Perfil dos estudantes de Pedagogia e acesso digital 2020

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
LICENCIATURA PLENA EM PEDAGOGIA PRESENCIAL

RELATÓRIO TÉCNICO DE PESQUISA:
Perfil dos estudantes de Pedagogia e acesso digital

Maceió
2020

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
LICENCIATURA PLENA EM PEDAGOGIA PRESENCIAL

RELATÓRIO TÉCNICO DE PESQUISA:
Perfil dos estudantes de Pedagogia e acesso digital

Comissão de Pesquisa:
Profa. Silvana Paulina de Souza (CEDU/UFAL)
Profa. Mônica Patrícia da Silva Sales (CEDU/UFAL)
Prof. Jorge Eduardo de Oliveira
Profa. Conceição Valença da Silva
Centro Acadêmico de Pedagogia - CAPed

Equipe técnica:
Júlio Filipe Nogueira da Silva – (Graduando, representante do CAPed)
Jaqueline Dhenieffe dos Santos (Graduando, representante do CAPed)
Landerson Vinícius da Silva Santos (Graduando, representante do CAPed)
Mylena França de Oliveira (Graduando, representante do CAPed)
Wilker Araújo de Melo (Graduando, representante do CAPed)
Profa Dra Maria Inez Matoso Silveira

Contato:
Profa. Silvana Paulina de Souza (CEDU/UFAL)
silvana.souza@cedu.ufal.br
Profa. Mônica Patrícia da Silva Sales (CEDU/UFAL)
monica.sales@cedu.ufal.br

Maceió, 24 de agosto de 2020.

LISTA DE GRÁFICOS

GRÁFICO 1 – Gênero dos participantes
GRÁFICO 2 – Turno de matrícula dos participantes
GRÁFICO 3 – Faixa etária dos participantes
GRÁFICO 4 – Cor e raça conforme declaração dos participantes
GRÁFICO 5 – Estado civil dos participantes
GRÁFICO 6 – Situação maternal ou paternal dos participantes
GRÁFICO 7 – Situação profissional dos participantes
GRÁFICO 8 – Situação domiciliar dos participantes
GRÁFICO 9 – Recursos tecnológicos acessíveis aos participantes
GRÁFICO 10 – Compartilhamento de recursos tecnológicos
GRÁFICO 11 – Acesso à internet
GRÁFICO 12 – Qualidade do acesso à internet
GRÁFICO 13 – Acompanhamento das informações sobre a pandemia e as ações da
universidade
GRÁFICO 14 – Plataformas digitais que já teve acesso
GRÁFICO 15 – Experiência com o Ambiente Virtual de Aprendizagem
GRÁFICO 16 – Participação em atividades virtuais
GRÁFICO 17 – Desejo de retorno às atividades remotas
GRÁFICO 18 – Condições pessoais para acesso ao ensino remoto
GRÁFICO 19 – Condições psicológicas para acesso ao ensino remoto

SUMÁRIO

1. OBJETIVOS E FINALIDADES DA PESQUISA....................................05
2. PROCEDIMENTOS DE PESQUISA
2.1.
PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS.............................06
2.2.
PROCEDIMENTO DE ANÁLISE DE DADOS............................07
3. RESULTADOS.....................................................................................08
4. CONSIDERAÇÕES INICIAIS...............................................................26
1. APÊNDICE............................................................................................28

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5

1. OBJETIVOS E FINALIDADES DA PESQUISA
A pesquisa “Perfil dos estudantes de Pedagogia e acesso digital” tem como
objetivo geral traçar o perfil dos estudantes do curso de Pedagogia presencial do
Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas (EDU/UFAL) e suas
possibilidades de acesso digital. Como objetivo específico, buscamos: a)
compreender as condições objetivas e subjetivas para uma possível retomada das
atividades de ensino de forma remota; b) possibilitar um espaço de escuta aos
estudantes; c) dialogar sobre as informações e ações da coordenação no período de
pandemia; d) analisar a participação dos estudantes em atividades virtuais propostas
no período.
O questionário foi construído pela Coordenação do curso em parceria com a
Direção do CEDU e com o Centro Acadêmico de Pedagogia – CAPed. A finalidade foi
compreender a realidade dos estudantes do curso de Pedagogia frente à situação de
pandemia decorrente da COVID-19, bem como, levantar os limites e possibilidades
de retomada remota das atividades de ensino.

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2. PROCEDIMENTOS DE PESQUISA
2.1.

PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS

Como instrumento de coleta de dados, utilizamos um questionário virtual que
foi elaborado na plataforma Google Forms. O questionário foi composto por 27
perguntas, sendo 10 perguntas destinadas para a coleta de dados sobre aspectos
direta ou indiretamente ligados à investigação do tema central da pesquisa e as
demais dirigidas à caracterização dos participantes e aos elementos de contexto
ligados à situação vivida durante a pandemia da COVID-19.
A coleta teve início em 31 de julho de 2020 e se encerrou dia 16 de agosto de
2020. O link do questionário foi amplamente divulgado nas redes sociais, grupos de
WhatsApp e enviado por e-mail para os estudantes do curso. Contamos com a
colaboração do CAPed e dos representantes de turma para divulgação e estímulo à
participação dos estudantes, além da colaboração no sentido de levantar os nomes
daqueles que ainda não haviam respondido o questionário
A pesquisa tem como universo 887 estudantes do curso presencial de
graduação em Pedagogia do Centro de Educação da UFAL (CEDU- UFAL. Os dados
sobre a população foram extraídos do sistema Sieweb da Universidade Federal de
Alagoas – UFAL – e se referem aos estudantes regularmente matriculados no
semestre letivo de 2020.1. Nossa opção por trabalhar com os estudantes do semestre
letivo de 2020.1 se deve ao fato de termos realizado o processo de ajuste de matrícula
no período programado, restando apenas as vagas remanescentes a serem
preenchidas. Cumpre destacar, entretanto, que, no que se refere aos estudantes
calouros, ainda há pendências de matrícula, uma vez que a confirmação fica a cargo
da COPEVE.
Com um universo de 887, fez-se um cálculo de amostra que considere 95%
como nível mínimo de confiança e com um erro amostral tolerável em 5%, para
amostras de tipo heterogêneas (50/50); assim, temos como amostra mínima
necessária 269 casos. O mesmo cálculo, para amostras homogêneas (80/20), seria
de 193 casos. A nossa pesquisa contou com a amostra de 742 formulários
respondidos, o que equivale dizer que, a respeito do tamanho da amostra analisada,
temos os resultados de uma pesquisa em que a amostra de 742 casos é
representativa da população. Essa amostra equivale a uma participação de 83% dos

7

estudantes regularmente matriculados no semestre letivo de 2020.1 do curso de
Pedagogia Presencial.

2.2.

PROCEDIMENTO DE ANÁLISE DOS DADOS

O aplicativo Google forms fornece aos pesquisadores um resumo das
respostas com organização de tabelas que indicam os percentuais para cada variante
utilizada, além de fornecer uma planilha de excel com os dados integrais e individuais
da pesquisa. No tratamento e análise dos dados, levamos em consideração não
apenas os dados quantitativos da pesquisa, mas a qualidade desses dados, os
conteúdos manifestos pelos participantes para compreensão do fenômeno
investigado. Importa-nos não apenas o dado bruto, mas os sentidos, significados e
sentimentos expressos pelos estudantes na pesquisa.
Para análise dos dados, buscamos apoio na análise de conteúdo temática,
fundamentada em Bardin (2010) que propicia uma articulação dialética dos dados
empíricos com os fundamentos teóricos. Por meio dessa técnica, buscamos descobrir
os núcleos de sentido que compõem a comunicação dos/as estudantes, cuja presença
e frequência dos elementos são avaliados a partir da análise de sua relação com o
objeto investigado. A análise de conteúdo nos permite organizar categorias ou
subcategorias que nos ajudam a realizar inferências e não somente constatações,
contemplando as condições contextuais de sua produção e dando sentidos à
comunicação.

8

3. RESULTADOS
Antes de expormos os resultados da pesquisa, cumpre destacar que as
primeiras duas perguntas (nome e e-mail) foram utilizadas para que pudéssemos
identificar os estudantes respondentes e não respondentes e atualizar os dados de emails para posterior comunicação. A seguir, apresentaremos os dados quantitativos
da pesquisa e, posteriormente, os dados qualitativos. Sobre o gênero dos
participantes, observamos que são prioritariamente do gênero feminino, como
podemos observar a seguir.

GRÁFICO 1 – Gênero dos participantes

Fonte: as autoras

O curso de Pedagogia tem uma concentração de matrículas prioritariamente
feminina. Tal variável dialoga com a própria identidade profissional do curso e da
profissão docente e guarda relação com o processo histórico de feminilização do
magistério.
No que se refere ao turno de matrícula, tivemos uma participação bem
equitativa. Sendo 36,4% do turno noturno, seguida por 35,3% do turno matutino e
28,3% do turno vespertino, como podemos visualizar na GRÁFICO abaixo. Vale
destacar que o turno vespertino concentra o menor número de estudantes
matriculados.

9

GRÁFICO 2 – Turno de matrícula dos participantes

Fonte: as autoras

Sobre a faixa etária dos estudantes, observamos, na GRÁFICO 3, que o grupo
se encontra na faixa etária de 21 a 30 anos, sendo 58,8% do total de participantes,
seguidos por um grupo de 19,5% entre 31 e 45 anos e 17,4% com menos de 20 anos.
Há ainda um grupo com faixa etária entre 46 e 60 anos que representa menos de 5%
dos participantes, mas que significa muito quando pensamos na oportunidade que o
curso representa para esse grupo que chega tardiamente à universidade. A GRÁFICO
4 ilustra a cor e raça declarada pelos participantes da pesquisa.
GRÁFICO 3 – Faixa etária dos participantes

Fonte: as autoras

GRÁFICO 4 – Cor e raça conforme declaração dos participantes

Fonte: as autoras

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Observamos, na GRÁFICO 4, que os participantes se declaram 53,4%
pardos/as, 23,3% brancos/as e 17,8 % negros/as, 5,1% amarelos/as, 0,4% indígenas.
Sobre o estado civil dos participantes, ficou evidenciado que a maioria é solteiro
– 60,4%. Esse dado dialoga com a própria faixa etária dos participantes, que são
prioritariamente jovens com menos de 30 anos de idade. Quase 30% do grupo é
casado/a ou tem companheiro/a. A GRÁFICO 6 nos mostra que esse grupo de quase
30% também tem filhos. Consideramos esse dado muito importante, sobretudo nesse
contexto em que as escolas estão fechadas e as mães e pais precisam dar conta das
tarefas domésticas, do cuidado com os filhos, do acompanhamento das aulas remotas
das crianças, bem como, do trabalho em home office. Numa sociedade patriarcal
como a nossa, sabemos que essa sobrecarga de atividades atinge principalmente as
mulheres, intensificando a desigualdade de gênero e provocando a priorização de
umas atividades em detrimento de outras, como os estudos, por exemplo, que é nosso
objeto de investigação nesta pesquisa.
GRÁFICO 5 – Estado civil dos participantes

Fonte: as autoras

GRÁFICO 6 – Situação maternal ou paternal dos participantes

Fonte: as autoras

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A GRÁFICO 7 nos revela a situação profissional dos participantes. Nessa
variável, podemos observar que 50,8% dos/as estudantes trabalham formalmente,
informalmente ou em estágio remunerado. O perfil do/a estudante dos cursos de
licenciatura é prioritariamente de trabalhadores, conforme corrobora os dados desta
pesquisa. Os dados revelam também que 13% dos participantes perderam seus
empregos devido à pandemia. Apenas 35,3% dos/as estudantes se dedicam
exclusivamente às atividades de estudo.
GRÁFICO 7 – Situação profissional dos participantes

Fonte: as autoras

Perguntamos

aos

estudantes

quantas

pessoas

residem

com

eles.

Consideramos importante esta informação para avaliar as condições do ambiente
domiciliar para a realização de atividades remotas de ensino. A GRÁFICO 8 ilustra tal
dado, evidenciando que a maioria reside com 2 ou mais pessoas, inclusive com mais
de 5 pessoas.
Consultamos os/as estudantes sobre a cidade de origem e a cidade em que se
encontram no momento. Nesta variável, não localizamos muitas diferenças. Os/as
estudantes não migraram de cidade, permanecem nos lugares de origem. Apenas 3
estudantes se encontram em estados diferentes e 5 estão em cidades diferentes.
GRÁFICO 8 – Situação domiciliar dos participantes

Fonte: as autoras

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GRÁFICO 9 – Recursos tecnológicos acessíveis aos participantes

Fonte: as autoras

Quanto aos recursos disponíveis aos participantes, os dados revelaram que
97,8% deles possuem acesso a celulares e 72,8% possuem acesso a notebooks ou
computadores. Sabemos que o uso de celulares, mesmo os smartphones não são
eficientes, tão pouco adequados para a realização de atividades remotas de ensino.
O próprio Moodle1 tem limitação para utilização de dados em smartphones.
É considerável o número de estudantes com acesso a computadores e
notebooks, entretanto, aos quase 30% que não possuem acesso, precisamos garantir
o direito à educação. Garantias que podem ser dadas por meio de políticas de inclusão
digital pensadas e planejadas não apenas pelas universidades, mas sobretudo, pelo
governo federal, que financia as instituições públicas.
Cumpre destacar que, muitas vezes, os estudantes possuem acesso a esses
recursos, mas ele é compartilhado, como veremos na GRÁFICO a seguir. A GRÁFICO
10 revela que 66,9% dos estudantes compartilham os recursos assinalados com as
pessoas com as quais residem.

1 O Moodle é um sistema de código aberto para a criação de cursos online. Também conhecida como Ambiente

Virtual de Aprendizagem (AVA), a plataforma é utilizada por alunos e professores como ferramenta de apoio ao
ensino à distância e foi adotado por diversas universidades brasileiras para unificar o acesso aos sistemas e
serviços das instituições.

13

GRÁFICO 10 – Compartilhamento de recursos tecnológicos

Fonte: as autoras

Sobre o acesso à internet, 84,9% dos participantes declaram ter acesso
frequentemente e 14,7% têm acesso às vezes. Na GRÁFICO 12, os estudantes foram
convidados a avaliar a qualidade desse acesso. As notas variam entre 5 a 10, o que
dificulta bastante a análise desse dado, sobretudo, porque não sabemos que tipo de
internet eles utilizam; se internet móvel, fibra óptica, via cabo, entre outros. Também
não temos informações sobre a velocidade dos dados.
GRÁFICO 11 – Acesso à internet

Fonte: as autoras

GRÁFICO 12 – Qualidade do acesso à internet

Fonte: as autoras

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No que se refere ao acompanhamento das informações sobre a pandemia e as
ações da universidade, observamos que o meio mais utilizado têm sido as redes
sociais (38,4%) e os grupos de WhatsApp (35,8%). A página oficial da UFAL aparece
com 14,7% dos acessos e os jornais com 9,3%. Nesse aspecto, compete destacar
que a coordenação do curso de Pedagogia dispõe de um grupo de WhatsApp com os
representantes de turma e representantes acadêmicos do curso. O referido grupo tem
sido um canal eficiente de comunicação e meio de divulgação das informações e
ações do curso e de seus docentes.
GRÁFICO 13 – Acompanhamento das informações sobre a pandemia e as ações
da universidade.

Fonte: as autoras

Sobre as plataformas a que tiveram acesso, os estudantes assinalaram moodle
(60%), Meet 2 (47,7), RNP 3 (1,6%) e outras (34,6%), respectivamente. Muitas
plataformas digitais surgiram para atendimento às demandas impostas pela COVID19. Sobre a experiência com o Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA, é o mais
utilizado pelas universidades, incluindo a UFAL. Consideramos importante avaliar a
experiência dos/as estudantes com essa plataforma. No curso de Pedagogia,
conforme o Projeto Pedagógico do Curso – PPC de 2006 – até 20% das disciplinas
poderia ser ministrada pelo AVA. Contudo, como mostra a GRÁFICO 15, os dados se
dispersam em notas que vão de 1 a 10, sendo predominantes as notas acima de 5
pontos.
Os/as estudantes também foram consultados acerca do tipo de informação e
orientação que gostariam de receber nesse momento. Sobre essa questão,

2

Google Meet é um serviço de comunicação por vídeo desenvolvido pelo Google.

3 A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) é uma organização social ligada ao Ministério de

Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do governo federal brasileiro, utilizado para realização
de conferências pela rede acadêmica brasileira.

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novamente a volta às aulas é a preocupação central dos/as estudantes que solicitam
informações mais precisas e claras sobre o possível retorno presencial ou remoto.
Algumas outras questões aparecem de maneira pontual, como matrícula, utilização
de meios de comunicação e plataformas digitais, informações sobre decisões,
encaminhamentos e reuniões. Metade dos participantes diz estar satisfeita com as
informações recebidas e não ter nada a sugerir. Contudo, a outra metade destaca as
informações sobre o calendário e a retomada das atividades.
Sobre os planos que se têm sobre a retomada das aulas presenciais,
além de conteúdos para melhorar a saúde mental. (Protocolo n. 22)4
Sobre o calendário acadêmico (Protocolo n.111)
Aulas remotas (Protocolo n.155)
Previsão de volta às aulas e meios que serão utilizados para
prevenção dos alunos. (Protocolo n.44)
Sobre as aulas na UFAL com mais clareza. (Protocolo n.57)
Possibilidade de pagar disciplinas virtualmente (Protocolo n.60)
Se há previsão de retorno e como ficará o calendário (Protocolo n.88)
Preocupo-me com o retorno das aulas. Como será realizada esta
retomada? Quais serão as medidas que serão adotadas para que os
alunos se sintam um pouco mais seguros? (Protocolo n.100)
Quais as medidas que serão tomadas para o retorno às aulas
presenciais e quando será esse retorno? O que será disponibilizado
para facilitar o acesso às aulas remotas a critério de urgência durante
esse período crítico da pandemia? (Protocolo n.108)
Algumas dúvidas sobre comandos digitais dentro do ambiente virtual.
(Protocolo n.132)
Dicas sobre ensino remoto. (Protocolo n.139)

Como evidenciam as falas dos participantes da pesquisa, a preocupação
central diz respeito à clareza quanto à retomada presencial ou remota do calendário
letivo na universidade. A situação de pandemia já é deveras angustiante e imprecisa;
nesse contexto, ter informações claras sobre o andamento da vida acadêmica é, sem
dúvida, necessária e compreensível.

4 A

identificação dos/as participantes da pesquisa foi feita com base no número do protocolo do
questionário, ou seja, na ordem de resposta.

16

GRÁFICO 14 – Plataformas digitais a que já teve acesso

Fonte: as autoras

GRÁFICO 15 – Experiência com o Ambiente Virtual de Aprendizagem

Fonte: as autoras

No âmbito do Centro de Educação – CEDU, muitas atividades têm sido
realizadas de forma virtual, tais como webconferências, webinários, lives, seminários,
cursos e mini-cursos. Diversas atividades de pesquisa e extensão que poderão
compor a carga horária flexível do curso. Desta forma, consideramos importante
avaliar a participação dos estudantes nas atividades ofertadas pelos docentes do
CEDU. Porém, o dado revelou que apenas 21% dos/as estudantes têm participado de
forma efetiva das atividades virtuais. Os demais, 45,7%, raramente participam e
33,3% não participaram de nenhuma atividade proposta. Ou seja, quase 80% dos/as
participantes não estão participando das inúmeras atividades realizadas pelo nosso
corpo docente.
Além do grupo de WhatsApp e das redes sociais, no site oficial do CEDU foi
hospedado uma página sobre os eventos que estão ocorrendo no âmbito da unidade.
O site foi criado por um grupo de trabalho composto por docentes da unidade e que
alimentam diariamente as informações para o acesso simples e rápido dos

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estudantes. Os grupos de pesquisa criaram canais no Youtube para realização de
atividades virtuais. Também foi criado um observatório do trabalho docente e um
protocolo de biossegurança para o retorno às atividades presenciais. Além disso, os
docentes lançam mão de atividades no Sigaa e em diversas plataformas digitais de
informação e comunicação. Ademais, estamos planejando a Semana Internacional de
Pedagogia e outras diferentes ações que compõem um rol de atividades
extensionistas e de pesquisa que poderão compor a carga horária flexível do curso.
GRÁFICO 16 – Participação em atividades virtuais

Fonte: as autoras

Para compreender melhor essa variável, perguntamos aos estudantes que
elementos dificultam a participação nas atividades propostas virtualmente. Três
categorias emergem nas falas dos estudantes: 1) fatores de ordem tecnológica; 2)
fatores de ordem psicossocial; 3) fatores de ordem pessoal e profissional.
Na primeira categoria, é destacado a falta de acesso à internet, instabilidade
da conexão, 3G lento, ausência de recursos (computadores e notebooks) e/ou o seu
compartilhamento. Na segunda categoria, observamos a presença de fatores de
ordem psicossocial, tais como: problemas emocionais, problemas psicológicos, falta
de disposição, dificuldades com concentração, falta de estímulo ou de vontade,
doença, Covid-19, deficiência visual e baixo rendimento em atividades virtuais. A
terceira categoria enfoca elementos pessoais e profissionais, como o trabalho em
home office, as atividades domésticas, o cuidado com os filhos, a dificuldade em
conciliar as atividades e as condições estruturais (lugar adequado, sem barulho,
recursos) do lar para o acompanhamento das atividades. Vejamos as falas a seguir:
Ter que compartilhar o notebook e não ter um quarto ou lugar isolado
para participar das atividades sem interrupções. (Protocolo n.10)

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Compartilhamento de notebook, internet oscilando, problemas
emocionais e psicológicos. (Protocolo n.29)
A Internet ruim atrapalha muito. Muitas vezes não carrega vídeos e
dificulta para acompanhar lives. (Protocolo n.39)
Não tenho vontade de fazer nada on-line. (Protocolo n.71)

Como podemos observar nas falas acima, são muitos os fatores que dificultam
a participação nas atividades virtuais, além daquelas impostas pelo distanciamento
social decorrente da pandemia, o medo da doença, a necessidade de cuidados
consigo e com a família, as incertezas, perdas de pessoas queridas e todo sofrimento
causado pela pandemia da Covid-19.
Consultamos os estudantes sobre o desejo de retornar as atividades
acadêmicas de ensino de forma remota e obtivemos o seguinte resultado: 42,9%
afirmam querer retornar as atividades de ensino remotamente; 34,9% não tem certeza
e 21,6% afirmam não querer retornar nesse momento. Mais da metade dos/as
estudantes não desejam retornar às atividades de ensino de forma remota. Esse dado
guarda coerência com os posicionamentos dos/as estudantes nas diversas reuniões
realizadas através das quais realizamos a escuta aos representantes de turma.
Entre as diversas justificativas, está o senso de justiça social, o anseio e receio
de não deixar ninguém para traz, nenhum a menos. Esse dado é de um valor
inestimável para nós educadores/as comprometidos com uma universidade pública,
gratuita e de qualidade. Revela o compromisso social com a formação crítica e cidadã
dos/as estudantes assumido pela Universidade Federal de Alagoas e em particular
pelos docentes que fazem o Centro de Educação e o curso de Pedagogia.
GRÁFICO 17 – Desejo de retorno às atividades remotas

Fonte: as autoras

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Ademais, perguntamos aos estudantes se eles gostariam de propor algo com
relação à melhoria das condições de acesso digital para os estudantes do CEDU. As
respostas evidenciaram os motivos da incerteza da realização de atividades de ensino
de forma remota. O conjunto das respostas dos/as estudantes está relacionado
prioritariamente ao desejo de retorno às atividades de ensino de forma remota e as
condições objetivas para sua realização. Os/as estudantes destacam que gostariam
de obter mais informações acerca do ensino remoto, além do estabelecimento de
condições para o acesso daqueles que não dispõem de computadores e de internet.
Vejamos as falas a seguir:
Que coloque as disciplinas mais teóricas para essas aulas virtuais.
(Protocolo n.161)
Gostaria que pelo menos tivessem as disciplinas eletivas on-line,
porque já adiantaria sem prejudicar ninguém (Protocolo n.372)
O acesso à internet e plataformas digitais tem que ser ofertado para
todos os alunos, tendo em vista que caso isso não ocorra, muitos
serão prejudicados. Não acho que a UFAL tenha estrutura logística
para isso, desde recursos financeiros até a comunicação com os
alunos que não possui esse acesso. (Protocolo n.62)
A viabilização de equipamentos eletrônicos com acesso a internet
e uma internet boa que suporte as plataformas de ensino remoto
para os alunos que não possui. (Protocolo n.108)
Acredito que as aulas para os estudantes do CEDU, poderiam
voltar de forma híbrida, com aulas presencias (alguns dias na
semana) e remotas. (Protocolo n.725)
Talvez eleger monitores para auxiliar os professores nas atividades.
(Protocolo n.723)
Apresentar TCC via remota, com todos no meet. (Protocolo n.722)

Os/as estudantes destacam o desejo de retorno às atividades de ensino de
forma remota, mas para isso, preocupam-se em discutir e até sugerir possibilidades
para adequação a um ensino remoto, como mostram as falas abaixo:
Internet e equipamentos (Protocolo n.591)
A instituição precisa realizar ajustes nos laboratórios de informática
para conseguir atender de forma segura os alunos em situação de
vulnerabilidade, além da possibilidade de emprestar computadores em
uso e ampliar a sua rede de internet. Ações como essas estão sendo
tomadas por universidades públicas federais que já elaboraram um
plano de atividade para as aulas remotas e podem ser consideradas
como exemplo. (Protocolo n.315)

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Enviar atividades ou apostilas para nosso e-mail para que quem não
tem acesso à internet em casa possa ter um meio diferente de
conseguir ter acesso as atividades (Protocolo n.214)
Incentivar a doação de equipamentos novos e usados. (Protocolo
n.508)

As falas evidenciam a preocupação dos estudantes com as condições objetivas
para um ensino remoto, assim como a preocupação com aqueles que não dispõem
de recursos para tal, sugerindo doação e/ou disponibilização de equipamentos,
disponibilização dos laboratórios do CEDU, qualificação da internet do centro, além
da disponibilização de apostilas para aqueles que não possuem recursos para o
acompanhamento remoto de atividades de ensino.
Para além do desejo objetivo do retorno às atividades de ensino de forma
remota, consideramos importante compreender as condições subjetivas para esse
possível retorno. Nesse caso, perguntamos aos participantes quais as condições
pessoais e psicológicas para o acesso ao ensino remoto. As GRÁFICOs 18 e 19
ilustram os dados.
GRÁFICO 18 – Condições pessoais para acesso ao ensino remoto

Fonte: as autoras

GRÁFICO 19 – Condições psicológicas para acesso ao ensino remoto

Fonte: as autoras

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Como podemos observar, os valores atribuídos às condições pessoais e
psicológicas para o retorno remoto das atividades de ensino são bastante variáveis.
Embora a concentração de valores seja maior a partir do valor 5, não temos indícios
suficientes para afirmar que, do ponto de vista subjetivo, os participantes têm
condições objetivas e subjetivas para o ensino remoto em tempos de pandemia.
Por último, mas não menos importante, abrimos um espaço para que os
estudantes manifestassem seus sentimentos de forma mais livre, considerando
aspectos não levantados pelo formulário, mas que diz respeito a sua situação
particular e/ou familiar. Nesse espaço, os/as estudantes se expressaram livremente
e discorreram sobre diversas temáticas. Cumpre esclarecer que na análise dessa
variável buscamos realizar uma análise qualitativa das respostas para identificação
das categorias. Após uma análise minuciosa dos dados, identificamos as seguintes
categorias: a) condições emocionais dos/as estudantes; b) implicações da
pandemia na vida dos/as estudantes e de seus familiares; c) ensino remoto:
possibilidades e desafios.
A primeira categoria apresenta as condições emocionais dos/as estudantes.
Nela, podemos observar adjetivos como estressada, cansada, entediada,
desanimada, frustrada, apreensiva, preocupada, assustada, aflita, triste e ansiosa.
Os/as estudantes destacam que as crises de ansiedade e os problemas psicológicos
já existiam, mas que a pandemia os intensificou, funcionando como um gatilho. Além
disso, experimentam outros sentimentos que implicam no seu estado de saúde
mental e na condição de bem estar e de mal estar.
Estou me sentindo frustrada e ansiosa o tempo todo e sem motivação
para nada. Minha família está bem na medida do possível, estamos
isolados, porém, ansiosos com toda situação da pandemia.
Fisicamente e financeiramente bem, mas emocionalmente abalados.
(Protocolo n.369)
Estou me sentindo extremamente cansada psicologicamente e
fisicamente. O home office exige muito, é ótimo ter um emprego nesse
momento; porém, minha estabilidade mental está péssima. (Protocolo
n.303)
Estou em trabalho remoto. Posso dizer que a demanda é maior do
que estado presencial, alguns fatores não colaboram para
desenvolvimento do trabalho, notebook e principalmente internet.
Estou em fase de conclusão do TCC, porém, não consigo
desenvolver minhas leituras, uma sensação de cansaço assola, não
consigo pensar, assimilar os assuntos, mas, fico pensando que

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outros conseguem, e eu não, isso é frustrante. Enfim, espero que
volte ao normal, pelo menos parecido como antes. (Protocolo n.469)
Estou me sentindo extremamente sufocada e inválida. (Protocolo
n.226)
Estou me sentindo psicologicamente bem, mas triste pela a situação
que estamos vivenciando na área da educação. (Protocolo n.)
Estou passando por um momento delicado, devido à pandemia. Pois
tenho transtorno de ansiedade e ficar isolada só aumentou a minha
ansiedade. E financeiramente, também não tem sido fácil. Não
gostaria de perder mais um período, porque considero que seria um
atraso ainda maior nos meus planos em relação a meu futuro
profissional. (Protocolo n.)
Estou triste porque fiquei sem emprego por conta da pandemia e tô
sentindo falta das aulas por conta do meu transtorno de ansiedade.
(Protocolo n.689)
Eu estou um pouco cansada de estar em casa, e um pouco
depressiva. (Protocolo n.276)
No início da pandemia apresentei diversas crises de ansiedade por
conta da mudança drástica de rotina. Atualmente, estou melhor, porém
não estou 100 por cento. Ando passando por inúmeros problemas
familiares e mal ando tendo tempo para os estudos. (Protocolo n.694)

Todos esses sentimentos retratados pelos estudantes refletem de alguma
forma a situação vivida. Entretanto, em muitas falas, observamos que a ansiedade
e os problemas de saúde mental foram agravados pela pandemia, mas já acometiam
o cotidiano desses/as estudantes. O distanciamento social além de transformar a
rotina, agravou o estado de saúde mental dos indivíduos.
Mas, nem tudo é dificuldade, muitos/as estudantes relataram estar bem e
redescobrindo caminhos e formas de viver nesse cenário, ressignificando valores,
se aproximando dos familiares e de algum tipo de espiritualidade e fé. As falas a
seguir nos mostram essa perspectiva.
A pandemia nos aproximou. (Protocolo n.730)
Aproveitando meus pais e família em casa. (Protocolo n.709)
Atualmente estou conseguindo ser mais produtiva e isso está me
fazendo bem. (Protocolo n.334)
Bem, apesar de toda calamidade, acredito que estou me
ressignificando emocional e psicologicamente. Minha saúde mental
está estável. Minha - família também está equilibradamente bem.
(Protocolo n.16)

23

Diante do que vivemos, procuro me manter tranquila e esperançosa
por dias melhores; graças a Deus eu e minha família estamos bem.
(Protocolo n.515)
Estamos bem, às vezes um pouco de ansiedade, porém procuramos
espairecer a mente fazendo caminhada, jogando baralho, uno, etc.
(Protocolo n.510)
Estamos cuidando uns dos outros, e tomamos cuidado com os
familiares do grupo de risco. (Protocolo n.640)
Estou bem, apesar de estar distante, consigo compreender a
complexidade do momento vivido pela humanidade. Procuro viver
cada dia com o máximo de equilíbrio possível. Gratidão por esse olhar
humanizado para conosco. (Protocolo n.488)
Estamos todos bem, graças a Deus. Estamos nos cuidando
fisicamente, psicologicamente, fraternalmente e espiritualmente.
Esperançosos em Cristo e na intercessão da Virgem Maria de que
em breve tudo possa se resolver e confiantes na misericórdia de
Deus para com a humanidade. (Protocolo n.131)

A aproximação com a família e a fé se revelam como fonte de resiliência para
estes/as estudantes que buscam alternativas para sentirem-se bem, cuidando,
protegendo e compartilhando com os familiares a esperança por dias melhores e
pela superação da situação vivida no mundo.
Em complemento à primeira categoria, a segunda categoria evidencia as
implicações da pandemia na vida dos/as estudantes, os problemas financeiros, a
perda de emprego, o luto, a insegurança, o medo do contágio, a incerteza do futuro,
a falta de perspectivas formativas e profissionais, a ausência de interação e
socialização que afetam suas vidas de maneira intensa e profunda.
Mãe, avó, tios e primos contaminados pela Covid-19, chegando, à
hospitalização. (Protocolo n.03)
Me sinto apreensiva em relação a tudo! A nossa segurança e situação
econômica. Eu e minha mãe ficamos desempregadas com a pandemia
e só meu pai permaneceu trabalhando todo esse tempo. (Protocolo
n.699)
Meu esposo pegou Covid-19 a 4 meses atrás, perdeu o emprego e
ficou com sequelas do vírus. (Protocolo n.333)
Meu pai e eu perdemos o emprego e minha mãe teve as horas do
trabalho reduzidas portando, estamos com dificuldades financeiras e
o auxílio que recebo tem sido essencial nesse momento. (Protocolo
n.252)

24

Minha família além de mim e meu esposo tivemos casos de COVID19 em sua maioria com alta, entretanto, perdi colega de trabalho e
meus pais e esposo se encontram no grupo do risco. Desta forma meu
psicológico não está 100% pois sofro com problemas de ansiedade e
síndrome do pânico que tem aumentado neste período, mas, sempre
que posso tenho feito cursos de qualificação EaD. (Protocolo n.307)
Aflita com a situação da pandemia e as vezes estressada. Tenho dois
filhos e um deles tem autismo, que requer bem mais atenção quando
está agitado. É difícil mantê-los em casa nesta situação de
quarentena. Pois sua rotina de ir à escola e as terapias foram
mudadas. (Protocolo n.132)

O grande número de mortos pela pandemia, o distanciamento social, o medo
de contrair o vírus, o luto, a crise financeira, a falta de suprimentos, o excesso de
informação e o tédio são alguns das implicações do vírus na vida das pessoas.
Funcionam ainda como estressores que podem causar ou agravar doenças mentais,
como evidenciaram as falas dos/as estudantes na primeira categoria discutida.
A terceira categoria – ensino remoto: possibilidades e desafios, focaliza o
desejo de um possível retorno às atividades de forma remota e nas condições
objetivas e subjetivas desse retorno. Por um lado, os/as estudantes destacam seu
desejo de retorno como fuga para os problemas que estão vivenciado. Por outro
lado, destacam as dificuldades e preocupações com o retorno remoto, inclusive as
condições materiais para tal.
Me sinto bem, porém chateada porque as aulas online já deveriam
ter começado há muito tempo. (Protocolo n.546)
Me sinto ainda muito insegura para sair de casa e muito preocupada
com o futuro. Espero que a universidade possa buscar inovações e
segurança para todos os estudantes, e repensar seu ensino, afinal, o
mundo inteiro mudou. Novas necessidades foram estabelecidas.
(Protocolo n.447)
Estou me sentindo bem, porém tenho medo de retornar às aulas
presencialmente, prefiro de forma remota. Pois tenho uma filha
nascida e prezo pela saúde dela. (Protocolo n.395)
Estou bem desanimada e preocupada com a minha situação
financeira, mas creio que com o ensino remoto eu vá me sentir menos
isolada e preocupada. (Protocolo n.139)
Estou bem apesar das circunstâncias. Perdi meu avô há alguns dias
decorrente de um problema no coração e agora moro sozinha. Nem
sempre é fácil, mas as aulas remotas me dariam um pouco de foco em
algo que não seja os problemas de agora. (Protocolo n.368)

25

Estou bastante assustada e com medo de contrair o vírus, pois perdi
meu avô em decorrência ao Covid-19 e isso abalou todos os
familiares. Porém, acredito que podem ser pensada algumas maneiras
de um ensino remoto para que os alunos consigam dar continuidade
à formação. (Protocolo n.737)
Acho que com atividades complementares on-line ou até mesmo aulas
on-line eu conseguiria voltar aos poucos a ter rotina e me ajudaria
muito a ocupar minha mente! Além de tirar de mim mais uma
preocupação que vem me atormentando: dois períodos de aula
perdidos, um ano que eu não fiz nada para a minha formação.
(Protocolo n.255)

Das falas acima, depreendemos que os/as estudantes demonstram o desejo
de retorno às atividades de ensino de forma remota. Eles/as preocupam-se com sua
formação e com um ano letivo sem atividades de ensino. Contudo, como relatamos a
outras questões que eles pontuam que merecem destaque, como as condições para
sua realização.
Estou no interior, onde moro com meus pais. Esse período de
isolamento/distanciamento social tem me deixado muito ansiosa. Ao
mesmo tempo que eu quero que tudo isso acabei logo, fico nervosa
ao pensar o que nos espera quando tivermos que retornar às
atividades. Essas dúvidas que surgem, sobre uma possível volta às
aulas (ainda que de maneira remota), também tem me deixado muito
ansiosa, visto que no momento não possuo notebook e acredito que
isso dificultaria meu acesso às aulas. (Protocolo n.206)
Desejo muito retomar as aulas mesmo que virtualmente, mas meu
maior receio é de não conseguir conciliar atualmente TUDO. trabalho,
casa, família com as atividades remotas diárias! (Protocolo n.656)
Estou gestante, no sétimo mês e estou muito preocupada com tudo
isso que estamos passando penso que as aulas podem ser sim
remotas, mas desde que todos os colegas do curso tenham o mesmo
direito que eu. (Protocolo n.287)

Observamos que os/as estudantes levam em consideração as questões objetivas
e subjetivas para o retorno remoto das atividades de ensino, dentre elas, as condições
pessoais, materiais e as questões de justiça social. As falas ilustram as incertezas do
momento vivido, inclusive do ponto de vista da retomada do ano letivo. Para os/as
estudantes da Pedagogia, todos/as devem ser incluídos indistintamente.
4. CONSIDERAÇÕES

26

Na busca de encontrar caminhos para a elaboração, planejamento e realização
de ações de ensino, pesquisa e extensão no curso de Pedagogia, realizamos o
levantamento dos dados que ora apresentamos por meio da produção deste relatório
técnico. Consideramos que o documento atingiu seu objetivo e finalidade por meio da
participação de 83% dos alunos na atividade responsiva do questionário. Tivemos um
quantum relevante de respostas às questões levantadas, o que nos permite fazer
algumas inferências sobre o perfil dos estudantes de Pedagogia e o acesso digital.
Embora os dados retratados sejam úteis para resumir, fornecer informações
descritivas sobre as variáveis, possibilitar análises, pensa-se ser necessário realizar
uma relação entre as variáveis, aliadas às respostas dissertativas. Desta forma, ao
longo do documento procuramos articular os dados objetivos da pesquisa com
aqueles de caráter mais subjetivo.
Na análise dos dados quantitativos levantados pelo questionário, à primeira
vista, reflete a participação positiva dos alunos, assim como também, suas condições
favoráveis no que se refere as possibilidades de estudo nesse momento atípico.
Porém, faz-se necessário considerar os 20% de alunos que não podem e não poderão
acompanhar as propostas de atividades sugeridas pelo curso, assim como os 17%
que não responderam ao questionário. Com relação a esses/essas estudantes, em
particular, a coordenação tem tentando levantar quem são para buscar outras formas
de contato, como a ligação telefônica.
Contudo, os dados qualitativos da pesquisa evidenciam as principais angústias,
interesses e retratam um pouco do cotidiano, das experiências e vivências dos/as
estudantes em tempos de pandemia. Outrossim, também se destacam as condições
emocionais, estruturais, econômicas e materiais para o acesso digital.
Ficou evidenciado nas diversas falas dos/as estudantes de Pedagogia o desejo
de um retorno ao calendário escolar. Embora, do ponto de vista quantitativo, os dados
evidenciem a incerteza ou o não desejo de um ensino remoto. Sob a perspectiva
qualitativa, as respostas subjetivas cuja oportunidade de fala é facultada, vimos de
forma latente a ansiedade pelo retorno às atividades remotas. Contudo, cumpre
esclarecer e destacar que os argumentos apresentados levam em consideração as
condições de igualdade social e a consciência coletiva de que a universidade é um
bem público de todos e para todos, devendo ser resguardado o direito à educação de
forma indistinta.

27

Não obstante, a questão do distanciamento social trouxe uma série de
implicações na vida dos/as estudantes e de seus familiares, agravando e
intensificando a questão da saúde mental. Também ganham destaque os problemas
financeiros, o medo, a insegurança, o estresse, o cansaço, a ansiedade, entre outros
fatores que desencadeiam uma situação de acometimento da saúde mental dos/as
estudantes ou funcionam como gatilhos, já que muitos/as estudantes relatam estar
com a saúde mental acometida, mesmo antes da pandemia.
O relatório convida a uma discussão para além dos números e das informações
sobre acesso digital, quando, por exemplo, apresenta dados sobre trabalho, filhos,
condições emocionais e estruturais, entre outros. Mais do que avaliar as condições de
acesso, o Questionário da Pedagogia buscou dar voz aos/as estudantes, para que
possamos protagonizar e construir juntos estratégias, ações e planejamentos para o
período de pandemia e pós-pandemia.
Destacamos o envolvimento do Centro Acadêmico do curso – o CAPed – e dos
representantes de turma que foram fundamentais para a elaboração, aplicação e
análise deste questionário. Destacamos ainda o compromisso do Colegiado Ampliado
do curso que, de forma comprometida, ética e humana tem buscado diuturnamente
oportunizar aos/as estudantes atividades significativas de pesquisa e extensão, além
do compromisso político com as discussões e deliberações sobre a situação
acadêmica vivida.
Orgulha-nos profundamente a capacidade política dos/as estudantes que lutam
por justiça social, bem como, a capacidade de empatia. Esperamos, com os dados
deste relatório, possibilitar ao nosso Colegiado Ampliado, uma ferramenta de consulta
e fundamentação para as proposições que acompanham o período de pandemia e
pós-pandemia.

05/09/2020

Perfil dos estudantes de Pedagogia e acessibilidade digital

Pe il dos estudantes de Pedagogia e
acessibilidade digital
Caro/a estudante, você está sendo convidado a participar da pesquisa sobre o Perfil do
estudante de Pedagogia e a acessibilidade digital. Trata-se de uma ação do curso de
Pedagogia presencial do Campus AC. Simões juntamente com o CAPED para traçar o perfil
dos estudantes e analisar as condições de acesso digital.
Agradecemos a sua colaboração! Contato: coordpedufal@gmail.com
*Obrigatório

1.

Nome: *

2.

E-mail: *

3.

Gênero *
Marcar apenas uma oval.
Feminino
Masculino

4.

Estado civil *
Marcar apenas uma oval.
Casado
Solteiro
Outro

https://docs.google.com/forms/d/1l19VrTVQTG3YoAF3AOQTbfgel2Lm-UaBtZUjjs9Qvk8/edit

1/7

05/09/2020

5.

Perfil dos estudantes de Pedagogia e acessibilidade digital

Como você se declara? *
Marcar apenas uma oval.
Negro/a
Pardo/a
Amarelo/a
Branco/a
Indígena

6.

Faixa etária *
Marcar apenas uma oval.
Menos de 20 anos
Entre 21 e 30 anos
Entre 31 e 45
Entre 46 e 60
Mais de 60 anos

7.

Cidade onde mora? *

8.

Cidade onde está atualmente? *

9.

Tem filhos? *
Marcar apenas uma oval.
Sim
Não

https://docs.google.com/forms/d/1l19VrTVQTG3YoAF3AOQTbfgel2Lm-UaBtZUjjs9Qvk8/edit

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05/09/2020

10.

Perfil dos estudantes de Pedagogia e acessibilidade digital

Turno de matrícula *
Marcar apenas uma oval.
Matutino
Vespertino
Noturno

11.

Você trabalha?
Marcar apenas uma oval.
Sim, formalmente
Sim, informalmente
Sim, estágio remunerado
Não trabalho
Perdi o emprego, devido a pandemia

12.

Quantas pessoas residem com vc? *
Marcar apenas uma oval.
1
2
3
4
5
Mais de 5 pessoas

https://docs.google.com/forms/d/1l19VrTVQTG3YoAF3AOQTbfgel2Lm-UaBtZUjjs9Qvk8/edit

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13.

Perfil dos estudantes de Pedagogia e acessibilidade digital

Tem acesso a: *
Marque todas que se aplicam.
Celular
Tablet
Computador
Notebook
Outros

14.

Você compartilha o recurso assinalado acima com alguém? *
Marcar apenas uma oval.
Sim, frequentemente
Sim, às vezes
Não

15.

Possui acesso à internet? *
Marcar apenas uma oval.
Sim, frequentemente
Sim, às vezes
Não

16.

Em uma escala de 1 a 10, quanto você classifica a qualidade do acesso a
internet?
Marcar apenas uma oval.
1

2

3

4

5

6

https://docs.google.com/forms/d/1l19VrTVQTG3YoAF3AOQTbfgel2Lm-UaBtZUjjs9Qvk8/edit

7

8

9

10

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17.

Perfil dos estudantes de Pedagogia e acessibilidade digital

Tem acompanhado as informações sobre a pandemia e as ações da
Universidade por qual meio? *
Marcar apenas uma oval.
Página oficial da UFAL
Jornal
Redes sociais
Grupos do WhatsApp
Outros

18.

Tem participado das atividades propostas virtualmente? *
Marcar apenas uma oval.
Frequentemente
Raramente
Não participei de nenhuma

19.

Se não acompanha, o que dificulta? *

20.

Que tipo de informação e orientação gostaria de receber, além das
disponibilizadas pelos meios de comunicação? *

21.

Você gostaria de retornar as atividades acadêmicas de forma remota? *
Marcar apenas uma oval.
Sim
Não
Não tenho certeza
Outro

https://docs.google.com/forms/d/1l19VrTVQTG3YoAF3AOQTbfgel2Lm-UaBtZUjjs9Qvk8/edit

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05/09/2020

22.

Perfil dos estudantes de Pedagogia e acessibilidade digital

Em uma escala de 1 a 10, como você classifica as suas condições de acesso ao
ensino remoto? *
Marcar apenas uma oval.
1

23.

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Em uma escala de 1 a 10, como você classifica a sua experiência com o
Ambiente Virtual de Aprendizagem - AVA? *
Marcar apenas uma oval.
1

24.

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Assinale as plataformas que você já teve acesso: *
Marque todas que se aplicam.
Moodle
Meet
RNP
Outros

25.

De acordo com as noticias recentes e condições pessoais nesse período de
distanciamento social, decorrente da pandemia do COVID-19, em uma escala
de 0 a 10, o quanto você se sente psicologicamente bem? *
Marcar apenas uma oval.
1

2

3

4

5

6

https://docs.google.com/forms/d/1l19VrTVQTG3YoAF3AOQTbfgel2Lm-UaBtZUjjs9Qvk8/edit

7

8

9

10

6/7

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26.

Perfil dos estudantes de Pedagogia e acessibilidade digital

Você tem algo a propor com relação à melhoria das condições de acesso digital
para os estudantes do Cedu? *

27.

Diga-nos como você está se sentindo? Conte-nos algo sobre você ou sua
família? *

Este conteúdo não foi criado nem aprovado pelo Google.

Formulários

https://docs.google.com/forms/d/1l19VrTVQTG3YoAF3AOQTbfgel2Lm-UaBtZUjjs9Qvk8/edit

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