7. Ciências nos anos finais do Ensino Fundamental: contribuições do livro didático para o estudo sobre pandemia

Autora: Janecléia Ribeiro das Neves. Orientadora: Profa. Dra. Carolina Nozella Gama. Defesa de dissertação número 145. Data: 27/06/2022.

Arquivo
Dissertação - Janecléia.pdf
Documento PDF (8.4MB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA

JANECLÉIA RIBEIRO DAS NEVES

CIÊNCIAS NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: CONTRIBUIÇÕES
DO LIVRO DIDÁTICO PARA O ESTUDO SOBRE PANDEMIA

Maceió
2022

JANECLÉIA RIBEIRO DAS NEVES

CIÊNCIAS NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: CONTRIBUIÇÕES
DO LIVRO DIDÁTICO PARA O ESTUDO SOBRE PANDEMIA

Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de
Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática
(PPGECIM) da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL).
Orientador: Prof.a Dra. Carolina Nozella Gama

Maceió
2022

DEDICATÓRIA

A minha amiga e companheira de todos os momentos, minha mãe, dedico.

AGRADECIMENTOS

A Deus, em primeiro lugar, por ter me proporcionado a oportunidade de realizar mais um sonho
e sempre ter me fortalecido nessa longa jornada.
À minha família biológica e a do coração pelo incentivo e orações.
Às minhas amigas de longa jornada, Lyvia Barreto e Rafaela Gregório pelo apoio e incentivos
para permanecer na busca da realização de mais um sonho.
À Melissa e sua família por ter me acolhido em sua casa com muito carinho e cuidado.
À minha orientadora Carolina Nozella pelas orientações acadêmicas nesta jornada de formação
docente.
A todos os meus colegas de sala, pois apesar das dificuldades enfrentadas, aprendemos juntos.
À Educação Pública pela oportunidade de favorecer uma aprendizagem de qualidade, mesmo
com todos os desafios.
E a todos que, de algum modo, contribuíram para o desenvolvimento deste trabalho.

EPÍGRAFE

“A educação é um ato de amor e, por isso um ato de coragem. ”
(Paulo Freire)

Resumo
A Pandemia da Covid-19 e outras pandemias vivenciadas pela sociedade causaram inúmeras
interferências em diversos setores da sociedade, sobretudo na Educação. Nesta investigação,
analisamos as potencialidades de Livros Didáticos de Ciências para viabilizar discussões e
promover conhecimento nas aulas de Ciências a respeito desta temática- Pandemias. O objetivo
principal consistiu em analisar quais e como os conteúdos do Livro Didático de Ciências, para
os anos finais do Ensino Fundamental, podem contribuir para a compreensão da Pandemia da
COVID-19. Para desenvolver o trabalho foram analisadas três a coleções: Araribá Mais
Ciências, Teláris Ciências e Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano disponibilizadas
pelo PNLD, fornecidas para as escolas das redes municipais de Alagoas, abrangendo os anos
de 2020 a 2023, especificamente dos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano).
Seguindo a sistemática de uma pesquisa documental, com uma abordagem qualitativa, os dados
desta investigação foram analisados à luz da Análise de Conteúdo de Bardim (2016). Foram
analisados os recortes dos Livros Didáticos e os quadros que destacam as abordagens
educacionais para averiguar o objeto de estudo, os quais estão relacionados aos contextos
sociais, por isso a pesquisa está, também, embasada nos pressupostos da Pedagogia Histórico
Critica. Com a pesquisa, foi possível ressaltar a importância do Livro Didático e dos
planejamentos de aula para trabalhar o tema gerador, Pandemia. Após a análise comparativa
das três coleções, observou-se que a coleção Teláris Ciências apresentou melhor
contextualização referente à abordagem do conteúdo e dos recursos visuais e didáticos, além
disso, apresentou mais aspectos da pedagogia histórico crítica, destacando aspectos sociais que
devem ser trabalhados em sala de aula. Espera-se que esta investigação gere inquietações e
possa contribuir para o desenvolvimento de futuros trabalhos que abordagem a importância da
Ciência para saúde da sociedade, ressaltando o papel do Livro Didático como aliado do trabalho
docente, no contexto educacional, sendo este, ainda, um dos principais recursos utilizado em
sala de aula para construção de saberes científicos, mesmo com a ascensão dos aparelhos
digitais.
Palavras-chave: Pandemia, Livro Didático, Ensino de Ciências.

Abstract
The Covid-19 Pandemic and other pandemics experienced by society caused numerous
interferences in various sectors of society, especially in Education. In this investigation, we
analyze the potential of Science Textbooks to facilitate discussions and promote knowledge in
Science classes about this theme- Pandemics. The main objective was to analyze which and
how the contents of the Science Textbook, for the final years of Elementary School, can
contribute to the understanding of the COVID-19 Pandemic. To develop the work, three
collections were analyzed: Araribá Mais Ciências, Teláris Sciences and Natural Sciences:
learning from everyday life made available by the PNLD, provided to schools in the municipal
networks of Alagoas, covering the years 2020 to 2023, specifically the Final Years Elementary
School (6th to 9th grade). Following the systematics of a documentary research, with a
qualitative approach, the data of this investigation were analyzed in the light of Bardim's
Content Analysis (2016). We analyzed the clippings of the Textbooks and the tables that
highlight the educational approaches to investigate the object of study, which are related to
social contexts, so the research is also based on the assumptions of Critical Historical Pedagogy.
With the research, it was possible to emphasize the importance of the Textbook and lesson plans
to work on the generating theme, Pandemic. After the comparative analysis of the three
collections, it was observed that the Teláris Sciences collection presented better
contextualization regarding the approach of the content and the visual and didactic resources,
in addition, it presented more aspects of the critical historical pedagogy, highlighting social
aspects that must be worked on in classroom. It is expected that this investigation generates
concerns and can contribute to the development of future works that approach the importance
of Science for the health of society, emphasizing the role of the Textbook as an ally of teaching
work, in the educational context, which is also a of the main resources used in the classroom to
build scientific knowledge, even with the rise of digital devices.
Keywords: Pandemic, Textbook, Science Teaching

SUMÁRIO
SEÇÃO 1: INTRODUÇÃO............................................................................................... 07
SEÇÃO 2: ABORDAGENS DO LIVRO DIDÁTICO E DO TEMA PANDEMIA....... 09
2. 1: Revisão da literatura......................................................................................... 09
2. 1.1: O Papel do ensino de Ciências na formação dos estudantes........................... 09
2.1.2: O Livro Didático e a sua função nos processos de ensino de Ciências dos
anos finais do Ensino Fundamental...................................................................................... 11
2.1.3 Plano Nacional do Livro Didático................................................................... 16
2. 2: Referenciais teóricos........................................................................................ 18
2. 2. 1: O Ensino de Ciências e a sua função social................................................... 18
2. 2. 2: Panorama histórico das Pandemias vivenciadas pela população mundial.... 22
SEÇÃO 3: ASPECTOS METODOLÓGICOS................................................................ 30
3.1 Tipo de pesquisa................................................................................................. 30
3.2 Abordagem da pesquisa...................................................................................... 30
3. 3 Critérios de análises........................................................................................... 30
3. 4 Objeto de estudo................................................................................................ 31
3. 5 Coleta de dados................................................................................................

35

3. 6 Análise dos dados.............................................................................................. 35
SEÇÃO 4: ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO.............................................................. 37
4.1: Coleção Projeto Araribá Mais Ciências.............................................................. 37
4.1.1 - Livro didático: Projeto Araribá Ciências Mais – 6° ano................................. 37
4.1.2 - Livro didático: Projeto Araribá Ciências Mais – 7° ano................................. 41
4. 1.3 - Livro didático: Projeto Araribá Ciências Mais – 8° ano................................. 49
4.1.4 - Livro didático: Projeto Araribá Ciências Mais – 9° ano................................. 54
4.2: Análise da Coleção Teláris Ciências.................................................................. 54
4.2.1: Livro didático Teláris Ciências – 6° ano......................................................... 55
4.2.2: Livro didático Teláris Ciências – 7° ano......................................................... 58
4.2.3: Livro didático Teláris Ciências – 8° ano 9° ano............................................. 76
4.3.1: Análise da Coleção Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano.............. 76
4.3. 2: Livro Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano – 6°ano...................... 76
4.3. 3: Livro Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano – 7°ano...................... 76
4.3.4: Livro Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano – 8°ano e 9 anos.......... 89
4. 4: Análise comparativa das coleções.................................................................... 89

SEÇÃO 5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................... 92
REFERÊNCIAS................................................................................................................. 94
APÊNDICES.....................................................................................................................

100

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 6° ano- orientação didática a respeito
do estudo da história do saneamento básico........................................................

40

Figura 2: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 6° ano– Doenças transmitidas pela
água.................................................................................................................................... 41
Figura 3: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 7° ano – tema 2: Os vírus.................. 43
Figura 4: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 7° ano – Orientações didáticas a
respeito da vacinação.........................................................................................................

44

Figura 5: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 7° ano – Destacando trechos do
texto e o “saiba mais” ressaltado pela autora...................................................................... 46
Figura 6: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 7° ano – Apresentação das imagens
dos vírus e bacteriófagos apresentados na página 47.......................................................... 48
Figura 7: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 7° ano – Esquematização da
infecção viral em uma bactéria........................................................................................... 50
Figura 8: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 8° ano – Tema 6, ressaltando as
orientações para o professor (em amarelo) a respeito da utilização das carteiras de
vacinação na sala de aula.................................................................................................... 52
Figura 09: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 8° ano – Indicação do filme Sonhos
tropicais.............................................................................................................................. 53
Figura 10: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 8° ano – Seção atividades para
vida....................................................................................................................................

54

Figura 11: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 8° ano – questões da seção
atividade para vida.............................................................................................................

55

Figura 12: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 8° ano – esquema: disseminação
da doença e efeitos da imunidade....................................................................................... 56
Figura 13:Recorte do livro (Teláris Ciências) 6° ano – Introdução do tema célula............ 57
Figura 14:Recorte do livro (Teláris Ciências) 6° ano – Destaque da vacinação na “seção
de olho no texto”................................................................................................................ 58
Figura 15: Recorte do livro (Teláris Ciências) 6° ano – A importância do da qualidade
da água mesmo sem estação de tratamento......................................................................... 60
Figura 16:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Abertura do capítulo 5................. 60

Figura 17:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Introdução do capítulo 5
(Condições de saúde).........................................................................................................

61

Figura 18:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Indicadores socias........................ 62
Figura 19:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – “Seção Ciência e sociedade” e
“mundo digital”.................................................................................................................

63

Figura 20:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano –Saneamento básico....................... 64
Figura 21:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Saneamento básico e
abastecimento de água.......................................................................................................

65

Figura 22:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Seção Ciência e sociedade
(desigualdade social).........................................................................................................

66

Figura 23:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Seção “de olho no texto”,
indicadores de saúde..........................................................................................................

66

Figura 24:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Abertura do capítulo 6 (Doenças
transmissíveis)...................................................................................................................

67

Figura 25:Recorte do livro Teláris Ciências, 7° ano – Nossas defesas............................... 68
Figura 26:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Vacinação.................................... 69
Figura 27:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Ciências e História: A história
da vacina............................................................................................................................

71

Figura 28:Recorte do livro Teláris Ciências, 7° ano – Texto complementar –
Transformações virais........................................................................................................ 73
Figura 29:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Doenças causadas por vírus......... 73
Figura 30:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Gripe (suína)............................... 74
Figura 31:Recorte do livro Teláris Ciências, 7° ano – Cólera............................................ 76
Figura 32:Recorte do livro Teláris Ciências, 7° ano – De olho na notícia.......................... 77
Figura 33:Recorte do livro Teláris Ciências, 7° ano – Trabalho em equipe.

77

Figura 34 :Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano:
Há bactérias que causam doenças....................................................................................... 79
Figura 35 :Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano:
Tratamento das bactérias (os antibióticos e a saúde humana)............................................. 80
Figura 36 :Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano:
Vírus..................................................................................................................................

81

Figura 37 :Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano:
Desenvolvimento do vírus ao entrar no corpo e na membrana celular................................ 81

Figura 38 :Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano:
Aglomerações de pessoas................................................................................................... 83
Figura 39 :Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano:
Vacinação..........................................................................................................................

83

Figura 40 :Recorte do livro Ciências Naturais: aprendendo com a natureza – 7° ano:
fechamento da unidade....................................................................................................... 85
Figura 41 :Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano:
fechamento da unidade....................................................................................................... 86
Figura 42 :Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano:
Cólera................................................................................................................................. 87
Figura 43 :Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano:
Higiene pessoal..................................................................................................................

88

Figura 44 :Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano:
Atividade explore deferentes atividades, questão 26.......................................................... 89
Figura 45 :Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano:
Fechamento do capítulo 6 (saneamento básico)................................................................. 90

7

SEÇÃO 1: INTRODUÇÃO
Com vistas na Pandemia da Covid-19 e seus desdobramentos na sociedade,
especialmente no âmbito educacional, pesquisas científicas sobre a temática têm despertado
interesse de diversos profissionais da área, com o intuito de compreender as relações deste
espaço escolar, na perspectiva de considerar o cotidiano dos estudantes em sala de aula e,
sobretudo, promover aprendizagem, melhorando a qualidade de vida de todos.
Nessa vertente, a presente pesquisa busca responder a seguinte pergunta: Como as
coleções dos Livros Didáticos de Ciências, que são disponibilizados para os municípios, do
estado de Alagoas estão abordando temas ligados à Pandemia para promoção da aprendizagem
dos estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental? A ideia a ser desenvolvida permeia não
só a atual Pandemia, mas estabelece uma relação entre todas as Pandemias - uma doença que
ocorre em diversos países, de maneira inesperada, com várias pessoas contaminadas, por causa
do seu potencial de virulência (NEVES, 2016).
De acordo com o documento do PNLD – Guia dos Livros Didáticos, o Livro Didático
(LD) é um recurso pedagógico que possibilitará ao estudante vivenciar novas experiências e
aprender a importância de diferentes temáticas que fazem parte do seu dia a dia. No qual será
exemplificado por meio das áreas do conhecimento, por exemplo, a Ciências da Natureza
(BRASIL,2019). Por se tratar de uma pesquisa envolvendo a análise de LD, a pesquisa será do
tipo Documental (GIL, 2008), com abordagem qualitativa (FLICK, 2013), já que busca
compreender aspectos subjetivos e não apenas valores numéricos, de acordo com o objeto da
pesquisa, permitindo uma análise mais aprofundada dos dados.
A pesquisa está embasada conforme sinalização realizada por Saviani (2008), a partir
dos pressupostos teóricos das concepções pedagógicas contra hegemônica que buscam inserir
a educação num contexto social à procura de melhorias para a comunidade, ou seja, uma
educação pensada para ser trabalhada as necessidades e lutas das comunidades conforme
diversos âmbitos pedagógicos, em especial, a pedagogia histórico-crítica.
Diante da problemática apresentada, a pesquisa tem como objetivo principal: analisar
quais e como os conteúdos do Livro Didático de Ciências para os Anos Finais do Ensino
Fundamental podem contribuir para a compreensão da Pandemia de COVID-19. E como
objetivos específicos: investigar os principais conceitos necessários à compreensão do tema
Pandemia da COVID-19, e se os mesmos se encontram contemplados no Livro Didático de
Ciências dos Anos Finais do Ensino Fundamental; identificar quais doenças provocaram
Pandemias são exemplificadas no Livro Didático como também, se tal abordagem permite que

8

se estabeleça relação com a Pandemia COVID-19; desenvolver um plano de ensino voltado à
abordagem dos temas relacionados à Saúde Pública para os Anos Finais do Ensino
Fundamental, tendo em vista auxiliar o ensino e a aprendizagem em Ciências, destacando tema
da Pandemia de COVID-19.
O interesse por desenvolver esta investigação surgiu devido a experiências da
pesquisadora como estudante de escola pública, a qual tinha como principal meio de
informações em sala de aula, o Livro Didático, por vezes, inutilizado pelo professor ou
professora; ou ainda, com abordagem desconexa com o contexto social, o qual estava
vivenciando.
Além disso, este interesse foi ainda mais impulsionado pela ocorrência da Pandemia da
Covid-19, doença causada pelo Coronavírus que desencadeou profundas transformações no
ambiente escolar, principalmente no que se refere ao ensino e aprendizagem, à utilização de
recursos didáticos como o Livro Didático e na relação professor-aluno.
Mesmo vivenciando a transição do meio físico para o virtual, durante a Pandemia da
Covid-19, mergulhados em plataformas e redes sociais, o LD ainda mantém a sua importância
neste momento histórico, uma vez que muitos não possuem acesso à internet. Salientamos, que
para além dessa indisponibilidade ao acesso à tecnologia digital, há ainda a falta de habilidade
para o manusear os dispositivos digitais, tanto por parte dos alunos, como por parte dos
professores. Nesse sentido, Boer (p. 3, 2013), aponta:
(...) a realidade de muitas escolas brasileiras ainda está longe do ideal exigido
pelo mundo globalizado e digital. Referimo-nos, aqui, àquelas que não
dispõem de computadores e outros equipamentos modernos para uso de seus
professores e alunos. No contraponto, existem escolas, principalmente da rede
de ensino público, que dispõem de equipamentos e de laboratórios, mas não
têm profissionais devidamente preparados para manuseá-los. Considera-se
também que uma parcela de professores em serviço, não teve, em sua
formação acadêmica, preparação para o uso dessas novas tecnologias; por
isso, sentem-se desencorajados em utilizá-las em suas aulas. Já entre os
educadores mais jovens, que tiveram em sua formação acesso às novas
tecnologias, quando presentes na escola, utilizam como ferramentas aliadas
no ensino de sala de aula.

Para fundamentar a pesquisa, foi desenvolvida uma seção teórica para ressaltar os
principais referenciais teóricos que fundamentam a pesquisa. Em seguida, serão apresentadas
as observações sobre as coleções dos Livros Didáticos conforme os critérios de análises,
dialogando com a metodologia e com os referenciais bibliográficos.

9

SEÇÃO 2: ABORDAGENS DO LIVRO DIDÁTICO E DO TEMA PANDEMIA
Para compreender a importância do Livro Didático e do Ensino de Ciências na formação
dos estudantes, bem como os conceitos, aspectos históricos, sociais, médicos e culturais
referentes ao tema Pandemia, foi desenvolvida esta seção levando em consideração a descrição
das categorias que referenciaram a pesquisa, dialogando com os autores que pesquisaram e
apresentam diálogos sobre o tema da pesquisa. Sendo apresentada inicialmente uma revisão da
literatura e em seguida alguns referenciais teóricos.

2. 1: Revisão da literatura
2. 1.1: O Papel do ensino de Ciências na formação dos estudantes
O ensino é uma prática que pode ter várias definições. A depender do contexto que esteja
inserido, em primeiro momento, pode ser caracterizado como uma apresentação de um saber,
mas, não meramente mostrar um conceito, e sim pensar em todo o seu desenvolvimento para
que o ensino ocorra. O ensino também pode ser visto sobre uma perspectiva dialógica, em que
ele é alçado por meio de discussões a respeito de uma temática, para estudar as suas causas ou
até descobrir outras, destacando o papel do professor e das práticas pedagógicas para edição do
ensino e da aprendizagem que se comunicam (SASSERON, 2019).
No que se refere ao ensino do componente curricular de Ciências, o mesmo é de suma
importância para sociedade, pois permite que os estudantes desenvolvam a curiosidade a
respeito do ambiente em que eles estão presentes. Proporcionando a reflexão dos aspectos
sociais, éticos, culturais e morais nos processos de experimentação científica. Sendo este um
dos objetivos alegados pela Base Nacional Comum Curricular - BNCC que destaca a relevância
do conhecimento da diversidade dos conteúdos e o letramento científico (BRASIL, 2019).
Segundo o Ministério da Educação, a Ciência no Ensino Fundamental Anos Finais tem
por objetivos:
Como área do conhecimento, as Ciências, nos Anos Finais do Ensino da
Fundamental, caracteriza-se, por um lado, por experienciar como objeto do
ensino um conjunto de processos cognitivos mais aprofundados que exploram
os temas e conteúdos historicamente construídos pela humanidade,
possibilitando que os (as) estudantes conectem e analisem saberes de
diferentes campos de pesquisa e construção de conhecimento científico,
exigindo o desenvolvimento de vivências que integre-os e possibilite a
proposição e a criação em torno desses objetos. Por outro lado, por tratar dos
fenômenos que são explorados unicamente nesse componente, principalmente
aqueles que possibilitam que o(a) estudante desenvolva sua identidade, como
as questões relacionadas à saúde, à adolescência e à autonomia com o mundo
em que vive e atua, bem como aos princípios de sustentabilidade (BRASIL,
p. 3, 2019).

10

Diante disto, é possível observar a importância da Ciência para a formação da cidadania
dos estudantes, bem como o conhecimento da natureza e do funcionamento do seu corpo.
Lembrando que o homem é parte da natureza. Logo, conhecê-la vai permitir que a sua
curiosidade seja estimulada e a sua aprendizagem que refletirá na sua vivência social e
individual.
Em uma análise feita por um grupo de pesquisadores com uma amostra de 216 alunos
do 6ª ao 9º ano, por meio de entrevistas, pertencentes a 7 escolas da rede pública no município
de Criciúmas/SC demonstraram que: 97,8 % consideram fundamental o ensino de ciências na
escola o relacionando aos cuidados com a saúde, com o meio ambiente, desenvolvimento
profissional e obtenção de conhecimento, sendo a última menção a que teve maior destaque,
mostrando o valor deste conhecimento para a formação dos estudantes, ressaltando que o ensino
de Ciência está além do muros da escola. Logo, este conhecimento adentra nas extensões
profissionais, sociais e da saúde comunitária dos educandos (SANTOS et al., 2011).
Segundo Sasseron (2019), o Ensino de Ciência permite ao estudante experimentar
vivências de modo que os proporcione responder questões ligadas a ele e ao meio em que vive,
fazendo com que essas dúvidas venham nortear e instigar a sua aprendizagem. Conduzindo o
estudante a buscar conhecimentos para responder tais questionamentos.
E esta busca por informação não se refere apenas a inserir um termo no Google, o qual
poderá encontrar ou não diferentes respostas. Mas é pensar na busca por saberes por meio da
investigação, trazendo os aspectos da análise crítica, da formulação de ideias, e até do
surgimento de novos questionamentos. E o que diferencia essa busca são as ações, o
combustível ou o veículo que desencadeia a curiosidade.
Diante disso, confere ao ensino de ciência ganhar dimensões relacionadas aos campos
conceituais, sociais e epistêmicos da ciência para dentro da sala de aula. Logo, as atividades
científicas deixam de ser vistas de maneira individual para serem trabalhadas de maneira
pública e/ou coletiva. Permitindo o diálogo a novos posicionamentos e a construção, ou
reconstrução para novas oportunidades (SASSERON, 2019).
Outra característica do ensino de ciências é não trabalhar os conteúdos de maneira linear.
Ou seja, os conceitos seguem em um plano constante e devem ser remodelados, revisados e
apresentados de diferentes maneiras, destacando a ligação entre outros temas. Ao falar dos
vírus, por exemplo, será necessário relembrar o que é célula, por eles serem acelulares, e os
tipos de ácidos nucléicos (RNA e DNA) já que será apresentado o seu material genético. Neste
conteúdo também (SCHNETZLER, 1992).

11

Conforme Nascimento (2010), a formação dos professores é um dos aspectos nos quais
permitem resultados significativos para o ensino de ciências, pois o professor assume a função
de mediador do saber por meio de diferentes estratégias pedagógicas, despertando o interesse
dos estudantes em querer aprender e a buscar o conhecimento.
Mas, para isto, é necessário que a formação inicial e continuada do professor seja bem
planejada e estruturada, desenvolvendo o conhecimento científico e as práticas pedagógicas,
proporcionando, deste modo, um ensino de ciência com resultados positivos e transformadores
para os diferentes contextos dos estudantes e da comunidade escolar como toda. A respeito da
formação dos professores, os autores descrevem que:

Trata-se, portanto, de considerar a formação desse profissional sob uma
perspectiva transformadora, segundo abordagens em que a incerteza não seja
banida, mas gerida; em que os valores não sejam pressupostos, mas sim
explicitados; em que a dimensão histórica, incluindo a reflexão sobre o
passado, o presente e o futuro, torne-se parte integrante da caracterização
científica da natureza; em que o local e o processual sejam relevantes para a
explicação do mundo e para sua transformação (NASCIMENTO et al., p. 243,
2010).

Diante disto, é possível analisar, pela descrição dos autores citados acima, que a prática
pedagógica do professor é reflexo da sua formação que refletirá na sua prática docente. Logo,
a busca pelo conhecimento e de melhoramento da sua vivência profissional deve ser repensada
diariamente para que deste modo o ensino também venha a ser beneficiado. Essa reflexão trará
ações críticas para o aperfeiçoamento das suas habilidades didáticas, saindo de um ensino de
caixinha para o emancipatório.
Por essas e outras vertentes, conforme ressaltado por Nascimento (2010), a formação do
professor, desde da graduação, deve ser pensada de modo que venha a ter uma interação entre
as outras disciplinas para que o profissional não seja somente detentor do saber de uma área
específica, mas também tendo em vista o ensino de ciência que envolve vários ramos como
Microbiologia, Botânica, Ecologia, Anatomia, Fisiologia, Paleontologia, Filogenia dentre
outras, sem ter uma visão geral da ciência e com uma formação pedagógica fragmentada e
duvidosa (SOUZA, 2020).

2.1.2: O Livro Didático e a sua função nos processos de ensino de Ciências dos anos
finais do Ensino Fundamental
A partir da década de 60, o Livro Didático passou a ser considerado o principal recurso
didático-pedagógico do professor no ambiente escolar. Desde então, pesquisadores destacam e

12

discutem a real função desta ferramenta na prática docente e na vida dos estudantes (SERPA,
1987).
Conforme Lojolo (1996), ao falar ou lembrar-se da escola, cada sujeito terá uma
definição ou até mesmo uma lembrança do ambiente, dos professores, dos colegas e dos
recursos utilizados como: quadros, giz, pincéis, tintas, tesouras, caderno, lápis grafite ou para
colorir, massinha de modelar, computador, DVD dentre outros inúmeros materiais escolares
para que o ensino aprendizagem ganhasse maior significância. O Livro Didático é uma das
ferramentas principais utilizadas para apropriação do conhecimento. Sabe-se que o seu valor é
ressignificado a depender dos recursos oferecidos pela instituição de ensino e também da
didática do educador. A respeito disso a autora ressalta que:

Didático, então, é o livro que vai ser utilizado em aulas e cursos, que
provavelmente foi escrito, editado, vendido e comprado, tendo em vista essa
utilização escolar e sistemática. Sua importância aumenta ainda mais em
países como o Brasil, onde uma precaríssima situação educacional faz com
que ele acabe determinando conteúdos e condicionando estratégias de ensino,
marcando, pois, de forma decisiva, o que se ensina e como se ensina o que se
ensina (LAJOLO, 1996, p. 03).

Como o próprio nome já descreve, o livro ganha o adjetivo didático destacando ainda
mais a sua função pedagógica como um dos principais recursos da aprendizagem, lembrando
que o mesmo não é o único, mas na maioria dos casos é a base para o ensino dos estudantes,
sendo decisivo para a qualidade dos conhecimentos e atividades escolares. Logo, a sua
utilização e escolha deve ser uma aliada para educadores e educandos em busca de diferentes
saberes.
Para que o adjetivo didático venha a ter bons resultados, é necessário que o professor
tenha um bom aproveitamento e planejamento das suas aulas, tendo como recurso didático o
livro. Por essas e outras razões, o livro é disponibilizado em duas versões: uma para o professor
e outra para o estudante. O que diferencia os dois livros é que o autor traz as orientações teóricas
dos conteúdos educacionais mostrando possíveis caminhos de como ele deve ser apresentado,
segundo as habilidades propostas para cada modalidade de ensino, por meio de sugestões de
atividades, complementação do conteúdo, metodologias pedagógicas e as respostas espelho dos
exercícios propostos. Sendo de relevância as leituras e observação das sugestões oferecidas
pelas coleções adotadas pela escola.
Sem falar no seu papel para sociedade, proporciona o diálogo envolvendo diversos
temas, relacionam o cotidiano dos educandos para que incentivem cada vez mais os mesmos a
quererem aprender mais. Para que o querer aprender seja despertado é necessário que o

13

professor seja um bom mediador e condutor do livro por meio da valorização dos saberes dos
estudantes. Como ressalta a escritora:

É só a partir do conhecimento que já têm do mundo em que vivem, que os
alunos poderão construir os conhecimentos nos quais Livro Didático e escola
devem iniciá-los. Alunos, por exemplo, que acreditam que o leite azeda
porque o saci cuspiu nele, dificilmente mudarão de opinião pela mera leitura
de um texto que os informe sobre contaminação do leite como fruto da falta
de higiene. No caso, é preciso partir do saci e chegar aos bacilos... e essa
passagem só o professor pode fazer, e é o que ele precisa fazer de mais
importante (LAJOLO, p. 06, 1996).

Ao ter o Livro Didático como ferramenta pedagógica, é necessário fazer a leitura
completa do material para organização dos planos de aulas e principalmente analisar se tem
algum erro. Se houver, mostrar ao estudante, corrigindo com eles, destacando a importância de
conhecer vários autores e buscar mais informações a respeito do conteúdo. Explorando os
aspectos positivos ou negativos do livro para favorecer o ensino aprendizagem, analisando
também contextos que podem evidenciar a realidade de seu cotidiano, pois o livro sozinho não
trará resultados significantes para aprendizagem. É o professor, como um bom mediador, a
ponte que faz a ligação. A respeito disso a autora descreve que:
O melhor dos livros didáticos não pode competir com o professor: ele, mais
do que qualquer livro, sabe quais os aspectos do conhecimento falam mais de
perto a seus alunos, que modalidades de exercício e que tipos de atividade
respondem mais fundo em sua classe (...). O caso é que não há livro que seja
à prova de professor: o pior livro pode ficar bom na sala de um bom professor
e o melhor livro desanda na sala de um mau professor. Pois o melhor livro
repita-se mais uma vez, é apenas um livro, instrumento auxiliar da
aprendizagem. Nenhum Livro Didático, por melhor que seja, pode ser
utilizado sem adaptações. Como todo e qualquer livro, o didático também
propicia diferentes leituras para diferentes leitores, e é em função da liderança
que tem na utilização coletiva do Livro Didático que o professor precisa
preparar com cuidado os modos de utilização dele, isto é, as atividades
escolares através das quais um Livro Didático vai se fazer presente no curso
em que foi adotado. (LAJOLO, p. 08, 1996).

Por isso, é importante conhecer o Livro Didático oferecido pela escola e trazê-lo para o
chão da sala de aula. Deste modo, ele passará a ser um recurso auxiliar do professor e dos
estudantes em prol do ensino e aprendizagem e o seu adjetivo “didático” tenha um real sentido.
O Livro Didático é um recurso pedagógico que para cada estudante ou para cada
integrante da comunidade escolar como, pais, gestores e educadores haverá um significado ou
uma funcionalidade. Para alguns não passará de um livro apenas com informes, mas para outros
um objeto para buscar conhecimentos sobre diferentes áreas, destacando o seu adjetivo didático.
Logo, para cada leitor ou estudante existirá uma experiência a ser vivenciada.

14

Mesmo com a era tecnológica, o Livro Didático ainda é a principal fonte do saber que
pode abrir caminhos para curiosidade dos estudantes a depender de como ele será apresentado.
E não somente para os alunos e sim professores, pois conforme das condições de trabalho
oferecida poderá ser o único recurso didático para estudo, mediação e planejamento das aulas,
passando a fazer parte da formação e informação dos educadores (SILVA, 2012).
Conforme a literatura, o Livro Didático, na maioria dos casos, é levado em consideração
apenas os aspectos ligados à qualidade no que se refere ao layout e ao conteúdo, esquecendose do ambiente em que ele está inserido e os aspectos pedagógicos para mediação do conteúdo,
destacando o papel do professor e da escola ao trabalhar com o Livro Didático, como ressalta
Silva:
O processo de fetichismo a que o Livro Didático foi consagrado em nossa
cultura pode ser mensurado por meio das discussões acaloradas repercutidas
na imprensa brasileira. Essa discussão fica restrita à qualidade e ao conteúdo
dos livros adotados. Entretanto, as condições concretas sob as quais estes
materiais são utilizados por professores e alunos não são alvo de discussões
tão apaixonadas e acaloradas. Assim, a fetichização do Livro Didático parece
ofuscar discussões significativas como o papel que ele desempenha e o que
deveria desempenhar no ensino, como é e como poderia ser utilizado ou,
ainda, as reais condições de formação, trabalho e de ensino/aprendizagem
enfrentadas por professores e alunos no cotidiano das escolas brasileiras
(SILVA,p. 817, 2012)

Diante disto, estudar o papel do Livro Didático para o ensino e a aprendizagem dos
estudantes torna-se cada vez mais relevante entre os pesquisadores, em busca de uma melhor
funcionalidade, formações e condições para que os docentes venham a ter subsídios para
trabalhar com esse recurso pedagógico. Pois, por mais que o livro atenda aos critérios
estabelecidos pelos especialistas e pelo PNLD, como o livro será utilizado fará a diferença na
busca pela aprendizagem.
Pensar ações ou apresentar estratégias para utilização do Livro Didático é fundamental.
Mesmo que a escola venha e/ou não ter outros recursos, o livro pode ser um recurso pedagógico
com utilidades, já que é um material oferecido pelas escolas, comprado com dinheiro público e
estará presente na vida escolar ao longo do ano letivo. Na área de Ciências, as ilustrações,
esquematizações, curiosidades e a forma (linguagem, contextualização e organização do texto)
auxiliarão na aprendizagem sendo ou não a principal ferramenta didática. Deste modo, na
balança da aprendizagem, o Livro Didático ainda terá o seu percentual de contribuição (ROSA,
2017).

15

A imagem apresentada nos livros de Ciências, por exemplo, pode ser uma ponte para
entender um conceito que somente com a escrita não é tão fácil imaginar e com as imagens
podem ativar lembranças e até despertar a curiosidade ou definir aquele determinado conceito.
Conforme a pesquisa desenvolvida por Frison (2009), para responder qual a função do
Livro Didático para os educadores durante o planejamento, mediação das aulas e também para
formação dos estudantes apontaram que: a relevância desde recurso pedagógico para os
professores é visto como referencial para revisar e estudar os conteúdos, orientando na
apresentação dos conteúdos e para os estudantes um facilitador para acompanhar e compreender
os conteúdos, esclarecimento de dúvidas, descobertas, destacando a importância das imagens,
o aprimoramento ou incentivo à leitura, e o estimulo à criatividade (FRISON,2009).
Além das questões de aprendizagem, o livro foi caracterizado como um aspecto cultural
da escola, tendo em vista que o mesmo é fundamentado em “valores da sociedade em relação a
sua visão de ciência, da história, da interpretação dos fatos e do próprio processo de transmissão
do conhecimento” (FRISON et al., p. 5, 2009).
A pesquisa também demostrou que o Livro Didático não deve ser o recurso
centralizador para que a comunidade escolar apresente os conteúdos, pois cada escola, sala de
aula, professor e aluno têm as suas particularidades. Pode ter situação em que o conteúdo esteja
fragmentado, ou a forma que está sendo exemplificado sair totalmente do contexto escolar,
havendo a necessidade de uma reorganização para melhor conduzir o conteúdo na sala de aula,
fazendo com que a realidade, fora dos muros da escola, se faça presente no ambiente escolar,
despertando ainda mais o interesse pelo conhecimento. Ressaltando a importância do
planejamento com o auxílio do Livro Didático, ressaltando também as vivências locais e a
utilização de outros recursos didáticos, a depender do tema proposto.
Frison (2009) ainda salienta que mesmo com os recursos tecnológicos como a internet,
o Livro Didático ainda desempenha uma importante fonte de pesquisa e busca pelo
conhecimento, especialmente para as comunidades menos favorecidas economicamente ou por
falta de um olhar dos representantes políticos. Sem falar que não basta ter acesso à internet, fazse necessário também saber buscar o conhecimento, filtrar e interpretar as informações e as
fontes.
Conforme os estudos de caso feito por Santos e Carneiro (2006), o qual analisou a
utilização o Livro Didático em escolas privadas e pública, foi observado que este recurso
didático é aproveitado para resolução de lista de exercícios com objetivo de treinar os estudantes
para entrar nas universidades. Conforme os pesquisadores, esta forma de usar o LD como uma
apostila de exercícios tem os seus aspectos positivos e negativos a depender das habilidades

16

trabalhadas em sala de aula, mas defende o livro não como um conjunto de listas de exercícios,
e sim como integrantes da aprendizagem por meio da exploração de questões, desafios,
atividades coletivas, curiosidades e sínteses dos conteúdos.
Já é demostrado na literatura que a funcionalidade do Livro Didático depende da sua
utilização. Destaca-se a importância deste recurso didático para os estudantes obterem as
informações por meio da sua exploração, no entanto não deve ser o único fator de pesquisa para
que não limite as fontes de saberes, por isso a sua utilização trará aspectos positivos e negativos
a depender a sua utilização nos espaços escolares e fora dos muros da escola também, com as
pesquisa e resoluções de atividades extras (ISACKSSON, 2019).
E mesmo sabendo que ainda existem algumas opiniões positivas e negativas a respeito
da utilização do Livro Didático, quando existem pesquisas com docentes a respeito da sua
função na sala de aula, a sua importância se sobressai com relação aos demais recursos, vindo
a auxiliar no planejamento das aulas e material pedagógico de estudo para o professor
(MERRISE, 2020).

2.1.3 Plano Nacional do Livro Didático
Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o Plano
Nacional do Livro Didático (PNLD) é um programa que tem por objetivo disponibilizar livros
ou obras literárias voltados à rede de ensino público. O mesmo iniciou em 1937, sendo
aprimorado ao longo dos anos para melhor atender a comunidade escolar. Atualmente, atende
ao ensino básico desde o Ensino Fundamental ao Médio, com exceção da educação infantil. Ao
longo da história o PNLD, como é conhecido hoje, obteve várias denominações e parcerias no
que se refere à organização, distribuição e financiamento, tendo aspectos positivos e negativos
até chegar ao atual.
Em 1985, o Programa do Livro Didático para o Ensino Fundamental (PLIDEF) é
reconhecido como PNLD ganhando algumas modificações como: a participação do professor
para escolha e indicação do livro conferindo uma maior praticidade para o professor, tendo em
vista o seu planejamento e desenvolvimento na sala de aula. O livro deixou de ser descartável,
isto é, tendo uma maior qualidade e durabilidade podendo ser reutilizado em diferentes anos e
passou a ser oferecido para os dois anos iniciais do Ensino Médio.
Em 1996, o Ministério da Educação (MEC) apresenta critérios de avaliações
pedagógicos para o Livro Didático, desenvolvendo o Guia do Livro Didático. Desde então, os
livros que apresentarem erros conceituais, discriminação racial de gênero religioso, ou de

17

qualquer outro tipo e indução ao erro são excluídos do programa. Dentre os critérios
eliminatórios comuns destacam-se:
1. Respeito à legislação, às diretrizes e às normas oficiais relativas à Educação;
2. Observância aos princípios éticos necessários à construção da cidadania e
ao convívio social republicano;
3. Coerência e adequação da abordagem teórico-metodológica
4. Correção e atualização de conceitos, informações e procedimentos;
5. Adequação e a pertinência das orientações prestadas ao professor;
6. Observância às regras ortográficas e gramaticais da língua na qual a obra
tenha sido escrita;
7. Adequação da estrutura editorial e do projeto gráfico;
8. Qualidade do texto e a adequação temática (BRASIL, p.10,2019).

Nos anos 2000, os estudantes de 1° a 4° série passaram a ganhar dicionários de língua
portuguesa distribuídos pelo PNLD. Esse ano também foi marcado pela entrega dos livros
didáticos antes da sua utilização. Os livros que foram utilizados em 2001 foram entregues em
dezembro de 2000.
Em 2001, a educação para pessoas com deficiência ganhou um enorme avanço. A
disponibilização de livros didáticos para as pessoas com deficiência visual, em Braille, para a
rede pública de ensino. Nos anos atuais, também é oferecido em libras para as pessoas com
surdez.
A partir de 2004, a PNLD passa a atender também o Ensino Médio, criando o Plano
Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM). Inicialmente, foram entregues os
livros das disciplinas de Matemática e Língua Portuguesa e ao passar dos anos as outras
disciplinas foram inseridas como história, geografia. As escolas passaram a receber também
atlas de Geografia.
Em 2007, foi realimentado o Plano Nacional do Livro Didático para a Alfabetização de
Jovens e Adultos (PNLA). Sendo distribuídos os livros para as escolas parceiras do Programa
Brasil Alfabetizado (PBA).
A cada ano novos requisitos eram implementados em busca da melhoria do plano. Em
2012, o PNLD sofre algumas alterações e passa a atender de maneira eficiente do 1° ano do
Ensino Fundamental anos iniciais até a 3° ano do Ensino médio, incluindo a modalidade
Educação de Jovens e Adultos (EJA), para estudantes acima de 15 anos, que não conseguiram
concluir na idade escolar regular. Também foram disponibilizados materiais digitais para
escola, tendo em vista os avanços tecnológicos do país. E para aqueles que ainda não possuíam
internet, eram enviados DVD como recurso adicional com jogos, simulados e infográficos
animados.

18

Para que a escola receba os materiais didáticos pedagógicos, é fundamental que a mesma
participe do Censo Escolar do INEP e que a rede na qual a escola esteja ligada, esteja inserida
também no censo. A distribuição do Livro Didático para as escolas é feita por meio de parcerias
entre Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e a Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos (ECT) que retira das empresas editoras para as instituições de ensino.
Conforme o PNLD de Ciências (2019), o guia do Livro Didático é um orientador para
que as escolas, em conjunto com os professores, escolham da melhor forma o seu material
pedagógico, pois irá fazer parte da sua jornada cotidiana no ano letivo. Por isso, é relevante
analisar cada obra buscando uma escolha assertiva conforme o seu Projeto Político Pedagógico
e o seu cotidiano, seguindo as peculiaridades dos seus estudantes, pois o Livro Didático é um
recurso que possibilitará ao estudante viver novas experiências (BRASIL, 2019).
No guia, é possível encontrar informações das coletâneas didáticas das obras aprovadas
pelo PNLD 2020. Para auxiliar na escolha da coleção é apresentada uma resenha contendo:
visão geral (apresentando as características da obra, a organização, principais conceitos, os
referenciais teóricos metodológicos); a descrição da obra (mostrando os detalhes da obra, por
exemplo a sua distribuição como capítulo, temas, páginas, dentre outras informações relevantes
das coletâneas); a análise da obra (indicam as diretrizes, as habilidades da Base Nacional
Comum Curricular, a formação cidadão, a qualidade do projeto gráfico); e a seção sala de aula
(descreve as relações livro didático ligado ao cotidiano, indica os aspectos positivos e as suas
limitações também para que o professor use materiais complementares).
As coleções aprovadas pelo PNLD 2020 possibilitam que o professor reajuste o livro
didático a seu planejamento. Pois as apresentações iniciais dos conteúdos permitem a
interdisciplinaridade, tempestades de ideias, proporcionando que o professor venha conhecer o
estudante e fazer uma ponte entre o Livro Didático e a realidade da escola. Conforme o guia de
livros didáticos de Ciências, os livros disponibilizados apresentam linguagem de fácil
compreensão para professor e o estudante, informações atualizadas, conceitos corretos sobre a
perspectiva de uma aprendizagem significativa conforme critérios e habilidades apresentados
na BNC.

2. 2: Referenciais teóricos
2. 2. 1: O Ensino de Ciências e a sua função social
Pensando no Ensino de Ciências sobre a luz da pedagogia histórico-crítica, que tem
como objetivo proporcionar uma educação que priorize a humanização dos sujeitos, por meio
do compartilhamento dos conhecimentos construídos ao longo da sua trajetória histórica. A

19

mesma, conforme Campos (2020), leva em consideração algumas proposições para o ensino de
ciências como descreve a citação:
(...) conhecer e intervir na realidade; reflexão crítica; ciência como produção
histórica condicionada por fatores econômicos, culturais, políticos e sociais;
professor mediador; papel transformador da educação escolar; transformação
social; crítica à racionalidade técnica; conhecimento como instrumento de
emancipação; consciência crítica; articulação entre teoria e prática (práxis);
crítica à sociedade capitalista e ao capital; professor comprometido com
transformação social; emancipação; articulação político e pedagógica; crítica
à racionalidade prática (CAMPOS, p.226, 2020).

As pedagogias críticas trazem ao Ensino de Ciências a criticidade, o diálogo, a
construção do conhecimento baseada nos aspectos políticos, capitalistas, culturais e sociais. Isto
é, todos os elementos que envolvem a formação do ensino aprendizagem dos estudantes.
Os valores sociais são aqueles que compreendem a subjetividade, as crenças e culturas
que é o que define o gênero humano, o qual traz as características dos sujeitos e a partir daí as
linguagens, regras e identidade se formam. Estes aspectos são construídos e acumulados ao
longo da história (GERALDO,2006). Logo, a educação é de suma importância, pois sua função
é formar cidadãos para as vivências sociais por meio da mediação dos saberes.
Nessa formação dos sujeitos, outras instituições participam como o meio ambiente, a
família, as instituições religiosas, as empresas de trabalho e os amigos. Deste modo, a escola
tem a importante função de mediar os conhecimentos escolares técnicos bem como os
filosóficos, artísticos, tecnológico e científicos os culturais, todos inseridos no currículo escolar.
A Didática é o campo da Pedagogia que se configura no modo como a aprendizagem é
mediada, na sua metodologia, nas condições do processo de ensino. Conforme Saviani (2000),
na Pedagogia Histórico-Crítica, a didática vai mostrar os caminhos para que os estudantes não
busquem apenas memorizar ou se apropriar do conhecimento, mas que possam entender o
processo e os fatores envolvidos. Deste modo, a metodologia utilizada fará toda diferença por
meio da junção das exigências sociais, dos fatores pedagógicos e dos objetivos de cada
componente curricular.
A Ciência, em especial, é de sua importância pois traz aspectos do cotidiano e da própria
espécie humana para dentro da sala de aula. Desse modo pode-se afirmar que:
O conhecimento científico torna-se, a partir da idade moderna, um importante
bem de produção, fazendo parte das forças produtivas da sociedade. São as
forças produtivas de uma sociedade que constituem o poder que nela se
acumula e se desenvolve, portanto, o conhecimento científico gera poder, de
manipulação e/ou transformação da natureza e das estruturas sociais; assim, a
ciência está ligada aos interesses humanos, às intencionalidades, às finalidades
humanas. Então, a distribuição social do conhecimento científico é parte
fundamental da socialização dos bens socialmente produzidos ao longo da

20

história cultural do homem, e representa uma parcela importante do poder
socialmente produzido ao longo da história da humanidade (GERALDO, p.
67, 2000).

A Ciência permite que o estudante possa transformar a sua realidade por meio dos
conhecimentos técnicos, sociais e científicos que são envolvidos com fatos encontrados no
espaço em que vive, fazendo com que os seus argumentos sejam apresentados com maior
clareza, tendo várias leituras do mundo em que faz parte.
Conforme os pressupostos da Pedagogia Histórico-Crítica, o ensino de Ciências e/ou
Biologia deve ser pensado sobre dois objetivos: os cognitivos, que como o próprio nome já o
descreve, faz referência aos conhecimentos gerais e as habilidades a seres desenvolvidas. E o
segundo objetivo são atitudinais, ressaltando as atitudes ou ações dos estudantes como
responsabilidade, ética, respeito, solidariedade, tolerância, coletividade, dentre outros. E nesta
relação de ensino e aprendizagem o professor será o socializador para que, utilizando os
recursos didáticos pedagógicos e valores sociais acumulados, possa mediar os saberes para
alcançar esses objetivos.
Pensar em implementar o currículo fundamentado na pedagogia histórico-crítica é trazer
a valorização do trabalho do professor na sua jornada de trabalho, nos espaços para
planejamentos das aulas, nas questões salariais, pois estes aspectos farão a diferença no plano
educacional dos estudantes (GAMA, 2015).
Ainda conforme os estudos da autora mencionada acima, o conteúdo a ser apresentado
na sala de aula é de extrema importância também. Pois o mesmo é pensado e construído de
acordo com os valores sociais da sua comunidade, deste modo compete à escola trazer aspectos
que auxiliem os estudantes no ambiente em que vivem, de acordo com os objetivos da
aprendizagem. Por isso, abordar os temas sobre saúde pública, como a pandemia, trará
resultados significativos não só referentes a aprendizagem do conteúdo, mas a todos os demais
aspectos que os sujeitos participam. Deste modo, o sujeito social que está sendo formado irá
trazer modificações para o meio em que está inserido e compreenderá melhor a sua realidade.
Destacando que o desenvolvimento cognitivo não deve ser trabalho nas escolas separado do
emocional e do corporal.
Ensinar Ciência requer pensar um problema ou em um tema em sua totalidade e não
apenas individualizar uma problemática sem levar em consideração todos os participantes
envolvidos (SOUZA, 2020). Por exemplo, ao trabalhar o tema água, não basta apenas mostrar
as etapas da Estação de Tratamento de Água, ou as questões da importância da higiene pessoal,
ou o consumo sustentável, deve-se pensar nas questões econômicas, no contexto social daqueles

21

que possuem ou não água potável, as políticas públicas que garantem o direito ao saneamento
básico da água tratada, nas questões culturais a respeito da higiene pessoal, como tomar banho
todos os dias, que é um valor cultural herdado pelos índios. Esses e outros fatores fazem do
ensino de ciência uma ferramenta que traz o sujeito, humano, para o debate.
Em contribuição ao argumento a respeito do ensino de ciências para formação dos
cidadãos e objetivando uma aprendizagem plural a respeito de determinado conteúdo, a autora
ressalta que:
A contribuição da análise da ciência, como instituição para formar cidadãos
autônomos, capazes de opinar e agir, exige que as questões científicas sejam
consideradas em seus multifacetados aspectos: éticos, políticos, culturais e
econômicos, sem que haja doutrinação, forçando os jovens a adotarem
posturas preestabelecidas (KRASILCHIK, p.6, 1993).

Para que o ensino de ciências contribua para colher bons frutos na formação e
aprendizagem dos estudantes, é fundamental que este campo do conhecimento seja visto para
além de uma fonte de conhecimento. Precisa ser veiculado ao dia a dia dos sujeitos para que
contribua e faça parte da sua vida, buscando melhores condições para o ambiente em que vive.
Tendo a necessidade de modificações nos currículos escolares, nas práticas pedagógicas, nas
políticas públicas relacionadas à educação e na formação inicial e continuada dos educadores.
Diante disso, é importante também se colocar no lugar do educando para que ganhar a
sua confiança e auxiliá-lo para entender os caminhos da aprendizagem, não simplesmente
transcrever o que está no livro, sem uma mediação ou uma ligação com o ambiente vivenciado
por professor aluno, ou com os saberes adquiridos pelos estudantes, pois “o professor que não
sabe onde está o seu aluno, em termos cognitivos, não pode tocá-lo, atingi-lo, envolvê-lo no
processo de aquisição de conhecimento” (SCHNETZLER, p. 18, 1992).
A aprendizagem pode ser estruturada sobre dois fatores: os conhecimentos prévios dos
estudantes e o ensino apresentado em sala na sala de aula. Pois, devido as suas vivências dentro
e fora do ambiente escolar a ciência já está presente, diretamente ou indiretamente, por isso a
depender do objeto do conhecimento haverá conhecimentos pré-existentes que serão
ressignificados, ou construído novamente. Por isso, é fundamental destacar o compromisso que
o aluno deve ter com sua aprendizagem, e o professor também em mostrar os conhecimentos
científicos desenvolvido historicamente e socialmente (SCHNETZLER, 1992).
Em uma pesquisa feita com 374 estudantes, de cinco regiões no Brasil a respeito da
importância do Livro Didático de física para os estudantes, demonstraram que o Livro Didático
deve ou deveria apresentar conceito adequados, esquematizações para exemplificar e
simplificar o conteúdo, textos curtos mais sem deixar de tratar das principais temáticas que

22

envolvem o conteúdo, imagens, ligações com plataformas digitais e abordagens dinâmicas que
despertem o interesse pelo conteúdo (ARTUSO et. al., 2019). Sendo uma das qualidades mais
apresentadas: não ter erros conceituais, mostrando uma preocupação com o rigor científico,
pois, mesmo a coleção didática passando por um grupo de avaliadores especializados e ter
resumos ou sínteses dos conteúdos, no final do capítulo, por exemplo.
Os autores citados acima acreditam que os alunos apontam os resumos presentes nos
livros como um aspecto positivo por esta prática está presente no seu cotidiano, tendo em vista
os postes nas redes sociais, memes, matérias jornalísticas, blogs, em que a linguem direta pode
auxiliar para revisar os conteúdos vistos. Sem falar que esses aspectos visuais também podem
auxiliar na aprendizagem por meio dos mapas conceituais que apresentam resultados positivos
descritos por outros autores como a Teoria da Aprendizagem Significativa descrita por Ausube.

2. 2. 2: Panorama histórico das Pandemias vivenciadas pela população mundial
Antes de fazer uma abordagem panorâmica a respeito das Pandemias vivenciadas pela
população mundial, são necessárias, para fins de esclarecimentos didáticos, algumas
definições de termos ligados à temática, sendo eles: surto, endemia, epidemia e Pandemia.
Segundo o guia para investigação de surtos e epidemias do Ministério da Saúde, o surto,
também conhecido como evento inusitado em saúde pública, refere-se à frequência elevada de
uma doença em um determinado local ou em uma pequena comunidade específica durante um
período de tempo. Já a endemia está ligada à ocorrência contínua de uma doença ou agente
infeccioso em uma determinada área geográfica. A epidemia envolve uma maior zona
geográfica e de casos infectados também de uma possível patologia (BRASIL, p. 11, 2018). E
a Pandemia pode ser denominada como uma endemia global, isto é, que abrange grandes
proporções, estando presente em diversos países e continentes (REZENDE, p. 154, 1998).
Nos tempos atuais, vivenciamos um momento que para alguns nunca foi imaginado
passar, um confinamento, uma busca por prevenção de um vírus, uma luta constante por
mudanças de hábitos de higiene, da rotina, momento de se reinventar, de avanços tecnológicos
e científicos. Também de muitas perdas de vidas, abraços, planos, enfim, uma Pandemia.
E mesmo que seja um dos temas mais falados entre os anos 2020 a 2022, esse mesmo
momento já foi vivenciado muitas vezes ao longo da história da humanidade. Para entender as
fases difíceis vivenciadas pela população mundial, será desenvolvido um panorama geral das
pandemias apresentado em tópicos:

23

Peste Negra:
Foi em meados dos anos de 1347 que a Peste Negra se iniciou. Acredita - se que começou
na China e se expandiu para Europa por meio das grandes navegações comerciais, sendo
transmitida para o homem por meio das pulgas de ratos. Ao observar a data deste fato histórico,
podemos inferir que a medicina não tinha tantos avanços comparado com o desenvolvimento
teológico do século atual. Logo, as análises eram mais baseadas nas observações.
Conforme a literatura, depois de quarenta dias que as pessoas estavam ancoradas em
uma embarcação, tendo em vista o grande índice de infectados, que as iniciativas para conter a
doença foram se desenvolvendo, surgindo o termo quarentena. Tempos depois, os
pesquisadores chegaram à conclusão de que a Peste Negra era causada pela bactéria Yersinia
pestis (PRIETO, 2020).
A Yersinia pestis é caracterizada por ser um bacilo Gram-negativo tendo o potencial de
sobreviver juntamente com sua infectividade, entre cinco a dezesseis meses em: solos, ninhos
de animais e em fezes dessecadas das pulgas, podendo causar doenças para macacos, ratos,
camundongos, cobaias, coelhos e o ser humano (NEVES, 2016).
É importante destacar que para que esta bactéria possa infectar o homem é necessário
que antes tenham um nível elevado de ratos contaminados, podendo ser o surgimento de vários
ratos mortos, em determinada região, um alarme para conter esses roedores em busca da
promoção da saúde da comunidade.
Após a morte dos roedores, as pulgas procuram outros hospedeiros substitutos que
podem ser outros ratos ou o homem. Ao encontrar, rapidamente a pulga infectada começa a se
alimentar, isso porque as bactérias se multiplicam no trato digestório da pulga, formando uma
espécie de biofilme que funciona como uma barreira fazendo com que o sangue que ela
consome seja rapidamente regurgitado (TORTORA, 2012).
A Peste Negra ganhou esse nome por causa de uma das suas características provocadas
após a sua transmissão devido as áreas azul-escuro deixadas ao longo da pele por causa das
hemorragias (TORTORA, 2012).
Após a picada da pulga contaminada, as bactérias passam para corrente sanguínea e para
linfa. Um fator que potencializa a sua virulência é a capacidade de sobreviver dentro das células
fagocíticas, em que normalmente deveria ser destruída por elas. Um dos sintomas da doença é
o aumento dos linfonodos das axilas e das virilhas, causando inchaços conhecido como bubões,
por isso que a doença também é chamada de peste bubônica, e a ação do sistema imunológico
para tentar conter o agente estranho por meio da febre (TORTORA, 2012).

24

Segundo Neves (2016), a peste negra chegou ao Brasil em meados de 1899, inicialmente
no porto de Santos da cidade de São Paulo. Em seguida, foi se espalhando por toda região
litorânea e dos interiores do país. Tempos depois, a doença foi controlada com medidas
sanitárias, destacando a importância das medidas de higienização dos ambientes de maneira
geral, sem falar que este era um período em que a questão de saneamento básico era muito
precária.
Entre os anos de 1937 a 1945, durante a guerra de Sino-Japonesa, as pulgas
contaminadas com Yersinia pestis foram utilizadas como arma biológica para conter os
inimigos da guerra sobre a China, onde eram lançadas nos territórios da guerra por aviões
(TORTORA, 2012).

Varíola:
A Varíola é uma doença que esteve presente na história da humanidade desde da
antiguidade. Devastou várias vidas, inicialmente na cidade de Atenas Antiga, por meio da sua
transmissão de indivíduo para indivíduo. Serviu também como arma biológica, matando vários
índios durante os conflitos em busca de territórios para domínio americano (PRIETO, 2020).
Este vírus, a varíola, pode contaminar as pessoas por meio da inalação das gotículas
infectadas liberadas no ambiente pelo paciente, ou ainda por meio das mucosas oral, nasal ou
faríngea dos sujeitos contaminados. Existem registros de infecção por meio do contato com os
objetos dos portadores da varíola com: lençol, roupas e utensílios individuais, apesar destes
casos serem pouco frequentes (LEVI; KALLAS, 2002).
O período de incubação varia entre 7, 12 a 14 dias. Apresenta como sintomas: lesões na
pele a partir do terceiro dia, febre alta, dores nas costas. Ao chegar no décimo dia a febre é
controlada e as lesões ficam com aspecto de crosta na pele. O desenvolvimento da doença vai
depender do sistema imunitário de cada organismo podendo ser leve, moderado ou grave. O
diagnóstico pode ser clínico, por meio das observações das características da patologia, ou pode
ser laboratorial, com o cultivo do vírus utilizando técnicas específicas para comprovar a
presença deste ser acelular.
No Brasil, a varíola se disseminou inicialmente pela região nordeste no país, que de
maneira acelerada contaminou várias pessoas e muitos perderam a sua vida. Prevaleceu por
muitos anos, sendo o Brasil o último dos países da América a erradicar esta doença em meados
de 1972 (LEVI; KALLAS, 2002).

25

Cólera:
A Cólera é outra doença que traz um histórico diferenciado das demais, pois já causou
Pandemias mais de uma vez no mundo, causando a infecção e morte de muitas pessoas.
Diferente das demais Pandemias, a cólera tem como agente causador uma bactéria e não um
vírus como nas demais Pandemias, denominada como Vibrio cholerae. Podendo está presente
na água ou em alimentos contaminados com fezes, destacando a importância do saneamento
básico e de um abastecimento de água potável de qualidade. Por outro lado, traz uma
preocupação para as pessoas que vivem em situação de miséria ou sem as condições mínimas
para sobreviver. Situação que ainda hoje é uma realidade no Brasil e em outros lugares do
mundo (VALDÉS et. al, 2011).
Conforme González Valdés et. al. (2011), esta é uma infecção intestinal aguada em que
é descrita pelos pesquisadores por ter causado oito Pandemias. Com o seu primeiro período
pandêmico documentado em 1817, na região da Ásia, em seguida para os países árabes se
expandindo para os demais continentes do mundo com duração de seis anos e um dos países
mais afetado foi a Índia. A segunda Pandemia ocorreu entre os anos de 1826 e 1851,
inicialmente na Índia e posteriormente para América Central, do Sul e do Norte. A terceira foi
logo após a segunda onda entre 1852 a 1859 atingindo a Ásia, Europa, África e a América.
A quarta Pandemia desta doença afetou a Ásia, América e a Europa nos anos de 1863 a
1879. A quinta foi dois anos depois, em 1881 e 1986, chegando à Europa, América, África e à
Ásia. A sexta teve início no subcontinente indiano e se alastrou até a Ásia Menor, Europa e a
África. A sétima foi em 1961, a princípio ocorreu de maneira leve e depois os índices
aumentaram de maneira exponencial, iniciando em uma ilha na Indonésia e depois América
Latina, África, Ásia e na Europa.
Segundo Gerolomo et. al. (2000), No Brasil os primeiros casos que ocorreram na sétima
Pandemia de cólera foram detectados na Amazônia, migrando para toda região norte, um ano
depois, para região nordeste do país e no seguinte para região sul. As condições ambientais
precárias e os descasos com as condições básicas para sobreviver foram um dos principais
fatores para conseguir controlar esta bactéria. Diante do ambiente para o desenvolvimento e
proliferação deste microrganismo, as populações mais pobres foram as que mais sofreram, pois
estavam mais propícias a serem contaminadas por causa do ambiente em que viviam. O país
também foi afetado por Pandemias anteriores de cólera.
A oitava Pandemia de cólera se desenvolveu em 1992 estando presente em muitos países
entre eles: Índia, China, Equador, Brasil, Estados Unidos da América, Peru, Colômbia, Bolívia

26

dentre outros (GONZÁLEZ VALDÉS et. al., 2011). Os surtos de cólera ainda podem acontecer.
Acredita-se que os desastres ambientais naturas ou provocados pelo homem, por exemplo, as
enchentes, podem ser um sinal de alerta para o surgimento desta doença que a depender das
condições do ambiente pode causar a mortalidade de muitas pessoas. Além dos riscos à saúde,
pode causar danos nas estruturas sociais, econômicas, emocionais e no bem-estar geral da
comunidade afetada.
Segundo dados publicados em 19 de novembro 2019 pela Secretaria de Saúde do Estado
de Goiás, o último caso de cólera no Brasil foi em 2005. No total de cinco casos no estado de
Pernambuco (BRASIL, 2019).
A Vibrio cholerae foi descoberta pelo pesquisador Robert Koch, em 1883, tendo um
potencial de discriminação elevado, a depender das condições do ambiente, podendo sobreviver
fora do corpo por até sete dias. Esta bactéria tem como reservatório o ser humano, mas já existe
estudos que comprovam a presença deste microrganismo em outros grupos de organismos
aquáticos como ostras, moluscos e caranguejos (GONZÁLEZ VALDÉS et. al., 2011).
Os principais sintomas causados por esta doença dependem das manifestações clínicas,
podendo ser leve, moderado e grave, podendo ocasionar: diarreia de modo recorrente, cólicas
abdominais, vômitos, febre, convulsões, fraquezas, dores musculares, desiquilíbrios nos níveis
de ácido no sangue (acidose), baixos níveis de potássio no sangue (hipocalemia), hipoglicemia
(baixa concentração de glicose no sangue), insuficiência renal etc. O diagnóstico é feito por
meio de um exame laboratorial de fezes.
Entre as mediadas preventivas estão: educação em saúde por meio de campanhas para
informar a população os riscos e as medidas de profilaxia, água potável com tratamento eficaz,
saneamento básico, higienização dos alimentos antes de serem consumidos, o cadáver deve ter
o mínimo de contado devendo ser tomado todo cuidado como o uso de luvas, máscara e avental,
deve haver a desinfecção do cadáver com uma solução de cloro a 0,5% e a cerimônia fúnebre
não deve acontecer para evitar aglomerações ou qualquer contato (GONZÁLEZ VALDÉS et.
al., 2011).
Gripe Espanhola:
Em meados dos anos de 1918, a Gripe Espanhola apareceu. Um vírus que os
pesquisadores acreditam ter origem no porto francês de Bres se disseminando para diversos
outros países como: Inglaterra, Itália, Alemanha e, finalmente, para a Espanha. Estima-se que
durante essa Pandemia foram mortos cerca de 40 a 50 milhões de pessoas. Tendo várias ondas
que devastaram a vida de muitos. Segundo Tortora (2012), a mortalidade deste vírus estava

27

mais concentrada entre a população de jovens e adultos. A infecção viral atingia o trato
respiratório superior e em alguns casos ao pulmão causando hemorragia fatal. Pesquisadores da
área destacam também que o vírus poderia atacar as células de outros órgãos.
Durante o período de 1918 a 1919, que foi o tempo de duração dessa Pandemia, as
tecnologias ligadas à genética ainda estavam em processo de construção, por isso que somente
em 2015 foi possível fazer o sequenciamento genético completo do vírus por meio da análise
em materiais preservados de um pulmão encontrado em um soldado norte-americano infectado
pelo vírus e de uma vítima soterrada em uma região congelada no solo do Alasca. O qual os
resultados mostraram que a Pandemia teve por consequência um vírus aviário H1N1, tendo 10
mudanças de aminoácidos (TORTORA 2012, p. 694).
Em 2009, a Gripe suína ou Influenza A H1N1 foi considerada uma Pandemia conforme
a Organização Mundial (OMS). Inicialmente, a sua transmissão foi entre suínos e o ser humano,
se alastrando de maneira muito rápida para diversos países. A mesma infectou todas as faixas
etárias, e a sua capacidade de virulência atingiu cerca de 30 a 50% da população das regiões
que foram atingidas. Estima-se que 207 países foram infectados com este vírus (GOMES;
FERRAZ, 2012).
Este é um vírus que traz uma doença respiratória, o qual pode ser visto nos dados
citados. Rapidamente atravessou fronteiras. Iniciou-se no México e depois nos demais países.
No Brasil, as regiões que mais sofreram com esse vírus foram sul e sudeste. Segundo estudiosos,
este fato está ligado à quantidade populacional devido ao espaço geográfico e também as
questões do clima devido ao período chuvoso (AUERBACH et. al, 2013).
Conforme Auebach et. al. (2013), logo após as primeiras semanas das viagens deste
vírus, medidas de prevenção foram prescritas pela Organização Mundial da Saúde para
distanciamento social dos infectados voluntariamente e orientações destacando a higiene
pessoal. Inicialmente, foi chamado como Gripe Suína, onde neste momento as carnes suínas
foram suspensas para o consumo, depois ficou conhecida também como Gripe Mexicana, no
entanto, por causa do preconceito com os mexicanos, a OMS interviu até chegar a uma nova
definição Influenza H1N1.
Estima-se que 53. 198 casos do vírus foram confirmados no Brasil e 2.083 casos que
levaram à morte, ou seja, o país e o mundo viviam em um cenário de tristeza, perdas e busca
por prevenção na luta pela vida. Em uma escala estadual, os estados que tiveram maior número
de casos foram respectivamente: Paraná, Santa Catarina e São Paulo de acordo com o número
de habitantes (AUERBACH et. al, 2013).

28

Covid- 19:
O coronavírus, causador da doença Covid-19, compreende um vírus do tipo RNA com
alta capacidade de mutação. O vírus, SARS- CoV-2, como é cientificamente denominado, foi
identificado pela primeira vez na China, na cidade de Wuhan em dezembro de 2019, mas,
rapidamente se espalhou para outros países, sendo decretado, no final de janeiro, Pandemia pela
Organização Mundial da Saúde (OMS) (LANA et. al., 2020).
De acordo com Belasco e Fonseca (2020), a principal via de disseminação e
contaminação com o vírus ocorre através das vias aéreas, por meio das secreções respiratórias.
Entretanto, a letalidade do vírus é relativamente baixa comparada a letalidade de outros vírus,
sendo em torno de 3%. Este dado vai de encontro à rapidez com que o vírus tem se propagado
e provocado vítimas fatais.
A alta capacidade infectividade do vírus se dá devido às proteínas que estão associadas
ao envelope viral chamada de Spike. A infecção por coronavírus pode provocar sintomas como:
febre, tosse seca, dispneia, mialgia, cefaleia, dor na garganta, dentre outros, incluindo a falta de
ar, podendo levar a falência dos órgãos provocando a morte (LIMA, 2020). Mcintosh (2020)
relata a grande variedade de pessoas que o SARS- CoV-2 pode contaminar, sendo que a Covid19 pode acometer mais gravemente pessoas com idade igual ou superior há 60 anos de idade e
com doenças associadas que tendo uma baixa imunidade. No entanto, ao longo do período
pandêmico, foi possível observar a contaminação com diferentes faixas etárias de idade sendo
contaminadas pelo vírus de maneira sintomática e assintomática,
Segundo Costa (2020), os idosos estão no quadro de pessoas mais vulneráveis devido
às doenças que podem fazer parte desta fase da vida, a depender dos cuidados com a saúde ao
longo da vida e de fatores hereditários, como doenças crônicas preexistentes que exigem
maiores cuidados.
Conforme dados publicados no Boletim de Serviço de Vigilância à Saúde pelo Instituto
Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz
(2020), em 11 de março de 2020 a Organização Mundial da Saúde declarou a Pandemia do
novo coronavírus. No Brasil, o primeiro caso foi confirmado no estado de São Paulo em 26 de
fevereiro de 2020.
E esses índices só aumentaram como uma curva exponenciais crescentes. Conforme o
site governamental Coronavírus Brasil,1 até o dia 01 de agosto 2021 às 17:50, foram registrados
no país 20.804.215 casos confirmados, 581.150 óbitos, tendo uma incidência para cada 100 mil
1

Disponível em:< https://covid.saude.gov.br/>. Acessado em 01 de agosto de 2021.

29

habitantes de 9899,8 resultando em uma mortalidade/100 mil habitantes 276,5. Dados que
trazem uma reflexão dos cuidados básicos com a vida e as medidas de prevenção para evitar as
proliferações virais. O Ministério da Saúde (MS) estabeleceu algumas medidas preventivas
como: distanciamento social e higiene pessoal, bem como uso obrigatório de máscaras em
qualquer ambiente de área livre ou fechada, como supermercados, bancos, lojas, escolas,
igrejas, etc.
Considerando as mudanças provocadas pela Pandemia na sociedade, entende-se que este
assunto deve ser contextualizado e problematizado em sala de aula, especialmente, nas aulas de
Ciências, já que se trata de um vírus, que compreende uma das diversas abordagens da
disciplina. Nessa perspectiva, o presente projeto busca contribuir com esta discussão,
entendendo a importância que o Livro Didático pode desenvolver na formação de sujeitos
conscientes e capazes de melhorar sua qualidade de vida através das aprendizagens construídas
em sala de aula.
Na próxima seção, serão apresentados os caminhos metodológicos da pesquisa,
escrevendo cada etapa que fizeram parte da pesquisa para que os leitores possam compreender
como os dados foram planejados e analisados segundo os referenciais teórico de cada tópico da
seção.

30

SEÇÃO 3: ASPECTOS METODOLÓGICOS
Para uma melhor compreensão dos aspectos metodológicos, foram desenvolvidos
tópicos com os principais elementos que fizeram partes da pesquisa destacando: o tipo de
pesquisa; a abordagem da pesquisa; os critérios de análises; o objeto de estudo e a coleta e
análises de dados.

3.1 Tipo de pesquisa
A pesquisa é do tipo documental em que permitem uma reflexão, análise e
interpretações que podem ser visualizadas sobre diferentes respectivas. Por isso, foi importante
o planejamento da pesquisa por meio da formulação de questões a serem estudadas. Tendo
relevância para diferentes áreas do conhecimento, sendo o pesquisador o integrante responsável
pela análise dos documentos. Tentando investigar os aspectos, contribuíram com a pesquisa
conforme do objetivo da pesquisa (KRIPKA; SCHELLER; BONOTTO, 2015).
De acordo com Gil (2008), a pesquisa documental possui alguns elementos que são
comparadas com a bibliográfica. E o que diferencia uma da outra é a sua fonte, em que na
pesquisa documental as mesmas não passaram por uma análise e/ou avaliação analítica, ou que
podem ser remodeladas de acordo com a questão da pesquisa a ser estudada. Por exemplo:
livros, jornais, cartas, contratos diários, relatórios, reportagens, fotografias, gravações, tabelas
estatísticas, dentre outros. Já a bibliográfica, argumenta a respeito do tema com artigos
científicos, por exemplo.
Uma das vantagens da pesquisa documental foi a necessidade do contato direto com o
sujeito. Em especial, na atual situação em que vivemos, em tempos de Pandemia, o qual uma
das recomendações é o distanciamento social.

3.2 Abordagem da pesquisa
A pesquisa possui uma abordagem qualitativa que, segundo Flick (2013), busca
apresentar questões subjetivas a partir de uma perspectiva dos sujeitos ou do objeto de estudo.
Levando em consideração o contexto a qual a pesquisa será aplicada, estudando as causas e os
efeitos, tendo um escopo para direcionar a pesquisa.

3. 3 Critérios de análises
A pesquisa foi norteada adotando os seguintes critérios: recursos visuais e apresentação
didática, conforme o objeto de estudo. Os mesmos foram categorizados quanto ao conteúdo.
(Ver quadro 1).

31

Quadro 1: Critérios de análises

Abordagens educacionais

Critérios de análise

CONTEÚDO

Quais os conteúdos estão ligados ao tema geral
Pandemia?
A forma como é orientado o trabalho do professor propõe
relação com outras disciplinas?
O conteúdo estabelece diálogo com a vivência cotidiana
dos estudantes?

RECURSOS VISUAIS

As representações narrativas, como imagens, formas
geométricas, layout da página e as configurações visuais
de maneira geral apresentadas, possibilitam uma fácil
compreensão do que estar sendo apresentado?

APRESENTAÇÃO DIDÁTICA Os temas apresentados são de fácil compreensão levando
em consideração o ano
A abordagem do tema traz sugestões ou recursos que
possam estimular a curiosidade dos professores e ao longo
da exposição do tema?
Fonte: Autora, 2021.

É importante ressaltar que as análises das imagens foram com base nas ideias dos
teóricos Kress e Leeuwen (1996) em seu livro “Reading images: the grammar of visual design”
(Lendo imagens: gramática do design gráfico) com enfoque representacional relacionado aos
aspectos narrativas e as representações conceituais.
Para fins de esclarecimento da diferença, é importante ressaltar a diferença entre ambos
aspectos. As imagens classificadas com narrativos são aqueles que trazem um aspecto que
permitem diferentes interpretações, a depender do contexto a qual está inferida mostrando
modificações. Já a conceitual, traz aspectos de classificação, sequência como por exemplos, as
caixinhas de texto dos fluxogramas, que são interligadas com as setas indicando o
direcionamento da organização das ideias, logo a mesma tem vários participantes por meio dos
vetores. Deste modo, “os padrões narrativos servem para apresentar ações em desdobramento
e eventos, processos de mudança, arranjos espaciais transitórios” (Kress e Leeuwen, p. 67,
1996).

3. 4 Objeto de estudo

32

As coleções dos livros didáticos do manual do professor referentes ao componente
curricular Ciências foram escolhidas após o mapeamento dos livros mais utilizados nas escolas
públicas municipais do estado de Alagoas. Registrados conforme a análise dos dados
disponibilizados no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para o Plano
Nacional do Livro Didático (PNLD) referente ao ano 2020. Estas coleções foram
disponibilizadas para abranger os ciclos escolares referentes aos anos de 2020 a 2023 para o
Ensino Fundamental anos finais (6° ano ao 9° ano).
As coleções estudadas foram:
✓ Araribá Mais Ciências - obra coletiva, concebida, desenvolvida e produzida
pela editora Moderna. Tendo como editora responsável Maria Rosa Carnevalle,
a mesma possui Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas.
✓ A coleção Teláris Ciências - tem por autor responsável Fernando
Gewandsznajder, doutor em Educação pela Faculdade de Educação da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestrado em Educação e em
Filosofia.
✓ Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano - tem como autores: Eduardo
Leite do Canto, professor licenciado em Química pela Universidade Estadual
de Campinas (SP), doutor em Ciências; e a autora Laura Celloto Canto,
professora bacharelada e licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade
Estadual de Campinas (SP), também é escritora de livros didáticos.

A coleção Araribá Mais Ciências é constituída por quatro volumes as quais os
estudantes recebem um a cada ano. Cada volume é dividido em oito unidades temáticas, das
quais apresenta a contextualização do conteúdo, atividades, seção como explorar, de olho no
tema, Pensar Ciências, Glossário, Coletivo de Ciências, vamos fazer e saiba mais. Os livros são
organizados segundo as unidades temáticas, como pode ser visto no quadro (2) a seguir:

Quadro 2: Organização das unidades temáticas segundo os seus respectivos anos da coleção Araribá Mais
Ciências analisada.
Anos
Unidades
1

6°
Um
dinâmico

7°

8°

9°

ambiente A vida no planeta A nutrição e o sistema Propriedades da matéria
Terra

digestório humano

33

2

O planeta Terra

A

classificação

dos Sistemas

seres vivos

A matéria

cardiovascular,
linfático e imunitário

3

A água

O reino das plantas

Sistemas respiratório, Transformações
urinário e endócrino químicas
humanos

4

A crosta terrestre

O Reino dos animais

Adolescência
reprodução humana

5

De olho no céu

Relações ecológicas e Força e movimento

e Grupos de substâncias e
reações químicas
Evolução biológica

ecossistemas
brasileiros
6

Os materiais

7

Vida, célula e sistema Calor e temperatura

Eletricidade

nervoso humano

magnetismo

8

Os

sentidos

O ar

e

Energia

Genética

os Máquinas simples e Sol, Terra e Lua

movimentos

e Ondas: som e luz

Terra e Universo

máquinas térmicas

Fonte: Autora, 2021.

Cada livro da coleção Teles Ciências é organizado 3 unidades conforme as unidades
temáticas da Base Nacional Curricular Comum (BNCC), e subdivididos em capítulos por ano
compreendendo do 6° ao 9° ano (quadro 3).

Quadro 3: Organização das unidades temáticas segundo os seus respectivos anos da coleção Teles Ciências
analisada.
Unidades
Anos
6°
1

O planeta Terra

7°

8°

Terra:

Os

Reprodução

movimentos da crosta

9°
Genética, evolução e
biodiversidade

e a atmosfera
2

Vida: interação com o

Ecossistemas,

A Terra e o clima

ambiente

impactos ambientais

Transformações

da

matéria e radiações

e condições de saúde
3

A matéria e suas

Máquinas,

calor

transformações

novas tecnologias

e

Eletricidade e fontes

Galáxias, estrelas e o

de energia

Sistema Solar

Fonte: Autora, 2021

A coleção Ciências naturais, aprendendo com o cotidiano, é dividida em quatro unidades
denominadas A, B, C e D e subdividido em capítulos seguindo os objetos do conhecimento e
habilidades da BNCC para os quatro anos (6° ao 9° ano) dos anos finais do Ensino Fundamental
conforme o quadro 4.

34

Quadro 4: Organização das unidades temáticas segundo os seus respectivos anos da coleção Ciências naturais:
aprendendo com o cotidiano.
Unidades
Anos

A

6° ano

7° ano

8° ano

9° ano

Cap. 1 - Seres vivos

Cap. 1 - Biodiversidade

Cap. 1 - Alimentos e

Cap. 1 – Reações

e

Cap. 2 - Adaptação dos

nutrientes

químicas

seres vivos

Cap.

Cap. 3 - Diversidade da

digestório

Cap.

vida

Cap. 3 - Sistemas

elétricas e modelo

microscópica

circulatório, linfático

atômico

e urinário

Rutherford

cadeias

alimentares
Cap.

2

-

Fotossíntese
Cap.

3

-

Teias

alimentares

2

-

Sistema

e

Teoria

Atômica de Dalton

Cap.

2

3

-

Cargas

de

-

Ondas

eletromagnéticas

e

modelo atômico de
Bohr
B

Capítulo 4 - Níveis

Capítulo 4 - Fungos

Capítulo 4 - Sistema

Capítulo 4 - Ligações

de organização do

Capítulo 5 - Animais

respiratório

químicas

corpo

invertebrados:

Capítulo

humano

Principais grupos

Reprodução sexuada

Capítulo 5 - Ossos e

Capítulo

músculos

Saneamento básico

6

-

e

5

-

Capítulo 5 - Acústica
Capítulo 6 - Óptica

reprodução

assexuada em animais

Capítulo 6 - Visão

Capítulo

6

-

Reprodução sexuada
e

reprodução

assexuada em plantas
C

Capítulo 7 - Sistema

Capítulo 7 - Peixes,

Capítulo

nervoso

anfíbios e répteis

Adolescência,

Cinemática

Capítulo 8 - Aves e

puberdade e

Capítulo 8 - Dinâmica

Substâncias

mamíferos

sistema endócrino

Capítulo

químicas

Capítulo 9 - Principais

Capítulo

biomas brasileiros

Reprodução humana

Capítulo

Capítulo

D

8

9

-

-

7

8

-

-

Transformações

Capítulo 9 - Sexo,

químicas

saúde e sociedade

Capítulo
Atmosfera

10

Capítulo

7

9

-

10

-

Gravitação

-

Capítulo 10 - Máquinas

Capítulo 10 - Previsão

Capítulo

e

simples

do tempo

Genética

Capítulo 11 - Lua e

hereditariedade
Capítulo

hidrosfera

Capítulo

11

-

Capítulo 11 - Nosso

Temperatura, calor e

constelações

planeta e os recursos

efeito

Capítulo

minerais

estufa

Produção e uso de

Capítulo 12 - Dia e

Capítulo 12 - Gases da

energia

noite: regularidades

atmosfera e placas

elétrica

12

-

-

e

11

-

Evolução dos seres
vivos

35

celestes

da litosfera

Capítulo

12

-

Desenvolvimento
sustentável
Fonte: Autora, 2021

3. 5 Coleta de dados
Os dados foram coletados por meio de recortes dos livros didáticos e quadros com as
categorias de análises. Foram coletados pelos livros digitais e físicos disponibilizados por uma
escola da rede pública do município do estado de Alagoas.

3. 6 Análise dos dados
A apreciação dos dados foi feita por meio da técnica de análise de conteúdo, uma
metodologia baseada nas ideias Bardin (2016), o qual tem por fundamento fazer uma descrição
dos dados adotando as seguintes etapas: pré – análise, exploração do material e tratamento dos
resultados por meio das interpretações. A análise de conteúdo busca encontrar respostas para a
pergunta da pesquisa, trazendo uma colaboração significativa para área em estudo.
Segundo o método de Bardin (2016), na pré-análise foi o período de organização das
ideias, seguindo um caminho ideológico com os objetivos já listados, em busca de um plano
para chegar às sucessivas análises. Sendo feita a escolha das coleções dos livros didáticos de
Ciências dos anos finas do Ensino Fundamental, desenvolvendo uma planilha com os critérios
de análises e as hipóteses, que após a segunda fase da investigação, foram aceitas ou negadas.
Nesta primeira etapa, foi desenvolvida o que a autora chamou de “leitura flutuante” por meio
da leitura superficial dos livros didáticos que foram analisados em função das hipóteses,
metodologias e referenciais da pesquisa.
As hipóteses levantadas foram:
1 - O tema Pandemia é apresentado juntamente com os conteúdos da microbiologia;
2 - A relação homem e meio ambiente não faz referência às Pandemias;
3 - O livro do 7° ano é o que traz, de maneira sucinta, o conteúdo vírus mencionando as
doenças causadas pelo mesmo, no entanto, sem trazer uma relação dialógica para os perigos da
sua transmissão para o mundo, caso não tenha medidas preventivas;
4 - Mesmo a população mundial já tendo vivenciado outras Pandemias, os livros
didáticos não destacam os dados estatísticos, bem como medidas prevenção, como forma de
conscientização para os estudantes, tendo em vista o bem-estar da população;

36

5 - O ensino dos conteúdos relacionados à temática de saúde única pode contribuir para
o avanço da compreensão dos alunos acerca da Pandemia COVID-19 e a concepção de seu
impacto na saúde global.
Para construção dos critérios de análise, os mesmos foram criados segundo as hipóteses,
pontos de destaque da metodologia, em que serão analisados a sua frequência presentes nos
livros didáticos.
Na próxima seção, serão apresentadas as análises do livro didático, bem com as
discussões a respeito dos dados segundo os referenciais de cada âmbito apresentado na
pesquisa.

37

SEÇÃO 4: ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO
Para uma melhor organização a respeito das descrições e diálogos sobre as análises das
coleções dos livros didáticos. Os estudos serão apresentados conforme o conteúdo, recursos
visuais e apresentação didática, destacando cada ano do Ensino Fundamental anos finais (6°,
7°, 8° e 9°).
4.1: Coleção Projeto Araribá Mais Ciências.
Inicialmente, cada livro da coleção apresenta a formação dos autores, sendo de suma
importância, pois os conteúdos e organização do material didático irão refletir no perfil do autor.
A organizadora geral da coleção é Maíra Rosa Carnevalle, bacharelada e Licenciada em
Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São Carlos (SP).
Em seguida, é mostrado um sumário direcionando o professor à apresentação geral de
cada livro, especificando: os princípios norteadores da coleção, BNCC, alfabetização científica
e letramento, possibilidades interdisciplinares, estímulos do uso de tecnologias nos processos
de ensino-aprendizagem e a avaliação. Também traz a organização da coleção por meio dos
critérios de escolha para seleção de informações, tipos de atividades e materiais para cada
unidade.
Ao analisar a coleção, os dados foram organizados conforme o ano de cada livro
didático para que possa ser dialogado com as reflexões dos referenciais teóricos e do
pesquisador.
4.1.1 - Livro didático: Projeto Araribá Ciências Mais – 6° ano
O livro Projeto Araribá Mais Ciências do 6° ano possui oito unidades. Sendo elas: 1 –
Um ambiente dinâmico; 2 – O planeta Terra; 3 – A água; 4 - A crosta terrestre; 5 – De olho no
céu; 6 – Os materiais; 7 – Vida, células e sistema nervoso e 8 – Os sentidos e os movimentos.
Na unidade 3, na página 71, o livro traz uma orientação didática por meio de uma
pesquisa para o desenvolvimento de uma atividade dialógica, sendo esta observação analisada
na leitura flutuante do livro e após o tratamento dos dados (Bardin ,2016) em que a autora traz
uma proposta (imagem 1) a ser trabalhada com os componentes curriculares de História e
Geografia. Por meio do estudo da história do saneamento básico, destaca-se a importância de
ter uma água de qualidade, livre de dejetos e patógenos, podendo ser falado da Cólera como
uma doença que já fez parte das histórias das Pandemias no mundo. Mencionar que a sua
transmissão está ligada diretamente à falta de saneamento básico e já causou a morte de muitas
pessoas (VALDÉS et. al, 2011).

38

A atividade orientada pela autora possibilita trabalhar com a interdisciplinaridade, pois
permite a interação entre mais de uma área do conhecimento. Neste caso Ciências, História e
Geografia fazendo com que o tema seja discutido sobre diferentes perspectivas para favorecer
ainda mais os processos de ensino e de aprendizagem. Com isso, beneficiando também a
interação entre os educadores das disciplinas e os estudantes, abrindo caminhos para novos
conhecimentos e descobertas, trazendo um conhecimento complementar a partir das falas
trabalhadas, mediante as apresentadas no livro didático, de maneira contextualizada e
atendendo também aos parâmetros educacionais que regulamentam o ensino (ALVES et.al,
2015).
Esta orientação didática pode ser também uma porta de entrada para o professor relatar
a importância e o direito ao saneamento básico, que a sua falta ainda é uma realidade no Brasil
e em muitos outros países. Em especial, para as comunidades que vivem em situações de
vulnerabilidade social, com condições precárias de sobrevivência, trazendo o diálogo e a
participação ativa do estudante, fazendo menção das ideias da pedagogia libertadora, que
destaca a relevância de abordar temas das vivências dos educandos na sala de aula.
Conforme dados disponibilizados pelo Instituto Trata Brasil, 54,1% da população
brasileira das 100 cidades com maior área habitacional que fizeram parte da pesquisa não
possuem acesso a coleta de esgoto. Esta é uma questão ambiental, social e de interesse médico
a ser repensada, já que conforme os dados analisados em 2017, o Brasil despejou na natureza
cerca de 5.622 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento na natureza.
Um tema interdisciplinar que traz reflexos para busca dos direitos ao saneamento básico.
Pois o homem faz parte da natureza e a mesma está sendo afetada de maneira descontrolada.
Sem falar que a falta de tratamento do esgoto proporciona a poluição dos recursos hídricos que
desencadeia uma série de doenças como destacam-se as estatísticas de 2019, que descreve que
foram registradas 273 mil internações de pessoas nas unidades de saúde com doenças
relacionadas a poluição dos recursos hídricos.
No entanto, essa atividade deve ser uma iniciativa que esteja presente no planejamento
do professor, pois essas orientações não estão presentes no livro do estudante. Logo, se
sobressai a importância do planejamento para organização da aprendizagem e também para um
melhor direcionamento do professor na sala de aula, deixando de lado aquelas concepções de
que o planejamento didático é apenas mais um trabalho para o professor; ou que por causa dos
anos de experiências referentes a sua prática docente, o plano de ensino já está na sua mente. É
necessário fazer parte da rotina do professor para que seja sempre repensado e moldado a favor
da aprendizagem conforme as necessidades encontradas na classe escolar.

39

Para auxiliar na atividade, o livro indica o site do Sistema Nacional de Informações
Sobre Saneamento - Ministério das Cidades (http://www.snis.gov.br/). Ao acessar o site, é visto
um painel de destaque contendo algumas informações como: diagnósticos, painéis do
saneamento básico, notícias, cadernos temáticos, glossários, dados estatísticos, dentre outas
informações referentes ao tema.
A execução desta atividade atende a competência geral 2 da Educação Básica da Base
Nacional Comum Curricular (BNCC), a qual ressalta o incentivo a curiosidade do estudante
por meio de diferentes estímulos, por exemplo, a utilização de recursos tecnológicos tendo
como referência as diferentes áreas. Com a reflexão e a análise dos dados chega-se a possíveis
soluções e execução da competência específica de Ciências da Natureza do Ensino Fundamental
com a utilização de diferentes linguagens tecnológicas (BRASIL, 2018).
Figura 1: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 6° ano- orientação didática a respeito do estudo da história do
saneamento básico.

Fonte: CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá mais ciências: manual do professor. v. 4, 1. ed. São Paulo:
Moderna, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

Ainda na unidade 3 (página 73), quando retrata a respeito das doenças transmitidas pela
água (amebíase, hepatite, dengue, Chikungunya, Zica e a Malária), traz outra orientação para

40

que o professor solicite uma atividade em grupo aos estudantes por meio de pesquisas a respeito
de outras doenças, como foi destacado no recorte da figura 2.
A imagem 3 destaca a importância do layout da página por meio dos vários elementos
utilizados para facilitar e chamar a atenção de destinatário, com o destaque dos blocos verdes
chamado de “de olho no tema” e na cor bege com as orientações para o professor (KRESS;
LEEUWEN, 1996).
A pesquisa pode proporcionar novas descobertas para o estudante, mas é necessário que
o professor tenha, em sua prática pedagógica, a ideia de que “ensinar não é transferir
conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE,
p. 13, 1996). Deste modo, após a pesquisa, é necessário fazer uma roda de conversa na sala de
aula para que os estudantes dialoguem com as suas pesquisas entre os colegas de classe e o
professor, reforçando o pensamento crítico dos sujeitos e mostrando que a Ciências está
presente no cotidiano deles. Desta forma, tanto o educador quanto o educando estarão
aprendendo juntos por uma pedagogia mediada pelo diálogo.
Figura 2: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 6° ano– Doenças transmitidas pela água

Fonte: CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá mais ciências: manual do professor. v. 4, 1. ed. São Paulo:
Moderna, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

Deste modo, o livro do sexto ano traz aspectos ligados indiretamente ao tema pandemia
na unidade “A água”. Logo, o detalhamento do conteúdo vai depender do planejamento do
professor, destacando a relevância da organização da aula antes de ser ministrada, ou também
dos resultados das orientações didática sugeridas pela autora, caso o professor queira propor a
atividade.
Como citado anteriormente, esse livro não apresenta o tema de maneira explícita entre
as oito unidades trabalhadas. Mas, levando em consideração as orientações propostas pelo livro,
as mesmas são de fácil compreensão, com linguagem simples para que o professor possa

41

relembrar o conteúdo junto com os estudantes. Nesse caso, a estimulação da curiosidade dos
estudantes vai depender do desenvolvimento das atividades e do direcionamento do professor
para execução dos trabalhos. E o livro traz uma ampliação do conteúdo propondo sites e
oficinas.
4.1.2 - Livro didático: Projeto Araribá Ciências Mais – 7° ano
Este material didático também possui oito unidades. São elas: 1 – A vida no Planeta
Terra; 2 – A classificação dos seres vivos; 3 – O reino das plantas; 4 – O reino dos animais; 5
– Relações ecológicas e ecossistemas brasileiros; 6 – O ar; 7 – Calor e temperatura e 8 –
Máquinas simples e máquinas térmicas.
A primeira unidade não traz conteúdos referentes à Pandemia. Já a segunda unidade,
por se tratar da classificação dos seres vivos, no tema 2, o livro fala a respeito dos vírus, em
específico na página 47. Os vírus, apesar de não se agruparem em nenhum dos cinco reinos
(plantas, animais, monera, fungos e protista), é um grupo a parte, que traz referências com
pontos teóricos diferenciados, pois uns pesquisadores defendem que os vírus são seres vivos e
o outro argumenta que não (CARNEVALLE, 2018).
O tema vírus é um dos mais importantes quando nos referimos a temática Pandemia,
pois é o agente causador de muitas doenças que geraram várias Pandemias no mundo, isto
devido a sua alta capacidade de proliferação, adaptação e mutação (TORTORA, 2012).
Inicialmente, é apresentado a estrutura dos vírus, sendo o mesmo, conforme a livro,
estruturas microscópicas, isto é não podem ser visualizados sem o auxílio de um microscópico
eletrônico, acelulares (desprovido de células), formado por uma cápsula proteica, seu material
genético (podendo ser RNA ou DNA) e são considerados parasitas intracelulares obrigatórios,
logo necessitam de uma célula para reproduzir.
Por se ter essa importância médica, já que podem causar doenças ao ser humano e a
outros organismos, ter um olhar reflexivo e trazer o contexto dos estudantes para sala de aula é
de sua importância. Em vista disso, a Ciência é pensada não somente para o meio universitário
ou para os campos da pesquisa, mas para ajudar a sociedade. Destaca-se também a relevância
da Microbiologia e seus avanços para o estudo de espécies microscópicas, estas pesquisas se
iniciaram em meados de 1886 por meio das observações do químico Adolf Maycer e têm se
desenvolvido e aprimorado até os dias atuais, com o aprimoramento dos microscópicos e o
auxílio da Biotecnologia e diversas outas áreas que formam uma vasta área de saberes.
Ainda na mesma página, o livro traz uma orientação didática (figura 3) para trabalhar
de maneira interdisciplinar com a Matemática, abordando as unidades de medidas, mostrando

42

o tamanho dos vírus por meio de comparação de escalas (metros 1, decímetro 10, centímetro
100, milímetro 1000, micrômetro 1000000 e nanômetro 1000000000, sendo está última a
unidade utilizada para medir um vírus, o qual seu tamanho equivale a 20 a 300 nanômetros) e
também com outros grupos, por exemplo, uma bactéria que é maior que um vírus.
Figura 3: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 7° ano – tema 2: Os vírus.

Fonte: CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá mais ciências: manual do professor. v. 4, 1. ed. São Paulo:
Moderna, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

Na página seguinte, o livro continua falando a respeito da reprodução viral e das viroses,
ou seja, as doenças causadas por vírus. De maneira geral, é descrito que o vírus fora da célula
não consegue desenvolver as suas atividades, por isso necessita de um organismo para se
reproduzir como animais, plantas etc.
Em seguida, exemplifica algumas viroses como: caxumba, rubéola, raiva, sarampo,
hepatite infecciosa, dengue, gripe, resfriado, dentre outros. No entanto, não apresenta
transmissão, prevenção (com exceção da vacinação que é citada no tópico seguinte), tratamento
e ocorrências. Estes aspectos vêm como sugestão nas orientações didáticas para o professor por
meio da solicitação de uma pesquisa a respeito das diferenças entre a gripe e o resfriado, bem
como infecção, tratamento, entre outros aspectos, apresentando também um site como sugestão
de

recurso

complementar

para

diferenciar

gripe

e

resfriado

(disponível

em:

http://www.blog.saude.gov.br/index.php/35481vocesabeadiferencaentregripeseoresfriado).
Os tópicos a respeito da transmissão, prevenção, tratamento e ocorrência deveriam estar
presentes no livro também, pois não tem como trabalhar uma doença sem ressaltar estes

43

aspectos. Apesar de estar sugerido no livro como uma atividade complementar, se não for
solicitada pelo professor, ou argumentado na sala, os cuidados para não transmitir ou contrair
um vírus deixaram de ser apresentados, em que ações simples como lavar as mãos ou manter
um ambiente limpo podem passar despercebidas para evitar as viroses. A literatura afirma que
apesar das facilidades que a tecnologia oferece por meio das redes de internet, para busca de
informações, o livro didático ainda é um dos principais recursos para procura de determinados
conhecimentos (BOER, 2013).
Ainda na mesma sugestão (ver figura 4), a autora indica um diálogo a respeito da
importância da imunização da população por meio da vacinação, dos riscos e padrões ao longo
do seu processo de produção e teste, propondo que entre em discursão o método utilizado pelo
médico Edwarte Jenner, um dos primeiros a pensar na vacinação, por meio das suas observações
e experimentos. Enfatizando mais uma vez que esses direcionamentos, conforme o material
didático, devem partir do professor para que seja debatido em sala de aula.
Figura 4: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 7° ano – Orientações didáticas a respeito da vacinação

44

Fonte: CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá mais ciências: manual do professor. v. 4, 1. ed. São Paulo:
Moderna, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

O próximo tópico apresentado pelo livro é a vacinação. Inicialmente, a autora destaca o
histórico retratando o seu surgimento e os primeiros testes e observações para o
desenvolvimento das vacinas. O texto é de fácil compreensão, apresenta curiosidades a respeito
da derivação da palavra vacina que vem do latim vacanus que significa vaca, mamífero em que
Jener retirou o vírus da varíola e colocou em arranhões de uma menina, o qual depois foi
exposto ao vírus e não foi contaminado (CARNEVALLE, 2018).
Ao falar de linguagem no ensino de Ciências, deve ser pensado de maneira criteriosa e
simplificada, pois fará referência a formação da cidadania e a melhoria da realidade social,
destacando o papel da escola, do professor de Ciências como mediador e dos estudantes como
aprendizes e divulgadores das informações. Desse modo, a exemplificação e o modo como era
dialogado possuirá toda a diferença, especialmente nos dias atuais em que a Ciência, cada vez
mais se faz presente no cotidiano. A linguagem também pode auxiliar na instigação a leitura,
que ainda, em alguns casos, os estudantes são resistentes (FLÔR; CASSIANI, 2011).
Apresentar o histórico da vacina é de suma importância. É uma forma de dialogar e
mostrar também aspectos culturais de algumas comunidades que são contra ou a favor deste
imunizante. Devido à falta ou as falsas informações apresentadas por grupos contra a vacinação
ou dispersores de informações sem fundamentos científicos, pode dificultar a proteção da
população, sendo necessário campanhas de incentivos trazendo uma divulgação da Ciência para
população.
Para despertar a curiosidade do estudante, o livro traz um bloco denominado de: “saiba
mais”, em que apresenta a definição ou uma explicação a respeito de um conceito, neste caso
epidemia (imagem 5). O bloco é destacado na cor laranja para despertar a atenção do
destinatário. Sabe-se que o layout do livro também é um critério fundamental na sua
organização e poderá favorecer ou não a estudar o livro (KRESS; LEEUWEN,1996).
A cor sempre fez parte da história da humanidade e na aprendizagem não poderia ser
diferente. Imagine se a natureza fosse preta e branca? Faltaria algo a mais, pois as cores trazem
uma leveza, podendo deixar o livro didático mais agradável, já que ela está presente em todos
os ambientes, pois quanto mais agradável for o ensino aprendizagem, possivelmente melhor
será o interesse em querer aprender (WITTER; RAMOS, 2008).
As cores fazem parte dos recursos visuais do livro didático. Exalam harmonia, a estética
do livro didático que auxilia na compreensão das informações (QUATTER; GOUVEIA, 2013).
O livro em análise traz vários destaques com cores diferentes podendo ser observadas na

45

apresentação dos blocos saiba mais, nas orientações didáticas para o professor, nas atividades,
imagens, destaque das palavras, dentre outros.
Figura 5: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 7° ano – Destacando trechos do texto e o “saiba mais”
ressaltado pela autora.

Fonte: CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá mais ciências: manual do professor. v. 4, 1. ed. São Paulo:
Moderna, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

Observando ainda a página 49 (imagem 5), é orientado novamente uma nova pesquisa
de algumas doenças virais para que os estudantes busquem chegar à conclusão de que a
vacinação é a principal forma de prevenção para as viroses, ressaltando que ao propor estas
atividades, poderá ser apresentada variadas linguagem. Logo, o estudante estará construindo a
competência geral 4 da Base Nacional Comum Curricular - BNCC, o qual descreve que:
Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e
escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das
linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar
informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e
produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo (BRASIL, 2018, p.9)

A sugestão enfatiza também o incentivo aos educandos buscarem sempre sites
confiáveis para as suas pesquisas, como as das instituições reconhecidas, por exemplo:
governamentais, universidades e centros de pesquisa. E deixa uma indicação na seção do livro

46

chamada

de:

“Entrando

na

rede”

no

endereço

(<http://www.ccms.saude.gov.br/revolta/pdf/M7.pdf >) em que traz um material informativo a
respeito da história da revolta das vacinas e a sua importância para conter algumas doenças.
Este recurso é do Centro Cultural do Ministério da Saúde.
Estimular a busca por fontes seguras de pesquisa é uma temática que vai além da sala
de aula, pois a todo tempo a notícia ou uma simples informação é publicada, por isso saber se
é fato ou fake é uma abordagem fundamental para sala de aula que dará mais autonomia aos
estudantes ao dialogar a respeito de um tema (DUARTE et. al, 2021). Destaca-se também o
plágio, mostrando que ao ler um texto e for escrever ou falar dele é necessário referenciar, caso
contrário estará se apropriando de ideias que não são suas. Na Ciência, em especial, devem ser
avaliados os órgãos responsáveis podendo ser governamental ou universitário, por exemplo, se
o pronunciamento é feito por um especialista entre outros critérios (SILVA,2008).
Também apresenta a legenda e a fonte, podendo ser orientado ao estudante a
importância das fontes para que o material não seja identificado como plágio, o famoso “copia
e cola” da internet, trazendo a responsabilidade de credibilizar os autores por sua pesquisa.
No que se refere às análises visuais ou estéticas das páginas 47, 48 e 49, as quais são
apresentadas o tema vírus, vários recursos visuais podem auxiliar na compreensão do conteúdo.
Inicialmente, traz uma imagem microscópica de um bacteriófago para mostrar as estruturas dos
vírus e ao lado direito uma outra apresentando o vírus do mosaico do tabaco. Ambas as imagens
apresentam legendas de maneira explicativa com o tipo de microscópico utilizado, neste caso
eletrônico, coloração aplicada e a ampliação para visualização do microrganismo como mostra
a figura 6. Por serem imagens microscópicas, o equipamento foi representado com o seu ícone
do microscópico na cor branca. Todos estes aspectos podem ser direcionados para trabalhar
também a importância da microbiologia e do desenvolvimento do microscópio.
Figura 6: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 7° ano – Apresentação das imagens dos vírus e bacteriófagos
apresentados na página 47.

47

Fonte: CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá mais ciências: manual do professor. v. 4, 1. ed. São Paulo:
Moderna, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

,
Conforme kress e Leeuwen (1996), a figura 5 e 6 é classificada como narrativa que
como o próprio nome já o descreve, são imagens reais e não abstratas que possuem abundância
de detalhes. Para microbiologia, as imagens são recursos pedagógicos que auxiliam no
entendimento do conteúdo por serem seres microscópicos, e em alguns casos as escolas não
possuem os materiais fundamentais para trabalhar com esses microrganismos.
A ilustração demonstrada na página 48 traz uma esquematização de uma infecção viral
em uma bactéria. Destacam-se três fases para que a bactéria seja contaminada por um
bacteriófago. Cada etapa é indicada com uma imagem e a sua explicação a baixo. A qualidade
das ilustrações está um pouco desfocada, mas não chega a interferir na sua compreensão (figura
8). No entanto, todas imagens devem ter uma boa qualidade pois pode interferir na
aprendizagem daqueles que já possuem problemas oculares.
A figura 7 já é denominada como conceitual, em que as informações são mais
centralizadas e as interpretações são mais direcionadas, diferente da naturalista que possui
variados processos analíticos incorporados (KRESS E LEEUWEN,1996). Os diagramas
facilitam a apreensão em que as setas direcionam a sequência de etapas da infecção bacteriana.
Por vezes, não se tem um microscópico na escola, por isso, deve-se buscar metodologias
pedagógicas que atendam e auxiliem na aprendizagem dos microrganismos. Esquematização,

48

infográficos e imagens podem trazer aspectos mais concretos a respeito dos seres
microscópicos. E a idealização do conteúdo pode ajudar na aprendizagem a respeito do tema,
aproximando os estudantes dos conhecimentos científicos (OLIVEIRA et. al, 2019). Entender
a microbiologia é saber que, mesmo não podendo ser visualizados sem um microscópico, eles
estão presente em diversos ambientes, a depender das espécies, por meio das cadeias ecológicas
ou podendo causar doenças para o ser humano ou para outros organismos.
Figura 7: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 7° ano – Esquematização da infecção viral em uma bactéria.

Fonte: CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá mais ciências: manual do professor. v. 4, 1. ed. São Paulo:
Moderna, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

Na imagem 5 é possível observar a presença da Arte Visual com a tela do artista EugèneErnest Hillemacher, uma tela pintada a óleo, na qual retrata Edward Jenner vacinando um
menino, destacando a interdisciplinaridade, podendo ser trabalhada em parceria com a
professora de arte, destacando aspectos científicos e artísticos da obra, o qual pode-se ter várias
leituras a depender do apreciador e da sua abordagem. Logo, é uma imagem naturalista.
O livro traz uma abordagem didática baseada na pesquisa de dados por meio de buscas
em outras fontes para enriquecer os diálogos a respeito dos conteúdos apresentados. Com
sugestões de sites e atividades que podem instigar a curiosidade dos estudantes e também a
relação com outras disciplinas para que o ensino se torne cada vez mais expansivo e não linear,
pensando apenas no conteúdo bruto, sem relacionar com outas temáticas ou com o cotidiano
dos estudantes.
Na

página

49,

a

autora

destaca

os

boletins

epidemiológicos

(<http://portalms.saude.gov.br/boletinsepidemiologicos>) da página do Ministério da Saúde,

49

os quais são apresentados dados estatísticos e informações relevantes a respeito da saúde
pública do Brasil para fins de esclarecimentos para a população.
Um outro fator que favorece a aprendizagem é a organização das curiosidades e
atividades por meio da utilização de cores diferentes, que é uma estratégia auxiliar da
aprendizagem, utilizando o layout do livro, podendo ser destacado por meio de formas, cores,
ilustrações e fontes diferentes. Mesmo apresentando diversas subtemas sobre o tema, o
conteúdo foi apresentado de maneira resumida tendo a necessidade de um complemento, por
exemplo, a exploração dos tipos de vírus. Pode ser usado um recurso complementar como
extensão do conteúdo.
A autora apresentou várias formas para apresentar os tópicos que fazem parte do tema
gerador da pesquisa, Pandemia. Por meio da interdisciplinaridade, a utilização dos recursos
visuais com imagens e esquemas, a arte com a tela de Eugène-Ernest Hillemacher, a indicação
de materiais e sites, por exemplo do Ministério da Saúde com os boletins epidemiológicos, a
participação dos estudantes com as pesquisas e o olhar para seu contexto, desenvolvendo o que
Paulo Freira (1996) chamou de “capacidade epistemológica”.
Logo, este livro apresentou o tema vírus. Desse modo, apresenta conteúdo que pode
auxiliar no estudo do tema Pandemia.
4. 1.3 - Livro didático: Projeto Araribá Ciências Mais – 8° ano.
Este livro, assim como os demais, é dividido em oito unidades: 1 – A nutrição e o
sistema digestivo humano, 2 – Sistema cardiovascular, linfático e imunitário humano, 3 Sistema respiratório, urinário e endócrino humano, 4 – Adolescência e reprodução humanas, 5
– Força e Movimento, 6 – Energia, 7 – Eletricidade e Magnetismo e 9 – Sol, Terra e Lua.
A unidade 2, ao apresentar o tema 6 na página 51, descreve a respeito do sistema
imunitário. A autora traz uma abordagem da imunização adquirida, destacando a vacinação,
trazendo a sua definição, função, e alguns exemplos de doenças que possuem o imunizante. É
importante destacar como os conteúdos, ao longo dos anos, se relacionam para que cada vez
mais os temas venham a ser aprofundados no que se refere à caracterização e sintetização da
aprendizagem. Por isso, deve ser pensado no ensino inacabado, que sempre poderá ser
reformulado e complementado, principalmente as Ciências da Natureza, que todos os dias
apresenta novas descobertas a depender da temática.
Sugere que o professor, na (figura 8), solicite que os estudantes tragam a sua carteira
de vacinação e faça um debate a respeito da importância de manter a sua imunização em dia.

50

Orienta ainda que se a Unidade Básica de Saúde Básica, ou se a cidade estiver em alguma
campanha, aproveitar para um momento de conscientização com toda a escola.
Figura 8: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 8° ano – Tema 6, ressaltando as orientações para o professor
(em amarelo) a respeito da utilização das carteiras de vacinação na sala de aula.

Fonte: CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá mais ciências: manual do professor. v. 4, 1. ed. São Paulo:
Moderna, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

Ao longo das análises de cada livro, é evidente observar os incentivos para fazer
pesquisas extra classe e depois voltar a sala de aula para que coletivamente possa fazer debates
por meio da argumentação das suas pesquisas. Uma metodologia que faz menção a sala de aula
invertida, o qual o estudante é o protagonista da sua aprendizagem, para isso é necessário que
o professor oriente as pesquisas e direcione-os no momento dos debates com objetivos definidos
e o planejamento da ação, um exemplo de ensino híbrido (BACICH; NETO; TREVISANI,
2015).
No que se refere aos recursos de multimídia, a autora traz uma sugestão do filme
(imagem 9) “Sonhos tropicais”, uma dramaturgia brasileira tendo por direção André Sturm. O
mesmo aborda um roteiro em que Oswaldo Cruz trabalha no combate a epidemias de peste
bubônica, febre amarela e varíola no Brasil em um cenário que retratava a revolta das vacinas.
Lançado em 2001, com duração de 120 min.

51

O cinema na sala de aula possibilita aprender utilizando os recursos audiovisuais,
otimizando e despertando ainda mais o interesse dos estudantes para o conteúdo, podendo
contribuir para ampliação do conteúdo, destacando algumas cenas do filme, série,
documentários ou curta-metragem para dialogar e/ou desenvolver uma produção textual e até
pode trazer a encenação para sala por meio do teatro (COSTA, 2014).
Figura 09: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 8° ano – Indicação do filme Sonhos tropicais.

Fonte: CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá mais ciências: manual do professor. v. 4, 1. ed. São Paulo:
Moderna, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

Na página 58, na seção - Atividades para vida, a autora apresenta o texto “Pais deixam
de vacinar seus filhos (imagem 10). Com a discussão do tema, conforme as orientações
didáticas, espera-se que os estudantes sejam direcionados para ter um olhar mais crítico sobre
as informações e as suas procedências, de forma que os estudantes possam opinar a respeito de
diferentes temáticas embasados em fatos verídicos. Logo, com a discussão desta seção, o
estudante estará desenvolvendo a competência geral 7 da Educação Básica e a as competências
da Ciências da Natureza 7 e 8, as quais argumentam respectivamente que:
7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular,
negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e
promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo
responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação
ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta ( BRASIL, 2018, p. 9).
Competências específicas de ciências da natureza para o ensino fundamental (...) 7.
Conhecer, apreciar e cuidar de si, do seu corpo e bem-estar, compreendendo-se na
diversidade humana, fazendo-se respeitar e respeitando o outro, recorrendo aos
conhecimentos das Ciências da Natureza e às suas tecnologias. 8. Agir pessoal e
coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e
determinação, recorrendo aos conhecimentos das Ciências da Natureza para tomar
decisões frente a questões científico-tecnológicas e socioambientais e a respeito da
saúde individual e coletiva, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis
e solidários (BRASIL, 2018, p. 324).

52

O texto desta seção traz aspectos relevantes no que se refere aos benefícios da vacinação
para proteção individual e coletiva da sociedade, das falsas culturas ou crenças em que alguns
pais têm em não vacinar o seu filho, ou até o medo dos efeitos colaterais ou das reações
alérgicas. E com o debate do tema, campanhas informativas sobre as notícias falsas, que são
espalhadas podem ser minimizadas e erradicar doenças e/ou evitar uma maior proliferação do
vírus ou bactéria a nível, local, regional e a até global. Após a leitura do texto, os estudantes
são direcionados para resolução de questões com objetivo de sintetizar aquilo que foi aprendido
e concluir os debates (ver figura 11).
Figura 10: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 8° ano – Seção atividades para vida

Fonte: CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá mais ciências: manual do professor. v. 4, 1. ed. São Paulo:
Moderna, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

O livro traz uma orientação ao professor propondo uma pesquisa de campo para fazer
levantamento de dados na região em que os estudantes residem a respeito do surgimento de
doenças que já foram erradicadas por meio da vacinação, como sarampo. No entanto, que
voltaram a infectar novamente. Notificando os casos, a quantidade de pessoas vacinadas e as
campanhas para referentes à imunização da população.

53

Corroborando com os pensamentos de Freire (1996), a pesquisa é relevante para o
ensino pois, “não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino”, logo a busca pelo
conhecimento é um dos principais pilares para o ensino-aprendizagem para remodelar aquilo
que já foi apreendido ou trazer novidades a respeito do conteúdo no qual está sendo
pesquisando. E o professor deve ser sempre um pesquisar constante, devendo fazer parte do seu
perfil como docente e estimar os estudantes também a buscarem este conhecimento.
Figura 11: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 8° ano – questões da seção atividade para vida.

Fonte: CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá mais ciências: manual do professor. v. 4, 1. ed. São Paulo:
Moderna, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

Na página seguinte, 59 (imagem 12), é apresentado uma esquematização do efeito da
imunização da comunidade para o controle ou disseminação das doenças, destacando a
importância da imunização dos sujeitos para evitar uma ampliação do número de contaminados.
Ao lado do esquema, traz a seção “como eu me saí? ”, com perguntas que fazem com que os
estudantes sejam participantes ativos dos diálogos. A autora sugere que neste momento as
participações sejam voluntárias. E como sugestão de conhecimento complementar, traz o site
da Fundação Oswaldo Cruz (<https://portal.fiocruz.br/fundacao>) que faz referência a esse e
outros temas ligados à saúde.
A esquematização apresenta as figuras com boa resolução, cores ilustrativas de
compreensão fácil, a depender das orientações do professor, e das possíveis interpretações ao
longo da sua apresentação. Também possui legenda e a fonte de pesquisa. E quanto melhor
estiver organizado os elementos como blocos, figuras, cores, ampliará os caminhos da
aprendizagem e do ensino também (MERRISE, 2020).

54

Figura 12: Recorte do livro (Araribá Mais Ciências) 8° ano – esquema: disseminação da doença e efeitos da
imunidade.

Fonte: CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá mais ciências: manual do professor. v. 4, 1. ed. São Paulo:
Moderna, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

4.1.4 - Livro didático: Projeto Araribá Ciências Mais – 9° ano.
O livro do 9° ano traz as seguintes unidades temáticas: 1 – Propriedades da matéria, 2 –
A matéria; 3 – Transformações químicas; 4 – Grupos de substancias; 5 – Evolução biológica;
6 – Genética; 7 – Ondas: som e luz e 8 – Terra e Universo. Este foi o livro em que em nenhuma
das unidades fizeram uma ponte direta ou indireta com o tema Pandemia.

4.2: Análise da Coleção Teláris Ciências:

55

Inicialmente, o livro traz a organização didática para o professor e a apresentação do
livro para destacar os seus diferencias e os recursos utilizados. Em seguida, o sumário e os
conteúdos. Nesta parte inicial é importante que o professor estude para entender os objetivos
dos autores e as suas orientações para melhor aproveitamento do livro didático, diferentes
saberes pedagógicos e alinhamento dos documentos legais da educação com a BNCC (COSTA,
2008). A seguir, serão apontadas as análises organizadas segundo os critérios de análise em
cada ano (do 6° ao 9° ano).
4.2.1: Livro didático Teláris Ciências – 6° ano
Ao analisar este livro, foi possível inferir que nos primeiros capítulos o livro não faz
nenhuma abordagem ao tema Pandemia, apesar de trazer os temas água (capítulo 3, página 55)
e ar (capítulo 4, página 66). No entanto, não traz uma relação com o tema Pandemia resaltando
as medidas de higiene para previnir doenças, já que o ar e a água são os principais veículos para
doenças causadas por vírus como a gripe espanhola e por bactéria como a cólera.
Conforme informações disponibilizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA)2, quando uma pessoa infectada com SARS-CoV2 espirra por exemplo, permite a
liberação do vírus para o ambiente externo, podendo estar presentes no ar por aproximamente
15 segundos ou até 3 horas a depender das condições que o ambiente oferece.
A Unidade 2 (Vida: interação com o ambiente), capítulo 6 (A célula), página 102. O
autor traz uma inquietação a respeito do funcionamento do corpo quando o indivíduo fica
resfriado. Contudo, sem aprofundamento e sim apenas para introduzir o capítulo e ressaltar a
importância do estudo das células para a área da saúde (figura 13). Esses questionamentos
podem ser uma ponte inicial para trazer um debate a respeito de uma doença bem presente no
cotidiano dos estudantes, o resfriado e a gripe.
Figura 13: Recorte do livro (Teláris Ciências) 6° ano – Introdução do tema célula.

2

Disponível em:<http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271858/NOTA+T%C3%89CNICA+-GIMSGGTES-ANVISA+N%C2%BA+07-2020/f487f506-1eba-451f-bccd-06b8f1b0fed6>. Acessado em: 16 de abril de
2022.

56

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 6º ano: ensino fundamental,
finais/ 3. ed.- São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

O texto complementar (seção “de olho no texto” – tema A história da mulher com
células imortais), na página 103, ressalta a importância das vacinas e o avanço da Ciência (ver
imagem 15), outro tema de relevância para o estudo da Pandemia. A vacinação trazendo as
contribuições da ciência da sociedade, pensando na Ciência além das universidades e dos
laboratórios, favorecendo a população com suas pesquisas e desenvolvimento de prevenção a
muitas patologias.
Nesta mesma página, 105, o autor apresenta uma imagem narrativa de um microscópio
óptico mostrando as células Helena, sendo de suma importância trazer as imagens para mostrar
a unidade microscópica. Conforme Kress e Leeuwen (1996), o texto não parafraseia a imagem,
mas traz uma representação para complementar a história que o autor destacou e este é um
aspecto de relevância, pois no senso comum, o texto deve parafrasear as imagens, sendo que as
imagens também são recursos didáticos complementares do texto.
Figura 14: Recorte do livro (Teláris Ciências) 6° ano – Destaque da vacinação na “seção de olho no texto”.

57

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 6º ano: ensino fundamental,
finais/ 3. ed.- São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

É importante ressaltar que apesar do livro apresentar o sistema respiratório (página 222),
não faz nenhuma menção a respeito da importância da qualidade do ar que pode estar presente
nas partículas virais. Sendo que o ar é um dos principais propagadores dos vírus conforme a
ANVISA.
O capítulo 12 (Tratamento de água e esgoto), no subtópico “quando não há estação de
tratamento de água, na página 211 (imagem 15). O texto ressalta a importância de manter a
água tratada mesmo sem uma estação de tratamento, por meio de análises laboratoriais para
evitar a contaminação com microrganismos patogênicos, fator de relevância para manter uma
vida saudável. Neste caso, o autor proporcionou ao estudante e ao professor refletir sobre o
tema, levando em consideração os aspectos econômicos e sociais, pois mesmo sendo um direito
ter água tratada, ainda é uma realidade para muitas comunidades não ter água tratada.

58

Figura 15: Recorte do livro (Teláris Ciências) 6° ano – A importância do da qualidade da água mesmo sem estação
de tratamento.

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 6º ano: ensino fundamental,
finais/ 3. ed.- São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

4.2.2: Livro didático Teláris Ciências – 7° ano
Ao fazer a pré-análise conforme a análise de conteúdo de Bardin (2016), os quatro
primeiros capítulos do livro não trazem nenhuma relação com o tema central. Já o capítulo 5,
denominado condições de saúde faz uma apresentação da saúde de maneira a enfatizar não
somente ligados aos aspectos da saúde física, mas também mental e emocional, interligando os
fatores sociais e educacionais. Com isso, os estudantes podem refletir a respeito destes aspectos
para que a saúde venha a ser efetivada.
O capítulo é aberto com crianças saltando, dando a ideia de liberdade, brincadeira e
alegria em um ambiente natural, podendo inferir que a relação do homem com a natureza
proporciona uma vida saudável, como mostra a imagem 16. Ao lado, o autor sugere que o
professor dialogue com esse tema para desmistificar que saúde só faz referência a ausência de
doenças. Essa imagem, por ser narrativa, apresenta essas e outras informações ao fazer a sua
análise, proporcionando ao professor a abertura do livro com uma tempestade de ideias, por se
ter múltiplos significados (KRESS; LEEUWEN, 1996).
Figura 16: Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Abertura do capítulo 5.

59

GEWANDSZNAJDER,
Fernando.
Teláris
ciências,
7º
ano:
ensino
fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

O conteúdo é organizado de modo que o professor possa iniciar conhecendo os saberes
adquiridos dos estudantes, para que desperte o seu senso crítico e as questões científicas sejam
apresentadas. As questões para incentivar o início da tempestade ao lado do corpo de texto são
destacadas nas cores azul e branco, denominado: “a questão é...”, destacado na imagem 17. O
autor também traz uma sugestão do bloco sequência didática (condições de saúde da população)
para completar o conteúdo, um recurso digital fornecido como recurso auxiliar na construção
do conteúdo.
O layout desta página, conforme destacado nas figuras 16 e 17, traz uma harmonia entre
as cores com o gradiente de tons de azul deixando uma leveza ao fazer a leitura do texto. E
também traz o destaque do bloco “A questão é...” nas cores azul e branco para chamar a atenção
para as questões que introduzem o capítulo, facilitando, deste modo, a mediação dos saberes
(KRESS E LEEUWEN, 1996).
Figura 17:Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Introdução do capítulo 5 (Condições de saúde).

60

GEWANDSZNAJDER,
Fernando.
Teláris
ciências,
7º
ano:
ensino
fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

Em seguida, o livro traz os indicadores sociais e econômicos ressaltando que a saúde
depende de diversos fatores como foram destacados no livro: as condições de moradia,
alimentação, a qualidade da água, saneamento básica e a educação (como mostra a figura 18).
Sendo orientado que os estudantes debatam em sala de aula, por meio de perguntas norteadoras
como: O que acontece se as pessoas de uma comunidade ingerirem água contaminada? ”. Esses
questionamentos enfatizam a pedagogia histórico-crítica que tem como um dos objetivos trazer
a criticidade, o diálogo e as questões sociais para dentro da sala de aula (SAVIANI, 2000).
Figura 18: Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Indicadores sociais.

61

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

Para incentivar ainda mais uma roda de conversa, o autor abordou a seção “ciência e
sociedade” destacado no texto com uma fala da vice-secretária-geral da Organização das
Nações Unidas (ONU), Amina Mohammed e um outro destaque no livro denominado “mundo
virtual” (ver figura 19), indicando um artigo que fala sobre as condições de saúde das crianças
e

fatores

socioeconômicos

(http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010320032012000300005). Logo,
proporciona para o professor a busca por outras fontes, mesmo para aqueles que tem o livro
didático como o principal recurso (MERRISE, 2020).
Figura 19: Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – “Seção Ciência e sociedade” e “mundo digital”.

62

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

O saneamento básico foi um dos pontos de destaque da página. Ressalta-se a
importância deste sistema nas cidades para evitar a proliferação de doenças (destacado na
imagem 20) trazendo dados estatísticos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e um gráfico
para que os estudantes possam debater. Em seguida, fala a respeito do abastecimento de água
embasados nos dados do IBGE (ver figura 21). Traz imagens narrativas e conceituais (gráfico)
para abordar o tema, sendo de suma importância os diversos elementos no texto para ampliar a
compreensão do conteúdo (KRESS E LEEUWEN, 1996).
Figura 20: Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano –Saneamento básico.

63

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

Figura 21: Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Saneamento básico e abastecimento de água.

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

O Índice de desenvolvimento Humano foi um tópico que trouxe a importância das
condições econômicas para ter uma saúde de qualidade e para enfatizar ainda mais o tema, o
autor apresenta a seção Ciência e sociedade, mostrando que a desigualdade social é um dos
fatores que em tempos de proliferação de doenças, como a que ocorre em Pandemias, aumentam
ainda mais esses índices como mostra a figura 22. Além do texto da imagem, também traz uma
mensagem mostrando que apenas um muro pode dividir essas desigualdades. E indica também,

64

no quadro “mundo virtual” um link para conhecer ainda mais sobre a desigualdade social no
jornal da USP (https://jornal.usp.br/atualidades/desigualdadesocial-no-brasil-so-tende-apiorarsegundo-estudo/). Novamente traz os aspectos sociais e variados recursos pedagógicos para o
professor apresentar o tema.
A imagem faz com que o destinatário, professor e aluno, possam fazer várias
inferências, mostrando como espaço geográfico, o ambiente o qual está inserido, pode ditar as
condições de vida do sujeito. Essas ponderações foram feitas no tratamento dos dados conforme
a análise de conteúdo de Bardin, (2016).
Figura 22: Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Seção Ciência e sociedade (desigualdade social).

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

A página 134 traz a seção “de olho no texto” (figura 23) com um texto discutindo a
respeito do saneamento básico e questionários para incentivar o senso crítico dos estudantes e
auxiliar no debate. Já é possível observar que este capítulo traz um suporte teórico para o
professor proporcionar ao estudante uma participação ativa na sala de aula.
Figura 23: Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Seção “de olho no texto”, indicadores de saúde.

65

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

Em consonância com a análise de conteúdo de Bardin (2016), na pré-análise, foi
possível observar que no capítulo 6, na página 139, também aborda a temática da pesquisa com
o tema: doenças transmissíveis. E já na abertura do capítulo, traz uma provocação para iniciar
as discussões com a imagem de um hábito que pode evitar muitas doenças, lavar as mãos (como
mostra a figura 24). Só com esta imagem, já é possível trazer o diálogo para sala de aula por se
tratar de uma imagem narrativa (KRESS E LEEUWEN, 1996).
Em seguida, introduz o texto com algumas questões chaves, como: “Que doenças
transmissíveis, veiculadas pelo ar, você conhece? E doenças relacionadas à contaminação da
água ou dos alimentos por microrganismos? Além da dengue, você conhece outras doenças que
podem ser transmitidas pela picada de insetos? Como a prevenção de doenças é feita em sua
comunidade? Qual é a diferença entre vacina e soro? Você se lembra de ter tomado vacinas
recentemente? “. Mais uma vez o livro oferece ao professor e ao estudante uma roda de conversa
com o tema.
Figura 24: Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Abertura do capítulo 6 (Doenças transmissíveis).

66

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

Neste capítulo serão trabalhadas as habilidades: EF07CI09 que trazem a análise das
condições da saúde utilizando os indicadores sociais e a EF07CI10 abordando a importância da
vacinação. Estando este conteúdo conforme os documentos bases da educação.
Na primeira discussão do capítulo, o autor fala a respeito das nossas defesas e a sua
importância para manter o corpo saudável, o porquê, mesmo estando em constante contato com
os microrganismos, não ficamos doentes como mostra a figura 25. Também traz uma ilustração
de como o anticorpo age com a presença dos invasores com os microrganismos causadores de
doenças. Menciona também a questão conceitual com a definição de epidemia, endemia e
Pandemia, situando o estudante das diferentes situações e expansão que a transmissão de uma
doença pode ocasionar. Esse é um dos principais conteúdos quando falamos a respeito da
Pandemia, pois fala do sistema de defesa dos seres vivos (TORTORA, 2012).
Figura 25: Recorte do livro Teláris Ciências, 7° ano – Nossas defesas

67

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

O segundo item apresentado é a vacinação, como principal forma de prevenção às
doenças transmissíveis, abordando a sua produção, importância e respeito ao Calendário
Nacional de Vacinação com uma linguagem de fácil compreensão para que o professor possa
se embasar e dialogar com a sua classe. Também na seção “atenção”, indica o link do Ministério
da Saúde (http://portalms.saude.gov.br/acoes-e-programas/vacinacao/vacine-se).
Por serem adolescentes (a turma do 7° ano), o autor destacou, nas ilustrações, a imagem
de uma adolescente e mais duas amigas sendo vacinadas, visualizando o seu dispositivo móvel,
sugerindo o incentivo para utilização de aplicativos que falam da vacinação, como mostra a
imagem 26. Trouxe também o dispositivo móvel mais utilizado pelos estudantes, o celular, para
ser utilizado como ferramenta pedagógica, ou seja, um aliado para o professor.
Figura 26: Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Vacinação.

68

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

Também traz dois textos complementares. Um falando a respeito das epidemias com
um recorte do Jornal da UNICAMP. E o outro sobre o Instituto Butantã, o principal
imunológico de vacinas e soros do Brasil. Entre um texto e outro o autor destaca a seção ciência
e história, visto que deve ser trabalhado junto com as disciplinas de história e arte, pois traz
uma imagem da múmia de um menino que morreu com a varíola. E uma charge feita por
Leônidas Freire (1882-1943) e publicada na revista O Malho em 1904, que trata da revolta da
vacina. Todos esses elementos enriquecem ainda mais os debates e fazem com que o professor
tenha diferentes caminhos para abordar essa temática. (ver figura 27) (KRESS E LEEUWEN,
1996).

69

Ao analisar a imagem e a charge da figura 27, é possível visualizar uma sobreposição
na imagem da múmia por meio da suavização do plano de fundo sendo de suma importância
para visualização da imagem. A charge no seu plano principal ressalta ainda mais a revolta da
vacina (KRESS E LEEUWEN, 1996).
Na seção “mundo virtual”, destacado na cor laranja e na cor azul, é apresentada outra
sugestão que o livro traz por meio da indicação de um artigo da revista Ciência Hoje das
Crianças (http://chc.org.br/a-revolta-da-vacina), trabalhando um pouco mais dos aspectos
históricos da revolta da vacina e mais três sites para saber mais sobre sangue, vacina e soro
(<www.bio.fiocruz.br>,

<www.cva.ufrj.br/informacao/vacinas>

e

<www.prosangue.sp.gov.br>).
Esses incentivos fazem com que o professor possa buscar novas metodologias, como
por exemplo, a sala de aula invertida, em que os estudantes recebem um estudo dirigido para
ser desenvolvido em casa, podendo ser pelo acesso a esses sites. Na sala de aula, o professor
vai mediar os conhecimentos aprendidos a partir do compartilhamento de dados entre os
colegas, podendo ser finalizado com uma atividade um estudo de caso, relatório ou outra
atividade conforme o planejamento do professor (MORAN, 2015).
Figura 27: Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Ciências e História: A história da vacina.

70

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

Outro tema apresentado por esse capítulo é: Doenças causadas por vírus. Nesse
momento, o autor faz menção ao conceito de vírus, cita algumas viroses e sua transmissão.
Logo após, traz o detalhe de cada virose, doença causada por vírus, especificamente a Gripe,
Resfriado, Poliomielite, Sarampo, Rubéola, Catapora, Caxumba, Dengue, Febre Amarela,
Chikungunya, Zika e Raiva (ou hidrofobia). Dando um suporte teórico para o professor abordar
o conteúdo conforme foi observado no tratamento dos dados.
Fazendo referência ao tema da pesquisa Pandemias, o livro aborda especificamente no
texto complementar com o título transformação viral. Apresenta a Pandemia da gripe suína
(como mostra a figura 28). Apresenta mais detalhes no corpo de texto ao abordar o tema gripe

71

como prevenção, sintomas e transmissão. E, novamente, enfatiza a Pandemia, ou seja, aspecto
importante para pesquisa, pois aborda um pouco do aporte teórico para debater diretamente o
tema Pandemia.
Figura 28: Recorte do livro Teláris Ciências, 7° ano – Texto complementar – Transformações virais.

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

O autor também chama a atenção do leitor fazendo destaque em um bloco na cor azul
(figura 29). Destaca a importância do layout da página para incentivar a mediação do saber, que
todas informações são para ter o conhecimento a respeito das doenças. Mas, ao sentir os
sintomas, devessem procurar o atendimento médico especializado. As imagens microscópicas
dos vírus apresentadas nesta página trazem um plano de fundo mais suave e as cores do plano
principal, mais vivas. Chama atenção ainda mais para a forma do vírus que pode ser explorado
pelo professor (KRESS E LEEUWEN, 1996).
Figura 29: Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Doenças causadas por vírus.

72

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

As ilustrações com as figuras trazem destaque a uma das formas de transmissão dos
vírus: os espirros, que podem estar presentes as partículas virais. A principal medida de
prevenção é a vacinação, que auxilia na explanação do conteúdo e traz o diálogo para sala de
aula mais uma vez. Pois a transmissão e a prevenção são aspectos importantes para que sejam
ressaltados dentro da sala de aula, ao tratar das doenças virais, que é um dos principais temas
ligados ao tema gerador, Pandemia (TORTORA, 2012).
Figura 30: Recorte do livro (Teláris Ciências) 7° ano – Gripe (suína).

73

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

O terceiro tópico deste capítulo aborda as doenças causadas por bactérias ou bactérias
patogênicas bem como o estudo das doenças causadas pelo vírus. O autor traz prevenção,
contágio, tratamento e exemplos como tuberculose, meningite bacteriana, e alguns casos de
pneumonia, da hanseníase, cólera, leptospirose, botulismo, diarreias causadas por bactérias,
peste bubônica e febre maculosa. Logo, ressalta duas doenças que causaram Pandemia: a cólera
e a peste bubônica. Detalha um pouco mais a respeito da cólera e ressalta principalmente os

74

cuidados com os alimentos para evitar o seu consumo, caso esteja contaminado, e a importância
do saneamento básico e da água tratada. Também destaca na cor laranja a seção “Na Tela”
(imagem 31), trazendo uma animação de um caso de cólera (<www.youtube.com/watch?v
=OvA2QyTiPag&t=20>). Após o tratamento dos dados (BEARDIN, 2016), mais uma vez o
autor chama a atenção para o tema Pandemia com uma abordagem do conteúdo de maneira
simples para compreensão do professor e com uma linguagem possivelmente compreensível
para os estudantes.
Nas orientações didáticas desta mesma página (115), o autor indica que chame atenção
dos estudantes para a imagem 6.19 (como pode ser visto na figura 31), que enfatiza a
higienização dos alimentos preferencialmente com hipoclorito, que é uma solução específica
para a limpeza de frutas e legumes e disponibilizado gratuitamente nos postos de saúde para
população. Fazendo com que os estudantes sejam multiplicadores destas informações,
beneficiando a saúde de toda comunidade legal. E por ser uma imagem narrativa o professor
pode levantar diferentes discussões a respeito da higienização dos alimentos (KRESS E
LEEUWEN, 1996).
Figura 31: Recorte do livro Teláris Ciências, 7° ano – Cólera.

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

O capítulo também apresentou o exercício falando a respeito da vacinação com a seção:
“De olho na notícia”. Com atividades investigativas, pesquisas e estudo de caso (conforme

75

figura 32). E a seção “trabalho em equipe”, que traz um pouco do tema trabalhando a
coletividade e incentivo a investigação. Como pode ser visualizado na imagem 34. Isso gera
mais um recurso, as atividades, para que o professor possa utilizar. Por isso, é importante ter o
planejamento da aula e leitura do livro antes da mediação das aulas.
Figura 32: Recorte do livro Teláris Ciências, 7° ano – De olho na notícia.

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.
Figura 33: Recorte do livro Teláris Ciências, 7° ano – Trabalho em equipe.

anos

76

Fonte: GEWANDSZNAJDER, Fernando. Teláris ciências, 7º ano: ensino fundamental,
finais - 3. ed. São Paulo: Ática, 2018. Livro didático aprovado pelo PNLD 2020/2021/2022/2023.

anos

4.2.3: Livro didático Teláris Ciências – 8° ano 9° ano
Após a anlálise introdutória (Bardin, 2016), foi possível analisar que os dois livros não
apresentaram nenhum conteúdo ligado diretamente ou indiretamente ao tema Pandemia.

4.3: Análise da Coleção Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano
Assim como a coleção acima, os dados foram tratados de acordo com o ano (6°, 7°, 8°
e 9°) para uma melhor exposição e discussões dos dados analisados conforme será apresentado
nos tópicos anteriores.
4.3.1: Livro Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano – 6°ano
Ao analisar este livro, na etapa de pré-análise, (Bardin, 2016) não foram encontrados
conteúdos que fizessem referência ao tema Pandemia.
4.3.2: Livro Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano – 7°ano

77

Ao fazer o tratamento dos dados (BARDIN, 2016), foi observado que, no capítulo 3,
página 63, os autores fazem uma abordagem a respeito das bactérias por meio do tema gerador
do capítulo, diversidade microbiana. Descreve as características, formas e importância médica
e ecológica das bactérias, sendo de sua importância, pois estas fazem parte do grupo de
microrganismos transmissores de doenças que marcaram a linha histórica das Pandemias.
No tópico 4 denominado: Há bactérias que causam doenças. O livro traz o exemplo da
Cólera, (ver figura 35). No entanto, descreve de maneira detalhada ou situando a respeito dos
sintomas, prevenção, tratamento. Essas informações vêm como atividade sugestiva, por meio
de um trabalho de pesquisa em grupo, ressaltando a importância do planejamento, logo o autor
não traz muita clareza ou suporte teórico para o professor e também para o estudante ao
apresentar este tema.
Um fato curioso foi que os autores falaram, antes, a respeito da importância da
microbiologia e também de que não existem apenas bactérias ruins, mas também boas como as
que estão presentes na pele, na boca e no intestino. Desmitificando o mito de que só existem
espécies de bactérias ruins para os seres vivos (TORTORA, 2012).
Na figura 34, também é possível observar os destaques que os autores fazem nas cores
azuis, para chamar a atenção para origem da palavra bactéria e na cor laranja o desenvolvimento
de uma atividade em grupo. As cores, neste momento de aprendizagem, enfatizam as
modalidades visuais despertando a curiosidade do destinatário (KRESS E LEEUWEN, 1996).
Figura 34: Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano: Há bactérias que causam
doenças.

78

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do; CANTO, Laura Celloto. Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano, 6.
ed. — São Paulo: Moderna, 2018.

Na página 65, é apresentado um texto em destaque que fala a respeito do surgimento do
primeiro antibiótico, uma forma de tratamento das bactérias, uma abordagem importante para
que os estudantes possam conhecer como é possível tratar as doenças causadas pelas bactérias
(como mostra a figura 35). E a atividade de A-Z trazendo conceitos científicos e enriquecendo
o vocabulário dos estudantes, como está destacado na imagem 32. Para chamar a atenção dos
professores e dos alunos, são utilizadas cores diferentes ressaltando cada bloco para expandir a
aprendizagem, que são recursos estratégicos que favorecem a aprendizagem.
Figura 35: Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano: Tratamento das bactérias
(os antibióticos e a saúde humana).

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do; CANTO, Laura Celloto. Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano, 6.
ed. — São Paulo: Moderna, 2018.

Um fator observado nesta coleção foi a forma com que o conteúdo foi descrito, com
uma linguagem que parece ser uma conversa (ver figura 36). Como pode ser visualizado na
abordagem do tópico que descreve a respeito dos vírus, iniciando com questionamentos e
respostas curtas, incentivando o querer aprender mais e o senso crítico para investigação e para
pesquisa científica, ressaltando as suas características e estrutura básica.

79

Figura 36 :Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano: Vírus.

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do; CANTO, Laura Celloto. Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano, 6.
ed. — São Paulo: Moderna, 2018.

Em seguida, apresenta como o vírus entra e se prolifera pelo corpo no momento que o
indivíduo é contaminado por meio do vírus da gripe. Explica o seu desenvolvimento de maneira
descritiva e também com um esquema para ilustrar a entrada do vírus na membrana celular,
como pode ser visualizado na figura 37. Traz uma sugestão paro o educador, na seção
“Aprofundamento do professor” com a leitura do texto “O que significa a sigla A (H1N1),
atribuída ao vírus da gripe suína? ”, que foi uma das doenças virais que fez parte da história das
Pandemias, proporcionando novas fontes de estudo para o professor.
Figura 37: Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano: Desenvolvimento do vírus
ao entrar no corpo e na membrana celular.

80

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do; CANTO, Laura Celloto. Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano, 6.
ed. — São Paulo: Moderna, 2018.

Na mesma página (66), os autores destacaram novamente o significado e a origem das
palavras ressaltando o termo ‘vírus’. Tendo em vista a Ciência como uma área com muitos
termos novos, é importante trazer os significados das palavras para que os estudantes venham
desenvolver as competências linguísticas e textuais auxiliando na compreensão do conteúdo ou
revisando um conteúdo visto nos anos anteriores, podendo ser utilizado o dicionário também
na sala de aula ou sugerindo que os estudantes construam um dicionário em seu caderno
(TORRE; CASTRO, 2022).
As imagens e o esquema podem ser utilizados como auxiliares para explanação do
conteúdo e das imagens do esquema serem ilustrações para fins didáticos as enumerações das
etapas explicam o que o esquema está querendo transmitir a atividade viral dentro da célula
(KRESS E LEEUWEN, 1996).
Ao apresentar as doenças causadas pelos vírus, novamente os autores apenas citam as
doenças. Entre elas a Varíola, mas, não trazem detalhe e sim fazem a sugestão para que o

81

conhecimento seja explorado por meio de pesquisas em grupo. Ressaltando a importância do
planejamento do professor, pois estes aspectos são importantes para serem dialogados em sala.
Como destaque, o livro traz uma imagem (38) de um trio elétrico de Salvador mostrando
que as aglomerações podem aumentar as chances de proliferação viral. As configurações da
imagem permitiram ressaltar, após o tratamento dos dados (BARDIN 2016), que apesar de
estarem em espaço amplo, em frente ao mar, já é cultural as pessoas estarem juntas em
manifestações artísticas e que alcançam um grande volume de pessoas. Por isso, foi uma das
principais proibições. Conforme o Ministério da Saúde, esse tipo de festejo, durante os altos
índices da COVID-19, favorece outras doenças também, como é destacado pelo autor, gripes,
caxumba e sarampo.
Figura 38: Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano: Aglomerações de pessoas.

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do; CANTO, Laura Celloto. Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano, 6.
ed. — São Paulo: Moderna, 2018.

Na página 69, traz a seção “em destaque” que aborda a importância da vacina para
defesa do organismo, como mostra a figura 39. E ainda mostra o “saiba mais” com a origem da
palavra vacina para que o estudante faça a ampliação dos seus conhecimentos. Traz o
personagem gotinha que sempre esteve presente nas campanhas de vacinação das crianças e em
outras campanhas como a da gripe.
Figura 39: Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano: Vacinação.

82

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do; CANTO, Laura Celloto. Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano, 6.
ed. — São Paulo: Moderna, 2018.

No final do capítulo, na página 74, o livro traz um diferencial ao trabalhar com o ensino
dialógico por meio de questões geradoras na seção “# Isso vai para o blog” que fizeram parte
de todo capítulo. Com isso, chega-se à conclusão do capítulo com a análise de aprendizagem e
o senso crítico dos estudantes sendo desenvolvidos, diante desta temática, com a criação de um
blog destacado na figura 40.
Esta é uma sugestão para o professor trabalhar por meio de uma roda de conversa usando
um símbolo, a “#”, bem presente na relação dos jovens com as redes sociais. Ao analisar a
imagem, é possível destacar a diversidade de cor e de gênero, um fator importante para refletir
a igualdade dos sujeitos, com um cenário que faz referência a uma sala de estudos ou biblioteca.
O autor utiliza-se da configuração da imagem com o destaque das perguntas utilizando
diferentes cores, um fator que faz parte das imagens narrativas (KRESS E LEEUWEN, 1996).

83

Incentiva também a busca por diferentes fontes por meio das plataformas virtuais e por livros
físicos, enfatizando a importância de estudar por diferentes referenciais, tanto o professor
quanto o aluno.
Figura 40: Recorte do livro Ciências Naturais: aprendendo com a natureza – 7° ano: fechamento da unidade.

84

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do; CANTO, Laura Celloto. Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano, 6.
ed. — São Paulo: Moderna, 2018.

No capítulo 6, ao fazer o tratamento dos dados (BARDIN, 2016) da página 117, os
autores fazem uma abordagem a respeito das águas servidas ou residuais e ressaltam a
importância do tratamento de água para evitar doenças, já que a água pode ser um veículo de
doenças. E, ao lado do texto, apresenta uma imagem de um córrego destacando a importância
de consumir água tratada (ver figura 41). Tanto o texto quanto a imagem, um complementa o
outro para auxiliar na compreensão do conteúdo podendo ser levantadas diferentes questões do
cotidiano dos estudantes.
Figura 41: Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano: fechamento da unidade.

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do; CANTO, Laura Celloto. Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano, 6.
ed. — São Paulo: Moderna, 2018.

No tópico 11, denominado: “Doenças veiculadas na água”, o livro traz algumas doenças
que podem ser transmitidas por meio da água não tratada. Dentre elas está a Cólera, uma das
doenças que fizeram parte do quadro das pandemias mundiais (TORTORA, 2012). Trazendo
detalhes a respeito do agente causador, prevenção, a ação da toxina do vibrião colérico no corpo,
sintomas, tratamento e prevenção com uma linguagem simples para o professor e possivelmente

85

para o aluno por meio da descrição do texto, ilustração, curiosidades e esquematizações (como
mostra a figura 42).
Conforme análise dos dados, a figura 42 mostra dois tipos de imagens: narrativa e
conceitual ao tratar o conteúdo cólera com a representação dos veículos de transmissão da
cólera e com as caixinhas de texto mostra os representantes ou as explicações a respeito do
meio de transmissão respectivamente (KRESS E LEEUWEN, 1996). E este é um fator
importante, pois quanto maior o número de recurso, de maneira harmônica, melhor será a sua
compreensão.
Figura 42: Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano: Cólera

86

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do; CANTO, Laura Celloto. Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano, 6.
ed. — São Paulo: Moderna, 2018.

Em seguida, os autores trazem outras medidas preventivas no que se refere a higiene
pessoal, fator importantíssimo para evitar a contaminação e a proliferação das doenças, das
medidas de higienização e lista e ilustrada. Traz também uma atividade que foi destacada na
cor laranja denominada: “reflita sobre suas atitudes”, trazendo o diálogo para sala de aula e
incentivando os estudantes a desenvolverem o seu senso crítico (como mostra a figura 43).
Figura 43: Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano: Higiene pessoal.

87

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do; CANTO, Laura Celloto. Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano, 6.
ed. — São Paulo: Moderna, 2018.

A atividade chamada: “Explore diferentes linguagens” na questão 26 (imagem 44), o
livro traz uma história em quadrinho ressaltando a importância da higienização dos alimentos,
informando sobre a proliferação das moscas como um dos transmissores de doenças, e, ao falar
da Cólera, os autores apresentaram as mostras como possíveis veículos de transmissão da
doença.
A história em quadrinho traz uma estrutura que kress e Leeuwen (1996) chamam de
projetiva, pois apresenta um balão alto-falante, ou seja, um balão dialógico sendo relevante para
os processos mentais nas representações narrativa, pois a quantidade de participantes é ainda
maior com o cenário, personagens e a fala que auxiliarão na interpretação e compreensão da
análise da tirinha.
Figura 44: Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano: Atividade explore
deferentes atividades, questão 26.

88

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do; CANTO, Laura Celloto. Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano, 6.
ed. — São Paulo: Moderna, 2018.

Para revisar e desenvolver o senso crítico dos estudantes, os o livro traz o tópico: “Isso
vai para o nosso blog! ”, sugerindo que os estudantes façam um diálogo, pesquisem auxiliando
o professor nas tempestades de ideias na revisão e sintetização do conteúdo, como mostra a
imagem 45.
Figura 45: Recorte do livro (Ciências Naturais: aprendendo com a natureza) – 7° ano: Fechamento do capítulo 6
(saneamento básico).

89

Fonte: CANTO, Eduardo Leite do; CANTO, Laura Celloto. Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano, 6.
ed. — São Paulo: Moderna, 2018.

4.3.3: Livro Ciências naturais: aprendendo com o cotidiano – 8°ano e 9 anos
Após a pré-análise foi constatado que nesses dois livros não foi observado nenhum
tópico referente à Pandemia. Desse modo, foi possível analisar nessas três coleções que cada
autor traz diferentes aspectos pedagógicos para tratar o tema Pandemia de maneira direta ou
indireta, de modo que o mesmo se torna um recurso que traz fatores para estudar e trazer para
a sua vida social aspectos que favoreçam o bem-estar dos sujeitos e a busca por uma vida mais
saudável.

4. 4: Análise comparativa das coleções
Após o tratamento dos resultados, conforme a análise do conteúdo de Bardin (2016), foi
possível observar que cada coleção apresentara diferentes ações ou recursos didáticos para fazer
referência ao tema central da pesquisa às pandemias. Sendo importante ressaltar que os
documentos legais que regem o currículo escolar, como a BNCC, não trazem um tópico
exclusivo para que seja trabalho este tema (BRASIL, 2019.)
Mas, essa inquietação para desenvolver essa pesquisa surgiu a partir da necessidade de
analisar como as coleções dos Livros Didáticos de Ciências, que são disponibilizados para os
municípios do estado de Alagoas, estão abordando temas ligados à Pandemia para promoção
da aprendizagem dos estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental.
Desse modo, o quadro 5 apresenta os conteúdos, de acordo com as coleções que poderão
contribuir diretamente ou indiretamente para o estudo das pandemias, ressaltando a importância
do Ensino de Ciências para os estudantes, bem como para comunidade escolar e sociedade de
maneira geral.

90

Quadro 5 – Conteúdos analisados nas coleções que fazem referências direta ou indiretamente ao tema pandemia.

Conteúdos

Coleções analisadas
Araribá Mais

Teles Ciências

Ciências

Ciências naturais:
aprendendo com
o cotidiano

A água

Contempla
indiretamente

Doenças transmitidas pela água

Contempla
indiretamente

Classificação dos seres vivos

Contempla
diretamente

Sistema imunitário

Contempla
diretamente

A célula

Contempla
indiretamente

Tratamento de água e esgoto

Comtempla
indiretamente

Condições de saúde

Contempla
diretamente

Diversidade microbiana

Contempla
diretamente

Águas servidas

Contempla
indiretamente

Doenças veiculadas à água

Contempla
diretamente

Higiene pessoal

Contempla
indiretamente

Doenças contagiosas e saneamento

Contempla
diretamente

Fonte: Autora, 2021.

Fazendo uma análise comparativa entre os dados, é possível inferir a importância do
planejamento das aulas para que os objetivos, metodologia pedagógicas e recursos das aulas

91

estejam bem descritos, facilitando, desde modo, o ensino-aprendizagem dos estudantes e a
mediação dos saberes na sala de aula entre o professor e os estudantes (ALVES, 2018).
O planejamento pode ser direcionado pelas orientações didáticas sugeridas pelo livro
didático, visto que, em análise, o tema pandemia estava inserido nos conteúdos de maneira
indireta com as sugestões de pesquisas, roda de conversas, filmes, infográficos e textos
complementares. Os principais conteúdos geradores que fizeram referência ao objeto de estudo
de maneira geral foram: a água, classificações dos seres vivos, sistema imunológico, condições
de saúde e doenças contagiosas. Esses temas perpassaram pelas coleções e após o tratamento
dos dados foi possível inferir as suas referências ao tema.
O trabalho traz como referencial os aspectos sociais das vivências dos sujeitos
ressaltando que a saúde pública, com enfoque na pandemia, está além das questões clínicas,
evidenciando as questões sociais, econômicas e emocionais, abordando a importância da
Ciência para sociedade (SAVIANI, 2000). Entre as coleções analisadas, a que apresentou maior
ênfase, relacionando ciência e os fatores sociais, foi a coleção Teláris Ciências, com um capítulo
denominado: Condições de saúde, que desde da abertura do capítulo, com uma imagem
narrativa, aborda o tema fazendo menção a vários indicadores para que se obtenha as condições
básicas da saúde.
Após as análises da coleção, foi desenvolvido um plano didático de Ciências
denominado: “De olho nas pandemias”, que se encontra nos apêndices do trabalho, com
objetivo de auxiliar os professores, ao abordar este tema, trazendo exemplos de atividades
didáticas e um panorama geral do tema.

92

SEÇÃO 5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após as análises das coleções e construção da pesquisa, foi possível alcançar objetivo
principal: analisar quais e como os conteúdos do Livro Didático de Ciências, para os Anos
Finais do Ensino Fundamental, podem contribuir para a compreensão da Pandemia de COVID19. E como objetivos específicos, sendo eles: investigar os principais conceitos necessários à
compreensão do tema Pandemia da COVID-19 e se os mesmos se encontram contemplados no
Livro Didático de Ciências dos Anos Finais do Ensino Fundamental, ressaltando que esses
conteúdos foram identificados, conforme pode ser visto no quadro 5, estando presentes nas
coleções diretamente e indiretamente. Esses conteúdos encontrados podem nos auxiliar a
entender a pandemia atual da COVID-19, pois foram apresentadas outras pandemias, já
vivenciadas pela sociedade, ressaltando as medidas de prevenção, meios de transmissão e
conceitos gerais para entender como esses agentes causadores de doenças se desenvolvem e
suas causas.
O segundo objetivo foi identificar quais as doenças que provocaram Pandemias são
exemplificadas no Livro Didático e se tal abordagem permite que se estabeleça relação com a
Pandemia do COVID-19. Após os tratamentos dos dados, foi observado que as coleções
exemplificaram as seguintes doenças: cólera, gripe suína e varíola, podendo inferir que os livros
já estavam trazendo estes temas, em alguns de maneira mais superficial e em outras mais
aprofundadas. No entanto, a ênfase a esse ou outro tema depende do planejamento e do contexto
social também, pois, possivelmente, nas próximas coleções dos livros didáticos que serão
disponibilizados pelo PNLD, enfatizarão o tema pandemia, podendo ser uma das inquietações
para as futuras pesquisas.
O último objetivo específico foi desenvolver um plano de ensino voltado à abordagem
dos temas relacionados à saúde pública para os Anos Finais do Ensino Fundamental, tendo em
vista dar suporte ao ensino voltado à problemática da Pandemia de COVID-19, e este plano se
encontra nos apêndices da dissertação com propostas didáticas sobre uma perspectiva lúdica,
interativa e interdisciplinar para trabalhar o tema pandemia.
Fazendo uma análise comparativa geral das três coleções, foi possível observar que a
coleção Teláris Ciências foi a que apresentou uma maior contextualização referente a
abordagem do conteúdo e dos recursos visuais e didáticos. Além disso, apresentou aspectos da
pedagogia histórico-crítica, que destacou aspectos sociais que devem ser trabalhados em sala
de aula. No que se refere ao livro do 7° ano, o qual o tema esteve presente nas três coleções, em
especial no capítulo cinco da coleção Teláris Ciências, mostrou que a saúde depende de diversos
indicadores e não somente ligado aos aspectos físicos do corpo.

93

As três coleções apresentaram o tema direta ou indiretamente, ressaltaram a importância
do planejamento das aulas e do conhecimento do Livro Didático o qual está sendo utilizado. Na
coleção “Araribá mais ciências”, foi possível observar, após a pré-análise e tratamento dos
dados, que nos três anos (6°, 7° e 8°) abordaram conteúdos ligados a Pandemia, com exceção
do 9° ano que, apesar de trazer temas ligados à genética e à biotecnologia, não abordou o tema
desta investigação.
A segunda coleção “Teláris Ciências” apresentou o tema apenas nos 6° e 7° anos, nos
demais anos (8° e 9° ano) não expõe o conteúdo da pesquisa. E a segunda coleção “Ciências
naturais: aprendendo com o cotidiano” trouxe o tema apenas no 7° ano, nos demais 6°, 8° e 9°
ano não foi observado.
Tendo em vista o momento pandêmico que ainda estamos vivenciando e o crescimento
das pesquisas voltadas aos recursos pedagógicos, como o Livro Didático e o tema saúde, esta
pesquisa será um incentivo para futuras pesquisas, que contribuirá ainda mais para educação e
bem-estar dos alunos e professores. Já que o Ensino de Ciências é uma grande área do
conhecimento que vem favorecendo cada dia mais a sociedade com suas pesquisas e
descobertas.

94

REFERÊNCIAS
ALVES do Lago, W. L.; Araújo, J. M. de; Silva, L. B. Interdisciplinaridade e ensino de
Ciências: perspectivas e aspirações atuais do ensino. Saberes: Revista interdisciplinar de
Filosofia
e
Educação,
n.
11,
12
fev.
2015.
Disponível
em:
<https://periodicos.ufrn.br/saberes/article/view/6629>. Acessado em: 17 de agosto de 2021.
ALVES, Milena. Características, elementos e importância do planejamento didático
pedagógico: uma revisão de termos e conceitos na área de Ensino de Ciências. Araraquara,
2018. Dissertação. Acessado em 06 de agosto de 2021. Disponível em:
<http://hdl.handle.net/11449/153132>.
ARTUSO, Alysson Ramos; MARTINO, Luís Henrique de; COSTA, Henrique Vieira da;
LIMA, Leticia. Livro didático de física – quais características os estudantes mais valorizam?
Revista Brasileira de Ensino de Física, vol. 41, nº 4, 2019. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/18069126-RBEF-2018-0292.
AUERBACH, Patrick; OSELAME, Gledson Brandão; DUTRA, Denecir de Almeida. Revisão
histórica da gripe no mundo e a nova H7N9. Rev Med Saude Brasilia, v. 2(3), p.183-97, 2013.
BACICH, Lilian; NETO, Adolfo Tanzi; TREVISANI, Fernando de Mello. Ensino híbrido:
personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo, ed. 70, 2016.
BELASCO, Angélica Gonçalves Silva; FONSECA, Cassiane Dezoti da. Coronavírus 2020. In:
Rev Bras Enferm. 2020; disponível em>https://www.scielo.br/pdf/reben/v73n2/pt_0034-7167reben-73-02-e2020n2.pdf < Acesso em: 19 Out 2020.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.
Disponível em: < http://basenacionalcomum.mec.gov.br/>. Acessado em: 09 de julho de 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. PNLD 2020: ciências – guia de livros didáticos/ Ministério
da Educação – Secretaria de Educação Básica – Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação. Brasília, DF, 2019.
BRASIL, Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FUDE).
Disponível
em:
<http://www.fnde.gov.br/component/k2/item/518-hist%C3%B3rico>.
Acessado em: 19 de janeiro de 2021.
BRASIL,
Ministério
da
Educação
(MEC).
Disponível
em:
<http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=12391:pnld>. Acessado em: 20 de
janeiro de 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância
das Doenças Transmissíveis. Guia para Investigações de Surtos ou Epidemias. Brasília:
Ministério da Saúde, 2018.
BRASIL, Secretaria de Saúde do Estado de Goiás. Cólera. Disponível em:
<https://www.saude.go.gov.br/biblioteca/7548-c%C3%B3lera>. Acessado em: 18 de janeiro
de 2022.

95

BOER, Noemi; VESTNA, Rosemar de Fátima; SOUZA, Carmen Rosane Segatto. Novas
Tecnologias E Formação De Professores: Contribuições Para O Ensino De Ciências
Naturais,Unifra.
Disponível
em:
<http://repositorio.roca.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/4765/1/MD_ENSCIE_IV_2014-10.pdf>
Acessado em 14 de abril de 2021.
CAMPOS, Raquel Sanzovo Pires de. Ensino de Ciências e de Biologia sob a perspectiva
histórico-crítica na literatura científica. Debates em Educação, vol. 12, nº. 26, jan./abr.
Maceió, 2020. DOI: 10.28998/2175-6600.2020v12n26p459-469. Disponível em:
<https://www.seer.ufal.br/index.php/debateseducacao/article/view/7284>. Acessado em 13 de
abril de 2021.
CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá Mais Ciências: manual do professor 6° ano. ed.
Moderna – 1, São Paulo,2018. Disponível em:< https://pnld.moderna.com.br/ciencias/araribamais/ >.
COSTA, Elaine Cristina Pereira; BARROS, Marcelo Diniz Monteiro de. Luz, câmera, ação: o
uso de filmes como estratégia para o ensino de Ciências e Biologia. Revista Práxis, v.6, n.11,
2014. Disponível em:< https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/10623>. Acessado em 25 de
agosto de 2021.
COSTA, Maria Fernanda Lima. Envelhecimento no Brasil e coronavírus: iniciativa ELSICOVID-19. Cadernos de Saúde Pública, 2020. DOI: 10.1590/0102-311X00181420.
COSTA, José Roberto. A importância do manual do professor na transposição didática da
matemática.
José
Roberto
Costa,
Maringá,
2008.
Disponível
em:
<http://repositorio.uem.br:8080/jspui/bitstream/1/4375/1/000164371.pdf >. Acessado em 16
de abril de 2022.

DUARTE GONÇALVES, A. L.; ROCHA, A. C.; MARQUES PEREIRA, D. R. Trabalho com
notícias e fake news na sala de aula: experiências do PIBID no COLTEC/UFMG. PERcursos
Linguísticos, [S. l.], v. 11, n. 27, p. 112–131, 2021. DOI: 10.47456/pl.v11i27.33924.
Disponível em: <https://periodicos.ufes.br/percursos/article/view/33924>. Acesso em: 21 ago.
2021.
GOMES, Isaltina Maria de Azevedo Mello; FERRAZ, Luiz Marcelo Robalinho. Ameaça e
Controle da Gripe A(H1N1): uma análise discursiva de Veja, Isto É e Época. Saúde Soc. São
Paulo, v.21, n.2, p.302-313, 2012.
FLICK, Uwe. Introdução à metodologia de pesquisa: um guia para iniciantes. Porto Alegre:
Penso, 2013. ISBN 978-85-65848-08-4.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa / Paulo
Freire. – São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FLÔR, Cristhiane Cunha; CASSIANI, Suzani. O que dizem os estudos da linguagem na
educação científica? Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, vol. 11, n 2, 2011.
ISSN 1806-5104.

96

FRISON Marli Dallagnol; VIANNA, Jaqueline; CHAVES, Jéssica Mello; BERNARDI,
Fernanda Naimann. Livro didático como instrumento de apoio para construção de propostas de
ensino de Ciências Naturais. VII Encontro Nacional de Pesquisa em educação em Ciências
(ENPEC), Florianópolis, 2009. ISSN: 21766940.
GAMA, C. N. Princípios curriculares à luz da Pedagogia histórico-crítica: as contribuições
da obra de Dermeval Saviani. 2015. 232 Fls. Tese de Doutorado (Doutorado em Educação) –
Universidade Federal da Bahia, Salvador - BA.
GERALDO, Antonio Carlos Hidalgo. Didática de ciências naturais na perspectiva históricocrítica. Autores Associados. 2014.
GEROLOMO Moacir; Penna, Maria LF. Cólera e condições de vida da população. Rev Saúde
Pública. v. 34(4), p.342-7, 2000.
GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social / 6. ed. - São Paulo: Atlas, 2008.
ISBN 978-85-224-5142-5.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetas de pesquisa. 4. ed. - São Paulo: Atlas, 2002.
GODOY, Arilda Schmidt. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. RAE –
Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 35, n. 2, p. 57-63, 1995.
GONZALEZ VALDES, Laura Margarita; CASANOVA MORENO, Maria de la C; PEREZ
LABRADOR, Joaquin. Cólera: história e presente. Rev Medical Sciences , Pinar del Río,
v. 15,
não. 4,
pág. 280-294,
dez. 2011. Disponível
em
<http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S156131942011000400025&lng=es&nrm=iso> . Acessado em 18 de janeiro de 2022.
INSTITUTO TRATA BRASIL. Principais estatísticas das coletas de esgoto, 2021. Disponível
em:<
http://www.tratabrasil.org.br/saneamento/principais-estatisticas/no-brasil/esgoto>.
Acessado em 17 de agosto de 2021.
ISACKSSON, Ivonete. A importância do livro didático no ensino de línguas. v. 8 n. 12. Revista
Psicologia
&
Saberes,
2019.
Disponível
em:
<https://revistas.cesmac.edu.br/index.php/psicologia/article/view/1086 >. Acessado em 14 de
abril de 2022.
IVIC, Ivan; COELHO, Edgar Pereira. Lev Semionovich Vygotsky. Recife:
Fundação Joaquim Nabuco, Ed. Massangana, 2010.
KRASILCHIK, Myriam. Caminhos do ensino de ciências no Brasil. Em Aberto, Brasília, ano
11, nº 55, jul./set, 1992.
KRIPKA, Rosana Maria Luvezute; SCHELLER, Morgana; BONOTTO, Danusa de Lara.
Pesquisa documental na pesquisa qualitativa: conceitos e caracterização. In: Investigaciones
UNAD Bogotá - Colombia. v.14, n. 2, 2015. ISSN 0124 793X.
KRESS, G.; VAN LEEUWEN, T. Reading images: the grammar of visual design. London:
Routledge, 1996.

97

LAJOLO, Marisa. Livro didático: um (quase) manual de usuário. Em Aberto, Brasília, ano 16,
n.69, jan./mar, 1996.
LANA, Raquel Martins. et al. Emergência do novo coronavírus (SARS-CoV-2) e o papel de
uma vigilância nacional em saúde oportuna e efetiva Cad. Saúde Pública 2020;
36(3):e00019620.
Disponível
em:
<https://scielosp.org/article/csp/2020.v36n3/e00019620/pt/>. Acesso em: 19 Out 2020.
LEVI, Guido Carlos; KALLÁS, Esper Georges. Varíola, sua prevenção vacinal e ameaça como
agente de bioterrorismo. Rev Assoc Med Bras, 2002; 48(4): 357-62.
LIMA, Claudio Márcio Amaral de Oliveira. O. Informações sobre o novo coronavírus (COVID19).
In:
Radiol
Bras.
2020
Mar/Abr;53(2):V–VI.
Disponível
em:
https://www.scielo.br/pdf/rb/v53n2/pt_0100-3984-rb-53-02-000V.pdf. Acesso em: 19 Out
2020.
MCINTOSH, Kenneth. Coronavírus deadese 2019 (COVID-19). In: Official reprint from
UpToDate,
2020.
Disponível
em:
http://drhmd.ir/wpcontent/uploads/2020/04/2_5208516520715486683.pdf Acesso em 19 Out 2020.
MERISSI, Lais Celis. Referência e ferramenta:usos do livro didático pelo professor de
sociologia./
Lais
Celis
Merissi,
Curtha,
2020.
Disponível
em:
<https://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/70102/R%20-%20D%20%20LAIS%20CELIS%20MERISSI.pdf?sequence=1&isAllowed=y >. Acessado em 14 de
abril de 2022.
MORAN, J. Educação híbrida: Um conceito-chave para a educação, hoje. Porto Alegre:
Penso, 2015.
NEVES, D.P. Parasitologia Humana. 13 ed. São Paulo: editora Atheneu. 2016.
NUNES, Michelle. O livro didático na construção dos conceitos de espaço, território,
paisagem e região no ensino fundamental: um estudo de caso do ginásio da asa norte /
Michelle Nunes, 2009.
OLIVEIRA Pâmela Beatriz Lima de; MORBECK, Lorena Lôbo Brito. Contextualizando o
ensino de Microbiologia na Educação Básica e suas contribuições no processo de EnsinoAprendizagem. Id on Line Rev. Mult. Psic. v.13, n. 45, 2019 - ISSN 1981-1179. Disponível
em: <http://idonline.emnuvens.com.br/id>. Acessado em 20 de agosto de 2021.
PRIETO O, Robin G. De pandemias, literatura y academia. Rev Col Gastroenterol, Bogotá, v.
35, supl.
1, p.
2-4, dec.
2020.
Disponível
em:
<http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S012099572020000500002&lng=en&nrm=iso>. Acessado em: 28 de agosto de 2020.
QUATTRER, Milena, Gouveia, Anna Paula Silva. Cor e Infográfico: O Design da Informação
no livro didático. Revista Brasileira de Design da Informação. São Paulo, v. 10, n. 3, 2013.
ISSN
1808-5377.
Disponível
em:<
https://hosting.iar.unicamp.br/lis/dcf/cor-einfografico_MilenaQuattrer.pdf>. Acessado em 19 de agosto de 2021.

98

REZENDE, Joffre Marcondes de. Epidemia, Endemia, Pandemia, Epidemiologia. Revista de
patologia tropical, v. 27, p.153-155, jan-jun, 1998.
Disponível em:
<https://www.scielo.br/pdf/vh/v36n71/0104-8775-vh-36-71-0273.pdf >. Acessado em 25 de
janeiro de 2021.
SANTOS, Aline Coêlho dos; CANEVER Cristini Feltrin; GIASSI, Maristela Gonçalves;
FROTA, Paulo Rômulo de Oliveira. A importância do ensino de ciências na percepção de
alunos de escolas da rede pública municipal de Criciúma – SC. Univap, São José dos CamposSP, v. 17, n. 30,2011. ISSN 2237-1753.
SANTOS, Wildson Luiz Pereira dos; CARNEIRO, Maria Helena da Silva. Livro Didático de
Ciências: Fonte de Informação ou Apostila de Exercícios? Contexto e Educação, ed. Unijuí,
Ano 21, nº 76, jul./dez., 2006.
SASSERON, Lúcia Helena. Sobre ensinar ciências, investigação e nosso papel na sociedade.
Ciênc. Educ., Bauru, v. 25, n. 3, p. 563-567, 2019. Disponível em:
<https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151673132019000300563&tlng=pt>. Acessado em 14 de abril de 2021.
SAVIANI, Dermeval. A pedagogia no Brasil: história e teoria. Campinas, SP. Autores
Associados, 2008.
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras proximações, 7ª ed., Autores
Associados, Campinas, 2000.
SERPA, Luiz Felippe Perret. A questão do livro didático. Em Aberto, Brasília, ano 6, n. 35,
jul. – set, 1987.
SILVA, Marco Antônio. A Fetichização do Livro Didático no Brasil. Educ. Real., Porto
Alegre,
v.
37,
n.
3,
p.
803-821,
set./dez.
2012.
Disponível
em:
<http://www.ufrgs.br/edu_realidade>. Acessado em: 16 de maio de 2021.
SILVA, Obdália Santana Ferraz. Entre o plágio e a autoria: qual o papel da universidade?
Revista Brasileira de Educação, v. 13, n. 38, maio/ago, 2008. Disponível em:
<https://www.scielo.br/j/rbedu/a/PK7VSKjhMWTqCrsPQrVYTDb/?format=html&lang=pt >.
Acessado em 20 de agosto de 2021.
TORTORA, Gerard J. Microbiologia. ed. 10, Porto Alegre: Artmed, 2012.
TORRES, Edna da Silva; CASTRO, Maria Célia Dias de. Proposta didática para trabalhar com
o dicionário nas aulas de língua Portuguesa na Educação de Jovens e Adultos – EJA. Revista
Humanidades e Inovação v.8, n.66, 2022.
VALDÉS, Laura Margarita González, MORENO, María de La C. Casanova, LABRADOR
Joaquín Pérez. Cólera: história e presente. Ciencias Médicas vol.15 no.4 Pinar del Río, 2011.
ISSN 1561-3194.
Witter, Geraldina Porto; RAMOS, Oswaldo Alcanfor. Influência das cores na motivação para
leitura das obras de literatura infantil. Semestral da Associação Brasileira de Psicologia
Escolar e Educacional (ABRAPEE), v. 12, n. 1 Janeiro/Junho, 2008. Disponível em:

99

<https://www.scielo.br/j/pee/a/CtZ57WSp58JR34CNdkStBxf/?lang=pt&format=pdf
Acessado em 19 de agosto de 2021.

>.

100

APÊNDICES
Plano didático de Ciências: de olho nas pandemias

101

102

103

104

105

106

107

108

109

110

111

112

113

114