro mundo.
Para Sorj apud Freire (2000), uma segunda visão merece destaque,
apesar de ter sido menos elaborado intelectualmente e que foi, em grande
parte, abandonada pelas novas gerações de cientistas sociais, mas permanece
nas artes e no imaginário popular:
5
Capitalismo é um sistema econômico em que a riqueza e os meios de produção de riqueza
são propriedades privadas. No sistema capitalista os meios de produção encontram-se
concentrados nas mãos dos empresários/capitalistas, cuja produção destina-se ao mercado,
pois, a produção, a circulação e a distribuição de consumo dos produtos, dar-se-á, em.
função das necessidades do mercado, denominado círculo de produção de capital
(http://pt.wikipedia.org/wiki/capitalismo, acesso em 04.05.09
É nesse contexto da sociedade centrada em um sistema globalizado
que se encontra a escola, pois não se concebe um sistema educacional
longínquo da sociedade. E, no Brasil, com sua divisão de classes sociais
revela-se uma situação educativa singular, visto que a multiplicidade cultural é
condição da educação, pois os homens vivem em grupos, educando-se entre
si, interagindo, e com isso formam a sociedade.
Com a proposta de educação libertadora, Paulo Freire vem
contribuindo na reflexão do ser humano e o seu compromisso com a
sociedade. É também um dos fundadores do movimento que proporciona a
educação de jovens e adultos de acordo com a realidade do sujeito. Liderou,
incentivou a ocupação da escola brasileira pela classe trabalhadora que não
teve condições adequadas de frequentar seu espaço na fase de criança. Não
se limitando a teorizar, mas empenhando-se em debater, defender suas idéias
na prática educativa no Brasil e na classe popular dos outros países.
Acompanhando
as
idéias
freireanas,
vemos
que
todo
ato
pedagógico é um ato político, indicando que não é só necessário conhecer o
mundo e sim transformá-lo. Articulam-se, assim, ao processo de formação
docente no que se refere à reflexão crítica da prática pedagógica, implicando
saber dialogar e escutar, valorizar o respeito pelo saber do educando e
reconhecer a identidade cultural do outro, sem perder de vista o caráter
histórico do ser humano, associado à prática social.
Analisando as diversas formas de educação, constata-se seu caráter
histórico, considerado instrumento para se redescobrir o ontem, descobrir o
hoje e construir o amanhã.
A LDB n. º 9.394/96 estabelece em seu artigo 5 o, que o acesso ao
Ensino Fundamental é direito público e gratuito subjetivo, podendo qualquer
cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical,
entidade de classe ou outra legalmente constituída e, ainda, o ministério
público acionar o poder público para eximi-lo. Acrescenta ainda, no parágrafo
1º do artigo citado, que compete aos estados e aos municípios, em regime de
colaboração e com assistência da União, recensear a população em idade
escolar para o Ensino Fundamental e os jovens e adultos que a eles não
tiveram acesso.
Com estas considerações expostas na Lei, verifica-se que o acesso
à escola deve ser público, gratuito e obrigatório na educação básica,
atendendo de 1ª a 8ª séries, estendendo-se à educação de jovens e adultos.
No atual contexto, se faz pensar a realidade social brasileira como
uma forma particularizada e específica no sentido de administrar os problemas
de integração social e os dilemas da construção democrática em sociedades
capitalistas com economias cada vez mais globalizadas, pois, a globalização é
o marco referência que constitui o horizonte intelectual e político da época
atual.
Em contexto de globalização, faz - se necessário definir estratégias
de desenvolvimento científico e tecnológico capazes de identificar as
instituições que possam sustentar projetos de educação e meio ambiente, de
democratização da sociedade aumentando o espaço de liberdade face às
expressões dos grupos de poder econômico nacional e internacional.
Nesse sentido, os empreendimentos de base tecnológica são uma
excelente oportunidade para se tangibilizar valores ocultos por trás da densa
névoa que é a aplicabilidade empresarial do conhecimento, a utilização de todo
o potencial que a atual tecnologia põe à disposição da humanidade (LEITE,
2000).
Nessa busca, os seres humanos podem construir sua cidadania
ambiental, que é o compromisso com a qualidade de vida no planeta, a
preservação dos bens comuns como a água, o solo, todos os seres vivos,
incentivada pela educação formal, em escolas públicas e particulares, na
educação não formal, nas igrejas e comunidades, objetivando o bem do
planeta e a melhoria da qualidade de vida da sua população. São questões a
serem tratadas no segundo capítulo.
1.2. Educação Ambiental
Desde os primórdios que o ser humano busca explicações para o
mundo, seus fenômenos naturais e tenta encontrar meios de melhor adaptar-se
à vida na Terra. E a educação como um fenômeno universal vem através das
ciências descobrir procedimentos que resolvam seus problemas.
Consequentemente, a compreensão desse fenômeno educativo só é
possível mediante o entendimento das formas pelas quais os seres humanos
produzem e reproduzem a existência social. Por isso, a Educação Ambiental é
um processo participativo, no qual o educando e o educador são sujeitos
centrais do processo de ensino-aprendizagem pretendido. E a elaboração do
planejamento, para alcançar os objetivos coerentes com a realidade, necessita
da utilização dos princípios de Economia e Ecologia.
A participação do aluno efetiva-se desde o diagnóstico dos
problemas e busca de soluções, sendo preparado como agente transformador,
através do desenvolvimento de habilidades e formação de atitudes, com uma
conduta ética, condizente com o exercício da cidadania.
Segundo Carvalho (2006, p. 65),
Esse modo ideal de ser e viver orientado pelos princípios do ideário
ecológico é o que chamamos de sujeito ecológico. O sujeito ecológico
é um ideal de ser que condensa a utopia de uma existência ecológica
plena, o que também implica uma sociedade plenamente ecológica.
O ideal de ser e de viver em um mundo ecológico se vai constituindo
como um parâmetro orientador das decisões e escolhas de vida que
os ecologistas, os educadores ambientais e as pessoas que aderem
a esses ideais vão assumindo e incorporando, buscando
experimentar em suas vidas cotidianas essas atitudes e
comportamentos ecologicamente orientados. (grifo da autora)
A Educação Ambiental revela-se como uma necessidade básica
para contribuir na construção de uma sociedade mais harmônica e respeitosa
com as espécies bióticas e abióticas do cosmo, o que o ensino de modo geral
com sua complexidade não conseguiu alcançar, necessitando de um reforço na
sua base.
O significado da Educação Ambiental acompanha a descoberta de
uma ética adequada que promova e fortaleça um sistema de valores e atitudes
que conduzam a uma convivência equilibrada por comportamentos reguladores
das relações entre os seres humanos e o seu meio, devendo contribuir para
que o aluno analise criticamente o princípio antropocêntrico que tem levado à
destruição inconsequente dos recursos naturais e de várias espécies.
Segundo
o
Ministério
do
Meio
Ambiente
(2002),
o
ecodesenvolvimento é a visão moderna do desenvolvimento consorciado com
o manejo dos ecossistemas procurando utilizar os conhecimentos já existentes
na região, no âmbito cultural, biológico, ambiental, social, político, evitando-se
assim a agressão ao meio ambiente.
Essa visão moderna de desenvolvimento sustentado leva em
consideração, além dos fatores econômicos, aqueles de caráter social e
ecológico, assim como as disponibilidades dos recursos bióticos e abióticos, as
vantagens e os inconvenientes, com um planejamento a médio e longo prazo.
Isto é, satisfaz as necessidades econômicas do presente sem comprometer a
capacidade das gerações futuras. Assim pressupõem a expansão econômica
permanente com melhoria nos indicadores sociais e a preservação ambiental.
Para isto é preciso considerar que:
a natureza não é fonte inesgotável de recursos. Suas reservas são
finitas e devem ser utilizadas de maneira racional, evitando o
desperdício e considerando a reciclagem como princípio vital;
as demais espécies que existem no planeta merecem nosso respeito.
Além disso, a manutenção da biodiversidade é fundamental para nossa
sobrevivência;
é importante planejar o uso e ocupação do solo nas áreas urbanas e
rurais, considerando que é necessário ter condições dignas de moradia,
trabalho, transporte e lazer, como também áreas destinadas à produção
e armazenamento de alimentos e proteção dos recursos naturais.
A trajetória da Educação Ambiental tem como um de seus
pressupostos, o respeito aos processos culturais, às características de cada
país, região ou comunidade, ajudando o homem a identificar e reconhecer o
seu papel na sociedade como sujeito participante.
Perrenoud (2000) valoriza as práticas inovadoras, reflexivas, entre
elas, o trabalho em grupo cooperativo evoluindo para uma ação mais produtiva
nas descobertas e resoluções dos problemas, o que é muito importante na
Educação Ambiental no seu planejamento e operacionalização de ações
participativas.
Na primeira conferência da ONU sobre meio ambiente ocorrida em
Estocolmo em 1972 na qual 113 países discutiram a defesa e a melhoria do
meio ambiente para as gerações futuras, recomendou-se o treinamento de
professores e o desenvolvimento de novos métodos. (DIAZ, 2002).
Segundo Melo (2001), precisamos de uma Educação Ambiental que:
trabalhe os princípios filosóficos, científicos, emergentes dos novos
paradigmas e teoria;
estabeleça uma nova forma de percepção da natureza e do planeta em
que vivemos;
apresente valores que fundamentem decisões que sejam realmente
úteis, necessárias e benéficas para a humanidade;
dê nova forma de sobrevivência e uso de recursos;
promova bom relacionamento sócioambiental.
A valorização que a educação promove do ambiente como bem e
valor necessário para a humanidade e para as futuras gerações deve permitir o
progresso
e
um
verdadeiro
desenvolvimento
sustentável.
Valores
e
compreensão não bastam. É preciso que os seres humanos saibam como
atuar, como adequar sua prática a esses valores.
Segundo Leff (2001), as estratégias políticas orientadas para a
solução da problemática ambiental e para a geração de um desenvolvimento
sustentável, fundado num aproveitamento integrado de recursos, requerem
uma análise teórica das causas profundas da crise do capital e de suas
próprias estratégias de sobrevivência, a expansão dos mercados regionais, a
liberalização do comércio mundial e os avanços recentes da ciência e da
tecnologia. Para tal, é primordial o entendimento da integração de campos
diversos do saber como o propósito de explicar as causas históricas da
degradação
ambiental,
diagnosticar
a
especificidade
de
sistemas
socioambientais complexos e construir uma racionalidade produtiva fundada no
planejamento integrado dos recursos
A questão ambiental isolada em si mesma não é solução. Ela só tem
sentido quando está sendo trabalhada nos contextos sociopolítico, econômico
e cultural, relacionados não só ao Brasil, mas a todo o planeta.
Aliado à tendência atual que enfatiza o global, o automático, o
descartável, o supérfluo e o trágico, a função da educação, o papel dos
educadores é contribuir na formação de uma nova ética das relações entre a
sociedade e a natureza. Romper o paradigma cartesiano da segmentação de
saberes e de relações e passar à construção de um conjunto de valores que
aproxime as pessoas, os seres vivos, os espaços ecológico-ambientais.
Isso
significa
vencer os valores
trazidos pelo
consumismo
predatório, concebendo a construção de uma sociedade de economias e de
produção sustentáveis para garantir a vida no planeta.
Para que isto ocorra, no desenvolvimento do processo educativo, é
necessário ter conhecimento e valorizar as características da Educação
Ambiental construídas pelo movimento ambientalista e científico-acadêmico,
desde os primórdios de sua formulação:
•
integrativa - característica primordial que deve oportunizar a
conscientização dos educandos, educadores e da comunidade sobre
o meio ambiente, gerando conhecimento, valores, habilidades,
experiências e determinação, tornando-os aptos à ação e resolução
de problemas ambientais, individual ou coletivo;
•
transformadora - quando possibilita a aquisição de conhecimentos e
habilidades capazes de propiciar mudanças de atitudes, objetivando
a construção de uma nova visão das relações do ser humano com o
seu meio na adoção de novas posturas individuais e coletivas.
Capacita o ser humano para contribuir com uma convivência mais
articulada com a sua espécie, respeitando os outros e construindo
um ambiente mais saudável;
•
participativa - que atua na sensibilização e na conscientização do
cidadão, estimulando-o a cooperar, se envolver nos processos
coletivos;
•
abrangente - que extrapola as atividades internas da escola
tradicional, envolvendo além da família toda a comunidade;
•
globalizadora - considera o ambiente em seus múltiplos aspectos:
natural, tecnológico, social, econômico, político, histórico, ético, e
estético, viabilizando o seu inter-relacionamento local, estadual,
nacional e mundial;
•
permanente – reconhecendo que a evolução do senso crítico e a
compreensão da complexidade dos aspectos que envolvem as
questões ambientais se dão de um modo crescente e contínuo;
•
contextualizadora - quando atua diretamente na realidade de cada
comunidade, sem perder de vista a sua dimensão planetária;
•
transversal - em um planeta como a Terra, com sua cadeia alimentar
e todas as formas de vida são dependentes e interdependentes,
permitindo que os elementos cognitivos se enquadrem em várias
disciplinas. A Educação Ambiental deve ser efetivada de maneira
envolvente, deixando-se interpenetrar e interpenetrando as várias
disciplinas, explorando bem o afetivo e servindo como um elo para a
interdisciplinaridade.
Frente aos problemas ambientais discutidos, surge o ideal de uma
Educação Ambiental como processo educativo que oriente o debate para a
resolução dos problemas concretos do meio ambiente, articulados, através de
enfoques interdisciplinares e de uma participação ativa e responsável de cada
cidadão e da coletividade.
Com a tomada de consciência geral, amplia-se a percepção do meio
ambiente
no
sentido
de
uma
dimensão
mais
global,
perspicaz,
consequentemente resultante da globalização do sistema mundial, implicando,
portanto, que os fatores globais ou planetários adquiram uma importância
marcante nas decisões e desenvolvimento das políticas locais.
Segundo Díaz (2002), a coincidência da UNESCO e do PNUMA em
algumas tarefas e a necessidade de estender a formação e a Educação
Ambiental ao conjunto da população levaram à criação conjunta, em 1975, de
um Programa Internacional de Educação Ambiental – PIEA, que tem
representado avanços notáveis em aspectos de intercâmbio de informações, e
de pesquisa, para a formação ou a elaboração de materiais educativos.
O boletim Contato, difundido pela UNESCO e PIEA, com a formação
de recursos humanos, tem permitido apoiar tanto a formação inicial como a
permanente dos professores, por meio de módulos específicos. Os materiais
educativos constituem atualmente um recurso valioso sobre a problemática
ambiental e desenvolvimento curricular, avaliação e outros itens afins.
Segundo Prado (2000),
o ser humano desde os tempos mais remotos sempre se relacionou
com seu meio natural. Para alguns povos, essa relação foi, e continua
sendo, de muito respeito; para outros - que se dizem mais
progressistas e evoluídos -, esse respeito foi substituído por um
“aproveitamento” irracional dos recursos naturais. Essa dimensão de
apropriação e saque dos recursos naturais deu origem à atual crise
ambiental, cuja magnitude é de enormes proporções e de
conseqüências previsíveis. (p. 32)
Atualmente, vivemos em uma época da história da humanidade em
que é necessária e coerente a articulação entre ação política, responsabilidade
e compromisso social. Neste patamar, a educação tem seu papel fundamental
na construção da consciência crítica do cidadão, sujeito de direitos e deveres
para se alcançar um desenvolvimento sustentável.
No Brasil, o Parecer 226/976 do Conselho Nacional Educação – CNE
determina e indica a interdisciplinaridade na Educação Ambiental e recomenda:
6
No âmbito da legislação, o antigo Conselho Federal de Educação (CFE) emitiu o Parecer
226/87, enfatizando que a Educação Ambiental deve ser iniciada, na escola, numa abordagem
interdisciplinar, levando a população a um posicionamento em relação a fenômenos ou
circunstâncias do ambiente, e a lei 9.795 de 27 de abril de 1999, que institui a Política Nacional
de Educação Ambiental, tem como um de seus princípios “o pluralismo de idéias e concepções
pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e transdisciplinaridade”. Por fim, meio ambiente é
um dos Temas Transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais, que, em seu texto
introdutório, recomendam que os mesmos sejam trabalhados de forma transversal e
interdisciplinar
nos
currículos
escolares.
.
(Fonte:www.anped.org.br/reunioes/29ra/trabalhos/posteres/)
promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio ambiente.
A necessidade da interdisciplinaridade, isto é, a relação entre os
conhecimentos
sistematizados
e
a
transdisciplinaridade
entre
os
conhecimentos que extrapolam os limites da escola, funda-se no caráter
dialético da realidade social que é ao mesmo tempo una e diversa, uma vez
que todos os seus aspectos são interdependentes, não têm significado
independente e sim nas relações com o contexto de que fazem parte e por sua
rotatividade, constrói um saber consciente, globalizador. Para Fazenda (2001,
p. 11), a interdisciplinaridade é uma nova atitude diante da questão do
conhecimento, de abertura à compreensão de aspectos ocultos do ato de
aprender e dos aparentemente expressos colocando-os em questão.
No campo da Educação Ambiental, está cada vez mais reconhecida
esta característica. A importância vital que o sistema de ensino pode
proporcionar para aprofundar, difundir perspectivas e políticas ambientais, é
vista especialmente nesse espaço, em particular, no qual se pode tratar de
aspectos relevantes para sensibilizar as representações sociais com a visão de
mundo a respeito do meio ambiente.
A ação interdisciplinar imprime sua lógica de descoberta de invenção
da pesquisa, da produção cientifica oriunda de um desejo livre, responsável,
planejado e construído com base em uma conscientização critica.
Segundo
Leff
(2001),
o
Congresso
de
Niza
sobre
interdisciplinaridade nas universidades, realizado em 1970 e publicado em
1972, levou a emergência da questão ambiental como problema do
desenvolvimento e a interdisciplinaridade como método para um conhecimento
integrado, como respostas complementares à crise da racionalidade da
modernidade, levando ao surgimento do Programa Internacional de Educação
Ambiental UNESCO/ PNUMA.
A importância da formação dos educadores e o trabalho com a
educação continuada com políticas que enfatizem a Educação Ambiental e os
interesses
pelos
saberes
sócioambientais
dão
mais
possibilidade
de
operacionalização na educação formal e informal, com uma cidadania
consciente, em que cada um é ao mesmo tempo ator e expectador.
Para tal é necessário um planejamento participativo com “uma visão
interdisciplinar, compreendida como a apreensão holística da realidade, ou
seja, pensar globalmente e agir localmente” (CAVALCANTE, 1995, p. 278).
Todavia, de uma forma ou de outra, todos fazemos Educação
Ambiental e sua prática deve ter como um de seus pressupostos o respeito aos
processos culturais, às características de cada país, região ou comunidade,
ajudando o homem a identificar e exercer o seu papel na sociedade como
sujeito participante.
A diversidade nas percepções da problemática ambiental sobre as
causas da crise de recursos, as desigualdades do desenvolvimento econômico
e social geram demandas diferenciadas de conhecimentos teóricos e práticos.
Desta forma, a crise ambiental fomentou um amplo processo ideológico e
político de produção, apropriação e utilização de conceitos ambientais, que se
refletem nas estratégias para o aproveitamento e exploração dos recursos.
A articulação dos efeitos dos processos econômicos atuais sobre a
dinâmica dos ecossistemas e o grau de envolvimento dos atores sociais é
objeto de avaliação de uma política de Educação Ambiental. O estudo dessas
mudanças epistêmicas possibilita a análise e produção de conceitos práticos
para orientar uma transformação produtiva fundada nos princípios da gestão
ambiental do desenvolvimento e do manejo sustentável de recursos.
Os participantes da 2ª Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente
e Desenvolvimento - Rio de Janeiro ECO/ 92 discutiram e elaboraram a
Agenda 21 que é um programa de ação que vem promover em escala
planetária um novo padrão de desenvolvimento com o compromisso de se
expandir em nível estadual e municipal, contribuindo para conciliar método de
proteção ambiental, justiça social e a eficiência econômica da população, de
acordo com as necessidades do contexto social de cada comunidade.
Sachs (1993), com a teoria do ecodesenvolvimento, orienta a
construção de um novo modelo de desenvolvimento que tenta conciliar a
equidade social e a prudência ambiental. No planejamento dessa nova visão de
desenvolvimento, devemos considerar simultaneamente as cinco dimensões de
sustentabilidade:
•
sustentabilidade social e política é fundamentada em outro tipo de
crescimento que orienta uma sociedade com o objetivo do “ser”,
com a visão de uma boa sociedade – com maior eqüidade na
distribuição do “ter”, melhorando e oferecendo os direitos de um
desenvolvimento humano em sua multidimensionalidade;
•
sustentabilidade econômica, possibilitada por uma gestão e
alocação de recursos financeiros mais coerentes com a realidade,
por uma avaliação com eficiência econômica mais em termos
macrossociais do que apenas de lucratividade microempresarial;
•
dimensão ecológica que respeite os critérios determinados
segundo a resolução de 1988 - União Européia e a Agenda 21,
(Rio 92) incremente a sensibilização dos cidadãos com relação
aos problemas ambientais, as participações nas suas possíveis
soluções, implantando agendas 21 a nível estadual e municipal,
escolar com as bases para uma política de proteção ambiental
com uma utilização precavida e racional dos recursos naturais na
comunidade e na escola;
•
a sustentabilidade espacial voltada para uma configuração rural x
urbana mais equilibrada, com harmonia, que proporcione ao
cidadão obra e artifício do meio que o circunda, dando-lhe
condições de sustento material, lazer e oportunidades de
desenvolvimento intelectual, moral, social e espiritual;
•
a sustentabilidade cultural, que respeite as raízes endógenas dos
modelos de modernização, priorizando processos de mudanças
baseados na continuidade cultural, traduzindo o conceito
normativo do ecodesenvolvimento em uma pluralidade de
soluções particulares e dos sistemas integrados de produção,
valorizando as especificidades de cada ecossistema, de cada
cultura, da cada ambiente.
Em 1991, numa reunião preparatória para o ECO-92 pelas Nações
Unidas, na cidade do México, foi apresentado pela primeira vez um Relatório
que demonstrou a relação entre pobreza e problemas ambientais, ao qual
propuseram um novo sistema de valores sustentado no equilíbrio ecológico, na
justiça social, a não violência e a solidariedade diacrônica com as gerações
futuras, denominado desenvolvimento sustentável.
De acordo com a Comissão Mundial do Meio Ambiente e
Desenvolvimento,
instituída
pela
ONU,
a
sustentabilidade
deve
ser
compreendida pelas potencialidades dos recursos naturais ou ecossistemas
envolvidos e pela capacidade de sustentação das mesmas em plena harmonia
com as condições locais e características sócioculturais das populações
envolvidas.
O desenvolvimento sustentável tem a sua dimensão ecológica e
econômica considerando sobretudo, uma dimensão social e política e ele exige
a participação de todos na tomada de decisão para as mudanças que se
fizerem necessárias para a implementação deste novo desenvolvimento.
Todavia, é bom lembrar que um marco conceitual da Educação
Ambiental foi defendido na Conferência Intergovernamental de Educação
Ambiental de Tbilisi (1977, p. 16), “como um processo educativo orientado para
a resolução dos problemas concretos do meio ambiente, através de enfoques
interdisciplinares e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e
da coletividade”. A implantação da Educação Ambiental no Brasil, segundo a
recomendação nº 12
trata de “Conteúdos e Métodos”, propõe aos países uma atitude já
muito familiar aos educadores brasileiros: “que dêem as instituições
de educação e formação flexibilidade suficiente para possibilitar a
inclusão de aspectos da Educação Ambiental nos planos de estudos
existentes, bem como criar novos programas de Educação ambiental
que atendam as necessidades de um enfoque e de uma metodologia
interdisciplinares (MEC, 1998, p. 33).
No Brasil, a Educação Ambiental foi assumida como obrigação
nacional pela Constituição de 1988, a ser garantida pelos governos, federal
estadual e municipal, (art.225 § 1º, VI). Na Conferência Internacional ECO’92
com representantes de 170 países que discutiram e assinaram tratados nos
quais se reconhecem o papel central da educação para a construção de um
mundo socialmente justo e ecologicamente equilibrado, o que até os nossos
dias estamos tentando atingir esta harmonia.
Nesse mesmo período, a publicação do estudo do Clube de Roma
sobre os limites do crescimento, mostra a crise ambiental gerada por processos
cumulativos e cinegéticos do crescimento econômico e populacional, da
mudança tecnológica, da exploração dos recursos e das substâncias
contaminadas.
Os educadores necessitam de uma consciência ecológica nas
discussões que repõem problemas de grandes questionamentos: os alicerces
da sociedade moderna, a intensidade da ocupação populacional dos espaços
geográficos, o predomínio da razão sobre outras dimensões humanas, o mito
da intocabilidade da ciência, bem como o futuro da sociedade, da cultura e do
próprio ser vivo.
O desenvolvimento da consciência ecológica na agenda política
ainda é objeto de conflito e permanece como o embate quanto ao significado a
assumir no que diz respeito a uma cultura ambientalista, embora o tema
ambientalista já se encontre definitivamente no sistema político sócioeducativo.
A importância do desenvolvimento da consciência ecológica na
escola de ensino fundamental conduz para uma compreensão dialética da
história, em cujas características despontam as suas respectivas conexões
com o encadeamento sociopolítico.
Consequentemente, como conteúdo escolar, a temática ambiental
permite valorizar as relações recíprocas entre sociedade e ambiente,
referendadas pelas necessidades humanas, seus conhecimentos científicos,
tecnológicos e seus valores culturais.
O tema transversal Meio Ambiente reafirma a discussão a respeito
da relação entre os problemas ambientais e fatores econômicos, políticos,
sociais e históricos. São problemas que acarretam discussões sobre
responsabilidades
humanas
voltadas
ao
equilíbrio
social,
com
um
desenvolvimento sustentável, na perspectiva da reversão da crise sócioambiental globalizada.
Essa discussão completa a demanda fundamentada em diferentes
campos de conhecimento. Assim, tanto as Ciências Humanas quanto às
Ciências Naturais contribuem para a construção de seus conteúdos
significativos.
Em coerência com os princípios da Educação Ambiental, deve-se
criar e manter comunidades sustentáveis que atendam às necessidades das
gerações atuais sem prejuízo das gerações futuras. Sendo assim, reforça-se a
necessidade da reconstrução da relação homem-natureza, a fim de destruir a
crença do homem como o senhor da natureza e sim como natureza-ambiente,
ampliando-se o conhecimento sobre o ambiente, como a natureza se comporta
e como a vida se processa.
Ao trabalhar a Educação Ambiental na escola e na comunidade, por
certo se reforça que o ecodesenvolvimento social produza uma qualidade de
vida integral.
O respeito com a natureza, a perspectiva de consolidação de um
meio ambiente com dignidade de vida, com destaque para o diálogo entre
educando X educadores e comunidade, devem conduzir a uma postura ética e
altruísta em prol de um ambiente com relações equilibradas da sociedade com
o planeta. Para isso deve convergir a ação consciente da cidadania, com
direitos e deveres articulados às dimensões econômica, sócio-política, cultural
e ecológico-ambiental.
No governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva, o Ministério do
Meio Ambiente, para confirmar o compromisso com a qualidade de vida e a
sustentabilidade no uso dos recursos naturais, implantou quatro diretrizes
anunciadas pela Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, quais sejam:
orientação para o desenvolvimento sustentável compreendendo mais o
que se pode fazer em lugar do que não pode ser feito;
transversalidade da política ambiental em toda a esfera de governo;
fortalecimento do Sistema Nacional do Meio Ambiente;
controle e a participação social.
A partir de 2003, vem sendo realizada, em todo o país, a
Conferência Nacional do Meio Ambiente e a Conferência Nacional InfantoJuvenil pelo Meio Ambiente. As conferências se apresentam nas modalidades
adulta e infanto–juvenil incentivando a participação de representantes dos
governos federal, estadual e municipal dos poderes legislativo e judiciário, de
empresas, universidades, comunidades tradicionais e organizações não
governamentais.
São
políticas
que
buscam
atender
às
demandas
socioambientais do Brasil. As conferências representam um esforço social de
construção de estratégias de participação da sociedade na formulação de
políticas públicas. Têm como objetivo ampliar o debate e a participação da
sociedade brasileira na formulação de políticas para um Brasil sustentável.
Suas proposições vêm desde as escolas que enviam seus
representantes selecionados entre os alunos e professores que discutem e
defendem as mais prováveis alternativas para solucionar os problemas
ambientais das suas escolas e ou municípios detectados pelo grupo
organizador, por representantes da sociedade civil organizada e pela parte
governamental dos municípios, das regiões. Entre eles são eleitos os
delegados que participam na capital do país apresentando as reivindicações de
cada região.
Na especificidade da educação ambiental, o Programa Vamos
Cuidar do Brasil com as Escolas traça diretrizes para uma atuação mais efetiva
junto ao público infantojuvenil e as práticas educativas escolares.
Nessa compreensão as ações educativas deverão ser desenvolvidas
sob diretrizes básicas, viabilizando o comprometimento de posturas individuais
e coletivas com estratégias de participação desde o planejamento até a
execução das ações.
É imprescindível que a escola tenha condições para construir e
dinamizar os novos paradigmas da educação que integrem o homem e a
natureza ao desenvolvimento socioeconômico-político da região, visando a
uma ação interdisciplinar, globalizada e com uma nova ética social.
Neste sentido, questiona-se: os conceitos e os valores que estão
sendo construídos na formação da consciência ecológica são os necessários
ao papel de educadores ambientais, frente às exigências da nossa época? Que
tipo de Educação Ambiental é desenvolvido nas escolas do Ensino
Fundamental, no entorno do complexo lagunar no bairro do Pontal, e na APA
do Catolé, em Maceió, estado de Alagoas? Como a Educação Ambiental faz
uso da mídia, rádio e televisão, na sua prática pedagógica?
Ante este desafio no processo de construção de uma sociedade
sustentável, ética, democrática, participativa, investigamos como a escola de
Ensino Fundamental está trabalhando com a TV e o rádio na Educação
Ambiental, nas escolas públicas situadas no Bairro do Pontal da Barra, entorno
da Lagoa Mundaú e da APA do Catolé, em Maceió\ AL.
Frente às exigências dos novos tempos, o desenvolvimento
sustentável7 é uma nova concepção de desenvolvimento que combina
eficiência
econômica
com
justiça
social
e
prudência
ecológica.
Conseqüentemente, o ecodesenvolvimento constitui um novo modelo de
desenvolvimento que tenta conciliar as dimensões econômica, social e
ambiental entre outras, abrindo a perspectiva de uma melhor qualidade de vida
para a sociedade.
A escola deve trabalhar a relação meio ambiente e educação no
Ensino Fundamental uma vez que os alunos, principalmente aqueles inseridos
em populações vulneráveis, na sua maioria, fora de faixa etária, esperam que o
ensino contribua para a melhoria de sua qualidade de vida. Nesse sentido,
quais os saberes a serem trabalhados?
7
Desenvolvimento sustentável: aquele que satisfaz às necessidades do presente sem
comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades
(Relatório Nosso Futuro Comum:1987)
1.3. Educação Ambiental e Interdisciplinaridade
Para muitos educadores, a realidade educativa desenvolve-se entre
dois aspectos básicos: a complexidade do contexto ambiental e a
complexidade histórico-cultural do sujeito-aluno, não podendo haver um artifício
simplificador dessas interações. Por isso, podemos admitir que uma educação
na e para a complexidade não pode ser resolvida apenas no interior da escola.
Com a crítica epistemológica da qual surge o conceito de
interdisciplinaridade, surge também o de multidisciplinaridade e
8
transdisciplinaridade indicando diferentes modos de pensar a
reorganização do saber, tendo em vista a superação de sua
fragmentação em disciplinas (CARVALHO, 2003, p.121)
Essa questão, por si só, já compromete a reflexão do papel
pedagógico na sua relação entre a questão ambiental e a escola e, se
considerarmos as mudanças sociais e seus reflexos no sistema educativo
podemos verificar que a introdução dos temas transversais, embora, oportuna
em sua natureza, quase que aterrissou na escola de paraquedas.
A interdisciplinaridade não significa a unificação dos saberes, e sim
a abertura de um espaço de mediação entre o conhecimento e a articulação de
saberes em situação de mutua cooperação entre as disciplinas científicas e
escolares, constituindo um marco conceitual e metodológico para a melhor
compreensão da realidade.
Em outra direção, há também o conflito de valores advindos dos
agentes educativos não formais como a família, os meios de comunicação
entre outros da sociedade, nem sempre em correspondência com o que a
escola trata de construir, baseada no conhecimento acadêmico, atualmente,
sob a recomendação da transversalidade contida nos PCN.
8
A idéia de transdisciplinaridade radicaliza a idéia de reacomodação e unificação dos
conhecimentos disciplinares, com relativo desaparecimento de cada disciplina. Assim, cada
campo especializado do saber envolvido no estudo e tratamento de dado fenômeno seria
fusionado em um amplo corpo de conhecimentos universais e não especializados que
poderiam ser aplicados a qualquer fenômeno. A idéia de um saber comum, unitário, que
abarque o conhecimento de toda a realidade, é pretensão bastante controversa, pois, de certa
forma, repõem a crença em uma razão unitária e em sua capacidade ilimitada de saber tudo do
sobre o real (CARVALHO, 2002, p.121).
Os PCN para o Ensino Fundamental têm sua estrutura baseada nos
temas transversais Ética, Saúde, Meio Ambiente, Cidadania, Orientação
Sexual, Pluralidade Cultural, Trabalho e Consumo, sob recomendação para o
seu desenvolvimento nas ações pedagógicas do cotidiano escolar.
São temas que por sua amplitude e inserção no convívio social
traduzem as preocupações da população do mundo moderno, reafirma o papel
da escola e o compromisso dos educadores com a construção da cidadania
responsável. Trata-se de um desafio à escola, o debate sobre essas questões,
principalmente, envolvendo a participação da comunidade.
A Constituição Brasileira/88 trata dos fundamentos do Estado
quando descreve os direitos civis, políticos e sociais dos cidadãos, dentre os
quais, a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores
sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político.
Para o meio ambiente, a Constituição apresenta em seu Art. 225 que
“todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder
público e à coletividade o dever de defendê-lo para as presentes e futuras
gerações”. Isso implica relacionar a educação ambiental à formação de
cidadãos responsáveis pela preservação do planeta Terra, para as presentes e
as futuras gerações, significado contido no Relatório Nosso Futuro Comum
(1988) na definição de desenvolvimento sustentável9.
Vemos, assim, que o trabalho pedagógico com a educação
ambiental passa a ter por base o desenvolvimento de atitudes, valores,
posturas éticas, o domínio de procedimentos sistemáticos, mediante reflexões
que possibilitem o desenvolvimento da consciência critica mais do que a
aprendizagem restrita a conteúdos científicos em todos os níveis e
modalidades de ensino.
O
tratamento
da
questão
ambiental
atende
ao
paradigma
interacionistas, segundo Morais (1992), uma vez que o mundo científico, pelas
9
Desenvolvimento Sustentável, segundo a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento (CMMAD) da Organização das Nações Unidas, é um conjunto de processos e
atitudes que atende às necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de que as
gerações futuras satisfaçam as suas próprias necessidades.
diversas disciplinas, vem se ocupando da questão ambiental, na atualidade.
Do ponto de vista ético-político, o movimento ambientalista mundial proclama
as interações seja na área da produção do conhecimento, seja na gestão das
políticas públicas para o meio ambiente e a qualidade de vida.
Admitir a produção interdisciplinar do conhecimento, portanto, é
acompanhar os paradigmas de base interacionista que perpassam a visão
científica contemporânea, a exemplo da Física Quântica possibilitando verificar
a inter-relação entre os fenômenos físicos, naturais, sociais, ou seja nas
diversas dimensões da manifestação dos fenômenos.
Tenta-se romper com o paradigma cartesiano, segmentador da visão
de realidade e da produção do conhecimento utilizado no modelo predatório do
desenvolvimento vigente que separa teoria e prática, natureza e sociedade.
Essa visão transformadora perpassa a ética e os valores no campo
das relações na sociedade e na educação, observando-se, ainda, que os
valores entre outros elementos que operam fora do currículo explícito entram
em conflito com os valores da comunidade escolar e com os que o novo
currículo trata de promover.
Em decorrência, a legislação ambiental absorve essas proposições
e, no Brasil, a Lei 9795/99 dispõe a visão interdisciplinar como elemento
estratégico do ponto de vista político-pedagógico:
o
Art. 8 As atividades vinculadas à Política Nacional de Educação
Ambiental devem ser desenvolvidas na educação em geral e na
educação escolar, por meio das seguintes linhas de atuação interrelacionadas:
I - capacitação de recursos humanos;
II - desenvolvimento de estudos, pesquisas e experimentações;
III - produção e divulgação de material educativo;
IV - acompanhamento e avaliação.
o
§ 1 Nas atividades vinculadas à Política Nacional de Educação
Ambiental serão respeitados os princípios e objetivos fixados por esta
Lei.
o
§ 2 A capacitação de recursos humanos voltar-se-á para:
I - a incorporação da dimensão ambiental na formação,
especialização e atualização dos educadores de todos os níveis e
modalidades de ensino;
II - a incorporação da dimensão ambiental na formação,
especialização e atualização dos profissionais de todas as áreas;
III - a preparação de profissionais orientados para as atividades
de gestão ambiental;
IV - a formação, especialização e atualização de profissionais na
área de meio ambiente;
V - o atendimento da demanda dos diversos segmentos da
sociedade no que diz respeito à problemática ambiental.
o
§ 3 As ações de estudos, pesquisas e experimentações voltarse-ão para:
I - o desenvolvimento de instrumentos e metodologias,
visando à incorporação da dimensão ambiental, de forma
interdisciplinar, nos diferentes níveis e modalidades de ensino,
(grifo nosso);
II - a difusão de conhecimentos, tecnologias e informações sobre
a questão ambiental;
III - o desenvolvimento de instrumentos e metodologias, visando
à participação dos interessados na formulação e execução de
pesquisas relacionadas à problemática ambiental;
IV - a busca de alternativas curriculares e metodológicas de
capacitação na área ambiental;
V - o apoio a iniciativas e experiências locais e regionais,
incluindo a produção de material educativo;
VI - a montagem de uma rede de banco de dados e imagens,
para apoio às ações enumeradas nos incisos I a V.
Por essa compreensão, a coerência entre o discurso, as ações
pedagógicas e sociais, ou seja, a articulação teoria-prática são as bases para a
frutificação das relações integradas entre educador e aluno, entre sociedade e
natureza.
O
conhecimento
das
políticas
socioambientais
é
também
fundamental para uma ação produtiva no trabalho pedagógico que precisa da
interdisciplinaridade norteando o procedimento cotidiano.
Por isso, a interdisciplinaridade é concebida como princípio
metodológico da educação ambiental, indispensável para trabalhar o
conhecimento integrado a fim de se alcançar o desenvolvimento sustentável.
CAPÍTULO II
TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO
A utilização da mídia – TV e rádio – na escola como instrumento de
intervenção educativa de valores éticos e sócioculturais, por si só, não produz
transformações dos parâmetros com os quais orientamos nossas ações na
interpretação do mundo.
A inserção das mídias no currículo escolar, considerando-se a sua
complexidade na mediação entre o micro (currículo escolar) e o macro
(currículo educacional) é de grande importância a fim de se construir uma
cidadania ambiental planetária. Apresenta-se, assim, o papel fundamental do
educador e do gestor ambientalista contribuindo para a sustentabilidade da
população.
2.1 Mídias na Educação Ambiental
Com o significativo avanço tecnológico, a sociedade contemporânea
vem ampliando os seus saberes científicos nas diversas dimensões do
desenvolvimento. A escola não poderia permanecer à margem desse processo
de produção de conhecimentos, evidência encontrada, por exemplo, nos PCN
do Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série, ligado às Ciências Naturais (vol.4),
indicando que
as questões éticas, valores e atitudes compreendidas nessas
relações são aspectos fundamentais a investigar nos temas que se
desenvolvem em sala de aula. A origem e o destino social dos
recursos tecnológicos, as conseqüências para a saúde pessoal e
ambiental e as vantagens sociais de emprego de determinadas
tecnologias são exemplos a serem investigadas. (MEC/ SEF,1970, p.
55).
Nesse ponto, os PCN (1998, p. 391) trazem a constatação e análise
do impacto dos meios de comunicação. A pesquisa desenvolvida, nesse
campo, encontra a afirmação de que os meios de comunicação
[...] cumprem, assim, um papel importante na progressiva
homogeneização de comportamentos em torno de determinados
modelos e padrões dominantes. Porém são também fundamentais
para o reconhecimento da diversidade existente e das novas
possibilidades de atuação. Por vezes dificultando o exercício da
crítica, os meios de comunicação têm importante papel na ação
cidadã, como um meio eficaz para o controle da execução de
políticas públicas, para a veiculação de reivindicações e publicidade
de ações coletivas e de movimentos sociais. (PCN:1998,391)
É na proposta do ensino de Ciências Naturais que os PCN do
Ensino Fundamental (1997, p. 40). fazem referência às ações interdisciplinares
para trabalhar a capacidade do aluno nessa fase, sugerindo como objetivo
geral, “compreender a tecnologia como meio para suprir necessidades
humanas, distinguindo usos corretos e necessários daqueles prejudiciais ao
equilíbrio da natureza e do homem.”
A tecnologia, seja ela nova ou há muito entre nós, quando utilizada
adequadamente, possibilita aos alunos e professores uma reconstrução e uma
releitura da escola. Daí, não se admitir mais a exclusão da mídia,
principalmente a televisão e o rádio, no ambiente da escola, porque nos
ambientes domésticos, de lazer e de trabalho, mesmo em municípios mais
distantes, o rádio e a televisão marcam a presença.
A Sociedade da Informação que é composta pelos cidadãos que
mantêm o domínio das TIC é a mesma sociedade de consumo, globalizada que
reconhece a importância do professor, mas lança um grande desafio através da
exigência de mudanças no paradigma pedagógico. Essas mudanças referemse à interação das tecnologias na sala de aula, práxis que requer novas
competências para o educador desenvolver as ações pedagógicas com
qualidade.
O uso da mídia em sala de aula, com o seu poder de interação,
comunicação, não se situa especificamente, nas tecnologias, mas também nas
nossas mentes, na visão de mundo, nas transformações do sujeito ativo. Situase também na ação do educador que com sua função crítica, mediadora, vai
canalizar os conhecimentos, as novas descobertas, através da utilização
significativa das novas tecnologias, mídia em sala de aula.
Em Ciências Naturais, a abordagem das tecnologias nos diferentes
meios de comunicação existentes- por exemplo jornais, rádio,
televisão - permite comparar suas semelhanças e diferenças.
Existem diferenças quanto ao tipo de veículo utilizado, tecnologia,
custo alcance do usuário, programação. Os diversos meios de
comunicação dirigem suas programações e atingem públicos muito
diversos: identificamos jornais dirigidos para públicos bem
específicos, canais de televisão direcionados, por exemplo, para
público mais jovem, estações de rádio só musicais ou informativas
etc. Alguns atingem mais o meio urbano, outras atingem o meio rural,
alguns se dirigem especificamente para setores da população,
diferenciados segundo poder aquisitivo, escolaridade, tipo de
trabalho. (PCN,1988,p. 391)
Os educadores devem se permitir aprender com o conjunto de
experiências, de tradições e de intenções que os alunos trazem para a escola,
para a sala de aula. Ao incorporar a necessidade da mudança, a formação no
domínio das tecnologias deve estar subentendida no currículo, bem como na
formação continuada e permanente de professores e gestores. Segundo
Mercado (2004, p. 65),
a simples presença de tecnologias na escola não é por si só, garantia
de maior qualidade na educação, pois a aparente modernidade pode
mascarar um ensino baseado na recepção e na memorização de
informações. A incorporação desses recursos tem de estar
diretamente associada aos objetivos didáticos que se pretendem
alcançar em um projeto de trabalho.
A repercussão metodológica e o domínio do conhecimento na
utilização da mídia na educação não é a simples diferença entre a informação e
o saber. É um espaço-tempo planejado com calma no aprender a pensar
construído nas relações de uma integração curricular dos recursos tecnológicos
gerando uma pedagogia diferenciada. É decidir romper barreiras e ir de
encontro ao novo, sem medo, aberto às mudanças e aos desafios, reduzindo
as distâncias entre alunos e professores, desenvolvendo um currículo
universal, plural.
Desenvolver ações pedagógicas tendo como ferramentas de apoio
livros, tanto quanto filmes, vídeo, computador, programa de rádio ou televisão,
pode contribuir para um processo educativo ou deseducativo. São os
procedimentos didáticos explorados com objetivos e conteúdos analisados de
acordo
com
os
questionamentos,
valores
sociais
reconstruindo
em
e/ou
vigência
construindo
que
respondem
saberes
para
aos
um
embasamento critico e uma postura ética de cidadania.
Consequentemente, todos esses instrumentos pedagógicos são
veículos que podem ser utilizados no ensino e uns não são necessariamente
melhores do que os outros. O que apresenta significado é a política cultural e a
ação docente, a análise e as relações do real com o cotidiano, os valores
sócioambientais construídos,
trabalhados adequadamente
ao
nível
do
desenvolvimento cognitivo da criança ou do adolescente, o aluno em potencial.
O currículo, a política, a cultura e o poder enquanto projeto educativo
e didático contêm três ideias chaves: significação, processos e dinâmicas que
estão canalizadas nos ‘’ PCN ‘‘ como referências que são para o Ensino
Fundamental e Médio de todo o país. Não ditam normas ou regras às escolas e
aos professores, mas têm como objetivo proporcionar o direito a crianças e
jovens de usufruir do conjunto de conhecimentos necessários para o exercício
da cidadania.
Segundo Macedo (2005), há necessidade de pensar o currículo
como arena de produção cultural para além das distinções entre produção e
implementação entre formal e vivido, isto é, currículo em ação, implícito na
cultura escolar e explícito na cultura da escola.
Os novos saberes dinamizados e proporcionados pela tecnologia
educativa incorporada no currículo formal e desenvolvidos como instrumento
pedagógico no currículo em ação são de importância significativa para o
exercício consciente da cidadania na formação dos educadores para uma
utilização com produtividade junto aos atores e na conscientização dos
sujeitos, principalmente na Educação Ambiental.
A
escola
contemporânea
com
sua
política
organizada
implementando na ação pedagógica os conhecimentos científico-tecnológicos
no seu espaço–tempo necessita de reorganização do seu processo de
aprendizagem dos conhecimentos das ciências, com possibilidade de
contemplar a curiosidade, as novas descobertas.
O prazer da descoberta do aprendiz em minúsculas redes de ensinar
e aprender institucionalizadas, com significados diversos, aprendidos e
ensinados,
nos
currículos
encarnados
em
seus
praticantes,
quando
internalizados nas práticas pedagógicas e sociais dos sujeitos, proporciona
melhoria na qualidade de vida, ampliando a visão de mundo e de novos
saberes.
Na prática pedagógica de professores e gestores, as capacidades
articuladas ao trabalho com a mídia, com seu poder de sedução, a qualidade
das relações, a importância da compreensão das imagens e sons na
acessibilidade do seu dispositivo pedagógico privilegiado, é objeto de estudos
para uma educação na atualidade.
A compreensão do papel da imagem e do som; as relações
complexas entre artefatos culturais, as tecnologias de uso e as relações com
os praticantes no cotidiano é uma reflexão importante para ser discutida e
trabalhada pelos educadores em prol da melhoria da qualidade do ensino.
Nessa sociedade, assim contextualizada, necessitamos de uma
educação continuada para que os educadores tenham segurança e práxis
social
adequada
às
transformações
que
demandam
uma
cidadania
ambientalmente sustentável.
Segundo Macedo (2005), à medida que a vida cotidiana se torna
mais racionalizada e abarrotada com imagens de ganância e individualismo
para proveito próprio, o discurso deve ser substituído pela linguagem da
tecnocultura. Neste sentido, como a escola de Ensino Fundamental vem
desenvolvendo, em sala de aula, ações com o rádio e a televisão? Qual a sua
intencionalidade?
Prado (2000) enfatiza a pessoa planetária, a cidadania ambiental
exigindo cada vez mais, do ser humano, a visão do todo. Refletida na
mediação pedagógica, a importância da Educação Ambiental, sob a influência
da globalização, da vida planetária deve formar novas idéias e valores no
nosso cotidiano. As imposições do mundo atual vão no caminho da abertura da
escola à mídia, na direção de um diálogo e na superação dos estereótipos que
ainda cercam essa relação.
Essa compreensão, neste trabalho, busca a articulação entre duas
questões que a atualidade revela como de importância fundamental: o
tratamento da crise ambiental cuja escala ameaça a vida no planeta Terra e o
avanço da ciência e da técnica, por suas contribuições ao desenvolvimento
socioambiental e à produção do conhecimento. São questões constituintes do
foco da pesquisa desenvolvida em escolas públicas de Maceió.
2.2 O Rádio e a Televisão na Escola
Os meios de comunicação – o rádio e a televisão – têm papel
fundamental na sociedade contemporânea, com o seu potencial educativo
incessante de mensagens e valores no processo de mudanças sociais. São
recursos tecnológicos de grande utilidade para os educadores neste novo
milênio, contribuindo para fomentar a formação de educadores ambientais
críticos e conscientes de seu papel social transformador.
O rádio sempre teve importância na vida do cidadão comum. Sua
história resultou da contribuição coletiva10, por isso não pode ser atribuída a
uma única pessoa. Ilustra essa história, a figura de Hertz que maravilhou o
mundo científico com uma série de experiências sobre a teoria eletromagnética
do escocês James Maxwell. Esse estudo demonstra a ação eletromagnética no
percurso pelo espaço em ondas transversais semelhantes às da luz e com a
mesma velocidade.
10
Heinrich Rudolf Hertz nasceu na Alemanha, aos 22 de fevereiro de 1857 e faleceu em Bonn em 1º de
janeiro de 1894. Em1887.Guglielmo Marconi (1874-1937) nasceu em Pontecchio, próximo a Bolonha, na
Itália. Na juventude, teve acesso às descobertas do físico Hertz. Em setembro de 1895, Marconi fez as
primeiras experiências de telegrafia sem fio, por um processo de emissão e recepção de ondas
eletromagnéticas. Na virada do século, os países foram sendo ligados pela telegrafia sem fio de Marconi:
França e Inglaterra (1899), Itália (1900), Canadá (1901), Argentina (1910), Brasil (1919), Austrália (1924).
http://www.redeambiental.org.br/historia_do_radio.htm
Hertz provou que existe uma estreita analogia entre as ondas
eletromagnéticas e as luminosas. Ambas se propagam à velocidade de 300 mil
quilômetros por segundo. Além disso, se refletem se refratam e sofrem os
mesmos fenômenos de interferência e de difração, podendo ainda ser
polarizadas. Estas observações foram fundamentais para o desenvolvimento
do telégrafo e, mais tarde, do rádio e da televisão.
No Brasil cresciam também as pesquisas e, em 1890, um padre
cientista gaúcho, Roberto Landell de Moura11, aprofundou os estudos
constituindo-se precursor nas transmissões de vozes e ruído, registrando, no
ano de 1900, a patente n.º 3.279 sobre seu aparelho apropriado à transmissão
da palavra à distância, com ou sem fios, através do espaço, da terra e da água.
Resultam dos escritos teóricos e das
experiências concretas de
Padre Landell, a criação, em Porto Alegre, 1967, da Fundação Padre Landell
de Moura, com o objetivo de promover a educação por meio do som e da
imagem.
A evolução do rádio, a radiodifusão – aproveitamento das ondas
para irradiação de programas à massa – somente eclodiu a partir dos anos
vinte, quando o rádio já tinha condições de transmitir boletins informativos
sonoros, óperas e cantigas de natal. Sobreveio a I Guerra Mundial e as forças
armadas dos países em guerra se apoderaram imediatamente de todos os
aparelhos do rádio nascente para usá-los com fins militares.
Na Europa, o rádio ficou em poder do estado, isto é, o governo de
cada país assumiu o controle das estações, destacando-se; a partir de 1926, a
"British Broadcasting Corporation", a BBC. Em 1933, Hitler aproveitou-se do
novo meio de comunicação para alastrar o racismo no país, obrigando a
esposa de Hertz e as duas filhas dele a deixarem a Alemanha.
11
Roberto Landell de Moura, nascido aos 21 de janeiro de 1861, em Porto Alegre-RS, que estudou com
os Jesuítas de São Leopoldo-RS a partir de 1879. Indo a Roma, estudou Teologia, Física e Química e se
tornou sacerdote católico em 1886. De volta ao Brasil, exerceu o ministério sacerdotal em Porto AlegreRS (1887), Uruguaiana-RS (1891), São Paulo-SP (1892), Campinas-SP (1893); em Campinas, ele teve o
equipamento destruído, acusado de bruxo.
No Brasil12 começaram a surgir os 'clubes' de radioamadores, isto é,
quem possuía um gramofone cedia o aparelho para que várias pessoas
pudessem ouvir uma mesma gravação em locais diferentes.
Assim, o rádio tem sua história no seio da sociedade brasileira em
1919 na “Era do rádio” por ser o meio de comunicação, lazer e educação de
massa mais popular da época. Em 1922, no dia 7 de setembro aconteceu a
primeira transmissão radiofônica oficial no Brasil com o discurso do Presidente
Epitácio Pessoa, na comemoração do centenário da independência do Brasil
no Rio de Janeiro.
No momento atual, de grande desenvolvimento tecnológico, com o
aperfeiçoamento e as novas descobertas científicas das TIC, aparecem com
grande importância as relações entre a comunicação e a educação que
continuam a estimular crianças, adolescentes e educadores a utilizarem
instrumentos de mobilização e crítica social.
Todavia, o seu aproveitamento como um instrumento de apoio à
educação sistemática é algo incipiente e de socialização insuficiente na nossa
sociedade.
O uso do rádio e da televisão vem surgindo como elemento
participativo da formação das crianças, jovens e adultos, como ferramenta de
apoio ao processo de ensino-aprendizagem.
Com esse desenvolvimento, surgiu a educomunicação que é a interrelação entre comunicação e educação. No processo educativo, os educandos
experimentam e participam ativamente na produção em comunicação, no
diálogo para negociar e encontrar caminhos que viabilizem a construção
coletiva, a reflexão e a percepção de intervirem positivamente na realidade.
Nos últimos anos, vem se ampliando a utilização da educomunicação
como fator relevante no desenvolvimento sociocultural dos alunos no
12
Um primeiro experimento do rádio no Brasil data de 6 de abril de 1919, em Recife (PE), com Oscar
Moreira Pinto, com a Rádio Clube de Pernambuco.. Em 1923, Roquete Pinto criou a Rádio Sociedade do
Rio de Janeiro. Nessa década, os radioreceptores eram importados e custavam caro; a programação era
destinada à elite cultural. Aos poucos, nas cidades onde já havia radiotransmissores, formavam-se os
"clubes" ou "sociedades" dos possuidores de gramofone que emprestavam seu aparelho e seus discos de
óperas para serem utilizados pelas radioemissoras; os radiouvintes pagavam uma mensalidade.
Ensino Fundamental. “O objetivo principal dessas atividades é
contribuir significativamente no processo de construção do exercício
de direitos e deveres e de uma sociedade mais justa – a partir do
exercício do direito da comunicação”. (FÓRUM DE DISCUSSÃO
EDUCOMUNICAÇÃO, 02-12-08.)
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 220, preconiza que a
manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob
qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição
observado o disposto nesta Constituição.
Os processos de educomunicação estão sendo difundidos no país
por instituições de ensino e pesquisa pela sociedade civil e governamental e
empresas de área de comunicação implementando a utilização do rádio como
um instrumento pedagógico crítico dessas práticas.
Com a inauguração da televisão, aos 19 de setembro 1950, quando
Assis Chateaubriand inaugurou a TV TUPI, em São Paulo-SP, o rádio passou
por uma crise financeira. Os profissionais do rádio foram migrando para a
televisão e levando consigo os reclames publicitários. Por outro lado, desde
que, aos 23 de dezembro de 1947, nos Estados Unidos, John Bardeen
apresentara ao mundo o transistor, o invento passou a dar um grande impulso
ao rádio, pois concedia ao radioreceptor a característica da portabilidade. O
rádio foi se tornando ágil e barato, por isso cada vez mais acessível à
população. O rádio passou a veicular notícias, meteorologia, ofertas de
emprego, ou, simplesmente música.
Alves, Filé e Vargas (2007) questionam em pesquisas realizadas
para compreender os cotidianos, as relações entre os artefatos culturais, as
tecnologias de uso e os praticantes dos cotidianos. Os autores analisam em
três etapas, programas de televisão ditos educativos, currículo e mídia e fazem
uma relação com as críticas dos intelectuais sobre a mídia, principalmente a
televisão
Esses estudos repassam a idéia de público passivo, só faz receber
as informações. Em segunda instância, reflete a interação entre a cultura da
oferta e o expectador a partir de suas redes de subjetividade de conhecimentos
significativos. Na terceira instância, a importância da formação do professor,
isto é, de todos os educadores se envolverem nas discussões e que no
currículo seja incorporado o uso da mídia e a compreensão do papel da
imagem e efeitos pelos praticantes seja bandeira de todos. (MACHADO, 2003).
O professor Carlos Vogt, a professora Ivete Cardoso, da UNICAMP
e outros, na Conferência Jornalismo Científico e Magistério (2006), apresentam
o panorama atual do jornalismo científico no Brasil e debatem a importância
das TIC no processo de educação, destacando novos instrumentos eletrônicos,
a exemplo da revista eletrônica ComCiência, a revista Ciência e Cultura, o
programa televisivo Ponto de Ebulição e a Rádio Educativa com capacidade de
enriquecer e facilitar a divulgação do conhecimento científico entre alunos e
educadores.
Nessa direção, os educadores, ao proporcionarem um ambiente
agradável na escola, em sala de aula, estimulam a criatividade e o
desenvolvimento cognitivo dos alunos, ressaltando que o emprego das mídias,
especificamente o rádio e a televisão, como recursos pedagógicos não isenta a
escola de seu papel primordial de educar, ou seja, não se busca, com o uso
desses meios, anular a função dos professores, dos livros didáticos e da
própria instituição escolar.
Assumpção (1999) relata experiências com rádio nas instituições
educacionais do Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, mostrando como as
escolas podem utilizar o rádio na sua prática pedagógica.
Para ela, um
desafio da escola é procurar maneiras mais criativas de interação com as
linguagens das mídias no contexto escolar, integrando a cultura tecnológica no
espaço educativo, desenvolvendo nos alunos habilidades para utilizar os
instrumentos dessa cultura, trabalhando outras linguagens.
A questão vai ganhando força ao ponto de se observar que “nos dias
de hoje já não se pode continuar pensando em uma escola encerrada entre
quatro paredes e completamente desvinculada do processo de comunicação”
(GUTIERREZ, 1978, p. 33).
Os personagens que se apresentam nos filmes e nos programas de
televisão se tornam pontos de referência comuns para milhões de indivíduos
que podem nunca interagir um com o outro, mas que compartilham, em virtude
de sua participação numa cultura mediadora, de uma experiência comum e de
uma memória coletiva.
A internacionalização das mídias nos torna “cidadãos do mundo”.
Trocamos saberes e informações, imagens, distração, idéias sem limites de
tempo e lugar no planeta Terra através da mídia – o rádio, a televisão, a
internet.
A importância do uso de mídias na escola principalmente quando as
demandas socioambientais estão a depender do papel político educativo da
instituição escolar significam, segundo Alexandra Peixoto, coordenadora do
projeto de Rede Marinha Costeira e Hídrica do estado da Bahia (2008), que o
desenvolvimento
sustentável
faz
parte
das
práticas
de
ações
de
responsabilidade socioambiental que já são desenvolvidas nas instituições
ambientais e, nas próprias empresas, questão de extrema importância. Além
disso, atualmente, há necessidade de se incorporar a responsabilidade
ambiental ao exercício do desenvolvimento sustentável que tem como princípio
explorar os recursos naturais de maneira a suprir as necessidades da
população atual do planeta garantindo recursos para as gerações futuras. A
escola, como instituição pública ou privada que fomenta os conhecimentos,
saberes e os valores têm, portanto, o papel de, através da mídia, analisar,
descobrir, construir, difundir valores e conhecimentos capazes de trabalhar o
perfil de cidadão e cidadã conscientes do seu papel social no planeta.
A televisão, segundo Diaz (2002. p144) no caso de programas
educativos dirigidos à escola, deveria utilizar linguagens didática, para facilitar
o trabalho dos docentes, pois, pode ter um componente informativo amplo, com
uma linguagem descritiva, na qual o importante é transmitir a mensagem de
uma forma que favoreça o trabalho formativo sobre ele. Também é importante
incentivar a participação dos alunos, colocando indagações e abrindo
possibilidades de participação mais ou menos direta conforme o tema tratado.
No âmbito das atitudes e valores, é importante fomentar a autonomia moral e
afetiva, o pensamento crítico, o reconhecimento e respeito à diversidade
cultural e a aceitação da negociação democrática como o melhor tratamento da
assimetria das relações sociais.
O autor descreve critérios para a escolha de temas de educação
ambiental na televisão:
Sua potencialidade de desenvolver as finalidades da
educação ambiental: sensibilização afetiva e cognoscitiva em
relação ao meio ambiente, sua problemática específica e
participação responsável dos cidadãos em sua defesa e
melhoria.
Sua capacidade para estabelecer relações entre o meio
natural e o sociocultural.
Sua capacidade de conectar, de forma fácil, com os
setores sociais aos quais são dirigidos os programas: com
seus conhecimentos, expectativas, problemáticas,contextos
etc.
Suas possibilidades para oferecer modelos alternativos
de comportamento e atuação no meio.
A dimensão social dos aspectos ambientais e, portanto,
da educação ambiental, juntamente com seu caráter
complexo, inter-relacional e interdependente.
A conveniência de fomentar enfoques positivos nos
tratamentos dos problemas e da informação, fugindo do todo
catastrofismo culpabilizante ou estéril.
A possível unidade de programas não estritamente
ambientais, mas que fomentem o desenvolvimento de valores
e atitudes relacionados com a educação ambiental.
A presença de aspectos do meio ambiente relacionados
com a distribuição social dos recursos.
Sua percepção para melhorar a percepção de
globalidade.
A consideração do meio ambiente como um meio
comum. (Diaz (2002. p.144)
Assim, a partir dos novos paradigmas para o pensar e o agir na
sociedade e na educação, fazer educação, no século XXI impõe o uso da mídia
na escola e, de acordo com o contexto sociocultural em que se encontra a
escola, pode variar a diversidade dos meios tecnológicos. O que não dá mais
para admitir é a exclusão das tecnologias na ação institucional das escolas
desde a Educação Infantil à Educação Superior.
CAPÍTULO III
A RELAÇÃO MEIO AMBIENTE E EDUCAÇÃO NA ESCOLA:
relacionando teoria e prática
A vivência da relação entre política educacional e meio ambiente e
entre educação e tecnologia reflete a pesquisa desenvolvida junto às escolas
da Educação Básica e sua estruturação apresenta a caracterização do
ambiente de pesquisa e do ambiente escolar, apreendendo a percepção e
expressão de professores e alunos sobre sua escola.
O universo do estudo atende a critérios definidos sobre escolas
situadas em uma região ecológicoambiental que estejam desenvolvendo
experiências de educação ambiental. Por esses critérios, a pesquisa reúne: 1)
três escolas do CELMM – Escola Municipal de Ensino Fundamental Silvestre
Péricles e Escola Estadual de Ensino Fundamental Maria Rita Lyra de Almeida
localizadas no bairro do Pontal da Barra e Escola Almeida Leite localizada nas
proximidades do Complexo Industrial do Salgema (atual TRIKEM); 2) Escola
Estadual de Educação Básica Maria Margarez dos Santos Lacet situada no
entorno da APA do Catolé.
3.1 Caracterizando o ambiente de pesquisa
O contexto ambiental da pesquisa, desde 2003, está ligado a
escolas situadas no Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba que
abrange os municípios de Maceió, Coqueiro Seco, Santa Luzia do Norte, Pilar
e Marechal Deodoro, ressaltando o foco da pesquisa em escolas do Município
de Maceió, no bairro do Pontal da Barra, tendo sido ampliado o foco da
pesquisa para o estudo do uso das mídias na Educação Ambiental.
3.1.1 O ambiente da Lagoa Mundaú no CELMM
Figura 1 - Lagoa Mundaú
Fonte: http://images.google.com.br/images, 2009
Nesse complexo estuarino, a Lagoa Mundaú fica ao sul de Maceió,
margeando ainda os municípios de Santa Luzia do Norte e Coqueiro Seco.
Tem área de 23 km² e interliga-se com o mar através de uma extensa rede de
canais que cortam a planície formando dezenas de pequenas ilhas. O vasto
manguezal e a grande variedade de peixes, crustáceos e moluscos constituem
características marcantes desse ambiente de rara beleza.
Figura 2: Vista do Bairro do Pontal a partir da Lagoa Mundaú
Fonte: Dados da pesquisa, 2003
O bairro do Pontal da Barra, situado entre dois ecossistemas – o
lagunar e o marítimo – apresenta uma comunidade organizada em torno de seu
potencial econômico-produtivo e turístico.
Esse bairro localiza-se no litoral sul de Maceió, à margem da Lagoa
Mundaú, tendo como principal fonte de renda a pesca do sururu e o comércio
de rendas e artesanato, além de um número significativo de restaurantes
típicos da região. Seu potencial turístico abrange um ambiente privilegiado de
beleza natural possibilitando a ação turística com passeios de barco Catamarã,
pela águas da lagoa nas nove ilhas locais: a do Almirante, Borá Borá, das
Cabras, do Coqueiro Só, das Andorinhas, de Santa Rita, de Santa Marta, do
Pescador e a mais recente a ilha da Jibóia.
As atividades pesqueiras nas Lagoas Mundaú e Manguaba passam
por uma situação de degradação ambiental com a poluição decorrente de
fatores como o lixo despejado nas lagoas, a pesca predatória, o assoreamento
e o estreitamento da boca da barra, Esses são fatores que têm como
consequência mais imediata a diminuição de peixes, crustáceos, mariscos e
moluscos nas lagoas.
A Federação dos Pescadores de Alagoas representa as colônias de
pescadores criadas no início do século, por iniciativa da Marinha brasileira. Na
Lagoa Manguaba existem as colônias de Pilar e Marechal Deodoro e, na Lagoa
Mundaú existem as colônias de Pontal da Barra, Trapiche da Barra, Vergel do
Lago, Bebedouro, Santa Luzia do Norte e Coqueiro Seco.
As delimitações das colônias foram determinadas pela Marinha
brasileira, mas, ao longo dos anos, os pescadores formaram vários pontos de
pescas que representam bem mais a presença da categoria nas lagoas.
Na pescaria, é relevante a participação de mulheres e crianças A
maior parte das pescarias são realizadas por pessoas adultas. No entanto,
pode-se observar que vários garotos e garotas, na sua maioria de 11 ou 12
anos de idade, já assumem essa atividade, principalmente a pesca de
mariscos, e auxiliam as mulheres da família no tratamento do pescado. Existem
muitas mulheres dedicadas à pesca de mariscos e tratamento dos pescados.
“Tem muita mulher criando os filhos, dos mariscos que pegam, segundo a
Colônia de Pescadores de Pontal da Barra” (Moradora do Bairro do Pontal da
Barra).
A pesca de camarão, siri, caranguejo e principalmente o sururu, que
também é o prato típico da culinária das Alagoas, garante a sobrevivência de
muitas famílias que residem no entorno do Complexo Estuarino Lagunar
Mundaú-Manguaba. De tempos em tempos, a produção cai ou mesmo
desaparece, principalmente em períodos de muitas chuvas, quando o aumento
do
volume
de
água
doce
diminui a salinidade necessária
para o
desenvolvimento do sururu.
A região também é o berço do turismo alagoano, uma atividade
crescente em todo o mundo e, especialmente nos últimos anos, contribui para
melhorar os aportes financeiros e pode, quando planejado adequadamente,
proteger espaços naturais importantes. Porém, se realizado de maneira
desordenada, com o uso inadequado dos recursos naturais, as atividades
turísticas podem provocar grandes desequilíbrios ambientais.
Nesse contexto, compreende-se a importância da redução dos
impactos ambientais negativos dos projetos turísticos, devendo-se buscar na
atividade de turismo um aliado à proteção ao meio ambiente.
No bairro do Pontal da Barra em Maceió, entre os artesanatos, o
labirinto e o filé são os tipos mais comuns de renda. O filé é tecido sobre uma
rede de pesca e o labirinto é feito desfiando antes o tecido. Esta técnica é
artesanal e passa de geração para geração, entre homens e mulheres.
Segundo informações da senhora Dilma Vieira Viana, membro da Associação
das Rendeiras do Pontal, “a confecção de rendas pelos moradores originou-se
com a chegada dos colonizadores portugueses e holandeses à região”.
O comércio dessas rendas tem ultrapassado fronteiras devido à
organização dos/as produtores/as por vivências de associativismo apoiando o
comércio de sua produção no Brasil e no exterior, observando-se, na variedade
da produção, uma evolução considerável do ponto de vista artístico e
garantindo a qualificação do trabalho (Figura 3).
Figura 3: As atividades econômico-produtivas do Bairro do Pontal da Barra
Fonte: Dados da pesquisa, 2003.
Registra-se, também, na principal ocupação do bairro, a pesca e o
artesanato cuja a produção envolve a maioria da população, revelando
aspectos da produção masculina e da produção feminina e das diversas faixas
etárias. Observando-se a prática do trabalho infantil, temos:
Figura 4: Os alunos ajudando aos pais no manejo do sururu
Fonte: Dados da pesquisa, 2008.
O Complexo Lagunar Mundaú – Manguaba, um importante celeiro
de proteínas, tem sido alvo dos questionamentos dos ambientalistas,
extrapolando as preocupações das fronteiras nacionais, face à gravidade de
sua degradação. Todavia, nesta região está atuando o Banco Interamericano
de Desenvolvimento – BID, através de projetos conveniados entre a Fundação
Teotônio Vilela, o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas e junto a Colônia de
Pescadores. O projeto IMA-GTZ de cooperação técnica entre o Brasil e a
Alemanha com sua atuação também nessa área, com ações educativas não
formais vem tentando sanar as limitações da ação pública do Estado e do
Município.
Na educação formal, nas escolas dessa região, embora a
quantidade de escolas seja insuficiente para atender aos nativos do bairro, vem
sendo desenvolvido o Projeto “Lagoa Viva” objetivando trabalhar a preservação
do ambiente e produção de rendas. Esse projeto, ligado à Braskem, oferece
formação para os professores, mas, segundo os sujeitos de pesquisa, este
projeto não envolve todos os professores das escolas e os envolvidos, quando
voltam para o seu trabalho educativo, às vezes, não atuam de acordo com as
orientações recebidas.
São diversos os fatores que têm contribuído para a degradação
ambiental dessa área: O processo de urbanização sem planejamento, a falta
de saneamento básico, e o êxodo rural ampliando a proliferação de favelas às
margens da lagoa. Contribuindo também com este quadro vem a poluição
proporcionada pelo despejo de vinhaça, o acúmulo de lixo advindo da limpeza
do pescado do sururu e a falta de educação ambiental da população, em
grande parte, vinda de outras regiões, em constante rotatividade.
Observa-se a melhoria do ambiente no entorno da lagoa.
Atualmente, existe um grupo de moradores, na sua maioria, pescadores, que
fazem a limpeza da lagoa, além do órgão público da prefeitura de Maceió, o
que demonstra a melhoria na higiene do bairro, embora em apenas dois dias
da semana. Assim, mesmo sendo trabalhada a Educação Ambiental nas
escolas e na colônia de pescadores, o lixo depositado na lagoa persiste na sua
margem, principalmente o do pescado.
Nessa área concentra-se a instalação do Pólo Cloroquímico e do
Complexo Industrial Salgema (atual BRASKEM) que, embora com o seu
“cinturão verde”, não neutraliza suficientemente os efeitos da poluição do ar, da
água e do solo, constituindo-se, consequentemente, uma ameaça ao
ecossistema marítimo e lagunar.
Desde a década de 90, decorrente de um processo de capacitação
de técnicos das várias instituições da área ambiental e educacional, procura-se
implementar ações de educação ambiental que vêm sendo desenvolvidas de
forma pontual.
3.1.2 APA do Catolé
A APA do Catolé e de Fernão Velho, é uma importante reserva
ambiental que abrange "[...] partes das terras pertencentes aos municípios de
Maceió, Satuba, Rio Largo, Santa Luzia do Norte e Coqueiro Seco" (ASSIS,
1998, p. 89), confirmada na Lei na 5.347, de 27 de Maio de 1992,
apresentando-se "com a finalidade de preservar as características dos
ambientes naturais e ordenar a ocupação e uso do solo" (AUTO, 1998, p. 56).
A área do riacho do Catolé é uma área de proteção ambiental, que para
os educadores e os ambientalistas conscientes deve ser utilizada como
patrimônio cultural científico da educação, contribuindo com a descoberta de
saberes a serem socializados com a comunidade a fim de que se efetive a real
valorização do nosso planeta e a melhoria da qualidade de vida da população
Figura 5 : APA do Catolé
No Brasil, uma área de proteção
ambiental (APA) é uma área em
geral extensa, com um certo grau de
ocupação humana, dotada de
atributos abióticos, bióticos, estéticos
ou
culturais
especialmente
importantes para a qualidade de vida
e o bem-estar das populações
humanas, e tem como objetivos
básicos proteger a diversidade
biológica13, disciplinar o processo de
ocupação
e
assegurar
a
sustentabilidade do uso dos recursos
naturais.
Fonte: NEA/CEDU/UFAL / 2007
As áreas de proteção ambiental pertencem ao Sistema Nacional de
Unidades de Conservação, regulado pela Lei 9.985 de 18 de julho de 2000.
Criada em 1992, sua extensão abrange 5.415 hectares. Apresenta
vegetação de Mata Atlântica com enclaves de cerrado, apresentando espécies
de flora, como murici, sucupira e visgueiro. Suas nascentes e riachos ajudam a
formar o açude do Catolé - água límpida e potável - que abastece parte da
Capital e de cidades próximas.
De diversas fontes e, a partir de intervenções do NEA/CEDU/UFAL,
informações indicam que a APA do Catolé apresenta-se sob fortes impactos de
natureza diversa, levando a intervenções de instituições ambientais, sendo
criado, em decorrência, o Comitê da APA do Catolé, medidas que se revelam
13
Biodiversidade ou diversidade biológica é a diversidade da natureza viva. Desde 1986, o
termo e conceito têm adquirido largo uso entre biólogos, ambientalistas, líderes políticos e
cidadãos informados no mundo todo. Este uso coincidiu com o aumento da preocupação com a
extinção, observado nas últimas décadas do Século XX. Pode ser definida como a variedade e
a variabilidade existente entre os organismos vivos e as complexidades ecológicas nas quais
elas ocorrem. Ela pode ser entendida como uma associação de vários componentes
hierárquicos: ecossistema, comunidade, espécies, populações e genes em uma área definida.
A biodiversidade varia com as diferentes regiões ecológicas, sendo maior nas regiões tropicais
do que nos climas temperados.
insuficientes, diante da intensificação de ações de degradação ambiental no
interior da APA, inclusive, a partir de atividades produzidas no seu entorno.
A UFAL inicia o desenvolvimento de projetos de extensão no entorno
do seu campus universitário, proposta assumida pelo NEA/CEDU/UFAL, que
passa a desenvolver projetos de extensão e pesquisa em territórios ambientais,
áreas de proteção e regiões hidrográficas por meio de ações integradas com
outras instituições ambientais e educacionais.
Utilizando estratégias de interação comunitária e institucional, o
projeto propõe-se instrumentar professores e alunos da UFAL para desenvolver
processos educativos em face da necessidade de proteção e valorização do
meio ambiente e desenvolver pesquisas na área da relação meio ambiente e
educação, orientando a produção acadêmica na graduação.
As ações de educação ambiental estão crescendo com a
participação das escolas que em pequena escala conseguem envolver
relativamente uma parte de sua comunidade educativa e familiar.
Figura 6: Estudo do Meio na APA do Catolé, por professores das escolas do seu entorno,
2006
Fonte: NEA/CEDU/UFAL, 2006-2008
Figura 7: Estudo do Meio na APA do Catolé, por professores e alunos, 2006
Fonte: NEA/CEDU/UFAL, 2006-2008
Enquanto projeto de intervenção da UFAL junto às escolas do seu
entorno, tem como objetivos:
a) desenvolver processos educativos na escola e na
comunidade, por interações institucionais e comunitárias, com
vistas à formação de cidadãos conscientes da necessidade de
proteção ambiental e promoção da qualidade de vida;
b) contribuir para a inserção da dimensão ambiental da
educação no currículo das escolas do entorno da UFAL;
c) oportunizar aos professores das escolas envolvidas
experiências metodológicas de estudo do meio;
d) potencializar a atuação de Coletivos Jovens de Meio
Ambiente da UFAL – CJ/UFAL, construindo a Agenda 21 nas
escolas;
e) desenvolver pesquisas na área da relação meio ambiente e
educação, orientando a produção acadêmica na graduação;
f) oportunizar às escolas envolvidas visitas ao bosque
Arboretum de Alagoas, nas instalações do Campus
Universitário, articulando os processos educativos às ações de
preservação ambiental;
g) interagir com outros parceiros institucionais e da
comunidade, potencializando ações educativas e de
preservação ambiental. (NEA/UFAL, 2006)14
14
Dados do Projeto Educação Ambiental em escolas da APA do Catolé, 2006.
3.2. Os sujeitos de pesquisa
MO
Os sujeitos de pesquisa são constituídos por um total de 34
professores das escolas pesquisadas, cuja formação apresenta um perfil,
conforme o Gráfico 1 e os 85 alunos, identificados, conforme Gráfico 2.
Gráfico 1: Nível de formação dos professores das escolas pesquisadas, 2008
FORMAÇÃO DOS PROFESSORES
6/
18%
1 / 3%
4/
12%
23 /
67%
Superior Completo
Pós Graduação
Superior Cursando
Nível Médio
Fonte: Dados da pesquisa, 2008/2009
Do universo dos alunos, 75 (88,23 %) integram o Ensino
Fundamental regular dos quais 10 (11,77%) frequentam a Educação de Jovens
e Adultos - EJA. A pesquisa ainda identifica a condição de gênero, verificandose que 43 (50,60%) integram o sexo masculino e 42 (49,40 %), o sexo
feminino. No gráfico 2, observamos a distribuição dos alunos do Ensino
Fundamental, por escola, turno e gênero em 2008, observe:
Gráfico 2 a 6: Distribuição dos alunos do Ensino Fundamental, por escola, turno e gênero, em
2008
Gráfico 2: Turno Diurno
TURNO DIURNO
15
30
Silvestre Péricles
Maria Rita
Almeida leite
15
Margarez Lacet
15
Gráfico 3: Turno Noturno
TURNO NOTURNO
12
10
8
6
4
2
0
Silvestre
Péricles
Maria Rita
Almeida leite
Margarez
Lacet
Gráfico 4: Gênero Masculino
GÊNERO MASCULINO
10/23%
18/42%
8/19%
Silvestre Péricles
Maria Rita
7/16%
Almeida leite
Margarez Lacet
Gráfico 5: Gênero Feminino
GÊNERO FEMININO
12/29%
15/35%
Silvestre Péricles
8/19%
7/17%
Maria Rita
Almeida leite
Margarez Lacet
Gráfico 6: Total de Alunos
TOTAL DE ALUNOS
25/29%
30/35%
15/18%
15/18%
Silvestre Péricles
Maria Rita
Almeida leite
Margarez Lacet
Fonte: Dados da pesquisa, 2008/2009
Das três escolas pesquisadas do entorno da lagoa Mundaú, todas
funcionam nos três turnos. No turno diurno as três escolas Silvestre Péricles,
Maria Rita de Almeida Leite e Professor Almeida Leite, foram objeto de
investigação. No turno noturno com a educação de jovens e adultos apenas a
Escola Silvestre Péricles foi objeto de pesquisa, porque as outras duas escolas
estavam com falta de professores no noturno durante o período da coleta de
dados. A Escola Professora Maria Margarez dos Santos Lacet não funciona no
noturno com EJA e sim com a Educação Básica e o Ensino Médio.
3.3 Os dados da pesquisa: o que dizem os atores/professores e alunos
A
análise
dos
dados
acompanha
as seguintes
categorias:
planejamento da Educação Ambiental na sala de aula e no trabalho da escola,
a educação ambiental e o uso da mídia e vertente metodológica da ação
pedagógica em Educação Ambiental, segundo os questionários para aluno e
professor, aplicados nas escolas campo de investigação envolvendo todas as
turmas selecionadas para a pesquisa. .
O processo de investigação abrange observações e intervenções
desenvolvidas junto às escolas, compreendendo, inclusive, a intervenção da
pesquisadora, em ações interinstitucionais pelo NEA/CEDU/UFAL que integra a
Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental do Estado de Alagoas –
CIEDAM/AL15. Agregam-se à pesquisa, as falas e registros de educadores e
alunos, através de instrumentos como o questionário.
Sobre o planejamento da Educação Ambiental na sala de aula e no
trabalho da escola, encontra-se que 98,83% dos professores planejam a
educação ambiental e apenas 1,17% revelam não planejar suas ações.
Dentre os que planejam, encontram-se as seguintes manifestações:
11,76% planejam periodicamente, ou seja, o planejamento se apresenta de
forma pontual, como evento na agenda ambiental (semana do meio ambiente,
por exemplo) ou quando se apresenta no livro didático, ou ainda quando
divulgado na mídia. 32,35% tem seu planejamento a partir de livros, revistas,
jornais. Os demais 44,13% revelam formas interacionistas de planejamento,
como é observado nas falas dos professores:
Planejo pensando nas principais necessidades dos alunos visando
atitudes que possibilitem a conscientização e mudança
comportamental a curto e longo prazo... Através de exemplos reais,
partindo do local onde a escola está inserida... De um diagnóstico da
realidade, tento trabalhar apresentando cartazes, figuras relacionadas
ao tema, ouço o que dizem, fazem, oriento o que fazer e como fazer
para não poluir o meio ambiente... Minhas aulas são planejadas
fazendo uma interdisciplinaridade com outras áreas como
arte/sucata-ciência e geografia... Procuro integrar os conteúdos à
realidade do aluno... É sempre inserida nos planejamentos... Algumas
ações são realizadas, como passeata envolvendo também outras
escolas, sensibilização a partir da necessidade da escola... Alguns
15
CIEDAM-CIEA/AL: COMPOSIÇÃO: Núcleo de Educação Ambiental da Secretaria de Educação
de Alagoas; Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento e Pesca; Secretaria de Estado da
Saúde – SESAU; Secretaria de Estado de Planejamento – SEPLAN; Companhia de Abastecimento
d’Água e Saneamento do Estado de Alagoas – CASAL; Núcleo de Educação Ambiental do
CEDU/UFAL;Centro Federal de Educação Tecnológica – CEFET; Núcleo de Educação Ambiental do
IBAMA/AL; Fundação Nacional do Índio – FUNAI; Secretaria Municipal de Educação de Maceió SEMED; Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Maceió – SEMMA; Instituto do Meio Ambiente
do Estado de Alagoas – IMA/AL; Associação dos Municípios de Alagoas – AMA; Federação dos
Pescadores do Estado de Alagoas – FEPEAL; Associação do Bairro da Pitanguinha – “Projeto
Pitanguinha Nossa Vida”; Associação Brasileira de Engenharia Sanitária – ABES; Instituto de
Preservação da Mata Atlântica – IPMA; Projeto Calypso Empreendimentos Turísticos e
Educacionais Ltda .
têm maior empenho e produz trabalhos com os alunos... Mesclado
pelas disciplinas que compõem a matriz. Cada um escolhe a
atividade que contemple os conteúdos do momento e a necessidade
de sua turma. Exemplo: O lixo na escola e seu entorno, o que fazer,
quem deve fazer, como fazer? Fica por aí. Nossa lagoa está
morrendo. Como salva-la? O que depende de nós. E só. Não há
continuidade, reflexão, ação, reflexão. É como se não fosse de nossa
conta... Sempre, em nosso planejamento, inserimos educação
ambiental como prioridade. Fizemos uma passeata pela orla junto
com mais 4 escolas com a presença dos meios da comunidade...
Com o corpo pedagógico da escola, na interação com o meio
ambiente, com aulas extra-classe... Com o corpo pedagógico na
interação com o meio ambiente, com aulas extra-classe... Sigo um
planejamento feito em conjunto com os demais professores, variando
de acordo com as necessidades e o despertar de curiosidades e
envolvo o conteúdo... Transversal e interdisiciplinar...dentro da
Disciplina de Português...Ciências... interagindo com outras
disciplinas... formando uma teia de conhecimentos (Professores
entrevistados, 2008).
A pesquisa procura articular duas questões – a educação ambiental
e o uso da mídia – buscando apreender o envolvimento dos professores,
participando ou tomando a iniciativa das ações.
Procurando verificar as iniciativas dos professores, os resultados
revelam 8% sem respostas. O tratamento da educação ambiental vem com
50% dos professores que justificam sua posição conforme registro seguinte:
A partir do momento que nos sensibilizamos para a melhoria do local
onde estamos inseridos, fazemos a nossa parte e com isso, já
modificamos um pouco o nosso planeta... De acordo com a
necessidade dos alunos dentro e fora da sala de aula... Se cada um
faz uma pequena parte, todos juntos estarão realizando boas ações
em prol da educação ambiental... Momentaneamente estou
realizando um trabalho rudimentar, envolvendo apenas as crianças
da sala de aula e indiretamente, suas famílias... Apenas na semana
do meio ambiente, todos os alunos e professores participam,
desenvolvendo trabalhos, dinâmicas, apresentação de peças, etc...
Só dentro da sala de aula, quando falo sobre a aula, as plantas, o
lixo, reciclagem. Dentro da disciplina... Faço formação continuada
pelo projeto de Educação Ambiental... O programa Lagoa Viva
trabalha alguns professores e seus alunos. Trabalhando com
projetos... Um deles foi premiado pelo MEC... Com os alunos, através
de pesquisa, através de murais e resumos... Através de pesquisa e
trabalho. Fazendo uma conscientização sobre limpeza na escola, na
rua e na comunidade. A questão da prevenção dos cuidados. (Fonte:
professores das escolas objeto da pesquisa, 2008.)
42 % dos professores que expressam a relação com a mídia e a
tecnologia, apresentam sua justificativa da seguinte forma:
A escola possui e coloca à disposição dos professores todos os
recursos tecnológicos. Mas infelizmente os mesmos são muito pouco
utilizados... A TV com DVD e micro, falta um maior interesse dos
professores em utilizar esses instrumentos para o enriquecimento de
suas aulas... Mesmo dispondo de recursos, não há esses
procedimentos, talvez por falta de capacitação dos educadores...
Particularmente acho que é por ser mais cômodo para o professor e
por serem os que a maioria dominam o manuseio. Vale salientar que
não há um monitoramento correto por diretores e/ou coordenadores...
A escola até tenta, mostrando que é preciso. Porem são raros os
professores que utilizam esses recursos... Por enquanto, os
incentivos são dados por meio de questionamentos, pesquisas,
orientações para discussão... Só com os alunos. (Conversa
informal)... Os trabalhos e assuntos divulgados em sala de aula,
informamos, espero que eles passem para a família (Fonte:
professores das escolas objeto da pesquisa, 2008.)
Os alunos também opinam sobre o uso das tecnologias na educação
ambiental em suas escolas. Para 83 alunos (97,65%), os professores usam o
quadro de giz e as gravuras que se apresentam como o meio facilitador e de
maior incidência utilizado em sala de aula, também em educação ambiental. Do
universo dos alunos 35,29% (30), apresentaram a televisão e o vídeo como
quase sempre utilizados com filmes relacionados aos conteúdos trabalhados
pelo professor. O rádio nunca é utilizado, segundo a opinião de 88,23% (75
alunos) e 3.53 % (3 alunos) alunos registram que os professores, às vezes
ouvem música para analisar a letra, em trabalhos de Educação Ambiental. A
esta questão, 8,24 % (7 alunos) deixaram de opinar sobre o rádio na escola.
A vertente metodológica da ação pedagógica em Educação
Ambiental é revelada em diversos aspectos: a) através da articulação ou não
de disciplinas; b) com o uso de instrumentos; c) periodicidade/frequência da
educação ambiental na sala de aula.
No primeiro caso – o uso da interdisciplinaridade – indagados sobre
a articulação de saberes, na Educação Ambiental, encontra-se a manifestação
de 28 professores (82,35%) dos quais 12 professores (42,85%) trabalham
Educação Ambiental pela disciplina Ciências; 5 (17,86 %) em Língua
Portuguesa; 4 (14,29%) em ação interdisciplinar, 4 (14,29%) articulam Ciências
e Língua Portuguesa e 3 (10,71%) professores trabalham a Educação
Ambiental em projetos. Para essa questão, 2 professores (5,90%) não
responderam e 4 (11,75%) afirmam que não fazem Educação Ambiental. O uso
da interdisciplinaridade encontra justificativa, segundo os professores,
através
de
textos
informativos
interdisciplinares...
A
interdisciplinaridade é a forma de se trabalhar a educação ambiental.
Exemplo: quando apresento uma paisagem, estou trabalhando
Português, Ciências, Artes, Matemática, Geografia... De acordo com
todas as disciplinas com predominância da Língua Portuguesa,
Ciências e Arte, fazendo produção de textos, montagem de painéis e
debates, de acordo com a realidade. Mas ainda é feito muito pouco
neste sentido ... Apenas na Semana do Meio Ambiente, todos os
alunos e professores participam, desenvolvendo trabalhos,
dinâmicas, apresentação de peças, etc.. Contextualizando os
conteúdos na maior parte do tempo. No projeto da semana
interdisciplinar... tentando conciliar com outras áreas como Ciências e
Geografia.... Com interdisciplinariedade. Saneamento básico com
aula expositiva, semanal, com texto, vídeo, livro didático. Ensino
Ciência, o tempo é muito curto e prefiro ciências isoladas.
(Professores das Escolas pesquisadas (2003 e 2008).
Em
relação
ao
segundo
caso,
quando
indagados,
mais
precisamente, sobre o uso dos instrumentos – o rádio e a TV – dos 34
professores, 18 (53,00%) afirmam fazer uso da TV e DVD para exploração de
documentários e filmes educativos, com as seguintes considerações:
É preciso, primeiramente a capacitação para os professores
aprenderem a utilizar a mídia de maneira produtiva. Talvez a partir
daí, houvesse iniciativa por parte deles... Há carência de
sensibilização do professor que tem os instrumentos e não os utiliza...
Limitação do conhecimento para tal utilização... Pouca disponibilidade
de tempo pelo professor, para se aperfeiçoar e não sabe que precisa
e a escola não cobra... Caso a Universidade tenha algum projeto para
desenvolver que contemple a formação continuada na escola, nos
procurem que há interesse em participar. A escola está à
disposição... O rádio ainda não utilizamos, mas como a escola irá
dispor deste recurso... Estamos implantando uma rádio escola. É
preciso o professor se dispor em querer modificar suas aulas. Há uma
necessidade urgente de organizar o tempo para melhor organizar o
planejamento, inserindo ações que realmente possam ser realizadas.
(Professores, 2008)
Sobre os instrumentos de apoio utilizados, 32 (94%) professores se
manifestam afirmando utilizar vídeo, revistas, livros e gravuras (18,75%);
quadro de giz, cartazes, livros (46,87%) usam a TV (25%), o livro didático,
cartazes e fantoches (9,40%). Observando-se o uso do livro com mais
freqüência, destaca-se o registro de que “falta força de vontade, compromisso
de nossos governantes e da sociedade em geral para ajudar o aluno a
respeitar o meio ambiente, a cuidar melhor do planeta.
No terceiro caso – a periodicidade/freqüência da Educação
Ambiental – dos 34 professores, 30 (82,23 %) responderam a essa questão
justificando da seguinte maneira:
Duas vezes por semana, utilizando livro de histórias e
acontecimentos atuais, como aquecimento global e a situação da
nossa lagoa. De maneira que leve o aluno a refletir, a respeitar e a
criar amor pela natureza. Percebendo que se hoje não cuidamos por
amor, amanhã teremos que fazer pela dor. Diariamente
acompanhando os avanços, trabalhos em grupos, painéis. De forma
continuada através de trabalhos em grupo e debates. E
periodicamente se faz uma reflexão. ... Em datas festivas: Dia da
Árvore, Dia do Meio Ambiente... Em sala de aula, durante o ano
inteiro. No cotidiano, a partir das ações contidas no conteúdo em 1ou
2 meses... Nas comemorações do ano letivo da escola ...Semanal, as
vezes quinzenal depende do tempo e dos conteúdos trabalhados ...
Desenvolvo em sala de aula, com os alunos e acontece sempre que
julgo necessário, respeitando os interesses dos alunos ... Durante
todo o ano letivo, na própria sala de aula, com participação da
turma... Diariamente, procurando melhorar nossa pratica... Em aulas
semanais expositivas, explorando o ambiente em que vivem
A pesquisa busca os conteúdos ou a temática desenvolvida na sala
de aula. Dos 34 professores entrevistados, 2 (6%) deixaram de responder. Dos
32 que responderam à questão, 10 (30%) respondem não, sem qualquer
justificativa e 22 (64%) afirmam trabalhar a relação, argumentando:
porque trabalho valores, nomes dos seres humanos, ética,
solidariedade, justiça que, consequentemente, irão contribuir na vida
profissional dos alunos... A população lagunar alimenta-se dos peixes
da lagoa. Eles mudaram seu estilo de vida e nos ajudaram a
conscientizar a população da área a não poluir o local onde vivem e
sobrevivem... Em parte, mas sempre o conteúdo se encaixa na vida
cotidiana do aluno... Não só na vida profissional, mas na vida como
ser humano porque os conhecimentos adquiridos são carregados
para sempre...
Acredito, pois os alunos vão adquirindo
conhecimento, praticando-os... Porque está tudo relacionado com a
vivência deles, eles se encantam por eu saber sobre o trabalho deles
na lagoa e em alguns casos, eles me ensinam. Tento relacionar a
ciência com o dia a dia dos alunos... Pois procuro transmitir os
conteúdos, fazendo uma interação com a vida... Porque uma sala de
Ensino Fundamental como a minha, o objetivo é preparar o aluno
para que ele preserve o ambiente em que vive. Participam a
coordenação e os alunos... A partir do momento que nos
sensibilizamos para a melhoria do local onde estamos inseridos
fazemos a nossa parte. Com isso já modificamos um pouco o nosso
planeta... No cotidiano. De acordo com todas as disciplinas com
predominância com a sociedade, a cultura, a língua portuguesa,
ciências e arte, produção de textos, montagem de painéis e debates...
De acordo com a realidade, mas ainda é feito muito pouco neste
sentido... De acordo com as necessidades ( Professores, 2008).
A indicação de temáticas mais frequentes e sua significação são
expressas pelos professores, no Gráfico 7 e pelos alunos no Gráfico 8.
Gráfico 7: Temática de Educação Ambiental – Professores
Lixo
4 / 12%
1 / 3%
2 / 6%
15 / 43%
2 / 6%
3 / 9%
3 / 9%
4 / 12%
Higiene do
ambiente e saúde
Poluição das
lagoas
Projeto
Interdisciplinar
Observação do
ambiente
Cidadania e Meio
Ambiente
Projeto protetores
da vida
NR
Fonte: Dados da pesquisa, 2008
Nesta questão, a temática de Educação Ambiental em sala de aula,
na opinião dos alunos, apresenta-se conforme gráfico 4. As manifestações dão
conta da resposta dos alunos à questão: “O que sugere para ser trabalhado no
Ensino Fundamental que dê subsídio para o seu trabalho futuro ou atual,
principalmente nas ações com Educação Ambiental?”
Gráfico 8: Temática de Educação Ambiental – Alunos
4 / 5%
29 / 37%
23 / 29%
Educação
Ambiental
Lixo
Higiene e Saúde
23 / 29%
Desmatamento
Fonte: Dados da pesquisa, 2008
A análise da manifestação dos alunos revela, ao mesmo tempo,
limitações na compreensão das interações da questão e a importância que eles
dão à educação ambiental, uma vez que o conjunto das indicações sintetizam
temas e conteúdos necessários à educação da população na melhoria de sua
qualidade de vida. Por isso, é importante o registro da expressão mais
detalhada dessa manifestação. Ao indicarem a educação ambiental (36,71%),
por exemplo, as expressões revelam: Educação Ambiental... Respeitar o meio
ambiente. Aula de meio ambiente e aula de canto... Leitura, escrita e preservar
o meio ambiente... Leitura, escrita e saúde.... Para o tratamento do lixo
(29,11%), eles se expressam com: Não jogar lixo nas ruas por causa da
dengue... Não jogar lixo no chão... Não deixar pneu com água... Não jogar lixo
nas ruas nem nos vizinhos... Higiene e Saúde (29,11%) é uma relação
compreendida pelos alunos como: Não poluir a água e ter cuidados em casa...
Não deixar água parada por causa do mosquito da dengue. Não deixar a tampa
do sanitário aberta.
A pesquisa busca conhecer o que significa, para o aluno, o
tratamento da educação ambiental em sala de aula, ou seja, indagados sobre a
significação das aulas e ações de educação ambiental na vivência do cotidiano,
os alunos revelam a importância dessa aprendizagem e vão além, quando
consideram a possibilidade de atuarem como multiplicadores na família e na
comunidade:
Estou aprendendo a cuidar do meio ambiente....A gente aprende a
proteger o meio ambiente e não maltratar a natureza...Acho
importante, trabalhar o meio ambiente... Aprendemos mais,
ensinamos em nossa casa, nas ruas, em outros lugares e
preservamos a natureza...Aprendemos um pouco mais sobre tudo
que temos na natureza e passamos para outras pessoas...Porque o
ambiente fica limpo...Para todos tomarem cuidado com o lixo que
jogam na rua e não é isso que queremos para nossa cidade..
Aprendemos também, o cuidado com as doenças. (ALUNOS, 2003 e
2008)
Há nas respostas dos atores entrevistados a caracterização de vários
níveis de conscientização política. Como é analisado nos textos de Rohde,
apud Sachs (1993) e de Freire (1998) sobre o processo de formação da
consciência crítica, a conscientização política se efetiva através da passagem
espontânea de apreensão da realidade para uma esfera crítica, à medida que
apreendemos a realidade. No caso em questão, podemos observar a
necessidade de mudança de paradigma para viabilizar um ensino de qualidade,
no qual a conscientização política seja um fator importante. Para tanto,
devemos persistir na educação continuada de técnicos que tente romper essa
situação de isolamento entre mídia e educação com o currículo interdisciplinar
e globalizado, um currículo integrado apoiado no tripé: interdisciplinaridade –
globalização – sociedade global.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A realização desta pesquisa favoreceu uma maior reflexão sobre o
tipo de educação que vem sendo trabalhada nas escolas do bairro do Pontal da
Barra e da APA do Catolé que desenvolvem ações de Educação Ambiental.
O estudo realizado indica, em primeiro lugar, a necessidade de sua
continuidade. Demonstra, sobretudo, a obrigação da instituição escolar e de
seus educadores de intervir, através da ação política dos trabalhos educativos,
na relação escola e ambiente sociopolítico, principalmente em um país como o
nosso que possui um baixo índice de escolaridade, alto índice de desemprego
e subemprego. Um país que se, por um lado, revela uma riqueza ambiental
sem precedentes, demonstra sua incapacidade de preservá-la.
Ao se analisar a importância deste estudo, deve-se considerar que
não se pode mais admitir a exclusão, no ambiente da escola, do uso das TIC já
tão aceitas nos ambientes de lazer, trabalho e domicílios, inclusive, nos
municípios mais distantes, principalmente a televisão e o rádio.
A sociedade de hoje valoriza a mídia e reconhece a importância da
utilização consciente dessa tecnologia na sala de aula pelo poder de atração
do rádio e da televisão que deverão ser utilizados pelo professor. Embora as
escolas pesquisadas demonstrem que 42% dos professores expressam sua
relação com a mídia, eles justificam que: ”infelizmente são muito pouco
utilizadas em sala de aula”; mesmo dispondo de recursos, inexistem esses
procedimentos, talvez por falta de capacitação dos educadores”. Trata-se, na
verdade, de um grande desafio, uma exigência a partir das mudanças nos
paradigmas na sociedade e na educação.
A visão interacionista na sociedade do desenvolvimento científicotecnológico requer a articulação de saberes e a potencialização do uso da
mídia e a formação de novas competências para desenvolver as ações
pedagógicas com qualidade. Ao se propor o uso da mídia em sala de aula, é
preciso reconhecer que o poder de interação não está fundamentalmente nas
tecnologias, mas na formação de nossas mentes, na visão de mundo, nas
transformações dos atores sociais.
Os dados analisados nessa pesquisa apresentam que 35,29% dos
alunos relatam que a televisão e o vídeo são utilizados com filmes relacionados
aos conteúdos trabalhados pelo professor; 88,23% dos alunos afirmaram que o
rádio nunca é utilizado.
Resta a evidência de que as agências formadoras revejam a
educação
como
um
todo,
e
a
educação
ambiental,
em
particular,
principalmente, no que diz respeito à relação educação e meio ambiente e o
uso da mídia nessa relação inserida na prática pedagógica. Em decorrência
disso, devem ser revistos o processo de ensino-aprendizagem, as concepções
de aprendizagem, os conceitos de Educação Ambiental, gestão educativa e de
ação interdisciplinar, pressupondo que as instituições formadoras deverão
adotar metodologia que valorize a evolução dessas concepções nos
professores, alunos e gestores. É também necessário que a aprendizagem seja
construída mediante a experiência de vida cotidiana de cada indivíduo
envolvido no processo, no sentido de que haja oportunidades para produzir
situações de aprendizagem significativa.
Vale lembrar que a mudança/evolução de concepção tem implicação
direta na prática educativa, conforme retrata a reflexão teórica desenvolvida
neste trabalho, a partir da contribuição de autores como Leff (2001), Prado
(2000), Carvalho (2006), Mercado (2004), Morais (1992), Freire, Grunn (1996),
Morin (2005) para a educação, o meio ambiente e o uso da tecnologia.
Essa compreensão na relação meio ambiente e educação supõem a
confluência do pensamento científico sob um repensar de seus fundamentos
teórico-metodológicos e epistemológicos em sua relação com a filosofia. Nos
trabalhos de Cavalcante (1995), Diaz (2002) e Sachs (1993), enfatiza-se um
novo modelo de desenvolvimento.
A análise realizada nos mostra, também, que a concepção
tradicional de ensino é ainda bem presente nas escolas pesquisadas. Embora
haja, em uma das escolas pesquisadas, projetos pedagógicos de alta
qualidade, até premiado pelo MEC – “A implantação e monocultura da cana de
açúcar em Alagoas”; “Armadilhas para captura e eliminação do mosquito
transmissor do vírus da Dengue” – o envolvimento da comunidade, dos
professores e dos alunos nas ações de educação ambiental não são ainda
prioridade e só acontece mais em época de comemorações festivas, ou de
projetos e feiras de ciências.
Diante desse quadro, devemos oportunizar uma educação de
qualidade, levando em consideração as sugestões anteriormente mencionadas,
buscando realizar uma educação adequada à realidade social do novo milênio,
introduzindo a mídia na sala de aula, tornando-a mais criativa, transformadora.
A educação deve romper esta situação de isolamento entre os
conteúdos e as habilidades a serem adquiridas pelos alunos através de um
currículo interdisciplinar e globalizado, um currículo integrado e apoiado no
tripé interdisciplinaridade-globalização-sociedade global.
Aplicar um currículo integrado é criar condições para melhorar os
conteúdos da escola com o mundo exterior, elaborando estratégias para que
outros
elementos,
profissionais
da
comunidade,
tenham
acesso
à
comunicação, integração com os educandos e educadores. A filosofia da
integração exige transformação pela raiz dos valores e hábitos dos gestores e
professores que trabalham com crianças, jovens e adultos do ensino
fundamental, os quais foram os sujeitos desta pesquisa.
Nessa complexidade, a diluição forçada dos conflitos e da
diversidade possibilita a produção de formas de interações capazes de
viabilizar, em novos fundamentos estruturais, o equilíbrio socioambiental e
deslanchar o desenvolvimento sustentável e o ecodesenvolvimento.
Sobre o importante uso das TIC, a manifestação dos sujeitos revela
o distanciamento da escola à realidade do desenvolvimento científicotecnológico da atualidade. A escola faz pouco uso da TV e do rádio como
instrumento de educação ambiental nas escolas pesquisadas, expressando o
atraso frente ao avanço científico e técnico, principalmente quando se observa
a direção da educação a distância que invoca maior aprofundamento do uso da
mídia pelo computador e a internet. São questões que obrigam as escolas a
investir no processo de educação continuada se pretendem levar seus alunos a
vivenciarem a sua época, a época da sociedade do conhecimento e das
tecnologias de informação e comunicação.
Os objetivos pontuais deste trabalho foram alcançados. O resultado
mais importante, no entanto, foi reunir e disponibilizar um conjunto de reflexões
e elementos motivadores para oportunizar a continuidade das investigações,
contribuindo para que a escola cumpra sua missão, atuando segundo as
demandas da sociedade contemporânea.
Suas contribuições deverão promover reflexões na sociedade, entre
os educadores e na população acadêmica em geral, de modo que as ações
pedagógicas
planejadas
para
as
escolas
do
ensino
fundamental,
prioritariamente em articulação com a mídia, sejam mais dinâmicas e
significativas, incentivando a ética e os valores socioculturais, implementando
as mudanças sociais necessárias para a melhoria da formação de um
educador ambientalista consciente do seu papel social e coerente com a práxis
educativa.
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