Aristóteles da Silva Oliveira
Título da Dissertação: "Inclusão digital do professor do ensino superior para atuar na educação online"
Aristóteles da Silva Oliveira.pdf
Documento PDF (654.3KB)
Documento PDF (654.3KB)
Aristóteles da Silva Oliveira
INCLUSÃO DIGITAL DO PROFESSOR DO ENSINO SUPERIOR
PARA ATUAR NA EDUCAÇÃO ONLINE
Maceió – AL
2007
Aristóteles da Silva Oliveira
INCLUSÃO DIGITAL DO PROFESSOR DO ENSINO SUPERIOR
PARA ATUAR NA EDUCAÇÃO ONLINE
Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de PósGraduação em Educação da Universidade Federal de
Alagoas, na linha de pesquisa Tecnologia da Comunicação e
Informação na Educação, sob orientação da professora Dra.
Neiza de Lourdes Frederico Fumes e co-orientada pelo prof.
Dr. Luís Paulo Leolpoldo Mercado.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
MESTRADO EM EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Maceió-AL
2007
BANCA EXAMINADORA
____________________________________
Dra. Neiza de Lourdes Frederico Fumes
Orientador
____________________________________
Dr. Luís Paulo Leopoldo Mercado
Co-orientador
____________________________________
Dra. Maísa Gomes Brandão Kullok
Examinador
____________________________________
Dra. Anamelea de Campos Pinto
Examinador
Homenagem
Póstuma e merecida a meu padastro Luíz Augusto Silva pela coragem, determinação e
apoio.
DEDICATÓRIA
A Rosana e Davi por existirem em minha Vida.
A minha mãe e irmãs.
Ao Prof. Luís Paulo Leopoldo Mercado.
Aos meus amigos e colegas que trilharam o mesmo caminho.
AGRADECIMENTOS
A Deus pelas oportunidades e possibilidades abertas e o companheirismo e presença
constante em minha vida.
A minha esposa Rosana pela paciência, compreensão e incentivo em todos os momentos.
Espero compartilhar de sua companhia pelo resto de minha vida.
A minha mãe pelo esforço, abnegação, correção e amor com que me educou.
A orientadora Neiza pelas análises criteriosas, sugestões, orientações, paciência e estímulo.
Ao Professor e amigo Luís Paulo Leopoldo Mercado a quem sou imensamente grato pelo
apoio, orientações, intervenções, dicas. Você é um exemplo a ser seguido em todos os
aspectos: como pai, esposo e professor, que Deus o abençoe.
A comunidade Adventista da Serraria pelo carinho e atenção desprendidos para comigo e
minha família.
Aos professores e funcionários do Centro de Educação da UFAL, pelo carinho e apoio
durante esses seis anos e em especial a equipe do Núcleo de Educação a Distância.
A equipe da Coordenadoria Institucional de Educação a Distância pelo encorajamento.
A banca de qualificação e defesa pelas sugestões, correções, críticas e encaminhamentos
para o melhoramento do trabalho.
RESUMO
Este estudo investiga a inclusão digital do professor no ensino superior para atuar
na educação online, a partir do Curso de Construção de Material Didático para
Educação a Distância na Internet: uso do ambiente virtual de aprendizagem
Teleduc. Na formação foram trabalhadas as competências necessárias para o
professor atuar em EAD; domínio de conteúdo, domínio das ferramentas das TIC
e do ambiente Teleduc, domínio pedagógico da modalidade EAD; articulação do
conteúdo e da ferramenta numa perspectiva pedagógica para EAD e conhecer
processos de gestão (tecnologia, atividades). O estudo teve como objetivos
analisar os instrumentos utilizados para inclusão digital de professores no ensino
superior compreendendo a necessidade destes desenvolverem habilidades e
competências para atuarem em ambientes virtuais de aprendizagem; analisa as
mudanças ocorridas na universidade diante das TIC e da entrada da modalidade de
EAD no ensino superior; abordar as políticas públicas do Ministério da Educação
para formação de professores na modalidade de EAD e refletir sobre o papel dos
docentes na educação online. A metodologia utilizada envolveu um estudo de
caso e os instrumentos empregados compreenderam a observação participante, os
registros gerados no próprio ambiente da formação, além de relatórios e
depoimentos dos professores disponibilizados na plataforma Teleduc. As análises
apontaram para a necessidade de investimento e formação continuada dos
professores para atuarem na EAD no ensino superior. Ao final da formação os
professores elaboraram cursos no Teleduc voltados para suas áreas de atuação
baseadas na elaboração de material didático online. Como primeira experiência
de formação de professores para atuarem em EAD online, os resultados foram
considerados satisfatórios e sinalizaram perspectivas positivas para essa
modalidade de educação para o futuro no contexto da UFAL.
Palavras-chave: Inclusão Digital, Formação de professores, TIC
ABSTRACT
This study investigates the digital enclosure of the professor in the higher
education to act in the online education, from the Elaboration of Educational
Material Course for long-distance education in the Internet: use of the virtual
environment of learning Teleduc. In the formation, the following were the points
that were worked on: the necessary competences for the professor to act in EAD;
the proficiency on the content, proficiency on the tools of the TIC and on the
environment Teleduc, pedagogical proficiency on the modality EAD; articulation
of the content and of the tool in a pedagogical perspective for EAD and know
trials of management (technology, activities). It still had as objective to analyze
the instruments utilized for the digital enclosure of professors in the higher
education, understanding the needing of the professors to develop abilities and
competences to act in virtual environments of learning; It analyzes the changes
occurred in the university faced with the TIC and the beginning of the modality of
EAD in the higher education; it approaches the public politics of the Department
of the Education for the formation of professors in the modality of EAD and
reflects on the role of the providers in the online education. The methodology
utilized involved a case study and the applied instruments comprehended the
observational participant, the records were generated in the own environment of
the formation, besides the reports and statements of the professors available in the
Teleduc site. The analyses showed the need for investment and continued
formation of the professors to act in the EAD in the higher education. At the end
of the formation, the professors elaborated courses in the Teleduc focused on their
area of action based on the elaboration of online educational material. As a first
formation experience of professors to act in EAD online, the results were
considered satisfactory and pointed out positive perspectives for that modality of
education for the future in the context of the UFAL.
Key-words: Digital enclosure, Formation of professors, TIC
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................
CAPÍTULO I: ENSINO SUPERIOR ONLINE .......................................................
1.1 O papel das TIC no ensino superior .........................................................
1.2 As políticas públicas de EAD para o ensino superior ..............................
1.3 Papel do professor e da tecnologia na educação ......................................
CAPÍTULO
II:
DESAFIOS
PARA
INCLUSÃO
DIGITAL
12
21
21
27
30
DE
PROFESSORES NO ENSINO SUPERIOR PARA ATUAR NA EDUCAÇÃO
ONLINE .......................................................................................................................
2.1 Desafios e perspectivas para formação de professores no ensino
37
superior ..........................................................................................................
2.2 Inclusão digital de professores no ensino superior ..................................
2.3 Formação de professores para docência online ........................................
37
45
54
CAPÍTULO III – O PROCESSO DE INCLUSÃO DIGITAL NO ENSINO
SUPERIOR:: O USO DO AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM
TELEDUC ...................................................................................................................
3.1 Formação de professores em AVA ....................................................
3.2 Desenvolvimento do curso no Ambiente Virtual Teleduc .................
3.3 Atividades desenvolvidas no curso Construção de material didático
60
60
62
para Internet: uso do ambiente virtual Teleduc ........................................ 65
3.4 Apresentação dos resultados e análises dos dados ............................. 74
3.5 Avaliação na EAD .............................................................................
85
CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................
89
REFERÊNCIAS ..........................................................................................................
93
Lista de Anexos
Anexos 1 – Plano de Curso elaborado por um cursita ...................................
Anexo 2 – Ficha de inscrição de cursos no Teleduc ......................................
Anexo 3 – Ficha de inscrição do curso ..........................................................
101
106
107
Lista de Abreviaturas e Siglas
AVA – Ambientes Virtuais de Aprendizagem
CEDU – Centro de Educação
EAD – Educação a Distância
IES – Instituição de Ensino Superior
MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia
MEC – Ministério da Educação
NEAD – Núcleo de Educação a Distância
NIED – Núcleo de Informática Aplicada a Educação
ONG – Organização Não-Governamental
PPGE – Programa de Pós-Graduação em Educação
PROLICENCIATURA – Programa de Formação Inicial para Professores do
Ensino Fundamental e Médio
SAEB – Sistema de Avaliação do Ensino Superior
TIC – Tecnologias da Informação e Comunicação
UAB – Universidade Aberta do Brasil
UFAL – Universidade Federal de Alagoas
UNICAMP – Universidade de Capinas
INTRODUÇÃO
O avanço acelerado das TIC e sua presença em praticamente todas as atividades
desenvolvidas pelo homem, neste início de século, provocam alterações profundas na forma de nos
relacionarmos, comunicarmos e vivermos. Essa constatação leva-nos a refletir sobre o papel que elas
desempenham na sociedade atual e os desafios de lidar com as transformações abruptas que elas
engendram.
Analisar as implicações educacionais e sociais da introdução das TIC em nossa vida
representa um esforço para delimitar a atuação que cada cidadão precisa desenvolver nesse novo
cenário marcado por transformações geradas globalmente e que afetam a todos, independentemente, do
espaço geográfico em que residem, do nível educacional, social e econômico de cada um.
O impacto causado pelas TIC é imprevisível, já que a cada dia novos equipamentos são
inventados e aprimorados, num processo que parece ser interminável. Vivemos, portanto, no mundo de
incertezas e conflitos permanentes que pressupõe uma necessidade constante de adaptação e
aprendizagem contínua.
Essas mudanças são acompanhadas por sentimentos que vão da tranqüilidade ao nervosismo,
dependendo da familiaridade e do conhecimento que as pessoas tenham das TIC. Portanto, uma visão
equilibrada das transformações em curso favorece a construção de um posicionamento crítico e
reflexivo diante das perspectivas e expectativas de uma sociedade cada vez mais tecnológica.
Diante desse contexto, caminhamos para uma sociedade que valoriza a iniciativa, capacidade
de inovar e adaptar às diversas situações do quotidiano uma postura de liderança e liberdade para tomar
decisões; valoriza a autonomia, que resulta numa maior responsabilidade pessoal e grupal; e, a
cooperação, caracterizada pela capacidade de trabalhar em conjunto em busca de objetivos comuns.
Essas dimensões são essenciais para a construção de uma sociedade comprometida com o
novo desenho social, político, econômico e cultural implementado nesses últimos anos com o avanço
no campo tecnológico. As mudanças não são apenas conjecturais, mas, sobretudo, estruturais, o que
nos leva a repensar todo o processo de transmissão e acúmulo de informações e de produção de
conhecimentos.
Lévy (2003, p. 11) endossa essa assertiva quando analisa que “certamente nunca antes as
mudanças, da economia e dos costumes foram tão rápidas e desestabilizantes”. O autor considera que
12
esse processo é causado pela virtualização da sociedade levando a uma reconfiguração social
estimulada pela presença das tecnologias em todas as relações sociais.
O desafio dessa nova ordem social é que todos os cidadãos sejam beneficiados e
contemplados com as mudanças em curso, algo que torna essencial a democratização do ensino a partir
do acesso universal à educação e aos meios tecnológicos.
Na sociedade atual a produção caminha para o processo plenamente tecnológico e as relações
sociais são baseadas e mediadas pelas TIC. Então, é importante uma formação que prepare o cidadão
para lidar com elas, de maneira autônoma e construtiva, auxiliando a resolver os problemas práticos
que surgem no dia a dia.
Precisamos, portanto, re-contextualizar a educação nessa nova realidade, analisando as
mudanças ocasionadas por esse processo amplo e global impulsionado pelo avanço das TIC e da
reorganização dos setores produtivos da sociedade. Como resultado desse processo, a educação está
passando por uma transição de paradigmas, adquirindo relevo e evidência como meio para estabelecer
as bases da Sociedade da Informação e do Conhecimento (CASTELLS, 1999; MERCADO, 1999;
DUPAS, 2001; CHIROLLET, 2001; MATTELART, 2002).
Nesse cenário, alguns questionamentos são fundamentais para compreendermos a realidade
atual do ensino superior: os professores do ensino superior estão preparados para atuar nessa nova
sociedade? O que muda na formação do professor? Quais competências e habilidades são necessárias
para exercer o trabalho docente em contexto de educação online?
Nessa linha, definimos como problema da pesquisa o seguinte questionamento: O docente do
ensino superior, particularmente na UFAL, está incluído digitalmente para atuar na educação online?
Essa é uma questão fundamental que precisa de reflexões, mas que pela complexidade que ela
apresenta e as dificuldades para encontrar respostas na literatura, já que não existe muita pesquisa na
área voltada para inclusão digital do professor no ensino superior ou esses estudos são tratados de
forma generalizada necessitando assim de um exercício de reflexão e análise minuciosa, pois estamos
tratando de um tema atual, do qual depende o desenvolvimento do cidadão nos diversos setores da
sociedade.
Nessa perspectiva, Moraes e Santos (2003, p. 11) destacam que “a educação tem um papel
crucial na chamada sociedade tecnológica, pois é um dos meios pelos quais os indivíduos serão capazes
de compreender e de situar na contemporaneidade, como cidadão partícipes e responsáveis”.
13
Dessa maneira, a educação é vista como componente fundamental para construção de uma
sociedade mais justa e igualitária, mas é importante destacar que não é ela sozinha, outros aspectos
estão sobrepostos para podermos construir uma comunidade melhor para se viver.
Como conseqüência, os espaços de formação e usas estruturas vão se modificando,
adaptando-se às novas exigências da Sociedade da Informação e Comunicação. Nesse contexto,
analisaremos as transformações que a universidade vem passando para atender à nova demanda cada
vez maior de formação e qualificação, condizente com a realidade social vivenciada na atualidade.
Como a dinâmica social exige uma qualificação mais especializada e articulada com o
processo de globalização, são exigidas novas competências profissionais, principalmente, formação de
nível superior que prepare as pessoas para lidarem com situações-problema com mais conhecimento.
Tiffin e Rajasingham (2007, p. 165) acentuam a necessidade de uma reformulação nas universidades
quando afirmam:
A sociedade da informação introduziu outra camada de complexidade em uma sociedade que
exige novas habilidades e novos tipos de profissional da informação. As universidades
encontram-se frente à frente com uma necessidade de diversificar ainda mais os programas de
especialização profissional que oferecem. E agora chega a globalização com outro nível de
exigências profissionais. Uma universidade do futuro precisará preparar profissionais em nível
de uma sociedade global, mas também local.
Diante desse fato, surge um impasse: a quantidade de universidades brasileiras não comporta
a demanda por vagas existentes, devido a suas limitações geográficas e físicas. Como solução são
oferecidos cursos a distância como proposta para democratizar e socializar o conhecimento
desenvolvido nestes espaços educacionais.
Para Riccio (2005, p. 125) essa modalidade de educação inicialmente era vista com
preconceito pela maioria dos acadêmicos, porém esta percepção vem mudando com o advento das TIC.
A autora assinala que:
A EAD online de qualidade caracteriza-se por uma visão metodológica baseada na interação e
na construção do conhecimento de forma colaborativa, entendendo que o lugar do aprendente é
no centro do processo de aprendizagem, e não na periferia, como vê a educação tradicional. No
contexto da cibercultura, a EAD online é uma demanda da sociedade; é um caminho a ser
percorrido por toda instituição de ensino.
14
Essa reflexão da autora explica a valorização da EAD nos últimos anos. Acompanhando essa
valorização, constata-se a proliferação crescente de universidades e faculdades ofertando cursos a
distância.
O processo de institucionalização da EAD nas universidades brasileiras públicas, e também
privadas, demonstra a preocupação do MEC com o crescimento da demanda de cursos superiores para
atender às especificidades do país, com graves índices educacionais e com dimensões continentais.
Nesse sentido, a EAD adquire prioridade na agenda do MEC, que passa a criar e fomentar políticas
públicas com o objetivo de atender a um grande número de pessoas sem acesso a cursos superiores e a
professores que atuam na rede do Ensino Fundamental e Médio, sem a formação universitária.
Nessa perspectiva, Almeida (2005, p. 1) analisa que:
A par desse movimento das instituições universitárias, o Ministério da Educação vem
anunciando a ampliação do ensino com o uso da TIC como prioridade para o ensino superior
por meio da adoção de estratégias que permitam diminuir a exclusão social nas universidades,
e ao mesmo tempo, aumentar a média de escolaridade dos brasileiros, criando mecanismos que
favoreçam a inclusão digital. Até o ano de 2006, a meta é aumentar para 250 mil o número de
vagas nos cursos superiores de ensino a distância do país, com o uso de distintas tecnologias e
incentivando o ensino em meio digital.
A primeira ação de grande repercussão e que demonstra a prioridade dada pelo MEC com
relação a EAD, foi a criação em dezembro de 2005 da UAB11. A partir da cooptação de recursos
provenientes dos Fundos das Estatais tornou possível o investimento em EAD. A meta é interiorizar o
ensino superior no país, com a manutenção do ensino de qualidade, gratuito e para todos.
Em caráter experimental, as primeiras experiências da UAB iniciaram com o curso piloto de
Administração a Distância em parceria com o Banco do Brasil, em 18 universidades federais e 7
estaduais. A partir dessa iniciativa, qualquer cidadão que preenchesse os requisitos estabelecidos no
Edital nº 1 de 16 de dezembro de 2005, poderia realizar o vestibular para ingresso no curso. Esse edital
teve como objetivo fomentar o Sistema da UAB promovendo a articulação e integração experimental
de instituições de ensino superior, municípios e estados para apoio aos pólos presenciais.
Com essa medida, o país seguiu os caminhos já trilhados com sucesso na criação da
universidade aberta de outros países, como Inglaterra e Espanha, levando a educação brasileira a entrar
11
UAB é um programa do MEC criada em 2005, resultante da articulação e integração experimental de instituições de ensino superior, Municípios e
Estados para oferta de cursos de EAD.
15
definitivamente na era da educação online, na era da virtualização do ensino e na coexistência de
cursos mistos: presencial, semi-presencial e virtual12.
A criação da UAB foi um avanço na concretização de políticas eficazes de formação de
professores e preparo para o estabelecimento de uma sociedade baseada na informação e no
conhecimento através de investimento no acesso da população ao ensino superior.
Seguindo essa perspectiva, Litto (2005, p.1) destaca que:
O projeto da UAB traz avanços significativos na área de educação superior a distância,
prevendo uma política sustentada permanentemente para as IES públicas com o aporte de
docentes, servidores técnicos, administrativos e financiamento. Isto proporcionará uma
expansão que promoverá maior credibilidade na EAD, além da promoção de um processo real
de inclusão social.
A institucionalização da UAB surge no cenário brasileiro para expandir a oferta e vagas de
cursos no ensino superior e melhorar a formação e qualidade do ensino ofertado. Pesquisas atuais de
Moran (2006) indicam que a educação não evolui com professores mal preparados para exercer sua
profissão. Franco (2006) também aponta que a falta de professores e a precária formação de muitos que
estão no exercício da docência é um dos aspectos mais graves da educação brasileira.
O desafio das universidades é formar e preparar professores num curto espaço de tempo, com
a exigência mínima para enfrentar os obstáculos da Sociedade da Informação e Comunicação. Essa
tarefa envolve a participação de toda a comunidade acadêmica e a elaboração de diretrizes que
orientem a implementação de políticas públicas voltadas para formação de professores.
As ações do MEC referentes à formação de professores são estabelecidas em convênios e
parcerias com as universidades públicas e privadas. O questionamento que levantamos, porém, parece
ser relevante e pertinente: as universidades estão preparadas para atuar na modalidade de EAD? Os
professores universitários em sua maioria já estão incluídos digitalmente na educação online?
Ao procurarmos respostas para esses questionamentos na literatura especializada, não
encontramos estudos que abordassem essa temática de maneira a compreendermos como estão
preparados os professores universitários no âmbito da educação online.
As experiências das universidades são baseadas no ensino presencial e uma mudança para
cursos híbridos (presencial e semi-presencial) e online envolve transformação organizacional e
12
Moran (1994, p. 1) esclarece que “hoje temos a educação presencial, semi-presencial (parte presencial/parte virtual ou a distância) e educação a
distância (ou virtual). A presencial é a dos cursos regulares, em qualquer nível, onde professores e alunos se encontram sempre num local físico,
chamado sala de aula. É o ensino convencional. A semi-presencial acontece em parte na sala de aula e outra parte a distância, através de tecnologias. A
educação a distância pode ter ou não momentos presenciais, mas acontece fundamentalmente com professores e alunos separados fisicamente no
espaço e ou no tempo, mas podendo estar juntos através de tecnologias de comunicação.
16
estrutural à qual as universidades precisam adapta-se. Já os professores, eles possuem uma longa
experiência no ensino presencial, domínio de conteúdos e metodologias de processos de ensinoaprendizagem e avaliação sedimentadas que precisam ser re-elaboradas e inventadas na EAD, tendo em
vista que nessa modalidade de educação os professores e alunos ganham novos papéis, nos quais o
professor não é mais visto como única fonte de saber e o aluno pode ser mais autônomo na busca pela
construção do conhecimento.
Mas, a EAD possui suas próprias características e dinâmicas na relação entre professores e
alunos. O conhecimento é visto numa relação de construção envolvendo interface entre professores e
alunos, mediados pelas TIC. Os cursos online são realizados a partir de ambientes virtuais de
aprendizagem. Paralelamente, os ambientes virtuais de aprendizagem são espaços privilegiados para
construção e socialização do conhecimento e servem para apoiar o trabalho docente como para
formação de professores a distância por meio das TIC. Santos (2003, p. 223) define um ambiente
virtual e sua importância para o processo de aprendizagem da seguinte forma:
Um ambiente virtual é um espaço fecundo de significação onde seres humanos e objetos
técnicos interagem, potencializando assim a construção de conhecimentos, logo a
aprendizagem. Entendermos por aprendizagem todo o processo sociotécnico em que os
sujeitos interagem na e pela cultura, sendo esta um campo de luta, poder, diferença e
significação, espaço para construção de saberes e conhecimento. As tecnologias digitais podem
potencializar e estruturar novas sociabilidades e conseqüentemente novas aprendizagens.
Na UFAL, especificamente no Grupo de Pesquisa Tecnologias da Informação e Comunicação
na Formação de Professores Presencial e à Distância Online, do Programa de Pós-Graduação em
Educação, são desenvolvidos pesquisas e cursos com objetivo de preparar professores do ensino
fundamental, médio e superior para atuar na EAD.
Um dos objetivos do grupo é pesquisar e formar professores para utilizarem as TIC como
suporte ao trabalho pedagógico e ampliar as possibilidades de atuação desses profissionais em suas
respectivas áreas de atuação, pois, muitos desses professores não conseguem fazer a transposição do
conhecimento e experiência do ensino presencial para a modalidade a distância necessitando de uma
capacitação na utilização das TIC já que os cursos online são baseados no uso dessas ferramentas.
Dentre as ações desenvolvidas pelo grupo, destacamos a coordenação do curso “Tv Escola e
os Desafios de Hoje” (2002 -2006), voltada para formar professores para utilizar pedagogicamente os
recursos audiovisuais; o Curso de Alfabetização Digital para uso das Tecnologias da Informação e
Comunicação (2006) e o Programa de Formação continuada Mídias na Educação – Ciclo Básico e
17
Intermediário (2007-2008), todos destinados para professores atuantes no Ensino Fundamental e
Médio, assim como, o Curso Construção de Material didático para a EAD na Internet: uso do Ambiente
Virtual de Aprendizagem Teleduc realizado no período de abril a junho de 2006 direcionado para
formar professores no ensino superior para atuar na educação online.
O objetivo dessa pesquisa foi analisar os instrumentos utilizados para inclusão digital de
professores no ensino superior, compreendendo a necessidade dos professores desenvolverem
habilidades e competências para atuarem em ambientes virtuais de aprendizagem e identificar os
avanços e dificuldades encontradas pelos professores para incorporar a utilização das TIC ao processo
pedagógico no ensino superior, particularmente na UFAL.
Como modelo metodológico escolhemos o estudo de caso. Yin (2001) recomenda essa
abordagem quando a pesquisa trata de questões contemporâneas, na qual o fenômeno observado ou
vivenciado e o contexto não estão claramente definidos a priori, e partimos de uma análise
interpretativa definida por Pérez Gomes (1998, p. 104) como a “compreensão dos fenômenos e a
formação dos que participam neles para que sua atuação seja mais reflexiva, rica e eficaz”.
1) Cenário da pesquisa
A instituição escolhida para o desenvolvimento da pesquisa foi a UFAL, devido a dois fatores
determinantes: sua importância no contexto educacional do ensino superior no estado de Alagoas e
como instituição produtora de conhecimento e pesquisas voltadas para atender às demandas sociais da
região.
Dentre as unidades acadêmicas da universidade, escolhemos CEDU, por ser o setor que
introduziu a modalidade de EAD na UFAL, e que já possuía um Grupo de Pesquisa consolidado e
atuante na área. Uma outra razão para escolha do CEDU, foi o meu vínculo inicial como bolsista de
iniciação científica (2001-2003), secretário de pólo de EAD em 2004 pelo NEAD e atualmente como
aluno do PPGE. Além desses fatores, foi nesta unidade acadêmica que o Curso Construção de Material
didático para a EAD na Internet: uso do Ambiente Virtual de Aprendizagem Teleduc foi desenvolvido
e implementado.
2) Os professores participantes da pesquisa
18
No curso foram inscritos 60 professores, desse contingente selecionamos para a pesquisa 30
participantes do curso destinado para os professores que demonstrassem interesse de se vincular a
projetos ou cursos envolvendo a modalidade de EAD utilizando os AVA. Esses professores estavam
vinculados aos seguintes cursos de graduação conforme o quadro abaixo:
CURSO
QUANTIDADE
Pedagogia
17
Comunicação Social
02
Matemática
01
Administração
04
Biblioteconomia
05
Medicina
01
Total
30
Quadro 1: Cursistas por curso de graduação a qual estavam vinculados
Conforme diagnosticado inicialmente, a maioria dos professores participantes nunca havia
atuado na modalidade de EAD e demonstrava grande interesse em conhecer a metodologia e o processo
de educação baseado nos AVA.
A equipe de formadores foi composta por um professor e dois tutores, responsáveis pela
correção das atividades e esclarecimento de dúvidas e dificuldades dos professores-cursista durante a
realização do curso.
3) Instrumentos de pesquisa utilizados
Na pesquisa foram utilizados como instrumentos de coleta de dados: o projeto de elaboração
do curso; as fichas cadastrais dos cursistas; os registros no AVA; a observação participante dos
encontros presenciais do curso e das atividades desenvolvidas a distância, os registros dos professores
no ambiente.
Atuei no curso como tutor intervindo e interagindo com os cursistas na elaboração das
atividades solicitadas e no acompanhamento da produção de material didático disponibilizado no
Teleduc, além da participação e acompanhamento de toda a concepção, implementação e análise do
curso.
19
No curso foram enfatizados a importância da EAD na atualidade e o uso de TIC na docência
online, incentivando o uso de recursos pedagógicos disponíveis em ambientes virtuais para apoio de
atividades e cursos realizados presencial, semi-presencial e a distância.
A realização do curso no ambiente virtual facilitou o registro das informações, pois a própria
estrutura do ambiente proporciona a geração automática de dados e estatísticas que oferecem subsídios
para análise e discussão dos dados.
4) Organização da pesquisa
A pesquisa foi organizada em três capítulos. O primeiro trata da EAD dentro do universo do
ensino superior. Analisa como a introdução das TIC vem trazendo modificações no ensino superior
projetando para uma mudança na oferta de cursos, exclusivamente, presenciais para um modelo híbrido
de educação. Investiga a formação de professores para utilização dos recursos tecnológicos em
ambientes inovadores de processos de ensino-aprendizagem e as políticas públicas de fomento para o
uso da modalidade de EAD no ensino superior como proposta para democratização do ensino superior
e formação de pessoal qualificado para atuar na Sociedade da Informação e do Conhecimento.
O segundo capítulo aborda a necessidade da inclusão digital de professores para atuar na EAD
já que a metodologia usada nessa modalidade é distinta da presencial, sendo necessário rever posturas e
práticas que estejam de acordo com os parâmetros adotados neste modelo de educação. Analisa e
discute a formação de professores, as competências e habilidades exigidas para o professor do século
XXI.
O terceiro capítulo analisa o processo de inclusão digital de professores no ensino superior,
utilizando como lócus de pesquisa a UFAL. Analisa a implementação do curso de construção de
material didático para EAD na Internet: uso do ambiente virtual Teleduc. Apresenta os dados coletados
e analisados, buscando compreender os desafios de preparar professores com perfil apropriado para
atuar na EAD.
20
CAPÍTULO 1 – ENSINO SUPERIOR ONLINE
A educação superior vem expandindo amplamente nesses últimos anos e cada vez mais. O
cidadão da Sociedade da Informação reconhece a necessidade de especialização e formação de nível
superior para competir no mercado de trabalho e desenvolver habilidades e competências que o prepare
para lidar com os desafios da sociedade atual. Este capítulo abordará a EAD no ensino superior, as
implicações metodológicas e pedagógicas que interferem diretamente na formação do professor e o
papel fundamental das TIC nessa modalidade de ensino.
1.1 O papel das TIC no ensino superior
O desenvolvimento das tecnologias e sua presença cada vez maior nas instituições sociais
como um todo e mais particularmente nas instituições educacionais aponta para uma mudança nesses
espaços de formação, construção e socialização do conhecimento e uma crescente oferta de cursos na
modalidade de EAD.
A EAD não é um fenômeno recente, mas ganha repercussão e expansão com os avanços nas
TIC e sua crescente entrada nos espaços educativos como instrumento pedagógico. Moore e Kearsley
(2007, p. 47) apresentam um breve resumo das etapas evolutivas dessa modalidade de educação
“identificáveis pelas principais tecnologias de comunicação empregadas”:
1.
a primeira geração de estudo por correspondência/ em casa/ independente
proporcionou o fundamento para a educação individualizada a distância;
2.
a segunda geração, de transmissão por rádio e televisão, teve pouca ou nenhuma
interação de professores com alunos, exceto quando relacionada a um curso por
correspondência; porém, agregou as dimensões oral e visual à apresentação de
informações aos alunos a distância;
3.
a terceira geração – universidades abertas – surgiu de experiências norteamericanas que integravam áudio/vídeo e correspondência com orientação face a
face, usando equipes de cursos e um método prático para a criação e veiculação
de instrução em uma abordagem sistêmica;
21
4.
a quarta geração utilizou a teleconferência por áudio, vídeo e computador,
proporcionando a primeira interação em tempo real de alunos com alunos e
instrutores a distância. O método era apreciado especialmente para treinamento
corporativo;
5.
a quinta geração, classes virtuais online com base na Internet, tem resultado
enorme interesse e atividade em escala mundial pela EAD, com métodos
construtivistas de aprendizado em colaboração, e na convergência entre texto,
áudio, vídeo em uma única plataforma de comunicação.
As primeiras experiências de EAD estiveram voltadas para instrução e treinamento. Muitos
cursos na modalidade de EAD permanecem com esse formato no qual valorizam-se os conteúdos e
ferramentas, mas quase inexiste a interação do aluno, e quando ocorre é de maneira individualizada ou
não existem momentos de troca e interação entre eles, Contudo, nessa pesquisa o enfoque será pautado
na quinta geração da EAD, ou seja, aquela comprometida com uma perspectiva construtivista baseada
em AVA e na interação e colaboração/cooperação entre os participantes.
Outra mudança ocorre no currículo, que passa de uma estrutura sedimentada e rígida, para um
modelo mais flexível que atende aos interesses pessoais dos alunos, dependendo do modelo adotado
para EAD. Outro dado relevante que caracteriza as transformações em curso no ensino superior é a
crescente oferta de cursos realizados totalmente a distância ou semi-presenciais.
Todos esses aspectos trazem profundas modificações na estrutura organizacional do ensino
superior. É preciso verificar esses fatos atrelados a outros fatores e condicionantes causados pela
globalização e desenvolvimento tecnológicos dos meios de produção, veiculação e consumo
produzidos na sociedade atual. Lima (2002, p. 96) analisa o cenário político-econômico no qual essas
mudanças ocorrem afirmando que:
O debate sobre utilização das novas tecnologias educacionais se dá num cenário político e
econômico bastante definido: o processo de reordenamento mundial do capitalismo. Esse
processo expressa as crises cíclicas deste modo de (re)produção social e as estratégias
construídas pela burguesia e pela classe trabalhadora para o seu enfrentamento.
O uso das TIC no ensino superior segue uma tendência mundial provocada pelas alterações no
mundo do trabalho, dos negócios, da própria dinâmica social e de outras instituições que o uso dessas
22
ferramentas propuseram nessas últimas décadas, sendo inevitável uma re-configuração e modernização
das universidades.
Analisando a globalização e sua interferência nas universidades e as tendências de mudanças
das instituições superiores, Arriaza (2003, p. 11) defende que:
A educação a partir da década de oitenta, apresenta, para a América Latina e várias outras
regiões do mundo, três grandes referenciais de configuração, 1) crise econômica e de ajuste
estrutural que condiciona o gasto público; 2) globalização da sociedade do conhecimento; que
estabelece novas demandas para a educação e para a formação em função do desenvolvimento
cientifico tecnológico, o mercado de trabalho e novas relações de poder, 3) a igualdade e
desenvolvimento humano sustentável, exigido pela própria ingovernabilidade que gera a
desigualdade e suas conseqüentes manifestações, as mobilizações e as lutas sociais.
Nesse contexto, aparece a discussão do papel das TIC no ensino superior e a utilização da
modalidade da EAD nas universidades como meio para democratização do acesso ao ensino superior e
a novos espaços de formação, abrindo oportunidade para uma parcela da população que por diversos
fatores são impedidas de freqüentar uma universidade presencial. Contudo, não concordamos com a
visão da EAD como distribuição da informação, mas, sim, numa concepção de formação global e
permanente.
As universidades são desafiadas a modificar a sua estrutura e organização para atender às
demandas da sociedade da informação. A modalidade a distância, subsidiada pelo uso das TIC,
caracteriza-se pela flexibilidade e adaptação ao perfil dos alunos do século XXI, implicando maior
autonomia dos alunos no processo de ensino-aprendizagem e mudanças significativas nos currículos
que atendam aos interesses personalizados do aluno da era da informação.
Peters (2003), ao analisar o cenário das universidades na Sociedade da Informação, esclarece
que sua sobrevivência depende da flexibilidade no acesso de mais alunos ao ensino superior, maior
autonomia e responsabilidade pela aprendizagem e a satisfação dos desejos individuais. Estas
demandas do ensino superior exigem medidas urgentes para atender às necessidades de novos e
inovadores espaços de formação.
Analisando a utilização da modalidade de EAD no ensino superior, Moran (2003, p. 147)
destaca que “a EAD traz questões específicas e novos desafios, pois se apresenta como importante
ferramenta para situações às quais o ensino presencial não dá conta”. Um dos grandes problemas que o
ensino superior brasileiro enfrenta na atualidade é atender à demanda por uma quantidade maior de
vagas. Isso deve-se como destaca Valente (2003, p. 139) “as dimensões do Brasil e a quantidade de
23
pessoas a serem educadas, a Educação a Distância no ensino superior passa a ser vista como uma
solução importante”.
Um aspecto que é recorrente nos autores acima citados diz respeito, principalmente ao desafio
de mais pessoas terem acesso ao ensino superior. Essa preocupação é fundamental porque a
universidade é o espaço privilegiado para o amadurecimento intelectual e a construção de habilidades e
competências que auxiliarão o aluno no desenvolvimento profissional e pessoal na Sociedade da
Informação.
Nesse sentido, a exclusão de uma parcela considerável da população do acesso à universidade
gera um grave problema na Sociedade da Informação: um contingente imenso de pessoas
despreparadas para lidar com os problemas e dificuldades engendradas por essa nova configuração
social, na qual o maior bem é exatamente o conhecimento, a informação e as formas de acessá-los,
tratá-los e armazená-los.
As universidades tradicionais, caracterizadas pelo ensino presencial e restrito a um número
menor de pessoas, passam para uma estrutura que contemple um número cada vez maior de alunos,
para isso o desenho institucional deve ser alterado para uma estrutura flexível, abrangente e em sintonia
com as transformações em curso na sociedade.
O uso da modalidade a distância surge no cenário educacional da Sociedade da Informação
como solução para a democratização e a melhora na qualidade de ensino com a introdução de novos
métodos de processos de ensino e aprendizagem, baseados no uso integrado das diversas TIC.
As TIC assumem papel fundamental no ensino superior na atualidade provocando mudanças
no modelo de aquisição e difusão do conhecimento, processo que vem ocorrendo lentamente, mas já
está modificando a relação entre professores e alunos e entre a instituição e os alunos.
O aluno em algumas universidades já pode acessar todos os seus dados acadêmicos, como
históricos e boletins online, facilitando o acompanhamento do seu desempenho durante o ano letivo.
Esse é um exemplo de como as TIC estão sendo utilizadas nas universidades tradicionais, mas o que
estamos defendendo é a passagem da universidade tradicional-presencial para a universidade virtual, o
que não exclui a possibilidade de coexistirem simultaneamente, apenas verificando que a tendência será
a proliferação das universidades virtuais em relação às universidades como conhecemos atualmente.
Esse é o cenário que se configura mundialmente e em decorrência do qual o governo
brasileiro precisa investir em pesquisas e diretrizes que fomentem e estabeleçam as bases de uma
universidade virtual voltada para atender ao grande público que está fora da universidade por motivos
24
de trabalho, que os impede de freqüentar uma universidade tradicional, ou por morar distante dos
grandes centros urbanos, nos quais geralmente ficam estabelecidas as universidades.
O Livro Verde elaborado em 2000, pelo MCT, define as ações e os procedimentos que o
governo brasileiro precisa adotar para impulsionar medidas que acelerem o estabelecimento da
sociedade da informação no Brasil, destacando que:
A sociedade da informação está sendo gestada em diversos países. No Brasil, Governo e
sociedade devem andar juntos para assegurar a perspectiva de que seus benefícios
efetivamente alcancem a todos os brasileiros. O advento da Sociedade da Informação é o
fundamento de novas formas de organização e de produção em escala mundial, redefinindo a
inserção dos países na sociedade internacional e no sistema econômico mundial. Tem também,
como conseqüência, o surgimento de novas demandas dirigidas ao Poder Público no que
respeita ao seu próprio funcionamento (TAKAHASHI, 2000, p. 5)
O letramento digital deve ser prioridade na formação da Sociedade da Informação, na qual a
habilidade e competência em utilizar e aplicar os conhecimentos advindos e mediatizados pelo uso das
TIC nos mais variados contextos e situações sejam adquiridas e utilizadas para o beneficio pessoal e
social.
A introdução das TIC no ensino superior cresce em nível mundial e revela as mudanças que
esse setor educacional vem passando. Essas mudanças são significativas e contemplam alterações
didático-metodológicas a partir da inserção das TIC como instrumento de pesquisa e de processos de
ensino-aprendizagem.
Na Internet são criados repositórios de informações por meio das bibliotecas digitais, sites de
busca, entre outros. Os repositórios de informação também oferecem a possibilidade de captar e
modificar imagens e sons que, somado com as informações coletadas na Internet, potencializam o uso
destas no ensino, na pesquisa e no aprendizado do conhecimento tornando o uso das TIC indispensável
numa sociedade caracterizada e pela informação.
O uso das TIC no ensino superior facilita a troca de informações entre professores e alunos e
abre o debate sobre os meios de utilização e implementação dessas ferramentas como auxiliares do
trabalho docente já que são inúmeras as possibilidades de sua aplicação pedagógica.
Uma visão mais aprofundada do papel das TIC vai além do mero instrumento. Elas são
concebidas “como redes de produção de conhecimento e de aprendizagem, mais do que como meros
instrumentos de intercâmbio de informação, pois são recursos imprescindíveis para a gestão do
conhecimento” (RAMAL, 2003, p. 6). Neste sentido, são indispensáveis seu conhecimento,
compartilhamento e apropriação dos recursos disponibilizados por essas tecnologias.
25
O uso das TIC, com finalidades educativas pressupõe conhecimento teórico e metodológico
de suas funções e sua transposição para a prática pedagógica, para assim aproveitamos todo seu
potencial didático. O ensino superior, nessa realidade depara-se com um grande desafio, formar com e
para as TIC.
Além do mais, as universidades públicas não possuem estrutura adequada e recursos
suficientes para investir na modernização de seu espaço físico e na criação de meios para contemplar
um maior número de alunos.
Para Roca (2006) a universidade é uma instituição pública ou credenciada pelo poder público,
que contribui para a sociedade a partir do desenvolvimento de pesquisas, difusão do conhecimento e
formação. Nessa perspectiva, é fundamental o uso das TIC no ensino superior para estimular a
produção do conhecimento e nos serviços prestados à comunidade acadêmica, sendo necessário que ela
facilite ao máximo o acesso de professores, alunos e o pessoal da gestão.
Outro aspecto que deve ser analisado, refere-se ao atual mundo competitivo no qual vivemos,
caracterizado pelas rápidas mudanças incrementadas pelas TIC e pela dinâmica da sociedade
globalizada que exige uma formação permanente ou continuada, ao longo da vida. A utilização das TIC
no ensino abre novas oportunidades por meio da flexibilização do currículo e da oferta de cursos na
modalidade a distância.
Numa sociedade cada vez mais digital é importante analisar os benefícios e vantagens da
inserção das TIC no ensino superior, o que torna relevantes as discussões sobre as implicações e
desafios de criar uma universidade baseada nas TIC não apenas como suporte mas, sobretudo, como
alternativa na redefinição do papel do ensino superior na Sociedade da Informação.
A importância das TIC no ensino superior transcende as questões meramente técnicas e se
configura como eixo das transformações pelas quais as instituições superiores estão passando na
atualidade, com o uso das TIC no ensino superior. Percebemos o surgimento de um novo paradigma
educacional baseado nas TIC.
A consolidação da TIC no ensino superior deve-se, sobretudo, às inovações metodológicas
que rompem com a perspectiva tradicional do processo de ensino-aprendizagem e constituem novos
modelos de construção do conhecimento baseado na interação entre os professores e alunos, além de
atender às novas demandas da sociedade da informação na qual o domínio e competência para utilizar
as TIC são fundamentais.
26
Nesta perspectiva, Harasim et al (2005, p. 221) assinala que “as redes de aprendizagem
proporcionam uma rica oportunidade de intercâmbio de informação e idéias, em que todos os alunos
podem participar ativamente, aprendendo uns com os outros e com o professor”. Essa perspectiva deve
ser a base para a educação inspirada na modalidade de EAD.
1.2 As políticas públicas de EAD para o ensino superior
Podemos constatar que o crescimento da EAD deve-se ao impacto das TIC na sociedade.
Diante desse cenário é imprescindível conhecermos e familiarizarmos com essa modalidade de
educação e o seu papel na sociedade atual, pois sua natureza difere muito do modelo tradicional
caracterizando como uma “abordagem totalmente diferente, com estudantes, objetivos, métodos e
estratégias diferentes, e objetivos diferentes na política educacional. A educação a distância é sui
generis” (PETERS, 2003, p. 69-70).
No sitio do MEC (http://portal.mec.gov.br/seed/) encontramos uma definição ampla de EAD
que se enquadra perfeitamente na perspectiva que estamos pesquisando nesse trabalho: “é uma forma
de proporcionar e fazer educação, com forte mediação das TIC. O Decreto 5.622/05 que regulamenta a
EAD no Brasil, caracteriza-a como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica
nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e TIC com alunos e
professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos.”
Precisamos de políticas específicas que incentivem, regulem, avaliem e fomentem
experiências de EAD no ensino superior. Os desafios para elaborar e implementar políticas
educacionais destinadas a EAD no Brasil são enormes, haja vista a dimensão de nosso país o que
dificulta uniformização nas ações e o atendimento às especificidades de cada região.
Outro aspecto fundamental das políticas públicas direcionadas para EAD passa pela formação
dos professores para utilizar os meios tecnológicos, pois a separação espacial entre professores e alunos
é compensada pela interação estabelecida entre eles através das TIC, sendo necessário o domínio
tecnológico dessas ferramentas.
A implementação de políticas educacionais voltadas para fortalecer a EAD enfrenta desafios
que não se limitam as questões pontuais de natureza ideológica, política e econômica que configure o
indivíduo ao modelo econômico-social, mas que cresce à medida que a sociedade necessita de ações
27
que promovam uma melhor qualidade na educação, qualificação profissional e os benefícios gerados
pelo acesso ao sistema educacional no mundo atual.
A UAB está voltada para atender os municípios com grande carência de formação de
professores em nível superior e uma demanda crescente de pessoas que concluíram o ensino básico,
mas que pela distância dos grandes centros onde ficam concentradas as universidades ou pela
dificuldade de conciliar os estudos com o trabalho encontram na UAB o caminho para uma educação
de qualidade que contribua para sua formação como cidadão articulado com as transformações pelas
quais o mundo passa na atualidade.
Essa medida do MEC significa um avanço em relação à democratização do ensino superior e
ao atendimento às demanda de profissionais com carência de formação em nível superior existente nos
municípios, além de lançar as bases para ações mais ousadas de políticas públicas para EAD.
Os fundamentos para uma mudança radical nos paradigmas educacionais estão sendo
construídos a partir do fortalecimento da EAD nas políticas públicas implementadas pelo MEC e o
reconhecimento dessa modalidade de ensino como meio eficaz de oferecer uma educação de qualidade
para todos.
Ao desenvolver ações emergenciais para solucionar a democratização do ensino, a EAD
aparece no contexto atual como solução para enfrentar os grandes desafios relacionados aos baixos
índices de acesso e qualidade na educação. Dessa forma, Mota Chaves Filho e Cassiano (2006, p 14)
destacam que:
A perspectiva de trabalho com educação a distância deverá ir muito além da dimensão
metodológica ou de mera aplicação da tecnologia no ensino, mas também de um sistema de
educação a distância capaz de enfrentar os desafios dos baixos níveis de atendimento na
educação superior, da concentração da oferta nos grandes centros, e das limitações do modelo
vigente de funcionamento.
Privilegiando, dessa maneira, a qualidade com as potencialidades da EAD. Franco (2006, p.
30) destaca a importância dos cursos oferecidos priorizarem, nesse primeiro momento, os cursos de
licenciaturas, tendo em vista a “falta de professores e a precária formação de muitos dos que estão no
exercício da docência”.
As políticas públicas de EAD implantadas pelo MEC iniciam suas ações propondo novas
metodologias e modalidades de ensino baseado no uso das TIC e na busca do fortalecimento das
licenciaturas no ensino superior, além de abrir oportunidade de professores se engajarem em projetos
28
que os impressionem a perceber a importância da utilização das TIC na educação seja ela presencial ou
online.
Percebendo a potencialidade e a possibilidade do uso da modalidade EAD para sanar
problemas referentes à formação de professores em todos os níveis e modalidades, o MEC ampliou o
fomento de políticas públicas que utilizam a EAD como caminho mais viável de buscar soluções para
os problemas graves da educação brasileiras e apontadas pelos sistemas de avaliação, principalmente, o
SAEB.
Seguindo essa perspectiva foi criado o Próinfantil destinado a professores que atuam nas
creches e pré-escola e tem como objetivo valorizar o magistério e dessa forma contribuir para elevar o
nível de competência dos professores que trabalham com crianças de zero a seis anos.
O Pró-infantil tem como sustentáculo a EAD e consiste em fornecer instrumental teórico e
prático para os professores das séries iniciais desempenharem suas funções conhecendo bem o universo
no qual está inserido e a fim de promover de atitudes e valores que desenvolvam deste cedo nas
crianças o espírito crítico e reflexivo diante do mundo que as rodeiam (MEC,2007).
Outro projeto baseado na EAD, com o objetivo de capacitar professores que atuam no Ensino
Médio e Fundamental, sem a titulação necessária no qual garanta uma qualificação profissional e uma
qualidade na educação básica é o PROLICENCIATURA.
As IES ficaram responsáveis na concepção e implementação do projeto e no estabelecimento
de parcerias para execução da proposta. “A parceria entre as universidades e o sistema público de
ensino tem grande potencial de transformação sócio-educativa, contribuindo, inclusive, para que as IES
avaliem e aprimorem constantemente seus cursos de licenciatura, a partir das demandas concretas da
Educação Básica” (MEC, 2005, p. 3-4).
Além desses, vêm se destacando o Programa de Formação Continuada Mídias na Educação
com a proposta de capacitar professores do Ensino Fundamental e Médio para integrar as diversas
mídias na prática docente de forma crítica e reflexiva.
Franco (2006, p. 32) analisa o impacto dessas políticas na formação dos professores, na escola
e sociedade destacando que:
Ampliar o fomento a cursos a distância, voltados à formação de professores em exercício, traz
conseqüências tanto para as escolas e para os alunos que as freqüentam, quanto para as
instituições de ensino superior que os oferecem e, portanto, com reflexos profundos em toda a
sociedade.
29
As principais políticas públicas voltadas para a formação e qualificação de professores
passam pelas universidades, esse dado levanta questionamentos fundamentais: existe formação para
trabalhar a inclusão digital do professor para atuar na EAD? Os professores da IES estão preparados
para lidar com as especificidades da EAD? Estão incluídos digitalmente para utilizar as diversas TIC,
para formar professores por meio da EAD? A inclusão digital é suficiente para o professor atuar na em
EAD?
Esses questionamentos são essenciais para pensarmos sobre o preparo dos professores
universitários para atuar na EAD, no qual se exige um conhecimento profundo da metodologia que
envolve essa modalidade de educação e domínio pedagógico e instrumental das TIC.
Nesse sentido, para que esses programas sejam bem sucedidos e produzam mudanças
significativas a que se propõem, é necessário que os professores das IES estejam familiarizados com as
TIC e com as particularidades de uma educação on-line baseada na construção colaborativa do
conhecimento.
Para Mota (2005, p. 3) “nesse contexto, a proposta do sistema UAB cristaliza a união de
esforços das diversas esferas de poder Público, visando à democratização do acesso à educação
superior pública, gratuita e de qualidade”. O autor destaca que a EAD contribuirá significativamente
para atender às demandas educacionais emergenciais com a formação e capacitação de milhares de
professores.
A parceria instituída com as IES favorece a abertura de espaço dos docentes atuarem na
educação online. Esse processo contribui para a inclusão digital do professor no ensino superior e a
familiarização com metodologias baseadas na EAD e mediadas pelas TIC.
1.3 Papel do professor e da tecnologia na educação
Na década de 1990, a literatura especializada debruçou-se em pesquisar a formação de
professores e analisar as mudanças no referencial teórico que aborda o papel dos professores frente às
transformações ocorridas na prática docente devido, sobretudo, a disseminação das TIC no espaço
escolar.
O surgimento de novos meios e métodos de processos de ensino-aprendizagem amparados no
uso das TIC leva à reflexão e a tomada de consciência sobre o papel do professor na atualidade. O
processo de ensino-aprendizagem modifica-se com a inserção das TIC nos espaços de aprendizagem,
30
necessitando assim de novas estratégias didático-metodológicas e novas funções que os professores
precisam desenvolver.
Nesse sentido, Guerreiro (2006, p. 183) afirma que é “necessário que o educando tenha no
educador o ponto de sustentação para suas dúvidas e a facilitação da descoberta de novos horizontes de
conhecimentos que o remetam às experiências concretas de sua vida”. Essa relação estabelecida entre
professores e alunos só pode ser efetivada através de novos paradigmas educacionais que privilegiam
uma postura horizontal entre professores e alunos.
A possibilidade didática de utilização das TIC para melhorar o processo de ensinoaprendizagem faz com que os professores reflitam sobre sua atuação como formador na sociedade da
informação. Hoje, o desconhecimento e inabilidade na utilização pedagógica das TIC podem causar
grandes perdas para os alunos, já que muitas informações só podem ser acessadas e tratadas via TIC.
Como as inovações tecnológicas estão processando abruptamente a capacidade de adaptação e
adequação a essas mudanças, muitas vezes não são acompanhadas pelos professores e a sociedade
apropriadamente. Por isso, Há necessidade de fundamentar a aprendizagem na Sociedade da
Informação, na interação, cooperação e colaboração entre professores, alunos e sociedade.
Um dos maiores desafios da educação na Sociedade da Informação é o preparo adequado dos
professores para usufruir as riquezas pedagógicas proporcionadas pelas TIC, pois são fundamentais a
apropriação e integração das TIC à sua prática docente para que o professor desempenhe
adequadamente seu papel.
Uma análise das influências que as TIC causam na formação dos professores aponta para
passagem de concepções e práticas apoiadas, anteriormente, em modelos de ensino centrados no
professor, para relação de troca entre professores e alunos, como assinala Silva (2003, p. 262) “o
essencial e urgente é uma pedagogia baseada na participação, na comunicação que não separa emissão
e recepção na construção do conhecimento a partir da elaboração colaborativa”.
Freire (1987, p. 69) também crítica a concepção baseada na transmissão de conhecimentos
afirmando que a aprendizagem é resultado da mediação dos homens com o mundo “já agora ninguém
educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão,
mediatizados pelo mundo. Mediatizados pelos objetos cognoscíveis”. Andrade (2003, p. 63), seguindo
essa mesma linha de pensamento, esclarece:
A aprendizagem é um processo pessoal – ninguém aprende por outra pessoa, o aprender
depende do envolvimento de cada um, do esforço próprio e capacidade de cada pessoa.
31
Ninguém pode colocar na mente do outro um conhecimento, ou nem mesmo um simples
conteúdo ou informação que não decorra do interesse e do esforço pessoal. O interesse é
relevante à aprendizagem.
Moran (1994) endossa essas assertivas esclarecendo que os meios tecnológicos interferem e
oferecem caminhos diferentes de acesso ao conhecimento no qual essa perspectiva tradicional de
conceber o processo de construção do conhecimento não se sustenta mais. Para o autor a aprendizagem:
Significa compreender todas as dimensões da realidade, captar e expressar essa totalidade de
forma cada vez mais ampla e integral. Entendo a educação como um processo de
desenvolvimento global da consciência e da comunicação (do educador e do educando),
integrando, dentro de uma visão de totalidade, os vários níveis de conhecimento e de
expressão: o sensorial, o intuitivo, o afetivo e o racional (MORAN, 1994. p. 1).
Uma compreensão ampliada da interferência que as TIC produzem no processo de ensinoaprendizagem não pode deixar de perceber esse aspecto fundamental que baseia o uso reflexivo e
consciente das TIC no campo pedagógico promovendo, assim, uma mudança no paradigma
educacional que se caracteriza pela aprendizagem como resultante de construção coletiva e apoiada nas
TIC.
Dessa forma, “pensar educação, hoje, portanto, não é apenas adaptar procedimentos, mas,
sobretudo, repensar e reinventar a aprendizagem e o ensino a fim de enfrentar desafios representados
pela cultura contemporânea” (DIAS; CHAVES FILHO, 2003, p. 40). No âmbito da formação de
professores, estes desafios são voltados principalmente para formar professores habilitados a trabalhar
com a nova cultura digital, já que vivemos numa sociedade mediatizada pelas TIC, que imprime a
necessidade de novas aptidões e mudanças nas relações sociais, econômicas, culturais e políticas.
Neste sentido, Ozuna (2003) reconhece que a integração das TIC não pode ser analisada de
forma reducionista como um recurso a mais que somamos aos já existentes. A integração destes meios
digitais se faz necessário desde o espaço da formação dos professores diante da concepção do professor
e seu novo perfil social até a reflexão diante dos problemas que vão além da alfabetização digital que
pressupõe a integração das novas tecnologias no contexto educativo.
O uso das TIC na educação não pode ser visto com um mero instrumento de transmissão de
informações, mas sim, como um meio eficaz de potencializar o processo de ensino-aprendizagem
através de aplicações metodológicas inovadoras que utilizam as TIC a serviço do aperfeiçoamento da
prática docente.
32
Por essa razão, a formação para utilização das TIC é concebida como atividade inacabada que
carece constantemente de renovação e reflexão contínua, ou seja, ao longo da vida que possibilite o
condicionamento das transformações na sociedade atual.
A preocupação com uma formação permanente na qual o professor possa refletir sobre sua
prática não é algo recente. Freire (1996, p. 39) destaca que “na formação permanente dos professores, o
momento fundamental, é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje
ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática”.
Na Sociedade da Informação, encontramos os trabalhadores do conhecimento e a importância
da formação ao longo da vida, já que o conhecimento e as TIC não são algo estático, mas necessitam de
uma formação que confere status de eterno aprendiz aos seus cidadãos, como assinala Matos (2007, p.
3): “a evolução cada vez mais acelerada das tecnologias, o acesso cada vez mais universal à informação
e o desenvolvimento de novos modelos de negócios, vieram criar uma realidade econômica cada vez
mais mutável e a velocidades cada vez maiores”.
Sem dúvida, a velocidade e a capacidade de captar as mudanças em processo só poderão ser
atingidas através de uma formação que seja paralela e simultânea a essas transformações. Para
conseguir acompanhar as transformações sociais vivenciadas na atualidade é preciso desenvolver novas
competências e habilidades nesse novo cenário social e econômico. Nesse sentido, Matos (2007, p. 5)
coloca que é fundamental:
a) assegurar uma base de conhecimentos adequada à realidade em que vivemos, em que a
importância do aprender sobrepõe à do aprendido, que rapidamente se desatualiza;
b) assegurar que os jovens não cristalizem, que mantenham o espírito crítico e a vontade
de continuar a aprender, cada vez mais, ao longo da vida. Para isso é essencial
desenvolver sistemas de formação profissional que assegurem uma oferta
permanentemente atualizada, adequada ao mercado de trabalho e às realidades em que
vivemos;
c) desenvolver soluções pedagógicas e tecnológicas que envolvam o ensino e a formação
a distância permitindo ultrapassar as limitações físicas e a disseminação do
conhecimento de uma forma generalizada, única via para a criação de uma sociedade
competitiva e de uma economia inovadora capazes de enfrentar os desafios da
sociedade do futuro.
33
d) definir que a formação ao longo da vida seja medida em termos dos objetivos a atingir,
e não apenas do número de horas freqüentadas, ou seja, é necessário que a formação
seja avaliada e validada.
e) uma certificação que valide a formação, assegurando que as competências a que dizem
respeito foram efetivamente adquiridas. É também uma forma de assegurar que essas
competências são reais, estão atualizadas e adequadas ao mercado de trabalho;
f) a motivação, um objetivo a atingir. Um padrão que permite aferir os níveis de
competência e a sua adequação aos perfis profissionais requeridos.
Para que esses aspectos sejam atingidos é necessário uma nova forma de pensar e agir na qual
o professor inicialmente perceba a realidade mutante na qual está imerso e reveja sua prática a partir
das necessidades do estabelecimento de uma sociedade baseada na informação e comunicação.
O aparecimento de novas habilidades e competências na sociedade leva os professores e
alunos a repensarem os seus objetivos e métodos no processo de ensino-aprendizagem que devem estar
coerentes com as novas configurações sociais no qual exige uma formação permanente que valorize o
aprender a aprender, a estarem abertos a novos modelos de ensino-aprendizagem, pautados nos
encaminhamentos da sociedade da informação.
O impacto que as TIC fomentam na sociedade, estimulam uma mudança na concepção de
formação que atenda às novas demandas produtivas da sociedade, baseada no conhecimento advindo
do domínio das TIC e suas diversas aplicações em contextos plurais que precisam de total autonomia
do aluno para desempenhar futuramente com eficiência suas atividades na sociedade.
A aquisição de novas habilidades e competências é fundamental para os alunos transitarem
livremente na sociedade da informação. A deficiência no domínio e utilização das TIC para resolver os
problemas dos mais simples ao mais complexos, resulta num problema grave na sociedade na qual
esses aspectos são fundamentais para acessar os benefícios gerados pelo domínio e conhecimento das
TIC.
Dessa forma, a formação do professor precisa ser vista através de novo enfoque teóricometodológico, que articule os conhecimentos adquiridos na sala de aula e que possam ser aplicados em
situações práticas do cotidiano do aluno em sua vida extra-classe: no seu convívio familiar, social e de
trabalho.
34
A Sociedade da Informação apresenta-se como uma nova etapa da sociedade contemporânea
marcada pela influência das TIC nas ações humanas mediadas e subsidiadas por essas ferramentas. Por
esta razão a formação de professores deve contemplar os aspectos basilares dessa nova sociedade
informacional que pressupõe a utilização das TIC em todas as extensões das atividades do homem
nesse século.
As TIC têm modificado toda a organização social, prescrevendo novas formas de relação
entre os indivíduos e estes com o trabalho, modo de produção, compra, venda, troca, consumo, dentre
outros. Dessa maneira, é imprescindível o estabelecimento de uma nova concepção de modelo
educacional que fundamente sua prática apoiada nas TIC.
Para Bolivar (2006) estamos passando de uma sociedade industrial para uma sociedade da
informação e, conseqüentemente, para uma sociedade do conhecimento na qual a inovação, a educação
de qualidade e criatividade, num mundo globalizado é caracterizada pela preeminência do
desenvolvimento científico-tecnológico.
Nessa perspectiva, Quintero e Vicent (2006) analisam que a educação contemporânea deve
concentrar seus esforços para educar os jovens com vistas às necessidades atuais que o mundo
produtivo, do trabalho e empresarial apresentam para os trabalhadores da era digital, a fim de que
possam desenvolver e acessar de maneira exitosa o mercado de trabalho. Isso, contudo, não exclui a
formação integral do homem que vai além de uma formação para o mercado, mas contempla aspectos
que favorecem e fortalecem as relações interpessoais e culturas.
Essas rupturas de padrões e práticas sociais difundidas pelas TIC determinam também
mudanças na educação. Diante dessa perspectiva, suas metas, objetivos, práticas são modificadas,
seguindo a tendência desse novo cenário na qual são conferidas aos professores, alunos e gestores
novas habilidades e competências para desenvolver com sucesso suas atividades educativas.
Diante desse cenário, Dalvi, Pereira e Dias (2003, p. 72) destacam que a formação de
professores na atualidade, com o desenvolvimento da educação virtual, caminha para uma verdadeira
revolução no qual elas apontam como um dos principais desafios, caracterizar o papel docente frente as
permanentes mudanças na sociedade. Segundo as autoras:
Eis aqui um desafio que precisa ser construído e reconstruído e que resgata cada vez mais, o
papel do professor. Este precisa ser capaz de interagir dinamicamente frente às novas e
mutantes realidades sociais que se configuram a partir de formas diferenciadas de
comunicação, de tecnologias, de constituição dos seres humanos e restruturação de laços
sociais. O professor, ele mesmo, enquanto um dos sujeitos dos processos de ensinar e
aprender, precisa constituir-se outro, se pôr nesse novo cenário.
35
Os papéis que os professores incorporam nesse novo cenário diferem das práticas
anteriormente assumidas e são substituídos por conhecimentos e habilidades passageiras que se alteram
de acordo com o desenvolvimento científico e tecnológico de uma sociedade caracterizada pelo
estabelecimento de conhecimentos provisórios e em constante atualização e evolução.
Alves, Amaral e Pires (2003, p. 3) consideram que “apesar das vantagens conhecidas, o seu
uso é pontual, podendo-se encontrar a justificação em diversos pontos: falta de recursos informáticos,
falta de formação docente em tecnologias de informação, ou mesmo, a resistência que os professores
oferecem à mudança do paradigma de ensino”.
Essa constatação é percebida por muitos professores do ensino superior e escolas públicas que
não sabem utilizar pedagogicamente as TIC e quando o fazem não utilizam, na maioria das vezes, de
forma bem sucedida haja vista não terem uma formação que os habilitem unificar conhecimento
pedagógico e instrumental para inserir criativamente as TIC à sua prática pedagógica.
O desafio aqui apontado para os professores universitários no início desse século é apropriarse criticamente das TIC e usá-las como beneficio pessoal, profissional, em prol da instituição e de seus
alunos e como condição sine qua non para mudanças significativas na perspectiva de ensinar e
aprender na Sociedade da Informação.
Dessa forma, experiências e investimentos em pesquisa devem ser fomentados para que haja
uma divulgação maior do uso das TIC no ensino como potencializador de novas práticas e atitudes
apoiadas nas facilidades educativas proporcionadas pelas TIC.
36
Capítulo 2 – DESAFIOS PARA INCLUSÃO DIGITAL DE PROFESSORES NO
ENSINO SUPERIOR PARA ATUAR NA EDUCAÇÃO ONLINE
Neste capítulo, analisaremos as mudanças ocorridas na formação do professor com o desafio
de atuar na educação presencial e online. Será abordada também a necessidade premente do educador
desenvolver habilidades e competências necessárias para lidar com essas novas configurações sociais,
estimuladas pelo avanço tecnológico, exigindo do professor preparo teórico, metodológico e prático
para utilizar
apropriadamente recursos digitais disponíveis no seu contexto social; e, a ainda,
abordaremos sobre o papel e o preparo necessário na docência para atuar no ensino presencial e a
distância no ensino superior.
2.1 Desafios e perspectivas para formação de professores no ensino superior
Uma das responsabilidades que recai sobre o professor universitário na atualidade é
incorporar as TIC no ensino presencial e a distância, e para isto o domínio e o preparo do professor
universitário é decisivo para que os avanços tecnológicos modifiquem o ensino ofertado e produzam
resultados positivos na universidade.
A formação do professor universitário passa por uma reestruturação urgente nos seus
objetivos e métodos que contemple uma reforma no processo educacional e esteja em sintonia com as
mudanças em movimento no mundo do trabalho e nas relações sociais e afetivas, ocasionadas pela
disseminação das TIC.
Essa exigência profissional contempla todos os níveis e modalidades, mas adquire destaque
fundamental na formação docente já que ela é responsável em formar os diversos profissionais que
atuam na sociedade que cada vez mais se torna informatizada.
O avanço e o desenvolvimento tecnológicos acontecem de forma independente do preparo e
habilidade necessária para dominá-la, por isso, os usuários desses recursos tecnológicos devem
atualizar-se sempre, percebendo que esse processo é interminável.
O primeiro aspecto a ser trabalhado nos cursos de formação, sejam eles iniciais ou
permanentes, é a conscientização dos professores sobre as transformações que a sociedade vem
passando nas últimas décadas, ocasionadas pelo desenvolvimento das TIC. Essas mudanças alteram
profundamente o papel da universidade e da docência.
37
Perceber a importância das IES assimilarem as transformações trazidas pelo desenvolvimento
tecnológico e as possibilidades de trabalhar com diferentes perspectivas didáticas de planejamento e
pesquisa com as TIC implica o desenvolvimento de novas competências teóricas e práticas para
analisar, compreender e aplicar os conhecimentos adquiridos no cotidiano universitário.
Com a inserção das TIC no espaço universitário, modificam-se as estruturas organizacionais,
o currículo, as estratégias de ensino-aprendizagem e avaliação. Todos esses aspectos repercutem na
formação do professor, que precisa re-elaborar conceitos, práticas, atitudes e buscar uma
fundamentação teórica que o auxilie a compreender o momento histórico no qual está vivendo através
do qual a sociedade passa de um estágio caracterizado como sociedade industrial para a Sociedade da
Informação.
Nesse sentido, para Área (2001, p. 12):
Do mesmo modo que outros setores estratégicos de nossos sistema social têm sido
transformados, com maior ou menor velocidade, suas estruturas adaptando-se as novas
exigências socioeconômicas, o sistema educativo necessita também repensar suas metas, seus
conteúdos, suas formas de transmitir e desenvolver a cultura e seus procedimentos de gestão e
organização. O sistema atual deve mudar e adaptar-se a sociedade do século XXI.
As mudanças estão acontecendo em todos os setores da sociedade em ritmos diferenciados. A
universidade precisa não apenas acompanhar os processos de mudança, mas participar ativamente,
inclusive com propostas e soluções para os novos problemas que surgem com o novo desenho social.
Por isso, a função da universidade e do professor é tão importante neste contexto.
Evidentemente, os desafios são enormes já que todos somos protagonistas dessa nova
realidade social e que o medo, as dúvidas e os questionamentos são frequentes nessa fase, mas não
precisamos temer o futuro se estivermos analisando, pesquisando, experimentando e principalmente
nos instrumentalizando, de forma teórica e prática, para resolver com propriedade os problemas
propostos por esta sociedade que emerge velozmente.
O professor que estiver amparado teórico e metodologicamente na utilização das TIC
enfrentará os problemas e dificuldades, de seu uso, com maior naturalidade evitando, assim, frustrações
e insegurança. Por isso, segundo Santos, Radike (2005, p.328) consideram que:
A formação não pode ser dissociada da atuação, nem se limitar à dimensão pedagógica ou a
uma reunião de teorias e técnicas. A formação e a atuação de docentes para uso da informática
em educação é um processo que inter-relaciona o domínio de recursos tecnológicos com a ação
38
pedagógica e com os conhecimentos teóricos necessários para refletir, compreender e
transformar essa ação.
Entendemos, que a formação docente é um processo permanente que não pode prescindir do
binômio teoria/prática, pois é essa combinação que habilita o professor integrar as TIC ao seu fazer
pedagógico.
O cenário da formação de professores para utilizar as TIC é desafiador e problemático haja
vista o sistema educacional brasileiro apresentar “uma enorme defasagem com relação às demandas da
sociedade, pois apresentam propostas de ensino que não respondem às necessidades do mundo atual”
(KULLOK, 2000, p. 93).
Esse quadro tende a aumentar caso as políticas públicas não priorizem a formação,
capacitação, atualização docente, além da modernização urgente da estrutura física e curricular que
contemple a inserção das TIC nas atividades cotidianas do ensino universitário presencial e a distância
de forma crítica e planejada.
Estamos certos de que esse quadro é irreversível e que inevitavelmente levará as
universidades a se mobilizarem para atender as demandas sociais que surgem com a Sociedade da
Informação. A própria dinâmica social impulsiona que todos vivenciem as transformações pelas quais a
sociedade passa.
Diante desse panorama, novas propostas educativas devem assegurar que todos os cidadãos
participem das vantagens produzidas pelo desenvolvimento tecnológico, por isso, a relevância e
pertinência de analisar novas formas de conceber a formação do professor na atualidade, ou seja,
segundo Dowbor, (2004, p. 4) “a educação, e os sistemas de gestão do conhecimento que se
desenvolvem em torno dela, têm de aprender a utilizar as TIC para transformar a educação, na mesma
proporção em que estas tecnologias estão transformando o mundo que nos cerca. A transformação é de
forma e conteúdo” .
Nesse sentido, Mercado (2000, p. 69) destaca:
O reconhecimento de uma sociedade cada vez mais tecnológica deve ser acompanhada de
conscientização da necessidade de incluir nos currículos escolares as habilidades e
competências para lidar com as novas tecnologias. No contexto de uma sociedade do
conhecimento, a educação exige uma abordagem diferente que o componente tecnológico não
pode ser ignorado.
39
Por isso, a ênfase atual está nas habilidades e competências que o professor universitário
precisa desenvolver para agregar criticamente à sua experiência profissional os recursos tecnológicos.
A capacidade técnica de utilizar as TIC é essencial, contudo, não basta apenas a capacidade de saber
fazer para ter sucesso, é preciso saber relacionar-se, e isso envolve a capacidade de lidar com as TIC,
agregando valores éticos, culturais, pedagógicos e metodológicos.
Para os professores, essas mudanças apresentam-se como um grande desafio, haja vista eles
terem sido formados inicialmente por uma sociedade que se modificou rapidamente e que exige hoje
uma postura diferenciada.
Por isso, devemos perceber a formação dos professores a partir de uma visão
multidimensional, ou seja, em que se contemple um conjunto de dimensões: sociais, afetivas e
metodológicas que o prepare para lidar com o desafio de ser professor na realidade social e virtual em
que estamos vivenciando.
Para formar o professor nessa perspectiva, é necessário que a universidade trabalhe no sentido
de preparar o professor para atuar nesse novo cenário mundial, oferecendo condições que o habilite na
sua formação inicial e continuada uma apropriação crítica das TIC.
A ação e atuação do professor precisam ser revisadas e transformadas para adquirir
características inovadoras e potencializadoras de novos processos de formação e ensino-aprendizagem.
Almeida considera que:
Com base no conhecimento interior, na identificação das próprias potencialidades,
competências e capacidades de aprender, de mudar e de atuar na sociedade é que se pode
refletir sobre a mudança de postura como educador. A mudança pessoal e profissional traz a
gênese de um novo paradigma educacional concebido numa perspectiva relacional,
emancipatória, reflexiva e auto-organizativa, que propicia refletir sobre a mudança na escola
para uma instituição que incentive a imaginação criativa, favoreça a iniciativa, a
espontaneidade, o questionamento e inventividade, promova e viva a colaboração, o diálogo, a
cooperação, a solidariedade e a tolerância, trabalhe com a complexidade, a provisioriedade e a
transitoriedade do conhecimento. (ALMEIDA, 2004, p 74-75).
Ao buscarmos redefinir os conceitos de universidade, formação docente e a forma de
conceber o processo de ensino-aprendizagem, é importante destacar que essa transformação é
engendrada pela nova configuração social que as TIC promovem e estabelecem na sociedade.
Essa reformulação converge com as mudanças em transição em todos os setores sociais. O
professor universitário é focal nesse processo, pois desempenha papel fundamental dentro da
40
sociedade, cabendo-lhe a responsabilidade de preparar os alunos para enfrentar os desafios surgidos
com a Sociedade da Informação.
Na maioria das vezes, as mudanças trazem medo, resistência e receio quanto à perspectiva
futura. É nesse momento de transitoriedade que surgem especulações, críticas propostas, dúvidas e
sugestões. É um momento rico em proposições e contestação que, em muitas situações, ao invés de
contribuir para assimilação do novo criam-se barreiras entre o passado e o futuro que levam à rejeição
do novo, sem ao menos vivenciá-lo e experimentá-lo.
Nesse sentido, os professores e todos os envolvidos no processo educacional precisam de
apoio e suporte para superar as dificuldades advindas da necessidade de superar as barreiras oriundas
da necessidade de dominar e incorporar as TIC como instrumento didático no processo de ensinoaprendizagem no ensino superior.
Os cursos de formação de professores devem tratar seriamente dessas questões, privilegiando
momentos de análise, construção e troca de experiências que sustentem uma formação sólida e
permanente em que as práticas são revistas e atualizadas constantemente.
A mudança é de forma e conteúdo e deve ser vista com responsabilidade e compromisso que
as transformações exigem. Professores preparados e capacitados para utilizarem as TIC em diversas
situações, universidades equipadas apropriadamente são sinônimo de sucesso pessoal, profissional, e
social, já que todos ganham, principalmente, o aluno.
Não podemos, contudo, restringir a formação de professores para utilizar as TIC à aspectos
estritamente técnicos, precisamos ir além, utilizar os conhecimentos e habilidades técnicas associado-as
aos conhecimentos e condições objetivas que busquem a promoção da igualdade social e
democratização do conhecimento.
A formação de professores do século XXI deve ter como prioridade os conhecimentos e
habilidades necessárias para que o espaço da docência online torne-se um local de criação,
comunicação, interação e troca, em que a educação esteja a serviço da formação crítica e
contextualizada com os problemas inerentes à Sociedade da Informação.
Nessa perspectiva, os recursos tecnológicos não são um fim em si mesmo, pelo contrário,
tornam-se o meio pelo qual a educação avança na resolução de problemas enfrentados tanto por
professores como alunos em que as TIC passam a ser aglutinadores e geradores de novos horizontes na
relação professor-aluno, aluno-aluno e ensino-aprendizagem.
41
Esse é o principio norteador que precisam ser aplicados nos cursos de formação de
professores. Uma formação que lhe permita apropriar-se criticamente dos recursos tecnológicos e o
ajude a usá-los para a promoção a construção do conhecimento e a lutar por uma sociedade mais justa e
igualitária.
Para Adell (2001), a educação na Sociedade da Informação tem de ser um fator de igualdade
social e de desenvolvimento pessoal em que todos possam usufruir, igualmente, dos benefícios e
facilidades trazidas com o desenvolvimento tecnológico.
Segundo Lacruz (2000), a mediação tecnológica no ensino e na aprendizagem tem trazido
consigo toda uma reconstrução dos conceitos e da função docente, com especial atenção aos
referenciais e condicionantes que, nos últimos tempos, estão emergindo na sociedade e, portanto, em
seu espaço educativo. Esse cenário é novo para o professor e exige dele mudanças de atitude e
intervenção pedagógica já que ela passa de uma cultura de transmissão de “conhecimento” para uma
cultura de construção e re-elaboração do conhecimento.
A introdução das TIC no espaço universitário traz mudanças profundas no papel,
anteriormente, atribuído ao professor o que exige uma ampliação e revisão dos seus fazeres
pedagógicos e inovação dos métodos de ensino-aprendizagem. Essa mudança na postura do professor
frente às TIC deve ser acompanhada por um novo replanejamento e gestão universitária.
Para que essas mudanças se concretizem,faz-se necessário que as universidades contemplem
os seguintes aspectos, segundo Área (2002):
•
existência de plano institucional que impulsione e avalie a inovação educativa utilizando TIC;
•
adoção de infra-estrutura e recursos informáticos mínimos nas universidades e salas de aula
presenciais e virtuais;
•
formação do professor e a predisposição favorável para uso das TIC;
•
disponibilidade de variados e abundantes materiais didáticos e curriculares de natureza digital;
•
configuração de equipes externas e apoio ao professor e às universidades destinadas a coordenar
projetos e a facilitar a resolução de problemas práticos.
Além desses aspectos destacados pelo autor, é importante uma equipe que ofereça um suporte
técnico, como desenvolvimentistas, designers e webdesigners e que estejam em constante contato com
a equipe pedagógica.
42
Essa nova configuração estabelecida pela sociedade da informação aponta para outro aspecto
muito importante que é aprendizagem ao longo da vida, ou seja, a educação não se limita apenas ao
espaço de sala de aula, mas amplia para novos espaços de produção de conhecimentos.
Por isso, a importância de uma formação sólida durante o período universitário para que o
aluno possa, fora dos muros da universidade e do acompanhamento dos professores, buscar as
informações e os conhecimentos necessários com autonomia, disciplina e maturidade.
A ressignificação do papel docente é característica da sociedade da informação, já que os
métodos, meios, objetivos, problemas e desafios são novos e inerentes a essa sociedade. Não podemos
tratar dos problemas educacionais olhando para o passado, mas pensando no presente e no futuro e as
TIC juntamente com uma formação apropriada dos professores para sua utilização tem uma
contribuição singular na resolução dos problemas peculiares a sociedade da informação e do
conhecimento.
Reconhecemos as dificuldades e rejeição que muitos professores têm para modificar sua
prática pedagógica e que para alguns educadores leva um tempo maior a mudança de postura e
assimilação do novo. Contudo, não estamos falando de treinamento de professores para utilizar as TIC
nos processos de formação e atuação docente, mas, sim, de uma apropriação crítica, reflexiva,
ponderada e dinâmica das TIC aos processos pedagógicos.
Essa é uma preocupação que deve ser trabalhada com os professores que terão seus primeiros
contatos com as TIC: eles não ficarão dependentes delas, pelo contrário, serão autores de processos
inovadores de ensino-aprendizagem mediados pela tecnologia.
O problema encontra-se na velocidade e intensidade que as mudanças tecnológicas produzem
na educação e na vida das pessoas. Essas transformações exigem respostas imediatas dos professores e
um esforço para acompanhar e permanecer atualizados diante das transformações tecnológicas que
estamos vivenciando.
Diante desse quadro, Fernandez (2001) assinala a necessidade de os professores estarem
atentos a todas as possibilidades de comunicação e inovação que as TIC apresentam, revisando
criticamente sua própria prática a partir da reflexão de sua intervenção como professor e que possam
ajudar seus alunos a “aprender a aprender” numa sociedade em mudança e em constante evolução.
Na Sociedade da Informação e do Conhecimento, as universidades precisam rever suas
práticas e passar de um estágio centrado no ensino para o focalizado na aprendizagem. Enquanto
especialistas e pesquisadores insistirem em descobrir e criar métodos de ensino utilizando as TIC, a
43
integração destas não surtirá os efeitos esperados. Só será bem sucedida quando focalizarmos a
pesquisa nos métodos de aprendizagem, ou seja, a aprendizagem pela descoberta, interação, cooperação
e colaboração resultante de interfaces pedagógicas.
Nessa perspectiva, Viana (2003. p. 45-46) destaca que:
Educar para a era da informação não significa apenas preparar o individuo para a apropriação
da tecnologia e sua aplicação para melhorar o ensino. Educar para a era da informação
extrapola a questão da didática, dos métodos de ensino, dos conteúdos curriculares e pressupõe
a procura de novos caminhos que levam em consideração a autonomia na construção do
conhecimento, o acesso a informação, a liberdade de expressar idéias, o respeito a diversidade,
traduzidos pela compreensão do modo de pensar e viver de cada um. É uma educação que
deverá estar centrada no sujeito coletivo. Na intersubjetividade das interações que ocorrem
entre os diferentes sujeitos, a partir da compreensão das diferentes interfaces existentes entre
as pessoas e entre as pessoas e as tecnologias intelectuais.
O novo rumo da educação mediado pelas TIC rompe com práticas tradicionais de ensinoaprendizagem e assinala para um processo complexo de educação baseado nas TIC e em novos espaços
de aprendizagem. Nesse novo cenário, o conhecimento, a informação, os meios e instrumentos de
apropriação desses novos recursos tecnológicos são essenciais para que estas transformações pelas
quais estamos passando nos afetem de maneira positiva.
A formação de professores caminha para uma reestruturação completa que envolve métodos,
objetivos e práticas que subsidiarão um novo perfil profissional consciente de seu papel frente aos
desafios postos pela Sociedade da Informação, como afirma Mercado (2002, p. 20).
O professor, na nova sociedade, revê de modo crítico seu papel de parceiro, interlocutor,
orientador do educando na busca de suas aprendizagens. Ele e o aprendiz estudam, pesquisam,
debatem, discutem, e chegam a construir conhecimentos, desenvolver habilidades e atitudes. O
espaço aula se torna um ambiente de aprendizagem, com trabalho coletivo a ser criado,
trabalhando com os novos recursos que a tecnologia oferece, na sua organização, flexibilização
dos conteúdos, na interação aluno-aluno e aluno professor e na redefinição de seus objetivos.
As TIC, além de favorecer a formação de um novo profissional da educação, muda a relação
estabelecida, anteriormente, entre professor-aluno, aluno-aluno. Nesse cenário, a educação reafirma sua
importância no preparo e no estabelecimento de um novo desenho social altamente informatizado.
Procuramos nesse sentido, trazer à tona as mudanças significativas que a difusão das TIC
opera no papel do professor, nosso enfoque não são as tecnologias por si mesmas, mas as
transformações que elas geram na função do professor, na organização e gestão universitária e,
44
principalmente, na aquisição, tratamento e armazenamento de informações com a implantação da
educação online.
Essa visão dos recursos tecnológicos, nos levará a termos uma coerência sobre o potencial
pedagógico das TIC no ambiente universitário, delineando e delimitando os momentos apropriados
para sua utilização na sala de aula.
Os recursos tecnológicos serão mais bem utilizados se apropriados de maneira inteligente e
criativa. Nesse sentido, os cursos de formação de professores necessitam promover momentos de
aprendizagem e troca de experiências que enriqueçam mutuamente os professores participantes. Os
relatos de experiências bem sucedidas ou fracassadas da aplicação pedagógica dos meios tecnológicos
ajudarão os professores a superar as limitações e desconhecimento do uso didático das TIC e de seus
resultados pedagógicos. Sabemos que essa não é uma tarefa fácil, mas necessária para uma apropriação
crítica, reflexiva e estimuladora de novas experiências pelos professores.
Os professores precisam estar motivados para incorporar didaticamente as TIC aos processos
de ensino-aprendizagem. Para que essa motivação aconteça é necessário que eles dominem e conheçam
o potencial didático das TIC. A partir dessa conscientização, os professores serão incentivados a rever
suas práticas e incorporar as TIC aos processos pedagógicos da sala de aula.
Diante desse panorama, podemos compreender a complexidade do professor desempenhar seu
oficio na atualidade e as múltiplas relações que ele tem que estabelecer e construir para sedimentar a
sua importância e valor perante a sociedade da informação e comunicação.
2.2 Inclusão digital de professores no ensino superior
A aceleração vertiginosa das transformações que estão em processo na sociedade atual,
impulsionada pela modernização dos meios tecnológicos, exige do cidadão do século XXI habilidades
e competências distintas daquelas exigidas há algumas décadas.
Impressiona a velocidade com que essas mudanças ocorrem e a capacidade de aprendizagem
de cada indivíduo frente aos desafios gerados pela demanda informacional e os problemas que surgem
tanto pela quantidade de informação disponível quanto pelas formas de disseminação e apropriação
dessas informações.
Se não houver um nivelamento do acesso e da apropriação das informações produzidas,
aprofundaremos um grave problema social, a exclusão, caracterizada por um número imenso de
45
pessoas despreparadas para lidar com as informações e os meios de acesso a elas. Esse será um dos
maiores desafios que teremos que enfrentar, principalmente, nos países subdesenvolvidos e em
desenvolvimento, ou seja, garantir que todos possam usufruir os benefícios gerados por uma sociedade
digital, ao invés, de ser por ela excluído ou dominado.
É preciso criar uma cultura de inclusão em que todos os setores da sociedade são convidados
a participar e contribuir na inclusão digital de seus pares. O papel do Estado adquire relevância e
importância devido ao seu papel dentro da coesão social e bem estar dos seus cidadãos. Ao Estado cabe
promover ações efetivas e contínuas de inclusão digital através de investimentos em recursos humanos
e tecnológicos e em parcerias com os outros grupos sociais.
Outro aspecto importante que merece atenção, ao preparar os professores para utilizar as TIC
no cotidiano universitário, refere-se aos conteúdos curriculares que precisam deixar de ser estanques e
passarem a integrar propostas inovadoras e interdisciplinares de processos de ensino-aprendizagem.
Essa é uma tarefa complexa e desafiadora para o professor universitário que precisa reelaborar conceitos e práticas, e para isso precisa de estímulos, reconhecimento e tempo para refletir
sobre as mudanças na sociedade que envolve diretamente no seu papel de professor.
A inclusão digital de professores no ensino superior não é um processo impositivo e abrupto,
apesar da emergência e urgência de se ter recursos humanos com habilidades e domínio tecnológicos. É
necessário trabalhar, nos cursos de formação, a conscientização e reflexão da importância pessoal,
profissional e, sobretudo, o reflexo de uma formação docente adequada na formação do cidadão da
Sociedade da Informação e do Conhecimento.
O professor, ao perceber que as TIC tratadas e usadas como instrumento didático facilitam,
dinamizam, enriquecem e favorecem o seu trabalho, não oferece resistência na utilização da
aprendizagem do aluno. Geralmente, o que acontece é uma repulsa por parte dos professores sobre
aquilo que não dominam ou não conseguem transpor do domínio tecnológico para o contexto
pedagógico, ou seja, o desconhecimento ou preconceito por não fazer parte do seu dia a dia.
Esse é outro aspecto a ser trabalhado nos cursos de formação de professores para utilização
das TIC: apenas o domínio técnico não é suficiente para o professor ter segurança na sua aplicação
pedagógica. Por isso, a inserção das TIC no ensino superior implica novas concepções de processos de
ensino-aprendizagem.
O compromisso maior da universidade e dos professores é com a qualidade da aprendizagem
do aluno, o que demanda um envolvimento de todos, sendo assim, o engajamento e a troca de
46
experiências entre formadores, gestores, coordenadores, professores e alunos. É um compromisso
compartilhado de responsabilidades, deveres e atitudes que promovam a aprendizagem permanente e a
incorporação crítica dos recursos tecnológicos na universidade.
A proposta de inclusão digital de professores no ensino superior contribui para o
encaminhamento de projetos inovadores de ensino-aprendizagem articulados com a realidade social
dos alunos e a perspectiva no presente e futuro que os conhecimentos construídos e as experiências
compartilhadas servirão de base para estabelecer uma sociedade mais justa e igualitária integrada com
as mudanças ocasionadas pela disseminação das TIC.
A inclusão digital de professores é uma necessidade básica dentro dos desdobramentos e
desafios impostos pela Sociedade da Informação, não só os professores, mas todas as pessoas,
indiferente de idade, sexo e escolaridade precisam passar e permanecer num processo contínuo de
inclusão digital, como assinala Silva et al (2005, p. 32-33):
Se a inclusão digital de professores é uma necessidade inerente desse século, então isso
significa que o cidadão do século XXI, entre outras coisas, deve considerar esse novo fator de
cidadania, que é a inclusão digital. E que constitui uma questão ética oferecer essa
oportunidade a todos, ou seja, o indivíduo tem o direito à inclusão digital, e o incluído tem o
dever de reconhecer que esse direito dever ser estendido a todos. Dessa forma, inclusão digital
é um processo que deve levar o indivíduo à aprendizagem no uso das TIC e ao acesso à
informação disponível nas redes. Especialmente, aquela que fará diferença para a sua vida e,
para a comunidade na qual está inserido.
Os autores destacam que a inclusão digital é consequência do acesso às TIC, é inerente à
realidade da sociedade do século XXI e recai sobre todos a ajuda mútua para que todos os cidadãos
possam inserir-se nesse processo. Devido à demanda, e os problemas técnicos de infra-estrutura,
investimentos e recursos humanos, a inclusão digital revela-se um dos grandes desafios da sociedade
do século XXI, “ao lado da fome, do desemprego e do analfabetismo” (BARBOSA FILHO; CASTRO,
2005, p. 274).
Para enfrentar esses desafios, são necessários investimentos dos poderes públicos que
promovam a inclusão digital dos professores e alunos e que projetos paralelos desenvolvidos pela
sociedade civil organizada preencham os vazios deixados pelos órgãos competentes do governo.
Nesse contexto, as novas gerações são mais privilegiadas, devido à própria dinâmica social de
adaptação e criação de estratégias para superar as dificuldades que as afetam. O problema reside nessa
geração de transição em que o novo se mistura com o velho criando medo, ansiedades, indefinições e
mais, ainda, nas gerações que não foram contemporâneas às TIC, as resistências são maiores.
47
A inclusão digital vai além de um mero preparo para utilizar os recursos das TIC, pois se
caracteriza, sobretudo, pela busca constante de uma sociedade mais justa e igualitária, livre das amarras
que faz com que haja uma exclusão digital/social. Essa discussão adquire relevância na sociedade atual
que exige cada vez mais de seus cidadãos habilidades e capacidades para lidar com as TIC como
instrumento de informação, comunicação e aprendizagem, sendo indispensável seu domínio para
inserir-se no mundo do trabalho.
Entre outros temas emergentes da Sociedade da Informação assume importância o processo
de inclusão digital devido à preocupação por ter uma sociedade com um número crescente de
marginalizados e excluídos pelo não acesso á tecnologia como sublinha Paulo e Tijiboy (2005, p. 2):
A exclusão/inclusão hoje em dia passa também pelo acesso a tecnologia, numa sociedade
revolucionada pelos grandes avanços nessa área. Em outras palavras, numa sociedade onde o
maior valor é a informação o conhecimento e o saber buscar tal informação e conhecimento,
em estar informado e atualizado, usar as tecnologias de informação e comunicação é
fundamental para fazer parte. Assim, no nosso entender, a inclusão social de setores
populacionais excluídos passa também necessariamente pela inclusão digital.
Nesse sentido, governo e sociedade devem caminhar juntos na luta contra a exclusão digital
de seus cidadãos, promovendo ações efetivas que alcancem a todos, sem exceção, com propostas de
uma inclusão digital permanente e em consonância com a realidade social e diversificada de todos os
setores da sociedade.
No que tange à responsabilidade do governo, é preciso um fluxo de investimentos e políticas
que seja atrativo e estimulador para que os professores possam ser capacitados para utilizar
criticamente os recursos pedagógicos disponíveis nas TIC, e isso envolve prioridade em políticas
públicas que atendam as necessidades didáticas dos professores e estrutural das universidades.
Formar professores para uma cultura digital é um grande desafio para a Sociedade da
Informação e envolve, acima de tudo, prioridade nas políticas públicas de capacitação docente, além de
uma estrutura física apropriada e adequada para favorecer e atrair os professores para incorporar as TIC
à sua prática pedagógica.
Já a sociedade pode participar através das ONGs e empresas que se responsabilizem em
atender ao público que já passaram pela universidade e não tiveram acesso às TIC no período de
estudo.
48
As comunidades e as associações são co-participantes desse processo. Todas as camadas da
sociedade não podem ser atendidas se não houver o envolvimento de todos esses setores. Não é uma
tarefa fácil, mas é essencial a colaboração de todos devido à complexidade e os resultados que
dependem dessas ações para que todos, dentro de suas especificidades e problemas, sejam
contemplados, como constata Silva (2006, p. 2):
É urgente se pensar em propostas sustentáveis para atender as demandas de todos os
segmentos da sociedade, principalmente, os mais excluídos, e a abordagem para a exclusão
digital vai além das iniciativas isoladas, é preciso envolver vários setores afins e dar uma
abordagem holística, pensando em todos os fatores que contribuem para esta exclusão, que seja
pelo acesso físico, tecnologia adequada, preço acessível, capacitação, conteúdo significativo
(linguagem), integração à sua realidade, fatores socioculturais, confiança (implicações de
segurança), normas limitantes, ambiente econômico favorável e até vontade política.
Uma outra possibilidade que se apresenta com apropriação didática das mídias digitais é a
capacidade dos professores deixarem de ser apenas consumidores de material pedagógico para
tornarem-se autores. São enormes as perspectivas que se abrem para utilização das TIC em sala de aula,
sendo necessário que o professor esteja conectado com essas possibilidades, e tenha uma formação que
o ajude a descobrir e a implantar métodos inovadores de ensino-aprendizagem mediados pelas
tecnologias.
Essas mudanças de paradigmas na universidade, instaladas com a Sociedade da Informação
trazem consigo vários desafios para a profissão docente a qual precisa constantemente ser revista e
atualizada para atender a dinâmica da sociedade atual.
Para que possamos falar numa efetiva inclusão digital é preciso pensá-la “como um conceito
mais abrangente, que implique que aquele que está incluído é capaz de participar, questionar, produzir,
decidir, transformar é parte integrante da dinâmica social em todas as suas instâncias” (BONILLA,
2002, p. 8). Para a autora, isso só é possível quando houver uma democratização no uso das TIC que se
traduza na participação efetiva da população, de forma que os indivíduos tenham capacidade não só de
usar ou manejar novos recursos, mas também de aprender, prover serviços, informações e
conhecimentos.
Nesse sentido, a formação de professores não poder ser estática, fechada. Ela precisa criar um
ambiente aberto de descoberta e reflexão permanente na qual sua prática é revisada e analisada
continuamente, sendo essa prática um laboratório de experiências bem sucedidas no uso das TIC.
49
Para que a inclusão digital do professor no ensino superior seja uma realidade é preciso que
ele passe por uma nova alfabetização, a digital, na qual passa a desenvolver capacidades e habilidades
necessárias para lidar com as diversas possibilidades didáticas que as TIC oferecem e possibilitam.
Por isso a ênfase que o professor seja letrado digitalmente, esse processo não pode resumir a
capacitação instrumental e domínio das ferramentas do computador. Nossa responsabilidade como
educadores nos obriga a uma alfabetização mais ampla e profunda em que os “objetivos prioritários
dessa alfabetização digital sejam a capacitação para transformar a informação em conhecimento e fazer
do conhecimento um elemento de colaboração e transformação da sociedade” (MARTÍN, 2003, p, 12).
Outros autores, como Buzato (2003), Silva et al (2005) vão além da denominação
alfabetização digital e chegam ao termo “letramento digital” para designar práticas sociais nas quais o
conhecimento de informática assume papel significativo e reflete melhor o processo de inclusão digital.
Silva et al (2005. p. 33) faz a justa distinção entre alfabetização digital e letramento digital:
Precisa haver uma tendência no entendimento de que alfabetização é a simples habilidade de
reconhecer os símbolos do alfabeto e fazer as relações necessárias para a leitura e a escrita, o
que encontra correspondente na alfabetização digital como aprendizagem para uso da máquina.
O letramento, contudo, é a competência em compreender, assimilar, reelaborar e chega a um
conhecimento que permita uma ação crescente, o que encontra correspondente no letramento
digital: saber utilizar as TIC, saber acessar informações por meio delas, compreendê-las,
utilizá-las, e com isso mudar o estoque cognitivo e a consciência crítica e a agir de forma
positiva na vida pessoal e coletiva.
Para esses autores, o letramento digital sobrepõe à concepção que seria apenas a habilidade
para usar programas e ferramentas do computador. Compartilho dessa perspectiva de perceber o letrado
digital como a capacidade de buscar, selecionar, filtrar e organizar as informações e relacioná-las com
o cotidiano e o contexto universitário.
A inclusão digital para ser bem sucedida, precisa perceber e contemplar as principais
carências do professor, e após esses fatores serem diagnosticados, poderemos trabalhar em cima delas
para ajudar os professores em suas dúvidas, questionamentos, e reais necessidades e dificuldades de se
trabalhar com as TIC no ambiente universitário.
“O uso do computador exige, mais que nunca, um professor preparado, dinâmico, e
investigativo” (SEABRA, 2005, p. 6). Um professor que não se limite a reproduzir teorias e práticas,
mas que faça de sua sala de aula um espaço aberto para a construção do conhecimento e atitudes que
extrapolem os muros da universidade e estejam contextualizados com as transformações ocorridas nas
relações sociais, culturais e do trabalho no mundo contemporâneo.
50
Na educação online, o professor não é visto mais como única fonte de saber, ele passa a
mediador e construtor de pontes entre a informação, conhecimento e aprendizagem do aluno
mediatizado pelas TIC.
É na formação de professores que poderemos solucionar os problemas decorrentes das
dificuldades técnicas e pedagógicas apresentadas pelos professores. Estamos falando de um novo perfil
de docência, sustentado nos conhecimentos teóricos e práticos da utilização das TIC. Sobre essa nova
formação, Seabra (2005, p. 4) destaca:
Isto nos aponta para a formação de um novo educador. Por mais que pensemos em utilizar o
vídeo, o computador ou mesmo o velho e bom quadro-negro, é na formação do professor que
desenvolveremos a tecnologia educacional, preparando lideres, mediadores e estimuladores,
mais do que detentores de determinados conhecimentos. O professor no final do século deve
saber orientar os educandos sobre onde colher informação, como tratar essa informação, como
utilizar a informação obtida. Esse educador será o encaminhador da autoformação e o
conselheiro da aprendizagem dos alunos, ora estimulando o trabalho individual, ora apoiando o
trabalho de pequenos grupos reunidos por área de interesse.
Precisamos repensar o valor da universidade em nossa sociedade e o nível de prioridade dada
ao seu papel. Acreditamos termos bem definidos os investimentos e ações governamentais que
favorecerão ou não medidas urgentes de políticas voltadas para a modernização das universidades e
investimentos na formação de professores, como destaca D’ Ambrosio (1998, p. 239) “as grandes
dificuldades da educação são centradas na formação inadequada do professor. Essa inadequação reside
sobretudo em dois setores: falta de capacitação para conhecer o aluno e obsolescência dos conteúdos
adquiridos nas licenciaturas”.
Além desses aspectos apontados, é preciso destacar aqueles decorrentes da introdução das
TIC nas universidades e os desafios impostos à sua profissão, como aponta Nóvoa (1998, p. 38):
Para os professores o desafio é enorme. Eles continuam não só um dos mais numerosos grupos
profissionais mas também um dos mais qualificados do ponto de vista acadêmico. Grande
parte do potencial cultural (e mesmo técnico e cientifico) das sociedades contemporâneas está
concentrado nas escolas. Não podemos continuar a desprezá-lo e a memorizar as capacidades
do professor.
O caminho deve ser inverso, ou seja, um investimento e valorização maior do trabalho
desenvolvido pelo professor é de fundamental importância, independente da época, cultura e sociedade
estabelecida.
51
Gradualmente, os professores estão percebendo que os alunos de hoje são totalmente
diferentes de alguns anos atrás. A maneira desses alunos perceberem o mundo e as transformações que
os atingem, reflete diretamente na abordagem diferencial que os professores precisam desenvolver para
atrair a sua atenção e o seu interesse.
Para que a universidade acompanhe o progresso tecnológico, não só os alunos precisam ser
preparados para utilizar as TIC, mas também, os professores, muitos dos quais ainda não se
apropriaram das competências indispensáveis para acessar esses aparatos tecnológicos (NUNES, 2006).
O perfil desse profissional se caracteriza pelo conhecimento técnico e principalmente da aplicação
pedagógica das TIC na educação.
A falta de competências técnica e pedagógica para utilizar as TIC pode significar um
agravamento das diferenças cognitivas dos alunos que têm acesso, em relação com aqueles que não
fazem uso cotidianamente das TIC na aprendizagem. Outro aspecto preocupante, diz respeito à
possibilidade de conseguir e manter um trabalho sem os devidos conhecimentos das tecnologias. Cada
vez fica mais difícil inserir-se no mundo do trabalho sem uma qualificação e preparo para lidar com as
TIC.
Diante desse novo cenário, as universidades precisam urgentemente incorporar nos seus
currículos o uso inteligente e produtivo da utilização das TIC nos processos de ensino-aprendizagem.
“A exigência da implantação da educação permanente e continuada tem sido a tônica de muitos debates
no país e a incorporação das TIC no currículo torna-se um desafio para os professores” (BONILLA,
2006, p. 1).
A dimensão dessas questões nos leva a perceber que não é apenas de uma formação e uma
inserção nos currículos do uso didático das TIC, mas que exista um suporte permanente de um
especialista que conheça a parte técnica e instrumental do computador e, simultaneamente, possa
aplicar esse conhecimento pedagogicamente para quando os professores tiverem dúvidas e dificuldades
tenham uma figura responsável para se reportar e socorrê-lo.
Esse é um aspecto que deve ser detalhado e aprofundado nas pesquisas e estudos, pois é
sabido que apesar de toda a competência e habilidade que os professores possuam, ao utilizar as TIC,
situações inesperadas e inéditas fazem com que o professor precise de ajuda e orientação. Assim, a
figura na universidade de um especialista que agregue conhecimentos pedagógicos e técnicos que
ofereça segurança e o auxílio, fará com que os problemas e as dificuldades tenham uma rápida
resolução.
52
Nesse sentido, são imprescindíveis profissionais preparados e experientes para lidar com o
desafio de inclusão digital no ensino superior. Por outro lado, é necessário medidas que eliminem a
exclusão digital de professores através de programas de formação continuada e permanente que
ofereçam instrumentos necessários para que esses professores sejam incluídos digitalmente.
O letramento digital aparece, assim, como o primeiro passo para superar a exclusão
caracterizada por aqueles que não possuem conhecimentos das diversas TIC aplicadas ao processo de
ensino-aprendizagem e, desse modo, inaptos para utilizá-los e incorporá-los na sua prática pedagógica.
Esse processo é permanente e pela própria dinâmica perpassa a evolução tecnológica e a
criação de novos modelos e estratégias de utilização didática dessas ferramentas, incorporadas ao
processo de ensino-aprendizagem. Sendo assim, exige do professor uma capacidade de aprendizagem,
reflexão, análise e conhecimentos teóricos e práticos que fazem de sua profissão um re-fazer constante
de práticas e procedimentos que culmine na melhor forma dos seus alunos aprenderem e utilizarem
esses conhecimentos construídos juntos com o professor mediados pelas TIC no cotidiano universitário
e da Sociedade da Informação.
O desenvolvimento de uma cultura digital desenvolvida nos espaços universitários é uma
premissa para que haja uma efetiva inclusão digital de professores que resulte numa melhor qualidade
de ensino e, sobretudo de aprendizagem, isto é, que esteja centrada nos papéis que os professores e
alunos assumem num contexto aberto e colaborativo de ensino-aprendizagem.
Para Barbosa Filho e Castro (2005, p. 292), “a inclusão digital é hoje uma das experiências
mais dignificantes pela qual uma sociedade moderna pode estabelecer condutas que as conduzam a
conquista dos ideais de justiça social e da plena cidadania para todos os seus integrantes”. Segundo
Souza (2006, p. 2), para que a inclusão digital seja uma realidade na Sociedade da Informação “é
necessário que haja uma formação de professores, visando prepará-los para assumir a direção do
processo de ensino-aprendizagem na sua totalidade: nos momentos em que utiliza o computador como
meio de aprendizagem ou, nos que faz uso de outras ferramentas”.
Como endossa Martin (2003), nossa responsabilidade como educadores passa pela própria
utilização e re-alfabetização e se projeta tanto num compromisso sério com a educação dos cidadãos na
era digital, como na demanda social de redes de informação e meios de comunicação de serviço
público.
53
Nossa responsabilidade como educadores e formadores dos alunos-cidadãos do século XXI
nos obriga a rever todo o nosso papel dentro da universidade, aumentando nosso compromisso com a
aprendizagem de qualidade para todos.
2.3 Formação de professores para docência online
Um problema que é recorrente e está na pauta de discussões que analisam a formação de
professores para utilização das TIC, gravita entre as competências e habilidades que esses profissionais
precisam desenvolver para apropriar-se dos recursos pedagógicos disponíveis nas diversas mídias.
Com o avanço e aprimoramento das diversas TIC de forma rápida e constante e a introdução
destas nas universidades é relativamente recente e está em processamento, uma formação permanente e
continuada tornar-se necessária para qualificar os profissionais da educação a utilizar as tecnologias
como instrumentos pedagógicos que o auxiliarão na sua prática.
Quando analisamos a necessidade do desenvolvimento de competências de professores,
percebemos o grande desafio que é colocado: novas linguagens e meios são introduzidos nas
universidades nas quais os professores não têm conhecimento e nem domínio suficiente.
Termos como hipertexto, multimídia, hipermídia são por muitos professores universitários
desconhecidos, dado grave visto que essas expressões estão cada vez mais presentes na Sociedade da
Informação e na literatura.
Diante desse fato, percebemos o desafio que será construir modelos de competências na
formação de professores que os habilite a lidar com as novas linguagens de comunicação da Sociedade
da Informação. Por essa razão, os cursos voltados para capacitação de professores precisam criar uma
cultura que familiarize os professores com as novas linguagens e meios de construção e socialização do
conhecimento.
Observamos uma mudança radical nos meios de transmissão e armazenamento de informação
que modifica os papéis atribuídos anteriormente aos professores. Essa mudança de paradigma abre
discussões sobre a importância de uma re-qualificação na formação de professores.
A constatação da existência de professores qualificados ou não para lidar com as mudanças
pelas quais a sociedade e a universidade passam, em particular, de professores e formadores que
dominem as TIC revela um grave problema no ensino superior brasileiro necessitando de uma
formação que os habilite a utilizar as TIC no processo de ensino-aprendizagem e pesquisa.
54
A introdução das TIC no ambiente universitário redefine o modelo de formação de
professores, pois as atribuições docentes são outras e são diversificadas devido à integração das
barreiras temporais, geográficas e físicas que as TIC inevitavelmente provocam dentro do espaço
universitário.
Os alunos que já vivenciaram cotidianamente essas transformações adquirem uma
familiaridade e domínio dessas tecnologias que muitas vezes superam o conhecimento do professor a
respeito dos recursos disponíveis nas diversas mídias. O professor, frente a esses desafios, vê-se
despreparado e consequentemente sente necessidade de qualificação e desenvolvimento de práticas que
respondam a essas carências de sua formação inicial.
Nesse sentido, os cursos de formação, capacitação e atualização precisam criar instrumentos
concretos que viabilizem a familiarização dos professores com os recursos tecnológicos articulando os
saberes e experiências anteriormente adquiridas com novas práticas de ensino-aprendizagem baseados
nos meios tecnológicos.
A garantia que os professores estão sendo formados para o uso das TIC nas diversas situações
no ambiente universitário é a certeza de que eles estarão preparados para gerenciar a pluralidade de
comportamentos e estilos de aprendizagem dos seus alunos.
O fato de termos professores que ainda não desenvolveram competências para utilizar as TIC
agrava a exclusão digital e indica que medidas urgentes que promovam a inclusão digital dos mesmos
precisam ser implementadas para superar a exclusão entre aqueles que têm acesso e usufruem dos
recursos tecnológicos e daqueles que não têm acesso e estarão fora do círculo de possibilidades que as
TIC oferecem na relação professor –aluno.
Ao analisar o papel da educação online contemporânea Moraes e Santos (2003, p. 11-12)
esclarecem que:
A educação tem papel crucial na chamada “sociedade tecnológica” pois é um dos meios pelos
quais os indivíduos serão capazes de compreender e de se situar na contemporaneidade, como
cidadãos participes e responsáveis. E as novas tecnologias devem ser compreendidas e
utilizadas como elementos mediadores para a superação da opressão na sociedade. Geralmente,
as discussões em torno das novas tecnologias, de sua influência na sociedade, do seu potencial
e das suas possibilidades de interatividade, se apóiam sobre uma certa exaltação deste tema,
atribuindo praticamente o estatuto de novo paradigma fundamental, a panacéia que irá regular
as interações sociais, culturais, éticas e profissionais numa nova sociedade que urge em tomar
forma. Mas, qualquer que seja a ótica das discussões sobre o assunto, é inegável, e isto vem
sendo repetido continuamente, que precisamos, aprofundá-los, pois suas repercussões sobre
nossa sociedade ainda não foram suficientemente exploradas.
55
Para os autores, a introdução das TIC no processo de formação universitária se caracteriza por
uma “formação qualitativamente mais ampla” que esteja associada com a reestruturação do sistema
produtivo em que o trabalhador precisa de uma formação permanente como condição para manter-se no
emprego e veem de forma negativa já que esse processo levará a necessidade cada vez menor de
trabalhadores na produção e gerenciamento e controle de produção.
São inegáveis que o capitalismo aproveita o desenvolvimento das TIC para expandir sua
produção e consumo e que a necessidade de recursos humanos com competências e domínio dos
recursos tecnológicos no setor produtivo são cada vez maiores, no entanto, não podemos restringir a
formação de professores a ajustes do capitalismo, mas ir além, independente do modelo adotado para
implantação das TIC na universidade esse processo é irreversível e os professores precisam
desenvolver competências que os ajudem a utilizar criticamente as TIC na docência presencial e online.
Essa nova demanda de conhecimentos, atitudes e habilidades frente às transformações sociais
revelam a necessidade do professor desenvolver competências que não eram cobradas, haja vista a
dinâmica social não exigir. Isso modifica-se com a entrada das TIC na universidade e sua presença de
destaque nas atividades cotidianas, inclusive, no mundo do trabalho.
A responsabilidade dos professores na Sociedade da Informação é fundamental, ele é
designado para formar alunos que terão participação ativa na sociedade, só que os alunos apresentam
níveis de dificuldades e estilos de aprendizagem diferenciada demonstrando que o professor precisa
lidar com diferentes situações para atingir a todos alunos indistintamente.
Essa habilidade é construída e enriquecida com a experiência e conhecimentos teóricos e
metodológicos desenvolvidos e acumulados durante a experiência acadêmica do professor. São
importantes nesse processo, o acesso e o conhecimento de experiências de outros professores que
possibilitam ao professor relacionar, comparar, analisar e rever posturas. Essa prática assegura a
socialização de conhecimentos e práticas que auxiliam os professores na tomada de decisões e
resoluções de problemas.
Durante a formação de professores, algumas atitudes e posturas precisam ser trabalhadas para
que estes modifiquem sua prática, tendo em vista os problemas e desafios da Sociedade da Informação
e do conhecimento, como destaca Almeida (2004, p. 216-217):
A formação desenvolve-se na articulação da tríade entre as dimensões: domínio da tecnologia
de informação e comunicação – TIC, prática profissional com as TIC e teorias educacionais
que permitam compreender e transformar essas práticas. Assim, a perspectiva de formação é
de assessorar o profissional na incorporação da TIC à sua prática, valorizar o saber oriundo de
56
sua experiência, promover a articulação desse saber com teorias que ajudem a refletir e depurar
essa experiência e, sobretudo, favorecer a sua atuação como um profissional crítico-reflexivo,
comprometido com uma prática transformadora, progressista e prazerosa, voltada para a
evolução da educação e da aprendizagem de todos que compõem esse sistema: educando e
educadores aprendem juntos e se desenvolvem.
Todas essas dimensões apontadas pela autora são fundamentais para compreender o desafio
de formar professores, que não se restringem aos conhecimentos tecnológicos, mas envolvem saberes,
práticas e relação horizontal entre professores e alunos, todas essas características são constitutivas de
uma formação abrangente, eficiente e objetiva.
Enfatizamos o desenvolvimento de habilidades para utilizar as TIC, porque os professores
sentem dificuldades enormes de integrar os recursos tecnológicos às atividades realizadas na sala de
aula. O papel de facilitador e mediador da aprendizagem carece de um preparo específico que
desenvolva essas qualidades, como assinala Mercado (2000, p. 76):
Para que o professor assuma o papel de facilitador da aprendizagem, ele deve ser capacitado
tanto no aspecto computacional, de domínio do computador e dos diferentes software, quanto
no aspecto de integração do computador nas atividades de sua disciplina. O professor deve ter
muito claro quando e como usar o computador como ferramenta para estimular a
aprendizagem. Esse conhecimento também deve ser construído pelo professor e acontece a
medida em que ele usa o computador com seus alunos e tem o suporte de uma equipe que
fornece os conhecimentos necessários para o professor ser mais efetivo nesse novo papel.
Para Soneville (2004, p. 458), “a aprendizagem digital surge num contexto sócio-econômicotecnológico, exigindo do professor, acostumado ao primado da mera transmissão na educação a sua
imaginação criadora”. A educação na sociedade do século XXI demanda profissional com perfil
inovador e autônomo, consciente das transformações em curso.
O objetivo de formar professores qualificados para utilizar TIC será alcançado quando
priorizar a educação e consequentemente a formação de professores, e a inclusão digital será o meio
pelo qual os professores serão preparados para usar crítica e apropriadamente os recursos tecnológicos.
Ao analisar os efeitos da introdução das TIC na universidade, o impacto causado na formação
de professores e o temor das máquinas substituírem o homem, Lévy (2003, p, 61) analisa que:
Num caso, pensa-se em termos de substituição: o homem, desqualificado, é substituído pela
máquina. No caminho da virtualização, em troca, concebe-se o aumento da eficácia em termos
de coevolução homem-máquina, de enriquecimento das atividades, de acoplamentos
qualificados entre as inteligências individuais e a memória dinâmica dos coletivos.
57
Ao invés de um distanciamento entre a evolução das TIC e o acompanhamento pelo ser
humano, o que deve existir é uma proximidade cada vez maior entre homem e tecnologias que
favoreçam a construção de uma sociedade integrada com as transformações em curso e consciente do
papel que as tecnologias imprimiram nos processos de ensino-aprendizagem e no sistema produtivo
atual.
Dessa forma, os programas, projetos e propostas de inclusão digital precisam trabalhar o
desenvolvimento das competências e habilidades para que os professores estejam habilitados a utilizar
as TIC nas diversas atividades curriculares que promovam a reflexão, questionamento e aprendizagem,
pois para Nunes (2006, p. 2) “a consciência da necessidade dessa formação, diante do acelerado
desenvolvimento científico e tecnológico, é cada vez mais presente nos próprios professores”. Essa
conscientização facilita a adesão e preocupação pelos professores por uma formação contínua e
permanente que lhes proporcione segurança e liberdade na utilização pedagógica das TIC.
Defendemos, assim, o desenvolvimento de competências que preparem os professores técnica
e pedagogicamente para utilizarem as TIC. Dessa forma, o professor precisa conhecer novos ambientes
de ensino-aprendizagem baseados nas TIC; será nesses ambientes que os professores incorporarão as
competências necessárias para atuar no ensino superior na atualidade; essa formação precisa oferecer
fundamentos didáticos que o auxilie a criar uma postura crítica, ideológica e política como requisito
para a melhoria da qualidade da educação e que esteja voltada para a realidade concreta dos professores
e alunos.
A aquisição de competências pelos docentes precisa contemplar três dimensões, a primeira
refere-se à competência cognitiva, é à apropriação de conhecimentos de natureza eminentemente
epistemológica que deve garantir o desenvolvimento de ações docentes teoricamente fundamentadas e
o desenvolvimento de ações educativo-formativas que potencialize a utilização das TIC aplicadas a
educação.
A segunda, competência criativa, diz respeito aos conhecimentos e competências de caráter
aplicativo que permitem a todos os professores elaborar, implementar e avaliar atitudes com autonomia
no uso e aplicação das TIC. A terceira são as competências comunicativas, caracterizada pelas
qualidades relacionadas às habilidades socais e comunicativas que se estabelecem nos vínculos afetivos
e comunicativos que condicionam as possibilidades de atualização das potencialidades de toda sua
prática e envolve: a aprendizagem colaborativa, cooperativa e conjunta entre professores e alunos.
58
Essas competências devem facilitar a formação de professores crítico-reflexivos, criativos e
capazes de, entre outras coisas, decidir por si mesmos, qual o caminho mais apropriado ao utilizar os
recursos tecnológicos como instrumentos mediadores do processo de ensino-aprendizagem.
O desenvolvimento dessas habilidades são substâncias para que sejam implementadas as
mudanças do perfil do professor, capacitando desse modo profissionais competentes e habilitados para
atuar criticamente na Sociedade da Informação.
59
CAPÍTULO 3 – O PROCESSO DE INCLUSÃO DIGITAL NO ENSINO SUPERIOR: O USO
DO AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM TELEDUC
Abordaremos, neste capítulo, uma experiência de formação de professores no ensino superior
para atuar na EAD, no contexto da UFAL, numa perspectiva de autoria e produção de materiais
disponíveis nos AVA. Analisaremos as dificuldades e desafios para os professores incorporar novos
materiais didáticos baseados na utilização da Internet e as perspectivas pedagógicas que esse novo
ambiente educativo proporciona. Exploramos a importância dos professores em dispor de ambientes
que permitam o surgimento de novas práticas pedagógicas centradas em atividades inovadoras,
dinâmicas, participativas e interativas serão nossa ênfase neste capítulo.
3.1 Formação de professores em AVA
Os AVA facilitam a criação de ambientes educativos baseados na Internet. Os avanços
vertiginosos das TIC em todas as áreas das atividades humanas, inclusive, na educação, promovem
novas e melhores meios de dinamizar os processos de ensino-aprendizagem possibilitando a introdução
de aspectos inovadores na relação professor-aluno. As TIC estão produzindo mudanças significativas
na universidade e nos processos de ensino e aprendizagem.
Uma das possibilidades que vem sendo mais utilizada na educação é a utilização dessas
tecnologias em AVA tanto para apoiar o trabalho docente como para formar professores na sua
utilização. Os AVA ampliam novas formas de ensinar e aprender cuja proposta pedagógica centralizase na interação, construção e socialização do conhecimento entre professores e alunos.
Nestes ambientes, os papéis de professores e alunos se modificam. O professor é um
facilitador da aprendizagem, um tutor que guia, orienta e acompanha o desenvolvimento individual do
aluno, enquanto que os alunos assumem uma postura autônoma na construção do conhecimento,
facilitada pela interação, socialização e mediação das ferramentas dispostas nos AVA.
Explorar a importância dos professores disporem de ambientes virtuais que permitam o
surgimento de novas práticas pedagógicas e torne o processo de ensino-aprendizagem uma atividade
inovadora, dinâmica, participativa e interativa configura-se num dos grandes desafios para as
universidades no contexto da Sociedade da Informação na qual novas competências e habilidades são
exigidas na formação docente.
60
Os AVA apresentam-se como espaços de aprendizagem individual e coletiva em que se
mesclam modalidades híbridas de educação: presencial, semi-presencial e online.
Essa percepção dos desafios educacionais emergentes constata uma necessidade de
modificação do perfil dos professores que implique uma permanente necessidade de atualização e
aperfeiçoamento que o auxilie a trabalhar com enfoques metodológicos e didáticos que contemplem a
inserção das TIC no currículo.
O uso de AVA requer o desenvolvimento de novas estratégias didático-metodológicas e um
preparo especial dos professores para atuar nesses espaços totalmente diferentes dos modelos
tradicionais de uma sala de aula presencial.
Nesses espaços de formação, os professores precisam de habilidades específicas para utilizar
as interfaces dispostas no ambiente. Neste sentido, o papel docente se modifica, passa de uma figura
centralizadora no processo de ensino-aprendizagem para um profissional que acompanha, facilita,
incentiva, estimula e medeia o processo de construção do conhecimento.
Essa mudança de postura é complexa, já que, muitas vezes, a prática do professor é baseada
no modelo tradicional de ensino-aprendizagem, porém, ao se depararem com os desafios teóricometodológicos da utilização das TIC na educação, podem ser motivados a superarem, haja vista,
quando incorporados à sua prática pedagógica percebem-se a dinamicidade e a potencialidade que as
TIC propiciam ao processo de ensino e aprendizagem.
Esses novos espaços de construção e socialização do conhecimento têm características que
permitem a ruptura com a perspectiva tradicional de ensino, como analisa Kenski (2005, p. 76):
Esses espaços virtuais de aprendizagem oferecem condições para a interação (síncrona e
assíncrona) permanente entre os seus usuários. A hipertextualidade facilita a propagação de
atitudes de cooperação entre os seus participantes, para fins de aprendizagem. A conectividade
garante o acesso rápido à informação e à comunicação interpessoal, em qualquer tempo e lugar
sustentando o desenvolvimento de projetos em colaboração e a coordenação das atividades.
Essas três características – interatividade, hipertextualidade e conectividade – já garantem o
diferencial dos ambientes virtuais para a aprendizagem individual e grupal.
Nessa perspectiva, os AVA abrem várias possibilidades didáticas que alteram profundamente
a relação entre professor/aluno e ensino/aprendizagem. As bases da construção do conhecimento são
estabelecidas pelas trocas de experiência e diálogos entre professores e alunos. Assim, os AVA
permitem a inserção de referências e materiais de apoio: documentos, links, a interação, a realização de
atividades; a produção colaborativa de conhecimento e a gestão: sistema, documentos e usuário.
61
Diante do desafio de formar professores com competências na utilização das TIC em
ambientes de educação online foi organizado o “Curso de Construção de Material Didático para
Educação a Distância na Internet: o uso de ambiente virtual de aprendizagem Teleduc”, destinado a
professores da UFAL. O curso teve como finalidade desenvolver trabalho de conscientização sobre a
importância da EAD e o uso das TIC, reduzindo-se o preconceito a esses projetos de inclusão digital;
construir material didático para ser disponibilizado em ambiente de EAD baseados na Internet;
conhecer o AVA Teleduc; discutir conceitos e práticas para uso das TIC na EAD e formar professores
para utilização dos recursos das TIC para a EAD na Internet.
O Curso foi desenvolvido utilizando a plataforma virtual Teleduc (Fig.1), concebida pelo
NIED e pelo Instituto de Computação da Unicamp.
Fig. 1 –
Página inicial do curso no ambiente Teleduc
Na figura 1, visualizamos a plataforma na qual o curso foi desenvolvido. Existem várias
outras plataformas utilizadas para EAD, porém, a escolha do Teleduc deveu-se a usabilidade e
facilidade de utilização das ferramentas dispostas no ambiente e inserção de material didático.
3.2 Desenvolvimento do curso no ambiente virtual Teleduc
O Curso foi concebido pelo núcleo Unirede13-UFAL desenvolvido entre março a junho de
2006 e objetivou desenvolver programas de formação para que os professores pudessem atuar em EAD
13
A Unirede foi um consórcio interuniversitário criado em dezembro de 1999 com o nome de Universidade Virtual Pública do Brasil. Sua meta era
iniciar a luta por uma política de estado visando a democratização do acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade e o processo
colaborativo na produção de materiais didáticos e na oferta nacional de cursos de graduação e pós-graduação www.unirede.br.
62
a partir da própria ação no ambiente virtual, a partir do desenvolvimento de habilidades no domínio das
ferramentas do ambiente virtual, planejamento de atividades a distância e realizar a mediação
pedagógica.
Como premissa básica no curso houve a necessidade de se incentivar o uso pedagógico das
ferramentas computacionais disponíveis no Teleduc, permitindo melhor aproveitamento e favorecendo
a interação entre alunos e professores e entre alunos.
A partir dos relatórios coletados no projeto do curso elaborado pelo Núcleo Unirede-UFAL
pudemos delinear as ações que envolveram a primeira experiência da UFAL em formação de
professores para atuar na EAD online.
A proposta era contemplar o maior número de professores, dos mais variados cursos de
graduação da universidade. Para isto, procurou-se envolver várias unidades com o objetivo de alcançar
um vasto quantitativo de professores. Dessa forma, tivemos a participação do NEAD/CEDU, Centros
Didáticos (CD), além da Pró-Reitoria de Graduação e Extensão.
A realização e implementação do Curso só foi possível pelas ações desenvolvidas pelo Grupo
de Pesquisa Formação de Professores para Utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação
na Educação Presencial e a Distância no Ensino Superior e na Educação Básica, pertencente à Linha de
Pesquisa Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação, do PPGE da UFAL.
As competências necessárias para o professor atuar em EAD trabalhadas na formação durante
o Curso foram: domínio de conteúdo, domínio de ferramentas das TIC e do ambiente Teleduc, domínio
pedagógico da modalidade EAD, articulação de conteúdo, da ferramenta numa perspectiva pedagógica
para EAD, conhecer processos de gestão (tecnologias, atividades).
Aprender a atuar em EAD a partir da própria ação no ambiente virtual exige: desenvolver
habilidades no domínio das ferramentas do ambiente virtual, planejar atividades a distância, realizar a
mediação pedagógica.
O ambiente de aprendizagem Teleduc permite: o gerenciamento do curso, formadores e dos
alunos (matrícula, perfil); a disponibilização dos meios didáticos de apoio (slides, leituras, softwares,
links); trabalhar com ferramentas de interatividade (fóruns, bate-bapo, e-mail); produzir relatórios de
acompanhamento; disponibilizar diferentes alternativas de ferramentas, que promovam a autoria de
plataformas específicas e que disponibilizem materiais e maiores facilidades de acompanhamento do
processo de aprendizagem, da interação e da cooperação entre os diferentes agentes ao mesmo tempo
em que promovam a re-utilização de materiais já criados.
63
O curso destinou-se para professores que trabalhavam com EAD ou tinham interesse em se
vincular a projetos ou cursos envolvendo a modalidade de EAD utilizando AVA na Internet. A carga
horária compreendeu 60 horas, sendo 30 horas presenciais e 30 horas a distância.
A metodologia utilizada na formação buscou familiarizar os professores com os
procedimentos pedagógicos adotados na EAD, para isso foram tomadas medidas para definição dos
critérios de seleção de professores, encontros presenciais e avaliação do desempenho dos cursistas
durante a formação:
a) Seleção dos cursistas – o processo de seleção envolveu: análise de currículo e entrevista.
Inicialmente foi realizada a divulgação do processo de seleção dos cursistas na universidade,
solicitando currículo dos interessados para uma primeira análise e posterior entrevista. Os critérios
adotados na seleção foram: ser docente do ensino superior de uma instituição pública, ter
disponibilidade para freqüentar as aulas presenciais e estudar a distância; ou perspectiva de trabalhar
com EAD.
b) Realização dos encontros presenciais – a preparação do momento presencial se deu com
a confirmação do convite dos professores cursistas selecionados para participar do curso. Todos os
professores que participaram dos momentos receberam um kit contendo todas as informações do curso;
tiveram palestra para saber como acessar e usar o ambiente virtual Teleduc; acessando o site do curso,
foram cadastrados e receberam senha individual para as aulas no mesmo ambiente.
c) Acompanhamento acadêmico (tutoria) – participação da equipe coordenadora em todas
as etapas dos projetos vinculados ao programa, por meio de observações, entrevistas, troca de
experiências, registros em portfólios e memoriais disponibilizados no Teleduc. Este acompanhamento
envolveu a interação com cursistas no ambiente virtual através da condução de fóruns de discussão,
chats, atualização de conteúdos, inserção de novos materiais, avaliação e retorno das atividades
desenvolvidas aos alunos. Também foram produzidos pelos tutores relatórios de acompanhamento da
aprendizagem dos cursistas e registros avaliativos disponibilizados no ambiente, inclusive um dos
relatórios finais do curso gerou uma monografia (SILVA, 2006). Foram impressas as produções dos
cursistas para embasar os relatórios finais para certificação dos estudos e atividades realizadas.
Na perspectiva de preparar professores capazes de atuar na EAD de forma coerente e baseado
no uso das TIC aplicadas à educação, foram trabalhados os seguintes conteúdos programáticos:
64
utilização das TIC na EAD, AVA, concepção pedagógica e desenho do ambiente de aprendizagem
Teleduc, elaboração de material didático no ambiente do Teleduc.
Os depoimentos dos professores registrados na ficha de cadastro do curso expressam sua
motivação e incentivo na realização do curso demonstraram uma preocupação clara sobre sua
formação, ou seja, como o conhecimento e aplicação das TIC na educação podem promover uma
aprendizagem mais significativa e inovadora do ponto de vista educativo.
A metodologia do curso caracterizou-se, nos momentos presenciais, pela discussão da
legislação vigente que autoriza a realização de 20% da carga horária de cada disciplina na modalidade a
distância e pela familiarização com AVA Teleduc. Na etapa a distância foram exploradas as
ferramentas síncronas e assíncronas do ambiente e suas aplicações pedagógicas.
3.3 Atividades desenvolvidas no Curso Construção de Material Didático para Internet: uso do
ambiente virtual Teleduc
As atividades desenvolvidas no curso mesclaram momentos presenciais e a distância. Ao todo
foram cinco encontros presenciais que foram utilizados para esclarecer dúvidas e introduzir novas
atividades pedagógicas que estimulassem a participação e produção de material didático pelos cursistas
e desenvolvessem as competências e habilidades necessárias para o professor atuar na educação online.
Os temas estudados no primeiro momento presencial do curso foram os seguintes:
apresentação do curso com destaque para os temas docência em ambientes com tecnologias, legislação
que fundamenta a EAD; educação virtual e ambiente virtual de aprendizagem; cadastro dos professores
no ambiente Teleduc, utilização do fórum de discussão, preenchimento do perfil do aluno no curso.
As duas primeiras atividades seguiram o seguinte roteiro:
Atividade 1 –entre mitos e desafios
Leitura do texto: Educação a Distância: entre mitos e desafios, de Andréa Cecília Ramal. Construa um texto a
partir das respostas às questões abaixo e disponibilize no seu Portfólio.
1. Como é visto o conhecimento na EAD?
2. Qual a formação necessária para os alunos e os profissionais, exigidas na modalidade de EAD?
3. Como a EAD pode possibilitar igualdade de oportunidades no acesso à cultura veiculada através da
Informática?
4. Quais os riscos a que estamos expostos, se não utilizarmos, de forma consciente, as novas revoluções
tecnológicas nos ambientes de aprendizagem presenciais e a distância?
5. Qual a contribuição das novas tecnologias para o processo de formação de professores através da EAD?
6. Como é a relação professor-aluno na EAD usando tecnologias?
65
7. O que é interessante num curso de EAD? E o que seria desinteressante?
8. Como você vê a formação de professores a distância?
Atividade 2 – colaboração e cooperação
Na ferramenta fórum, entre no Fórum cooperação e colaboração:
1. Discuta com seus colegas e formadores os termos colaboração e cooperação;
2. Como fazer que aconteça a colaboração?
3. Qual o papel do professor tutor no ambiente virtual?
Leitura de referência:
Texto 2 - Desafio para EAD: como fazer emergir colaboração e a cooperação em ambientes virtuais de
aprendizagem (Alexandra L.P. Okada, 2003)
Na primeira semana do curso, foram trabalhados presencialmente os aspectos teóricos e
metodológicos que envolveram a prática do professor diante da EAD; a legislação que fundamenta a
utilização de 20% da carga horária das disciplinas em atividades não-presenciais nos cursos de
graduação segundo normatização do MEC através da Portaria nº 4.059, de 10 de dezembro de 200414.
Todas as dúvidas e questionamentos sobre a portaria foram discutidos e refletidos,
contribuindo para que os professores se apropriassem do leque de oportunidades e possibilidades
pedagógicas que a legislação permite.
Na observação participante percebemos um aspecto fundamental do curso referente à
educação online, que, por sua natureza, tem especificidades pedagógicas e metodológicas distintas da
educação presencial, sendo necessário, portanto, esclarecer e definir as atribuições e responsabilidades
de professores e alunos nesse novo formato de educação. Devido à grande maioria dos professores
participantes do curso não conhecerem e tampouco terem vivenciado experiências na EAD, vários
questionamentos surgiram e abordavam os desafios e as dificuldades que possivelmente encontrariam
diante da resistência dos colegas de sua área de atuação e dos próprios alunos frente à incorporação de
atividades não presenciais na sua disciplina.
Muitas das dúvidas relacionavam-se a parte operacional, por exemplo, se alunos teriam acesso
à Internet em casa, os prazos, a obrigatoriedade da realização das atividades, os procedimentos
avaliativos e formativos que envolviam a utilização de uma metodologia que para eles, até então, era
desconhecida.
Percebendo as dificuldades dos professores, o formador responsável utilizou sua experiência
pessoal para esclarecer as perguntas levantadas pelos professores, além de fornecer bibliografia
especializada que tratava dos questionamentos apresentados durante a apresentação do curso.
14
Essa Portaria teve como objetivo fomentar métodos e práticas de ensino-aprendizagem inovadores apoiados no uso das TIC, e suas implicações e
desafios quanto aos aspectos legais e práticos dessa legislação.
66
A partir da observação participante percebemos que, na primeira semana do curso, foram
propostas algumas atividades a distância dentro do ambiente Teleduc que visavam a familiarização
com as ferramentas do ambiente e com a metodologia da EAD. Nesse sentido, foram colocados alguns
questionamentos baseados no texto de Ramal (2003) “Educação a distância: entre mitos e desafios”. No
artigo, a autora aponta as contradições e os desafios da EAD, enumerando os mitos criados e
delimitando, assim, a abrangência e a contribuição da metodologia para a prática docente. Para
realização dessa atividade, foi selecionada a ferramenta portfólio para os professores realizarem os seus
registros e análises.
Outra atividade proposta foi trabalhar na ferramenta fórum o conceito de colaboração e
cooperação utilizando como suporte o artigo de Okada (2003) “Desafio para EAD: como fazer emergir
colaboração e a cooperação em ambientes virtuais de aprendizagem”. Segundo a autora, “para
compreender melhor ambientes virtuais colaborativos e cooperativos é necessário não só refletir sobre
a concepção de colaboração e cooperação, mas também analisar as estruturas e interfaces contidas
nesses ambientes”. (OKADA, 2003, p. 278).
O texto foi trabalhado com o duplo objetivo de compreender melhor o funcionamento dos
ambientes virtuais e refletir sobre os conceitos de colaboração e cooperação em relação à construção do
conhecimento no ambiente online, foram aprofundadas esses termos e discutidas a operacionalização
do ambiente numa perspectiva que favoreça o processo de ensino e aprendizagem.
No segundo momento do curso, foram trabalhados os seguintes conteúdos: EAD na formação
de professores, elaboração do plano de curso de cada cursista, conceito de atividade no Teleduc,
entrega do formulário de cadastro do curso, organização de materiais relativos ao curso criado para
cada cursista. As atividades desenvolvidas foram as seguintes:
Atividade 3 – construção de mapa conceitual
Leitura dos textos:
Texto 1- Educação, ambientes virtuais e interatividade (Maria Elizabeth B. de Almeida, 2003)
Texto 3- Educação a distância: Limites e possibilidades (Cristiane Nova e Lynn Alves, 2003). Construa um
Mapa Conceitual ou quadro síntese dos seguintes conceitos:
•
Digital e analógico;
•
Interatividade e interação;
•
Ecologia da informação;
•
Hipertexto;
•
Aprendizagem com TIC;
67
•
Ambientes virtuais de aprendizagem;
•
Educação a distância.
Após a conclusão da atividade, os cursistas enviaram como arquivo anexo usando a
ferramenta correio do próprio ambiente aos formadores e todos os colegas do curso. Nessa segunda
semana, foi abordada a importância da formação de professores através da EAD.
Foi ainda traçado um panorama geral das mudanças sociais e suas implicações na educação,
destacando a importância dos professores conhecerem novos meios e processos de ensinoaprendizagem ancorados na EAD, como também o que muda e permanece como princípio na prática
docente.
Para fomentar uma cultura pedagógica pensando na EAD foi solicitado para os cursistas
elaborarem um plano de curso para orientar suas ações presenciais e não-presenciais em sua disciplina
de graduação durante o ano letivo. A realização desse plano auxiliou os professores a pensarem suas
aulas prevendo momentos distintos no qual o ambiente virtual desempenharia papel importante no
processo de ensino-aprendizagem.
Outro ponto trabalhado nessa semana foi o conceito de atividade no Teleduc. A concepção
desse ambiente foi baseado na realização de atividades que promovessem uma pedagogia centrada na
resolução de problemas. Segundo Rocha (2002, p. 11):
O TelEduc foi concebido tendo como elemento central a ferramenta que disponibiliza
atividades. Isto vem ao encontro do pressuposto de que o aprendizado de conceitos de
qualquer domínio do conhecimento é feito a partir de resolução de problemas, com o subsídio
de diferentes materiais como textos, software, e instruções de uso que podem ser colocados
para o aluno por meio de ferramentas como: Material de Apoio, Leituras, Perguntas
Freqüentes, etc.
Nesta perspectiva, foi discutido presencialmente como os cursistas poderiam utilizar as
ferramentas de atividades disponíveis no ambiente para otimização do processo de ensinoaprendizagem baseado na interação e colaboração, buscando desse modo incentivar o uso pedagógico
adequado e apropriado para cada objetivo didático.
Para criação da disciplina dos professores no ambiente foi entregue uma ficha (Anexo 2) para
preencherem com os dados necessários para criação e, após o preenchimento da ficha foi encaminhado
para os seus endereços eletrônicos a senha para a criação das disciplinas. Esse é um procedimento
específico do ambiente teleduc para abertura de novos cursos em sua plataforma. O acompanhamento
68
da construção do material didático no próprio ambiente elaborado pelos professores foi acompanhado
nos dois últimos encontros presenciais.
A ênfase do segundo encontro foi planejar com os cursistas o material para cada um deles
disponibilizar na sua disciplina. Para aprofundamento das questões relativas ao processo de construção
do conhecimento nos AVA foi indicado o artigo de Almeida (2003) “Educação, ambientes virtuais e
interatividade”, no qual a autora fundamenta e explora teoricamente a interação construída a partir da
utilização das TIC nos AVA. Também foi indicado o artigo “Educação a distância: Limites e
possibilidades”, de Nova e Lynn (2003). Neste artigo, as autoras abordam as mudanças educacionais
com a introdução das TIC nos ambientes educacionais esclarecendo o uso da EAD delimitando suas
possibilidades e limites numa análise criteriosa e cuidadosa dessa temática.
Apoiados nos dois artigos, foi solicitado para os cursistas criarem um mapa conceitual dos
seguintes conceitos abordados: digital e analógico, interatividade e interação, ecologia da informação,
hipertexto, aprendizagem com TIC, ambientes virtuais de aprendizagem e EAD. As compreensões
desses conceitos são fundamentais para subsidiar a prática dos professores através das TIC na EAD. Ao
término da atividade, eles foram orientados a disponibilizarem suas produções na ferramenta correio,
abaixo disponibilizamos um mapa conceitual elaborado por um dos cursistas participante do curso.
Fig. 2 – Mapa Conceitual produzido pela cursista Patrícia
MAPA CONCEITUAL
EAD
estabelece
Patricia Gallo
Inter-relações
estabelece
Digital
integra
memória
velocidade
Analógico
desenvolve
presencial
possibilita/aborda
Aprendizagem
com TIC
Parceria cognitiva
todos/todos
Ambientes Virtuais
de Aprendizagem
ambientes de
aprendizagem
constroem
propicia
Interatividade
precisão
compreende
virtual
propicia/possibilita
Interação
Ação Humana
produz
conhecimento
centro organizador
da atividade
suporta
depende
usuários
relaciona
produtor de
informação
emissão
recepção
caracteriza
concretiza
Ecologia da Informação
desenvolve
dialoga
estabelece
utiliza
assimila
compartilha
navega
livre/busca
incorpora
integra
Hipertexto
Recursos
atividades colaborativas
conexões
interliga
informações
comunicação
multilateral
potencializa
TIC
muda
paradigmas
Fig. 2 – Mapa Conceitual produzido pela cursista Patrícia
No terceiro momento presencial, foram desenvolvidas as atividades referentes à abertura do
curso do cursista, cronograma, escolha de ferramentas do curso, inserção de materiais no curso, agenda,
atividades, leituras e material de apoio, abertura de fóruns, cadastro de formadores e alunos.
69
Atividade 4 elaboração do plano de curso online
O objetivo foi elaborar o plano do curso escolhido, utilizando o formulário disponibilizado na plataforma.
Para fundamentar a metodologia e avaliação do curso a ser proposto, a leitura dos textos:
Texto 8 - Tempo e Comprometimento (PALLOFF; PRATT, 2004)
Texto 9 - Avaliação dos alunos e do curso (PALLOFF; PRATT, 2004)
Atividade:
Disponibilize o Plano de Curso no seu Portfólio.
Edição dos conteúdos do curso.
A terceira semana do curso foi reservada para abertura dos cursos para os cursistas, a escolha
das ferramentas do ambiente Teleduc e a inserção dos materiais específicos de cada curso, como
agenda, atividades, leituras e material de apoio, além de aberturas de fóruns. Todas essas etapas foram
desenvolvidas já pensando na implementação e utilização da plataforma pelos professores.
É importante destacar que, nas duas primeiras semanas do curso, os cursistas possuíam status
apenas de aluno, com o cadastramento desses cursistas como formadores. A partir da terceira semana,
começaram a gerenciar o seu próprio curso. Assim, gerenciavam o seu curso e simultaneamente eram
alunos. Essa performance contribui para os professores terem uma visão mais ampla dos recursos e
dinâmica do ambiente.
Para auxiliar os cursistas na elaboração do plano de curso online (Anexo 1) foram
selecionados dois textos de Palloff e Pratt (2004), nos quais os autores refletem sobre o aluno virtual,
suas necessidades, desafios e propostas de ações que favoreçam uma compreensão mútua entre o papel
de professores e alunos nos AVA, além da disponibilização de um modelo do plano de curso online.
No quarto momento presencial, os cursistas estudaram sobre a perspectiva de avaliação na
EAD e iniciaram a edição dos seus cursos. Nessa etapa, eles tiverem maior dificuldade em organizar
seu material para disponibilizar no AVA.
Atividade 5 - integração das diversas mídias no ambiente virtual
Foram sugeridos a leitura dos seguintes textos: A integração das tecnologias de informação e comunicação aos
processos educacionais (BELLONI, 2003) e texto 6 - Em direção a uma ação docente mediada pelas
tecnologias digitais (KENKSI, 2003).
Registre no diário de bordo como o professor pode integrar as diferentes mídias em ambientes virtuais e/ou
cursos a distância.
70
Atividade 6 - orientação para o estudante num curso online
Utilizando o texto 7 - Elaborando uma boa orientação para o estudante (PALLOFF; PRATT, 2004) discuta com
os colegas no fórum os critérios necessários para realizar uma boa orientação num curso online.
Na quarta semana, foi analisada a avaliação na EAD buscando desmistificar muitos conceitos
equivocados sobre a avaliação na EAD. Esta modalidade pressupõe que os métodos, estratégias e
instrumentos de avaliação sejam distintos do presencial pela própria natureza da EAD. O referencial de
análise não pode seguir o modelo dos cursos presenciais.
Percebendo a dificuldade de muitos professores em avaliar no contexto educacional da EAD,
Alonso (2005, p. 163-164) propõe alguns elementos fundamentais na avaliação, destacando que:
Como bem sabemos, a EAD é uma modalidade de ensino que pressupõe o rompimento da
relação “face a face” entre alunos e professores. Como é uma modalidade de ensino que tem
por base esse fato, elementos como os meios de comunicação, os materiais didáticos, a tutoria
acadêmica, entre os elementos mais importantes nesse tipo de sistema, assumem um papel
central nos processos educativos (em função da necessidade de mediá-los). Isso não significa
que os sistemas construídos para um processo de ensino/aprendizagem baseado na EAD
impliquem formas de aprendizagem. Significa, simplesmente, que novos ambientes de
aprendizagem podem se construir de maneira independente da relação professor/aluno que
conhecemos. Assim, quando tratamos da EAD, esses novos ambientes também devem ser
considerados no processo avaliativo. Dessa maneira, material didático, meios de comunicação,
tutoria e organização de meios acabam por influenciar os processos de ensino-aprendizagem,
sem, no entanto, modificar seus fundamentos epistemológicos.
Podemos acrescentar à essa análise da autora, a reflexão de Victorino e Haguenauer (2004, p.
8) quando afirmam que:
As plataformas disponibilizam ferramentas que possibilitam ao professor acompanhar o aluno
durante a realização do curso, levando-se em conta as interações do aluno com o ambiente de
ensino. O número de acessos e o tempo de permanência no Ambiente Virtual de
Aprendizagem, por exemplo, apesar de representarem, a priori, uma avaliação quantitativa, se
observados sob outro ponto de vista, nos fornecem informações representativas no que
concerne o interesse e a participação do aluno. A avaliação em EAD é um processo contínuo,
onde aspectos como interesse, cooperação e participação nas atividades propostas são
extremamente importantes.
Sem dúvida, na EAD a avaliação é um aspecto complexo que deve ser visto como essencial,
mas para que produzam resultados satisfatórios precisam estar imbuídas de uma percepção global do
71
processo educacional em que professores e alunos mediados pelas TIC são co-responsáveis pela
construção do conhecimento.
Outros aspectos que precisam ser contemplados na avaliação em cursos online são os
descritos por Pallof e Pratt (2004): testes e provas, auto-avaliação; avaliação realizada pelos colegas,
incluindo a avaliação colaborativa; reflexões escritas sobre o curso, as tarefas e a aprendizagem como
um todo; projetos, artigos e tarefas colaborativas de grupo; avaliação crítica das contribuições para o
fórum de discussão; diários e portfólios.
No curso em análise, a avaliação do desempenho dos cursistas envolveu: trabalhos escritos,
participação nos fóruns de discussão disponibilizados no site do curso, produções individuais
disponibilizados no portfólio do Teleduc, participação nos chats, agendados e uso do correio eletrônico
e produção final de curso na área de atuação, disponibilizado no ambiente virtual.
No Teleduc, a interface do ambiente está organizada de tal maneira que o professor
disponibiliza variados leques de opção de avaliação, centrado, sobretudo, na interação, colaboração e
produção cooperativa do conhecimento.
Nesse momento do curso, os cursistas já estavam editando os cursos, selecionando as
ferramentas que utilizariam e o material a ser disponibilizado no ambiente. Percebemos nessa fase os
professores em processo de construção e inovação de sua prática, fazendo uso das TIC e dos
conhecimentos adquiridos no estabelecimento de uma prática fundamentada na EAD.
Neste quarto encontro, algumas atividades foram desenvolvidas pensando nas dificuldades e
desafios que os professores enfrentariam ao incorporar as TIC a sua prática pedagógica, sendo assim,
foi solicitada a leitura cuidadosa do texto “A integração das tecnologias de informação e comunicação
aos processos educacionais” (BELLONI, 2003) e “Em direção a uma ação docente mediada pelas
tecnologias digitais” (KENSKI, 2001).
Após a leitura e reflexão dos textos, foi solicitado aos professores que registrassem na
ferramenta diário de bordo como eles poderiam integrar as diferentes mídias em ambientes virtuais e/ou
cursos a distância. Outra atividade proposta foi a análise do texto de Pallof e Pratt (2004) “Elaborando
uma boa orientação para o estudante” no qual delimitariam o perfil do aluno virtual considerando suas
inquietações e necessidades básicas. Após a leitura do texto, os professores registraram, na ferramenta
fórum, suas concepções sobre os aspectos a considerar para acompanhar satisfatoriamente os seus
alunos virtualmente.
72
No quinto e último encontro presencial, os formadores ficaram disponíveis para auxiliar os
cursistas na finalização da edição dos cursos criados. A última atividade desenvolvida solicitou uma
avaliação do curso no qual os cursistas deveriam pontuar as dificuldades encontradas e as formas de
superação e a experiência adquirida com a realização do curso. Para realização dessa última atividade,
os cursistas registraram suas impressões do curso na ferramenta diário de bordo.
Como requisito para conclusão do curso, foi exigida a elaboração de um curso, no qual os
cursistas deveriam explorar todas as ferramentas do Teleduc, demonstrando, assim, ter familiarizado
com os recursos disponíveis no ambiente e a possibilidade de aplicarem o conhecimento adquirido nas
suas respectivas áreas de atuação, como resultado, foram construídos 30 cursos e/ou disciplinas no qual
representa um esforço coletivo de professores em atuar na EAD online.
A incorporação da modalidade de EAD nas universidades está provocando modificações na
prática dos professores, alterando posturas e criando uma cultura digital que opera no sentido de
ampliar os espaços de formação e inclusão digital tanto de professores como de alunos, haja vista,
ambos precisarem dominar os recursos tecnológicos para poderem acompanhar as transformações em
curso na sociedade da informação.
Projetos precisam ser desenvolvidos e implementados visando a uma ampla formação que
habilite o professor do ensino superior inserir na sua prática pedagógica as TIC, como analisa Almeida
(2003, p. 212):
Os estudos sobre a incorporação da TIC na educação e a respectiva formação do educador
pesquisador se realizam à medida que se desenvolve uma cultura de uso dessas tecnologias
numa perspectiva de mudança da prática profissional com base em novos paradigmas de
conhecimento, ensino, aprendizagem, e formação. Busca-se, assim, não apenas o ensino e a
análise das diferentes abordagens de uso dessas tecnologias, nem o domínio instrumental e
desenvolvimento técnico de programas e softwares específicos para educação, mas
principalmente a coerência entre teoria e prática e o incentivo à criação de comunidades de
aprendizagem.
Nessa perspectiva, foi elaborado e implementado o curso construção de material didático para
EAD na Internet: o uso de AVA Teleduc, no qual foram vivenciados momentos de troca, cooperação,
aprendizagem, desafios que resultaram numa contribuição valiosa para a prática pedagógica baseada no
uso de suportes digitais.
O uso do AVA Teleduc pelos professores favoreceu a utilização e incorporação das TIC na
modalidade EAD, domínio pedagógico da modalidade EAD, articulação do conteúdo e da ferramenta
73
numa perspectiva pedagógica para EAD e na construção de material didático para ser disponibilizado
em ambiente de EAD baseados na Internet.
3.4 Apresentação dos resultados e análises dos dados
A maioria dos dados da pesquisa foi coletado no Teleduc, especificamente, na investigação
utilizamos como eixo norteador das análises os motivos dos cursistas para participarem do curso
registrados na ficha cadastral e a avaliação levando em consideração aspectos positivos ou não da
formação oferecida. Separamos e categorizamos os dados por meio de análises temáticas.
Na ficha de inscrição do curso (Anexo 3), foi disponibilizado um campo para os cursistas
descreverem os motivos para realização do curso, abaixo estão registradas algumas descrições dos
professores que retrata o interesse inicial pela realização do curso, suas expectativas e demandas
relativas a EAD:
a) aperfeiçoar a prática pedagógica
Conhecer os detalhes e possibilidades de trabalho como Teleduc, além de conhecer outras
pessoas interessadas em compartilhar experiências.(C1)
Uma das principais preocupações apontadas pelos cursistas que se inscreveram para participar
do curso foi conhecer o ambiente Teleduc e vivenciar com outros colegas experiências novas que
apresentassem novos cenários e espaços de atuação docente. Foi por Conhecer essa demanda e a
emergência de professores qualificados e capacitados para atuar na educação online que o curso foi
criado e implementado.
O desenvolvimento educacional vem mostrando, em grande escala, a expansão das novas
tecnologias da educação e o seu uso na EAD. Por ter coordenado programas de qualificação
em informática acredito que a oportunidade desse curso será de grande valia em meu
aperfeiçoamento. (C8)
O cursista atento à inserção cada vez maior das TIC na educação, aliado ao seu desejo de
aperfeiçoar a sua prática pedagógica, define como sendo um dos principais estimuladores para
vivenciar um novo desafio na sua formação docente. Destaca, também, que já coordena programas de
qualificação em informática.
74
Essa percepção e necessidade de constante atualização é ressonância do desenvolvimento
cientifico e tecnológico atual da sociedade em que vivemos. Essas transformações provocam no
professor um movimento que busca sempre adequar e inovar a sua prática buscando fazer novas
leituras de mundo e sociedade e agregar à sua formação conhecimentos teóricos e práticos de novas
tendências na prática docente.
Sou professora do NEAD/UFAL, interesse profissional por esta área, entendimento que o
processo educativo hoje não pode prescindir do uso das tecnologias. (C11)
O cursista se identifica como professor do NEAD/UFAL, mas tem interesse de conhecer
práticas educativas baseadas na utilização das TIC, sua experiência na área tem como modelo o uso do
material impresso e conhecer novas propostas motivam participar do curso.
Outro dado importante que podemos destacar na fala do cursista é a sua percepção que “o
processo educativo hoje não pode prescindir do uso das tecnologias”. Essa afirmação é significativa
porque revela como o professor do ensino superior enxergar a realidade a sua volta.
Tendo dado início ao conhecimento da EAD, através da professora Maria Elizabeth, no mês de
janeiro, fazendo parte deste grupo de treinamento, gostaria de um maior aprofundamento,
principalmente pelo fato de contribuir com a EAD em nossa sociedade e também, que integro a
equipe de professores do NEAD. (C20)
Ao analisar a resposta da professora C20 sobre a razão que a motivou a participar da
experiência, podemos constatar que existiu um conhecimento prévio da modalidade com uma
professora pesquisadora da área, o desejo de aprofundar seus conhecimentos e integrar a equipe de
professores do NEAD estimulou a sua participação.
Participar do grupo implica aprofundar os conhecimentos não apenas na área de EAD mas,
sobretudo, em todo o conjunto que compõe a prática docente haja vista os alunos adentrarem a
universidade com o conhecimento de mundo e sociedade influenciado pela mídia e dominando
praticamente todas as TIC.
Nesse sentido, cabe ao professor conhecer a aplicação pedagógica das TIC e incorporá-la a
sua atividade docente, aproveitar esse fascínio que os jovens possuem e canalizar para a pesquisa é
papel do professor, no entanto, ele precisa ter segurança e familiaridade com o uso pedagógico das
TIC.
Por ser uma temática instigante e desafiadora para a prática pedagógica com alunos presenciais
e não-presenciais, possibilitando um redimensionamento do meu fazer pedagógico. (C9)
75
Atualmente, tudo que se escreve e divulga sobre a EAD e a importância da integração das TIC
a prática docente chama a atenção dos professores, sem dúvida é um tema “instigante e desafiador”
como assinalou a cursista C9.
Na fala do cursista C9 percebemos a existência de uma possível relação entre o uso das TIC e
a prática docente e, consequentemente, a redefinição dessa prática provocada pelas novas habilidades e
competências que o uso das TIC proporciona.
Outro aspecto fundamental para refletirmos é o entendimento do cursista que a realização do
curso favorecerá não apenas um redimensionamento do seu fazer pedagógico para atuar na educação
online, mas que terão reflexos nas suas aulas presenciais e sua expectativa é no sentido de que o curso
oferecesse suporte para o desenvolvimento de novas práticas pedagógicas apoiadas na utilização das
TIC.
Como professora de disciplinas do Curso de Pedagogia a Distância e também autora de
materiais didáticos para formação de professores a distância, considero imprescindível um
conhecimento sistematizado sobre a construção de material didático para EAD e na Internet.
Além disso, esse conhecimento vai contribuir para o meu desempenho na graduação
presencial. (C12)
Podemos fazer um paralelo entre a fala de (C12) e (C9) ambas percebem que os
conhecimentos adquiridos não só ajudarão na educação online, mas oportunizarão novos
conhecimentos e habilidades para inserção das TIC na educação presencial. O professor no século XXI
deverá estabelecer esse contato e mescla de momentos presenciais e a distância e trabalhar com
material digitalizado e organizá-lo dentro de uma plataforma virtual, prevendo simultaneamente
atividades e avaliações presenciais e virtuais, ou seja, é uma demanda nova que necessita do
desenvolvimento de novas habilidades e competências na formação docente, por isso, o interesse e
motivação para a realização do curso.
Preparação do material didático das disciplinas de Estatística, Currículo e Avaliação no curso
de Pedagogia na modalidade a Distância. (C7)
O interesse do cursista demonstrado inicialmente está relacionado com a produção de material
didático para sua disciplina no curso de Pedagogia a Distância. Preparar material didático para uma
aula presencial requer habilidades específicas, contudo, produzir material didático online requer
sobretudo autoria do professor, além de elaboração de atividades que contemplem as ferramentas
dispostas no ambiente. Percebemos a diversidade de motivos e interesses para realizar o curso, no
76
entanto, todos têm um mesmo direcionamento: aprimorar, rever e/ou incorporar novas práticas
pedagógicas apoiadas no uso dos AVA. Esse é um dado significativo e demonstra que os cursistas
estão preocupados em descobrir novos métodos e práticas baseadas na modalidade a distância.
Necessidade de desenvolver estudos e práticas pedagógicas relacionadas ao desenvolvimento e
uso das novas tecnologias de informação e comunicação. Ademais, leciono no curso de
biblioteconomia a disciplina Tecnologias de Disseminação da Informação, o que requer
constante atualização.(C25)
O cursista assinala a importância de sua participação no curso primeiramente como espaço
para estudo e aprendizagem. Essa constatação da necessidade de aprender do profissional responsável
em ensinar é um elemento inerente a profissão docente, contudo, ganha novos contornos e contextos
com o advento da EAD e dos AVA. Ao declarar que precisa desenvolver novas práticas pedagógicas
relacionadas ao uso das TIC podemos identificar o reflexo que elas imprimem na atualidade na
formação docente.
A partir dos depoimentos iniciais dos cursistas podemos identificar a relevância da proposta
para os professores que se inscrevam no curso. Nessa categoria, ficou evidente a preocupação dos
cursistas em compartilhar experiências de utilização de métodos de processos de ensino-aprendizagem
baseados na Internet.
b) conhecer o ambiente e as ferramentas
Conhecer a plataforma TELEDUC e utilizar recursos da TIC nas atividades didáticas, como
uma metodologia de ensino. (C6)
Para muitos dos professores, o curso foi o primeiro contato com a modalidade e a plataforma,
mesmo aqueles que já tinham familiaridade com a EAD não conheciam os AVA nem seu potencial
pedagógico, e esse foi o diferencial da proposta aproximar professores de novos ambientes e práticas
pedagógicas baseadas na modalidade a distância e em AVA como descreve a fala do cursista acima.
Para desenvolver habilidades no domínio de ferramentas do ambiente virtual, planejar
atividades a distância e realizar a mediação pedagógica. Este motivo está muito bem colocado
na descrição do curso e isso que me atraiu. (C4)
Na divulgação do curso, foi elaborado um panfleto com a proposta, cronograma e objetivos do
curso. Ao responder os motivos que o instigaram a participar, o cursista cita essas propostas destacando
a importância do domínio das ferramentas, o planejamento e elaboração de atividades a distância, além
77
da mediação pedagógica. Todos esses elementos constitutivos da EAD foram chamariz para adesão dos
cursistas tendo em vista que já eram professores do ensino superior e que não havia nenhuma obrigação
institucional, apenas a motivação interior de conhecer e capacitar para novos desafios pedagógicos.
Adquirir conhecimento prático sobre o tema: uso de ambiente virtual de aprendizagem. (C10)
O cursista, apesar da objetividade ao descrever o interesse na realização do curso, sublinhou a
necessidade de conhecer na prática a utilização do AVA como espaço de construção do conhecimento.
Evidentemente, os AVA são novidade para maioria dos professores no ensino superior, mas cada vez
mais presentes em nossas universidades e divulgadas principalmente com a criação da UAB e a oferta
de cursos de graduação a distância.
Por entender que o ambiente de aprendizagem virtual é a saída para a educação, e em especial,
por ser a Internet o meio de comunicação e educação que utiliza essencialmente no exercício
da docência. (C2)
O cursista registra sua percepção otimista em relação ao uso dos AVA e da Internet como
meio de comunicação e educação. Apesar de reconhecermos a relevância e a contribuição da
modalidade para o processo educacional na atualidade, outros fatores são necessários para melhorar a
qualidade da educação brasileira e o desempenho dos alunos que não pode prescindir do uso desses
recursos, mas também não se limitam neles para elevar o prestígio educacional em nossa sociedade.
Nesta categoria, os cursistas destacaram a importância e a necessidade de conhecer e
familiarizar-se com outros espaços de aprendizagem e produção do conhecimento. Ressaltaram a
carência do desenvolvimento de competências e habilidades para dominar as ferramentas do ambiente
virtual Teleduc e implementar novas práticas docentes com o apoio das TIC.
c) conhecer metodologias específicas em EAD
Aprofundar os meus conhecimentos em desenvolvimento de programas de capacitação para
atuar em EAD, conhecer ferramentas do ambiente virtual para realizar ação pedagógica. (15)
A modalidade de EAD apresenta novos desafios à formação docente, planejar o conteúdo e
atividades intercaladas com a interface da plataforma; exige novas competências (saberes) e
habilidades (fazeres) de professores do ensino superior acostumados a uma metodologia baseada no
material impresso.
78
O processo que envolve essas mudanças precisa ser acompanhado de uma capacitação
específica, evidentemente, alguns professores se adaptam mais rapidamente, enquanto outros tem
maiores dificuldades, principalmente, se não conhecerem os recursos pedagógicos disponíveis na
Internet. Essa consciência motivou o cursista a se inscrever no curso oferecido, criando assim uma
expectativa em conhecer a plataforma.
Conhecer mais ferramentas disponíveis pelo TELEDUC; construir material didático
direcionado as disciplinas que leciono; participação de momentos de interação (chats, fóruns);
conhecer as diversas concepções das utilizações das TIC na EAD. (C5)
A fala do cursista revela certo conhecimento da plataforma, mas espera conhecer mais
profundamente as ferramentas e a partir dessa ambientação elaborar material didático para a disciplina
que leciona; é interessante essa fala porque reflete o objetivo principal do curso: oferecer subsídios para
elaboração de material didático na modalidade de EAD perpassando pelas diversas concepções de
utilização das TIC, enfatizando as múltiplas possibilidades de gestão e desenvolvimento de curso
online na plataforma virtual teleduc.
As plataformas oferecem ferramentas que facilitam o contato síncrono (simultâneo) e
assíncrono (quando não existe simultaneidade entre os participantes na plataforma), estimulando a
interação e troca constante de percepções diferentes do tema ou atividade proposta e retroalimentação
do conhecimento construído.
Aprender mais conhecimentos e dar início a novos projetos em EAD, tanto na confecção do
material quanto em desenvolvimento da plataforma. (C3)
O interesse do cursista está voltado para conhecer mais profundamente a modalidade e assim
iniciar projetos de EAD que contemplassem a produção de material pedagógico para ser
disponibilizado na plataforma. A partir da fala dos cursistas podemos perceber que a motivação
contempla a proposta do curso demonstrando a importância e significado para os professores inscritos
na formação e a necessidade de uma inclusão digital no ensino superior.
Melhor apropriação do uso das TIC na EAD, tanto nas questões discursivas quanto em relação
ao uso das ferramentas. (C18)
O cursista C18 destaca a necessidade de apropriação das TIC no aspecto discursivo, em que
podemos inferir um aprofundamento das concepções teóricas que fundamentam a EAD e do uso das
79
ferramentas, que corresponde à utilização adequada das ferramentas quando incorporadas a prática
pedagógica do professor.
Desejo ter mais informações de como preparar um material didático para EAD, de como
utilizar com maior eficácia e eficiência o ambiente virtual de aprendizagem. (C14)
O interesse demonstrado pelo cursista C14 para participar do curso enfoca a necessidade de
aprender a elaborar material didático para EAD, além de conhecer a plataforma para assim utilizar de
forma otimizada os AVA. O depoimento comprova a importância da proposta do curso para os
professores que mostraram interesse em participar do curso.
Nesta última categoria, os cursistas declararam que as principais motivações para
participarem do curso foram conhecer e aprofundar conhecimentos na área de EAD; a perspectiva de
trabalhar a autoria e construção de material didático online e apropriação dos recursos pedagógicos
disponíveis nos ambientes virtuais.
O envolvimento dos cursistas no curso constituiu num processo de inclusão digital e na
criação de possibilidades pedagógicas da utilização dos AVA para qualificação e apoio a prática
docente caracterizando como uma experiência bem sucedida no uso das TIC no ensino superior.
Ao final da formação foi solicitado para os cursistas elaborarem uma avaliação e
disponibilizarem na ferramenta diário de bordo o impacto do curso na sua formação e a contribuição
para os professores atuarem na EAD, abaixo estão alguns aspectos destacados por eles:
a) aperfeiçoar a prática pedagógica
Este curso foi de grande utilidade para mim, serviu não só na minha prática pedagógica como
também, no uso da EAD, que estou iniciando quanto ao professor e tutores, estes
demonstraram boa vontade e presteza. (C28)
A avaliação do cursista C8 revelou que o curso contribuiu para melhorar sua prática
pedagógica e conhecer melhor a metodologia da EAD. Evidentemente, como esta experiência foi o
primeiro contato do cursista com a modalidade podemos inferir que todo o processo contribui para
aprimorar sua prática pedagógica apoiada na utilização do AVA e na perspectiva da autoria de material
didático para EAD.
Esse curso está sendo muito produtivo. Para minha terceira experiência com a EAD e está
sendo a melhor, pois me sinto mais a vontade para circular pelo ambiente. Gostei muito de
80
participar dos fóruns, há uma integração gostosa entre o grupo. Os textos escolhidos também
foram muito bons, claros e objetivos. Creio que o maior ganho foi a autonomia criada no
desenvolvimento das atividades. (C24)
A análise da resposta do cursista C24 demonstrou um conhecimento a priori e experiência
em EAD, contudo salienta que o material selecionado, as atividades desenvolvidas e o incentivo a
autonomia do cursista durante a realização da formação propiciou um enriquecimento pedagógico, em
relação às experiências anteriores.
Ao destacar a importância das atividades desenvolvidas nos fóruns constatamos a importância
de momentos de troca e discussão online. Outro dado significativo destacado pelo cursista, foi o
incentivo da autonomia, que não deve ser percebida como processo de ensino e aprendizagem solitário
ou individualista já que o tutor e os colegas estão sempre dispostos a colaborar, ampliar e críticar as
atividades desenvolvidas no sentido de contribuir para o aprofundamento das discussões desencadeadas
nos fóruns e atividades solicitadas.
Essa retroalimentação fortalece o espírito de comunidade e do aprender com o outro,
inaugurando uma nova perspectiva da construção do conhecimento desenvolvido nos AVA. São essas
novas possibilidades pedagógicas e de interação que encanta e fascina a cada dia milhares de
professores a aderir a modalidade e visualizar novos espaços de atuação docente.
Apesar de não ter concluído o curso formalmente pelo fato de não poder estar presente a aula
do dia 18 gostaria de dizer que o curso foi muito interessante, enriquecedor e contribuiu muito
na minha perspectiva de trabalho em EAD. Caminhei na tentativa do acerto e do erro e agora
neste momento, ao realizar as últimas atividades me sinto mais segura na compreensão da
dinâmica do funcionamento de um curso nesta modalidade. Gostaria de participar de outros,
pois este, para mim, funcionou como um pré-teste ou melhor, um "rascunho". Obrigada ao
A.S.O e a L.C pela paciência ao responderem às minhas solicitações. (C26)
É interessante a fala do cursista C26, porque revela um processo de transição ou melhor de
familiarização com a proposta pedagógica da modalidade de EAD. Podemos inferir pelo comentário do
cursista que no seu entendimento para concluir o curso necessariamente precisaria estar presente no
último momento presencial agendado para o curso, evidentemente, não era condição para conclusão do
curso o cursista estar presente.
O requisito para conclusão do curso e garantia da certificação seria a construção de material
didático para EAD voltado para sua área de atuação e disponibilizada no Teleduc. A reflexão realizada
pelo cursista revela, ainda, o interesse e a motivação de participar de outros cursos a distância da
mesma natureza. O cursista destacou, também, a importância dos tutores virtuais responsáveis em
81
acompanhar a aprendizagem do cursista e orientar nas dúvidas e dificuldades apresentadas pelos
cursistas no desenvolvimento do curso.
No texto que eu disponibilizei nesta ferramenta, onde eu falava do meu processo de
aprendizagem desde a disciplina Novas tecnologias na formação de educadores, eu já
expressava o meu crescimento intelectual e profissional resultante das interações nesse curso.
Uma das coisas que eu enfatizei foi exatamente a segurança e a credibilidade passada pela
pessoa do professor L. P, ponto fundamental para qualquer trabalho desenvolvido na educação
seja ele à distância ou não. Portanto, a minha avaliação desse curso é que ele atendeu todas as
expectativas, especialmente no que se refere as contribuições no que se refere ao planejamento
das ações a serem desenvolvidas.Quanto aos tutores e ao professor, se mostraram preocupados
com o acompanhamento e estímulo a cada participante apesar do grande número. Estão de
parabéns. Me comuniquem quando forem oferecer outro curso.Não esqueçam! (C13)
O cursista C13 ressaltou a importância da formação para o seu crescimento intelectual e
profissional, além de sublinhar a habilidade do formador nas orientações e esclarecimentos sobre o
planejamento numa perspectiva da educação online, participação dos tutores no acompanhamento
virtual e no incentivo individualizado, apesar da quantidade de cursistas participando da formação.
Reconhecendo a importância do curso para sua formação, expressou o desejo e interesse de
participação de outros cursos da mesma natureza.
Nos cursos online, percebemos uma identificação e aproximação estreita entre os alunos e
tutores, a ausência física estimula o estabelecimento de uma atmosfera de respeito, compromisso e
responsabilidade. Dessa forma, a afetividade é um elemento a mais que compõe as práticas
pedagógicas na EAD.
Foi muito importante para a minha carreira acadêmica e crescimento profissional, a
participação neste curso, pois cada vez mais vejo que cada passo dado é um aprendizado
diferente. Apesar de já ter o conhecimento específico e geral da área e do ambiente virtual
Teleduc, este possibilitou a interação com pessoas desconhecidas que logo passaram a ser
colegas acadêmicos e espero que passem a ser colegas pessoais. Fiquei muito feliz em elaborar
um curso com minhas queridas amigas, M.C e D.B (mesmo não cumprindo os dias de entrega
de cada atividade, mas são fatos relevantes), percebendo o quanto ainda temos que aprender e
estudar. Agradeço sinceramente ao coordenador, L. P, que desde sempre me oferece
oportunidades para meu crescimento profissional e aos formadores L. C e A S. O, meus
amigos a bastante tempo, que com muita paciência me ajudou a concluir o mesmo. (C22)
O cursista C22 destacou a importância do curso para sua vida acadêmica e profissional.
Percebemos que a todo momento o professor é desafiado a repensar sua prática e a incorporar novos
conhecimentos, essa demanda se expande com o crescimento vertiginoso da EAD no ensino superior
exigindo do professor o desenvolvimento de novas práticas pedagógicas que contemple as TIC na
produção cientifica e na pesquisa extrapolando a sala de aula tradicional para a sala de aula virtual. O
82
cursista revelou conhecimento da metodologia e do próprio ambiente comentou que o diferencial do
curso foi a interação estabelecida com os outros cursistas participantes.
Outro aspecto que o cursista C22 considerou significativo na avaliação realizada refere-se a
construção do material didático produzido com outras colegas. Essa informação é importante porque
demonstra que os objetivos e expectativas iniciais com a formação foram alcançadas com sucesso.
A cursista C22 ressaltou a atuação do formador e tutores na resolução dos problemas e
paciência pedagógica que tiveram para orientá-la em suas dúvidas e questionamentos concluindo que
precisa pesquisar e aprender muito sobre a EAD.
b) dificuldades com a metodologia utilizada
a experiência incipiente de alguns cursistas com o aprendizado on-line; a pressuposição por
parte dos formadores que estavam lidando com professores universitários (completamente
autônomos, reflexivos e críticos em seu processo de (re)construção do conhecimento);
preocupação premente com o conteúdo do curso em detrimento do nível interacional dos
participantes; falta de ênfase em atividades diversificadas que promovessem a aprendizagem
cooperativa, como por exemplo, pequenas tarefas destinadas ao trabalho em grupo com 5
pessoas realizado mais de uma vez com rodízio dos membros dos grupos; tendência ao
deslumbre encantatório diante do novo, do inusitado e do tecnologicamente avançado,
despertando certa dose de tecnolatria em detrimento da valorização e humanização dos
processos interpessoais de construção coletiva de conhecimento de ambientes alternativos de
aprendizagem. Contudo, nenhum dos aspectos assinalados destituem o curso de seu valor
intrínseco enquanto iniciativa de socialização das TICs com finalidade de emprego educativo,
além do zelo, manejo desenvolto dos conteúdos e entusiasmo dos formadores, por um lado; e o
desejo ávido de aprendizagem e manejo das TICs no contexto escolar dos cursistas,
redimensionando suas respectivas práticas pedagógicas e seu relacionamento tanto com as
inovações tecnológicas quanto com as pessoas com quem, mesmo virtualmente, possam
contribuir para construção de um mundo melhor a começar de nós mesmos, por outro. (C19)
O cursista C19 fez uma análise crítica apontando algumas falhas sob seu prisma sob a
condução do curso, primeiramente enfatizando que, apesar dos participantes serem professores do
ensino superior, não estavam preparados para a proposta pedagógica implementada na formação.
Uma das principais características da EAD é a autonomia e condução da própria
aprendizagem pelo aluno, desta forma, era importante os professores vivenciarem momentos que
exigissem o desenvolvimento dessa habilidade. Com relação aos conteúdos, partiu-se do pressuposto
que a maioria dos professores não conheciam a literatura da área sendo, então, necessária uma
familiarização com os teóricos que abordavam sobre EAD e a utilização das TIC na educação, explicase, assim, o cuidado do formador em oferecer subsídios teóricos e práticos aos participantes e a
elaboração de atividades que favorecessem uma apropriação crítica dessas tecnologias.
83
O cursista C 19 destacou, ainda, que houve uma valorização excessiva sobre a utilização das
tecnologias em detrimento das relações e troca de informações entre os cursistas participantes.
Contudo, ao analisar as interações no ambiente e troca de informações entre tutores e cursistas,
verificamos que houve participação, envolvimento e incentivo para a interação no ambiente. Apesar
das críticas formuladas, o cursista assinalou que essa perspectiva trabalhada no curso não interferiu na
socialização das TIC para sua aplicação pedagógica e a percepção da importância da aprendizagem e
domínio das TIC.
a) dificuldades técnicas e de interação com os tutores
Este curso foi muito significativo por me oportunizar refletir na prática sobre a utilização de
determinadas ferramentas, compreendendo cada vez mais que fora de um projeto político
pedagógico não tem sentido utilizá-las, terá meramente na educação seja presencial ou à
distância foco instrucional.O conhecimento e a compreensão das diversas linguagens
informacionais: hipertexto, ecologia de informação, o discernimento entre interatividade e
interação, entre outros me permite saber utilizá-las no momento adequado. Observei que neste
curso, a interação entre as pessoas ocorreu mais no ambiente virtual do que nos momentos
presenciais e que neste ambiente as possibilidades de criar uma comunidade de aprendizagem
com objetivos educacionais, com base na relação dialógica, no trabalho colaborativo ou
cooperativo é muito significativo. Outro aspecto enriquecedor, trabalhoso e fascinante foi a
criação do curso. Em alguns momentos inicial na elaboração do curso, eu não me colocava na
posição do professor cursista, considerando suas dificuldades no cotidiano ( sobrecarga de
atividade, ausência de domínio tecnológico, momentos de reflexão coletiva, etc.) e em seguida
ao refletir, lembrava que vários cursos ao elaborar sua proposta esquecia de fazer algumas
considerações relevantes, partindo da realidade no qual o sujeito está inserido. A avaliação do
curso permeia todos os elementos, inclusive requer o exercício da auto-avaliação do cursista,
que em parte já fiz, entretanto não posso deixar de reconhecer minha razoável participação, ser
aluna online requer uma certa disciplina e nem sempre foi possível manter. Senti dificuldades
de acessar o ambiente, devido dispor de Internet "discada", apenas disponível durante a
semana, a partir da meia-noite, e nem sempre eu conseguia me manter acordada e em alguns
finais de semana, não consegui acessar o ambiente, pois estava fora do ar, acho que foi um
aspecto desfavorável, assim como também, a ausência da intervenção dos tutores, não só nas
discussões, como também no incentivo a participação dos professores no processo. Este
momento não ocorreu nem de forma presencial ou à distância. Na criação do curso ocorreram
muitas dúvidas e não senti muita clareza e segurança nas informações obtidas. O processo de
orientar é enriquecedor, mas trabalhoso, entretanto o mais importante é compreendermos que
somos todos aprendizes. Essas considerações são independentes do carinho e respeito que
tenho pelos colegas tutores, acho importante essas reflexões no processo avaliativo. Ah! ia
esquecendo de fazer referências aos textos, parabéns, achei ótimos. (C21)
Na avaliação, o cursista C21 assinalou a importância do curso para refletir sobre sua prática,
pontuando os novos conhecimentos e conceitos aprendidos durante o curso. Nessa perspectiva,
podemos compreender que a leitura disponibilizada para os cursistas na formação impactaram
positivamente sua percepção sobre EAD.
84
Abordou sobre a importância da criação do curso ou disciplina refletindo que em seu processo
de construção, inicialmente não pensou nos seus alunos, sobrecarga de atividades e tempo de leitura
dos textos selecionados. Essa compreensão é importante porque revela que o professor a partir do curso
já percebia que precisa rever alguns conceitos de tempo e espaço na EAD, sobretudo, no que se refere
ao tempo de estudo que o aluno levará para fazer as leituras necessárias e responder as atividades.
O cursista ainda assumiu que não teve a disciplina que o curso exigia e paralelamente
enumerou vários problemas que impediram de ter um desempenho melhor como problemas técnicos de
acesso à Internet, sendo, assim, prejudicada por não dispor das condições idéias para realização de um
curso a distância. Enfatizou, que sentiu falta de uma intervenção maior e mais clareza nos conceitos
discutidos e analisados presencialmente e nas orientações fornecidas pelos tutores a distância,
esperando assim uma participação mais efetiva no estímulo e interação no AVA.
A fala do cursista na avaliação refletem as diversas percepções e vivências que cada um teve
durante o curso e ajuda compreendermos os desafios, dificuldades e possibilidades da inclusão digital
do professor do ensino superior.
3.5 Avaliação na EAD
A EAD abre novos horizontes para a atuação docente no ensino superior, a adesão do
professor é fundamental para mudarmos as posturas e práticas pedagógicas dominantes nas
universidades. A inclusão digital é um caminho viável para romper com as resistências existentes e
buscarmos novas formas de ensinar e aprender baseadas no uso das TIC.
Os AVA aparecem como novos espaços de apoio ao trabalho docente, auxiliando no registro
de informações e troca de experiências entre professores e alunos mediados pelas ferramentas de
comunicação dispostas nesses ambientes e sendo o próprio espaço da docência, nos cursos online.
O surgimento de AVA sinaliza uma mudança profunda na formação e capacitação de
professores e está em sintonia com as transformações pelas quais passa a formação de professores e
que, infelizmente, nem todos os professores estão apercebidos e interessados nessa mudança.
Para avaliar se o cursista foi incluído digitalmente ou não para atuar na educação online os
critérios definidos pelos formadores foram a elaboração de material didático vinculado à sua disciplina
no ambiente Teleduc. Seguindo esse critério, todos os cursistas concluíram com êxito os objetivos da
formação, visto que foram capazes de criarem seus planos de curso, inserir os materiais didáticos no
85
ambiente e utilizarem diferentes ferramentas. As atividades desenvolvidas durante o processo de
inclusão digital do professor tiveram como objetivo familiarizá-lo com as ferramentas e possibilidades
pedagógicas de sua utilização na EAD.
Quando falamos em avaliação em EAD, temos que considerar: material didático, ferramentas,
conteúdos, alunos, professores (tutores), dentre outras. Assim, como na modalidade presencial a
temática sobre avaliação é complexa e divergente no qual não existe consenso entre os pesquisadores
da área. Como professores nos perguntamos o que avaliar? Como avaliar? E a finalidade da avaliação?
São questionamentos abordados no dia a dia da sala de aula.
Na educação online, essa complexidade continua e requer de todos os envolvidos no processo
comprometimento e responsabilidades mútuas, o tutor é figura central no processo de avaliação já que
ele é o responsável em acompanhar o desenvolvimento cognitivo do aluno durante o curso, contudo, a
avaliação na EAD não se restringe ao aluno e tutor, desse modo, são avaliados também os conteúdos, o
ambiente virtual de aprendizagem e as ferramentas disponíveis.
A avaliação é o ponto crítico de todo o processo educativo, seja presencial ou on-line,
geralmente a avaliação é sinônimo de certificação para os cursos e de desempenho satisfatório do aluno
durante um período ou realização de uma disciplina, sendo assim indispensável no processo, contudo
os critérios selecionados e os objetivos precisam ser revistos e analisados sob nova perspectiva que
rompa com as práticas atuais e promova uma aprendizagem significativa.
Na EAD, quando falamos em avaliação, ela não está restrita à aquisição de conhecimentos e
competências desenvolvidas pelo aluno ao final de um curso, demonstrando que os objetivos iniciais
foram alcançados. A concepção é mais ampla e contempla o material e conteúdos produzidos, as
ferramentas, o ambiente, o professor, o aluno, ou seja, é um conjunto de fatores que estão em constante
avaliação e revisão. Basssani e Behar (2006. p. 1) assinalam que no processo de avaliação nos AVA
existe a possibilidade de:
“ acompanhamento da freqüência e da produção de cada aluno, uma vez que consistem em uma
grande base de dados que armazena/pode armazenar a freqüência e assiduidade (data e hora de
acessos ao ambiente, data e hora de acessos a cada uma das ferramentas disponíveis no
ambiente), resultados de testes online, trabalhos publicados, tarefas realizadas, incluindo
verificação de prazos de entrega e também as mensagens trocadas entre os participantes de uma
aula/curso.
86
Os autores sublinham ainda que, seguindo essa concepção, a avaliação online pode ser
entendida a partir de três perspectivas “1) avaliação por meio de testes online; 2) avaliação da produção
individual dos estudantes; e 3) análise das interações entre aluno, a partir de mensagens
postadas/trocadas por meio das diversas ferramentas de comunicação” dispostas no AVA. O tema é
complexo de ser analisado e existem muitas divergências sobre os procedimentos de avaliação
utilizados no ambiente virtual, portanto, no curso, foram pontuadas algumas diretrizes para os
professores/tutores se guiarem no momento que forem avaliar o aluno e sua própria atuação.
A avaliação não pode ser pontual, mas deve englobar todo o percurso de aprendizagem do
aluno virtual sendo sensíveis as suas dificuldades e flexível na medida em que não prejudique seu
processo de aquisição de conhecimentos. Nesse processo, é fundamental a flexibilidade, empatia e
respeito a ritmos diferenciados de aprendizagem de cada aluno virtual.
A avaliação é um procedimento complexo seja qual for a situação, na escola ela representa
geralmente que os objetivos didático e pedagógicos foram alcançados. Por esse motivo, é importante
destacar a relevância do tutor online participar como aluno de algum curso a distância para vivenciar as
dificuldades e desafios enfrentados pelos alunos, temos muitos professores-tutores que nunca estiveram
do outro lado e, desse modo, não conseguem enxergar e desenvolver uma empatia com as dificuldades
dos alunos
Corriqueiramente a função de avaliar o aluno na EAD é do tutor, para isso, é fundamental que
o professor, antes de atuar na educação online como professor, já tenha vivenciado experiências como
aluno, dessa forma, poderá conhecer melhor as dificuldades e desafios dos alunos com relação a prazos
e dificuldades para executar as atividades solicitadas. Evidentemente, o professor/tutor deverá estar
sempre se auto-avaliando para perceber de que forma pode colaborar para a construção colaborativa do
conhecimento.
Novas abordagens requerem novos meios e parâmetros de avaliação, não podemos transpor da
educação presencial os mesmos métodos para a EAD, nesse sentido, é fundamental uma formação
apropriada do professor tutor para lidar com a dinamicidade e imprevisibilidade dos cenários de
aprendizagem desenvolvidos na EAD.
Victorino e Haguenauer (2004, p. 7-8) assinalam que “um dos maiores desafios tanto na
educação presencial como na EAD é estabelecer metodologias de avaliação que envolvam todo o
processo de ensino-aprendizagem de forma sistemática, contínua e abrangente”
87
Harasim et al (2005) afirmam que os programas educativos que utilizam AVA e outras TIC
na formação de professores em EAD facilitam o desenvolvimento profissional e a incorporação e
aplicação de novos métodos mais flexíveis no processo de ensino e aprendizagem.
Como proposta para formação de professores para atuar na educação online no ensino
superior, a partir da experiência analisada consideramos que os AVA são instrumentos
potencializadores para subsidiar a prática de professores em EAD e promover uma formação
continuada dos professores no ensino superior.
88
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A expansão da EAD no ensino superior provoca mudanças na formação de professores que
precisam de uma capacitação para incorporar as TIC à sua prática pedagógica e do desenvolvimento de
competências para atuar na docência online no ensino superior.
Para Pretti (2001, p. 1) “a discussão sobre a formação do professor não é tão recente, mas
ganha novos contornos (conjunturais, políticos, ideológicos e pedagógicos) ao ser associada à
modalidade a distância”. O desafio das universidades públicas brasileiras é preparar os seus docentes
para essa nova perspectiva educacional.
Ao analisar o processo de inclusão digital de um grupo de professores dos cursos de
licenciatura da UFAL para incorporação da modalidade de EAD à sua prática, numa perspectiva de
autoria e autonomia, desenvolvida através do ambiente virtual de aprendizagem Teleduc, percebemos o
desafio técnico: domínio e gestão das ferramentas do teleduc e pedagógica que contempla a aplicação
didática das ferramentas.
A pesquisa apontou a carência de cursos voltados para formação de professores para atuar na
docência online. Outro ponto foi a receptividade e o interesse de conhecer novas estratégias de ensinoaprendizagem baseado na EAD, em particular o ambiente virtual Teleduc, que oferece suporte
pedagógico para os professores produzirem seu próprio material didático para disponibilizar no
ambiente.
A importância da iniciativa de realizar um curso voltado para os professores da UFAL obteve
repercussão positiva, pois os professores participantes se familiarizaram com conceitos e instrumentos
pedagógicos específicos da docência online contribuindo para que pudessem atuar com propriedade na
modalidade a distância.
Ao participar da formação, os professores universitários conheceram ou aprofundaram os
conhecimentos pedagógicos dos processos de ensino-aprendizagem que norteiam a metodologia da
EAD e o papel de professores e alunos no ambiente virtual de aprendizagem.
A tendência será o uso da EAD no ensino superior em grande escala, tendo em vista o
aumento de vagas resultado de políticas públicas voltadas para interiorização do ensino superior e
formação e capacitação de professores em exercício sem a formação em nível superior. O crescimento
de cursos a distância aumenta a necessidade de professores capacitados para atuar na docência online.
89
No curso, foram estudados os conceitos de EAD e a importância dos professores conhecerem
novas práticas apoiadas na EAD. Neste sentido, os formadores buscaram demonstrar para os cursistas,
acostumados a práticas pedagógicas comumente presenciais, novas perspectivas de construção do
conhecimento, apoiados na utilização das TIC e na apropriação crítica e reflexiva desses recursos à
prática docente. Para Mercado e Silva (2007, p. 179):
A utilização das TIC, por si só, não é sinônimo de qualidade de ensino e nem tampouco
garantia de sucesso na aprendizagem. Tão importante quanto o uso desta ferramenta é a
preparação do professor para utilizá-las de forma inteligente e criativa, para que este não corra
o risco de usá-la como um passatempo, sem objetivo e propósito. É de fundamental
importância que o educador esteja disposto a aprender sempre, não tenha medo de
experimentar e inovar enquanto aprende que se coloca no papel de problematizador de
conteúdos e atividades. Em vez de continuar no papel de transmissor de conhecimento, e que
desenvolva sua capacidade reflexiva, autonomia, postura crítica e cooperativa, para realizar
mudanças significativas e condizentes com as necessidades atuais.
Nessa linha de pensamento dos autores, o curso foi concebido com a intencionalidade de
oferecer subsídios teóricos e práticos da inserção pedagógica das TIC no contexto do ensino superior
voltadas para a EAD. Como resultado, tivemos ao final da capacitação, a elaboração de 30 cursos
construídos pelos professores resultantes do trabalho final e condição para recebimento da certificação.
A formação de professores no ensino superior para atuar na EAD é um desafio atual surgido
das demandas sociais da Sociedade da Informação. Analisando essas mudanças na formação do
professor, Preti (2005) enfatiza as transformações nos comportamentos, cultura e a forma de
compreender a realidade que nos cerca, além de constatar que a formação dos professores adquirem
novos conceitos e significados como resultado dessa demanda o que provoca uma re-qualificação do
professor e uma preocupação com os rumos e modelos pedagógicos atuais.
Para superar os desafios da inclusão digital no ensino superior a experiência analisada revela
que os AVA proporcionam um espaço adequado para desenvolver os conhecimentos necessários para
os professores atuarem com desenvoltura e apropriação das riquezas pedagógicas favorecidas pela
interface do ambiente.
Nesse sentido, durante todo o curso, houve uma preocupação em oferecer subsídios teóricos
que auxiliassem os professores a solucionar suas dúvidas e questionamentos, além de esclarecer os
métodos de avaliação e aprendizagem nos AVA. Outra preocupação foi fazer com que os professores
utilizassem todas as ferramentas do ambiente para conhecerem sua funcionalidade e escolherem, com
maior propriedade as ferramentas mais interessantes para a realização das atividades e incorporassem
os conhecimentos adquiridos em sua prática pedagógica.
90
Dessa forma, um programa voltado para inclusão digital do professor no ensino superior deve
privilegiar o desenvolvimento de habilidades e competências para atuar na educação online. As
observações, registros no ambiente e desempenhos dos cursistas durante a formação apontaram que os
AVA são instrumentos facilitadores para inclusão digital do professor no ensino superior.
O crescimento da EAD vem acompanhado de novas perspectivas de atuação docente. Diante
desse panorama, o professor se vê desafiado a repensar sua prática, conceitos e concepções de
educação e da relação professor –aluno.
A experiência revelou que os professores do ensino superior pesquisados não estavam
preparados, mas estão caminhando para utilizar o potencial pedagógico oferecido pela introdução das
TIC na educação, sendo dessa forma necessária uma formação especifica que oriente suas ações e
práticas para se adaptar às novas exigências da profissão docente na atualidade
Os depoimentos dos professores analisados em relação ao interesse e à motivação de
participar do curso apontaram principalmente que os professores enxergam, na introdução das TIC na
universidade, uma necessidade de aperfeiçoar e aprimorar a prática pedagógica que perpassa,
sobretudo, pela apropriação das TIC como instrumento pedagógico.
A experiência pesquisada identificou também que as principais dificuldades e desafios
encontrados durante a realização do curso diz respeito à metodologia que norteia as práticas
educacionais nos AVA, baseada numa perspectiva educacional sócio-construtivista, esses novos
espaços de aprendizagem representam também a ruptura com práticas tradicionais de ensino e
aprendizagem e a introdução de novos paradigmas baseados, sobretudo, pela interação, colaboração e
cooperação online em que professores e alunos são identificados como parceiros no processo de
construção do conhecimento.
Os novos rumos da educação no Brasil e no mundo apontam para uma profunda
transformação nos paradigmas educacionais vigentes e para uma necessidade crescente de professores e
alunos se adaptarem à nova realidade social e educacional. Enquanto educadores não podemos ignorar
esse processo, por isso, é urgente investir em políticas públicas de formação de professores no ensino
superior para atuar na EAD, já que não se concebe que professores que não tenham uma preparação
adequada sejam colocados para atuar na docência online sem ter familiaridade com essa perspectiva
educacional.
Diante desse cenário, acreditamos que o professor desempenha papel chave nas mudanças
vivenciadas na educação com a introdução das TIC e com o surgimento de novos espaços de atuação
91
docente como o AVA, necessitando, dessa maneira, de uma formação específica que o prepare para os
desafios dessa nova realidade analisada na experiência.
As mudanças em curso sinalizam, também, para profundas transformações que as
universidades e toda a organização escolar vêm passando nas últimas décadas, apontado para o
estabelecimento de modelos híbridos de educação em que a tendência será um crescimento vertiginoso
de universidades virtuais e semi-presenciais ao lado das instituições tradicionais.
Na Sociedade da Informação e do Conhecimento, novos olhares educativos, sociais e
econômicos deverão ser direcionados para as universidades do século XXI que precisarão cada vez
mais de professores e alunos autônomos, criativos, dinâmicos e dispostos a aprender continuamente.
92
REFERÊNCIAS
ADELL, Jordi. Tendencias en educación en la sociedad de las tecnologias de la información.
In: AREA, Manuel. Educar en la sociedad de la información. Bilbao: Desclée, 2001.
ALMEIDA, Maria E. Educação, ambientes virtuais e interatividade. In: SILVA, Marco.
Educação online. São Paulo: Loyola, 2003. p. 201-216.
___, Maria E. Desafios, avanços e possibilidades da educação a distância no Brasil. São
Paulo. Revista de Administração da Faculdade de Administração de Empresas do
Estado de São Paulo, nº 2 ano II 2005.
___, Maria E. Inclusão digital do professor: formação e prática pedagógica. São Paulo:
Articulação, 2004.
ALONSO, Kátia M. A avaliação e a avaliação na educação a distância: algumas notas para
reflexão. In: PRETI, Oreste (org). Educação a distância: sobre discursos e práticas. Brasília:
Líber, 2005.
ALVES, Paulo; AMARAL, Luís.; PIRES, Jose. De salas de aula virtual ao campus virtual.
2003.
Disponível
em:
http://www.nonio.uminho.pt/challenges/05comunicacoes/Tema8/02PauloAlves.pdf. Acesso
em: 18 mar 07.
ANDRADE, Pedro F. Aprender por projetos, formar educadores. In: VALENTE, José A.
(org.) A formação de educadores para o uso da informática na escola. Campinas:
Unicamp, 2003.
AREA, Manuel (coord). Educar en la sociedad de la información. Bilbao: Desclée, 2001.
____. La integración curricular de las NTIC: entre el deseo y la realidad. 2002. Disponível
em: http://dewey.uab.es/pmarques/EVTE/INTEGRACIÓN ESCOLAR NNTT.pdf. Acesso
em: 25 set 06.
ARRIAZA, Ricardo. Reformas y tendencias de cambio en las instituciones de educación
superior
en.
centroamérica.
2003.
Disponível
em:
www.iesalc.unesco.org.ve/programas/reformas/centroamerica/ref_cam_sol.pdf. Acesso em:
01 jan 07.
BARBOSA FILHO, André; CASTRO, Cosette; TOME, Takashi (org). Mídias digitais. São
Paulo: Paulinas, 2005.
BASSSANI, Patrícia S.; BEHAR, P. A. Análise das interações em ambientes virtuais de
aprendizagem: uma possibilidade para avaliação da aprendizagem em EAD. Disponível em
93
http://www.cinted.ufrgs.br/renote/jul2006/artigosrenote/a35_21201.pdf. 2006. Acesso em: 20
mar 07.
BELLONI, Maria L. A integração das tecnologias de informação e comunicação aos
processos educacionais. In: BARRETO, Raquel G. (org). Tecnologias educacionais e
educação a distância: avaliando políticas e práticas. Rio de Janeiro: Quartet, 2001. p. 54-73.
BOLIVAR, Carlos R. Aprendizaje estratégico, tecnologías de la información y la
comunicación superior e integración curricular. 2006. Disponível em:
http://www.ciedhumano.org/edutecno2.pdf. Acesso em: 20 mar 07.
BONILLA, Maria. As TIC estruturando dinâmicas curriculares horizontais: o programa
de formação de professores par o município de Irecê-BA. Encontro Nacional de Didática e
Prática de Ensino. Endipe. Recife, 2006.cd-rom.
_____, Maria. Inclusão digital e formação de professores. Revista de Educação
Departamento de Educação da FCUL, vol XI, nº 1, 2002. p. 42-50.
BRASIL.MEC. Programa de formação inicial para professores em exercício no ensino
Fundamental
e
no
médio.
2005
Disponível
em:
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/proli_an3.pdf. Acesso em: 14 abr 07.
BRASIL.MEC.
Proinfantil.
2007.
Disponível
em:
http://portal.mec.gov.br/seb/index.php?option=content&task=view&id=444. Acesso em: 10
jun 07.
BUZATO, Marcelo. Letramento digital abre portas para o conhecimento. Educarede, 11
marc.2003. Disponível em: http://www.educarede.org.br/educa/html/index_busca.cfm.
Acesso em: 15 ago 06.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
CHIROLLET, Jean-Claude. Filosofia e sociedade da informação: para uma filosofia
fractalista. Lisboa: Instituto Piaget, 2001.
D’AMBROSIO, Ubiratan. Tempo da escola e tempo da sociedade. In: SERBINO et alli (org).
Formação de professores. São Paulo: Unesp, 1998.
DALVI, Maria P.; PEREIRA, Isabel P.; DIAS, Isabel S. Formar professores no contexto da
cultura
digital.
2003.
Disponível
em:
http://www.nonio.uminho.pt/challenges/05comunicacoes/Tema7/02MariaDalvi.pdf. Acesso
em: 18 mar 07.
DIAS, Ângela A.; CHAVES FILHO, Hélio C. A gênese sócio-histórica da análise de
interação e interatividade. In: SANTOS, Gilberto L. (org). Tecnologias na educação e
formação de professores. Brasília: Plano, 2003.
94
DOWBOR, Ladislau. Tecnologias do conhecimento: os desafios da educação. Disponível
em: http?:www.mhd.org/artigos/dowbor_tecnologias.html. Acesso em: 26 ago 04.
DUPAS, Gilberto. Ética e poder na sociedade da informação: de como a autonomia das
novas tecnologias rever o mito do progresso. São Paulo: Edunesp, 2001.
FERNANDÉZ, Ricardo. El professor en la sociedad de la información: nuevas
necessidades
en
la
formación
del
professorado.
2001.
Disponível
em:
http://www.uclm.es/profesorado/ricardo/Docencia_e_Investigacion/RicardoFdez.htm. Acesso
em: 05 ago 05.
FRANCO, Sérgio. O programa Pro-Licenciatura: gênese, construção e perspectivas.
Brasília: Secretaria de Educação a Distância, 2006.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
___. Pedagogia da autonomia: saberes necessários a prática educativa. São Paulo: Paz e
Terra, 1996.
GUERREIRO, Evandro P. Cidade digital: infoinclusão social e tecnologia em rede. São
Paulo: Senac, 2006.
HARASIM, Linda et al. Redes de aprendizagem: um guia para ensino e aprendizagem on
line. São Paulo: Senac, 2005.
KENSKI, Vani. M. Das salas de aula aos ambientes virtuais de aprendizagem. In: 12º
Congresso Internacional de Educação a Distância. Florianópolis: Abed, 2005.
___. Em direção a uma ação docente mediada pelas tecnologias. In: BARRETO, Raquel G.
(org). Tecnologias educacionais e educação a distância: avaliando políticas e práticas. Rio
de Janeiro: Quartet, 2001. pp. 74-84.
KULLOK, Maísa G. Formação de professores para o próximo milênio: novo lócus? São
Paulo: Annablume, 2000.
LACRUZ, Miguel. La actividad docente y la formación de professorado con nuevos
tecnologias. Disponível em: http://dewey.uab.es/pmarques/EVTE/lacruz1.doc. Acesso em: 05
ago 2005.
LÉVY, Pierre. O que é virtual? São Paulo: Ed. 34, 2003.
LITTO, Fredric Michael. Informe digital da Associação Brasileira de Educação a Distância –
ABED, nº 202. Disponível em: http://www.abed.org.br/informe_digital/202.htm. 2005.
Acesso em: 30 nov 07.
MARTÍN, Afonso Gutiérrez. Alfabetización digital: algo más que ratones y teclas.
Barcelona: Gedisa, 2003.
95
MATOS, José C. A importância da qualificação dos recursos humanos. Disponível em:
http://www.uniweb.pt/uniweb/WP_RHumanos.pdf. Acesso em: 13 mar 2007.
MATTELART, Armand. História da Sociedade da Informação. São Paulo: Loyola, 2002.
MERCADO, Luís P; SILVA, Maria L. Utilização de ambientes virtuais de aprendizagem na
formação de professores. In: MERCADO, Luís P. (org). Percursos na formação de
professores com tecnologias da informação e comunicação na Educação. Maceió: Edufal,
2007. (p. 175-196)
MERCADO. Luís P. (org). Novas tecnologias na educação: reflexões sobre a prática.
Maceió: Edufal, 2002.
____. Novas tecnologias na educação: novos cenários de aprendizagem e formação de
professores. In: OLIVEIRA, Maria A. Reflexões sobre conhecimento e educação. Maceió:
Edufal, 2000. p.69-124.
_____. Formação continuada de professores e novas tecnologias. Maceió: Edufal, 1999.
MOORE, Michael.; KEARSLEY, Greg. Educação a distância: uma visão integrada. São
Paulo: Thomson, 2007.
MORAES, Raquel A; SANTOS, Gilberto L. A educação na sociedade tecnológica. In:
SANTOS, Gilberto L. (Org). Tecnologias na educação e formação de professores. Brasília:
Plano, 2003.
MORAN, Jose M. A educação está mudando radicalmente. 2006. Disponível em:
http://www.eca.usp.br/prof/moran/mudando.htm. Acesso em: 19 dez 06.
___. José M. Contribuições para uma pedagogia da educação a distância no ensino superior.
Revista Interface. Comunic, Saúde, Educ, v7, n12, p. 139-148, fev 2003.
___. José M. Interferências dos meios de comunicação no nosso conhecimento. 1994.
Disponível em: http://www.eca.usp.br/prof/moran/interf.htm. Acesso em: 11 mar 07.
MOTA, Ricardo.; CHAVES FILHO, Hélio.; CASSIANO, Webster. Universidade Aberta do
Brasil: democratização do acesso à educação superior pela rede pública de educação a
distância. Brasília: Secretaria de Educação a Distância, 2006.
MOTA, Ronaldo. Edital de lançamento: bases do sistema universidade aberta do Brasil –
UAB. 2005. Disponível em: portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/carta.pdf. Acesso em 19 jun
07.
NOVA, Cristiane; ALVES, Lynn. Educação a distância: limites e possibilidades. In: ALVES,
Lynn; NOVA, Cristiane (orgs.). Educação a distância: uma nova concepção de aprendizado
e interatividade. São Paulo: Futura, 2003. p.1-24.
96
NOVOA, Antonio. Relação escola sociedade: “novas respostas para um velho problema”. In:
SERBINO et al, (org). Formação de professores. São Paulo Unesp, 1998.
NUNES, Lino. O uso do computador e da rede na escola pública: abrindo caminhos para a
inclusão digital. Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino. Endipe. Recife, 2006. cdrom.
OKADA, Alexandra L. Desafio para EAD: como fazer emergir colaboração e a cooperação
em ambientes virtuais de aprendizagem. In: SILVA, Marco. Educação online. São Paulo:
Loyola, 2003 p.273-291.
OZUNA, Julio B. Las nuevas tecnologías de la información y la comunicación y la
formación del profesorado universitario. 2003. III Congreso Internacional Virtual de
Educación. Disponível em: http://tecnologiaedu.us.es/nweb/htm/pdf/BARROSO.pdf. Acesso
em: 20 ago 06.
PALLOFF, Rena; PRATT, Keith. O aluno virtual: um guia para trabalhar com estudantes
on-line. Porto Alegre: Artmed, 2004.
PAULO, Ciris Ângela; TIJIBOY, Ana Vilma. Inclusão digital de pessoas da terceira idade
através da educação a distância. Associação Brasileira de Educação a Distância, 2005.
disponível em: http://www.abed.org.br/congresso2005/por/trabalhos22.htm. Acesso em: 12
dez 06.
PÉREZ GÓMEZ, A . I. Compreender o ensino na escola: modelos metodológicos de
investigação educativa. In: SACRISTÁN, J.; GÓMEZ, A. I Compreender e transformar o
ensino. 4.ed. Porto Alegre: Artmed, 1998. p. 99-117.
PETERS, Otto. A Educação à distância em transição: tendências e desafios. São. Leopoldo:
Unisinos, 2003.
PRETI, Oreste (org). Educação a distância: sobre discursos e práticas. Brasília: Liber, 2005.
QUINTERO, Linda J.; VICENT, Patrícia L. Ciudadanía digital: el nuevo reto educativo.
2006. Disponível em: http://www.ciedhumano.org/edutecNo10.pdf. Acesso em: 20 mar 07.
RAMAL, Andréa C. Novas formas de pensar e aprender. 2006. Disponível em:
http://www.pedroarrupe.com.br/upload/Novas%20formas%20de%20pensar%20e%20aprende
r.doc. Acesso em: 07 mar 07.
___. Andréa C. Educação à distância: entre mitos e desafios. In: ALVES Lynn.; NOVA,
Cristine (Orgs). Educação a distância: uma nova concepção de aprendizado e interatividade.
Rio de janeiro: Futura, 2003. p.125-132.
97
RICCIO, Nicia C. Educação a Distância: uma alternativa para a UFBA. In: LEMOS, André et
al. Educação a distância no contexto brasileiro: algumas experiências da UFBA. Salvador:
ISP/UFBA. 2005.
ROCA, Genis. La presencia de las universidades em lar red. Revista de universidad y
sociedad
del
conocimiento,
v.
3,
nº1,
2006.
Disponível
em:
http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001399/139950m.pdf. Acesso em: 01 mar 07.
ROCHA, Heloisa V. Projeto Teleduc: pesquisa e desenvolvimento de tecnologia para a
educação
a
distância.
2002.
Disponível
em:
http://teleduc.nied.unicamp.br/pagina/publicacoes/premio_abed2002.pdf, Acesso em: 25 abr
07.
SANTOS, Bettina; RADTKE, Márcia. Inclusão digital: reflexões sobre a formação docente.
In: PELLANDA, Nize; SCHLÜNZEN, Elisa; JUNIOR, Klaus (orgs). Inclusão digital:
recendo redes afetivas/cognitivas. Rio de janeiro: DP&A, 2005. p.327-343.
SANTOS, Edméa. Articulação de saberes na EAD online: por uma rede interdisciplinar e
interativa de conhecimentos em ambientes virtuais de aprendizagem. In: SILVA, Marco (org).
Educação online. São Paulo: Loyola, 2003. p.217-230.
SANTOS, Gilberto (org.). Tecnologias na educação e formação de professores. Brasília:
Plano, 2003.
SEABRA, Carlos. Uma nova educação para uma nova era. 2005. Disponível em:
http://mhd.org/artigos/seabra_educacao.html. Aceso em: 27 ago 05.
SILVA, Helena et alli. Inclusão digital e educação para a competência informacional: uma
questão de ética e cidadania. Brasília: Revista Ciência da Informação, v.34, n.1, p. 28-36,
jan./abr.2005
SILVA, Karla R. Programa de inclusão digital “passaporte digital”. Associação Brasileira
de
Educação
a
Distância,
2006.
Disponível
em:
http://www.abed.org.br/seminario2006/pdf/tc039.pdf. Acesso em: 05 abr 07.
SILVA, Marco. Educação na cibercultura: o desafio comunicacional do professor presencial e
online. Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade, Salvador, v 12, n. 20, pp.
261-271, jl./dez., 2003.
SILVA, Maria L. Formação de professores para utilização das tecnologias da informação
e comunicação na educação a distância. (Monografia de Graduação). Maceió,
UFAL/Centro de Educação, 2006.
SONNEVILLE, Jacques. O educador na contemporaneidade: formação e profissão. Revista
da FAEEBA. Educação e Contemporaneidade, Salvador, v.13.n. 22, pp. 455-465.
98
SOUZA, Ruth. Os professores e a inclusão da tecnologia informática nas práticas
pedagógicas. Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino/Endipe. Recife, 2006. cdrom.
TAKAHASHI, Tadao (org). Sociedade da informação no Brasil: Livro Verde. Ministério da
Ciência e Tecnologia, 2000. Disponível em: http://www.mct.gov.br/upd_blob/4795.pdf.
Acesso em: 27 fev 07.
TIFFIN, John; RAJASINGHAM, Lalita. A universidade virtual e global. Porto Alegre:
Artmed, 2007.
VALENTE, José A. Educação a distância no ensino superior: soluções e flexibilizações.
Revista Interface. Comunic, Saúde, Educ, v. 7, n12, p. 139-148, fev 2003.
VIANA, Maria A. Aprendizagem na Internet a metodologia webquest na prática. Maceió:
Ufal: Dissertação de Mestrado, 2003.
VICTORINO, Ana L.; HAGUENAUER, Cristina J. Avaliação em EAD apoiada por
ambientes colaborativos de aprendizagem no programa de capacitação para a
Qualidade da COPPE/UFRJ. Associação Brasileira de Educação a Distância. 2004.
Disponível em: http://www.abed.org.br/congresso2004/por/htm/159-TC-D3.htm. Acesso
em: 02 mai 07.
YIN, Robert. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
99
ANEXOS
100
Anexo 1: Plano de Curso elaborado por um cursista
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO - CEDU
1.1 Curso/Disciplina
1.1 Nome do componente curricular: Inovações na Tutoria em EAD: importância, relacionamento e novas formas de aprendizagens.
2. Identificação da Atividade
2.1. Data de Início: 02/05/2006
2.2. Data de Término: 27/06/2006
2.3 Carga Horária Total: 120 h
2.4 Carga Horária Total Presencial: 80h
2.4.1 Carga Horária Total não presencial: 40h
MÓDULO I
ASSUNTO
NÃO PRESENCIAL DATA
Concepções sobre a EAD
10h
03 /05 – 08/05
Unidade I
10h
10/05 - 15/05
Funcionalidade da Tutoria
10h
17/05 – 22/05
Unidade II
10h
24/05 – 29/05
MÓDULO II
ASSUNTO
NÃO PRESENCIAL DATA
Uso das TIC
10h
30/05 – 05/06
Unidade I
10h
07/06 – 12/06
Vivências Tutoriais
10h
14/06 – 19/06
Unidade II
10h
21/06 – 26/06
MÓDULO I
ASSUNTO
PRESENCIAL
DATA
Concepções sobre a EAD
4h
02/05
Unidade I
4h
09/05
Funcionalidade da Tutoria
4h
16/05
4h
23/05
Unidade II
4h
27/05* (Início do II
módulo)
MÓDULO II
ASSUNTO
PRESENCIAL
DATA
Uso das TIC
4h
30/05
Unidade I
4h
06/06
Vivências Tutoriais
4h
13/06
Unidade II
4h
20/06*
4h
27/06
2.5 Freqüência às aulas presenciais: obrigatória.
2.6 Número de participantes (mínimo e máximo): 15 mínimo / 45 máximo.
2.7 Público-alvo da Atividade: Docentes e /ou pessoas com experiências anteriores em tutoria.
2.8 Inscrições: 25/03 a 28/04/2006 – via on-line.
2.9 Local dos encontros presenciais: Laboratório de Informática II – CEDU/UFAL.
2.10 Dados Pessoais do Responsável pela Atividade
nome: XXXXXXXXXXXXXX
telefone: XXXXXXXXXXXXX
e-mail: XXXXXXXXXXXXXX
3. Descrição da Atividade
3.1 Justificativa
É preciso que sejam desenvolvidas propostas de capacitação pedagógica e tecnológica para que os educadores e os demais
envolvidos no processo educacional da EAD estejam preparados para uma cultura educacional centrada no aprendente. Pois, não basta
dispor das avançadas TIC. Nada será realizado em termos educativos com essas ferramentas pedagógicas se não houver competência para
transformar informação em conhecimento. Qualquer melhoria ou inovação na educação só é possível se houver professores preparados e
capacitados para trabalhar nessa perspectiva. A formação de professores precisa estar adequada às exigências da sociedade
contemporânea e às mudanças globais que vêm ocorrendo. O profissional docente, assim como todo estudante, precisa ser preparado para
a capacidade de aprender e para a autonomia, dando continuidade à sua formação ao longo da vida. Só assim poderá exercer, no futuro,
funções ainda desconhecidas ou indefinidas em meio às constantes mutações que a sociedade vem passando. O professor enfrenta
desafios com a EAD, que vão desde o de se capacitar em um curso à distância, para conhecer o seu funcionamento ou se qualificar, até o
desafio de criar e/ou professorar um curso à distância. Nossa proposta de curso, pretende fornecer ao professor, que atua ou pretende atuar
*
*
bate-papo agendado entre os participantes envolvidos no curso, durante o momento presencial.
bate-papo agendado entre os participantes envolvidos no curso.
101
na tutoria, condições para enfrentar esses desafios, garantir-lhe a aquisição de competências, que ao lado do saber científico e do saber
pedagógico, proporcionem condições para o seu desenvolvimento como agente, produtor e operador crítico das novas educações
mediadas pelas TIC. Acreditamos que o ideal, na EAD, seria que houvesse uma unidade na concepção e no desenvolvimento do curso a
distância, onde professores e alunos conseguissem numa troca dialógica construir em conjunto o conhecimento, por meio da interação, da
cooperação e do apoio mútuo, partindo das necessidades do grupo ou público alvo ao qual o curso de destina. Assim, a cooperação, a
interatividade e o respeito às diferenças são aspectos que podem ser potencializados pela EAD, com a ação de professores promotores de
intercâmbios entre diferentes linguagens, espaços, tempos e conhecimentos. Portanto, propomos oferecer subsídios que proporcionem a
criação de práticas pedagógicas inovadoras, favorecendo a constituição de comunidades virtuais de aprendizagem no paradigma da
Sociedade em rede.
3.2 Ementa
O curso apresenta a EAD na perspectiva de uma nova abordagem tutorial, considerando a importância do avanço das tecnologias de
informação e comunicação e suas repercussões nesse âmbito. Propomos a introdução de intervenções na tutoria, na perspectiva da
formação de comunidades virtuais de aprendizagem, tendo o cursista como foco. Favorecendo a formação de tutores, conscientes de seus
papéis de orientadores e facilitadores para atuação na EAD.
3.3. Objetivos:
•
Delinear ações para potencializar todos os recursos oferecidos pelo curso;
•
Favorecer a interação entre os partícipes envolvidos no curso, ou seja, coordenador, formador e cursistas de forma dinâmica,
construtiva e reflexiva;
•
Propiciar o reconhecimento, a classificação e a análise do contexto tecnológico educacional;
•
Contribuir na formação profissional e humana, incentivando o uso das TIC na prática pedagógica dos cursistas (futuros tutores).
4. Metodologia
Os módulos que compõem o curso serão disponibilizados no TelEduc, ambiente virtual disponível no site da UFAL. Os participantes
terão acesso a este ambiente,mediante inscrição no curso, via on line, pelo site www.nead.ufal.br/teleduc.
Cada módulo deverá apresentar explicitamente, em local apropriado, a introdução, objetivos, ferramentas de interação síncrona e
assíncrona, exercícios e tarefas, trabalhos em grupos e individuais, pesquisas e a forma como serão feitas as avaliações de cada módulo.
Todas as atividades propostas aos alunos terão data limite para entrega, explicitadas no momento da solicitação das tarefas, assim como as
respostas e comentários do professor.
O ambiente oferecerá ao aluno opções de interatividade que o auxiliarão a fazer uma auto-avaliação da aprendizagem.
Os conceitos não compreendidos pelo aluno, detectados por ele durante a realização das atividades, deverão ser encaminhados ao
professor nos locais apropriados, dentro da sala de aula virtual: Fórum, Mural, Portfólio, Sala de bate-papo e Correio.
Nestes espaços o professor procurará esclarecer as dúvidas do aluno e, caso necessário, sugerir exercícios complementares.
Todas as outras dúvidas que não envolvam conhecimentos específicos sobre o componente curricular serão respondidas pelo tutor do
curso.
Caberá ao tutor também, promover a interação entre os alunos, manter o grupo coeso e interessado e zelar para que o ambiente virtual
torne-se um ambiente de aprendizagem colaborativa e participativa. A participação do tutor, no curso, será diária, nos dias úteis.
Poderão ser agendadas pelo tutor e/ou pelo professor, sessões de interação síncrona (bate-papo) dentro da sala virtual. Os horários das
sessões serão acordados entre os participantes.
Eventuais mudanças e alterações na programação, administração e conteúdo do curso poderão ser feitas, desde que atendam a todos os
alunos e no melhor juízo do professor do componente curricular.
5. Avaliação
O conceito A (9,0 a 10,0) corresponde ao aproveitamento total, pelo aluno, dos objetivos propostos; o conceito B (8,0 a 9,0) e C (7,0 a
8,0) correspondem ao aproveitamento suficiente dos objetivos e o conceito R (menor que 7,0) corresponde ao aproveitamento
insuficiente, pelo aluno, dos objetivos propostos no componente curricular.
A menção final é o juízo que o professor fará do aproveitamento do aluno, considerando os seguintes instrumentos de avaliação:
resolução de exercícios;
trabalhos individuais (produção de textos e reflexões);
trabalhos em grupo (pesquisas e seminários)
participação nas discussões e sessões de interação síncrona e assíncrona propostas.
1- A falta às atividades presenciais, assim como atividades entregues fora do prazo ou não entregues, serão analisadas pelo professor,
levando em conta as justificativas do aluno. O professor poderá, a seu critério, solicitar novas atividades, trabalhos ou provas que lhe
forneçam elementos para avaliação do aluno.
2- Os trabalhos de pesquisa individuais e em grupo serão acompanhados pelo professor e pelo tutor e, ao final, poderão ser enviados para
a sala virtual para discussões e comentários de todos os participantes do curso, ou apresentados presencialmente, conforme determinado
pelo professor.
102
3- As participações nas discussões desenvolvidas nos diversos ambientes do curso são registradas e quantificadas pelo programa TelEduc.
O professor poderá considerá-las não apenas quantitativamente, mas também pela qualidade das interações, das idéias e opiniões do
aluno. Esses dados auxiliarão o professor na composição do perfil do aprendiz e composição do conceito final.
4- O TelEduc guarda registro de todas as participações de professores e alunos, em todas as sessões. Esses registros servem como
parâmetro para o acompanhamento da participação dos alunos e de seu processo de aprendizagem.
Os instrumentos de avaliação mencionados serão utilizados de duas formas:
a) avaliação diagnóstica:
b) avaliação formativa:
6. Módulos :
Módulo 1
Título: Tutoria e EAD
Introdução: A prática de Educação a Distância não é mais uma novidade. No Brasil, no dia 20 de dezembro de 1996, por meio da Lei de
Diretrizes e Bases – LDB, lei 9394, a Educação a Distância foi oficializada. No entanto, o papel da educação se transforma a cada dia
com o avanço das tecnologias da informação e comunicação, as estratégias do professor se modificam para atender as inovações
tecnológicas e aplicá-las em sala de aula. Com isso um profissional de fundamental importância surge, o professor-tutor, este tem o papel
de responder às dúvidas dos alunos, estimulá-los, mediar a interação e participação destes no curso e acima de tudo avaliar cada um. Mas,
este profissional sabe que por mais experiência tenha, em cursos a distância, quando possível, incluir algumas atividades presenciais, pois
torna o aluno, que é o aprendiz, mais comprometido, melhorando assim as interações aluno-tutor e aluno-aluno. Iremos perceber a partir
deste módulo, que a educação do futuro estará baseada em uma mistura significativa de atividades no espaço virtual e no espaço físico.
Objetivo: Promover uma discussão a respeito da Tutoria e a EAD, valorizando sua importância nos cursos a distância e desmistificando o
papel do tutor.
Atividades:
Atividade 1: Preenchimento do Perfil no ambiente virtual de aprendizagem Teleduc e participação no Fórum de discussão. Leitura e
reflexão dos textos: Tutoria 1 e Tutoria 6, disponível na ferramenta Leitura. No diário de bordo você irá inserir as considerações acerca do
encontro presencial e / ou não - presencial.
Atividade 2: Reflexão sobre a temática anexada na ferramenta parada obrigatória, construindo um texto. No diário de bordo você irá
inserir as considerações acerca do encontro presencial e / ou não - presencial.
Atividade 3: Selecione entre os textos Tutoria 2, 4 e 5, disponíveis na ferramenta leituras, um deles para elaboração de uma resenha
crítica. Disponibilize pela ferramenta Portfólio. No diário de bordo você irá inserir as considerações acerca do encontro presencial e / ou
não - presencial.
Atividade 4: Elabore um quadro – síntese sobre aspectos metodológicos que o tutor pode utilizar em um curso. Tenha como base o texto
Ensino e aprendizagem inovadores com tecnologias audiovisuais e telemáticas. A seguir disponibilize no correio. No diário de bordo você
irá inserir as considerações acerca do encontro presencial e / ou não - presencial.
Atividade 5: Bate – papo: utilizando o site Educarede, no item bate-papo (dia 27/05, às 16:00h), com a avaliação do módulo 1, sugestões,
contribuições e críticas sobre a temática tratada.
Pesquisa
Datas
de individual
Grupo
Entrega online/presencial
Local de entrega/TelEduc
entrega
Pesquisa direcionada 22/05
X
Online
TelEduc
Produção
texto/reflexões
Produção de Texto
Produção de Texto
Quadro – síntese
de Datas
de Individual
entrega
08/05
X
15/05
X
26/05
X
Grupo
Entrega online/presencial Local de entrega/TelEduc
online
Outras atividades
TelEduc
Datas
de Individual Grupo Entrega online/presencial Local de entrega/TelEduc
entrega
Bate – papo
27/05
X
online
TelEduc
Ferramentas de interação: (assinalar com um “x” ao menos uma atividade de interação síncrona e duas assíncronas por módulo).
Síncronas:
Bate-papo
X
plantão presencial
X
Telefone
X
Encontro
X
plantão no bate-papo
Outras
presencial
Assíncronas:
Correio
x
Fórum
X perguntas freqüentes
Diário de bordo x
Mural
Portfólio
X
Instrumentos de avaliação neste módulo:
103
Resolução de exercícios
Pesquisas
Produção de textos
Outros
Datas
08/05
22/05
08/05
15/05
26/05
27/05
Módulo 2
Título: Intervenções e novas formas de aprendizagem
Introdução: Estudar novas formas de aprendizagem com recursos tecnológicos e da Internet, satisfaz a aprendizagem. Diversas pesquisas
têm sido desenvolvidas em torno da utilização de recursos informatizados nos processos educacionais. Da mesma forma que chegou às
empresas, instituições e em nossas casas, esses recursos também chegaram em sala de aula, provocando inquietações nos professores e
desafiando-os. Os recursos informatizados, utilizados na EAD, através da tutoria, podem se constituir em uma importante ferramenta
auxiliar no trabalho pedagógico, aprimorando as estratégias das aulas, tornando-as interativas e dinâmicas. Porém, a interação não se dá
só entre os alunos, mas entre os partícipes do curso (tutor, aluno e professor).
Objetivo: Analisar as intervenções e formas de aprendizagem através de ambientes virtuais em cursos a distância.
Atividades:
Atividade 1: Elabore um mapa conceitual tendo como base o texto Mediação Pedagógica e o uso da tecnologia e o texto Tutoria 3,
pontuando as seguintes palavras: TIC, processo de aprendizagem, mediação pedagógica, recursos avaliativos e educação a distância. A
seguir disponibilize no Correio. Diário No diário de bordo você irá inserir as considerações acerca do encontro presencial e / ou não presencial.
Atividade 2: Na ferramenta fórum, entre no fórum comunidades de aprendizagens, a partir do link inserido na apresentação comunidades
de aprendizagens virtuais, faça a leitura do texto A construção de comunidades virtuais numa educação interativa e assim participe na
reflexão coletiva. No diário de bordo você irá inserir as considerações acerca do encontro presencial e / ou não - presencial.
Atividade 3: Construa um plano de aula na perspectiva tutorial, o curso pode ser fictício ou real, utilize algumas leituras para fundamentar
e orientar sua produção. Como os textos produzidos pelo professor Luís Paulo, A utilização do chat como ferramenta didática e Recursos
avaliativos em aulas virtuais. Disponibilize na ferramenta Portfólio. Na ferramenta parada obrigatória (com base no slide disponível), faça
um breve comentário sobre a emergência das comunidades virtuais de aprendizagem.
Atividade 4: A partir das leituras dos planos de aulas de seus colegas de curso e do texto Uma nova abordagem na tutoria em um curso a
distância, elabore uma síntese dos aspectos positivos e negativos que podem influenciar na atuação do tutor e respectivamente no curso
em EAD. Anexe sua síntese no Correio. No diário de bordo você irá inserir as considerações acerca do encontro presencial e / ou não presencial.
Atividade 5: Bate – papo: utilizando o site Educarede, no item bate-papo (dia 20/06, às 9h), com a avaliação do módulo 2, sugestões,
contribuições e críticas sobre a temática tratada.
Produção
de Datas
de individual
Grupo Entrega online/presencial Local de entrega/TelEduc
texto/reflexões
entrega
Mapa Conceitual
29/05
X
Online
TelEduc
Reflexão
05/06
X
Plano de aula
12/06
X
Síntese
19/06
X
Outras atividades
Datas
de individual
Grupo Entrega online/presencial Local de entrega/TelEduc
entrega
Bate – papo
20/06
X
Online
TelEduc
Ferramentas de interação: (assinalar com um “x” ao menos uma atividade de interação síncrona e duas assíncronas por módulo).
Síncronas:
bate-papo
X
plantão presencial
x
Telefone
x
Encontro
X
plantão no bate-papo
Outras
presencial
Assíncronas:
Correio
x
Fórum
x
perguntas freqüentes
Diário de bordo x
Mural
Portfólio
x
Instrumentos de avaliação neste módulo:
Datas
104
Produção de textos
29/05
05/06
12/06
19/06
20/06
Outros
7. Bibliografia
BELLONI, Maria Luiza. Educação a distância. 3ª. ed. Campinas: Autores Associados, 2003.
EMERENCIANO,
Maria
do
Socorro.
Et
all.
Ser
http://www.ricesu.com.br/colabora/n1/artigos/n_1/id02.pdf
presença
como
educador,
professor
e
tutor.
Disponível
em
acesso em 19 abr 06.
GONZALEZ, Mathias. Fundamentos da tutoria em educação a distância. São Paulo: Avercamp, 2005.
LITWIN, Edith. Educação a distância: temas para o debate de uma nova agenda educativa. Porto Alegre: Artmed, 2001.
MATTA, Alfredo Eurico. Comunidades em rede de computadores: abordagem para a Educação a Distância - EAD acessível a todos.
Disponível em: http://www.matta.pro.br/pdf/prod_1_comunidades_em_rede.pdf acesso em 19 abr 2006.
MERCADO, Luís Paulo. Vivências com aprendizagem na Internet. Maceió: Edufal, 2005.
MORAN, José Manuel. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2000.
OLIVEIRA, Eloiza da S. G. et all. Tutoria em educação a distância: avaliação e compromisso com a qualidade. Disponível em:
http://www.abed.org.br/congresso2004/por/pdf/155-TC-D2.pdf. acesso em 19 abr 06.
PRIMO,
Alex
Fernando.
A
emergência
das
comunidades
www6.ufrgs.br/limc/PDFs/comunidades_virtuais.pdf . Acesso em 19/04/2006
virtuais.
Disponível
em:
SOUZA, Carlos Alberto de. Tutoria como espaço de interação em educação a distância. Revista Diálogo Educacional, Curitiba, v. 4,
n.13, p.79-89, set./dez. 2004.
Tutoria em Cursos pela Internet. Disponível em: http://www.comunidade.sebrae.com.br/interloc_educacao/Artigos/5016.aspx . Acesso
em 18 abr 06.
WEIDUSCHAT,Iris. O papel da tutoria na EAD: organizar e dirigir situações de aprendizagem. Disponível em: http://
www.virtual.udesc.br/DAPE/Pesquisa/texto4.doc . Acesso em 18 abr 06.
105
Anexo 2: Ficha de criação de cursos no Teleduc
PROGRAMA FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO
E COMUNICAÇÃO NA EDUCAÇÃO PRESENCIAL E A DISTÂNCIA
FICHA DE CRIAÇÃO DE CURSOS NO TELEDUC
NOME DO CURSO
NÚMERO DE ALUNOS
PERÍODO DE REALIZAÇÃO
CURSO INSTITUIÇÃO
COORDENADOR
TELEFONES PARA CONTATO
E-MAIL (obrigatório)
_______________________________________________________________
assinatura
106
Anexo 3: Ficha de inscrição do curso
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
SECRETARIA DE ENSINO SUPERIOR- SESu
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
PRO-REITORIA DE ENTENSÃO
PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DA
INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA EDUCAÇÃO PRESENCIAL E A DISTÂNCIA
FICHA DE INSCRIÇÃO
CURSO CONSTRUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO PARA EAD NA INTERNET: USO
DE AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM
NOME:___________________________________________________________
ENDEREÇO:______________________________________________________
BAIRRO:__________________________________________________________
TELEFONE:_______________________________________________________
E-MAIL:__________________________________________________________
INSTITUIÇÃO:____________________________________________________
Descreva o motivo por que deseja fazer o curso:
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
____________
__________________________________________________________________
Assinatura
107
